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Animação em lares e centros de dia

Módulo: 3551

Duração: 50 horas

Formadora: Mª José Pinto Amarante, 2019


Objetivos

Desenvolver atividades de animação/ocupação de tempos de lazer.

Conteúdos

⎯ Momentos de lazer

⎯ Estimulação de competências

⎯ Ociosidade

⎯ Contacto com o ambiente externo à Instituição

⎯ Participação nas atividades planeadas pela Instituição


Introdução

O envelhecimento demográfico constitui atualmente uma das preocupações centrais ao nível


político e científico, pelas consequências que o problema coloca em termos económicos,
sociais, culturais e de saúde. Como já não é novidade, o envelhecimento populacional tem
vindo a intensificar-se, resultado de uma diminuição das taxas de natalidade e de um aumento
da população idosa, também em virtude do aumento da esperança média de vida e que está
diretamente relacionado com as conquistas e avanços científicos nas diferentes áreas de
conhecimento, nomeadamente nas áreas da saúde e social.

Atualmente, no que toca ao envelhecimento, reconhece-se que há falta de oportunidades de


exercitar e desenvolver capacidades, principalmente cognitivas, já que o quotidiano nas
instituições que prestam serviços a idosos é caracterizado por um quase total vazio de
atividades e projetos em comum e quando existem, as atividades culturais e recreativas são
frequentemente pouco ambiciosas, dirigidas a uma pequena percentagem de utentes e para
além disso são formuladas sem considerar as capacidades, habilidades, potencialidades ou
mesmo interesses, vontades e experiência de vida. Não é tido em conta, que mesmo com
limitações, dificuldades ou efemeridades, os idosos podem ter acesso ao divertimento, à
satisfação, ao desenvolvimento.

Contudo, é de extrema importância que se proponha aos idosos condições que lhes permitam
descobrir e desenvolver aprendizagens, nomeadamente no campo cultural, visto que já está
comprovado cientificamente que “o exercício é indispensável à vida mental, e a sua penúria,
a falta de estimulação no pensamento têm efeitos devastadores, qualquer que seja a idade dos
indivíduos”
ÍNDICE

1. Momentos de lazer 1
2. Estimulação de competências 18
3. Ociosidade 20
4. Contacto com o ambiente externo à instituição 23
5. Participação nas atividades planeadas pela instituição 26
6. Referencias bibliográficas 29
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1. Momentos de lazer

Desde os primórdios da humanidade, o envelhecimento tem sido um processo que


não tem deixado de surpreender e preocupar. Ninguém é alheio ao envelhecimento e aos
problemas que ele acarreta. Além disso, se atualmente há um tema de especial importância
na estrutura sociodemográfica dos países industrializados, esse tema é sem dúvida o
envelhecimento da população.

Numa sociedade em que o envelhecimento da população se tem vindo a revelar um


fenómeno progressivo e transversal ao mundo desenvolvido, particularmente nas zonas
ruralizadas, revelam-se cada vez mais importantes as questões em torno do envelhecimento.
A Animação Sociocultural, através da implementação de atividades com os idosos, permite
àqueles revelarem os seus estados de alma que estão interiorizados, as suas qualidades e seus
valores e, consequentemente, desvalorizando as perdas que o envelhecimento provocou.

O envelhecimento pode ser vivenciado de inúmeras formas, e usufruir de um


envelhecimento ativo e bem-sucedido, depende não apenas das questões relacionadas com a
saúde, mas, principalmente, das ações e responsabilidades de cada individuo. O idoso é, por
isso, um agente importante na promoção do seu próprio envelhecimento.

O lazer, ao longo dos anos, tem sido considerado o tempo livre do homem. Momento
em que as pessoas podem desfrutar prazeres, tranquilidade e até descanso. Portanto, o lazer
deve ser um momento, onde o indivíduo se empenha em algo que escolhe, que lhe dá prazer
e que o modifica como pessoa. Os prazeres podem ser encontrados nas atividades lúdicas
através do lazer. E, dentro deste quadro, encontramos os jogos, os brinquedos e as
brincadeiras. Daí, a importância destes no cotidiano das pessoas.

De acordo com Dumazedier (1976), o lazer é um conjunto de ocupações de bom grado


que o indivíduo usa para repousar, para divertir-se, para desenvolver sua informação ou
formação desinteressada, sua participação voluntária ou sua livre capacidade criadora,
quando livre das obrigações profissionais, familiares ou sociais, sendo, portanto, uma
atividade de livre escolha.
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Entretanto é fácil deduzir a precariedade das ofertas de lazer para os idosos, quando
essas já não são suficientes para o atendimento das populações jovens, que por natureza se
mostram prioritárias para o consumo e provocam certa pressão nos poderes públicos.
Observa-se em todas as regiões do país, a pouca participação dos idosos em programações
comunitárias de lazer. Na idade adulta, um novo conjunto de papéis sociais e
responsabilidades provocam nos hábitos de lazer uma mudança. O tempo livre é sempre mais
ocupado pelo exercício de outras funções, deixando para um segundo plano as práticas de
lazer.

A prática do lazer é uma experiência pessoal que aumenta o processo de integração


entre as pessoas, sejam estas jovens ou idosas, e não diferencia a idade do indivíduo que a
vivência. Porém, muitos valores deturpados e, até mesmos preconceituosos tendem a guiar
as conceções de lazer dentro da própria comunidade idosa. Este representa, justamente, o
interesse deste estudo, no sentido de compreender diretamente com esta população, as
conceções de lazer vigentes.

As atividades lúdicas ou de lazer são de extrema importância, por fomentarem:

⎯ a interação social do adulto em idade avançada;

⎯ permitirem o relaxamento, a ocupação do tempo livre, a renovação de energias;

⎯ a revitalização de pensamentos tanto negativos como positivos ou relacionados com


a rotina, e a diminuição da angústia e da depressão.

