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DIREITO PENAL

@dicasexconcurseira 1
MÓDULO I
Introdução ao Direito Penal (Aula 01).................................................................................................................................................3
Princípios do Direito Penal (Aulas 02 e 03) .........................................................................................................................................9
Lei Penal (Aulas 04 e 05) ...................................................................................................................................................................18
Infração Penal: Crime e Contravenção (Aulas 06 a 08) ....................................................................................................................27
Erro de Tipo (Aula 09) .......................................................................................................................................................................39
Crime Comissivo e Crime Omissivo + Elementos do Fato Típico (resultado e nexo causal) – Aulas 10 a 12.....................................44
Iter Criminis, Crime Consumado, Tentativa, Desistência Voluntária e Arrependimento Posterior, Crime Impossível (Aula 13)......59
Concurso de Pessoas + Autoria (Aula 14). ........................................................................................................................................67
Prescrição (Aula 15)...........................................................................................................................................................................73
Culpabilidade (Aula 16) ....................................................................................................................................................................81

MÓDULO II
Pena (Aulas 01 a 03) ........................................................................................................................................................................89
Penas Restritivas de Direito (Aula 04) ............................................................................................................................................110
Suspensão Condicional do Processo (Aula 05) ...............................................................................................................................116
Medida de Segurança (Aula 06) ......................................................................................................................................................119
Efeitos da Condenação (Aula 07) ....................................................................................................................................................122
Concurso de Crimes (Aula 08) ........................................................................................................................................................125

MÓDULO III
Crimes contra a vida........................................................................................................................................................................129
Crimes contra a honra.....................................................................................................................................................................135
Crimes contra a liberdade individual..............................................................................................................................................138
Crimes contra o patrimônio............................................................................................................................................................140
Crimes contra a propriedade intelectual.........................................................................................................................................153
Crimes contra a dignidade sexual....................................................................................................................................................154
Crimes contra a saúde pública........................................................................................................................................................162
Crimes contra a paz pública............................................................................................................................................................163
Crimes contra a fé pública...............................................................................................................................................................163
Crimes contra a Administração Pública...........................................................................................................................................167

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MÓDULO I

Aula 01

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

Direito Penal: conceito

a) Aspecto formal/estático: direito penal é o conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como
infrações penais, define os seus agentes e fixa sanções a serem-lhe aplicadas.

b) Aspectos material: direito penal refere-se a comportamentos considerados altamente reprováveis ou danosos ao organismo
social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação e progresso da sociedade.

c) Aspecto sociológico/dinâmico: direito penal é mais um instrumento de controle social, visando assegurar a necessária
disciplina para a harmônica convivência em sociedade.
~ Aprofundando o enfoque sociológico:
* a manutenção da paz social demanda a existência de normas destinadas a estabelecer diretrizes
* quando violadas as regras de conduta, surge para o Estado o dever de aplicar sanções (civis ou penais);

ATENÇÃO!
- Quando a conduta atenta contra bens jurídicos especialmente tutelados, merece reação mais severa por parte do
Estado, valendo do Direito Penal.

IMPORTANTE!
O que diferencia a norma penal das demais é a espécie de consequência jurídica, qual seja: pena privativa de liberdade
(é o princípio da intervenção mínima).

ATENÇÃO! IMPORTANTE DIFERENCIAR:

DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA (Ciência Penal) POLÍTICA CRIMINAL (Ciência Penal)


Analisa os fatos humanos indesejados, Ciência empírica que estuda o crime, o Trabalha as estratégias e meios de
define quais devem ser rotulados como criminoso, a vítima e o comportamento controle social da criminalidade.
crime ou contravenção, anunciando as da sociedade.
penas.
Ocupa-se do crime enquanto norma. Ocupa-se do crime enquanto fato. Ocupa-se do crime enquanto valor.
Ex: define como crime lesão no Ex: quais fatores contribuem para a Ex: estuda como diminuir a violência
ambiente doméstico e familiar. violência doméstica e familiar. doméstica e familiar.

Direito Penal: missão

Na atualidade, a doutrina divide a missão do Direito Penal em:


1 – Missão Mediata
2 – Missão Imediata

1 – Missão MEDIATA:
a) Controle Social
b) Limitação ao poder punitivo do Estado
OBS: Se de um lado o Estado controla o cidadão, impondo-lhe limites; de outro lado, é necessário também limitar o seu
poder de controle, evitando a hipertrofia da punição

2 – Missão IMEDIATA à a doutrina diverge:


1ª Corrente: a missão do direito penal é proteger bens jurídicos essenciais para a convivência em sociedade (ROXIN,
Funcionalismo Teleológico);
2ª Corrente: a missão do direito penal é assegurar o ordenamento jurídico, a vigência da norma (JAKOBS, Funcionalismo
Sistêmico).

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Direito Penal: classificação doutrinária

Direito Penal Substantivo Direito Penal Adjetivo


É o direito penal material (crime/pena) É o direito processual penal (processo, procedimento).
Esta classificação é ultrapassada, da época em que o direito
processual não tinha autonomia.

Direito Penal Objetivo Direito Penal Subjetivo


Traduz o conjunto de leis penais em vigor no país. Ex: CP, Lei Refere-se ao direito de punir do Estado e divide-se em:
de Drogas, Lei das organizações criminosas i) Direito Penal Subjetivo Positivo: capacidade de criar e
executar normas penais. Compete ao Estado.
ii) Direito Penal Subjetivo Negativo: poder de derrogar
normas penais ou restringir o seu alcance. Controle judicial.

CUIDADO! O DIREITO DE PUNIR ESTATAL NÃO É ABSOLUTO/INCONDICIONADO/ILIMITADO:


Limites do direito de punir estatal:
1 – Quanto ao modo;
2 – Quanto ao espaço;
3 – Quando ao tempo.

1 – Quanto ao MODO:
Como bem explica Canotilho, mesmo nos casos em que o legislador se encontre constitucionalmente autorizado a
editar normas restritivas, permanecerá vinculado à salvaguarda do núcleo essencial dos direitos, liberdades e garantias do
homem e do cidadão.

2 – Quanto ao ESPAÇO:
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional. à Princípio da Territorialidade mitigada.

3 – Quanto ao TEMPO:
Por mais grave que seja o crime, ele prescreve, extinguindo o poder punitivo estatal.
OBS: o direito de punir é monopólio estatal, ficando proibida a justiça privada.

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

CUIDADO! Há um caso que o Estado tolera a punição privada paralela à punição estatal:
Estatuto do Índio, art.57, Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções
penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a
pena de morte.

O TPI é exceção ao monopólio do direito de punir do Estado? Não! O TPI só intervirá quando ajustiça repressiva interna
falhar, for omissa ou ineficiente.

Estatuto de Roma, Artigo 1o - O Tribunal - É criado, pelo presente instrumento, um Tribunal Penal Internacional ("o Tribunal"). O
Tribunal será uma instituição permanente, com jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos crimes de maior gravidade com
alcance internacional, de acordo com o presente Estatuto, e será complementar às jurisdições penais nacionais. A competência e
o funcionamento do Tribunal reger-se-ão pelo presente Estatuto. à princípio da complementariedade

Direito Penal de Urgência Direito Penal Promocional/Político/Demagogo


Atendendo as demandas de criminalização, o Estado cria O Estado, visando a consecução dos seus objetivos políticos,
normas de repressão ignorando garantias do cidadão. emprega leis penais desconsiderando o princípio da intervenção
mínima.
Finalidade: devolver o sentimento de tranquilidade para a Finalidade: usar o direito penal para a transformação social.
sociedade.
Ex: lei dos crimes hediondos – sequestro do Abilio Diniz Ex: Estado criando contravenção penal de mendicância
(pressão da mídia) (revogada) para acabar com os mendigos, ao invés de melhorar
políticas públicas.

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DIREITO PENAL SIMBÓLICO? É a lei penal que nasce sem qualquer eficácia jurídica ou social (ex: lei das palmadas).
VELOCIDADES DO DIREITO PENAL (Silva Sánchez)

Trabalha com o tempo que o Estado leva para punir o autor de uma infração penal mais ou menos severa.

1ª VELOCIDADE: enfatiza infrações penais mais graves, punidas com penas privativas de liberdade, exigindo procedimento mais
demorado, observando todas as garantias penais e processuais.

2ª VELOCIDADE: flexibiliza direitos e garantias fundamentais, possibilitando punição mais célere, mas, em contrapartida, prevê
penas alternativas.

3ª VELOCIDADE: mescla a 1ª velocidade e a 2ª velocidade. Ex: lei das organizações criminosas.


- defende a punição do criminoso com pena privativa de liberdade (1ª velocidade)
- permite, para determinados crimes, a flexibilização de direitos e garantias constitucionais (2ª velocidade).

1ª VELOCIDADE 2ª VELOCIDADE 3ª VELOCIDADE


Pena privativa de liberdade Penas alternativas Pena privativa de liberdade
Procedimento garantista Procedimento flexibilizado Procedimento flexibilizado
Ex: CPP Ex: Lei 9.099 Ex: Lei 12.850/13

Hoje, temos doutrina anunciado a 4ª VELOCIDADE do Direito Penal, ligada ao Direito Penal Internacional, mirando suas
normas proibitivas contra aqueles que exercem (ou exerceram) chefia de Estados e, nessa condição, violam (ou violaram) de
forma grave tratados internacionais de tutela de direitos humanos. Para tanto, foi criado, pelo Estatuto de Roma, o Tribunal
Penal Internacional. Trata-se da primeira instituição global permanente de justiça penal internacional, com competência para
processar e julgar crimes que violam as obrigações essenciais para a manutenção da paz e da segurança da sociedade
internacional em seu conjunto.

FONTES DO DIREITO PENAL

Lugar de onde vem e com se exterioriza o Direito Penal.


1 – Fonte material à a “fábrica” = União/Congresso Nacional + Estados, via LC, pode legislar sobre questões específicas
2 – Fonte formal à quem propaga o produto fabricado

1 – FONTE MATERIAL (“fábrica”)


Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;

IMPORTANTE! Lei complementar pode autorizar o Estado a legislar sobre Direito Penal incriminador no seu âmbito.
Art.22, Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias
relacionadas neste artigo.

2 – FONTE FORMAL (“propagar o produto fabricado”)

FONTE FORMAL Fonte FORMAL


(Doutrina clássica) (Doutrina moderna)
Imediata: Lei Imediatas:
1 – Lei
2 – CF
3 – TIDH
4 – Jurisprudência
5 – Princípios
6 – Atos administrativos (complementam norma penal em
branco)
Mediatas: Mediata:
1 – Costumes 1 - Doutrina
2 – Princípios gerais de Direito

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FONTES FORMAIS
a) IMEDIATAS (doutrina moderna)
a.1) Lei: única capaz de criar crime e cominar pena
a.2) Constituição Federal

ATENÇÃO!
Se a CF é superior à lei, por que ela não pode criar infrações penais ou cominar sanções? Em razão do seu processo
rígido/moroso de alteração. Muito embora não possa criar infrações penais ou cominar sanções, a CF nos revela o Direito Penal
estabelecendo patamares mínimos (mandado constitucional de criminalização) abaixo dos quais a intervenção penal não se
pode reduzir. Exemplos de mandados constitucionais de criminalização:
Art.5º, XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Art.5º, XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;

Existem mandados constitucionais de criminalização implícitos? Sim! Com a finalidade de evitar a intervenção
deficiente do Estado: são os imperativos de tutela. Ex: o legislador não poderia retirar o crime de homicídio do ordenamento
jurídico, porque a CF garante o direito à vida.
OBS: Com base neste mandado constitucional de criminalização implícito (direito à vida), questiona-se a legalidade dos
movimentos pró-aborto.

a.3) Tratados Internacionais de Direitos Humanos (TIDH)


Podem ingressar no nosso ordenamento jurídico de 2 formas:

ATENÇÃO! Respeitável corrente doutrinária se posiciona no sentido de que os tratados, versando sobre direitos humanos (e
somente eles), uma vez subscritos pelo Brasil, se incorporam automaticamente e possuem (sempre) caráter constitucional, a
teoria do disposto nos §§1º e 2º, do art.5º, da CF (Flávia Piovesan).

CUIDADO! Importante esclarecer que os tratados e convenções não são instrumentos hábeis à criação de crimes ou cominação
de penas para o direito interno. Assim, antes do advento das Leis 12.694/12 e 12.850/12 (que definiram, sucessivamente,
organização criminosa), o STF manifestou-se pela inadmissibilidade da utilização do conceito de organização criminosa dada pela
Convenção de Palermo, trancando a ação penal que deu origem à impetração, em face da atipicidade da conduta (HC nº 96007).

a.4) Jurisprudência
Ex: CP, Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e,
pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em

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qualquer caso, de um sexto a dois terços. à “crime continuado” à STF: intervalo máximo entre um crime e outro é de 30 dias
(entendimento que se aplica aos crimes patrimoniais).
a.5) Princípios
Não raras as vezes, os tribunais absolvem ou reduzem penas com fundamento em princípios.

a.6) Atos Administrativos


Complementam norma pena em branco (ex: Lei de Drogas à definição de “drogas” por portaria da ANVISA).

b) MEDIATA
b.1) Doutrina

E os costumes? São considerados fontes informais.

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

O ato de interpretar é necessariamente feito por um sujeito que, empregando determinado modo, chega a um
resultado.
Interpretação:
1 – Quanto ao sujeito
2 – Quanto ao modo
3 – Quanto ao resultado

1 – Interpretação quanto ao SUJEITO (ORIGEM)


a) Interpretação AUTÊNTICA/LEGISLATIVA
CP, Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração,
exerce cargo, emprego ou função pública.
§1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

A interpretação autêntica/legislativa fornecida pela própria lei subdivide-se em:

i) Contextual: editada conjuntamente com a norma penal que conceitua. Ex: lei das organizações criminosas.
ii) Posterior: lei distinta e posterior conceitua o objeto de interpretação. Muito comum em norma penal em branco.

b) Interpretação DOUTRINÁRIA/CIENTÍFICA
c) Interpretação JURISPRUDENCIAL

CUIDADO! Exposição de motivos do CP à interpretação doutrinária


Exposição de motivos do CPP à interpretação autêntica

2 – Interpretação quanto ao MODO


a) GRAMATICAL/FILOLÓGICA/LITERAL
b) TELEOLÓGICA: intenção objetivada na lei
c) HISTÓRICA: indaga a origem da lei
d) SISTÊMICA: feita em conjunto com a legislação em vigor e com os princípios gerais do Direito
e) PROGRESSIVA/EVOLUTIVA: busca o significado legal de acordo com o progresso da ciência

3 – Interpretação quanto ao RESULTADO


a) DECLARATIVA/DECLARATÓRIA: a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador quis dizer
b) RESTRITIVA: reduz o alcance das palavras
c) EXTENSIVA (+ cai em concurso!): amplia-se o alcance das palavras

Interpretação quanto ao SUJEITO Interpretação quanto ao MODO Interpretação quanto ao RESULTADO


1 – Autêntica/Legislativa 1 – Literal 1 – Declarativa
2 – Doutrinária 2 – Teleológica 2 – Restritiva
3 – Jurisprudencial 3 – Histórica 3 - Extensiva
4 – Sistemática
5 – Progressiva/Evolutiva

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ATENÇÃO! A doutrina ainda cita 2 espécies de interpretação:

1 – Interpretação “SUI GENERIS”


Subdivide-se em:
a) Exofórica
b) Endofórica

a) EXOFÓRICA: o significado da norma interpretada não está no ordenamento normativo. Ex: art.20, CP (“tipo”). Quem define o
que é “tipo legal” é a doutrina, e não a lei.

b) ENDOFÓRICA: o texto normativo interpretado empresta o sentido de outros textos do próprio ordenamento normativo
(interpretação mais utilizada nas normas penais em branco). Ex: art.237, CP – a expressão “impedimento para casamento” é
interpretada de acordo com o Código Civil.

CP, Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

2 – INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO


- A CF informa e conforma as normas hierarquicamente inferiores.
- Assume nítido relevo dentro da perspectiva do Estado Democrático de Direito.

INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA (aprofundado)

Admite-se intepretação extensiva contra o réu?

1ª Corrente (Nucci e Luiz Regis Prado): é indiferente se a interpretação extensiva beneficia ou prejudica o réu (a tarefa do
intérprete é evitar injustiças).
OBS: a CF não proíbe interpretação extensiva contra o réu.

2ª Corrente (LFG/Defensoria Pública): socorrendo-se do princípio do in dubio pro reo, não se admite interpretação extensiva
contra o réu (na dúvida, o juiz deve interpretar em seu benefício). Art.22, §2º, Estatuto de Roma: em caso de ambiguidade, a lei
será interpretada a favor do acusado/condenado.

3ª Corrente (Zaffaroni): em regra, não cabe interpretação extensiva contra o réu, salvo quando interpretação diversa resultar
num escândalo por sua notória irracionalidade.
OBS: presente nos julgados dos tribunais superiores. Ex: art.157, §2º, I à emprego de “arma”.

CUIDADO! Não podemos confundir INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA com INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA

INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA (INTRALEGEM)

O Código, atento ao princípio da legalidade, detalha todas as situações que quer regular e, posteriormente, permite
que aquilo que a elas seja semelhante, passe também a ser abrangido no dispositivo. São exemplos seguidos de fórmula
genérica de encerramento.
Ex 1: art.121, §2º, I, II e V, CP:

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo
comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;

Ex 2: art.306, CTB:
Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra
substância psicoativa que determine dependência:

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ATENÇÃO! A INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA não se confunde com ANALOGIA
ANALOGIA à lacuna + integração. Analogia não é forma de interpretação, mas sim de integração.
Na analogia, parte-se do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto, motivo pelo qual é
preciso socorrer-se de previsão legal empregada à outra situação similar.

Pressupostos da analogia no direito penal:


a) Certeza de que sua aplicação será favorável ao réu;
b) Existência de uma efetiva lacuna a ser preenchida (omissão involuntária do legislador). OBS: a omissão voluntária
não admite a analogia à é o que o STF chama de “silêncio eloquente”.
Ex 1: art.181, I, CP à o legislador não lembrou da união estável à possível analogia in bonam partem.

CP, Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; à possível abranger a união estável.

Ex 2: art.155, §2º, CP – Furto privilegiado não é aplicável ao roubo, uma vez que a intenção voluntária do legislador é
não privilegiar este tipo de crime.

INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA


Forma de interpretação Forma de interpretação Forma de integração
Existe norma para o caso concreto Existe norma para o caso concreto Não existe norma para o caso
concreto
Amplia-se o alcance da palavra Exemplos seguidos de encerramento Cria-se nova norma a partir de outra
genérico (só quando favorável ao réu)

Aula 02

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL

Princípios relacionados com Princípios relacionado com o Princípios relacionados com Princípios relacionados com
a MISSÃO FUNDAMENTAL FATO DO AGENTE o AGENTE DO FATO a PENA
do direito penal
1.1. Princípio da exclusiva 2.1. Princípio da 3.1. Princípio da 4.1. Princípio da dignidade
proteção de bens jurídicos exteriorização ou responsabilidade pessoal da pessoa humana
materialização do fato
1.2. Princípio da Intervenção 2.2. Princípio da legalidade 3.2. Princípio da 4.2. Princípio da
Mínima responsabilidade subjetiva individualização da pena
2.3. Princípio da ofensividade 3.3. Princípio da 4.3. Princípio da
ou lesividade culpabilidade proporcionalidade
3.4. Princípio da isonomia 4.4. Princípio da
pessoalidade
3.5. Princípio da presunção 4.5. Princípio da vedação ao
de inocência bis in idem

1º - Princípios relacionados com a MISSÃO FUNDAMENTAL do Direito Penal

1.1. Princípio da EXCLUSIVA PROTEÇÃO DOS BENS JURÍDICOS

Conceito de bem jurídico: é um ente material (patrimônio) ou imaterial (honra), haurido do contexto social, de
titularidade individual ou metaindividual, reputado como essencial para a coexistência e o desenvolvimento do homem em
sociedade.
O direito penal deve servir apenas para proteger bens jurídicos relevantes, indisponíveis ao convívio em sociedade.
O que é a espiritualização/desmaterialização/dinamização/liquefação do direito penal? É a tendência do direito penal
de proteger bens metaindividuais, direitos difusos e coletivos, como o meio ambiente.

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1.2. Princípio da INTERVENÇÃO MÍNIMA à SUBSIDIARIEDADE + FRAGMENTARIEDADE

O Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente necessário, de modo que sua intervenção fica condicionada
ao fracasso das demais esferas de controle (caráter SUBSIDIÁRIO), observando somente os casos de relevante lesão ou perigo
de lesão ao bem jurídico tutelado (caráter FRAGMENTÁRIO).

IMPORTANTE! O princípio da insignificância é desdobramento lógico de qual característica da intervenção mínima? Da


fragmentariedade!
O princípio da insignificância/bagatela é um princípio limitador do direito penal e possui natureza jurídica de causa de
atipicidade material da conduta.

De acordo com os tribunais superiores, são os requisitos do princípio da insignificância: BIZU-MARI


i) Mínima ofensividade da conduta do agente
ii) Ausência de periculosidade social da ação
iii) Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
iv) Inexpressividade da lesão jurídica causada

Observações sobre o princípio da insignificância:


à STF + STJ: para aplicação deste princípio, consideram a capacidade econômica da vítima.
à STF + STJ: prevalece ser incabível a aplicação deste princípio ao reincidente, portador de maus antecedentes ou criminoso
habitual.
à STF + STJ: prevalece não ser possível a aplicação deste princípio no furto qualificado.
à STF + STJ: não admitem o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública, mais precisamente no crime de moeda
falsa.
à STF admite o princípio da insignificância nos crimes contra a Administração Pública praticados por funcionário público.
STJ não admite.

No entanto, STF + STJ admitem o princípio da insignificância nos crimes contra a Administração Pública praticados por
particulares.
à STF + STJ: prevalece não ser possível o princípio da insignificância no porte de drogas para uso pessoal.
à STF + STJ: não admitem o princípio da insignificância em nenhuma forma de tráfico.
à STF + STJ: possuem decisões admitindo o princípio da insignificância em crimes ambientais (mas há divergência sobre o
assunto).

IMPORTANTE DIFERENCIAR!

Princípio da bagatela PRÓPRIA Princípio da bagatela IMPRÓPRIA


Os fatos já nascem irrelevantes para o direito penal Embora relevante a infração penal praticada, a pena, diante
do caso concreto, é desnecessária
Causa de atipicidade material Hipótese de falta de interesse de punir. O fato é típico, ilícito,
culpável, mas não punível.
Ex: subtração de caneta bic. Ex: perdão judicial no homicídio culposo.

CUIDADO! Não podemos confundir o princípio da insignificância com o princípio da adequação social. Ambos objetivam limitar o
direito penal, mas...

Princípio da insignificância Princípio da adequação social


Irrelevância da lesão ao bem jurídico tutelado Aceitação da conduta pela sociedade. Ex: jogo do bicho.
Apesar de uma conduta se ajustar a um tipo penal, não será
considerada típica se for socialmente adequada ou
reconhecida.

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JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA! à Especialmente relevante para provas de Defensoria Pública!

Possibilidade de aplicar o regime inicial aberto ao condenado por furto, mesmo ele sendo reincidente, desde que seja
insignificante o bem subtraído
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do
caso concreto. No entanto, com base no caso concreto, o juiz pode entender que a absolvição com base nesse princípio é penal
ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas utiliza a circunstância de o bem furtado ser
insignificante para fins de fixar o regime inicial aberto. Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância para
criar uma exceção jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base no princípio da proporcionalidade STF. 1ª Turma.
HC 135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 23/4/2019 (Info 938).

STF reconheceu que o valor econômico do bem furtado era muito pequeno, mas, como o réu era reincidente, em vez de absolvê-
lo aplicando o princípio da insignificância, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de direitos
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade material. Em outras
palavras, o agente não responde por nada. Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu a insignificância do bem subtraído,
mas, como o réu era reincidente em crime patrimonial, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para
conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Em razão da reincidência, o STF entendeu que
não era o caso de absolver o condenado, mas, em compensação, determinou que a pena privativa de liberdade fosse substituída
por restritiva de direitos. STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 28/8/2018 (Info 913).

É possível a aplicação do princípio da insignificância para o furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma galinha garnizé e
três quilos de feijão
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal pelo mesmo delito) é um
parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando de bem de reduzido valor.
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o afastamento dessa regra e a aplicação do
princípio, com base na ideia da proporcionalidade. É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma
galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens é inexpressivo e não houve
emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido grau de
reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo que conste em desfavor do réu outra ação penal instaurada por
igual conduta, ainda em trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A excepcionalidade também se justifica por se tratar de
hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no
sentido de atribuir relevância a estas situações. STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018
(Info 911).

Furto simples
Se o valor do bem é acima de 10% do salário mínimo vigente na época, o STJ tem negado a aplicação do princípio da insignificância.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558547/MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/11/2015.

Furto qualificado
Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de furto qualificado, tendo em vista
que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e reprovabilidade da conduta. Deve-se, todavia, considerar as
circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira a verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do
agente representa maior reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
785755/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 746011/MT, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/11/2015.

Se o juiz negou o princípio da insignificância ao furto, mas cogitou conceder o benefício, neste caso, deverá aplicar o regime
inicial aberto
Na hipótese de o juiz da causa considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto,
em situações em que tal enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra
geral, em regime inicial aberto, paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP no caso concreto, com base no princípio da
proporcionalidade. STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP e HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em
3/8/2015 (Info 793).

Roubo
Não se aplica ao crime de roubo porque se trata de delito complexo que envolve patrimônio, grave ameaça e a integridade física
e psicológica da vítima, havendo, portanto, interesse estatal na sua repressão. Assim, tal conduta não pode ser considerada
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como de mínima ofensividade, desprovido de periculosidade social, de reduzido grau de reprovabilidade e de inexpressividade.
STJ. 6ª Turma. RHC 56431/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 18/06/2015.

(In) aplicabilidade do princípio da bagatela no caso do crime previsto no art. 34 da Lei 9.605/98
O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98: Art. 34. Pescar
em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente: Pena - detenção de um ano a três
anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca quantidades
superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª
Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
Obs: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da bagatela não se aplica ao crime
previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto do STF como do STJ aplicando,
excepcionalmente, o princípio da insignificância para o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar atenta(o) para como isso será
cobrado no enunciado da prova.

Crimes ambientais
É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais, devendo ser analisadas as circunstâncias específicas
do caso concreto para se verificar a atipicidade da conduta em exame. STJ. 5° Turma. AgRg no AREsp 654.321/SC, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/06/2015. É possível aplicar o princípio da insignificância para crimes ambientais.
STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 (Info 816).

Crimes tributários e o limite de 20 mil reais


Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto para o STF
como para o STJ) Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário
verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1688878-SP, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898).

Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho?


Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não
ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações
efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1688878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 622). STF. 2ª Turma. HC 155347, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
17/04/2018.

Princípio da insignificância, crimes contra a ordem tributária e descaminho


Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não
ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações
efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião
Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo).

Reiteração criminosa no crime de descaminho e princípio da insignificância


A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade
de, no caso concreto, as instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável. Assim, pode-se afirmar
que:
• Em regra, não se aplica o princípio da insignificância para o agente que praticou descaminho se ficar demonstrada a sua
reiteração criminosa (criminoso habitual).
• Exceção: o julgador poderá aplicar o referido princípio se, analisando as peculiaridades do caso concreto, entender que a
medida é socialmente recomendável. STJ. 3ª Seção. EREsp 1217514-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
9/12/2015 (Info 575).

Súmula 606-STJ
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de internet via
radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018,
DJe 17/04/2018.

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In(aplicabilidade) do princípio da insignificância aos crimes contra a Administração Pública
Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. STJ. Corte Especial.
Aprovada em 20/11/2017, DJe 27/11/2017.

Apropriação indébita previdenciária (não se aplica o princípio da insignificância. Posição do STF)


O bem jurídico tutelado pelo delito de apropriação indébita previdenciária é a subsistência financeira da Previdência Social.
Logo, não há como afirmar-se que a reprovabilidade da conduta atribuída ao paciente é de grau reduzido, considerando que
esta conduta causa prejuízo à arrecadação já deficitária da Previdência Social, configurando nítida lesão a bem jurídico
supraindividual. O reconhecimento da atipicidade material nesses casos implicaria ignorar esse preocupante quadro. STF. 1ª
Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC 132706 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/06/2016.

Apropriação indébita previdenciária (pode ser aplicado o princípio da insignificância. Posição do STJ)
O STJ já firmou o entendimento de que é possível a aplicação do princípio da insignificância ao delito de apropriação indébita
previdenciária, desde que o total dos valores retidos não ultrapasse o valor utilizado pela Fazenda Público como limite mínimo
para que sejam ajuizadas as execuções fiscais (20 mil reais). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1241697/PR, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 06/08/2013. STJ. 6ª Turma. RHC 59839/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2016.

Estelionato contra o INSS (estelionato previdenciário): não se aplica o princípio da insignificância


A jurisprudência NÃO aplica o princípio sob o argumento de que esse tipo de conduta contribui negativamente com o déficit da
Previdência. Defende-se que, não obstante ser ínfimo o valor obtido com o estelionato praticado, se a prática de tal crime se
tornar comum, sem qualquer repressão penal da conduta, certamente se agravará a situação da Previdência, responsável pelos
pagamentos das aposentadorias e dos demais benefícios dos trabalhadores brasileiros. Daí porque se conclui que é elevado o
grau de reprovabilidade da conduta praticada. Desse modo, o princípio da insignificância não pode ser aplicado para abrigar
conduta cuja lesividade transcende o âmbito individual e abala a esfera coletiva. STF. 1ª Turma. HC 111918, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 29/05/2012. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 627891/RN, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015.

Delitos praticados em violência doméstica: não se aplica o princípio da insignificância


Não se aplica o princípio da insignificância aos delitos praticados em situação de violência doméstica. Os delitos praticados com
violência contra a mulher, devido à expressiva ofensividade, periculosidade social, reprovabilidade do comportamento e lesão
jurídica causada, perdem a característica da bagatela e devem submeter-se ao direito penal. O STJ e o STF não admitem a
aplicação dos princípios da insignificância e da bagatela imprópria aos crimes e contravenções praticados com violência ou grave
ameaça contra a mulher, no âmbito das relações domésticas, dada a relevância penal da conduta. Vale ressaltar que o fato de o
casal ter se reconciliado não significa atipicidade material da conduta ou desnecessidade de pena. STJ. 5ª Turma. HC
333.195/MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 12/04/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 318849/MS, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 27/10/2015. STF. 2ª Turma. RHC 133043/MT, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/5/2016 (Info 825).

Posse ou porte de arma ou munição: não se aplica o princípio da insignificância


O STJ possui posição consolidada no sentido de que o princípio da insignificância não é aplicável aos crimes de posse e de porte
de arma de fogo, por se tratarem de crimes de perigo abstrato, sendo irrelevante inquirir a quantidade de munição apreendida.
STJ. 5ª Turma. HC 338153/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 03/05/2016.

Tráfico internacional de arma de fogo ou munição: não se aplica o princípio da insignificância


O tráfico internacional de armas e munições tem como maior clientela o crime organizado transnacional, que, via de regra,
abastece o seu arsenal por meio do mercado ilegal, nacional ou internacional, de armas. Mostra-se irrelevante, no caso, cogitar-
se da mínima ofensividade da conduta (em face da quantidade apreendida), ou, também, da ausência de periculosidade da
ação, porque a hipótese é de crime de perigo abstrato, para o qual não importa o resultado concreto da ação, o que também
afasta a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância. STF. 1ª Turma. HC 97777, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 26/10/2010.

Tráfico de drogas: não se aplica o princípio da insignificância


Não se aplica ao tráfico de drogas, visto se tratar de crime de perigo abstrato ou presumido, sendo, portanto, irrelevante a
quantidade de droga apreendida. STJ. 5ª Turma. HC 318936/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/10/2015. STJ. 6ª Turma.
EDcl-HC 463.656/SP , Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/10/2018.

Porte de droga para consumo pessoal


Se a pessoa for encontrada com alguns poucos gramas de droga para consumo próprio, é possível aplicar o princípio da
insignificância? STJ: não é possível aplicar o princípio da insignificância A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou

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entendimento de que o crime de posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/06) é de perigo presumido ou
abstrato e a pequena quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em questão, não lhe sendo aplicável o
princípio da insignificância (STJ. 6ª Turma. RHC 35920 -DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014. Info 541). STF:
possui um precedente isolado, da 1ª Turma, aplicando o princípio: HC 110475 , Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012.

Moeda falsa: não se aplica o princípio da insignificância


Ainda que seja apenas uma nota e de pequeno valor, não se aplica o princípio por tratar-se de delito contra a fé pública,
havendo interesse estatal na sua repressão. O bem violado é a fé pública, a qual é um bem intangível e que corresponde à
confiança que a população deposita em sua moeda, não se tratando, assim, da simples análise do valor material por ela
representado. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 558790/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/10/2015.

Contrabando: não se aplica o princípio da insignificância


Em regra, é inaplicável o princípio da insignificância ao crime de contrabando, uma vez que o bem juridicamente tutelado vai
além do mero valor pecuniário do imposto elidido, alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a
comercialização de produtos proibidos em território nacional. Trata-se, assim, de um delito pluriofensivo. STJ. 5ª Turma. AgRg
no REsp 1744739/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1717048/RS, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 11/09/2018. STF. 1ª Turma. HC 133958 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 06/09/2016. Vale ressaltar,
no entanto, que o STJ possui alguns precedentes admitindo, de forma excepcional, a aplicação deste princípio para o caso de
contrabando de pequena quantidade de medicamento para uso próprio: A importação de pequena quantidade de medicamento
destinada a uso próprio denota a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada, tudo a autorizar a
excepcional aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. EDcl no AgRg no REsp 1708371/PR, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 24/04/2018.

Crimes militares. Aplica-se o princípio da insignificância?


Trata-se de tema extremamente polêmico, mas a posição majoritária é no sentido de que não se aplica o princípio da
insignificância aos crimes militares, sob pena de afronta à autoridade, hierarquia e disciplina, bens jurídicos cuja preservação é
importante para o regular funcionamento das instituições militares. O caso mais comum e que é provável que seja cobrado em
sua prova é o crime de posse de substância entorpecente em lugar sujeito à administração militar (art. 290 do CPM). O Plenário
do STF já assentou a inaplicabilidade do princípio da insignificância à posse de quantidade reduzida de substância entorpecente
em lugar sujeito à administração militar (art. 290 do CPM). STF. 2ª Turma. HC 118255, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 19/11/2013. STF. 2ª Turma. ARE 856183 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/06/2015.

Falsificação de documento público: não se aplica o princípio da insignificância


Não se aplica o princípio da insignificância para crimes contra a fé pública, como é o caso do delito de falsificação de documento
público. STF. 2ª Turma. HC 117638, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/03/2014.

Violação de direito autoral: não se aplica o princípio da insignificância


Segundo o STJ, não se aplica o princípio da insignificância ao crime de violação de direito autoral (§ 2º do art. 184 do CP). Em
que pese a aceitação popular à pirataria de CDs e DVDs, com certa tolerância das autoridades públicas em relação a tal prática, a
conduta, que causa sérios prejuízos à indústria fonográfica brasileira, aos comerciantes legalmente instituídos e ao Fisco, não
escapa à sanção penal, mostrando-se formal e materialmente típica. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1380149/RS, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 27/08/2013.

Estelionato envolvendo o seguro-desemprego: não se aplica o princípio da insignificância


Não se aplica o princípio da insignificância para estelionato envolvendo o seguro-desemprego considerando que se trata de bem
protegido a partir do interesse público. STF. 1ª Turma. HC 108674, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/08/2012.

Estelionato envolvendo FGTS: não se aplica o princípio da insignificância


O STF já decidiu que não deve ser aplicado o princípio da insignificância em caso de estelionato envolvendo o FGTS porque a
conduta do agente é dotada de acentuado grau de reprovabilidade, “na medida em que a fraude foi perpetrada contra
programa social do governo que beneficia inúmeros trabalhadores”. Essa circunstância, aliada à expressividade financeira do
valor auferido pela paciente à época dos fatos, inibe a aplicabilidade do postulado da insignificância ao caso concreto. STF. 1ª
Turma. HC 110845, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/04/2012.

Princípio da insignificância e trânsito em julgado


O princípio da insignificância pode ser reconhecido mesmo após o trânsito em julgado da sentença condenatória. HC 95570,
Relator Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, julgado em 01/06/2010.

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2º - Princípios relacionados com o FATO DO AGENTE

2.1. Princípio da EXTERIORIZAÇÃO ou MATERIALIZAÇÃO do fato

O Estado só pode punir condutas humanas voluntárias, isto é, fatos.


ATENÇÃO! Veda-se o Direito Penal do Autor, consistente na punição do indivíduo baseada em seus pensamentos,
desejos e estilo de vida.
CONCLUSÃO: o direito penal brasileiro segue o direito penal do fato.

CP, Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução
e os efeitos penais da sentença condenatória.

O nosso ordenamento penal, de forma legítima, adotou o Direito Penal do fato, mas considera circunstâncias
relacionadas ao autor, especificamente quando da análise da pena (para garantir a individualização da pena).
OBS: vadiagem é contravenção penal. Agora, só a vadiagem do pobre (kkkkk).

2.2. Princípio da OFENSIVIDADE/LESIVIDADE

Exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.

CRIME DE DANO CRIME DE PERIGO


Ocorre efetiva lesão ao bem jurídico. Basta risco de lesão ao bem jurídico.
Ex: homicídio. Ex: embriaguez ao volante.

CRIME DE PERIGO ABSTRATO CRIME DE PERIGO CONCRETO


O risco de lesão é absolutamente presumido por lei a) De vítima determinada: o risco deve ser demonstrado,
indicando pessoa certa em perigo;
b) De vítima difusa: o risco deve ser demonstrado,
dispensando vítima determinada.

