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MÓDULO 7 - Itinerários e Destinos Turísticos

1. Itinerários Turísticos e a História


1.1. Os primeiros itinerários
1.2. Definição de itinerários, circuitos e rotas turísticas

2. Modalidades e Tipologia de Itinerários


2.1. Tipologia de itinerários turísticos
2.2. Definição e regras de organização de itinerários e circuitos turísticos
2.3. Modalidades de comercialização

3. Os Itinerários e os Destinos Turísticos

4. Elaboração de Circuitos e Itinerários Turísticos


4.1. Oferta turística local
4.2. Oferta turística regional

DEFINIÇÕES GERAIS

O conceito de itinerário confunde-se muitas vezes com outros termos que podem ter diferentes leituras.

ITINERÁRIO:
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Descrição de um caminho ou de uma rota especificando os lugares de passagem e propondo uma série
de actividades e serviços durante a sua duração. (Gomez e Quijano)

Definição que poderá englobar Circuito, Visita e Rota.

CIRCUITO:

Entende-se aquela viagem combinada em que intervêm vários serviços: transportes, alojamento,
guia, ..., que se realiza de acordo com um itinerário programado e com um desenho circular sempre que
seja possível (o ponto de partida e de chegada serão coincidentes), de modo a que se passe por um
caminho anteriormente percorrido (Picazo)

Conjunto de caminhos e visitas que se complementam constituindo um itinerário fechado, que tem
inicio e término no mesmo local.

VISITA:

Reconhecimento, exame ou inspecção de um lugar de paragem incluído num itinerário. A visita


representa cada uma das paragens que compõem um itinerário.

ROTA:

Sinónimo de itinerários, em sentido restrito, em que a saída e a chegada não são coincidentes no mesmo
ponto.

O conceito de Rota e Itinerário podem ser considerados sinónimos embora seja de realçar o facto de
Rota estar associada a uma direcção, a um percurso dirigido. Por outro lado, o conceito de Rota tem sido
usado preferencialmente em termos institucionais e promocionais. Relativamente ao conceito de Roteiro
está quase sempre associado a uma descrição, mais ou menos exaustiva, dos aspectos mais relevantes
da viagem e, particularmente, dos principais locais de interesse turístico.

FORFAIT:

Nome técnico utilizado para um tipo de Itinerário organizado cujo preço inclui todos os serviços. Dentro
deste podemos distinguir Forfait para a Oferta – viagens programadas para serem posteriormente
vendidas pelos retalhistas – e Forfait para a Procura – viagens organizadas à medida do cliente (Gomez e
Quijano)

DEFINIÇÕES NO CONTEXTO DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS

Decreto-Lei nº.41 248, de 31 de Agosto de 1957


Entende-se por circuito turístico o transporte de excursionistas em autocarro, intra ou extramuros das
localidades, realizado periódica e regularmente, segundo horários, itinerários e tarifas aprovadas pelos
serviços de turismo (da actividade das agências de viagens / art.º. 10-1).

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Turística

Decreto-Lei nº.198/93, de 27 de Maio


Entende-se por viagem organizada a combinação prévia, por um preço tudo incluído, de transporte,
alojamento ou outros serviços turísticos não subsidiários daqueles, que sejam uma parte significativa da
viagem organizada (termo «viagem organizada» substitui «circuitos turísticos» e «excursões» -
Preâmbulo)

Decreto-Lei nº.12/99, de 11 de Janeiro


São viagens turísticas as que combinam dois dos serviços seguintes: transporte; alojamento; serviços
turísticos não subsidiários do transporte (das viagens turísticas: noção e espécies – Capítulo IV / Artº. 17-
1).

São viagens organizadas as viagens turísticas que, combinando previamente dois dos serviços seguintes,
sejam vendidas ou propostas para venda a um preço com tudo incluído, quando excedam vinte e quatro
horas ou incluam uma dormida: transporte; alojamento; serviços turísticos não subsidiários dos
transportes (Artº. 17-2).

São viagens por medida as viagens turísticas preparadas a pedido do cliente para satisfação das
solicitações por este definidas (Artº. 17-3).

DEFINIÇÃO DE CIRCUITOS TURÍSTICOS NO CONTEXTO DOS ÓRGÃOS REGIONAIS DE TURISMO

Decreto-Regulamentar nº.24/93, de 19 de Julho


Consideram-se circuitos turísticos todos os percursos regularmente realizados cujo itinerário, meio de
transporte, horários e visitas de pontos de interesse turístico sejam determinados e anunciados
previamente (da realização de circuitos turísticos pelos órgãos regionais de turismo – Secção II / Artº. 12)

7.1.3. DEFINIÇÕES NO ÂMBITO DO TURISMO DE NATUREZA

Decreto-Regulamentar nº.18/99, de 27 de Agosto


Entende-se por percurso interpretativo o caminho ou trilho devidamente sinalizado que tem como
finalidade proporcionar ao visitante, através do contacto com a natureza, o conhecimento dos valores
naturais e culturais da área protegida (AP) (definições / art.º. 2-e)

Os percursos interpretativos devem indicar o teor, a extensão, a duração, o número máximo de


participantes por grupo e por dia e os meios de transporte permitidos ou aconselháveis e ser
obrigatoriamente acompanhadas por guias de natureza, ou em alternativa por pessoal com formação
adequada (requisitos específicos / Artº 5-2-d)

As rotas temáticas devem privilegiar a divulgação e promoção dos contextos mais representativos da
economia, cultura e natureza da cada AP e devem promover a utilização e a recuperação de meios de
transportes tradicionais (Artº. 5-f)

TIPOS DE ITINERÁRIOS TURÍSTICOS

As tipologias e classificações de itinerários variam conforme o critério utilizado. Assim, podemos


classificar os itinerários segundo a motivação subjacente e, nesse sentido segundo o tipo de produto
turístico, ou segundo o tipo de transporte utilizado. Outro tipo de classificação pode ser baseado na
forma de organização.

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1. ITINERÁRIOS SEGUNDO O PRODUTO TURÍSTICO

A) DESPORTIVOS
Este é um tipo de itinerário cada vez mais procurado e capaz de mover um grande número de pessoas.
Aqui podemos incluir o turista passivo, isto é, o turista espectador de eventos desportivos, por exemplo
dos Jogos Olímpicos ou o turista activo que é sem dúvida o segmento mais importante neste tipo de
itinerários.

Destes podemos referir os praticantes (ou aprendizes) de ski, windsurf, golfe, ténis, vela, caça, pesca,
parapente, pára-quedismo e muitas outras actividades desportivas que despertam cada vez mais o
interesse de um grande número de pessoas que procuram férias activas.

B) CULTURAIS
A motivação cultural é sem dúvida das mais importantes motivações associadas ao turismo e que tem
dado origem a itinerários temáticos muito interessantes baseados nas especificidades de cada região. De
facto, a elaboração destes itinerários (e de uma maneira geral de todos os outros) deve ter em conta a
autenticidade das regiões, aquilo que as torna únicas e diferentes. Dentre deste grande grupo podemos
então distinguir:

- Históricos: podem-se encontrar fios condutores históricos que dão origem a rotas interessantes,
recorrendo a lugares frequentados por pessoas de reconhecido valor, evocando personalidades e
revivendo as respectivas épocas históricas.

- Literários: rotas que tenham por base alguma personagem – escritor, poeta ou corrente literária
concreta.

- Artísticos: a arte atrai muitas pessoas. É possível, por exemplo, unir monumentos do mesmo estilo que
permitam dar uma ideia global do mesmo.

- Folclore: representações folclóricas, festivais, festas, jogos populares, bailes e festas tradicionais.

- Artesanato: as artes e ofícios tradicionais podem ser o fio condutor na concepção de uma rota.
- Gastronómicos: baseados nas tradições gastronómicas de cada região, este tipo de itinerário salienta
os pratos típicos e produtos alimentares de cada região assim como os vinhos.
- Arquitectura Popular: suscita um grande interesse as formas e modos de viver de cada região,
reflectidos nas construções e conjuntos de edifícios mais representativos.

- Educacionais: nesta categoria estão incluídas todas as viagens organizadas com objectivo de aprender
sobre uma temática relacionada com conteúdos curriculares e/ou questões profissionais

C) ECOLÓGICOS OU DA NATUREZA
Este tipo de itinerários vem suscitando um interesse crescente motivado, em parte, pelo ritmo da vida
moderna das grandes cidades. O objectivo é proporcionar aos participantes o usufruto e o contacto com
a natureza e valores do património natural (e cultural) que estes espaços encerram.

As Áreas Protegidas são, pelas suas características, locais privilegiados para a realização deste tipo de
itinerários o que obviamente deve ter em consideração critérios de conservação e salvaguarda dos
recursos naturais.

D) RELIGIOSOS
A Religião foi uma das primeiras motivações de viagem da Humanidade e que, nos dias de hoje continua
a motivar um grande número de pessoas a viajar para locais relacionados com as manifestações
religiosas e locais de culto religioso.

O Caminho de Santiago de Compostela é, ainda hoje, um exemplo célebre, apresentando-se como um


dos itinerários mais importantes de origem religiosa tendo sido declarado pelo Conselho da Europa, o

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primeiro itinerário cultural europeu pela sua importante contribuição para o desenvolvimento da cultura
europeia.

E) TURISMO DE SAÚDE
Os itinerários relacionados com esta temática incluem não só as termas e os equipamentos associados
como também locais relacionados com o climatismo e a talassoterapia. Estes são, de facto, produtos
com um grande crescimento e que podem ser conjugados com programas de actividades de recuperação
da forma, de combate ao stress através, por exemplo da hidroterapia, desporto, dietética e higiene da
forma de viver.

F) DE AVENTURA
Associado a uma tendência crescente face a um turismo activo em que se procura cada vez mais
emoções e novas experiências, os itinerários baseados na aventura procuram ser alternativas em que a
tónica está nas actividades propostas e na respectiva “intensidade de emoções”.

Estão normalmente associados a desportos radicais e incluem uma grande variedade de modalidades
possíveis dos quais se destacam: parapente, trekking, pára-quedismo, Rafting, escalada, rotas todo o
terreno, etc.

G) TURISMO SOCIAL
O turismo social pretende criar as condições necessárias para que os sectores da população, que por
razões económicas ou por falta de hábito, educação ou informação, têm permanecido até ao momento
fora do movimento turístico tenham assim acesso ao turismo.

H) DE FÉRIAS OU DE LAZER
Trata-se de uma designação genérica em que a motivação principal não está relacionada com nenhum
interesse específico dos participantes. O objectivo é simplesmente sair do ambiente habitual, descansar
e recuperar forças durante o período de férias. Baseiam-se normalmente em estâncias de praia ou no
interior em que se combina um alojamento fixo com excursões e actividades nos arredores.

2. ITINERÁRIOS SEGUNDO O MEIO DE TRANSPORTE UTILIZADO

Cada meio de transporte utilizado imprime um carácter e um estilo de viagem diferente. Actualmente, o
autocarro e o avião são os meios mais utilizados, sendo a flexibilidade e a mobilidade as vantagens do
primeiro e a velocidade e o conforto as do segundo. O comboio e o barco têm conotações mais
românticas dado que são os meios mais antigos e, por isso, também, quando utilizados, imprimem
alguma originalidade e autenticidade. Também o automóvel assume a sua importância, principalmente
quando falamos de “Auto Férias”.

A) DE AUTOCARRO
Há várias formas de utilização do autocarro:

- Os circuitos fechados (Round Trip): aqueles que realizam a viagem completa no autocarro, isto é, ida e
volta.

- Os serviços de lançadeira ( Back to Back): que são utilizados por vários serviços. Quando um autocarro
leva um grupo de clientes que iniciam as suas férias pode regressar com outro que as está a acabar
permitindo que o autocarro tenha uma utilização mais eficaz reduzindo por isso os custos.

Neste serviço existem várias modalidades que passamos a descrever:

 Ida e volta no mesmo dia: serve para distâncias relativamente curtas, de modo que o primeiro grupo
que parte, por exemplo, às 08H00 chegue ao local de destino às duas da tarde enquanto que o outro
grupo parte do hotel às 15H30 e chega ao local de destino às 21H30. Esta modalidade tem a vantagem
de utilização plena de alojamento e todos os serviços evitando as refeições durante as viagens e a
dormida do condutor. Neste caso, terão que estar disponíveis dois condutores e exige, por parte do

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hotel, uma organização muito rigorosa já que a hora de partida e de chegada dos dois grupos coincide e
pode por isso suscitar alguma confusão.

 Ida num dia e regresso no dia seguinte: mais utilizado para viagens superiores a 6 horas de duração.
Comporta um maior custo pois inclui a alimentação e o alojamento do condutor embora neste caso não
seja necessário mais do que um condutor. Por outro lado, para o hotel não é tão vantajoso pois não
rentabilizam tanto o espaço.

 Mudança de autocarro a meio do caminho: está é uma solução pouco utilizada já que é incómoda
para os turistas e para a própria organização.

B) DE COMBOIO
Podemos considerar por um lado as linhas regulares, utilizadas em situações muito específicas, e os
comboios turísticos que permitem uma utilização muito diferente. Estes comboios funcionam
normalmente apenas na época alta e oferecem diferentes serviços, dependendo do itinerário:
gastronomia típica, visitas, folclore, produtos regionais, etc. São frequentemente utilizados em conjunto
com outro tipo de transporte como o barco ou autocarro. Um bom exemplo de utilização deste meio de
transporte é feito na região do Douro onde é possível aliar a riqueza paisagística de região com um
conjunto de outros importantes recursos que permitem oferecer um produto turístico muito
diferenciado.

C) DE BARCO
Podemos considerar diferentes serviços: cruzeiros, onde são oferecidos pacotes com tudo incluído;
aluguer de embarcações de todo o tipo, passeios recreativos de um dia de barco, excursões marítimas e
fluviais com vários serviços complementares.

D) DE AVIÃO
É um dos meios mais utilizados para as longas distâncias pela sua segurança e rapidez. Podem ser
utilizados as linhas regulares e os serviços charter, muito utilizado pelos operadores turísticos na
realização de programas para grandes grupos.

E) MISTOS
Como é obvio, os meios de transportes referidos podem ser combinados num mesmo itinerário de
forma a garantir, por um lado, maior conforto, rapidez e flexibilidade e, por outro permitindo um
aproveitamento dos recursos turísticos tendo em conta o tipo de itinerário oferecido.

F) ALTERNATIVOS
Dado que cada vez mais se procuram novas experiências e novas emoções, os meios de transporte
alternativos estão a ser também muito utilizados por parte da oferta no sentido de cativar novos
públicos oferecendo produtos inovadores que têm tido grande aceitação por parte da procura turística,
cada vez mais experiente. Estamos a falar, por exemplo de itinerários realizados em bicicletas, em
veículos todo o terreno, em cavalos, balão, submarinos, a pé, etc.

Assim, podemos apresentar o seguinte quadro resumo no que concerne à classificação dos itinerários
segundo o tipo de transportes utilizados:

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- Carro próprio ou de aluguer

- Limusines com motorista / guia


Via
- Táxi
Rodoviária
- Minibuses de turismo (9 a 14/16 lugares)

- Autocarros de turismo de 40/50 até 75 lugares (2 pisos)

Via Marítima - Embarcações para curtas excursões

ou

Fluvial - Cruzeiros Fluviais e Marítimos

Via - Grandes percursos

Ferroviária

- Itinerários Turísticos

Via - Avião para voos regulares e charter

Aérea - Helicópteros e avionetas para curtas excursões

- Balões de ar quente

Via e Meios Combinados - Ex. Fly-and-Drive

3. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES

Podemos, ainda, considerar outras classificações baseadas em diferentes critérios:

Grupo I: segundo o tipo de atracções e actividades propostas


Itinerários Gerais: apresentam grande variedade de atracções.
Itinerários Especializados ou Temáticos: destinados a grupos de turistas com interesses e motivações
específicas, propõem tipos de atracções também específicas.

Grupo II: segundo a forma de organização


Itinerários Lineares: quando se pernoita em meios de alojamento diferentes, isto é, o ponto de partida e
de chegada é diferente.

Itinerários Nodais: quando os pontos de partida e de chegada coincidem.

Grupo III: segundo o âmbito geográfico


Itinerários Locais

Itinerários Regionais

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Itinerários Nacionais

Itinerários Internacionais

Grupo IV: segundo a duração

- Não implicam alojamento

- Meio Dia (manhã ou tarde normalmente sem refeições)


Curta
Duração - Dia inteiro ou nocturno (com refeições incluídas ou opcional)

- Visitas de Cidade (ou excursões até cerca de 130/150 Kms)

- 1 ou 2 noites de alojamento e algumas refeições incluídas ou opcionais.

Média

Duração - Fins-de-semana / Pontes festivas / Eventos especiais

Duração Normal - Tours de 1 ou 2 semanas que podem ser ou não combinados com um
período de estada num só destino.
Ou

De férias

Longa - Mais de 15 dias – as chamadas grandes viagens, que requerem uma


preparação muito cuidada, são normalmente de custo elevado e para
Duração uma clientela específica.

Grupo V: segundo o destino


Montanhas

Cidades

Praias

Grupo VI: segundo o segmento de mercado


Culturais

Aventura

3ª Idade

Grupo VII: segundo o nº de participantes


Individuais

Pequenos grupos (até 15 pax)

Grandes grupos

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7.3. RECURSOS AFECTOS À CONCEPÇÃO DOS ITINERÁRIOS

RECURSOS TURÍSTICOS

O Recurso Turístico foi definido no Plano Nacional de Turismo de 1986-1989 como “todo o elemento
natural, actividade humana ou seu produto, capaz de motivar a deslocação de pessoas ou de ocupar os
seus tempos livres”.

Fig. 1: Classificação dos Recursos Turísticos

Recursos Recursos
Primários Secundários

Património Actividades

Actividades Equipamentos

Equipamentos

Fonte: DGT / Esquema adaptado

Assim, um recurso turístico poderá ser considerado como um determinado atributo de um país ou de
uma região, de natureza visual ou física, tangível ou não, quer se encontre já em plena actividade no
mercado turístico quer seja considerado como simples detentor de potencialidades turísticas a explorar
a curto ou médio prazo. (Livro Branco Turismo).

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Qualquer um dos itinerários definidos poderá contemplar um ou mais recursos, sejam eles primários ou
secundários. Dependendo do tipo de itinerário em causa, assim se podem identificar os recursos que
apresentem maior potencial para a sua valorização.

Identifica-se, pois, uma dupla vantagem:

 Os itinerários servem para promover / divulgar recursos e, até mesmo, despertar o interesse por
aqueles que ainda não são devidamente (re)conhecidos.

 Os recursos, deste que adequadamente seleccionados e utilizados, valorizam os itinerários e podem


toma-lo num serviço diferenciado.

Na definição de um itinerário turístico, o reconhecimento e identificação dos recursos com maior


potencial de interesse pressupõe a avaliação dos gostos e interesses da clientela e, por outro lado, um
correcto conhecimento sobre a posse, possibilidades e condicionalismos de utilização do(s) recurso(s),
sob pena de pôr em causa o equilíbrio de interesses entre os agentes da oferta e da procura deste
serviço.

OUTROS RECURSOS

A utilização dos recursos turísticos não é, por si só, suficiente para dar corpo a um itinerário. É
necessário, também, que a organização conte com outros recursos, nomeadamente os recursos
humanos, financeiros, técnico-materiais, informação, ...

A) RECURSOS HUMANOS:

 Coordenador(es) da actividade

 Guias-intérpretes

 Monitores

 Motoristas

B) RECURSOS FINANCEIROS:

 Fundo da própria empresa

 Venda de bilhetes (gerais ou por actividade)

 Comparticipação de entidades locais, regionais, nacionais

 Comparticipação dos participantes

 Patrocínios

C) RECURSOS TÉCNICO-MATERIAIS:

 Material áudio-visual

 Material para a prática de desporto


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 Cartas topográficas

 Fotografias

 Bússola

 Kits

D) RECURSOS DA INFORMAÇÃO:

A construção dos percursos deve entender-se como um estudo que deverá compreender reflexão e
investigação sobre os factores que interactuam no espaço: clima, relevo, fauna, flora, monumentos,
etnografia, artes, ...

Um dos pilares fundamentais da organização de itinerários / circuitos é a informação. De preferência os


locais a incluir devem ser bem conhecidos pela entidade organizadora sendo mesmo assim necessário
vários recursos de informação que passamos a indicar:

 Mapas

 Guias de alojamento dos locais a visitar

 Tarifas dos meios de alojamento

 Manuais de transporte, tarifas, horários

 Tarifas de museus, monumentos, espectáculos, etc

 Guias / roteiros turísticos dos locais a visitar

 Agendas culturais dos locais a visitar

 CD Rom’s

Vídeos

Visitas ao local

Como é evidente, para além destes recursos de informação, o manancial de informação disponível na
internet é cada vez mais utilizado e constitui uma ferramenta de trabalho essencial para os promotores
de itinerários.

Por outro lado, as agências de viagens dispõem de complexos sistemas de documentação informáticos
que permitem também ter acesso a uma ampla rede de informação permitindo também realizar
reservas de quase todos os serviços (ex: Galileu, Amadeus, Sabre).

Para seleccionar a área de implementação de um percurso de interpretação é necessário analisar


algumas características que poderão constituir factores limitantes ou valorizadores do mesmo.

Critérios possíveis para avaliar a aptidão de uma área

Diversidade
Representatividade
Elementos carismáticos
Aspectos de viabilidade

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Posse / Acesso
Segurança
Acessibilidade
Vulnerabilidade

A ORGANIZAÇÃO DE ITINERÁRIOS

A elaboração e realização de um itinerário turístico são o resultado de um longo processo de estudo e


análise de possibilidades e de um conhecimento prévio de dados. A metodologia utilizada vai depender
obviamente do público alvo já que é isso que deverá determinar as várias opções bem como os serviços
e actividades incluídas.

Interessa pois distinguir a metodologia utilizada quer se trate de um forfait para a procura (viagem por
medida) ou de forfait para a oferta (viagem organizada). A diferença fundamental é que no primeiro caso
é possível saber, com algum rigor, as necessidades do cliente e, por isso, todos os serviços são
direccionados nesse sentido. No caso da viagem organizada trata-se de conceber e desenvolver um
produto que será posteriormente comercializado pelos canais de distribuição habituais e que será
dirigido a um público mais ou menos alargado.

Em ambos os casos, a organização da viagem exige profissionais especializados. Embora a metodologia


de concepção seja genericamente a mesma, importa salientar que, em termos logísticos, uma viagem
organizada (ou forfait para a oferta) é bastante mais complexo pela necessidade de planeamento e
estudos prévios que exige uma vez que não se conhece de antemão as necessidades do público alvo.

Importa, ainda, referir a importância da realização de itinerários no aproveitamento dos recursos de uma
região no sentido de operacionalizar um conjunto de percursos culturais e turísticos que, em conjunto,
constituam uma apresentação razoável do património e recursos da região. Este é um dos objectivos da
realização de itinerários / circuitos / rotas feitas em parceria com instituições do sector público e privado
do turismo.

Neste caso, a metodologia é orientada por objectivos muito específicos e por isso deve envolver as
seguintes etapas:

 Identificação dos objectivos de elaboração do circuito;

 Identificação do mercado-alvo;

 Determinação das vantagens para o desenvolvimento da região, nomeadamente do sector turístico;

 Caracterização da região a vários níveis (económico, social, físico, turístico, etc);

 Caracterização e análise da oferta e procura turística da região (cruzamento de dados previamente


levantados e análise SWOT);

 Selecção dos elementos / atractivos que irão integrar o circuito e definição da temática, de acordo
com o mercado-alvo;

 Elaboração das várias cartas de infra-estruturas (representação a cores dos vários recursos);

 Análise da carta de oferta (quantidade, qualidade, diversidade de recursos e respectiva distribuição


espacial);

 Pesquisa no local (acessibilidade, disponibilidade, segurança, interesse, pedagogia, etc.);

 Definição e determinação das necessidades de intervenção ao nível das infra-estruturas e actividades


(animação, etc.);

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 Determinação do circuito principal e, eventualmente, de outros complementares (dependendo do


interesse da oferta e do mercado);

 Determinação do Preço do Circuito

 Definição da estratégia de marketing:

- Produto: desenho e descrição do circuito principal e complementares (fontes documentais, lendas e


tradições, meios de transporte, acessibilidades, etc.)

- Preço: circuito, transporte, alojamento e restauração

- Distribuição: locais e mercados a atingir

- Promoção: operadores, logótipo, sinalização, etc.

 Concretização do Itinerário

 Monitorização

De seguida enunciam-se algumas considerações gerais que devem ser tidas em conta na concepção de
um itinerário:

 Evitar etapas quilométricas demasiado longas e seguidas;

 Não introduzir excessivo número de pontos de paragem com interesse, que podem sobrecarregar a
etapa. Cada paragem exige normalmente um mínimo de 15 a 20 minutos, entre descida, subida e
actividade, havendo sempre o risco de falta de pontualidade;

 Não ajustar excessivamente o tempo deixando margens para imprevistos;

 Ter em conta os horários dos monumentos e museus, bem como de outros locais a visitar;

 Os almoços em rota para grupo devem ser programados entre as 12 e as 14 horas;

 Ter em conta o dia da semana que corresponde a cada dia da viagem e prever as actividades de
acordo com isso;

 Confirmar os horários dos diferentes serviços utilizados, os trâmites assim como o tempo necessário;

 Ter em atenção os tempos médios das distâncias a percorrer. A título indicativo sugere-se a seguinte
tabela:

Meio de Transporte Distância por Hora (Km/h)

Bicicleta 12 a 15 kms / hora

Em circuito urbano: 30 a 40 kms / hora

Automóvel / Autocarro Em via rápida: 60 a 90 kms / hor

Em auto-estrada: 90 a 100 kms / hora

Em linha estreita: 30 a 50 kms / hora

Comboio Em via larga e rápida: 80 a 90 kms / hora

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Em alta velocidade: 150 kms / hora

A Pé 4 kms / hora

IDENTIFICAÇÃO DO TRAÇADO DO ITINERÁRIO

Desenhado o produto, tem que se estabelecer a sua distribuição no tempo, isto é, as suas etapas de
desenvolvimento, fazendo uma divisão inicial das datas disponíveis que sirvam de esboço inicial para o
itinerário final e estabelecendo, dia a dia, os serviços que se vão prestar.

Este projecto de itinerário requer uma elaboração minuciosa e cuidada, tendo sempre em conta as
distâncias que se vão percorrer, assim como os meios de transporte utilizados, para estabelecer uma
relação lógica entre a distância percorrida e o tempo gasto.

A identificação do traçado propriamente dito requer a consulta de mapas de estradas actualizados que
permitam definir com rigor os pontos de passagem bem como o cálculo do tempo gasto.

Sempre que possível, o itinerário deve ser testado, de preferência nos mesmos dias e às mesmas horas
identificadas no projecto de itinerário

LOGÍSTICA

De forma a resumir o anteriormente exposto, poderemos aqui estabelecer alguns parâmetros essenciais
para a elaboração dos itinerários:

Fases da organização de um Itinerário


- Planeamento

- Desenho

Preparação - Organização

(Antes de) - Reservas

- Comercialização

- Venda

Desenvolvimento - Acompanhamento pelo guia

(Durante)

- Analisar o modo como decorreu

Análise - Estudo da satisfação do cliente

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Turística

(Depois de) - Análise do desvio de custos

- Resultados económicos da viagem

Motivos da Viagem:

 Férias

 Deporto

 Cultura

 Ecologia

 Saúde

 Religião

 Profissão e/ou negócios

 Lazer organizado

 Turismo alternativo

 Turismo Social

Factores Técnicos

Meios de deslocação Itinerários pedestres, de autocarro, de avião, barco, etc.

Duração De 3, 7, 15 dias ou de meses.

Distâncias Curtas, médias ou grandes distâncias.

Individual, colectivo, pré-organizado ou feito à medida do cliente.

Modo de viajar

Época do ano Sazonais, calendário fico, acontecimentos especiais.

Factores Sociais

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Meio Social O modo de vida e condições económicas.

Origem Geográfica A procura de um meio geográfico diferente do seu quotidiano.

Profissão Indicador dos gostos e potencial económico.

Idade Essencial para avaliar os interesses e capacidade física.

Cultura Para ajudar na selecção e apresentação do itinerário.

Factores Comerciais
Equipamentos

da região receptora Alojamento e atractivos principais e secundários.

Preços nas zonas a visitar Nível de vida e taxas de câmbio.

Possíveis vantagens para os Incentivos específicos: preço do combustível mais reduzido em


clientes determinado país, isenção de impostos (zonas francas).

Inventário dos Recursos Naturais

 Geologia

 Clima

 Relevo

A paisagem e seus componentes  Hidrografia

 Flora

 Fauna

Inventário dos Recursos Humanos

 História

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Atractivos  Arte

Históricos  Tradições

 Folclore

 Actualidade

Atractivos  Ciência e Técnica

Contemporâneos  Artesanato

 Gastronomia

 Celebridades

Inventário dos Recursos Turísticos


Equipamentos  Atracções artificiais

Recreativos  Parques recreativos

 Festivais

 Exposições de arte
Manifestações
Culturais  Som e luz

 Festividades

Manifestações  Competições

Desportivas e  Torneios

Comerciais  Feiras e salões

Inventário de Alojamento:

 Deve-se considerar:
 Nº de participantes;

 A nacionalidade e hábitos dos turistas;

 A idade dos participantes

 A relação qualidade / preço

 Selecção da categoria em função do segmento de mercado:


 A quem se dirige este produto?

 Ou quem está actualmente a comprar circuitos?

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Turística

 Nota:
 Evitar grandes diferenças entre os hotéis do mesmo circuito.

 É conveniente ter atenção à localização do hotel, facilidade de acesso, serviços complementares.

Percursos de Viação
Ao estabelecer um quadro técnico do itinerário deve-se ter em atenção os seguintes aspectos:

As etapas Cuja sucessão forma a estrutura do itinerário.

Se têm as condições necessárias para o tipo de veículo


utilizado, pela sua largura, altura, inclinação e tráfico.
As estradas

A quilometragem Em equilíbrio entre os diversos pontos de paragem.

Resultante dos kms percorridos e a velocidade da viatura ou


seja a média horária de km.
O coeficiente de viabilidade

Calculados em função do nº de pax e rapidez do meio de


transporte.
Os diversos tempos

Os tempos de paragem Sempre indicados com a respectiva justificação.

Percursos de Viação – Esquema Operacional

Anota-se o “nome” (EN125, IP1) de estrada e algumas indicações que


Estradas facilitem a orientação.

Anota-se as localidades de origem e destino e referem-se as povoações

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Itinerário mais importantes.

Anota-se os kms que separam as populações.

Quilómetros

Objectivo = determinar os horários mais coerentes na viagem.

Condicionantes = kms, o programa, o que visitar, quanto tempo se dispõe,


a que hora se deve estar em determinado lugar, onde e a que horas se
Horários realizam as refeições, qual o programa do dia seguinte, etc.

Paragens = no máximo de 3 em 3 horas.

Tempos Anota-se os tempos “net” que se demora de uma povoação a outra.

Paragens e Visitas Indica-se os lugares a visitar e as paragens realizadas.

Com o itinerário elaborado, o produto está pronto para ser vendido e, a partir daqui, começa outra fase
muito importante: a elaboração do projecto de viagem que se vai apresentar ao cliente. Esta é também
uma fase crucial, uma vez que o que se pretende vender é um produto intangível que vai chegar ao
cliente através desse programa ou folheto.

No caso das viagens à medida deve ser apresentado ao cliente um programa do itinerário, isto é, uma
relação detalhada e ordenada do projecto da viagem, em que devem constar os seguintes dados:

 Itinerário exacto por cada dia (onde são indicados os locais de passagem e os de paragem) e os
serviços incluídos no preço. Importa aqui referir que a indicação dos timings não deve ser demasiado
rigorosa já que poderia dar azo a eventuais reclamações pois surgem frequentemente imprevistos que
contrariam o imprevisto.

 O plano de transporte (indicando horários de saída e chegada e meios utilizados).

 O plano de alojamento (indicando os hotéis seleccionados e sua categoria).

 O regime alimentar e serviços adicionais (transfers, visitas à cidade, etc).

