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Alec Mellor foi um advogado da Corte de Apelação (1930), professor de prática em Direito

Penal da Faculdade de Direito de Paris (1942) e membro da Associação dos Escritores Católicos.
Nascido em 1907 e falecido em 1988, filiou-se à Grande Loja Nacional da França em 1969.
Publicou inúmeras obras jurídicas e maçônicas, dentre elas:

• Os grandes problemas da atual Franco-Maçonaria;


• Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons;
• A tortura – sua história e abolição;
• Os grandes problemas contemporâneos da instrução criminal.

Em sua obra Os grandes problemas da atual franco-maçonaria 1, Mellor também aborda os


deveres prescritos ao Iniciado:

“Aqueles que são admitidos como membros de uma Loja devem estar imbuídos de uma
grande fidelidade, devem ser livres e de idade adulta. Um escravo ou um homem de
costumes escandalosos e reprováveis não podem ser admitidos à Fraternidade: as mulheres
também são excluídas, mas apenas por causa dos efeitos que seu mérito produz muito

frequentemente sobre os melhores irmãos”

Dentre seus escritos há uma frase icônica, a qual afirma: “O segredo da Maçonaria é que não
há segredo algum”. Desta forma, pretendia que o segredo da Iniciação de fato consistia em uma
realidade pessoal e intransferível da experiência de aprendizado moral adquirida por meio dos
simbolismos e rituais prescritos na loja, conforme aponta José Antonio Ullate Fabo2.

Ao longo de suas publicações sobre a Franco-Maçonaria, Mellor dedicou-se à busca da


conciliação entre a Maçonaria e a fé católica, combatendo fervorosamente o anti-clericalismo não-
religioso que fora fruto da síntese de dois elementos, um político e outro religioso 3: o Galicanismo
(movimento originado na França, que defendia a independência administrativa da Igreja católica
romana de cada país com relação ao controle papal), e Iluminismo. Tratou dos conflitos entre o
Monismo pagão e o Dualismo Católico nas relações entre Igreja e Estado. Certa feita, chegou a
afirmar que a Grande Loja Nacional da França era uma maçonaria cristã, ao que foi desmentido por
esta, que esclareceu:

1 MELLOR, Alec. Os grandes problemas da atual franco-maçonaria. São Paulo: Pensamento, 1989.
2 El secreto masónico desvelado - Libroslibres, S.l., 2007 - 286 páginas.
3 B. Plongeron – Époque Contemporaine, 1967.
“O Grande Arquiteto do Universo não é cristão, nem israelita, nem maometano, nem persa e
nem budista. Nós cremos em Deus como inteligência e princípio ativo do Universo; princípio
gerador e reprodutor, ínsito em cada homem, que é parte da mesma mônada”.

Como neófito, deveria responder as três perguntas de costume: O que deve um homem a
seus semelhantes? O que deve um homem a seu país? O que deve um homem a Deus? Alec Mellor
afirma:
“Às duas primeiras perguntas, minha resposta foi o que mais ou menos se podia esperar: justiça a
todos os homens e dedicação a meu país. À terceira pergunta, minha resposta foi: a guerra”.4

Alec Mellor afirmava que talvez não houvesse nenhuma outra Nação em que a fronteira
entre diferentes partidos políticos tivesse viés tão religioso quanto a França.
Para entendermos melhor este contexto histórico, citemos as palavras da Profª. Dr.ª Eliane
Moura Silva5:

“É, desta forma, evidente em diversos autores, a profunda articulação entre a Maçonaria e o
anticlericalismo, bem como todas as outras formas laicistas do século XIX. As lojas
maçônicas eram centros de difusão de tendências laicistas européias, de positivismo, de
formas alternativas de expressão religiosa, tais como o espiritualismo em geral e do
espiritismo em particular, bem como do protestantismo. Era o direito à voz e onde se
abrigavam minorias e grupos intelectuais.”

Alec Mellor é considerado um guia seguro na separação entre fatos e teorias conspiratórias 6,
discutindo as várias interpretações históricas da política religiosa da Revolução Francesa. Porém
sua aversão ao anti-clericalismo o levou a excessos, como considerar a Constituição Civil como “o
monstruoso fruto do encontro entre o Galicanismo e a Declaração dos Direitos Humanos 7”, ou
inferir que a Revolução Francesa não foi uma revolta popular, e sim um golpe de Estado burguês.
Porém teve foco apenas no aspecto político e ideológico do anti-clericalismo, ignorando as raízes
econômicas e sociais.

Desta forma, pode-se dizer que Alec Mellor foi um opositor e crítico ferrenho dos
movimentos anticlericais, tendo grande importância para uma perspectiva histórica e cultural dentro
da qual se encontrava a situação política e iniciática a seu tempo.

4 Mellor, dictionn. Pág. 300, Giantulli, 14.


5 MAÇONARIA, ANTICLERICALISMO E LIVRE PENSAMENTO NO BRASIL (1901-1909). ”Apresentação na
Mesa Redonda Maçonaria e Cidadania no XIX Simpósio Nacional de História da ANPUH.
6 Norman Ravitch - Published online by Cambridge University Press: 28 July 2009.
7 Proclamada em Paris em 1948.