Temos doutrina entendendo que o crime de perigo abstrato é inconstitucional. Presumir prévia e abstratamente o
perigo significa, em última análise, que o perigo não existe.
Essa tese, no entanto, hoje não prevalece no STF. No HC 104.410, o Supremo decidiu que a criação de crimes de perigo
abstrato não representa, por si só, comportamento inconstitucional, mas proteção eficiente do Estado.
Ex: embriaguez ao voltante à STF decidiu que o ébrio não precisa dirigir de forma anormal para configurar o crime,
bastando estar embriagado (crime de perigo abstrato).
Ex: arma desmuniciada à para o STF, é crime de perigo abstrato. Visa proteger a segurança e a paz pública.

2.3. Princípio da LEGALIDADE


Será visto na próxima aula.

3º - Princípios relacionados com o AGENTE DO FATO

3.1. Princípio da PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

Convenção Americana de Direitos Humanos/Pacto São José da Costa Rica, art.8º, 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a
que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:

CF, art.5º, LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

A CF adota o princípio da presunção de inocência ou de não culpa?


Concurso da Defensoria Pública: trabalha com o princípio da presunção de inocência.
Demais concursos: trabalham com os princípios como sinônimos.

Desdobramentos do princípio da presunção de inocência:


a) Qualquer restrição à liberdade do investigado/acusado somente é possível após a condenação definitiva, salvo a
hipótese de prisão preventiva, quando imprescindível.
@dicasexconcurseira 15
b) Cumpre à acusação o dever de demonstrar a responsabilidade do réu.
c) A condenação deve resultar da certeza do julgador, isto é, consagra-se o in dubio pro reo.

Aula 03

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

CF, art.5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

CF, art.5º, XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

CP, Art. 1º - Não há crime (+ contravenção) sem lei anterior que o defina. Não há pena (+ medida de segurança) sem prévia
cominação legal.

Quais documentos internacionais tratam do princípio da legalidade?

a) Convênio para a proteção dos direitos humanos e liberdade fundamentais (Roma, 1950)
b) Convenção Americana de Direitos Humanos (1969)
c) Estatuto de Roma (1982)

1. Conceito: real limitação ao poder estatal de interferir na esfera das liberdades individuais.
OBS: daí a sua inclusão na CF (art.5º) e nos tratados internacionais de direitos humanos.

LEGALIDADE = RESERVA LEGAL (“não há crime sem lei”) + ANTERIORIDADE (“lei anterior”)

2. Fundamentos do Principio da Legalidade


2.1. Fundamento Político: vincula o Poder Executivo e o Judiciário a leis formuladas de forma abstrata. Impede o poder punitivo
arbitrário.
2.2. Fundamento Democrático: representa o respeito ao princípio da separação dos poderes (cumpre ao parlamento a missão
de elaborar as leis).

2.3. Fundamento Jurídico: lei prévia e clara produz importante efeito intimidador.

3. Desdobramentos do Principio da Legalidade

a) Não há crime ou pena sem LEI à L.O. ou L.C.


Principio da reserva legal:
- lei ordinária (regra)
- lei complementar

Medida provisória pode criar crime? Claro que não! Não sendo lei, mas ato executivo com força normativa, a MP não
cria crime, nem comina penal.
É possível MP versando sobre direito penal não incriminador? Medida provisória pode extinguir a punibilidade?
Lembrando: o art.62, §1º, I, “b”, CF proíbe MP versando sobre direito penal.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo
submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
b) direito penal, processual penal e processual civil;

A doutrina diverge:
1ª Corrente (prevalece entre os constitucionalistas): com o advento da EC 32/01, ficou claro que MP não pode versar
sobre direito penal (incriminador ou não incriminador).
2ª Corrente (STF): a EC 32/02 reforça a proibição de MP sobre direito penal incriminador, permitindo matéria de Direito
Penal não incriminador. Ex: o STF admitiu a MP não-incriminadora nº 417/2008, que impedia a tipificação de determinados
comportamentos relacionados com a posse de arma de fogo.

@dicasexconcurseira 16
Resoluções de quaisquer espécies podem criar infrações penais e cominar penas? Ex: Resoluções do TSE, CNJ, CNMP,
etc. Não sendo leis em sentido estrito, não podem criar crimes nem cominar penas.
CUIDADO! As menções a condutas criminosas indicadas nas Resoluções do TSE são meras consolidações de tipos penais
previamente tipificados em lei.

b) Não há crime ou pena sem lei ANTERIOR


- Princípio da anterioridade
- Proibição da retroatividade maléfica da lei penal (a retroatividade benéfica é garantia constitucional do cidadão)

c) Não há crime ou pena sem lei ESCRITA


- Proibe-se o costume incriminador
Para que serve o costume no Direito Penal? Para a interpretação, aclarar texto/palavra/expressão (ex: no crime de
furto, a expressão “repouso noturno”). É o costume interpretativo, secundum legem.
Costume pode revogar infração penal? OBS: no adultério foi revogado pelo princípio da intervenção mínima, e não pelo
costume, afinal o adultério ainda é recriminado pela sociedade. Discute-se na contravenção do jogo do bicho.

1ª Corrente (Defensoria Pública): admite-se o costume abolicionista ou revogador da lei nos casos em que a infração penal não
mais contraria o interesse social, deixando de repercutir negativamente na sociedade.
CONCLUSÃO: jogo do bicho não deve mais ser punido, pois a contravenção foi formal e materialmente revogada pelo costume.

2ª Corrente: não é possível o costume abolicionista. Entretanto, quando o fato já não é mais indesejado pelo meio social, a lei
não deve ser aplicada pelo magistrado.
CONCLUSÃO: jogo do bicho, apesar de formalmente ser uma contravenção, não serve para punir o autor da conduta, pois
materialmente revogada.

3ª Corrente (prevalece): somente a lei pode revogar outra lei. Não existe costume abolicionista.
CONCLUSÃO: jogo do bicho permanece infração penal, servindo a lei para punir o contraventor enquanto não revogada por
outra lei.

ATENÇÃO! O STF indeferiu HC em que a Defensoria Pública requeria, com base no princípio da adequação social, a declaração da
atipicidade da conduta imputada a condenado como incurso nas penas do art.184, §2º, CP. Sustentava-se que a referida
conduta seria socialmente adequada, haja vista que a coletividade não recriminaria o vendedor de CDs e DVDs reproduzidos
sem autorização do titular do direito autoral, mas, ao contrário, estimularia a sua prática em virtude dos altos preços desses
produtos, insuscetíveis de serem adquiridos por grande parte da população. De acordo com o STF, o fato de a sociedade tolerar
a prática do delito em questão não implicaria dizer que o comportamento do paciente poderia ser considerado lícito. Salientou-
se, ademais, que a violação de direito autoral e a comercialização de produtos “piratas” sempre fora objeto de fiscalização e
repressão.

O STJ afastou essa tese, editando a Súmula 502:


Súmula 502, STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art.184, §2º, CP, a
conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.

d) Não há crime ou pena sem lei ESTRITA

Proíbe-se a utilização da analogia para criar tipo incriminador (a analogia in bonam partem é admitida).
Ex: art.155, §3º, CP abrange sinal de tv à cabo (§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que
tenha valor econômico)?
1ª Corrente (Bittencourt): sinal de TV não é energia, pois não se gasta, não se consome.
2ª Corrente (Nucci): sinal de TV é espécie de energia, caracterizando crime.
3ª Corrente (STF): a 2ª Turma do STF, no julgamento do HC 97.261, declarou a atipicidade da conduta do agente que
subtrai sinal de TV à cabo, asseverando ser impossível analogia incriminadora com o crime de furto de energia elétrica.

e) Não há crime ou pena sem lei CERTA

- Princípio da taxatividade (ou da determinação)


OBS: exige-se clareza dos tipos penais, que devem ser de fácil compreensão.
CP, Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar (?), milícia particular (?), grupo ou
esquadrão (?) com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: à cadê a clareza?

@dicasexconcurseira 17
f) Não há crime ou pena sem lei NECESSÁRIA
Desdobramento lógico do princípio da intervenção mínima.
Orienta onde e como o Estado deve proibir, e onde o Estado deve deixar de proibir.
O princípio da legalidade é o vetor basilar do garantismo.
Garantismo é o mínimo poder punitivo do Estado em face das máximas garantias do cidadão.

Legalidade FORMAL Legalidade MATERIAL


Obediência ao devido processo legislativo Conteúdo do tipo deve respeitar direitos e garantias do
cidadão
Lei vigente Lei válida

Ex: regime integral fechado para crimes hediondos à STF: esta obrigatoriedade viola o princípio da dignidade da pessoa
humana, da individualização da pena, dentre outros. Trata-se, portanto, de lei vigente, mas não válida.

DE OLHO NA JURIS! O regime inicial de pena nos crimes hediondos não precisa ser obrigatoriamente o fechado
A hediondez ou a gravidade abstrata do delito não obriga, por si só, o regime prisional mais gravoso, pois o juízo, em atenção
aos princípios constitucionais da individualização da pena e da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, deve
motivar o regime imposto observando a singularidade do caso concreto. Assim, é inconstitucional a fixação de regime inicial
fechado com base unicamente na hediondez do delito. STF. 1ª Turma. ARE 935967 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
15/03/2016. STF. 2ª Turma. HC 133617, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/05/2016. É inconstitucional a fixação ex lege,
com base no art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990, do regime inicial fechado, devendo o julgador, quando da condenação, ater-se aos
parâmetros previstos no artigo 33 do Código Penal. STF. Plenário. ARE 1052700 RG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
02/11/2017.

Regime inicial de pena no caso do crime de tortura


O Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840/ES, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 2º, da Lei nº
8.072/90, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.464/2007, afastando, dessa forma, a obrigatoriedade do regime inicial
fechado para os condenados por crimes hediondos e equiparados, incluído aqui o crime de tortura. Dessa forma, não é
obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no regime prisional fechado. STJ. 5ª Turma. HC
383090/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 21/03/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 76642/RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 11/10/2016. Obs: existe um julgado da 1ª Turma do STF afirmando que o regime inicial no caso de tortura
deveria ser obrigatoriamente o fechado: HC 123316/SE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/6/2015. Penso que se trata de
uma posição minoritária e isolada do Min. Marco Aurélio. Os demais Ministros acompanharam o Relator mais por uma questão
de praticidade do que de tese jurídica. Isso porque os demais Ministros entendiam que, no caso concreto, nem caberia habeas
corpus, considerando que já havia trânsito em julgado. No entanto, eles não aderiram expressamente à tese do Relator. Não há
fundamento que justifique o § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90 (que obriga o regime inicial fechado para crimes hediondos) ter
sido declarado inconstitucional e o § 7º do art. 1º da Lei nº 9.455/97 (que prevê regra semelhante para um crime equiparado a
hediondo) não o ser. Em provas de concurso, deve-se ter atenção para a redação do enunciado.

Aula 04

LEI PENAL

1. Classificação
a) Lei penal COMPLETA: é aquela que dispensa complemento valorativo (dado pelo juiz) ou normativo (dado por outra norma).
Ex: art.121, CP.

b) Lei penal INCOMPLETA: é a norma que depende de complemento valorativo (tipo aberto) ou complemento normativo
(norma penal em branco).

TIPO ABERTO
Conceito: espécie de lei penal incompleta, que depende de complemento dado pelo juiz, na análise do caso concreto.
Ex: crimes culposos (são descritos em tipos abertos, pois o legislador não enuncia as formas de negligência, ficando a cargo do
juiz na análise do caso cocreto).

ATENÇÃO! Para não ofender o princípio da legalidade, a redação típica deve trazer o mínimo de determinação.

@dicasexconcurseira 18
Excepcionalmente, como na receptação culposa (art.180, §3º, CP), o legislador descreveu a negligência (em sentido
amplo), subtraindo do juiz, de forma legítima, a sua valoração no caso concreto.

NORMA PENAL EM BRANCO

Conceito: é espécie de lei penal incompleta que depende de complemento normativo, isto é, dado por outra norma.

Espécies de norma penal em branco:

a) Norma penal em branco própria/em sentido estrito/heterogênea: o complemento normativo não emana do legislador, mas
sim de outra fonte normativa diversa. Ex: Portaria 344/98 da ANVISA, que define o que é “droga”.

b) Norma penal em branco imprópria/em sentido amplo/homogênea: o complemento normativo emana do próprio legislador.

Norma penal em branco imprópria Norma penal em branco imprópria


HOMOVITELINA/HOMÓLOGA HETEROVITELINA/HETERÓLOGA
Lei penal à Lei penal Lei penal à Lei extrapenal
Ex: peculato (art.312, CP) à a expressão “funcionário Ex: ocultação de impedimento para casamento (art.237, CP)
público” é esclarecida no art.327, CP. à a expressão “impedimento” está no CC/02.

O que é norma penal em branco ao revés? O complemento da norma penal em branco ao revés refere-se à sanção
penal/preceito secundário (e não ao conteúdo proibitivo/preceito primário). Ex: art.1º da lei de genocídio.

A norma penal em branco própria/heterogênea é constitucional?

1ª Corrente: a norma penal em branco heterogênea impossibilita a discussão amadurecida da sociedade a respeito do
complemento no Congresso Nacional, violando o fundamento democrático do princípio da legalidade e da separação das
funções.
2ª Corrente (STF): a norma penal em branco heterogênea é constitucional. O legislador cria o tipo penal com todos os
requisitos básicos. A remissão ao Executivo é absolutamente excepcional e necessária por razões de técnica legislativa. O
Executivo só esclarece um requisito do tipo.

EFICÁCIA DA LEI PENAL NO TEMPO

INTRODUÇÃO

Como decorrência do princípio da legalidade – que tem como um dos desdobramentos a anterioridade -, aplica-se, em
regra, a lei penal vigente ao tempo da realização do fato criminoso (tempus regit actum). Excepcionalmente, no entanto, será
permitida a retroatividade da lei penal para alcançar os fatos passados, desde que benéfica ao réu. É possível, pois, que a lei
penal se movimente no tempo; fenômeno ao qual se dá o nome de extra-atividade da lei penal.

Extra-atividade da lei penal é gênero que possui duas espécies:


a) ultra-atividade: a lei revogada continua sendo aplicada para os fatos praticados durante a sua vigência, pois a lei
posterior revogadora é mais gravosa.
b) retroatividade: a lei posterior revogadora alcança os fatos passados, pois mais benéfica do que a lei revogada.

TEMPO DO CRIME

Quando, no tempo, um crime se considera praticado?


1 – Teoria da ATIVIDADE: considera-se praticado o crime no momento da conduta. à Código Penal brasileiro!

2 – Teoria do RESULTADO: considera-se praticado o crime no momento do resultado.

3 – Teoria MISTA/UBIQUIDADE: considera-se praticado o crime no momento da conduta ou do resultado.

CP, art.4º. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

@dicasexconcurseira 19
ATENÇÃO! Teorias aplicadas ao LUGAR DO CRIME e ao TEMPO DO CRIME à BIZU: LUTA
• Lugar do Crime à Teoria da Ubiquidade
• Tempo do Crime à Teoria da Atividade

Observações:
OBS1: Princípio da coincidência/congruência/simultaneidade: todos os elementos do crime (fato típico + ilicitude +
culpabilidade) devem estar presentes no momento da conduta.

OBS2: O tempo do crime, em regra, marca a lei que vai reger o caso concreto.

SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO

A regra é a irretroatividade da lei penal, excetuada somente quando lei posterior for mais benéfica (retroatividade).

Tempo da Conduta Lei Posterior (IR)RETROATIVIDADE


Fato ATÍPICO Fato TÍPICO IRRETROATIVIDADE
Fato TÍPICO Aumento de pena, por ex. IRRETROATIVIDADE
Fato TÍPICO Supressão da figura criminosa RETROATIVIDADE
Fato TÍPICO Diminuição de pena, por ex. RETROATIVIDADE
Fato TÍPICO Migra o conteúdo criminoso para outro tipo penal Princípio da continuidade
normativo-tipica

DE OLHO NA JURIS! (Ir)retroatividade da norma que altera a natureza de ação penal


A norma que altera a natureza da ação penal não retroage, salvo para beneficiar o réu. STJ. 6ª Turma. HC 182714-RJ, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/11/2012.

1 – SUCESSÃO DA LEI INCRIMINADORA (NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA)

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR)RETROATIVIDADE


Fato ATÍPICO Fato TÍPICO IRRETROATIVIDADE

CP, ART.1º. Não há crime (INFRAÇÃO PENAL) sem lei anterior que o defina. Não há pena (SANÇÃO PENAL) sem prévia cominação
legal.

Ex: Lei 12.550/2011 (cola eletrônica). Antes, segundo STF e STJ, a cola eletrônica era fato atípico. Depois, passou a estar prevista
no art.311-A, CP à neocriminalização (a lei é irretroativa).

2 – NOVATIO LEGIS IN PEJUS/ LEX GRAVIOR

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR)RETROATIVIDADE


Fato TÍPICO (ultra-ativa) Aumento de pena IRRETROATIVIDADE

Ex: Lei 12.234/10. Antes, o prazo prescricional para crimes com pena inferior a 1 ano era de 2 anos. Depois, o prazo prescricional
passou a ser de 3 anos. Desta forma, a lei anterior é ultra-ativa para os crimes praticados sob a sua vigência.

OBS: Sucessão de lei mais grave no crime continuado e no crime permanente.


Súmula 711, STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade ou da permanência.

CONCLUSÃO: Aplica-se a lei vigente no momento em que cessar a continuidade ou a permanência, ainda que mais gravosa.
CUIDADO! Na prova para DP, pode-se sustentar que esta súmula só se aplica ao crime permanente, mas não ao continuado.

3 – ABOLITIO CRIMINIS

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR)RETROATIVIDADE


Fato TÍPICO Supressão da figura criminosa RETROATIVIDADE

@dicasexconcurseira 20
É a revogação de um tipo penal pela superveniência de lei descriminalizadora.
Trata-se de desdobramento lógico do princípio da intervenção mínima.
Ex: adultério deixou de ser crime.
Natureza jurídica: 1ª Corrente: é causa extintiva da tipicidade (Flávio Monteiro de Barros)
2ª Corrente (CP): é causa extintiva da punibilidade (art.107, III, CP)

CP, art.2º. Ninguém pode ser punido por fato* que a lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a
execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

* princípio da exteriorização do fato.

Consequências da abolitio criminis:


a) Faz cessar a execução penal à lei abolicionista não respeita coisa julgada. Mas e o art.5º, XXXVI, CF/88 que diz que a lei não
prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada? O art.5º é uma garantia do cidadão contra o Estado, e
não do Estado contra o indivíduo.

b) Faz cessar os efeitos PENAIS da condenação à os efeitos extrapenais são mantidos.


* REINCIDÊNCIA é efeito PENAL SECUNDÁRIO da condenação, que DESAPARECE com a abolitio criminis.
* REPARAÇÃO DO DANO é efeito EXTRAPENAL genérico, preservado mesmo com a abolitio criminis.

4 – NOVATIO LEGIS IN MELLIUS/LEX MITIOR

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR)RETROATIVIDADE


Fato TÍPICO Diminuição de pena RETROATIVIDADE

Ex: Antes, a posse de droga para consumo pessoal era punida com detenção de 6 meses a 2 anos. Depois, com a Lei 11.343/06,
não é mais punida com pena privativa de liberdade, mas sim restritivas de direitos.

Depois do trânsito em julgado, qual o juiz competente para aplicar a lei mais benéfica?

Prova objetiva à Súmula 611, STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação
da lei mais benigna.

Prova escrita à 1ª Corrente: juiz da execução (Súmula 611, STF)


2ª Corrente (LFG): depende do caso concreto.
Se a lei nova for de aplicação meramente matemática, será o juiz da execução (ex: cria causa de diminuição no caso de
o bem roubado ter valor inferior a 1 salário mínimo).
Se a nova lei implicar em juízo de valor, deve ser ajuizada revisão criminal (ex: cria causa de diminuição no caso de
haver pequeno prejuízo à vítima).

É possível aplicação da lei mais benéfica durante o seu período de vacati legis?
1ª Corrente (Alberto Silva Franco, Rogério Greco): Sim. O tempo de vacatio tem como finalidade promover o
conhecimento da ei promulgada. Não faz sentido, portanto, que aqueles que já enteiraram do teor da lei nova fiquem
impedidos de lhe prestar obediência.

2ª Corrente (Damásio, Nucci, Frederico Marques): Não. No período de vacatio legis, a lei penal não possui eficácia
jurídica ou social.

Para beneficiar o réu, admite-se a combinação de lei penais?


1ª Corrente (Hungria): não. O juiz, ao combinar leis, deixa de julgar e passa a legislar.

2ª Corrente (Rogério Greco): sim. Se o juiz pode aplicar o todo de uma lei ou de outra para favorecer o sujeito, pode
escolher parte de uma ou de outra para o mesmo fim.
O STJ sumulou entendimento vedando a combinação de leis!
Súmula 501, STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/06, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na
íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.

@dicasexconcurseira 21
Como proceder em caso de dúvida sobre qual a lei mais benéfica? Nelson Hungria sugere que a defesa seja consultada.
Aliás, o STJ tem precedentes neste sentido.

DE OLHO NA JURIS! Abolitio criminis promovida pela Lei 13.654/2018 no roubo


O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo com a modificação operada pela Lei nº 13.654/2018,
que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante disso, constata-se que houve abolitio criminis, devendo a Lei
nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para excluir a referida causa de aumento da pena imposta aos réus condenados
por roubo majorado pelo emprego de arma branca. Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art. 5º,
XL da Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626). STJ. 6ª
Turma. AgRg no AREsp 1249427/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/06/2018.

5 – PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA

TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR (IR)RETROATIVIDADE


Fato TÍPICO Migra o conteúdo criminoso para outro PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
tipo NORMATIVO-TÍPICA

Este princípio também observa a irretroatividade da lei prejudicial e a retroatividade da lei mais benéfica.
Ex: antes da Lei 12.015/09, o estupro era previsto no art.213 e o atentado violento ao pudor era previsto no art.214.
Depois desta lei, o art.214 foi revogado e seu conteúdo migrou para o art.213, CP.

DE OLHO NA JURIS! O crime de estupro é tipo misto alternativo


O estupro (art. 213 do CP), com redação da pela Lei 12.015/2009, é tipo penal misto alternativo. Logo, se o agente, no mesmo
contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. A
Lei 12.015/2009, ao revogar o art. 214 do CP, não promoveu a descriminalização do atentado violento ao pudor (não houve
abolitio criminis). Ocorreu, no caso, a continuidade normativo-típica, considerando que a nova Lei inseriu a mesma conduta no
art. 213. Houve, então, apenas uma mudança no local onde o delito era previsto, mantendo-se, contudo, a previsão de que essa
conduta se trata de crime. É possível aplicar retroativamente a Lei 12.015/2009 para o agente que praticou estupro e atentado
violento ao pudor, no mesmo contexto fático e contra a mesma vítima, e que havia sido condenado pelos dois crimes (arts. 213
e 214) em concurso. Segundo entende o STJ, como a Lei 12.015/2009 unificou os crimes de estupro e atentado violento ao
pudor em um mesmo tipo penal, deve ser reconhecida a existência de crime único na conduta do agente, caso as condutas
tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, devendo-se aplicar essa orientação aos delitos
cometidos antes da vigência da Lei nº 12.015/2009, em face do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. STJ. 5ª
Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 05/08/2014. STJ. 6ª Turma. HC 212305/DF, Rel.
Min. Marilza Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em 24/04/2014 (Info 543).

LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA à são ultra-ativas

CP, Art.3º. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstancias que a
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.

* Lei temporária/lei temporária em sentido estrito: é aquela instituída por um prazo determinado. Tem prefixado no seu texto
o tempo de duração.

* Lei excepcional/lei temporária em sentido amplo: editada em função de algum evento transitório. Perdura enquanto
existir/persistir o estado de emergência que justificou a sua criação.

Características das leis temporária e excepcional

1 – Autorrevogabilidade (lei intermitente): consideram-se revogadas assim que encerrado o prazo pré-fixado (lei temporária)
ou cessada a situação de emergência (lei excepcional).

2 – Ultra-atividade: pois são leis que alcançam os fatos praticados durante a sua vigência, ainda que revogadas. ATENÇÃO!
Trata-se de hipótese excepcional de ultra-atividade maléfica. Ex: Lei da Copa. OBS: a doutrina observa que, por serem de curta
duração, se não tivessem a característica da ultra-atividade, perderiam sua força intimidativa.

@dicasexconcurseira 22
CUIDADO! As leis temporária/excepcional não se sujeitam aos efeitos da abolitio criminis, salvo se houver lei expressa
com esse fim.

RETROATIVIDADE DA LEI PENAL NO CASO DE NORMA PENAL EM BRANCO

1ª Corrente (Paulo José da Costa Jr.): a alteração do complemento da N.P.B deve sempre retroagir, desde que mais
benéfica ao réu.

2ª Corrente (Frederico Marques): a alteração do complemento da N.P.B, mesmo que benéfica, é irretroativa. A norma
principal não é revogada com a simples alteração de complementos.

3ª Corrente (Mirabete): só tem importância a variação do complemento da N.P.B quando esta provoca uma real
modificação da figura abstrata do direito penal, e não quando importe a mera modificação de circunstancia que, na realidade,
deixa subsistente a norma penal.

4ª Corrente (Zafaroni, STF): a alteração do complemento da N.P.B homogênea terá efeitos retroativos, se benéfica.
Agora, quando se tratar de N.P.B heterogênea, a alteração mais benéfica só ocorre quando a legislação complementar não se
reveste de excepcionalidade/situação emergencial (se excepcional, não retroage).

LEI INTERMEDIÁRIA

Lei A à pena: 1 a 4 anos Lei B à pena 6 meses a 2 anos Lei C à pena: 2 a 5 anos

CONCLUSÃO: a “Lei B” tem duplo efeito:


• “Lei B” é retroativa aos fatos praticados durante a “Lei A”.
• “Lei B” é ultra-ativa para impedir os efeitos da “Lei C” durante a vigência da “Lei B”

Há que se falar em retroatividade da jurisprudência?


- A CF se refere somente a retroatividade da lei, se benéfica.
- O CP também só disciplina a retroatividade da lei (e não jurisprudência).
O entendimento que prevalece é o de que a extra-atividade só se refere à lei, não se estendendo à jurisprudência.

ATENÇÃO! Concurso DP: Paulo Queiroz defende que deve ser proibida a retroatividade desfavorável da jurisprudência e
aplicada a retroatividade benéfica, autorizando revisão criminal.

CUIDADO! Não se pode negar a retroatividade da jurisprudência quando dotada de efeitos vinculantes (Súmula
vinculante, ADI, ADC, ADPF).

Aula 05

EFICÁCIA DA LEI PENAL NO ESPAÇO

Sabendo que um fato punível pode, eventualmente, atingir interesses de dois ou mais Estados igualmente soberanos,
gerando, nesses casos, um conflito internacional de jurisdição, o estudo da lei penal no espaço visa apurar as fronteiras de
atuação da lei penal nacional.

PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NA SOLUÇÃO DO APARENTE CONFLITO

1 – Princípio da TERRITORIALIDADE: aplica-se a lei penal do LOCAL do crime.

2 – Princípio da NACIONALIDADE ATIVA: aplica-se a lei penal da NACIONALIDADE DO AGENTE.

3 – Princípio da NACIONALIDADE PASSIVA: aplica-se a lei pena da NACIONALIDADE DA VÍTIMA.

4 – Princípio da DEFESA/REAL: aplica-se a lei penal da NACIONALIDADE DO BEM JURÍDICO LESADO.

@dicasexconcurseira 23
5 - Princípio da JUSTIÇA PENAL UNIVERSAL: o agente fica sujeito a lei penal do PAÍS EM QUE FOR ENCONTRADO. Este princípio
está normalmente presente nos tratados internacionais de cooperação na repressão a determinados delitos de alcance
transnacional.

6 – Princípio da REPRESENTAÇÃO/PAVILHÃO/BANDEIRA/SUBSTITUIÇÃO/SUBSIDIARIEDADE a lei penal brasileira deve ser


aplicada aos crimes cometidos em aeronaves e embarcações PRIVADAS, quando praticados no estrangeiro e aí não seja julgados
(inércia do país estrangeiro).

CUIDADO! O Brasil adotou como princípio regra a TERRITORIALIDADE. Porém, ela é mitigada/temperada pela
intraterritorialidade à TERRITORIALIDADE TEMPERADA.

CP, art.5º. Aplica-se à lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território internacional.

É possível, por conta de regras internacionais, que um crime cometido no Brasil não sofra as consequências da lei
brasileira.

TERRITORIALIDADE EXTRATERRITORIALIDADE INTRATERRITORIALIDADE


Local do crime: Brasil Local do crime: estrangeiro Local do crime: Brasil
Lei aplicável: brasileira Lei aplicável: brasileira Lei aplicável: estrangeira
Ex: imunidade diplomátiva. ATENÇÃO! O juiz penal não
pode aplicar a lei estrangeira; quem vai aplicar é o juiz
estrangeiro.

O que é o território nacional? Espaço GEOGRÁFICO + Espaço JURÍDICO/POR FICÇÃO/EQUIPARAÇÃO

CP, art.5º, § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar (= em espaço aéreo brasileiro ou mar territorial brasileiro).

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de
propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas
em porto ou mar territorial do Brasil.

CONCLUSÕES:
a) Quando os navios ou aeronaves brasileiros forem públicos ou estiverem a serviço do governo brasileiro, quer se encontrem
em território nacional ou estrangeiro, são considerados parte do nosso território.
b) Se os navios ou aeronaves forem privados, quando em alto-mar ou espaço aéreo correspondente (“terra de ninguém”),
seguem a lei da bandeira que ostentam.
c) Quando estrangeiros, em território brasileiro, desde que privados, são considerados parte do nosso território.
DIREITO DE PASSAGEM INOCENTE (= não vou aplicar a lei brasileira)

Aplica-se a lei brasileira ao crime cometido a bordo de embarcação privada estrangeira de passagem pelo mar
territorial brasileiro? Ex: navio sai de Portugal com destino ao Uruguai. Quando está passando pelo mar territorial brasileiro, um
holandês mata um chinês. NÃO, devido ao direito de passagem inocente (Lei 8.617/93). Apesar de tal lei se referir apenas à
embarcação, a doutrina, com base no Código de Aeronáutica, ensina que também deve ser aplicada às aeronaves que estiverem
de passagem.

LUGAR DO CRIME

Quando o crime se considera praticado? Temos 3 teorias a respeito:


1 – Teoria da ATIVIDADE: o crime se considera praticado no LUGAR DA CONDUTA.
2 – Teoria do RESULTADO/EVENTO: o crime se considera praticado no LUGAR DO RESULTADO.
3 – Teoria MISTA/UBIQUIDADE (CP): o crime se considera praticado no LUGAR DA CONDUTA OU DO RESULTADO.

CP, Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde
se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
@dicasexconcurseira 24
DECORE!

CRIME À DISTÂNCIA/DE ESPAÇO CRIME EM TRÂNSITO CRIME PLURILOCAL


MÁXIMO
O crime percorre território de 2 países O crime percorre o território de mais de O crime percorre 2 ou mais territórios
soberanos. 2 países soberanos. do mesmo país.
Ex: Brasil e Argentina. Ex: Brasil, Argentina e Uruguai Ex: SP, BH e RJ.
Conflito internacional de jurisdição Conflito internacional de jurisdição Conflito interno de competência
Resolve-se pelo art.6º, CP – teoria da Resolve-se pelo art.6º, CP – teoria da Art.70, CPP (teoria do resultado)
ubiquidade (conduta ou resultado) ubiquidade (conduta ou resultado) A competência será, de regra,
determinada pelo lugar em que se
consumar a infração, ou, no caso de
tentativa, pelo lugar em que for
praticado o último ato de execução.

EXTRATERRITORIALIDADE

Em casos excepcionais, a nossa lei poderá extrapolar os limites do território, alcançando crimes cometidos
exclusivamente no estrangeiro.
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I – os crimes: à Extraterritorialidade INCONDICIONADA
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; à Princípio da DEFESA/REAL
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; à Princípio da DEFESA/REAL
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; à Princípio da DEFESA/REAL
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; à Princípio da JUSTIÇA PENAL UNIVERSAL

II – os crimes: à Extraterritorialidade CONDICIONADA


a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; à Princípio da JUSTIÇA PENAL UNIVERSAL
b) praticados por brasileiro; à Princípio da NACIONALIDADE ATIVA
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro
e aí não sejam julgados. à Princípio da REPRESENTAÇÃO/PAVILHÃO/BANDEIRA
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável.

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as
condições previstas no parágrafo anterior: à Extraterritorialidade HIPERCONDICIONADA à Princípio da NACIONALIDADE
PASSIVA
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

CUIDADO COM A LEI DE TORTURA! à Extraterritorialidade INCONDICIONADA


Art.2º. O disposto nesta Lei aplica-se ainda que o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira
ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.

O autor do crime será processado pela justiça estadual ou federal? Em regra, pela justiça estadual (será julgado pela justiça
federal nos casos do art.109, CF).

Qual a comarca competente para o processo e julgamento?

CPP, art.88. No processo por crimes praticados fora do território nacional, será competente o juízo da Capital do Estado onde
houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República.
@dicasexconcurseira 25
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO

CP, Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é
computada, quando idênticas. à EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO BIS IN IDEM.

É possível que suceda a hipótese de ser o agente processado, julgado e condenado tanto pela lei brasileira como pela
estrangeira, em especial nos casos de extraterritorialidade incondicionada à bis in idem autorizado por lei!

EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS

A lei penal se aplica a todos, por igual, não existindo privilégios pessoais. Há, no entanto, pessoas que, em virtude das
suas funções ou em razão de regras internacionais, desfrutam de imunidades. Longe de ser uma garantia pessoal, trata-se de
necessária prerrogativa funcional.

PRIVILÉGIO PRERROGATIVA
Exceção da lei comum deduzida em situação de Conjunto de precauções que rodeiam a função.
superioridade das pessoas que a desfrutam.
Subjetivo e anterior à lei. Objetiva e derivada da lei.
Tem essência pessoal. Anexo à qualidade do órgão.
Poder frente à lei. Conduto para que a lei se cumpra.
Aristocracias das ordens sociais. Aristocracias das instituições governamentais.

IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS

Trata-se de prerrogativa de direito público internacional de que desfrutam:


i) Chefes de governo estrangeiro ou de Estado, sua família e membros da comitiva;
ii) Embaixador e sua família;
iii) Funcionários do corpo diplomático;
iv) Funcionários das organizações internacionais, quando em serviço.

Natureza jurídica da imunidade diplomática:


1ª Corrente (prevalece): é uma causa pessoal de isenção de pena.
2ª Corrente (LFG): e uma causa impeditiva de punibilidade.

O diplomata deve obediência à nossa lei? Por força da característica da generalidade da lei penal, os agentes diplomáticos
devem obediência ao preceito primário do país em que se encontram. Escapam, no entanto, da sua consequência jurídica
(sanção/preceito secundário), permanecendo sob a eficácia da lei penal do Estado a que pertencem (intraterritorialidade).
Ex: art.121 “matar alguém” (diplomata deve obedecer); Pena: 6 a 20 anos (o diplomata é punido de acordo com a lei do seu
Estado).

Os agentes consulares tem imunidade diplomática? Eles possuem imunidade formal relativa: são imunes nos crimes cometidos
no exercício da função (enquanto que um embaixador, por ex, tem imunidade quanto aos crimes praticados no exercício da
função ou fora dela).

A imunidade é irrenunciável, pois pertence ao cargo (e não à pessoa).


ATENÇÃO! Poderá haver renúncia do Estado de origem, ficando o diplomata sujeito à lei do país em que o crime foi
praticado (art.32, Decreto 56.435/65).

@dicasexconcurseira 26
Aula 06

INFRAÇÃO PENAL (CRIME/CONTRAVENÇÃO)

O Conceito de infração penal varia conforme o enfoque.


Sob o enfoque formal, infração penal é aquilo que assim está rotulado em uma norma penal incriminadora, sob ameaça
de pena.
Sob o enfoque material, infração penal é comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão ou perigo
de lesão ao bem jurídico tutelado.
O conceito analítico leva em consideração os elementos estruturais que compõem infração penal, prevalecendo serem
tais elementos: fato típico + ilícito + culpável.
Infração penal é gênero, podendo ser dividida em crime/delito e contravenção penal/crime anão/delito libidiano/crime
vagabundo.

Obs1: Adotou-se o sistema dualista/binário (crime x contravenção)

Obs2: Essas espécies não guardam entre si distinções de natureza ontológica (do ser), mas apenas axiológica (de valor).

Obs3: o rótulo de crime ou contravenção para determinado comportamento humano depende do valor que lhe é conferido pelo
legislador (opção politica). Ex: a posse e o porte de arma ilegal, até 1997, eram considerados contravenção penal. Com a Lei de
Armas de 1997, passaram a ser considerados crime. Houve mudança na opinião política do legislador.

Diferenças entre crime e contravenção penal

Apesar de ontologicamente idênticos (aplicando-se às contravenções as regras gerais do CP), crime e contravenção
possuem algumas diferenças trazidas pela própria lei:

a) Quanto à pena privativa de liberdade imposta

Lei de Introdução ao CP, Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer
isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina,
isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas alternativa ou cumulativamente.
Crime à reclusão ou detenção + multa
Contravenção à prisão simples + multa

b) Quanto à espécie de ação penal

Lei das Contravenções Penais, Art. 17. A ação penal é pública, devendo a autoridade proceder de ofício.
Crime à ação penal pública (incondicionada ou condicionada à representação do ofendido/requisição do Ministro da
Justiça) ou ação penal privada.
Contravenção à ação penal pública incondicionada. Exceção: o crime de lesão corporal leve (art.129, caput, CP) é de
ação penal pública condicionada à representação (art.18, Lei 9.099) e mais grave do que a contravenção de “vias de fato”, a
qual, segundo a lei, é de ação penal pública incondicionada. A doutrina alega que falta proporcionalidade, devendo, portanto,
ser procedida também por ação penal pública condicionada à representação do ofendido. Porém, não é este o entendimento
dos tribunais superiores, que adotam o art.17, LCP normalmente à contravenção das vias de fato.

c) Quanto à admissibilidade da tentativa

LCP, Art. 4º Não é punível a tentativa de contravenção.