A apresentação deste documento deve ser muito cuidadosa e atractiva. Sempre que possível, deve ser
apresentado e explicado pessoalmente ao cliente para que se possam esclarecer todas as dúvidas e
eventualmente fazer alguma alteração.

No que se refere às viagens organizadas, isto é, para a oferta têm as mesmas características básicas de
elaboração, com a diferença de que nestas os dados anteriores aparecem num folheto publicitário que
tenta chegar a uma procura potencial, não real e que tem formas de distribuição específicas, como já foi
referido.

Por isso, a apresentação obedece a critérios específicos devendo conter, além dos distintos itinerários,
fotografias e informação geral sobre o destino em causa.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

É fundamental motivar primeiro o vendedor da viagem e posteriormente o comprador da mesma. Para


motivar o agente utilizam-se vários procedimentos, desde os pequenos – almoços de trabalho até às
viagens promocionais, passando pelos cocktails ou a visita do próprio promotor à agência. Ao
comprador, além de oferecer um atractivo folheto de viagens, realizam-se outro tipo de acções
publicitárias (ex: anúncios na imprensa ou TV, descontos oferecidos por antecipar a data de reserva,
etc.).

EXEMPLO DE ITINERÁRIO:

Rota do Guadiana

 1ºdia (Quinta - feira) – Rumo a esplêndidos momentos de cultura e aventura...

09h00 – Partida de Lisboa, rumo a Vila Viçosa

12h00 – Chegada a Vila Viçosa, check-in na Pousada D. João IV

14h00 – Visita ao Paço Ducal

16h00 – Tempo – livre*

20h00 – Jantar no Restaurante O Ninho dos Cucos

22h30 – Regresso à Pousada

 2ºdia (Sexta - feira) – Uma brisa com sabor a fauna e flora...

09h00 – Partida para Alcoutim

10h00 – Chegada a Alcoutim

10h15 – Canoagem no rio Guadiana

12h00 – Pausa para piquenique

13h30 – Continuação da prática de canoagem

16h30 – Partida para Monsaraz

17h30 – Chegada a Monsaraz, check-in no Hotel Rural Horta da Moura

18h15 – Passeio a cavalo nas margens do rio Guadiana

21h00 – Jantar no Hotel Rural Horta da Moura

 3ºdia (Sábado) – Aventuras e conquistas medievais...

10h00 – Inicio do programa Sabores de Aventura na Vila de Monsaraz

12h30 – Conquista pedestre da Vila de Monsaraz

13h00 – Pausa para piquenique

14h30 – Inicio do programa Aventuras Medievais

16h45 – Fim do programa

20h00 – Jantar no Restaurante O Alcaide, em Monsaraz

 4ºdia (Domingo) – Uma gota de vinho caída num rio de memórias...

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

11h00 – Check-out do Hotel Rural Horta da Moura

11h30 – Partida para Reguengos de Monsaraz, com paragem em S. Pedro do Corval (oferta de give
aways)

13h00 – Almoço no Restaurante Central, em Reguengos de Monsaraz

15h00 – Visita às caves e prova de vinhos na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz

16h00 – Partida para Lisboa

* Sugestões para ocupar o tempo livre: Pastelaria Azul (doces regionais); Pastelaria Flor da Mata (doces
regionais); Casa de Artesanato Giesta.

Apresentação dos cálculos

@ Alojamento

 Vila Viçosa – Pousada D. João IV -10 DBL

Preço do quarto duplo: € 112

€ 112 * 10pax = € 1.120

 Monsaraz – Hotel Rural Horta da Moura - 10 DBL

Preço do quarto duplo: € 85

€ 85 * 10pax = € 850

€ 850 * 2noites = € 1.700

à Total do custo do Alojamento - € 2.820

@ Restaurantes

 1ºdia:
Pousada D. João IV (almoço): € 28.50 * 21pax = € 598,5

Restaurante Ninho dos Cucos (jantar): € 20 * 21pax = € 420

 2ºdia:
Horta da Moura (jantar): € 17 * 21pax = € 357

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 3ºdia
Restaurante O Alcaide (jantar): € 16 * 21pax = € 336

 4ºdia:
Restaurante Central (almoço): €14.50 * 21pax = € 304,5

à Total do custo dos Restaurantes - € 2.016

@ Entradas e Visitas

 Paço Ducal (Vila Viçosa): € 5 * 20pax = € 100


 Caves da Herdade do Esporão (R. de Monsaraz): € 2.5 * 20pax
= € 50

à Total do custo das Entradas e Visitas - € 150

@ Outros

 Canoagem em Alcoutim com piquenique: (€ 35 * 20pax) + (€ 10 * 20pax)


= € 700 + € 200 = € 900

 Passeio a cavalo na Horta da Moura: € 15 * 20pax = € 300


 TurAventur (actividades radicais) com piquenique:
€ 3.590 (para 20 pessoas) + (€ 10 * 20pax) = € 3.790

 Give Aways: € 1.80 * 20pax = € 36


à Sub total - € 5.026

@ Transporte

= € 1.200

Custos Totais: Alojamento: € 2.820

Refeições: € 2.016

Entradas: € 150

Outros: € 5.026

Transporte: € 1.200

___________________

total = € 11.212

Mark – up = 20%

= € 11.212 * 20% (2.242) = € 13.454

Preço do Pacote = € 13.454 / 20pax = € 672,7

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

MÓDULO 8 - Animação em Turismo

1. Contexto Histórico do Lazer


1.1. O Lazer e o turismo na sociedade moderna
2. Animação em Turismo
2.1. Noção e enquadramento da animação em turismo
2.2. Principais características da animação
2.3. Actividades e conceitos relacionados com a animação
3. Classificação e Tipologia das Actividades de Animação Turística
3.1. Culturais
3.2. Desportiva
3.3. Aventura e de descoberta
3.4. Recreação e entretenimento
3.5. Eventos especiais
4. O Animador Turístico
4.1. Perfil e funções
5. Intervenção em animação turística

23
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

5.1. Âmbito e diversidade de animação turística


5.2. Métodos e técnicas de animação turística
6. A Comunicação na animação turística
7. O planeamento de actividades de animação
8. O enquadramento legal e legislação
Breve história do turismo e suas repercussões no conceito de tempo livre e animação.

As Rotas do turismo moderno continuam associadas às transformações industriais, económicas e sociais


que ocorreram durante o século XIX e primeira metade do século XX.

Foram factores do seu surgimento:

- Inovação tecnológica

- Aumento dos níveis sociais e culturais

- Aumento do tempo livre

- Urbanização

- Trabalho industrial

Embora já na antiguidade por exemplo em Roma fosse possível identificar uma predisposição para o
turismo (embora só para as classes dominantes) só no fim do século XIX se dá a “democratização do
turismo” no entanto já no fim do século XVIII com a invasão do “Grand Tour” por parte da burguesia a
aristocracia abandona o tradicional Tour Europeu e procura lugares mais exclusivos o que consistia num
sinal que essa democratização estava a chegar.

O Século XIX é sem dúvida um dos períodos mais importantes da história do turismo e embora fosse
uma actividade gozada por uma não muito grande parte da população o caso Inglês é sintomático em
que o número de turistas ingleses passou de 40 mil no início do século para 100 mil em meados do
século para atingir o número mágico de 1 milhão no início do século XX.

O factor responsável foi o progresso tecnológico (caminho de ferro) mas as mudanças na estrutura da
sociedade também determinaram onde, quando, e como os diferentes grupos sociais iriam participar no
turismo. Assim e apesar do maior incremento turístico ter sido registado na 2ª metade do século XX as
bases para esse facto foram lançados no século XIX.

À medida que as termas entravam em declínio (fim século XVIII) a atenção dos turistas virou-se para a
praia.

Até 1830 a praia era um refúgio das classes mais prósperas devido a 2 factores:

- Os banhos de mar eram uma actividade medicinal e não de lazer

- As viagens eram grandes, lentas e caras.

A partir de 1830 surge o caminho de ferro, um transporte rápido, barato e seguro o que permite a
deslocação das populações em direcção à praia.

Não foi só a melhoria nos transportes que conduziu a esta mudança, idêntica importância tiveram as
mudanças sociais que levaram à criação de tempos livres, de dinheiro e talvez o aspecto mais importante
o desejo de participar neste “movimento turístico”

Essas mudanças sociais consistiram num aumento generalizado do rendimento per capita da população,
na introdução do meio dia de descanso, introdução pelo patronato de períodos de férias, em férias
pagas e numa urbanização sem dimensão humana criando o desejo de fuga.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

O turismo de massas é uma consequência da revolução industrial e o turismo de um modo geral passou
a ser visto como um meio de normal de escape e fuga ao stress e tensão provocados pela vida moderna.

O turismo continuou a crescer depois da I Grande Guerra especialmente na Europa que passou a ser um
destino turístico para os Americanos que visitavam a Europa aos milhares tirando partido do
desenvolvimento dos navios transatlânticos e especialmente da aviação.

O aparecimento do automóvel durante as décadas de 20 e 30 contribuiu para uma maior mobilidade da


classe média, mas foi a partir da 2ª Guerra Mundial em resultado dos avanços técnicos que as viagens
aéreas se tornaram num fiável e rápido meio de transporte para turista.

Outro factor de importância vital para a pratica do turismo foi o aumento do tempo livre socialmente
permitido. Durante a segunda metade do século XIX produziu-se alguma legislação que melhorava as
condições de trabalho, contudo é no século XX no final da década de 30 que as férias pagas são
instituídas.

A 2ª Guerra Mundial foi nefasta para o turismo mas os 50 anos que se seguiram foram espectaculares no
que respeita ao desenvolvimento do mesmo, o turismo passa a internacionalizar-se e a ser visto como
algo que faz parte do modo de vida dos indivíduos, passa a ser uma necessidade, uma actividade de
massa e não um luxo

Em 1950 existem 25 milhões de chegadas internacionais, mas em 1994 esse número sobe para 500
milhões. Para este notável crescimento são responsáveis 3 factores tempo, dinheiro e tecnologia. O
factor tecnologia (expansão da industria de transportes e do charter) tende a aumentar a oferta, o factor
tempo também tende a aumentar 35h/S, 35 S/A 35 anos de trabalho. O aumento da riqueza equivale ao
aumento dos ordenados e a um aumento nas viagens.

2. Animação o que é

Animação, é uma palavra que vem do latim, Anima, que significa DAR ALMA (animar a alma). Na génese
da palavra Animação estão os vocábulos Anima/ânimo. No latim Animus, sugere Dinâmica, Força Activa
e Vida. Na raiz de Animus encontra-se Alma que retirada do seu contexto religioso sob o prisma
filosófico significa Criar, Dar Vida.

Assim temos:

ANIMAÇÃO = CRIAR/DAR VIDA/DINÂMICA/ACÇÃO

A Animação implica 3 processos conjuntos:

i. Processo de revelação, ao criar condições para que todo o grupo e todo o


indivíduo se revele a si mesmo

ii. Processo de relacionamento, de grupos entre si ou destes com determinadas


obras, criadores ou centros de decisão, seja através do diálogo e da
concertação, seja através do conflito

iii. Processo de criatividade, pelo questionamento dos indivíduos e dos grupos


relativamente ao seu desenvolvimento, à sua capacidade de expressão, de
iniciativa e de responsabilidade
2.1.Definição de conceitos – Lazer, Recreação, Turismo e Animação Turística

Vulgarmente o termo animação turística aparece associado a actividades cuja única semelhança é
desenvolverem-se dentro do âmbito do turismo. Isto denota sem duvida a ausência de uma definição

25
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

clarificadora que sirva de referência a todos que utilizam essa terminologia, de forma indiscriminada e
com frequência inadequadamente, e favorece a confusão em torno dos conteúdos a que se refere.

Esta é provavelmente uma das causas da desvalorização da animação turística por parte de empresários
e profissionais do sector, e inclusivamente do próprio turista que ao desconhecerem a importância real a
consideram, na maioria dos casos como um complemento marginal, ornamental e acessório da
actividade turística “verdadeira e essencial”.

O termo animação turística advém naturalmente e por extensão da chamada animação sócio-cultural, de
origem francesa, a qual se considera fundamental na ocupação dos tempos livres.

A animação sócio-cultural tem por objectivo motivar dinamizar todos os meios que levem à participação
activa dos indivíduos e grupos nos fenómenos sócias e culturais em que estes se encontram envolvidos,
dando-lhes o seu protagonismo.

Um dos aspectos de actuação mais evidentes onde se desenvolve a animação socio-cultural é o dos
tempos livres, o tempo do lazer.

Se se entende como necessário dinamizar a participação ou favorecer a protagonismo do indivíduo e dos


grupos na vida social e cultural, especialmente nos tempos livre (tempos de lazer), o turismo como parte
importante do lazer (especialmente nas sociedades evoluídas), não pode estar alheio a tal necessidade.

Assim podemos definir animação turística como – “ O conjunto de acções e técnicas estudadas e
realizadas com o sentido de motivar, promover e facilitar uma maior e mais activa participação do
turista no desfrutar e aproveitamento do seu tempo turístico, a todos os níveis e dimensões”.

Por outro lado a animação turística acontece no seu pleno sentido quando é resultante de uma vontade
consciente que se materializa em projectos, estratégias e acções concretas que se realizam ou praticam
segundo técnicas específicas apropriadas. Isso exige um nível de conhecimentos vastos, estudo e
profissionalização.

Para existir animação não basta que exista oferta turística, pois o turista, por seus próprios
condicionamentos sócio-culturais e, porque o turismo se realiza em tempos curtos, assim como em
espaços e lugares normalmente desconhecidos para ele, não tem, com frequência a capacidade
necessária para aproveitar só pela sua vontade todas as possibilidades que a oferta contenha.

Trata-se pois de tornar participativas todo um conjunto de actividades de interesse comum evitando-se
que existam espectadores passivos ou seja, motivando as pessoas não só a participarem mas, a
animarem-se, convivendo.

Na verdade o turismo não é um espaço fechado mas sim um mundo vivo de comunicação e intercâmbio
de relações e conhecimentos, de emoções, de sensações e experiências, que exigem uma atitude viva,
curiosa e dinâmica por parte do seu protagonista possível: o turista.

O turista não pode ser, tão somente, um número dentro de uma massa anónima e impessoal, antes pelo
contrário possui características peculiares determinadas pela sua origem geográfica, cultural e social que
em qualquer programa de animação seja ele qual for, têm de ser tidos em conta. E tudo isto sem perder
de vista que o fim é desfrutar, dar prazer, satisfação, numa palavra contribuir de forma harmoniosa, leve
e facilmente absorvível para a higiene mental absolutamente necessária como terapêutica mais
adequada para o stress.

A animação turística é absolutamente inseparável das actividades lúdicas entendidas no seu sentido
mais sério obviamente. E este juízo de valor vem contrariar ou dar a melhor resposta a muitos
detractores da animação turística que por desconhecimento da sua importância real perante o
fenómeno social que o turismo representa, o mais importante deste século ou até por ignorância a
consideram contrária à rentabilidade económica global do próprio turismo.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

A animação turística analisada globalmente tem uma envolvência e um impacto de tal forma importante
no acto turístico que não pode nem deve, considerar-se e analisar-se apenas num determinado espaço
restrito. É certo que programada dentro de espaços restritos (como hotéis etc) prende normalmente os
turistas dentro desses espaços. Mas será que grande parte desses turistas se predisporiam a sair do
hotel para procurarem animação fora dele?

Animação turística desenvolvida em espaços restritos não é lesiva dos interesses económicos de outras
estruturas de inegável interesse turístico, como sejam casinos, discotecas, festas populares ou qualquer
outro tipo de espectáculo que tem custos e por isso necessidade de angariar receitas.

Antes pelo contrário é sobretudo em grandes ou médias unidades hoteleiras que a planificação,
programação e execução de programas de animação turística têm tipos de participação específicos que
normalmente não procuram, por razões de ordem diversa, sair do espaço de alojamento das suas férias.

Por outro lado a animação turística quer se queira quer não, um catalizador económico da gestão
hoteleira.

Na verdade a animação turística assume particular importância, como um conjunto de actividades


dedicadas aos utentes em períodos específicos de cada dia da respectiva estada seja de manhã pela
tarde ou á noite.

Deste modo em países receptores e com elevado crescimento da importância do turismo, torna-se
evidente que o fenómeno da animação turística tem aspectos de relevante importância sobre a
pedagogia e necessariamente sobre a formação de animadores. Parece portanto oportuno analisar-se as
causas que estão a transformar a animação como um dos aspectos de maior relevância no mundo
complexo do turismo e naturalmente como elemento preponderante da componente global da oferta
turística.

È obvio que o homem viajou desde sempre e uma boa parte da historia da humanidade é a historia das
suas viagens. Motivados uns pelo comércio outros pela ambição de conquistas, muitos por razões de
ordem política e outros pelo prazer da aventura por conhecer o desconhecido ou descobrir o que ainda
não estava descoberto. A viagem sempre protagonizou este tipo de atitudes.

Todavia, depois da maior de todas as revoluções que o mundo conheceu (Revolução Industrial) o que era
antes realizado por “loucos”, “aventureiros”, ou até “fanáticos religiosos ou políticos” passou
praticamente do dia para a noite graças ao aumento dos tempos livres e sobretudo com o acesso e a
integração do homem livre nos meios de cultura e desenvolvimento a ser algo mais acessível mais rápido
mais cómodo e desta forma massiva e popular ou quase que me atreveria a dizer banal.

LAZER

Lazer não é simplesmente o resultado de factores externos, não é o resultado inevitável do tempo de
folga, um feriado, um fim de semana ou um período de férias. É uma atitude de espírito uma condição
da alma.

Lazer é o tempo livre do trabalho e de outro tipo de obrigações, englobando actividades caracterizadas
por um volume considerável do factor liberdade.

O Lazer é todo o tempo excedente ao tempo devotado ao trabalho, sono e outras necessidades, ou seja,
considerando as 24 horas do dia e eliminando o trabalho, o sono, a alimentação, e as necessidades
fisiológicas, obtemos o tempo de lazer.

O Lazer é uma série de actividades e ocupações com as quais o indivíduo pode comprazer-se de livre e
espontânea vontade, quer para descansar, divertir-se, enriquecer os seus conhecimentos, aprimorar as
suas habilidades ou para simplesmente aumentar a sua participação na vida comunitária.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Hoje o Lazer é socialmente construído para grupos de sexo, idade e estratificação social diferenciados,
donde podem extrair valores semelhantes de prazer.

O Lazer de que as pessoas precisam hoje não é tempo livre, mas um espírito livre, em lugar de hobbies
ou diversões, uma sensação de graça e paz, capaz de nos erguer acima da nossa vida tão ocupada

O Lazer é:

- Repouso

- Divertimento

- Enriquecimento cultural

O Lazer é uma actividade comprometida por:

- Espaços temporais

- Regras sociais

- Indivíduos que o exerçam

- Indivíduos que o promovam

RECREAÇÃO

É um termo frequentemente utilizado para designar algo semelhante ao lazer. A recreação indica sempre
um tipo de actividade e como o lazer e o jogo, não possui uma forma única. No seu sentido literal pode
ser visto como uma das funções do lazer; a de renovar o ego ou preparar o trabalho.

Enquadramento legal da actividade de Animação Turística em Portugal

Empresas de Animação Turística

São Empresas de Animação Turística as que tenham por objecto a exploração de actividades lúdicas,
culturais, desportivas ou de lazer, que contribuam para o desenvolvimento turístico de uma determinada
região e não se configurem como empreendimentos turísticos, empreendimentos de turismo no espaço
rural, casas de natureza, estabelecimentos de restauração e bebidas, agências de viagens e turismo ou
operadores marítimo-turísticos.

As empresas proprietárias ou exploradoras de empreendimentos turísticos, empreendimentos de


turismo no espaço rural, casas de natureza, estabelecimentos de restauração e bebidas, agências de
viagens e turismo ou operadores marítimo-turísticos, quando constituídas como cooperativa,
estabelecimento individual de responsabilidade limitada ou sociedade comercial e prevejam no seu

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

objecto social o exercício de actividades de animação turística desde que cumpram os requisitos
previstos na lei, estão dispensadas do licenciamento legal.

São actividades próprias das empresas de animação turística as exploradas em:

 Marinas, portos de recreio e docas de recreio predominantemente destinados ao turismo e


desporto;
 Autódromos e Kartódromos;Balneários termais e terapêuticos;
 Parques temáticos;
 Campos de golf;
 Embarcações com e sem motor, destinadas a passeios marítimos e fluviais de natureza turística;
 Aeronaves com e sem motor, destinadas a passeios de natureza turística, desde que a sua
capacidade não exceda um máximo de seis tripulantes e passageiros;
 Instalações e equipamentos para salas de congressos, seminários, colóquios e conferências, quando
não sejam partes integrantes de empreendimentos turísticos e se situem em zonas em que a
procura desse tipo de instalações o justifique;
 Centros equestres e hipódromos destinados à prática de equitação desportiva e de lazer;
 Instalações e equipamentos de apoio à prática do windsurf, surf, bodyboard, wakeboard, esqui
aquático, vela, remo, canoagem, mergulho, pesca desportiva e outras actividades náuticas;
 Instalações e equipamentos de apoio à prática da espeleologia, do alpinismo, do montanhismo e de
actividades afins;
 Instalações e equipamentos destinados à prática de pára-quedismo, balonismo e parapente;
 Instalações e equipamentos destinados a passeios de natureza turística em bicicletas ou outros
veículos de todo o terreno;
 Instalações e equipamentos destinados a passeios de natureza turística em veículos automóveis sem
prejuízo do legalmente estipulado para utilização de meios próprios por parte destas empresas;
 Instalações e equipamentos destinados a passeios em percursos pedestres e interpretativos;
 As actividades, serviços e instalações de animação ambiental previstas no Decreto Regulamentar nº
18/99, de 27 de Agosto, sem prejuízo das mesmas terem de ser licenciadas de acordo com o
disposto nesse diploma;
 Outros equipamentos e meios de animação turística, nomeadamente de índole cultural, desportiva,
temática e de lazer.

São consideradas actividades acessórias das empresas de animação turística, sem prejuízo do regime
legal aplicável a cada uma delas, as seguintes actividade:

 As iniciativas ou projectos sem instalações fixas, nomeadamente os eventos de natureza económica,


promocional, cultural, etnográfica, científica, ambiental ou desportiva, quer se realizem com
carácter periódico, quer com carácter isolado;
 A organização de congressos, seminários, colóquios, conferências, reuniões, exposições artísticas,
museológicas, culturais e científicas;
 A prestação de serviços de organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais
de relevante interesse turístico.

Licenciamento das empresas de animação turística

O exercício da actividade das empresas de animação turística depende de licença, constante de alvará, a
conceder pela Direcção-Geral do Turismo.

A concessão da licença depende da observância pela requerente dos seguintes requisitos:

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 Ser uma cooperativa, estabelecimento individual de responsabilidade limitada ou sociedade


comercial que tenha por objecto o exercício daquela actividade e um capital social mínimo realizado
de € 12 469,95.
 Prestação das garantias exigidas por lei:
Seguro de acidentes pessoais garantindo:

 Pagamento das despesas de tratamentos, incluindo internamento hospitalar e


medicamentos, até ao montante anual de € 3 500.

 Pagamento de um capital de € 20 000, em caso de morte ou invalidez permanente dos


seus clientes, reduzindo-se o capital por morte ao reembolso das despesas de funeral
até ao montante de € 3 000, quando este tiverem idade inferior a 14 anos.

Seguro de assistência às pessoas, válido exclusivamente no estrangeiro, garantindo:

 Pagamento do repatriamento sanitário e do corpo.


 Pagamento de despesas de hospitalização, médicas e farmacêuticas, até ao montante
anual de € 3 000.
Seguro de responsabilidade civil, garantindo € 50 000 por sinistro, e anuidade que garanta os
danos causados por sinistros ocorridos durante a vigência da apólice, desde que reclamados até
um ano após a cessação do contrato.

 Comprovação da idoneidade comercial do titular do estabelecimento em nome individual de


responsabilidade limitada, dos directores ou gerentes da cooperativa e dos administradores ou
gerentes da sociedade requerente.
 Pagamento de uma taxa de licenciamento no valor de € 2493,99
Do pedido de licença deverá constar:

 A identificação do requerente.
 A identificação dos titulares, administradores ou gerentes.
 A localização da sua sede social.

Deverão acompanhar este pedido, os seguintes documentos:

 Formulário de Identificação (Modelo DGT)


 Fotocópia do Bilhete de Identidade
 Fotocópia do Cartão de Contribuinte.
 Certidão de escritura pública de constituição da empresa.
 Certidão do registo comercial definitivo da empresa.
 Certidão comprovativa do nome adoptado para o estabelecimento.
 Cópia devidamente autenticada dos contratos de prestação de garantias.
 Declaração em como as instalações satisfazem os requisitos exigidos por lei, quando as empresas de
animação turísticas disponham de instalações próprias.
 Declaração em como o titular do estabelecimento em nome individual de responsabilidade limitada,
os directores ou gerentes da cooperativa e os administradores ou gerentes da sociedade
requerente, consoante o caso, não se encontrem em alguma das circunstâncias previstas na lei que
impeçam o exercício da actividade.
 Sempre que a realização ou execução do empreendimento não esteja dependente da existência de
instalações fixas, o requerente deve ainda apresentar um programa detalhado das actividades a
desenvolver com a indicação dos equipamentos a utilizar e dos demais elementos que se mostrem
necessários para a total e completa caracterização do empreendimento.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

O Director-Geral do Turismo ou quem com delegação deste, tenha competência para o efeito, dispõe de
45 dias a contar da data da recepção do requerimento para decidir sobre o pedido de licença.

Nota: Os montantes mínimos dos contratos de seguro a celebrar são actualizados anualmente por
portaria conjunta dos Ministros das Finanças e da Economia.

Legislação Aplicável

Decreto-Lei nº 108/02 de 16.04 Altera o Decreto-Lei nº 204/00 de 1 de Setembro, que


regula o acesso e o exercício da actividade das empresas de
animação turística.

Decreto-Lei nº 204/00 de 01.09 Regula o acesso e o exercício da actividade das empresas


de animação turística.
(Alterado pelo Decreto-Lei nº 108/02
de 16.04)

Portaria nº 96/01 de 13.02 Aprova o modelo, preço, fornecimento, utilização e


instrução do livro de reclamações para uso dos utentes das
empresas de animação turística

Portaria nº 138/01 de 01.03 Aprova as taxas devidas pela concessão de licenças relativas
ao exercício da actividade das empresas de animação
turística.

Declaração de Interesse para o Turismo

A Declaração de Interesse para o Turismo prevista no artigo 57º do Decreto-Lei 167/97 de 4 de Julho,
alterado pelo Decreto-Lei nº 55/2002 de 11.03, pode ser atribuída aos seguintes estabelecimentos,
iniciativas, projectos ou actividades:

 marinas, portos de recreio e docas de recreio, predominantemente destinados ao turismo e


desporto;
 autódromos e kartódromos;
 parques temáticos;
 campos de golfe;
 balneários termais;
 balneários terapêuticos;
 instalações e equipamentos para salas de congressos seminários, colóquios, reuniões e
conferências;
 estabelecimentos de restauração e de bebidas;
 centros equestres e hipódromos destinados à prática da equitação desportiva e de lazer;
 instalações e equipamentos de apoio a adegas, caves, quintas, cooperativas, enotecas, museus
do vinho e outros centros de interesse para a dinamização de rotas do vinho;
 embarcações com e sem motor, destinadas a passeios marítimos e fluviais de natureza turística;
 aeronaves com e sem motor, destinadas a passeios de natureza turística, desde que a sua
capacidade não exceda um máximo de seis tripulantes e passageiros;
 instalações e equipamentos de apoio à prática de windsurf, surf, bodyboard, wakeboard, esqui
aquático, vela, remo, canoagem, mergulho, pesca desportiva e outras actividades náuticas;

31
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 instalações e equipamentos de apoio à prática da espeleologia, do alpinismo, do montanhismo


e de actividades afins;
 instalações e equipamentos de apoio à prática de pára-quedismo, balonismo e parapente;
 instalações e equipamentos destinados a passeios de natureza turística em bicicletas ou outros
veículos de todo-o-terreno;
 instalações e equipamentos destinados a passeios de natureza turística em veículos
automóveis;
 as actividades, serviços e instalações de animação ambiental previstos no Decreto
Regulamentar nº 18/99, de 27.08, sem prejuízo das mesmas serem licenciadas de acordo com o
disposto nesse diploma;
 outros equipamentos e meios de animação turística, nomeadamente de índole cultural,
desportiva e temática;

 iniciativas, projectos ou actividades sem instalações fixas, nomeadamente os eventos de


natureza económica, promocional, gastronómica, cultural, etnográfica, científica, ambiental ou
desportiva, quer se realizem com carácter periódico, quer com carácter isolado.

Para que os estabelecimentos, iniciativas, projectos ou actividades acima referidos possam ser
reconhecidos de interesse para o turismo deverão preencher cumulativamente, para além das condições
específicas previstas na legislação para alguns deles, as seguintes condições:

 Contribuir para a atracção de turistas, nacionais e estrangeiros, ou constituir um meio para a


ocupação dos seus tempos livres ou para a satisfação das necessidades e expectativas decorrentes da
sua permanência na região visitada.
 Destinar-se à utilização por turistas, não se restringindo ao uso por parte dos residentes na região ou
associados, com excepção das instituições de economia social.
 Complementar outras actividades, projectos ou empreendimentos, turísticos ou não, da região, por
forma a aí constituir um relevante apoio ao turismo ou um motivo especial de atracção turística da
mesma região.
 Possuir projecto aprovado pelas entidades competentes para o efeito, quando exigível.
 Não estarem próximos de estruturas urbanas ou ambientais degradadas, com excepção dos
estabelecimentos já existentes ou a construir, quando se enquadrem num processo de requalificação
urbana ou ambiental.

Os estabelecimentos, iniciativas e projectos ou actividades a seguir mencionados devem estar abertos


todo o ano, sem prejuízo de qualquer outra condição específica prevista na legislação em vigor:

 marinas, portos de recreio e docas de recreio predominantemente destinados ao turismo e


desporto;
 autódromos e kartódromos;
 campos de golfe;
 balneários terapêuticos;
 instalações e equipamentos para salas de congressos seminários, colóquios, reuniões e
conferências;
 estabelecimentos de restauração e de bebidas;
 centros equestres e hipódromos destinados à prática da equitação desportiva e de lazer.

O pedido da declaração de interesse para o turismo é dirigido ao Director-Geral do Turismo, instruído


com os seguintes elementos:

32
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 Cópia do projecto aprovado ou apresentado para aprovação junto das entidades competentes em
razão do tipo de empreendimento.
 Memória descritiva e programa de actividades a desenvolver, com indicação dos equipamentos a
utilizar, dos montantes envolvidos e com a descrição dos objectivos e mercados a atingir.
 Descrição das potencialidades da região em termos de oferta turística.
 Previsão do impacto turístico gerado.
 Indicação de qual o sistema de incentivos ou outros instrumentos financeiros a que pretende
recorrer.

O pedido pode ser apresentado na Direcção-Geral do Turismo ou nos Órgãos Regionais ou Locais de
Turismo.

Quando o pedido for apresentado na Direcção-Geral do Turismo, esta remeterá, no prazo de 8 dias, uma
cópia ao respectivo Órgão Regional ou Local de Turismo que dispõe de um prazo de 15 dias para emitir e
remeter à DGT o respectivo parecer.

Quando o pedido for apresentado no Órgão Regional ou Local de Turismo este deverá ser remetido à
DGT no prazo de 15 dias acompanhado do respectivo parecer.

O Director-Geral do Turismo deve decidir sobre o pedido no prazo de 45 dias após a recepção do
requerimento atrás referido.

Legislação Aplicável

Decreto Regulamentar nº 1/02 de Altera o Decreto Regulamentar nº 22/98 de 21 de Setembro


03.01 que regula a declaração de interesse para o turismo.

Declaração de Rectificação nº 3 – De ter sido rectificado o Decreto Regulamentar nº 1/2002,


D/2002 de 31.01 da Presidência do Conselho de Ministros, que altera o
Decreto Regulamentar nº 22/98, de 21 de Setembro, que
regula a declaração de interesse para o turismo, publicado
no Diário da República, Iª série, nº 2 de 3 de Janeiro de
2002.

