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IMPROVISAÇÃO TEATRAL – TEATRO ESPORTE

COM FRANK TOTINO NO CELIA HELENA

03 de Julho 2010.

Chego na escola uma hora antes do curso pra tentar conhecer o sr Totino antes
do worshop começar, vejo que a Lílian e a Léo estão na padaria do Português
com um jovem senhor, não tenho dúvidas ali está sr Totino; as pernas ficam um
pouco bambas, e vem aquela sensação de “onde é que eu vim me enfiar desta
vez, será que eu dou conta do recado?”, mas como fui eu mesma quem pediu por
isso, respiro fundo e entro na padaria.
Uma rápida apresentação, algumas palavras da Lílian e da Léo e as duas dizem
que tem compromissos e me deixam sozinha na mesa com ele e me falam que
depois é para eu ir para a escola e fazer com que ele se sinta a vontade.
Coração disparado, ansiedade lá nas cucuias, outra inspiração (mais discreta) e
começamos a falar sobre copa do mundo (Espanha e Paraguai jogando); mas 5
minutos de conversa foram suficientes para eu ver que Frank é um cara muito
legal e tranqüilo, e que ele já está bem a vontade e realmente gosta de uma boa
conversa. Ah sim, agora já é Frank, ele é muito jovem e alto astral para ser
chamado de sr Totino. Muito engraçado ele tentar aprender a falar meu nome
certo. Ele pergunta se eu sou atriz, falo que estou na escola e ele acha isso o
Maximo, assim eu saberei do que ele está falando (saberei??), calma, tudo vai
dar certo.
Primeira regra do dia: que eu fique ao seu lado todos os momentos para poder
traduzir tanto do inglês para o português, mas especialmente para ele saber o
que as pessoas querem ou precisam; claro que adorei a idéia!
Terminado seu bife com salada, fomos para escola, algumas pessoas já
presentes para o curso, ele faz questão de cumprimentar a todos e perguntar
seus nomes, as pessoas ainda tímidas falam e não conversam muito com ele. Ai
vem o segundo momento “onde é que vim me enfiar” vejo que tem algumas
pessoas que também já moraram fora e falam muito bem inglês, e ai cai a ficha,
e se eu traduzir alguma coisa errada??? Agora não tem volta.
Eis que chega a Ligia na sala e vem falar direto comigo “você é a Jurema?”, “sim
sou eu”, duas trocas de palavras, Frank entra na sala e eu deixo os dois
conversarem tranqüilos (as pessoas podem até me acharem extrovertida, mas a
verdade é que em várias situações eu realmente não consigo falar uma palavra,
e esse encontro com a Ligia foi uma dessas).
COMEÇA A AULA
As 18hr em ponto começamos o curso, eu como papagaio de pirata do Frank,
fazemos um circulo e ele começa a falar, controlo minha ansiedade e começo a
traduzir frase por frase. Ele me apresenta como tradutora e começamos o
curso.
Frank fez parte da companhia Loose Moose, dirigida por Keith Johnstone,
primeira companhia de teatro jogo. O trabalho deles começou em 1977 e o lema
de Johnstone é “Don’t be prepared”. Muito da introdução de Frank está no seu
site http://www.franktotino.com/
Ele pergunta para o grupo “por que as pessoas vão ao teatro, ao cinema, lêem
livros etc?”. a resposta mais comum é “para identificação”, ele concorda, mas
parece que ele quer alguma outra coisa, até tenho algumas idéias, mas decido
não expô-las, pensando nisso agora, vejo que deveria ter falado, afinal, como
Frank mesmo disse, a criatividade está justamente em não reprimir suas idéias;
algumas fichas demoram pra cair.
Percebo que o teatro de improviso e’ muito mais que um jogo, e vários do
exercícios ele fala que poderão ser usados em texto de teatro.

Primeiro jogo:
Em circulo, o jogo é: temos que fazer a seqüência numérica de 1 a 7 três vezes
seguidas sem errar.
As regras: o número 1 coloca a mão esquerda no peito e aponta
obrigatoriamente para sua direita (com a mão direita) falando seu próprio
numero. Para quem ele apontou, este é o numero 2, que também ira colocar a
mão esquerda no peito e apontar com a mão direita, mas desta vez ele pode
apontar tanto para direita quanto para a esquerda. A seqüência ate número 6
será feita desta forma, não importa para que lado a pessoa aponte, deste que a
mão esquerda esteja no peito e a direita aponte para o lado esquerdo ou
direito. A pessoa que for o número 7 irá apontar para cima, dizer seu número e
apontar para qualquer pessoa no circulo, que passa a ser o número 1 e o jogo
recomeça.
Isso exposto o grupo começa a conversar entre si para ver se realmente
entenderam as regras, e Frank comenta o fato de termos sempre que
confirmar o que acabamos de ver ou aprender, e isso é o medo de errar. Temos
tanto medo de errar que vem essa necessidade de confirmação de tudo o que
foi falado ou aprendido.
O jogo começa e claro que erramos logo de cara, confusão com as mãos, não
sabemos para quem apontar e quando finalmente chegamos no 7, não lembramos
o que é para fazer, até o Frank erra, mas ele errou porque não sabia que depois
do “cinco” vinha o “seis”, ele ouviu “cinco” e falou “seven”. Ainda bem que
percebemos essa dificuldade lingüística dele, e toda vez que o numero chegava
nele eu e Isabela falávamos em inglês para ele saber a seqüência.
Finalmente acontece, fazemos o jogo 3 vezes sem errar e terminamos a
partida.
A pergunta que ele faz é: como aprendemos a jogar? A resposta é: errando.
Aprendemos as regras e conseguimos jogar corretamente a partir do momento
que arriscamos e erramos, e depois do erro continuamos a jogar sem nos
apegarmos ao erro, apenas usando-o como maneira de saber como não fazer
alguma coisa, até que o jogo aconteça instintivamente.
A conclusão: errar é uma coisa boa, porque só assim podemos saber como fazer
de outra maneira, para tentar acertar.
Observação minha: A tentativa do acerto logo no principio pode ser frustrada,
mas os erros nos mostram como fazer diferente, é aí que começamos a criar, a
partir do erro é que vamos ser criativos para fazer diferente e assim ter um
resultado inesperado (tanto faz se acertamos ou erramos, é a tentativa que
nos prende ao jogo – nós e platéia - tanto é que apenas o Frank notou que
acertemos 3 vezes seguidas a seqüência.).

