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Eder Leandro de Paula


Eliete Gomes de Araújo

A PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS EM


DISCENTES DE ENFERMAGEM DE INSITUIÇÕES PÚBLICAS E
PRIVADAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a


Faculdade de Quatro Marcos – FQM, em
cumprimento às exigências para obtenção do grau
de Bacharel em Psicologia, sob orientação da
Profª Juliana Perini Cumini.
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São José dos Quatro Marcos – MT, Novembro de 2012


Eder Leandro de Paula
Eliete Gomes de Araújo

A PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS EM


DISCENTES DE ENFERMAGEM EM INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E
PRIVADAS

Monografia submetida a Banca Examinadora designada pelo Colegiado do Curso de


Psicologia, da Faculdade de Quatro Marcos, como parte dos requisitos para
obtenção do grau de Bacharel em Psicologia.

Aprovado em : ______/_______/_______

Professor (a): ______________________________________


Integrante da Banca Examinadora

Professor (a): ______________________________________


Integrante da Banca Examinadora

Professor (a): ______________________________________


Integrante da Banca Examinadora
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São José dos Quatro Marcos – MT, Novembro de 2012

Dedicatória

Dedico este trabalho as pessoas próximas, que neste caminho a qual


dediquei tanto tempo, tempo este a priori delas, me incentivaram a lutar por este
sonho.
Dentre elas minha esposa, com a qual tive o oportunidade de conhecer,
namorar e casar dentro desse tempo de Faculdade, obrigado minha Princesa e
agradeço também a família Sena por motivos muito óbvios.
A minha família, Mãe, Cris, Flávia, Robson, Diogo, e as crianças que suportou
e me confortou sempre nas alegrias e dissarbores no transcorrer desses 4,5 anos.
A minha igreja, Pastor Fernando e Pastora Meiri, que me acolheram sempre,
literalmente desde o 1° dia da minha chegada ao Mato Grosso.
A minha ex-patroa, Maria Isabel, e aos amigos que fiz no Posto Caçulinha,
que me acompanharam praticamente até o último momento.
A minha primeira professora Maria e aos professores da FQM, Fabiana,
Betânia, Carlos, Deusa, Robson, Ângela, Anderson, Juliana e tantos que me
ajudaram a fomentar/multiplicar o saber e a preocupação para com o outro.
Meus amigos que marcaram um tempo muito importante aqui no MT, Pablo,
Matheus, Max, Compadre Zampieri (rsr)!!!
E a todos meus amigos de sala pelos momentos memoráveis que passamos!
A todos estes meu carinho e obrigado!

Por Eder Leandro de Paula


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Dedicatória

Dedico está monografia a minha família pela fé e confiança demonstrada.


Aos amigos pelo apoio incondicional.
Enfim a todos que de alguma forma tornaram este caminho mais fácil.

Por Eliete Gomes de Araújo


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Agradecimentos

Agradecemos a Deus por ter nós concebido vida, paz e tranquilidade em todos os
momentos da nossa vida.

A nossa família, pela compreensão de nossa ausência, pelo apoio, carinho e mais
por fazer este sonho tornar possível.

A todos os nossos Amigos, pela amizade e seu apoio incondicional. O nossos


sinceros agradecimentos.

A nossa Orientadora, por todo apoio e carinho.

Aos nossos Mestres, pelo carinho e dedicação.

Aos discentes das IES FQM e UNEMAT, que aceitaram a participar deste estudo,
sem o qual este trabalho não teria êxito.
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“A educação exige os maiores


cuidados, porque influi sobre toda
vida.”
(Sêneca)
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Resumo

O transtorno mental caracteriza-se por falha do indivíduo em comportar-se de


acordo com as expectativas de sua comunidade, afetando-lhe cada aspecto e
refletindo-se em seus pensamentos, sentimentos e ações. Este estudo tem como
objetivo conhecer a prevalência do Transtorno Mental Comum (TMC), dos discentes
do Curso de Enfermagem nas Instituições de Ensino Superior publica e privado. Foi
realizado um estudo de corte transversal de caráter descritivo, com aplicação do
Questionarei - SQR-20 (WHO, 1994) e um questionário socio-econômico, aplicado
dentro de sala de aula. Foi analisado um total de 161 estudantes, de ambos os
sexos, regularmente matriculados (período diurno e noturno), no curso de
Enfermagem na Universidade - UNEMAT (Pública) e na Faculdade de Quatro
Marcos - FQM (Privada). No universo de tantos alunos entrevistados, os resultados
apresentados na IES privada (98) discentes equivalem à 60,87% do total da
amostra. Na IES público foi coletado um total de (63) participantes resultando
(39,13%) da amostra total. A análise dos dados revelou algumas características
sócio-demográficas relevantes para prevalência do TMC nas duas IES, dentre elas
(sexo, cor da pele, com companheiro, sem ou com filhos), no sexo a prevalência foi
maior no sexo feminino com (39,25%), cor da pele o percentual apresentado maior
ficou com a branca (41,51%), sem companheiro (38,22%) e com um filho a
prevalência global foi de (42,85%). O presente estudo constatou uma prevalência
TMC de 36,02%, demonstrando assim um alto índice nos estudantes de
enfermagem pesquisados.

Palavras-chave: Transtorno, Prevalência, Enfermagem.


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Abstract

The mental disorder characterized by failure of the individual to behave according to


the expectations of their community, affecting every aspect and it reflected in their
thoughts, feelings and actions. This study aims to determine the prevalence of mental
health problems (TMC), the students of the Nursing Course in Institutions of Higher
Education publishes and private. We conducted a cross-sectional study was a
descriptive, with application of Questionarei - SQR-20 (WHO, 1994) and a socio-
economic questionnaire, applied within the classroom. We analyzed a total of 161
students of both sexes enrolled (daytime and nighttime) in Nursing course at the
University - UNEMAT (Public) and the Faculty of Quatro Marcos - FQM (Private). In
the universe of so many students interviewed, the results presented in private HEIs
(98) students are equivalent to 60.87% of the total sample. In IES public was
collected a total of (63) resulting participants (39.13%) of the total sample. Data
analysis revealed some socio-demographic characteristics relevant to the prevalence
in both TMC IES, among them (gender, skin color, with a partner, with or without
children), sex prevalence was higher in women with (39, 25%), skin color, the higher
percentage was presented with a white (41.51%), unmarried (38.22%) and a son was
the overall prevalence (42.85%). With shows, Rimmer, and Halikas Schuckt (1982),
in studies of college students, highlight a prevalence of 14% to 19% of problems
suggested in moments of academic life.

Keywords: Disorders, Prevalence, Nursing.


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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................................10

1. ENSINO SUPERIOR NO BRASIL..........................................................................12

1.1 Educação E Seu Processo Histórico....................................................................12

1.2 Desafios Da Educação No Ensino Superior Para A Atualidade..........................17

2. HISTORICIDADE DOS TRANSTORNOS MENTAIS..............................................20

3. CONCEITOS DE TRANSTORNOS MENTAIS E TRANSTORNOS MENTAIS


COMUNS.....................................................................................................................23

4. PESQUISA E METODOLOGIA...............................................................................26

5. RESULTADOS.........................................................................................................29

6. DISCUSSÃO...........................................................................................................37

7. CONCLUSÕES.......................................................................................................40

REFERÊNCIAS...........................................................................................................42

APÊNDICE..................................................................................................................45

Apêndice 1.................................................................................................................46

Apêndice 2..................................................................................................................48
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INTRODUÇÃO

O TMC – Transtorno Mental Comum – é um termo cunhado por GOLDBERG


& HUXLEY, (1992). Esse acometimento, ainda pouco conhecido, vem apresentando
um grande número de pesquisas (SILVA, 2008; ARAÚJO, 1999; ARAÚJO, PINHO &
ALMEIDA, 2005; ARAÚJO et al, 2003; Who, 1994; SANTOS, ARAÚJO & OLIVEIRA,
2009; KAC et al, 2006; GRANJEIRO, 2011; GONÇALVES, STEIN & KAPCZINSKI,
2008, CERCHIARI, CAETANO & FACCENDA, 2005).
O TMC têm sido utilizado para categorizar distúrbios não-psicóticos muito
devido “a várias questões conceituais e metodológicas imbricadas no diagnóstico
dos distúrbios não-psicóticos, especialmente as que se referem a distinção de
depressão e ansiedade (CERCHIARI, CAETANO & FACCENDA, 2005)”. Tais
distúrbios tem apresentado uma prevalência de 90% das morbidades psiquiátricas
nos países ocidentais (GOLDBERG & HUXLEY, 1992 apud CERCHIARI, CAETANO
& FACCENDA, 2005).
O TMC é um transtorno, que segundo SILVA (2008), tem por sintomas
característicos insônia, fadiga, esquecimento, irritabilidade, queixas somáticas, baixa
concentração, sem contudo enquadramento no pródromo de um transtorno mental
mais grave. Com essas características sintomáticas o mesmo pode chegar a
minimizar a produtividade de um indivíduo (SILVA, 2008) e consequentemente
impactar sobre as atividades que este tenha necessidade de realizar, seja
profissionalmente ou dentro de uma IES, como um acadêmico.
A partir dessa contextualização pode-se dizer que o estopim para a
formulação do recorte da pesquisa é o estudo de SILVA et al (2008). Este autor
pesquisou sobre o TMC e a correlação com algumas variáveis sócio-econômicas em
trabalhadores de enfermagem num hospital do Rio de Janeiro. Dessa forma surge a
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pergunta de como/qual seria a diferença entre os formados e os que ainda são