Decreto Regulamentar nº 22/98 de Regula a declaração de interesse para o turismo.


21.09

O Turismo de Natureza/Animação Ambiental

O Turismo de Natureza é o produto turístico composto por estabelecimentos, actividades e serviços de


alojamento e animação turística e ambiental realizados e prestados em zonas integradas na rede
nacional de áreas protegidas.

O Turismo de Natureza compreende os serviços de hospedagem prestados em:

Casas de Natureza

33
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

São as casas integradas na Rede Nacional de Áreas Protegidas, destinadas a proporcionar, mediante
remuneração, serviços de hospedagem e que, pela sua implantação e características arquitectónicas,
contribuam decisivamente para a criação de um produto integrado de valorização turística e ambiental
das regiões onde se insiram.

Nota: A Rede Nacional de Áreas Protegidas foi criada pelo Decreto-Lei nº 19/93 de 23.01 e estas
classificam-se nas categorias de Parque Nacional, Reserva Natural, Parque Natural, Monumento
Natural, Paisagem Protegida e Sítio de Interesse Biológico.

Os serviços de hospedagem em Casas de Natureza são prestados nas seguintes modalidades:

Casas-abrigo

É o serviço de hospedagem prestado a turistas em casas recuperadas a partir do património do


Estado cuja função original foi desactivada, quer sejam ou não utilizadas como habitação
própria do seu proprietário, possuidor ou legítimo detentor.

Centros de acolhimento

São as casas construídas de raiz ou adaptadas a partir de edifício existente, que permitam o
alojamento de grupos, com vista à educação ambiental, visitas de estudo e de carácter
científico.

Casas-retiro

São as casas recuperadas, mantendo o carácter genuíno da sua arquitectura, a partir de


construções rurais tradicionais ou de arquitectura tipificada, quer sejam ou não utilizadas como
habitação própria do seu proprietário, possuidor ou legítimo detentor.

Actividades de Animação Ambiental

Entende-se por animação ambiental, a animação que é desenvolvida tendo como suporte o conjunto de
actividades, serviços e instalações para promover a ocupação dos tempos livres dos turistas e visitantes,
através do conhecimento e da fruição dos valores naturais e culturais próprios da área protegida.

As actividades de animação ambiental podem assumir as seguintes formas:

Animação

É o conjunto de actividades que se traduzem na ocupação dos tempos livres dos turistas e
visitantes, permitindo a diversificação da oferta turística, através da integração dessas
actividades e outros recursos das áreas protegidas, contribuindo para a divulgação da
gastronomia, do artesanato, dos produtos e das tradições da região onde se inserem,
desenvolvendo-se com o apoio das infra-estruturas e dos serviços existentes no âmbito do
turismo de natureza.

Interpretação Ambiental

34
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

É toda actividade que permite ao visitante o conhecimento global do património que caracteriza a área
protegida, através da observação, no local, das formações geológicas, da flora, fauna e respectivos
habitats, bem como de aspectos ligados aos usos e costumes das populações, com recurso às
instalações, sistemas e equipamentos do turismo de natureza.

Desporto de natureza

São todas as actividades praticadas em contacto directo com a natureza e que, pelas suas características,
possam ser praticadas de forma não nociva para a conservação da natureza

O licenciamento das iniciativas e projectos de actividades, serviços e instalações de animação


ambiental carece de licença, emitida pelo Instituto de Conservação da Natureza.

Licença

Do pedido de licença deve constar:

 A identificação do requerente.
 A localização dos estabelecimentos, quando existirem.
 A finalidade da actividade, iniciativa ou projecto de animação ambiental.
 As actividades desenvolvidas pelo requerente.

O pedido deve ser instruído com os seguintes documentos, de acordo com o tipo de projecto:

 Certidão de escritura pública de constituição da sociedade e certidão do respectivo registo


comercial definitivo, quando a natureza jurídica do requerente o justifique.
 Declaração comprovativa de que as instalações satisfazem os requisitos exigidos por lei.
 Memória descritiva e programa de actividades a desenvolver, bem como uma carta de localização
à escala de 1:25 000, ou escala inferior, sempre que justificável.
 Documento comprovativo de formação adequada dos monitores.
 Documento comprovativo de seguro de responsabilidade civil que cubra os riscos da actividade a
desenvolver.
 Documento comprovativo de acordo dos proprietários quando o projecto for implementado em
terrenos de propriedade privada.
 Alvará de licença de construção civil sujeitas a licenciamento municipal.

A licença emitida pelo ICN carece de parecer da Direcção-Geral do Turismo nos casos das modalidades
de animação e interpretação ambiental e de parecer do Instituto Nacional do Desporto, no caso do
desporto natureza. Após a recepção do pedido de licença, o ICN, deverá enviar à DGT ou ao IND, os
elementos necessários à emissão de parecer, no prazo de 8 dias úteis. Os pareceres destes organismos
devem ser emitidos no prazo de 30 dias úteis a contar da data de recepção dos referidos elementos.

Os pedido de licença são decididos pelo ICN no prazo de 30 dias, a contar da data do recebimento
dos pareceres ou do termo do prazo para sua emissão.

Nota: As licenças emitidas caducam no caso de o requerente não iniciar actividade no prazo de 90
dias úteis após a sua emissão ou, quando se tratar de empresa, se a mesma estiver encerrada por
período superior a um ano, salvo por motivo de obras.

Legislação Aplicável

35
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Regime Jurídico do Turismo de Natureza

Decreto-Lei nº 56/02 de 11.03 Altera o Decreto-Lei nº 47/99 de 16 de Fevereiro, que


regula o turismo de natureza.

Decreto- Lei nº 47/99, de 16.02 Regula o turismo de natureza.

(Alterado pelo Decreto-Lei nº 56/02 de 11.03)

Resolução de Conselho de Ministros Estabelece a criação do Programa Nacional de Turismo


de Natureza.
nº 112/98 de 25.08

Decreto Regulamentar nº 2/99, de 17.02 Regula os requisitos mínimos das instalações e o


funcionamento das casas de natureza.

Decreto Regulamentar nº 18/99, de 27.08 Regula a animação ambiental nas modalidades de


animação, interpretação ambiental e desporto de
natureza nas áreas protegidas, bem como o processo de
licenciamento das iniciativas e projectos de actividades,
serviços e instalações de animação ambiental.

Tipos de Animação Turística

Existem tal como foram referidas no capítulo anterior inúmeras actividades de animação turística, as
quais se podem inserir ou subdividir em diversos grupos ou tipos.

Assim podemos falar em:

Animação Sócio-cultural

- Exposições de Pintura, Escultura, Selos, Fotografias, Artesanato etc

- Organização de Conferências, Seminários e Colóquios

- Concertos Musicais

- Representações Teatrais

- Festivais de Cinema

- Jornadas Gastronómicas e Enológicas

Recreação e Entretenimento

- Concursos de Teatro e Literários

- Organização de concursos de dança e bailes

36
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Concursos de Gastronomia/Cozinha

- Desfiles de Moda

- Secções de Magia

- Jantares de Gala

- Organização de Concursos

Desportivas

- Concursos de Pesca e Caça

- Torneios de Ténis ou golfe

- Canoagem

- Passeios Pedestres

- Outras competições/actividades em instalações desportivas

Infantis

- Competições desportivas e jogos tradicionais

- Trabalhos manuais

- Festas, Teatro, Marionetas etc

- Cursos de língua

Metodologia da Animação Turística

1. Planeamento da Animação Turística

1.1 Motivação

Há que constantemente rever as motivações do turista

Tendo em conta:

 Quais os factores que motivam a fidelização dos clientes


 Que factores desmotivam os mesmos
 Que expectativas dos turistas se encontram realmente realizadas ou satisfeitas e quais as que
podem ser ainda melhoradas
 Que apetências inovadoras e diferenciais poderão ser potenciadas a fim de transformá-las em reais
expectativas

1.2 Meio Sócio-económico (análise de mercado)

 Que imagem temos junto do mercado alvo

37
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 Características socioeconómicas desse mercado


 Qual o espectro etário dos mesmos
 Nível de educação
 Estada média do cliente e época do ano em que mais se deslocam
 Desenvolvimento dos países emissores/ regiões de “outgoing”
 Ofertas da concorrência dos países/ regiões de “incoming”
 Meios de transporte disponíveis de acesso á região e ao país em causa
 Alojamentos disponíveis
 Categorias sócio-profissionais dos clientes
 Vencimentos e despesas médias

3.1.3 Meio-Ambiente

É tudo aquilo que nos rodeia e que pode de alguma forma intervir no projecto de animação que se
pretende desenvolver

Estrutura física do local (é importante determinar onde é que será desenvolvida a acção de animação e
quais as condições necessárias para tal)

Políticos, poder ou influência política (fazer um levantamento da opinião pública, o que é que as pessoas
pensam do nosso evento, aferir quem são os poderes políticos da região pois estes geralmente
aproveitam-se de eventos para chamar á atenção mas também podem ser poderosas forças de bloqueio
ao desenvolvimento dos mesmos)

Grupos ou associações cívicas da comunidade (apurar igualmente da sua receptividade face ao evento ex
associações ambientalistas)

Entidades oficiais (Ex. Governador Civil, Presidente da Câmara Municipal, Forças policiais..... para
obtenção de licenças ou apoios quer ao nível financeiro quer logístico)

Forças vivas do local ( lideres do comércio ou da industria para eventuais apoios financeiros)

Media local (relação que se tem com os media a nível local)

1.4 Projecto

O Projecto de Animação

Os projectos de animação deverão criar uma atmosfera tal, que permita ao cliente um ambiente de bem
estar, oferecendo-lhe diversas possibilidades de se divertir, distrair, satisfazer a curiosidade e descobrir as
particularidades do local onde se encontra:

Características:

- Flexíveis e abertos a alternativas propostas


- Diversificados, visando a satisfação dos diferentes públicos
- Cativantes, visando o ritmo e a anulação de tempos mortos
- Adequados ao público, recursos e equipamentos
- Complementares, visando a sua harmonia

Na elaboração do projecto importa responder a algumas questões fundamentais

Nomeadamente:

38
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Para quem (quem é o publico alvo a que se vai dirigir a animação

Para satisfazer que necessidades (quais as necessidades do cliente alvo)

Que ocupação de espaço (m2, acessibilidades, características geográficas)

Que equipamentos (Fazer lista de todos os equipamentos necessários para o evento)

Quem envolver (pessoas que vão estar envolvidas monitores forças de segurança bombeiros etc)

Algumas das respostas ás questões anteriormente colocadas podem ser respondidas através da
realização de Estudos de Mercado senão vejamos.

- Que imagem temos junto do nosso mercado alvo


- Características socio-economicas desses mercados
- Qual o espectro etário dos mesmos
- Que factores motivam a deslocação/viagem
- Como se vão deslocar até ao local de destino
- Que factores desmotivam os mesmos
- Que expectativas se encontram realmente satisfeitas
- Que expectativas podem ainda ser aperfeiçoadas
- Que apetências inovadoras e diferenciadas poderão ser potenciadas
- Quais as expectativas inerentes à viagem

1.5 Recursos Disponíveis

Está bastante difundida a ideia preconcebida que a animação turística exige a utilização de materiais
equipamentos e recursos em grande quantidade e de elevado custo. Na verdade o volume e o custo do
material apresentam-se sempre directamente proporcionais à ambição e à dimensão que se quer dar
aos programas de animação.

É no entanto ideal a óptima utilização do já disponível e para tal temos de considerar:

 Atractivos naturais (O que é que o local dispõe em termos de recursos naturais, se é perto de
praias ou barragens, montanhas etc)
 Atractivos de carácter cultural (Monumentos, ruínas, tradições etc)
 Facilidades ( Transportes, serviços públicos, de saúde etc)
 Equipamentos e serviços diversos (Disponíveis ou fáceis de alugar)
 Recursos técnicos (e a região tem por ex. monitores de escalada ou electricistas técnicos de
som)
 Recursos financeiros (Orçamentos, patrocínios, subsídios etc )
 População local (Se poderão ser envolvidos na animação como colaboradores logísticos)

1.6 Plano de Animação

É nesta fase que se define concretamente o que se vai fazer quando e onde se vai fazer o programa de
animação.

1. Definir a ideia (O que se vai fazer)


2. Estratégia de implementação (Como é que se vai por em prática)
3. Variáveis do Marketing Mix (analisar)
4. Esquematização das infra-estruturas existentes (atender aos vários aspectos como sendo
saneamento básico, recolha de lixo, parques de estacionamento, acessibilidades etc)
5. Concretização do local (ter em conta o ponto anterior e fazer planta do local ou do percurso do
evento)
6. Definição de equipamentos (listagem dos equipamentos necessários para o evento)

39
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

7. Orçamento financeiro
8. Estrutura legal (Autorizações legais e licenças)
9. Estrutura operacional (Programa como vão decorrer as actividades horários etc)
10. Análise e avaliação dos resultados

Um bom processo de marketing está ligado ao tempo despendido na análise dos elementos
disponíveis na continua e disciplinada análise de questões que quando respondidas
determinarão o sucesso da implementação de actividades que geram a animação

Factos Correntes Motivos Alternativas possíveis Revisão dos Factos

O quê? O que se faz Porque se faz O que se poderia O que deveria ser
agora agora fazer agora feito

Como? Como é feito Porquê desta Poderia ser feito de Como deveria ser
forma outra forma feito

Quando Quando é feito Porquê nesta Poderia ser feito Quando deveria ser
altura noutra altura feito

Quem? Quem faz Porquê essa Quem mais poderia Quem o deveria fazer
pessoa fazer

Metodologia do projecto de Animação

Qualquer projecto de Animação tem de ser devidamente estruturado sendo analisadas as seguintes
etapas:

1. Apresentação
2. Fundamentação
3. Planificação
4. Execução
5. Avaliação

De um modo geral estas fazes do projecto de animação já foram descritas no ponto anterior (plano de
animação), contudo e dada a sua importância não é demais focar de uma forma esquemática as fases a
que o desenvolvimento de um projecto desta natureza deve obedecer.

Barreiras à implementação do plano de Animação

Existem factores de ordem diversa que colocam em causa a realização de determinados eventos ou
programas de animação:

 Não tem retorno de investimento tangível o que origina falta de interesse por parte e eventuais
investidores/patrocinadores
 Geras despesas consideráveis quando confrontadas com as receitas previsíveis (não é viável do
ponto de vista económico)
 A aceitação por parte do público alvo não é espontânea, implicando uma revisão do projecto
 Existem esforços de contenção de despesas que não se coadunam com os resultados
pretendidos
 Se a criação de determinado evento é demasiado dispendiosa e não se espera um retorno de
capital, verifica-se um desinteresse pelo plano ou pelo evento

40
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Factores de Sucesso na Animação

Que factores podem conduzir ao sucesso da animação

- Planificar todas as variáveis do programa (planificando todas as etapas)

- A Esquematização das infra-estruturas deve ser considerado prioritário

- Nunca esquecer que os patrocinadores são um instrumento importante do Marketing e são geradores e
receita

- Promotores privados necessitam do suporte do sector público (entidades oficiais)

- A promoção é um factor crítico de sucesso

- Pequenas comunidades são igualmente tão importantes como as grandes, porque permitem a
focalização dos eventos de animação

- Envolver sempre que possível as comunidades locais no evento

- Não esquecer que o impacto económico consegue sempre unir esforços da comunidade para o
evento/animação

- Fazer eventos por vezes não é economicamente viável, usar o que temos disponível gratuitamente

- Quanto maior for o evento/animação, maior será a importância da comunidade no desenvolvimento do


mesmo. Usar voluntários sempre que existam.

Para o sucesso da animação muitas vezes contribui o facto de sermos diferentes da concorrência
nomeadamente:

Atenção especial às crianças e aos jovens

Distracção adulta dos adultos

Programas educacionais para a 3ª idade

Comunicação continua na linguagem/idioma do cliente

Apelar à participação colectiva

Respeito pelos clientes não participantes

Nunca ferir susceptibilidades

Incluir o o ensino de gastronomia local, desporto e cultura

Dar uma animação variada dinâmica e criativa

Dar liberdade de actuação ao cliente

Locais com condições de segurança

Praticar marketing directo

41
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Qualidade na Animação

10 Etapas para a qualidade na Animação:

1. Implementação de normas de qualidade


2. Maior envolvimento das pessoas que fazem parte do “team” da animação, na decisão do
evento ou na concretização da ideia.
3. Conhecimento profundo das necessidades do público alvo.
4. Maior atenção aos não utilizadores do evento Animação
5. Um maior empenho nos processos e nas técnicas de Marketing
6. Escutar o Feedback do cliente
7. Análise mais profunda dos hábitos dos públicos – como e por onde circulam, participam e se
relacionam com as equipas de animação.
8. Maior sofisticação na concepção do serviço a fornecer (programa de animação)
9. Tecnologia aliada ao evento
10. Formação e nível de serviço das pessoas envolvidas no programa de animação

O Animador

Uma das componentes mais importantes na realização de projectos de animação é sem duvida o
animador

Indiciada esta necessidade de animação/animador, ele “animador” tem de possuir grandes qualidades
de comunicação, abertura de espírito, muita disponibilidade, um carácter extrovertido, talentoso e ser
especialista em pelo menos uma actividade desportiva ou lúdica. Tem de ter uma personalidade forte, e
ser possuidor de grande imaginação, ser dinâmico, flexível e ter grande capacidade sugestiva, enfim
possuir um conjunto de aptidões que tornam esta profissão difícil e mais completa do que muitos
podem pensar.

Perfil e Atribuições do Animador

De acordo com diversos especialista existem 14 qualidades que qualquer bom animador deve possuir:

1. Ser um excelente comunicador


2. Ser criativo dinâmico e espírito de líder
3. Ter forte capacidade de adaptação
4. Ter grande capacidade organizativa
5. Dominar técnicas e recursos
6. Ter uma atitude de permanente aprendizagem
7. Ter capacidade de improviso
8. Ter capacidade pedagógica
9. Ser tolerante
10. Ser observador
11. Ter simpatia e amabilidade
12. Ser aglutinador de grupo
13. Ser entusiasta
14. Ser resistente física e psicologicamente

Estas são sem dúvida as principais aptidões que um animador deve possuir, mas para que do ponto de
vista da intervenção do animador e para seu próprio controlo e orientação, o evento seja um sucesso ás
aptidões atrás referidas deveremos acrescentar alguns princípios orientadores

Os princípios orientadores de um bom animador são:

 Nunca esquecer que o objectivo principal do animador é satisfazer os gostos e as expectativas


do maior número possível de clientes e de os entreter

42
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 Tentarem sempre uma adaptação às condições específicas do trabalho a efectuar, sem


apresentarem demasiados obstáculos
 Terem sempre presente que um animador não é apenas considerado como indivíduo, mas
também com o que faz. Do seu comportamento depende o trabalho e a credibilidade de toda
uma equipa
 Tentarem desde o primeiro minuto atrair a simpatia dos colegas e e gestores. Tê-los como
amigos poderá significar melhores condições de trabalho. Tê-los como inimigos pode levar ao
insucesso total
 Devem publicitar de todas as formas possíveis as suas iniciativas e as da equipa, para que nunca
alguém possa dizer “eu não sabia”
 Devem procurar aproveitar-se de todas as ocasiões em que se verifique disponibilidade e
entusiasmo por parte dos participantes para implementar uma nova actividade que vá de
encontro das suas expectativas
 Recordar que o segredo para agradar a todos é não ter preferência por ninguém em particular.
Tem de ser dada atenção a todos e da mesma forma
 Não esgotar em poucos dias todas as energias, deitando-se tarde e acumulando sonos em
atraso. Tem de aprender a gerir a fadiga e o stress, pois de tem de estar activo por longos
períodos
 Nunca se envolver em comportamentos mais ou menos íntimos ou de fácil equívoco com
qualquer cliente

Atribuições do animador

Animar aspectos, monumentos estruturas e acontecimentos, promover o acesso à cultura, contribuir


para o desenvolvimento das capacidades criadoras, promover o contacto entre os elementos do grupo,
suscitar iniciativas, aumentar a participação nas actividades propostas e introduzir a noção de cultura no
âmbito dos tempos livres

Cada vez mais o animador tem de saber organizar planificar e dirigir actividades

Animação na Hotelaria

Os programas de animação

O programa de animação ideal deve ser.

- Adequado ao tipo de público, recursos e equipamentos que se dispõe


- Variado para contemplar todos os interesses e actividades possíveis
- Complementar compondo um conjunto harmonioso e não uma soma de actividades sem conexão
- Interessante sem espaços mortos nem vazios, sem que possa dar a impressão de inactividade e
mantendo sempre o mesmo ritmo
- Flexível e aberto a possíveis alternativas ou propostas

O Marketing na Animação Turística

É fundamental considerar o turismo como motor de um processo de desenvolvimento integrado e


coerente, na perspectiva do seu chamado “efeito multiplicador”, e que a procura que as receitas
obtidas com esta actividade voltem a ser investidas na própria região e assim conseguir promover a
criação e/ou desenvolvimento de outras actividades, postos de trabalho assim com a valorização
profissional no turismo e nos sectores directa ou indirectamente com ele relacionados. Importa para
tal, que o turismo seja correctamente concebido e gerido levando à definição de uma política coerente
de desenvolvimento turístico. Neste contexto os profissionais de turismo deverão ter em conta a

43
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

existência de instalações de alojamento e restauração adequadas ao segmento de mercado que


servem mas, e simultaneamente não poderão esquecer que deverão também conceber, organizar,
implementar e gerir estruturas e formas de animação que considerem devidamente, e numa óptica de
Marketing, o tipo de cliente e consequentemente, o tipo de necessidades a satisfazer assim como os
preços a praticar. A animação turística permite organizar determinadas actividades cujo objectivo é
permitir ao turista o acesso adequado aos recursos e assim assegurar a sua exploração

A Animação Sócio-cultural numa óptica de marketing

A função do animador surge face à necessidade de em diversas áreas proceder à dinamização e


revitalização de estruturas sociais e culturais. Importa para o efeito formar especialistas, indivíduos que
conheçam os diferentes recursos disponíveis no âmbito da sua área de actuação, e que por outro lado
identifiquem com exactidão as necessidades e motivações do público alvo para o qual estão a trabalhar.
Só desta forma poderão conceber o “programa” mais adequado ou seja o que melhor serve o público.

Se considerarmos que “uma abordagem de marketing começa com a preocupação de identificar o


consumidor ou o comprador e as necessidades que o motivam, em ordem a conceber, organizar e utilizar
os meios adequados a dar-lhe satisfação, com a máxima rentabilidade possível” então estamos no
domínio do Marketing.

O Institute of Marketing define marketing enquanto “ um processo de gestão responsável pela


antecipação, previsão e satisfação das necessidades do consumidor tendo em vista a obtenção de
lucros”

Neste sentido pode-se concluir que:

a) O animador “trabalha” os recursos, concebendo programas que dirige a públicos perfeitamente


identificados
b) Esta postura de adequação dos programas aos públicos alvo, visando obter a satisfação do
consumidor e a rendibilidade máxima para a organização, insere-se numa postura de marketing

Um plano de marketing tipo engloba vulgarmente as seguintes tarefas:

1- Percepção e entendimento da missão e dos valores da empresa


2- Análise do mercado (análise externa) e da empresa (análise interna) a fim de determinar os seus
trunfos, as suas oportunidades, as suas fraquezas e a suas ameaças
3- Formulação dos objectivos de marketing (definidos quantitativamente e qualitativamente, e num
dado espaço de tempo) e consequente definição das estratégias genéricas possíveis
4- Selecção ou escolha estratégica de marketing. Por cada objectivo considerado, os gestores devem
decidir-se por uma de muitas opções estratégicas a adoptar. É nesta altura que se deve segmentar o
mercado e avaliar a rendibilidade de cada um dos segmentos assim como proceder a uma avaliação
dos diferentes posicionamentos concorrências a fim de propor o posicionamento mais adequado ao
produto em causa
5- Definição dos planos de acção. Estes referem-se às diferentes decisões que se relacionam com cada
área estratégica de que é constituído o marketing-mix (produto, preço, promoção e distribuição). Os
planos de acção descrevem minuciosamente a forma como as estratégias são implementadas. São a
ultima fase do planeamento de marketing e podem classificar-se como “catálogos de tarefas” a
realizar, resumindo, “como”, “quando”, e “por quem”.

Particularidades da animação turística

O turismo como fenómeno humano é rico, complexo e polivalente. Numa perspectiva de Marketing,
recorre-se á utilização dos recursos a fim de criar produtos turísticos e finalmente conceber as ofertas
turísticas. Estas são percepcionadas pelos consumidores como destinos turísticos. Como tal há que
proceder, numa dada região à inventariação dos recursos ai existentes, pois eles são a base sobre a qual
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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

se vai desenvolver a actividade turística. Os serviços e equipamentos deverão ser definidos com vista a
proporcionar ao turista a utilização dos recursos, satisfazendo as suas necessidades e possibilitando-lhe a
fruição dos atractivos do destino. Neste sentido estamos face a produtos turísticos ou seja, a conjuntos
de componentes que agregados são capazes de satisfazer as motivações e as expectativas de um
determinado segmento de mercado. Precisamos agora de lhe atribuir um preço, distribui-los e dá-los a
conhecer de forma a que os consumidores os percepcionem e saibam como e onde podem adquiri-los.
Concebemos assim ofertas turísticas (conjuntos de serviços) que se podem comprar por determinado
preço, que se desenvolvem em determinado local num tempo especifico possibilitando a quem os
adquire a fruição de uma experiência de viagem completa.

O turista requer pois, um conjunto de serviços que não se limitam ao alojamento e ao transporte,
exigindo também actividades recreativas. Neste caso a inovação e o desenvolvimento de novos produtos
surgem como fundamentais no sentido da obtenção de êxito por parte das empresas que trabalham na
área da animação. A imaginação reveste-se de extrema importância e a criatividade é imprescindível
para não criar fadiga ou cansaço no turista. O marketing assume assim um papel de extrema importância
e relevo.

Caso se pretenda lançar um programa de animação á que ter em atenção ao seguinte:

- Estudo da procura e das sua motivações em relação às actividades recreativas (estar em ambientes
agradáveis, alargar as relações sociais, divertir-se, desenvolvimento da personalidade etc)
- Estudo da oferta ( recursos naturais e histórico-culturais adequados para o desenvolvimento de
programas de animação, existência de instalações turísticas adequadas etc)

As fases de lançamento de um produto de animação requerem um plano de marketing que comporte:

- A criação de possíveis ideias de recreação e animação


- Processo de selecção das mesmas mediante testes feitos a terceiros
- Valorização económica da sua rendibilidade
- Desenvolvimento de projectos e produtos para a sua aplicação
- Distribuição e promoção do produto
- Comercialização e venda concreta.

Assim é importante que os gestores de animação realizem as seguintes actividades:

- Estudos de da procura e da oferta (características dos clientes e dos recursos)


- Planificação dos projectos de animação de acordo com os resultados dos estudos
- Definição dos pressupostos e dos meios financeiros
- Definição das relações de cooperação com os diversos sectores que participam na campanha
turística geral (alojamento e transportes)
- Utilização racional dos recursos e do projecto de animação
- Realização dos programas definindo os diferentes campos de acção
- Actividades de promoção e venda (sites, folhetos brochuras etc)

Segundo Guibilato não basta para estimular a vida do turista alimentá-lo e alojá-lo. Ele desloca-se com o
objectivo de desfrutar e utilizar os recursos assim como praticar determinadas actividades. Com tal é
necessário dar-lhe a oportunidade de o fazer.

Para quê fazer Animação?

Animação marca a diferença, é uma componente turística e está intimamente ligada ao êxito de um
destino turístico. Já não é só um complemento

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Hoje em dia pode ser o factor principal de atracção de turistas

Há que proceder há elaboração de um projecto geral da zona em questão verificando as possibilidades


de criação dessa animação, enquadrando-a com as infra-estruturas existentes, a própria paisagem e
demais recursos naturais, adequando-o ao seu publico alvo considerando factores como: idade, estatuto
social, poder de compra, principais motivações etc. Este projecto ou a definição de uma estratégia a
implementar deve ter como parceiros as entidades públicas e privadas da região (C.M, Hotelaria,
Restauração, Rent a car) e a própria população.

Animação serve para ou deve-se à :

 Enriquecer conhecimentos,
 Necessidade de evasão fuga,
 Necessidade de descobrir,
 Necessidade de pausa física/mental,
 Necessidade de auto-realização,
 Necessidade de comunicação,
 Necessidade de socialização e
 Necessidade de satisfazer a curiosidade

E surge no seguimento do preenchimento dos níveis inferiores da pirâmide de Maslow.

Hierarquia das necessidades (MASLOW)

 Necessidades fisiológicas
 Necessidades de segurança
 Necessidades sociais
 Necessidades psicológicas
 Necessidades de auto-realização

Necessidades relacionadas com a origem do turismo.

Repouso, evasão, socialização, comunicação, descoberta, satisfação de curiosidade, conhecimento e


auto-realização.

ASPECTOS OPERATIVOS DA ANIMAÇÃO TURÍSTICA

A animação promove e mobiliza recursos humanos mediante um processo participativo que desenvolve
potencialidades latentes nos grupos de indivíduos de modo a permitir-lhes expressar, estruturar e
dinamizar as suas próprias experiências.

No campo da acção, a prática da animação exige a resposta a 6 questões fundamentais:

Pessoas
 Destinatários dos programas/actividades
Lugares
 Âmbito espacial onde se realizam as actividades
Tempo
 Âmbito temporal (hora, dia, período do dia, vários dias)
Actividades
 Definição das actividades que servem de suporte aos programas
Métodos

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

 Procedimentos e técnicas a utilizar para a organização e realização de actividades


Meios técnicos
 Recursos utilizados (materiais e financeiros)

Ou de uma outra forma

A elaboração de um projecto de animação deve responder ás seguintes questões:

 O Quê ? – Qual a natureza do projecto o que se pretende fazer


 Por Quê ?– Origem do projecto – natureza do projecto que actividades foram escolhidas
 Para Quê – Objectivo
 Quanto? – Metas
 Onde? – Localização física do projecto
 Como? – Actividades, tarefas e metodologia
 Quando? – Calendarização/cronograma
 A Quem? – Destinatários
 Com o quê? – Recursos materiais e financeiros

Factores Que Contribuem para o Desenvolvimento da Animação Turística

 Capacidade atractiva dos recursos naturais e culturais


 Alteração do conceito de férias para férias activas
 Papel importante na realização, satisfação e desenvolvimento sócio-cultural dos turistas

Consequências da implementação da animação

 Criação de infra-estruturas e equipamentos


 Criação de postos de trabalho,
 Aparecimento de novas profissões,
 Diversificação da oferta de serviços,
 Aumento da estadia média,
 Diversificação das fontes de receita
 Desenvolvimento das economias locais

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

MÓDULO 10: Legislação Turística

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

1. Introdução ao Direito – definições e conceitos


1.1. Órgãos de soberania em Portugal
1.2. Processo de elaboração de leis em Portugal
2. Organização do sector público do turismo em Portugal
2.1. Órgãos internacionais
2.2. Órgãos nacionais
2.3. Órgãos regionais e locais
3. A legislação das actividades turísticas
3.1. Turismo no espaço rural e turismo de natureza
3.2. Regime jurídico do funcionamento e instalação dos empreendimentos turísticos
3.3. Regime jurídico do funcionamento e instalação dos estabelecimentos de restauração e bebidas
3.4. As agências de viagens – Enquadramento legal
3.5. As empresas de animação turística – Enquadramento legal
3.6. Os comboios turísticos – legislação aplicável
4. O consumidor
4.1. Direitos do consumidor
4.2. Deveres do consumidor

1. Introdução ao Direito – definições e conceitos

1.1. Órgãos de soberania em Portugal

Em Portugal, são órgãos de soberania:

- Presidente da República,

- Assembleia da República,

- Governo

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Tribunais

A formação, a composição, a competência e o funcionamento dos órgãos de soberania são os definidos


na Constituição.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

As suas funções constitucionais são fundamentalmente as de representação da República Portuguesa, de


garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições,
sendo ainda, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.