Por tal, a Animação torna-se uma resposta social para facilitar uma vida ativa e
criativa do idoso. Com todas as suas atividades, o idoso tem a possibilidade de se relacionar
com os outros, tem mais facilidade de comunicação e, além disso, uma melhor participação
na vida da comunidade onde está inserido.
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Neste contexto, a animação destinada a idosos deve ter como objetivo ajudar o idoso
a encarar o seu envelhecimento como um processo natural, de forma positiva e adequada, e
a reconhecer a necessidade da manutenção das atividades físicas e mentais. A animação
ligada às artes plásticas e à motricidade faz com que os idosos melhorem e mantenham a sua
autonomia, e capacidade de movimento. Visto que eles dispõem de muito tempo livre, é
necessário criar ocupações que deem resposta aos seus interesses pessoais e motivacionais.

“Animação significa animar, dar vida a…, vitalização, dar movimento ao que está
parado, motivar. Neste sentido a animação é dar vida ou movimento (pôr a funcionar ou a
mexer) a um objeto, pessoa ou grupo.”

Assim, os programas de Animação Sociocultural devem ser adequados a cada tipo de


grupo com que se trabalha, estabelecendo-se alguns objectivos gerais e específicos que
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podem contribuir para uma acentuada melhoria do seu dia-a-dia, onde podem ser
desenvolvidos diversos tipos de atividades, como por exemplo, exercício físico ligeiro,
leitura de contos e poemas, visionamento de filmes, ateliers, passeios ao ar livre, visitas a
museus, jogos, etc.

O animador é aquele que, sendo possuidor de uma formação adequada, é capaz de elaborar
e executar um plano de intervenção, numa comunidade, instituição ou organismo, utilizando
técnicas culturais, sociais, educativas, desportivas, recreativas e lúdicas.

Deveres profissionais do animador:

1. O Animador está obrigado ao cumprimento dos deveres estabelecidos para os


trabalhadores em geral e dos deveres profissionais.

2. Decorrendo da natureza da função exercida, são deveres profissionais do Animador:

a) Contribuir para a formação e realização integral dos indivíduos, promovendo o


desenvolvimento das suas capacidades, estimulando a sua autonomia e criatividade,
incentivando a formação de cidadãos civicamente responsáveis e democraticamente
intervenientes na vida da comunidade.
b) Reconhecer e respeitar as diferenças socioculturais dos membros da comunidade,
valorizando os diferentes saberes e culturas, combatendo processos de exclusão e
discriminação, promovendo a interculturalidade.
c) Colaborar com todos os intervenientes da Animação Sociocultural, favorecendo a criação
e o desenvolvimento de relações de respeito mútuo.
d) Participar na organização e assegurar a realização das atividades de Animação
Sociocultural.
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e) Respeitar o sigilo profissional, respeitando principalmente a natureza confidencial da
informação relativa aos cidadãos, salvo se em consciência estão em sério risco exigências do
bem comum.

f) Refletir sobre o trabalho realizado individual e coletivamente, defendendo o projeto


pessoal e comunitário.

g) Enriquecer e partilhar os recursos da Animação Sociocultural, bem como utilizar novos


meios que lhe sejam propostos numa perspetiva de abertura à inovação e de reforço da
qualidade da Animação Sociocultural.

h) Respeitar, como forma de inserção na comunidade, as tradições, os usos e costumes do


meio envolvente ao local em que exerce funções.

i) Coresponsabilizar-se pela preservação e uso adequado das instalações e equipamentos que


utilize.

j) Atualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos, capacidades e competências, numa


perspetiva de desenvolvimento pessoal e profissional.

k) Cooperar com os restantes intervenientes na Animação Sociocultural com vista à


implementação de projetos.

l) Promover as relações internacionais e a aproximação entre povos.

O Animador: é um profissional qualificado apto a promover o desenvolvimento de


grupos e comunidades, organizando, coordenando e/ou desenvolvendo atividades de
animação de carácter cultural, educativo, social, lúdico e recreativo.
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Qualidades do animador:

O animador possui um papel social a desempenhar, na medida em que intervém na


dinâmica relacional entre indivíduos, na relação destes com a sociedade, promove o acesso à
cultura e trabalha ao nível da criação e formação.

As principais funções do animador são:

⎯ a função de sensibilização, socialização, adaptação e integração;

⎯ função lúdica, recreativa com ocupação de tempos livres e lazer;

⎯ a função Envelhecer Ativamente num Lar de Idosos;

⎯ educativa e a cultural, através do desenvolvimento comunitário e cultural;

⎯ a função de regulação social, através de reparação e conexão de disfunções


socioculturais
Neste sentido, o animador é alguém que desenvolve o seu caminho, um elemento
essencial que estimula, ou seja, alguém que coopera para projeção da imagem dos mesmos,
através de uma oferta diferenciada.
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O animador pode ser:

Animador Gestor – Indivíduo com formação superior e dotado de um conjunto de


conhecimentos que lhe permitem equacionar globalmente os problemas da organização e
processamento de qualquer processo de animação. Ou seja, é o responsável máximo da
animação, tem que coordenar, organizar, contratar e gerir todas as atividades de animação.

Animador Técnico – Indivíduo cuja ação se projeta inequivocamente nos processos de


animação a partir das atividades e ao qual se exige apenas, predominantemente, uma
formação técnica numa determinada atividade ou conjunto de atividades. Muitas vezes e na
animação desportiva, são os especialistas em determinados jogos, tipo golfe, ténis, mergulho,
etc.

Animador Polivalente – Indivíduo cuja ação se projeta nas situações menos diferenciadas
da animação, quer seja a partir de um espaço ou a partir de um grupo. É de facto aquela
pessoa que contacta mais diretamente com os grupos e no caso proporciona-lhe atividades
básicas de animação, exemplo dos passeios pedestres, voleibol de praia, futebol, etc.
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O animador também pode ser:

1) O Animador Animado – Como é que se pode transmitir animo se não se está animado.
Os animadores praticamente fazem um seguro de garantia sobre o seu estado de humor e boa
disposição, por forma a contagiarem e atraírem os hóspedes a participarem nas atividades
programadas.