Crime à a tentativa, em regra, é punível.
Contravenção à a tentativa não é punível.

d) Quanto à extraterritorialidade da lei penal brasileira

LCP, Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional.


Crime à admite extraterritorialidade da lei penal.
Contravenção à não admite extraterritorialidade.

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e) Quanto à competência para processar e julgar

CF, Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da
Justiça Eleitoral;
Crime à pode ser julgado pela justiça estadual ou federal.
Contravenção à só é julgado pela justiça estadual. Nem quando for praticado em conexão com algum crime de
competência federal poderá ser julgada pela justiça federal. A doutrina aponta uma única exceção: quando o agente que
cometer a contravenção penal tiver foro por prerrogativa de função.

f) Quanto ao limite das penas

LCP, Art. 10. A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior a 5 anos, nem a importância das multas
ultrapassar cinquenta contos.
Crime à a duração da pena não pode ultrapassar 30 anos.
Contravenção à a prisão simples não pode ultrapassar 5 anos.

DE OLHO NA JURIS! Crime não pode ser absorvido por uma contravenção penal
O princípio da consunção é aplicável quando um delito de alcance menos abrangente praticado pelo agente for meio necessário
ou fase preparatória ou executória para a prática de um delito de alcance mais abrangente. Com base nesse conceito, em regra
geral, a consunção acaba por determinar que a conduta mais grave praticada pelo agente (crime-fim) absorve a conduta menos
grave (crime-meio). O STF decidiu que o agente que faz uso de carteira falsa da OAB pratica o crime de uso de documento falso,
não se podendo admitir que esse crime seja absorvido (princípio da consunção) pela contravenção penal de exercício ilegal da
profissão (art. 47 do DL nº 3.688/41). Não é possível que um crime tipificado no Código Penal seja absorvido por uma infração
tipificada na Lei de Contravenções Penais. STF. 1ª Turma. HC 121652/SC, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/4/2014 (Info 743).

SUJEITOS (ATIVO E PASSIVO) DO CRIME


Sujeito ativo: é a pessoa que pratica a infração penal, que poderá ser qualquer pessoa física, capaz e com 18 anos
completos.
Pessoa jurídica pode figurar como sujeito ativo de crime? Seguindo o mandado constitucional de criminalização,
(art.225, §3º, CF), nasceu a Lei 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), que passou a penalizar penalmente a pessoa jurídica por
crime ambiental.
É entendimento pacífico nos tribunais superiores quanto à possibilidade de penalização das pessoas jurídicas por crime
ambiental e, ainda, que a penalização da pessoa jurídica INDEPENDE da penalização da pessoa física (não se adota mais a teoria
da dupla imputação!).

Pessoa jurídica de direito público pode ser responsabilizada por delito ambiental?
1ª Corrente (PREVALECE): NÃO. Pessoa jurídica de direito público e de direito privado são entes cuja natureza e propósitos não
se confundem e, por isso, não podem receber o mesmo tratamento, especialmente na esfera penal. Pessoa jurídica de direito
público não age no interesse ou benefício da entidade, mas sim da coletividade, inviabilizando, assim, que seja punida na esfera
penal. A responsabilização da pessoa jurídica de direito público seria o Estado punindo a si mesmo.

2ª Corrente: as normas que disciplinam a responsabilidade penal da pessoa jurídica não excepcionam os entes públicos,
devendo ter o mesmo tratamento dos entes privados.

Classificação do crime quanto ao sujeito ATIVO à DECORE!

a) Crime COMUM: o tipo não exige qualidade ou condição especial do agente. Admite coautoria e participação. Ex:
homicídio.
b) Crime PRÓPRIO: o tipo exige qualidade ou condição especial do agente. Admite coautoria e participação. Ex: peculato.
c) Crime DE MÃO PRÓPRIA: o tipo exige qualidade ou condição especial do agente. Só admite participação. É o chamado
delito de conduta infungível. Ex: falso testemunho.
ATENÇÃO! O STF tem admitido coautoria entre quem testemunha e seu advogado que lhe auxilia.

@dicasexconcurseira 28
Sujeito passivo: é a pessoa ou ente que sofre as consequências da infração penal. Pode ser pessoa física ou pessoa
jurídica, ou até mesmo um ente indeterminado, destituído de personalidade jurídica (ex: coletividade, família) – é o chamado
“crime vago”.
O sujeito passivo classifica-se em:
a) Sujeito passivo constante (mediato, formal, geral ou genérico): o Estado, interessado na manutenção da paz pública e
na ordem social.
b) Sujeito passivo eventual (imediato, material, particular ou acidental): é o titular do interesse penalmente protegido.

CUIDADO! Embora o Estado seja o sujeito passivo formal, pode também figurar como sujeito passivo imediato, quando
titular do interesse protegido (ex: crime contra a Administração Pública).

Classificação do crime quanto ao sujeito PASSIVO à DECORE!

a) Crime COMUM: o tipo não exige qualidade ou condição especial do ofendido. É a regra. Ex: homicídio.

b) Crime PRÓPRIO: o tipo exige qualidade ou condição especial do ofendido. Ex: infanticídio.

c) Crime BI-PRÓPRIO: o tipo exige qualidade ou condição especial tanto do sujeito ativo, quanto do sujeito passivo. Ex: o
estupro era bi-próprio.

O que é o crime de dupla subjetividade passiva? É o crime que obrigatoriamente deve ter pluralidade de vítimas. Ex:
violação de correspondência, onde as vítimas são o destinatário e o remetente.

Morto pode ser vítima de crime? Não sendo titular de direitos, não é sujeito passivo de crime. Nos crimes de violação ao
respeito dos mortos, a vítima é a coletividade. No crime de calúnia contra os mortos, a vítima é a família do morto.

Os animais podem ser vítimas de crime? Os animais não são vítimas de crime, embora possam ser objeto material do delito,
figurando como sujeito passivo o proprietário do animal ou a coletividade (no caso de infrações ambientais).

Pode o homem ser, ao mesmo tempo, sujeito ativo e passivo do crime? Não, pois, conforme o princípio da alteridade,
ninguém poderá ser responsabilizado pela conduta que não exceda sua esfera individual. Daí não ser punível a auto-lesão, salvo
se a auto-lesão for meio para fraude contra seguro.

OBJETOS (MATERIAL E JURÍDICO) DO CRIME MATERIAL

Objeto MATERIAL: é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta criminosa.


É possível crime sem objeto material? Sim, pois nem todo crime exige objeto material.

Conforme ensinamento de Flávio Monteiro de Barros, temos: à DECORE!


a) Crime DE MERA CONDUTA: não tem objeto material (ex: omissão de socorro).

b) Crime FORMAL: pode ou não ter objeto material (ex: falso testemunho; não tem objeto material).

c) Crime MATERIAL: todos tem objeto material.

Objeto material x crime impossível: a ausência ou impropriedade do objeto material faz surgir a figura do crime impossível
(art.17, CP). Ex: atirar contra morto.

Objeto JURÍDICO: revela o interesse tutelado pela norma, o bem jurídico protegido pelo tipo penal.

Obs1: alguns tipos penais protegem mais de um interesse jurídico. São os chamados crimes pluriofensivos. Ex: roubo
(patrimônio + liberdade individual).

Obs2: se de um lado é possível que uma norma proteja mais de um bem jurídico, não é possível crime sem objeto jurídico (não
se pode esquecer a missão do direito penal!).

@dicasexconcurseira 29
SUBSTRATOS DO CRIME

Prevalece, hoje, que, sob o enfoque analítico, o crime é composto de 3 substratos: fato típico + ilicitude/antijuridicidade
+ culpabilidade. Presentes os 3 substratos, o direito de punir do Estado se concretiza, surgindo a punibilidade.

FATO TÍPICO

Conceito: é um fato humano indesejado que, norteado pelo princípio da intervenção mínima, consiste numa conduta
causadora de um resultado, ajustando-se a um tipo penal.
Fato típico – requisitos:
a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade penal

ATENÇÃO! Tipicidade penal (operação de ajuste fato/norma) ≠ Tipo penal (modelo de conduta proibida).

Tipo Penal: descreve a conduta proibida pela norma, composto de elementos objetivos e, eventualmente, elementos
subjetivos.

ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO PENAL


DESCRITIVOS NORMATIVOS CIENTÍFICOS
Relacionados com o tempo, lugar, Demandam juízo de valor. O conceito transcende o mero
modo, meio de execução do crime, elemento normativo, extraindo o seu
descrevendo seu objeto material. significado da ciência natural.
Elementos percebidos pelos sentidos. Não são percebidos pelos sentidos. Não demanda juízo de valor.
Ex: Art.121, CP – “matar alguém” Ex: Art.154, CP - Revelar alguém, sem Ex: Art.24 da Lei 11.105/05 - Art. 24.
justa causa, segredo, de que tem ciência Utilizar embrião humano em desacordo
em razão de função, ministério, ofício com o que dispõe o art. 5o desta Lei:
ou profissão, e cuja revelação possa
produzir dano a outrem:

ELEMENTOS SUBJETIVOS DO TIPO PENAL


(relacionados com a FINALIDADE que DEVE OU NÃO ANIMAR O AGENTE)
POSITIVOS NEGATIVOS
Elementos indicando a finalidade que deve animar o agente. Elementos indicando a finalidade que nã deve animar o
agente.
Ex: art.33, §3º, Lei de Drogas - §3o Oferecer droga, Ex: art.33, §3º, Lei de Drogas - §3o Oferecer droga,
eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu
relacionamento, para juntos a consumirem: relacionamento, para juntos a consumirem:
- Elemento positivo: “para juntos consumirem” (finalidade - Elemento negativo: “sem objetivo de lucro” (finalidade que
que deve existir) não deve existir, sob pena de se transformar em tráfico de
drogas).

Aula 07

1º REQUISITO DO FATO TÍPICO – CONDUTA – TEORIAS

a) Teoria CAUSALISTA/CAUSAL NATURALISTA/CLÁSSICA/NATURALÍSTICA/MECANICISTA

* Idealizada por Von Liszt, Beling, Radbruch;


* Início do século XIX;
* Marcada pelos ideais positivistas;
* Segue o método empregado pelas ciências naturais (lei da causalidade);
* O mundo deveria ser explicado pela experimentação dos fenômenos, sem espaço para abstrações;
* Trabalha o direito como uma ciência exata (o direito observado pelos sentidos).
@dicasexconcurseira 30
DICA: o desejo do causalista é que o tipo penal seja composto somente de elementos objetivos descritivos, pois estes
são percebidos pelo sentido.

Conduta = movimento corporal voluntário, que produz uma modificação no mundo exterior, perceptível pelos
sentidos.

ATENÇÃO! Dolo e culpa somente serão analisados na “culpabilidade”.

De acordo com a teoria causalista, a conduta é composta de vontade, movimento corporal e resultado; porém, a
vontade não está relacionada com a finalidade do agente, elemento este analisado somente na culpabilidade.

TIPO NORMAL TIPO ANORMAL


Composto somente de elementos objetivos descritivos, Composto de elementos objetivos normativos e subjetivos.
percebidos pelos sentidos. Ex: violação de segredo sem justa causa.
Ex: homicídio.

Críticas à teoria causalista:


1) Ao conceituar conduta como sendo “movimento humano”, esta teoria não explica de maneira adequada os crimes omissivos
(inação/sem movimento);
2) Não há como negar a presença de elementos normativos e subjetivos do tipo;
3) Ao fazer a análise do dolo e da culpa somente no momento da culpabilidade, não há como distinguir, apenas pelos sentidos, a
lesão corporal da tentativa de homicídio, por exemplo;
4) É inadmissível imaginar a ação humana como um ato de vontade sem finalidade.

b) Teoria NEOKANTISTA/CAUSAL VALORATIVA/NEOCLÁSSICA

* Idealizada por Edmund Mezger;


* Desenvolvida nas primeiras décadas do século XX;
* Tem base causalista (veio para complementar a teoria causalista, e não para ser contra ela);
* Fundamenta-se numa visão neoclássica, marcada pela superação do positivismo e introduzindo a racionalização do método
(reconhece que o direito é ciência do “dever-ser” (e não do “ser”, como previa a teoria causalista), sendo imprescindível a
valorização.

Conduta = comportamento humano voluntário causador de um resultado. à não fala mais em “movimento”, nem em
“percebida pelos sentidos”. Ao conceituar “conduta”, prefere “comportamento” a “movimento”, para poder abarcar também os
cirmes omissivos.

DICA: a teoria neokantista não se prende aos métodos das ciências exatas; não depende somente dos sentidos; admite
elementos subjetivos.

Críticas à teoria neokantista:


1) Permanece considerando dolo e culpa como elementos da culpabilidade;
2) Analisando dolo e culpa somente na culpabilidade, ficou contraditória ao reconhecer como normal elementos normativos e
subjetivos do tipo.

TEORIA CAUSALISTA TEORIA NEOKANTISTA


O delito estrutura-se sobre movimento corporal que produz Questiona se é possível apreciar toda a realidade com a ajuda
modificação no mundo exterior perceptível pelos sentidos. do método das ciências naturais.
Trabalha com métodos similares aos das ciências exatas. As ciências naturais explicam parcialmente a realidade (só os
fenômenos que se repetem). Não explicam os fenômenos
individuais (explicados pelas ciência da cultura – Direito).
Conduta = MOVIMENTO Conduta = COMPORTAMENTO
Não explica crimes omissivos. Abrange crimes omissivos.

@dicasexconcurseira 31
c) Teoria FINALISTA à colocou dolo e culpa no “fato típico”!!

* Criada por Hans Welzel;


* Meados do séc.XX (1930-1960);
* Percebe que o dolo e a culpa estavam inseridos no substrato errado (não devem integrar a culpabilidade)

ATENÇÃO! O fato típico passa a ter duas dimensões:

FATO TÍPICO
DIMENSÃO OBJETIVA DIMENSÃO SUBJETIVA
- Conduta - Dolo
- Resultado - Culpa
- Nexo causal
- Tipicidade penal

Conduta = comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim (toda conduta é orientada por um
querer).
DICA: supera a “cegueira” do causalismo com um finalismo “vidente”.

Críticas à teoria finalista:


1) Concentrou sua teoria no desvalor da conduta, ignorando o desvalor do resultado;
2) Num primeiro momento, a teoria finalista conceituou conduta como “comportamento voluntário psiquicamente dirigido a
um fim ilícito” à mas, exigindo uma finalidade ilícita, não explicava os crimes culposos. O conceito, então, foi corrigido,
excluindo-se a expressão “ilícita”.

CUIDADO! No Brasil, foi criada a Teoria Finalista Dissidente.


• Crime = fato típico + ilicitude

OBS: A culpabilidade não integra o crime, sendo tratada como juízo de censura, pressuposto de aplicação da pena.

d) Teoria SOCIAL DA AÇÃO

* Desenvolvida por Wessels, tendo como principal adepto Jesheck;


* A pretensão desta teoria não é substituir as teorias clássicas e finalista, mas acrescentar-lhes uma nova dimensão, qual seja, a
relevância social do comportamento.

Conduta = comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim, socialmente reprovável.

ATENÇÃO! Dolo e culpa integram o fato típico (agradando o finalismo), mas são novamente analisados no juízo da culpabilidade
(agradando o causalismo).

Crítica à teoria social da ação: a principal crítica reside na vagueza do conceito “socialmente reprovável”. Trata-se de
noção muito ampla, sendo arriscado incorporá-la ao Direito Penal, limitando sua intervenção.

e) FUNCIONALISMO (Teorias FUNCIONALISTAS)

* Ganham força e espaço na década de 1970, discutidas com ênfase na Alemanha;


* Buscam adequar a dogmática penal aos fins do Direito Penal;
* Percebem que o Direito Penal tem necessariamente uma missão e que seus institutos devem ser compreendidos de acordo
com essa missão - edificam o Direito Penal a partir da função que lhe é conferida.

CONCLUSÃO: A conduta deve ser compreendida de acordo com a missão conferida ao direito penal.

Teoria Funcionalista TELEOLÓGICA Teoria Funcionalista SISTÊMICA


Roxin à Funcionalismo MODERADO Jakobs à Funcionalismo RADICAL
Proteção de bens jurídicos Proteção do sistema
Conduta: deve considerar a proteção de bens jurídicos Conduta: deve considerar a proteção do sistema.

@dicasexconcurseira 32
Funcionalismo TELEOLÓGICO/DUALISTA/MODERADO/DA POLÍTICA CRIMINAL à ROXIN

Crime = fato típico + ilicitude + REPROVABILIDADE


REPROVABILIDADE = imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa +
necessidade da pena.
A missão do Direito Penal é a proteção de bens jurídicos (proteção dos valores essenciais à convivência harmônica em
sociedade).

Conduta = comportamento humano voluntário causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico tutelado.
Características do Funcionalismo Moderado de Roxin:
* orientações político-criminais;
* acolhe valores e princípios garantistas;
* a pena possui finalidade preventiva (geral e especial);
* a pena não possui finalidade retributiva
* culpabilidade e necessidade da pena como aspectos da responsabilidade.

Funcionalismo SISTÊMICO/MONISTA/RADICAL à JAKOBS

Crime = fato típico + ilicitude + CULPABILIDADE


CULPABILIDADE = imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa.
A missão do Direito Penal é assegurar a vigência do sistema.
Está relativamente vinculada à noção de sistemas sociais (Niklas Luhmann).

Conduta = comportamento humano voluntário causador de um resultado violador do sistema, frustrando as


expectativas normativas.

As premissas sobre as quais se funda o Funcionalismo Sistêmico deram ensejo à exumação da TEORIA DO DIREITO
PENAL DO INIMIGO, representando a construção de um sistema próprio para o tratamento do indivíduo infiel ao sistema.

DIREITO PENAL DO INIMIGO/DIREITO PENAL BÉLICO

Fundamento: o delinquente, autor de determinados crimes, não é ou não deve ser considerado cidadão, mas, sim, um
cancro societário, que deve ser extirpado (Muñoz Conde).
Pensadores: Protágoras, São Tomás de Aquino, Kant, Locke, Hobbes.
Jakobs exumou o Direito Penal do Inimigo (e não o inventou), inspirando-se nestes pensadores.
Jakobs fomenta o Direito Penal do Inimigo para o terrorista, traficante de drogas, de armas e de seres humanos e para
membros de organizações criminosas transnacionais.

Características:
1) Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios (buscando evitar o início da execução de
determinados crimes);
2) Condutas descritas em tipos de mera conduta e de perigo abstrato (flexibilização do princípio da lesividade);
3) Descrição vaga dos crimes e das penas (flexibilização do princípio da legalidade);
4) Preponderância do Direito Penal do Autor (flexibilização do princípio da exteriorização do fato);
5) Surgimento das chamadas “leis de luta e de combate” (leis de ocasião – direito penal de emergência);
6) Endurecimento da execução penal;
7) Restrição de garantias penais e processuais – direito penal de 3ª velocidade.

* O CP, para a maioria, adotou o FINALISMO (para muitos, o finalismo dissidente);


* O CPM adotou a teoria CAUSALISTA;
* A doutrina moderna trabalha com as premissas do Funcionalismo de Roxin, com exceção da “reprovabilidade”;
* O projeto do CP é criticado por misturar Finalismo com Funcionalismo.

@dicasexconcurseira 33
1º REQUISITO DO FATO TÍPICO – CONDUTA – CARACTERÍSTICAS

1) Comportamento voluntário (dirigido a um fim)

* Presente na conduta dolosa e culposa


* Conduta dolosa: o fim é a lesão ou o perigo de lesão a bem jurídico tutelado
* Conduta culposa: prática de um ato cujo resultado previsível seja capaz de causar lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico tutelado.

2) Exteriorização da vontade

A vontade aparece por meio de uma conduta (ação ou omissão).


Causas de exclusão da conduta:
i) Caso fortuito ou força maior (fatos imprevisíveis e inevitáveis);

ii) Involuntariedade: ausência de capacidade de dirigir a conduta de acordo com uma finalidade.
a) Estado de inconsciência completa: ex – sonambulismo, hipnose.
b) Movimento reflexo: reação automática do organismo a um estímulo externo.

Movimentos reflexos Ação em curto-circuito


Impulso completamente fisiológico (desprovido de vontade). Movimento relâmpago, provocado pela excitação
Ex: susto. (acompanhamento da vontade). Ex: excitação de torcida
Não há conduta, não há crime. organizada.
Há conduta; pode haver crime.

iii) Coação física irresistível: o coagido é impossibilitado de determinar seus movimentos de acordo com a sua vontade.

OBS: a coação moral é analisada na culpabilidade.

Aula 08

CRIME DOLOSO

CP, Art. 18 - Diz-se o crime:


I - doloso, quando o agente quis o resultado (TEORIA DA VONTADE – DOLO DIRETO) ou assumiu o risco de produzi-lo (TEORIA DO
CONSENTIMENTO – DOLO EVENTUAL)

Dolo: é a vontade consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar) a conduta descrita no tipo penal.

ATENÇÃO! A noção de dolo não se esgota na realização da conduta, abrangendo o resultado e demais circunstâncias da
infração.

Elementos do dolo:
1) Elemento VOLITIVO: VONTADE de praticar a conduta descrita na norma;
2) Elemento INTELECTIVO: CONSCIÊNCIA da CONDUTA e do RESULTADO.

CUIDADO! Tem doutrina conceituando dolo como sendo a “vontade livre e consciente” à mas isto está errado! A liberdade da
vontade não é elemento do dolo, mas circunstância a ser analisada na culpabilidade (mais especificamente na “exigibilidade de
conduta diversa”).

Teorias do Dolo
1) Teoria da Vontade: dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal = consciência + querer.

2) Teoria da Representação: o agente tem a previsão do resultado como possível e, ainda assim, decide prosseguir com a
conduta = consciência + prosseguir com a conduta.
ATENÇÃO! Esta teoria acaba abrangendo no conceito de dolo a culpa consciente.

@dicasexconcurseira 34
3) Teoria do Consentimento/Assentimento: o agente tem a previsão do resultado como possível e, ainda assim, decide
prosseguir com a conduta, assumindo o risco de produzir o evento = consciência + prosseguir com a conduta assumindo o risco
do evento.
ATENÇÃO! Esta teoria não mais abrange no conceito de colo a culpa consciente.

Quais destas teorias foram adotadas no Brasil?


- Teoria da Vontade à dolo direto
- Teoria do Consentimento à dolo indireto

Considera-se o crime doloso DOLO TEORIA


“Quando o agente quis o resultado” Direto Teoria da vontade
“Quando o agente assumiu o risco de Eventual Teoria do consentimento
produzir o resultado”

ESPÉCIES DE DOLO à DECORE!

1) Dolo NORMATIVO/HÍBRIDO: adotado pelas teorias causal e neokantista, essa espécie de dolo integra a culpabilidade,
trazendo, a par dos elementos consciência e vontade, também a consciência atual da ilicitude, elemento normativo que o
diferencia do dolo natural.

2) Dolo NATURAL/NEUTRO: adotado pela teoria finalista, essa espécie de dolo integra conduta (fato típico). Seus elementos são
apenas consciência e vontade.

DOLO NORMATIVO DOLO NATURAL


Adotado pelas teorias causal e neokantista Adotado pela teoria finalista
O dolo normativo integra a culpabilidade O dolo natural integra o fato típico
Possui 3 elementos: Possui 2 elementos:
i) Consciência (sabe o que faz) i) Consciência (sabe o que faz)
ii) Vontade (querer ou aceitar o resultado) ii) Vontade (querer ou aceitar o resultado)
iii) Consciência atual da ilicitude (sabe da ilicitude do seu Obs: a consciência atual da ilicitude é questão afeta à
comportamento) culpabilidade

3) Dolo DIRETO/DETERMINADO/IMEDIATO/INCONDICIONADO: configura-se quando o agente prevê um resultado, dirigindo


sua conduta na busca de realizar esse evento. Pensa em matar, vai lá e mata

4) Dolo INDIRETO/INDETERMINADO/MEDIATO/CONDICIONADO: o agente, em sua conduta, não busca resultado certo e


determinado. Subdivide-se em:

4.1. Dolo ALTERNATIVO: o agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo a sua conduta para realizar QUALQUER DELES.
- Tem a MESMA intensidade de vontade de realizar os resultados previstos.
ATENÇÃO! A doutrina divide o dolo alternativo em duas espécies:
a) Dolo Alternativo OBJETIVO: quando a vontade indeterminada estiver relacionada com o resultado em face da mesma vítima.
Ex: disparo contra a vítima “A” para lesioná-la ou mata-la.

b) Dolo Alternativo SUBJETIVO: quando a vontade indeterminada envolve vítimas de um mesmo resultado. Ex: atiro contra um
grupo de pessoas para matar qualquer delas.

4.2. Dolo EVENTUAL: o agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo a sua conduta para realizar UM DELES, assumindo o
risco de realizar o outro.
- A intensidade da vontade em relação aos resultados previstos É DIFERENTE.

5) Dolo CUMULATIVO: o agente pretende alcançar 2 resultados em sequência. É hipótese de progressão criminosa. Ex: o
agente, depois de ferir, resolve matar a vítima.

6) Dolo de DANO: a vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem jurídico tutelado.

7) Dolo de PERIGO: o agente atua com a intenção de expor a risco o bem jurídico tutelado.

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8) Dolo GENÉRICO: o agente atua com vontade de realizar a conduta descrita no tipo, sem um fim específico.

9) Dolo ESPECÍFICO: o agente atua com vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal com um fim específico.

ATENÇÃO! Hoje, não se fala mais em dolo genérico ou dolo específico. O dolo genérico é o dolo; e o dolo específico é o dolo +
elemento subjetivo do tipo.

10) Dolo geral/erro sucessivo à é o erro sobre o nexo causal em sentido amplo/aberratio causae (assunto a ser analisado na
aula sobre erro de tipo)

11) Dolo de 1º grau: é o dolo direto.

12) Dolo de 2º grau/Dolo direito de consequências necessárias/Dolo necessário: é espécie de dolo direto. Mas, no dolo de 2º
grau, a vontade do agente se dirige aos meios utilizados para alcançar determinado resultado. Abrange os efeitos colaterais do
crime, de verificação praticamente certa.

Obs: o agente não persegue imediatamente os efeitos colaterais, mas tem por certa a sua ocorrência, caso se concretize o
resultado pretendido.

DOLO DE 1º GRAU DOLO DE 2º GRAU


Corresponde ao(s) resultado(s) que o agente persegue Abrange as consequências necessárias, mesmo que não
imediatamente. perseguidas pelo agente, porém sabidamente inevitáveis.
Ex: quero matar meu desafeto, passageiro de um avião. Para tanto, coloco uma bomba no avião.
- Dolo de 1º grau à morte do desafeto
- Dolo de 2º grau à morte dos demais passageiros e tripulantes.

DOLO DE 2º GRAU DOLO EVENTUAL


Espécie de DOLO DIRETO Espécie de DOLO INDIRETO
O resultado paralelo é CERTO e INEVITÁVEL O resultado paralelo é INCERTO e EVENTUAL
Ex: abater avião para matar o piloto à a morte dos Ex: atirar contra carro em movimento para matar motorista.
tripulantes configura dolo de 2º grau. Com relação aos demais passageiros, pode haver dolo
eventual (morte incerta)

13) Dolo ANTECEDENTE, CONCOMITANTE e SUBSEQUENTE à classificação ultrapassada, pois o que importa é o dolo no
momento da conduta.

14) Dolo de PROPÓSITO: a vontade é refletida, pensada. É a premeditação, que não necessariamente agrava ou qualifica o
delito.

15) Dolo de ÍMPETO: caracterizado por ser repentido, sem intervalo entre a fase da cogitação e da execução. Presente nas ações
de curto-circutio. Pode configurar atenuante de pena – art.65, III, “c”, CP.

CRIME CULPOSO

CP, Art. 18 - Diz-se o crime


II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

Conceito: o crime culposo consiste numa conduta voluntária que realiza evento ilícito não querido ou aceito pelo
agente, mas que lhe era previsível (culpa inconsciente) ou excepcionalmente previsto (culpa consciente) e que poderia ser
evitado se empregasse a cautela necessária.

No Código Penal Militar, há um conceito rico de crime culposo, em seu art.33, veja: Diz-se o crime culposo, quando o
agente, deixando de empregar a cautela, atenção ou diligência ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das
circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia
evitá-lo.

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Elementos do crime culposo:
1 – Conduta humana voluntária
2 – Violação de um dever de cuidado objetivo
3 – Resultado naturalístico involuntário
4 – Nexo causal entre conduta e resultado
5 – Resultado involuntário previsível (ou excepcionalmente previsto à culpa consciente)
6 - Tipicidade

1) Conduta humana voluntária: ação ou omissão dirigida ou orientada pelo querer, causando um resultado involuntário.

DOLO CULPA
Vontade dirigida à realização de um resultado ilícito Vontade dirigida à realização de um resultado lícito, diverso
daquele que efetivamente se produz

2) Violação de um dever de cuidado objetivo: o agente, na culpa, viola o seu dever de diligência (regra básica para o convívio
social); o comportamento do agente não atende o que é esperado pela lei e pela sociedade.

Como apurar se houve ou não infração do dever de diligência? De acordo com a maioria, o operador deve analisar as
circunstâncias do caso concreto, pesquisando se uma pessoa de inteligência média evitaria o perigo.

Formas de violação do dever de diligência:


a) Imprudência: precipitação, afoiteza. Ex: conduzir o veículo em alta velocidade num dia chuvoso.
b) Negligência: ausência de precaução/cuidado. Ex: conduzir o veículo com os pneus gastos.
c) Imperícia: falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou profissão. Ex: condutor troca o pedal do freio pelo de
embreagem, não conseguindo parar o veículo.

ATENÇÃO! Na denúncia, o MP deve apontar a forma de violação do dever de diligência, descrevendo no que consiste.
Ex1: “Fulano matou culposamente Beltrano” à inepta
Ex2: “Fulano, com manifesta imprudência, matou Beltrano” à inepta
Ex3: “Fulano, dirigindo em alta velocidade em dia de chuva, nisso, aliás, consistiu sua imprudência, matou Beltrano à correta

PROBLEMA: MP denuncia Fulano por crime culposo, indicando ter havido imprudência. Durante a instrução, comprova-se a
culpa, porém decorrente de negligência. O juiz pode condenar Fulano ou deve enviar os autos para o MP aditar a denúncia?
Para não violar o princípio da ampla defesa, o MP deve aditar a inicial – art.384, CPP (mutatio libeli).

3) Resultado naturalístico involuntário: em REGRA, o crime culposo é MATERIAL (exige modificação no mundo exterior).

Culpa = conduta voluntária + resultado involuntário.

ATENÇÃO! Há casos excepcionais de crimes culposos não naturalísticos (formal ou de mera conduta). Ex: art.38, Lei de Drogas.

4) Nexo causal entre a conduta e o resultado

5) Resultado involuntário previsível: deve haver a POSSIBILIDADE DE PREVER o perigo advindo da conduta.
E a previsibilidade subjetiva? Esta é a possibilidade de conhecimento do perigo, analisada sob o prisma subjetivo do
autor, levando em consideração seus dotes intelectuais, sociais e culturais. É a exigibilidade de conduta diversa, analisada na
culpabilidade.

6) Tipicidade (art.18, p.u., CP): se o tipo penal quer punir a forma culposa, deve prever expressamente tal possibilidade. No
silêncio, só se pune a título de dolo. É o princípio da excepcionalidade do crime culposo.

CP, Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o
pratica dolosamente.

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ESPÉCIES DE CULPA

1) Culpa CONSCIENTE/COM PREVISÃO/EX LASCIVIA: o agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra, supondo
poder evitá-lo com suas habilidades ou com a sorte. O agente tem PREVISÃO.

2) Culpa INCONSCIENTE/SEM PREVISÃO/EX IGNORANTIA: o agente não prevê o resultado que, entretanto, era PREVISÍVEL.
Qualquer pessoa de diligência média teria condições de prever o risco.

3) Culpa PRÓPRIA/PROPRIAMENTE DITA: o agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado, mas acaba lhe
dando causa por imprudência, negligencia ou imperícia. É gênero, que tem como espécies a culpa consciente e inconsciente.

4) Culpa IMPRÓPRIA/POR EQUIPARAÇÃO/ASSIMILAÇÃO/EXTENSÃO: é aquela em que o agente, por ERRO EVITÁVEL, imagina
certa situação de fato que, se presente, excluiria a ilicitude (descriminante putativa). O agente provoca intencionalmente o
resultado, mas responde por culpa por razões de política criminal. Art.20, §1º, 2ª parte, CP.
* A estrutura do crime é dolosa, mas o agente é punido a título de culpa.
* Este É O ÚNICO TIPO DE CULPA QUE ADMITE A TENTATIVA. Afinal, sua estrutura é de crime doloso.

CP, art.20, §1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se
existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.

5) Culpa PRESUMIDA/IN RE IPSA: modalidade de culpa admitida pela legislação penal anterior ao Código de 1940, consistente
na simples inobservância de uma disposição regulamentar.

ATENÇÃO! Hoje, a culpa não se presume, devendo ser sempre comprovada.

VOLUNTARIEDADE - RESUMO
CONSCIÊNCIA VONTADE
DOLO DIRETO PREVISÃO QUERER
DOLO EVENTUAL PREVISÃO ACEITAR O RESULTADO
CULPA CONSCIENTE PREVISÃO NÃO TEM VONTADE DE REALIZAR O
RESULTADO
CULPA INCONSCIENTE PREVISIBILIDADE RESULTADO INVOLUNTÁRIO
(sem previsão)

CRIME PRETERDOLOSO

CP, Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos
culposamente.

Lembrando: temos várias espécies de crimes agravados (qualificados) pelo resultado.


a) Crime doloso agravado/qualificado pelo dolo - ex: homicídio qualificado
b) Crime culposo agravado/qualificado pela culpa - ex: incêndio culposo qualificado pela morte culposa
c) Crime culposo agravado/qualificado pelo dolo -ex: homicídio culposo qualificado pela omissão de socorro
d) Crime doloso agravado/qualificado pela culpa – ex: lesão corporal seguida de morte à PRETERDOLOSO

No crime preterdoloso, o agente pratica delito distinto do que havia projetado cometer, advindo da conduta dolosa
resultado culposo mais grave do que o projetado. Cuida-se de figura híbrida, havendo concurso de dolo no antecedente e culpa
no consequente.

Elementos:
a) Conduta dolosa visando determinado resultado
b) Provocação de resultado culposo mais grave que o desejado
c) Nexo causal entre conduta e resultado
d) Tipicidade (não se pune crime preterdoloso sem previsão legal)

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Aula 09

ERRO DE TIPO

Conceito: falsa percepção da realidade. Cuida-se da ignorância ou erro que recai sobre as elementares, circunstâncias ou
qualquer dado agregado ao tipo penal.

Ex: Fulano se apodera de material na rua, imaginando tratar-se de coisa abandonada. Na verdade, o material era de
Beltrano, que reformava a sua casa.

IMPORTANTE! Fulano não sabia que subtraía coisa alheia.

ATENÇÃO! Não podemos confundir erro de tipo com erro de proibição.

ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO


Existe falsa percepção da realidade O agente percebe a realidade corretamente, equivocando-se
sobre a regra de conduta
O agente não sabe o que faz O agente sabe o que faz, mas ignora ser proibido
É erro sobre as circunstâncias fáticas É erro sobre a ilicitude do comportamento
Ex: Fulano sai de uma festa com guarda-chuva pensando que Ex: Fulano encontra guarda-chuva perdido na rua e se
é seu, mas logo percebe que era de outra pessoa. apodera, pois acreditava que “achado não era roubado”

ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO: ERRO DE TIPO ESSENCIAL X ERRO DE TIPO ACIDENTAL

1) ERRO DE TIPO ESSENCIAL à inevitável ou evitável

O erro recai sobre os DADOS PRINCIPAIS do tipo.


Se avisado do erro, o agente para de agir criminosamente.
Previsão legal: art.20, caput, CP.

CP, Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se
previsto em lei.

Conceito: o agente ignora ou erra sobre elemento constitutivo do tipo legal.


Exemplo: Caçador que atira contra um arbusto pensando que lá se esconde um veado. Ao se aproximar, percebe que
matou uma pessoa. à o caçado ignora a elementar “alguém”.
Qual será a consequência do erro do caçado? Irá depender do tipo de erro, se evitável ou inevitável.

ERRO INEVITÁVEL ERRO EVITÁVEL


Exclui o dolo, pois o erro essencial exclui a consciência, e esta Exclui o dolo
é formada por consciência e vontade O erro essencial exclui a consciência (sempre)
Exclui a culpa Permite a punição a título culposo, se prevista em lei tal
Quando inevitável, não há previsibilidade, que é elemento da possibilidade.
culpa Sendo evitável, há previsibilidade.

Como aferir a evitabilidade ou inevitabilidade do erro? Há duas correntes:


1ª Corrente: deve-se invocar a figura do homem médio.
2ª Corrente: trabalha-se com as circunstâncias do caso concreto.

2) ERRO DE TIPO ACIDENTAL: erro sobre o objeto; erro sobre a pessoa; erro na execução; resultado diverso do pretendido;
erro sobre o nexo causal.

Recai sobre DADOS SECUNDÁRIOS do tipo.


Quando avisado do erro, o agente corrige os caminhos ou sentido da conduta para continuar a agir de forma ilícita.

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2.1. Erro sobre o OBJETO à teoria da concretização

Não tem previsão legal.


Conceito: o agente se confunde quanto ao objeto material (coisa) visado, atingindo objeto diverso.
Ex: Fulano, querendo subtrair um relógio de ouro, por erro, acaba furtando um relógio dourado.

ATENÇÃO! Somente haverá esta espécie de erro se a confusão de objetos materiais não interferir na essência do crime. Caso
contrário, deve ser tratado como erro de tipo essencial.

Ex: Senhora que cultiva pé de maconha no quintal de sua casa, imaginando ser planta ornamental à o objeto material
“droga” é a essência do tipo à este caso se configura erro de tipo essencial.

Consequências:
• Não exclui o dolo
• Não exclui culpa
• Não isenta o agente de pena
• O agente responde pelo crime considerando-se o objeto material efetivamente atingido à teoria da concretização.