O Presidente da República é eleito pelos cidadãos, por sufrágio directo e universal, para um mandato de
5 anos, não podendo ser reeleito para um terceiro mandato consecutivo. As candidaturas são propostas
por cidadãos eleitores (num mínimo de 7500 e num máximo de 15000) e o candidato para ser eleito tem
necessariamente de obter mais de metade dos votos validamente expressos. Para esse efeito, se
necessário, realizar-se-á uma segunda votação com os dois candidatos mais votados no primeiro sufrágio

O Conselho de Estado é o órgão político de consulta do Presidente da República.

O Presidente da República tem como residência oficial o Palácio Nacional de Belém, em Lisboa.

ASSEMBLEIA DA REPUBLICA

Em Portugal, a Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos


portugueses.

É o segundo órgão de soberania de uma República Constitucional. Em Portugal, a assembleia reúne-se


diariamente no Palácio de São Bento.

É composta pelo presidente, quatro vice-presidentes, quatro secretários e quatro vice-secretários eleitos
pelo período da legislatura. Todos os membros da Mesa são eleitos pela maioria absoluta dos deputados
em efectividade de funções. Nas reuniões plenárias a Mesa é constituída pelo presidente e pelos
Secretários. Na falta do presidente as reuniões são presididas por um dos outros vice-presidentes. Os
secretários podem ser substituídos pelos vice-secretários. Compete à Mesa, em geral, coadjuvar o
Presidente no exercício das suas funções.

A Assembleia da República tem uma competência legislativa e política geral. A Constituição prevê que
certas matérias constituam reserva absoluta de competência legislativa, isto é, a Assembleia não pode,
sobre elas, autorizar o Governo a legislar. Entre estas inclui-se, por exemplo, a aprovação das alterações
à Constituição, os estatutos político-administrativos das regiões autónomas (Açores e Madeira), as leis
das grandes opções dos planos e do Orçamento do Estado, os tratados de participação de Portugal em
organizações internacionais, o regime de eleição dos titulares dos órgãos de soberania (Presidente da
República e Assembleia da República) bem como dos Deputados às Assembleias Legislativas Regionais
dos Açores e da Madeira e dos titulares dos órgãos do poder local e o regime do referendo. Sobre outras
matérias da sua exclusiva competência a Assembleia pode conceder ao Governo autorização para
legislar – é o que se designa por reserva relativa – onde se incluem as bases do sistema de segurança
social e do serviço nacional de saúde, a criação de impostos e sistema fiscal, a organização e
competência dos Tribunais, entre outras.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

GOVERNO

O governo é a organização, que é a autoridade governante de uma unidade política, o poder de regrar
uma sociedade política, e o aparato pelo qual o corpo governante funciona e exerce autoridade. Governo
não implica necessariamente a existência de estado como os Trobriandeses estudados por Bronislaw
Malinowski.

Estados de tamanhos variados podem ter vários níveis de governo: local, regional e nacional.

O governo é usualmente utilizado para designar a instância máxima de administração executiva,


geralmente reconhecida como a liderança de um Estado ou uma nação. Normalmente chama-se o
governo ou gabinete ao conjunto dos dirigentes executivos do Estado, ou ministros (por isso, também se
chama Conselho de Ministros). Porem, existem países como o Reino Unido que tem Chefe de Estado e
Chefe de Governo respectivamente a Rainha Elizabeth II e o Primeiro Ministro Gordon Brown. Neste caso
a rainha é chefe de estado de diversos países membros da Commonwealth

A forma ou regime de governo pode ser República ou Monarquia, e o sistema de governo pode ser
Parlamentarismo, Presidencialismo, Constitucionalismo ou Absolutismo. Uma nação sem Governo é
classificado como anárquico.

Pode-se dizer que forma de governo é um conceito que se refere à maneira como se dá a instituição do
poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e governados.

Sistema de governo, por outro lado, não se confunde com a forma de governo, pois este termo diz
respeito ao modo como se relacionam os poderes.

TRIBUNAIS

Um tribunal (do latim tribunal, tribunalis; "dos tribunos") é o local em que é administrada a justiça, onde
os juízes exercitam o seu ofício. São órgão colegiados com variadas jurisdições (federais, estaduais,
provinciais etc.) e competência (civil, penal, militar etc.)

1.2. Processo de elaboração de leis em Portugal

Um ministro toma a iniciativa (redige-a ou pede a peritos para a redigirem). Envia-a à Presidência do
Conselho de Ministros, que verifica se é adequada, oportuna e correcta, fazendo-se os acertos
necessários entre o Ministro proponente e a Presidência do Conselho de Ministros. Depois, é enviada
aos outros Ministros que a analisam, designadamente recorrendo aos seus auxiliares directos ou aos
seus serviços. A opinião do Ministro é transmitida ao Secretário de Estado que representa o Ministério
na reunião de Secretários de Estado. A iniciativa é analisada na Reunião de Secretários de Estado e, se se
verificar acordo, aprova-se o projecto, que será agendado para Reunião do Conselho de Ministros. O
Primeiro-Ministro e os Ministros recebem os documentos da agenda do Conselho de Ministros. O
Conselho de Ministros pode aprovar a proposta como lhe é apresentada, emendá-la, adiá-la ou mesmo
rejeitá-la. Depois de aprovado, o diploma é assinado pelos Ministros com competência em razão das
diversas matérias e pelo Primeiro-Ministro e enviado ao Presidente da República para promulgação. Uma
vez promulgado, é referendado pelo Primeiro-Ministro e enviado para publicação no Diário da República.

2. Organização do sector público do turismo em Portugal


2.1. Órgãos internacionais

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

A OMT – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO

História: principais etapas

- 1925: 1º congresso internacional, em Haia. É criada a International Union of Official Tourist Publicity
Organization

- 1934: em Haia, é criada a International Union of Official Travel Organizations.

- 1947: renomeada International Union of Official Travel Organizations (IUOTO).

Nos anos 60 e 70, com o boom do Turismo, os membros da IUOTO sentem que há uma lacuna
internacional a nível das organizações. Sentem necessidade de representar os Estados a nível
intergovernamental, pois assim teriam maior força. Pretende-se articular com as Nações Unidas.

- 1967: Ano Internacional do Turismo – revela a importância crescente do Turismo nos anos 60.

- 1970: os membros da IUOTO aprovam a fundação de uma organização intergovernamental e os seus


estatutos (OMT).

- 1974: ratificação da OMT por Estados-Membros. Por esta altura, estava sedeada em Genebra, na Suiça.

- 1975: Renomeação da IUOTO em Organização Mundial do Turismo.

- 1976: a sede desta organização é mudada para Madrid. Ainda neste ano, a OMT torna-se agência
executante das Nações Unidas.

- 1979: foi criado o Dia Mundial do Turismo a 27 de Setembro. A escolha deste dia esta directamente
ligada à aprovação dos estatutos da OMT.

- 1980: Declaração de Manila

- 1985: Código do Turismo

- 1999: Código Mundial da Ética do Turismo

Membros

A OMT é uma organização intergovernamental. Representa oficialmente estados independentes.

Membros de pleno direito

São mais de 140 Estados soberanos, que se associam de livre vontade. São estes que constituem o
núcleo desta organização.

Membros associados

São territórios que não são responsáveis pelas suas relações externas, não são completamente
independentes, mas que têm autorização (do Estado) e alguma autonomia para se associarem. Ex.: Hong
Kong, Macau (China); Madeira (Portugal); Antilhas Holandesas, Porto Rico, Comunidade Flamenga da
Bélgica.

Membros Observadores

 Palestina (observador especial) – não é um Estado independente


 Santa Sé (observador permanente)

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Membros Filiados – são mais de 300.

São organizações que representam associações hoteleiras, restauração, companhias de aviação,


instituições de ensino, etc. Como exemplo português, temos INATEL, que é membro filiado desde 1999.

Financiamento
Todos os membros têm que contribuir financeiramente. Para isso, pagam uma quota, que é fundamental
para a sobrevivência da Organização.

Os membros de pleno direito pagam uma quota de acordo como seu poder económico e da importância
e peso do Turismo na economia desse país. Os membros associados e os membros filiados pagam
quotas fixas.

A OMT também se auto financia através da realização e venda de estudos e publicações.

Órgãos
A Organização Mundial do Turismo é constituída por:

Assembleia-Geral – em que votam os membros pleno direito e os membros associados. Os restantes


membros (observadores e filiados não votam – são apenas convidados a participar). Reúnem de dois em
dois anos e de quadro em quatro anos elegem o Secretário-geral – é o representante da OMT.
Conselho Executivo – é eleito apenas pelos membros de pleno direito e representa os Estados –
membros. Assegura o cumprimento do programa e do orçamento. Tem um representante dos
associados e um dos filiados.
Comissões Regionais – participam os membros de pleno direito e os membros associados. Devido à
difícil coordenação a nível central, a partir de Madrid, a OMT dividiu o mundo em 6 grandes regiões
turísticas. Cada comissão regional, sedeada em cada uma das regiões, representa a OMT.

Actividades da OMT:
- A cooperação para o desenvolvimento, que passa pela assistência aos governos no que se refere ao
desenvolvimento turístico sustentável, investimento em tecnologia, marketing e promoção;

- A educação e a formação, cujo programa tem como finalidade principal a qualificação profissional;

- As estatísticas e estudos de mercado, no sentido de promover a uniformização de conceitos e critérios


de elaboração de relatórios, medir o impacto do turismo nas economias e ainda publicar documentos
com resultados, tendências e previsões;

- A qualidade dos serviços turísticos, cujas finalidades incluem a defesa da qualidade em contextos
equilibrados; a melhoria da competitividade dos destinos, sobretudo nos países em desenvolvimento; e
o zelo pela segurança e pela protecção quer dos consumidores, quer das comunidades de acolhimento;

- as publicações, que pretendem satisfazer as necessidades de informação dos públicos, tanto no âmbito
interno, como externo.

OCDE – ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Papel no âmbito do Turismo:

- Sensibilizar todos os países membros para a importância económica do turismo;

- Promover a valorização das políticas do turismo

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Favorecer a cooperação internacional;

- Difundir a imagem deste comité, enquanto factor de análise e avaliação das políticas de turismo.

UNIÃO EUROPEIA

Iniciativas

- Ano Europeu do Turismo (1990)

- O Plano de Apoio ao Turismo (1993-95), que visava implementar medidas com vista à uniformização de
estatísticas, ao desenvolvimento de produtos turísticos de qualidade e de novos segmentos de mercado
e ainda à cooperação com países terceiros

- O Livro Verde do Turismo (1995), que apresenta conclusões sobre o turismo e aponta medidas possíveis
para o futuro

- A Philoxenia. Programa comunitário com o objectivo de estimular a competitividade e melhorar a


qualidade do turismo.

1.2. Órgãos nacionais

ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL

MINISTÉRIO DA ECONOMIA

E DA INOVAÇÃO

SECRETARIA DE ESTADO

DO TURISMO

REGIÕES DE TURISMO

Autoridade para a

Segurança Inspecção-Geral DIRECÇÕES REGIONAIS


TURISMO DE PORTUGAL, ip
Alimentar e Económica de Jogos DE ECONOMIA

LICENCIAMENTO FINANCIAMENTO FORMAÇÃO PROMOÇÃO

Em Portugal, a instituição do governo que tutela o Turismo é a Secretaria de Estado do Turismo, que está
sob a alçada do Ministério da Economia e Inovação.

O Turismo de Portugal, I.P. é a entidade pública central responsável pela promoção, valorização e
sustentabilidade da actividade turística. É responsável pelo licenciamento e classificação dos
empreendimentos turísticos; pelo financiamento e incentivos ao financiamento de projectos na área do
Turismo; planeamento e certificação da formação turística; promoção de Portugal no estrangeiro.
Compete-lhe igualmente zelar pelo cumprimento da legalidade no âmbito da actividade do jogo.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

1.3. Órgãos regionais e locais

- CTP - Confederação do Turismo de Portugal

A CTP tem âmbito nacional e abrange as federações, uniões e associações do sector empresarial do
turismo, podendo ainda nela filiar-se as empresas que, atenta à diversidade e heterogeneidade da sua
actividade não sejam directamente enquadráveis em qualquer associação do sector.

São suas atribuições, entre outras:

 A promoção da harmonização dos interesses dos seus associados para o exercício de direitos e
obrigações comuns,
 A representação dos interesses comuns dos seus associados junto de todas as entidades
públicas ou privadas, nacionais, estrangeiras ou internacionais;

 A cooperação com estas entidades com vista à realização de iniciativas de interesse mútuo;

 A promoção e elaboração de diagnósticos, pareceres e estudos que interessem e contribuam


para o desenvolvimento, modernização e aumento da competitividade do turismo e, ainda, a
contribuição para a formação de políticas e medidas favoráveis ao desenvolvimento da
actividade turística, em particular, e da economia nacional, em geral.

- Associações Empresariais

As associações empresariais são órgãos voluntários constituídos por empresas independentes de uma
indústria específica ou de um agrupamento de indústrias, cujo principal objectivo é a protecção e
desenvolvimento dos seus interesses comuns.

Sectoriais (ex. , FERECA, AHP, ARESP)

Regionais (ex. UNISHNOR)

Locais (ex. AT Póvoa de Lanhoso)

Público e Privado

• ASSOCIAÇÃO NACIONAL
ex. ANRET (Associação Nacional das Regiões de Turismo)

• AGÊNCIAS REGIONAIS DE PROMOÇÃO


ex. ADETURN, ATL (Associação de Turismo de Lisboa), ATA ( Associação de Turismo do
Algarve), etc

3. A legislação das actividades turísticas


3.1. Turismo no espaço rural e turismo de natureza

– O QUE É O TURISMO NO ESPAÇO RURAL

O Turismo no Espaço Rural é um produto turístico que consiste no conjunto de actividades, serviços de
alojamento e animação em empreendimentos de natureza familiar situados em zonas rurais e que
possam servir simultaneamente de residência dos seus proprietários, que engloba :

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Os serviços de Hospedagem prestados em casas particulares nas seguintes modalidades:

TH -TURISMO DE HABITAÇÃO - serviço de hospedagem familiar prestado em casas ANTIGAS


PARTICULARES cujo valor arquitectónico, histórico ou artístico seja representativo de uma época – ex.:
casas apalaçadas ou solares ( art. 4º do DL);

TR - TURISMO RURAL - serviço de hospedagem familiar prestado em casas RÚSTICAS PARTICULARES que
pela sua traça, materiais e demais características, se integrem na arquitectura típica regional ( art. 5º
do DL);

AG - AGRO-TURISMO – serviço de hospedagem em casas particulares integradas em EXPLORAÇÕES


AGRÍCOLAS ( Art. 6º do DL);

CC - CASAS DE CAMPO - serviço de hospedagem em casas particulares situadas em zonas rurais cuja
traça, materiais...se integrem na arquitectura da zona onde se situem ( Art. 8º do DL);

TA - TURISMO DE ALDEIA - serviço de hospedagem num CONJUNTO composto no MÍNIMO por 5 CASAS
particulares situadas numa ALDEIA HISTÓRICA, CENTRO RURAL ou ALDEIAS que mantenham ambiente
estético, paisagístico...do local onde se inserem (art. 7º do DL);

Fazem ainda parte do TER :

HR - HOTÉIS RURAIS - estabelecimentos HOTELEIROS situados em ZONAS RURAIS e fora da SEDE DE


CONCELHO;

PCR - PARQUES DE CAMPISMO RURAIS - terrenos destinados PERMANENTEMENTE ou NÃO à instalação


de acampamentos INTEGRADOS ou NÃO em EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS - Área máxima: 5000 m2

AS ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO OU DIVERSÃO que se destinem à ocupação dos tempos livres dos
turistas contribuindo para a divulgação dos produtos e tradições da região – ex: património natural e
paisagístico, itinerários temáticos, caça, pesca... e sejam declarados de INTERESSE PARA O TURISMO;

COMO SE PODE REGISTAR COMO TURISMO NO ESPAÇO RURAL

Para instalação de uma casa ou empreendimento de Turismo no Espaço Rural - TER, o interessado deve
dirigir-se à respectiva Câmara Municipal, sendo esta entidade responsável pelo processo de
licenciamento e de autorização para realização de operações urbanísticas das casas e empreendimentos
TER.

Para além dos elementos exigidos por lei, no âmbito do regime jurídico da urbanização e edificação,
tanto no pedido de Informação Prévia como de Licenciamento ou autorização de operações urbanísticas,
o processo deve ser instruído com os seguintes elementos, de acordo com a legislação específica do
TER :

1. Formulário devidamente preenchido ( tipo A – Câmara Municipal; tipo B –Consulta directa )

2. Plantas, à escala de 1:25.000 ou 1:1.000, referentes à localização do empreendimento de T.E.R.

3. Fotografias ORIGINAIS no formato 20x25 cm, do interior dos edifícios ou das suas partes destinadas
aos hóspedes e das suas fachadas, bem como do local onde se integram.

4. Documentos respeitantes às características históricas, arquitectónicas e paisagísticas da região.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

5. Documentos comprovativos da qualidade de requerente.

6. Carece de Obras? (*)

a) Não

Levantamento da edificação ou edificações existentes, assinalando as dependências afectas à


exploração turística, à família e comuns.

b ) Sim

Projecto de Arquitectura instruído de acordo com o disposto no Decreto Lei 177/2001, de 4 de Junho,
assinalando as dependências afectas à exploração turística, à família e comuns.

(*) só no caso de pedido de licenciamento ou autorização de operações urbanísticas.

Estes documentos são indispensáveis para emissão do parecer da Direcção Regional da Economia - DRE
competente em razão do território, entidade consultada pela Câmara Municipal, e cujo parecer é
vinculativo.

Para além da DRE, a Câmara Municipal consulta a Direcção Geral do Desenvolvimento Rural – DGDR,
cujo parecer é vinculativo, e o Órgão Regional e Local de Turismo – ORLT.

LICENÇA OU AUTORIZAÇÃO DE UTILIZAÇÃO PARA TURISMO NO ESPAÇO RURAL

Tendo sido deferido pela CM o pedido do licenciamento ou de autorização para realização de obras de
edificação na casa ou empreendimento TER, após concluída a obra e equipado o empreendimento em
condições de iniciar o seu funcionamento, o interessado requer à respectiva CM a concessão da licença
ou autorização de utilização para TER.

Esta licença é sempre precedida de vistoria, a realizar no prazo de 30 dias a contar da data de
apresentação do requerimento que formaliza o pedido.

ALVARÁ DE LICENÇA OU DE AUTORIZAÇÃO DE UTILIZAÇÃO PARA TURISMO NO ESPAÇO RURAL

Concedida a licença o titular requer à C.M. o respectivo alvará que a titula, o qual é emitido no prazo de
30 dias a contar da data da recepção do respectivo requerimento.

Para além dos elementos estipulados no nº 5 do art. 77 do DL nº177/2001, de 4 de Junho, constam deste
alvará, de acordo com o parecer emitido pelas DRE’s, o nome do empreendimento, a classificação
provisória quanto à modalidade de hospedagem e a capacidade máxima também fixada
provisoriamente, e ainda a entidade exploradora.

O funcionamento do empreendimento TER depende apenas da emissão deste alvará.

CLASSIFICAÇÃO

No prazo de 2 meses a contar da emissão do alvará, o interessado deve requerer à DRE competente em
razão de território, a aprovação definitiva da capacidade máxima e classificação quanto à modalidade de
hospedagem do empreendimento TER.

Esta aprovação é sempre precedida de vistoria a realizar pela DRE. No prazo de 15 dias a contar da
realização desta vistoria, a DRE aprova definitivamente a classificação quanto à modalidade de

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

hospedagem e capacidade máxima, comunicando estes elementos à respectiva CM, a qual procede ao
averbamento no alvará de licença ou de autorização de utilização para Turismo no Espaço Rural.
3.2. Regime jurídico do funcionamento e instalação dos empreendimentos turísticos

Consideram -se empreendimentos turísticos os estabelecimentos que se destinam a prestar serviços de


alojamento, mediante remuneração, dispondo, para o seu funcionamento, de um adequado conjunto de
estruturas, equipamentos e serviços complementares.
Não se consideram empreendimentos turísticos para efeitos do presente decreto -lei:
a) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar alojamento, sejam
explorados sem intuito lucrativo ou para fins exclusivamente de solidariedade social e cuja frequência
seja restrita a grupos limitados;
b) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar alojamento temporário
com fins lucrativos, revistam natureza de alojamento local nos termos do artigo seguinte.

Alojamento local
Consideram -se estabelecimentos de alojamento local as moradias, apartamentos e estabelecimentos de
hospedagem que, dispondo de autorização de utilização, prestem serviços de alojamento temporário,
mediante remuneração, mas não reúnam os requisitos para serem considerados empreendimentos
turísticos.
Os estabelecimentos de alojamento local devem respeitar os requisitos mínimos de segurança e higiene
definidos por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do turismo e da
administração local.
Os estabelecimentos de alojamento local que reúnam os requisitos previstos no presente artigo são
obrigatoriamente registados na câmara municipal da respectiva área.
Apenas os estabelecimentos de alojamento local registados nas câmaras municipais da respectiva área
podem ser comercializados para fins turísticos quer pelos seus proprietários, quer por agências de
viagens e turismo.
As câmaras municipais devem facultar ao Turismo de Portugal, I. P., o acesso informático ao registo do
alojamento local.
Os estabelecimentos referidos no presente artigo devem identificar -se como alojamento local, não
podendo, em caso algum, utilizar a qualificação turismo e ou turístico, nem qualquer sistema de
classificação.

Tipologias de empreendimentos turísticos


Os empreendimentos turísticos podem ser integrados num dos seguintes tipos:
a) Estabelecimentos hoteleiros;
b) Aldeamentos turísticos;
c) Apartamentos turísticos;
d) Conjuntos turísticos (resorts);
e) Empreendimentos de turismo de habitação;
f) Empreendimentos de turismo no espaço rural;
g) Parques de campismo e de caravanismo;
h) Empreendimentos de turismo da natureza.

Os requisitos específicos da instalação, classificação e funcionamento de cada tipo de empreendimento


turístico referido no número anterior são definidos:
a) Por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do turismo e do
ordenamento de território, nos casos das alíneas a) a d);
b) Por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do turismo, da
administração local e da agricultura e do desenvolvimento rural, no caso das alíneas e) a g).

Requisitos gerais de instalação


A instalação de empreendimentos turísticos que envolvam a realização de operações urbanísticas
conforme definidas no regime jurídico da urbanização e da edificação devem cumprir as normas
constantes daquele regime, bem como as normas técnicas de construção aplicáveis às edificações em

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Turística

geral, designadamente em matéria de segurança contra incêndio, saúde, higiene, ruído e eficiência
energética, sem prejuízo do disposto no presente decreto –lei e respectiva regulamentação.
O local escolhido para a instalação de empreendimentos turísticos deve obrigatoriamente ter em conta
as restrições de localização legalmente definidas, com vista a acautelar a segurança de pessoas e bens
face a possíveis riscos naturais e tecnológicos.
Os empreendimentos turísticos devem possuir uma rede interna de esgotos e respectiva ligação às redes
gerais que conduzam as águas residuais a sistemas adequados ao seu escoamento, nomeadamente
através da rede pública, ou de um sistema de recolha e tratamento adequado ao volume e natureza
dessa águas, de acordo com a legislação pelas câmaras municipais.
Nos locais onde não exista rede pública de abastecimento de água, os empreendimentos turísticos
devem estar dotados de um sistema de abastecimento privativo, com origem devidamente controlada.
Para efeitos do disposto no número anterior, a captação de água deve possuir as adequadas condições
de protecção sanitária e o sistema ser dotado dos processos de tratamentos requeridos para
potabilização da água ou para manutenção dessa potabilização, de acordo com as normas de qualidade
da água em vigor, devendo para o efeito ser efectuadas análises físico -químicas e ou microbiológicas.

Condições de acessibilidade
As condições de acessibilidade a satisfazer no projecto e na construção dos empreendimentos turísticos
devem cumprir as normas técnicas previstas no Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de Agosto.
Sem prejuízo do disposto no número anterior, todos os empreendimentos turísticos, com excepção dos
previstos na alínea e) e f) do n.º 1 do artigo 4.º, devem dispor de instalações, equipamentos e, pelo
menos, de uma unidade de alojamento, que permitam a sua utilização por utentes com mobilidade
condicionada.

Unidades de alojamento
Unidade de alojamento é o espaço delimitado destinado ao uso exclusivo e privativo do utente do
empreendimento turístico.
As unidades de alojamento podem ser quartos, suites, apartamentos ou moradias, consoante o tipo de
empreendimento turístico.
Todas as unidades de alojamento devem ser identificadas no exterior da respectiva porta de entrada em
local bem visível.
As portas de entrada das unidades de alojamento devem possuir um sistema de segurança que apenas
permita o acesso ao utente e ao pessoal do estabelecimento.
As unidades de alojamento devem ser insonorizadas e devem ter janelas ou portadas em comunicação
directa com o exterior.

Capacidade
Para o único efeito da exploração turística, e com excepção do disposto no n.º 4, a capacidade dos
empreendimentos turísticos é determinada pelo correspondente número e tipo de camas (individual ou
duplo) fixas instaladas nas unidades de alojamento.
Nas unidades de alojamento podem ser instaladas camas convertíveis desde que não excedam o número
das camas fixas.
Nas unidades de alojamento podem ser instaladas camas suplementares amovíveis.
A capacidade dos parques de campismo e de caravanismo é determinada pela área útil destinada a cada
utilizador, de acordo com o estabelecido na portaria prevista na alínea b) do n.º 2 do artigo 4.º

Equipamentos colectivos
Os requisitos dos equipamentos colectivos que integram os empreendimentos turísticos, com excepção
dos requisitos de segurança, são definidos por portaria do membro do Governo responsável pela área do
turismo.

Estabelecimentos comerciais ou de prestação de serviços


Nos empreendimentos turísticos podem instalar -se estabelecimentos comerciais ou de prestação de
serviços desde que o seu número e localização não afectem a função e a utilização das áreas de uso
comum.

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Turística

3.3. Regime jurídico do funcionamento e instalação dos estabelecimentos de restauração e Bebidas

O Decreto-Lei n.º 234/2007, de 19 de Junho, altera o regime jurídico da instalação e do funcionamento


dos estabelecimentos de restauração ou de bebidas
O regime jurídico da instalação e do funcionamento dos estabelecimentos de restauração ou de bebidas,
estabelece que a abertura dos mesmos só pode ocorrer após a emissão de um alvará de licença ou
autorização de utilização para restauração e bebidas, sendo este acto administrativo precedido de
vistoria obrigatória para o efeito.
Tendo em conta que nem sempre são cumpridos os prazos legais para a realização da vistoria e emissão
do alvará, assiste-se à abertura ao público de estabelecimentos em situações irregulares, com evidentes
prejuízos para consumidores, Estado e promotores.
Com o estabelecimento em condições de laboração, os promotores ficam impossibilitados de iniciar a
exploração dos mesmos por causas que não lhes são imputáveis ou assumem o risco de iniciar a
actividade em situação irregular, sujeitando-se às consequências legais.
A presente iniciativa legislativa permite tornar mais célere estes procedimentos de licenciamento,
facilitando a abertura regular dos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, uma vez concluída a
obra ou, na ausência desta, sempre que o estabelecimento se encontre equipado e apto a entrar em
funcionamento. Assim, existe a possibilidade, no cumprimento de determinados requisitos, explícitos
neste decreto-lei, da abertura do estabelecimento poder ser efectuada independentemente da
realização da vistoria e da emissão do título que legitima a utilização do imóvel.
Nos casos em que os prazos previstos para a realização da vistoria, para a emissão do alvará de licença,
autorização de utilização para estabelecimento de restauração ou de bebidas não sejam cumpridos pelas
entidades competentes, admite-se a possibilidade de abertura do estabelecimento ao público, mediante
a responsabilização do promotor, do director técnico da obra, dos autores dos projectos de
especialidades e do autor do projecto de segurança contra incêndios, atestando que a edificação
respeita o projecto aprovado, bem como as normas legais e regulamentares aplicáveis, tendo em conta o
uso a que se destina, assegurando-se, deste modo, a salvaguarda do interesse público.

1.1. As agências de viagens – Enquadramento legal

Artigo 1.º - São agências de viagens e turismo as empresas cujo objecto compreenda o exercício das
actividades previstas no n.º 1 do artigo 2.º do presente diploma e se encontrem licenciadas como tal.
Para os efeitos do presente diploma, a noção de empresa compreende o estabelecimento individual de
responsabilidade limitada, a cooperativa e a sociedade comercial que tenham por objecto o exercício das
actividades referidas no número anterior.

Artigo 2.º Actividades próprias e acessórias


São actividades próprias das agências de viagens e turismo:
a) A organização e venda de viagens turísticas;
b) A reserva de serviços em empreendimentos turísticos, em empreendimentos de turismo no espaço
rural e nas casas de natureza;
c) A bilheteria e reserva de lugares em qualquer meio de transporte;
d) A representação de outras agências de viagens e turismo, nacionais ou estrangeiras, ou de operadores
turísticos estrangeiros, bem como a intermediação na venda dos respectivos produtos;
e) A recepção, transferência e assistência a turistas.

São actividades acessórias das agências de viagens e turismo:


a) A obtenção de certificados colectivos de identidade, vistos ou outros documentos necessários à
realização de uma viagem;
b) A organização de congressos e eventos semelhantes;
c) A reserva e venda de bilhetes para espectáculos e outras manifestações públicas;
d) A realização de operações cambiais para uso exclusivo dos clientes, de acordo com as normas
reguladoras da actividade cambial;
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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

e) A intermediação na celebração de contratos de aluguer de veículos de passageiros sem condutor;


f) A comercialização de seguros de viagem e de bagagem em conjugação e no âmbito de outros serviços
por si prestados;
g) A venda de guias turísticos e publicações semelhantes;
h) O transporte turístico efectuado no âmbito de uma viagem turística, nos termos do definido no artigo
14.º;
i) A prestação de serviços ligados ao acolhimento turístico, nomeadamente a organização de visitas a
museus, monumentos históricos e outros locais de relevante interesse turístico;
j) O exercício de actividades de animação turística, nos termos previstos no artigo 53.ºA.

Artigo 3.º
Exclusividade e limites
Apenas as empresas licenciadas como agências de viagens e turismo podem exercer as actividades
previstas no n.º 1 do artigo 2.º, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
Não estão abrangidos pelo exclusivo reservado às agências de viagens e turismo:
a) A comercialização directa dos seus serviços pelos empreendimentos turísticos, pelos
empreendimentos de turismo no espaço rural, pelas casas de natureza, pelas empresas de animação
turística e pelas empresas transportadoras;
b) O transporte de clientes pelos empreendimentos turísticos, empreendimentos de turismo no espaço
rural, casas de natureza, empresas de animação turística e operadores marítimo-turísticos, com meios
de transporte próprios;
c) A venda de serviços de empresas transportadoras feita pelos seus agentes ou por outras empresas
transportadoras com as quais tenham serviços combinados.

Não está abrangida pelo n.º 1 do artigo 2.º a comercialização de serviços por empreendimentos
turísticos, empreendimentos de turismo no espaço rural, casas de natureza ou empresas
transportadoras, estabelecimentos, iniciativas ou projectos declarados de interesse para o turismo que
não constituam viagens organizadas, quando feita através de meios telemáticos.
Entende-se por meios de transporte próprios aqueles que são propriedade da empresa, bem como
aqueles que são objecto de contrato de locação financeira, ou de aluguer de longa duração, desde que a
empresa utilizadora seja a locatária.

Artigo 4.º
Denominação, nome dos estabelecimentos e menções em actos externos
1 - Somente as empresas licenciadas como agências de viagens e turismo podem usar tal denominação
ou outras semelhantes, nomeadamente «agente de viagens» ou «agência de viagens».
2 - As agências de viagens e turismo não podem utilizar nomes de estabelecimentos iguais ou
semelhantes às de outros já existentes, salvo se comprovarem estarem devidamente autorizadas para o
efeito pelas respectivas detentoras originais e sem prejuízo dos direitos resultantes da propriedade
industrial.
3 - O Turismo de Portugal, I. P., não deverá autorizar o licenciamento de agências cuja denominação
infrinja o disposto no número anterior, sem prejuízo dos direitos resultantes da propriedade industrial.
4 - Todos os estabelecimentos das agências de viagens e turismo devem exibir, de forma visível, a
denominação da agência titular do alvará.
5 - Em todos os contratos, correspondência, publicações, publicidade e, de um modo geral, em toda a
sua actividade comercial as agências de viagens e turismo devem indicar a denominação e número do
seu alvará, bem como a localização da sua sede, sem prejuízo das referências obrigatórias nos termos do
Código das Sociedades Comerciais.
6 - A utilização de marcas pelas agências de viagens e turismo carece de prévia comunicação ao Turismo
de Portugal, I. P.