2) O Animador Formador – O animador formador detém conhecimentos muito vastos sobre


determinada atividade de animação. Assim, ele através da sua paciência, das suas
habilidades, dos seus conhecimentos e das suas aptidões, mostra ser detentor do saber fazer
e tenta passar o fazer saber.

3) O Animador Comunicador – Aqui o animador tem que saber algumas línguas, para poder
passar a sua mensagem corretamente. Mas deve socorrer-se de todos os tipos de comunicação
para dinamizar, para emocionar, para entusiasmar e para motivar a participar. A mensagem
do animador é decisiva na motivação e participação dos hóspedes.
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4) O Animador Vendedor – O animador está incumbido de vender diversão, entretinimento,


mediante as atividades de animação programadas. Embora por vezes esta venda não seja
direta, ela reflete-se no aumento do consumo de alimentação, de bebidas, na ocupação de
campos de jogos e claro, no grande objetivo, no aumento das taxas de ocupação.

5) O Animador Promotor – O animador tem que fazer a promoção diária das atividades
programadas, para o dia e seguintes, promover a qualidade e segurança das atividades, por
forma a que ao mesmo tempo se promova a qualidade da unidade que representa e os serviços
disponibilizados.

Postura do animador:
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Todavia, a sua intervenção pessoal passa pela criatividade e cooperação em estimular


para a participação cívica, renovar atitudes e comportamentos. O animador, deve ainda,
suster comportamentos de entreajuda e partilha, mas acima de tudo contemplar os quatro
pilares do conhecimento:

1) aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão;

2) aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente;

3) aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as


atividades humanas;

4) aprender a ser, via essencial que integra os três precedentes

A sua conceção faz com que este incremente atividades construtivas, uma articulação
entre as valências pessoais, sociais e educativas, um intérprete do destino, profissional do
acolhimento. Neste sentido, o animador turístico nem deve ser um “palhaço” nem um
executivo.

Animação Sociocultural em instituições para idosos

A ASC tem como objetivo o desenvolvimento das competências pessoais e sociais da


pessoa e, principalmente, da pessoa como elemento de um grupo. Com a ASC estimula-se o
autoconhecimento, a interação entre a pessoa e o grupo, assim como a dinâmica de grupo, “a
animação sociocultural organiza-se também como uma metodologia de trabalho em grupo
que assenta na interação pessoal e que procura a concretização de certos objetivos de
aprendizagem (animação formativa), de comunicação e de relacionamento interpessoal
(animação relacional) e de caráter terapêutico (animação estimulante)”.

A animação passa a ser um suporte de comunicação dentro do qual o aspeto relacional


é privilegiado e um elemento determinante da qualidade de vida da instituição: “o dinamismo
da estrutura de acolhimento, a qualidade de vida e o bem-estar dos residentes e do pessoal
são atualmente os três objetivos que dominam a animação das pessoas idosas dentro de uma
instituição”.
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A maioria dos Lares consiste em autênticos depósitos de idosos, detentores de um rol


de experiências e vivências, que se veem relegadas para espaços que, em geral, não foram
arquitetonicamente concebidos para o efeito e onde reina a frieza e a apatia. Estes idosos
ficam entregues a estas instituições, aguardando o fim, como se de uma morte lenta se
tratasse.

Desta forma, embora a sociedade não dê a devida importância e atenção, o facto é que
os lares estão repletos de idosos possuidores de inúmeras histórias e experiências de vida
interessantes. Assim, embora esta população seja sinónimo de vivências, experiências e
sabedoria que podem e devem ser potenciadas, a maioria das instituições carece de um plano
com atividades que estimulem o potencial dos clientes, potenciando uma vivência ativa e
que, assim, permita melhorar a sua autoestima e o seu sentimento de inclusão.

A Animação Sociocultural como imperativo de cidadania deve ainda ligar-se ao


sentido da superação de focos de marginalidade humana, normalmente de uma marginalidade
imposta pela uma adoção de vida sem vivência social e familiar onde jovens são socializados
a partir da rua numa lógica tribal.

Ao longo dos tempos surgiram vários conceitos de Animação, mas todos com alguns
pontos em comum, tal como o facto de ter uma função social, cultural ou de estimular à
participação.

O animador tem um importante papel social a desempenhar, pois a sua função é


estabilizar o funcionamento das relações entre indivíduos, assim como entre os indivíduos e
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a sociedade, e ainda procurar um acesso à cultura para os indivíduos que não têm por hábito
comunicar com os objetos ou coisas, trabalhando ao nível da criação e formação.

A presença de um animador nestas instituições é muito importante, este deveria


trabalhar em colaboração com toda a equipa multidisciplinar e com as próprias famílias dos
idosos, no sentido de proporcionar uma vivência digna e de qualidade a todos os seus utentes.

Com o envelhecimento, o idoso apresenta uma série de dificuldades para executar


tarefas rotineiras e para manter um comportamento social aceitável. As alterações que são
próprias do envelhecimento trazem défices em relação à memória, à visão, ao equilíbrio, às
capacidades físicas e uma demora no tempo de reação.

Cabe ao animador, motivar os residentes “para participarem nas atividades,


favorecendo com isso o seu dinamismo; ajudá-los a vencer os medos, através da criação de
um clima de confiança; ajudá-los a renovar a sua valorização e intervir atempadamente em
casos de conflito, facto natural que, com frequência, constitui a exteriorização de um
problema.
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Quem é o cuidador: é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte


traço de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. Cuidador é alguém que “cuida a
partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos,
zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e
lazer da pessoa assistida”. É a pessoa, da família ou da comunidade, que presta cuidados à
outra pessoa de qualquer idade, que esteja necessitando de cuidados por estar acamada, com
limitações físicas ou mentais, com ou sem remuneração.

Nesta perspetiva mais ampla do cuidado, o papel do cuidador ultrapassa o simples


acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos, sejam eles saudáveis, enfermos e/ ou
acamados, em situação de risco ou fragilidade, seja nos domicílios e/ou em qualquer tipo de
instituições na qual necessite de atenção ou cuidado diário. A função do cuidador é
acompanhar e auxiliar a pessoa a se cuidar, fazendo pela pessoa somente as atividades que
ela não consiga fazer sozinha.

