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Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares

Viseu

Relatório Final

O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na


Academia de Música de Vilar do Paraíso

Nuno Miguel Nascimento Alves

MESTRADO EM ENSINO DE MÚSICA

Campus Universitário de Viseu, Instituto Piaget


2017
Alves, Nuno Miguel Nascimento

Relatório Final

O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na


Academia de Música de Vilar do Paraíso
Parecer

Na qualidade de Supervisor/a do Relatório Final de Estágio integrado no Mestrado


em Ensino de Música apresentado pelo licenciado Nuno Miguel Nascimento Alves
com o título

O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na


Academia de Música de Vilar do Paraíso

declaro:

que o trabalho realizado cumpre os requisitos científicos, metodológicos e formais


que são pertinentes para a apresentação e defesa perante o Júri designado para a
avaliação do mesmo.

Em consequência, considera-se que seja autorizada a data para a avaliação que


resultará na concessão do título de MESTRE.

Viseu, 29 de setembro de 2017

_______________________________________________________________a____________________
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Nuno Miguel Nascimento Alves, autor do


Relatório final intitulado “O Buzzing na
aprendizagem do trompete: estudo na Academia
de Música de Vilar do Paraíso”, declaro que,
salvo fontes devidamente citadas e referidas, o
presente documento é fruto do meu trabalho
pessoal, individual e original.

Viseu aos vinte e nove dias de setembro de 2017

Nuno Miguel Nascimento Alves

Relatório final apresentado ao ISEIT-Viseu,


como parte dos requisitos para a obtenção do
grau de Mestre em Ensino de Música:
ESPECIALIZAÇÃO – INSTRUMENTO /
TROMPETE

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Sumário

O relatório aqui apresentado resume a prática pedagógica decorrida entre


outubro de 2016 e junho de 2017, na Academia de Música de Vilar do Paraíso.
Relata o percurso académico de cinco alunos de trompete e as atividades
realizadas ao longo do ano no âmbito da classe de trompete.
Relata ainda uma investigação sobre a prática do Buzzing na Aprendizagem
do trompete, numa Classe de alunos. Este termo Buzzing, é utilizado para referir a
vibração labial necessária para a produção de som num instrumento de sopro de
metal, podendo ser praticada com ou sem bocal e sem utilização do instrumento.
Pretendeu-se assim, conhecer de que forma os professores da classe de
trompete da Academia de Música de Vilar do Paraíso, aplicam a técnica de Buzzing
e quais as suas conceções sobre esta prática, a qual, de seguida, foi aplicada aos
alunos, através dum Guião de conselhos, instruções e exercícios práticos a
executar.
Posteriormente procedeu-se à aplicação dum questionário a todos os alunos
dessa Classe de trompete, indagando das suas opiniões sobre o Buzzing e se
pensavam que esta técnica lhes tinha trazido ou não benefícios na sua
aprendizagem. Verificou-se que sim. Todos os alunos consideraram essa técnica
como benéfica, todos a passaram a utilizar na rotina diária da sua aprendizagem e
todos acharam ter conseguido obter uma maior performance no manejo e
execução do instrumento.
E é agora com satisfação e não descurando a pertinência de se fazerem
outros estudos e investigações sobre o Buzzing, que o recomendamos na
aprendizagem do trompete, nas diversas escolas, academias ou mesmo bandas
filarmónicas.

Palavras-chave:
Ensino, musica, trompete, buzzing, performance, embocadura, Academia de Música
de Vilar do Paraíso

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Abstract

The report presented here summarizes the pedagogical practice between


October 2016 and June 2017 at the Vilar do Paraíso Music Academy. It reports on
the academic background of five trumpet students and the activities carried out
throughout the year under the trumpet class.
It also reports an investigation into the practice of Buzzing in Trumpet
Learning in a Class of students. This term Buzzing is used to refer to the lip
vibration necessary for the production of sound in a metal wind instrument, which
can be practiced with or without nozzle and without using the instrument.
In this way, it was intended to know how the teachers of the trumpet class
of the Vilar do Paraíso Music Academy apply the Buzzing technique and their
conceptions about this practice, which was then applied to the students through
Advice, and practical exercises to be performed.
Subsequently, a questionnaire was applied to all the students of this Class
of trumpet, asking their opinions about Buzzing and if they thought that this
technique of their use had brought them or not benefits in their learning.
It was verified that yes. All the students considered this technique as beneficial, all
of them began to use it in the daily routine of their learning and all found to have
been able to obtain a greater performance in the handling and execution of the
instrument.
And it is now with satisfaction and not neglecting the pertinence of doing
other studies and investigations on Buzzing that we recommend it in the learning
of the trumpet, in the diverse schools, academies or even philharmonic bands.

Key words:
Teaching, music, trumpet, buzzing, performance, embouchure, Vilar do Paraíso
Music Academy.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Resumé

Le rapport présenté ici résume la pratique pédagogique entre octobre


2016 et juin 2017 à l'Académie de musique Vilar do Paraíso. Il rend compte des
antécédents académiques de cinq étudiants en trompette et des activités menées
tout au long de l'année sous la trompette.
Il rapporte également une enquête sur la pratique de Buzzing in Trumpet
Learning dans une classe d'étudiants. Ce terme Buzzing est utilisé pour désigner
les vibrations des lèvres nécessaires à la production du son dans un instrument à
vent métallique, qui peut être pratiqué avec ou sans buse et sans utiliser
l'instrument.
De cette façon, il était destiné à savoir comment les enseignants de la
classe de trompette de l'Académie de musique Vilar do Paraíso appliquent la
technique de Buzzing et leurs conceptions à propos de cette pratique, qui a ensuite
été appliquée aux étudiants à travers Conseils et exercices pratiques à effectuer.
Par la suite, un questionnaire a été appliqué à tous les élèves de cette classe de
trompette, en demandant leur avis sur le bourdonnement et s'ils pensaient que
cette technique de leur utilisation leur avait apporté ou non des avantages dans
leur apprentissage.
On a vérifié que oui. Tous les étudiants ont considéré cette technique
comme bénéfique, tous ont commencé à l'utiliser dans la routine quotidienne de
leur apprentissage et tous ont trouvé qu'ils pouvaient obtenir une plus grande
performance dans la manipulation et l'exécution de l'instrument.
Et c'est maintenant avec satisfaction et ne néglige pas la pertinence de
faire d'autres études et recherches sur Buzzing, que nous le recommandons dans
l'apprentissage de la trompette, dans les diverses écoles, les académies ou même
les groupes philharmoniques.

Mots-clés:
Enseignement, musique, trompette, bourdonnement, performance, embouchure,
académie de musique Vilar do Paraíso

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Agradecimentos

Chegar ao fim deste desafio foi sem dúvida muito gratificante, no entanto,
tal não seria possível sem o apoio de algumas pessoas, pelo que não poderia deixar
de lhes prestar o meu profundo agradecimento.

 Ao professor Alexandre Andrade, por todo o seu apoio, questionamento que


suscitou ao longo do trabalho e disponibilidade demostrada desde o primeiro
momento.
 Ao professor cooperante Filipe Pinho, pelos conselhos e apoio prestado ao longo
deste percurso, a sua disponibilidade imediata e gosto pelo ensino.
 À Academia de Música de Vilar do Paraíso, que desde o primeiro instante se
mostrou recetiva e me apoiou na realização do estágio profissional.
 Aos alunos dessa Academia, que sempre se mostraram prontos a partilhar o seu
tempo comigo e sem os quais o meu trabalho não faria sentido.
 Aos professores Sérgio Carvalho, António Silva e Fernando Ribeiro, pelo percurso
que me ajudaram a percorrer e pelo gosto que a prática instrumental me trouxe.
 Agradeço ainda aos meus pais, o amor, a educação e os valores transmitidos, ao
meu irmão pela amizade e cumplicidade.
 E finalmente… à Ana e aos nossos filhos Lara e Miguel, as minhas melhores fontes
de inspiração e incentivo.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

ÍNDICE

INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1

CAPÍTULO I ............................................................................................................... 3
1 - Nota introdutória........................................................................................................3
2 - Caraterização da realidade envolvente ........................................................................3
2.1 - Caraterização da Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) ............................ 4
2.2 - Projeto Educativo de Escola ......................................................................................... 7
3 - Definição e formulação da problemática .....................................................................7
4 - Síntese .......................................................................................................................8

CAPÍTULO II .............................................................................................................. 9
1 - Nota Introdutória........................................................................................................9
2 - Embocadura – Definição e função ................................................................................9
3 - Buzzing – Definição e benefícios ................................................................................ 11
3.1 - Equipamento auxiliar para praticar Buzzing .............................................................. 13
3.2 - Diferentes opiniões sobre o Buzzing na prática de instrumentos de sopro de metal 17
4 - Síntese ..................................................................................................................... 18

CAPÍTULO III ........................................................................................................... 21


1 - Nota Introdutória...................................................................................................... 21
2 - Cronograma .............................................................................................................. 21
3 - Metodologia ............................................................................................................. 23
3.1 - Análise das entrevistas aos professores da classe de trompete da AMVP ................ 24
4 - Análise dos resultados dos inquéritos realizados aos alunos e reflexão crítica ............ 26
4.1 - População, Amostra e Variáveis ................................................................................. 26
5 - Síntese ..................................................................................................................... 38

CAPÍTULO IV ........................................................................................................... 39

Prática Pedagógica Supervisionada ......................................................................... 39


1 - Nota introdutória...................................................................................................... 39
1.1 - Atividades desenvolvidas ........................................................................................... 40
2 - Caraterização da classe de trompete ......................................................................... 40

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

3 - Diagnóstico e descrição dos alunos ............................................................................ 41


4 - Planificação das aulas ............................................................................................... 43
5 - Apresentação de resultados ...................................................................................... 44
6 - Análise e reflexão crítica dos resultados .................................................................... 52
7 - Síntese ..................................................................................................................... 54

CONCLUSÃO ........................................................................................................... 55

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 57

SITOGRAFIA............................................................................................................ 59

Anexo I................................................................................................................... 61

Anexo II .................................................................................................................. 89

Anexo III ................................................................................................................. 93

Anexo IV .............................................................................................................. 103

Anexo V ............................................................................................................... 115

Anexo VI .............................................................................................................. 119

Anexo VII ............................................................................................................. 125

Anexo VIII ............................................................................................................ 153

Anexo IX............................................................................................................... 183

Anexo X................................................................................................................ 213

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 - Visualizador, ou bocal cortado para embocadura ............................................14

Figura 2 - Buzz Extention Resistence Piece (BERP) .............................................................14

Figura 3 - Sandovalves,. de Arturo Sandoval ...........................................................................15

Figura 4 - Up Sound ...........................................................................................................................16

Figura 5 - Cartaz da semana dos Sopros, 2016 ................................................................... 120

Figura 6 - Cartaz do Ciclo de Masterclasses de Sopro AMVP, 2017 ............................ 121

Figura 7 - Cartaz da Masterclasse de trompete ministrado pelo professor Charles


Schlueter e pelo quinteto Goiânia Brass ....................................................................... 122

Figura 8 - Recital de terceiro período da classe de trompete de AMVP .................... 123

Figura 9 - Masterclasse com o professor Charles Schlueter........................................... 124

Figura 10 - Masterclasse com o professor Vasco Faria .................................................... 124

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Cronograma ....................................................................................................................22

Tabela 2 - Distribuição da frequência da variável Idade ....................................................27

Tabela 3 - Distribuição da frequência pela variável Sexo ..................................................27

Tabela 4 - Distribuição da frequência pela variável Escolar (grau) ...............................28

Tabela 5 - Distribuição da frequência da variável Atividade ............................................28

Tabela 6 - Correlação com coeficiente de Pearson ...............................................................29

Tabela 7 - Distribuição da frequência da variável Dificuldade ........................................30

Tabela 8 - Distribuição da frequência da variável Hábito ..................................................30

Tabela 9 - Correlação com coeficiente de Pearson ...............................................................31

Tabela 10 - Distribuição da frequência da variável Benefícios ........................................32

Tabela 11 - Correlação com coeficiente deTau-b-de Kendall ...........................................33

Tabela 12 - Distribuição da frequência da variável Aprofundar .....................................36

Tabela 13 - Correlação com coeficiente Pearson ...................................................................37

Tabela 14 - Distribuição dos alunos por nível de ensino....................................................41

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Distribuição da frequência da variável Alteração ...........................................34

Gráfico 2 - Distribuição da frequência da variável Performance ....................................35

Gráfico 3 - Distribuição da frequência da variável Aprofundar .......................................36

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

INTRODUÇÃO

O termo Buzzing utiliza-se para referir a vibração labial necessária para a


produção de som num instrumento de sopro de metal. Em Português poderá
traduzir-se, e segundo diversas fontes1, por “zumbido”, “zumbir” ou “zunido”
precisamente porque o som produzido nesta prática do Buzzing é muito
semelhante com o zumbido das abelhas.
O meu interesse na abordagem deste tema surgiu devido a, enquanto
trompetista, praticar Buzzing na minha rotina diária, quer como aquecimento, quer
como aperfeiçoamento de produção sonora. Além disso, enquanto professor de
trompete, principalmente, em anos iniciais, tenho constatado nos alunos benefícios
na utilização desta técnica, parecendo-me que entendem melhor o processo de
vibração labial e na formação de “embocadura”, termo definido como

O uso dos músculos faciais e dos lábios contra uma boquilha ou bocal
de um instrumento de sopro. A embocadura apropriada permite ao
instrumentista tocar o instrumento na sua completa extensão, a
manter o som limpo e a evitar possíveis danos aos seus próprios
músculos 2.

Ao longo de toda a minha formação, apercebi-me, no entanto, que existe


uma grande divergência de opiniões por parte de diversos instrumentistas e

1 http://www.wordreference.com/enpt/buzzing; http://www.linguee.pt/ingles-
portugues/traducao/buzzing.html ; https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/buzzing

2 http://dicionarioportugues.org/pt/embocadura ;

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

pedagogos sobre esta prática do Buzzing. E foi precisamente toda essa minha
experiência acumulada e percecionada ao longo de vários anos, que me motivaram
a intervir e a investigar a eficácia desta prática do Buzzing na aprendizagem do
trompete, com os meus alunos do meu polo de estágio profissional. Este estágio
profissional foi realizado no âmbito da unidade curricular de Prática de Ensino
Supervisionada e Relatório Final do segundo ano de Mestrado em Ensino da
Música. Realizou-se na Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) sob a
orientação do professor Filipe Pinho e com a supervisão do professor Doutor
Alexandre Andrade.
Ao longo desta investigação, no primeiro capítulo, pretendo contextualizar o
meu local de estágio e apresentar a problemática em estudo; no segundo capítulo
procederei a uma revisão de diversa literatura sobre a problemática a investigar e
no terceiro capítulo apresentar-se-ão as opções metodológicas que orientaram a
investigação, bem como a análise dos resultados obtidos. Finalmente no quarto e
último capítulo proceder-se-á à caracterização da classe de trompete do meu polo
de estágio, bem como à caracterização dos alunos com quem estagiei. Fará parte
também ainda deste capítulo as diversas referências e reflexões respeitantes às
aulas lecionadas e assistidas desde outubro a junho (ano letivo 2016/2017)
respeitantes a cinco alunos da classe de trompete, bem como a alusão ao seu
desempenho, aprendizagem e resultados.
Cumpre-me ainda referir que considero como muito positivos e pertinentes
os resultados e as conclusões a que cheguei no presente estudo, estando ainda
ciente que a realização deste estágio profissional foi muito enriquecedora e
gratificante, pois contribuiu, enquanto docente, para adquirir ainda mais
competências e ferramentas essenciais para a melhoria da minha prática e
desempenho profissionais.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

CAPÍTULO I

1 - Nota introdutória

Neste capítulo, e tendo por base a problemática e o contexto em que será


desenvolvida esta investigação, faz-se a contextualização do meio socioeconómico,
geográfico e cultural, em que se insere a Academia de Vilar do Paraíso.
Refere-se, de seguida, a caraterização da referida Academia de Música, bem
como a abordagem ao seu Projeto Educativo de Escola apresentando-se ainda a
problemática a ser abordada.

2 - Caraterização da realidade envolvente

A Academia de Música Vilar do Paraíso (AMVP), é uma instituição que se


insere na rede de estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, no âmbito
do ensino artístico especializado da dança e da música. Fica situada na União das
Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, pertencente ao Município de Vila Nova
de Gaia. Com 22,56 Km2 de área e 52422 habitantes (Censos 2011), é a maior e
mais urbana União de Freguesias do concelho de Vila Nova de Gaia. Foi constituída
em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das
antigas freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso.
Trata-se duma União de Freguesias rica ao nível associativo, destacando-se
de todo o seu tecido organizativo e clubístico o “Vilanovense Futebol Clube”, o
“Futebol Clube de Gaia”, a “Associação Cultural e Recreativa Os amigos Vilarenses”, a
“Associação Recreativa Entre-Parentes”, o “Clube Recreativo de Mafamude”; o

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

“Ginásio Clube de Mafamude”, a “Associação Recreativa de S. Martinho d’Além”, o


“Hóquei Clube Paço de Rei”, o “Clube Jovem Almeida Garrett”, o “ Grupo Desportivo
da Ilha”, o “ Grupo Dramático de Vilar de Paraíso”, o “Rancho Folclórico de Vilar do
Paraíso”, etc.
Na União de Freguesias existem ainda vários espaços de lazer, de culto bem
como diversos jardins, com especial destaque para o “Parque de S. Caetano”, a
“Igreja Matriz”, para além ainda da renovada “Capela de S. Martinho” e da
conhecida “Ermida de S. Caetano”, que com a sua capela ali existente, constitui a
peça mais distinta e rica do vasto património religioso, estando a sua capela-mor
classificada como Monumento Nacional. Outros espaços também dignos de relevo
são algumas notáveis de casas senhoriais, donde se destacam a “A Quinta do
Menino d´Ouro”, a “Quinta da Formiga”, a “Vila Alice”, a “Quinta da Condessa de S.
Tiago de Lobão”, a “Quinta do Albaninho” e a “Quinta das Freiras”.
É de assinalar, também, as fontes e «alminhas» existentes, quase todas com
elementos decorativos incorporados.