Artigo 5.º
Licença
1 - O exercício da actividade de agências de viagens e turismo depende de licença, constante de alvará, a
conceder pelo Turismo de Portugal, I. P.
2 - A concessão da licença depende da observância, pela requerente, dos seguintes requisitos:

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

a) Ser uma cooperativa, estabelecimento individual de responsabilidade limitada ou sociedade comercial


que tenha por objecto o exercício daquela actividade e um capital social mínimo realizado de € 100.000;
b) Prestação das garantias exigidas por este diploma;
c) Comprovação da idoneidade comercial do titular do estabelecimento em nome individual de
responsabilidade limitada, dos directores ou gerentes da cooperativa e dos administradores ou gerentes
da sociedade requerente.
3 - Para efeitos do disposto na alínea c) do número anterior, não serão consideradas comercialmente
idóneas as pessoas relativamente às quais se verifique:
a) A proibição legal do exercício do comércio;
b) A inibição do exercício do comércio por ter sido declarada a sua falência ou insolvência enquanto não
for levantada a inibição e decretada a sua reabilitação;
c) Terem sido titulares, gerentes ou administradores de uma agência de viagens e turismo falida, a
menos que se comprove terem os mesmos actuado diligentemente no exercício dos seus cargos nos
termos estabelecidos por lei;
d) Terem sido titulares, gerentes ou administradores de uma agência de viagens e turismo punida com
três ou mais coimas, desde que lhe tenha sido também aplicada a sanção de interdição do exercício da
profissão ou a sanção de suspensão do exercício da actividade.

Artigo 6.º
Pedido
1 - Do pedido de licença deverão constar:
a) A identificação do requerente;
b) A identificação dos titulares, administradores ou gerentes;
c) A localização dos estabelecimentos.
2 - O pedido deve ser instruído com os seguintes elementos:
a) Certidão do acto constitutivo da empresa ou a respectiva cópia simples;
b) Código de acesso à certidão permanente ou, em alternativa, certidão do registo comercial actualizada
e em vigor ou a respectiva cópia simples;
c) Indicação do nome adoptado para o estabelecimento e de marcas que a agência pretenda utilizar,
acompanhados de cópia simples do registo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, I. P., caso
exista;
d) Cópia simples ou depósito no Turismo de Portugal, I. P., consoante os casos, dos contratos de
prestação de garantias e comprovativo do pagamento do prémio ou fracção inicial;
e) Declaração em como o titular do estabelecimento em nome individual de responsabilidade limitada,
os directores ou gerentes da cooperativa e os administradores ou gerentes da sociedade requerente,
consoante o caso, não se encontrem em alguma das circunstâncias previstas no n.º 3 do artigo anterior.
3 - Na falta de decisão do Turismo de Portugal, I. P., no prazo de 10 dias úteis a contar da entrega do
pedido devidamente instruído, desde que se mostrem pagas as taxas devidas nos termos do disposto no
artigo 62.º, entende-se que a licença é concedida, pelo que o requerente pode iniciar a actividade,
devendo ser emitido o respectivo alvará.

5 - Quando os elementos a que se referem as alíneas a) e c) do n.º 2 se encontrem disponíveis na


Internet, a respectiva apresentação pode ser substituída por uma declaração do interessado a indicar o
endereço do sítio onde aqueles documentos podem ser consultados e a autorizar, se for caso disso, essa
consulta.

Artigo 7.º
Obrigação de comunicação
1 - A transmissão da propriedade e a cessão de exploração de estabelecimentos, bem como a alteração
de qualquer elemento integrante do pedido de licença, devem ser comunicadas ao Turismo de Portugal,
I. P., no prazo de 30 dias após a respectiva verificação.
2 - A comunicação prevista no número anterior deverá ser acompanhada dos documentos
comprovativos dos factos invocados.

Artigo 8.º

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Sucursais de agências estabelecidas na União Europeia


1 - As agências de viagens e turismo estabelecidas noutro Estado Membro da União Europeia podem
abrir sucursais em Portugal, sendo dispensadas as formalidades exigidas pelo direito nacional para a
constituição de empresas previstas no artigo 1.º
2 - Sem prejuízo das obrigações internacionais do Estado Português, são aplicáveis à abertura das
sucursais referidas no número anterior as normas sobre licenciamento de agências de viagens e turismo.
3 - Para os efeitos do disposto no número anterior, o pedido deve ser instruído com um certificado
emitido pela entidade competente do país onde se encontra situada a sede da sociedade, comprovando
que esta se encontra habilitada ao exercício da actividade de agência de viagens e turismo, bem como os
elementos referidos nas alíneas c) a e) do n.º 2 do artigo 6.º, e código de acesso à certidão permanente
ou, em alternativa, certidão do registo comercial actualizada e em vigor, ou respectiva cópia simples,
comprovando a constituição da representação permanente em Portugal.

Artigo 9.º
Revogação da licença
1 - A licença para o exercício da actividade de agência de viagens e turismo pode ser revogada nos
seguintes casos:
a) Se a agência não iniciar a actividade no prazo de 90 dias após a emissão do alvará;
b) Havendo falência;
c) Se a agência cessar a actividade por um período superior a 90 dias sem justificação atendível;
d) Se deixar de se verificar algum dos requisitos legais para a concessão da licença;
e) Se a agência não entregar no Turismo de Portugal, I. P., o comprovativo de que as garantias exigidas se
encontram em vigor.
2 - A revogação da licença será determinada por despacho do presidente do Turismo de Portugal, I. P., e
acarreta a cassação do alvará da agência.

Artigo 10.º
Registo
1 - O Turismo de Portugal, I. P., deve organizar e manter actualizado um registo das agências licenciadas,
o qual será disponibilizado e acessível ao público no sítio da Internet deste instituto público.
2 - O registo das agências deve conter:
a) A identificação do requerente;
b) A firma ou denominação social, a sede, o objecto social, o número de matrícula e a conservatória do
registo comercial em que a sociedade se encontra matriculada;
c) A identificação dos administradores, gerentes e directores;
d) A localização dos estabelecimentos;
e) O nome comercial;
f) As marcas próprias da agência;
g) A forma de prestação das garantias exigidas e o montante garantido.

3 - Devem ainda ser inscritos no registo, por averbamento, os seguintes factos:


a) A alteração de qualquer dos elementos integrantes do pedido de licenciamento;
b) A verificação de qualquer facto sujeito a comunicação ao Turismo de Portugal, I. P.;
c) [Revogada];
d) Reclamações apresentadas;
e) Sanções aplicadas;
f) Louvores concedidos.
4 - [Revogado].

Artigo 11.º
Estabelecimentos
1 - As agências de viagens e turismo devem dispor, no mínimo, de um estabelecimento para
atendimento dos clientes.
2 - [Revogado].
3 - [Revogado].
Artigo 12.º

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Abertura e mudança de localização


1 - A abertura ou mudança de localização dos estabelecimentos ou de quaisquer formas de
representação só pode ser efectuada após comunicação ao Turismo de Portugal, I. P.
2 - As comunicações referidas no número anterior devem ser acompanhadas dos elementos constantes
das alíneas a) e c) do n.º 1 do artigo 6.º e, no caso de representações temporárias, do período em que
estarão em funcionamento no local.
3 - [Revogado].
4 - [Revogado].

Artigo 13.º
Negócios sobre os estabelecimentos
A transmissão da propriedade e a cessão de exploração dos estabelecimentos dependem da titularidade
de licença de agência de viagens pela empresa adquirente.

Artigo 14.º
Utilização de meios próprios
1 - Na realização de viagens turísticas e na recepção, transferência e assistência de turistas, as agências
de viagens podem utilizar os meios de transporte que lhes pertençam, devendo, quando se tratar de
veículos automóveis com lotação superior a nove lugares, cumprir os requisitos de acesso à profissão de
transportador público rodoviário interno ou internacional de passageiros que nos termos da legislação
respectiva lhes sejam aplicáveis, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 - Para efeitos de comprovação da capacidade financeira exigida para o acesso à profissão de
transportador público rodoviário, internacional e interno de passageiros, regulado pelo Decreto-Lei n.º
3/2001, de 10 de Janeiro, o valor do capital social é, no caso das agências de viagens e turismo, reduzido
para € 100.000.
3 - Para efeitos de comprovação da capacidade profissional exigida para o acesso à profissão de
transportador público rodoviário, internacional e interno de passageiros, aplica-se às agências de viagens
e turismo que exerçam a actividade prevista na alínea h) do n.º 2 do artigo 2.º, com as necessárias
adaptações, o disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 3/2001, de 10 de Janeiro.
4 - As agências de viagens e turismo previstas no n.º 1 podem alugar os meios de transporte a outras
agências.
5 - As agências de viagens e turismo que acedam à profissão de transportador público rodoviário,
interno ou internacional de passageiros, podem efectuar todo o tipo de transporte ocasional com
veículos automóveis pesados de passageiros.
6 - Os veículos automóveis utilizados no exercício das actividades previstas no n.º 1 com lotação superior
a nove lugares devem ser sujeitos a prévio licenciamento pela Direcção- Geral de Transportes Terrestres,
nos termos a definir em portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do
turismo e dos transportes, a qual fixará igualmente os requisitos mínimos a que devem obedecer tais
veículos.

Artigo 15.º
Representantes das agências
Aos representantes das agências, quando devidamente identificados e em serviço, é permitido o acesso
às delegações das alfândegas, aos cais de embarque e aos recintos destinados aos passageiros nos
aeroportos ou gares, desde que tal acesso seja possível em função dos regulamentos de segurança
adoptados pelas respectivas entidades gestoras.

Artigo 16.º
Livro de reclamações
1 - Em todos os estabelecimentos das agências de viagens e turismo deve existir um livro de
reclamações, aplicando-se à sua utilização, edição e venda, o regime previsto no Decreto- Lei n.º
156/2005, de 15 de Setembro.
2 - O original da reclamação deve ser enviado pelo responsável da agência de viagens e turismo ao
Turismo de Portugal, I. P.
Das viagens turísticas
SECÇÃO I

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Artigo 17.º
Noção e espécies
1 - São viagens turísticas as que combinem dois dos serviços seguintes:
a) Transporte;
b) Alojamento;
c) Serviços turísticos não subsidiários do transporte e do alojamento.
2 - São viagens organizadas as viagens turísticas que, combinando previamente dois dos serviços
seguintes, sejam vendidas ou propostas para venda a um preço com tudo incluído, quando excedam
vinte e quatro horas ou incluam uma dormida:
a) Transporte;
b) Alojamento;
c) Serviços turísticos não subsidiários do transporte e do alojamento, nomeadamente os relacionados
com eventos desportivos, religiosos e culturais, desde que representem uma parte significativa da
viagem.
3 - São viagens por medida as viagens turísticas preparadas a pedido do cliente para satisfação das
solicitações por este definidas.
4 - Não são havidas como viagens turísticas aquelas em que a agência se limita a intervir como mera
intermediária em vendas ou reservas de serviços avulsos solicitados pelo cliente.
5 - A eventual facturação separada dos diversos elementos de uma viagem organizada não prejudica a
sua qualificação legal nem a aplicação do respectivo regime.

Artigo 18.º
Obrigação de informação prévia
1 - Antes da venda de uma viagem turística, a agência deve informar, por escrito ou por qualquer outra
forma adequada, os clientes que se desloquem ao estrangeiro sobre a necessidade de documento de
identificação civil, passaportes e vistos, prazos legais para a respectiva obtenção e formalidades
sanitárias e, caso a viagem se realize no território de Estados Membros da União Europeia, a
documentação exigida para a obtenção de assistência médica ou hospitalar em caso de acidente ou
doença.
2 - Quando seja obrigatório contrato escrito, a agência deve, ainda, informar o cliente de todas as
cláusulas a incluir no mesmo.
3 - Considera-se forma adequada de informação ao cliente a entrega do programa de viagem que inclua
os elementos referidos nos números anteriores.
4 - Qualquer descrição de uma viagem bem como o respectivo preço e as restantes condições do
contrato não devem conter elementos enganadores nem induzir o consumidor em erro.

Artigo 19.º
Obrigações acessórias
1 - As agências devem entregar aos clientes todos os documentos necessários para a obtenção do
serviço vendido.
2 - Aquando da venda de qualquer serviço, as agências devem entregar aos clientes documentação que
mencione o objecto e características do serviço, data da prestação, preço e pagamentos já efectuados,
excepto quando tais elementos figurem nos documentos referidos no número anterior e não tenham
sofrido alteração.

Viagens organizadas
Artigo 20.º
Programas de viagem
1 - As agências que anunciarem a realização de viagens organizadas deverão dispor de programas para
entregar a quem os solicite.
2 - Os programas de viagem deverão informar, de forma clara, precisa e com caracteres legíveis, sobre os
elementos referidos nas alíneas a) a l) do n.º 1 do artigo 22.º e ainda sobre:
a) A exigência de documento de identificação civil, passaportes, vistos e formalidades sanitárias para a
viagem e estada;

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

b) Quaisquer outras características especiais da viagem.

Artigo 21.º
Carácter vinculativo do programa
A agência fica vinculada ao cumprimento pontual do programa, salvo se:
a) Estando prevista no próprio programa a possibilidade de alteração das condições, tal alteração tenha
sido expressamente comunicada ao cliente antes da celebração do contrato, cabendo o ónus da prova à
agência de viagens;
b) Existir acordo das partes em contrário, cabendo o ónus da prova à agência de viagens.

Artigo 22.º
Contrato
1 - Os contratos de venda de viagens organizadas deverão conter, de forma clara, precisa e com
caracteres legíveis, as seguintes menções:
a) Nome, endereço e número do alvará da agência vendedora e da agência organizadora da viagem;
b) Identificação das entidades que garantem a responsabilidade da agência, bem como indicação do
número da apólice de seguro de responsabilidade civil obrigatório, nos termos do disposto no artigo
50.º;
c) Preço da viagem organizada, termos e prazos em que é legalmente admitida a sua alteração e
impostos ou taxas devidos em função da viagem, que não estejam incluídos no preço;
d) Montante ou percentagem do preço a pagar, a título de princípio de pagamento, data de liquidação do
remanescente e consequências da falta de pagamento;
e) Origem, itinerário e destino da viagem, períodos e datas de estada;
f) Número mínimo de participantes de que dependa a realização da viagem e data limite para a
notificação do cancelamento ao cliente, caso não se tenha atingido aquele número;
g) Meios, categorias e características de transporte utilizados, datas, locais de partida e regresso e,
quando possível, as horas;
h) O grupo e classificação do alojamento utilizado, de acordo com a regulamentação do Estado de
acolhimento, sua localização, bem como o nível de conforto e demais características principais, número
e regime ou plano de refeições fornecidas;
i) Montantes máximos exigíveis à agência, nos termos do artigo 40.º;
j) Termos a observar pelo cliente em caso de reclamação pelo não cumprimento pontual dos serviços
acordados, incluindo prazos e trâmites para accionamento da caução;
l) Visitas, excursões ou outros serviços incluídos no preço;
m) Serviços facultativamente pagos pelo cliente;
n) Todas as exigências específicas que o cliente comunique à agência e esta aceite.
2 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, considera-se celebrado o contrato com a entrega ao
cliente do documento de reserva e do programa, desde que se tenha verificado o pagamento, ainda que
parcial, da viagem, devendo a viagem ser identificada através da designação que constar do programa.
3 - Sempre que o cliente o solicite ou a agência o determine, o contrato constará de documento
autónomo, devendo a agência entregar ao cliente cópia integral do mesmo, assinado por ambas as
partes.
4 - O contrato deve conter a indicação de que o grupo e a classificação do alojamento utilizado são
determinados pela legislação do Estado de acolhimento.
5 - O contrato deve ser acompanhado de cópia da ou das apólices de seguro vendidas pela agência de
viagens no quadro desse contrato, nos termos da alínea f) do n.º 2 do artigo 2.º

Artigo 23.º
Informação sobre a viagem
Antes do início de qualquer viagem organizada, a agência deve prestar ao cliente, em tempo útil, por
escrito ou por outra forma adequada, as seguintes informações:
a) Os horários e os locais de escalas e correspondências, bem como a indicação do lugar atribuído ao
cliente, quando possível;

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

b) O nome, endereço e número de telefone da representação local da agência ou, não existindo uma tal
representação local, o nome, endereço e número de telefone das entidades locais que possam assistir o
cliente em caso de dificuldade;
c) Quando as representações e organismos previstos na alínea anterior não existirem, o cliente deve em
todos os casos dispor de um número telefónico de urgência ou de qualquer outra informação que lhe
permita estabelecer contacto com a agência;
d) No caso de viagens e estadas de menores no País ou no estrangeiro, o modo de contactar
directamente com esses menores ou com o responsável local pela sua estada;
e) A possibilidade de celebração de um contrato de seguro que cubra as despesas resultantes da rescisão
pelo cliente e de um contrato de assistência que cubra as despesas de repatriamento em caso de
acidente ou de doença;
f) Sem prejuízo do disposto na alínea anterior, no caso de a viagem se realizar no território de Estados
Membros da União Europeia, a documentação de que o cliente se deve munir para beneficiar de
assistência médica e hospitalar em caso de acidente ou doença;
g) O modo de proceder no caso específico de doença ou acidente;
h) A ocorrência de catástrofes naturais, epidemias, revoluções e situações análogas que se verifiquem no
local de destino da viagem e de que a agência tenha conhecimento ou que lhe tenham sido
comunicadas.

Artigo 24.º
Cessão da posição contratual
1 - O cliente pode ceder a sua posição, fazendo-se substituir por outra pessoa que preencha todas as
condições requeridas para a viagem organizada, desde que informe a agência, por forma escrita, até sete
dias antes da data prevista para a partida, e que tal cessão seja possível nos termos dos regulamentos de
transportes aplicáveis à situação.
2 - Quando se trate de cruzeiros e de viagens aéreas de longo curso, o prazo previsto no número anterior
é alargado para 15 dias.
3 - O cedente e o cessionário são solidariamente responsáveis pelo pagamento do preço e pelos
encargos adicionais originados pela cessão.
4 - A cessão vincula também os terceiros prestadores de serviços, devendo a agência comunicar-lhes tal
facto no prazo de quarenta e oito horas.
5 - Caso não seja possível a cessão da posição contratual prevista no n.º 1 por força dos regulamentos de
transportes aplicáveis, deve tal informação ser prestada, por escrito, ao cliente, no momento da reserva.

Artigo 25.º
Acompanhamento dos turistas por profissionais de informação turística
Nas visitas a centros históricos, museus, monumentos nacionais ou sítios classificados, incluídas em
viagens turísticas, à excepção das viagens previstas no n.º 3 do artigo 17.º, os turistas devem ser
acompanhados por guias-intérpretes.
Artigo 26.º
Alteração do preço nas viagens organizadas
1 - Nas viagens organizadas o preço não é susceptível de revisão, excepto o disposto no número
seguinte.
2 - A agência só pode alterar o preço até 20 dias antes da data prevista para a partida e se,
cumulativamente:
a) O contrato o previr expressamente e determinar as regras precisas de cálculo da alteração;
b) A alteração resultar unicamente de variações no custo dos transportes ou do combustível, dos
direitos, impostos ou taxas cobráveis ou de flutuações cambiais.
3 - A alteração do preço não permitida pelo n.º 1 confere ao cliente o direito de rescindir o contrato nos
termos dos n.ºs 2 e 3 do artigo 27.º.
4 - O cliente não é obrigado ao pagamento de acréscimos de preço determinados nos 20 dias que
precedem a data prevista para a partida.

Artigo 27.º
Impossibilidade de cumprimento

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

1 - A agência deve notificar imediatamente o cliente quando, por factos que não lhe sejam imputáveis,
não puder cumprir obrigações resultantes do contrato.
2 - Se a impossibilidade respeitar a alguma obrigação essencial, o cliente pode rescindir o contrato sem
qualquer penalização ou aceitar por escrito uma alteração ao contrato e eventual variação de preço.
3 - O cliente deve comunicar à agência a sua decisão no prazo de quatro dias úteis após a recepção da
notificação prevista no n.º 1.

Artigo 28.º
Rescisão ou cancelamento não imputável ao cliente
Se o cliente rescindir o contrato ao abrigo do disposto nos artigos 26.º ou 27.º ou se, por facto não
imputável ao cliente, a agência cancelar a viagem organizada antes da data da partida, tem aquele
direito, sem prejuízo da responsabilidade civil da agência, a:
a) Ser imediatamente reembolsado de todas as quantias pagas;
b) Em alternativa, optar por participar numa outra viagem organizada, devendo ser reembolsada ao
cliente a eventual diferença de preço.

Artigo 29.º
Direito de rescisão pelo cliente
O cliente pode sempre rescindir o contrato a todo o tempo, devendo a agência reembolsá-lo do
montante antecipadamente pago, deduzindo os encargos a que, justificadamente, o início do
cumprimento do contrato e a rescisão tenham dado lugar e uma percentagem do preço do serviço não
superior a 15 %.

Artigo 30.º
Incumprimento
1 - Quando, após a partida, não seja fornecida uma parte significativa dos serviços previstos no contrato,
a agência deve assegurar, sem aumento de preço para o cliente, a prestação de serviços equivalentes aos
contratados.
2 - Quando se mostre impossível a continuação da viagem ou as condições para a continuação não sejam
justificadamente aceites pelo cliente, a agência deve fornecer, sem aumento de preço, um meio de
transporte equivalente que possibilite o regresso ao local de partida ou a outro local acordado.
3 - Nas situações previstas nos números anteriores, o cliente tem direito à restituição da diferença entre
o preço das prestações previstas e o das efectivamente fornecidas, bem como a ser indemnizado nos
termos gerais.
4 - Qualquer deficiência na execução do contrato relativamente às prestações fornecidas por terceiros
prestadores de serviços deve ser comunicada à agência por escrito ou de outra forma adequada, no
prazo máximo de 20 dias úteis após o termo da viagem, ou no prazo previsto no contrato, se superior.
5 - Caso se verifique alguma deficiência na execução do contrato relativamente a serviços de alojamento
e transporte, o cliente deve, sempre que possível, contactar a agência de viagens, através dos meios
previstos nas alíneas b) e c) do artigo 23.º, por forma que esta possa assegurar, em tempo útil, a
prestação de serviços equivalentes aos contratados.
6 - Quando não seja possível contactar a agência de viagens nos termos previstos no número anterior, ou
quando esta não assegure, em tempo útil, a prestação de serviços equivalentes aos contratados, o
cliente pode contratar com terceiros serviços de alojamento e transporte não incluídos no contrato, a
expensas da agência de viagens.

Artigo 31.º
Assistência a clientes
1 - Quando, por razões que não lhe forem imputáveis, o cliente não possa terminar a viagem organizada,
a agência é obrigada a dar-lhe assistência até ao ponto de partida ou de chegada, devendo efectuar
todas as diligências necessárias.
2 - Em caso de reclamação dos clientes, cabe à agência ou ao seu representante local provar ter actuado
diligentemente no sentido de encontrar a solução adequada.

Das relações das agências entre si e com empreendimentos turísticos


Artigo 32.º

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Identidade de prestações
1 - Sendo proibidos os acordos ou as práticas concertadas entre empreendimentos turísticos ou entre
estes e as agências de viagens que tenham por efeito restringir, impedir ou falsear a concorrência no
mercado, não podem os empreendimentos turísticos vender os seus serviços directamente a preços
inferiores aos preços que recebam das agências que comercializam os seus serviços, sem prévio aviso à
agência ou agências contratantes.
2 - Independentemente da diversidade de preços praticados directamente e dos acordos com as
agências, os serviços prestados pelos empreendimentos turísticos devem ser iguais, designadamente em
qualidade e características, quer sejam vendidos directamente a clientes quer por meio de agências de
viagens.

Artigo 33.º
Reservas
1 - A reserva de serviços em empreendimentos turísticos deve ser pedida por escrito, mencionando os
serviços pretendidos e as respectivas datas.
2 - A aceitação do pedido de reserva deve ser feita por escrito, especificando os serviços, datas,
respectivos preços e condições de pagamento.
3 - Na falta de estipulação em contrário, o pagamento deve ser feito até 30 dias após a prestação dos
serviços.

Artigo 34.º
Cancelamento de reservas
1 - O cancelamento de reservas deve ser requerido por escrito, salvo acordo em contrário, não sendo
devida qualquer indemnização quando forem respeitados os prazos seguintes:
a) 15 dias de antecedência, se forem canceladas mais de 50 % das reservas;
b) 10 dias de antecedência, se forem canceladas mais de 25 % das reservas;
c) 5 dias de antecedência, nos demais casos e para o cancelamento de reservas individuais.
2 - Sendo cancelada a reserva com respeito pelos prazos estabelecidos no número anterior, o
empreendimento turístico é obrigado a reembolsar o montante pago antecipadamente pela agência.

Artigo 35.º
Inobservância do prazo
Se as agências cancelarem reservas em desrespeito dos prazos estabelecidos no artigo anterior, o
empreendimento turístico tem direito a uma indemnização correspondente ao montante pago
antecipadamente por cada reserva cancelada, sem prejuízo de estipulação em contrário.

Artigo 36.º
Incumprimento das reservas aceites
1 - Se os empreendimentos turísticos não cumprirem as reservas aceites, as agências têm direito ao
reembolso dos montantes pagos antecipadamente e a uma indemnização do mesmo valor.
2 - Os empreendimentos turísticos são ainda responsáveis por todas as indemnizações que sejam
exigidas às agências pelos clientes em virtude do incumprimento a que se refere o presente artigo.

Artigo 37.º
Indemnização
Na falta de pagamento antecipado e de acordo em contrário, o montante de indemnização devido por
inobservância do previsto nos artigos 35.º e 36.º é de 20% do preço acordado por cada unidade de
alojamento reservada.

Artigo 38.º
Relações entre agências de viagens
Às relações entre agências são aplicáveis, com as necessárias adaptações, as normas constantes deste
capítulo.

Da responsabilidade e garantias
SECÇÃO I

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Da responsabilidade
Artigo 39.º
Princípios gerais
As agências são responsáveis perante os seus clientes pelo pontual cumprimento das obrigações
resultantes da venda de viagens turísticas, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 - Quando se tratar de viagens organizadas, as agências são responsáveis perante os seus clientes, ainda
que os serviços devam ser executados por terceiros e sem prejuízo do direito de regresso.
3 - No caso de viagens organizadas, as agências organizadoras respondem solidariamente com as
agências vendedoras.
4 - Quando se trate de viagens organizadas, a agência não pode ser responsabilizada se:
a) O cancelamento se baseie no facto de o número de participantes na viagem organizada ser inferior ao
mínimo exigido e o cliente for informado por escrito do cancelamento no prazo previsto no programa;
b) O incumprimento não resulte de excesso de reservas e seja devido a situações de força maior ou caso
fortuito, motivado por circunstâncias anormais e imprevisíveis, alheias àquele que as invoca, cujas
consequências não possam ter sido evitadas apesar de todas as diligências feitas;
c) For demonstrado que o incumprimento se deve à conduta do próprio cliente ou à actuação
imprevisível de um terceiro alheio ao fornecimento das prestações devidas pelo contrato;
d) Legalmente não puder accionar o direito de regresso relativamente a terceiros prestadores dos
serviços previstos no contrato, nos termos da legislação aplicável;
e) O prestador de serviços de alojamento não puder ser responsabilizado pela deterioração, destruição
ou subtracção de bagagens ou outros artigos.
5 - No domínio das restantes viagens turísticas, as agências respondem pela correcta emissão dos títulos
de alojamento e de transporte e ainda pela escolha culposa dos prestadores de serviços, caso estes não
tenham sido sugeridos pelo cliente.
6 - Quando as agências intervierem como meras intermediárias em vendas ou reservas de serviços
avulsos solicitados pelo cliente, apenas serão responsáveis pela correcta emissão dos títulos de
alojamento e de transporte.
7 - Consideram-se clientes, para os efeitos previstos para o presente artigo, todos os beneficiários da
prestação de serviços, ainda que não tenham sido partes no contrato.

Artigo 40.º
Limites
1 - A responsabilidade da agência terá como limite o montante máximo exigível às entidades prestadoras
dos serviços, nos termos da Convenção de Montreal, de 28 de Maio de 1999, sobre Transporte Aéreo
Internacional, e da Convenção de Berna, de 1961, sobre Transporte Ferroviário.
2 - No que concerne aos transportes marítimos, a responsabilidade das agências de viagens,
relativamente aos seus clientes, pela prestação de serviços de transporte, ou alojamento, quando for
caso disso, por empresas de transportes marítimos, no caso de danos resultantes de dolo ou negligência
destas, terá como limites os seguintes montantes:
a) € 441.436, em caso de morte ou danos corporais;
b) € 7.881, em caso de perda total ou parcial de bagagem ou da sua danificação;
c) € 31.424, em caso de perda de veículo automóvel, incluindo a bagagem nele contida;
d) € 10.375, em caso de perda de bagagem, acompanhada ou não, contida em veículo automóvel;
e) € 1.097, por danos na bagagem, em resultado da danificação do veículo automóvel.
3 - Quando exista, a responsabilidade das agências de viagens e turismo pela deterioração, destruição e
subtracção de bagagens ou outros artigos, em estabelecimentos de alojamento turístico, enquanto o
cliente aí se encontrar alojado, tem como limites:
a) € 1.397, globalmente;
b) € 449 por artigo;
c) O valor declarado pelo cliente, quanto aos artigos depositados à guarda do estabelecimento de
alojamento turístico.
4 - As agências terão direito de regresso sobre os fornecedores de bens e serviços relativamente às
quantias pagas no cumprimento da obrigação de indemnizar prevista nos números anteriores.
5 - A responsabilidade da agência por danos não corporais poderá ser contratualmente limitada ao valor
correspondente a cinco vezes o preço do serviço vendido.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Das garantias
Artigo 41.º
Garantias exigidas
1 - Para garantia da responsabilidade perante os clientes emergente das actividades previstas no artigo
2.º, as agências de viagens e turismo devem prestar uma caução e efectuar um seguro de
responsabilidade civil.
2 - São obrigatoriamente garantidos:
a) O reembolso dos montantes entregues pelos clientes;
b) O reembolso das despesas suplementares suportadas pelos clientes em consequência da não
prestação dos serviços ou da sua prestação defeituosa;
c) O ressarcimento dos danos patrimoniais e não patrimoniais causados a clientes ou a terceiros por
acções ou omissões da agência ou seus representantes;
d) O repatriamento dos clientes e a sua assistência nos termos do artigo 31.º;
e) A assistência médica e medicamentos necessários em caso de acidente ou doença, ocorridos durante
a viagem, incluindo aqueles que se revelem necessários após a conclusão da viagem.

Artigo 42.º
Formalidades
Nenhuma agência pode iniciar ou exercer a sua actividade sem fazer prova junto do Turismo de Portugal,
I. P., de que as garantias exigidas foram regularmente contratadas e se encontram em vigor.

Artigo 43.º
Caução
1 - Para garantia do cumprimento das obrigações emergentes do exercício da sua actividade, as agências
devem prestar uma caução que garanta, pelo menos, a observância dos deveres previstos nas alíneas a)
e b) do n.º 2 do artigo 41.º.
2 - A garantia referida no número anterior pode ser prestada mediante cauções de grupo cujos termos
serão aprovados por portaria conjunta dos Ministros das Finanças e da Economia.
3 - O título da prestação de caução deve ser depositado no Turismo de Portugal, I. P.

Artigo 44.º
Forma de prestação da caução
1 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, a caução pode ser prestada por segurocaução,
garantia bancária, depósito bancário ou títulos da dívida pública portuguesa, depositados à ordem do
Turismo de Portugal, I. P.
2 - O título da caução não pode condicionar o accionamento desta a prazos ou ao cumprimento de
obrigações por parte da agência ou de terceiros.