Neste contexto, cabe ao animador, motivar os residentes “para participarem nas


atividades, favorecendo com isso o seu dinamismo; ajudá-los a vencer os medos, através da
criação de um clima de confiança; ajudá-los a renovar a sua valorização e intervir
atempadamente em casos de conflito, facto natural que, com frequência, constitui a
exteriorização de um problema.

Ressaltando sempre que não fazem parte da rotina do cuidador técnicas e


procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas, particularmente, na
área de enfermagem. Cabe ressaltar que nem sempre se pode escolher ser cuidador,
principalmente quando a pessoa cuidada é um familiar ou amigo. É fundamental termos a
compreensão de se tratar de tarefa nobre, porém complexa, permeada por sentimentos
diversos e contraditórios.

A seguir, algumas tarefas que fazem parte da rotina do cuidador:

• Atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde.


• Escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada.
• Ajudar nos cuidados de higiene.
• Estimular e ajudar na alimentação.
• Ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios físicos.
• Estimular atividades de lazer e ocupacionais.
• Realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto.
• Administrar as medicações, conforme a prescrição e orientação da equipe de saúde.
• Comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa cuidada.
• Outras situações que se fizerem necessárias para a melhoria da qualidade de vida e
recuperação da saúde dessa pessoa.
Cuidar significa atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e
responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de
seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado. Cuidar é também perceber a outra
pessoa como ela é, e como se mostra, seus gestos e falas, sua dor e limitação. Percebendo
isso, o cuidador tem condições de prestar o cuidado de forma individualizada, a partir de suas
ideias, conhecimentos e criatividade, levando em consideração as particularidades e
necessidades da pessoa a ser cuidada.

A vinculação afetiva e a convivência saudável que se constroem ao longo dos


encontros de grupos de longa duração podem solicitar a inserção de um código, um contrato
de convivência, de maneira que as possibilidades e limites de cada participante sejam
conhecidos e respeitados.

A comunicação com a pessoa idosa:

• Use frases curtas e objetivas.

• Chame-o pelo próprio nome ou da forma como ele preferir.

• Evite infantilizá-lo utilizando termos inapropriados, ou ainda, utilizando termos


diminutivos desnecessários (“bonitinho”, “lindinho” etc)

• Pergunte se entendeu bem a explicação, se houve alguma dúvida.

• Repita a informação, quando essa for erroneamente interpretada, utilizando palavras


diferentes e, de preferência, uma linguagem mais apropriada à sua compreensão.
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• Fale de frente, sem tapar a sua boca e, não se vire ou se afaste enquanto fala.

• Aguarde a resposta da primeira pergunta antes de elaborar a segunda, pois, a pessoa


idosa pode necessitar de um tempo maior para responder.

• Não interrompa a pessoa idosa no meio da sua fala, demonstrando pressa ou


impaciência. É necessário permitir que ele conclua o seu próprio pensamento.

A diminuição das capacidades sensório-percetivas, que ocorre no processo de


envelhecimento, pode afetar a comunicação das pessoas idosas. Tais alterações são
manifestadas pela diminuição da capacidade de receber e tratar a informação proveniente do
meio ambiente que, se não forem adequadamente administradas, poderão levar ao isolamento
do indivíduo. Os idosos muitas vezes tardam em perceber, aceitar e tratar suas dificuldades
e, em consequência disso, acabam por se afastar do convívio familiar e social para evitar
situações constrangedoras.

Audição

A deficiência auditiva gera no idoso um dos mais incapacitantes distúrbios de comunicação,


impedindo-o de desempenhar plenamente o seu papel na sociedade. É comum observarmos
o declínio da audição acompanhado de diminuição na compreensão da fala por parte do idoso,
dificultando a sua comunicação com outrem. Algumas medidas simples podem auxiliar a
comunicação com as pessoas idosas que apresentem declínio auditivo:

• Evite ambientes ruidosos;

• Evite submeter as pessoas idosas à situações constrangedoras quando essas não entenderem
o que lhes foi dito ou pedirem para que a fala seja repetida;

• Procure falar de forma clara e pausada e, aumente o tom de voz somente se isso realmente
for necessário;

• Fale de frente, para que a pessoa idosa possa fazer a leitura labial.
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Voz

Com a voz a pessoa se faz ouvir e respeitar, garantindo o seu lugar na sociedade. A alteração
vocal é inerente à idade e deve ser compreendida como parte do processo de envelhecimento
normal do indivíduo e não como um transtorno, embora, muitas vezes, seja difícil estabelecer
o que é normal e o que é doença. Pesquisas revelam que um indivíduo que segue as
orientações de saúde vocal durante a sua vida pode minimizar as possíveis dificuldades
decorrentes do avanço da idade.

São elas:

• Evitar gritar ou falar com esforço;

• Evitar competir com outras vozes ou ruídos do ambiente;

• Evitar falar durante uma caminhada intensa, corrida ou ginástica, pois, isso dificulta a
respiração solta e livre;

• Articular bem as palavras;

• Verificar a necessidade e condições de próteses dentárias e/ou auditivas;

• Fazer atividades que estimulem o uso da voz como a conversação e o canto;

• Beber água quando falar muito ou cantar, pois, a água hidrata o corpo e faz as pregas vocais
funcionarem melhor;

• Evitar a tosse, exceto quando for reação a algum distúrbio;

• Manter uma alimentação saudável;

• Evitar álcool em excesso e tabaco;

• Evitar mudanças bruscas de temperatura;

• Diminuir a distância entre os falantes;

• Falar em ambiente iluminado para facilitar a leitura labial;

• Manter o convívio social e familiar.


