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Nenhum, nenhuma

Um moço muito branco (‘olhos cor-de-rosa’)


Partida do audaz navegante

A menina de lá

- chamava a atenção pela linguagem, menos pela ‘estranhez’ das palavras (assim
como muitas das palavras estranhas de Rosa não são na verdade neologismos, mas
palavras desusadas), que pelo ‘esquisito do juízo ou enfeitado do sentido’.
- contava estórias (sic) ‘absurdas, vagas, tudo muito curto’ (será q já antecipando
Tutameia?).
- “O que falava, às vezes era comum, a gente é que ouvia exagerado”.
- “falava-se de parentes já mortos, ela riu: — “Vou visitar eles...””
- “O que ela queria, que falava, súbito acontecia” (inventava a realidade através
das palavras, como Jó Joaquim ou os 3 homens que inventaram o boi)
- o arco-íris salvador “era mais um vivo cor-de-rosa”

AVE, PALAVRA

II
Houve reis que construíram seus nomes milenários
e poetas que governam palácios em caminhos.
Povos. Proêmios. Penas.
Mas toda você, um gosto só, matar-me-ia a sede
e teus pés e rosas

“sub rosa” — como diziam os romanos, a rosa símbolo da


secretividade absoluta

“Depois, foi em 1950, eu vinha de cruzar os Apeninos Septentrionais, cheguei


em Pistoia.
“No quase tramonto, quando os morros são névoa de ouro, poal de sol, hora
em que os ciprestes dentro do azul trocam de personalidade. Só a seguir é que é o
crepúsculo leve rosa; mas o rosa se reembebe como num mata-borrão, não volta
à tona, dá outro tingir. (detalhe: o narrador está num cemitério, e encontra um túmulo de
um soldado de sobrenome ‘Rosa’).”

surte-se a biquinha da Irene lavar roupa. Tem um pé de rosa: rosinha cor-de-rosa, que se
desfolha à toa; mas, de longe, você já sente o cheiro. Tudo que é casa tem essa roseira
— de rosinhas pequenas, em cachos — roseira própria para chamar abelhas (“O
riachinho Sirimim)

Mesmo a roseirinha que a Irene plantou, ele diz que a tolera somente porque ela
serve às plantinhas, de sombra. Mas nunca reparou em que, nas rosinhas-de-cachos, as
pétalas de de-dentro é que são cor-de-rosa claro, e as de fora, mais brancas, ou parecem
brancas, pelo menos, se não são. Nem jamais sentiu, rosas asas, seu perfume.

*
Em GSV, não encontrei nenhuma referência interessante sobre ‘rosa’, exceto o nome de
Rosa’uarda.
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Em Sagarana, também não tem nada.

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Sabemos, hoje, que boa parte, senão toda a obra de Guimarães Rosa, espelha
modos os mais diversos de o autor falar de si, no que ele próprio chamou de
“autobiografia irracional”.