OBJETO VISADO OBJETO ATINGIDO


Relógio de ouro Relógio de plástico (cabe privilégio)
Relógio de plástico Relógio de ouro (não cabe privilégio)

2.2. Erro sobre a PESSOA à teoria da equivalência

CP, Art.20, § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. NÃO se consideram, neste caso,
as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Conceito: equivocada representação do objeto material (pessoa visada) pelo agente. Em decorrência do erro, o agente
acaba atingindo pessoa diversa.

Obs1: erro sobre a pessoa à objeto material “pessoa”


erro sobre o objeto à objeto material “coisa”

Obs2: não existe erro na execução, mas sim erro de representação

Obs3: há 2 personagens: a vítima virtual (visada) e a vítima real (equivocadamente atingida)

Ex: Fulano quer matar seu pai (vítima virtual); porém, representando equivocadamente a pessoa que entra na casa,
acaba matando o seu tio (vítima real).

ATENÇÃO! Reparem que não houve erro na execução, mas sim confusão mental.

Consequências:
• Não exclui dolo
• Não exclui culpa
• Não isenta o agente de pena
• Responde pelo crime, mas deve ser punido considerando as qualidades da vítima virtual à teoria da equivalência.

2.3. Erro na execução/aberratio ictus

CP, Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia
ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela (pessoa pretendida à TEORIA DA
EQUIVALÊNCIA), atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o
agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código (concurso formal próprio).

Conceito: por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente acaba atingindo pessoa diversa da
pretendida.
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Ex: Fulano mira seu pai, mas por falta de habilidade no manuseio da arma, acaba atingindo seu vizinho que passava do
outro lado da rua à não existe confusão mental, mas sim erro na execução.

Consequências:
a) Aberratio ictus com resultado único: o agente atinge somente a pessoa diversa da pretendida.
• Será punido considerando-se as qualidades da vítima pretendida à teoria da equivalência

b) Aberratio ictus com resultado duplo (unidade complexa): o agente atinge a vítima real e a vítima virtual.
• Responderá pelos dois crimes em concurso formal.

Obs1: Se o erro na execução envolver “coisa” (e não “pessoa”), deve ser tratado como “erro sobre o objeto.

Obs2: Também no erro na execução temos 2 personagens: vítima virtual e vítima real.

Obs3: A vítima foi corretamente representada, mas o crime foi mal executado.

ERRO SOBRE A PESSOA ERRO NA EXECUÇÃO


Erro na representação da vítima pretendida Representa-se corretamente a vítima pretendida
A execução do crime é correta A execução do crime é errada
A pessoa visada não corre perigo (porque foi confundida com A pessoa visada corre perigo
outra)
ATENÇÃO! Nos dois erros, o agente responde pelo crime, considerando as qualidades da vítima virtual (teoria da
equivalência)

ATENÇÃO! A doutrina divide essa espécie de erro em duas modalidades.

ABERRATIO ICTUS POR ACIDENTE ABERRATIO ICTUS POR ERRO NO USO DOS MEIOS DE
EXECUÇÃO
Não há erro no golpe, mas desvio na execução Existe erro no golpe
- Desvio na execução em razão da inabilidade do agente no
uso do instrumento
A vítima visada pode ou não estar no local A vítima visada está no local
Ex: “A” coloca uma bomba no carro de “B”, para explodir Ex: “A” atira para matar “B”, mas, por inabilidade, acaba
quando acioná-lo. Naquele dia, quem ligou o carro foi a atingindo a esposa de “B”
esposa de “B”

PROBLEMA: Fulano, querendo matar seu pai, atira, mas, por erro, apesar de ferir a vítima visada, acaba matando o vizinho.

1ª Corrente (Damásio): o atirador responde por homicídio doloso consumado, considerando as qualidades do pai +
lesão corporal culposa do vizinho, em concurso formal.
2ª Corrente (Fragoso): o atirador deve responder por tentativa de homicídio do pai + homicídio culposo do vizinho, em
concurso formal. Para o professor, esta corrente é mais coerente.

2.4. Resultado diverso do pretendido (aberratio delicti/aberratio criminis)

CP, Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior*, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso
do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido,
aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
* a aberratio criminis não deixa de ser um erro na execução.

Conceito: por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente atinge bem jurídico distinto daquele que
pretendia atingir.

Ex: Fulano que danificar o carro de Beltrano. Atira uma pedra contra o veículo, mas acaba atingindo o motorista, que
vem a falecer. à queria atingir “coisa”, mas atingiu “pessoa” (bens jurídicos distintos).
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Consequências:
• O agente responde pelo resultado produzido (diverso do pretendido), a título de culpa;
• Em caso de resultado duplo, haverá concurso formal;
• Em nosso exemplo, o agente que atirou a pedra responde por homicídio a título culposo (a tentativa de dano fica
absorvida).

CUIDADO! A regra do art.74, CP deve ser afastada quando o resultado pretendido é mais grave do que o resultado pretendido
à hipótese em que o agente responde pelo resultado pretendido na forma tentada. Ex: Fulano quer matar Beltrano. Atira uma
pedra contra a cabeça de Beltrano, mas acaba atingindo o veículo da vítima.

Obs: Se o art.74 fosse aplicado nesse caso, o atirar teria que responder por dano culposo (fato atípico).

Art.73, CP: Aberratio ictus Art.74, CP: Aberratio criminis


São espécies de erro na execução
O agente, apesar do erro, atinge o mesmo bem jurídico O agente, em razão do erro, atinge bem jurídico diverso.
(vida), mas de pessoa diversa.
O resultado pretendido (ceifar a vida) coincide com o O resultado produzido (ceifar a vida) é diverso do pretendido
resultado produzido (ceifar a vida). (danificar o patrimônio)
Relação pessoa x pessoa Relação coisa x pessoa
OBS: não pode ser pessoa x coisa

2.5. Erro sobre o nexo causal

Não tem previsão legal.


Conceito: o agente produz o resultado desejado, mas com nexo diverso do pretendido.

Modalidades: a doutrina divide esta espécie em 2 modalidades:


1 – Erro sobre o nexo causal em sentido estrito: ocorre quando o agente, mediante 1 só ato, provoca o resultado visado, porém
com outro nexo.
Ex: “A” empurra “B” de um penhasco para que morra afogado (nexo visado). “B”, na queda, bate a cabeça numa rocha
e morre em razão de traumatismo craniano (nexo real).

2 – Erro sobre o nexo causal em sentido amplo/DOLO GERAL/ERRO SUCESSIVO/ABERRATIO CAUSAE: o agente, mediante
conduta desenvolvida em pluralidade de atos, provoca o resultado pretendido, porém com outro nexo.
Ex: “A” dispara (nexo visado) contra “B” (1º ato). Imaginando que “B” está morto, joga seu corpo no mar (2º ato). “B”
morre afogado (nexo real). à princípio unitário = o agente responde por um só crime

Consequência: o agente responde pelo crime produzido, prevalecendo considerar-se o nexo real, que efetivamente
aconteceu.

ERRO DE TIPO – QUESTÕES IMPORTANTES

* PROBLEMA: Fulano quer matar um agente federal em serviço. Por acidente, acaba matando outra pessoa que passava pelo
local. O crime de homicídio será processado e julgado por qual justiça: federal ou estadual?

CP CPP
Art.73: vítima virtual à fins penais Competência: vítima real à Justiça Estadual
OBS: o CPP não trabalha com erro de tipo.

* Erro de subsunção

Não tem previsão legal.


Conceito: o agente decifra equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento. É um erro que recai sobre
conceitos jurídicos.

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CUIDADO! Não se confunde com erro de tipo ou erro de proibição:
- Não se confunde com erro de tipo, pois não há falsa percepção da realidade (o agente sabe que falsifica cheque, por
ex)
- Não se confunde com erro de proibição, pois o agente conhece a ilicitude do seu comportamento (sabe que falsificar
cheque é comportamento ilícito, por ex).

Exs:
- Documento público por equiparação (art.297, §2º, CP);
- Conceito de funcionário público para fins penais (art.327, CP).
Consequência:
• Não exclui o dolo;
• Não exclui a culpa;
• Não isenta o agente de pena;
• Responde pelo crime, mas pode ter sua pena atenuada (art.65, 66, CP).

* Erro provocado por terceiro

CP, §2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Conceito: no erro determinado por terceiro, temos um erro induzido (≠erro de tipo, em que o agente erra por contra
própria).

ATENÇÃO! Temos também 2 personagens: o agente provocador (o 3º) e o agente provocado.

Ex: médico, com a intenção de matar o paciente, induz a enfermeira a ministrar dose letal do medicamento ao
paciente.

Consequência: responde pelo crime o terceiro que determina o erro (no nosso exemplo, o médico responde por
homicídio doloso na condição de autor mediato).

E o agente provocado? Em regra, não pratica crime, pois é um instrumento nas mãos do agente provocador. Se a
enfermeira agiu com dolo ou culpa, será então responsabilizada pelo evento.

RESUMINHO SOBRE “ERRO DE TIPO”

INEVITÁVEL Exclui dolo e culpa


ERRO DE TIPO ESSENCIAL
EVITÁVEL Exclui dolo

ERRO DE TIPO Erro sobre o objeto

Erro sobre a pessoa

ERRO DE TIPO ACIDENTAL Erro na execução

Resultado diverso do pretendido

Erro sobre o nexo causal

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Aula 10

CRIME COMISSIVO E CRIME OMISSIVO

CRIME COMISSIVO

O Direito Penal protege determinados bens jurídicos proibindo condutas consideradas desvaliosas. CONCLUSÃO: O
crime comissivo nada mais é do que uma conduta desvaliosa proibida pelo tipo incriminador (ação que viola um tipo proibitivo).
Ex: art.121, CP.

CRIME OMISSIVO

O Direito Penal também protege bens jurídicos proibindo a inação de condutas valiosas.

CONCLUSÃO: O crime omissivo é a não realização, isto é, omissão de uma conduta valiosa a que o agente estava juridicamente
obrigando e que lhe era possível. Viola-se um tipo mandamental.

A omissão viola um tipo mandamental. A norma mandamental que determina a ação valiosa pode decorrer:

a) Do próprio tipo penal: o tipo incriminador descreve a omissão.


à É o crime omissivo próprio/puro;
à São tipos penais que trazem expressões como “deixar de”;
à Ex: omissão de socorro (art.135, CP)

b) De cláusula geral: o dever de agir está descrito numa norma geral.


à É o crime omissivo impróprio/impuro/comissivo por omissão;
à O agente responde por crime comissivo (praticado por ação), mas em razão da sua omissão;
à Ex: mão que não alimenta o filho, deixando o filho morrer à responde por homicídio.

E se o agente desconhece que tem o dever de agir? Incorrerá em erro mandamental, que, para a 1ª corrente, é espécie
de erro de tipo; e que, para a 2ª corrente (maioria), considera-se erro de proibição.

CRIME OMISSIVO PRÓPRIO/PURO

A conduta omissiva está descrita no próprio tipo penal incriminador.


Para a sua caracterização basta a não realização da conduta valiosa descrita no tipo (ex: omissão de socorro.
CP, Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública:

CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO/IMPURO

O dever de agir – previsto em cláusula geral – está acrescido do dever de evitar o resultado.
Art.13, §2º, CP: hipóteses de dever jurídico à garantidores.
a) Tenha, por lei, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
Ex1: pais em relação aos filhos à mãe que omite o dever de alimentar filho de tenra idade, que vem a falecer à responde pelo
art.121, CP
Ex2: bombeiro que omite socorro, ocasionando a morte da vítima em perigo à responde pelo art.121, CP.

b) De outra forma assumiu a responsabilidade de impedir o resultado (abrange o dever contratual);


Ex: salva-vidas que omite o dever de socorrer sócio de um clube, que pede socorro à responde pelo art.121, CP;

c) Com o seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado


Ex: operadores de um parque de diversão deixam cadeira perigosa numa atração, sendo esta indevidamente utilizada por
visitante, que vem a falecer no acidente à responde pelo art.121, CP

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OMISSÃO PRÓPRIA OMISSÃO IMPRÓPRIA
(simples omitente) (garantidor)
Dever de agir (dever genérico) Dever de agir para evitar o resultado (dever jurídico)
O dever de agir decorre do tipo O dever de agir decorre de cláusula geral (e não do próprio tipo
incriminador)
O agente responde por crim omissivo O omitente responde por crime comissivo por omissão
OMISSÃO PRÓPRIA OMISSÃO IMPRÓPRIA
Crime unissubsistente; de mera conduta (regra); não admite Crimes próprios (garantes); crimes materiais; admitem a
tentativa tentativa
Elementos objetivos: Elementos objetivos:
- exposição do bem jurídico a perigo; - exposição do bem jurídico a perigo;
- possibilidade concreta de agir para evitar o resultado; - possibilidade concreta de agir para evitar o resultado;
- omissão do comportamento devido - omissão do comportamento devido;
- produção do resultado naturalístico;
- posição de garante.
Elemento subjetivo: em regra, é o DOLO. Há caso de crime Elemento subjetivo: DOLO ou CULPA
omissivo próprio culposo (art.13, Estatuto do Desarmamento
– omissão de cautela)

CRIME DE CONDUTA MISTA

O tipo penal incriminador é composto de ação seguida de omissão. Ex: apropriação de coisa achada (art.169, p.u., II,
CP).

CP, II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo
possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.

2º REQUISITO DO FATO TÍPICO à RESULTADO

2º REQUISITO DO FATO TÍPICO: RESULTADO


ATENÇÃO! Da conduta pode advir 2 resultados: à DECORE!
1) Resultado NATURALÍSTICO/MATERIAL;
2) Resultado JURÍDICO/NORMATIVO.

1) Resultado NATURALÍSTICO/MATERIAL: modificação do mundo exterior (perceptível pelos sentidos), provocada pelo
comportamento do agente.

CUIDADO! Não são todos os crimes que possuem ou exigem resultado naturalístico.

a) Crime MATERIAL: tem resultado naturalístico descrito no tipo, sendo indispensável sua ocorrência para a consumação.
Ex: homicídio.

b) Crime FORMAL/DE CONSUMAÇÃO ANTECIPADA: tem resultado naturalístico descrito no tipo, sendo dispensável sua
ocorrência para a consumação. Ex: extorsão.

c) Crime de MERA CONDUTA: não tem resultado naturalístico descrito no tipo. Ex: violação de domicílio.

2) Resultado JURÍDICO/NORMATIVO: lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado (princípio da lesividade).

CUIDADO! TODOS os crimes (material/formal/de mera conduta) possuem resultado jurídico.


Classificação doutrinária do crime quanto ao resultado jurídico/normativo:

1 – Crime DE DANO: quando a consumação exige efetiva lesão ao bem jurídico. Ex: art.121, CP.
CUIDADO! O crime de dano não é necessariamente um crime material.

@dicasexconcurseira 45
2 – Crime DE PERIGO: a consumação se contenta com a exposição do bem jurídico a uma situação de perigo. O crime de perigo
pode ser:

Crime de perigo ABSTRATO Crime de perigo CONCRETO Crime de PERIGO ABSTRATO DE


PERIGOSIDADE REAL
O perigo advindo da conduta é O perigo advindo da conduta deve ser O perigo advindo da conduta deve ser
absolutamente presumido por lei. comprovado. comprovado (se aproxima do crime de
perigo concreto).
- Basta o MP comprovar a conduta ATENÇÃO! Deve ser demonstrado o
risco para pessoa certa e determinada. Dispensa risco para pessoa certa e
determinada (se aproxima do crime de
perigo abstrato).

OBS: CRIME DE EMBRIAGUEZ AO VOLTANTE


* Se de perigo ABSTRATO (STF): basta o motorista embriagado conduzir o veículo para que haja o crime, mesmo que dirija
normalmente. O perigo é absolutamente presumido por lei.
* Se de perigo CONCRETO: para existir o crime, é necessário que o motorista conduza o veículo de forma anormal, gerando risco
para alguém (vítima certa e determinada);
* Se de perigo ABSTRATO DE PERIGOSIDADE REAL: para existir o crime, é necessário que o motorista embriagado conduza o
veículo de forma anormal, dispensando risco para alguém. Basta rebaixar o nível de segurança viário.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo eventual


Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na
contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual. O
condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de
outrem. STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info
904).

O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de que tenha havido dolo eventual
A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para a afirmação do dolo
eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A embriaguez do agente condutor do automóvel, sem o acréscimo de
outras peculiaridades, não pode servir como presunção de que houve dolo eventual. STJ. 6ª Turma. REsp 1689173-SC, Rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).

Crime de lesão corporal na direção de veículo não permite absorção do delito de embriaguez ao volante
Não é possível reconhecer a consunção do delito previsto no art. 306, do CTB(embriaguez ao volante) pelo crime do art. 303
(lesão corporal culposa na direção de veículo automotor). Isso porque um não é meio para a execução do outro, sendo infrações
penais autônomas que tutelam bens jurídicos distintos. Caso concreto: motorista conduzia seu veículo em estado
de embriaguez quando atropelou um pedestre. Após a colisão, policiais militares submeteram o condutor ao teste de
bafômetro, que atestou a ingestão de álcool. STJ. 5ª Turma. REsp 1629107/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/03/2018.
STJ.6ª Turma. AgRg no HC 442.850/MS, Rel. Laurita Vaz, julgado em 25/09/2018.

Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado praticou homicídio doloso ou culposo
Na primeira fase do Tribunal do Júri ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor
do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte. STJ. 6ª Turma. REsp
1689173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).

@dicasexconcurseira 46
3º REQUISITO DO FATO TÍPICO (Art.13, caput, CP) à CAUSALIDADE

Relação de causalidade: é o vínculo entre conduta e resultado. É a relação de produção entre a causa eficiente e o
efeito ocasionado. Busca aferir se o resultado pode ser atribuído objetivamente ao sujeito ativo como obra do seu
comportamento típico.

CP, Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa
a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

O art.13, caput, adotou, ao definir “causa”, a teoria da equivalência dos antecedentes causais/teoria da equivalência
das condições/teoria da causalidade simples/teoria da condição generalizada/teoria da conditio sine qua non. Para o art.13,
todo fato sem o qual o resultado não teria ocorrido é considerado causa.
Mas, como saber se o fato foi determinante para o resultado?

TEORIA DA ELIMINAÇÃO HIPOTÉTICA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS

Método empregado no campo mental da suposição ou da cogitação, através do qual causa é todo fato que, suprimido
mentalmente, o resultado não teria ocorrido como ocorreu ou no momento em que ocorreu.

FÓRMULA:
1ª Pergunta: causa da morte? De acordo com o art.13, CP, causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido.
2ª Pergunta: como saber qual ação ou omissão foi determinante para o resultado? Através do método da eliminação hipotética.

CAUSA OBJETIVA = teoria da equivalência dos antecedentes causais + teoria da eliminação hipotética.

A imputação do crime, no entanto, não regressa ao infinito, pois é indispensável a CAUSALIDADE PSÍQUICA (se o agente
agiu com dolo ou culpa), evitando responsabilidade penal objetiva.

FÓRMULAS:
CAUSA OBJETIVA = teoria da equivalência dos antecedentes causais + teoria da eliminação hipotética.
IMPUTAÇÃO DO CRIME = causa objetiva + causalidade psíquica (dolo ou culpa)

CONCAUSAS

O resultado, não raras as vezes, é feito de pluralidade de comportamentos, associação de fatores, entre os quais a
conduta do agente aparece como seu principal (mas não único) elemento desencadeante. Ex: Fulano dá veneno para Beltrano.
Horas depois, Beltrano é atropelado e morre.

Espécies de concausas:

ABSOLUTAMENTE independente RELATIVAMENTE independente


A causa efetiva do resultado não se origina do A causa efetiva do resultado se origina (ainda que
comportamento concorrente. indiretamente) do comportamento concorrente
Preexistente: a causa efetiva antecede o comportamento concorrente
Concomitante: a causa efetiva é simultânea ao comportamento concorrente.
Superveniente: a causa efetiva é posterior ao comportamento concorrente.

CONCAUSA ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE PREEXISTENTE

Ex: Fulano, às 20h, insidiosamente, serve veneno para Beltrano. Uma hora depois, quando o veneno começa a fazer
efeito, Sicrano, inimigo de Beltrano, aparece e dá um tiro no desafeto. Beltrano morre no dia seguinte em razão do veneno.
• Causa efetiva: veneno (Fulano);
• Causa concorrente: disparo de arma de fogo (Sicrano).

Obs1: o veneno (causa efetiva) não se origina do disparo (é causa absolutamente independente do disparo).

@dicasexconcurseira 47
Obs2: o veneno preexiste ao disparo.

Obs3: Fulano, que serviu o veneno, responde por crime de homicídio consumado.

Obs4: E Sicrano, autor do disparo? Responde pelo quê? De acordo com a causalidade simples, o resultado morte não pode ser
imputado a Sicrano, pois, eliminando o disparo, Beltrano morreria de todo jeito. Sicrano responde por tentativa de homicídio.

CONCAUSA ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE CONCOMITANTE

Ex: Enquanto Fulano envenenava Beltrano, supreendentemente surge Sicrano, que atira contra Beltrano, causando a
sua morte.
• Causa efetiva: disparo (Sicrano);
• Causa concorrente: veneno (Fulano)

Obs1: o disparo, causa efetiva, não se originou do veneno (absolutamente independente)

Obs2: o disparo e o veneno são comportamentos concomitantes

Obs3: o autor do disparo (Sicrano) responde por homicídio consumado.

Obs4: E Fulano, que envenenou a vítima? De acordo com a causalidade simples, o resultado não pode ser imputado a Fulano,
pois sua conduta não foi determinante para o resultado. Fulano responde por homicídio tentado.

CONCAUSA ABSOLUTAMENTE INDEPENDNE SUPERVENIENTE

Ex: Fulano ministra veneno em Beltrano. Antes do psicotrópico “fazer efeito”, Beltrano, enquanto descansava, viu o
lustre cair na sua cabeça. Beltrano morre em razão de traumatismo craniano.
• Causa efetiva: queda do lustre (traumatismo craniano);
• Causa concorrente: veneno (Fulano).

Obs1: a queda do lustre não se originou do veneno (absolutamente independe).

Obs2: a queda do lustre é posterior ao veneno (superveniente).

Obs3: o resultado deve-se à queda do lustre.

Obs4: E Fulano, que envenenou a vítima? De acordo com a causalidade adequada, o resultado morte não pode ser imputado à
Fulano, pois seu comportamento não foi determinante. Fulano responde por tentativa de homicídio.

CONCLUSÃO: Na concausa ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE (preexistente, concomitante ou superveniente), a causa


concorrente deve ser punida na forma TENTADA.

CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE PREEXISTENTE

Ex: Fulano, portador de hemofilia, é vítima de um golpe de faca, executado por Beltrano. O ataque para matar produziu
lesão leve, mas em razão da doença preexistente acabou sendo suficiente para matar a vítima.
• Causa efetiva: a doença
• Causa concorrente: o golpe de faca

Obs1: a doença (e seu desdobramento) se originou do golpe de faca (relativamente independente);

Obs2: a doença é preexistente ao golpe;

Obs3: a morte deve ser atribuída à doença;

Obs4: E Fulano, autor do golpe de faca? De acordo com a causalidade simples, o resultado deve ser imputado à Fulano, pois seu
comportamento foi determinante. Fulano responde por homicídio consumado.

@dicasexconcurseira 48
ATENÇÃO! Para evitar responsabilidade penal objetiva, o Direito Penal moderno, em casos como a morte do hemofílico, corrige
essa conclusão, de maneira que somente seria possível imputar homicídio consumado ao agente caso ele soubesse da condição
de saúde da vítima. Do contrário, haveria tentativa de homicídio.

CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENTENDE CONCOMITANTE


Ex: Fulano dispara contra Beltrano. Este, ao perceber a ação do agente, tem um colapso cardíaco e morre.
• Causa efetiva: colapso cardíaco;
• Causa concorrente: disparo (Fulano).

Obs1: o colapso cardíaco se origina do disparo (relativamente independente);

Obs2: são comportamentos concomitantes;

Obs3: o resultado morte advém do colapso cardíaco;

Obs4: e a conduta de Fulano? De acordo com a causalidade simples, o resultado deve ser imputado à Fulano, pois seu
comportamento foi determinante para a morte. Fulano responde por homicídio consumado.

CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE SUPERVENIENTE à Teoria da Causalidade ADEQUADA

CP, art.13, §1º - A superveniência de causa relativamente independente EXCLUI a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Neste caso do §1º, aplica-se a teoria da causalidade adequada/teoria da condição qualificada/teoria da condição
individualizadora. Considera-se causa a pessoa, fato ou circunstância que, além de praticar um antecedente indispensável à
produção do resultado (que para a causalidade simples é o que basta), realize uma atividade adequada à sua concretização.
O problema da causalidade superveniente se resume em assentar, conforme demonstra a experiência da vida, se o fato
conduz normalmente a um resultado dessa índole (resultado como consequência normal, provável, previsível do
comportamento humano).

ATENÇÃO! Temos 2 espécies de concausa relativamente independente superveniente:

“Que por si só produziu o resultado” “Que não por si só produziu o resultado”


A causa efetiva superveniente não está na linha de A causa efetiva superveniente está na linha de
desdobramento causa normal da conduta concorrente. desdobramento causal normal da conduta concorrente.
A causa efetiva é um evento imprevisível (sai da linha da A causa efetiva é um evento previsível (ainda que não
normalidade) previsto)
- não sai da linha da normalidade
Ex: Fulano atira para matar Beltrano. Este é socorrido, mas Ex: Fulano atira para matar Beltrano. Este é socorrido, mas
morre no hospital, em razão de um incêndio. morre em razão de erro médico durante a cirurgia.
CONCLUSÃO: Fulano responde por tentativa de homicídio. CONCLUSÃO: Fulano responde por homicídio consumado.
OBS: Infecção hospitalar à evento previsível ou imprevisível?
Doutrina clássica: evento previsível
Doutrina moderna + “certa” jurisprudência: evento imprevisível

Aula 11

TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA

Busca delimitar a imputação, sob o aspecto objetivo, evitando regresso ao infinito gerado pela teoria da causalidade
simples.
A solução para evitar o regresso ao infinito da causalidade simples foi acrescentar ao estudo da causalidade o nexo
normativo.

@dicasexconcurseira 49
CAUSALIDADE TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA
Existe causalidade objetiva quando presente o nexo físico A causalidade objetiva precisa analisar:
(mera relação de causa e efeito) - nexo físico;
- nexo normativo: à DECORE!
a) criação ou incremento de um risco proibido
b) realização do risco no resultado
c) resultado dentro do alcance do tipo
Presente a causalidade objetiva, deve-se analisar dolo e culpa Presentes o nexo físico e o nexo normativo, deve-se analisar
(evitando a responsabilidade penal objetiva) dolo e culpa.

a) Criação ou incremento de um risco proibido: entende-se por risco proibido aquele não tolerado pela sociedade. Ex: Fulano,
percebendo que seu amigo vai ser atropelado por um veículo desgovernado, empurra Beltrano ao chão para evitar o
atropelamento, fraturando o braço do amigo. Posso imputar à Fulano a fratura do braço do amigo?

TEORIA DA CAUSALIDADE TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA


Fulano é causa da fratura do braço de Beltrano (nexo físico) Fulano sequer é causa do resultado. ELE DIMINUIU RISCO
EXISTENTE.
Fulano agiu com dolo
Fulano praticou fato típico
Fulano não praticou crime, pois agiu em estado de
necessidade de terceiro

b) Realização do risco no resultado: o resultado deve estar na linha de desdobramento causal normal da conduta. Ex: Fulano
dispara contra Beltrano visando matá-lo. Beltrano, gravemente ferido, é levado até o hospital. Beltrano morre em razão do erro
médico.

TEORIA DA CASUALIDADE TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA


Fulano é causa adequada da morte Análise se o resultado é produto exclusivo do erro médico ou da combinação (erro
(o erro médico é concausa médico + disparo).
relativamente independente * Se o resultado é produto exclusivo do erro médico, só poderá ser atribuído ao autor
superveniente que não por si só desse risco. Ex: Paciente, depois da cirurgia, durante sua recuperação no hospital, por
produziu o resultado) negligência do médico, recebe remédio em dose excessiva, causando a sua morte.
CONCLUSÃO: o médico responde por homicídio culposo e o atirador por tentativa de
homicídio.

* Se o resultado é produto combinado de ambos os riscos (lesões em razão do


disparo e falha médica), então pode ser atribuído aos dois autores. Ex: a falha médica
ocorre durante a cirurgia para estancar hemorragia na vítima.
CONCLUSÃO: o médico responde por homicídio culposo e o atirador responde por
homicídio doloso
Fulano responde por homicídio
doloso
O médico responde por homicídio
culposo

c) Resultado dentro do alcance do tipo: o perigo pelo comportamento do agente deve ser alcançado pelo tipo, modelo de
conduta que não se destina a impedir todas as contingências do cotidiano. Ex: Fulano atira em Beltrano para matar. A vítima é
socorrida e transportada numa ambulância para cirurgia de emergência. No trajeto, a ambulância, em alta velocidade, colide
contra um poste, matando o paciente.

TEORIA DA CAUSALIDADE TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA


Fulano é causa adequada da morte (o acidente é concausa Fulano não é causa normativa da morte
relativamente independente superveniente que não por si só A morte de Beltrano por acidente de trânsito não se encontra
causou o resultado) dentro do alcance do do art.121, CP

@dicasexconcurseira 50
Não é objetivo do art.121, CP prevenir mortes causadas por
acidentes de veículo
Fulano responde por homicídio doloso consumado Fulano responde por homicídio tentado

JÁ CAIU EM PROVA à PROGNOSE PÓSTUMA OBJETIVA!

A prognose póstuma objetiva se resume a um juízo de apreciação do aumento do risco, em que o magistrado no transcurso do
processo, isto é, ulteriormente à ocorrência do fato, coloca-se, hipoteticamente, como um observador na cena do ato, em
momento anterior à sua prática, considerando os conhecimentos de uma pessoa prudente do círculo social do agente. Somado
a isso, acrescente-se os conhecimentos especiais deste naquela ocasião. Pronto, esta é a fórmula de análise da prognose
póstuma objetiva.

“Prognose, porque é um juízo formulado de uma perspectiva ex ante, levando-se em conta apenas dados conhecidos no
momento da prática da ação; Objetiva, porque a prognose parte dos dados conhecidos por um observador objetivo, por um
homem prudente, cuidadoso – e não apenas por um homem médio – pertencente ao círculo social em que se encontra o autor.
Póstuma, porque, apesar de tomar em consideração apenas os fatos conhecidos pelo homem prudente no momento da prática
da ação, a prognose não deixa de ser realizada pelo juiz, ou seja, depois da prática do fato” (GRECO, 2007, p.25-26)

CAUSALIDADE NOS CRIMES OMISSIVOS

Lembrando: os crimes omissivos dividem-se em próprios e impróprios.

1 – Causalidade nos crimes omissivos PRÓPRIOS


Ex: omissão de socorro.
Nesses casos, a lei prevê e pune a inação.

CONCLUSÃO: basta o agente não agir sem risco pessoal. Não se questiona o nexo de causalidade. É delito de mera
conduta (sem resultado naturalístico).

ATENÇÃO! Em determinados crimes omissivos próprios, é possível ligá-los a resultados naturalísticos que funcionam
como qualificadoras ou causa de aumento. Nessas hipóteses, é indispensável comprovar a relação de causalidade (de não
impedimento) entre a omissão e o resultado ocorrido.

CP, Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se
resulta a morte.

• O art.135, caput, é crime de mera conduta e não exige nexo causal.


• O p.u. do art.135 descreve resultado naturalístico causado pela omissão.

2 – Causalidade nos crimes omissivos IMPRÓPRIOS


Ex: mãe deixa de alimentar filho de tenra de idade, que vem a falecer.
Pune-se o omitente como se tivesse praticado ativamente o resultado (crime comissivo por omissão).
Exige resultado naturalístico.

4º REQUISITO DO FATO TÍPICO: TIPICIDADE PENAL

DOUTRINA TRADICIONAL
Fato típico:
a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade penal = tipicidade formal (ajuste perfeito do fato à norma)
Ex: subtrair caneta bic é fato típico.

@dicasexconcurseira 51
DOUTRINA MODERNA
Fato típico:
a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade penal = tipicidade formal + tipicidade material (relevância da lesão ou do perigo de lesão ao bem jurídico
tutelado)

CONCLUSÃO: o princípio da insignificância exclui a tipicidade material do fato.


Ex: subtrair caneta bic não é fato típico.

TIPICIDADE CONGLOBANTE (Zaffaroni)


Fato típico:
a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade penal = tipicidade formal + tipicidade conglobante (tipicidade material + atos antinormativos, ou seja, atos
não determinados ou não incentivados por lei)
Ex: de acordo com Zaffaroni, no caso de o oficial de justiça cumprir uma ordem, executando a penhora e o sequestro de um
quadro de propriedade de um dever, apesar de presentes a tipicidade formal e a tipicidade material, não existe tipicidade
penal, pois o ato do oficial não é antinormativo, mas normativo, determinado por lei. Não se pode admitir que, na ordem
normativa, uma norma (CPC) ordene o que outra proíbe (CP).
Obs: para a doutrina tradicional, o oficial de justiça age em estrito cumprimento do dever legal (excludente de ilicitude).

O segundo substrato do crime é ilicitude ou antijuridicidade?

1ª Corrente: o segundo substrato do crime é a ILICITUDE (não se podendo falar em antijuridicidade). É sabido que, na teoria
geral do Direito, “crime” constitui fato jurídico.
CONCLUSÃO: a expressão “antijurídico” como elementar do crime causa contradição.

2ª Corrente: o segundo substrato do crime é a ILICITUDE ou ANTIJURIDICIDADE. A contradição apontada pela 1ª corrente é
aparente, pois o termo antijuridicidade é usado exclusivamente na teoria geral do crime, não se confundindo com a teoria geral
do Direito.

ILICITUDE: CONCEITO

Conduta típica NÃO JUSTIFICADA, espelhando a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico
como um todo.

Relação entre tipicidade e ilicitude


1ª Teoria: Teoria da Autonomia ou Absoluta Independência
- Von Beling (1906)
- A tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude.
CUIDADO! Excluída a ilicitude, o fato permanece típico.
Ex: Fulano mata Beltrano à temos um fato típico. Comprovado que Fulano agiu em legítima defesa, exclui a ilicitude, mas
permanece o fato típico.

2ª Teoria: Teoria da Indiciariedade ou da Ratio Cognoscendi à adotada pelo Brasil!


- Mayer (1915)
A existência de fato típico gera presunção de ilicitude. Gerando presunção de ilicitude, inverte-se o ônus da prova nas
descriminantes. Fulano é que tem que comprovar que agiu em legítima defesa. Ex: Fulano mata Beltrano. Comprovada a
tipicidade, presume-se a ilicitude. Fulano deve provar que agiu em legítima defesa. Comprovando a legítima defesa, desaparece
a ilicitude, mas o fato permanece típico.
- Relativa dependência.
CUIDADO! Excluída a ilicitude, o fato permanece típico.

@dicasexconcurseira 52
3ª Teoria: Teoria da Absoluta Dependência ou Ratio Essendi
- Mezger (1930)
A ilicitude é essência da tipicidade, numa relação de absoluta dependência. Tipo total do injusto (fato típico + ilicitude).
CUIDADO! Excluída a tipicidade, exclui-se o fato típico.

4ª Teoria: Teoria dos Elementos Negativos do Tipo


- Chega no mesmo resultado da 3ª teoria, mas por outro caminho.
De acordo com essa teoria, o tipo penal é composto de elementos positivos (explícitos) e elementos negativos (implícitos).
ATENÇÃO! Para que o fato seja típico, é preciso praticar os elementos positivos do tipo e não praticar os elementos negativos do
tipo.

Comprovada a causa de exclusão da Comprovado que o fato não ocorreu Ficou a dúvida se o fato típico é ou não
ilicitude sob o manto de descriminante ilícito
ABSOLVE CONDENA CONDENA, pois o ônus da prova é da
defesa, não se aplicando o in dubio pro
reu

Mas...
CPP, Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do art. 28, todos do
Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;

Comprovada a causa de Comprovada a ilicitude Ficou a DÚVIDA se presente Ficou a FUNDADA DÚVIDA
exclusão da ilicitude a descriminante se presente a descriminante
ABSOLVE CONDENA CONDENA ABSOLVE

CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE (DESCRIMINANTES OU JUSTIFICANTES)

Regra: art.23, CP
Descriminantes na parte especial do CP – ex: aborto permitido (art.128)
Descriminantes na legislação extravagante – ex: Lei 9.608/98
Descriminantes não prevista em lei (supralegal) – consentimento do ofendido

Exclusão de ilicitude
CP, Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

ESTADO DE NECESSIDADE

CP, Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua
vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-
se.
§1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
§2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de 1/3 a 2/3.

A noção de estado de necessidade remete à ideia de sopesamento de bens diante de uma situação adversa. Se há 2
bens em perigo, permite-se que seja sacrificado um deles, pois a tutela penal não consegue proteger ambos.

Fundamento jurídico: reside no conflito de interesses diante de situação adversa. O agente atua movido pelo espírito
de conservação, de preservação, de proteção do bem jurídico em risco.

Requisitos: objetivos (art.24, CP) + subjetivos (decorrência do finalismo).


@dicasexconcurseira 53
Requisitos objetivos:
1 – Perigo atual: é o risco presente causado por conduta humana (ex: carro desgovernado), por comportamento animal (ex:
ataque de cachorro) ou por fato da natureza (ex: desmoronamento).

ATENÇÃO! No estado de necessidade, o perigo não tem destinatário certo!

E o perigo iminente (prestes a desencadear-se)?


1ª Corrente: diante do silêncio da lei, o perigo iminente não autoriza estado de necessidade. Perigo iminente significa perigo do
perigo, algo muito distante para autorizar o sacrifício do bem jurídico alheio. Corrente a ser adotada em prova objetiva.
2ª Corrente: diante do silêncio, o perigo iminente autoriza estado de necessidade. Aliás, é difícil a tarefa de definir quando o
perigo deixa de ser iminente e passa a ser atual.