Artigo 45.º
Montante
1 - O montante garantido através da caução é de 5% do valor das vendas de viagens organizadas
efectuadas pela agência no ano anterior, devendo o respectivo quantitativo ser comunicado ao Turismo
de Portugal, I. P., pelo representante legal da empresa, com base em declaração emitida técnico oficial
de contas.
2 - Caso a declaração referida no número anterior não seja entregue, o montante garantido através da
caução deve corresponder a 5% do valor da prestação de serviços declarado pela agência no ano
anterior, devidamente comprovado mediante a apresentação de cópia da Declaração Anual de
Rendimentos, apresentada pelo representante legal da empresa para efeitos fiscais.
3 - Quando a agência invoque a circunstância de não ter praticado no ano anterior viagens organizadas,
tal deve igualmente ser comunicado ao Turismo de Portugal, I. P., pelo representante legal da empresa,
com base em declaração emitida técnico oficial de contas.
4 - Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, o montante garantido por cada agência não pode,
em caso algum, ser inferior a € 25.000, nem superior a Euros 250.000.
5 - As agências devem enviar ao Turismo de Portugal, I. P., até 15 de Julho de cada ano, os documentos
exigidos nos números anteriores.

73
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

6 - Quando os elementos a que se referem os números anteriores se encontrem disponíveis na Internet,


a respectiva apresentação pode ser substituída por uma declaração do interessado a indicar o endereço
do sítio onde aqueles documentos podem ser consultados e a autorizar, se for caso disso, essa consulta.

Artigo 46.º
Actualização
1-As agências de viagens estão obrigadas a promover anualmente a actualização da caução prestada,
nos termos e condições referidas no artigo anterior e a comunicar ao Turismo de Portugal, I. P., o
montante actualizado de cobertura.
2 - Se a caução for accionada, deve ser reposto o montante de cobertura exigido.

Artigo 47.º
Funcionamento da caução
1 - Os clientes interessados em accionar a caução devem requerer ao Turismo de Portugal, I. P., que
demande a entidade garante, apresentando:
a) Sentença judicial transitada em julgado, da qual conste o montante da dívida exigível, certa e líquida;
b) Decisão arbitral;
c) Requerimento solicitando intervenção da Comissão Arbitral, nos termos do artigo seguinte, instruído
com os elementos comprovativos dos factos alegados.
2 - Podem ser objecto de accionamento as cauções prestadas pela agência com quem o cliente contratou
directamente ou pela agência que organizou a viagem, sem prejuízo do direito de regresso.
3 - O requerimento referido na alínea c) do n.º 1 é apresentado no prazo de 20 dias úteis após o termo
da viagem, ou no prazo previsto no contrato, se superior.

Artigo 48.º
Comissão arbitral
1 - O requerimento previsto no artigo anterior será apreciado por uma comissão arbitral, convocada pelo
Presidente do Turismo de Portugal, I.P., no prazo de 10 dias após a entrega do pedido, e constituída por
um representante desta, que preside, um representante do Instituto do Consumidor, um representante
da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, um representante das associações de
defesa do consumidor, a designar pelo cliente, e um representante da agência, designado por esta, sem
prejuízo de recurso para os tribunais, nos termos da Lei da Arbitragem Voluntária.
2 - A comissão arbitral delibera no prazo máximo de 20 dias úteis após a sua convocação, sendo a
deliberação tomada por maioria dos membros presentes, tendo o presidente voto de qualidade.
3 - Da decisão da comissão arbitral cabe recurso para o Presidente do Turismo de Portugal, I.P., a interpor
no prazo de cinco dias úteis.
4 - O Presidente do Turismo de Portugal, I.P., deve apreciar o recurso no prazo máximo de 20 dias úteis,
findo o qual, e na ausência de decisão, se presumirá o indeferimento do mesmo.
5 - Na falta de deliberação no prazo previsto no n.º 2, o requerimento será apreciado pelos serviços
competentes do Turismo de Portugal, I.P., e submetido a decisão do Presidente.

Artigo 49.º
Obrigação das entidades garantes
Caso haja lugar a pagamento por parte da agência de viagens e turismo, o Turismo de Portugal, I. P.,
notifica a agência de viagens e a entidade garante para pagarem, no prazo de 20 dias úteis, a quantia
fixada.

Artigo 50.º
Seguro de responsabilidade civil
1 - As agências devem celebrar um seguro de responsabilidade civil que cubra os riscos decorrentes da
sua actividade, garantindo o cumprimento da obrigação prevista na alínea c) do n.º 2 do artigo 41.º e

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

sempre, como risco acessório, as obrigações previstas nas alíneas d) e e) do mesmo número desse
artigo.
2 - O montante mínimo coberto pelo seguro é de € 74 819,68.
3 - A apólice uniforme do seguro é aprovada pelo Instituto de Seguros de Portugal.
4 - O seguro de responsabilidade civil pode ser substituído por caução de igual montante, prestada nos
termos do artigo 43.º e do n.º 1 do artigo 44.º

Artigo 51.º
Âmbito de cobertura
1 - São excluídos do seguro referido no artigo anterior:
a) Os danos causados aos agentes ou representantes legais das agências;
b) Os danos provocados pelo cliente ou por terceiro alheio ao fornecimento das prestações.
2 - Podem ser excluídos do seguro:
a) Os danos causados por acidentes ocorridos com meios de transporte que não pertençam à agência,
desde que o transportador tenha o seguro exigido para aquele meio de transporte;
b) As perdas, deteriorações, furtos ou roubos de bagagens ou valores entregues pelo cliente à guarda da
agência.

Regimes especiais
Artigo 52.º
Instituições de economia social
1 - Podem organizar viagens as associações, misericórdias, instituições privadas de solidariedade social,
institutos públicos, cooperativas e entidades análogas, estando dispensados do licenciamento como
agências de viagens e turismo, desde que se verifiquem cumulativamente os seguintes requisitos:
a) Que a organização da viagem não tenha fim lucrativo;
b) Que se dirijam única e exclusivamente aos seus membros e não ao público em geral;
c) Que se realizem de forma ocasional ou esporádica;
d) Que não utilizem meios publicitários para a sua promoção dirigidos ao público em geral.
2 - As entidades referidas no número anterior devem celebrar um seguro de responsabilidade civil que
cubra os riscos decorrentes da viagem a realizar.
3 - O INATEL pode realizar viagens organizadas para os seus associados, estando dispensado do
licenciamento como agência de viagens e turismo, aplicando-se com as necessárias adaptações o
disposto nos artigos 17.º a 51.º
4 - A entidade referida no número anterior deve prestar uma caução, nos termos do artigo 41.º e
seguintes, cujo montante mínimo é reduzido a € 5.000 e deve celebrar um seguro de responsabilidade
civil, nos termos previstos para as agências de viagens e turismo.

Artigo 53.º-A
Exercício de actividades de animação turística
1 - O exercício de actividades de animação turística por parte das agências de viagens e turismo carece
de prévia autorização pelo Turismo de Portugal, I. P., constante de um documento complementar ao
alvará da agência.
2 - A concessão da autorização depende da prestação das garantias exigidas pela legislação que regula a
actividade de animação turística, sem prejuízo do cumprimento dos requisitos exigidos para cada tipo de
actividade.
3 - O pedido de autorização deve ser instruído com os seguintes documentos:
a) Programa detalhado das actividades a desenvolver, com indicação dos equipamentos a utilizar e locais
onde as actividades vão decorrer;
b) Declaração em como os equipamentos e instalações, se for o caso, satisfazem os requisitos legais,
acompanhada das licenças e autorizações emitidas pelas entidades competentes, quando previstas na
legislação aplicável;
c) Cópia simples dos contratos de prestação de garantias e comprovativo do pagamento do prémio ou
fracção inicial.
4 - Ao pedido previsto nos números anteriores é aplicável o disposto no n.º 3 do artigo 6.º,com as
necessárias adaptações.

75
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

5 - A alteração do documento complementar emitido pelo Turismo de Portugal, I. P., com vista à
autorização do exercício de novas actividades de animação turística é efectuada por averbamento,
aplicando-se o disposto nos números anteriores.

Artigo 62.º
Taxas
1 - Os montantes das taxas devidas pela concessão de licenças e de autorizações constituem receitas do
Turismo de Portugal, I. P., e são fixadas por portaria dos membros do governo responsáveis pelas áreas
das finanças e do turismo, a aprovar no prazo de 90 dias.
2 - A forma de pagamento é fixada na portaria referida no número anterior.
3 - O requerente deverá juntar ao processo documento comprovativo do pagamento no prazo máximo
de 15 dias, sob pena de ser devolvida toda a documentação entregue.
4 - As empresas de animação turística que pretendam constituir-se como agências de viagens e turismo
e reúnam os requisitos previstos neste diploma para o efeito pagam o diferencial da taxa de
licenciamento entre a respectiva licença e o valor da taxa prevista para as agências de viagens e turismo.

1.2. As empresas de animação turística – Enquadramento legal

Artigo 2
Noção
1 — São empresas de animação turística as que tenham por objecto a exploração de actividades lúdicas,
culturais, desportivas ou de lazer, que contribuam para o desenvolvimento turístico de uma determinada
região e não se configurem como empreendimentos turísticos, empreendimentos de turismo no espaço
rural, casas de natureza, estabelecimentos de restauração ou de bebidas, agências de viagens e turismo
ou operadores marítimo-turísticos.
2 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, as empresas proprietárias ou exploradoras de
empreendimentos turísticos, empreendimentos de turismo no espaço rural, casas de natureza,
estabelecimentos de restauração ou de bebidas, agências de viagens e turismo e os operadores
marítimo-turísticos podem exercer actividades de animação turística, desde que cumpram os requisitos
previstos no presente diploma.
3 — Sem prejuízo da legislação própria, os operadores marítimo-turísticos, as empresas proprietárias e
exploradoras de empreendimentos turísticos, de empreendimentos de turismo no espaço rural, de casas
de natureza, de estabelecimentos de restauração ou de bebidas e de agências de viagens e turismo,
quando estiverem constituídas numa das formas societárias previstas no n.o 6 e prevejam no seu
objecto social a possibilidade de exercerem as actividades previstas no n.o 1, estão isentas do
licenciamento previsto no capítulo II do presente diploma para as empresas de animação turística.

Exclusividade e limites
1 — Não estão abrangidas pelo exclusivo reservado às empresas de animação turística:
a) A comercialização directa dos seus produtos e serviços pelos empreendimentos turísticos,
empreendimentos de turismo no espaço rural, casas de natureza, estabelecimentos de restauração ou
de bebidas, agências de viagens e turismo e pelos operadores marítimo-turísticos;

Seguros
1 — Sem prejuízo do disposto no n.o 5, as empresas de animação turística estão obrigadas a celebrar,
nos termos estabelecidos no número seguinte, um seguro adequado a garantir os riscos decorrentes das
actividades que pretendam exercer.
2 — O capital mínimo, consoante o contrato de seguro a celebrar, deve ser o seguinte:
a) Seguro de acidentes pessoais garantindo:
i) Pagamento das despesas de tratamentos, incluindo internamento hospitalar, e medicamentos, até ao
montante anual de €3500;
ii) Pagamento de um capital de €20 000, em caso de morte ou invalidez permanente dos seus clientes,
reduzindo-se o capital por morte ao reembolso das despesas de funeral até ao montante de €3000,
quando estes tiverem idade inferior a 14 anos;
b) Seguro de assistência às pessoas, válido exclusivamente no estrangeiro, garantindo:

76
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

i) Pagamento do repatriamento sanitário e do corpo;


ii) Pagamento de despesas de hospitalização, médicas e farmacêuticas, até ao montante anual de €3000;
c) Seguro de responsabilidade civil, garantindo €50 000 por sinistro, e anuidade que garanta os danos
causados por sinistros ocorridos durante a vigência da apólice, desde que reclamados até um ano após a
cessação do contrato.
3 — O contrato de seguro pode incluir uma franquia não oponível ao lesado.
4 — Os montantes mínimos fixados no n.o 2 são actualizados anualmente por portaria conjunta dos
Ministros das Finanças e da Economia.
5 — Em caso de actividades de reduzido risco, a Direcção-Geral do Turismo pode dispensar a celebração
de seguro.

1.3. Os comboios turísticos – legislação aplicável


A circulação de comboios turísticos, compostos por um veículo tractor e um ou mais reboques
destinados ao transporte de passageiros, em pequenos percursos com fins culturais ou de lazer,
constituindo uma realidade no nosso país, mostra-se adequada a determinados locais, designadamente
onde não existe transporte para pequenos percursos.
Na ausência de um regime jurídico de aprovação e circulação deste tipo de veículos, que pelas suas
características técnicas específicas não se enquadram nas normas de direito rodoviário em vigor, a
Direcção-Geral de Viação tem vindo a autorizar a circulação dos comboios turísticos ao abrigo do
despacho n.o 67/95, do director-geral de Viação, de 7 de Agosto.
Após a experiência colhida num período em que foram estabelecidas algumas regras, essencialmente no
que respeita à segurança dos veículos, importa definir um quadro regulador completo por forma a
estabelecer um regime legal de aprovação e circulação destes veículos, fixando as suas características
técnicas, bem como o regime de circulação na via pública de modo a garantir a segurança dos
passageiros e do trânsito em geral.
Neste âmbito e tendo em conta a experiência da homologação destes veículos adaptados, exige-se,
designadamente, a homologação individual de modelo e a aprovação do conjunto do veículo em
inspecção inicial para verificação das boas condições de funcionamento e segurança de acordo com o
veículo homologado.
Razões de segurança rodoviária e a necessidade de acautelar a normal fluidez do restante trânsito
impõem, também, que se estabeleçam limites máximos de velocidade para estes veículos e que se fixem
condições para a sua circulação na via pública.
Assim, exige-se que os «comboios turísticos», cujo limite máximo de velocidade são os 25 km/hora,
circulem em percursos predefinidos, indicados pelo proprietário e aprovados pelas câmaras municipais,
verificados os requisitos estabelecidos para as condições de trânsito.
A circulação dos comboios turísticos passa, assim, a estar condicionada à obtenção de autorização
especial de circulação a emitir pela Direcção-Geral de Viação mediante a apresentação dos documentos
comprovativos da aprovação do conjunto do veículo em inspecção inicial ou técnica, da autorização do
percurso, bem como do respectivo certificado de seguro.
No que se refere ao acesso à actividade, uma vez que a exploração comercial dos comboios turísticos
abrange uma parcela muito restrita da actividade transportadora, não se justifica que fique submetida às
normas de acesso exigidas às empresas que realizam transportes públicos rodoviários de passageiros.
Assim, para este segmento de actividade as regras de acesso deverão ser definidas em legislação
específica. Foi ouvida a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Assim:
Nos termos da alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o da Constituição, o Governo decreta, para valer como lei
geral da República, o seguinte:

CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.o
Âmbito

77
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

O presente diploma define o regime jurídico de aprovação e de circulação na via pública dos comboios
turísticos.

Artigo 2.o
Definição
Considera-se comboio turístico o conjunto de veículos composto por um tractor e um ou mais reboques
destinados ao transporte de passageiros em pequenos percursos, com fins turísticos ou de diversão.

CAPÍTULO II
Características técnicas
Artigo 3.o
Composição
1 — O comboio turístico é composto por um tractor e, no máximo, três reboques destinados ao
transporte de passageiros.
2 — Ao veículo tractor só podem ser atrelados reboques até ao limite da sua capacidade máxima de
carga rebocável, não podendo, em qualquer caso, o conjunto exceder o comprimento de 18 m.

Artigo 4.o
Sistema de travagem
1 — O sistema de travagem dos comboios turísticos deve possuir as seguintes características:
a) O tractor e os reboques devem estar equipados com um sistema de travagem de serviço, pneumático
ou hidráulico, actuando em todos os eixos, que apresente a necessária eficácia para moderar ou deter o
andamento do conjunto sempre que necessário, mesmo em vias de forte inclinação;
b) O tractor e os reboques devem, ainda, possuir um sistema de travagem de estacionamento de
actuação mecânica.
2 — Nos reboques não são permitidos dispositivos de travagem por inércia.

Artigo 5.o
Sistema de engate
Os sistemas de engate do tractor e dos reboques devem ser resistentes e oferecer garantia de não se
desligarem acidentalmente.

Artigo 6.o
Luzes
1 — A iluminação dos comboios turísticos obedece às características exigidas para a iluminação dos
automóveis e seus reboques, devendo o veículo tractor ser, ainda, provido de uma luz amarela rotativa,
destinada a assinalar a sua marcha lenta, colocada de forma que seja visível da frente e da retaguarda do
veículo e a uma altura do solo não inferior a 1500 mm.
2 — Na retaguarda do conjunto deve ser colocado o painel do modelo S2, indicativo de que se trata de
um veículo de marcha lenta.
Artigo 7.o
Equipamentos diversos
1 — O veículo tractor deve estar equipado com dois espelhos retrovisores laterais, um dispositivo sonoro
e um velocímetro, com as características regulamentares para idênticos equipamentos integrados nos
automóveis ligeiros.
2 — Os reboques devem possuir portas com segurança que, no lado direito do veículo, podem ser
substituídas por, no mínimo, duas correntes de eficácia assegurada.
3 — Nos reboques deve existir um dispositivo de alarme que permita aos passageiros indicar ao
condutor que deve parar o veículo.
4 — Os comandos dos dispositivos referidos no número anterior devem ser de cor contrastante e estar
distribuídos uniformemente em todos os reboques, não podendo situar-se a altura superior a 1200 mm.

Artigo 8.o
Lotação
1 — Na determinação da lotação de um comboio turístico deve ser tida em consideração a área útil e a
carga máxima fixada para os reboques que o compõem.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

2 — A lotação é fixada atribuindo, para cada passageiro, uma largura mínima de banco de 400 mm e o
peso de 65 kg até ao limite máximo de carga útil dos reboques.
3 — A lotação fixada nos termos do número anterior não pode ser excedida, não sendo permitido o
transporte de passageiros em pé ou no veículo tractor.

Artigo 9.o
Homologação
1 — Os comboios turísticos são objecto de homologação individual de modelo.
2 — A homologação referida no número anterior deve ser requerida nos serviços regionais da Direcção-
-Geral de Viação, sendo os pedidos instruídos com os seguintes documentos:
a) Memória descritiva contendo a indicação das características técnicas dos veículos;
b) Catálogos ou fotografias que permitam a identificação completa do conjunto.
3 — Por despacho do director-geral de Viação pode ser solicitada a apresentação de outros documentos
considerados necessários.

Artigo 10.o
Matrícula
1 — Aos comboios turísticos homologados nos termos do n.o 1 do artigo anterior é atribuída matrícula
pelos serviços regionais da Direcção-Geral de Viação, com número da série geral.
2 — O número de série atribuído deve ser exibido em duas chapas de matrícula, colocadas uma à frente,
no veículo tractor, e a outra à retaguarda, no último reboque.
Artigo 11.o
Inspecções
1 — Os comboios turísticos são submetidos a inspecção inicial para verificação das boas condições de
funcionamento e segurança do veículo de acordo com as características homologadas.
2 — A manutenção das boas condições de funcionamento e de segurança de todo o equipamento e das
boas condições de segurança dos comboios turísticos será verificada através de inspecções técnicas nos
termos a definir por despacho do director-geral de Viação.
3 — Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, os comboios turísticos podem ser sujeitos a
inspecção nos termos do n.o 2 do artigo 116.o do Código da Estrada.

CAPÍTULO III
Circulação de comboios turísticos
Artigo 12.o
Velocidade
O comboio turístico não pode exceder a velocidade instantânea de 25 km/hora.

Artigo 13.o
Condições de trânsito
O trânsito de comboios turísticos na via pública está condicionado à observação das seguintes
condições:
a) Não prejudicar as condições de circulação e normal fluidez do restante trânsito;
b) Processar-se apenas em vias urbanas ou municipais, em percursos preestabelecidos que não incluam
troços de via que, pela sua largura, traçado ou sinuosidade, possam pôr em perigo a segurança dos
passageiros;
c) Não pôr em causa a coordenação de transportes regulares de passageiros, devendo os locais de
paragem para tomada e largada de passageiros estar devidamente assinalados de forma a não
coincidirem com as paragens dos veículos de transporte público de passageiros;
d) A circulação dos comboios turísticos em trajectos de ligação para abastecimento de combustível,
manutenção e parqueamento deve efectuar-se sem passageiros e em períodos de menor intensidade de
trânsito de forma a não prejudicar as condições de circulação e a normal fluidez do restante trânsito;
e) O tractor ser conduzido por pessoa habilitada com carta de condução da categoria D;
f) O conjunto de veículos estar coberto por seguro de responsabilidade civil, que não pode ser inferior ao
montante mínimo exigido para os veículos de transporte público colectivo de passageiros.

Artigo 14.o

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Autorização de exploração
1 — O itinerário, as paragens, os horários de funcionamento e os preços dos circuitos dos comboios
turísticos devem ser propostos pela pessoa candidata à exploração dos comboios turísticos e autorizados
pela câmara municipal depois de verificados os requisitos previstos nas alíneas a) a c) do n.o 1 do artigo
13.o
2 — A câmara municipal pode recusar a autorização se não se verificarem os requisitos a que se refere o
n.o 1 ou se o percurso pretendido exceder uma extensão de 7 km.

Artigo 15.o
Autorização especial de circulação
1 — A circulação na via pública de comboios turísticos depende de autorização especial de circulação,
válida por um ano, a emitir pela Direcção-Geral de Viação.
2 — O requerimento que solicite a emissão da autorização referida no número anterior deve ser
instruído com os seguintes documentos:
a) Comprovativo da autorização camarária prevista no artigo anterior;
b) Comprovativo da aprovação em inspecção inicial ou técnica;
c) Certificado de seguro.
3 — A Direcção-Geral de Viação deve dar conhecimento à Direcção-Geral do Turismo e à Direcção-
-Geral de Transportes Terrestres de todas as autorizações especiais de circulação emitidas nos termos do
n.o 1.

CAPÍTULO IV
Fiscalização e regime sancionatório
Artigo 16.o
Fiscalização
A fiscalização do cumprimento das disposições do presente diploma é efectuada nos termos e pelas
entidades referidas no artigo 7.o do Decreto-Lei n.o 2/98, de 3 de Janeiro.

CAPÍTULO VI
Disposições finais
Artigo 19.o
Acesso à actividade
1 — O acesso à actividade de transportes públicos de passageiros por meio de comboios turísticos será
definido por legislação específica.
2 — Até publicação do diploma a que se refere o número anterior, as pessoas que pretendam explorar
comercialmente comboios turísticos nas condições previstas pelo presente diploma ficam dispensadas
do cumprimento dos requisitos de acesso à actividade estabelecidos pela legislação em vigor para os
transportes públicos rodoviários de passageiros.

Artigo 20.o
Operadores autorizados
Os operadores de comboios turísticos autorizados a circular nos termos do despacho n.o 67/95, de 9 de
Agosto, devem, no prazo de 60 dias, conformar os seus veículos com o disposto no presente diploma e
requerer à Direcção-Geral de Viação a autorização referida no artigo 15.o

4. O consumidor
4.1. Direitos do consumidor

O direito do consumidor é um ramo do direito que lida com conflitos de consumo e com a defesa dos
direitos dos consumidores, e que se encontra desenvolvido na maior parte dos países com sociedades de
consumo e sistemas legais funcionais.

Todos nós somos consumidores quando compramos seja o que for, pensamos nós. Daí que, quando
sentimos razões de queixa sobre qualquer transacção que efectuarmos, podemos recorrer à justiça ou a
qualquer dos organismos que protege os interesses do consumidor.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

A situação não é assim tão linear .

Quem é um consumidor

Legalmente, para que uma pessoa tenha direito à defesa dos seus interesses na área do consumo, e para
que, enfim, possa ser considerado consumidor, torna-se necessário que se verifiquem os requisitos
seguintes:

- que os bens fornecidos, os serviços prestados ou os direitos transmitidos se destinem a uso não
profissional;

- que o fornecedor seja alguém que exerça com carácter profissional uma actividade económica que vise
obter benefícios, incluindo os organismos da Administração Pública, as pessoas colectivas públicas, as
empresas de capitais públicos ou detidos maioritariamente pelo Estado, as Regiões Autónomas ou as
autarquias locais e as empresas concessionárias de serviços públicos.

A protecção do consumidor e a atribuição de direitos específicos dependem assim da existência de uma


relação de consumo, seja através da celebração de um contrato seja mediante uma situação destinada a
promover o fornecimento de bens ou serviços ou a transmissão de direitos.

Só existe, pois, relação de consumo se o objecto do acto ou do contrato for um bem, serviço ou direito
destinado ao uso não profissional as partes no contrato ou as pessoas em relação no acto de promoção
forem, por um lado, um profissional e, por outro, uma pessoa que actue como não-profissional para a
satisfação de necessidades pessoais ou familiares.

Legalmente. o consumidor tem os seus interesses protegidos por direitos consagrados na lei e tem a
quem recorrer quando sente que eles foram infringidos

Os direitos dos consumidores

Os direitos gerais atribuídos aos consumidores no ordenamento jurídico português podem agrupar-se da
seguinte forma:

- direito à protecção da saúde e segurança

- direito à qualidade dos bens ou serviços

- direito à protecção dos interesses económicos

- direito à prevenção e à reparação de prejuízos

- direito à formação e à educação para o consumo

- direito à informação para o consumo

- direito à representação e consulta

- direito à protecção jurídica e a uma justiça acessível e pronta

Estes direitos encontram-se consagrados na Constituição e na Lei de Defesa do Consumidor ( Lei nº


24/96, de 31 de Julho).

O contrato escrito - a segurança do consumidor

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Não é necessário que um contracto seja acordado por escrito , embora, claro, um contracto escrito
facilita a prova em caso de conflito. Casos há, no entanto, em que a lei exige o respeito pela forma
escrita (por exemplo a compra a prestações de bens de consumo duradouro), ou estabelece a
necessidade de escritura pública (por exemplo, a compra de um imóvel).

Como elemento de defesa para qualquer problema que possa surgir no futuro, o consumidor deve
sempre conservar um duplicado do contrato que assinou com o seu fornecedor. Isto refere-se tanto ao
contrato de compra e venda como à garantia que possa acompanhar tal transacção.

Cuidados a ter ao assinar um contrato

Exija a clareza das cláusulas do contrato e não assine documentos sem os ler cuidadosamente e
compreender o que está a assinar.

Os contratos pré-elaborados

A vida moderna impõe, por vezes, este tipo especial de contrato, em relação ao qual a posição do
consumidor se tem revelado muito frágil: trata-se de contratos em que a totalidade ou pelo menos os
mais importantes elementos são definidos e impostos por uma das partes à outra, na forma de um
modelo genericamente aplicável.

Ao consumidor, necessitado desse bem ou serviço, muitas vezes apenas disponível através daquele
fornecedor, pouco mais lhe resta do que aceitar ou recusar em bloco essa proposta, neste último caso
não obtendo a satisfação das suas necessidades.

Para fazer face a esta clara situação de desigualdade e pretendendo assegurar a defesa dos interesses
económicos dos consumidores, a lei estabelece algumas condicionantes à utilização deste modelo
contratual.

Cláusulas abusivas

Consideram-se cláusulas abusivas, aquelas que são formuladas de tal forma que obriguem os
consumidores contra a própria vontade, contra os seus interesses ou mesmo em violação de normas
legais.

É o caso das lavandarias que utilizam facturas onde se exclui a sua responsabilidade pela alteração das
cores dos tecidos, pelos botões, fechos, etc., ou das seguradoras que informam, por via postal os seus
clientes de alterações do contrato, considerando-as vigentes se, num certo prazo, o segurado nada
disser.

A lei configura como proibidas um vasto conjunto de cláusulas abusivas.

Outros exemplos:

- as que permitam alterar as obrigações assumidas quanto à qualidade dos bens ou dos serviços que o
consumidor pretende assegurar através do contrato (por exemplo, a substituição de material de
construção por outro de qualidade inferior)

- as que impeçam, injustificadamente, reparações ou fornecimentos por entidade diferente da empresa


com quem se contratou

- as que alteram as regras respeitantes à distribuição do risco (por exemplo, em contratos de aquisição
de cartões de crédito ou débito, a previsão de que, em caso de furto ou extravio, o risco corre por conta
do titular durante as 48 horas subsequentes à comunicação) ou modificam os critérios de repartição do

82
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

ónus da prova (presunção de que foi o titular do cartão bancário que o utilizou quando o código foi
digitado correctamente);

- as que negam o direito de requerer acção judicial.

As cláusulas proibidas são nulas, ou seja, não produzem qualquer efeito válido e qualquer interessado
pode invocar essa nulidade, a todo o tempo, perante o fornecedor ou perante os tribunais.

Por outro lado, as cláusulas que normalmente passem despercebidas, ou pela epígrafe enganosa ou pela
especial apresentação gráfica (por, exemplo, em caracteres reduzidos), não geram também quaisquer
obrigações para o consumidor.

O regime legal das cláusulas contratuais gerais (aquelas que o consumidor se limita a aceitar sem prévia
negociação individual) aplica-se igualmente às aprovadas por entidades públicas, como acontece com as
convenções de preços do serviço público telefónico.

Proibição de utilização das cláusulas abusivas

A lei oferece outro caminho, visando já não tanto o seu contrato em particular, mas a proibição da
utilização de cláusulas abusivas em qualquer contrato.

Assim, ao ter conhecimento da utilização de cláusulas proibidas, pode o consumidor comunicar a uma
Associação de Consumidores, ao Provedor de Justiça ou ao Ministério Público, de forma a que o tribunal
venha a proibir o seu uso.

Incumprimento do contrato

Se o serviço acordado não pode ser prestado, sem culpa dieta do prestador, duas hipóteses se levantam:

- se a prestação se tornou impossível ou perdeu interesse para o consumidor (o retardamento da viagem


é incompatível com as férias já marcadas), o contrato caduca, tendo o consumidor o direito de reaver
integralmente as importâncias que porventura já tenha pago;

- é também admissível renegociar um novo contrato em que outras obrigações se venham substituir
àquelas que antes tinham sido assumidas;

- se a prestação é ainda possível e tem interesse para o consumidor, o fornecedor tem de cumpri-la, logo
que possível, seja voluntariamente, seja pela execução específica ordenada por decisão do tribunal.

Incumprimento culposo

Se o fornecedor não cumpre por culpa sua, o consumidor pode, em alternativa, segundo a escolha que
mais convenha ao seu interesse: exigir o cumprimento integral do contrato ou rescindir o contrato, ou
seja, declará-lo sem efeito por simples comunicação ao fornecedor, com o direito de reaver o que
porventura já tenha pago.

Em qualquer destes casos, tem direito a uma indemnização pelos prejuízos sofridos.

Se lhe parecer mais conveniente, poderá renegociar o contrato e/ou exigir a redução do pagamento ou
uma compensação pelo prejuízo que sofreu.

Cumprimento defeituoso

83
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Outra é a situação derivada do facto de o bem ou o serviço prestados se apresentarem defeituosos.

A competência para a fiscalização está atribuída especialmente à Autoridade de Segurança Alimentar e


de Saúde, sendo junto deste organismo (serviços centrais ou delegações) que o consumidor deve
apresentar a sua denúncia.

As infracções às normas que regulam as vendas de bens a preços reduzidos são punidas com a aplicação
de uma coima, ou seja uma sanção económica, a concretizar a final de um processo de contra-ordenação
que, como veremos, não implica necessariamente a intervenção dos tribunais.

Como enfrentar conflitos de consumo

Como em tudo na vida, a melhor maneira de resolver um conflito é evitar que ele se manifeste.

Assim, guarde as provas sempre consigo. Provas de compra (recibos), contratos de prestação de serviços,
de compra ou aluguer, garantias do produto, etc.

Exija orçamentos por escrito e não assine nada que não compreenda totalmente ou que não possa levar
para casa, a fim de estudar com mais tempo e com alguém mais entendido na matéria em questão.

Dentro deste princípio, se uma cláusula do contrato parece dúbia e a empresa diz que tem um sentido
que não lhe parece decorrer no texto, exija que lhe passem a escrito essa interpretação e a assinem,
dando-lhe um exemplar desta.