estudantes.
Um estudo de CERCHIARI, CAETANO & FACCENDA (2005) já havia
estudado esse transtorno em vários cursos, inclusive com estudantes de
Enfermagem, da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul. Ele encontrou uma
prevalência de 34% com os estudantes de enfermagem, ou seja maior que os
resultados da pesquisa de SILVA et al (2008) que ficou em 23,6% com os
trabalhadores.
Dessa forma buscando um recorte que pudesse contemplar um crescimento
de conhecimento sobre essa temática, buscou-se estudar o TMC incluindo a IES
privada no recorte, aumentando assim o entendimento sobre essa o fenômeno.
Ressalta-se também o estudo de REGO (1992 apud SILVA et al, 2008) que
encontrou com profissionais de Enfermagem e Médicos uma prevalência de 29%, o
que aponta uma necessidade de mais pesquisas.
O trabalho foi divido em 8 partes, sendo está “Introdução” a primeira parte. A
finalidade dessa introdução é conseguir dar um panorama de algumas questões
relacionadas ao TMC e um panorama da estrutura de trabalho desta pesquisa. No
capítulo seguinte sobre o “Ensino Superior no Brasil” foram trazidas as questões
históricas e atuais imbricadas no processo educacional brasileiro. Em “Transtornos
Mentais” busca-se trazer uma análise do avanço nos conceitos utilizados na história
da civilização. Na sequência dos capítulos tem-se alguns conceitos sobre os
Transtornos Mentais e Transtornos Mentais Comuns.
Em “Pesquisa e Metodologia” temos os referenciais da pesquisa, dos
instrumentos utilizados e como forma utilizados. No quinto capítulo, “Resultados”, é
apresentado os dados de tudo que foi avaliado. Em a “Discussão” temos a analise
dos dados encontrados com os de outras pesquisas na área. E a “Conclusão que
oportuniza uma análise final dos resultados, suas implicações dentro da área e
recomendações para um pesquisa futura na área.
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1. ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

“O sistema nacional de educação superior ainda não


está aberto as amplas camadas populacionais no Brasil”
OLIVEIRA et al ( s.d.)”

1.1 EDUCAÇÃO E SEU PROCESSO HISTÓRICO

Haja visto que não existe modelo educacional uníssono para todos os povos e
culturas, as possibilidades e dinâmicas político-pedagógicas são as mais diversas
possíveis (VAZ, 2012). A realidade brasileira possibilitou uma situação de igual forma
peculiar, muito determinado pela gama de situações imperativas em sua época de
descoberta e ascensão territorial e socio-política (APRILE & BARONE, 2009).
A história da Educação no Brasil pode ser dividida, de acordo com BELLO
(2001), em Período Jesuítico (1549 - 1759), Período Pombalino (1760 - 1808),
Período Joanino (1808 – 1821), Período Imperial (1822 - 1888), Período da Primeira
República (1889 - 1929), Período da Segunda República (1930 - 1936), Período do
Estado Novo (1937 - 1945), Período da Nova República (1946 - 1963), Período do
Regime Militar (1964 - 1985) e Período da Abertura Política (1986 - 2003).
De acordo com o mesmo autor compreender a história da educação no Brasil
não é tarefa difícil, para este a história da educação no Brasil “evolui em rupturas
marcantes e fáceis de serem observadas” (BELLO, 2001).
“Nos primórdios a educação no Brasil esteve a cargo da Companhia de Jesus
(MENDONÇA, 2005)”. Esse é o período Jesuítico (1549 - 1759) marcado pela
criação de escolas de instrução elementar, pelo método pedagógico que estes
trouxeram para o ensino e pela expulsão dos Jesuítas pelo Marque de Pombal, haja
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visto que a formação oferecida pelos padres não era consoante com as
necessidades do estado (BELLO, 2001).
O período Pombaliano (1760 - 1808) foi marcado pela decréscimo gritante do
número de escolas. Dos 17 colégios e seminários exitentes em 1759, restaram 5, o
mesmo número que havia após 21 anos dos Jesuítas no Brasil em 1570 –
retrocesso. E também as más condições de trabalho e remuneração para os
professores mal instruídos (BELLO, 2001).
Atentando somente para estes fatos não é de se estranhar que o surgimento
da primeira universidade no Brasil tenha sido protelado por quase trezentos anos,
ainda mais curioso é que os espanhóis em suas colônias já no séc. XIV fundaram
universidades, inclusive, com o consentimento do Papa (OLIVEN, 2002;
MENDONÇA, 2000).
Com a passagem da Família Real em 1808 pelo Brasil, primeiro na Bahia e
depois no Rio de Janeiro, “mudanças alteram o setor cultural e político colonial”
(MENDONÇA, 2005), havendo assim a oportunidade para a criação dos primeiros
cursos de formação acadêmica na área médica, militar e artes (OLIVEN, 2002). O
ensino público nesse momento é “estatal e religioso, continuando como o do sistema
colonial, favorecendo a elite brasileira. Foi um período de grande resistência à
criação da universidade brasileira (MENDONÇA, 2005)”.
O Período Joanino (1808 – 1821) é marcado assim pela vinda da coroa
portuguesa para a colônia, fugitiva devido avanço das tropas napoleônicas em
Portugal. Dessa forma, para atender as necessidades da coroa, o Rei D. João VI
abriu Academias Militares, Escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim
Botânico e a Imprensa Régia (OLIVEN, 2002; BELLO, 2001).
Mas, no entanto a educação continuou em segundo plano (BELLO, 2001).
OLIVEN (2002) cita que os comerciantes da Bahia dispuseram-se a contribuir
significativamente com a criação de uma universidade, em resposta foi criado um
curso de Cirurgia, Anatomia e Obstetrícia.
Nesse interstício se evidencia uma preocupação em manter a dependência da
colônia brasileira com a Coroa portuguesa, ou seja, a política oficial lusitana era a de
perpetuar o domínio da colônia cerceando as possibilidades emancipatórias,
territoriais ou intelectivas (FAVERO, 2006). Dessa forma essa preocupação lusitana
contribuiu para a demora na criação de uma universidade em terras tupiniquins,
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ainda tendo por base que durante estes 3 séculos apenas 2.500 jovens,
aproximadamente, da elite brasileira (portugueses nascidos no Brasil) graduaram-se
em Universidades no Velho Continente (MENDONÇA, 2000; APRILE & BARONE,
2009), ou seja um número ínfimo que não chega nem perto de 10 formandos por
ano!
Esse atraso se deve muito pelo fato de que os positivistas viam o modelo
europeu como medieval e ligado a igreja (MENDONÇA, 2005). Outro autor (OLIVEN,
2002) comenta o fato/problema de que o modelo europeu era distante da realidade
brasileira, dessa forma irreplicável. Fica evidente assim que o Brasil nunca teve um
modelo de universidade próprio, “valendo-se sempre de exemplos e de experiências
de Países centrais... (APRILE & BARONE, 2009)”.
É importante frisar que “desde o seu advento, a educação superior no País
esteve voltada para os filhos das famílias da elite social e econômica (APRILE &
BARONE, 2009), pois em alguns textos contemporâneos tem-se apontado que essa
realidade vivenciada nos primórdios da história do ensino superior tem permanecido
ainda de certa forma, e mesmo com as políticas atuais de acesso (ZAGO, 2006;
OLIVEIRA et al, s.d.; FRANCO, 1985; CAÔN & FRIZO, s.d.; APRILE & BARONE,
2009) tem-se encontrado um novo desafio: a permanência (OLIVEIRA et al, s.d.;
APRILE & BARONE, 2009; ZAGO, 2006).
No Período Imperial (1822 - 1888) D. Pedro I autorga, em 1824, a primeira
constituição e o art. 179 desta prevê que a instrução primária é gratuita para todos
os cidadãos.

“Pela constituinte a religião católica era a religião do estado. Este


fator não significa que o ensino no império fosse secularizado.
Depois da independência formaram-se dois setores, o ensino estatal
(secular) e o ensino particular (religiosos e secular)”. (MENDONÇA,
2005).