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Dinâmicas de grupo

1. O grupo:

• composição: esse grupo é formado por integrantes idosos e por um facilitador, esse com a
função de coordenar o grupo;

• objetivo: a finalidade deste grupo (exemplo) é reunir, uma vez por semana, idosos que
fazem parte da comunidade, para conversar, trocar experiências, participar de palestras,
bingos, oficinas e realizar jogos e brincadeiras;

• data e horário das reuniões: o grupo se reunirá (exemplo) uma vez por semana, toda terça-
feira, às 14:00 horas, no Auditório;

• desligamento do grupo: o desligamento dos participantes do grupo é livre e pode ser feito a
qualquer momento.

2) Direito de expressão de cada pessoa:

• todos os participantes têm o direito de expressar seus sentimentos, sensações e


pensamentos.

3) Respeito à expressão dos outros participantes:

• todas as falas são válidas, importantes para o grupo e por isso merecem respeito, mesmo
que as pessoas não concordem com os sentimentos e com as ideias expostas;

• nenhum participante precisa impor o que percebe, o que pensa e o que sente aos demais;

• quando um participante do grupo estiver falando, os demais devem ouvi-lo com atenção. A
escuta silenciosa e atenta expressa respeito e consideração à pessoa que está falando.
Respeito ao grupo:

• tudo o que for dito ao grupo deve ser falado com respeito.

4) Respeito ao grupo:

• tudo o que for dito ao grupo deve ser falado com respeito
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5) Sigilo e privacidade do grupo:

• as conversas e os acontecimentos internos do grupo pertencem a seus participantes e não


devem ser revelados a outras pessoas.

6) Assertividade da expressão:

• é preciso ser afirmativo, ou seja, falar para e não de alguém. Significa não falar de pessoas
ausentes e dirigir-se sempre diretamente aos demais participantes, evitando expressões
indefinidas como alguém, ouvi falar, todo mundo, ele, me disseram, outras pessoas;

• sugere-se falar na primeira pessoa, como, por exemplo, “eu sinto, eu gosto, eu percebo”.

7) Compromisso com o grupo:

• a pontualidade e a frequência são condições essenciais para que o grupo perceba sua
importância e desenvolva um bom conceito de si;
• muitas vezes, as ausências podem ser percebidas pelo grupo como descaso, desinteresse ou
rejeição. Outras vezes, o grupo pode sentir falta daqueles que se ausentam, experimentando
uma sensação de estar incompleto, de estar faltando uma parte; por essas razões, é importante
que os integrantes avisem suas ausências com antecedência e, caso seja impossível por
alguma razão, justifiquem-nas no próximo encontro em que se fizerem presentes;
• no caso de desligamento do grupo, havendo possibilidade, os participantes devem
comunicar sua saída e despedir-se do grupo
Tão valioso quanto conhecer a metodologia que fundamenta o trabalho de dinâmicas
e brincadeiras praticadas com grupos de idosos, é reconhecer a importância que o
acolhimento tem para a integração do grupo e para o alcance dos objetivos proposto pelo
animador. O acolhimento do grupo, embora apresente aspetos objetivos, nos traz a
importância da intersubjetividade que se estabelece entre idosos e animador. Assim, com o
avanço da idade, pode ocorrer uma perda da capacidade de tomar decisões e de realizar certas
tarefas que nos parecem simples. É importante que se estimule sempre a independência do
idoso na realização dessas atividades, mesmo que isso implique um tempo maior para a
realização dessas tarefas. Quanto mais ele fizer, melhor para ele e menos desgaste para o
cuidador!
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2. Estimulação de competências

O envelhecimento é um fenómeno universal e irreversível que percorre toda a história


da Humanidade, apresentando características múltiplas de acordo com a cultura, o tempo e o
espaço. Embora o termo de “envelhecimento” nos seja muito familiar, dada à sua amplitude
é difícil estabelecer uma definição concisa sobre o processo de envelhecimento, uma vez que
este sofre influência do contexto, da história e da cultura da sociedade.

Com o processo de envelhecimento ocorrem mudanças significativas nas áreas da


autonomia, na capacidade física, cognitiva e na Intervenção Social, que se refletem nas
competências do quotidiano do individuo. As competências do quotidiano de pessoas idosas
referem-se às capacidades de realizar as tarefas do dia-a-dia, a manutenção proativa de uma
vida boa e saudável, independente, apesar das restrições da velhice.

Modelo teórico composto por seis dimensões que visa explicar o bem-estar
psicológico em idosos:

a) autoaceitação: define uma atitude positiva do indivíduo em relação a si mesmo e ao seu


passado, o reconhecimento e a aceitação de vários aspetos de si mesmo, positivos ou
negativos;

b) relação positiva com os outros: ter uma relação de qualidade com os outros, preocupar-se
com o bem-estar alheio e ser capaz de estabelecer relações empáticas e afetuosas;

c) autonomia: ser autodeterminado e independente, ter habilidade para resistir às pressões


sociais para pensar e agir de determinada forma, avaliar-se com base nos seus próprios
padrões;

d) domínio sobre o ambiente: ter capacidade de domínio e competência para manusear o


ambiente, aproveitar as oportunidades que surgem à sua volta, ser hábil para escolher ou criar
contextos apropriados às suas necessidades e aos seus valores;

e) propósito na vida: envolve ter metas na vida e um sentido de direção, perceber que há um
sentido na vida nos diversos campos, ter crenças que dão propósito à vida, acreditar que a
vida tem um propósito e é significativa;
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f) crescimento pessoal: ter capacidade de crescimento contínuo e de desenvolvimento como


pessoa, estar aberto a novas experiências, ter aptidão para a realização do potencial, cujas
mudanças refletem autoconhecimento e eficácia.
Estimular significa incitar, ativar animar, encorajar... Para além de tudo isto estimular
é também criar meios de manter a mente, as emoções, as comunicações e os relacionamentos
em atividade.

Quando é estimulado, o Idoso:

-Ganha autoestima

-Fica mais desperto e mais participativo

-Envolve-se mais em questões que o rodeiam, reivindica e reclama.

Para que o Idoso tenha uma velhice saudável é preciso que este esteja ativo e
desenvolva diversas atividades em várias áreas.

As áreas que podem ser estimuladas são:

-Artística (Cerâmica, Bordados, Cestaria...Dança, teatro..)