Segundo jogo:
Duas pessoas, cada uma num canto da sala, irão andar em linha reta, em sentido
de colisão, mas não irão bater um no outro.
Os primeiro voluntários tentaram acertar de qualquer maneira, então a cena
ficou totalmente artificial, mas depois que ele apontou isso todos fizeram
muito bem.
Então foram colocados todos para andarem de um lado para outro da sala e
algumas pessoas tinham compromissos, como pegar um trem, estar atrasado
para uma reunião etc. O resultado foi muito bom, ninguém trombou em ninguém.
A seqüência foi pegar 2 pessoas e fazer a mesma coisa que no inicio, mas desta
vez em câmera lenta e uma das pessoas falando o que estava fazendo, desde a
hora que nota a outra pessoa até conseguir desviar. Claro que foi um desastre.
Conclusão: muitas coisas que fazemos todos os dias são feitas do lado
instintivo do cérebro e não do lado racional, e quando tentamos racionalizar o
que estamos fazendo, não fazemos nem uma coisa nem outra.
Observação minha: talvez seja essa uma das dificuldades de atuar, porque
racionalizamos muitas coisas no teatro que fazemos instintivamente na vida
real, e essa racionalização causa estranhamento para quem assiste.
Terceiro jogo:
3 pessoas fazem um triangulo e ficam olhando para o chão.
Regras: ao comando as 3 pessoas irão olhar umas para as outras, estabelecer
contato visual e 2 pessoas irão determinar a saída da terceira, sem usar
nenhum outro recurso a não ser olhar nos olhos das outras 2 pessoas. Aquele
que achar que foi excluído deve levantar a mão assim que se sentir excluído.
O jogo que parecia não ter muito nexo com o restante, foi muito bem
aproveitado no final da aula, como falarei depois. Participei deste jogo; achei
que eu tinha sido excluída porque enquanto olhava para Tamara ela não olhou
para mim, mas o Alexandre estava tentando fazer contato comigo (excluindo a
Tamara), mas eu levantei a mao primeiro. Isso me fez pensar que as vezes
achamos que estamos excluídos mas não nos damos tempo de ver o jogo todo.

Depois desse exercício houve um intervalo rápido, e uma surpresa muito


agradável, algumas pessoas vieram me perguntar há quanto tempo eu
trabalhava com o Totino. Falaram que tínhamos uma conexão muito legal e que a
tradução estava ótima (comentário tantos das pessoas que não falavam inglês,
como as que falavam). Momento de alegria e descontração para mim!

Quarto jogo:
Todos juntos, todos são cardiologistas numa conferencia em Saraievo (lugar
escolhidos por nós mesmos). A sala foi dividida nos grupo A e B.
Regras: grupo A irá tentar sempre fazer contato visual com as pessoas e irá
continuar olhando as pessoas por quanto tempo quiser. Já o grupo B irá tentar
fazer contato visual, e quando conseguir não consegue continuar olhando para a
pessoa, mas tentará de novo. Depois os grupos alternaram as instruções, o
grupo A não consegue manter o contato visual e o grupo B olha o quanto quiser.
Totino pergunta o que as pessoas sentiram, e a conclusão foi a seguinte: que
mesmo tendo a mesma profissão, estando no mesmo patamar, apenas a
diferença do comportamento nos faz sentir num status superior ou inferior em
relação ao outro. E isso foi o ponto do exercício, a diferença de status faz
surgir situações interessantes, conseqüentemente o publico também irá ficar
atento ao que acontece.
Na seqüência foram colocadas mais regras: o grupo com status superior
também deve tocar na pessoa com quem fala, manter os pés divergentes, e
antes de falar deve fazer uma inspiração profunda (um som). Enquanto que o
outro grupo (com status inferior), deve tocar o próprio rosto enquanto fala,
gaguejar um pouco antes de começar a falar e manter os pés convergentes. As
regras dos contatos visuais continuam as mesmas em cada grupo.
Foi interessante notar que mesmo todos sendo cardiologistas, quem estava no
grupo de status inferior se sentia diminuído em relação àqueles que tinham o
status superior. Também interessante que depois de algum tempo cada um já
tinha uma história pessoal e como fica diferente quando se muda de status.
Conclusão: que a diferença de status é constituída mais pelo comportamento de
cada um do que por elementos externos (como profissão, condição social etc).
Observação minha: que a gente tem a tendência de se “vingar” quando somos do
grupo que tem o status superior, isso porque fazemos questão de falar com
aqueles que tem o status inferior e que, no bloco anterior, eram superiores a
nós e vieram conversar conosco. Estar no status inferior nos deixava mais
vulneráveis e tentando evitar contato com o outro grupo, que insistia em falar
com as pessoas do grupo com status inferior, e não era raro 2 ou mais pessoas
de status superior abordarem 1 de status inferior e não deixá-la sair da
conversa. E deste exercício eu também participei!

Quinto jogo:
Em duplas, um da dupla dá um presente imaginário para o outro, quem recebe
agradece, num primeiro momento não se fala o que deu nem o que achou que
recebeu. Num segundo momento quem recebe fala o que recebeu e quem deu
continua com a idéia mesmo não sendo aquilo que tinha pensando.
Regras: a pessoa que irá receber tem que aceitar o presente e gostar dele e
precisa continuar com a idéia de quem deu, por exemplo, se a outra pessoa
estiver carregando alguma coisa pesada, a pessoa que receber tem que levar
isso em consideração para manter o jogo.
Conclusões: Totino falou que o mais importante é ajudar o outro a se sair bem
da improvisação, não temos que tentar ser aquele que irá fazer o publico rir,
devemos sempre jogar com o outro e tentar entender o que ele está propondo,
e se a proposta partiu de você, mas o outro entendeu outra coisa, jogue junto
com ele e continue com a idéia que veio do outro. Se você acha que teve uma
idéia super criativa, mas seu parceiro teve outra, continua no jogo dele. Quanto
mais jogarmos na idéia do outro, melhor o trabalho de improviso flui.

Sexto jogo:
Duas pessoas, uma deles sentada no sofá, a outra irá entrar e começar uma
ação.
Regras: a pessoa que entra em cena só pode falar depois que a pessoa que
estiver no sofá falar; a pessoa que está no sofá só pode falar quando achar que
sabe quem é. A pessoa que entra irá determinar, sem falar quem é a pessoa que
está no sofá.
Observação minha: parece ser mais fácil a pessoa que entra se fazer de alguma
coisa e a pessoa do sofá se adaptar a isso, por exemplo, eu entro e determino
que sou uma manicura e a outra pessoa se sente como uma madame e começa a
improvisação. Mas também teve um cena que foi ótima, quando a Luciana entrou
e se ajoelhou na frente do Marco e ele assumiu que era um padre.
Conclusão: Frank falou que sempre temos que fazer ações positivas porque são
mais fácies de serem entendidas pelos parceiros e tentar começar sem
conflitos ou problemas, porque, caso contrario, a cena não terá alteração e o
interessante é ver a transformação em cena. Também que o publico percebe
se tem alguém que tenta sempre ser o foco e isso pode atrapalhar, caso o
improvisador entrar sempre na cena do outro (inclusive ele deu exemplo de um
integrante do Loose Moose que fez isso e o publico reagiu de maneira negativa
com ele).