E, se tiver dúvidas antes de celebrar um contrato informe-se antes, junto de uma entidade competente.

E não esqueça: na lei há sempre prazos. Aja rapidamente.

Como reclamar

Algo correu mal com o produto adquirido ou o serviço prestado. Comunique o facto à empresa por
escrito, expondo o problema de forma clara e esclarecendo se pretende substituição, reparação ou
devolução.

Essa carta deverá ser enviada com comprovativo, por exemplo com aviso de recepção.

Em simultâneo, envie cópia para o Instituto do Consumidor ou para a sua Câmara Municipal, através do
respectivos serviços de informação e apoio ao Consumidor. Nem todas as Câmaras possuem tais
serviços, mas em todas elas encontrará quem o oriente nos passos a dar.

Guarde uma cópia da carta enviada.

O conflito agrava-se

Mas a empresa a quem o leitor se queixa não responde ou discorda das razões que o leitor aduziu. Aí vai
ter de recorrer a organismos especializados nesses conflitos, ou, inclusivamente, aos tribunais.

Para o caso de se recorrer à via judicial, existem já, para o efeito, Julgados de Paz, vocacionados para as
pequenas causas cíveis, como a maioria dos conflitos de consumo, criados para resolver os conflitos de
forma rápida , simples e com um mínimo de despesas.

Como solução alternativa, existem organismos especializados na resolução de conflitos de consumo que
podem intervir sob a forma de mediação, conciliação ou arbitragem

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Mediação consiste na indicação de uma entidade, reconhecida pelo Instituto do Consumidor , estranha
ao conflito que intervém de forma imparcial para aproximar as partes e ajudá-las a encontrarem, por si
mesmas, o modo de resolver o conflito que as opõe.

O mediador não decide o conflito. A sua acção limita-se a facilitar o diálogo de forma a ser encontrada
uma solução consensual.

Conciliação é o meio através do qual é nomeado um conciliador, estranho ao conflito, que intervém
conduzindo a negociação das partes e propondo plataformas de entendimento que possibilitem um
acordo.

O conciliador tem assim um papel mais interveniente que o mediador. Se as partes chegarem a acordo,
este é passado a escrito e homologado pelo juiz árbitro. O que lhe confere o mesmo valor legal que uma
decisão de um tribunal de 1ª instância.

Arbitragem é o meio através da qual um terceiro - o árbitro - intervém de forma imparcial, impondo uma
solução para o conflito. A sua decisão tem o mesmo valor que uma sentença proferida num tribunal de
1ª instância. Por este motivo, a arbitragem voluntária é a solução que mais se assemelha a um processo
judicial

Mediação, conciliação e arbitragem são soluções supervisionadas pelo Instituto do Consumidor e por
Centros de Arbitragem de Consumo a quem o IC reconhece como entidades independentes e que
integram a rede europeia de conflitos de consumo.

4.2. Deveres do consumidor

Os consumidores têm diversos deveres, nomeadamente o de reclamar, sempre que julguem que têm
razão. Mas há mais deveres.

Solidariedade: organizar-se enquanto consumidor, de forma a desenvolver a força e a influência


necessárias para promover e proteger os seus interesses.

Consciência crítica: estar alerta e desenvolver um espírito crítico face ao preço e à qualidade dos
produtos e serviços que utiliza.

Agir: fazer valer as suas opiniões e actuar para que tenha um tratamento justo. Permanecendo passivo,
continuará a ser lesado.

Preocupação social: estar consciente do impacto que provoca o seu consumo sobre outros cidadãos,
especialmente sobre os grupos mais desfavorecidos, a nível local, nacional e internacional.

Consciência ambiental: compreender as consequências ambientais do consumo, reconhecendo a sua


responsabilidade individual e social, no sentido de preservar os recursos naturais e preservar a Terra
para as gerações futuras.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

MÓDULO 12: Animação em Destinos Turísticos

1. Destinos Turísticos
1.1. Principais destinos turísticos em Portugal
1.2. Estruturação do destino turístico
1.3. Potencialidades do destino turístico
1.4. Estruturação da animação do destino turístico
2. A Animação do Destino Turístico
2.1. Os diversos meios promocionais
2.2. O marketing directo
2.3. A recepção de clientes
3. Tipologia da animação nos Destinos Turísticos
3.1. Os City-Breaks
3.2. Animação Cultural
3.3. Animação Desportiva
3.4. Animação Nocturna
3.5. A animação nas unidades hoteleiras
4. Os grandes eventos e os seus impactos na atracção de visitantes

1. Destinos Turísticos
1.1. Principais destinos turísticos em Portugal

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Portugal sempre se mostrou como um dos destinos turísticos mais seguros da Europa. Se apesar de até
1974 o país ter sofrido com seu regime ditatorial, após esta data o turismo em terras portuguesas
cresceu imenso.

Lisboa e Cascais foram os pólos iniciais do turismo, aos quais se juntaram mais tarde a Ilha da Madeira e
o Algarve; actualmente todo o país goza de um prestígio em todo o mundo.

Hoje em dia, mais de 13 milhões de turistas anuais percorrem os cerca de 1000 quilómetros de costa,
visitam os inúmeros locais considerados Património da Humanidade, cruzam as Planícies do Alentejo,
escalam a Serra da Estrela, sobem o Rio Douro, mergulham nas praias do Algarve e da ilha do Porto
Santo, encantam-se nos Açores ou, ainda, divertem-se nos muitos casinos portugueses.

Actualmente, o Algarve, a região de Lisboa, Cascais e Sintra, a Madeira, e o Porto lideram o ranking de
destinos nacionais. O Alentejo Litoral começa também a afirmar-se como um grande pólo turístico onde
estão a efectuar-se grandes investimentos nesse sector nomeadamente em Tróia (Grândola) e Santiago
do Cacém.

O Algarve é um dos principais destinos de férias, durante todo o ano, dos países nórdicos e do Reino
Unido. Vilamoura (o maior complexo turístico da Europa), Portimão, Albufeira e Faro são o centro da
actividade algarvia.

Ao passo que os portugueses elegem o Brasil, a Espanha, Cuba, Tailândia, o México, a Itália, Marrocos,
Moçambique, Tunísia, Cabo Verde ou a República Dominicana como seus destinos principais, Portugal é
escolhido, preferencialmente, por turistas oriundos do Reino Unido, Irlanda, Países Baixos, Dinamarca,
Suécia, Noruega, Itália, Bélgica, Alemanha, Suíça, França, Espanha e um número cada vez maior turistas
da Rússia, Polónia, Estados Unidos da América, Canadá, Países Bálticos, República Checa, Hungria, Japão
e China.

Cultura, sol, praias, diversão, natureza, história e gastronomia são os pratos fortes do turismo português.
O turismo é um dos mais importantes sectores da economia portuguesa, representando cerca de 8% do
PIB.

Portugal encontra-se entre os 15 países com maior procura turística em todo o mundo

1.2. Estruturação do destino turístico

Será útil reconhecer a importância que o desenvolvimento turístico pode ter numa estratégia territorial
integrada. Pela sua natureza, de facto, o turismo tem um impacto sistémico, visto que tende a envolver
transversalmente a economia de um território no qual se desenvolve, com impactos também de
natureza social, cultural e ambiental. Se é verdade que o turismo é um potencial mecanismo de geração
de riqueza para as populações residentes, é também verdade que tem um impacto sobre o território,
visto que orienta a actividade económica local, consome recursos, requer um adequado conjunto de
obras em estruturas e infra-estruturas, determina exigências de consumo (energia, água, transportes)
desproporcionais em relação às necessidades normais da zona.
Nos últimos dez a quinze anos, a literatura internacional especializada tem definido e delimitado o
conceito de tourist destination (destino turístico). Nesta perspectiva, a atenção tem sido focada nas
estratégias e acções de marketing dos destinos/territórios considerados estes como um sistema de
actores que cooperam de modo a fornecer um produto turístico integrado ( Boix e Capone, 2004: 2). A
Comissão Europeia (2000) define o destino turístico como:
”as an area which is separately identified and promoted to tourists as a place to visit, and within which
the tourist product is co-ordinated by one ore more identifiable authorities or organisations”.
Os destinos turísticos têm vindo a ser definidos geralmente como territórios com características
singulares, sejam elas naturais ou construídas (humanas). Para Mathieson e Wall (1992: 12) a definição
de destino será:

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

a destination area is a place having characteristics that are known to a sufficient number of potential
visitors to justify its consideration as an identity, attracting travel to itself, independent of the attractions
of other locations.

Assumindo que a indústria turística é considerada um sector com uma estrutura fragmentada e
caracterizada pela presença, colaboração e de articulação entre um vasto número de actores da fileira
(operadores turísticos, agências de viagem, hotéis e outros fornecedores de serviços), as vantagens
competitivas são cada vez mais relacionadas com um sistema local de actores fornecendo um produto
final complexo: a experiência turística (Asworth, 1991).
A oportunidade de uma abordagem territorial sistémica surge, assim, em consequência da focalização
nos territórios, de forma a fomentar o processo de desenvolvimento local. De facto os modelos
territoriais, que tiveram a sua origem em modelos industriais, têm sido recentemente adaptados à
actividade turística.

1.3. Potencialidades do destino turístico

Um destino é um “local de consumo” e a experiência cultural tornou-se um processo holístico. Neste


contexto, dois elementos praticamente contraditórios, mas interrelacionados, determinam o sucesso de
um destino turístico: o primeiro é a criação de infra-estruturas com standards internacionais e com
elevado grau de previsão que permitirá a atracção do destino, não tanto pelo turista individualmente,
mas antes pela indústria turística (nomeadamente aos agentes transnacionais) – isto significa que um
destino deve ser muito semelhante com outro lugar seu concorrente; o segundo é a presença de um
mercado que impulsione uma elevada fragmentação, que permita responder e propor uma super
segmentação dos produtos turísticos e identificar posições e nichos de mercado Van den Berg, Vand der
Borg and Van der Meer (1995)
Há cidades e territórios que não conseguem transmitir um pensamento colectivo enquanto destinos
turísticos. Determinados acontecimentos, tais como crime e insegurança, podem danificar a imagem de
uma cidade. É fundamental investir em infra-estruturas, pois a sua falta ou deficiência poderão por em
causa a riqueza cultural e patrimonial. Não basta criar uma imagem de destino. Os factores intangíveis
assumem uma importância na atractividade dos destinos. Os vários elementos do produto turístico,
primário, secundário, eventos, transporte, centros de informação e estacionamentos, devem ser geridos
de forma sistemática, integrada e dinâmica, sendo os recursos humanos, pela natureza de trabalho -
intensiva da sua actividade, o elemento mais importante Russo e Van den Borg (2002).
Para Crouch e Ritchie (1999) a competitividade de uma determinada industria é uma determinante
crucial para o seu desempenho no mercado mundial.
Desenvolver o potencial turístico de qualquer país ou região depende substancialmente na sua
capacidade em manter a vantagem competitiva no fornecimento de bens e serviços aos visitantes. Já
Dwyer, Forsyth e Rao (2000) afirmam:

Tourism competitiveness is a general concept that encompasses price differentials coupled with
Exchange rate movements, productivity levels of various components of the tourist industry, and
qualitative factors affecting the attractiveness or otherwise of a destination.

O objectivo fundamental da competitividade é o de manter ou incrementar o rendimento real dos


cidadãos, o que se reflecte na nível e qualidade de vida do território. Nesta perspectiva, a
competitividade não deve ser vista como um fim em si mas como um meio para um determinado fim: o
aumento do nível de vida da população.
Quando se pretende medir a competitividade começamos a ter problemas na sua definição, porque é
um conceito relativo (em relação a outro) e é multidimensional. Como referimos, Crouch e Ritchie (2000)
viam a competitividade nacional como a capacidade que um país que possuía para criar valor
acrescentado e incrementar desta forma o bem-estar nacional mediante a gestão de vantagens,
processos, atracções, agressividade e proximidade, integrando essas relações num modelo económico e
social..
Notaram também que se trata cada vez mais de estratégia e cada vez menos de resultado de legado
natural. Referem ainda que competitividade é “produzir mais e melhores produtos e serviços que

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

tenham aceitação no mercado interno e externo”. O conceito ainda não está suficientemente
uniformizado, levando a que surjam várias definições, de acordo com o propósito pretendido.
Os mesmos autores, acrescentam que pela importância que o turismo tem adquirido nos últimos anos,
assumidamente irá contribuir fortemente para a prosperidade das populações e para a qualidade de vida
de muitos lugares do mundo. Se existir um boom nas diferentes formas turísticas no futuro, então
poderão surgir graves problemas com implicações dramáticas nas características dos destinos e na sua
competitividade, assim como no estilo de vida das populações residentes.
Quando se trata de analisar a competitividade do sector dos serviços e, mais concretamente, a dos
destinos turísticos, Crouch e Ritchie (1999) introduzem a teoria da vantagem comparativa e vantagem
competitiva. Segundo estes autores a vantagem comparativa refere-se aos factores de que está dotado o
destino turístico, incluindo tanto os factores que ocorrem de forma natural como aqueles que tenham
sido criados.

1.2. Estruturação da animação do destino turístico

O turismo como fenómeno humano é rico, complexo e polivalente. Numa perspectiva de Marketing,
recorre-se á utilização dos recursos a fim de criar produtos turísticos e finalmente conceber as ofertas
turísticas. Estas são percepcionadas pelos consumidores como destinos turísticos. Como tal há que
proceder, numa dada região à inventariação dos recursos ai existentes, pois eles são a base sobre a qual
se vai desenvolver a actividade turística. Os serviços e equipamentos deverão ser definidos com vista a
proporcionar ao turista a utilização dos recursos, satisfazendo as suas necessidades e possibilitando-lhe a
fruição dos atractivos do destino. Neste sentido estamos face a produtos turísticos ou seja, a conjuntos
de componentes que agregados são capazes de satisfazer as motivações e as expectativas de um
determinado segmento de mercado. Precisamos agora de lhe atribuir um preço, distribui-los e dá-los a
conhecer de forma a que os consumidores os percepcionem e saibam como e onde podem adquiri-los.
Concebemos assim ofertas turísticas (conjuntos de serviços) que se podem comprar por determinado
preço, que se desenvolvem em determinado local num tempo especifico possibilitando a quem os
adquire a fruição de uma experiência de viagem completa.

O turista requer pois, um conjunto de serviços que não se limitam ao alojamento e ao transporte,
exigindo também actividades recreativas. Neste caso a inovação e o desenvolvimento de novos produtos
surgem como fundamentais no sentido da obtenção de êxito por parte das empresas que trabalham na
área da animação. A imaginação reveste-se de extrema importância e a criatividade é imprescindível
para não criar fadiga ou cansaço no turista. O marketing assume assim um papel de extrema importância
e relevo.

Caso se pretenda lançar um programa de animação á que ter em atenção ao seguinte:

- Estudo da procura e das sua motivações em relação às actividades recreativas (estar em ambientes
agradáveis, alargar as relações sociais, divertir-se, desenvolvimento da personalidade etc)
- Estudo da oferta ( recursos naturais e histórico-culturais adequados para o desenvolvimento de
programas de animação, existência de instalações turísticas adequadas etc)

As fases de lançamento de um produto de animação requerem um plano de marketing que comporte:

- A criação de possíveis ideias de recreação e animação


- Processo de selecção das mesmas mediante testes feitos a terceiros
- Valorização económica da sua rendibilidade
- Desenvolvimento de projectos e produtos para a sua aplicação
- Distribuição e promoção do produto
- Comercialização e venda concreta.
Assim é importante que os gestores de animação realizem as seguintes actividades:

- Estudos de da procura e da oferta (características dos clientes e dos recursos)


- Planificação dos projectos de animação de acordo com os resultados dos estudos

89
Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Definição dos pressupostos e dos meios financeiros


- Definição das relações de cooperação com os diversos sectores que participam na campanha
turística geral (alojamento e transportes)
- Utilização racional dos recursos e do projecto de animação
- Realização dos programas definindo os diferentes campos de acção
- Actividades de promoção e venda (sites, folhetos brochuras etc)

2. A Animação do Destino Turístico

De acordo com Guibilato (1983) não basta estimular a vida do turista, alimentá-lo e alojá-lo. Ele desloca
se com um objectivo muito claro, ou seja, aproveitar os recursos (em sentido amplo) assim como praticar
determinadas actividades. Por tal há que oferecer-lhe a possibilidade de o fazer: esta é a função dos
equipamentos de distracção e de acesso aos recursos (utilização e exploração dos recursos turísticos).
Permite ainda a "animação" da estância ou do centro de alojamento. Baptista (1990) na esteira de
Guibilato (1983) identifica 4 grupos de equipamentos de distracção ou animação:

1) - Equipamentos ligados à natureza: circuitos de manutenção, parques naturais, parques zoológicos,


museus oceanográficos, etc.
2) - Equipamentos desportivos para a prática ou para o espectáculo:
a) Desportos náuticos: portos de recreio, escolas de vela, esqui náutico, "surf", mergulho
submarino, etc.
b) Desportos e jogos terrestres: campos de ténis, pavilhões polivalentes, áreas de jogos para
crianças, terrenos de voleibol e de minigolfe, piscina, jogos de praia, estádios de futebol, etc.
c) Desportos de Inverno e de montanha: meios mecânicos de subida diversos, teleféricos e
telecabines, telecadeiras e tele-esquis, pistas de esqui alpinismo e esqui de fundo, escolas de
esqui, de alpinismo e de montanhismo, etc.
d) Desportos equestres: escolas e centros de equitação.
3) Equipamentos culturais : teatros, salas de espectáculos e concertos, museus, bibliotecas, galerias de
arte, cinemas, salas de congressos ou de reuniões, oficinas de artesanato e de trabalhos manuais, etc.
4) Equipamentos de diversão: salas de jogos diversos, casinos, discotecas, cabarets, salas de baile,
clubes, bares, etc.

As estruturas de diversão ou animação podem ser utilizadas por iniciativa pessoal do turista que decide
fazê-lo, ou podem aparecer inseridas no âmbito de programas organizados pelos operadores turísticos.
Baptista (1990) cita J.J.Monnard e Guibilato para apresentar diversos tipos de animação:

1) Animação sociabilidade , que facilita a comunicação entre os turistas, através da organização de


manifestações regulares ou particulares (festas de boas vindas, noites dançantes, "coktails", festas
oficiais, jantares à meia luz, bailes de máscaras, etc.) ou de jogos de sociedade ("bridge", loto, etc.);

2) Animação em movimento, com actividades físicas, desportos e jogos;


3) Animação criatividade, que oferece aos turistas a possibilidade de fazer, de criar qualquer coisa
(desenho, pintura, olaria, fotografia, tecelagem, etc.);
4) Animação cultura, descoberta, vida, que permite satisfazer necessidades de informação, de
curiosidade, de mudança, de manifestações ou actividades diversas; festivais de música, conferências,
cursos de línguas, cursos de cozinha, iniciação e técnicas novas como a informática, ralis, excursões,
visitas comentadas a cidades, etc.)
5) Animação aventura, dirigida aos turistas que gostem de imprevistos, do desconhecido, do risco, quer
através do regresso à Natureza, mais ou menos organizada (circuitos de manutenção, expedições, etc.),
quer através da prática de um desporto arriscado ou como tal considerado (pára-quedismo, asa delta,
escaladas, etc.), quer ainda através de uma saída-aventura, frequentemente em confronto com
elementos naturais que representam um risco (vulcões, descidas de rápidos em rios, esqui fora de pista,
etc.);

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

6) Animação tranquilidade, reencontro de si mesmo, que permite compensar o "stress" da vida


quotidiana, não por uma distracção movimentada mas através do repouso, da calma, da reflexão, o que
pode revestir-se de diferentes formas, como sejam ioga, meditação em grupo, audição de um concerto
gravado, passeio na Natureza, discussões junto à lareira, etc.

1.1. Os diversos meios promocionais

Publicidade
Quando relacionada com outros meios de comunicação da empresa, funciona com as seguintes
características:
- Permite alcançar muitos públicos;
- A publicidade utiliza uma mensagem simples, forte e única;
- Na publicidade o conteúdo da mensagem é perfeitamente controlado pelo anunciante.

A Publicidade utiliza mecanismos psicológicos para influenciar o espírito e o comportamento das pessoas
tais como:
- Notoriedade
- Informação factual
- Persuasão
- Simpatia pela marca
- Emoção, Desejo, O Sonho

Marketing Directo
O Marketing Directo é um conjunto de técnicas de comunicação individualizada e interactiva que por
norma têm características comuns. As principais formas de Marketing Directo são:
- Mailing(correio electrónico);
- Telemarketing(marketing telefónico);
- Directresponse(resposta/ encomenda imediata por telefone).
Em suma o Marketing Directo é o conjunto de técnicas de marketing que, recorrendo aos diversos meios
de comunicação, visa estabelecer uma relação continuada com um cliente, de uma forma
individualizada, através da obtenção de uma resposta mensurável.

Força de Vendas
As empresas têm por objectivo final vender os seus produtos de uma forma rentável aos seus clientes,
mantendo-os com uma relação de longa duração.
A força de vendas de uma empresa, é composta pelo conjunto de pessoas que têm como objectivo
vender ou fazer vender os produtos da empresa, por meios de contactos directos com os clientes
potenciais, distribuidores ou “prescritores”.

Merchandising
A técnica de MERCHANDISING assenta em quatro princípios básicos:
1. Procura psicológica do melhor ambiente envolvente para cada produto;
2. Criação de condições que tornem a estadia do cliente na loja agradável;
3. Trabalho conjunto do produtor e do distribuidor com objectivos e métodos comuns;
4. Transformação do moderno ponto de venda num moderno “Campo de Batalha”para conquistar o
consumidor.

Relações Públicas
Os objectivos principais das relações públicas, são:
- Aumentar a credibilidade da empresa, dos serviços e dos produtos;
- Criar um sentido de pertença;
- Estimular a força de vendas e distribuidores;
- Melhorara imagem da empresa e as suas marcas;

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Criar e aumentar a notoriedade da empresa e dos seus produtos/serviços;


- Prevenir e minimizar o impacto de eventuais crises;
- Atrair investidores;
- Criar boas relações de vizinhança com a comunidade local;
- Revelar os contributos da empresa para o desenvolvimento do país ou região

1.2. O marketing directo

O marketing directo permite alcançar um conjunto bastante diversificado de objectivos. Vejamos os


mais importantes.

Pesquisa: O marketing directo permite efectuar acções de pesquisa de mercado a uma fracção do custo
das acções tradicionais. Como as acções de marketing directo são individualizadas, será muito mais fácil
a uma empresa definir o perfil dos seus clientes, as suas necessidades e determinar a melhor forma de
as satisfazer.

Divulgação e promoção de venda: Este é o objectivo mais frequente das acções de marketing directo,
consistindo na apresentação directa de um produto ou uma oferta específica aos potenciais clientes.

Identificação de clientes potenciais: Quando os clientes do seu produto são muito difíceis de identificar,
uma acção de marketing directo pode ser muito útil, demonstrando as atitudes dos clientes em causa
perante o produto.

Conquista de novos clientes: Frequentemente, clientes que não adquirem a marca no ponto de venda
são sensíveis a ofertas especiais distribuídas através de estratégias de marketing directo.

Fidelização de clientes: Paralelamente, clientes da sua marca tenderão a fidelizar-se a ela ao receberem
ofertas que considerem interessantes. Os clientes actuais são os mais importantes para a sua empresa,
dado que a sua fidelidade é uma garantia de sustentabilidade futura, mas, paradoxalmente, são
frequentemente negligenciados pelos gestores de marketing, mais concentrados no desafio de
conquistar novos clientes.

Rentabilização da força de vendas: Através do contacto prévio com os clientes potenciais, é possível
determinar quais deverão ser visitados pessoalmente por um vendedor da sua empresa, evitando as
visitas em massa que terão uma taxa de eficácia muito mais baixa.

1.3. A recepção de clientes

A boa comunicação / bom atendimento é o primeiro passo para levar os outros a agirem conforme o
esperado. Por outro lado, o mau atendimento pode conduzir a vários problemas como mal-entendidos ou
informações erradas. Sem uma comunicação eficaz, o entendimento é impossível. Se não comunicarmos
claramente, ninguém saberá o que pretendemos, o que queremos dizer ou aquilo que temos em mente. A
transmissão correcta de mensagens faz a ligação entre o pensamento e a acção.

Por essa razão, comunicar não é algo que acontece pura e simplesmente; requer atenção quanto ao
conteúdo da mensagem e, mais importante, à forma como é apresentada, para que possa chegar a ser
correctamente recebida e compreendida. Caso contrário, nem vale a pena começar a comunicar.

Saber onde é que o processo de comunicação pode correr mal, é um importante ponto de partida, quando
se procura uma boa comunicação. O Atendimento, mais do que uma transacção, é uma forma de
comunicação, de troca de ideias e de relação com as pessoas a partir das coisas.

Este processo baseia-se em três princípios:

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- As pessoas que todos os dias procuram a Instituição são os seus clientes preferenciais.
- Os colaboradores que atendem o público na Instituição são o rosto da mesma.
- A Instituição é a imagem que os seus colaboradores transmitem, por isso a instituição tem de
criar em cada situação de atendimento um momento de excelência.

UM BOM SERVIÇO NÃO É SORRIR PARA O PÚBLICO

MAS SIM

CONSEGUIR QUE O PÚBLICO LHE SORRIA

Não podemos ignorar que o público é constituído por seres humanos, com problemas, ideias, desejos,
necessidades, sentimentos e emoções, que como tal exigem ser bem tratados.

No domínio do relacionamento humano não há fórmulas milagrosas (“receitas”).

- Familiarize-se com a empresa.


- Conheça bem os produtos e/ou serviços, os departamentos, os circuitos e, na medida do
possível, as pessoas.
- Mantenha a calma. Seja reflectido(a) independentemente da dificuldade de cada situação e
atitude do interlocutor.

- Organize o seu posto de trabalho. Procure ter à mão todos os documentos, impressos e
informações necessárias.
- Interesse-se pela empresa e pelos problemas correntes. Mantenha-se informado(a). Não se
transforme numa “ilha”.
- Procure raciocinar rapidamente mas com frieza.
- Mantenha a discrição em todas as situações.
- Seja humilde. Admita que o erro pode ser seu ou da sua organização (cuidado).
- Trate o interlocutor pelo nome. Sempre que possível.
- Faça sentir a quem espera que não está esquecido. Mantenha o contacto.
- Quando não puder atender prontamente, dê um minuto de atenção a quem chega.
- Utilize uma linguagem correcta, adequada
- Use a empatia. Escute. Tente compreender o ponto de vista do interlocutor.
- Sorria. Use a simpatia.

Numa Instituição vamos considerar que existem:

Clientes Externos

- São as pessoas e organizações que contactam com a nossa Instituição e as pessoas e


organizações que ainda não contactaram, mas que poderão vir a contactá-la no futuro.

Clientes Internos

- São os colegas de trabalho com quem todos os dias falamos e trabalhamos e que devemos
tratar da mesma forma que o público.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

SEM PÚBLICO NÃO HÁ ORGANIZAÇÕES

A satisfação do público é primordial, é ele que julga o serviço e decide o futuro da Instituição.Uma forma
de fidelizar o público é ouvir as suas sugestões e críticas e você tem aqui um papel essencial...

Porque...

VOCÊ É O OUVIDO E A FACE DA INSTITUIÇÃO

OBJECTIVOS DA INSTITUIÇÃO

Em relação ao público:

- Todas as pessoas têm os seus objectivos próprios, no entanto, todas elas ao procurarem a instituição
pretendem estabelecer contactos frutíferos.
- Atender de forma excelente o público.
- Atender todas as pessoas para que nenhuma se esqueça do atendimento prestado na Instituição e no
futuro volte a procurá-la.

Em relação ao Colaborador/Atendedor:

- Actuar de acordo com os objectivos da Organização ou Instituição.


- Actuar de acordo com a imagem que a Instituição tem.
- Guardar os segredos da Instituição.
- Defender os interesses da Instituição.
Objectivos do Público

Em relação à Instituição:

- Satisfazer de forma rápida e eficaz as suas necessidades.


- Ser tratado com consideração e que a Instituição mostre interesse pelo seu caso e suas necessidades.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

Em relação ao Atendedor:

- Você é o representante da Instituição e, por isso, para todas as pessoas você é a própria Instituição,
aquela que o público espera:
- A possibilidade de exigir um sorriso.
- A satisfação de sentir o seu pedido bem entregue.
- A certeza de ser tratado com respeito.
- A garantia de ser compreendido.
- A certeza de ser escutado.
- O bom Atendedor é aquele que consegue que a Instituição e o público concretizem os seus objectivos:
 Prestação do serviço
 Satisfação com a relação de Atendimento.

3. Tipologia da animação nos Destinos Turísticos


3.1. Os City-Breaks

Consiste numa Estadia de curta duração para visitar várias atracções de uma cidade. A principal
motivação é conhecer uma cidade e as suas atracções monumentais, arquitectónicas, culturais,
comerciais, gastronómicas, etc.

City breaks standard: os turistas viajam para uma cidade com o objectivo de visitar atracções
relacionadas com uma variedade de temas (histórico, cultural, social, etc.). Durante a sua estada, ficam
alojados em hotéis confortáveis de 2-3 estrelas e procuram produtos e serviços com preços acessíveis.

City breaks upscale: os turistas viajam para uma cidade com o objectivo de visitar atracções relacionadas
com uma variedade de temas (histórico, cultural, social, etc.). Durante a sua estada procuram serviços
personalizados de alta qualidade, boutique hotéis, hotéis de 4-5 estrelas e com charme, menus de
degustação e provas de vinho, etc.

City breaks temáticos: os turistas viajam para uma cidade com o objectivo de visitar atracções e de viver
experiências relativas a um tema específico, por exemplo, assistir a um evento musical, teatral,
cinematográfico, desportivo, de moda, etc.

3.2. Animação Cultural

Entendemos a animação cultural como um meio importante para atingir objectivos muito concretos,
integrada nos princípios do Comércio Justo e do Turismo Ético.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

A partir das tradições nos ofícios, nos contos, na música e na dança entre outras, do seu estudo e
divulgação, recriá-las no presente para projectá-las no futuro. As tradições só sobreviverão como
referências de um povo, se forem permanentemente recriadas em bases de respeito pelo passado, mas
atendendo às condições do presente.
O Comércio Justo, baseado na total transparência no circuito que vai dos produtores aos consumidores,
pressupõe a educação destes, através da divulgação das condições ambientais e sócio-culturais da
comunidade que produz um determinado artigo. As visitas a esses locais terão esta função, além
obviamente, de outros aspectos inerentes ao Turismo Ético, tais como o intercâmbio e a valorização
cultural e humana.
Por outro lado as viagens a locais que padecem dos mesmos males, não resolvidos, seria uma forma de
divulgar e incentivar a adopção de novos caminhos, potencializando a resolução de parte dos seus
problemas, através da troca de experiências. Como não entendemos o turismo de uma forma isolada do
meio e meramente como factor económico, consequentemente invasor, as actividades de animação
cultural tomam especial relevo e percorrem de uma maneira transversal o Comércio Justo e o Turismo
Ético e Solidário. Deverão ser desenvolvidas de forma a serem respeitadas as tradições locais, o seu
quotidiano, proporcionando a integração entre o visitante e o visitado.A animação de um determinado
local, atendendo ao respeito pelos princípios exaustivamente enumerados, ambientais, sociais e
culturais, deve ser levada a efeito envolvendo as pessoas e/ou associações da região, tendo em vista o
benefício directo a esta mesma comunidade.