-Cultural (Bibliotecas, monumentos, galerias de arte, museus, festivais....)

-Formação/informação ( Ateliers, cursos, debates, seminários, jornadas...)

-Lúdico recreativa ( Marchas, piqueniques, caminhadas, jogos populares e desportivos...)

-Cognição (Atividades que proporcionam e trabalham o Afeto, autoestima, memória, ex:


Leituras, escrita, etc...)

-Social (Visa que os idosos participem ativamente no seio da comunidade como elemento
válido e útil, ex: Voluntariado, integração em grupos sociais e associações.)

-Física ( Marcha (no mínimo 45m por dia e sem pausas), ginástica, natação, hidroginástica,
yoga, massagem e dança, entre outras atividades.)
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3. Ociosidade

Ao longo dos tempos, a definição de ócio e de tempo livre sofreu transformações


constantes. Nos dias de hoje, o significado destes dois conceitos não é ainda unânime
levantando, não raras vezes, questões de concordância multidisciplinar entre investigadores
e interessados sobre o tema.

Ócio e tempo livre são muitas vezes entendidos como um e o mesmo conceito, o que
não é, de todo, verdade. O objeto de estudo da Pedagogia do Ócio e dos Tempos Livres é,
não só a clarificação dos conceitos de ócio e de tempo livre e a sua relação epistemológica,
como também a sua implementação na realidade social, cultural, educacional que a todos os
seres humanos diz respeito. Isto significa que existe uma preocupação pedagógica em
enquadrar as atividades respeitantes ao ócio e aos tempos livres no seio da nossa sociedade
de acordo com as diferenças socioculturais que a caracterizam para que essas atividades
tenham verdadeiramente significado para quem as vive, a nível formativo e de
desenvolvimento pessoal (o que não significa que as atividades não possam realizar-se em
grupo).

Com o desenvolvimento das indústrias de ócio, as atividades hoje são passivas e de


carácter consumista. Nestes casos, não existe uma componente pedagógica, embora não
deixem de ser atividades de ócio que, por conseguinte, dão prazer, se é isso que o indivíduo
deseja realmente fazer – ver televisão ou andar às compras, por exemplo. Estes tipos de
atividades consumistas acabam por deteriorar o ócio, coisificando-o e aniquilando o seu
verdadeiro significado.

Estabelece-se cada vez mais, e paradoxalmente, a falta de comunicação no seio


familiar apesar de sermos parte integrante da sociedade caracterizada pelos meios de
comunicação, que indiscutivelmente têm o seu valor de democratização informativa e a sua
importância cultural e social. É aqui que o papel a desempenhar pela escola é primordial. A
escola deveria dar um sentido pedagógico ao tempo do ócio e não apenas formar pessoas
para o mundo do trabalho. Ora, sendo o ócio uma parte integrante da vida de qualquer
indivíduo, “a escola deveria formar também para o ócio futuro”. Só assim, orientado para a
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utilização adequada do tempo de ócio, o indivíduo se poderá transformar numa pessoa


equilibrada. A Educação apresenta um carácter meramente utilitário que não tem em conta
os desejos pessoais dos indivíduos, apenas lhes dá formação a nível profissional. Estes
ocuparão o tempo livre com atividades desprovidas de sentido e em grande parte impessoais.
A escola e a educação constituem uma mais-valia para fomentar o discernimento e a
análise crítica dos indivíduos face às atividades de ócio que realizam ou pretendem realizar
no futuro. É muito importante conhecer as opções existentes. Muitas vezes as atividades de
ócio são passivas e extremamente limitadas, apenas porque as pessoas não conhecem as
opções. Se a escola der formação, se educar neste sentido, as opções de escolha para a
realização de atividades serão muito mais alargadas, aliadas à capacidade de análise crítica
dos próprios indivíduos.

Em suma, o facto de a escola educar principalmente para a profissionalização destrói,


em parte, a criatividade e a liberdade de cada um. Existe ainda um outro conceito, ainda não
abordado, que se mistura com os significados de ócio e de tempo livre: o lazer. Embora possa
causar alguma confusão inicial, estes três termos (ócio, lazer e tempo livre) distinguem-se
entre si. Passarei de seguida a clarificar cada um dos conceitos de forma a serem percetíveis
as diferenças que os caracterizam.

Para realizar uma qualquer atividade de ócio é sempre necessário dispor de tempo
livre. Ou seja, o ócio requer tempo que não seja ocupado pela atividade profissional ou
qualquer outra obrigação (obrigações para profissionais, obrigações familiares e outras). O
ócio é caracterizado pela autonomia do indivíduo, pela liberdade de escolha e pelo prazer
pessoal durante o decorrer de uma atividade (ainda que a atividade seja realizada em grupo
e/ou tenha uma finalidade coletiva).

As diferenças entre ócio e lazer não são tão claras, pois o lazer também pressupõe a
ocupação dos tempos livres escolhendo e realizando atividades de livre vontade. Mas
enquanto o lazer está mais associado a funções de entretenimento, diversão, ou até de
repouso, o ócio procura atingir um bem maior, de pura libertação do corpo e da mente, de
realização pessoal não tanto ligado ao social (como o lazer) mas mais relacionado com o
modo de vida de cada indivíduo e o prazer decorrente das experiências vivenciadas. À
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realização de atividades de lazer poderá estar associado o prazer da experiência ociosa. A


diferenciação entre lazer e ócio é muito ténue prendendo-se mais com o verdadeiro sentido
da experiência que obtemos a partir de cada um deles. Podemos afirmar que o lazer está mais
relacionado com a tarefa em si e o ócio mais associado ao prazer e à satisfação decorrentes
da realização dessa mesma tarefa. É através do tempo dedicado ao ócio que o indivíduo
consegue desenvolver um restabelecimento psicológico e um equilíbrio físico, mental e
emocional, aquilo a que normalmente nos referimos no dia-a-dia por “recarregar baterias”.