Sétimo jogo:
Aqui temos o jogo que é a conclusão do trabalho que fizemos no triangulo.
Quatro pessoas, duas estão no sofá, que representava a sala de estar, duas
pessoas chegam.
Regras: sempre terá que se formar um grupo de 3 pessoas, e excluírem uma, a
pessoa excluída tem que conseguir expulsar alguém para fazer parte do grupo.
Nos primeiros grupo foram feitos 2 casais, e a parte mais interessante é
justamente essa troca de quem é o excluído, e isso é nítido para a platéia.
Foi perguntado ao Totino se o publico entenderia esse jogo se não soubessem
as regras (um tem que ser o excluído), ele explicou que a graça está nas
relações e comportamento dos atores, e mesmo sem saber a regra básica de
exclusão, o publico irá entender a situação.
Observação minha: Voltamos a conclusão que o jogo é o que interessa e que os
atores (preocupados em jogar pelas regras) não se preocupam com a cena de
maneira racional, porque toda sua racionalidade está em não ser o excluído,
então as estratégias são criativas porque são espontâneas.
Conclusão: Frank também falou que é muito importante durante a improvisação
os atores perceberem que a cena precisa mudar de clima, por exemplo, quando
4 meninas estavam jogando (2 moram juntas e 2 estão vindo para visitar),
houve um momento muito interessante onde 3 atrizes excluíram a quarta
quando as 3 começaram a apontar para ela (Andrea) e dizendo que ela precisava
mudar de atitude, Totino terminou o exercício naquele ponto e falou que daí
seria necessário mudar o tom da cena (que era muito alto e quase gritado, bem
engraçado), ele falou que uma boa estratégia para Andrea seria falar que
poderia se jogar da sacada do apartamento se elas continuassem com essa
situação (dessa maneira isso poderia causa uma reação inesperada com essa
situação e ela conseguiria se tornar o centro da atenção e as outras iriam
excluir uma outra que demorasse para entrar no jogo).

04 de Julho de 2010.

Chego na escola 50 minutos antes da aula, apenas alguns poucos chegaram,


conversamos sobre a aula de ontem e o quanto aprendemos em apenas cinco
horas.
Vamos para a sala e Frank chega em cima da hora, o motivo: estavam
recapeando a calcada e espirrou concreto no seu paletó, e diga-se de passagem,
foi o único que ele trouxe. Isso o deixou chateado a aula toda, e eu so’ soube
disso porque ele falou no final da aula, porque em momento algum ele deixou
transparecer.
Hoje não teve Lilian, Ligia ou Leo, apenas a turma que fez aula ontem. Apesar
que a Leo apareceu antes da aula para deixar a câmera da escola comigo para
tirar fotos para o artigo que será escrito sobre este curso, então agora alem
de tradutora, virei fotografa =)
Fiz minha lição de casa e pesquisei sobre Johnstone e Loose Moose, falei para
Frank que tinha feito um relatório sobre a aula de ontem que foram cinco
paginas, ele achou ótimo.
Estamos mais familiarizados uns com os outros e todos com o Frank,
expectativas la’ no teto e vamos pra aula.

Frank começa a aula perguntando se havia algum comentário sobre a aula de


ontem. Acho que estamos todos meio abalados ainda com a desconstrução
rápida que ele esta’ tentando fazer conosco, não tiveram muitos comentários,
apenas as fichas caindo de que quando éramos crianças era muito fácil
improvisar e não planejar uma historia para conseguir se envolver com ela, e
como e’ difícil isso agora.
Não sei porque estou com problemas de lembrar a sequencia exata dos jogos
feitos, mas vou colocar todos na medida que for lembrando (claro que errei a
sequencia e depois tive que voltar para corrigir).

Primeiro jogo:
Homens de um lado e mulheres do outro, formando duas filas uma de frente
para outra. Na verdade cada grupo e’ um único ser: um homem e uma mulher.
Regras: como cada grupo e’ uma pessoa, todos tem que falar juntos a mesma
palavra, não deve haver um líder e liderados, se alguém perceber que esta
liderando a fala, deve se conter e esperar o grupo, como aquele que estiver
seguindo os outros tem que acelerar e alcançar a idéia.
Foi muito engraçado no começo, ate os grupos conseguirem realmente falar
alguma coisa, no final tínhamos Maria e Mario que se conheceram e marcaram
de ir ao restaurante japonês. Tudo isso foi feito com as situações que o Frank
colocava para eles, ate’ mesmo falando para fazer perguntas do tipo “quer sair
comigo?”
Depois disso veio a surpresa, porque Totino contou que fez este jogo com mais
de 300 pessoas e Johnstone fez com mais de 6 mil, mas elas estavam em coro
num único bloco e que assim e’ mais fácil. Todos duvidamos disso, o jogo não
tinha sido assim tão bom, foi engraçado ver eles tentando falar todos juntos,
mas por varias vezes eles não conseguiam completar as frases de primeira.
E e’ claro que o próximo passo foi colocar todos em coro e tentar como um
único ser conversar com Frank sem nem mesmo saber o que ele iria perguntar.
E não e’ que a sabedoria da experiência fala a verdade, como ele havia dito, foi
muito mais fácil o grupo todo conversando com o Frank do que os dois grupos
menores. A única voz deste ser criou uma historia fascinante, era um mestre
em comunicação que criou uma maquina do tempo e foi para a era paleolítica e
encontrou com um dinossauro voador que fez com que ele voltasse para a
maquina e sobrevivesse ao ataque, o mais interessante foi que as perguntas do
Frank eram simples, do tipo “eu sei que você e’ especialista, mas qual sua
especialidade?” “qual foi sua tese?” “você usou sua invenção?””pra onde você
foi?”, a criacao foi coletiva.

Segundo jogo:
Todos em roda, iremos contar uma historia, mas cada um so pode falar uma
palavra de cada vez. Desta vez Frank não pode participar como no primeiro dia,
porque ele não fala português, e eu fiquei de fora para traduzir a historia para
ele.
Regras: cada um so pode falar uma palavra de cada vez e o próximo tem que se
esforçar ao maximo para manter a historia coerente.
O que aconteceu foi que começaram bem (comi manga na casa dos meus pais),
mas o problema surgiu quando em determinado momento, apareceu um
dinossauro na historia, quem foi comido pelo dinossauro foram os convidados da
festa. Neste momento o Frank parou o jogo.
Conclusão: temos a tendência de não querer entrar no perigo e projetamos os
problemas para outras pessoas ou coisas que estão em cena, mas o interessante
e’ justamente o contrario, que no’s tenhamos que encarar o perigo e que haja
esse confronto, o que não pode acontecer e’ o ator (improvisador) fugir do
perigo jogando o problema para outro lugar (neste caso, o dinossauro atacar os
convidados da festa e não quem contava a historia).

Terceiro jogo:
Continuação do segundo, mas desta vez apenas duas pessoas e as demais
assistem.
Mesmas regras, cada um so pode falar uma palavra de cada vez e criar uma
historia, não existe tema inicial. A regra nova: fazer a mímica do que se conta,
por exemplo, se falar que estava correndo, fazer a mímica (no lugar) da
corrida.
Houve historias hilárias, destaque para dupla que fez o passeio na floresta, ela
encontraram um grilo, que entrou nos nariz, passou pelos olhos, entrou no
cérebro, elas ficaram sem ver nada, no escuro completo, quando finalmente o
grilo sai pela cabeça e tudo fica iluminado novamente.
Essa historia levantou o comentário ótimo de que num primeiro momento a
platéia pode ficar ate decepcionada quando o improvisador encontra um grilo
(esperamos um crocodilo, um monstro, mas um grilo), e foi maravilhoso ver que
apenas um grilo pode causar tanta agitação e situações inusitadas, e de quebra
o Frank falou que foi a parábola perfeita para explicar a improvisação: você
começa com uma idéia comum (a floresta), chega um elemento surpresa que
ninguém espera (o grilo), sem saber muito bem como tudo fica escuro e com
uma idéia simples, mas aceitável para o publico, tudo volta a luz.
Frank apenas apontou um cuidado a se tomar quando se faz improvisação,
sempre manter contato visual com seu parceiro de cena, em determinado
momento uma das meninas fechou os olhos, mas a outra continuou a segui-la de
olhos abertos, como tudo e’ muito rápido e como o exercício era feito de
mímicas, isso poderia causar um desequilíbrio no jogo entre elas, mas foi
apenas um detalhe por um período pequeno e que não afetou a performance
delas.
Depois disso fizemos todos ao mesmo tempo em duplas e eu pude fazer
também, ate o momento que a Paula chegou. Muito mais fácil assistir do que
fazer, quando estamos de fora parece que as idéias vem mais fácil, mas são
aqueles 10 passos entre palco e platéia que nos faz mudar completamente e
deixar de ser natural, espontâneo e criativo (observações do próprio Frank).

