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Curso Bíblico: Ensinando Para Transformar Vidas – O Reino de Deus em Nós – Prof.

Herlon Charles 1

A NATUREZA DO SER HUMANO


Texto Base: Gênesis 1:26-28; 2:7
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados
irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.5:23).
INTRODUÇÃO: Abordaremos acerca da natureza do ser humano, um ser impressionantemente complexo, e essa complexidade
passa pela materialidade e imaterialidade da pessoa que se revelam na constituição do corpo, da alma e do espírito. Com a alma
amamos a Deus e ao próximo; com o corpo servimos a Deus; e com o espírito (na ajuda do Espírito Santo) adoramos e buscamos
a Deus. O Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16), e alegra a nossa alma para glorificarmos
e sermos agradecidos a Deus (Lc.1:46,47).
I. A COMPLEXIDADE DO SER HUMANO
Desde a criação, o ser humano não é um aglomerado de células, como dizem os cientistas ateus e materialistas; é um ser
completo, composto de corpo, alma e espírito. Deus fez o homem à Sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn.1:26). Deus é
triúno e o ser humano é tricotômico. (Lc.1:47,47; Hb.4:12).
1. A natureza de Deus: A natureza de Deus é identificada com mais frequência pelos atributos que não possuem nada em comum
com a natureza do ser humano. Ele existe por si mesmo, não dependendo de outro ser. Ele é a fonte de origem de tudo, tanto em
criar, como também em sustentar a criação.

 Deus é Espírito (João 4:24). Um espírito é uma substância imaterial, invisível e indestrutível. Ele não está confinado à
existência material, e é imperceptível ao olho físico. Jesus disse que “espírito não tem carne nem ossos” (Lc.24:39).
 Deus é Eterno. Ele não é limitado ao tempo. Passado, presente e futuro é a mesma coisa para Ele. A Bíblia o apresenta
com o qualificativo “eterno” – que existe desde a eternidade. A eternidade denota que Deus é livre de toda a distinção
temporal de passado e de futuro. Ele não teve um começo nem terá fim em seu ilimitado Ser. Ele existe desde “antes dos
tempos dos séculos” (Tt.1:2). Isto está muito claro na expressão “EU SOU O QUE SOU” (Êx.3:14). Esta expressão fala
tanto da autossuficiência como da auto existência divina. Expressou o salmista: “O teu trono está firme desde então; tu és
desde a eternidade” (Sl.93:2); “Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim” (Sl.102:27).
 Deus é Onipotente. Ele é poderoso para fazer tudo que esteja de acordo coma sua natureza e seus propósitos. A
onipotência de Deus ensina-nos que Ele tem todo o poder (Sl.62:11), ou seja, não existe ser mais poderoso do que Ele.
Daí porque o Senhor afirmou através do profeta Isaias: “operando eu, quem impedirá?” (Is.43:13). O apóstolo João
ressaltou: “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo”
(1João 4:4).
 Deus é Onipresente. O espaço não pode limitá-lo, pois Ele está em todo lugar ao mesmo tempo (Jr.23:24). Esta presença
de Deus é total, pois Ele enche os céus e a terra. Na verdade, como afirmou Salomão na oração que fez por ocasião da
dedicação do templo, nem mesmo os céus e a terra O podem conter (1Rs.8:27; (Jr.23:24; Hb.4:13).
 Deus é Onisciente. Ele conhece todas as coisas passadas, presentes e futuras, sendo capaz de saber até o que pensamos
(Sl.139:2; 1Co.3:20). A Onisciência de Deus excede todo o entendimento humano; é um desafio à nossa compreensão,
mas é também uma realidade revelada. 1João 3:20; Sl.139:1-7; Sl.139:16).
2. A natureza dos anjos: Os anjos são criaturas espirituais e invisíveis aos seres humanos. Eles são sobrenaturais e, como os
humanos, possuem natureza racional.

