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1- Qual é o limite de escoamento de um aço carbono com 0,5% de carbono?

O teor de carbono é o principal fator de influência na dureza e na resistência


mecânica do aço. Mantendo-se constante o teor de carbono, a resistência aumenta
à medida que aumenta a finura da dispersão de carbonetos, ao passo que a
ductilidade diminui. Pode-se dizer, de um modo geral, que a resistência atinge valor
máximo para cerca de 0,8% de carbono, a tensão máxima de escoamento tende a
se estabilizar para aços hipereutetóides, enquanto a ductilidade decresce sempre e
mais rapidamente para os teores mais altos de carbono.

Influência do teor de carbono nas propriedades mecânicas dos aços.

2- Explique por que os átomos de carbono no diamante ligam-se


covalentemente, enquanto os átomos de chumbo apresentam ligação
metálica, embora o carbono e o chumbo tenham ambos quatro elétrons de
valência. Que efeitos se devem esperar dessa diferença de ligações?
Ambos os elementos fazem parte do grupo IVA na tabela periódica ou grupo do
carbono. A transição de não-metal para metal com o aumento do número atômico
é bem ilustrada com os elementos desse grupo, onde o C e o Si são ametais, o
Ge tem caráter intermediário e o Sn e o Pb são metais. O aumento do caráter
metálico se manifesta nas estruturas e no aspecto dos elementos, através de
propriedades físicas como maleabilidade e condutividade elétrica, e através de
propriedades químicas, como o aumento da tendência a formar íons ou as
propriedades ácidas ou básicas de óxidos e hidróxidos.
3- Em um cristal existem direções e planos mais compactos que outros.
Explique por que as propriedades de um material policristalino são
frequentemente isotrópicas.
Materiais policristalinos apresentam frequentemente propriedades isotrópicas
porque todas as direções são equivalentes, pois em todas elas há um grande
número de grãos orientados aleatoriamente.
4- Nas estruturas CFC e CCC existem dois tipos de vazios intersticiais:
octaédricos e tetraédricos. Em cada uma delas um tipo de vazio é maior que
o outro. Os sítios maiores são os ocupados pelos átomos intersticiais.
a) Calcule o diâmetro máximo que um átomo pode ter para acomodar-se
intersticialmente em um cristal de cobre (CFC) sem distorcê-lo. Os sítios
octaédricos são os maiores. O diâmetro aparente do Cu é 1,28 Å.
Sítios octaédricos possuem número de coordenação igual a seis (os átomos que
contatam o átomo intersticial formam um octaedro com os átomos maiores
ocupando as posições regulares na rede) e ocorrem em estruturas CFC no centro
do cubo e no centro de suas arestas.

Posição dos átomos intersticiais em células CFC.

Sítios intersticiais em célula CFC.


a) Octaédrico e b) tetraédrico (os sítios são representados pelas esferas maiores).

Em células CFC o comprimento da aresta do cubo é dado por a = 2R√2

a√2 = 4R
4𝑅 4𝑅 √2
a= a= x
√2 √2 √2
a = 2R√2
No cobre, o raio atômico é 0,64 Å ou 0,064 nm. Logo,
a = 2 . 0,064√2

a = 0,181 nm 2R = 0,128 nm
nm
0, 181 – 0,128 = 0,053 nm
𝑟𝑎𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑠𝑡í𝑐𝑖𝑜 0,0265
Relação entre os raios = = = 0,414
𝑟𝑎𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝐶𝑢 0,064

Se a relação for maior que 0,414, o átomo ocupará um sítio octaédrico.


Portanto, o diâmetro máximo que um átomo pode ter para acomodar-se
intersticialmente em um cristal de cobre será 0,053 nm ou 0,53 Å.

b) Determine o tamanho do maior átomo que poderia ser localizado nos


interstícios do ferro CCC sem forçamento. O vazio tetraédrico é o de
maior tamanho e seu centro se encontra nas posições 0, ½, ¼, isto é
sobre as faces {100}.
Sítios tetraédricos possuem número de coordenação igual a 4.

Posição dos átomos intersticiais em células CCC.