Antes de começar o proximo jogo Frank explica seu conceito sobre “atitude”;
atitude e’ o que você pensa sobre outras pessoas ou objetos em cena, na
verdade o que seu personagem pensa em relação a isso. Por exemplo, podemos
ter atitude em relação aos moveis (se são modernos, de bom gosto, velhos,
cheiram mal etc) e isso não precisa ser mostrado para o publico. Em relação
`as pessoas, as atitudes podem ser: penso que aquela e’ perigosa, gentil, sexy,
triste, feliz e assim por diante.
Com isso exposto, entramos no quarto jogo.

Quarto jogo:
Uma sala de espera do consultório medico. Duas pessoas entram para aguardar
sua vez.
Regras: cada pessoa terá uma atitude em relação ao moveis do escritório, não
haverá fala, mas pode haver interação entre as pessoas, na medida do possível.
Interessante notar num primeiro momento a necessidade de mostrar o que se
acha sobre os moveis, as vezes entramos num lugar e não gostamos do que
vemos, mas nem por isso temos um reação. Mas depois dessa observação do
Frank vieram cenas muito interessantes, como quando a atitude era que os
moveis eram velhos e inadequados e cheiravam mal, engraçado ver o ator sentir
o cheiro ruim e não querer mostrar para o outro o que ele esta tentando fazer
(cheirar os moveis para ter certeza de onde o cheiro vem)
Claro que o jogo não fica apenas nisso, depois de entendida essa parte, ele
complica um pouco adicionando atitude em relação a outra pessoa em cena.
Agora e’ necessário ter uma atitude em relação aos moveis e`a outra pessoa.
Ele fala de como ‘e interessante como platéia ver o conflito de atitudes, como
da vez que uma tinha atitude em relação a outra achando que ela era muito
inteligente, e esta achava que a primeira era engraçada.
A variação um pouco mais complexa foi ninguém saber qual a atitude das
pessoas em cena, nem mesmo uma sabia a atitude da outra em relação a ela,
foram cenas muito interessantes.
E como tudo o que o Totino faz, ele so’ deu o gostinho do que era o exercício e
deixou para o final a melhor parte, que falarei depois.
Então partimos para a parte pratica, depois de algumas cenas onde os demais
assistiam, ele propõe para que todos façam o jogo ao mesmo tempo para poder
experimentar, como Paula estava atrasada, eu tive a oportunidade de fazer o
exercício, o que foi ótimo para ver como e’ difícil pensar quando se esta’ em
cena. A minha atitude em relação a Marilia era que eu a achava muito
inteligente, e ela em relação a mim era que ela me achava muito metida, nossa
cena era ela estava indo para Paris e eu iria leva-la ao aeroporto, nossa relação,
nos somos amigas. Eu percebi que ela realmente tinha uma atitude meio
agressiva em relação e mim e não foi difícil perceber o que eu chamei de
“inveja”, mas acho que não agi muito bem com ela, não joguei junto, apesar que
estava tentando ser muito agradável e acho que isso não seria uma coisa fora
da realidade neste caso, enfim, se fosse fazer a mesma idéia hoje, faria
diferente, mas como a improvisação acabou, ficou aquela sensação de que não
ajudei minha parceira de maneira efetiva.
Conclusao: Frank deu um exemplo interessante sobre ajudar o outro o cena e
saber da sua importância, e sobre atitude em relacao a tudo, neste momento da
aula ele falou sobre “não existe papeis pequenos, apenas atores pequenos” e
usou um exemplo de um ator inglês da Royal Shakespeare Company (vou ter que
procurar o nome dele), ele fazia Ricardo III e tinha alguns jovens atores que
faziam a guarda real, eles não tinham fala, mas eram os guarda-costas do rei,
um desses atores estava em cena, mas sua postura era péssima, ele não estava
prestando atenção no rei e nem em nada que acontecia em volta, estava apenas
parado em pe no palco, em determinado momento o Rei chegou ate ele, falando
o texto e deu uma bofetada em seu capacete, o que fez o jovem ator ficar mais
atento do que nunca ate o final da peca. No camarim o jovem ator foi perguntar
para o outro por que ele tinha feito isso, a resposta foi uma lição de teatro:
você era o guarda-costas real, mas não estava prestando atenção em nada do
que acontecia comigo em cena, o publico repara nessas coisas e passam a
questionar o motivo de você estar no palco, você deveria ser o soldado mais
bem treinado, então sua atitude em relação a tudo deve ser marcante (não para
o publico, mas para você), não importa que você não tenha falas, você tem um
motivo para estar em cena e isso deve preencher qualquer eventual vazio que a
falta de fala possa gerar.
E isso já nos faz pensar em outro conceito: objetivo.
Objetivo e’ o que você quer do outro, o que você precisa alcançar na cena (ou
peca), exatamente aquela definição de Stanislavisk.
Então o jogo anterior foi aprimorado e agora os improvisadores tem uma
atitude em relação ao outro e um objetivo, mas Frank dava primeiro a atitude,
depois o objetivo e so’ no final que ele falava qual seria a relação entre os
improvisadores e onde se passa a cena.
Para dificultar ainda mais, depois ele acrescentou uma terceira pessoa na
cena, então eram 3 pessoas, cada uma com suas atitudes em relação aos outros
2 (que eram diferentes para cada um e escolhidas pela própria pessoa, sem
contar a ninguém quais eram) e cada um com seus objetivos (que também eram
diferentes para cada um, mas desta vez Frank dava os objetivos e todos
sabiam quais eram), e so’ depois ele dava a relação e a situação.
Num segundo momento o objetivo so’ foi revelado para a própria pessoa, o que
torna o jogo muito interessante porque todos ficavam atentos para tentar
descobrir quais eram as atitudes e objetivos que estavam em cena.
Parecia bem simples, mas novamente, quando se esta’ em cena parece que
questionamos ainda mais nossos instintos; como Frank disse, alguma coisa
acontece naquele espaço entre platéia e palco, porque quando estamos na
platéia tudo parece fácil de ver e perceber, mas quando pisamos no palco
parece que essa naturalidade em ler as pessoas e situações evapora e ficamos
so’ no racional.
Um exemplo disso foi: estavam em cena Alice (namorada), Alexandre
(namorado) e Marco (garçom).
As atitudes eram: Marco para Alice – ela era doida; Alice para marco – ele era
atraente.
Por varias vezes Alice tentou tocar Marco, mas ele pulava para trás e ela
ignorava esse sinal e continuava a investida. Frank apontou esse detalhe e eles
seguiram a cena. Em determinado momento o Alexandre levanta e bate na
mesa, e a expectativa estava criada, porque ele era o namorado e estava vendo
sua namorada dar em cima do garçom, e ele fala “vou ao banheiro”, foi muito
engraçado, mas desta forma ele foge do conflito, por isso Frank disse que
seria melhor se Alexandre falasse qualquer coisa que afetasse os outros dois
de maneira mais direta e, principalmente, sem sair da situação.
Na sequencia teve a cena da Luciana e Isa que eram irmãs. Havia uma situação
de conflito porque Luciana queria que Isa reconhecesse sua inteligência e a Isa
queria que a Lu pensasse que ela era a alma da festa (para esconder sua
insegurança). Logo no inicio da cena elas se abraçam e por causa dos objetivos
e maneira com que elas construíram essa relação, aquele abraço teve algo de
estranho, a Luciana não queria recebe-lo, e essa reação de repulsa foi
espontânea, sutil, mas perfeitamente perceptível para o publico, o problema
veio depois porque elas não trouxeram mais esse conflito para a cena. Então
Frank parou a cena e explicou a importância daquele evento e explicou sobre o
“circulo de expectativas”, que e’ tudo o que damos para o publico de forma que
eles criem uma expectativa do que ira’ acontecer depois, e aquele abraço
causou essa expectativa no publico, e elas deveriam ter aproveitado isso em
cena; quando não e’ aproveitado causa estranhamento no publico (e talvez ate
frustração). Como o Frank falou, temos que tentar fazer uma cena onde a
sequencia de acontecimentos seja mais ou menos essa: nada, nada, nada, alguma
coisa acontece; nada, nada, nada, mais alguma acontece (normalmente um pouco
maior que a anterior); nada, nada, nada, e ai uma grande coisa acontece. O que
ele frisou muito foi que não podemos começar já dando tudo para o publico (e
também para o parceiro) e também não podemos demorar para dar alguma
coisa, porque desta maneira fica difícil ate’ mesmo quem estiver em cena com
você tentar fazer tudo sozinho, e’ um jogo de conexão com o outro constante.
Outra observação importante do Frank sobre o circulo de expectativas e’ que
não devemos expandi-lo alem da conta, caso contrario entramos no absurdo e o
publico para de criar expectativas simplesmente porque não conseguem mais
seguir nossa linha de pensamentos, por exemplo, um chega e fala “por favor
segura meu hipopótamo” e o outro responde “so se você segurar meu elefante”,
que tipo de expectativas o publico terá para essa cena? (e os improvisadores
em cena), então o próximo passo fica comprometido e cena se acaba. Ele falou
que muitos improvisadores fazem isso para conseguir uma risada fácil do
publico, mas dessa maneira deixam de jogar junto com o parceiro e o jogo
termina. Vale lembrar que o mais importante e’ o jogo, e’ isso que seduz a
platéia especialmente na improvisação.
Ele também falou sobre como quando fazemos improvisação (e mesmo numa
peca escrita) que todos os elementos que aprendemos são como aros de uma
roda de bicicleta, e não importa quais usamos, todos levam para o centro da
roda. E essa metáfora também deve ser aplicada com relação aos atores que
estão com você no palco, não importa o que cada um faz (ou fala) todos são
aros que levam o publico ao centro da roda, não importa qual aro o publico
escolha para seguir ate o centro, todos tem a mesma importância, caso
contrario não estariam la’.