2.1 - Caraterização da Academia de Música de Vilar do Paraíso


(AMVP)

Esta Instituição faz parte da rede de estabelecimentos de ensino particular


do ensino artístico especializado da dança e da música e está localizada na
confluência da União das freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, do concelho
de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. Encontra-se próxima de escolas de ensino
básico e secundário das freguesias de Vilar do Paraíso e Valadares facilitando
assim a mobilidade entre escolas, tendo, no entanto, também protocolos com
escolas de outras áreas geográficas mais afastadas.
A AMVP acolhe uma população estudantil vasta e heterogénea, uma vez que
apesar de existirem no concelho várias escolas de características idênticas, esta
destaca-se por ser a única a proporcionar o regime de ensino integrado e a
oferecer os cursos oficiais de dança e música e ainda o curso livre de teatro
musical.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

A AMVP foi fundada em fevereiro de 1979 pelo seu diretor, Hugo Berto
Coelho e até agosto de 2009 teve a sua sede na Rua Camilo Castelo Branco, nº20,
em Vilar do Paraíso. A Academia começou por funcionar com cursos livres de
música e os alunos que desejassem eram preparados para realizar exames oficiais
no Conservatório de Música do Porto. Foi em 1990 que obteve a autorização
provisória de funcionamento e consequente paralelismo pedagógico, assumindo-se
como escola de ensino vocacional artístico, tendo a autorização definitiva de
funcionamento sido concedida a partir do ano letivo de 1994/1995.
Atualmente a AMVP encontra-se integrada no Sistema Nacional de
Educação, gozando dos direitos inerentes das pessoas coletivas de utilidade
pública abrangida pela Lei n.º 2/78, de 17 de janeiro.
Entre os anos de 1982 e 2013 a Academia lecionou, segundo os programas
da Royal Academy of Dance – Londres, o curso de Ballet clássico. Em 2003,
estabeleceu um protocolo com uma instituição de ensino superior de teatro
musical – Mountview Academy of Theatre Arts, a qual certifica o curso de teatro
musical em funcionamento na Academia.
Em 2007 obteve autonomia pedagógica para os cursos de música e um ano
mais tarde para o curso de dança. Em 2009, com a Portaria n.º 691/2009, que
legislando os planos de estudos dos cursos básicos de música e dança, permitiu
que passassem a poder ser frequentados em regime de ensino articulado,
integrado e supletivo. Para além destas modalidades, os alunos na AMVP podem
fazer um percurso de forma livre, de acordo com os seus interesses e motivações.
Com a concretização do sonho de ter instalações construídas de raiz, de
acordo com as exigências do ensino ministrado nesta Academia, em setembro de
2009 a AMVP começou a permitir a frequência no regime de ensino integrado e
situa-se na Rua do Cruzeiro, n.º 49 em Vilar do Paraíso.
O espaço físico da Academia conta com três núcleos de tipologias próprias e
distintas de acordo com o seu fim. Assim, existe um núcleo destinado à dança e
teatro distribuído por dois pisos, com quatro estúdios, uma blackbox, quatro salas
teóricas, um laboratório de ciências, casas de banho e balneários. Outro destinado
à música com três pisos e composto por onze salas teóricas, dois auditórios e vinte
e duas salas para instrumentos. Um terceiro espaço térreo que liga os edifícios
anteriores descritos, onde se encontra a receção, os serviços administrativos, a

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

tesouraria, a reprografia, a sala de professores, os gabinetes de direção, a sala de


reuniões e instalações sanitárias. No piso inferior ao rés-do-chão está localizada a
cantina/bar (onde são servidos almoços e lanches), uma ampla biblioteca, o
auditório principal e instalações sanitárias. A área envolvente conta com recreio,
campo de jogos, áreas verdes e estacionamento.
Ao tornar-se uma escola de artes, a oferta educativa passa a compreender
cursos oficiais na área da música (formação musical e instrumento),
correspondentes aos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário e,
na área da dança, correspondentes aos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e,
posteriormente, ao secundário.
A AMVP conta com 107 professores, 79 pertencem ao ensino artístico e 28
ao ensino regular.
Os alunos são maioritariamente do concelho de Vila Nova de Gaia, existindo
um número reduzido que provém de outros concelhos e distritos. Podem
inscrever-se aos 3 anos de idade e não há limite máximo de idade, mas a faixa
etária mais representativa da escola encontra-se entre os 5 e os 18 anos, isto é,
alunos desde o início do 1ºciclo até ao fim do secundário. Ao todo, a AMVP acolhe
816 alunos do pré-escolar ao secundário. As turmas do ensino integrado têm no
máximo 20 alunos, limite que tem como objetivo personalizar as práticas
pedagógicas, visando o sucesso escolar.
O pessoal não docente está dividido por 3 técnicos administrativos, 13
técnicos operacionais de ação educativa e 1 psicóloga.
A AMVP possui ainda Associação de pais e Associação de alunos, membros
essenciais e participativos para o bom funcionamento da Instituição.
A gestão e administração da AMVP, em matéria administrativa, pedagógica,
financeira e patrimonial está a cargo da Direção constituída por 3 elementos.
Desde a sua fundação que a AMVP tem como objetivo contribuir para a
formação e criação de novos públicos. No entanto, através da interação pedagógica
ativa e criativa, possibilita e incentiva a participação em concertos, festivais e
outras manifestações de índole cultural, quer nacional quer internacionalmente.
Tem contribuído para a formação de profissionais nas suas áreas de especialização,
chamando a si a responsabilidade de preparar jovens que pretendem prosseguir a
via de estudos nas áreas das artes performativas.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

2.2 - Projeto Educativo de Escola

Trata-se dum documento muito extenso, mercê do aprofundamento e


delineação das suas linhas de intervenção pedagógica e comunitária. Nele se
plasma o dia a dia escolar dos seus alunos, professores, técnicos e assistentes
operacionais e encarregados de educação. Refere com minúcia e cuidado a
interação com as autarquias, com outras organizações comunitárias e sobretudo
com os serviços sociais de apoio às famílias, bem como aos serviços de saúde e de
avaliação e intervenção pedagógicas de natureza multidisciplinar.
Não cabendo nem competindo a este estudo a dissecação e análise deste
documento do Projeto Educativo de Escola, mas reconhecendo a sua importância
primordial, anexa-se o mesmo a esta investigação (Anexo I).

3 - Definição e formulação da problemática

Com esta investigação pretende-se conhecer e aprofundar a nossa


convicção e conhecimento sobre as vantagens da prática do Buzzing nos alunos da
classe de trompete da atrás referida AMVP. Deste modo e logo inicialmente tomou-
se como opção a realização duma entrevista (Anexo II) aos professores da classe de
trompete desta Instituição, de forma a perceber-se o teor das suas crenças sobre
Buzzing, bem como, a forma como esta técnica é ou não aplicada na sua prática
pedagógica do dia a dia com os alunos.
Posteriormente será entregue aos alunos um Guião com exercícios e alguns
conselhos para a aprendizagem do trompete através da utilizando do Buzzing. Este
Guião (Anexo IV) será utilizado e aplicado também por mim mesmo aos alunos, ao
longo da minha prática pedagógica, devidamente supervisionada e estes alunos da
turma serão no final inquiridos, através dum Inquérito (Anexo V), que indagará as
suas opiniões, sobre a natureza e eficácia do referido Guião, bem como o

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

contributo e benefício da aplicação do mesmo, visando uma aprendizagem mais


eficaz do instrumento trompete, melhorando a sua performance3.
Os dados recolhidos serão depois analisados e nos hão-de conduzir às
conclusões desta investigação.

4 - Síntese

A Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) foi fundada em fevereiro


de 1979, e em maio de 1990 foi oficializada, tendo, desde 2007, autonomia
pedagógica.
A AMVP surge no conselho de Vila Nova de Gaia como uma Instituição
dinamizadora da cultura, promovendo a música e artes do palco, nomeadamente
ballet e teatro musical, como disciplinas de opção nos curricula para os alunos
desta área limítrofe.
As diversas atividades apresentadas pelo corpo docente têm
reconhecimento por parte de Escola e por toda a comunidade envolvente.
Com a realização deste trabalho pretende-se comprovar a importância e os
benefícios da prática do Buzzing na aprendizagem do instrumento trompete e fazer
com que os alunos e seus docentes adotem esta técnica como uma rotina benéfica
para uma melhor e mais fácil aprendizagem e uma maior performance.

3
O termo “performance", é de origem inglesa e, segundo o Dicionário Priberam da Língua
Portuguesa 2008-2013, define-se por "execução” ou “acabamento”.
https://www.priberam.pt/dlpo/performance

8
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

CAPÍTULO II

1 - Nota Introdutória

Neste capítulo aprofunda-se o conceito de embocadura, uma vez que é


fundamental para a compreensão da produção sonora e deste modo, da aplicação
da técnica Buzzing. Elencam-se também alguns materiais que podem auxiliar a
prática do Buzzing e apresenta-se ainda um conjunto de opiniões e de pontos de
vista sobre o mesmo, salientando, no entendimento de alguns instrumentistas de
sopro de metal de renome, as vantagens da sua prática diária.

2 - Embocadura – Definição e função

A palavra embocadura deriva da palavra francesa bouche que significa boca.


O Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio4 define a palavra embocadura como
“ato ou efeito de embocar”, ou seja, aplicar os lábios a um instrumento, para dele
emitir sons através da vibração dos lábios. O Dicionário de Português5, no que
respeita a este termo define embocadura, como

4 Ferreira, p.239
5 http://dicionarioportugues.org/pt/embocadura

9
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

O uso dos músculos faciais e dos lábios contra uma boquilha ou bocal
de um instrumento de sopro. A embocadura apropriada permite ao
instrumentista tocar o instrumento na sua completa extensão, a
manter o som limpo e a evitar possíveis danos aos seus próprios
músculos.

Porém, para um bom instrumentista de sopro de metal, a definição mais


exata e a que vai mais ao encontro dele é sem dúvida a de (Farkas, 1962: p.5), que a
define como: “…a boca, lábios, queixo e os músculos da boca, tensos e moldados de
modo cooperativos entre si”.
O mais importante, porém, é ter sempre presente que para o executante de
trompete ou qualquer instrumento de sopro, a embocadura é extremamente
importante e tem sido muito estudada por grandes mestres em todo o mundo. Mas
nota-se que, apesar da muita informação global que nos é disponibilizada nos dias
de hoje, ainda é difícil de entender como se processa no instrumentista o atingir o
pleno domínio e a consciência de estar a conseguir uma boa embocadura, sendo
certo que sentir-se com uma embocadura perfeita e devidamente configurada, nem
sempre é fácil.
Alguns profissionais referem que grande parte dos problemas ligados à
dificuldade de bem embocar, se deve à falta de formação de alguns professores de
bandas filarmónicas, que ensinam os seus alunos utilizando técnicas arcaicas e
pouco recomendáveis, como por exemplo a de sugerir ao aluno que coloque o
instrumento na boca e que sopre à sua maneira, até achar um ponto e o momento
em que haja vibração e se emita um som. Ora esta estratégia de ensino na
aprendizagem do trompete deve ser simplesmente banida, pois não deixa o aluno
tomar consciência da função que tem a embocadura e, na maioria dos casos, cria
uma série de más práticas, as quais ainda que mais tarde descobertas, se tornam
difíceis de corrigir ou mesmo eliminar, impedindo que a aprendizagem flua de
forma fácil e eficaz e causando distúrbios e transtornos nos estudantes.
Para o trompetista a embocadura é o ponto principal de conexão do seu
corpo com o seu instrumento, é ela que proporciona a vedação dos lábios com o
bocal e o controle básico sobre o som, a flexibilidade, a afinação e a resistência
muscular do músico. Além disso, é a combinação duma boa embocadura com uma

10
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

adequada coluna de ar, que dá suporte ao músico, tornando possível que ele
execute muitas passagens durante o dia e com diferentes níveis de dinâmicas, do
pianíssimo ao extremo fortíssimo.
A embocadura deve ser assim analisada e estudada muito seriamente de
modo que ajude o músico a desenvolver uma vida musical saudável e que não
cause a ele obstáculos e constrangimentos no desenvolvimento da sua
aprendizagem. Porém o músico deve ter sempre em mente o som que pretende
criar ao tocar. Esse som deve ser grande, poderoso e rico em harmónicos. E sem
essa imagem pessoal do seu próprio som, não é bastante e suficiente uma
embocadura, por melhor que ela o seja.

3 - Buzzing – Definição e benefícios

Buzzing é um termo utilizado para referir vibração labial, necessária para a


produção de som num instrumento de sopro de metal, sendo que “os instrumentos
apenas organizam e amplificam os sons produzidos pela boca do instrumentista.”
(Sandoval, 1991).
Em Português6, este termo poderá traduzir-se por “zumbido”, “zumbir” ou
“zunido” precisamente porque o som produzido nesta prática do Buzzing é muito
semelhante com o zumbido das abelhas.
Assim quando alguém está a fazer Buzzing está simplesmente a vibrar os
lábios de maneira idêntica à técnica necessária para tocar um instrumento de
metal.
No caso dos instrumentos da família de madeira que utilizam palheta
simples ou dupla, o som é produzido através da vibração dessas palhetas. Nos
instrumentos de sopros de metal são os lábios do músico que têm que vibrar
dando assim origem ao som.

6 http://www.wordreference.com/enpt/buzzing; http://www.linguee.pt/ingles-
portugues/traducao/buzzing.html; https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-
portuguesa/buzzing

11
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Farkas (1962) compara os lábios com as cordas vocais, ambos fazem parte
de nosso corpo, ambos se contraem ou relaxam voluntariamente através de
comandos emitidos pelo cérebro e também ambos são acionados pela coluna de ar
que passa entre si emitindo um som.
Para ajudar a compreender e visualizar mentalmente o que acontece nos
lábios quando se toca um instrumento de sopro de metal, Carolino (2007) criou
um conceito que designou de “Cordas Labiais”. Com este conceito, compara a
embocadura do instrumentista de sopro de metal à vibração das cordas de um
instrumento de cordas. Esta ideia reforça a importância da vibração na produção
sonora, assim como de uma embocadura saudável e que funcione plenamente.
A prática da vibração dos lábios traz vários benefícios, pois a vibração no
bocal apresenta menor resistência que no instrumento, fazendo com que o
instrumentista utilize mais ar na produção do som. Segundo Thompson (2001: p.3)
e Beltrami, (2008: p. 28), utilizando-se um maior fluxo de ar, o músico terá os
lábios mais relaxados, o que faz com que essa vibração se torne mais livre,
produzindo, por sua vez, um som mais ressonante.
Beltrami (2008: p. 28) acrescenta um ganho adicional da utilização do
Buzzing como recurso técnico, ao observar que “a vibração com o bocal desenvolve
um maior refinamento auditivo e físico, fazendo com que o músico se concentre
mais no processo de afinação das notas”. Roy Poper (1995: 5-6) reitera também os
benefícios mais proeminentes do Buzzing e refere que “quando se faz o buzzing
corretamente, o som se torna mais denso, os lábios ficam mais flexíveis e aquecem
mais rapidamente, além de se tornarem mais consistente dia após dia”.
Também outros autores, tais como (Sandoval, 1991); (Dijk, 2004) e
(Vernon, 1995), defendem o uso de Buzzing para o estudo de obras, excertos de
orquestra ou passagens tecnicamente difíceis. (Vernon, 1995, idem) defende que
esta prática permite a produção de música com os lábios, sem os problemas
técnicos associados ao instrumento em si. (Dijk, 2004, idem) refere que utiliza
Buzzing no seu aquecimento, utilizando esta ferramenta para trabalhar intervalos
difíceis e articulações em legato.
Tanto (Sandoval, 1991, idem) como (Dijk, 2004, ibidem) referem a
utilização de buzzing intercalado com o uso do instrumento para trabalhar a
qualidade sonora. Vernon (1995, idem) realça mesmo que, quando se coloca o

12
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

bocal no instrumento, a resistência da vibração muda, mas que isto não é


impedimento para a prática de Buzzing, pois o importante é a abordagem.
Griffiths (1991), no seu livro “Low Brass Guide”, dedica um capítulo ao
Buzzing com bocal, começando por sublinhar e alertar para o risco que existe de
um aluno prejudicar a sua vibração labial se não utilizar corretamente a coluna de
ar. O mesmo autor refere ainda que considera o Buzzing uma ótima ferramenta
para começar o aquecimento, pois não permite ao instrumentista usar o
instrumento como uma “muleta” (Griffiths, 1991, idem).
Após estas considerações, o autor expõe alguns aspetos que, a seu ver,
melhoram com a prática de Buzzing, tais como uma melhor definição da altura dos
sons (visto que o executante não tem o auxílio do instrumento para organizar os
sons), melhoria do ouvido musical, um som mais cheio, melhor e mais instantânea
vibração, melhor flexibilidade, maior resistência. O autor refere também a
semelhança da vibração obtida no Buzzing com a da obtida ao tocar o instrumento,
com a única diferença a de haver uma maior resistência com o instrumento.

3.1 - Equipamento auxiliar para praticar Buzzing

Tal como já referido anteriormente, Buzzing é o termo utilizado para referir


vibração labial, necessária para a produção de som num instrumento de sopro de
metal.
Ora esta vibração pode ser praticada com ou sem bocal, ou seja, mesmo sem
utilização do instrumento. No entanto, existem ferramentas que podem auxiliar a
prática de Buzzing, entre elas o visualizador, uma espécie de aro (outer rim), que
permite visualizar a embocadura enquanto os lábios vibram. Kleinhammer e Yeo,
(2012) referem que utilizar o visualizador ou o “bocal cortado”, como também é
conhecido, enquanto se faz buzzing em frente a um espelho é o equivalente a ver e
ouvir a fonte sonora de um instrumento de sopro de metal

13
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 1 - Visualizador, ou bocal cortado para embocadura

Disponível em: http://www.musictools.pt/instrumentos-de-metal/visualizador-de-embocadura-


trompete// Acedido em: 04/01/2017

Estes autores referem também que o Buzzing pode ser uma ferramenta
importante para uma melhor flexibilidade e para uma afinação mais precisa.
Existe também uma outra ferramenta, designada por Buzz Extension
Resistance Piece (BERP), que é uma peça que se adapta no tudel (leadpipe)7,
permitindo ao instrumentista continuar a ter a sensação de segurar o instrumento
e simular que está a tocar, mas só está a fazer Buzzing.