Em 1834 o Ato Adicional à Constituição dispõe que as províncias seriam


responsáveis pela administração do ensino primário e secundário. Pensando nas
dimensões territoriais do Brasil e o desenvolvimento lento das províncias os
resultados obtidos foram pífios (BELLO, 2001). Para este autor até a proclamação
da República em 1889 nada de concreto se fez pela educação no Brasil.
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No Período da Primeira República (1889 - 1929) temos duas reformas


estranhamente antagônicas, e que retardando o avanço educacional mais uma vez.
A Reforma de Benjamin Constant foi um reforma que privilegia a formação de alunos
para os cursos aliada a uma formação mais científica em detrimento da literária. Já a
Reforma Rivadávia Correa tinha por objetivos formar cidadãos e buscava uma
formação mais literária. Nenhuma das reformas obtiveram os resultados esperados
(BELLO, 2001).
Outro fato relevante citado MENDONÇA (2005) trata do número de escolas
superiores criadas na República Velha, entre 1891 a 1910, 27 escolas, algumas que
futuramente se tornarão universidades. Essa é uma característica forte no esino
superior no Brasil, as primeiras universidades no início do séc. XX formaram-se a
partir do agrupamento de escolas preexistentes, ou seja utilizando de uma estrutura
já montada/construída sem na verdade criar realmente uma estrutura pensada para
uma faculdade.
A primeira universidade brasileira foi a Universidade de Manaus em 1909
(CAÔN & FRIZZO, s.d.) mas apenas em 1920 pelo Decreto nº 14.343 consolidou-se
formalmente a primeira universidade brasileira no Rio de Janeiro (OLIVEN, 2002). É
propriamente influenciado por esta lentidão federal em assumir a educação superior
que os estados (primeiro Amazônia, seguido por São Paulo e Paraná) criam as
universidades estaduais e passam por si mesmos assumir a responsabilidade pelo
ensino público superior de forma independente da federação (FAVERO, 2006).
Mesmo com as reformas de (1911 – Reforma Rivadária, 1915 – Reforma
Carlos Maximiliano) nenhuma delas até “1930 procurou resolver o grande problema
desta época que foi a inexistência de escolas preparadoras de professores, quase
todos autodidatas ou recrutados no império (MENDONÇA, 2005)”.
No Período da Segunda República (1930 - 1936) o Brasil consolida seu
sistema de produção capitalista o que resulta numa maior demanda de mão de obra
qualificada. Assim é criado em 1930 o Ministério da Educação e Saúde Pública e em
1931 são direcionadas políticas para o ensino secundário e as universidades futuras,
esses decretos são chamados de Reforma Francisco Campos (BELLO, 2001).
Outro fato importante é que a criação de universidades se passa num cenário
social onde não há um plano para a educação, a tônica imperante era basicamente
atender a necessidade de uma classe aristocrática da época (MENDONÇA, 2005;
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APRILE & BARONE, 2009; ZAGO, 2006). Alias, um marco presente na história da
educação brasileira é a descontinuidade nas políticas públicas para a educação
(BELLO, 2001).
Numa nova constituição, em 1934, é assegurado que a educação é direito de
todos, sendo dever sua execução pela família e estado. E nesse mesmo ano é
criada a primeira universidade no moldes políticos pré-estabelecidos em 1931 pela
Reforma Francisco Campos, a Universidade de São Paulo – USP.
Período do Estado Novo (1937 - 1945) é marcado por uma tendência fascista
e uma nova constituição. O papel do estado na educação ficou limitado a educação
primária, mantendo a obrigatoriedade e gratuidade desta. Os avanços conseguidos
na constituição de 1934 foram “enfraquecidas” com a nova constituição (BELLO,
2001). Em 1942 com o ministro Gustavo Capanema surge o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial – SENAI – valorizando o ensino profissionalizante.
Período da Nova República (1946 - 1963) marca o fim do Estado Novo e a
formulação de uma nova constituição mais liberal e democrática, reafirmando o
preceito de que a educação é direito de todos.
De 1946 à 1961 foi um período de grandes debates que culminaram com a
Lei 4.024 criada em 20 de Dezembro de 1961. Esta Lei foi aprovada sobre pressão
da Igreja Católica e dos donos de estabelecimento privados de ensino, sendo estes
os vitoriosos contra a ala que defendia a absolutismo estatal na educação. Com
essa lei as IES privadas tem sua base legal constituída para se consolidar na
educação superior brasileira (CAÔN & FRIZZO, s.d.). Esse período pode ser
percebido com grande efervescência para a educação (BELLO, 2001).
O Período do Regime Militar (1964 - 1985) foi um período em que todas as
propostas anteriores para a reformular a educação brasileira são abolidas, sendo
que a perseguição, prisão foi o regime característico deste período. Nesse período
acontece uma grande expansão das universidades no Brasil e a educação ganha
um cunho mais profissionalizante (BELLO, 2001).
Também neste Período do Regime Militar foram abolidas as cátedras, o
estabelecimento do uma carreira universitária aberta baseada no mérito acadêmico,
a criação dos departamentos como agentes de ensino e pesquisa, e criação dos
colegiados de curso (CAÔN & FRIZZO, s.d. apud MACEDO et al, 2005).
17

Já o Período da Abertura Política (1986 – 2003) se constitui com uma guinada


de foco das políticas implementadas, de um aspecto pedagógico para uma política
educacional (BELLO, 2001). No mesmo ano da formulação da Constituição de 1988
é encaminhado a câmara federal um projeto de lei para a nova LDB (Lei de
Diretrizes e Bases) pelo Dep. Octávio Elísio que só é aprovada em 1996 – 8 anos
depois. BELLO (2001) cita que mesmo que se possa questionar alguns programas
implementados, nunca anteriormente houveram tantos programas direcionados a
Educação como nesse tempo.

1.2 DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR PARA A ATUALIDADE

Inegavelmente houve um grande crescimento de alunos advindos/formados


no 2° grau, e assim tornaram-se aptos para ingressar em IES e consequentemente o
número de IES disponíveis para ingresso também necessitava ser incrementado
(MARTINS, 2009). “É importante destacar que, desde meados dos anos 1990, o
Estado vem incentivando e criando facilidades para a abertura e expansão de IES
privadas (APRILE & BARONE, 2009)”.
A reforma de 1968 foi importantíssima para o ensino público, pois extingue um
sistema antigo/arcaico que era cátedra vitalícia e assim deu-se iniciou um processo
de maior dinamização organizacional e de pesquisa, mas mesmo com todo esse
movimento não foi possível atender a demanda que se tinha por IES (MARTINS,
2009).
No texto de OYAMA (2002, apud CAÔN & FRIZO, s.d.) é denotado talvez
uma conseqüência desse processo: a mercantilização do ensino superior. Este autor
indaga o fato de que nem todas as atividades podem ser mercantilizadas. Mas torna-
se importante salientar que as IES privadas possibilitam o acesso ampliando o
número de vagas no ensino superior. Contudo, isto se deve as dificuldade
encontradas pelo estado para atender a necessidade de educação superior pública
e gratuita. Com o mundo do capital a educação torna-se imprescindível para um
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aprimoramento na mão de obra e pré-requisito para a mobilidade social 1 dentro


desta sociedade.
As políticas atuais se deparam com grandes desafios, de certa forma,
construídos com as demandas historicamente atuantes. “Cerca de 25% de possíveis
estudantes universitários não tem condições de estudar em uma IES mesmo se está
for gratuita” (ZAGO, 2006) e dessa forma alguns autores (OLIVEIRA et al, s.d;
APRILE & BARONE, 2009; ZAGO, 2006) comentam a carência de políticas voltadas
não unicamente para o acesso, mais também para a permanência no ensino
superior.
Entretanto um dos grandes problemas levantados e analisados por FRANCO
(1985) não tem existido somente no fato de uma lenta formação de universidades no
cenário brasileiro, e sim a quais grupos esse acesso é permitido, pois para o autor o
ensino superior é, “tradicionalmente, no pais, o lócus privilegiado de formação das
elites”.
FRANCO (1985) comenta que o vestibular “não é a única e nem talvez a mais
importante barreira de seleção efetuada na escola”. AZEVEDO (1963, apud
FRANCO, 1985) cita sobre os cursos como Medicina, Direito e Engenharia como
“apanágios das elites e aspirações de quantos que desejassem ascender
socialmente”.
OLIVEIRA et al (s.d.) comentam sobre o que ele chama de “competição livre
entre desiguais”, pois para o autor o exame vestibular é uma “estratégia velada de
reprodução das elites”. E infelizmente as alterações nos mecanismos seletivos para
o ensino superior não conseguiram “alterar o panorama da seletividade social”.
Os autores (OLIVEIRA et al, s.d.; FRANCO, 1985) acima aludem para o fato
que não é propriamente o vestibular que é responsável pela seletividade social, que
de acordo com os autores o vestibular estaria apenas “reproduzindo a seletividades
já existente na sociedade e na escola básica (OLIVERIRA et al, s.d.). Fato relevante
e importante sobre escola básica se analisado conjuntamente com um dado
apontado por MENDONÇA (2005), o pequeno decréscimo, mesmo após a queda do
Império e a ascensão da República, no número de analfabetos de 66,4% em 1872
para 60,1% em 1920 - “isto 30 anos após a instituição do regime republicano”, o que
1
Mobilidade Social entendida aqui é a busca na qual os indivíduos tentam alcançar um extrato social
acima do qual se encontram, através desse movimento alcançam situações, sociais e de
sobrevivência, mais favoráveis.
19