 São criaturas de Deus. Os anjos são, assim como os homens, criaturas de Deus. Em Cl.1:16 está escrito que Deus foi o
criador dos anjos, de forma que os anjos são criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos
homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o próprio Deus, nem podemos atribuir a
anjos quaisquer atributos divinos, pois Deus é o Criador, enquanto os anjos são apenas criaturas. É impossível fixar o
tempo em que foram criados os anjos, mas a resposta de Deus a Jó declara que eles foram criados antes de todas as
outras coisas (Jó 38:4,7).
 São seres espirituais. A Bíblia mostra-nos que os anjos são seres espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é
formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (alma e espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da
Epístola aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar
a salvação (Hb.1:14). Por serem espirituais, os anjos não estão sujeitos às leis da física e é por isso que os vemos, ao
longo do texto bíblico, imunes às leis da física, podendo aparecer e desaparecer (Jz.6:21; Lc.1:11; 2:13); contrariar a lei da
gravidade (Jz.13:20); ter poder de ferir milhares de pessoas ao mesmo tempo (2Sm.24:16,17; 2Rs.19:35; 1Cr.21:16;
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2Cr.32:21; Is.37:36); fechar a boca de leões famintos (Dn.6:22); remover grandes pedras (Mt.28:2); fazer emudecer
(Lc.1:20); entrar e sair de lugares que estão fechados (At.5:19; 12:7-11); entre outros poderes. Possuem pessoalidade,
pois são dotados de consciência, sentimento, entendimento e vontade.
 São dotados de consciência. No episódio da criação é dito que os anjos cantavam e rejubilavam, ou seja, demonstraram
ter noção do que estava a acontecer e louvavam a Deus. Isto só é possível para seres que têm consciência de si mesmos
e consciência de quem é Deus a ponto de reconhecerem Sua soberania e Sua dignidade para ser adorado. Os anjos têm
plena consciência de que devem adorar a Deus e de que somente Deus deve ser adorado (Sl.103:20; Ap.22:9).
 São dotados de sentimento. Em Jó, vemos que os anjos estavam alegres enquanto Deus criava o mundo e, por isso,
cantavam, tendo, também, com alegria, trazido a mensagem do nascimento de Jesus (Lc.2:10).
 São dotados de entendimento. Os anjos sabem o que são, o que fazem e o que está acontecendo ou vai acontecer. Os
anjos, diz-nos a Bíblia, são seres que obedecem à voz de Deus (Sl.103:20), que transmitem fielmente as mensagens
divinas, bem sabendo o seu teor (Dn.8:16; 9:22; 10:14; Lc.1:19), como também conhecem como funciona a dimensão
celestial a que pertencem (Dn.10:12,13; Jd.9).
 São dotados de vontade. Assim como os homens, os anjos foram criados com o livre-arbítrio, ou seja, com o poder de
escolher entre servir a Deus ou não. Tanto é assim que o “querubim ungido” escolheu o mal, quis ocupar o lugar de Deus
e, por isso, pecou, tendo sido achado iniquidade nele, a ponto de ter perdido toda a glória que possuía neste lugar de
proeminência diante do Senhor (Is.14:12-16; Ez.28:12-19). Isto só foi possível porque os anjos são dotados de livre-arbítrio.
Entretanto, este livre-arbítrio só pode ser exercido uma única vez, visto que os anjos estão na dimensão celestial, onde
não existe o tempo e, portanto, o arrependimento se torna impossível. Tendo feito a sua escolha, quando do pecado do
“querubim ungido”, os seres angelicais a fizeram para sempre e, por isso, podemos, hoje, falar em “santos anjos” (Mt.25:31;
Mc.8:38; Lc.9:26; At.10:22; Ap.14:10) ou “anjos de Deus” (Jó 4:18; Sl.91:11; Sl.148:2; Mt.4:6; 13:41; 16:27; 18:10; 24:31;
Mc.13:27; Lc.4:10; Hb.1:7; Ap.3:5), como também em “anjos do diabo” (Mt.25:41; Ap.12:7,9), também chamados de “anjos
que não guardaram o seu principado” (Jd.6).