Quanto à existência do perigo, a doutrina classifica o estado de necessidade em:


a) Estado de necessidade REAL: a situação de perigo existe efetivamente (exclui a ilicitude);
b) Estado de necessidade PUTATIVO: a situação de perigo não existe (não exclui a ilicitude).

2 – Que a situação de perigo não tenha sido causada voluntariamente pelo agente: se o agente é o causador voluntário do
perigo, não pode alegar estado de necessidade.

O que significa ser causador voluntário do perigo?


1ª Corrente (prevalece): ser causador voluntário é ser causador DOLOSO do perigo.
CONCLUSÃO: o agente que negligentemente provoca incêndio no cinema pode alegar estado de necessidade para salvar a sua
vida (só não pode alegar o causador doloso).

2ª Corrente (Mirabete): ser causador voluntário é ser causador doloso ou culposo do perigo.
CONCLUSÃO: mesmo o agente que negligentemente provoca incêndio no cinema, não pode alegar estado de necessidade do
mesmo modo que o causador doloso. O causador se torna um “garantidor” (art.13, §2º, “c”, CP).

3 – Salvar direito próprio ou alheio


Para alegar estado de necessidade de terceiro, é preciso de autorização do terceiro?
1ª Corrente (prevalece): na salvaguarda de terceiro, é DISPENSÁVEL a autorização do titular do direito ameaçado.

2ª Corrente: na salvaguarda do interesse de terceiro, só é dispensável a autorização do titular do direito ameaçado quando se
tratar de bem indisponível; se disponível, é necessária a autorização.

4 – Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo


Se o agente tem o dever legal de enfrentar o perigo, não pode alegar estado de necessidade enquanto o perigo
comportar enfrentamento.

O que significa “dever legal”?


1ª Corrente: apenas aquele derivado de mandamento legal (art.13, §2º, “a”, CP).
CONCLUSÃO: o bombeiro tem o dever legal de enfrentar o perigo; salva-vidas de um clube não tem um dever legal, mas sim
contatual.

2ª Corrente (prevalece; Exposição de Motivos do CP): por dever legal entende-se o dever jurídico de agir, abrangendo todas as
hipóteses do art.13, §2º, CP (“a”, “b” e “c”).
CONCLUSÃO: bombeiro e salva-vidas de um clube tem o dever legal de enfrentar o perigo.

5 – Inevitabilidade do comportamento lesivo


O único meio para salvar direito próprio ou de terceiro é o cometimento de fato lesivo, sacrificando-se bem jurídico
alheio. Não pode ser o meio mais cômodo.

ATENÇÃO! No estado de necessidade, a FUGA do perigo é o caminho preferido.

Quanto ao terceiro que sofre a ofensa, a doutrina classifica o estado de necessidade em:
a) Estado de necessidade DEFENSIVO: sacrifica-se bem jurídico do próprio causador do perigo.
b) Estado de necessidade OFENSIVO: sacrifica-se bem jurídico de pessoa alheia ao perigo. Neste caso, há obrigação de reparar o
dano.

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6 – Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado
Trata-se do requisito da proporcionalidade (direito protegido x direito sacrificado).

Teoria DIFERENCIADORA Teoria UNITÁRIA à CP!


Estado de necessidade justificante Estado de necessidade justificante
- Exclui a ilicitude - Exclui a ilicitude
Bem protegido: vale + ou = Bem protegido: vale + ou =
Bem sacrificado: vale – ou = Bem sacrificado: vale – ou =
Estado de necessidade exculpante E no caso do bem protegido valer menos que o bem
- Exclui a culpabilidade sacrificado?
Bem protegido: vale – (ex: patrimônio) Poderá servir como diminuição de pena (de 1/3 a 2/3) –
Bem sacrificado: vale + (ex: vida) art.24, §2º, CP

Requisito subjetivo: exige do agente conhecimento da situação justificante (consciência e vontade de salvar de perigo
atual direito próprio ou de terceiro).

Aula 12

LEGÍTIMA DEFESA

CP, Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual
ou iminente, a direito seu ou de outrem.

Fundamentos da legítima defesa:


a) No prisma jurídico-individual: é o direito que todo homem possui de defender seu bem jurídico de uma agressão injusta.
b) No prisma jurídico-social: o ordenamento não deve ceder ao injusto.

Requisitos: a legítima defesa depende de requisitos objetivos e um subjetivo.

Requisitos objetivos:
1 – Agressão injusta: conduta humana contrária ao direito que ataca ou coloca em perigo bens jurídicos de alguém.

A agressão injusta é dolosa ou culposa?


1ª Corrente (LFG): a conduta humana pode ser dolosa ou culposa. É possível legítima defesa de agressão culposa injusta.

2ª Corrente: para caracterizar legítima defesa, a agressão deve ser dirigida a destinatário certo, pressupondo dolo. A agressão
culposa é, na verdade, um perigo atual, autorizando estado de necessidade.

ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA


Perigo atual Agressão injusta
Não tem destinatário certo Tem destinatário certo

CUIDADO! Agressão injusta não significa necessariamente fato típico. Ex: reagir diante de furto de uso ou de subtração de uma
laranja (princípio da insignificância).

ATENÇÃO! Uma vez constatada a injusta agressão, o agredido pode rebatê-la, NÃO se lhe exigindo fuga do local. Fuga do local =
commodus discessus.

Commodus Discessus
Não é requisito da legítima defesa. É requisito do estado de necessidade.

Para Roxin, não se deve conceder a ninguém um direito ilimitado de legítima defesa face à agressão de um inimputável,
de modo que a excludente de ilicitude não se aplica a todas as situações, mas apenas naquelas em que a reação/combate se
mostra inevitável.

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CONCLUSÃO: dessa forma, para Roxin, o commdus discessus seria requisito também da legítima defesa, quando a agressão fosse
praticada por inimputável.

Quanto à existência da agressão, a legítima defesa classifica-se em:


a) Legítima defesa REAL: o ataque existe efetivamente (exclui a ilicitude).
b) Legítima defesa PUTATIVA: o ataque é fantasioso (não exclui a ilicitude).

Defender-se de ataque de animal é estado de necessidade ou legítima defesa?

ATAQUE DE ANIMAL
ATAQUE NÃO PROVOCADO ATAQUE PROVOCADO PELO DONO
Configura perigo atual Configura agressão injusta
Estado de necessidade Legítima defesa
Sendo possível a fuga, a pessoa não deve abater o animal Mesmo sendo possível a fuga, a pessoa atacada pode reagir

2 – Agressão atual ou iminente


Atual: está ocorrendo
Iminente: está prestes a ocorrer
Agressão futura + certa à a reação é considerada legítima defesa antecipada (fato típico, ilícito, porém não culpável); é caso de
inexigibilidade de conduta diversa;
Agressão passada à reagir à ela é mera vingança
Agressão futura + incerta à mera suposição

OBS: uma conduta culposa coloca em perigo pessoas indeterminadas; e a legítima defesa exige destinatário certo.

3 – Uso moderado dos meios necessários


“Meio necessário”: meio menos lesivo à disposição do agredido no momento da agressão, porém, capaz de repelir o ataque com
eficiência. Encontrado o meio necessário, deve ser utilizado de forma moderada.

4 – Salvar direito próprio ou alheio


Direito próprio à legítima defesa própria/in persona
Direito alheio à legítima defesa de terceiro/ex persona

Requisito subjetivo: decorrência do finalismo (conduta com fim de defender-se).

ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA


Conflito entre vários bens jurídicos diante da mesma situação Ameaça ou ataque a um bem jurídico
de perigo
Pressupõe: perigo + atual + sem destinatário certo Pressupõe: agressão humana + atual/iminente + injusta +
com destinatário certo
Os interesses em conflito são legítimos. Os interesses do agressor são ilegítimos.
CONCLUSÃO: cabe estado de necessidade x estado de CONCLUSÃO: não cabe legítima defesa x legítima defesa.
necessidade.

Legítima defesa x Erro na execução


“A”, querendo agredir “B”, o ameaça com um revólver. “B”, na reação, acaba atingindo “C”. “B” pode alegar legítima defesa?
1ª Corrente (prevalece): o art.73, CP manda considerar a vítima pretendida (teoria da equivalência). Assim, “B” pode alegar a
legítima defesa.

2ª Corrente (Aníbal Bruno): não havendo reação contra o agressor, atingindo um inocente, “B” pode alegar estado de
necessidade (e não legítima defesa).

ATENÇÃO!
Legítima defesa simultânea: pressupondo agressão injusta, NÃO É POSSÍVEL duas pessoas, simultaneamente, uma contra a
outra, agindo em legítima defesa.

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Legítima defesa sucessiva: nada impede legítima defesa sucessiva, que é a reação contra o excesso do agressor.

Legítima defesa x legítima defesa putativa (ato injusto): é possível.

Legítima defesa putativa (ato injusto) x legítima defesa putativa (ato injusto): nenhum dos dois pode alegar excludente de
ilicitude.

Legítima defesa x Estado de necessidade à a legítima defesa pressupõe agressão injusta, isto é, contrária ao Direito. O estado
de necessidade é comportamento permitido por lei. CONCLUSÃO: não é possível legítima defesa x estado de necessidade.
Temos, neste caso, estado necessidade x estado de necessidade.

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

O agente público, no desempenho de suas atividades, não raras as vezes é obrigado, por lei (em sentido amplo), a violar um
bem jurídico. Essa intervenção lesiva, dentro de limites aceitáveis, é justificada pelo estrito cumprimento de um dever legal.
Ex1: Policial que emprega violência necessária para executar prisão em flagrante de perigoso bandido (art.301, CPP).
Ex2: Juiz, na sentença, emite conceito desfavorável quando se reporta ao sentenciado (art.142, III, CP).

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
Obs1: estrito cumprimento do dever legal à por “dever legal”, entenda-se todas as espécies normativas.

Obs2: Francisco de Assis Toledo ensinava que a expressão “dever legal” abrange também os costumes.

Obs3: estrito cumprimento do dever legal é norma penal em branco, que deve ser complementada por outra norma jurídica. Ex:
policial que prendeu em flagrante delito preciso do art.301, CPP.

Obs4: o agente deve ter conhecimento de que está praticando a conduta em face de dever imposto por lei (aspecto subjetivo da
descriminante).

Obs5: para os adeptos da tipicidade conglobante, o estrito cumprimento do dever legal não serve como excludente da ilicitude,
mas sim da própria tipicidade.

O particular pode alegar estrito cumprimento do dever legal?


1ª Corrente (Mirabeti): essa descriminante é exclusiva dos agentes públicos. Abrange os particulares apenas quando no
exercício da função pública (ex: mesário).

2ª Corrente (Flávio Monteiro de Barros e maioria da doutrina): particular também pode invocar essa descriminante. Ex:
advogado que se recusa a depor em juízo em razão do dever de sigilo profissional.

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

Compreende condutas do cidadão comum, autorizadas pela existência de um direito definido em lei e condicionadas à
regularidade do exercício desse direito. DICA:

Estrito cumprimento do dever legal Exercício regular de direito


Agentes públicos - a maioria entende que o particular Cidadão comum
também pode invocar essa descriminante

Ex1: qualquer do povo prendendo perigoso assaltante em flagrante delito à exercício regular de direito previsto no art.301,
CPP. É exercício regular de direito pro magistratu: o Estado, não podendo estar presente para impedir a ofensa a um bem
jurídico ou recompor a ordem pública, incentiva o cidadão a atuar no seu lugar.

Ex2: luta de boxe (a violência empregada nesse esporte também caracteriza exercício regular de direito).

Ex3: possuidor de boa-fé que retém coisa alheia para ressarcir-se das benfeitorias necessárias e úteis não pagas (art.1219, CC).

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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
Obs1: Essa descriminante também deve ser complementada por outra norma, que anuncia o direito do cidadão à é mais uma
espécie de descriminante penal em branco

Obs2: Para configurar o exercício regular de direito, é indispensável proporcionalidade + indispensabilidade + conhecimento da
situação do fato justificante (aspecto subjetivo).

Obs3: Para os adeptos da tipicidade conglobante, o exercício regular do direito não exclui a ilicitude, mas a própria tipicidade
penal.

OFENDÍCULOS

Aparato preordenado para a defesa do patrimônio. Exs: cerca elétrica, cacos de vidro, animal.

Natureza jurídica:
1ª Corrente: legítima defesa.

2ª Corrente: exercício regular de direito.

3ª Corrente (prevalece)
- Enquanto não acionado: exercício regular do direito.
- Quando acionado: legítima defesa preordenada.

4ª Corrente:

Ofendículo Defesa mecânica predisposta


Visível Oculta
Exercício regular do direito Legítima defesa

OBS: independentemente da corrente que se adota, o ofendículo traduz direito do cidadão de defender seu patrimônio,
devendo ser utilizado com prudência e consciência, evitando excessos.

CONSENTIMENTO DO OFENDIDO à CAUSA SUPRALEGAL EXCLUDENTE DA ILICITUDE

Requisitos:
1 – O dissentimento (não consentimento) não pode integrar o tipo penal, não pode ser elementar do tipo.
ATENÇÃO! Se o não consentimento é elementar do tipo, o consentimento do ofendido exclui a própria tipicidade.

2 – Ofendido capaz de consentir

3 – Consentimento válido (livre e consciente)

4 – Bem disponível

5 – Bem próprio

6 – Consentimento prévio ou simultâneo à lesão ao bem jurídico à o consentimento posterior não exclui a ilicitude, mas pode
refletir na punibilidade (pode configurar renúncia ou perdão, nos crimes de ação penal privada)

7 – Consentimento expresso (parte da doutrina admite o consentimento tácito)

8 – Ciência da situação de fato que autoriza a justificante (requisito subjetivo)

OBS: a doutrina moderna postula rotula a integridade física como bem disponível, desde que a lesão seja leve e não contrarie à
moral e aos bons costumes.

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DESCRIMINANTE PUTATIVA à APRENDA!

Existem 2 formas de fantasiar uma descriminante:

1 – O agente supõe agir sob o manto de uma justificante em razão do ERRO quanto à sua EXISTÊNCIA ou seus LIMITES.
Apesar de conhecer a situação de fato, ignora a ilicitude do comportamento.

Ex: Fulano, depois de ser agredido com um tapa no rosto, acredita estar autorizado a revidar com um disparo de arma de fogo
à Fulano erra quanto aos LIMITES da legítima defesa.

CONCLUSÃO: este erro deve ser equiparado a ERRO DE PROIBIÇÃO (é o chamado ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ou ERRO DE
PERMISSÃO).

2 – O agente engana-se quanto aos pressupostos fáticos do evento. Supõe estar diante de uma situação de fato que, na
realidade, não existe. Prevista no art.20, §1º, CP.

Ex: Fulano, acreditando que seu inimigo Beltrano vai agredi-lo, adianta-se e atira contra o desafeto, percebendo, depois, que
Beltrano jamais queria ataca-lo. à Fulano equivocou-se quanto aos pressupostos fáticos da legítima defesa, imaginando uma
injusta agressão que nunca existiu.

O erro sobre os pressupostos fáticos deve ser tratado como erro de tipo ou erro de proibição?

1 – Teoria LIMITADA da Culpabilidade (BRASIL): o erro sobre os pressupostos fáticos deve equiparar-se a ERRO DE TIPO. Se
inevitável, exclui dolo e culpa; se evitável, pune a culpa, desde que prevista em lei.

2 – Teoria EXTREMADA da Culpabilidade: entende que esse erro equipara-se a erro de proibição. Quando inevitável, isenta o
agente de pena; se evitável, diminui a pena.

3 – Teoria EXTREMADA “SUI GENERIS” da Culpabilidade: o art.20, §1º, CP adotou as duas teorias anteriores, seguindo a
extremada quando o erro for inevitável; e a limitada quando o erro é evitável.

Lembrando:

ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO


Inevitável: exclui dolo e culpa Inevitável: isenta de pena
Evitável: pune a culpa, se prevista em lei Evitável: diminui a pena (de 1/6 a 1/3)

Aula 13

ITER CRIMINIS

Caminho percorrido pelo crime, conjunto de fases que se sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito
(doloso).
Fases:
1) Cogitação;
2) Preparação/Conatus Remotus
3) Execução
4) Consumação (quando, no crime, se reúnem todos os elementos de sua definição legal)

OBS: a tentativa se estabelece entre a execução e a consumação.

1 – Cogitação: ideação do crime. Esta fase é impunível (desdobramento lógico do princípio da materialização do fato); querer
punir a cogitação é direito penal do autor.
CUIDADO! Cogitação não implica, necessariamente, em premeditação.

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2 – Atos Preparatórios/Conatus Remotus: o agente procura criar condições para a realização da conduta idealizada.
ATENÇÃO! Os atos preparatórios são, em regra, impuníveis. Exemplo de exceção: art.288, CP.

3 – Atos Executórios: traduzem a maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o crime idealizado. Em regra,
somente os atos executórios são puníveis.

Atos preparatórios x Atos executórios – Ex: Fulano quer subtrair objetos do interior de um imóvel. Aguarda, na
esquina, o dono do imóvel deixar a residência. Depois que o dono sai, Fulano pula o muro e toma a intimidade da casa. Fulano
apodera-se do aparelho visado.

Quando se iniciou a execução?


Momento em que aguarda na esquina?
Momento em que pula o muro e toma a intimidade do imóvel?
Momento do apoderamento do aparelho visado?

TEORIAS SOBRE O MOMENTO DO INÍCIO DA EXECUÇÃO

a) Teoria da hostilidade ao bem jurídico (critério material): para essa teoria, consideram-se atos executórios aqueles que
atacam o bem jurídico, criando-lhe concreta situação de perigo.
No exemplo anterior, essa teoria corresponde ao momento 1 (aguardar na esquina).

b) Teoria objetivo-formal: entende-se como ato executório aquele inicia a realização do núcleo do tipo.
No exemplo anterior, essa teoria corresponde ao momento 3 (apoderamento do bem),

c) Teoria objetivo-individual (STF e Zaffaroni): consideram-se atos executórios aqueles que, de acordo com o plano do agente,
ocorrem no período imediatamente anterior ao começo da realização do núcleo do tipo.
No exemplo anterior, essa teoria corresponde ao momento 2 (pula o muro e toma a intimidade do imóvel).

4 – Consumação: é o instante da composição plena do fato criminoso.

OBS: o exaurimento não integra o iter criminis.

SE LIGA à CRIME EXAURIDO/ESGOTADO!

Também chamado de CRIME EXAURIDO ou CRIME ESGOTADO, é o delito em que, posteriormente à consumação, subsistem
efeitos lesivos derivados da conduta do autor. É o caso do recebimento do resgate no crime de extorsão mediante sequestro,
desnecessário para fins de tipicidade, eis que se consuma com a privação da liberdade destinada a ser trocada por indevida
vantagem econômica.
Por guardar estreita relação com os CRIMES FORMAIS, o exaurimento é chamado por Zaffaroni e Pierangelli de CONSUMAÇÃO
MATERIAL.
No terreno da tipicidade, o exaurimento NÃO compõe o iter criminis, que se encerra com a consumação.
Influi, contudo, na dosimetria da pena.
Em alguns casos, o exaurimento pode funcionar como QUALIFICADORA (como se dá na resistência - art.329, §1º, CP) ou como
CAUSA DE AUMENTO DE PENA (como se dá na corrupção passiva - art.317, §1º, CP).

CRIME CONSUMADO

CP, Art. 14 - Diz-se o crime:


Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;

CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA
a) Crime MATERIAL: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico e este é indispensável para a consumação. Ex:
homicídio.

b) Crime FORMAL/DE CONSUMAÇÃO ANTECIPADA: o tipo penal também descreve conduta + resultado naturalístico, mas este
é dispensável para a consumação. Ex: extorsão.

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c) Crime de MERA CONDUTA: o tipo penal só descreve a conduta, não exigindo qualquer resultado naturalístico. Ex: violação de
domicílio.

d) Crime PERMANENTE: a consumação se protrai no tempo (até que o agente encerre a conduta delituosa). Exs: sequestro,
cárcere privado, extorsão mediante sequestro.

e) Crime HABITUAL: a consumação exige reiteração da conduta típica. Ex: exercer curandeirismo.

Súmula 711, STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade ou da permanência.

CUIDADO! Crime consumado não se confunde com crime exaurido (esgotado plenamente). O exaurimento:
a) Pode servir como circunstância judicial desfavorável (utilizada na fixação da pena base);
b) Pode atuar como qualificadora – ex: art.329, §1º, CP (crime de resistência; se, em razão da resistência o ato não se executa,
qualifica-se o crime);
c) Pode caracterizar causa de aumento de pena – ex: art.317, §1º, CP (corrupção passiva).
d) Pode configurar crime autônomo – ex: art.148, §1º, V, CP (se houver atos libidonosos, o exaurimento pode configurar o crime
de estupro).

TENTATIVA

Art. 14 - Diz-se o crime:


Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída
de um a dois terços.

O art.14, II, CP atua como norma de extensão temporal, ampliando a proibição para alcançar fatos humanos
realizados de forma incompleta. É uma adequação típica indireta/mediata.

Elementos do crime tentado:


1 – Início da execução
2 – Não consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do agente
3 – Dolo de consumação
4 – Resultado possível (≠ crime impossível)

TEORIAS/SISTEMAS DE PUNIÇÃO DA TENTATIVA

1 – Teoria OBJETIVA/REALÍSTICA: observa o aspecto objetivo do delito (sob a perspectiva dos atos praticados pelo agente).
CONCLUSÃO: por ser objetivamente incompleta, a tentativa merece pena reduzida.

2 – Teoria SUBJETIVA/VOLUNTARÍSTICA/MONISTA: observa o aspecto subjetivo do delito (sob a perspectiva do dolo).


CONCLUSÃO: sob a perspectiva subjetiva (dolo), a consumação e a tentativa são idênticas. Logo, a tentativa deve ter a pena da
consumação sem qualquer redução.

Em regra, o CP adota a TEORIA OBJETIVA à pune a tentativa com a pena reduzida de 1/3 a 2/3.

Excepcionalmente, o CP adota a TEORIA SUBJETIVA à pune a tentativa com a mesma pena do crime consumado. Ex:
art.352, CP (evasão mediante violência contra a pessoa), art.309, Código Eleitoral (votar ou tentar votar mais de uma vez).

CURIOSIDADE! Exemplos de crimes que são punidos apenas na forma tentada (só pune a tentativa; a consumação é fato
atípico): arts.11 e 17 da Lei 7170/83 – crimes de lesa pátria (tentar desmembrar parte do território nacional para constituir pais
independente + tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito).

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ESPÉCIES DE TENTATIVA

1 – Quanto ao “iter” percorrido:


a) Tentativa IMPERFEITA/INACABADA: o agente é impedido de prosseguir ao seu intento, deixando de praticar os atos
executórIos à sua disposição.

b) Tentativa PERFEITA/ACABADA/CRIME FALHO: apesar de o agente praticar todos os atos executórios à sua disposição, não
consuma o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.

DE OLHO NA JURIS! Na punição da tentativa, quanto maior o iter criminis percorrido pelo agente, menor será a fração da causa
de diminuição
Como regra, o Código Penal, em seu art. 14, II, adotou a teoria objetiva quanto à punibilidade da tentativa, pois, malgrado
semelhança subjetiva com o crime consumado, diferencia a pena aplicável ao agente doloso de acordo com o perigo de lesão ao
bem jurídico tutelado. Nessa perspectiva, jurisprudência do STJ adota critério de diminuição do crime tentado de forma
inversamente proporcional à aproximação do resultado representado: quanto maior o iter criminis percorrido pelo agente,
menor será a fração da causa de diminuição. STJ. 5ª Turma. HC 226359/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2016.

2 – Quanto ao resultado produzido na vítima


a) Tentativa INCRUENTE/BRANCA: o golpe não atinge o corpo da vítima. Redução da pena em 2/3.

b) Tentativa CRUENTA/VERMELHA: o golpe atinge o corpo da vítima. Redução da pena em 1/3.

3 – Quanto à possibilidade de alcançar o resultado


a) Tentativa IDÔNEA: o resultado era possível de ser alcançado.

b) Tentativa INIDÔNEA: o resultado era absolutamente impossível de ser alcançado. É o chamado crime impossível do art.17,
CP.

INFRAÇÕES PENAS QUE NÃO ADMITEM A TENTATIVA à DECORE!

1 – Crime culposo, pois não existe dolo de consumação.


ATENÇÃO! Admite-se a tentativa na culpa imprópria (numa descriminante putativa, se o erro é evitável, pune-se o crime a título
de culpa. A estrutura do crime é dolosa, mas a punição é culposa; por isso de admite a tentativa = por existir dolo de
consumação)

2 - Crime preterdoloso: o resultado que agrava ou qualifica o crime não é alcançado pelo dolo do agente (e sim a título de
culpa).
ATENÇÃO! É possível a tentativa quando a parte frustrada do crime é a dolosa.

3 – Crimes unissubsistentes: consideram-se consumados com a prática de um único ato; não admitem fracionamento da
execução.
3.1. Crime de mera conduta (obs: a “violação de domicílio” é uma exceção, pois admite a tentativa na modalidade “entrar”);
3.2. Crime omissivo próprio.

4 – Contravenção penal (até é possível tentativa de contravenção, mas ela não é punível).

5 – Crime de atentado ou de empreendimento: crime cuja forma tentada é punida com a mesma pena da consumação.
Ex: art.352, CP. Na realidade, o crime de atentado admite tentativa; o que não se admite é a redução da pena em razão da
tentativa.

6 – Crimes habituais: são caracterizados pela reiteração de atos.


1 ato = fato atípico; 2 atos = fato consumado à logo, não há meio termo/tentativa.

7 – Crime condicionado ao implemento de um resultado: só serão puníveis se o evento descrito na norma efetivamente
ocorrer. Ex: induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.
“A” induz “B” a se suicidar.

@dicasexconcurseira 62
Se “B” morre à “A” responde pelo art.121 consumado;
Se “B” sofre lesão corporal grave à “A” responde pelo art.122;
Se “B” não more, nem sofre lesão corporal grave à fato atípico para “A”.

8 – Discute-se se o dolo eventual admite tentativa


De acordo com o CP, existe vontade no dolo direto e no dolo eventual. Logo, as duas formas de dolo admitem a
tentativa. É o entendimento que prevalece na doutrina.

BIZU: Crimes que não admitem tentativa (CCHUPAO):


C ULPOSOS, exceto culpa imprópria;
C ONTRAVENÇÕES PENAIS;
H ABITUAIS;
U NISSUBSISTENTES;
P RETERDOLOSO OU PRETERINTENCIONAL;
A TENTADOS OU EMPREENDIMENTO;
O MISSÃO PRÓPRIA. (OBS: os crimes omissivos impróprios admitem tentativa).

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ

São espécies de tentativa qualificada/abandonada.


São as hipóteses de DOLO ABANDONADO.

CP, art. 15 - O agente que, voluntariamente, DESISTE DE PROSSEGUIR na execução ou IMPEDE QUE O RESULTADO SE PRODUZA,
só responde pelos atos já praticados.

TENTATIVA SIMPLES TENTATIVA QUALIFICADA/ABANDONADA


Art.14, II, CP Art.15, CP
O agente inicia a execução O agente inicia a execução
O resultado não ocorre por circunstâncias alheias à vontade O resultado não ocorre por circunstâncias inerentes à
do agente. vontade do agente. O agente abandona o intento

ATENÇÃO! A tentativa simples atua como norma de extensão temporal, em regra reduzindo a pena.

Já o art.15, CP, de acordo com a maioria, é causa de extinção da punibilidade da tentativa, respondendo o agente
pelos atos já praticados.
Ex1: Fulano quer subtrair o veículo de Beltrano. Pula o muro da casa, rompe o vidro do carro e, no momento em que ia
ligar o motor, desiste e abandona o local.
CONSEQUÊNCIA: a desistência extingue a punibilidade da tentativa de furto, respondendo o agente por violação de
domicílio e dano.

Ex2: Fulano quer matar Beltrano. Dispara contra a vítima e, ao vê-la pedindo socorro, se arrepende e a conduz até um
hospital onde é salva, mas sofre lesões graves.
CONSEQUÊNCIA: o arrependimento eficaz de Fulano extingue a punibilidade da tentativa de homicídio, respondendo
por lesão corporal de natureza grave.

DE OLHO NA JURIS! Arrependimento eficaz e desistência voluntária devem acontecer ANTES do crime se consumar
O instituto do arrependimento eficaz e da desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não tenha sido consumado.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1549809/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 02/02/2016.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA à art.15, 1ª parte, CP.

CP, art. 15 - O agente que, voluntariamente, DESISTE DE PROSSEGUIR NA EXECUÇÃO (...), só responde pelos atos já praticados.

Conceito: o agente, por manifestação exclusiva do seu querer, desiste de prosseguir na execução do crime.

CUIDADO! O agente abandona o intento, quando ainda tinha atos executórios para serem praticados.
@dicasexconcurseira 63
ATENÇÃO! A desistência tem que ser voluntária, ainda que não espontânea (admite-se interferência subjetiva externa). Não
configura desistência voluntária a influência objetiva externa, ex: alarmes, sirenes.

TENTATIVA SIMPLES DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA


Art.14, II, CP Art.15, CP
Início da execução Início da execução
Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do Não execução por circunstâncias inerentes à vontade do
agente agente
Pune o crime tentado com a pena diminuída (regra) Extingue a punibilidade da tentativa, punindo o agente pelos
atos já praticados
O agente quer prosseguir mas não pode O agente pode prosseguir, mas não quer

ARREPENDIMENTO EFICAZ à art.15, 2ª parte, CP

CP, art. 15 - O agente que, voluntariamente (...) IMPEDE QUE O RESULTA SE PRODUZA, só responde pelos atos já praticados.

Conceito: ocorre quando os atos executórios já foram todos praticados, porém, o agente, abandonando o intento,
desenvolve nova conduta para impedir o resultado.

ATENÇÃO! O arrependimento eficaz só tem cabimento nos crimes materiais.

LEMBRANDO: Nos crimes formais e nos crimes de mera conduta, o esgotamento dos atos executórios já consuma o crime.

O arrependimento deve ser: voluntário e eficaz.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ


Art.15, 1ª parte, CP Art.15, 2ª parte, CP
São espécies de tentativa qualificada/abandonada
O agente abandona o dolo antes de esgotar os atos O agente abandona o dolo após esgotar os atos executórios,
executórios impedindo a consumação
O crime não se consuma por circunstâncias inerentes à vontade do agente
Extingue-se a punibilidade da tentativa, punindo-se o agente pelos atos já praticados

ARREPENDIMENTO POSTERIOR (art.16, CP)

CP, Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o
recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de 1/3 a 2/3.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA O abandono ocorre durante a execução


ARREPENDIMENTO EFICAZ O abandono ocorre após esgotados os atos executórios,
(ponte de ouro) evitando-se a consumação
ARREPENDIMENTO POSTERIOR O agente se arrepende após a consumação
(ponte de prata)

Requisitos:
a) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa +
Obs1: a violência contra a “coisa” não obsta o reconhecimento do arrependimento posterior.

Obs2: De acordo com a maioria, crimes culposos, mesmo que violentos, admites o benefício do arrependimento posterior.

Obs3: De acordo com a maioria, a violência imprópria (sem emprego de força física ou grave ameaça, o agente consegue
impedir a resistência da vítima) não impede o benefício. Ex: roubo com emprego do “boa noite cinderela”.

@dicasexconcurseira 64
b) Reparação do dano ou restituição da coisa +
Obs: a doutrina majoritária entende que a reparação do dano ou restituição da coisa deve ser integral. Se parcial, admite-se o
benefício, desde que presente a concordância da vítima.

DE OLHO NA JURIS! Critério para redução da pena em caso de arrependimento posterior


A causa de diminuição de pena relativa ao artigo 16 do Código Penal (arrependimento posterior) somente tem aplicação se
houver a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o índice de redução
da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima. STJ. 6ª Turma. HC 338840/SC, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/02/2016.

c) Até o recebimento da denúncia ou queixa +


Obs: se o agente reparar o dano após o recebimento da denúncia/queixa, poderá se beneficiar da atenuante.

d) Ato voluntário do agente.

CONSEQUÊNCIA: uma vez atendidos todos os requisitos legais, a pena deverá ser reduzida de 1/3 a 2/3. A diminuição se
opera na terceira fase de aplicação da sanção penal e terá como parâmetro a maior ou menor presteza (celeridade e
voluntariedade) na reparação ou restituição.

A reparação do dano se comunica ao corréu?


1ª Corrente (prevalece): a reparação do dano é condição objetiva, que se estende aos corréus (art.30, CP).
CONCLUSÃO: o arrependimento de um gera a redução da pena para todos.

2ª Corrente: o benefício exige voluntariedade, pressupondo ato pessoal, inviabilizando a comunicabilidade do arrependimento.

DE OLHO NA JURS! O arrependimento posterior (art. 16 do CP), por possuir natureza OBJETIVA, deve ser estendido aos corréus
O benefício do arrependimento posterior comunica-se aos coautores e partícipes que não tenham participado da restituição da
coisa ou da reparação do dano. Assim, uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de
diminuição de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se aos demais coautores. STJ. 6ª Turma.
REsp 1187976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013 (Info 531).

A recusa da vítima à reparação do dano ou restituição da coisa impede o arrependimento posterior? O art.16, CP não
elencou como requisito para o arrependimento posterior a aceitação da vítima. Entende-se que, se houver voluntariedade na
reparação, deverá ser reconhecido o benefício. Neste caso, o infrator deve socorrer-se da autoridade competente.

Situações especiais de reparação do dano ou restituição da coisa:


i) Peculato culposo (art.312, §3º, CP);
ii) Estelionato mediante emissão de cheque sem fundos (art.171, §2º, VI, CP + Súmula 554, STF);
iii) Crimes contra a ordem tributária (pagamento integral do débito);
iv) Crimes de menor potencial ofensivo.

CRIME IMPOSSÍVEL (Art.17, CP)

CP, Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime.

Também chamado de “tentativa inidônea”.


Tem natureza jurídica de excludente de tipicidade.

Existem várias teorias buscando o melhor tratamento jurídico para esse fenômeno.
a) Teoria SINTOMÁTICA: com a sua conduta, o agente demonstra ser perigoso, razão pela qual deve ser punido, ainda que o
crime se mostre impossível de ser consumado. Por ter como fundamento a periculosidade do agente, esta teoria se relaciona
diretamente com o direito penal do autor.

@dicasexconcurseira 65
b) Teoria SUBJETIVA: sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o delito), deve o agente sofrer a
mesma pena cominada à tentativa, sendo indiferente os dados (objetivos) relativos à impropriedade do objeto ou ineficácia do
meio, ainda quando absolutas.

c) Teoria OBJETIVA: crime é conduta e resultado. Este configura dano ou perigo de dano ao bem jurídico tutelado. A execução
deve ser idônea, ou seja, trazer a potencialidade do evento. Caso inidônea, temos configurado o crime impossível. A teoria
subjetiva se subdivide em:

c.1. Teoria OBJETIVA PURA: não há tentativa, mesmo que a inidoneidade seja relativa,
considerando-se, neste caso, que não houve conduta capaz de causar lesão.

c.2. Teoria OBJETIVA TEMPERADA/INTERMEDIÁRIA (CP): a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto devem ser absolutas
para que não haja punição. Sendo relativas, pune-se a tentativa.

O crime impossível tem como elementos:


a. Início da execução;
b. A não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente;
c. O dolo de consumação;
d. Resultado absolutamente impossível de ser alcançado.

Duas são as formas de crime impossível:


1) Crime impossível por ineficácia absoluta do meio: a inidoneidade absoluta do meio se verifica quando falta
potencialidade causal, pois os instrumentos postos a serviço da conduta não são eficazes, em hipótese alguma, para a
produção do resultado. Ex: “A”, para matar “B”, vale-se, sem saber, de uma arma de brinquedo.

2) Crime impossível por impropriedade absoluta do objeto: quando a pessoa ou a coisa que representa o ponto de
incidência da ação delituosa (objeto material) não serve à consumação do delito. A inidoneidade do objeto se verifica
tanto em razão das circunstâncias em que se encontra (objeto impróprio), quanto em razão da inexistência (objeto
inexistente). Ex: “A” realiza manobras abortivas em mulher que não está grávida (gravidez psicológica).

JURISPRUDÊNCIAS RELACIONADOS AO CRIME IMPOSSÍVEL

Furto de estabelecimento comercial equipado com mecanismo de vigilância e de segurança


Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de
estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.

Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o agente detenha a posse de petrechos destinados à falsificação de moeda,
sendo prescindível que o maquinário seja de uso exclusivo para esse fim
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda. A expressão “especialmente destinado” não diz respeito a
uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o maquinário exclusivamente voltado para a fabricação
ou falsificação de moedas consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime
impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a
fabricação de moeda. A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação
depende da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda que
manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar precipuamente para contrafação de moeda, incorre
no referido crime. STJ. 6ª Turma. REsp 1758958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

Para a configuração do crime político exige-se o preenchimento de requisitos objetivo e subjetivo


O réu ingressou clandestinamente em uma Usina Hidrelétrica e alterou a posição da chave da bomba de alta pressão de óleo. O
MPF denunciou o agente pela prática do delito de sabotagem, previsto no art. 15 d Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/83),
que consiste em crime político. O STF entendeu que não houve crime político considerando que: • não houve lesão real ou
potencial a um dos bens jurídicos listados no art. 1º da Lei nº 7.170/83 (requisito objetivo); e • o agente não tinha motivação
política (requisito subjetivo). Além disso, o Tribunal entendeu que se tratava de crime impossível, considerando que essa
alteração da posição da chave não tinha condão de provocar qualquer embaraço ao funcionamento da Usina. STF. 1ª Turma.RC
1473/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2017 (Info 885).

@dicasexconcurseira 66
Aula 14

CONCURSO DE PESSOAS

CLASSIFICAÇÃO DO CRIME QUANTO AO CONCURSO DE PESSOAS

a) Monossubjetivo
- Crime de concurso eventual: o delito pode ser praticado por uma ou várias pessoas associadas.
- É a regra no CP.

b) Plurissubjetivo
- Crime de concurso necessário: o concurso de agentes é elementar do tipo.
- É exceção no CP.
b.1. De condutas PARALELAS (ex: art.288, CP – associação criminosa);
b.2. De condutas CONVERGENTES (ex: art.235, CP – bigamia);
b.3. De condutas CONTRAPOSTAS (ex: art.137, CP – rixa).