nos leva mas tardiamente a dificuldades de mão de obra qualificada dentro das
industrias, e assim menos remuneração, mais vulnerabilidades psicossociais, uma
avalanche de impactos insatisfatórios para o Brasil socialmente.
Uma tentativa do estado é através de políticas para desestratificar o acesso.
“Os programas de acesso ao ensino superior inserem-se no âmbito das políticas
inclusivas compensatórias. Tais políticas visam corrigir as lacunas deixadas pela
insuficiência das políticas universalistas. (APRILE & BARONE, 2009)”.
Com essas políticas de inclusão (FIES e PROUNI principalmente) o estado
deixa de aplicar mais massiçamente na educação superior pública. Fato esse
evidencia-se no sucateamento que algumas universidades passam,
desprestígio/desvalorização do corpo docente, falta de professores, no dinamismo
enrijecido de um processo educacional medieval, concentração de investimento em
pesquisa, políticas financiadoras de pesquisa capitalistas e greves infindáveis.
A esses problemas o estado se omite, ainda mais quando por meio das
políticas inclusivas que insere o excluído a sua própria sorte, não discriminando o
fato que a educação é um processo não se inicia numa IES. ZAGO (2006) comenta
o fato que é preciso investir na educação básica para consolidar efetivamente uma
real noção de “escolha”.
ZAGO (2006) comenta sobre a idéia da “escolha”, e que ao analisar esse
conceito percebe-se que debaixo desse termo existe “diferenças e desigualdades
importantes. SKINNER (1953/1981) tem atentado para variáveis ambientais que
controlam o comportamento, do individual ao social. O entendimento de escolha no
espectro behaviorista2 – filosofia que sustenta a Análise do Comportamento –
levanta a real ilusão do termo, acreditando que o comportamento é influenciado
grandemente não por uma motriz interna de desejos, mais sim por uma conjuntura
social singular (contigência ou metacontigências 3) e relevante para os indivíduos.
APRILE & BARONE (2009) fazem a ligação que existe das políticas inclusivas
que camuflam a diferença gritante de oportunidades construídas no cenário
brasileiro, com o direito constitucional a igualdade no acesso a educação. “A
ampliação do número de vagas foi considerável nos últimos anos, mas sua

2
Behaviorista é o adapto da filosofia do Behaviorismo que segundo BAUM (2006) é a crença da
possibilidade de uma ciência do comportamento.
3
Metacontingência para TODOROV (2004) “são relações contingentes entre praticas culturais e suas
consequências.”
20

polarização no ensino pago não reduziu as desigualdades entre grupos sociais


(ZAGO, 2006)”.
Uma questão central que surge dessa discussão é o “mérito” no processo
seletivo (vestibular). O “mérito”, numa certa ótica, pode ser na verdade uma maneira
branda, velada, de legalizar o direito a discrepância faraônica possibilitada na
entrada ao mundo acadêmico, escondendo ou aceitando sua real causa e
conseqüências.
Em se tratando de contribuir para que o ingressante na IES esteja
familiarizado com a dinâmica acadêmica, o ensino médio poderia dinamizar-se. O
processo educacional pelo qual os estudantes de 2° grau tem experênciado está
muito aquém para uma formação socialmente idealizada. A formula educacional
utilizada é a mesma de séculos e ainda se apresenta distante dos aparatos
tecnológicos tão disseminados entre os mesmos estudantes, deixando soar um
modelo educacional regressivo, arquitetando um futuro e perdido no tempo.
21

2. HISTORICIDADE DOS TRANSTORNOS MENTAIS

Ao longo da historia da humanidade, já se tinha uma percepção de


comportamento normal, e padrões de comportamentos desviantes. Em diferentes
momentos da historia podemos notar que esses comportamentos desviante
receberam vários nomes e classificações.
Na Grécia antiga, os doentes mentais eram vistos com bons olhos, pois
entendiam que pelo o fato de falarem sozinhos, estavam conversando com Deus.
Diferente da Grécia a partir do século XV, a igreja passou a mandar para fogueira
todos que ameaçassem sua soberania, pois se estes realmente falavam com Deus,
como a igreja poderia afirmar seu poder aos fies.
Em relatos indivíduos portadores de deficiência mental, eram tratados como
pessoas endemoniadas, e o único método de tratamento era um corte feito no
orifício da cabeça conhecido como Trepanação, terapias feitas por curandeiros, pois
se tinha convicção que, abrindo o crânio, eles "liberariam" espíritos ruins ou
“demônios” que habitavam no corpo do paciente.
Na cultura ocidental por exemplo, os indivíduos com esses comportamentos,
eram vistos como pessoas negativas e influenciadas por demônios. Como neste
período a lei era a igreja, e mantinha um poder sobre a sociedade, essas pessoas
eram abandonadas por estarem possuídas ou levadas para a igreja e lá eram
exorcizadas.
Já na idade média, pessoas com padrões de comportamentos desviantes
eram chamados de “loucas”,e trancafiados juntos ao criminosos, para afastá-las das
pessoas ditas como “normais”.
Cabe aqui mencionar as palavras de Foucault acerca da exclusão...
22

“Criam-se (e isto em toda Europa) estabelecimento isto é


internação que não são simplesmente destinados a receber os loucos,
mas toda uma sério de indivíduos bastante diferentes uns dos outros,
pelo menos segundo nos critérios de percepção: encerram-se os
indivíduos pobres, os velhos na miséria, os mendigos, os
desempregados e opineáticos, os portadores de doenças venéreas,
libertinos de toda espécie, pessoas a quem a família ou o poder real
querem evitar um castigo público, pais de famílias dissipadores,
eclesiásticos em infração, em resumo todos aqueles que, em relação à
ordem da razão, da moral e da sociedade, dão mostra de ‘alterações’”.
(FOUCAULT,1968,p.78).

Com o avanço da medicina, iniciou um preocupação com estes individuo, pois


perceberam que estes comportamentos desviantes possuiam influencia sobres as
outras pessoas, então ao invés de trancarem juntos aos criminosos comuns, eram
trancados em asilo e manicômios para serem estudados e tratados.
Durante a Primeira Guerra Mundial, ouve grande avanços nos testes
psicológicos, os indivíduos eram classificados como doentes mentais, aqueles que
apresentava um QI abaixo de 80, os que apresentavam acima deste valor, até 120
eram consideradas pessoas normais.
O tratamento destes pacientes era submetido a todo tipo de maus tratos, foi
então que surgiu o trabalho de Phillippe Pinel.
Pinel era conhecido como um homem generoso, que possuía bondades, cheio
de atos caridosos para com os sofredores, incomum a sua época. Sem duvidas
Pinel teve diversas razões para ser considerado pioneiro no tratamento de
doentes mentais, sendo um dos precursores da psiquiatria moderna.
Os trabalhos de Pinel elevou a categoria dos doentes, antes tratados como
criminosos ou endemoniados, à condição de "homo sapiens" e a doença mental,
como o resultado de uma exposição excessiva à estresses sociais e psicológicos, e,
em certa medida, a danos hereditários, sendo que tais enfermidades decorreriam de
alterações patológicas no cérebro. Com isso, baniu tratamentos antigos tais como
sangrias, vômitos, purgações e ventosas, preferindo terapias que incluíssem a
aproximação e o contato amigável com o paciente, proporcionando-lhes, ainda, um
programa de atividades ocupacionais.
Ao final do século XlX surge varias tentativas de tratamentos, com algumas
contribuições da Psiquiatria Moderna, Sigmund Freud, Jean-Martin Charcort,
utilizando como tratamento a hipnose.
23

Atualmente se tem um tratamento razoável em comparativo aos descasos


anteriores, mas ainda existe muitas maneiras de melhorar a vida de indivíduos
portadores de deficiência mentais, umas delas talvez a mais importantes descrita
pelos autores dos Direitos Humanos e Legislação e a “que oferecem as boas
políticas, bons planos, bons programas que resultem em melhores serviços e o outro
mecanismo fundamental para obter melhor apoio a Saúde Mental é através de uma
boa Legislação”.
24