 São seres assexuados. Por serem plenamente espirituais, os anjos também são assexuados, ou seja, não são nem do
gênero masculino, muito menos do gênero feminino. Não há, portanto, “anjos do sexo masculino” nem tampouco “anjas”.
(Mt.22:30).
3. A natureza do ser humano: De acordo com as Escrituras Sagradas, a natureza do ser humano é dicotômica: constituída de
duas partes: natureza material – constituída pelo corpo; e natureza imaterial – constituída pela alma e espírito.

 O corpo é a parte física, onde entra em contato com as coisas materiais, através dos cinco sentidos: ver, ouvir, cheirar,
saborear e tocar.
 A alma e o espírito formam a parte imaterial do ser humano. Na alma está a minha personalidade, as emoções, vontade,
centro decisório, sentimentos. A função do espírito é entender as coisas espirituais, as coisas de Deus, é a ligação com o
Céu, é o elemento que se comunica com Deus.
Deus inspirou-se em si mesmo para formar a natureza do homem: ''.... Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa
semelhança...'' (Gn.1:26). “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o
homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

 Pelo sopro de Deus o homem foi feito conforme à sua imagem. A imagem de Deus no homem refere-se à imagem
espiritual e moral, conforme a semelhança de Deus; e também à imagem natural, pelo fato de o homem ser uma pessoa,
à semelhança de Deus, que também é uma Pessoa. Nenhum animal foi criado nesta condição de imagem de Deus; por
isto, nenhum outro ser material possui os atributos que o homem possui e que o faz diferente de toda espécie animal. O
homem foi criado com uma natureza espiritual e isto o faz conforme à imagem de Deus porque ‘‘Deus é Espírito...’’
(Gn.4:24). Essa imagem de Deus foi corrompida pelo pecado. Mas, quando o homem se volta para o Criador e aceita a
salvação, através de Jesus Cristo, torna-se “a imagem e glória de Deus” (1Co.11:7). Nascido de novo, o salvo é revestido
“do novo homem, que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef.4:24).
 Por este sopro o homem recebeu a vida eterna. O homem é o único ser material criado que traz em si a eternidade – a
alma do homem bem como seu espírito possuem vida eterna. Há quem diga, e até quem ensina, que Deus poderia ter
destruído Adão e Eva por haverem pecado, criando um novo casal; afirmam que Deus não os destruiu porque isto seria
uma vitória de Satanás – ele poderia dizer que Deus criou, mas ele impediu que vivessem; que por sua causa Deus teve
que destrui-lo. Mas, acreditamos não ser correto esse entendimento. Na verdade, Deus havia lhe conferido a eternidade;
não se pode destruir o que é eterno. O sopro saiu de dentro de Deus, era parte do próprio Deus. Tudo que sai de dentro
de Deus é eterno. Por isto, acerca de sua própria Palavra, está escrito - “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece
no céu” (Salmos 119:89). A palavra que sai da boca de Deus é eterna – porque ela saiu de dentro de Deus. Portanto: o
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homem recebeu uma natureza espiritual, formada pela alma e pelo espírito, porque Deus é Espírito - “Ora o Senhor é
Espírito...” (2Co.3:17). Recebeu em si a eternidade, porque Deus é eterno – “...de eternidade a eternidade, tu és Deus”
(Salmos 90:2).
O homem não é eterno, mas recebeu a eternidade, ou a vida eterna; eterno é aquele que não teve princípio e não terá fim.
Todos os seres que foram criados por Deus, inclusive o “querubim ungido” que se transformou em Satanás, não são eternos, porque
tiveram princípio ao serem criados, mas receberam a eternidade. Eterno é somente o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O homem criado à semelhança de Deus é tricotômico: “E disse Deus: Façamos o homem...conforme à nossa semelhança...”
(Gn.1:26).