ATENÇÃO! A teoria geral do concurso de pessoas só interessa para os crimes MONOSSUBJETIVOS (nos crimes plurissubjetivos, o
concurso de pessoas é elementar do tipo).

Conceito: reunião de vários agentes concorrendo, de forma relevante, para a realização do mesmo evento, agindo
todos com identidade de propósitos.

ATENÇÃO! O concurso de pessoas demanda adesão de vontade de concorrente até a consumação (depois da consumação, a
adesão pode configurar crime autônomo).
Ex: “A” e “B” combinam um furto. Durante a execução, “C” propõe ajudar os furtadores. Depois de subtraída a coisa,
“D” admite ocultar o bem em benefício dos agentes. à “D” aderiu após a consumação do furto. “D” responde por outro crime,
qual seja: favorecimento real (art.349, CP).

Requisitos:
1 – Pluralidade de agentes e de conduta;
2 – Relevância causal das condutas;
3 – Liame subjetivo entre os agentes;

Obs: agentes atuam conscientes de que estão reunidos para a prática do mesmo evento.

ATENÇÃO! Faltando liame subjetivo, desaparece o concurso de pessoas, podendo configurar AUTORIA COLATERAL ou INCERTA.

CONCURSO DE AGENTES AUTORIA COLATERAL OU INCERTA


Pluralidade de agentes e de conduta Pluralidade de agentes e de conduta
Relevância causal das condutas Relevância causal das condutas
Liame subjetivo entre os agentes Não há liame subjetivo entre os agentes

CUIDADO! Liame subjetivo não significa acordo prévio.


Ex: empregada percebe que ladrão vai subtrair a casa do patrão e deixa a janela aberta.

4 – Identidade de infração penal: todos os concorrentes devem contribuir para o mesmo evento.
Obs: temos doutrina ensinando que a identidade de infração, mas consequência/regra do concurso de agentes.

Todos os concorrentes respondem pela mesma infração penal? Temos 3 teorias:

1 – Teoria MONISTA (unitária ou igualitária)


- O crime é único para todos os concorrentes;
- É a regra no CP (art.29, CP).
CP, Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
culpabilidade.

@dicasexconcurseira 67
Distribuição da responsabilidade penal pelo fato comum: busca definir a contribuição individual de cada agente na divisão
objetiva (execução do crime) e subjetiva (cogitação do crime), para que se possa estabelecer a respectiva responsabilidade
penal.

2 – Teoria PLURALISTA
- A cada um dos agentes se atribui conduta, razão pela qual cada um responde por delito autônomo (haverá tantos crimes
quantos sejam os agentes que concorrerem para o fato);
- Cada um responde pelo seu crime.

3 – Teoria DUALISTA
- Tem-se um crime para os executores do núcleo do tipo, e outro crime para os que não realizaram o núcleo do tipo, mas
concorreram de qualquer forma;
- Divide a responsabilidade dos autores e dos partícipes.

Excepcionalmente, no que tange à infração penal, o CP adotou ora o DUALISMO, ora o PLURALISMO.
Dualismo à §§1º e 2º do art.29, CP.
Pluralismo à aborto, corrupção.

AUTORIA

Para se compreender o assunto “concurso de pessoas”, é imprescindível definir “autoria”. O conceito de autor depende
da teoria adotada.

1 – Teoria SUBJETIVA/UNITÁRIA: não existe distinção entre autor e partícipe. Todo aquele que de alguma forma contribui para
a produção do resultado é considerado autor.

2 – Teoria EXTENSIVA: não distingue autor do partícipe, mas permite o estabelecimento de graus diversos de autoria.

Esta teoria reconhece a figura do cúmplice: aquele autor que concorre de modo menos importante para o resultado.

3 – Teoria OBJETIVA/DUALISTA: estabelece clara distinção entre autor e partícipe. Subdivide-se em:

TEORIA OBJETIVO FORMAL TEORIA OBJETIVO MATERIAL


Autor: realiza o núcleo do tipo Autor: contribui de forma mais efetiva para a concorrência
do resultado (sem necessariamente praticar o núcleo do tipo)
Partícipe: concorre sem praticar o núcleo do tipo Partícipe: concorre de forma menos relevante

ATENÇÃO! A Exposição de Motivos do CP adotou a teoria objetivo formal. Porém, a doutrina moderna (STF, no caso “mensalão”)
trabalha com a teoria do domínio do fato.

4 – Teoria do DOMÍNIO DO FATO (ou TEORIA OBJETIVO-SUBJETIVA)


- Criada por Hans Welzel;
- Tem predicados finalistas;
- Surgiu para diferenciar com clareza o autor do executor do crime, conciliando as teorias subjetiva e objetiva.

TEORIA OBJETIVA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO


Autor = executor do crime Autor = não necessariamente é o executor do crime

Para a teoria do domínio do fato, autor é quem controla finalisticamente o fato, ou seja, quem decide a sua forma de
execução, seu início, cessação e demais condições. Ex: mensação à José Dirceu era quem controlava finalisticamente os
eventos, apesar de não realizar os núcleos.
E partícipe é aquele que, embora colabore dolosamente para o alcance do resultado, não exerce o domínio sobre a
ação.

CUIDADO! Podemos afirmar que tem o controle final do fato:


a) Aquele que, por sua vontade, EXECUTA o núcleo do tipo à Autor propriamente dito
b) Aquele que planeja o crime para ser executado por outras pessoas à Autor intelectual
@dicasexconcurseira 68
c) Aquele que se vale de um não culpável ou de pessoa que age sem dolo ou culpa para executar o tipo à Autor mediato

Na concepção de Roxin, o domínio do fato pode se dar de 3 formas:


1 - Domínio da AÇÃO: autor é quem possui domínio sobre a própria ação, realizando pessoalmente os elementos do tipo (trata-
se do autor IMEDIATO/autor propriamente dito).

2 - Domínio da VONTADE: autor é aquele que domina a vontade de um terceiro, que é utilizado como seu instrumento. O
domínio da vontade se dá mediante erro, coação ou por aparatos organizados de poder. Trata-se do autor MEDIATO.

3 - Domínio FUNCIONAL DO FATO: em uma atuação conjunta para a realização de um fato, é autor aquele que pratica um ato
relevante na execução do plano delitivo global. Trata-se do autor FUNCIONAL.

OBS: a teoria do domínio do fato tem aplicação apenas nos crimes DOLOSOS, única forma em que se admite o controle
finalístico sobre o fato criminoso.

AUTOR MEDIATO PARTÍCIPE


Sua conduta é principal Sua conduta é acessória
Detém o domínio do fato Não detém o domínio do fato
Ambos não realizam o núcleo do tipo

AUTOR MEDIATO AUTOR INTELECTUAL


Vale-se de pessoa sem consciência, vontade ou culpabilidade Planeja o crime para ser executado por outros (este outros
para executar o crime planejado com consciência, vontade e culpabilidade)
(vale-se de pessoa não culpável; ou que atua sem dolo ou
culpa)

O CP, sem definir “autoria mediata”, anuncia as hipóteses em que o instituo é aplicável:

1 – Inimputabilidade penal (art.62, III, CP)


Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade
pessoal;

2 – Coação moral irresistível (art.22, 1ª parte, CP)


Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

3 – Obediência hierárquica (art.22, 2ª parte, CP)


Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

4 – Erro de tipo escusável provocado por terceiro (art.20, §2º, CP)


§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

5 – Erro de proibição escusável provocado por terceiro (art.21, CP)


Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de 1/6 a um 1/3.

É possível autoria mediata nos crimes culposos? Lembrando: a teoria do domínio do fato só tem aplicação nos crimes
dolosos. A autoria mediata é forma de domínio do fato. Assim, o instituto da autoria mediata é incompatível com os crimes
culposos.

@dicasexconcurseira 69
Doutrina atual entende que a Teoria do Domínio do Fato NÃO se aplica:
1 - Aos crimes CULPOSOS, porque, nestes delitos, o agente não almeja o resultado e, assim, a necessária vontade, que qualifica a
teoria sob exame, não é atingida;
2 - Aos crimes OMISSIVOS próprios ou impróprios, porque, em ambos, o dever de agir do autor é pessoal e instransferível e,
assim, somente o autor pode praticar o delito devendo atuar para evitar o resultado jurídico.

É possível autoria mediata nos crimes próprios e de mão própria?

CRIME PRÓPRIO CRIME DE MÃO PRÓPRIA


O tipo penal exige qualidade ou condição especial do agente O tipo penal exige qualidade ou condição especial do agente
Admite coautoria e participação Só admite participação
Trata-se de crime de conduta infungível

O crime próprio admite a autoria mediata desde que o autor mediato reúna as condições exigidas no tipo. Ex: Fulano,
particular, hipnotiza servidor público, fazendo com que este pratique peculato à Fulano não é autor mediato do crime de
peculato, pois não é funcionário público.
O crime de mão própria exige atuação pessoal (direta), não sendo possível, segundo maioria da doutrina, a autoria
mediata. Ex: Fulano, réu, hipnotiza a testemunha para mentir em juízo à Sendo o crime do art.342, CP, da espécie “mão
própria”, de atuação direta e pessoal, é inviável a autoria mediata.

Como responsabilizar Fulano nos dois exemplos? Para Zaffaroni, Fulano é autor por determinação. Se, nos termos do
art.29, CP, pune-se quem, de qualquer modo concorre para o crime, não há razão para deixar impune o autor de determinação
que, dotado de plena eficácia causal, é levado a efeito por quem atua, por exemplo, sem conduta (sob efeito de hipnose). O
agente não é autor do crime, mas responde pela determinação para o crime por exercer, sobre o fato, domínio equiparado à
autoria. Para facilitar: o autor por determinação é um “autor mediato” nos casos em que não se admite autoria mediata.

Quem é o autor de escritório? É o caso do agente que emite a ordem para que outro indivíduo, igualmente culpável,
pratique o fato criminoso. Trata-se de espécie particular de autoria mediata, comumente identificada no âmbito das
organizações criminosas, em que certo indivíduo, exercendo funções de comando, determina o cometimento de crimes por
agentes que se encontram em posições subalternas.
Os “subalternos” não podem ser considerados meros instrumentos nas mãos de quem exerce funções de comando
(não há obediência hierárquica no ramo privado).

AUTORIA COLATERAL

Verifica-se quando dois ou mais agentes, sem liame subjetivo (um ignorando a contribuição do outro), concentram suas
condutas para o cometimento da mesma infração penal.
Ex: Fulano e Beltrano, um ignorando a presença do outro, escondem-se esperando Sicrano para matá-lo. Surgindo a
vítima, os dois disparam, atingindo Sicrano. Sicrano morre em razão do disparo de Fulano.
SOLUÇÃO: cada um responde de acordo com sua conduta à Fulano por homicídio; Beltrano por tentativa de homicídio.
E se não for possível determinar quem é o responsável pela morte? Trata-se de caso de AUTORIA INCERTA, quando
dois ou mais agentes, sem liame subjetivo, concorrem para o mesmo resultado, porém não há como identificar o real causador.
SOLUÇÃO: a melhor solução é condenar Fulano e Beltrano por tentativa de homicídio, abstraindo-se o resultado, cuja
autoria é incerta, em razão do in dubio pro reo.
Um tiro atingiu a vítima com vida; outro tiro atingiu a vítima já sem vida. Não é possível saber de qual arma veio o tiro
quando a vítima estava morta. Qual a solução? Crime impossível (in dubio pro reo).

COAUTORIA

É a própria autoria delineada por vários indivíduos. Seu conceito também irá variar de acordo com a teoria adotada.

TEORIA OBJETIVO FORMAL TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO


Coautoria: pluralidade de agentes executando o núcleo do Coautoria: pluralidade de agentes com o domínio sobre o
tipo. fato.

Admite-se coautoria nos crimes próprios? Sim. Ex: peculato à o coautor pode ser servidor ou não.
@dicasexconcurseira 70
Admite-se coautoria nos crimes de mão própria? Não, pois é crime de conduta infungível e atuação pessoal. Crime de
mão própria só admite participação. CUIDADO! O crime de falsa perícia (crime de mão própria), excepcionalmente, admite
coautoria. Ex: dois peritos resolvem falsear um laudo. ATENÇÃO! O STF entende haver coautoria no crime de falso testemunho
entre advogado que orienta a testemunha a mentir e a testemunha que mente, ao fazer uso da teoria do domínio do fato.

PARTICIPAÇÃO

O conceito varia conforme a teoria.

TEORIA OBJETIVO FORMAL TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO


Partícipe: concorre para o crime sem realizar o núcleo do Partícipe: concorre para o crime sem ter o domínio do fato.
tipo

Formas de participação:
1) Moral:
- Induzimento: o participe faz nascer a ideia criminosa no autor.
- Instigação: o partícipe reforça a ideia criminosa que já existe na mente do autor.
2) Material:
- Auxílio: assistência material (ex: emprestar a arma).
Obs1: a participação só é possível até a consumação; depois desta, a participação pode configurar crime autônomo.
Obs2: a participação é conduta acessória, pois depende, para ter relevância, da conduta principal. Temos 4 teorias:

1 – Teoria da acessoriedade MÍNIMA: para punir o partícipe, basta que o fato principal seja típico.
Crítica: é uma teoria injusta, pois se o partícipe induzir alguém a matar em legítima defesa, só o partícipe será punido.

2 – Teoria da acessoriedade MÉDIA/LIMITADA (PREVALECE): para punir o partícipe, basta que o fato principal seja típico e
ilícito. Ex: Fulano participa de fato praticado por menor.

3 – Teoria da acessoriedade MÁXIMA: para punir o partícipe, o fato principal tem que ser típico, ilícito e culpável. Ex: fato
praticado por menor com auxílio de um maior imputável à este fato não será punido.

4 – Teoria da HIPERACESSORIEDADE: para punir o partícipe, o fato principal tem que ser típico, ilícito, culpável e punível.

àPARTICIPAÇÃO EM CADEIA: ocorre quando alguém induz outra a instigar terceira pessoa a praticar um crime. Ex: “A”
convence “B” a convencer “C” a matar “D”.

à PARTICIPAÇÃO SUCESSIVA: o mesmo agente é instigado/induzido/auxiliado por duas ou mais pessoas, sem que estas tomem
conhecimento uma das outras.

à PARTICIPAÇÃO POR OMISSÃO: é possível, desde que o omitente, além de poder agir no caso concreto, tivesse ainda o dever
de agir para evitar o resultado, por se enquadrar em alguma das hipóteses delineadas pelo art.13, §2º, CP. Ex: é partícipe de
furto o policial militar que presencia subtração de bens de uma pessoa e nada faz porque estava fumando um cigarro e não
queria apagá-lo.

à PARTICIPAÇÃO NEGATIVA/CONIVÊNCIA/CRIME SILENTE/CONCURSO ABSOLUTAMENTE NEGATIVO: o agente não tem


qualquer vínculo com a conduta criminosa (não induziu, não instigou e não auxiliou), nem tampouco a obrigação de impedir o
resultado (não é garantidor).

ATENÇÃO! Não há participação, mas simples contemplação do crime.


Ex: Fulano, percebe que a casa do vizinho está sendo furtada. Fulano nada faz para impedir ou interromper o crime. Fulano não
é garantidor da casa do vizinho; Fulano não induziu/instigou/auxiliou o furtador. A omissão de Fulano é um indiferente penal.

@dicasexconcurseira 71
CONCURSO DE PESSOAS NOS CRIMES CULPOSOS

De acordo com a maioria, os crimes culposos apenas admitem coautoria; não admite participação. Fundamento: a
inobservância do dever de cuidado é o substrato da coautoria (qualquer ato de que possa derivar o resultado involuntário é
considerado ato de autor).
CONCLUSÃO: toda forma de negligência caracteriza autoria.

NÃO É POSSÍVEL FALAR EM PARTICIPAÇÃO NOS CRIMES CULPOSOS, por 2 principais argumentos:
1 - Sendo tipos penais abertos, os crimes culposos não descrevem sequer a conduta principal, razão pela qual não conseguiria
chegar a uma conduta acessória;
2 - Todos aqueles que não observam o dever de cuidado necessário é autor ou coautor do crime.

CONCURSO DE PESSOAS E CRIMES OMISSIVOS

Nos CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS, é possível a PARTICIPAÇÃO MORAL (induzimento e instigação). Ex: “A” instiga “B” a
não socorrer pessoa ferida. O partícipe irá responder por omissão de socorro (art.135, CP). Quanto à COAUTORIA, há duas
posições:
1 - Não é possível, já que, em havendo o dever de agir, cada indivíduo cometerá o crime isoladamente (Damásio, LFG)
2 - É possível, desde que aqueles que possuem o dever de agir deixem, de comum acordo, de praticar a conduta devida (Rogério
Greco, Bitencourt).

Nos CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS, PREVALECE NÃO SER POSSÍVEL A COAUTORIA, pois se os agentes tiverem dever
de agir, cometerão isoladamente o delito. Há posição minoritária em sentido contrário. Por outro lado, SERÁ POSSÍVEL A
PARTICIPAÇÃO MEDIANTE AÇÃO EM CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO, conforme maioria da doutrina. Ex: “A” induz “B” a matar o
próprio filho por inação.

PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA (art.29, §1º, CP) ou PARTICIPAÇÃO DE SOMENOS

§1º - Se a participação (SÓ SE APLICA AO PARTÍCIPE) for de menor importância, a pena pode ser diminuída de 1/6 a 1/3.

Participação de menor importância é aquela de pouca relevância causal. O magistrado deve analisar o caso concreto.

A redução da pena é faculdade do juiz ou direito subjetivo do réu?


Mirabete = faculdade do juiz;
Maioria da doutrina: direito subjetivo do réu.

COOPERAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA/DESVIO SUBJETIVO DE CONDUTA

§2º - Se algum dos concorrentes (AUTOR OU PARTÍCIPE) quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste;
essa pena será aumentada até 1/2, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

à Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste crime menos grave;

à Se o crime ocorrido (diverso do combinado) era previsível (≠previsto), a pena do crime combinado será aumentada até a ½;

à Se o crime ocorrido (diverso do combinado) foi previsto e aceito, o concorrente responde por este crime.

A compreensão da previsibilidade passa pelo juízo do homo medius (representante hipotético do homem comum).
Para definir a previsibilidade do resultado mais grave, Juarez Cirino faz a distinção entre:
i) Excesso QUANTITATIVO, que é PREVISÍVEL e determina o aumento da pena aos coautores e partícipes;
ii) Excesso QUALITATIVO, que é IMPREVISÍVEL e não autoriza o referido aumento.

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Ex: Fulano e Beltrano combinam um roubo. Fulano fica do lado de fora, enquanto Beltrano entra na casa. Beltrano,
durante o assalto, resolve estuprar a moradora.

BELTRANO FULANO
Roubo majorado pelo concurso de pessoas + estupro Se o estupro não era previsível, Fulano responderá por roubo
majorado pelo concurso de pessoas.

Se o estupro era previsto, Fulano responderá por roubo


majorado pelo concurso de pessoas + estupro praticado por
Beltrano.

Se o estupro era previsível, Fulano responderá pelo roubo


majorado pelo concurso de pessoas + causa de aumento de
pena de até ½.

Aula 15

Prescrição

PRESCRIÇÃO

Conceito: é a perda, em face do decurso do tempo, do direito de o Estado punir (P.P.P) ou executar a punição já
imposta (P.P.E). Trata-se de um limite temporal do poder punitivo estatal.

ATENÇÃO! A prescrição é a garantia do cidadão contra a hipertrofia da punição.

Hipóteses excepcionais de IMPRESCRITIBILIDADE

Os casos de imprescritibilidade são excepcionais e devem estar expressos na CF/88. São eles:
i) racismo – art.5º, XLII, CF;

ii) ação de grupos armadas, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático – art.5º, XLIV, CF.

CUIDADO! A tortura é crime prescritível. O crime de tortura aparece como crime imprescritível em tratados internacionais
ratificados pelo Brasil (ex: Estatuto de Roma). A doutrina começa a discutir se, em razão desse tratado, a tortura deve ou não ser
imprescritível. Não há decisões nos tribunais superiores reconhecendo a imprescritibilidade da tortura na seara penal. O STJ já
decidiu, na seara civil, que as torturas do regime militar são imprescritíveis.

Fundamentos da prescrição
1 – O decurso do tempo leva ao esquecimento do fato;
2 – O decurso do tempo recupera naturalmente o criminoso;
3 – O decurso do tempo enfraquece o suporto probatório.
Em resumo, o tempo faz desaparecer o interesse social de punir.

Espécies de prescrição

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA (P.P.P) PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA (P.P.E)


Perda do direito de punir Perda do direito de executar a punição já imposta
- Ocorre antes do trânsito em julgado - Ocorre após o trânsito em julgado
- Impede qualquer efeito de eventual condenação (penal ou - Impede somente a execução da pena (os demais efeitos
extrapenal) permanecem)
Divide-se em 4 espécies:
a) Em abstrato (P.P.P.A)
b) Retroativa (P.P.P.R)
c) Superveniente (P.P.P.S)
d) Virtual (P.P.P.V)
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1 – PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA EM ABSTRATO OU PROPRIAMENTE DITA – P.P.P.A

Tendo o Estado a tarefa de buscar a punição do delinquente, deve anunciar até quando essa punição lhe interessa.
Sendo incerto o “quantum” da pena que será fixada na sentença, o prazo prescricional é resultado da combinação da pena
máxima prevista abstratamente no tipo (teoria da pior das hipóteses) e a escala do art.109, CP.

CP, Prescrição ANTES de transitar em julgado a sentença


Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no §1o do art. 110 deste Código, regula-se
pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: I - em 20 anos, se o máximo da pena é
superior a 12;
II - em 16 anos, se o máximo da pena é superior a 8 anos e não excede a 12;
III - em 12 anos, se o máximo da pena é superior a 4 anos e não excede a 8;
IV - em 8 anos, se o máximo da pena é superior a 2 anos e não excede a 4;
V - em 4 anos, se o máximo da pena é igual a 1 ano ou, sendo superior, não excede a 2;
VI - em 3 anos, se o máximo da pena é inferior a 1 ano.

Prescrição das penas restritivas de direito


Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade.

CUIDADO! A lei 12.234/10 alterou a tabela do art.109, mais especificamente o inc.VI que, antes, previa um prazo de prescrição
de 2 anos. Como a alteração foi em prejuízo ao réu, é irretroativa.

ATENÇÃO! Na busca da pena máxima em abstrato:

LEVA-SE EM CONSIDERAÇÃO NÃO SE LEVA EM CONSIDERAÇÃO


Qualificadora Circunstâncias judiciais (art.59, CP)
Obs: o valor de uma circunstancia judicial não tem previsão
legal
Causa de aumento e de diminuição de pena Agravantes e atenuantes
Obs: tratando de aumento ou diminuição, considera-se o ATENÇÃO! A atenuante da menoridade e da senilidade reduz
maior aumento e a menor diminuição (teoria da pior das o prazo prescricional pela metade (art.115, CP)
hipóteses)
Concurso de crimes
(art.119, CP: No caso de concurso de crimes, a extinção da
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente)

Consequências da P.P.P.A:

i) Desaparece para o Estado seu direito de punir, inviabilizando a análise do mérito;


Obs: a decisão é declaratória extintiva da punibilidade (não é decisão absolutória, pois não analisa o mérito). O art.397, IV, CPP,
com a reforma de 2008, anuncia que a decisão que extingue a punibilidade é absolutória (falta de técnica legislativa).

ii) Eventual sentença condenatória provisória é rescindida (não permite operar qualquer efeito penal ou extrapenal);

iii) O acusado não será responsabilizado pelas custas;

iv) O acusado terá direito à restituição integral da fiança.

Termo inicial da P.P.P.A (art.111, CP):


CP, Termo inicial da prescrição ANTES de transitar em julgado a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa;
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência;
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou
conhecido.

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V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em legislação especial, da data
em que a vítima completar 18 anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal (STF: DIA QUE O MP OFERECE A
QUEIXA).

Quando começa a correr o prazo prescricional anunciado pelo art.111, CP?

I – Do dia em que o crime se consumou (adotou-se a teoria do resultado)

Quando o crime se considera praticado Quando se inicia o prazo prescricional


Da DATA DA CONDUTA. Da DATA DA CONSUMAÇÃO
Art.4º, CP: teoria da atividade Art.111, CP: teoria do resultado
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;

II – No caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa (último ato executório)

III – Nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência

IV – Nos crimes de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido; à crimes que, em regra, demoram para ser descobertos

V – Nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes previstos no CP ou em legislação especial, da data em
que a vítima completar 18 anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta ação penal.

CUIDADO! Esse inc.V foi introduzido pela Lei 12.650/12, não alcançando os fatos pretéritos.

Obs: “salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal”...?


1ª Corrente: “proposta a ação penal” significa ação penal oferecida à interpretação literal
2ª Corrente: “proposta a ação penal” significa ação penal recebida à interpretação teleológica e sistemática com o art.117, I,
CP.

Qual o termo inicial de um crime habitual? Crime habitual (ex:curandeirismo, exercício legal da medicina) é aquele que
exige reiteração de atos para a sua tipificação. O STF decidiu que deve obedecer o termo inicial previsto no art.111, III, CP (no
dia em que cessar a habitualidade), equiparando-se ao crime permanente.

Iniciado o prazo prescricional (Art.111, CP), é possível sua suspensão e interrupção.


Causas suspensivas (art.116, CP) à PARAM o cronômetro
Causas interruptivas (art.117, CP) à ZERAM o cronômetro

Causas suspensivas da prescrição (art.116, CP)


Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição NÃO CORRE:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime; à questões
prejudiciais (arts.92 e 94, CPP – ex: bigamia e anulação do casamento)
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.

Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em que o
condenado está preso por outro motivo. à SUSPENSÃO DA P.P.E. NO CASO DE CONDENADO PRESO POR OUTRO MOTIVO.

Causas interruptivas da prescrição (art.117, CP)


Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
Obs1: a doutrina diverge se a interrupção se dá com o despacho de recebimento ou com a sua publicação em cartório.

Obs2: o simples aditamento da inicial para correção de meras irregularidades não interrompe a prescrição. Para interromper,
deve incluir novo crime.

@dicasexconcurseira 75
Obs3: Súmula 709 STF: Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra a rejeição da
denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.

Obs4: anulado o despacho de recebimento da inicial, o novo recebimento será o marco interruptivo.

II - pela pronúncia;
Reconhecendo haver prova da materialidade e indícios de autoria de crime doloso contra a vida, submete-se o caso a
julgamento popular.

Súmula 191 STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime.

III - pela decisão confirmatória da pronúncia;

IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;

Obs1: acórdão meramente confirmatório (confirma a sentença de 1º grau) não interrompe a prescrição.

Obs2: é crescente na doutrina e na jurisprudência o entendimento de que o acórdão confirmatório da condenação que agrava a
pena substancialmente é causa de interrupção da prescrição.

Obs3: INFO 776, STF à considera-se publicado o “acórdão condenatório recorrível” na data da sessão pública de julgamento, e
não na data de sua veiculação no diário de justiça.

DE OLHO NA JURIS! PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA – Cartório que não certificou o dia do recebimento da sentença: Havendo
dúvida resultante da omissão cartorária em certificar a data de recebimento da sentença conforme o art.389 do CPP, não se
pode presumir a data da publicação com o mero lançamento de movimentação dos autos na internet, a fim de se verificar a
ocorrência de prescrição da pretensão punitiva. STJ, 06/02/2018 (Informativo 619).

Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?


Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?
• SIM. É a posição atual da 1ª Turma do STF. O acórdão confirmatório da sentença implica a interrupção da prescrição. STF. 1ª
Turma. HC 136392, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/10/2017.
• NÃO. É a posição da doutrina, do STJ e da 2ª Turma do STF.
O art. 117, IV do CP estabelece que o curso da prescrição interrompe-se pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios
recorríveis. Se o acórdão apenas CONFIRMA a condenação ou então REDUZ a pena do condenado, ele não terá o condão de
interromper a prescrição. STF. 2ª Turma. ARE 1033206 AgR-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2017. STJ. Corte
Especial. AgRg no RE nos EDcl no REsp 1301820/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 16/11/2016.

A prescrição é interrompida no dia da sessão de julgamento do acórdão condenatório


A prescrição da pretensão punitiva do Estado, em segundo grau de jurisdição, se interrompe na data da sessão de julgamento do
recurso e não na data da publicação do acórdão. Para efeito de configuração do marco interruptivo do prazo prescricional a que
se refere o art. 117, IV, do CP, considera-se como publicado o “acórdão condenatório recorrível” na data da sessão pública de
julgamento, e não na data de sua veiculação no Diário da Justiça ou em meio de comunicação congênere. A publicação do
acórdão nos veículos de comunicação oficial deflagra o prazo recursal, mas não influencia na contagem do prazo da prescrição.
STJ. HC 233594-SP, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira, julgado em 16/4/2013 (Info 521). STF. 1ª Turma. RHC 125078/SP, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2015 (Info 776).

V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;

VI - pela reincidência.

§1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a todos os
autores do crime (COMUNICABILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS). Nos crimes conexos (COMUNICABILIDADE NOS CRIMES
CONEXOS QUE SEJAM OBJETO DE UM MESMO PROCESSO), que sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a
interrupção relativa a qualquer deles.

@dicasexconcurseira 76
DE OLHO NA JURIS! Interrupção de prescrição de pretensão punitiva em crimes conexos
No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença condenatória para um dos crimes e
acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição da pretensão punitiva de ambos é interrompida a cada
provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP). STJ. 5ª Turma. RHC 40177-PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
25/8/2015 (Info 568).

§2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, novamente, do dia da
interrupção.

Caso prático: Maria abandonou recém-nascido para ocultar desonra própria (art.134, CP – pena: de 2 meses a 2 anos)
• Qual o prazo da P.P.P.A? Combinando a pena máxima (2 anos) com o art.109, CP à 4 anos
• Quanto tempo tem o Estado para investigar o crime? 4 anos, entre a data do fato e o recebimento da inicial.
• Quanto tempo tem o Estado para processar Maria? Mais 4 anos, do recebimento da inicial até a prolação da
sentença condenatória, pois, ao receber a inicial, zera o cronômetro.
• Havendo recurso, quanto tempo tem o Estado para julgá-lo? Mais 4 anos.

2 – PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA RETROATIVA (P.P.P.R)

Antes da sentença recorrível, não se sabe a quantidade da pena a ser fixada pelo juiz, razão pela qual o lapso
prescricional regula-se pela pena máxima prevista em lei (teoria da pior das hipóteses). Contudo, fixada a pena em sentença,
ainda que provisoriamente, transitando em julgado para a acusação (ou sendo seu recurso improvido), não mais existe razão
para se levar em conta a pena máxima em abstrato, já que, mesmo diante do recurso da defesa, é proibida a reforma para
prejudicar o réu. A pena aplicada na sentença passa a ser o novo norte, parâmetro para o art.109.

CP, art.110, §1o A prescrição, DEPOIS da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à
da denúncia ou queixa. à “data anterior à data da denúncia ou queixa” = data anterior ao recebimento da denúncia ou da
queixa. O termo inicial conta-se da publicação da condenação até o recebimento da inicial (contagem retroativa).

Características da P.P.P.R
a) Pressupõe sentença ou acórdão penal condenatórios;

b) Pressupõe trânsito em julgado da pena para a acusação, no que se relaciona com a pena;

c) Tem como norte a pena aplicada na sentença;

d) Os prazos prescricionais estão no art.109, CP;

e) O termo inicial conta-se da publicação da condenação até o recebimento da inicial à contagem retroativa.

ATENÇÃO! Sendo espécie de P.P.P, os seus efeitos são os mesmos da P.P.P.A.

Caso prático: Maria abandona recém-nascido para ocultar honra própria.


• 4 anos para receber a inicial (P.P.P.A);
• 4 anos para prolatar a sentença condenatória (P.P.PA)
• Pena imposta na sentença: 6 meses (e o MP não recorre)
• Recalcula-se a prescrição entre a data da sentença e a do recebimento da inicial à P.P.P.R
• Considerando a pena de 6 meses, o prazo prescricional será de 3 anos.
• Daí, se tiver ocorrido um prazo maior do que 3 anos durante o curso do processo (recebimento da inicial e prolação
da sentença condenatória), apesar de não estarmos diante de uma P.P.P.A, estaremos diante de uma P.P.P.R, e
deverá ser extinta a punibilidade.

Obs1: com o advento da lei nº 12.234/10, não mais se considera a P.P.P.R entre o recebimento da inicial e a data do fato.

Obs2: A lei nº 12.234/10 é prejudicial para o réu, portanto, irretroativa (fatos praticados antes admitem a P.P.P.R entre o
recebimento da inicial e a data do crime).
@dicasexconcurseira 77
Obs3: O recurso da acusação só impede a P.P.P.R se buscar o aumento da pena. Se o MP recorre contra o tipo de pena (e não
sua quantidade) não impede a P.P.P.R.

Obs4: Discute-se se esta espécie de prescrição pode ser reconhecida em 1º grau ou só pelo Tribunal. Temos duas correntes:
1ª Corrente: com a sentença, o juiz de 1º grau esgotou a sua jurisdição, não podendo reconhecer a P.P.P.R.
2ª Corrente (PREVALECE): tratando-se de matéria de ordem pública, o juiz de 1º grau pode reconhecer a P.P.P.R de ofício ou por
provocação.

P.P.P.R P.P.P.S
Conta-se da publicação da condenação para trás Conta-se da publicação da condenação para frente (tempo
que leva para julgar o recuso da defesa)
Caso prático: Maria pratica crime de abandono de recém-nascido para ocultar desonra própria
• P.P.P.A: 4 anos
• Sentença: pena de 6 meses
• Se o MP não recorre, o juiz pode refazer o cálculo (P.P.P.R), com base nos 6 meses
• Mas se não ocorreu a P.P.P.R, terei a P.P.PS orientando o tempo de julgamento do recurso da defesa.
• O Estado terá 3 anos para julgar o recurso da defesa.

3 – PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA VIRTUAL (P.P.P.V) à criação doutrinária

Finalidade: reconhecer antecipadamente a P.P.P.R (reconhecer a falta de interesse em prosseguir com a ação penal,
que certamente será alcançada pela P.P.P.R).

ATENÇÃO! Os tribunais superiores não tem admitido a P.P.P.V (Súmula 438, STJ).
Súmula 438 STJ: É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena
hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.

DE OLHO NA JURIS! Não se admite a denominada prescrição em perspectiva (prescrição virtual)


A prescrição virtual ocorre quando o juiz, verificando que já se passaram muitos anos desde o dia em que o prazo prescricional
começou ou voltou a correr, entende que mesmo que o inquérito ou processo continue, ele não terá utilidade porque muito
provavelmente haverá a prescrição pela pena em concreto. Para isso, o juiz analisa a possível pena que aplicaria para o réu se
ele fosse condenado e, a partir daí, examina se, entre os marcos interruptivos presentes no processo, já se passaram mais anos
do que o permitido pela lei. A prescrição virtual é também chamada de prescrição “em perspectiva”, “por prognose”,
“projetada” ou “antecipada”. O STF e o STJ afirmam que é inadmissível a prescrição virtual por dois motivos principais: a) em
virtude da ausência de previsão legal; b) porque representaria uma afronta ao princípio da presunção de não-culpabilidade. O
STJ tem, inclusive, um enunciado proibindo expressamente a prática (Súmula 438-STJ). STF. 1ª Turma. Inq 3574 AgR/MT, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 2/6/2015 (Info 788).

4 – PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA (P.P.E) à art.110, caput, CP

CP, Art. 110 - A prescrição DEPOIS de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela PENA APLICADA e verifica-se
nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de 1/3, se o condenado é reincidente.

Trata-se de prescrição da pena efetivamente imposta, que tem como pressuposto sentença condenatória com trânsito
em julgado para ambas as partes.

Verifica-se dentro dos prazos do art.109, CP, os quais são aumentados de 1/3 se o condenado é reincidente.
ATENÇÃO! Não é a pena que é aumentada em 1/3, mas sim o prazo prescricional.

DE OLHO NA JURIS! Somente ocorrerá prescrição executória se tiver havido trânsito em julgado
O prazo da prescrição executória inicia-se com o trânsito em julgado para a acusação (art. 112, I, do CP), mas a efetiva prescrição
executória só irá acontecer se quando esgotar o prazo já tiver ocorrido o trânsito em julgado para ambas as partes. STJ. 5ª
Turma. REsp 1255240-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013 (Info 532).
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Prescrição da pretensão executória no caso de penas restritivas de direitos
Se o condenado foragido ou que tem o livramento condicional revogado tem direito à contagem do prazo prescricional
descontado o período efetivamente cumprido da pena, com muito mais razão cabe o desconto àquele que simplesmente
abandona o cumprimento da pena restritiva de direitos antes de seu término. Desse modo, se o condenado que está prestando
pena restritiva de direitos abandona o cumprimento, o prazo da prescrição executória deve ser regulada pelo tempo que resta a
ser cumprido, aplicando-se, por interpretação extensiva, o art. 113 do CP. STJ. 6ª Turma. HC 232764-RS, Rel. Min. Maria Thereza
de Assis Moura, julgado em 25/6/2012.

P.P.P.A P.P.P.R/P.P.P.S P.P.E


Pena máxima em abstrato Pena em concreto (transitada em Pena em concreto (transitada em
julgado para a acusação) julgado para ambas as partes)

Consequências da P.P.E: extingue-se a pena aplicada sem rescindir a sentença condenatória (produz os demais
efeitos penais e todos os extrapenais).

P.P.P P.P.E
Ocorre antes do trânsito em julgado para ambas as partes Pressupõe condenação para ambas as partes
Rescinde eventual sentença condenatória Não rescinde eventual sentença condenatória
Impede qualquer efeito (penal ou extrapenal) Extingue a pena, mas permanecem os demais efeitos (penais
e extrapenais). Ex: o condenado ainda será considerado
reincidente (a reincidência efeito penal secundário).

Termo inicial da P.P.E


Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr:
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da
pena ou o livramento condicional;
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena.