3. CONCEITOS DE TRANSTORNOS MENTAIS E TRANSTORNOS MENTAIS


COMUNS

Estudos epidemiológicos mostram uma estimativa elevada de pessoas que


sofrem de algum tipo de Transtorno Mental (TM). O número de indivíduos com TM
vem aumentando significativamente, isso que nós leva a um questionamento: quais
os possíveis fatores que estão desencadeando tal?
A expectativa de toda e qualquer pessoa e de se considerar alguém “normal”
dentro dos patrões estabelecidos por um grupo ou sociedade. Ser diferente é
chamar a atenção para “si” e para os demais, no qual nem sempre e bom e
confortável.
Diferenciar o que é normal daquilo que é anormal, nem sempre é uma tarefa
fácil, pois o que pode ser descrito como normal pra uns, pode ser anormal pra
outros. Como descreve a Antropologia, o conceito etnocentrismo consiste, pois, em
julgar como “certo” , ou “errado”, “feio” ou “bonito”, “normal” ou “anormal” os
comportamentos e as formas de ver o mundo dos outros povos a partir dos próprios
padrões de cultura, sendo algo diferente para todos os povos como uma
subjetividade de cada individuo.
A saúde mental é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde -OMS,
desde a sua origem, o que se reflete na sua própria definição de saúde, como “não
simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”, mas como “um estado de
completo bem-estar físico, mental e social”. Nos últimos anos, esta definição ganhou
um maior destaque, em resultado de muitos e enormes progressos nas ciências
biológicas e comportamentais. Estes, por sua vez, aperfeiçoaram a nossa maneira
de compreender o funcionamento mental e a profunda relação entre saúde mental,
física e social.
25

Definir transtorno mental é difícil pois não se trata de uma condição unitária,
mas sim de um grupo de transtornos com alguns pontos em comum. O termo
“doença mental” ou transtorno mental, engloba um amplo aspecto de condições que
afetam a mente.
Os estudos epidemiológico e psiquiatricos tem sido, em sua maioria realizados
em países ocidentais e os resultados indicam 90% da morbidade psiquiatra
encontrada refere-se a distúrbios não-psicóticos (GOLDBERG & HUXLEY.1992).
Alguns estudos tem utilizado nas categorias dignosticas mais amplas,
designando-as pos Morbirdade Psiquiatra Menores –(MPM; Mari, 1987), Transtornos
Mentais Comuns- (TMC; COUTINHO, 1995; FACUNDES, 2002; FACUNDES &
LUDEMIR, 2005; LUDEMIR, 2000) e Problemas Psiquiátricos Menores (PPM;
BENVEGNÚ, DEITOS & COPETTE,1996). Essa terminologias referem-se a
sintomas ansiosos, depressivos e somatoformes (COUTINHO,1995).
Entre os TMC, é possível citar o estresse, a ansiedade, a insônia, a fadiga, a
irritabilidade e o esquecimento, além de queixas somáticas, como cefaléia e má
digestão – fatores esses que impossibilitam ao indivíduo manter o bom
funcionamento da mente e, consequentemente, do seu organismo em geral.
(GOLDBERG & HUXLEY, 1992).
Segundo SANTOS (2002), o TMC se refere à uma situação de saúde que o
individuo não preenchem os critérios formais para o diagnostico de depressão e/ou
ansiedade segundo as classificações DSM-IV (Diagnost and Statistical Manual of
Mental Discorders Fourth Edition) e CID-10 ( Classificação Internacional de Doenças
10ª revisão), mas que apresentam sintomas proeminentes que trazem uma
incapacitação funcional comparável ou até pior do que os quatros crônicos já bem
estabelecidos.
RIMMER, HALIKAS & SCHUCKT (1982), em estudos relativos universitários,
destacam uma prevalência de 14% a 19% de problemas sugeridos em momentos da
vida acadêmica. Por sua vez os transtornos mentais tem maior chance de surgir pela
primeira vez na vida adulta, principalmente no período universitário (CERCHIARI,
2004; MOWBRAY et al., 2006).
Ainda por FERNANDES & RODRIGUES (1993) e CERCHIARI, (2004), refere
as situações de perdas presentes no desenvolvimentos normal acentuam-se quando
os jovens ingressam na universidade, pois afetam o círculo conhecido de
26

relacionamentos familiares e sociais, o que podem desencadear situações de crise.


Portanto, têm-se encontrado maior taxa de sofrimento mental entre estudantes
universitários, se comparado com jovens da mesma idade que não estão na
universidade (ADLAF, 2001).
Vários estudos tem associado o TMC com algumas variáveis socioeconômica
com isso tem mostrados resultados relevantes. A prevalência dos fatores de risco
para o TMC, descritos em pesquisas brasileiras incluem: gênero feminino, baixa
escolaridade, renda, ocupação, desemprego, posse de bens duráveis e condições
de moradia. (COUTINHO et al, 1996; LIMA et al,1996; LUDERMIR & ELO FILHO,
2002).
27

4. PESQUISA E METODOLOGIA

O presente estudo tem como objetivo apresentar a prevalência do TMC no


grupo dos universitários de enfermagem nas instituições de ensino publico e privado
pesquisado. A partir da prevalência encontrada nesta pesquisa buscar-se-á verificar
se existe ou não uma discrepância/associação de resultados com de outra
pesquisas.
Esta pesquisa foi aprovado pelo CEP/FQM – Comitê de Ética em Pesquisa da
Faculdade de Quatro Marcos – tendo como registro n° 3712.
As ferramentas utilizadas para este trabalho estão o Self Report
Questionnaire - SQR-20 (WHO, 1994) e um questionário sócio-econômico. O
SRQ20 é composto por 20 questões do tipo sim ou não, sendo quatro sobre
sintomas físicos e dezesseis com sintomas psicossociais e sua validação para o
contexto nacional foi feito por SANTOS, ARAUJO & OLIVEIRA (2009) e
GONÇALVES, STEIN & KAPCZINSKI (2008). O número de respostas positivas
(sim) para suspeição utilizada por este estudo é 7 (sete) respostas, é a mesma
utilizada por estudos com características sistematicamente similares (SILVA et al,
2008; ARAÚJO, 1999; ARAÚJO et al, 2003; ARAÚJO et al, 2005).
O questionário sócio-econôminco, que foi utilizado para a pesquisa, tem 12
questões, com a finalidade de coletar dados referentes a vida do discente, moradia,
rede de apoio financeira e social, filhos, entre outras questões sócio-econômicas
relevantes para a pesquisa.
As amostras são resultado da coleta realizada na IES pública e privada em
duas oportunidades cada. Devido ao conhecimento e proximidade com a IES
privada a coletada foi realizada primeiramente nesta. A IES pública mais próxima foi
a UNEMAT/CACERES que gentilmente aceitou mediante ao parecer positivo do
28

comitê ética e dos documentos solicitados para viabilizar o coleta de dados nesta
IES. Por razões organizacionais dos pesquisadores não foi possível coletar mais
dados nesta unidade de ensino.
Para a análise de dados foi utilizado as funções de filtro e tabelas dinâmicas
do software Microsoft Excel 2003.
Esta pesquisa tem caráter descritivo transversal. A pesquisa de caráter
descritivo segundo Selltiz (1965 apud MARCONI & LAKATOS) podendo ser
qualitativos ou quantitativos". DÓRIA & TUBINO (2006) colocam vários aspectos
positivos deste tipo de pesquisa pois:

‘... as pesquisas descritivas incluem uma série de técnicas de


levantamento de dados, entre eles: questionário, entrevista
estruturada, entrevista semi-estruturada, pesquisa por telefone, por
e-mails, pesquisa interativa, questionário enviado pelo correio,
observação”.

As pesquisas descritivas caracterizam-se frequentemente como estudos que


procuram determinar status, opiniões futuras nas respostas obtidas. As técnicas
utilizadas para a obtenção de informações são bastante diversas, destacando-se os
questionários, as entrevistas e as observações.
Os estudos de corte transversal “visam estimar a freqüência de evento em
uma população num determinado período de tempo e caracterizar grupos de risco
(XIMENES & ARAUJO, 1995)”.
Assim esse tipo de estudo possibilita a investigação da “causa” e “efeito”,
averiguando a exposição a doença (SITTA, ARAKAWA & CALDANA, 2010). Ainda os
mesmo autores acima comentam das vantagens como o baixo custo, simplicidade
analítica, rapidez e representatividades das amostras. A principal crítica colocada
desses autores quanto a essa característica de estudo é a questão dele não
acompanhar os indivíduos no espaço-tempo.
Uma forma importante de conseguir a baixo custo e com certa rapidez os
dados necessários para uma pesquisa é através de questionários. De acordo com
GIL (1987, p. 124-132):

“... pode-se definir questionário como a técnica de investigação


composta por um número mais ou menos elevado de questões
apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o
29

conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses,


expectativas, situações vivenciadas etc.”