Figura 2 - Buzz Extention Resistence Piece (BERP)

Disponível em : http://www.gear4music.pt/pt/Sopros-de-madeira-sopros-de-metal-
cordas/Pratica-Berp-auxilio-para-trompete/ Acedido em: 07/01/2017

7
Tudel ou leadpipe, é a secção do instrumento onde se coloca o bocal.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Kleinhammer e Yeo, (2012, idem) referem ainda que esta prática acarreta
também benefícios para a qualidade sonora ao “centrar” o som, que advém do ato
de ouvir um som e duplicá-lo com a vibração labial. Estes autores referem ainda a
pertinência dos exercícios de Buzzing enquanto forma de aquecimento,
sublinhando os benefícios de recriar melodias em vibração labial, para melhorar a
sua execução no instrumento.
Uma outra ferramenta é o designado Sandovalves, inventada por Anturo
Sandoval, célebre trompetista cubano galardoado e vencedor de vários prémios
internacionais. Foi no International Trumpet Guilt, que apresentou esta sua
invenção, hoje mundialmente conhecida, o Sandovalves.

Figura
Figura 3 - Sandovalves,.
3- Sandovalves,. de Arturo
de Arturo Sandoval
Sandoval
Disponível em: http://www.chucklevins.com/news/itg-2016-exclusive-trumpet-accessories/

Acedido em: 4/01/2017

Segundo Sandoval, a prática de Buzzing com este aparelho permite


fortalecer a embocadura ao mesmo tempo que se desenvolve destreza digital.
Esta ferramenta permite também regular a pressão, para deste modo se
praticar uma vibração muito semelhante àquela utilizada quando se toca trompete.

15
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Uma outra ferramenta é o UpSound, peça construída pela Stomi e


desenvolvida pelo trompetista venezuelano Pacho Flores.
É uma ferramenta que simula a contrapressão de um instrumento. Ao
utilizar um bocal com o UpSound, o trompetista experimentará uma sensação
similar ao tocar seu instrumento. Essa sensação é impossível de replicar com um
bocal sozinho.

O UpSound cria uma resistência natural que permite um controle muito


maior do que o encontrado noutros dispositivos.

Figura 4 - Up Sound

Disponível em: http://www.codamusic.ru/model.aspx?model=UPSOUND Acedido em 05/01/2017

O trompetista terá uma precisão de afinação aprimorada, permitindo que


se reproduzam exercícios que ele normalmente apenas tocaria no próprio

16
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

instrumento. O uso do UpSound expande a prática do bocal a um nível totalmente


inovador. O UpSound é também uma ferramenta ótima para praticar ou aquecer
em situações em que a utilização do instrumento é impraticável, para trabalho no
treino auditivo e no controle de registo e para trabalhar a coluna de ar e o controle
na respiração.

3.2 - Diferentes opiniões sobre o Buzzing na prática de


instrumentos de sopro de metal

Segundo refere Ribeiro (2012), Philipe Smith, primeiro trompete solista da


Orquestra de Nova York, quanto questionado sobre o Buzzing, em 2000, na
Masterclass em Portugal, integrado no ciclo das grandes orquestras mundiais, nas
instalações da Orquestra Metropolitana de Lisboa, afirmou que não conseguia
realizar os estudos de Buzzing de James Stam8. Para os conseguir realizar,
acrescentou que tinha de utilizar uma embocadura diferente da sua habitual, ou
seja, daquela com que normalmente executa o seu trabalho diário e o reportório
exigido pela orquestra onde exerce a sua atividade profissional.
Um outro caso também com bastante repercussão no universo dos
instrumentos de sopro de metal surgiu um dia, quando em 2010 Christian
Lindberg, reconhecido solista e virtuoso do trombone, partilhou um vídeo onde
assume uma posição de negação quanto aos benefícios e validade da prática de
Buzzing. Neste vídeo, Lindberg demonstra que a vibração criada na prática de
Buzzing não é idêntica à utilizada quando toca trombone e que por isso mesmo, o
Buzzing não é uma prática benéfica.
Este vídeo de Lindberg gerou várias respostas e comentários, tanto a favor
como contra. Uma das respostas mais evidentes foi a de Massimo La Rosa, primeiro
trombone da Orquestra de Cleveland, nos Estados Unidos. La Rosa fez um outro
vídeo em resposta ao de Christian Lindberg, no qual advoga uma opinião contrária,
isto é que a prática de Buzzing é benéfica para um melhor som, demonstrando no

8
Trompetista, pedagogo e autor de vários para manuais trompete.

17
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

vídeo que a vibração que usa no Buzzing é idêntica à que usa quando toca
trombone e que por isso mesmo o Buzzing é uma prática que deve ser encorajada.
Mas é de realçar ainda, aquando da publicação do vídeo de Massimo La
Rosa, a posição de outro reconhecido trombonista, neste caso Ben Van Dijk, que
assumiu uma postura conciliadora entre as duas perspetivas atrás mencionadas.
Num seu depoimento, também em forma de vídeo, Van Dijk demonstrou que usa o
Buzzing como uma ferramenta de desenvolvimento do som, mas refere também
que essa é uma técnica que funciona com ele próprio, mas menciona e admite
casos de bons músicos, que não usam essa mesma técnica do Buzzing, mas que
possuem e conseguem igualmente um som que ele considera muito bom. Van Dijk
frisa também que cabe a cada um descobrir o método que mais benefícios traz a si
próprio e que não se deve seguir cegamente o que alguém diz, ainda que se trate
dum músico de renome internacional.
Estes casos são ilustrativos da falta de consenso existente até entre a elite
dos músicos de instrumentos de sopro de metal. Assim, toda e qualquer posição
sobre este assunto deve ser fundamentada para que o aluno entenda a finalidade
da sua prática, mas depois cabe a cada músico saber encontrar para si mesmo a
melhor forma e a melhor técnica para prosseguir e melhorar o seu próprio
conhecimento.

4 - Síntese

Aprender um instrumento de metal de sopro exige a presença duma boa e


correta embocadura. Entender a vibração labial como o processo de produção
sonora é primordial para a construção de uma boa embocadura que funcione
eficazmente e não crie entraves à aprendizagem.
O Buzzing no ensino e aprendizagem dos instrumentos de metal é uma
temática bastante recente, remontando a 1990 as primeiras publicações sobre esta
prática.
Existem hoje várias ferramentas facilitadoras do Buzzing, dentre as quais
salientámos o “Visualizador”, o “BERP”, o “Sandovalves” e o “Up Sound”. No

18
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

entanto estamos ainda muito longe de obtermos um consenso geral entre os


músicos de elite, sobre os benefícios ou não da utilização do Buzzing na
aprendizagem dum instrumento de metal de sopro. Uma ideia que parece ser
consensual, é que cada músico experimente as diversas técnicas de aprendizagem,
mas que posteriormente faça uma opção para si mesmo, da técnica que melhor
resulta e se adapta à sua própria pessoa, com vista a conseguir a melhor perfeição
e performance.

19
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

CAPÍTULO III

1 - Nota Introdutória

Pretende-se neste capítulo dar a conhecer as opções metodológicas que


orientaram esta investigação, bem como, as atividades desenvolvidas na minha
prática pedagógica na AMVP.

2 - Cronograma

A primeira etapa consistirá numa revisão bibliográfica, de forma a


aprofundar e a conhecer melhor o tema em estudo. Esta será realizada de
novembro de 2016 a fevereiro de 2017.
A segunda etapa será a aplicação, durante o mês de março, de uma
entrevista aos professores de trompete da AMVP e posteriormente, a elaboração
de um guião com conselhos e exercícios de buzzing, tendo por base a literatura
existente e a minha experiência enquanto aluno, docente e intérprete. Este guião
será aplicado, durante um período de 3 meses (março, abril e maio) aos alunos na
classe de trompete, da Academia de Música Vilar do Paraíso.
A terceira etapa, que decorrerá no mês de junho, compreenderá a
elaboração e aplicação de um inquérito aos alunos que utilizaram o guião.
Posteriormente, após a recolha de dados, estes serão devidamente processados e
analisados.
A redação do trabalho escrito iniciar-se-á por volta do mês de abril e será
feita ao longo de todo o processo até à sua conclusão.
21
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Apresenta-se de seguida, o cronograma em forma de tabela, referente a esta


investigação.

MESES
novembro

dezembro

fevereiro
janeiro

agosto
março

junho

julho
2016

2016

2017

2017

2017

2017

2017

2017

2017

2017
maio
abril
TAREFAS
Investigação de
bibliografia
  
Análise crítica da
bibliografia
 
Entrevista aos
professores de 
trompete da AMVP
Análise da
entrevista aos
professores de

trompete da AMVP
Aplicação do Guião
de conselhos e
exercícios sobre
  
Buzzing
Inquérito aos
alunos

Análise dos
inquéritos

Redação do
trabalho
    

Tabela 1 - Cronograma

22
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

3 - Metodologia

Iniciou-se a realização deste trabalho com a identificação e caraterização do


meio e da Academia de Música Vilar do Paraíso, de forma a partir depois para a
investigação pormenorizada da classe de trompete. De seguida, e por forma a
aprofundar a temática a investigar (a prática do Buzzing na aprendizagem do
trompete) fez-se uma revisão de literatura sobre a mesma.
Posteriormente fez-se uma entrevista aos professores da classe de trompete
da AMVP (Anexo II), por forma a compreender como trabalham o Buzzing.
Salienta-se que as entrevistas foram realizadas individualmente, e foi garantida a
confidencialidade das informações recolhidas, bem como pedida autorização para
as gravar. De seguida foram transcritas o mais fielmente possível (Anexo III) e
analisadas.
Seguiu-se a apresentação aos alunos da classe de trompete da Academia de
Música de Vila do Paraíso, de um guião com conselhos e exercícios de Buzzing
(Anexo IV). Após um período de cerca de 3 meses de aplicação prática do referido
guião, realizou-se um questionário aos alunos (Anexo V), por forma a identificar se
na sua opinião a prática do Buzzing foi ou não benéfica na aprendizagem do
trompete.
Em posse dos dados recolhidos, fez-se a análise dos mesmos, que
permitiram retirar as devidas elações e considerações finais.

23
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

3.1 - Análise das entrevistas aos professores da classe de


trompete da AMVP

No que se refere ao grau académico dos professores da classe de trompete


da AMVP, verificou-se que ambos possuem habilitação profissional para a ensino
do instrumento, assim o professor Filipe Pinho possui Licenciatura em Ensino da
Música, ramo trompete e o professor André Ribeiro Mestrado em Ensino da Música
com especialização na área vocacional de trompete.
Em relação ao conceito de Buzzing, o professor Filipe Pinho definiu-o como
sendo: “a vibração dos lábios encostados apenas ao bocal” e o professor André
Ribeiro como: “toda a vibração feita de forma livre e natural com os lábios, com ou
sem ajuda de outros elementos como o bocal ou o BERP”. Deste modo, percebeu-se
que ambos os professores conhecem concetualmente esta prática do Buzzing,
ainda que a definição apresentada pelo professor Filipe Pinho não seja tão
completa.
Relativamente à realização de exercícios de Buzzing com os seus alunos, o
professor Filipe Pinho refere que por norma não utiliza estes exercícios. No
entanto, e pontualmente, recorre a esta prática por forma a tentar resolver nos
alunos algumas dificuldades de vibração dos lábios e de colocação correta da
embocadura.
O professor André Ribeiro refere que utiliza Buzzing apenas no
aquecimento com a ajuda do piano, realizando exercícios com graus conjuntos
(ascendente) ou meios tons (descendente). Outra atividade que também pratica
são escalas, passagens de estudos ou peças, com a ajuda do BERP. Verifica-se assim
que ambos os docentes utilizam com pouca frequência a prática do Buzzing.
Verificou-se, igualmente, em ambos os professores, que esta prática é
utilizada em todos os graus de ensino do instrumento, sendo que o professor
André Ribeiro considera que ela deva ser mais apropriada para utilizar com alunos
num grau de aprendizagem mais avançado.
Em relação aos benefícios, ambos os professores reconhecem vantagens da
prática de Buzzing atribuindo-lhe de forma específica utilidade e mérito na
melhoria da sonoridade e na resistência (endurance). O professor Filipe Pinho

24
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

menciona ainda que poderia e gostaria de utilizar esta técnica, mas que não tem
tempo para isso.
No que concerne ao entusiasmo e motivação observados nos alunos durante
a realização de exercícios de Buzzing, o professor André Ribeiro refere que no
início estes estranharam a técnica, no entanto como esta os ajudou a obter melhor
sonoridade, sentindo-se mais à vontade para tocar o instrumento, aceitaram esta
técnica com uma maior seriedade e entusiasmo, o que resultou numa maior e
consequente motivação. O professor Filipe Pinho como não tem por hábito realizar
atividades de Buzzing, não podia pronunciar-se sobre esta técnica, pelo que não
deu qualquer resposta a esta pergunta.
Quando questionados sobre as dificuldades que têm na implementação desta
técnica específica, o professor André Ribeiro indica o facto de muitos alunos não
possuírem um ouvido trabalhado, de forma a reconhecer os intervalos e alturas
das notas. Já o professor Filipe Pinho refere que, eventualmente, há alunos que têm
dificuldade em tocar nos extremos da extensão dos sons, quer no registo mais
grave, quer no mais agudo. Outra dificuldade observada, ainda que,
esporadicamente, é uma emissão de som pouco eficaz, ouvindo-se "vento" no som
produzido.
No que refere aos instrumentos de apoio utilizados o professor André refere
que os seus alunos utilizam o BERP. Já o professor Filipe refere que não utiliza
nenhum instrumento de apoio.
Sobre se utilizam um método ou guião específico de Buzzing, ambos os
docentes referem que geralmente improvisam exercícios, André Ribeiro refere
ainda que o faz sempre com a ajuda do piano de modo a melhorar também o nível
auditivo. Refere ainda que os seus exercícios são improvisados, mas sempre com
uma lógica ou adaptação de outros, como os primeiros exercícios do Stamp ou
Thomson. Ainda o professor André Ribeiro recomendou que esta técnica do
Buzzing seja praticada de forma correta e controlada, para que as musculaturas
labiais e faciais fiquem mais desenvolvidas.
No que refere à última pergunta da entrevista, verificou-se que o professor
Filipe apenas recomenda aos seus alunos que pratiquem Buzzing quando têm
problemas de embocadura ou de vibração labial. Por seu lado, o professor André
Ribeiro, recomenda aos seus alunos a prática de Buzzing na sua rotina diária,

25
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

aquando o seu estudo individual, pois considera esta técnica como um bom recurso
e uma forma “saudável” de se obter melhor rendimento no manejo do instrumento.
Em suma, e apesar de a prática do Buzzing ser utilizada por ambos os professores
da AMVP, verificou-se que o professor André Ribeiro demonstra ter uma maior
preferência por esta técnica, conhecendo-a melhor e utilizando-a com frequência.

4 - Análise dos resultados dos inquéritos realizados


aos alunos e reflexão crítica

O inquérito sobre a implementação e utilização do Guião de Conselhos e


Exercícios sobre Buzzing, foi distribuído e preenchido individualmente por cada
aluno, procedendo-se no final à análise e reflexão crítica sobre os seus resultados.

4.1 - População, Amostra e Variáveis

A população de referência neste estudo é a totalidade de alunos que se


dedicam à aprendizagem do trompete, distribuídos pelos diversos Conservatórios,
Escolas Profissionais, Escolas de Música, Bandas Filarmónicas. A amostra deste
estudo é constituída pela totalidade da Classe de Trompete da Academia de Música
de Vilar do Paraíso (AMVP).
No tratamento estatístico da Amostra, recorreu-se ao Programa
SPSS/STATISTICS Versão 22 da IBM. A amostra é constituída por 24 alunos (a
totalidade da Classe de Trompete) e possui a seguinte distribuição:

26
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

4.1.1 - Distribuição da frequência da idade

No quadro seguinte apresenta-se a distribuição da idade dos elementos da


amostra. Esta variável Idade, foi previamente agrupada em três categorias, a
primeira abrangendo todos os alunos até aos 10 anos de idade, a segunda dos 11
aos 13 anos e a terceira agrupando todos os alunos com idade igual ou superior a
14 anos.
Idade
Percentagem Percentagem
Frequência Percentagem válida acumulativa
Até 10 Anos 9 37,5 37,5 37,5
De 11 a 13 Anos 7 29,2 29,2 66,7
Mais de 14 anos 8 33,3 33,3 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 2 - Distribuição da frequência da variável Idade

4.1.2 - Distribuição da frequência por sexo

O quadro seguinte indica-nos a distribuição pela variável Sexo nos alunos


respondentes:
Sexo

Frequência Percentagem Percentagem válida Percentagem acumulativa


Masculino 18 75,0 75,0 75,0
Feminino 6 25,0 25,0 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 3 - Distribuição da frequência pela variável Sexo

Por esta distribuição de frequência constatamos a baixa percentagem


(25%) de elementos do sexo feminino que se dedicam à aprendizagem do
trompete.

27
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

4.1.3 - Distribuição da frequência pela situação escolar (grau)

No quadro seguinte apresenta-se a distribuição pela situação ou grau


escolar dos elementos da amostra. Esta variável Escolar, foi constituída por três
categorias, a primeira agrupando todos os alunos de Iniciação Musical, a segunda
os do 1º, 2º e 3º grau, e a terceira de alunos do 4º, 5º, 6º e 7º grau.

Escolar

Frequência Percentagem
Inicial 7 29,2
Grau 1 a 3 2 7 29,2
Grau 4 e superior 10 41,7
Total 24 100,0

Tabela 4 - Distribuição da frequência pela variável Escolar (grau)

4.1.4 - Distribuição da frequência e correlação da variável Atividade

Em resultado da pergunta nº 1 do Inquérito realizado aos alunos (Anexo V),


foi apurada a variável Atividade, que se refere ao exercício ou não de alguma outra
atividade musical além da que possui nesta AMVP.

Atividade Musical Extra


Percentagem
Frequência Percentagem válida Percentagem acumulativa
Não 9 37,5 37,5 37,5
Sim 15 62,5 62,5 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 5 - Distribuição da frequência da variável Atividade

Esta distribuição mostra-nos a grande percentagem de alunos que exercem


outra atividade além desta, na AMVP.

28
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Havendo interesse em estabelecer relação desta variável com as anteriores,


procedemos, através do SPSS, à correlação utilizando o coeficiente de correlação
de Pearson, que nos veio mostrar que a prática desta variável Atividade, está
diretamente ligada à Idade e à variável Escolar, ou seja os alunos de mais idade e
mais elevada situação escolar, são os que praticam simultaneamente uma maior
atividade musical extra.