Sítios intersticiais em célula CCC.


a) Octaédrico e b) tetraédrico (os sítios são representados pelas esferas maiores)

Em células CCC o comprimento da aresta do cubo é dado por:

a = 4R/√3
a√3 = 4R
4𝑅 4𝑅 √3
a= a= x
√3 √3 √3
4𝑅√3
a=
3

No ferro, o raio atômico é 1,24 Å ou 0,124 nm. Logo,


4.0,124√3
a=
3
a = 0,286 nm
A posição 0, ½, ¼ se encontra sobre as faces {100} no centro do tetraedro.
Portanto o raio máximo do átomo intersticial que se ajusta aos interstícios do ferro
CCC vale:

Posição centro do tetraedro

Com base no triângulo retângulo formado temos:

(𝑎|2)2 + (𝑎|4)2 = (R + r)2


a2/4 + a2/16 = (R + r)2
5a2/16 = (R + r)2
5(a/4)2 = (R + r)2
r + R = √5 . (a/4)
r = 0,159 – R
r = 0,159 – 0,124
r = 0,036 nm

5- O carbono tem maior solubilidade no ferro CFC que no CCC. No entanto, a


célula CFC tem um fator de capacidade superior a do CCC. Explique o
fenômeno.
Apesar de apresentarem menos quantidades de posições intersticiais, células
CFC apresentam sítios maiores.
Com base nos cálculos desenvolvidos no exercício anterior, o raio máximo que
um átomo intersticial deve ter para não distorcer a célula unitária do ferro CFC
ocupando um sítio octaédrico, que para este tipo de estrutura é maior, seria:

a = 2.0,124√2
a = 2R√2
a = 0,351 nm

2R = 0,248 nm
0,351 – 0,248 = 0,103 nm
Raio máximo: 0,052 nm
Já para o ferro CCC, o raio máximo que um átomo intersticial deve ter para não
forçar a estrutura ocupando seu maior sítio que é o tetraédrico, seria:
Raio máximo = 0,036 nm (vide exercício anterior). Sabendo-se que o raio atômico
do carbono é de 0,071 nm, verifica-se que os átomos de carbono se acomodam
melhor na austenita (CFC) que na ferrita (CCC) pois a diferença entre o tamanho
do átomo e o tamanho do interstício é menor.

6- Por que temperaturas elevadas promovem o “crescimento de grão”? Por


que os materiais apresentam maior solubilidade à altas temperaturas? Além
dos dois efeitos relatados, qual seria a terceira influência da temperatura
para o processamento dos materiais?

O aumento da temperatura provoca o aumento da termodinâmica (energia) do


sistema, fazendo com que os grãos maiores cresçam em detrimento dos
menores. A elevação da temperatura também favorece o processo difusional ou
de agitação das moléculas, aumentando a solubilidade dos materiais. A
temperatura também é capaz de influenciar as transformações de fases nos
materiais.

7- Por que o Pb e o Sn, ao contrário da maioria dos metais não encruam


quando deformados lentamente à temperatura ambiente?

Em geral, a temperatura de recristalização dos materiais está entre um terço e


metade da temperatura de fusão. Observando que para o estanho a temperatura
absoluta de fusão é 505 K (232°C) e para o chumbo a temperatura de fusão é
600 K (327°C), verifica-se que as temperaturas de recristalização destes
materiais serão entre (-105 e 21°C) para o estanho e (-73 e 21°C) para o chumbo.
Portanto, à temperatura ambiente não seria possível encruá-los.

8- Quais os mecanismos de resistência mecânica pode ocorrer em:


a) Elementos puros;
Por refino de grão e encruamento (deformação a frio).
b) Sólidos monofásicos;
O sólido monofásico pode ser submetido a um processo de refinamento,
mediante a deformação plástica do material e, sequencialmente, um
tratamento térmico de recristalização.
c) Sólidos polifásicos.
Refino de grão, precipitação de fases, encruamento e tratamento térmico para
transformação de fase.

9- Na tabela abaixo são apresentados, alguns dados mais comuns para alguns
elementos. Para os não metálicos é dado apenas os valores de raio
atômico:
Estrutura
Elemento Raio (nm) Eletronegatividade Valência
Cristalina
Cu 0,1278 1,9 CFC +2
C 0,071
H 0,046
O 0,060
Ag 0,1445 1,9 CFC +1
Al 0,1431 1,5 CFC +3
Co 0,1253 1,8 HC +2
Cr 0,1249 1,6 CCC +3
Fe 0,1241 1,8 CCC +2
Ni 0,1246 1,8 CFC +2
Pd 0,1376 2,2 CFC +2
Pt 0,1387 2,2 CFC +2
Zn 0,1382 1,6 HC +2