Ainda de acordo com GIL (1987) “a diferença fundamental entre questionário


e entrevista está em que nesta última as questões são formuladas oralmente às
pessoas, que respondem da mesma forma”.
30

5. RESULTADOS

O grupo amostral foi composto por 161 participantes, sendo que em sua
maioria da IES privada (98), equivalendo à 60,87% do total da amostra. Na IES
público foi coletado os dados ao total de 63 participantes resultando 39,13% da
amostra total. O grupo feminino foi composto por 85,09%. A idade média geral do
grupo amostral foi 23,01 anos (DP±5,58). Para o grupo feminino da IES privada
teve-se o percentual de 81,6% da amostra e para a IES publica 85,7%. Ao total
tivemos a participação de 24 homens na pesquisa.
No intervalo de freqüência de idade entre 35 à 41 anos haviam apenas 8
discentes dentro do grupo amostral, sendo que 7 destes na IES privada. O grupo
pesquisado possui 52,79% participantes com companheiro, sendo que 73,91% sem
filhos.
O semestre mais presente na pesquisa foi o 2° semestre, esteve com 33,54%
do grupo amostral total e o menor grupo amostral dos semestres pesquisados foi o
6° semestre, com 10,55% (17 participantes). O grupo étnico mais presente foi o
pardo com 74 participantes (45,96%) seguido por branco com 53 participantes
(35,85%). Os que moram com os pais foram ao total 74 participantes, totalizando
45,96% da amostra geral.
Em relação a situação financeira a maior parte dos discentes, 36,64%,
tiveram como resposta “Situação Equilibrada”, já a resposta “Controlando Gastos”
foram 32,29% e em “Dificuldade Financeira” 10,55%. Já em “Situação Favorável” se
auto-declaram 28 estudantes. O número de atividades sociais, sendo as acadêmicas
excludentes, foram baixas, a maioria tem apenas uma atividade social durante a
semana fora de sala de aula (41,61%).
Já em relação à vida profissional, 54,65% da amostra desses estudantes tem
algum vínculo empregatício paralelo a vida acadêmica. Apenas 12,42% dos
31

discentes são oriundos de escolas privadas, sendo que o maior número de discentes
que concluíram o 2° grau em escolas privadas está na IES pública. Fato relevante
haja visto que o menor grupo amostral foi o da IES pública. Outro fato interessante é
que a maioria dos discentes das instituições pesquisadas são da cidade onde
estudam, ou seja, moram e estudam na mesma cidade.
A prevalência de TMC presente nos dados do grupo amostral coletado foi em
geral de 36,02%. O grupo amostral feminino, além de ser maior, foi o que
apresentou maior prevalência de TMC (39,55%) em relação ao homens (16,67%)
(Tabela 2).
Dentro do SRQ20 o grupo de resposta mais pontuado foi o Humor
Depressivo/Ansioso. Já o grupo de respostas mais sensível, ou seja, quando
respondido “sim” teve a maior prevalência de TMC (88,29%) foi o grupo
Pensamentos Depressivos. Na pesquisa de SILVA e col (2008) esse mesmo grupo
amostral foi o que revelou maior sensibilidade ao TMC.

TABELA 1: Numero e percentual de respostas positivas ao SRQ20 para TMC em estudantes de


Enfermagem de IES pública e privada.

Grupos de Sintomas N P %
Humor Depressivo
Sente-se Nervoso(a), tenso(a) ou preocupado(a) 105 52 49,52
Assusta-se com facilidade 58 34 58,62
Tem se sentido triste ultimamente 70 39 55,71
Tem chorado mais do que de costume 45 28 62,22
Sintomas Somáticos
Tem dores de cabeça freqüentes 68 39 57,35
Dorme mal 56 36 64,29
Tem sensações desagradáveis no estomago 52 34 65,38
Tem má-digestão 39 24 61,54
Tem falta de apetite 23 13 56,52
Tem tremores nas mãos 31 24 77,42
Decréscimo de energia vital
Cansa-se com facilidade 53 30 56,60
Tem dificuldades em tomar decisões 66 36 54,55
Tem dificuldade em realizar com satisfação
suas atividades diárias 47 36 76,60
Seu trabalho é penoso 15 11 73,33
32

Sente-se cansado o tempo todo 42 31 73,81


Tem dificuldade de pensar com clareza 41 22 53,66
Pensamentos Depressivos
É incapaz de desempenhar um
papel útil em sua vida 9 9 100,00
Tem perdido o interesse pelas coisas 31 26 83,87
Tem tido a idéia de acabar com a vida 8 7 87,50
Sente-se um pessoa inútil, sem préstimo 11 9 81,82
Legenda: N = número de estudantes positivos para o item; P = número de participantes com
suspeição para TMC dentro do item; % = freqüência resultante.

A prevalência de TMC encontrada no grupo de respostas étnicas (Tabela 2)


teve com o grupo étnico branco com 41,51% de prevalência, sendo que os discentes
de IES pública tiveram com prevalência de 47,37%, acima da média geral. No caso
dos estudantes da IES privada a prevalência foi menor ficando em 38,24%.
Em relação aos dados dos auto-referidos com companheiro na IES pública
obteve-se uma prevalência de maior que a média da amostra geral ficando em
42,42%. E na IES privada os dados mostram maior prevalência nos participantes
sem companheira (36,54%).

TABELA 2: Numero e percentual de respostas positivas ao SRQ20 e a sensibilidade destas para


suspeição de TMC em estudantes de Enfermagem de IES pública e privada.

Questionário Sócio-Econôminco N P %
Sexo
F 134 53 39,55
M 24 4 16,67
Cor de pele
Branca 53 22 41,51
Negra 20 8 40,00
Parda 74 23 31,08
Amarela/indígena 10 4 40,00
Sem resposta 4 1 25,00
Relacionamento
Com companheiro(a) 85 33 38,82
Sem companheiro(a) 69 23 33,33
Sem resposta 7 2 28,57
Filhos
0 119 41 34,45
33

1 21 12 57,14
2 11 2 18,18
3 6 2 33,33
4 0 0 0,00
Mais de 4 0 0 0,00
Sem resposta 4 1 25,00
Mantenedor
Pais 74 22 29,73
Estudante 30 13 43,33
Companheiro(a) 25 8 32,00
Estudante+família 18 7 38,89
Outro 10 7 70,00
Sem resposta 4 1 25,00
Gastos
Equilibrada 59 15 25,42
Situação financeira favorável 28 8 28,57
Controlando gastos 52 21 40,38
Dificuldade em equilibrar gastos 17 12 70,59
Sem resposta 5 2 40,00
Moro com
Pais 74 26 35,14
Sozinho 19 7 36,84
República 4 1 25,00
Outros 61 23 37,70
Sem resposta 3 1 33,33
Quantas vezes participo ativid. Extra
IES
1 67 23 34,33
2 34 14 41,18
3 24 7 29,17
4 7 3 42,86
Mais de 4 18 5 27,78
Sem resposta 11 5 45,45
Vínculo empregatício
Sim 67 33 49,25
Não 88 23 26,14
Conclusão escalo 2° grau
Pública 136 47 34,56
Privada 20 9 45,00
Moro nesta cidade
Para estudar 50 16 32,00
Já morava aqui 59 24 40,68
34

Não moro 48 18 37,50

Legenda: N = número de estudantes positivos para o item; P = número de participantes com


suspeição para TMC dentro do item; % = freqüência resultante.

A prevalência maior relacionada ao número de filhos foi para os discentes


com 1 filho (Tabela 2) e, ainda, estes quando de IES pública com 71,43%. Pode-se
inferir que o fato de não ter filhos influenciou estatisticamente uma prevalência
menor nesse grupo (34,45%).
Para o grupo de respostas relacionadas ao mantenedor (Tabela 2) a opção
“Outro” foi com alta prevalecia, 70%, ainda mais em IES pública (100%). Outra dado
importante em relação ao mantenedor do discente é que quando é o discente que se
mantêm a prevalecia resultou em 60%. No caso do estudante de IES privada que se
auto-referiu mantido por “OUTROS” a prevalência esteve acima da média em
57,14%.
Para o grupo de respostas relacionado a “Gastos versus situação financeira”
na opção “Dificuldade” os discentes de IES privada mostram alta prevalência para o
item (90,90%). Essa mesma questão na IES pública teve prevalência abaixo da
média global da pesquisa.
Já na IES pública a questão “Controlando gastos” apresentou mais
sensibilidade (54,17%). Os discentes da IES privada que responderam “Situação
favorável” tiveram uma prevalência (35,29%) próximo da média do estudo (36,02%).
Para o grupo de respostas relacionadas a “Moradia” o opção “Outros” foi a
que apresentou a maior prevalência principalmente na IES pública com 39,13%.
Também na IES pública o fato de morar “Sozinho” não resultou em maior
prevalência e sim menor (36,84%).
Morar com os pais nesta pesquisa não apresentou grande mudança
estatística de prevalência, sendo que os dados mostram um leve decréscimo em
relação a prevalência global para os discentes de IES pública (38,46%) e IES
privada (33,33%).
Para o número de atividades sociais que não sejam acadêmicas o estudante
de IES pública quando auto-referido até duas atividades houve uma prevalência de
45,08%, mas a média de prevalência entre o grupo que tem de 3 à mais de 4
atividades foi de 24%.
35

Em relação as atividades o fato de não ter atividades sociais extra-


acadêmicas, ou poucas atividades (0, 1 ou 2) apresentou um grupo amostral de
113 participantes (70,18%) e com 42 em suspeição para TMC (37,5%), abaixo da
média da pesquisa . A IES privada teve destes 98 participantes e a 63 na IES
pública. A prevalência dentro da IES privada ficou dentro da média geral da pesquisa
(35%), na IES pública a resultado ficou em 37% de prevalência.
O fator número de atividades parece influir na questão do sofrimento psíquico
avaliado principalmente para os discentes da IES pública, sendo que a prevalência
permanece mediana até duas atividades e após disso com 3 atividades a
prevalência reduz significativamente indo para uma prevalência de 29,17% (IES
pública 23,08% e IES privada 36,36%). Esses números são menores do que a
média geral encontrada na pesquisa. Sendo que essa melhora se acentua ainda
mais na IES pública (de 36,02% da prevalência global, para 23,08%).
Para compreender os resultados individuais dos estudantes dentro das
diferentes IES formulou-se a tabela a baixo.