 Tendo sido feito conforme à semelhança de Deus, o homem foi criado numa tri-unidade formado pelo corpo, alma e espírito.
Assim como Deus é triúno, o homem é tricotômico (1Ts.5:23); Hb.4:12). A Bíblia não fala em três deuses – fala em um
único Deus - (1Tm.1:17). Deus é um, porém, em três Pessoas distintas. Da mesma forma, à semelhança de Deus, o homem
é tricotômico na sua constituição: é formado de corpo, alma e espírito.
II. AS CARACTERISTICAS DO CORPO HUMANO
O corpo humano é, sem dúvida, a mais bela obra-prima do Criador. O que o faz belo é a vida intelectual e espiritual que
permitem a participação da própria vida de Deus. Esse corpo veio “do pó da terra”. Com os elementos químicos que se encontram
no barro, ou na argila, Deus, de modo sobrenatural, formou cada parte do corpo humano, combinando-as de maneira jamais
compreendida pela mente humana. No corpo humano existem os seguintes elementos químicos: oxigênio, carbono, hidrogênio,
nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco etc.; porém, o corpo com todos esses elementos
da terra, sem os elementos divinos, é de ínfimo valor.
1. Materialidade: Como já dissemos, o ser humano é constituído de três elementos: corpo, alma e espírito, sendo o corpo o
elemento material, e esta parte material foi formada em sua natureza do pó da terra (Gn.2:7). Mesmo assim, originalmente falando,
não se desgastaria com o tempo, nem estava sujeito às enfermidades que abatem o ser humano depois do pecado, porque ele foi
criado para viver eternamente, como explicamos anteriormente. Porém, por causa do pecado, o homem recebeu o justo castigo de
Deus. Esse castigo, além da morte espiritual, inclui também a morte do corpo que foi feito do pó e ao pó tornará (Gn.3:19).
Percebemos em Genesis 2:17, que na sentença de Deus a morte é apresentada como algo anormal, um juízo por causa do pecado,
estando ligada à desobediência. Ao desobedecer a Deus, o homem desencadeou sobre si e sobre toda a humanidade a ruína moral,
em todas a suas formas (Rm.5:12,14; Rm.5:12).
2. Visibilidade e tangibilidade: O corpo é parte material do ser humano, logo ele é visível e tangível, ou seja, pode ser tocado. É
visível e tangível, mas não pode fazer dele o que quiser. O corpo não pode ser usado para a impureza, ele deve ser usado para
glória de Deus (1Co.6:13). Esse corpo, agora, não pertence a nós, pertence a Jesus Cristo, que o comprou e o redimiu. Se o nosso
corpo é de Cristo devemos cuidar bem dele. O cuidado com o corpo insere-se dentre aquelas tarefas que foram cometidas ao ser
humano na sua qualidade de “mordomo-mor” sobre a face da Terra. Temos de cuidar de nosso corpo, porque a vida é um dom
dado por Deus (Gn.2:7; 1Sm.2:6) e que nos está “emprestado”, motivo por que deveremos prestar contas do que tivermos feito com
ele, em especial aqueles que alcançarem a salvação na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Co.5:10). O filósofo
Platão via o corpo do ser humano como a parte desprezível, pois ele via na matéria um mal em si, a fonte de toda a imperfeição
humana. Dentro desta linha de raciocínio é que temos de tomar cuidado com o chamado “ascetismo”, doutrina que consiste em
negar direitos ao corpo, ou mesmo castigá-lo, como se isto tivesse um efeito positivo em favor da alma, purificando-o de desejos
carnais e liberando a alma para melhor progredir no caminho da salvação. A prática do ascetismo inclui o celibato, a autoflagelação,
a abstenção de alimentos e prazer, a reclusão e a mendicância. Paulo, porém, coloca o corpo humano no mesmo pé de igualdade
da alma e do espírito. (1Ts.5:23).