De acordo com as regras de Hume-Rothery para a formação de uma solução


sólida substitucional, o raio atômico deve ter uma diferença de no máximo 15%,
caso contrário pode promover distorções na rede e assim levar a formação de
nova fase, a estrutura cristalina deve ser a mesma, a eletronegatividade deve
ser próxima e a valência deve ser a mesma ou maior que a do hospedeiro. Então,
uma nova tabela foi montada:
Diferença
Diferença de Estrutura
Sistema Raios (nm) de raios Valência Solubilidade
Eletronegatividade Cristalina
𝛥r/r
Cu 0,1278 1,9 CFC +2
rCu=0,1278 44%
Cu - C Não
rC=0,071 ˃15%
rCu=0,1278 64%
Cu - H Não
rH=0,046 ˃15%
rCu=0,1278 53%
Cu - O Não
rO=0,060 ˃15%
rCu=0,1278 14,5%
Cu - Ag 0 igual diferente Incompleta
rAg=0,1445 ˂15%
rCu=0,1278 11,7% 0,4
Cu - Al igual diferente Incompleta
rAl=0,1431 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 1,96% 0,1
Cu - Co diferente igual Não
rCo=0,1253 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 2,27% 0,3
Cu - Cr diferente diferente Não
rCr=0,1249 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 2,89% 0,1
Cu - Fe diferente igual Não
rFe=0,1241 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 2,5% 0,1
Cu - Ni igual igual Completa
rNi=0,1246 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 7,12% 0,3
Cu - Pd igual igual Incompleta
rPd=0,1376 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 7,85% 0,3
Cu - Pt igual igual Incompleta
rPt=0,1387 ˂15% (baixa)
rCu=0,1278 7,52% 0,3
Cu - Zn diferente igual Incompleta
rZn=0,1382 ˂15% (baixa)

Com quais desses elementos o cobre poderia formar:


a) solução sólida completa?
Ni. Devido a semelhança de características entre os átomos.
b) uma soução sólida substitucional incompleta?
Ag, Al, Pd, Pt e Zn (apesar de apresentar estrutura HC, o zinco apresenta alta
solubilidade em cobre).
c) solução sólida intersticial?
C, H e O. (relação entre raios menor que 0,732).
10- Os seguintes dados foram obtidos quando um metal trabalhado a frio foi
recozido:

Temperatura de Limite de resistência


Tensão residual (psi) Tamanho de grão (in)
aquecimento (°C) (psi)
250 21000 52000 0,0030
275 21000 52000 0,0030
300 5000 52000 0,0030
325 0 52000 0,0030
350 0 34000 0,0010
375 0 30000 0,0010
400 0 27000 0,0035
425 0 25000 0,0072

a) Estime as temperaturas de recuperação, recristalização e crescimento


de grão;
Temperatura de recuperação: 300°C;
Temperatura de recristalização: 350°C;
Temperatura de crescimento de grão: 400°C.
b) Estime a temperatura adequada para obtenção de máxima resistência
mecânica e condutividade elétrica.
As mudanças microestruturais ocorridas na recuperação levam a uma
restauração parcial das propriedades do material. Essa restauração pode ser
avaliada pelas variações nas propriedades mecânicas, resistividade elétrica,
densidade e tensões residuais. Portanto a temperatura adequada para
obtenção máxima dessas propriedades é 300°C.
c) Recomende a temperatura adequada para o trabalho a quente desse
material;
Uma temperatura acima da temperatura de recristalização, ou seja, acima de
350°C.
d) Estime a temperatura de fusão do material.
A temperatura de fusão está entre 2Tr e 3Tr (Tr: Temperatura de
recristalização). Logo, a temperatura de fusão está entre 700 e 1050°C.

11- Os metais CFC são frequentemente recomendados para uso em


temperaturas baixas, particularmente quando carregamentos súbitos são
esperados. Explique.
Metais CFC não apresentam temperatura de transição, ou seja, os valores de
impacto não são influenciados pela temperatura. Isto porque nesta estrutura
existem muitos planos de escorregamento disponíveis.

12- Admita a possibilidade de se poder produzir misturas do metal Z com o


composto intermetálico θ, em várias formas e tamanhos. Na figura abaixo
estão representadas cinco curvas tensão-deformação reais possíveis
(A a E) e cinco microestruturas (1 a 5) com o mesmo aumento. Combinar
cada microestrutura com a mais provável curva tensão-deformação, sem
repetição.

Combinações:
A–1
E–2
B–3
C–4
D–5

13- A fratura frágil ou dúctil é uma propriedade que depende apenas do


material? Explique. Qual ou quais ensaios justificam sua resposta?
O tipo de fratura que um material irá sofrer depende da temperatura e também
de possíveis impurezas que possam existir no material. Por exemplo, materiais
dúcteis podem se tornar frágeis a baixas temperaturas. O ensaio de impacto é
capaz de determinar a transição do comportamento dúctil-frágil em função da
temperatura, justificando a resposta acima.

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