DE OLHO NA JURIS! Interpretação do art. 112 do CP


Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da defesa, qual deverá ser o
termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da prescrição executória deve ser o momento em que
ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o início do prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em julgado para
ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para a defesa?
• Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão executória é a data do trânsito em julgado da
sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja aguardando o julgamento desse
recurso. Aplica-se a interpretação literal do art. 112, I, do CP, considerando que ela é mais benéfica ao condenado.
• Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem do prazo de prescrição somente se dá quando a pretensão executória
pode ser exercida. Se o Estado não pode executar a pena, não se pode dizer que o prazo prescricional já está correndo. Assim,
mesmo que tenha havido trânsito em julgado para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está pendente
uma apelação da defesa), não teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição executória. É preciso fazer uma
interpretação sistemática do art. 112, I, do CP.
Vale ressaltar que, com o novo entendimento do STF admitindo a execução provisória da pena, para essa segunda corrente
(Min. Roberto Barroso) o termo inicial da prescrição executória será a data do julgamento do processo em 2ª instância. Isso
porque se estiver pendente apenas recurso especial ou extraordinário, será possível a execução provisória da pena. Logo, já
poderia ser iniciada a contagem do prazo prescricional. STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgado em 6/2/2018 (Info 890).
O prazo da prescrição executória inicia-se com o trânsito em julgado para a acusação (art. 112, I, do CP), mas a efetiva prescrição
executória só irá acontecer se quando esgotar o prazo já tiver ocorrido o trânsito em julgado para ambas as partes. STJ. 5ª
Turma. REsp 1255240-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013 (Info 532).

@dicasexconcurseira 79
O prazo da P.P.E pode ser suspenso (art.116, p.u., CP) ou interrompido (art.117, incs.V e VI, CP).

CP, Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:


V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência. à no caso, “reincidência” é a notícia de que foi praticado o crime; para ser reincidente, basta a prática de
novo crime depois de transitar em julgado sentença condenatória por crime anterior (art.63, CP).

CP, Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo tempo
que resta da pena.

CP, Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 anos,
ou, na data da sentença (DE 1º GRAU), maior de 70 anos. à O ART.115 APLICA-SE A TODOS OS TIPOS DE PRESCRIÇÃO

Obs1: o art.115 se aplica a todos os prazos prescricionais, inclusive aqueles previstos na legislação especial e incide sobre todas
as modalidades de prescrição (punitiva e executória).

Obs2: Prevalecendo-se o agente das mesmas circunstâncias de tempo, local e modo de execução (art.71, CP), praticando vários
crimes da mesma espécie, sendo alguns antes dos 21 anos do criminoso e outros depois, a redução só incidirá nos crimes
cometidos antes da maioridade (art.119, CP). Já no caso de crime permanente, iniciado na menoridade e terminado na
maioridade, não se reduz o prazo prescricional.

Obs3: Súmula 338, STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas socioeducativas.

DE OLHO NA JURIS! O termo "sentença", mencionado no art. 115 do CP, deve ser entendido como "primeira decisão
condenatória, seja sentença ou acórdão proferido em apelação
É possível aplicar a redução do art. 115 do CP no momento do acórdão (ou seja, após a sentença), se a sentença foi absolutória e
o primeiro decreto condenatório foi a apelação. Ex: João tinha 68 anos quando foi prolatada a sentença; a sentença foi
absolutória; o MP apelou e o TJ reformou a sentença, condenando o réu; ocorre que, no momento do acórdão condenatório,
João já tinha mais de 70 anos; neste caso, será possível aplicar a redução pela metade do prazo prescricional, conforme previsto
no art. 115 do CP. Assim, a redução do prazo prescricional à metade, com base no art. 115 do Código Penal, aplica-se aos réus
que atingirem a idade de 70 anos até a primeva condenação, tenha ela se dado na sentença ou no acórdão. STJ. 6ª Turma. AgRg
nos EDcl no AREsp 491258/TO, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 07/02/2019. STJ. 6ª Turma. HC 316110/SP, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/06/2019.

Redução do prazo prescricional para condenados maiores de 70 anos e momento de aferição


Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é necessário que, no momento da sentença, o
condenado possua mais de 70 anos. Se ele só completou a idade após a sentença, não terá direito ao benefício, mesmo que isso
tenha ocorrido antes do julgamento de apelação interposta contra a sentença. Existe, no entanto, uma situação em que o
condenado será beneficiado pela redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a "sentença" (sentença ou
acórdão condenatório): isso ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração contra a sentença/acórdão
condenatórios e esses embargos são conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional será reduzido pela metade se o réu
completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos. Nesse sentido: STF. Plenário. AP 516 ED/DF, rel. orig. Min. Ayres
Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2013 (Info 731). STF. 2ª Turma. HC 129696/SP, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 19/4/2016 (Info 822). Cuidado! O STJ entende que é possível aplicar a redução do art. 115 do CP no momento do
acórdão (ou seja, após a sentença), se a sentença foi absolutória e o primeiro decreto condenatório foi a apelação. Ex: João
tinha 68 anos quando foi prolatada a sentença; a sentença foi absolutória; o MP apelou e o TJ reformou a sentença, condenando
o réu; ocorre que, no momento do acórdão condenatório, João já tinha mais de 70 anos; neste caso, será possível aplicar a
redução pela metade do prazo prescricional, conforme previsto no art. 115 do CP. Nesse sentido: "a redução do prazo
prescricional à metade, com base no art. 115 do Código Penal, aplica-se aos réus que atingirem a idade de 70 anos até a primeva
condenação, tenha ela se dado na sentença ou no acórdão, situação que não ocorreu na hipótese”. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl
no AREsp 491.258/TO, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 07/02/2019. Assim, o termo "sentença", mencionado no
art. 115 do CP, deve ser entendido como "primeira decisão condenatória, seja sentença ou acórdão proferido em apelação" (STJ.
6ª Turma. HC 316.110/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/06/2019).

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Aula 16

CULPABILIDADE

1. Culpabilidade

Para uma boa parcela da doutrina brasileira, a culpabilidade não é elemento do crime (Finalismo Dissidente/Bipartido),
tendo o crime apenas os elementos fato típico e ilicitude.
A primeira noção de culpabilidade que se tem é a da teoria psicológica. Para esta teoria, defendida por Franz Von Liszt
e Beling, a culpabilidade seria constituída pelo elemento psicológico – dolo e culpa. Para esta teoria, a imputabilidade não é
elemento da culpabilidade. A imputabilidade é considerada um pressuposto da análise da culpabilidade, e não como elemento
constitutivo dela.
Já para a teoria psicológico-normativa, defendida entre outros por Edmund Mezger, Bertold Freudenthal, Goldschimitd
e Frank, a culpabilidade seria constituída pelos elementos psicológicos/subjetivos (dolo e culpa), além dos elementos
normativos (imputabilidade e exigibilidade de conduta diversa). Para esta teoria, a consciência da ilicitude estava embutida no
dolo.
Atualmente, dolo é binômio consciência + vontade, sendo que a consciência não é da ilicitude, mas sim a consciência de
saber o que se está fazendo.
Adota-se, atualmente, a teoria normativa/teoria normativa pura que tem como grande defensor Hans Welzel, criador
do finalismo. Toda conduta humana é destinada a um fim e, portanto, toda conduta humana é dolosa ou culposa,
necessariamente. Welzel retirou o dolo e a culpa da culpabilidade e os colocou na conduta humana, elemento do fato típico. Ao
fazer isso, ele retira a consciência da ilicitude do dolo, para entender que culpabilidade é imputabilidade, exigibilidade de
conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude. Este é o atual estágio da culpabilidade à culpabilidade normativa (dolo e
culpa fazem parte da conduta humana penalmente relevante, ao passo que a culpabilidade é constituída de elementos
normativos.

CULPABILIDADE
TEORIA PSICOLÓGICA TEORIA PSICOLÓGICA-NORMATIVA TEORIA NORMATIVA ou TEORIA
(Causalismo/Mecanicismo/Naturalismo) (Neokantismo) NORMATIVA PURA
(Finalismo)
Franz Von Liszt/Beling Mezger Welzel
James Goldschimitd
Bertold Freudenthal
• Dolo/culpa • Dolo/culpa • Imputabilidade
(no dolo, estava a consciência da ilicitude) (no dolo, estava a consciência da • Exigibilidade de
ilicitude) conduta diversa
• Imputabilidade • Potencial consciência
• Exigibilidade de conduta da ilicitude
diversa OBS: dolo e culpa integram o fato
típico.

2. Conceito atual de culpabilidade

A culpabilidade é um juízo de reprovação pessoal que recai sobre o autor do fato típico e ilícito, que, podendo se
comportar conforme o direito, opta livremente (livre arbítrio) por se comportar de forma contrária a ele.

2.1. Juízo de reprovação pessoal

Culpabilidade é reprovabilidade. Dizer que há culpabilidade é dizer que a conduta é reprovável. A conduta do doente
mental não é reprovável, porque o agente não sabe o que faz. No caso do menor de idade, há uma presunção legal.
Tipicidade e ilicitude são juízos de valor em relação ao fato; já a culpabilidade é um juízo de valor em relação ao autor
do fato.
Tipicidade + ilicitude à juízo de valor quanto ao fato;
Culpabilidade à juízo de valor quanto ao autor do fato.

@dicasexconcurseira 81
2.2. Autor do injusto penal

A análise dos elementos é feita nesta ordem: fato típico, ilicitude e culpabilidade. Logo, ao se analisar a culpabilidade, já
se tem em mente que o fato é típico e ilícito (injusto penal).

2.3. Livre arbítrio

Só é reprovável a conduta do agente que tem livre-arbítrio, daquele que podia optar entre fazer e não fazer.
O direito penal atual foi gestado no séc.XVIII. Nesta época, surgem nomes como os de Beccaria, Carrara e Feuerbach,
que começam a desenvolver o direito penal.
No séc.XIX, surge a escola positivista do direito penal: Lombroso (antropologia criminal), Ferri (sociologia criminal) e
Garofalo (criminologia). Estes autores negam o livre-arbítrio, trabalhando com a ideia de determinismo.
Para os positivistas, os estudiosos que pregavam o livre-arbítrio compunham a chamada escola clássica.
Atualmente, na Europa, tem-se discutido que a neurociência pode determinar algumas condutas. Mas, para os
concursos, é importante ter em mente que culpabilidade, hoje, é livre-arbítrio, estando ultrapassado o determinismo da escola
positiva do direito penal.

3. Elementos da culpabilidade
3.1. Imputabilidade

Imputar é atribuir responsabilidade penal a alguém. Para Francisco de Assis Toledo, a imputabilidade é atribuibilidade.
Imputável é aquele a quem se pode atribuir responsabilidade penal.
A regra é que o agente seja imputável. A imputabilidade, no entanto, pode ser AFASTADA pela:
i) Menoridade;
ii) Doença mental;
iii) Embriaguez fortuita, desde que completa.

É possível falar em inimputabilidade do índio? A princípio, não é possível. O estatuto do índio se refere ao índio integrado,
índio não integrado e ao índio em vias de integração, sendo que a integração é em relação ao restante da comunidade
brasileira. Diante desta classificação, antigamente entendia-se que índio integrado era imputável; o índio não integrado era
inimputável; ao passo que o índio em vias de integração era submetido ao um laudo antropológico. Esta situação não mais
subsiste. Atualmente, entende-se que ao índio aplicam-se as mesmas hipóteses de inimputabilidade que são aplicáveis aos
demais cidadãos, não tendo tratamento diferenciado em relação ao índio, independentemente do nível de integração.

A emoção e a paixão não excluem a culpabilidade. Podem até atenuar a pena, mas não excluem a culpabilidade. Porém, se
a emoção e a paixão chegam a um grau elevado que se tornem doença mental, poderão ensejar exclusão da culpabilidade.

CP, Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


I - a emoção ou a paixão;

à Causas de exclusão da imputabilidade


a) Menoridade: o critério de aferição da imputabilidade por menoridade é o chamado critério biológico/cronológico/etário
(não importa se o agente foi emancipado, por ex).

CP, Art. 27 - Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação
especial.
CF, Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.

É possível reduzir a maioridade penal por emenda constitucional? A maioridade penal a partir dos 18 anos está no rol
dos direitos e garantias individuais (vale lembrar que estes não estão apenas no art.5º, CF, mas espraiados pelo texto
constitucional e o STF é pacífico neste sentido). Não há controvérsia, portanto, se se trata de cláusula pétrea (é sim cláusula
pétrea). O que é discutido pela doutrina é a possibilidade de redução. Há autores como René Ariel Dotti que defende que a
redução da maioridade penal não é possível por se tratar de cláusula pétrea, cuja redução importaria em abolir o direito
individual. Assim, para este autor, uma eventual redução da menoridade penal somente seria possível numa nova constituição.
Para outros autores, como Pedro Lenza, o direito individual pode ser restringido, desde que não seja atingido o núcleo desse
direito, não implicando na abolição de tal direito.

@dicasexconcurseira 82
Lembrar que a emancipação civil não surte efeitos na esfera penal. Em todas as hipóteses de emancipação, o agente
mantém a condição de inimputável penalmente.
Também não importa se o agente menor de idade entende o caráter ilícito do fato, uma vez que a lei presume
absolutamente a sua inimputabilidade.
Na dúvida quanto à idade do agente, o STJ entende que é necessário provar a menoridade por documento hábil
(documento civil de identificação à no processo penal, questão de estado se prova de forma documental, da mesma forma que
se prova na legislação civil). Se não tiver documento, deve ser feita a identificação criminal.

b) Doença mental: utiliza-se o critério biopsicológico/biopsíquico/etiológico.

CP, Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (CRITÉRIO
BIOLÓGICO), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento (CRITÉRIO PSICOLÓGICO).

É necessária a doença mental, mas, além desta, o agente deve não entender o caráter ilícito do fato ou, mesmo
entendendo, em razão da doença, não consegue determinar-se de acordo com essa compreensão.
A inimputabilidade por doença mental somente pode ser aferida no caso concreto para saber se em razão desta
doença mental o agente não compreendia o caráter ilícito, ou mesmo que entendesse, não conseguia determinar-se conforme
este entendimento em decorrência da doença.
Para o doente mental, não se aplica pena, mas sim medida de segurança. O inimputável não é condenado, mas sim
absolvido (sentença absolutória imprópria, onde é absolvido, mas lhe é aplicada uma medida de segurança).

O semi-imputável ou fronteiriço (parágrafo único do art.26, CP) é aquele que, por perturbação mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo come sse entendimento.

CP, Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de 1/3 a 2/3, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado NÃO ERA INTEIRAMENTE CAPAZ de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

O semi-imputável é condenado, por ser parcial a sua imputabilidade e, portanto, parcial sua culpabilidade. A
condenação do semi-imputável a uma pena (diminuída, pois semi-imputabilidade é causa de diminuição de pena) poderá ser
convertida em medida de segurança.
A semi-imputabilidade tem natureza jurídica de causa de diminuição de pena, razão pela qual o juiz condena, mas
aplica a redução da pena. O juiz pode também converter essa condenação em medida de segurança, se entender que é mais
adequado ao tratamento da doença. Essa conversão pode ocorrer no momento da sentença, como também posteriormente, na
fase da execução.

INIMPUTÁVEL Absolvição imprópria

Pena diminuída de 1/3 a 2/3


SEMI-INIMPUTÁVEL Condenação ou

Substituição da pena por medida de segurança

Antes da reforma de 1984, aplicava-se no Brasil o sistema do duplo binário, o qual permitia aplicar ao semi-imputável a
pena + a medida de segurança. Esse sistema foi substituído, de modo que, hoje, vige o sistema vicariante, no qual se aplica a
pena OU a medida de segurança, não se admitindo mais a aplicação cumulativa de pena e medida de segurança.
No Brasil, só existe medida de segurança para o doente mental. Há dois tipos de medida de segurança: internação e
tratamento ambulatorial. Na internação, o doente mental fica no hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. Já o
tratamento ambulatorial não exige internação.
De acordo com o art.97, CP, se o fato praticado for apenado com detenção, o juiz pode aplicar o tratamento
ambulatorial. A contrario sensu, se o fato for punido com reclusão, o juiz aplicaria a internação.

CP, Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato previsto como crime for
punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial.

@dicasexconcurseira 83
Este dispositivo tem recebido severas críticas, porque leva em consideração a gravidade do fato. A crítica doutrinária é
no sentido de que a aplicação de medida de segurança deve levar em conta o grau de periculosidade do doente, pouco
importando se se trata de crime punido com reclusão ou detenção. Neste sentido, Guilherme Nucci.
A medida de segurança tem um prazo mínimo estabelecido pelo CP.

CP, Art.97, § 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for
averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 a 3 anos.

Este prazo mínimo é o marco a partir do qual se torna obrigatória a realização de perícias periódicas para avaliar se
ocorreu a cessação da periculosidade. Se subsiste a periculosidade, a medida de segurança é mantida; do contrário, cessará a
medida de segurança.
Segundo a lei, a medida de segurança não tem prazo máximo, sendo estabelecida por prazo indeterminado. A
jurisprudência do STF orienta-se no sentido de que quando a CF proibiu a pena de caráter perpétuo, disse menos do que queria.
O que a CF quis dizer foi que são proibidas as sanções penais de caráter perpétuo. Sanção penal é gênero do qual são espécies a
pena e a medida de segurança, de modo que a medida de segurança também não pode ter caráter perpétuo. Para o STF, o
limite máximo da medida de segurança, por analogia, segue o estabelecido no art.75, CP.
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 anos.

Por outro lado, o STJ tem entendimento no sentido de que o tempo máximo de duração da medida de segurança não
deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado, à luz dos princípios da isonomia e da
proporcionalidade. Entendimento este que virou súmula: Súmula 527 - O tempo de duração da medida de segurança não deve
ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.

Importante lembrar que se o inimputável for perigoso, violento e após o prazo máximo de internação ainda não tiver
cessada a sua periculosidade, o STF entende que cessa a intervenção penal. No entanto, isto não significa dizer que não vai
haver internação; esta ocorrerá, mas não terá natureza penal. É possível a internação compulsória, nos moldes da Lei 12.216/01
(lei de reforma psiquiátrica).

DE OLHO NA JURIS! Tempo de duração da medida de segurança


Súmula 527-STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente
cominada ao delito praticado.
Obs: o STF possui julgados afirmando que a medida de segurança deverá obedecer a um prazo máximo de 30 anos, fazendo uma
analogia ao art. 75 do CP, e considerando que a CF/88 veda as penas de caráter perpétuo (STF. 1ª Turma. HC 107432, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 24/05/2011).

Prescrição de medida de segurança


A prescrição da medida de segurança imposta em sentença absolutória imprópria é regulada pela pena máxima abstratamente
prevista para o delito. STJ. 5ª Turma. REsp 39920-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 6/2/2014 (Info 535).

c) Embriaguez:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§1º - É ISENTO DE PENA o agente que, por EMBRIAGUEZ COMPLETA, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo
da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE INCAPAZ de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
§2º - A pena pode ser REDUZIDA de 1/3 a 2/3, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, NÃO
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a PLENA CAPACIDADE de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento.

Há 5 modalidades de embriaguez:
i) Preordenada;
ii) Doloso/voluntária;
iii) Culposa/involuntária;
iv) Fortuita;
v) Patológica.

@dicasexconcurseira 84
Culpabilidade é livre-arbítrio. Entende-se que a pessoa completamente embriagada não tem esse livre-arbítrio. Mas,
em regra, o embriagado é culpável.
Quando se fala em embriaguez, trabalha-se com a teoria da ação livre na causa (“actio libera in causa”). Significa dizer
que, na embriaguez, o livre-arbítrio não é aferido no momento da prática da conduta, mas sim se a ação foi livre no momento
da ingestão da substância.

Embriaguez É aquela em que o sujeito quer ingerir, quer embriagar-se e Ingerir (ação livre)
preordenada quer praticar o crime. Neste caso, não há exclusão da Embriagar
culpabilidade do agente. Além disso, constitui circunstância Praticar o crime
agravante (art.61, II, “l”, CP). Não exclui a culpabilidade
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena,
quando não constituem ou qualificam o crime:
II - ter o agente cometido o crime:
l) em estado de embriaguez preordenada.
Embriaguez É aquela em que o sujeito quer ingerir a substância e Ingerir (ação livre)
dolosa/ embriagar-se, mas não para praticar o crime. Ex: o sujeito Embriagar
voluntária quer fazer uma farra e ajusta com a namorada que vai beber Não quer praticar o crime
e ela retorna dirigindo o veículo. Após embriagar-se, o sujeito Não exclui a culpabilidade
não entrega a chave, resolve dirigir e comete crime na
condução de veículo. Não exclui a culpabilidade do agente.
Embriaguez É aquela em que o sujeito quer ingerir a substância apenas Ingerir (ação livre)
culposa/ socialmente, mas acaba se embriagando e vem a praticar o Não quer se embriagar
involuntária crime. Neste caso, também não se exclui a culpabilidade. Não quer, muito menos, praticar o
crime
Não exclui a culpabilidade
Embriaguez É aquela em que o agente não quer ingerir a substância, seja Não quer ingerir (não há ação livre na
fortuita porque não sabia o que estava ingerindo, seja porque foi causa)
obrigado a ingeri-la. Ex: trote de calouros. Este tipo de Não quer se embriagar
embriaguez, sendo completa, exclui a culpabilidade. Se for Não quer cometer o crime
incompleta, o agente responde pelo crime com pena Exclui a culpabilidade
diminuída de 1/3 a 2/3.
Embriaguez É o vício. O viciado pode ser considerado inimputável, uma
patológica vez que o vício é considerado doença mental, sendo a
Organização Mundial de Saúde. Deste modo, a embriaguez
patológica não exclui a culpabilidade, mas a doença mental
poderá excluí-la.

3.2. Exigibilidade de conduta diversa

É o segundo elemento da culpabilidade. Somente há reprovabilidade da conduta do agente que poderia agir de outro
modo.
O CP não tem as expressões “inexigibilidade de conduta diversa”, tampouco “exigibilidade de conduta diversa”. Há,
contudo, institutos previstos no CP que materializam esta inexigibilidade: coação moral irresistível e obediência hierárquica.

CP, Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de
superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

A coação moral irresistível e a obediência hierárquica são hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. É
extremamente controverso, mas prevalece que existem causas supralegais de inexigibilidade de conduta diversa. Segundo este
entendimento, sempre que se possa dizer que não se poderia exigir outra conduta do agente, estar-se-ia diante de hipótese de
inexigibilidade de conduta diversa. Ex: a mãe que trabalha como diarista, que precisa trabalhar para sustentar as filhas, que, ao
sair, trancava as crianças. Houve um incêndio na casa do vizinho, o fogo se alastrou e as crianças morreram queimadas. A mãe
foi indiciada pelo homicídio, mas o promotor entendeu que era hipótese de inexigibilidade de conduta diversa, pois não dava
para exigir da mãe outra conduta.

@dicasexconcurseira 85
3.2.1. Coação moral irresistível

Coação moral irresistível Coação física irresistível


(vis compulsiva) (vis absoluta)
Exclui a culpabilidade Exclui o fato típico

A coação física irresistível é uma hipótese de exclusão da conduta penalmente relevante, tornando o fato atípico; já a
coação moral irresistível é hipótese de inexigibilidade de conduta diversa que exclui a culpabilidade.
A particularidade da coação física é que a pessoa coagida não tem vontade, pois não lhe é dado direito de opção. Na
coação moral irresistível, existe sim vontade por parte do agente, embora esta vontade esteja viciada.
O melhor exemplo é o de sequestro da família do gerente do banco, para que este vá até a agência e abra o cofre e
entregue o dinheiro para os criminosos. Veja-se que o gerente tem opção; no entanto, não é possível exigir do gerente do banco
o sacrifício da própria família para proteger o patrimônio do banco. É um direito de opção cruel, não se podendo exigir dele uma
conduta diversa da que ele adotar.
O coator responde pelo crime praticado pelo coagido. Assim, os sequestradores vão responder pelo sequestro, pelas
eventuais violências praticadas contra a família do gerente, bem como pela subtração dos valores praticada pelo gerente.
Apenas o coagido terá excluída a sua culpabilidade.

3.2.2. Obediência hierárquica

Hierarquia em direito penal é vínculo de direito público, entre funcionários públicos (não abrangendo as relações
privadas existentes entre empregado e empregador, regidas pela CLT), em que o superior hierárquico dá uma ordem não
manifestamente ilegal a um subordinado.
Se a ordem é manifestamente ilegal, ambos respondem pela prática do crime. Ex: no filme tropa de elite, quando o
Capitão Nascimento manda “colocar no saco”, determinando a tortura, tanto o capitão quanto o subordinado respondem pela
tortura.
No caso de ordem não manifestamente ilegal, exclui-se a culpabilidade do subordinado, pois não se poderia lhe exigir
conduta diversa (só responde o coator/superior). Ex: no caso do Eldorado de Carajá, a ordem dos policiais foi a de desocupar, de
modo que não tratava de ordem manifestamente ilegal, o que deu azo à defesa alegar inexigibilidade de conduta diversa, por
ser hipótese de obediência hierárquica.
Pergunta-se: e se a ordem não manifestamente ilegal emanar de empregador, é possível excluir a culpabilidade do
empregado? Neste caso, é possível excluir a culpabilidade, mas não pela obediência hierárquica (que só se refere à vínculo de
direito público), e sim como causa supralegal de exclusão da culpabilidade.

3.3. Potencial consciência da ilicitude

É o terceiro e último elemento da culpabilidade.


Antes da teoria normativa pura, pela qual a culpabilidade tinha elementos normativos e psicológicos (dolo e culpa), a
consciência da ilicitude integrava o dolo. Atualmente, o dolo é consciência da situação fática e vontade de produzir o resultado;
ao passo que a consciência da ilicitude não faz parte do dolo, mas sim da culpabilidade.
A ausência de consciência da ilicitude (desconhecimento da ilicitude) é uma circunstância atenuante (Art. 65 - São
circunstâncias que sempre atenuam a pena: II - o desconhecimento da lei;).
Já a ausência de potencial consciência da ilicitude dá ensejo ao erro de proibição, que exclui a culpabilidade.

AUSÊNCIA DE
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE ERRO DE PROIBIÇÃO INEVITÁVEL
O agente não sabe que a conduta é ilícita/crime, mas tinha (EXCLUI A CULPABILIDADE)
condições de saber que era. O agente não sabia que era ilícito, nem tinha condições de
saber. Ex: índios não integrados.

QUESTÃO DE CONCURSO: Disserte sobre a valoração paralela na esfera do profano. Tem a ver com a potencial consciência da
ilicitude. É um dos critérios para se saber se o sujeito tinha ou não a potencial consciência da ilicitude. É um critério utilizado por
Mezger. Para ele, “profano” é o “não jurídico” (religião, moral, costumes, ideologias, etc). Para Mezger, para saber se há erro de
proibição, não se faz um juízo jurídico, e sim uma valoração paralela.

@dicasexconcurseira 86
Quando o CP se refere ao desconhecimento da lei, trata, na verdade, de desconhecer a ilicitude de fato. Ex: sujeito vai
caçar, mas aquele animal identificado na caça era um animal cuja caça era proibida e o sujeito desconhecia esta ilicitude. Isto é
uma hipótese de ausência de consciência da ilicitude.
Qualquer de nós, ainda que não tenha a consciência da ilicitude, tem a potencial consciência da ilicitude. Esta significa a
aptidão para adquirir esta consciência. Quando a pessoa não tem a potencial consciência da ilicitude, isto significa que a pessoa,
naquelas circunstâncias, não tinha potencial para adquirir aquela consciência.
O prof. Claudio Brandão dá um exemplo bastante elucidativo: um trabalhador rural, analfabeto, que vivia em cidade no
interior de Pernambuco, que sequer era abastecida de energia elétrica. Este trabalhador nasceu naquela região, nunca saiu dali
e cresceu caçando um determinado animal, quando, mais tarde, foi preso pelo crime ambiental pela caça deste mesmo animal.
Para esse trabalhador rural, não é mera é mera atenuante o desconhecimento, mas sim erro de proibição inevitável, o que
exclui a culpabilidade.
Outro exemplo interessante é o de um morador de uma cidade satélite em Brasília que, diante do estado de saúde de
sua esposa, que estava doente, recebe o conselho de que deveria dar à sua esposa um chá de determinada plante que seria
curativa. Ele procurou a planta, encontrando-a numa área de preservação ambiental. Cortou um pedaço da casca do tronco da
árvore, o que fez com que acabasse sendo preso por crime ambiental.
Mais um exemplo merece atenção. Um indígena não integrado provavelmente incide numa hipótese de erro de
proibição, pois ele não tem aptidão para adquirir a consciência de uma ilicitude numa sociedade que não é a dele. Ex: os
membros da tribo que matam um infante, pois acreditam que ele traz o mal. Zaffaroni denomina este caso de erro de proibição
culturalmente condicionado ou erro culturalmente condicionado, isto é, um erro sobre a ilicitude do fato produzido pela
cultura em que se vive.

CAUSAS SUPRALEGAIS DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE

Na doutrina estrangeira, sobretudo Roxin, são citadas causas supralegais de exclusão da culpabilidade, além das causas
legais excludentes (coação moral irresistível e obediência hierárquica):
• Fato da consciência (Miguel Reale)
• Colisão de deveres
• Desobediência civil
• Provocação de legítima defesa

Causas supralegais de exclusão da culpabilidade são aquelas que não encontram fundamento legal. Não há unanimidade
sobre a sua aplicação, existindo duas posições:
1 - A primeira sustenta a impossibilidade de utilização de causas supralegais, alegando que isso abriria portas à insegurança
jurídica e enfraqueceria a eficácia da prevenção geral do Direito Penal.

2 - A segunda, mais moderna e majoritária, defende que se estaria diante de princípio geral de Direito Penal, admitindo-se a sua
aplicação, inclusive, porque o legislador não poderia prever todas as hipóteses de exculpação supralegal, por mais previdente
que fosse. O STJ possui decisões de acordo com o segundo entendimento.

Como o ordenamento jurídico pátrio, em tese, não proíbe a aplicação de causas supralegais de inexigibilidade de conduta
diversa, em doutrina, sustenta-se a existência das seguintes hipóteses:

i) CLÁUSULA DE CONSCIÊNCIA: tem como fundamento o art.5º, VI, da CF, o qual garante a liberdade de crença e de consciência.
Exemplo disso é o art.438, CPP: “A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política importará no
dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos, enquanto não prestar o serviço imposto”.

ii) DESOBEDIÊNCIA CIVIL: trata-se do direito de qualquer cidadão de protestar, de forma pública e não violenta, movido por
ideais ético-políticos, contra graves injustiças. Ex: invasões, ocupações, bloqueios de rodovias.

iii) CONFLITO DE DEVERES: trata-se de escolha do mal menor. Ex: diante de graves dificuldades econômicas enfrentadas por seu
estabelecimento comercial, o empresário sonega impostos para conseguir pagar os empregados.

iv) ESTADO DE NECESSIDADE EXCULPANTE: o bem sacrificado é de maior valor que o preservado. Há duas possibilidades: a)
punir o agente pelo crime praticado, reduzindo-se a sua pena na forma do art.24, §2º, CP; ou b) excluir a culpabilidade do autor,
com base em causa supralegal de exculpação;

@dicasexconcurseira 87
v) PROVOCAÇÃO DE LEGÍTIMA DEFESA: consiste no comportamento do agente que provoca a agressão e, em seguida, reage a
ela. Prevalece, na maioria das vezes, o entendimento de que esta provocação não exclui a legítima defesa.

Menoridade

INIMPUTABILIDADE Pode ser afastada pela Doença mental

Embriaguez fortuita, desde que


completa

Coação moral irresistível


ELEMENTOS DA EXIGIBILIDADE DE Pode ser afastada pela
CULPABILIDADE CONDUTA DIVERSA
Obediência hierárquica

POTENCIAL CONSCIÊNCIA
Pode ser afastada pela Erro de proibição inevitável
DA ILICITUDE

CO-CULPABILIDADE
Trata-se de ideia muito trabalhada por Zaffaroni, segundo a qual se deve repartir a culpabilidade entre a sociedade e o
criminoso. É reconhecer que, a depender do caso concreto, pelo histórico de vida do agente, a coletividade teve uma parcela de
responsabilidade na conduta criminosa.
Não se trata de um criminoso encarado como uma vítima da sociedade. A ideia não é eximi-lo de responsabilidade, mas
sim de repartir esta responsabilidade, reconhecendo-se que, de alguma forma, a coletividade também contribuiu para a
empreitada criminosa.
A coletividade não será punida, mas a pena do criminoso será atenuada. O CP, embora não expressamente, adotou a
co-culpabilidade em seu art.66.

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não
prevista expressamente em lei. à CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES INOMINADAS.

Registre-se que não se admite uma agravante inominada (sem expressa previsão legal), mas é possível atenuar sem
expressa previsão. Assim, é possível que o juiz leve em conta as circunstâncias externas para atenuar a pena (agente criado em
ambiente criminógeno, vítima de abuso em tenra idade).

DE OLHO NA JURIS! Possibilidade de reconhecimento da coculpabilidade como atenuante genérica


É possível, a depender do caso concreto, que o juiz reconheça a teoria da coculpabilidade como sendo uma atenuante genérica
prevista no art. 66 do Código Penal. STJ. 5ª Turma. HC 411.243/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 07/12/2017.

Bons antecedentes não configuram atenuante inominada


O fato de o réu ter bons antecedentes pode ser considerado como uma atenuante inominada do art. 66 do CP? NÃO. Não
caracteriza circunstância relevante anterior ao crime (art. 66 do CP) o fato de o condenado possuir bons antecedentes criminais.
Isso porque os antecedentes criminais são analisados na 1ª fase da dosimetria da pena, na fixação da pena-base, considerando
que se trata de uma circunstância judicial do art. 59 do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel.
p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2015 (Info 569).

CULPABILIDADE DO VULNERÁVEL
Zaffaroni.
Seletividade do direito penal: o direito penal seleciona determinados grupos para fazer incidir sua violência
(geralmente, grupos pobres). Esses grupos são chamados de “vulneráveis” por Zaffaroni.
O objetivo da culpabilidade do vulnerável é o de limitar a violência da pena.

@dicasexconcurseira 88
CONFLITO APARENTE DE NORMAS
Um fato pode se amoldar aparentemente a mais de uma norma.
Critérios para solucionar tais conflitos:
i) Critério da especialidade;
ii) Critério da subsidiariedade: o crime existe para a eventualidade de não se configurar um outro crime mais grave.
Ex: constrangimento ilegal (“soldado reserva”);
iii) Critério da consunção: é a absorção de um crime por outro;
iv) Critério da alternatividade: o tipo penal misto alternativo (possui mais de uma conduta/verbo) pode ser a)
cumulativo, quando a realização de mais de uma conduta significa mais de um crime; ou b) alternativo, quando a
realização de mais de uma conduta, dentro de um mesmo contexto fático, significará a prática de um único crime.

MÓDULO II

Aula 01

PENA

Conceito: Pena é uma resposta estatal ao infrator da norma incriminadora (crime ou contravenção penal), consistente
na privação ou restrição de determinados bens jurídicos do agente (liberdade e patrimônio). A imposição da pena depende
sempre do devido processo legal.

ATENÇÃO! Nunca devemos rotular transação penal (Lei 9.099/95) como sendo pena, pois ela é feita antes de iniciado o
processo, para evitar a pena. Ou seja, a transação penal é medida despenalizadora.

2 – FUNDAMENTOS DA PENA
1º - Político-Estatal: sem a pena, o ordenamento jurídico deixaria de ser coativo;

2º - Psicossocial: a pena satisfaz o anseio de justiça da comunidade;

3º - Ético-individual: a pena permite ao próprio delinquente liberar-se de algum sentimento de culpa.

3 – FINALIDADES DA PENA

3.1. Escola clássica (Carrara): é uma necessidade ética, permitindo o reequilíbrio do sistema.

3.2. Escola positivista (Lombroso): a pena é indeterminada, adequando-se ao criminoso.

3.3. Terza Scuola Italiana (Carnevale): reúne conceitos clássicos e positivistas.

3.4. Escola Penal Humanista (Lanza): a pena tem como objetivo educar o culpado (ressocialização).

3.5. Escola técnico-jurídica (Manzini): a pena surge como meio de defesa contra a perigosidade do agente. O objetivo da pena é
castigar (retribuição) o delinquente.

3.6. Escola moderna alemã (Von Liszt): a pena é instrumento de ordem e segurança social. A pena exerce uma função
PREVENTIVA GERAL (visa a sociedade) e PREVENTIVA NEGATIVA (intimidação).

3.7. Escola correcionalista (Roeder): a pena como correção da vontade do criminoso.

3.8. Escola da nova defesa social (Gramática): a pena é uma reação da sociedade com o objetivo de proteção do cidadão.

@dicasexconcurseira 89
Em resumo, são 3 as principais correntes sobre as finalidades da pena:

1 – Corrente ABSOLUTISTA à a pena objetiva retribuir o mal causado.

2 – Corrente UTILITARISTA à a pena atua como instrumento de prevenção.

3 – Corrente ECLÉTICA (Teoria Mista/Unificadora) CP à a pena objetiva a retribuição + prevenção.

CP, Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e
suficiente para REPROVAÇÃO e PREVENÇÃO do crime (TEORIA MISTA/UNIFICADORA):

PREVENÇÃO
GERAL ESPECIAL
Visa a SOCIEDADE Visa o DELIQUENTE
Positiva Negativa Positiva Negativa
A pena tem como objetivo A pena atua como coação Busca a ressocialização Busca inibir a reincidência
demonstrar a vigência da lei psicológica na sociedade,
como instrumento
intimidador

Finalidades da pena no Brasil

De acordo com o STF, a pena no Brasil é polifuncional (Ministro Ayres Brito):

1 – No momento da COMINAÇÃO da pena (em abstrato) à prevenção GERAL (visa a sociedade)

2 – No momento da APLICAÇÃO da pena (em concreto) à prevenção ESPECIAL NEGATIVA + RETRIBUIÇÃO

3 – No momento da EXECUÇÃO da pena à efetivar as disposições da sentença + prevenção ESPECIAL POSITIVA

LEP, Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições
para a harmônica integração social do condenado e do internado.