3. Mortalidade: Como consequência do pecado o homem recebeu de Deus a sentença de morte, pela qual voltaria à terra – “No
suor do teu rosto comerás o pão, até que te tornes à terra; porque dela fostes tomado, porquanto és pó, e em pó te tornarás”
(Gn.3:19). O que deve voltar à terra certamente é a substância material que compõe o homem, ou seja, o seu Corpo. O espírito e a
alma foram formados pelo sopro de Deus, portanto, são substâncias espirituais, não podendo voltar à matéria, ou terra. Assim,
condenando o homem a voltar ao pó da terra, Deus estava estabelecendo uma separação entre o corpo e a substância espiritual,
formada pelo espírito e pela alma. Salomão, pelo Espírito de Deus, entendeu esta separação quando disse: “E o pó volte à terra,
como era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec.12:7). Esta separação, no entanto, segundo a Bíblia, é uma separação temporária
que perdurará entre a morte e a ressurreição do homem, salvo ou não (Dn.12:2).
III. A ALMA, O NOSSO ELO COM O MUNDO EXTERIOR
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Alma e espírito formam o "homem interior", o homem imaterial. Com efeito, a Bíblia registra que Deus formou o corpo do
homem da matéria, mas, para criar a parte imaterial do homem, "soprou em suas narinas"(Gn.2:17) - expressão bíblica que indica
que o homem interior não tem qualquer relação com a matéria existente na Terra, mas decorre de uma criação que advém
diretamente da personalidade divina, do Ser divino. A alma precisa do corpo para expressar sua vida funcional e racional. De modo
geral, a alma é aquele princípio inteligente que anima o corpo e usa os órgãos e seus sentidos físicos como agentes na exploração
das coisas materiais, para expressar-se e comunicar-se com o mundo exterior; é responsável pela razão, vontade e sentimentos.
1. Significados da Alma: A palavra “alma", como a maioria das palavras, é "plurívoca", ou seja, tem muitos significados. Assim,
não podemos deixar de observar que nem sempre a palavra “alma", quando se encontra na Bíblia Sagrada, quer dizer a mesma
coisa, variando de passagem para passagem, até porque sabemos que o texto bíblico foi escrito, primeiramente, em três línguas
(Antigo Testamento, em hebraico e alguns trechos em aramaico; Novo Testamento, em grego) por pessoas de diferentes classes
sociais e em diversas circunstâncias e épocas, o que faz com que o significado de alguns termos tenham se alterado ao longo dos
anos e tempos. Isto ainda acontece nos nossos dias, tanto que, naturalmente, quando falamos: “a propaganda é a alma do negócio";
"não acredito em almas penadas"; "a minha alma tem sede de Deus", evidentemente não estamos dando à palavra "alma" o mesmo
significado.
Veja, a seguir, alguns significados que a Bíblia registra:

 Alma com o sentido de respiração da vida. A palavra "alma" significa "respiração da vida", pois, como a vida física é
indicada pela respiração, logo se criou a ideia de que a alma está relacionada com o ato de respirar. Por isso, usa-se a
expressão "último suspiro" para indicar a morte. Portanto, a alma, que é a vida, foi associada ao ato de respirar, e a morte,
à saída da alma. É o que vemos em passagens bíblicas como Gn.35:18 e 1Rs.17:21,22.). A alma não é respiração, mas
só pode morar em um corpo que respira, por isso, às vezes é confundida com respiração. Deus, para levar alguém, só
precisa retirar sua respiração. “Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que
dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela” (Is.42:5; Atos 17:25; Jó
34:14,15).
 Alma significando o sangue (Dt.12:23; Lv.17:14). A alma está intimamente ligada ao sangue, pois se o homem ficar sem
sangue ele morre fisicamente e a alma sai do corpo. A alma não é o sangue, mas precisa do sangue para continuar
morando no corpo; por isso, às vezes é confundida com o sangue. (Lv.17:11).
 Alma significando o indivíduo. A palavra "alma", muitas vezes, significa "pessoas", "indivíduos" no sentido de que a parte
que distingue cada pessoa de outra é a alma. É assim que vemos a aplicação da palavra em Rm.13:1.
