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IV Simpósio de Ciências da UNESP –

Dracena

V Encontro de Zootecnia – Unesp Dracena

Dracena, 09 a 11 de setembro de 2008.

EFEITOS TÓXICOS DA PLATA Lantana camara

TOXIC EFFECTS OF Lantana camara PLAT

Andréa Fontes Garcia1, Amanda P. . Quintal1, Fábio Erminio Mingatto2

Alunas do Curso de Mestrado em Ciência Animal da UNESP - Araçatuba1; Professor do Curso de Zootecnia da
UNESP - Dracena2, fmingatto@dracena.unesp.br

RESUMO
Lantana camara (Verbenaceae) é uma planta hepatotóxica conhecida no Brasil
por diversos nomes populares: chumbinho, erva-chumbinho, cambará-de-espinho,
cambará, cambará-de-duas-cores, cambará-juba, cambará-de-cheiro, cambará-de-
chumbo, cambará-vermelho, cambará-verdadeiro, cambará-miúdo, cambará-de-folha-
grande, lantana, lantana-espinhosa, camará, camará-miúdo, camará-branco, camará-
verdadeiro, camará-de-espinho, camará-de-chumbo, capitão-do-campo, bem-me-quer e
mal-me-quer. É uma importante planta daninha tropical, estando presente em áreas
cultiváveis, pastagens e terrenos abandonados, tanto em regiões secas quanto úmidas e
que, freqüentemente, cresce em vales e encostas. Estudos fitoquímicos têm demonstrado
a presença de vários compostos como mono e sesquiterpenos, triterpenos, glicosídeos e
flavonóides na planta. A ingestão de 2 g de folhas/kg corporal é suficiente para causar
intoxicação em bovinos. No Brasil, a intoxicação com lantana tem sido provocada
acidental ou experimentalmente em bovinos, ovinos, búfalos e coelhos.

Palavras-Chave: Lantana camara; toxicidade; animais

ABSTRACT
Lantana camara (Verbenaceae) is a hepatotoxic plant known in Brasil as:
chumbinho, erva-chumbinho, cambará-de-espinho, cambará, cambará-de-duas-cores,
cambará-juba, cambará-de-cheiro, cambará-de-chumbo, cambará-vermelho, cambará-
verdadeiro, cambará-miúdo, cambará-de-folha-grande, lantana, lantana-espinhosa,
camará, camará-miúdo, camará-branco, camará-verdadeiro, camará-de-espinho, camará-
de-chumbo, capitão-do-campo, bem-me-quer e mal-me-quer. It is an important tropical
weed present in cultivable areas, pasture and abandoned land, both in arid regions as
wetlands and that often grows in valleys and hillsides. Phytochemistry studies have
been demonstrated the presence of several compounds as mono and sesquiterpenes,
triterpenes, glicosydes and flavonoids in the plant. The ingestion of 2 g of leaves/kg of
body weight is sufficient to lead poisoning in cattle. In Brasil, the poisoning by lantana
has been caused accidentally or experimentally in cattle, sheep, buffalo and rabbits.

Key Words: Lantana camara; toxicity; animals


IV Simpósio de Ciências da UNESP –
Dracena

V Encontro de Zootecnia – Unesp Dracena

Dracena, 09 a 11 de setembro de 2008.

ITRODUÇÃO
Lantana camara L. (Verbenaceae) é uma importante planta daninha tropical,
presente em áreas cultiváveis, pastagens e terrenos abandonados, tanto em regiões secas
quanto úmidas e que, freqüentemente, cresce em vales e encostas (PEREIRA, 2005). No
Brasil são encontradas desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul, em agrupamentos
maiores ou menores, invadindo áreas de pastagens nativas ou cultivadas (BRITO et al.,
2004). Esta planta tem sido freqüentemente utilizada na medicina popular como anti-
séptico, antiespasmódico, contra hemorragias, gripes e resfriados e inibição diarréica.
São reconhecidos também propriedades alelopáticas e efeitos repelentes contra larvas de
mosquitos Aedes (ZEMORI & PASIN, 2006).
Além dos efeitos descritos anteriormente, Lantana spp. também causa perdas
econômicas ocasionadas por intoxicações de animais de produção com plantas e têm
motivado muitas pesquisas sobre a toxicidade das mesmas; entretanto, estes estudos têm
sido limitados somente à identificação das espécies tóxicas e à determinação dos sinais
clínicos, patologia e alguns aspectos da epidemiologia. Surtos de intoxicação por
Lantana spp no Brasil, embora graves, são raros, pois só ocorrem quando os animais
estão famintos e sendo transferidos de pasto ou região, além de, é claro, de tratar-se de
espécie ou de variedade tóxica de Lantana spp. que exista em abundância (TOKARNIA
et al., 1999). Sob condições naturais, a intoxicação por Lantana spp tem sido descrita
em bovinos, tanto no Brasil, como em outros países (BRITO et al., 2004). TOKARNIA
(1999) relata surtos de intoxicação nos municípios de Cáceres-MT, de Cabo Frio-RJ e
de Canoinhas-SC, todos com comprovação experimental da toxidez das lantanas
envolvidas nos surtos. As observações de campo indicam que os bovinos mantidos em
regiões com Lantana spp. não comem em dias sucessivos, as quantidades menores que
poderiam causar cumulativamente a intoxicação (TOKARNIA et al., 1999).