Em relação ao tempo livre, é um tempo durante o qual não existe qualquer ocupação,
atividade ou tarefa; é uma determinada quantidade de tempo desprovida de qualquer
obrigação em que o indivíduo pode decidir livremente o que pretende fazer. É através do
tempo livre que se realizam atividades de ócio e de lazer. Sem disponibilidade de tempo, tais
atividades não se poderiam realizar.

O tempo livre permite às pessoas serem livres e autónomas, decidirem o que


pretendem e irão fazer, que atividades ou tarefas realizar. Tempo livre corresponde também
a um tempo de não-trabalho (quando a pessoa termina a sua jornada diária laboral), mas o
tempo de não-trabalho não pode todo ele ser considerado tempo livre. Muitas tarefas de não-
trabalho requerem algum tipo de obrigação como, por exemplo, as deslocações de e para o
trabalho (designadas de obrigações para profissionais), obrigações familiares, religiosas ou
políticas.

Chega-se, então, à conclusão que embora diferentes, ócio, lazer e tempo livre se
encontram todos eles intimamente relacionados uns com os outros, não apenas em termos de
significação, mas também no que à realidade social, cultural, educacional, económica e
pessoal diz respeito.

É de uma importância vital para o equilíbrio da nossa sociedade que a educação


comece a abranger de igual forma a formação para o trabalho e a formação para o ócio, uma
vez que a vida é composta pelos dois, para que facilmente se encontre um ponto de equilíbrio
e de bem-estar.
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4. Contacto com o ambiente externo à Instituição

O envelhecimento é um processo lento, progressivo e inevitável, caracterizado pela


diminuição da atividade fisiológica e de adaptação ao meio externo acumulando-se processos
patológicos com o passar dos anos. O impacto causado por esse processo tende a ir alterando
os hábitos de vida e as rotinas diárias do idoso e de seus familiares.

No contexto social onde se insere a nova configuração da família, o ritmo de vida


imposto pelo mundo moderno e as dificuldades de ordem financeira da maioria das famílias
brasileiras têm gerado obstáculos para a manutenção do idoso em seu lar. Além disso, a
geração que hoje é responsável por assistir os mais velhos, sobretudo as mulheres, não está
mais tão disponível para a prestação dos cuidados como antes.

É no corpo que aparecem as características mais evidentes do envelhecer. A


senescência vai modificando também a conduta: os relacionamentos pessoais já não são os
mesmos de períodos anteriores da vida, o afetivo e o emocional do sujeito têm outras feições
e expressões, a presença entre os parentes, amigos e conhecidos toma formas distintas, a
própria história pessoal e até o sentido da existência passam a apresentar outros significados.
A sociedade, por sua vez, reserva ao idoso novos lugares, papéis e status, dando-lhe
um tratamento bem diverso do que lhe concedia nas etapas anteriores de sua vida.

Embora a família ainda possa predominar como alternativa no sistema de suporte


informal aos idosos e ser a principal fonte de cuidados, é preciso destacar que esse cuidado
pode não se aplicar a todos os idosos. Existem idosos que não têm família, assim como há
outros cujas famílias são muito pobres ou cujos familiares precisam trabalhar, não podendo
abandonar o mercado de trabalho para assumir tal responsabilidade. Isso faz com que haja
um aumento bastante considerável no número de idosos que vivem sozinhos.

As instituições para idosos precisam tomar conhecimento, conscientizar-se da


importância de todas as áreas que trabalham o envelhecimento e vê-las como necessárias e
importantes. Precisam de vida, dinamismo, a partir da energia que venha da vontade do fazer,
tanto do residente quanto do profissional. Para que isso seja viabilizado, elas têm que investir
na qualificação de todos os funcionários, voluntários e diretores.
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Um dos maiores desafios do cuidado multidisciplinar à pessoa idosa é propiciar que


múltiplas áreas do saber ajam conjuntamente para um bem comum, ou seja, atender a pessoa
idosa nas suas particularidades, tendo um olhar multidimensional e buscando prevenir
agravos. O grau de dependência de um idoso vai nortear os cuidados recebidos. Os idosos
demandadores de mais cuidados são normalmente acompanhados 24 horas por dia, o que já
não acontece com os independentes. Estes normalmente são vistos pela equipe de
enfermagem nos momentos de medicação.

Normalmente os independentes se envolvem com as atividades oferecidas pelo


terapeuta ocupacional, que são atividades que visam à socialização dos moradores, à
manutenção da cognição e funções motoras, estas últimas também auxiliadas pelo
fisioterapeuta ou educador físico quando tais profissionais fazem parte da equipe
institucional. Cabe à Instituição de Longa Permanência para Idosos oferecer uma assistência
voltada para as necessidades dos seus residentes. Para tanto, faz-se necessário que as
instituições tenham acesso aos serviços de uma equipe multiprofissional qualificada para o
trabalho na área gerontológica. Essa equipe realizará a avaliação multidimensional do idoso,
com o intuito de investigar e determinar o estado funcional, a saúde mental e social do idoso.

Portanto, ao considerarmos a importância dos centros de convivência no existir da


pessoa idosa, no que tange ao favorecimento da participação social e à atuação ativa nessa
fase da vida, torna-se fundamental aprofundar os estudos nesse universo temático nas
distintas áreas do conhecimento, adentrando nas ciências humanas e sociais. Visto que o
envelhecimento populacional promove uma interferência direta na organização da sociedade
como um todo, a sua abordagem de forma interdisciplinar é um artifício essencial para a
condução na prática da atenção integral à pessoa idosa.
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5. Participação nas atividades planeadas pela Instituição

O envelhecimento populacional é considerado hoje um fenómeno universal, comum


a tantos dos países desenvolvidos. Os principais fatores responsáveis pelo envelhecimento
são o declínio tanto das taxas de fecundidade como das de mortalidade. Em conjunto, tais
fatores levam a que a distribuição etária da população se desloque para idades mais elevadas.

As repercussões para a sociedade de populações progressivamente mais idosas são


consideráveis, e levantam desde logo a discussão em torno da questão da sustentabilidade
financeira da segurança social e também o debate em torno dos papéis tradicionalmente
desempenhados pelos idosos na sociedade.