05 de Julho 2010.
Curso com a criançada no Celia Helena, todos correndo para cima e para baixo o
tempo todo, vários participantes do curso estão dando esse workshop para as
crianças, acho que já sei de onde veio toda a energia que quase não cabia na
sala na hora do curso; e isso refletiu muito nos jogos (eu achei divertidíssimo
assistir hoje). Sem contar que qualquer vestígio de vergonha já sumiu
completamente de todos, somos um grupo e topamos tudo o que o Frank propõe.

Primeiro jogo:
Let’s...
Vamos...
Todos juntos, será dada uma situação e alguém ira propor o que fazer, essa
pessoa fala “vamos...” (alguma coisa) e aqueles que acharem a idéia muito, mas
muito legal mesmo vão responder “sim, vamos...” (repetir e fazer a ação
proposta)
Regras: so’ pode fazer a ação aqueles que realmente acharem isso empolgante
ou divertido ou muito legal etc., caso contrario a pessoa deve sair do jogo e
sentar (não ira voltar ate começar de novo). Antes de propor a ação a pessoa
tem que falar “vamos...” e quem quiser jogar terá que falar “vamos...”. o
objetivo ao propor uma ação e’ fazer com que todos queiram faze-la.
A primeira sugestão foi todos na praia, e logo no inicio falaram “vamos nadar!”,
todos concordaram “sim, vamos nadar!”, na sequencia alguém propôs pegar
jacaré, e algumas pessoas desistiram, mas logo depois falaram de tomar sol, ai
varias pessoas saíram.
Conclusão: O Frank explicou que as vezes na improvisação temos essa
necessidade de mudar muito rápido a ação, mas que isso não e’ ajuda no jogo,
por exemplo, todos estavam se divertindo muito enquanto nadavam, mas
mudaram para pegar jacaré, e muito mais rápido veio a mudança de ir tomar
sol, o que fez varias pessoas desistirem; saber quando mudar a ação e’ a parte
mais importante, por talvez se você esperar um pouco mais para propor alguma
coisa você tenha mais chances de ter seguidores.
Minha obervacao: Ter a sensibilidade de saber quando realmente aquela ação
chegou ao final ou esgotou suas possibilidades. O que e’ muito mais fácil de
falar e ver quando estamos de fora.
Frank propôs algumas situações e todos queriam brinca, e quando eu digo
brincar, e’ brincar de verdade, por exemplo, na proposta “primeiro dia na escola
nova” tivemos guerra de papel, jogar papel na professora e por ai a fora.
Isso me fez lembrar de outra observação importante do Frank, que se o tempo
estiver certo, ate mesmo a proposta de ser pego fazendo alguma coisa errada
pode ser aceita pelo grupo, o tempo certo realmente e’ a chave deste jogo.