2. Alma e o espírito são inseparáveis: Como já disse, a alma e o espírito formam a natureza espiritual do ser humano, formam o
homem interior. Estes elementos advêm do sopro de Deus, quando da formação do ser humano. Eles são inseparáveis, e por serem
assim, se a alma for para o inferno o espírito também irá; se o espírito for para o Céu, a alma também irá. Eclesiastes 12:7 diz: “...
e o pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Este versículo fala que o espírito (espírito e alma) fica à
disposição de Deus após a morte. Deus se encarrega de destinar seu caminho: Paraíso (lugar intermediário dos salvos) ou Hades
(lugar intermediário dos ímpios -local de tormento – a antessala do inferno, que é o Lago de fogo e enxofre – Ap.19:20; 20:10,14,15).

 O espírito e alma dos fiéis vão para o Paraíso onde gozarão de descanso, consolação e felicidade (Ap.14:13; Lc.16:23,25).
Por isto é preciosa à vista do Senhor a morte dos santos (Sl.116:15).
 O espírito e alma dos injustos irão para o Hades, um lugar de tormentos, onde aguardarão a ressurreição para o julgamento
final (Lc.16:22,23, Ap. 20:11,12).
3. A alma é a janela para o mundo exterior: Através da alma, o ser humano se expressa e tem acesso ao mundo que o cerca.
Para que isso seja possível, a alma precisa usar elementos do corpo do ser humano. A alma e o corpo (que formam o homem
natural – 1Com.2:14) comunica-se com o mundo natural. Através do corpo entramos em contato com a matéria, com o mundo
material, afetamos e somos afetados por esse mundo.
Alma e corpo são muito interligados. Os cinco sentidos do corpo - ver, ouvir, cheirar, saborear e tocar -, são as janelas da
minha alma. O que os cinco sentidos fazem é levar informações para minha alma. Jesus certa vez afirmou: “A candeia do corpo é
o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mal, também o teu corpo será tenebroso”
(Lc.11:34). É através do corpo, portanto, que a alma se comunica com o mundo exterior. É no rosto que aparecem as expressões
de alegria, tristeza, ira, sono, calma, entusiasmo, rancor, mágoa e tantos outros sentimentos próprios da natureza humana. O corpo
tem ações físicas, porém a alma se expressa através do corpo. Quando você está alegre ou triste e as pessoas olham para seu
rosto logo vão notar, pois o corpo reflete a nossa alma. Em Provérbios 15:13 está escrito: “o coração alegre aformoseia o rosto”.
(Provérbios 2:10,11).
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4. A separação da alma do corpo gera a morte: A alma dá vida ao corpo; quando ela sai, então o corpo fica inerte. A mesma
coisa acontece com os animais, conforme afirmou Salomão - (Ec.3:19). É bom ressaltar que os animais, também, têm alma, que é
diferente da alma humana. Pela Bíblia sabemos que o homem e os animais foram criados de forma diferente. Animal tem alma, mas
não tem espírito. O homem foi a única criatura sobre a qual Deus declarou: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa
semelhança” (Gn.1:26). Para criar o homem Deus inspirou-se em si mesmo, criando-o à sua imagem e conforme à sua semelhança.
As almas dos animais foram criadas junto com seus corpos – “Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente...”
(Gn.1:20). Mas a alma do homem não foi criada junto com o corpo, ela foi colocada no corpo através do sopro de Deus –”... e soprou
em seus narizes o fôlego da vida...” (Gn.2:7). Assim, a alma dos animais é mortal, ela morre junto com o corpo; mas a alma do ser
humano é imortal.