Tabela 3: Analise das resposta mais prevalentes/relevantes dos discentes por IES
Grupo de Resposta com
correlação para suspeição de %
TMC PÚBLICA PRIVADA (TOTAL)
TOTAL TMC % TOTAL TMC %
Semestre
1° SEMESTRE 24 13 54,17 13 6 46,15 50,16
Gênero
F 54 23 42,59 80 30 37,50 40,05
M 9 1 11,11 15 3 20,00 15,56
Cor de pele
Branca 19 9 47,37 34 13 38,24 42,80
Negra 9 4 44,44 11 4 36,36 40,40
Parda 32 10 31,25 42 13 30,95 31,10
Relacionamento
Com companheiro(a) 33 14 42,42 52 10 19,23 30,83
Sem companheiro(a) 30 10 33,33 39 13 33,33 33,33
Filhos
0 49 17 34,69 70 24 34,29 34,49
Ter filho 14 7 50,00 24 9 37,50 43,75
36

Mantenedor
Estudante 5 3 60,00 25 10 40,00 50,00
Companheiro(a) 11 5 45,45 14 3 21,43 33,44
Estudante+família 7 2 28,57 11 5 45,45 37,01
Outro 3 3 100,00 7 4 57,14 78,57
Gastos
Controlando gastos 24 13 54,17 28 8 28,57 41,37
Dificuldade em equilibrar
gastos 6 2 33,33 11 10 90,91 62,12
Vínculo empregatício
Sim 11 7 63,64 56 26 46,43 55,03
Não 52 17 32,69 36 6 16,67 24,68
Conclusão escalo 2° grau
Pública 59 18 30,51 86 29 33,72 32,11
Privada 13 6 46,15 7 3 42,86 44,51
Moro nesta cidade
Para estudar 21 7 33,33 29 9 31,03 32,18
Já morava 42 17 40,48 17 7 41,18 40,83
Legenda: Total= participantes auto-referidos; TMC= Suspeição para TMC; %= prevalência percentual
resultante; %(TOTAL)= média geral dentro do grupo auto-referido.

Dentro das resposta relacionadas ao número de atividades não havia a opção


para nenhuma atividade, e assim supõe-se que a prevalência encontrada também
relaciona-se a questão de não ter atividade alguma, esse grupo “SEM RESPOSTA”
teve uma prevalência de 45,45%, sendo estes exclusivos da IES privada (5 de 11).
O fator trabalho foi relevante na amostra, haja visto que trabalhar aumentou a
prevalência em ambas IES. Na IES privada a suspeição de TMC ficou
percentualmente em 46,43%, e na IES pública em 63,63%. Já o não trabalhar
resultou em suspeições abaixo da média para as duas IES.
Os concluintes do 2° grau em escola privada tiveram resultados altos para
TMC, dentro das duas instituições. Os resultados desse grupo mostram uma
prevalência maior (45%) que a média geral (36,02%). Sendo que a prevalência
dentro desse grupo foi maior na IES pública com 46,15%. Fato importante é que os
concluintes do 2° grau de instituições privadas estiveram mais propensos que
aqueles de instituições públicas. Importante que é necessário lembrar dos limites
estatísticos da amostra pesquisada, é possível perceber algumas apontações que os
dados geram, mais devido o baixo numero de questionários respondidos é
necessário um cuidado fazer inferências.
37

A 12° pergunta e última pergunta foi “MORO NESTA CIDADE”, poderia ter
melhor formulação com uma nova opção, “NÃO MORO”, lembrando que muitos
estudantes da IES privada são das cidades circunvizinhas e se deslocam
diariamente para estudar, assim essa outra opção teria bastante relevância.
Aqueles que moram para estudar nas cidades onde estão as IES não
apresentaram índices mais altos que a média geral. Agora o fato de morar na
mesma cidade aumentou a prevalência em ambas IES (IES privada em 41,18%, IES
pública em 40,48%). E o fato de não morar – apenas presente na IES privada pois
na IES pública o curso alvo de pesquisa é integral, o que reduz essa possibilidade –
não foi correlacionada com aumento na prevalência (34,62%).
Outro apontamento correlacionado na pesquisa foi a questão de trabalhar e
ter concluído o 2° grau em instituição pública, os dados mostram suspeição para
TMC em IES privada de 44,2% e em IES pública de 66,7%.
38

6. DISCUSSÃO

Nesta discussão os dados serão correlacionados com os dados das


pesquisas já existentes na área e conjuntamente com os encontrados nessa
pesquisa.
Na pesquisa podemos perceber que a prevalência global encontrada de
36,02% é uma das mais altas, tendo MOREIRA (2011) encontrado numa população
assistida por PSF a prevalência de 43,70%, a mais alta encontrada nos estudos
observados. Se utilizarmos outros com grupos laborais como de PITTA (1990 apud
SILVA, 2008) com 20,8%, ARAÚJO et al (2003) de 33,3% com profissionais de
enfermagem e 29% no estudo de REGO (1992 apud SILVA, 2008).
O estudantes da IES pública apresentaram uma suspeição para TMC maior
(38,10%) do que aqueles da IES privada (34,69%).
A prevalência encontra por ARAÚJO et al (2005) num estudo com mulheres
foi de 39,6%, e a deste estudo esteve muito próxima 39,55%. Dessa forma pode-se
evidenciar uma associação entre gênero e TMC, e também uma certa proximidade
estatística dos dados.
No estudo de CERCHIARI, CAETANO & FACCENDA (2005) a prevalência
encontrada com estudantes de uma IES pública foi 25% da amostra global, sendo
que a prevalência maior foi com discentes de enfermagem com 34%, um pouco
abaixo do valor encontrado neste estudo (38,10%)
Idade e TMC neste estudo não apresentaram forte correlação. Entre 17 e 22
anos que houve o maior prevalência dentro das distribuições de freqüência com
37,23% da amostra.
A prevalência de suspeição para TMC encontrada no 1° semestre foi alta
(51,35%) se comparada a prevalência global de outros estudos já demonstrados e
deste estudo. Analisando o fato que estes estão possivelmente no primeiro contato
39

com a universidade e também as dificuldades encontradas no processo de entrada e


permanência em uma IES (OLIVEIRA et al, s.d.; APRILE & BARONE, 2009; ZAGO,
2006).
Foi identificado associação entre aqueles se auto-referiram “COM
COMPANHEIRO(a)” e TMC. A suspeição foi maior naqueles discentes de IES
pública que se encontram “COM COMPANHEIRO(a)”, ficando em 42,42%, 6 pontos
percentuais acima da média da pesquisa.
Ter filho neste estudo aumentou a prevalência de suspeição para TMC
(42,10%). No estudo de SILVA (2008) foi a ausência de filhos que aumentou a
prevalência (19,4% para participantes com filhos e 29,6% sem filhos). É de grande
relevância esse dado pois aponta a necessidade de ater-se as contingências
presentes na vida do discente e o resultado que estas passam a
desempenhar/significar para o indivíduo.
Outro dado importante fica na questão do discente de IES pública sustentado
por seu companheiro, a suspeição de TMC foi ligeiramente maior (45,45%). É de se
notar que para a IES pública o curso é diurno e assim poucos são os que
conseguem arrumar um trabalho que se enquadre nos horários do curso. Essa
situação pode ser uma de estresse para esse grupo pesquisado, pois à uma grande
dificuldade de conciliar trabalho a vida acadêmica.
Sobre os cursos diurnos na IES pública OLIVEIRA et al (s.d.) diz que “não há
justificativa plausível para se concentrar a oferta de cursos, prioritariamente, a luz
do dia”. Esse autor traz dados do INEP das matriculas em IES públicas de 2004 que
apontam que 63,9% das matriculas são em turnos diurnos, criticando inclusive a
ociosidade da estrutura pública no período noturno.
Os estudantes da IES privada que se auto-referiram, no grupo de perguntas
sobre a situação financeira, com “DIFICULDADE EM EQUILIBRAR GASTOS”
apresentaram suspeição para TMC de 90,90%, o que é muito expressivo pois
levando em conta a gama de efeitos do TMC, estes podem interferir no processo de
aprendizagem. Nesta mesma opção os estudantes de IES pública tiveram 33,33%
para suspeição de TMC. É obvio que o grupo amostral é baixo para fazer afirmações
contundentes, mas é interessante dar alguma atenção para este dado.
Não houve algum tipo de correlação estatística entre TMC e a opção “MORAR
COM”. De modo díspar foi possível correlacionar estatisticamente o TMC ao vínculo
40