DESEVOLVIMETO
As quantidades necessárias para causar intoxicação com Lantana spp. em
bovinos e ovinos foram verificadas em alguns estudos experimentais. Pesquisadores
administraram Lantana camara (coletadas em Pernambuco) em estado fresco ou
dessecado, por via oral, a oito bovinos, nas dosagens de 10 a 40 g por kg por dia durante
15 a 30 dias, tendo observado leves sintomas de fotossensibilização nos bovinos que
ingeriram a planta fresca ou dessecada nas doses diárias de 40 a 20 g por kg durante 30
dias (BRITO et al., 2004). Bovinos manifestam sinais clínicos (Tabela 1) nos cursos
agudo e crônico da intoxicação pela Lantana spp respectivamente, 24 a 48 horas após a
ingestão de grandes doses e 5 a 42 dias após a ingestão de doses menores.
De acordo com Riet-Correa & Medeiros (2001) algumas das técnicas
alternativas no controle das intoxicações por plantas são: vacinação, controle biológico,
detoxificação microbiana no rúmen, substâncias que neutralizam os princípios tóxicos e
aversão alimentar condicionada. Ainda, métodos que impedissem ou diminuíssem a
absorção do princípio tóxico pelo tubo digestivo e métodos que estimulassem processos
de detoxificação do fígado (TOKARNIA et al., 2000). Porém, o tratamento de animais
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intoxicados por L. camara L. não é viável, mesmo que se conhecesse um tratamento,


devido à evolução superaguda da intoxicação. Por outro lado, os únicos métodos
profiláticos conhecidos são cercar bem as áreas infestadas, erradicar a planta e utilizar a
suplementação alimentar, sobretudo na época das secas, para se evitar a morte dos
animais e conseqüentes perdas econômicas.

COCLUSÕES
Uma vez que não há ainda tratamento para a intoxicação por lantana e outras
plantas, e como mencionado por Molyneux et al. (1994), o isolamento e a caracterização
dos princípios ativos tóxicos é o primeiro passo para prevenir as perdas causadas por
plantas tóxicas. Em seguida, a descoberta do mecanismo de ação dessas substâncias,
poderá ajudar no desenvolvimento de técnicas mais eficientes de controle das
intoxicações por estas plantas.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BASTIANETTO, E. ; CUNHA, A. P.; BELLO, A.C.P.P., MELO, M.M. Intoxicação de
bezerros búfalos por Lantana spp. em Minas Gerais: relato de casos. Rev Bras Reprod
Anim, v.29, n.2, p.57-59, 2005.

BRITO, M.F.; TOKARNIA, C.H.; DOBRREINER, J. A toxidez de diversas lantanas


para bovinos e ovinos no Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira. v. 24, n.3, p. 153-
159, 2004.

MOLYNEUX, R.J.; JAMES, L.F.; RALPHS, M.H.; PFISTER, J.A.; PANTER, K.E.;
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global distribution: analysis and identification, In: Colegate S.M. & Dorling P.R. (ed.)
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PEREIRA, A. M. Toxicidade de Lantana camara (Verbenaceae) em operárias de Apis


mellifera (Hymenoptera: Apidae). 2005. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas,
Zoologia) - Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista “Julio de
Mesquita Filho”, Campus de Rio Claro, Rio Claro, SP.

RIET-CORREA, F; MEDEIROS, R.M.T. Intoxicações por plantas em ruminantes no


Brasil e no Uruguai: importância econômica, controle e riscos para a saúde pública.
Pesquisa Veterinária Brasileira, v.21, n.1, p.38-42, 2001.

TOKARNIA, C.H.; ARMIÉN, A.G.; DE BARROS, S.S.; PEIXOTO, P.V.;


DÖBEREINER, J. Estudos complementares sobre a toxidez de Lantana camara
(Verbenaceae) em bovinos. Pesquisa Veterinária Brasileira. v.19, n.3/4, p.128-132,
1999.
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TOKARNIA, C.H.; DÖBEREINER, J.; PEIXOTO, P.V. Intoxicação animal: A


importância do conhecimento sobre as plantas tóxicas. Revista CFMV – ano 06; n. 20,
2000.

ZENIMORI, S.; PASIN, L. A. A. P. Aspectos da biologia floral de Lantana (Lantana


camara L.) 2006. X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI
Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba.

Tabela 1. Sinais clínicos manifestados por bovinos nos cursos agudos e crônicos de
intoxicação por Lantana spp.
CURSO AGUDO CURSO CRÔICO
Apatia Manifestações de fotossensibilização hepatógena
Anorexia Diminuição ou parada dos movimentos do rúmen
(timpanismo)
Extrema frequeza, os animais Os animais ficam quietos
permanecem deitados por muito
tempo
Midríase Urina de coloração marrom (hemoglobinúria ou
bilirubimnúria)
Icterícia Fezes secas
Fezes moles com sangue Nefrose
Edema de face e membros Mumificação da pele: pele grossa com fendas;
desprendimento de pedaços. Feridas abertas e
malcheirosas (contaminação secundária, inclusive
com miíases).

Urina de cor escura Icterícia


Lacrimejamento e sialorréia
Fotossensibilização
Morte
Fonte: BASTIAETTO et. al. 2005