3.3. Animação Desportiva

Os novos desafios relacionados com o fenómeno desportivo e com os tempos livres, decorrentes das
constantes mudanças ambientais e sociais, geram problemas e objectivos — que assumem uma
crescente e fulcral importância — motivados pela necessidade de oferecer programas aliciantes de
prática desportiva e de ocupação dos tempos livres.
A animação desportiva assume-se claramente como um meio para uma oferta diversificada de
actividades, com a finalidade de dinamização dos tempos livres. Mas porque o seu contributo só se fará
sentir se for encarada de uma forma séria e organizada, abordaremos a animação desportiva desde a sua
origem, passando pelas várias mudanças registadas, funções e campos de acção.
Os aspectos da organização de actividades, a tipologia de programas de animação desportiva, as
diferenças da prática consoante o género, o local, o objectivo, os meios e a formação, ou seja, os
princípios fundamentais da prática desportiva e da organização de actividades são abordados numa
visão lúdica, de participação e de recreação.
A animação desportiva integra os valores lúdicos dos jogos desportivos. Lima (1994) refere os três
campos em que a animação desportiva se deve apoiar:
As características do lazer (não lucrativas, voluntárias, recreativas e formativas) que, embora não criem
condições necessárias para que a função animação exista, incentivam e implementam-na de forma
significativa;
Os valores lúdicos que intervêm no processo de animação ao introduzirem o hedonismo e a regra,
viabilizando e dinamizando a recreação na perspectiva pedagógica;
A inserção e utilização da motricidade humana na animação, por meio de matérias desportivas
operacionais, que determinam o campo da animação desportiva abrangidas pela ciências da Educação
Física e do Desporto.
A animação desportiva conquistou o seu próprio espaço dentro da animação e do sistema desportivo.
Cada vez mais se recorre à animação no desenvolvimento das actividades desportivas e exercício físico,
com o intuito de aumentar o número de participantes e o seu nível de motivação. Os programas de
animação para o pré-escolar, 1º e 2º ciclos e secundário incluem a animação desportiva nas actividades
curriculares. Os objectivos não são proporcionar ou aperfeiçoar técnicas de modalidades específicas,
mas sim promover o contacto com o maior número de actividades possível que se destinam a gerar um
elevado grau de adesão e interacção, entre os participantes.
A contribuição da animação desportiva para a formação e desenvolvimento dos participantes deve ir
mais além do que a componente física, deve contribuir para o desenvolvimento psíquico e servir como
exemplo de espírito e ética desportivos.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

O animador, como responsável pela actividade e o seu conteúdo deve guiar o participante para que este
tenha um comportamento e atitudes que se enquadrem dentro do espírito desportivo e da saudável
competição. Ao surgir como uma alternativa às competições desportivas, a animação desportiva assume
um papel mais social, que se adapta ao público-alvo à realidade em que e encontra inserida, em que o
mais importante é a satisfação do participante e não resultado obtido.
A animação desportiva é o resultado da ligação da actividade e recreação desportiva com as técnicas da
animação, uma vez que se baseia nas técnicas da animação, que se apoiam em pedagogias e actividades
participativas.

3.4. Animação Nocturna

A Animação nocturna é extremamente importante num determinado destino turístico. A existência de


espaços de lazer são importantes para a dinamização do destino à noite. Muitos visitantes procuram
destinos turísticos famosos pela sua animação nocturna. Para que um destino seja completo em termos
de animação deve possuir espaços abertos à noite, como é o caso de discotecas, bares, feiras de
artesanato, festas, concertos, entre outros, de forma a aumentar a procura turística da região.

3.5. A animação nas unidades hoteleiras

É o conjunto de acções sociais que um estabelecimento hoteleiro leva a cabo de uma maneira
programada, organizada e continua com o fim de complementar o bem estar dos seus clientes. Assenta
na criação de uma estrutura que transmita tranquilidade e distracções complementares aos serviços
clássicos hoteleiros.

 Entretenimento dos hóspedes dentro do empreendimento turístico, oferecendo-lhe a todas as


horas do dia, numerosas e diversificadas actividades recreativas vocacionadas para os mesmos.
 Não é suficiente organizar as iniciativas e esperar que os hóspedes adiram espontaneamente, é
necessário cativá-los a participarem
 Animação nas unidades nunca é obrigação ou responsabilidade, é sim prazer, espontaneidade,
divertimento, inter-relação.
 Só a promoção adequada e eficaz das iniciativas produz sucesso
 Os programas do dia deverão ser expostos nos locais mais frequentados do empreendimento,
de modo a que possam ser vistos em pleno por todos os clientes
 Os programas podem ser anunciados por vídeo, circuito rádio interno etc
 Durante as actividades nocturnas dever-se-á anunciar os programas do dia seguinte, pois a
noite é o prime–time da animação
 A equipa de animação deve informar os clientes dos programas, conteúdos e objectivos
 Os animadores devem inscrever na altura os clientes interessados, evitando que estes pensem
melhor ou sejam influenciados
 No mínimo uma unidade deve ter dois animadores, um de rua com actividades ao ar livre e
outro internamente

TIMIMING DA ANIMAÇÃO NAS UNIDADES:

- Manhã

Actividades desportivas, actividades infantis, Jogos de praia, figuras na areia, caça ao tesouro, Ginástica,
golfe, ténis, jogos aquáticos, Mini concursos, culinária e doçaria com piqueniques, Marchas passeios
pedestres, jeep-safaris

- Tarde

Jogos de mesa, xadrez, bridge, Educação e formação de saberes, Tiro ao alvo, dardos, ténis, golfe, Vídeo,
cinema, visitas culturais, Exposições, artesanato, visitas guiadas, Jogos ao ar livre, caça ao tesouro, pedy
paper, pintura, barro

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Noite

Jantares temáticos com animação localizada, Dança com concursos e noite de talentos, Loto, bingo e
karaoke, Musica e live shows, passagens de modelos

4. Os grandes eventos e os seus impactos na atracção de visitantes

Os mega eventos turísticos são acontecimentos de grande dimensão realizados, por uma ou mais vezes
mas de duração limitada, com o objectivo de promover um destino turístico a curto e longo prazo. Os
efeitos esperados destes acontecimentos, que em regra exigem a mobilização de consideráveis meios
financeiros, são:

 Aumento da cobertura publicitária e de informação através dos meios de comunicação


internacional e/ou mundial;
 Melhoria e expansão das infra-estruturas turísticas e dos serviços de turismo;
 Aumento das actividades promocionais das indústrias do turismo a fim de capitalizar o
ambiente favorável que o acontecimento cria;
 Aumento dos fluxos turísticos durante e após o acontecimento.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

EXEMPLO: Impactos do Euro 2004 no Desenvolvimento do Turismo


IMPACTOS POSSÍVEIS ACÇÕES A EMPREENDER

A visita de cerca de 3.000 jornalistas, com milhares Criar pacotes educacionais para visitar as regiões onde se encontram alojados para assistir ao EURO 2004.
de horas de reportagens e notícias sobre o país.

Investimentos directo de 700.000.000 milhões de Começar já a convidar quer os agentes de viagens e operadores turísticos, quer jornalistas nacionais e internacionais do
Euros (estimativa), na construção de cinco estádios sector, a visitarem alguns estádios, por forma a constituírem já motivo de interesse turístico para visitarem determinadas
e na remodelação de outros tantos. regiões do país.

Investimento directo em vias de comunicação: Devemos ser agressivos e objectivos na mensagem e na promoção da oferta turística do país, isto é, os aeroportos do
estradas, linha férrea e comboios, animação Porto, Lisboa e Faro, devem conter de imediato informação alusiva ao EURO 2004 e painéis publicitários com a marca
turística e outras infra-estruturas. Portugal, o mesmo a fazer nas estações de caminhos de ferro das principais cidades, nos postos de abastecimento de
combustível das auto-estradas, nos hotéis e restaurantes das cidades EURO 2004, etc.

Aumento do emprego induzido pelo EURO 2004. Criar já pacotes de (in)formação turística e atendimento de curta duração para os recepcionistas de hotéis, para os
empregados de mesa e bar, para os taxistas, técnicos de museus, funcionários de aeroportos, agentes da PSP e GNR, etc.
De uma forma geral, devíamos elaborar campanhas de sensibilização para a população local por forma a envolvermos
todas as pessoas neste processo.

Receitas de bilheteira entre 12 a 17 milhões de Os bilhetes do futebol devem aludir a locais de interesse turístico regional e nacional. Na entrega de um bilhete dever ser
contos. entregue, de imediato, informação turística sobre a cidade e a região em que está.

A vinda de centenas de milhares de adeptos do Devemos cativá-los a voltar, fruto de um serviço e instalações de qualidade que proporcionarmos a quem cá fica.
Futebol, que têm de “comer” e “dormir” deixarão
nos cofres das nossas empresas do turismo, cerca
de 50 milhões de euros.

Fonte: Adaptado do Jornal Publituris de 01 de Maio de 2003

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

MÓDULO 13: TIC Aplicadas ao Turismo

1. Tecnologias da informação na indústria turística


1.1. A internet e o turismo
1.2. A importância da Internet e do comércio electrónico na web
1.3. O impacto do uso da internet sobre os canais tradicionais
2. Principais tendências do mercado
3. Características de um site turístico
4. Principais aplicações informáticas utilizadas na actividade turística.
5. Tecnologias da informação
5.1. Companhias aéreas
5.2. Hotéis e empreendimentos turísticos
5.3. Operadores de turismo
5.4. Agências de viagens
5.5. Destinos

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

1. Tecnologias da informação na indústria turística


1.1. A internet e o turismo

A tecnologia abriu novas perspectivas ao mundo dos negócios. Podemos constatar as suas vantagens nos
países desenvolvidos e um pouco pelo mundo em geral. Através dela as empresas obtêm retornos
acrescidos, e geralmente contribuem para uma melhoria do modo de vida das pessoas.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) proporcionaram a abertura da Internet, permitindo
um fluxo global de informação. Calcula-se em 2001 interligará cerca de 400 milhões de indivíduos e
vários negócios através de ligações de um computador em casa ou portátil, via telemóvel, via satélite, via
T.V. Cabo, etc.. No futuro surgirão de certeza novas formas de "estar ligado", ser "info-incluído". Estas
principais forças tecnológicas tiveram um significativo impacto positivo no intercâmbio de
conhecimentos, nas ofertas de produtos e prestação de serviços mais transparentes e análogos,
proporcionando aos clientes um maior controlo sobre a escolha e no caso do turismo poderem preparar,
organizar e comprar directamente as suas viagens e serviços incluídos com benefícios, como a facilidade
de reserva dos serviços e rapidez, alguma confiança porque a informação é "directa", sem
intermediários, e obtendo uma sensação de eficácia permitindo ao cliente obter o serviço desejado.
A possibilidade de efectuar negócios a partir de casa ou de uma praia longínqua, permitiu um fusão
possível entre os negócios e a vida privada, facilitando a difusão do tele-trabalho. Apesar desta
revolução tecnológica permitir que actualmente consigamos obter informação de um modo mais rápido
que nunca e de permitir também que a quantidade de informação relevante aumentasse, é necessário
considerar que a quantidade de informação irrelevante também aumentou.
Este trabalho é uma tentativa de identificação e análise da influência das TIC no turismo. Uma vez que o
turismo é uma actividade transversal englobando todas as actividades, serviços e indústrias que
oferecem uma experiência de viagem: transportes, alojamento, estabelecimentos de bebidas e comidas,
locais de animação/equipamentos de lazer, lojas de comércio diverso, etc., justifica-se uma abordagem
pelos diferentes componentes que estão interligados, sendo o turismo a base comum a todos eles, e que
permite essa ligação.
Desta forma, pretende-se com este trabalho obter uma perspectiva global, ainda que de menor alcance
e profundidade, do fenómeno do turismo no contexto actual, caracterizado pela revolução tecnológica.

1.1. A importância da Internet e do comércio electrónico na Web

Em termos de distribuição têm aparecido operadores mais pequenos com actividades de mercado para
os quais Portugal está muito vocacionado. Além disso não nos podemos esquecer que há outros meios
de distribuição que estão a crescer imenso, essencialmente a Internet.
Na rede existem vários programas de procura automática que podem pesquisar sítios de determinados
produtos e depois avisar quando for encontrado o produto mais barato a nível mundial, ou seja,
presente na rede. Convertem os preços para a moeda do local de onde partiu o pedido e acrescentam
inclusive as taxas de importação e os custos de entrega. Em turismo, o factor preço nem sempre é o
factor que determina a escolha do destino mas pode ser no caso de certos serviços de turismo como o
aluguer de carros. Hoje em dia é possível com a Internet alugar um carro através de filiais nos EUA onde
os preços são mais competitivos e escolher um carro numa filial local. A Associação dos Industriais de
Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC), já percebeu a mais-valia que a Internet pode
proporcionar. Assim, e com o objectivo de prestar aos seus associados melhores serviços, assinou um
protocolo com a "Ciberguia - Serviços Internet, L.da", que irá fomentar a utilização da Internet junto dos
seus associados, na base do qual todas as empresas associadas da ARAC poderão ter acesso à obtenção
dos serviços comercializados em condições preferenciais.
A Internet é particularmente útil para reservas de última hora porque é possível comprar «on-line» e
directamente, quando as recepções e os agentes estão fechados.
As "cyber viagens" na Internet podem agora ser transformadas em viagens reais... basta um PC e uma
ligação à Internet para o acesso a uma imensa quantidade de informações: alojamento, dados sobre
voos, destinos, mapas, meteorologia, câmbios, eventos... e acesso a catálogos de diversas agências de
viagens, que desta forma podem ser permanentemente actualizados.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

O Comércio Electrónico
O comércio electrónico é uma nova forma de realizar transacções comerciais. Apesar de o comércio
electrónico se estar perfilando como o paradigma do canal comercial, a que toda a gente poderá aceder
de uma forma extremamente simples, parece que a realidade está muito distante dessa ideia pré-
concebida. O comércio electrónico não é um conceito fácil de assumir tecnologicamente falando.
Existem certas barreiras para entrar no comércio electrónico pela Internet, nem todo o mundo vai poder
entrar de uma forma simples como se assegura. Também se afirma que a Internet dará igualdade de
oportunidades a todas as empresas e isso é mentira. A entrada na Internet não é tão trivial como se
assegura, por outro lado, é necessário que a empresa que ofereça os seus produtos pela Internet tenha a
sua oferta totalmente actualizada e junte um valor acrescentado que a diferencie da concorrência.
A indústria hoteleira não deve poupar esforços para ultrapassar a relutância geral em investir em novas
tecnologias, descobrindo e adoptando as aplicações mais eficazes para conduzir a uma maior
produtividade e a mais elevados lucros. A utilização de todos os canais de distribuição mais eficazes,
incluindo agências e intermediários que possam desenvolver as fontes de informação dos clientes bem
como os meios tecnológicos on-line capazes de levar até junto dos clientes, em qualquer parte do globo,
o que eles mais precisam e querem em termos de serviços, inovação e satisfação.
Na Internet multiplicam-se lojas virtuais, promovendo produtos e serviços. Podemos facilmente comprar
um livro ou um disco, realizar uma transferência, bancária, fazer as compras do supermercado,
encomendar um novo computador ou visitar um museu. Tudo sem sairmos de casa, tudo no mundo
Inteiro.

Internet
Pode-se considerar a Internet como uma rede de redes em que dezenas de milhares de computadores
comunicam uns com os outros através de uma linguagem (protocolo de comunicações) comum. As
diversas redes que compõem a Internet são operadas por múltiplas e diferentes organizações, desde
universidades, organismos governamentais, instituições militares, empresas, pessoas individuais, etc..
Deste modo, é muito difícil conhecer cada um dos computadores que está ligado à Internet e o seu
número total de utilizadores. Existem diversos números, alguns contraditórios.
Segundo Susan Briggs a Internet está actualmente a crescer a um índice de 120% e esta percentagem
está a crescer exponencialmente. Calcula-se que no ano 2001 mais de 400 milhões de pessoas terão
acesso à Internet. No ano 2005, é provável que quase todas as pessoas dos países desenvolvidos tenham
algum tipo de acesso à Internet. No entanto, o mais certo é que isto não se faça exactamente da maneira
actual, mas sim recorrendo a métodos muito mais rápidos destinados a um mercado de massas. Apesar
de tal quantidade de pessoas poder ter acesso à Internet, isso poderá não se traduzir num uso efectivo e
sistemático da rede.
Actualmente a Internet permite dois métodos para troca de informação que tanto empresas como
particulares podem utilizar. O e-mail ou correio electrónico está a evoluir muito rapidamente, e essa
evolução vai provavelmente continuar, como aconteceu com os faxes em meados dos anos oitenta. O
segundo método é a World Wide Web (www), um conjunto de páginas com imagem e texto, de
utilização fácil. Esta é a parte da Internet que está a crescer a mais velocidade. (Susan Briggs, op. cit.) A
Internet desafia o quadro jurídico existente em áreas como a Tributação, Propriedade Intelectual,
Direitos de Consumidor, Criminalidade e Privacidade, porque é descentralizada e um pouco anárquica.
Não existe um organismo central encarregado da sua manutenção como um todo, nem pelo
estabelecimento de regras. Existem tão somente apelos a códigos de conduta e a um comportamento
ético por parte dos seus utilizadores.
A Internet está presente na grande maioria das iniciativas e medidas públicas da sociedade de
informação, pretendendo desenvolver a educação, a ciência e a tecnologia.

Utilizadores da Internet
A Internet tem uma vasta comunidade de utilizadores. Esta diversidade e quantidade de utilizadores fica
a dever-se à suas vantagens. Dessas vantagens podemos enumerar a uniformidade de aplicações que
existe em toda a rede, independentemente do local, ou país donde se utilize; os custos reduzidos para
aceder à informação, normalmente nulos se excluirmos os custos das telecomunicações e os vastos
recursos de informação sobre qualquer assunto imaginável.
Neste momento os utilizadores da Internet em geral são pessoas com idades entre os 18 e 45 anos e
com rendimentos elevados. A maioria dos utilizadores pertencem ao sexo masculino, mas o perfil dos

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

utilizadores está a alargar-se e é provável que se atinja um equilíbrio entre os dois sexos muito em breve
(Susan Briggs, op. cit.).

A utilização das tecnologias terá como vantagens:


1. Maior eficácia na obtenção da informação,
2. Consequente aumento da competitividade da empresa,
3. Criação de maiores oportunidades de negócio,
4. Maior capacidade de a empresa de adaptar às características e às necessidades específicas dos seus
clientes.

No entanto haverá também desvantagens na utilização das TIC, tais como:


1. O investimento necessário em equipamentos e software,
2. A incerteza quanto ao futuro das TIC. Neste momento a evolução tecnológica é extremamente rápida
o que faz com que a obsolescência dos componentes se acentue muito rapidamente.
3. O investimento necessário em formação dos utilizadores.

1.2. O impacto do uso da internet sobre os canais tradicionais

O papel actualmente desempenhado pelas Agências de Viagens compreende quatro grandes


actividades:
- informar, aconselhar, reservar e vender. O potencial das novas tecnologias informáticas e a facilidade de
adaptação dos consumidores a estas, aponta para que as novas tecnologias venham a substituir
progressivamente o papel do agente de Viagens:
- Ao nível da informação e aconselhamento existem terminais interactivos, catálogos em CD-ROM,
serviços on-line que disponibilizam informação rápida ao cliente. O desenvolvimento de sistemas
inteligentes ainda que por vezes limitados poderão vir a substituir parte das actividades desenvolvidas
actualmente pelo Agente de Viagens.
- Em termos de reservas e venda, os obstáculos que inicialmente existiam começam a ser ultrapassados:
os programas de reserva directa oferecidos pelos próprios operadores ou por CRSs (Computerised
Reservation System) são já bastante fáceis de usar e os sistemas de transacção monetária cada vez mais
seguros.

2. Principais tendências do mercado

As novas tecnologias podem em parte ser utilizadas para optimizar o trabalho de uma agência, ou para
se criar um novo canal de venda. Nesta perspectiva são diversas as áreas que as novas tecnologias
poderão influenciar:
- Redução de custos - a comunicação efectuada através do correio electrónico quer dentro da empresa
(entre sede e filiais) quer entre a agência e os seus fornecedores começa a ser implementada por um
grande número de empresas e permite reduzir grande parte dos custos de comunicação e de impressão.
Também num futuro que se prevê próximo será possível viajar sem bilhete permitindo igualmente
reduzir grande parte dos custos de impressão (desmaterialização).
- Aumento da produtividade - a utilização de GDS introduziu um ganho de tempo. O facto de o terminal
ser um microprocessador permite automatizar numerosas funções tais como a facturação, a
contabilidade, os mailings de informação.
- Melhor gestão dos clientes - através do microprocessador pode ser construída uma base de dados de
clientes, que permitirá uma gestão inteligente dos contactos com clientes antigos em função dos
produtos que anteriormente consumiram, ou de informação de que se disponha acerca dos próprios
clientes (por exemplo, estar a par da data em que fazem anos de casados).
- Melhor serviço de venda - a utilização de tecnologias multimédia como os CD-ROM e brevemente a
realidade virtual, vêm suportar o processo de venda; mostrar a um cliente o quarto que este vai ocupar
ou apresentar os diferentes serviços que um navio ou cruzeiro oferece são informações que poderão
impressionar um cliente. Estas tecnologias são também uma ferramenta bastante útil para incentivar o
cliente a adquirir um produto de valor superior ao que ele previa inicialmente.

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

- Maior informação - o acesso à Internet permite às Agências de Viagens procurar novos fornecedores e
conhecer os seus produtos de um modo muito mais rápido; bem como procurar operadores turísticos
que possam vir a ser parceiros nos países dos destinos que divulga. Permite também à Agência de
Viagens recolher actividades culturais, de animação, restauração, entre outros, possibilitando-lhe assim a
oferta de mais informação ao cliente. Deste modo as Agências de Viagens terão maior facilidade na
montagem dos seus próprios produtos, podendo assim libertar-se da dependência dos operadores
turísticos.
Como canal de venda a Internet vem permitir às Agências de Viagens oferecerem os seus serviços on-
line, e no domicilio do comprador. O potencial de desenvolvimento do comércio electrónico, começa a
ser percebido por muitas Agências de Viagens que instalaram os seus sítios na Web, permitindo informar
os seus clientes sobre os seus produtos, promoções de última hora, conselhos de viagem, e até mesmo
fazer a encomenda de um produto ou serviço por correio electrónico. O sector do turismo tem vindo a
aumentar e prevê-se uma intensificação deste crescimento nos próximos anos;

2. Características de um site turístico

Os instrumentos promocionais são as ferramentas que permitem enviar mensagens a um público


determinado.
O logótipo
Um logótipo chama a atenção sobre as mensagens que deseja comunicar, identificando o seu emissor,
capaz de associar a ele certas ideias, e gerar opiniões e atitudes.

A marca
A marca identifica o produto e facilita a decisão de compra. A marca deve ser percebida pelo cliente
como uma oferta diferente da concorrência, sendo capaz de satisfazer as necessidades dos
consumidores da forma mais eficiente. Os estudos de mercado têm demonstrado que a percepção do
"valore funcional" varia quando se conhece a marca.
Enquanto instrumento promocional, a Internet é um meio de comunicação recente, mas que pelo seu
poder não ser ignorado. Ao contrário do material impresso tradicional, a Internet não dá acesso à
informação de uma forma sequencial. As páginas não são apresentadas automaticamente aos
utilizadores.
Estes têm de procurar o que querem, por isso a utilização é mais activa e os investigadores podem
investigar vários sítios e páginas, mudando de uns para outros. A Internet também utiliza imagens
animadas e som para dar vida às páginas.

Utilizar a Internet como meio promocional tem várias vantagens:


- Pode alcançar uma audiência directamente nos seus locais de trabalho ou nas suas casas.
- Poder utilizar imagens animadas, fotografias, pequenos filmes, texto e som para transmitir a
mensagem.
- Poder avaliar a utilização dos sítios e obter bastantes dados sobre o utilizador
- Poder funcionar como meio de distribuição e de comunicação, com a possibilidade de se poder fazer
reservas «on-line». (Briggs:1999:118)

Os Hotéis, os Operadores turísticos e os destinos turísticos podem beneficiar de uma apresentação mais
imaginativa e prática dos produtos. Os utilizadores poderão fazer um «download» de imagens e vídeos
de instalações e destinos turísticos para que possam ver o que vão comprar.
A publicidade na Internet está cada dia que passa mais sofisticada. Podem reunir-se grandes quantidades
de informação sobre os utilizadores da Internet, baseada no tipo de sítios a que os utilizadores têm
acesso com maior frequência, definindo os seus interesses e padrões de utilização. Pela primeira vez os
anúncios são criados imediatamente para uma audiência muito específica. Por exemplo os motores de
pesquisa«carregam» um anúncio de forma a condizer com a pesquisa pedida pelo utilizador. (Susan
Briggs, op. cit.)
Recentemente surgiu o que podemos designar por “Marketing Multimédia”. Um dos aspectos mais
importantes desta forma de marketing é que permite uma relação personalizada e interactiva com os
clientes. Um outro, refere-se à utilização de microcomputadores para aplicações específicas, os CD’s

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

(para apresentação de catálogos de produtos ou outras informações igualmente relevantes para os


clientes) e a Internet. Ao contrário das formas tradicionais da publicidade o Marketing Multimédia
fornece aos clientes a possibilidade de uma resposta imediata que, apesar das dificuldades que ainda
existem é possível de medir em cada instante. A utilização da multimédia desenvolveu-se devido a vários
factores de entre os quais:
- Factores tecnológicos, o desenvolvimento das redes das comunicações e das tecnologias de
informação, permite a armazenagem de bases de dados, com custos cada vez mais baixos, de
informações importantes dos clientes.
- Factores sociais, o modo de vida das pessoas hoje em dia leva a que as vendas à distância (quer seja
por correspondência através de catálogos, entregas ao domicilio) aumentem.
- O interesse dos clientes, os clientes hoje em dia têm acesso a muito mais informações, fazendo os seus
próprios estudos de mercado sobre preços e características dos produtos/serviços e ainda acesso às
recomendações das associações de consumidores.

Preço
Um dos aspectos mais preocupantes para os hoteleiros está no pricing, isto é, toda a metodologia que
leva a determinar o preço para uma noite num quarto de hotel. Deve ter em conta o que está a fazer a
concorrência e o comportamento da procura como factores externos. Internamente, tem tudo a ver
com ocupação prevista para determinado momento e de orçamentos, cuja descodificação está por vezes
só ao alcance dos directores de hotéis e dos accionistas, e de múltiplos factores que levam a que
determinado quarto, em determinado dia, a determinado cliente tenha um preço estrategicamente
calculado. Há ainda o glamour que faz com um hotel de cinco estrelas não seja comparável com um de
três. Aqui entra localização, arquitectura, decoração, marca, qualidade oferecida e percebida pelos
hóspedes que os leva a estar dispostos a pagar um preço por aquilo tudo.

4. Principais aplicações informáticas utilizadas na actividade turística.

Newhotel
Software é sinónimo de experiência, know-how especializado e inovação tecnológica bem como a marca
reconhecida internacionalmente como das mais sofisticadas famílias de aplicações informáticas para
gestão de Hotéis, Cadeias Hoteleiras e áreas relacionadas. Internacionalização Newhotel goza de sólida
reputação como um software recomendado para as mais exigentes e completas instalações hoteleiras do
Mundo. Permite perfeita adaptação às regras de negócio, modelos de gestão, impostos e requisitos de
qualquer região ou país. Integração Hotéis, grupos, centrais de reservas, restaurantes, bares,
centros de convenções, eventos, spa, wellness, golf e outros negócios de turismo podem ser geridos de
forma separada ou totalmente integrada pelo software Newhotel, assegurando excelentes níveis de
gestão, controlo e serviço ao cliente.
Multi-idioma Todos os módulos de software Newhotel estão disponíveis em múltiplos idiomas,
permitindo a vários utilizadores operar simultaneamente no mesmo computador ou rede, cada um
utilizando o seu próprio idioma para dialogar com o sistema.
Multi-moeda Preços, contratos, relatórios financeiros, vendas e facturação podem ser aplicados em
diferentes moedas dentro de uma mesma instalação. Também suporta o uso de duas moedas base,
prática corrente em vários países.
Inovação Durante 25 anos o software Newhotel tem estado na primeira linha da evolução no que toca a
tecnologia aplicada ao mercado hoteleiro. Foi, por exemplo, uma das empresas pioneiras no mercado
internacional a oferecer uma arquitectura integrada completamente desenvolvida em ambiente
Microsoft.

Sistema Central Galileo

O Sistema Central Galileo é um conjunto de diferentes produtos, especialmente, desenhados e


concebidos para satisfazerem as necessidades dos Agentes de Viagens em qualquer parte do mundo,

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

formando o 1º Sistema Global de informação e distribuição de produtos e serviços de viagens, tais como
reservas Aéreas, Hotéis, Rent-a-Car, Espectáculos, Cruzeiros, Tours, Limusinas, entre outros. O Sistema
Galileo é um CRS -Computer Reservation System, também conhecido por GDS - Global Distribution
System.Os CRS's surgem na década de 40 numa altura em que as viagens de avião começaram a tornar-
se banais, tendo algumas Companhias Aéreas começado a ter necessidade de gerir a capacidade de
lugares nos seus voos. O 1º CRS a surgir é o PANAMAC, da PAN AMERICAN, seguido logo por outros,
como o Sistema APOLLO da UNITED AIRLINES, do SABRE da AMERICAN AlRLINES e do PARS da TRANS
WORLD AIRLINES.

No inicio estes Sistemas serviam exclusivamente para a gestão e controle interno das reservas de
lugares das próprias Companhias Aéreas. Com o passar do tempo, e fruto do avanço tecnológico surgem,
também, bases de dados de tarifas e informações internas variadas. Em 1949, 11 Companhias Aéreas
fundam a SITA -Sociedade Internacional de Telecomunicações Aeronáuticas, no intuito de rapidamente
obterem uma solução económica e segura para as suas necessidades de telecomunicações. É através
desta entidade que se processam a quase totalidade das telecomunicações entre Companhias Aéreas.
Na década de 70 os Sistemas de Reservas começaram a incluir a distribuição de reservas de Hotéis e
Carros. Estes Sistemas de reservas começaram a ser utilizados nas Agências de Viagem, levando ao
surgimento de outras necessidades como é o caso da automatização do TIM (Travel Information
Manual), a verificação automática de Cartões de Crédito, entre outras. Até há pouco tempo os Sistemas
de Reservas que existiam nas Agências de Viagem eram pertença de uma Companhia Aérea em
particular, e, obviamente, visavam unicamente aumentar as vendas nessa Companhia Aérea. Em 1987
surge o Sistema Galileo, sendo este o primeiro Sistema de Reservas ou CRS especificamente desenhado e
desenvolvido para satisfazer as necessidades das Agências de Viagem. Em 1992, torna-se o 1º CRS
Global, a nível Mundial, posição que detêm até à actualidade. No mercado Português, Portugal
Continental e ilhas da Madeira e Açores, o Galileo detêm actualmente 97% de quota de mercado.

Amadeus

Nas últimas duas décadas, o Amadeus tem sido um dos líderes na distribuição global de reservas aéreas.
Agora somos muito mais. A nossa tecnologia potencia um grande número de negócios relacionados com
a indústria das viagens a nível mundial. Em Portugal somos um dos parceiros tecnológicos de referência
para as agências de viagens, sejam pequenas agências ou grandes grupos, sejam tradicionais ou on-line,
independentemente do tipo de clientes para os quais orientam o seu negócio.

Um vasto conjunto de soluções tecnológicas, desenhadas para melhorar os resultados das agências
através do aumento da produtividade e da optimização de custos, todas elas com o máximo nível de
qualidade de serviço.

Com a nossa carteira de produtos procuramos dar resposta a todas as necessidades das agências de
viagens, através da disponibilidade de uma oferta mais ampla e fiável que outros provedores de viagens:
ferramentas orientadas para a optimização dos processos de venda através de todos os canais possíveis;
soluções desenhadas para melhorar a gestão interna das agências, equipamento informático e
comunicações para obter o máximo rendimento do sistema Amadeus.

5. Tecnologias da informação
5.1. Companhias aéreas
( ANALISAR COM OS FORMANDOS SITES DE COMPANHIAS AÉREAS)

5.2. Hotéis e empreendimentos turísticos


( ANALISAR COM OS FORMANDOS SITES DE EMPREENDIMENTOS TURISTICOS)

5.3. Operadores de turismo


( ANALISAR COM OS FORMANDOS SITES DE OPERADORES TURISTICOS)

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Disciplina: TIAT Turismo – Informação e Animação
Turística

5.4. Agências de viagens


( ANALISAR COM OS FORMANDOS SITES DE AGENCIAS DE VIAGENS)

5.5. Destinos

( ANALISAR COM OS FORMANDOS SITES DE DESTINOS TURISTICOS)

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