Segundo jogo:
What’s it come next?
O que vem depois?
Mesma base do exercício anterior, a sensibilidade de saber o que a outra
pessoa quer fazer (ou não), mas desta vez o jogo funciona da seguinte maneira:
uma pessoa no palco que começa em um local conhecido de todos e pergunta
para o publico “o que vem depois?” e a platéia sugere alguma coisa, se a pessoa
achar isso realmente empolgante (mesma idéia do exercício anterior) ela
concorda com o que foi falado e faz a ação ate o momento que não tem mais o
que fazer, ai pergunta novamente “o que vem depois?”, caso a proposta não
agrade, o improvisador diz “não” e temos que propor alguma coisa diferente.
Obs. Antes de começar o jogo o Frank nos mostrou como dizer um “não”
positivo, com os olhos bem abertos e com um sorriso no rosto, temos que
lembrar que sempre buscamos atitudes positivas para que os jogos aconteçam
de uma maneira mais fácil para todos.
Regras: so’ se deve fazer o que foi proposto se isso realmente motivar você.
A variação desse jogo e’ selecionar um comitê e somente o comitê faz as
propostas.
Nem preciso dizer que na vez a Isa conseguimos ver uma menina travessa que
acha uma chave no sofá e consegue entrar num quarto cheio de vestidos, ela
prova alguns e descobrimos que ela esta na casa do vizinho (Thiago entra para
jogar com ela). Olha o efeito ere na sala de novo.
Depois o jogo foi feito em duplas, a única mudança na regra e’ um
Pergunta “o que vem depois?” e o outro propõe, isso se repete ate o momento
que a pessoa que perguntou não aceita a proposta do outro (e fala o não
positivo), então a pessoa que teve a proposta negada pergunta “o que vem
depois?” e os papeis se invertem.
O objetivo e’ conseguir fazer com que seu parceiro aceite suas propostas, e
manter uma linha lógica de “pensamento” (na verdade, de brincadeira). No
começo uma dupla fazia e todos olhavam, ate o momento que Frank pediu para
todos fazerem.
Fiquei observando a sala e eram historias fantásticas, aulas de surf,
brincadeiras juntos, ir ao cinema e jogar pipoca em todos, e os momentos mais
divertidos de assistir foram quando duplas se encontravam e passavam a
formar quartetos ou ate mesmo uma multidão; no meio daquele aparente caos
sempre tinham pelo menos uma pessoa perguntando “o que vem depois?” e a
dinamica continuava, mas sem nunca se perder as duplas. Os figurinos foram
largamente usados nesse momento. Parecia que eu estava com as crianças de
primeiro ano na hora do recreio.

Terceiro jogo:
Para complicar um pouco a cabeça de todos e talvez para tentar baixar um
pouco a energia (que já não cabia na sala de tanta que era) Frank começou o
próximo jogo: Mantra
A principio um pedido inusitado, duas pessoas em cena, escolhem um versinho
(ou cação) infantil do tipo “batatinha quando nasce espalha rama pelo chão”,
pense so no primeiro verso e fique com ele na sua cabeça.
Regras: os improvisadores devem pensar nesse verso que escolheram durante
todo o tempo da cena, sem pausas; e devem interagir com o outro, falando, sem
para de pensar no verso e sem fala-lo em voz alta.
A primeira grande mudança que aconteceu foi a velocidade da fala, caiu
absurdamente, quem quer que fizesse a cena iria falar pausado e as vezes a
fala quase não saia, parecia que a pergunta mais simples como “você gosta de
sorvete” tinha uma resposta Tchekhoviana, as longas pausas eram freqüentes
(pra não dizer continuas). Muito interessante (e engracado) de se ver,
especialmente porque sabíamos porque os improvisadores estavam tendo tanta
dificuldade ao falar alguma coisa.
Depois de algumas cenas Frank pediu para todos fazerem juntos, desta vez ate
eu participei, estávamos numa festa. Ai percebi como e’ difícil falar com o
bendito versinho na cabeça. Me senti estúpida, mas algumas coisas me
ocorreram, meu corpo fazia movimentos que normalmente não faço, a ação fica
mais forte que a palavra (uma vez que o verso não me deixava falar direito),
realmente não e’ possível falar rápido, as vezes que eu tentei eu falava o verso
e não o que eu queria mesmo falar. Engraçado ver o padrão de comportamento
de todos mudar (inclusive o meu).
Conclusões minhas: tudo o que interfere com seu raciocínio ajuda a desenvolver
o lado irracional (instintivo) e altera seu padrão “normal”, principalmente o
físico, todos começaram a fazer movimentos e gestos que ate então não tinham
sido executados. Muito interessante ver que existe pensamento quando o
improvisador tenta falar, mesmo que esse pensamento seja uma rima infantil
brigando com os pensamentos da conversa, para a platéia parece outra coisa,
sem contar que isso pode ser usado para tentar descobrir estados novos que te
levem para pensamentos sobre a cena, mas durante o processo, tentar fazer
esse tipo de escolha para saber onde pode nos levar.
Também percebi que o pensamento e’ uma coisa muito complexa, porque mesmo
com o versinho na cabeça era possível pensar em perguntas e respostas de
maneira rápida, mas o difícil era falar pensando no versinho. Pensar em muitas
coisas ao mesmo tempo ate que e’ simples, expressar esses pensamentos e’ o
problema.

Quarto jogo:
Desta vez Frank nos mostra na pratica tudo o que estamos vendo nesses 2 dias
e meio de curso.
Ele elabora um “texto” simples de um chefe sentado vendo uma pagina
especifica de uma revista e o funcionário bate na porta. Dialogo:
C – entra
F – você me chamou
C – Ah e’ você Silva, entra (Silva entra)
F – você mandou me chamar
C – senta
F – porque mandou me chamar? (o chefe desliza a revista pela mesa ate que
Silva a veja)
F – Não queria que você tivesse descoberto desta maneira
C – você sabe que não admitimos isso aqui, voce terá que ir embora
F – mas você não pode reconsiderar?
C – desculpa, você terá que ir embora. (Silva anda ate a porta, se vira e fala)
F – eu não queria esse emprego estupido mesmo.
Frank dirige os dois atores apenas aplicando alguns conceitos.
Primeiro fala para o chefe ter o status alto e o Silva baixo; depois ele inverte
os status (e como fica mais engraçado), depois coloca os dois com o mesmo
status, primeiro alto (o que quase vira uma briga de fato) e depois baixo (muito
interessante de ver duas pessoas com medos diferentes), e por ultimo, o Silva
começa com status alto e o chefe com baixo e eles tem que ir mudando ate que
termine chefe com status alto e Silva com baixo, e a mudança alem de
gradativa tem que ser precisa em relação ao outro (em determinado momento
eles tem que estar com o mesmo status). Incrível como o mesmo texto vira uma
cena completamente diferente cada vez que ele muda apenas o status e tudo o
que vem com ele (conseguir manter contato visual ou não, as mãos, os toques
etc)
Depois ele coloca os objetivos e atitudes, muitas vezes conflitantes, e quanto
mais distante objetivo de atitude (por exemplo, achar o chefe engraçado e
querer manter o emprego a qualquer custo) mais interessante fica de assistir.
Quando usamos o mantra, ai foi mais interessante ainda, as risadas eram
porque sabíamos que as longas pausas e as caras eram por causa do mantra,
mas se analisássemos apenas a cena, seria muito intrigante saber o que estava
se passando, porque o pensamento era continuo. Mas o mantra não foi feito
com um verso como no exercício anterior, era apenas uma frase curta como “eu
te amo” ou “eu te odeio” ou alguma coisa do gênero. Os que fizeram notaram
que a frase alterava seu estado, mesmo quando o objetivo era muito diferente
do mantra (por exemplo, objetivo de mandar o Silva embora e o mantra era “eu
te amo”)
Observação minha: acho que esse exercício nos faz ter idéia de como ter
sempre um pensamento enquanto falamos e como isso realmente ira interferir
na nossa fala. Usar este exercício para conseguir estados diferentes na cena, e
depois voltar a fazer a cena normalmente e ver o que pode ser mudado.
O ponto alto desse exercício na verdade se transformou no ultimo exercício do
dia.