Correlações

Idade Sexo Escolar Atividade


Correlação de Pearson 1 ,029 ,901** ,678**
Sig. (2 extremidades) ,894 ,000 ,000

N 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,029 1 -,087 -,149
Sig. (2 extremidades) ,894 ,687 ,487

N 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,901** -,087 1 ,530**
Sig. (2 extremidades) ,000 ,687 ,008

N 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,678** -,149 ,530** 1
Sig. (2 extremidades) ,000 ,487 ,008

N 24 24 24 24
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
Tabela 6 - Correlação com coeficiente de Pearson

Quanto ao tipo dessa mesma atividade, conforme indagado na pergunta 1


referida, a maioria dos respondentes indicou as bandas filarmónicas do concelho
de Vila Nova de Gaia, aulas de guitarra e aulas de bateria.

4.1.5 - Distribuição da frequência da variável Dificuldade.

Em resultado da pergunta nº 2 do referido Inquérito realizado aos alunos


foi apurada a variável Dificuldade, que se refere ao grau de dificuldade
percecionado pelos alunos, na compreensão dos conceitos abordados no guião. A
dificuldade sentida foi estabelecida numa escala com cinco graus de dificuldade na

29
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

acessibilidade aos referidos conceitos: 1 - Bastante Acessível, 2 - Acessível, 3 -


Mediamente Acessível, 4 - Difícil, 5 - Muito Difícil.

Dificuldade na compreensão do guião


Percentagem
Frequência Percentagem Percentagem válida acumulativa
Bastante acessível 22 91,7 91,7 91,7
Acessível 1 4,2 4,2 95,8
Mediamente Acessível 1 4,2 4,2 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 7 - Distribuição da frequência da variável Dificuldade

Pela tabela supra, da distribuição da frequência desta variável, verificamos


que 91,7% dos alunos acharam que os conceitos abordados no guião eram
bastante acessíveis, não tendo tido dificuldades na sua compreensão. Só um aluno
(4.2%) utilizou o grau Acessível (2) e um outro o grau 3 (Mediamente Acessível),
não havendo qualquer aluno que tivesse sentido dificuldades os graus 4 e 5 (Difícil
e Muito Difícil) da referida escala.

4.1.6 - Distribuição da frequência da variável Hábito

Foi em resultado da pergunta nº 3 do referido Inquérito, que surgiu a


variável Hábito, assente na existência ou não do hábito dos alunos já praticarem
Buzzing, antes da leitura do guião, que lhes foi fornecido. Na tabela seguinte
mostra-se a distribuição da frequência desta variável

Hábito

Frequência Percentagem Percentagem válida Percentagem acumulativa


Não 20 83,3 83,3 83,3
Sim 4 16,7 16,7 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 8 - Distribuição da frequência da variável Hábito

30
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Correlações

Idade Sexo Escolar Atividade Habito


Correlação de Pearson 1 ,029 ,901** ,678** ,421*
Sig. (2 extremidades) ,894 ,000 ,000 ,040

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,029 1 -,087 -,149 ,000
Sig. (2 extremidades) ,894 ,687 ,487 1,000

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,901** -,087 1 ,530** ,470*
Sig. (2 extremidades) ,000 ,687 ,008 ,020

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,678** -,149 ,530** 1 ,346
Sig. (2 extremidades) ,000 ,487 ,008 ,097

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,421* ,000 ,470* ,346 1
Sig. (2 extremidades) ,040 1,000 ,020 ,097

N 24 24 24 24 24
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).
Tabela 9 - Correlação com coeficiente de Pearson

A utilização do coeficiente de correlação de Pearson, mostra-nos um grau de


significância de 0,05 (95%) de probabilidade, da maior frequência desta variável
Hábito estar diretamente relacionada com os alunos de mais idade e de maior grau
escolar.

31
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

4.1.7 - Distribuição da frequência da variável Benefícios

Foi de seguida, em resultado da pergunta nº 4 do referido Inquérito (Anexo


V), que gerou a variável Benefícios, que pretende inquirir se os respondentes, antes
de terem acedido ao guião que lhes foi fornecido, se já conheciam ou não benefícios
na prática do Buzzing.

Benefícios
Percentagem Percentagem
Frequência Percentagem válida acumulativa
Não 10 41,7 41,7 41,7
Sim 14 58,3 58,3 100,0
Total 24 100,0 100,0

Tabela 10 - Distribuição da frequência da variável Benefícios

A distribuição da frequência desta variável, aponta-nos para uma grande


percentagem de respondentes (58,3%) que já conheciam os benefícios dessa
prática, mas que era também grande a percentagem de alunos (41,7%) que não
conheciam esses benefícios.
A correlação que efetuámos, de seguida, com coeficiente de correlação de
Tau-b-de Kendall, através do programa SPSS, mostrou-nos ainda uma correlação
significativa e direta entre esta variável Benefícios com as variáveis Atividade,
Escolar e Idade, o que não constitui motivo de surpresa.

32
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Correlações

Idade Escolar Atividade Benefícios


Coeficiente de Correlação 1,000 ,868** ,641** ,819**
Sig. (2 extremidades) . ,000 ,001 ,000
N 24 24 24 24
Coeficiente de Correlação ,868** 1,000 ,501* ,787**
Sig. (2 extremidades) ,000 . ,011 ,000
N 24 24 24 24
Coeficiente de Correlação ,641** ,501* 1,000 ,567**
Sig. (2 extremidades) ,001 ,011 . ,007
N 24 24 24 24
Coeficiente de Correlação ,819** ,787** ,567** 1,000
Sig. (2 extremidades) ,000 ,000 ,007 .
N 24 24 24 24
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades).
Tabela 11 - Correlação com coeficiente deTau-b-de Kendall

33
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

4.1.8 - Distribuição da frequência da variável Alteração

Em resultado da pergunta nº 5 do referido Inquérito, surgiu a variável


Alteração, que se refere à mudança ou alteração verificada ou não nos alunos, na
sua rotina diária, após a utilização efetuada do guião referido.

Gráfico 1 - Distribuição da frequência da variável Alteração

A distribuição da frequência desta variável, está expressa no gráfico supra,


sendo muito elevada a percentagem de respondentes (83,33%) que, admitiram ter
havido alteração na sua rotina diária na utilização do Buzzing.
Ao indagarmos junto dos respondentes de que forma é que essa alteração
na rotina diária se alterou, obtiveram-se as seguintes respostas:
 “Passei a incluir esta técnica na minha rotina diária”.
 ”Passei a aquecer sempre com Buzzing.”
 “Esta técnica permite-me a aquecer mais rapidamente, o que é bom sobretudo
quando chego atrasado aos ensaios.”

34
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

4.1.9 - Distribuição da frequência da variável Performance

Em resultado da pergunta nº 6 do referido Inquérito (Anexo V), surgiu a variável


Performance, que se relaciona com a opinião mostrada pelo respondente, sobre, se após a
prática da técnica expressa no guião sobre o Buzzing, sentiu ou não melhorias na sua
performance.

Gráfico 2 - Distribuição da frequência da variável Performance

O gráfico supra mostra a distribuição da frequência desta variável da


Performance, que atingiu a percentagem de 100%, mercê da unanimidade entre
todos os respondentes, de terem considerado ter havido melhoria na sua
performance, após terem usufruído da prática da técnica sobre o buzzing, que lhes
foi facultada através do guião.
Quanto à forma como os alunos percecionaram essa melhoria na sua
performance, destacam-se as seguintes respostas:
 “O ar flui mais livremente e a forma de tocar é mais relaxada”.
 “Passei a tocar mais confiante.”
 “Com esta técnica o aquecimento é mais rápido.”
 “Melhorei a flexibilidade”

35
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

 “Melhorei a sonoridade, agora o meu som é mais limpo.”


 “Melhorei a facilidade do registo agudo”.

4.1.10 - Distribuição da frequência da variável Aprofundar

Finalmente, e em resultado da pergunta nº 7 do referido Inquérito, surgiu a


variável Aprofundar, que questiona os alunos sobre se gostariam ou não de
aprofundar os seus conhecimentos nesta temática do Buzzing. As respostas a esta
questão encontram-se na distribuição da frequência, expressa na tabela e no
gráfico seguinte.
Aprofundar
Percentagem
Frequência Percentagem Percentagem válida acumulativa
Não 2 8,3 8,3 8,3
Sim 22 91,7 91,7 100,0

Total 24 100,0 100,0

Tabela 12 - Distribuição da frequência da variável Aprofundar

Gráfico 3 - Distribuição da frequência da variável Aprofundar

36
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Foi bastante a percentagem dos alunos que gostariam de aprofundar os


seus conhecimentos sobre a técnica do Buzzing.

Através do programa SPSS, conforme se pode verificar no quadro seguinte,


constatamos esta variável Aprofundar, se correlaciona significativamente (0,01, ou
seja com 99% de probabilidade) com a outra variável Alteração, ou seja o gosto de
aprofundar os conhecimentos desta técnica do Buzzing, correlaciona-se
diretamente com a alteração que foi percecionada pelos mesmos, na alteração da
sua rotina diária.

Correlações

Aprofundar Escolar Atividade Alteração Benefícios


Correlação de Pearson 1 -,317 -,234 ,674** -,255
Sig. (1 extremidade) ,066 ,136 ,000 ,115

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson -,317 1 ,530** -,470* ,838**
Sig. (1 extremidade) ,066 ,004 ,010 ,000

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson -,234 ,530** 1 -,346* ,567**
Sig. (1 extremidade) ,136 ,004 ,049 ,002

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson ,674** -,470* -,346* 1 -,378*
Sig. (1 extremidade) ,000 ,010 ,049 ,034

N 24 24 24 24 24
Correlação de Pearson -,255 ,838** ,567** -,378* 1
Sig. (1 extremidade) ,115 ,000 ,002 ,034

N 24 24 24 24 24
**. A correlação é significativa no nível 0,01 (1 extremidade).
*. A correlação é significativa no nível 0,05 (1 extremidade).
Tabela 13 - Correlação com coeficiente Pearson

37
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

5 - Síntese

Delineou-se uma Metodologia, traçou-se um Cronograma, fez-se a utilização


de dois instrumentos, um designado de Entrevista e outro de Inquérito. A
entrevista teve como destinatários os dois docentes de trompete da Academia de
Música de Vilar do Paraíso (AMVP). Pelas respostas dos dois professores, verificou-
se que, apesar de conhecerem conceptualmente o termo Buzzing e até de
reconhecerem que através dele, se podem obter algumas vantagens para uma
melhor aprendizagem do instrumento, que na sua rotina diária não fazem uso
desta técnica duma maneira sistemática, mas mais de forma pontual e somente
para corrigir algumas dificuldades mais específicas nos alunos.
Quanto ao Inquérito, este foi aplicado a todos os alunos da Classe de
trompete da referida Academia, mas precedido dum treinamento especifico da
técnica Buzzing, mediante um Guião informativo, onde se forneciam alguns
ensinamentos e conselhos específicos, que ajudaram a que esta técnica fosse
experimentada individualmente por cada um dos alunos. Só posteriormente se
lhes aplicou então o já referido Inquérito, através do qual se questionavam sobre
vários aspetos ligados às suas opiniões percecionadas durante a prática desta
técnica. Fez-se de seguida a recolha de dados e o respetivo tratamento analítico e
estatístico, através do programa SPSS/Statistics, versão 22 da IBM9.
Os resultados foram bastante gratificantes e vieram corresponder às nossas
espectativas sobre esta técnica do Buzzing. Na verdade, a partir do contacto com o
Guião, que lhes foi fornecido, todos os alunos expressaram no Inquérito a sua
opção por utilizar esta técnica do Buzzing na sua rotina diária com o instrumento,
tendo admitido que melhoraram a sua aprendizagem e que adquiriram uma maior
performance no manejo diário do trompete.

9Ao qual se teve acesso por download do site: https://ibm-spss-statistics-


base.br.uptodown.com/windows/download

38
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

CAPÍTULO IV

Prática Pedagógica Supervisionada

1 - Nota introdutória

O Estágio Profissional de trompete realizado, no âmbito da unidade


curricular de Prática Pedagógica – Estágio Profissional, do segundo ano, de
Mestrado em Ensino de Música – do Instituto Piaget, em Viseu, foi efetuado na
Academia de Música de Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia, com a orientação do
professor Filipe Pinho e a supervisão do professor Alexandre Andrade.
O Estágio Profissional teve início após estarem concluídos todos os acordos
e parcerias entre as duas Instituições (Instituto Piaget Viseu e Academia de Música
de Vilar do Paraíso), começando assim no mês de outubro de 2016 e terminando
em junho de 2017. O estágio realizou-se com cinco alunos, dois de 3º grau, um
aluno de 4º grau e dois de 5º grau. Todos os alunos mencionados frequentam a
Academia de Música de Vilar do Paraíso em Regime Integrado.
Esta Academia foi fundada em fevereiro de 1979, pelo seu Diretor,
Professor Hugo Berto Coelho. Em maio de 1990 foi oficializada, tendo, desde 2007,
autonomia pedagógica.
Ministra cursos oficiais na área da música – formação musical, canto e
instrumentos – e na área da dança, correspondentes ao 1º, 2º e 3º ciclo do ensino
básico e do ensino secundário. Além disso, leciona o curso de ballet, desde 1980,
pelo programa da Royal Academy of Dancing (Londres). Em regime livre, realiza
aulas de dança jazz e cursos de iniciação de música e de dança para o pré-escolar.
Os alunos que não pretendem seguir um plano de estudos oficiais, têm a
possibilidade de integrar os cursos de música e de dança, neste regime. Em 2003,
39
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

criou o curso de teatro musical, inédito em Portugal, estando o processo de


homologação do curso a decorrer no Ministério de Educação.
Os alunos da classe de trompete, ao longo do ano, participaram nos diversos
eventos organizados pela AMVP, em alguns dos quais tive o privilégio de estar
presente. Destacando-se a participação dos alunos na Masterclasse, em novembro,
ministrado pelo quinteto brasileiro Goiânia Brass e pelo trompetista americano
Charles Schlueter e em abril, na Masterclasse, ministrado pelo professor Vasco
Faria.

1.1 - Atividades desenvolvidas

Das muitas atividades realizadas pelos alunos da AMVP nas quais eu estive
envolvido destacam-se: (Anexo VI)
 Audições interdisciplinares;
 Concertos finais de Período;
 Festa Final de Ano - Coliseu do Porto;
 Audição de sopros (Semana de Sopros);
 Estágio da Orquestra Ensemble;
 Curso de Aperfeiçoamento técnico/interpretativo – Quinteto brasileiro
Goiânia Brass e pelo trompetista Charles Schlueter
 Curso de Aperfeiçoamento técnico/interpretativo – Trompetista Vasco Faria

2 - Caraterização da classe de trompete

A Classe de Trompete foi introduzida na Academia de Música de Vilar do


Paraíso no ano letivo de 1982/83, pelo Alberto Madureira. Durante a década de 80
e princípios da década de 90 o professor Alberto Madureira lecionava vários
instrumentos de sopro e durante muitos anos o atual professor de trompete, o
professor Filipe Pinho foi o primeiro e único aluno.

40
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

No entanto, a classe de trompete esteve durante alguns anos extinta,


abrindo mais tarde, em 1998 com o professor Jaime Barbosa, que lecionou até
2002. Posteriormente, em setembro de 2003, o antigo aluno Filipe Pinho, agora
licenciado em trompete pela Universidade de Aveiro, assume o cargo de professor
de trompete até ao presente ano letivo.
Na AMVP trabalha ainda, com horário incompleto (6 horas), o professor
André Ribeiro, que tem ao seu encargo a lecionação de dois alunos.
A classe foi crescendo ao longo dos anos, conta atualmente com 24 alunos
distribuídos pelos seguintes graus académicos:

Iniciação 7 Alunos
1º Grau 2 Alunos
2º Grau 3 Alunos
3º Grau 2 Alunos
4º Grau 2 Alunos
5º Grau 6 Alunos
7º Grau 2 Alunos
Tabela 14 - Distribuição dos alunos por nível de ensino

Em relação ao género, 18 alunos são do sexo masculino e 6 do sexo


feminino. A maioria da classe frequenta o regime integrado, existindo apenas 2
alunos em regime articulado no 7º grau.

3 - Diagnóstico e descrição dos alunos

O Estágio profissional teve início em outubro e teve como base 5 alunos: 1


aula partilhada e 3 aulas individual com os seguintes alunos: Mariana Silva (3º
grau); José Eduardo Peixoto e Ricardo Oliveira (4º grau); Rita Barros e Marta
Martins (5º grau).

41
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Mariana Silva – 3º grau


Instrumento: Trompete

A aluna Mariana tem 12 anos e frequenta o 3º grau do regime articulado.


Tem um timbre muito bonito e muita facilidade na vibração labial. Produz som
praticamente sem esforço embora tenha algumas dificuldades no registo agudo. É
uma aluna com boas capacidades técnicas e motivada, mas que revela uma grande
falta de autoconfiança. Devido à sua insegurança raramente realiza boas provas ou
apresentações públicas.

José Peixoto – 4º grau


Instrumento: Trompete

O aluno José tem 13 anos e frequenta o 4º grau no regime integrado, na


turma 8ºD. Começou a tocar trompete com oito anos. É um aluno com capacidades
técnicas para realizar um bom trabalho, tais como boa vibração labial, articulação e
sonoridade. No entanto, falta-lhe alguma autoconfiança, o que exige que faça um
trabalho técnico regular.
É um aluno pouco motivado e com vários problemas de atenção/
concentração. Está a ser seguido pelos Serviços de Psicologia e Orientação da
AMVP.

Ricardo Oliveira – 4º grau


Instrumento: Trompete

O aluno Ricardo tem 13 anos e frequenta o 4º grau do regime integrado, na


turma 8ºD. Começou a tocar aos nove anos noutra academia. Tem boas
capacidades técnicas, como emissão, articulação, sonoridade. Tem algumas
dificuldades na flexibilidade e no registo agudo, principalmente por falta de estudo.
No entanto, é um aluno que tem por hábito diferentes interpretações das obras que

42
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

estuda, debate as ideias com o professor e procura chegar à sua interpretação


própria.

Rita Barros – 5º grau


Instrumento: Trompete

A aluna Rita tem 14 anos e frequenta o 5º grau do regime integrado, na


turma 9ºC. Começou a tocar no 1º grau. Tem um som muito agradável e limpo
embora pequeno e revela alguns problemas de resistência e flexibilidade. Necessita
de ajuda constante na preparação do repertório, não só por ter dificuldades em
formação musical, mas principalmente porque revelou sempre um estudo
insuficiente e descuidado, o que não lhe permite alcançar o nível técnico e musical
desejado.

Marta Martins – 5º grau


Instrumento: Trompete

A aluna Marta tem 15 anos e frequenta o 5º grau do regime articulado.