empregatício do discente, sendo que trabalhar aumentou em praticamente duas


vezes (1,88) a chance para suspeição de TMC. No estudo de CERCHIARI,
CAETANO & FACCENDA (2005) o fato de não possuir atividade remunerada foi fator
“negativo” para a saúde mental, mas os dados levantados nessa pesquisa apontam
para o inverso. O fato de trabalhar na IES pública resultou numa prevalência de
63,64%, na IES privada 46,43%. Estes estudos são frutos de realidades diferentes, e
trazendo os autores OLIVEIRA et al, (s.d.), APRILE & BARONE, (2009) & ZAGO,
(2006) podemos inferir sobre as dificuldades em se firmar nas IES e a função do
vínculo empregatício para estes estudantes de localidades diferentes.
E de destacar que a prevalência maior (40,68%) para os estudantes que já
moravam na cidade da IES que estuda, revela o quanto os vínculos familiares
podem atuar de modo divergente daquilo que foi apontado por FERNANDES &
RODRIGUES (1993) e CERCHIARI (2004), podendo inclusive atuar aumentando a
prevalência de TMC.
41

7. CONCLUSÕES

Os resultados denotam um problema de saúde pública e, ainda mais, uma


demanda/desafio para as IES presentes nesse estudo. A prevalência global da
amostra foi alta (36,02%) quando comparada há outros estudos (SILVA et al, 2008;
ARAÚJO et al, 2003; CERCHIARI, CAETANO & FACCENDA, 2005). E também
pode-se evidenciar que fatores como já morar na cidade da IES, ter um vínculo
empregatício, dificuldade de equilibrar gastos, ter filho, ter companheiro, estar
cursando o 1° semestre, mantenedor e gênero tiveram correlação com TMC no
publico pesquisado, e em alguns casos com correlações variando entre as IES.
Mas, importante, os números encontrados apontam uma baixa diferença
estatística para suspeição de TMC entre as IES participantes (IES privada – FQM
com uma suspeição para TMC em 34,69% e 38,10% na IES pública – UNEMAT).
Desta forma não é possível caracterizar as vivências dos estudantes destas IES
como amplamente destoantes, diz-se isso no que tange ao sofrimento psíquico que
estes estudantes passam durante a vida acadêmica e que teve-se a oportunidade
com esta pesquisa de entender com alguma propriedade.
A história da educação e do Brasil proporcionam, na busca de certa
mobilidade socia, exigências que podem gerar situações que aumentam sintomas
característicos do TMC aqui pesquisado. Para sanar essas demandas as instituições
poderiam desenvolver/criar mecanismos, parcerias, em suas políticas para atender
os discentes. Com esses serviços ativos, em sua rede interna de apoio ou na rede
municipal/estadual, pode-se dar “voz” para estes discentes, ajudando inclusive no
processo de aprendizagem.
Com esse estudo pode-se entender algumas dificuldades, que os dados
apontam, e a dimensão que estas podem apresentar na vida acadêmica. As
condições levantadas na história da Educação Superior e do Brasil, são aportes
42

também importantíssimos para compreender as questões relacionadas à entrar e


permanecer numa IES. Estas se mostram muito sérias, pois podem eliciar
condições indesejáveis ou insalubres. TMC numa visão, um pouco behaviorista4,
pode ser gerado na relação disfuncional entre o indivíduo e seu ambiente, e até o
chamado “happy hour5”, algumas vezes visto como Estratégia de Copping6, pode
ser, ou é(?) na verdade, sintoma.

4
Behaviorista é o adapto da filosofia do Behaviorismo que segundo BAUM (2006) é a crença da
possibilidade de uma ciência do comportamento.
5
Happy hour que traduzindo do inglês é “Hora Feliz”, comumente é um jargão para momento de
confraternização após um expediente de tranalho.
6
Estratégias de Copping são comportamentos que buscam aliviar uma situação percebida como
estressora pelo indivíduo.
43

REFERÊNCIAS

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estudantes universitários de camadas populares. Revista Brasileira de
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47

APÊNDICE
48

APÊNDICE 1

Questionário Sócio Econômico

Sexo

Masc. ( ) Fem. ( )

Cor da Pele:

Branca ( ) Negra ( ) Parda ( ) Amarela/Indígena ( )

Idade: __________

Relacionamento
C/ Companheiro(a) ( ) S/ Companheiro(a) ( )

5. Filhos:

0( ) 1( ) 2( ) 3( ) 4( ) Mais de 4 ( )

6. Mantenedor:
Pais ( ) Estudante ( ) Companheiro ( )
Estudante+Família ( ) Outro ( )

7. Gastos (Aluguel, xerox, alimentação...) Versus Situação Financeira:

Equilibrada ( ) Situação Financeira Favorável ( )

Controlando Gastos ( ) Dificuldade em equilibrar gastos ( )

8. Moro com:

Pais ( ) Sozinho ( ) República* ( ) Outros ( )

9. Quantas vezes participo de alguma atividade que não seja acadêmica na


semana**:

1( ) 2( ) 3( ) 4( ) Mais de 4 ( )

10. Vínculo Empregatício:


49

Sim ( ) Não ( )

11.Conclui o 2° grau em escola:

Pública ( ) Privada ( )

12. Moro nesta cidade:

Para estudar ( ) Já morava aqui ( )


50

APÊNDICE 2

SRQ 20 – Self Reporting Questionnaire (Desenvolvido pela OMS)

Instruções

Estas questões são relacionadas a certas dores e problemas que podem ter lhe
incomodado nos últimos 30 dias. Se você acha que a questão se aplica a você e você teve o
problema descrito nos últimos 30 dias responda SIM. Por outro lado, se a questão não se aplica a
você e você não teve o problema nos últimos 30 dias, responda NÃO.

Perguntas RESPOSTAS
1- Você tem dores de cabeça frequentes? SIM ( ) NÃO ( )
2- Tem falta de apetite? SIM ( ) NÃO ( )
3- Dorme mal? SIM ( ) NÃO ( )
4- Assusta-se com facilidade? SIM ( ) NÃO ( )
5- Tem tremores nas mãos? SIM ( ) NÃO ( )
6- Sente-se nervoso(a), tenso(a) ou preocupado(a)? SIM ( ) NÃO ( )
SIM ( ) NÃO ( )
7- Tem má digestão?
8- Tem dificuldades de pensar com clareza? SIM ( ) NÃO ( )
9- Tem-se sentido tritse ultimamente? SIM ( ) NÃO ( )
10- Tem chorado mais do que costume? SIM ( ) NÃO ( )
11- Encontra dificuldade para realizar com satisfação suas SIM ( ) NÃO ( )
atividades diárias?
12- Tem dificuldades de tomar decisões? SIM ( ) NÃO ( )
13- Tem dificuldades no serviço (seu trabalho é penoso, lhe causa SIM ( ) NÃO ( )
sofrimento?)
14- É incapaz de desempenhar um papel útil em sua vida? SIM ( ) NÃO ( )
15- Tem perdido o interesse pelas coisas? SIM ( ) NÃO ( )
16- Você se sente uma pessoa inútil, sem préstimo? SIM ( ) NÃO ( )
17- Tem tido ideia de acabar com a vida? SIM ( ) NÃO ( )
18- Sente-se cansado(a) o tempo todo? SIM ( ) NÃO ( )
19- Você se cansa com facilidade? SIM ( ) NÃO ( )
20- Tem sensações desagradaveis no estômago? SIM ( ) NÃO ( )

Muito Obrigado pela sua colaboração!

O único método infalível para conhecer o próximo


é julgá-lo pelas aparências. (A. Amurri)
51

EDUCARE – Gestão de Educação Ltda


FACULDADE DE QUATRO MARCOS – FQM

Eder Leandro de Paula


Eliete Gomes de Araújo

A PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS MENTAIS COMUNS EM


DISCENTES DE ENFERMAGEM DE INSITUIÇÕES PÚBLICAS E
PRIVADAS

São José dos Quatro Marcos – MT, Novembro de 2012

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