Quinto exercício:
Abandonamos nosso texto (quase um Shakespeare, segundo nossas conclusões)
e voltamos para a improvisação.
Desta vez não seria um mantra que iria ser usado, mas sim uma frase que o
improvisador tentaria falar todas as vezes que fosse falar alguma coisa, mas no
ultimo segundo, naquele momento que precede a saída do som, o ator deveria
mudar a frase para qualquer outra coisa.
Eis a cena: um casal (Thiago e Yara) trabalham na mesma fabrica, já se viram
mas nunca se apresentaram um para o outro, sentem atração um pelo outro
apesar de nunca terem se falado. Faltando 5 minutos para o final da hora do
almoço, o Thiago esta sentado num banco e a Yara se aproxima, começa a cena.
A frase que os dois querem dizer um para o outro e não conseguem e’ “eu te
amo”, mas eles so poderão dizer se realmente tiveram certeza disso (como foi
orientado que eles não teriam essa certeza, eles não poderiam dizer, mas iriam
tentar muito).
O resultado foi surpreendente. Os dois começaram a se envolver um com o
outro e falaram sobre tudo, dividir o sanduiche que o Thiago comia, falaram
sobre o tempo, sobre o trabalho. E toda vez que o Frank falava que um minuto
havia passado, era nítida a reação dos dois. A conversa nunca foi sobre o que
um sentia ou queria do outro, eles continuavam a falar de coisas triviais, mas
parecia que a qualquer momento alguma coisa iria acontecer. Finalmente Frank
soa o sinal do final do almoço e a Yara fala de ter que voltar para o trabalho e o
Thiago fala que não ouviu nada, e quando finalmente pensamos que alguma coisa
poderia acontecer, mesmo que não fosse a frase, pelo menos a tentativa do
beijo, um vira para o outro e fala “a gente se vê por ai” e a Yara sai de cena...e
deixa uma plateia sem falas.
Frank fala de como e’ difícil conseguir fazer uma cena de amor parecer real, e
as vezes não precisa de muita coisa, uma frase obvia pode alterar seu estado e
atingir a outra pessoa e o resultado e’ uma delicia de se ver.
Frank comenta O Jardim das Cerejeiras de Tchekhov e fala dessa relação com
o tipo de subtexto.
Observação minha: incrível ver a mudança nos atores. E nunca imaginei que
improvisação pudesse ser tão intensa, ninguém respirava assistindo e não
ouvimos nenhuma risada durante a cena toda, e quando acabou queríamos saber
da próxima cena e de como essa historia iria acabar.
Também percebi que alem de bons atores-improvisadores esse tipo de teatro
precisa, acima de tudo, um excelente diretor que saiba o que esta’ fazendo e
saiba conduzir a cena e introduzir os elementos certos na hora certa (muito
importante saber o tempo das cena, caso contrario a proposta pode não ser
aceita pelos improvisadores; as vezes esperar um pouco pode ser a chave para
conseguir um bom desempenho de quem esta em cena). Também e’ muito
importante se deixar experimentar e deixar os julgamentos totalmente de
lado, alem de manter a concentração e saber ouvir os estímulos que o diretor
da’ sem perder o foco na cena. Ou seja, e’ um trabalho de grupo que depende
de uma excelente escuta de todos os lados, e quando conseguimos isso, vemos
uma cena como esta, que deixa a platéia pensando por muito tempo e querendo
que algo semelhante aconteça de novo para toca-las da maneira que foram
tocadas.

E assim terminamos a aula, e desta vez eu fui para o restaurante com todos e
parece que o grupo ficou ainda mais unido e a admiração pelo Frank aumentou
mais ainda, porque agora aprendemos como aplicar o que ele ensinou e vimos
que resultados podemos ter.

06 de Junho 2010.
Hoje o clima da aula estava diferente, não chega a ser um clima ruim, mas
todos sabíamos que era a ultima aula, e depois de 5 horas essa experiência (que
tem sido tão intensa) iria acabar. (obs. Estou escrevendo no dia 08/06 porque
ainda estou processando tudo isso). Hoje também foi o dia do fotografo
profissional (Joao), afinal precisamos de ótimas fotos para o artigo na revista.

Começamos a aula retomando a cena da aula passada, com texto entre chefe e
Silva. E claro que aplicamos todos os tipos de jogos que fizemos nos últimos 3
dias. Isso fez muitas fichas caírem. E o Frank realmente queria que todos
experimentassem as técnicas nessa cena.
Todos fizeram a cena e cada um tinha diferentes instruções de como agir, e o
interessante não eram as falas, mas a interação entre os atores durante a
cena.
Em uma cena ele sugeriu para quem estivesse com o status mais alto, que não
mexesse a cabeça quando falasse e a mantivesse bem erguida, e quem
estivesse com o status baixo deveria balançar a cabeça enquanto falava, o
resultado foi muito interessante, realmente manter a cabeça, de preferência
bem erguida, e falar faz com que a pessoa tenha um ar de superioridade
instantaneamente, já quem balança a cabeça enquanto fala e não consegue
manter o contato visual fica um jeito meio bobo e frágil, e isso ajudou muito a
dinâmica da cena, fez muita diferença na qualidade das ações e falas que os
atores em cena.
Mas o engraçado foi quando Frank pediu para que todos tentassem ficar com a
cabeça erguida e parada na hora de falar, a idéia e’ muito mais fácil que a
execução; mexíamos as sobrancelhas, o queixo, a única coisa que não
conseguíamos era ficar com a cabeça parada (eu tentei durante a tradução e
foi um desastre).
Com essa observação o Frank propões um jogo.

Primeiro jogo:
“O Rei”.
Uma pessoa fica sentada no trono e a outra tenta agrada-la a todo o modo, e
quando “O Rei” não gostar de qualquer coisa, estala os dedos e o servo morre,
ai entra outro e assim por diante. O objetivo do servo e’ manter-se vivo o maior
tempo possível.
Regras: o Rei não tem que tolerar nem a mínima ação que ele não goste, ate
mesmo demorar para fazer alguma coisa pode ser motivo para que o Rei estale
os dedos. E uma vez que o servo morreu, ficara estendido no chão ate o final
do jogo.
Tivemos situações hilárias, principalmente quando a Marilia foi Rei (sim, todos
eram Reis), destaque quando Frank sugeriu para uma das meninas “limpar” os
corpos dali e morreu, a Marilia justificou que agora ela conseguia ver os corpos.
Frank pediu desculpas, mas que foi engraçado, isso foi.
Conclusão: o status e’ determinante e quanto mais extremo for a relação, mais
fácil e’ de se conseguir improvisar a situação.
Por causa dessa facilidade de extremos, Frank propõe do contrario.