Começou a tocar no 1º grau. Tem muito boas capacidades técnicas, tais como
sonoridade, articulação, flexibilidade, emissão de som, resistência e memorização.
No entanto, revela falta de responsabilidade na preparação do repertório.
Mostrou-se sempre motivada e com vontade em prosseguir os estudos de
trompete, mas o seu empenho nunca foi concordante com as suas intenções.

4 - Planificação das aulas

Em relação às planificações de aulas, as mesmas encontram-se em anexo, divididas


por aluno/grupo de alunos, aula e respetivo relatório.
- Mariana Silva / Marta Martins – 3º grau e 5º grau, aula partilhada (Anexo VII)
- José Eduardo Peixoto – 4º grau, aula individual (Anexo VIII);
43
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

- Ricardo Oliveira – 4º grau, aula individual (Anexo IX);


- Rita Barros – 5º grau, aula individual (Anexo X).

5 - Apresentação de resultados

Mariana Silva – 3º grau


Instrumento: Trompete

1º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 15; 16; 17 de J. B. Arban
- Estudos nº 21; 22; 23; 24 de S. Hering
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Dó M, Ré M, e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Centaurus” de Vander Cook
Classificação Final: 3

2º Período
Estudos nº 18; 19; 20 de J. B. Arban
- Estudos nº 30; 33; 34 de S. Hering
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban

44
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

- Escalas de Fá M, Lá M, e respetivas relativas menores e arpejos.


Peças:
- Concerto de Capel Bond
Classificação Final: 3

3º Período
- Estudos nº 40; 41; 42; 43; 44 de J. B. Arban
- Estudos nº 1; 2; 3 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Dó M, Ré M, e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Centaurus” de Vander Cook
Classificação Final: 4

José Peixoto – 4º grau


Instrumento: Trompete

1º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 31; 32; 33 de S. Hering
- Estudos nº 12; 13; 14 de J. B. Arban
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercício de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban

45
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

- Escalas de Dó M, Ré M e Fá M e respetivas relativas menores e arpejos.


Peças:
- “Gaminerie” de George Fiboulet
Classificação Final: 3

2º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 34; 35; 36 de S. Hering
- Estudos nº 15; 16 de J. B. Arban
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercício de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Lá M, Mib M, Mi M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Arlequinade” de Albert Beaucamp
Classificação Final: 2

3º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 1; 2 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercício de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J.B. Arban
- Escalas de Láb M, Si M, e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “La noce villageoise” de Robert Clérisse
Classificação Final: 3

46
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Ricardo Oliveira – 4º grau


Instrumento: Trompete

1º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 31; 32; 33 de S. Hering
- Estudos nº 15; 16 de J. B. Arban
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercício de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Ré M, Mib M, Mi M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças: - “Andante et Allegro” de J. G. Ropartz
Classificação Final: 3

2º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 33; 34; 35 de S. Hering
- Estudos nº 21; 22; 23, 24 de J. B. Arban
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Sib M, Lá M e Láb M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Fanfarres” de H. Reuters
Classificação Final: 3

47
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

3º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 6; 7; 8 de J.B. Faulx
- Estudos nº 42; 43; 44; 45; 46 de J. B. Arban
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Si M, Sol M e Fá # M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Badinage” de Eugene Bozza
Classificação Final: 3

Rita Barros – 5º grau


Instrumento: Trompete

1º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 22 de G. Concone
- Estudos nº 22 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Sol M e Ré M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- Sonata de J.B. Loeilet
Classificação Final: 3

48
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

2º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 23 de G. Concone
- Estudos nº 17; 23 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban

- Escalas de Sib M, Láb M e Fá # M e respetivas relativas menores e arpejos.


Peças:
- “Fantaisie” de Francis Thomé
Classificação Final: 3

3º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 24 de G. Concone
- Estudos nº 18; 20 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Si M, Mi M e Fá # M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- “Fantaisie” de Francis Thomé
Classificação Final: 3

49
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Marta Martins: 5º grau


Instrumento: Trompete

1º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 15; 16 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J. B. Arban
- Escalas de Dó M; Dó# M; Fá# M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- Concerto de J. N. Hummel
Classificação Final: 3

2º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 24 de G. Concone
- Estudos nº 17; 18 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J.B. Arban
- Escalas de Fá M, Mib M e Lá M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- Concerto de J.N. Hummel
- “Boutade” de P. Gabaye
Classificação Final: 3

50
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

3º Período
Métodos e Estudos:
- Estudos nº 19; 20 de J. B. Faulx
Exercícios Técnicos:
- Exercícios de técnica base de James Stamp
- Exercícios de técnica base de John Wilds
- Exercícios de condução de ar de Vincent Cichowicz
- Exercícios de Flexibilidade de Bai Lin
- Exercícios de Articulação de J.B. Arban
- Escalas de Sib M, Mi M e Ré M e respetivas relativas menores e arpejos.
Peças:
- Concerto de J.N. Hummel
- “Boutade” de P. Gabaye
Classificação Final: 3

51
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

6 - Análise e reflexão crítica dos resultados

Mariana Silva – 3º grau


Instrumento: Trompete

Ao longo do ano letivo a aluna procurou contrariar a sua insegurança, o que


se traduziu em boas apresentações públicas no final do ano. No entanto foi
necessário trabalhar e insistir muito no que diz respeito à postura em palco,
respiração, afinação e projeção sonora, pois por vezes a aluna demonstra algum
desleixe nestes aspetos.
O trabalho de base realizado nas aulas lentamente surtiu efeito e a aluna foi
começando a dominar competências em que antes apresentava dificuldades
nomeadamente, articulação, flexibilidade, resistência e interpretação.
A aluna foi revelando cada vez mais interesse e motivação ao longo de todo
o ano, o que se traduziu em bons resultados obtidos na avaliação de final de
período.

José Peixoto – 4º grau


Instrumento: Trompete

O José Eduardo apresentou sempre boas capacidades técnicas, tais como


boa vibração labial, articulação, flexibilidade e sonoridade. No entanto revelou
dificuldades em manter-se concentrado no decorrer das aulas
Ao longo do ano revelou também pouca motivação para o estudo do
instrumento, o que dificultou o seu progresso e impediu o cumprimento do
reportório planificado por parte do professor Filipe Pinho. Essa falta de motivação
foi sendo minorada graças ao trabalho do Serviço de Psicologia e Orientação que
contribuiu para alguma recuperação no terceiro período.

52
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Ricardo Oliveira – 4º grau


Instrumento: Trompete

O Ricardo é um aluno bastante motivado e inteligente. Revelou facilidade de


aprendizagem e de retenção de informação e apresentou também boas
capacidades físicas e bom potencial para progredir. No entanto, devido às várias
atividades extracurriculares que o aluno tinha, não conseguiu ter sessões de
estudo diárias, o que prejudicou a sua evolução. No entanto, e apesar destas
atividades extracurriculares, ao longo do ano, foi notório o seu desenvolvimento no
que diz respeito à sua qualidade sonora, afinação, resistência e sobretudo
capacidade interpretativa.

Rita Barros – 5º grau


Instrumento: Trompete

A Rita ao longo do ano beneficiou imenso com o trabalho de técnica base,


pois a sua sonoridade agora é mais densa e apresenta uma boa resistência o que
lhe permitiu, no final do ano, prestar boas apresentações públicas e executar um
reportório exigente.
Ao longo do ano demonstrou ser cada vez mais responsável e estudiosa, no
entanto continuou a revelar algumas dificuldades de leitura o que obrigou o
professor Filipe Pinho a efetuar constantemente correções de solfejo ao longo da
leitura do reportório.
Apresentou também boa capacidade de retenção de informação, facilidade
de produção sonora e bom potencial para uma futura progressão.

Marta Martins – 5º grau


Instrumento: Trompete

A Marta revelou-se uma aluna bastante empenhada, possuidora de uma


personalidade agradável e manteve uma excelente relação com todos os colegas,

53
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

professores e restante comunidade educativa. Ao longo do ano foi notório o seu


desenvolvimento no que diz respeito à qualidade sonora, à afinação e ainda ao seu
crescimento e amadurecimento quer artístico, quer enquanto ser humano.
Superou também as suas dificuldades técnicas graças ao trabalho realizado
nas aulas partilhadas, que frequentemente eram atividades de técnica base
(flexibilidade, articulação e resistência) e trabalho de escalas, o que lhe permitiu
prestar boas provas e executar um reportório exigente.

7 - Síntese

A realização do meu Estágio Profissional na AMVP foi deveras gratificante e


enriquecedora e contribuiu bastante para o meu crescimento, quer enquanto
professor de Educação Musical, quer enquanto professor de Trompete.
Este crescimento e aprendizagem não teriam sido possíveis sem a
dedicação e o apoio do meu professor cooperante e do meu professor orientador,
os quais facilitaram a minha integração na Academia de Música de Vilar do Paraíso
e a realização com sucesso deste estágio profissional.
Saliento também o facto de ser professor há cerca de 15 anos, pelo que, a
minha experiência profissional revelou ser uma mais valia em vários aspetos neste
estágio, nomeadamente nas práticas pedagógicas utilizadas e na relação
estabelecida com os alunos, com os quais também aprendi.
Para finalizar, há ainda a referir que a realização do presente relatório final
permitiu a reflexão e consequentemente a construção de novos conhecimentos.
Deste modo, um profissional reflexivo não se limita ao que aprendeu no período de
formação inicial, nem ao que descobriu nos seus primeiros anos de prática. Ele
reexamina constantemente os seus objetivos, as suas práticas, e os seus saberes e
só assim evolui e consolida saberes.

54
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

CONCLUSÃO

No presente estudo abordei a técnica do Buzzing na aprendizagem dum


instrumento de metal de sopro e de forma específica na aprendizagem do
trompete. Procurei assim melhor conhecer e aprofundar se a prática de Buzzing é
benéfica ou não na aprendizagem do trompete, uma questão que se levanta desde
há muitos anos a diversos músicos instrumentistas, alguns dos quais conhecidos e
reconhecidos a nível mundial.
Obviamente que esta temática do Buzzing não ficou resolvida com esta
investigação, bem pelo contrário, reconheço que o presente estudo é tão somente
um contributo na abordagem desta técnica, que me tem vindo a preocupar, ao
longo dos anos, enquanto trompetista.
Assim, ao longo do trabalho que desenvolvi durante a minha prática
pedagógica na Academia de Música de Vilar do Paraíso, onde realizei o meu estágio
profissional, apesar de ter inquirido junto dos docentes que a prática de Buzzing
era pouco ou mesmo nada utilizada por professores e alunos, propus-me investigar
até que ponto os alunos da classe de trompete eram recetíveis a esta técnica do
Buzzing e ao mesmo tempo conhecer as suas opiniões sobre os possíveis benefícios
para a aprendizagem do instrumento.
Ainda que a Amostra do estudo fosse bastante reduzida (24 respondentes),
a conclusão a que cheguei é que todos os alunos expressaram que esta técnica
trazia benefícios para a aprendizagem e que haviam percecionado ter atingido uma
mais elevada performance no manejo do instrumento, adotando, a partir daí, o
Buzzing como sua rotina diária na aprendizagem do trompete.
Concluo assim e com alguma satisfação que o Buzzing pode trazer melhorias
aos alunos que estudam este instrumento e que a sua prática se torna benéfica e
vantajosa. Foi muito bom verificar isso nos alunos e satisfaz-nos que vão continuar
a utilizar esta técnica no seu dia a dia com o instrumento, ainda que não nos

55
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

surpreendessem os resultados, uma vez que era essa perceção que nós próprios já
tínhamos e que temos vindo a sentir e a refletir sobre ela, ao longo da nossa
experiência como trompetista.
É com alguma imodéstia que me congratulo com este estudo e esta
investigação, que, no entanto, não se poderá generalizar nos seus resultados e
conclusões, dada a exiguidade da Amostra, mas que não deixará, mesmo assim, de
ser um bom contributo para que esta técnica do Buzzing seja mais aprofundada e
complementada com outros estudos e investigações, para que um dia possa ser
recomendada e difundida por toda a população de referência deste estudo, ou seja
por todos os alunos, das diversas escolas, academias e mesmo filarmonias, que se
dedicam ao estudo deste instrumento trompete.
Saliento também que, pelo facto de ser professor há cerca de 15 anos, a
minha experiência profissional revelou ser uma mais-valia em vários aspetos neste
estágio, nomeadamente nas práticas pedagógicas utilizadas e na relação
estabelecida com os alunos, com os quais soube interagir e ir ao encontro das suas
dificuldades, o que resultou sempre num ambiente de grande empatia e de
relacionamento muito positivo, que muito me ajudou a pedagogicamente ainda
mais enriquecer.
A realização do presente relatório final permitiu-me assim uma reflexão
crítica séria e criteriosa e, consequentemente, a construção de novos
conhecimentos.
Deste modo, e como um profissional prático e reflexivo, penso não me ter
limitado ao que aprendi no período da minha formação inicial, nem tão pouco ao
que aprofundei e consolidei durante os anos iniciais da minha prática pedagógica.
Assim, mercê do presente estudo e deste meu estágio profissional, julgo estar
seguindo o rumo correto, que é reexaminar constantemente os meus objetivos, as
minhas práticas e os meus saberes, numa dinâmica e numa dialética de
aprendizagem que nunca se acha a ela própria como completa e definitivamente
concluída.

56
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

BIBLIOGRAFIA

 Arban, J.B. (1979). Complete Conservatory Method for Trumpet: J.W. Pepper.Faulx,
 Beaucamp, A. (2008). Arlequinade. Paris: Alphonse Leduc.
 Beltrami, C. A. (2008). Estudos dirigidos para grupos de trompetes: fundamentos
técnicos e interpretativos. Dissertação (Mestrado em Música). Campinas: Instituto
de Artes, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.
 Bobo, R. (1993). Mastering The Tuba: Editions Bim.
 Bousquet, N. (1993). Thirty-six celebrat studies for cornet: Carl Fischer Editions.
 Carolino, S. (2007). Computuba: a Tuba Computorizada: AVA Musical Editions.
 CichowiczI, V. (1996). Flow Studies: Ricordi Editions.
 Clarck, H.L. (1991). Tecnical Studies for the trumpet: Carl Fischer Editions.
 Clérisse, R. (2001). La noce villageoise: Alphonse Leduc.
 Concone, G. (1998). Lyrical Studies for Trumpet: Rubank Publications.
 Farkas, P. (1962). The Art of Brass Playing. 1. ed. Rochester: Wind Music.
 Ferreira, A. (1995). Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira.
 Fiboulet, G. (1997). Gaminerie. Paris: Alphonse Leduc.
 Griffiths, J. (1991). Low Brass Guide (Second). Roswell, Georgia, USA: E. Williams
Music Publishing Company.
 J.B. (1998). Progessive studies for trumpet: Carl Fischer Editions.
 Kleinhammer, E., & Yeo, D. (2012). Mastering the Trombone (4th ed.). Ensemble
Publications.
 Lin, B. (1996). Lip flexibilities. Los Angeles: Balquhidder Music.
 Loeillet, J.B. (1990). Sonate. Paris: Alphonse Leduc.
 Poper, R. (1995). Roy Poper's Guide to the Brasswind Methods of James Stamp. Los
Angeles: Balquhidder Music.
 Ribeiro, F. (2012). Embocadura do trompetista. Lisboa: Ava Musical Editions.

57
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

 Sandoval, A. (1991). Brass Playing Concepts: Editions Bim.


 Thompson, J. (2001). The Buzzing Complete Method Book. Switzerland: Éditions
Bim.
 Stamp, J. (2000). Warm up routines: Editions Bin.
 Van Dijk, B. (2004). Ben’s Basics. BVD Music Productions.
 Vernon, C. A. (1995). “singing” approach to the trombone (and other brass): Atlanta
Brass Society Press.
 Voxman, H. (1988). Selected duets for trumpets: Rubank Publications.
 Wallace, J. (1996). Scales and arpeggios for trumpet: Series Editors.
 Wilds, J. (1996). Warm up routines: Carl Fischer Editions.

58
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

SITOGRAFIA

 Dicionário da Língua Portuguesa. (2003-2017). Infopédia. Porto Editora.


Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/buzzing,
acedido a 8 de fevereiro de 2017.
 Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (2008-2013). Disponível em:
https://www.priberam.pt/dlpo/performance, acedido em 4 agosto de 2017.
 Dicionário Português (2017). Disponível em:
http://dicionarioportugues.org/pt/embocadura ; acedido a 8 de fevereiro de 2017.
 La Rosa, M. (2010). Disponível em: http://bomabrass.com/Site, acedido em 25 de
setembro 2016.
 Lindberg, C. (2010). Disponível em: http://www.tarrodi.se/cl/ , acedido 23 de
dezembro de 2016.
 Flores, P. (2017). Disponível em: http://dicionarioportugues.org/pt/embocadura,
acedido em 18 de fevereiro de 2017.
 Guarneri, M. (2011). Disponível em: <www.berp.com>. acedido em: 19 junho 2016.
 O Dicionário WordReference Português-Inglês. (2017). Disponível em:
http://www.wordreference.com/enpt/buzzing;http://www.linguee.pt/ingles-
portugues/traducao/buzzing.html, acedido em 7 de fevereiro de 2017.
 Sandoval, A. (2015). Disponível em: https://sandovalves.com/, acedido em 4 de
janeiro de 2017.
 Van Dijk, B. (2010). Disponível em: http://basstrombone.nl/ , acedido em 2 de
setembro de 2016.
 SPSS versão 22 (2017). Disponível em: https://ibm-spss-statistics-
base.br.uptodown.com/windows/download, acedido em 10 julho de2017
 http://www.codamusic.ru/model.aspx?model=UPSOUND. Acedido em
05/01/2017.

59
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

 http://www.chucklevins.com/news/itg-2016-exclusive-trumpet-accessories/.
Acedido em: 4/01/2017.
 http://www.gear4music.pt/pt/Sopros-de-madeira-sopros-de-metal
cordas/Pratica-Berp-auxilio-para-trompete/. Acedido em: 07/01/2017.
 http://www.musictools.pt/instrumentos-de-metal/visualizador-de-embocadura-
trompete// Acedido em: 04/01/2017.

60
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo I
(Projeto Educativo de Escola)

61
ACADEMIA DE MÚSICA DE VILAR DO PARAÍSO

Projeto Educativo
2014.2017

A realidade de um sonho.
Academia de Música de Vilar do
Paraíso. Escola de artes que todos
constroem diariamente.