Envelhecimento da população refere-se então à alteração na distribuição etária da


população em que tende a crescer o número de indivíduos com idades mais elevadas. Não é
que as pessoas envelheçam mais, ou mais depressa – pelo contrário, as substanciais melhorias
nos cuidados de saúde e qualidade de vida fazem com que cada vez envelheçamos “mais
devagar”, no sentido do ritmo de degradação. Este facto, traduzido no aumento da esperança
média de vida, é uma das duas principais causas do envelhecimento da população (sendo a
outra causa que está subjacente a este fenómeno a diminuição das taxas de natalidade, como
já foi referido).

Assim, para os idosos, jogar e brincar trazem o gosto e o gozo da infância; a


lembrança dos companheiros e amigos, a espontaneidade e a alegria de que desfrutaram há
50, 60 anos. Por outro lado, para os profissionais e voluntários que trabalham com grupos de
idosos, essas atividades podem facilitar o direcionamento dos encontros, a sensibilização e a
reflexão sobre determinados temas, além de auxiliar a regulação corporal, aumentando ou
diminuindo o nível de ativação física de seus integrantes.

Quanto à indicação do tipo de reunião, as dinâmicas deste trabalho podem ser


ofertadas em grupos que se encontram em oficinas, seminários, palestras e trabalhos
regulares e contínuos, quer sejam semanais, quinzenais ou mensais. As atividades sugeridas
são direcionadas a participantes de grupos que não apresentem alterações cognitivas e grupos
com alterações cognitivas de grau leve.
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Em relação à facilidade ou à dificuldade de locomoção, a maior parte das atividades


propostas inclui ambos os casos. A grande maioria das dinâmicas não requer nível de
escolaridade, sendo adequadas, portanto, a todos os idosos.

Apresenta-se algumas sugestões, baseadas em minha prática e em pesquisas, que


podem ser úteis quando da realização de encontros grupais de idosos:

1) Em relação ao local de realização dos encontros

• O ambiente não deve oferecer riscos de acidentes aos

participantes. Devem ser evitadas características físicas do local como: colunas centrais,
degraus, pisos escorregadios e/ou desnivelados, janelas e portas que ofereçam riscos, tapetes
e passadeiras, quadros e objetos pontiagudos;

• O local deve proporcionar privacidade, boa ventilação, segurança, limpeza, conforto e


ausência de ruídos desagradáveis;

2) Em relação ao facilitador

• Lembrar aos participantes que, em todos os encontros, se desejarem, podem sentar-se em


cadeiras, em qualquer fase das dinâmicas, e devem comunicar ao facilitador algum mal-estar
que por acaso venham a sentir;

• Caso algum participante saia da dinâmica e procure uma cadeira para sentar, o facilitador
deve se encaminhar até ele e perguntar se está tudo bem, se precisa de alguma coisa e, se
necessário, tomar alguma providência;

O principal objetivo das dinâmicas de apresentação é facilitar a integração entre os


participantes de grupos que não tiveram um conhecimento anterior. Nesse tipo de dinâmica,
procura-se criar um ambiente acolhedor, de confiança e de aceitação mútua. Outros objetivos
se fazem presentes, como por exemplo, favorecer o desenvolvimento do espírito de equipe e
a descoberta de interesses e atitudes comuns aos participantes e ao grupo. Nesse sentido, as
dinâmicas de apresentação são preciosas, porque valorizam a presença do idoso, ressaltando
a importância de seu nome, de sua voz, enfim, de sua individualidade.
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De outra forma, as dinâmicas podem ser reutilizadas inúmeras vezes como


reapresentação dos integrantes de grupos e são úteis como exercícios de memorização de
nomes, de expressão verbal e de afirmação de identidade. Por essa razão, agrupei o nome
apresentação à palavra reapresentação, compondo-se a expressão
apresentação/reapresentação.

Caso alguém se apresente com um tom de voz baixo, o facilitador, gentilmente, deve
solicitar que ele repita seu nome. Como, em geral, as dinâmicas de apresentação são as
primeiras atividades realizadas nas reuniões com idosos, é muito interessante utilizar um
recurso de baixo custo para a ocasião, que é o crachá-gigante. Ele pode ser feito com
cartolina, papelão ou folha de plástico duro e preso ao pescoço por um cordão. Esse eficiente
instrumento de identificação deve medir, pelo menos, 8 a 10 centímetros de largura por 15cm
de comprimento. Nele se escreve, com caneta de ponta porosa e com letras bem grandes,
somente um dos nomes do participante. Ao escrever o nome do idoso, o facilitador deve
perguntar como ele gosta de ser chamado: se pelo nome, sobrenome ou pelo apelido. Outras
formas de crachá-gigante podem ser escolhidas, conforme o tema do encontro, por exemplo:
em uma reunião cujo tema seja a alimentação saudável, pode-se ilustrar o crachá com o
desenho de uma fruta da região; em outra, na qual se comemoram os aniversários do mês,
ele pode trazer o desenho de um bolo confeitado ou de um balão de aniversário. Em síntese,
o uso do crachá-gigante individualiza a presença do idoso e facilita a leitura e a memorização
do nome dos participantes dos grupos.

Seja pelo motivo que for, o contato com outros indivíduos da mesma faixa etária é
importante para que existam trocas e o compartilhamento de vivências com aqueles que estão
passando pela mesma fase da vida. Nunca é tarde para aprender algo novo e, se propondo a
interagir com outras pessoas, é sempre possível adquirir mais e mais conhecimento.
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Referencias bibliográficas:

• DUMAZEDIER, J. Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspetiva, 1973.

• Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspetiva, 1976.

• RAUCHBACH, R. Atividade física para a terceira idade. Curitiba: Lovise, 1990.

• REQUIXA, R. Sugestões de diretrizes para uma política nacional de lazer. SESC.


São Paulo, 1980.

• ROSA, M. Psicologia evolutiva: psicologia da idade adulta. Petrópolis: Vozes, 1983.

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