Segundo jogo:
Desta vez ele colocou duas pessoas (sócias) num quiosque e a tarefa era tentar
ter um status um pouco mais alto que o outro.
Regras: tem que haver a tentativa constante de sempre ter o status um pouco
mais alto que o outro, a diferença de status deve ser mínima.
Logo no inicio podemos perceber que era fácil colocar essa diferença em ações
que não dizia respeito `a dupla, exemplo disso Tamara e Thiago (eu acho), eles
tentavam disputar lideranca discutindo onde seria o melhor lugar de cada
coisa, foi ai que Frank falou para eles agirem sobre o outro e não sobre as
coisas. Ai aconteceu a segunda observação, eles estavam tentando um status
mais alto degradando a imagem do outro e não tentando ter alguma coisa
melhor para oferecer.
Depois disso o Frank fez uma dinâmica com varias duplas
Quando a proposta era tentar ter o status um pouco mais alto, parece que
todos queriam contar vantagem sobre alguma coisa, estavam ate amigáveis, mas
havia aquela vontade de mostrar alguma coisa melhor.
Na sequencia o status foi alterado, um teria que tentar ficar num status
ligeiramente mais baixo que o outro. A conversa ficou um pouco mais amigável
que a anterior.
Conclusão: que e’ muito mais difícil conseguir manter uma cena quando o único
elemento que muda e’ o status e essa mudança não pode ser muito grande. Mais
difícil ainda quando a tentativa e’ de tentar o status mais baixo, alguns ate
falaram que a cena foi um pouco depressiva e muito difícil de fazer justamente
porque não parecia que tinha muita mudança.
Realmente fazer o sutil e’ muito mais difícil, mas quando bem feito fica muito
natural e sem exageros.

Cenas:
Depois dos jogos a aula continuou com cenas, mas desta vez ele colocou 4
pessoas na cena. E para cada uma delas ele deu atitudes em relação as outras 3
(uma atitude para cada um) e cada um em cena tinha um objetivo com cada
pessoa. Lembro que alguém comentou que seria muito confuso, então Frank
disse que a vida e’ muito mais complexa que isso, e que as vezes temos mania de
fazer o fácil, mas e’ muito mais interessante ver (e fazer) o complexo.
Um comentário muito interessante foi que numa das cenas, quando Frank já
estava falando em segredo os objetivos e atitudes para cada um, ninguém sabia
se ele iria pedir para aplicar (obrigatoriamente) outra técnica, mas parecia que
o jogo de excluir um estava sendo feito, porque por varias vezes tinhamos a
impressão de que 3 estavam interagindo mais e quem estava de fora ficava
tentando entrar na conversa e isso era dinâmico (sempre tinha alguém fora da
conversa, que voltava e outro saia)
Observação minha: talvez o que tenha acontecido foi que todos estavam tão
receptivos `as propostas que acabaram usando a técnica que aprenderam sem
mesmo perceber racionalmente, mas no intuitivo, jogaram junto e o resultado
foi ótimo.
As cenas foram as seguintes: Isa (sobrinha), Andrea (tia), Yara (amiga) e
Thiago (vizinho). Todas as garotas queriam seduzir (ou se deixar seduzir) pelo
Thiago, a única que o Thiago queria seduzir era a Isa, todos os objetivos eram
conflitantes e as atitudes também. A tia iria dormir na casa da sobrinha,
chegamos ate a fuga da Isa com o Thiago, seguidos por Yara, deixando a
Andrea sozinha com a pizza e se perguntando “o que irei falar para os pais
dela?”.
Inusitado o final da cena com Marco e Luciana (marido e mulher) e Vicente e
Eugenia (marido e mulher, ele chefe do Marco). Com atitudes e objetivos
conflitantes foi uma coisa inusitada depois da outra, e uma cena simples (jantar
na casa do chefe) se transformou num homicídio duplo (Luciana matou Vicente
e a Eugenia), o Frank atentou para a cara de espanto quando o Vicente
percebeu que tinha levado uma facada no peito, principalmente porque
realmente foi inusitada a ação da Luciana (e rápida), então a reação do Vicente
foi verdadeira e ele aceitou o jogo (essa foi a parte importante), porque uma
vez que aceitou e “morreu” a cena tomou outro rumo, que levou a morte de
Eugenia (hilário a Luciana correndo atrás da Eugenia e o Marco tentando
separa-las).

Percebemos que já estava na hora, então Frank sentou para conversar conosco
e dar algumas ultimas explicações e amarrar tudo o que foi feito.
Uma coisa importante que ele ressaltou foi “raise the bit”, aumentar o risco
quando se esta’ improvisando, em determinado momento da cena,
principalmente quando chega o momento de mudar (ou colocar o “alguma coisa”
depois de alguns “nada”), e’ muito importante que o improvisador realmente
arrisque e faca alguma coisa para conseguir mudar a cena, para tentar que
aquela situação siga adiante. Então, quando achar que a cena ficou “morna”,
raise the bit.

Minhas conclusões:
Improvisar e’ estar atento a tudo e não tentar prever o que vem, aceitar a
proposta e fazer de tudo para que seu(s) parceiro(s) continue no jogo com
você, sem que ele precise se esforçar para isso.
A relação e o jogo e’ o que prende a platéia e os próprios improvisadores na
historia.
Não ter medo de errar e reconhecer quando uma idéia chegou ao fim. Alias, e’
com os erros que aprendemos mais ainda e descobrimos outras maneiras de
fazer as coisas.
Não nos acomodar no que já conhecemos, temos sempre que tentar “aumentar a
aposta”, arriscar mais.
Não deixar que as ações aconteçam a outras pessoas, tudo gira em torno de
quem esta’ no palco, e’ muito mais interessante ver os improvisadores
enfrentarem o perigo do que o monstro ir comer o visinho. Não existe herói
que não enfrente de frente o bandido (e vice-versa).
Tempo e’ fundamental no improviso, as vezes jogar uma proposta muito cedo
pode fazer com que o parceiro não acompanhe ou pode causar estranhamento
(tanto para o publico quanto para quem esta’ jogando). E tambem manter um
jogo por muito tempo sem mudanças pode fazer com que a cena acabe (e a ideia
poderia ter continuado caso a mudanca fosse feita na hora certa).
Quanto mais das técnicas conseguirmos combinar na hora de improvisar, mais
rico fica o trabalho. A complexidade faz parte do ser humano e gostamos de
ver isso repetido no palco. Acho que agora entendi melhor a verticalização que
a Helo, a Joana e o Nando tanto falam. Não existe um único objetivo, nem uma
única atitude, e nem uma única técnica a ser empregada em cena.
Temos sempre que experimentar jeitos diferentes de fazer as coisas, começar
por extremos como fazer Hamlet em opera, porque isso ira ajudar a criar
material que possa ser usado, mesmo que seja apenas em uma palavra de todo o
texto. Agora entendo melhor o que o Nando disse sobre arriscar em cena,
podemos mudar as formas de fazer as coisas e isso ira nos afetar e
descobriremos algo novo, o que ira nos manter vivos no palco.
Não queria imitar a vida, crie a vida no palco, e para cria-la precisa equilibrar a
balança, temos o lado racional muito mais trabalhado do que o instintivo,
precisamos balancear isso; não significa que teremos que diminuir o racional,
apenas de trazer o instintivo para o mesmo nível (foi muito interessante ver
que no final o grupo não pergunta uns para os outros o que deveria ser feito –
como fizemos no primeiro jogo do primeiro dia). Precisamos aprender a confiar
que estamos fazendo o que deveríamos fazer. E fazer exercícios para o
instintivo da mesma maneira que treinamos o racional por tantos anos, brincar
como criança, improvisando uma historia, nada mais e’ que ter os dois lado bem
equilibrados e não ter medo do que poderá surgir dessa “brincadeira” (game).