62
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

Índice
INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 64

1.1. Missão .............................................................................................................. 65

1.2. Visão e valores ................................................................................................. 66

CAPÍTULO II. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA .................................................................... 68

2.1. Dados institucionais ......................................................................................... 68

2.2. Meio envolvente ............................................................................................... 68

2.3. Resumo histórico ............................................................................................. 69

CAPÍTULO III. CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE EDUCATIVA .................................. 71

3.1. Caracterização física sumária ........................................................................... 71

3.2. Caracterização dos recursos humanos ............................................................. 71

3.3. Estrutura organizacional .............................................................................. 73

3.4. Protocolos / Parcerias .................................................................................. 74

3.5. Oferta Educativa .......................................................................................... 75

3.6. Projetos ............................................................................................................ 78

CAPÍTULO IV. PLANO DE AÇÃO .................................................................................... 79

4.1. Objetivos gerais e específicos .......................................................................... 80

4.2. Desafios ........................................................................................................... 81

4.3. Problemas/ações/metas ................................................................................... 82

4.4. Operacionalização ............................................................................................ 83

CAPÍTULO V - DISPOSIÇÕES FINAIS .............................................................................. 85

5.1. Avaliação .......................................................................................................... 85

5.2. Divulgação ....................................................................................................... 85

5.3. Revisão............................................................................................................. 85

CONCLUSÃO ................................................................................................................ 86

BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................. 87

WEBGRAFIA.................................................................................................................. 87

63
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

INTRODUÇÃO

O Projeto Educativo da Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP), constitui-se como um

documento aberto e em constante aperfeiçoamento, inserindo-se numa lógica de

continuidade de anteriores projetos. Enuncia os princípios orientadores da Academia, faz um

diagnóstico da escola e define os objetivos e as metas a alcançar nas suas diversas vertentes.

No âmbito da autonomia das escolas, em 2010 surge o Projeto Educativo da Academia de

Música de Vilar do Paraíso, elaborado por uma equipa e aprovado pelos seus órgãos de

direção para um horizonte de três anos que é agora objeto de revisão.

A Academia assume um papel central e dinamizador da comunidade educativa em termos de

Educação e Cultura, englobando a direção, os professores, os alunos, o pessoal não docente,

os pais e encarregados de educação e os representantes da comunidade. Assim, este

documento não visa ser meramente estático ou organizacional, mas pretende revelar-se um

ponto de referência que materializa expetativas. Por outro lado, aspira construir uma escola

de saberes, mais humana e ativa, tendo em vista a formação e o desenvolvimento integral de

todos os alunos.

O presente documento organiza-se em cinco partes. A primeira parte destina-se a veicular a

missão, a visão e os princípios da AMVP. A segunda parte diz respeito à identificação da

Academia. Na terceira parte caracteriza-se a comunidade educativa (recursos físicos e

humanos, protocolos/parcerias, estrutura organizacional, oferta educativa e projetos). A

quarta parte propõe o plano de ação, clarificando os problemas diagnosticados e respetivas

áreas de intervenção e prioridades da ação educativa. Na quinta e última parte, faz-se

referência à avaliação, à divulgação e à revisão do projeto educativo.

“O principal objetivo da Educação é criar indivíduos capazes de fazer coisas novas e

não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram.”


(Jean Piaget in Danilo Streck, 1994, p.96)

“O saber que não vem da experiência não é realmente saber.”


(Lev Vigotsky in Teresa Rego, 2008)

64
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CAPITULO I. MISSÃO, VISÃO E VALORES

1.1. Missão

"A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo"


Nelson Mandela

A AMVP tem por missão assegurar uma formação de excelência, dinamizando o

desenvolvimento humano através do ensino artístico, nas áreas da Música, da Dança e do

Teatro, atuando em diferentes contextos sociais.

Herdeira de um percurso cultural e artístico cujas raízes remontam a 1979, existe pelo prazer

de ensinar, possibilitando uma educação intimamente ligada ao prazer de aprender. Assim,

promove o gosto pelo conhecimento, pela partilha e pela descoberta.

A procura de um ensino inovador, mais personalizado, pioneiro e de qualidade, justifica uma

escola com valores sociais e morais, atenta e preocupada com a integração, vivência,

segurança e sucesso dos alunos. É desta forma que se tem afirmado como uma escola de

referência destinada a todos e valorizando aqueles que revelem potencialidades para o

ingresso e progressão numa via artística.

No cumprimento da sua missão, a AMVP:

1. Promove os valores humanistas nas vertentes educativa, artística e


sociocultural;

2. Assegura o desenvolvimento humano, o ensino artístico de qualidade e a


inovação;

3. Apoia e dinamiza a formação e qualificação dos seus colaboradores;

4. Valoriza a responsabilização social, prestando serviços de interesse cultural e

artístico à comunidade local;

65
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

5. Fomenta a colaboração com outras instituições e organismos na realização de

atividades e projetos de interesse comum.

1.2. Visão e valores


“Nenhum vento é favorável para um barco que anda à deriva.
E anda à deriva se não existe um projeto concreto de viagem, se não há forma de controlar o
barco ou se não estamos a navegar na direção correta.”
(Santos Guerra, 2002, p. 6)

A AMVP surge da concretização do sonho de oferecer um ensino artístico de qualidade e

ambiciona uma aliança plena entre as diversas áreas artísticas, proporcionando aos alunos a

experiência de um ensino inovador e aliciante.

A AMVP pretende ser uma escola que permita aos jovens aprender sobre si, sobre os outros e

sobre o mundo para formar cidadãos motivados, criativos e pró-ativos. A sua atuação visa,

por conseguinte, torná-la numa escola:

• ativa no planeamento estratégico, inovadora e atenta à melhoria;

• reconhecida pela segurança, excelência, competitividade e sustentabilidade nos

serviços prestados, enquanto atores educativos;

• reconhecida como uma escola de referência, comprometida com o sucesso

escolar e dinamizadora de projetos, eventos e concertos;

• socialmente responsável, através do compromisso do respeito pelo outro e pela

igualdade de oportunidades, contribuindo para um mundo melhor;

• eclética, multifacetada, de vanguarda voltada para a formação das artes.

Ao nível dos valores a AMVP destaca, entre outros, os seguintes:

66
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

Rigor

Responsabili
Autonomia
- dade

Integridade Competência

VALORES
DA AMVP
Proximidade
Espírito de
à
equipa
comunidade

Audácia Justiça

Igualdade

Fig.1 – Valores da AMVP.

No dia-a-dia da AMVP há um esforço partilhado em tornar estes valores numa prática

corrente, porque se pretende enraizá-los na comunidade escolar, fazendo com que o

educando seja sujeito e agente da sua própria formação.

67
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CAPÍTULO II. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA

2.1. Dados institucionais

Escola: Academia de Música de Vilar do Paraíso

Rua: Rua do Cruzeiro, 49 Vilar do Paraíso 4405-855 Vila Nova de Gaia (Coordenadas de GPS:

N 41.093148, W 8.617566)

Telefone: (+351) 22 711 02 49

Fax: (+351) 22 716 23 49

Email: geral@amvp.pt | secretaria@amvp.pt

Portal Web: http://www.amvp.pt

Facebook: https://www.facebook.com/academiamusica.vilarparaiso

2.2. Meio envolvente

A AMVP é uma instituição que se

insere na rede de estabelecimentos de

ensino particular e cooperativo, no

âmbito do ensino artístico

especializado da dança e da música.

Geograficamente, localiza-se na

confluência/união das freguesias de

Mafamude e Vilar do Paraíso

pertencentes ao concelho de Vila

Nova de Gaia, distrito Fig. 2 - Mapa do concelho de Vila Nova de Gaia.

do Porto.

Está próxima das escolas de ensino básico e secundário das freguesias de Vilar do Paraíso e

de Valadares, facilitando a mobilidade entre escolas. Contudo, tem protocolos com escolas de

áreas geográficas mais afastadas, ultrapassando assim os limites do seu próprio concelho.

68
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

No concelho de Vila Nova de Gaia estão implementadas várias escolas com características

idênticas, no entanto, a Academia destaca-se como sendo a única a proporcionar o regime de

ensino integrado e a oferecer os cursos oficiais de dança e de música, assim como o curso

livre de teatro musical. A Academia acolhe, por conseguinte, uma população escolar vasta e

heterogénea.

2.3. Resumo histórico

A AMVP foi fundada em fevereiro de 1979 pelo seu diretor, Hugo Berto Coelho. Este projeto

surge após vários anos da prática de aulas de música lecionadas em casa do seu fundador e

também em casa de alguns alunos. Com um número significativo de procura dessas aulas é-

lhe sugerido criar uma secção de música num Clube Desportivo da freguesia. É em 1976 que

o professor Hugo Berto Coelho cria a Escola de Música do Clube Desportivo de S. Caetano,

com sede na Casa das Freiras, onde após três anos surge a necessidade de mudar de

instalações.

Desde fevereiro de 1979 e até agosto de 2009, a Academia passou a sediar-se na Rua Camilo

Castelo Branco, n.º 20, em Vilar do Paraíso, numa casa secular, pertença do Seminário da Boa

Nova, antiga habitação da Condessa de Santiago de Lobão.

A Academia começa por funcionar com cursos livres de música e os alunos que desejaram

foram preparados para realizar exames oficiais no Conservatório de Música do Porto. Em

1990, obtém autorização provisória de funcionamento e o respetivo paralelismo pedagógico,

assumindo-se como uma escola do ensino particular e cooperativo – mais concretamente do

ensino vocacional artístico. Nos termos do n.º 5 do artigo 28º do Decreto-Lei n.º 553/80, de

21 de novembro e do Despacho n.º 69/SEEI/96, de 22/01/97, é concedida, por despacho do

diretor do departamento do ensino secundário, de 22/08/94, a autorização definitiva de

funcionamento, a partir do ano letivo 1994/95. A AMVP encontra-se assim, integrada no

Sistema Nacional de Educação, gozando das prerrogativas das pessoas coletivas de utilidade

pública e, consequentemente, está abrangida pela Lei n.º 2/78, de 17 de janeiro.

69
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

Entre 1982 e 2013, lecionou-se o curso de ballet clássico, segundo os programas da Royal

Academy of Dance - Londres.

Em 2003 foi criado o curso de teatro musical, estabelecendo um protocolo com uma

prestigiada instituição de ensino superior de teatro musical – Mountview Academy of Theatre

Arts – que o certifica.

No ano de 2007, obtém autonomia pedagógica para os cursos de música e, um ano mais

tarde, para o curso de dança. Em junho de 2009, foi criada a portaria n.º 691/2009,

legislando assim os planos de estudos dos cursos básicos de música e de dança, podendo

estes ser ministrados nos regimes de ensino articulado, integrado e supletivo. Na AMVP, para

além destes regimes, os alunos podem optar por um percurso livre, de acordo com os seus

interesses e motivações.

Em setembro de 2009, a AMVP concretiza um sonho: a edificação de instalações construídas

de raiz, de acordo com as exigências do ensino ministrado e no âmbito de uma oferta

educativa mais alargada; neste ano letivo 2009/2010, a AMVP começou a permitir a

frequência no regime de ensino integrado.

Ao tornar-se uma escola de artes, a oferta educativa passa a compreender cursos oficiais na

área da música (formação musical e instrumentos), correspondentes aos 1º, 2º e 3º ciclos do

ensino básico e do ensino secundário e, na área da dança, correspondentes aos 1º, 2º e 3º

ciclos do ensino básico e, posteriormente, ao secundário.

Desde a sua fundação a Academia, através de uma interação pedagógica ativa e criativa,

possibilita e incentiva a participação em concertos, festivais e outras manifestações de índole

cultural, quer nacional quer internacionalmente. Tem vindo, assim, a contribuir para a

formação de profissionais nas suas áreas de especialização, chamando a si a responsabilidade

de preparar os jovens que pretendem prosseguir a via de estudos nas áreas das artes

performativas. Simultaneamente, pretende criar e formar novos públicos.

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PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CAPÍTULO III. CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE EDUCATIVA

3.1. Caracterização física sumária

Em setembro de 2009, após a concretização do projeto, a Academia transita para o seu novo

espaço, sito na Rua do Cruzeiro, n.º 49, também na freguesia de Vilar do Paraíso.

Estas instalações são constituídas por três núcleos com tipologias próprias e distintas entre

eles: um destinado à dança e ao teatro, distribuído por dois pisos, com quatro estúdios, uma

blackbox, quatro salas teóricas, um laboratório de ciências, casas de banho e balneários;

outro, destinado à música, distribuído por três pisos e composto por onze salas teóricas, dois

auditórios e vinte e duas salas para instrumento; um terceiro elemento térreo, que liga os

edifícios anteriormente citados, onde se encontram a receção, os serviços administrativos, a

tesouraria, a reprografia, a sala de professores, os gabinetes de direção, a sala de reuniões e

instalações sanitárias. No piso inferior ao rés-do-chão está localizada a cantina/bar (onde são

servidos os almoços e lanches), uma ampla biblioteca, o auditório principal e instalações

sanitárias. A área circundante conta com recreio, campo de jogos, áreas verdes e

estacionamento.

Todo o recinto escolar está dotado de boa iluminação, aquecimento e salas de aula com

mobiliário moderno e bem conservado. Todo o recinto escolar é vedado e as portas de saída

são controladas por funcionários.

3.2. Caracterização dos recursos humanos

• Professores - o corpo docente é constituído por 107 professores, dos quais 79

pertencem ao ensino artístico e 28 ao ensino regular.

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PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

Professores da componente
regular

28

Professores da componente
artística 79

Gráfico 1 – Distribuições dos professores.

• Alunos – os alunos da AMVP são maioritariamente do concelho de Vila Nova de Gaia,

existindo um número reduzido que provém de outros concelhos e distritos. Podem

matricular-se a partir dos três anos de idade, não havendo um limite máximo de

idade. Contudo, a faixa etária mais representativa situa-se entre os cinco e os dezoito

anos de idade, isto é, alunos desde o início do 1º ciclo até ao fim do ensino

secundário. Presentemente, a AMVP acolhe oitocentos e dezasseis alunos distribuídos

pelo ensino pré-escolar, pelo ensino básico e pelo ensino secundário.

Cada turma de regime integrado é constituída por um máximo de vinte alunos, limite

que tem por objetivo personalizar mais as práticas pedagógicas, potencializando o

sucesso escolar.

• Pessoal não docente – constituído por três técnicos administrativos, treze técnicos

operacionais de ação educativa e uma psicóloga.

• Associação de pais - a AMVP considera essencial a participação das famílias na

educação dos seus filhos e educandos. A partilha de informação entre os vários

agentes educativos é atualizada ao longo dos anos e complementada com o

enquadramento constante do percurso escolar dos seus alunos nos diversos contextos

em que se insere, no sentido de uma formação plural e integradora.

• Associação de alunos - na AMVP existe a associação de alunos, estrutura

representativa dos estudantes deste estabelecimento de ensino, que têm a liberdade

de expressar sugestões e opiniões sobre a dinâmica e/ou organização escolar.

72
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

3.3. Estrutura organizacional

A Direção é o órgão de gestão e de administração da AMVP em matéria administrativa,

pedagógica, financeira e patrimonial. Esta é constituída por três elementos.

Fig. 3 – Organograma da estrutura organizacional.

73
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

3.4. Protocolos / Parcerias

A AMVP, enquanto espaço de educação e de cultura aberto à comunidade, privilegia uma

relação estreita com instituições e organismos que se traduzem em potencialidades

educacionais, culturais e/ou profissionais para toda a comunidade escolar, mas em particular

para os alunos. As parcerias e os protocolos estabelecidos são os seguintes:

• Escolas EB 2/3 de: Valadares, Soares dos Reis, Sophia de Mello Breyner, Teixeira Lopes,
Vilar de Andorinho, Fontes Pereira de Melo e Santa Marinha;

• Escolas Secundárias: Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, Almeida Garrett, António

Sérgio, Dr. Manuel Laranjeira e Oliveira do Douro;

• Agrupamentos de Escolas: Fernando Pessoa (St.ª Maria da Feira), St.ª Bárbara


(Fânzeres, Gondomar) e de Fiães;

• Colégios: Nossa Sr.ª da Bonança, Internato dos Carvalhos;

• Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa;

• Universidade de Aveiro;

• Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa;

• Mountview Academy of Arts;

• Escola Profissional de Gaia;

• Escola Profissional de Espinho;

• Aprender e Saber, Centro de Formação;

• Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso;

• Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia - Gaianima;

• Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP);

• Fundação de Serralves;

É membro da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) e

membro fundador da Associação Portuguesa de Instituições de Música (Ensemble).

74
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

3.5. Oferta Educativa

Na AMVP a oferta educativa é diversificada, compreendendo:

Regime integrado
(5º/9ºano) *

Regime articulado Dança


(5º/12ºano) Música

Oferta Educativa

Regime supletivo
(1º/12ºano)

Dança
Música
Regime livre
Teatro musical
Jazz e música moderna

Fig.4 – Oferta educativa da AMVP.

* No ano letivo 2014/2015 a oferta educativa do regime integrado irá estender-se ao nível secundário.

Regime integrado

O ensino integrado foi o grande desafio da AMVP. Atualmente existem 19 turmas do ensino

integrado correspondentes aos 2º e 3º ciclos. Este regime caracteriza-se pela frequência de

um plano de estudos específico, que engloba a formação geral e artística no mesmo espaço,

evitando problemas de incompatibilidade de horários e de deslocações incómodas para os

alunos.

Este regime visa promover a aquisição de competências nas várias disciplinas que fazem parte

da componente regular e nos domínios da execução e criação artística especializada. Desta

75
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

forma, pretende-se contribuir para a formação dos alunos, fomentando o seu espirito

crítico e a sensibilidade estética.

Ao nível do sucesso escolar a avaliação estatística (ver gráfico 1) e, posterior, análise reflexiva

evidenciam que a esmagadora maioria dos alunos se empenha, pelo que a média dos alunos

nos últimos três anos situa-se acima do nível quatro (“Bom”). Através das aulas de apoio, dos

planos de acompanhamento individual, da sala de estudo e de outras estratégias pedagógicas

implementadas, a Academia tenta combater o insucesso escolar, garantindo aos alunos uma

boa formação integral e de base.

Média das classificações dos alunos de regime


integrado por ano de escolaridade e ano letivo
5

1
2010/2011 2011/2012 2012/2013
5.º Ano 6. º Ano 7.º Ano 8.º Ano

Gráfico 2 - Estatísticas elaboradas de acordo com as pautas.

Regime articulado

Caracteriza-se pela frequência dos alunos de dois estabelecimentos de ensino: a componente

regular nas escolas protocoladas com a AMVP e a formação artística na Academia.