IV. O ESPÍRITO E NOSSO CONTATO COM DEUS
1. O que é o espírito: O espírito é a parte imaterial do homem, que, juntamente com a alma, forma “o homem interior”. Disse Paulo:
“Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm.7:22). O apóstolo ensina sobre a luta entre a carne, ou a
natureza carnal do homem, e o espírito, que provém de Deus, e acentuava que o “homem interior” tinha prazer na lei de Deus. O
espírito é o elemento de comunicação entre Deus e o homem; ele vincula os seres humanos ao mundo espiritual e os ajuda a
interagir nessa dimensão. Por ele: somos iluminados pelo Espírito de Deus; reverenciamos a Deus; adoramos a Deus; conectamo-
nos com Deus.
2. O elo entre o nosso corpo e Deus: O espírito é a parte do homem que faz a relação dele com Deus; é a sede da consciência,
que é o elemento que nos permite discernir o certo do errado, o elo de ligação entre Deus e o homem, a instância em que tomamos
consciência da existência e da soberania de Deus. Por intermédio do espírito, entramos em contato com Deus. Por isso, deve o
nosso espírito ser quebrantado (Sl.51:17), voluntário (Sl.51:12) e reto (Sl.51:10). O apóstolo Paulo afirma que servia a Deus em seu
espírito (Rm.1:9). Quando de nossa morte, entregamos a Deus o espírito (Lc.23:46; At.7:59). O espírito e alma dos ímpios, Deus os
lançará no Inferno (Lc.16:19-31; Sl.9:17; Mt.13:40-42; 25:41,46), pois não se pode separar a alma do espírito, pois ambos formam
uma unidade indivisível.
3. A sede de nossa comunhão com Deus: A consciência é o instrumento do espírito que provê testemunho interior sobre a conduta
moral do indivíduo (Tt.1:15); é o conhecimento de si mesmo; é a faculdade de discernimento da alma (João 8:9; Hb.9:9). Deus dotou
o homem de consciência, ou seja, da capacidade de saber o que é certo e o que é errado, quase que como uma voz do próprio
Deus no interior do homem, a permitir-lhe saber o que deve e o que não deve ser feito. Deste modo, através da consciência, o
homem poderá saber qual é a vontade de Deus e, assim, poder estabelecer um relacionamento apesar da infinita distância entre o
Senhor e o ser humano. A consciência é, assim, a faculdade do espírito que nos permite saber o que é o certo e o que é errado,
um verdadeiro tribunal que existe em nosso interior a nos dizer quando estamos acertando e quando estamos errando, algo que
existe em todo ser humano, se bem que o pecado gere, como efeito, o embrutecimento do homem, a ponto de ele chegar a ter a
própria consciência cauterizada (1Tm.4:2),. A consciência é a capacidade que temos de distinguir o certo do errado, mas, nem por
isso, o homem está isento de errar. Somente quando o espírito está em comunhão com Deus, somente quando há um verdadeiro
relacionamento entre Deus e o homem, podemos ter uma consciência sensível e obediente à voz do Senhor (João 10:27). Esta é a
consciência sem ofensa (At.24:16) e a consciência pura (1Tm.3:9).
CONCLUSÃO
Como vimos, de acordo com as Escrituras Sagradas, a natureza do ser humano é dicotômica, ou seja, é constituída de
duas partes: natureza material – constituída pelo corpo; e natureza imaterial – constituída pela alma e espírito. Com o sopro divino,
o homem recebeu vida para sempre, mas pela desobediência perdeu esse direito de vida eterna com Deus; porém, Jesus veio para
nos dar vida eterna, e para alcançar a vida eterna que Deus soprou sobre Adão no Éden é preciso que a mentalidade humana volte
a ser como o Criador a fez quando soprou sobre o homem; para isto é preciso nascer de novo, tornar-se nova criatura (João 3:3;
2Co.5:17).
Referências Bibliográficas: Bíblia de Estudo Pentecostal; Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William
Macdonald; Comentário Bíblico Beacon. CPAD; Bruce K. Waltke. Gênesis. Editora Cultura Cristã; Teologia Sistemática Pentecostal.
CPAD.
Pb. Herlon Charles
Superintendente da Escola Dominical
9.7669-8494

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