Tal como no regime integrado, também este visa promover a aquisição de competências nas

várias disciplinas que fazem parte da componente regular e nos domínios da execução e

criação artística especializada. Desta forma, pretende-se contribuir para a formação dos

alunos, fomentando o seu espirito crítico e a sensibilidade estética.

76
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

Regime supletivo

Este regime de ensino caracteriza-se pela frequência da componente artística como

complemento da formação integral dos alunos.

No que diz respeito a este regime de ensino, tem-se assistido a um decréscimo demográfico

ao nível do 2º e 3º ciclos, por alternativa aos regimes articulado e integrado, dado que estes

são subsidiados na íntegra.

Ao nível do ensino secundário nota-se uma atitude de compromisso e empenho por parte dos

alunos e dos seus encarregados de educação, bem como, em alguns casos, uma continuidade

ao nível de estudos superiores, particularmente na área da música.

No 1º ciclo a procura tem vindo a aumentar consideravelmente, quer com o intuito de

ingressar posteriormente no regime de ensino integrado quer pela preocupação de uma

formação mais completa.

Regime livre

Ao longo dos anos verifica-se um aumento de inscrições ao nível do pré-escolar, justificado

em grande parte pela perspetiva de uma melhor adaptação e integração no 1º ciclo.

As inscrições nos cursos livres inserem-se como complemento à formação pessoal. A AMVP

pretende dar continuidade a este regime, pois alarga as oportunidades e o contacto com

novas realidades artísticas.

Os cursos livres destinam-se aos alunos desde o pré-escolar (3 aos 5 anos de idade) até à

idade adulta nas áreas de dança e música e no que respeita ao curso de teatro musical para

alunos com mais de 13 anos de idade. Existe ainda o curso de jazz e de música moderna.

77
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

3.6. Projetos

A AMVP promove e desenvolve ao longo do ano vários projetos/iniciativas, dos quais se

destacam os seguintes:

• projeto de solidariedade - a AMVP, em conjunto com outras entidades,

nomeadamente, o Paraíso Solidário, promove ações de solidariedade para com as

famílias carenciadas da Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso;

• olimpíadas da matemática – esta atividade funciona como opção extracurricular

e envolve os alunos dos 2º e 3º ciclos do regime integrado, atuando em prestigiadas

competições nacionais, como o jogo do 24;

• exposições temáticas - apresentação de diversos trabalhos realizados nas

diferentes disciplinas, com o intuito de divulgar as aprendizagens dos alunos à

comunidade;

• comemorações - celebração de datas estruturantes dentro de cada área

curricular;

• intercâmbio escolar – a AMVP manteve desde sempre intercâmbios com

diferentes escolas do mesmo género de ensino ou outras entidades artísticas,

proporcionando ainda aos alunos visitas de estudo, culturais, recreativas e

socializadoras;

• concertos/audições/espetáculos - ao longo de cada ano letivo são

desenvolvidos inúmeros concertos/audições/espetáculos dentro e fora de portas, tendo

como objetivo mostrar o trabalho desenvolvido nas diferentes áreas de ensino e

estimular a aprendizagem dos alunos.

78
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CAPÍTULO IV. PLANO DE AÇÃO

A AMVP pauta-se por um forte espírito de cooperação, interação e entreajuda entre todos os

intervenientes na comunidade educativa, fatores essenciais para a consecução do seu projeto

educativo, ou seja, a formação integral dos alunos. Destacam-se as qualidades humanas

promotoras de um excelente trabalho de equipa.

Os profissionais apresentam uma adequada formação técnica, científica e humana, bem como

uma atitude pró-ativa e participativa na vida da Academia, contribuindo significativamente

para a elevada qualidade dos serviços prestados pela instituição.

Os professores são, na sua grande maioria, profissionalizados, tendo-se verificado até ao

momento uma grande estabilidade do corpo docente, essencial para o bom funcionamento da

Academia e o bom desempenho dos alunos. O corpo docente encontra-se dividido por vários

departamentos: componente vocacional artística (dança, música e teatro musical) e

componente regular.

A tradição e a história fazem parte do espaço físico da AMVP e conjugadas com a inovação e

uma singularidade espacial especialmente bela e harmoniosa, permitem alcançar uma

identidade própria para a Academia, proporcionando condições para que toda a comunidade

educativa se sinta bem. Este espaço harmonioso inspira os alunos a trabalhar com rigor e

qualidade, ao mesmo tempo que sentem o prazer de estar e de pertencer à AMVP.

A AMVP tem-se revelado, ao longo de mais de 35 anos de existência, uma escola de

excelência, desde sempre reconhecida pela sua disciplina e rigor e pelas competências

adquiridas pelos alunos que aqui têm desenvolvido as suas aprendizagens. Estes elevados

padrões têm-se mantido, a avaliar pelo número de alunos e de atuais profissionais na área da

música, bem como, pela ocupação no ranking relativo às provas finais de ciclo.

79
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

4.1. Objetivos gerais e específicos

A AMVP tem os seguintes objetivos gerais e específicos:

1. Proporcionar ensino artístico especializado, selecionando e identificando alunos com

potencial e aptidão nas áreas da música, dança e teatro;

2. Desenvolver as competências técnicas e artísticas dos alunos, com o objetivo de os

preparar para o prosseguimento de estudos e/ou mercado de trabalho;

3. Fomentar o desenvolvimento de competências sociais e culturais;

1. Proporcionar ensino artístico especializado, selecionando e identificando alunos com

potencial e aptidão nas áreas da música, dança e teatro:

a. Elaborar e realizar provas de seleção que permitam avaliar a aptidão;

b. Observar e avaliar o desempenho dos alunos ao longo do seu percurso;

c. Assegurar um ensino de qualidade, garantindo um número reduzido de alunos

por turma e uma orgânica que salvaguarde um ensino diferenciado;

d. Possuir um corpo docente com formação superior e profissionalização, que

articule competências curriculares com pedagógicas, humanas e outras;

e. Orientar a formação dos alunos, tornando-os profissionais responsáveis e

impulsionadores de uma cultura de transparência e partilha, empenhados no

sucesso escolar e educativo;

f. Possuir condições físicas e de equipamento adequadas.

2. Desenvolver as competências técnicas e artísticas dos alunos, com o objetivo de os

preparar para o prosseguimento de estudos e/ou mercado de trabalho:

a. Criar e desenvolver atividades artísticas que proporcionem uma participação ativa

e enriquecedora dos alunos;

b. Estimular a criatividade e a autonomia nos alunos;

c. Formar professores com vista a boas práticas educativas;

80
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

d. Aplicar e adequar os conteúdos programáticos;

e. Incutir e enraizar rotinas como ferramentas de trabalho no processo de ensino-

aprendizagem;

f. Refletir sobre os programas existentes, usufruindo da gestão e flexibilidade

curricular;

g. Definir critérios coerentes e justos de avaliação das aprendizagens nas diferentes

áreas curriculares, permitindo a interdisciplinaridade;

h. Fomentar a interação entre a AMVP e os encarregados de educação, visando uma

participação ativa e cooperante nas atividades disponibilizadas.

3. Fomentar o desenvolvimento de competências sociais e culturais:

a. Sensibilizar para o respeito e defesa do património cultural e artístico;

b. Formar públicos críticos, reflexivos, assíduos e atentos à programação cultural;

c. Promover a autoconfiança e a iniciativa individual;

d. Enfatizar os valores da sensibilidade artística nas relações interpessoais e da

busca da excelência;

e. Constituir um corpo de funcionários que possua competências pedagógicas,

humanas e sociais;

f. Encarar a prática artística como um ato comunitário.

4.2. Desafios

Os principais desafios que a AMVP enfrenta são:

• consciencializar os alunos e encarregados de educação para a realidade do ensino

artístico e consequente metodologia de estudo/trabalho;

• cultivar e enraizar o sentimento de pertença dos alunos pela Academia;

• sensibilizar os encarregados de educação para as atitudes comportamentais dos seus

educandos para com os diferentes elementos da comunidade escolar;

81
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

• fomentar a cultura artística e interdisciplinar, bem como enriquecer os diversos

espaços complementares à formação e desenvolvimento pessoal e social dos alunos;

• elaborar um plano de atividades que abranja todas as áreas artísticas, científicas e

humanísticas com vista a uma prática educativa baseada na interdisciplinaridade;

• realizar ações de formação promovendo um intercâmbio de experiências e

conhecimentos, atualizando as práticas pedagógicas e enriquecendo assim as

competências do corpo docente.

4.3. Problemas/ações/metas

Um dos grandes objetivos da AMVP prende-se com a importância dos alunos se assumirem

como pessoas potencialmente autónomas, empreendedoras e responsáveis, com projetos de

vida diversificados, construtores das suas aprendizagens, garantindo-lhes o

acompanhamento pedagógico, incitando ao desenvolvimento da autoconfiança, do espírito de

iniciativa e de inovação e fomentando a sensibilização para a defesa do património cultural.

Para concretizar os objetivos e minorar os problemas detetados, a AMVP propõe-se a


implementar as seguintes ações /metas:

Problemas Ações Metas

Equipamentos

• Acústica de algumas • Reforço do número de painéis


salas de aula; acústicos nas salas de aula;

• Dimensão dos • Em futuras ampliações,


balneários; assegurar novos balneários;

• Espaços de lazer • Criação de uma sala de convívio


reduzidos, e de coberturas em espaços
particularmente no exteriores; 2014/2017
inverno;
• Candidaturas a subsídios e
• Plano tecnológico e verbas comunitárias criadas
livros/equipamento de para o efeito; envolvimento da
biblioteca; comunidade educativa;

82
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

 Ausência de toque de  Implementação de um sistema


início e de fim de de relógios sincronizado.
tempos letivos.

Organização e Gestão escolar

• Gestão de recursos • Contratação de auxiliares de


humanos; ação educativa e redefinição
operacional; 2014/2017

• Equipa de produção do • Fomentar a articulação entre os


Plano Anual de vários cursos e diferentes áreas
Atividades. de saber.

Alunos

• Promoção de hábitos, técnicas


e métodos de estudo. Maior
• Falta de hábitos de
trabalho; compromisso entre
escola/família.
• Visão do ensino • Sensibilização/esclarecimento
artístico como atividade do aluno e encarregados de
extra-curricular; educação sobre as
especificidades deste ensino;
• Saber estar em 2014/2017
• Integrar nas disciplinas de
espetáculos;
classe de conjunto e formação
para a cidadania ações que
• Identificação do aluno.
promovam o saber estar.
• Criação de um cartão de aluno.

4.4. Operacionalização

A operacionalização dos objetivos e metas realiza-se através dos seguintes instrumentos:

• Plano Anual de Atividades (PAA) - organiza e calendariza todas as atividades a

realizar na Academia de acordo com as metas e estratégias delineadas no projeto

educativo;

• Regulamento Interno (RI) - constitui-se como o normativo de ação e de atuação dos

intervenientes no processo educativo, sendo objeto de atualizações sempre que

necessário. Tendo como referência o projeto educativo, formaliza um conjunto de

83
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

normas orientadoras da ação na AMVP ao nível de estratégias de gestão pedagógica,

de gestão organizacional e de avaliação das aprendizagens.

• Projeto Curricular de Escola (PCE) – elenca o conjunto de prioridades da Academia,

tendo em vista o alcance das ações de melhoria da atividade que desenvolve.

“Muitas vezes, o tempo dos professores e de outros atores educativos esgota-se facilmente

na elaboração e revisão destes documentos, restando pouco tempo para a implementação das

estratégias de melhoria. É necessário, pois, encontrar um equilíbrio entre o tempo dedicado

às atividades de planeamento e o dispensado com a sua implementação” (Alaíz, Góis &

Gonçalves, 2003; p. 114).

84
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CAPÍTULO V - DISPOSIÇÕES FINAIS

5.1. Avaliação

O acompanhamento e a avaliação da execução do projeto educativo são, em primeira

instância, da competência da direção, coadjuvada pelo conselho pedagógico. No entanto,

cada órgão ou estrutura escolar é responsável pelo acompanhamento das áreas/atividades

intrínsecas às suas funções ou atribuições.

A avaliação do projeto educativo assume um caráter plural nas suas diferentes dimensões.

Particular realce deve merecer a dimensão contínua da avaliação, enquanto fator de correção

sistemática, ao longo do processo, visando uma adequação entre a prática e os objetivos

previamente traçados. Importância fundamental deve, ainda, assumir a partilha de

experiências e resultados com os diversos intervenientes da comunidade educativa.

A avaliação final do projeto educativo constitui-se como um elemento diagnóstico de análise

e interpretação de todo o processo e servirá de suporte à revisão do projeto seguinte.

5.2. Divulgação

O Projeto Educativo enquanto documento orientador da atividade escolar será divulgado junto

da comunidade educativa em suporte papel (ficando um exemplar na biblioteca e outro na

posse da direção) e online, na página da AMVP.

5.3. Revisão

O presente documento estará em vigor por um período trienal (2014 – 2017), pelo que findo

este espaço temporal, será objeto de revisão / análise e avaliação.

85
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

CONCLUSÃO

A AMVP proporciona um leque de opções bastante diversificado, o que tem garantido uma

boa capacidade de intervenção junto da comunidade educativa. A oferta de regimes de ensino

articulado, integrado, supletivo (sendo estes subsidiados pelo Estado) e livre, os diferentes

cursos ao nível do ensino artístico e os recursos humanos e logísticos são alguns dos

elementos fundamentais no desenvolvimento da escola.

Apesar das áreas de intervenção já identificadas, a escola apresenta inúmeras

potencialidades, nomeadamente ao nível da qualidade de ensino, do acompanhamento

individual dos alunos, da excelente relação escola/família, do empenho, da participação e da

disponibilidade dos encarregados de educação, da ligação da escola ao meio, do corpo

docente estável, assíduo, pontual, dedicado, empenhado e com espírito de entreajuda e do

investimento nas novas infraestruturas criadas de raiz.

A AMVP pretende assim garantir uma formação de excelência, promovendo o

desenvolvimento humano através do ensino artístico, nas áreas da Música, da Dança e do

Teatro, atuando em diferentes contextos sociais.

A AMVP será a escola onde os alunos vão alicerçar a sua segunda casa. Espaço para criar

amizades, ser feliz, descobrir talentos, enfrentar as angústias da juventude… encontrar o

seu caminho de sucesso! A escola onde se vão formar como cidadãos e onde vão

consolidar os seus valores. A escola que vão construir diariamente – alunos, professores,

pais e restante comunidade escolar. (A direção da AMVP)

86
PROJETO EDUCATIVO 2014- 2017

BIBLIOGRAFIA
Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP). (2010). Projeto educativo: 2010 – 2013. Vilar do
Paraíso: AMVP.

Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP). (2013). Plano Anual de Atividades 2013/2014. Vilar
do Paraíso: AMVP.

Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP). (2013). Regulamento interno. Vilar do Paraíso:
AMVP.

Alaiz, V., Góis, E., & Gonçalves, C. (2003). Autoavaliação de escolas – pensar e praticar. Porto: Edições
Asa.

Guerra, M. (2002). Entre Bastidores: o lado oculto da organização escolar. Porto: Edições Asa.

Streck, D. (1994). Correntes pedagógicas: aproximações com a teologia. Vozes.

Vygotsky, L. (1989). In Rego, T. (2008). Lev Vygotsky – o teórico do ensino como processo social.
Revista Nova Escola Grandes Pensadores, n. 19. São Paulo.

WEBGRAFIA
www.amvp.pt www.anqep.gov.pt www.dgeste.mec.pt

87
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo II
(Guião da entrevista aos professores da classe de
trompete da AMVP)

89
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

A presente entrevista é parte integrante de uma investigação que está a ser


desenvolvida no âmbito do curso de Mestrado em Ensino da Música,
Ramo/instrumentos: Trompete, no Instituto Superior de Estudos Interculturais
e Transdisciplinares de Viseu.

Tendo como objeto de estudo, o buzzing na aprendizagem do trompete, na


Academia de Música, de Vilar do Paraíso.
Os dados recolhidos serão alvo de uma análise de conteúdo com fins
meramente académicos, garantindo-se a confidencialidade dos mesmos.

Breve caraterização do entrevistado

1. Qual o seu grau académico?

2. Qual a sua situação profissional?

3. Qual a sua experiência profissional (tempo de serviço)?

90
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Guião da Entrevista

1. O que entende por buzzing?

2. Costuma realizar exercícios de buzzing com os alunos nas suas aulas de


trompete, em particular na AMPV?

3. Utiliza buzzing em que em que nível de ensino? Nas classes iniciais, nos graus
mais avançados ou em ambos?

4. Reconhece benefícios na prática de buzzing na aprendizagem do trompete?

5. Observa entusiasmo/motivação por parte dos alunos nesta prática?

6. Observa algumas dificuldades por parte dos alunos na execução desta


técnica (buzzing)? Quais?

7. Os seus alunos utilizam alguns instrumentos/ferramentas de apoio quando


praticam buzzing? Quais?

8. Segue algum método/ guião específico de buzzing ou improvisa exercícios


consoante as características do aluno?

9. Recomenda aos seus alunos a prática de buzzing na sua rotina diária,


aquando o seu estudo individual?

91
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo III
(Transcrição das entrevistas aos professores da
classe de trompete da AMVP)

93
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

A presente entrevista é parte integrante de uma investigação que está a ser


desenvolvida no âmbito do curso de Mestrado em Ensino da Música,
Ramo/instrumentos: Trompete, no Instituto Superior de Estudos Interculturais
e Transdisciplinares de Viseu.
Tendo como objeto de estudo, o buzzing na aprendizagem do trompete, na
Academia de Música, de Vilar do Paraíso.
Os dados recolhidos serão alvo de uma análise de conteúdo com fins
meramente académicos, garantindo-se a confidencialidade dos mesmos.

Breve caraterização do entrevistado

1. Qual o seu grau académico?


Mestrado com profissionalização

2. Qual a sua situação profissional?


Professor contratado

3. Qual a sua experiência profissional (tempo de serviço)?


6 anos

94
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Transcrição da Entrevista- Professor André Ribeiro

1. O que entende por buzzing?

 Entendo por buzzing toda a vibração feita de forma livre e natural com os lábios,
como ou sem ajuda de outros elementos como o bocal ou o BERP.

2. Costuma realizar exercícios de buzzing com os alunos nas suas aulas de


trompete, em particular na AMPV?

 Para ser sincero, não uso muito, mas reconheço a utilidade. Quando uso, uso no
aquecimento, com a ajuda do piano, realizando exercícios com graus conjuntos
(ascendente) ou meios tons (descendente). Na prática de exercícios de
aquecimento com trompete já não uso tanto, recorro mais ao Bending. Uso sim,
quando os alunos estão a praticar escalas, estudos ou peças, o BERP, o que obriga a
realizar o Buzzing.

3. Utiliza buzzing em que em que nível de ensino? Nas classes iniciais, nos graus
mais avançados ou em ambos?

 Uso em ambos, embora dê mais enfase aos níveis intermédios ou avançados.

4. Reconhece benefícios na prática de buzzing na aprendizagem do trompete?

 Sim, reconheço. Nomeadamente vantagens na qualidade sonora e resistência.

5. Observa entusiasmo/motivação por parte dos alunos nesta prática?

 Sim, no início estranham, mas como ajuda a obter melhor sonoridade, sentem-se
mais à vontade a tocar e isso traduz maior entusiasmo e motivação.
6. Observa algumas dificuldades por parte dos alunos na execução desta
técnica (buzzing)? Quais?

95
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

 Penso que a dificuldade maior seja quando os alunos não possuem um ouvido
trabalhado, de forma a reconhecer os intervalos e alturas das notas. No início eles
não têm muito essa noção, embora o foco principal seja sempre o buzzing.

7. Os seus alunos utilizam alguns instrumentos/ferramentas de apoio quando


praticam buzzing? Quais?

 Sim, alguns usam o BERP.

8. Segue algum método/ guião específico de buzzing ou improvisa exercícios


consoante as características do aluno?

 Como já disse, com a ajuda do piano, faço alguns exercícios. Alguns são
“improvisados”, mas sempre com uma lógica ou adaptação de outros, como os
primeiros exercícios do Stamp. Existe também o “The Buzzing Book”, mas penso
que o mesmo deve ser feito de forma correta e controlada, para a musculatura não
ficar demasiado atrofiada.

9. Recomenda aos seus alunos, prática de buzzing na sua rotina diária, aquando
o seu estudo individual?

 Sim, é sempre um bom recurso e uma forma “saudável” de se obter melhor


rendimento na prática do instrumento.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

André da Silva Ribeiro - Biografia

Iniciou os estudos musicais de Trompete na Escola de Música do Centro


Social de Milheirós de Poiares, prosseguindo no Conservatório de Música de
Fornos, com os professores Paulo Reis e Hernâni Petiz.
Frequentou Master Classes com os professores António Silva, Charles
Schlueter; Fernando Ribeiro, Hakan Hardenberger, John Miller, Jorge Almeida, Luís
Granjo, Manuel Luís Azevedo, Pierre Dutot, Rex Richardson, Thierry Amiout e
Tonico Cardoso. Durante a formação académica, participou em várias orquestras,
tais como, Orquestra de Jovens de Santa Maria da Feira, Banda Sinfónica de Jovens
de Santa Maria da Feira, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra de Sopros do
Piaget, Orquestra Sinfónica do Piaget, Orquestra Clássica de Fornos e Orquestra
Juvenil de Fajões.
Teve a oportunidade de trabalhar com os maestros Alberto Roque, António
Moreira Jorge, António Vassalo Lourenço, Bruno Costa, Carlos Marques,
Christopher Bochman, Délio Gonçalves, Hélder Tavares, J. Ignácio Petit, Jan Cober,
Osvaldo Ferreira, Paulo Martins e Teodoro Aparícian.
Em 2006, obteve o 3.º lugar (escalão Sénior), no Concurso de Música Terras
de La Salette, em Oliveira de Azeméis. Com os Trumpet Mates Gang, teve a
oportunidade de tocar com grandes nomes da Trompete, tais como, Jorge Almeida,
Rex Richardson e Rubén Simeó. Em 2012, com este grupo participou e atuou na
maior conferência de Trompete, organizada pela International Trumpet Guild, em
Colombus – Geórgia (E.U.A.).
É mestre em Ensino de Música, com especialização na área vocacional de
Trompete, pela Universidade de Aveiro. Atualmente leciona na Academia de
Música de Vilar do Paraíso, no Conservatório de Música e Dança de Bragança, na
Escola de Música São Teotónio (Coimbra) e na Escola da Banda Musical de Fajões.
Desde 2014, é Maestro da Orquestra Juvenil de Fajões.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

A presente entrevista é parte integrante de uma investigação que está a ser


desenvolvida no âmbito do curso de Mestrado em Ensino da Música,
Ramo/instrumentos: Trompete, no Instituto Superior de Estudos Interculturais
e Transdisciplinares de Viseu.

Tendo como objeto de estudo, o buzzing na aprendizagem do trompete, na


Academia de Música, de Vilar do Paraíso.
Os dados recolhidos serão alvo de uma análise de conteúdo com fins
meramente académicos, garantindo-se a confidencialidade dos mesmos.

Breve caraterização do entrevistado

1. Qual o seu grau académico?

 Licenciatura em Ensino de Música, ramo Trompete, pela Universidade de Aveiro


(pré-Bolonha)

2. Qual a sua situação profissional?

 Professor de trompete, com habilitação profissional

3. Qual a sua experiência profissional (tempo de serviço)?

 13 anos de serviço

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Transcrição da Entrevista- professor Filipe Pinho

1. O que entende por buzzing?

 É a vibração dos lábios encostados apenas ao bocal.

2. Costuma realizar exercícios de buzzing com os alunos nas suas aulas de


trompete, em particular na AMPV?
 Por norma, não. Utilizo pontualmente para tentar resolver dificuldades de vibração
dos lábios e de colocação correta da embocadura.

3. Utiliza buzzing em que em que nível de ensino? Nas classes iniciais, nos graus
mais avançados ou em ambos?
 Em ambos.

4. Reconhece benefícios na prática de buzzing na aprendizagem do trompete?


 Sim. Sinto que poderia utilizar mais esta técnica, mas não acontece por utilizar
outras metodologias e sentir que não há tempo para tudo.

5. Observa entusiasmo/motivação por parte dos alunos nesta prática?


 Não tenho nenhuma resposta sobre a motivação dos alunos pois não utilizo muito
esta prática.

6. Observa algumas dificuldades por parte dos alunos na execução desta


técnica (buzzing)? Quais?
 Eventualmente há alunos que têm dificuldade em tocar nos extremos da extensão
dos sons, quer no registo mais grave, como no mais agudo. Outra dificuldade

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

observada, esporadicamente, é uma emissão de som pouco eficaz, ouvindo-se


"vento" no som produzido.

7. Os seus alunos utilizam alguns instrumentos/ferramentas de apoio quando


praticam buzzing? Quais?
 Não, normalmente não.

8. Segue algum método/ guião específico de buzzing ou improvisa exercícios


consoante as características do aluno?
 Não sigo, improviso de acordo com o que pretendo.

9. Recomenda aos seus alunos a prática de buzzing na sua rotina diária,


aquando o seu estudo individual?
 Normalmente, não. Apenas pontualmente, quando se verificam as situações que já
referi anteriormente. (ver resposta 2).

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Filipe Pinho - Biografia

Luís Filipe Pinho nasceu no Porto e iniciou os seus estudos musicais na


Academia de Música de Vilar do Paraíso, em 1980. Estudou trompete no
Conservatório de Música do Porto com Rui Brito e no Conservatório Nacional em
Lisboa com Nelson Rocha. Em 2003 terminou a sua licenciatura em Ensino de
Música, no Ramo de Trompete, pela Universidade de Aveiro. Durante esse tempo,
participou no programa SOCRATES/ERASMUS, tendo sido aluno de Bernard
Soustrot em Perpignan, França, com quem continuou a estudar nos anos seguintes.
Participou em cursos e master-classes de trompete realizados por vários
professores, nomeadamente Nelson Rocha, Guy Touvron, Pierre Dutot, Alain
Loustalot, Vincent Gillig, Thierry Amiot.
Tem realizado formação em direção de orquestra, nomeadamente com
Douglas Bostock, em outubro de 2014, e com Rafael Vilaplana, em novembro de
2016.
Tem participado em vários projetos musicais, como quarteto de trompetes,
quinteto de metais, música latina, trompete e órgão e trompete e piano.
Já lecionou no Conservatório Regional de Portalegre, Conservatório
Regional de Viseu, Conservatório de Música da Maia, Academia de Música de Santa
Maria da Feira e Academia de Música de Paços de Brandão. Atualmente, é
professor de trompete e orquestra de sopros na Academia de Música de Vilar do
Paraíso.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo IV
(Guião de conselhos e exercícios de Buzzing)

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Guião

Conselhos e Exercícios sobre Buzzing

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Introdução

Este guião surge após uma revisão bibliográfica de diversos manuais para o
estudo de trompete. Contem conceitos e opiniões de autores conceituados
internacionalmente no domínio dos instrumentos de metal, assim como a minha
experiência enquanto músico e professor de trompete.

O referido guião visa expor conceitos essenciais à prática de buzzing de


forma simples e de fácil compreensão, sugerindo também exercícios e respetiva
descrição de objetivos e benefícios.

Buzzing

Buzzing é o termo utilizado para referir a vibração labial necessária para a


produção de som num instrumento de sopro de metal, pode ser praticada com ou
sem bocal e sem utilização do instrumento.
Assim quando alguém está a fazer Buzzing está simplesmente a vibrar os
lábios de maneira idêntica à técnica necessária para tocar um instrumento de
metal.
No caso dos instrumentos da família de madeira que utilizam palheta
simples ou dupla, o som é produzido através da vibração dessas palhetas. Nos
instrumentos de sopros de metal são os lábios do músico que vibraram dando
origem o som.
O som produzido pelos lábios será amplificado pelo bocal, que por sua vez
será amplificado pelo instrumento. Assim sendo, a qualidade sonora dependerá
muito da qualidade do som emitido pelos lábios.

Segundo Sandoval (1991) “o trompete, como qualquer outro instrumento de


sopro de metal organiza e amplifica o som produzido pelos lábios. “

105
O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Philip Farkas (1962) compara os lábios com as cordas vocais, ambos fazem
parte de nosso corpo, ambos se contraem ou relaxam voluntariamente através de
comandos emitidos pelo cérebro e também são acionados pela coluna de ar que
passa entre si emitindo um som.
Para ajudar a compreender e visualizar mentalmente o que acontece nos
lábios quando se toca um instrumento de sopro de metal, Sérgio Carolino (2007)
criou um conceito que designou de “Cordas Labiais”. Com este conceito, Carolino
faz uma comparação da embocadura do instrumentista de sopro de metal à
vibração das cordas de um instrumento de cordas.
Esta ideia reforça a importância da vibração na produção sonora, assim
como de uma embocadura saudável e que funcione plenamente.

Conselhos sobre Buzzing

A prática de buzzing é recomendada sobretudo como aquecimento pois


quando os lábios vibram, estimulam a irrigação sanguínea da musculatura labial.
No entanto, consoante o objetivo esta prática também pode ser utilizada como
técnica de relaxamento pois quando o sangue transporta oxigénio ao músculo este
regenerar-se eliminando a sensação de cansaço.

Sugerem-se aos alunos os seguintes conselhos práticos:

 Imagina que buzzing é o mesmo que cantar, tal como não deves forçar as cordas
vocais para produzires um som agradável, também não deves forçar a vibração dos
lábios.

 Tenta obter o melhor som possível quando fazes buzzing, pois será essa vibração
que o trompete vai amplificar e transformar em som.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

 Certifica-te que estás a usar ar suficiente para os lábios vibrarem naturalmente e o


mais livre possível.

 Posiciona sempre o teu bocal de modo que o teu orifício orbicular conduza o fluxo
de ar para o centro do bocal, como ilustra a Figura 1.

Figura 1- (Farkas, 1962, p.9)

 Não pressiones o bocal contra os lábios, um dos objetivos do Buzzing é tocar sem
pressão.

 Exerce pressão apenas nos cantos dos lábios e impulsiona o maxilar para baixo,
formando com o queixo a letra “U”, desta forma conseguirás reduzir a pressão
exercida pelo bocal, permitindo aos lábios vibrar livremente, tal como ilustra a
Figura 2.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 2- (Farkas, 1962, p.14)

 Humedece ligeiramente os lábios, assim terás um som mais suave e


melhorarás o ataque das notas e flexibilidade. Além disso, conseguirás uma
melhor aderência do bocal e uma posição mais confortável.

 Pratica os exercícios com a ajuda do piano de modo melhorar a afinação da


vibração e consequentemente tocar mais afinado.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Exercícios de Buzzing

1-

2-

3-

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4-

5-

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Equipamentos auxiliares para praticar buzzing

Figura 3 - B.E.R.P. ( Buzz Extention Resistence Piece)

Disponível em : http://www.gear4music.pt/pt/Sopros-de-madeira-sopros-de-metal-
cordas/Pratica-Berp-auxilio-para-trompete/ Acedido em: 07/01/2017

Figura 4- Up sound

Disponível em: http://www.codamusic.ru/model.aspx?model=UPSOUND Acedido em 05/01/2017

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 5- Sandovalves

Disponível em: http://www.chucklevins.com/news/itg-2016-exclusive-trumpet-accessories/

Acedido em: 4/01/2017

Figura 6- Vizualizador de embocadura

Disponível em: http://www.musictools.pt/instrumentos-de-metal/visualizador-de-embocadura-


trompete/ Acedido em: 04/01/2017

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Outros conselhos para melhorar a tua performance

 Pratica corrida, natação ou qualquer outro desporto cardiovascular de


modo a melhorares a tua saúde, respiração e consequentemente o teu som.

 Toca sempre com uma postura correta, assim evitarás problemas de saúde
e vai ajudar-te a teres uma respiração mais natural e uma postura mais
agradavél para o público.

 Planifica as tua sessões de estudo e realiza-as sempre concentrado.


Lembra-te que uma hora concentrado é mais rentável que 3 horas
desconcentrado.

 Cria tempos de descanso entre as tuas sessões de estudo.

 Sê rigoroso nas tuas rotinas, usa sempre afinador e metrónomo.

 Canta os teus estudos, peças ou até mesmo execícios de técnica base.


Através do canto podes melhorar a tua performance, pois desenvolverás o
teu fraseado, melhorarás a tua respiração, articulação e flexibilidade.

 Cria a tua identidade, procura sempre tocar com o teu som ideal.

 Faz sempre exercícios de relaxamento (Warm Down).

 Ouve várias gravações do reportório que estás a estudar e desenvolve a


tua própria interpretação.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Bibliografia

ADAM, A. A. (Sandy). Super Lung Power and Breath Control in 5 Minutes a Day. 3. ed.
Vancouver: Bold Brass Studios, 1978.

CAROLINO, Sergio. Comptuba: a tuba computorizada: AVA Editions, 2007

COLIN, Charles. Breath Control. 1. ed. New York: Charles Colin, s.d.

FARKAS, Philip. The Art of Brass Playing. 1. ed. Rochester: Wind Music, 1962.

QUINQUE, Rolf. ASA method, Editions BIM, 1998

THOMPSON, James. The buzzing book, Editions BIM, 2001

SANDOVAL, Arturo. Brass Playing Concepts, Editions BIM, 1991

Sitografia

 http://www.codamusic.ru/model.aspx?model=UPSOUND. Acedido em
05/01/2017.
 http://www.chucklevins.com/news/itg-2016-exclusive-trumpet-accessories/.
Acedido em: 4/01/2017.
 http://www.gear4music.pt/pt/Sopros-de-madeira-sopros-de-metal
cordas/Pratica-Berp-auxilio-para-trompete/. Acedido em: 07/01/2017.

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo V
(Questionário aos alunos da classe de trompete da
AMVP)

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

ISEIT -Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares de Viseu


Mestrado em Ensino da Música

Questionário sobre a implementação e utilização do Guião de


Conselhos e Exercícios sobre Buzzing

Com o intuito de avaliar a experiência e os resultados decorrentes da utilização


do Guião de Conselhos e Exercícios sobre Buzzing decidi elaborar o seguinte inquérito.
Os dados recolhidos irão ser utilizados para a elaboração de uma tese de mestrado
intitulada “ A prática do Buzzing na aprendizagem do trompete”, pelo aluno Nuno Alves

. Idade_____ . Sexo: M___ F____ .Grau____

1- Exerces alguma actividade musical além da Academia de Música de Vilar

do Paraíso? Sim___, Não___

Se sim, qual?

_________________________________________________________

_____________________________________________________________

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

2- Tiveste dificuldades ao nível da compreensão dos conceitos abordados no

guião? Indica quanto na escala que se segue.

____ Bastante acessível ____Acessível, ____ Médio, ____ Difícil,

____ Muito difícil

3- Antes de leres o Guião de Conselhos e Exercícios sobre Buzzing tinhas por

hábito praticar Buzzing? Sim___, Não___

4- Antes de leres o guião conhecias os benefícios da prática de Buzzing?

Sim___, Não___

5- A utilização do Guião de Conselhos e Exercícios sobre Buzzing alterou a tua

rotina diária? Sim___, Não___.

Se sim, de que forma?

_______________________________________________________

_____________________________________________________________

6- Achas que a prática desta técnica contribui para melhorar a tua

performance? Sim___, Não___

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Se sim, de que forma?

_________________________________________________________

_____________________________________________________________

7- Gostarias de aprofundar os teus conhecimentos nesta temática?

Sim___, Não___

Obrigado pela colaboração!

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo VI
(Atividades da classe de trompete da AMVP)

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 5 - Cartaz da semana dos Sopros, 2016

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Marta Martins – 3º Grau e 5º Grau)

Figura 6 - Cartaz do Ciclo de Masterclasses de Sopro AMVP, 2017

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 7 - Cartaz da Masterclasse de trompete ministrado pelo professor Charles Schlueter e pelo quinteto
Goiânia Brass

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 8 - Recital de terceiro período da classe de trompete de AMVP

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Figura 9 - Masterclasse com o professor Charles Schlueter

Figura 10 - Masterclasse com o professor Vasco Faria

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O BUZZING NA APRENDIZAGEM DO TROMPETE: estudo na Academia de Música de Vilar do Paraíso

Anexo VII
(Planificação e Relatório de Aulas – Mariana Silva /

Marta Martins – 3º Grau e 5º Grau)

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Anexo VIII
(Planificação e Relatório de Aulas – José Eduardo
Peixoto – 4.º Grau)

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Anexo IX
(Planificação e Relatório de Aulas – Ricardo Oliveira

– 4.º Grau)

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Anexo X
(Planificação e Relatório de Aulas – Rita Barros

– 5.º Grau)

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