No momento da aplicação da pena, a prevenção geral deve ser observada? Na fase da sentença, não se tem a
pretensão de fazer da decisão um exemplo para outros possíveis infratores, em nome da prevenção geral, sob pena de violação
do princípio da individualização da sanção penal. O juiz deve se preocupar com o delinquente, inibindo a sua reincidência e só.

JUSTIÇA RESTAURATIVA

Tem adquirido cada vez mais importância no cenário jurídico-penal, pois baseada num procedimento de consenso
envolvendo os personagens da infração penal (autor, vítima e comunidade). Quebra a dualidade da função da pena (retribuição
e prevenção), incluindo a reparação do dano à vítima como nova possibilidade.
Para Claus Roxin, esta é a terceira via do Direito Penal (reparação de danos), legitimada pelo princípio da
subsidiariedade do direito penal. Isto porque, para além da pena e da medida de segurança, ela é uma medida penal
independente, que alia elementos do direito civil e cumpre com os fins da pena. Para Roxin, a reparação substituiria ou
atenuaria a pena naqueles casos nos quais convenha, tão bem ou melhor aos fins da pena e às necessidades da vítima. A
inclusão no sistema penal sancionador da indenização material e imaterial da vítima significa que o Direito Penal passa a se
aproximar mais da realidade social.

@dicasexconcurseira 90
4 – PRINCÍPIOS INFORMADORES DA PENA

4.1. Princípio da legalidade à reserva legal + anterioridade

4.2. Princípio da pessoalidade/personalidade/intransmissibilidade da pena:


CF, art.5º, XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido;

Esse princípio tem caráter absoluto ou relativo?


1ª Corrente: relativo. Admite exceção prevista na própria CF, qual seja: a pena de perda de bens, confisco.

2ª Corrente (PREVALECE): absoluto. Não admite exceções. A perda de bens referida na CF não é pena, mas efeito da sentença
condenatória, razão pela qual pode passar da pessoa do condenado.

4.3. Princípio da individualização da pena


CF, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

A individualização da pena deve ser observada em 3 momentos:


1 – Fase LEGISLATIVA: observada pelo legislador no momento da definição do crime e da cominação de sua pena.

2 – Fase JUDICIAL: observada pelo juiz na fixação da pena.

3 – Fase DA EXECUÇÃO: garantindo-se a individualização da execução penal (art.5º, LEP: Os condenados serão classificados,
segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal).

Zaffaroni lembra a existência de 2 sistemas de individualização da pena:

Sistema das penas relativamente indeterminadas Sistema das penas fixas


- As penas são estabelecidas com mínimo e máximo - As penas são estabelecidas em patamar único
- Esse sistema, adotado pelo CP, autoriza a individualização - Ex: crime X à pena: 6 anos
da pena - Não autoriza a individualização da pena pelo juiz

DE OLHO NA JURIS: o STF declarou o regime inicial obrigatoriamente fechado como sendo inconstitucional.

4.4. Princípio da proporcionalidade

Trata-se de princípio constitucional implícito (desdobramento do princípio da individualização da pena).


Curiosidade: foi durante o Iluminismo, marcado pela obra “Dos delitos e das penas” (Beccaria), que se despertou maior
atenção para a proporcionalidade na resposta estatal. A pena deve ajustar-se à gravidade do fato, sem desconsiderar as
condições do agente.

DUPLA FACE DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE (Lênio Streck)


1ª face: EVITAR O EXCESSO 2ª face: EVITAR A INSUFICIÊNCIA DA INTERVENÇÃO
ESTATAL
Impedir a hipertrofia da punição Imperativo de tutela
Garantismo negativo Garantismo positivo
Garantia do indivíduo contra arbitrariedades do Estado Garantia do indivíduo de ver o Estado protegendo bens
jurídicos com eficiência

@dicasexconcurseira 91
4.5. Princípio da inderrogabilidade/inevitabilidade da pena

ATENÇÃO! Esse princípio deve ser analisado em conjunto com o princípio da necessidade da pena. A pena, desde que presentes
os seus pressupostos, deve ser aplicada e fielmente cumprida.

Há casos em que o Estado não tem interesse em aplicar a pena (perdão judicial/princípio da bagatela imprópria) ou
mesmo de executá-la (sursis) à são exceções ao princípio da inevitabilidade da pena.

4.6. Princípio da dignidade da pessoa humana


* CF, Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
* Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art.5º - Direito à integridade pessoal
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada de
liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano.

5 – PENAS PROIBIDAS NO BRASIL


CF, XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;

5.1. Pena de morte


A CF admite exceção, executada por fuzilamento, por ordem de Tribunais Militares, em caso de guerra externa
declarada, nas hipóteses previstas pelo CPM.
O art.57 do CPM estabelece que a sentença definitiva de condenação à morte é comunicada, logo que passe em
julgado, ao Presidente da República, e ao pode ser executada senão depois de 7 dias após a comunicação. Justifica-se o prazo
em razão da possibilidade de concessão de indulto ou comultação da pena (art.84, XII, CF). Se, todavia, a pena é imposta em
zona de operações de guerra, pode ser imediatamente executada, quando o exigir o interesse da ordem e da disciplina militares.

Obs1: Para Zaffaroni, a morte jamais pode ser rotulada como pena, faltando-lhe cumprir as finalidades de prevenção e
ressocialização. Trata-se, na verdade, de fenômeno que escapa ao direito, hipótese de inexigibilidade de conduta divesa diante
do fracasso do direito.

Obs2: Para autorizar a pena de morte no Brasil, é imprescindível guerra externa evidente e legalmente declarada, por ato
presidencial, mediante autorização ou referendo do congresso.

Obs3: Conflito armado, guerrilha ou qualquer perturbação – que não configure guerra nos termos constitucionalmente
estabelecidos – não admitem a pena de morte.

Obs4: Discute-se se é possível a pena de morte na guerra preemptiva, isto é, guerra decidida diante de provas de ameaça
iminente à soberania de um Estado.

Obs5: Apesar de a CF só admitir 1 exceção à proibição da pena de morte, a doutrina lembra outras 2:
1 – Lei 7.565/86, art.303, §2º (Lei do Abate) à abater aeronave hostil
§2° Esgotados os meios coercitivos legalmente previstos, a aeronave será classificada como hostil, ficando sujeita à medida de
destruição, nos casos dos incisos do caput deste artigo e após autorização do Presidente da República ou autoridade por ele
delegada.

2 – Lei 9.605/98, art.24 à pena de morte para a pessoa jurídica autora de crimes ambientais.
Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de
crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal
perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional.

@dicasexconcurseira 92
5.2. Pena de caráter perpétuo
CP, Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 anos.

Qual o principal argumento contra a pena de caráter perpétuo? Não incentiva a ressocialização.

CF/88 ESTATUTO DE ROMA


Proíbe pena de caráter perpétuo Prevê pena de caráter perpétuo
b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do
fato e as condições pessoais do condenado o justificarem,

Obs1: Deve ser lembrado que o Estatuto de Roma não admite ressalvas feitas pelos países signatários;

Obs2: Entende a maioria que o conflito entre a CF e o Estatuto de Roma é apenas aparente. A CF, quando prevê a vedação da
pena de caráter perpétuo, está direcionando o seu comando somente para o legislador interno, não alcançando os legisladores
estrangeiros ou internacionais.

O prazo indeterminado da medida de segurança não estaria violando a CF?

PROIBIÇÃO DA PENA DE CARÁTER PERPÉTUO INDETERMINAÇÃO DO TEMPO MÁXIMO DA MEDIDA DE


SEGURANÇA
Tem prazo determinado Só tem prazo mínimo
Perdura o tempo determinado na sentença Perdura enquanto não cessada a periculosidade

1ª Corrente (doutrina e TJ/SP): o prazo indeterminado da medida de segurança não viola a CF, pois esta sanção tem caráter
curativo, e não punitivo.

2ª Corrente (STF): o prazo indeterminado da medida de segurança viola a CF. Deve ter como prazo máximo o tempo de 30 anos
(art.75, CP, aplicado por analogia).

3ª Corrente (STJ): o prazo indeterminado da medida de segurança viola a CF. O prazo máximo deve coincidir com a pena máxima
em abstrato prevista para o crime (Súmula 527, STJ).

5.3. Penas de trabalhos forçados

Prestação de serviços à comunidade? Não é pena de trabalho forçado, mas sanção penal alternativa (pena restritiva de
direitos), evitando a pena privativa de liberdade.
Trabalho penitenciário? É um misto de dever (art.39, LEP) e direito (art.41, LEP).

Art. 39. Constituem deveres do condenado:


V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;

Art. 41 - Constituem direitos do preso:


II - atribuição de trabalho e sua remuneração;

5.4. Pena de banimento


É a expulsão do nacional – nato ou naturalizado – do nosso território. É possível expulsão apenas de estrangeiro.

5.5. Pena de natureza cruel


Desdobramento do princípio da dignidade humana.

6 – PENAS PERMITIDAS NO BRASIL


CF, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

@dicasexconcurseira 93
O legislador ordinário, atento à CF, anuncia 3 espécies de penas:
i) Privativa de liberdade;
ii) Restritivas de direitos;
iii) Pecuniária.

RECLUSÃO DETENÇÃO PRISÃO SIMPLES


NOTA Crimes mais graves Crimes menos graves Contravenções penais
Regime inicial de - Fechado ------------------ ------------------
cumprimento da pena - Semiaberto - Semi-aberto - Semi-aberto
- Aberto - Aberto - Aberto
Obs: pode ir para o regime Obs: jamais vai para o regime
fechado por meio da fechado
regressão da pena.
Efeitos extrapenais da Pode gerar incapacidade para Não pode gerar incapacidade Não admite qualquer efeito
condenação o exercício do poder familiar para o exercício do poder extrapenal previsto no CP.
(art.92, II, CP) familiar.
Interceptação telefônica Admite Não admite. Não admite.
STF: admite quando conexo
com crime punido com
reclusão.

Penas não previstas no CP, mas que, se previstas, NÃO VIOLAM a CF (Zaffaroni e Pierangelli):
1 – Advertência: a Lei 11.343/06, art.28, I, previu a pena de advertência para o usuário de droga.
2 – Degredo: designar, durante algum tempo, lugar fixo de residência ao condenado.
3 – Desterro: proibição de habitar o lugar de sua residência ou de residência da vítima.

Aula 02

APLICAÇÃO DA PENA

- Não há pena sem prévia cominação legal (princípio da legalidade).


- Praticada a infração penal, nasce para o Estado o poder-dever de aplicar a pena (princípio da inevitabilidade da pena).
Para tanto, exige-se o devido processo legal (contraditório e ampla defesa).

ATENÇÃO! Transação penal e suspensão condicional da pena não são penas, mas sim medidas despenalizadoras.

FIXAÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE à SISTEMA TRIFÁSICO/NELSON HUNGRIA

CP, Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código (CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS); em seguida
serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento.

1ª FASE: o juiz fixa a PENA BASE (circunstâncias judiciais do art.59, CP) sobre a pena simples ou qualificada.
Obs: a qualificadora não entra no critério trifásico, pois já é seu ponto de partida.

2ª FASE: PENA INTERMEDIÁRIA/PROVISÓRIA – o juiz considera agravantes (arts.61 e 62, CP) e atenuantes (arts.65 e 66, CP).

3ª FASE: PENA DEFINITIVA – causas de aumento e de diminuição da pena (majorantes e minorantes).

DEPOIS: DEFINIÇÃO DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA

DEPOIS: É possível substituir a pena privativa de liberdade por PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO?
Se não for possível, seria possível a concessão de SURSIS?
Se ainda não for possível, seria possível a concessão de LIVRAMENTO CONDICIONAL?

@dicasexconcurseira 94
O método trifásico de cálculo da pena privativa de liberdade tem por objetivo viabilizar o exercício do direito de ampla
defesa, explicando para o réu os parâmetros que conduziram o juiz na determinação da reprimenda.

1ª Fase de aplicação da pena privativa de liberdade

- Finalidade: fixar a pena base


- Ponto de partida: pena simples ou pena qualificada
- Instrumentos: circunstâncias judiciais do art.59, CP.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e
suficiente para reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.

Culpabilidade + Antecedentes + Conduta social + Personalidade + Motivos = circunstâncias judiciais subjetivas à direito
penal do autor? Adotando a CF um direito penal garantista compatível unicamente com o direito penal do fato, temos doutrina
criticando as circunstâncias judiciais subjetivas, campo fértil para o direito penal do autor (concurso para DP, mas não é a
posição que prevalece).

CUIDADO! A pena base não pode extrapolar os limites mínimos e máximos previstos no preceito secundário.

ATENÇÃO! O CP não fixou um “quantum” para as circunstâncias judiciais.


• O quantum fica a critério do juiz, que deve sempre fundamentar a sua decisão.
• A jurisprudência sugere o quantum de “1/6” de aumento de pena para cada circunstância judicial. Há doutrina que
sugere “1/8”, pois são 8 circunstâncias judiciais.

Ex: homicídio qualificado (pena: 12 a 30 anos de reclusão).


1ª situação: não há circunstâncias judiciais relevantes.
Pena-base: pena mínima prevista (12 anos).

2ª situação: só há circunstâncias judiciais favoráveis.


Pena-base: 12 anos (não pode ser aquém do mínimo).

3ª situação: tendo circunstância judicial desfavorável (ex: antecedentes).


Pena-base: 12 anos + 1/6 = 14 anos.

4ª situação: concurso entre circunstâncias judiciais favoráveis e desfavoráveis.


Aplica-se, por analogia, o art.67, CP, desde que favoreça o réu (aplica-se aquela que tem caráter subjetivo).

CP, Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e
da reincidência.

Culpabilidade do agente: é o maior ou menor grau de reprovabilidade da conduta do agente. (≠ culpabilidade como 3º
substrato do crime). Ex: crimes contra a Administração Pública – desvio de verbas públicas – os Tribunais estão analisando o
índice de desenvolvimento humano (IDH) das cidades (IDH baixo à maior reprovabilidade da conduta).

Antecedentes do agente: representa a vida pregresso do agente, a vida “anteacta” (anterior ao crime).
O que configura maus antecedentes? IP arquivado ou em andamento configura? Ação penal com absolvição ou em
curso configura? Não, devido ao princípio da presunção de inocência. E atos infracionais? Não caracterizam maus antecedentes;
podem servir no estudo da personalidade do agente. Maus antecedentes são apenas as condenações definitivas que não
caracterizam mais reincidência.

@dicasexconcurseira 95
Obs: de acordo com a maioria, não existe mais limite temporal para a condenação passa servir como maus antecedentes em
crime futuro. Bittencourt discorda, lecionando ser possível aplicar o art.64, I, CP, por analogia.

CP, Art. 64. Para efeito de reincidência:


I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido
período de tempo superior a 5 anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer
revogação;

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE REINCIDÊNCIA

#DIZERODIREITO – DIREITO PENAL AO ESQUECIMENTO - Após o prazo de 5 anos, não poderá mais ser considerado reincidente.
Contudo, essa condenação anterior poderá ser valorada como maus antecedentes?

SIM. Posição do STJ NÃO. Precedentes recentes do STF


Para o entendimento pacificado no STJ, mesmo A existência de condenação anterior, ocorrida em
ultrapassado o lapso temporal de cinco anos, a prazo superior a 5 anos, contado da extinção da
condenação anterior transitada em julgado pode pena, também não poderá ser considerada como
ser considerada como maus antecedentes, nos maus antecedentes.
termos do art. 59 do CP. Após o prazo de 5 anos previsto no art. 64, I, do CP,
cessam não apenas os efeitos decorrentes da
reincidência, mas também qualquer outra
valoração negativa por condutas pretéritas
praticadas pelo agente.
Ora, se essas condenações não mais servem para
o efeito da reincidência, com muito maior razão
não devem valer para fins de antecedentes
criminais.
“Apesar de desaparecer a condição de reincidente, “O homem não pode ser penalizado eternamente
o agente não readquire a condição de primário, que por deslizes em seu passado, pelos quais já tenha
é como um estado de virgem, que, violado, não se sido condenado e tenha cumprido a reprimenda
refaz. A reincidência é como o pecado original: que lhe foi imposta em regular processo penal.
desaparece, mas deixa sua mancha, servindo, por Faz ele jus ao denominado ‘direito ao
exemplo, como antecedente criminal (art. 59, esquecimento’, não podendo perdurar
caput)” (BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal indefinidamente os efeitos nefastos de uma
Comentado. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 238). condenação anterior, já regularmente extinta.”
(Min. Dias Toffoli).
Reincidência: sistema da temporariedade Tanto a reincidência como os maus antecedentes
Maus antecedentes: sistema da perpetuidade obedecem ao sistema da temporariedade
STJ. 5ª Turma. HC 238.065/SP, Rel. Min. Marilza STF. 1ª Turma. HC 119200, Rel. Min. Dias Toffoli,
Maynard (Des. Conv. TJ/SE), j. em 18/04/2013. julgado em 11/02/2014.

STJ. 6ª Turma. HC 240.022/SP, Rel. Min. Maria STF. 2ª Turma. HC 110191, Rel. Min. Gilmar
Thereza de Assis Moura, j. em 11/03/2014. Mendes, julgado em 23/04/2013.

Obs: há precedentes mais antigos do STF reconhecendo a 1ª corrente. Nesse sentido: RHC 106814, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
Primeira Turma, julgado em 08/02/2011.

Obs2: o tema será definido pelo STF no RE 593818 RG, Rel. Min. Joaquim Barbosa, que foi afetado para julgamento pelo Plenário
sob a sistemática da repercussão geral.

Obs3: cuidado. A maioria dos livros de Direito Penal fornece uma explicação em sentido contrário ao que vem sendo decidido pelo
STF.

DE OLHO NA JURIS! Possibilidade de, no caso concreto, desconsiderar condenações anteriores datadas há mais de 5 anos para
fins de maus antecedentes
Os efeitos deletérios da reincidência perduram pelo prazo máximo de cinco anos, contados da data do cumprimento ou da
extinção da pena. Após esse período, ocorre a caducidade da condenação anterior para fins de reincidência. É o que afirma o
@dicasexconcurseira 96
art. 64, I, do CP. Para o entendimento pacificado no STJ, mesmo ultrapassado o lapso temporal de cinco anos, a condenação
anterior transitada em julgado é considerada como maus antecedentes. Apesar disso, em um caso concreto, o STJ decidiu
relativizar esse entendimento e afirmou que era possível a aplicação da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº
11.343/2006 em relação a réu que, apesar de ser tecnicamente primário ao praticar o crime de tráfico, ostentava duas
condenações (a primeira por receptação culposa e a segunda em razão de furto qualificado pelo concurso de pessoas) cujas
penas foram aplicadas no mínimo legal para ambos os delitos anteriores (respectivamente, 1 mês em regime fechado e 2 anos
em regime aberto, havendo sido concedido sursis por 2 anos), os quais foram perpetrados sem violência ou grave ameaça
contra pessoa, considerando-se ainda, para afastar os maus antecedentes, o fato de que, até a data da prática do crime de
tráfico de drogas, passaram mais de 8 anos da extinção da punibilidade do primeiro crime e da baixa dos autos do segundo
crime, sem que tenha havido a notícia de condenação do réu por qualquer outro delito, de que ele se dedicava a atividades
delituosas ou de que integrava organização criminosa. Vale ressaltar que o STJ não mudou seu entendimento acima explicado. A
decisão foi tomada com base nas circunstâncias do caso concreto. STJ. 6ª Turma. REsp 1160440-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, julgado em 17/3/2016 (Info 580).

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE A 1ª FASE DE APLICAÇÃO DA PENA

Folha de antecedentes criminais é um documento válido para comprovar maus antecedentes ou reincidência
Súmula 636-STJ: A folha de antecedentes criminais é documento suficiente a comprovar os maus antecedentes e a reincidência.
Aprovada em 26/06/2019, DJe 27/06/2019. Importante.

A existência de condenações definitivas anteriores não se presta a fundamentar o aumento da pena-base como personalidade
voltada para o crime
A existência de condenações definitivas anteriores não se presta a fundamentar a exasperação da pena-base como
personalidade voltada para o crime. Condenações transitadas em julgado não constituem fundamento idôneo para análise
desfavorável da personalidade do agente. STJ. 5ª Turma. HC 466746/PE, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 11/12/2018. STJ. 6ª
Turma. HC 472654-DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 21/02/2019 (Info 643).

Os atos infracionais podem ser valorados negativamente na circunstância judicial referente à personalidade do agente?
Os atos infracionais podem ser valorados negativamente na circunstância judicial referente à personalidade do agente? Existe
certa polêmica no STJ sobre o tema:
1ª corrente: NÃO. Atos infracionais não podem ser considerados maus antecedentes para a elevação da pena-base, tampouco
podem ser utilizados para caracterizar personalidade voltada para a pratica de crimes ou má conduta social. Há impropriedade
na majoração da pena-base pela consideração negativa da personalidade do agente em razão da prévia prática de atos
infracionais, pois é incompossível exacerbar a reprimenda criminal com base em passagens pela Vara da Infância. STJ. 5ª Turma.
HC 499987/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 30/05/2019. STJ. 6ª Turma. REsp 1702051/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 06/03/2018.
2ª corrente: SIM A prática de ato infracional, embora não possa ser utilizada para fins de reincidência ou maus antecedentes,
por não ser considerada crime, pode ser sopesada na análise da personalidade do paciente, reforçando os elementos já
suficientes dos autos que o apontam como pessoa perigosa e cuja segregação é necessária. STJ. 5ª Turma. HC 510354/SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 18/06/2019.

Correto conceito de culpabilidade, princípio da não-culpabilidade e vedação ao bis in idem


Determinado réu foi condenado por furto qualificado por rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP). O STF considerou
incorreta a sentença do juiz que, na 1ª fase da dosimetria da pena, aumentou a pena-base com fundamento em três
argumentos:
a) Culpabilidade. O magistrado afirmou que era patente a culpabilidade do réu considerando que ele tinha plena consciência da
ilicitude de seu ato. O juiz confundiu os conceitos. Para fins de dosimetria da pena, culpabilidade consiste na reprovação social
que o crime e o autor do fato merecem. Essa culpabilidade de que trata o art. 59 do CP não tem nada a ver com a culpabilidade
como requisito do crime (imputabilidade, potencial consciência da ilicitude do fato e exigibilidade de conduta diversa).
b) Antecedentes. O juiz aumentou a pena pelo fato de o agente já responder a quatro outros processos criminais. A
jurisprudência entende que, em face do princípio da presunção de não culpabilidade, os inquéritos policiais e ações penais em
curso não podem ser considerados maus antecedentes (Súmula 444-STJ e STF RE 591054/SC).
c) Circunstâncias do crime. O julgador considerou que as circunstâncias do crime eram negativas porque o crime foi praticado
com rompimento de obstáculo à subtração da coisa. Aqui, o erro do magistrado foi utilizar como circunstância judicial (1ª fase
da dosimetria) um elemento que ele já considerou como qualificadora (inciso I do § 4º do art. 155). Houve, portanto, bis in idem
(dupla punição pelo mesmo fato). STF. 2ª Turma. HC 122940/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2016 (Info 851).

@dicasexconcurseira 97
Elevados custos da investigação e enriquecimento do réu não são argumentos para aumentar a pena-base
Os elevados custos da atuação estatal para apuração da conduta criminosa e o enriquecimento ilícito obtido pelo agente não
constituem motivação idônea para a valoração negativa do vetor "consequências do crime" na 1ª fase da dosimetria da pena.
Em outras palavras, o fato de o Estado ter gasto muitos recursos para investigar os crimes (no caso, era uma grande operação
policial) e de o réu ter obtido enriquecimento ilícito com as práticas delituosas não servem como motivo para aumentar a pena-
base. STF. 2ª Turma. HC 134193/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/10/2016 (Info 845).

Exclusão de circunstância judicial reconhecida na sentença deve gerar diminuição da pena


Caso o Tribunal, na análise de apelação exclusiva da defesa, afaste uma das circunstâncias judiciais (art. 59 do CP) valoradas de
maneira negativa na sentença, a pena base imposta ao réu deverá, como consectário lógico, ser reduzida, e não mantida
inalterada. STJ. 6ª Turma. HC 251417-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

Conduta social
O fato de o réu ser usuário de drogas não pode ser considerado, por si só, como má-conduta social para o aumento da pena-
base. A dependência toxicológica é, na verdade, um infortúnio. STJ. 6ª Turma. HC 201453-DF, julgado em 2/2/2012.

Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como personalidade ou conduta social desfavorável
Eventuais condenações criminais do réu transitadas em julgado e não utilizadas para caracterizar a reincidência somente podem
ser valoradas, na primeira fase da dosimetria, a título de antecedentes criminais, não se admitindo sua utilização também para
desvalorar a personalidade ou a conduta social do agente. A conduta social e a personalidade do agente não se confundem com
os antecedentes criminais, porquanto gozam de contornos próprios - referem-se ao modo de ser e agir do autor do delito -, os
quais não podem ser deduzidos, de forma automática, da folha de antecedentes criminais do réu. Trata-se da atuação do réu na
comunidade, no contexto familiar, no trabalho, na vizinhança (conduta social), do seu temperamento e das características do
seu caráter, aos quais se agregam fatores hereditários e socioambientais, moldados pelas experiências vividas pelo agente
(personalidade social). Já a circunstância judicial dos antecedentes se presta eminentemente à análise da folha criminal do réu,
momento em que eventual histórico de múltiplas condenações definitivas pode, a critério do julgador, ser valorado de forma
mais enfática, o que, por si só, já demonstra a desnecessidade de se valorar negativamente outras condenações definitivas nos
vetores personalidade e conduta social. STJ. 3ª Seção. EAREsp 1311636-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
10/04/2019 (Info 647).

Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como conduta social desfavorável
A circunstância judicial “conduta social”, prevista no art. 59 do Código Penal, representa o comportamento do agente no meio
familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento com outros indivíduos. Os antecedentes sociais do réu não se
confundem com os seus antecedentes criminais. São circunstâncias distintas, com regramentos próprios. Assim, não se mostra
correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado como “conduta social desfavorável”. Não é
possível a utilização de condenações anteriores com trânsito em julgado como fundamento para negativar a conduta social. STF.
2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STJ. 5ª Turma. HC 475436/PE, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 13/12/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1760972-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
08/11/2018 (Info 639).

Existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como maus
antecedentes
A existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como maus
antecedentes para fins de dosimetria da pena. STF. Plenário. RE 591054/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2014
(repercussão geral) (Info 772). STF. Plenário. HC 94620/MS e HC 94680/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgados em
24/6/2015 (Info 791).

Maus antecedentes
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base.

Condenação por fato anterior ao crime em julgamento, mas com trânsito em julgado posterior: antecedente criminal
A condenação por fato anterior ao delito que se julga, mas com trânsito em julgado posterior, pode ser utilizada como
circunstância judicial negativa, a título de antecedente criminal. STJ. 5ª Turma. HC 210787/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 10/09/2013.

@dicasexconcurseira 98
2ª Fase de aplicação da pena privativa de liberdade
- Finalidade: fixar a pena intermediária/provisória
- Ponto de partida: a pena-base
- Instrumentos: atenuantes e agravantes

As atenuantes e agravantes podem ser definidas como circunstâncias objetivas ou subjetivas que não integram a
estrutura do tipo penal, mas se vinculam ao crime, devendo ser consideradas pelo juiz no momento de aplicação da pena.

ATENÇÃO! Legislação extravagante pode criar outras atenuantes e agravantes. Ex: Lei 9605/98, art.15, II, h à agrava a pena do
crime ambiental cometido em domingos e feriados.

CUIDADO! O legislador não estipulou o quantum para as atenuantes e agravantes, ficando a critério do juiz, que deve sempre
fundamentar a decisão.

1ª situação: apenas agravantes à a pena intermediária deve se aproximar da pena máxima.

2ª situação: apenas atenunantes à a pena intermediária deve ser fixada próxima ao mínimo.

3ª situação: ausentes agravantes e atenuantes à a pena intermediária deve repetir a pena-base.

4ª situação: concurso entre agravantes e atenuantes à aplica-se o art.67, CP.

CP, Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e
da reincidência.

A jurisprudência estabeleceu uma ordem de preponderância: à DECORE!

1º - Atenuantes da MENORIDADE/SENILIDADE (>70 anos na data da sentença)

2º - Agravante da REINCIDÊNCIA, que é compensável com a atenuante da CONFISSÃO ESPONTÂNEA


Obs: a confissão espontânea é compensável com a agravante da PROMESSA DE RECOMPENSA e com o crime praticado
MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER.

3º - Atenuantes/Agravantes SUBJETIVAS

4º - Atenuantes/Agravantes OBJETIVAS

Compensação da atenuante da confissão espontânea com a agravante da promessa de recompensa


É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante da promessa de recompensa
(art. 62, IV). STJ. 5ª Turma. HC 318594-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577).

Compensação entre a atenuante da confissão espontânea e a agravante de violência contra a mulher


Imagine a seguinte situação: o réu praticou o crime com violência contra a mulher. Isso configura uma agravante (art. 61, I, "f",
do CP). No entanto, ele confessou a prática do crime, o que é uma atenuante (art. 65, III, "d"). Diante disso, qual dessas
circunstâncias irá prevalecer? Nenhuma delas. Elas irão se compensar. Segundo decidiu o STJ, compensa-se a atenuante da
confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP) com a agravante de ter sido o crime praticado com violência contra a mulher (art.
61, II, "f", do CP). STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 689064-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 6/8/2015 (Info
568).

Juiz pode reconhecer a atenuante da confissão espontânea mesmo que não tenha sido debatida no Júri
O juiz-presidente do Tribunal do Júri, ao elaborar a sentença, pode reconhecer a atenuante da confissão, ainda que esta não
tenha sido debatida no Plenário (o réu confessou, mas nem a defesa nem a acusação pediram que fosse reconhecida esta
circunstância)? SIM. O STJ possui o entendimento de que a Lei 11.689/2008, alterando a redação do art. 492 do CPP, conferiu ao
juiz presidente do Tribunal do Júri a atribuição de aplicar as atenuantes e agravantes alegadas nos debates. O juiz presidente
deve considerar como "alegada nos debates" ou "debatidas em Plenário" tanto a defesa técnica quanto a autodefesa realizada
pelo acusado no momento do interrogatório, de forma que ambas são legítimas para ensejar o reconhecimento de atenuantes e
agravantes. STJ. 5ª Turma. HC 161602/PB, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 18/11/2014.

@dicasexconcurseira 99
Reincidência x confissão: qual das duas prepondera?
A reincidência e a confissão espontânea se compensam ou prepondera a reincidência? Caso o réu tenha confessado a prática do
crime (o que é uma atenuante), mas seja reincidente (o que configura uma agravante), qual dessas circunstâncias irá
prevalecer?
1ª) Posição do STJ: em regra, reincidência e confissão se COMPENSAM. Exceção: se o réu for multirreincidente. Em caso de
multirreincidência, prevalecerá a agravante e haverá apenas a compensação parcial/proporcional (mas não integral).
2ª Posição do STF: a agravante da REINCIDÊNCIA prevalece. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 713.657/DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 10/04/2018. STF. 2ª Turma. RHC 120677, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/03/2014.

É possível a compensação de atenuantes e agravantes? Sim, desde que estejam no mesmo patamar. Ex: atenuantes e
agravantes subjetivas podem ser compensadas.

As agravantes sempre agravam a pena?


Regra: sim.
Exceções:
i) quando constituem ou qualificam o crime (evitar o bis in idem);
ii) quando a pena base já for fixada em seu patamar máximo (na 2ª fase, o juiz também está atrelado aos limites
mínimos e máximos previstos no tipo legal);
iii) quando a atenuante for preponderante (art.67, CP).

As agravantes incidem em todos os tipos de crimes? Em regra, só incidem em crimes dolosos (consciência e vontade de
agravar). Exceção: a agravante da reincidência é cabível também nos crimes culposos.

ATENÇÃO! Temos antiga decisão no STF admitindo, além da reincidência, outras agravantes incidindo em crimes culposos,
como, por exemplo, o motivo torpe (ganância) à ex: caso Bateau Mouche. Mas este não é o entendimento que prevalece,
hoje, no STF.

DE OLHO NA JURIS! As agravantes (tirante a reincidência) não se aplicam aos crimes culposos
As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com exceção da reincidência. STF. 1ª Turma. HC
120165/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2014 (Info 735).

A agravante não articulada na denúncia pode ser reconhecida pelo juiz? Sim (art.385, CPP).

Art. 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado
pela absolvição, bem como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.

OBS: a DP não admite isso, pois entende que tal dispositivo não foi recepcionado pela CF/88, uma vez que viola a ampla defesa.
O juiz não pode agir, ele apenas julga.

CP, Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
I - a reincidência;

CP, Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no
País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.

Pressupostos da reincidência:
i) Trânsito em julgado da sentença condenatória por crime anterior;
ii) Cometimento de novo crime.

LCP, Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o
tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção.

@dicasexconcurseira 100
Se a pessoa é condenada E depois da condenação definitiva Qual será a consequência?
definitivamente por pratica novo(a)
CRIME
CRIME REINCIDÊNCIA
(no Brasil ou exterior)
CRIME CONTRAVENÇÃO
REINCIDÊNCIA
(no Brasil ou exterior) (no Brasil)
CONTRAVENÇÃO CONTRAVENÇÃO
REINCIDÊNCIA
(no Brasil) (no Brasil)
NÃO HÁ reincidência.
CONTRAVENÇÃO
CRIME Foi uma falha da lei.
(no Brasil)
Mas gera maus antecedentes.
NÃO HÁ reincidência.
CONTRAVENÇÃO
CRIME ou CONTRAVENÇÃO Contravenção no estrangeiro não
(no estrangeiro)
influi aqui.

Obs1: Nos termos do art.9º, CP, não há necessidade de homologação, pelo STJ, da sentença condenatória estrangeira para
caracterizar reincidência.

Obs2: Se o crime praticado no estrangeiro é fato atípico no Brasil, pode gerar reincidência no futuro? Não. Ex: Americano é
condenado por perjúrio no seu país (atípico no nosso ordenamento). Mudou-se para o Brasil e, aqui, pratico furto. É
reincidente? Não.

PERGUNTA DE CONCURSO: A espécie de pena imposta ao crime antecedente interfere na reincidência?

CONDENAÇÃO DEFINITIVA NOVO CRIME


Pena privativa de liberdade Caracteriza reincidência
Pena restritiva de direitos Caracteriza reincidência
Multa ??
De acordo com a maioria, a multa é apta a gerar reincidência
(art.77, §1º, CP)

CONCLUSÃO: Não importa a espécie de pena imposta no crime antecedente. O que importa é a condenação definitiva anterior.

CP, Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 anos, poderá ser suspensa, por 2 a 4 anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
§1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. à se a multa não gerasse reincidência, não
haveria necessidade de existir esse §1º.

A extinção da punibilidade do crime anterior gera reincidência? Depende do momento da extinção da punibilidade (se
antes ou depois da sentença condenatória transitada em julgado).
Causa extintiva da punibilidade ANTERIOR à nova condenação definitiva à não gera reincidência
Ex: prescrição da pretensão punitiva em abstrato.

Causa extintiva da punibilidade POSTERIOR à nova condenação definitiva à gera reincidência


Ex: prescrição da pretensão executória. Exceções: anistia e abolitio criminis, que apagam os efeitos penais da
condenação.

O perdão judicial gera reincidência? Não!


CP, Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência.

@dicasexconcurseira 101
O Brasil adotou o sistema da temporariedade da reincidência (art.64, I, CP).

Art. 64. Para efeito de reincidência:


I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido
período de tempo superior a 5 anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer
revogação;

Obs1: Para caracterizar a reincidência, o novo crime deve ser praticado depois do trânsito em julgado da condenação por crime
anterior. Se o novo crime for cometido no mesmo dia do trânsito em julgado do crime anterior, não há reincidência.

Obs2: No prazo depurador da reincidência (5 anos), computa-se o período de prova do sursis e do livramento condicional, se
não houver revogação.

A natureza de determinados crimes impede a reincidência (art.64, II, CP)

CP, Art. 64 - Para efeito de reincidência:


II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos

Crimes militares próprios à tipificados no CPM e só podem ser praticados por militares. Ex: deserção.

Obs1: A reincidência é circunstância subjetiva INCOMUNICÁVEL.

Obs2: Como se comprova a reincidência? Através da certidão cartorária. O STJ flexibilizou essa exigência, admitindo como prova
a folha de antecedentes.

Condenação passada pode servir como maus antecedentes e reincidência, ao mesmo tempo?

Súmula 241, STJ: A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, simultaneamente, como
circunstância judicial.

O próprio instituto da reincidência já não caracterizaria bis in idem?


1ª Corrente (LFG/DP): há bis in idem.

2ª Corrente (STF e STJ): a conduta do reincidente merece maior reprovabilidade. Não há falar em dupla valoração pelo mesmo
fato, preponderando o princípio da individualização da pena.

Aula 03

APLICAÇÃO DA PENA

Atenuantes
As atenuantes sempre atenuam a pena?
Em regra, sim (art.65, CP).
Exceções:
i) Não incide a atenuante quando essa circunstância já constitui ou privilegia o crime.
Crítica: sem previsão legal, esta exceção viola o princípio da legalidade (não há bis in idem, porque é benéfico ao
réu);
ii) Não incide a atenuante quando a pena-base foi fixada no mínimo. O juiz, nesta fase, está atrelado aos limites
mínimos e máximos previstos no preceito secundário. Súmula 231, STJ (A incidência da circunstância atenuante
não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal).
Crítica: a Súmula 231 do STJ viola o princípio da legalidade, pois esta limitação só está prevista em lei para a 1ª fase
(art.59, II, CP). Esta súmula também viola o princípio da individualização da pena. Por consequência, viola o
princípio da igualdade/isonomia, no caso, por exemplo, de concurso de pessoas.
iii) Não incide a atenuante quando a agravante for preponderante (art.67, CP).

@dicasexconcurseira 102
ATENÇÃO! As atenuantes incidem em TODOS os crimes: dolosos, preterdolosos e culposos. Diferentemente das agravantes
que, em regra, só se aplicam aos crimes dolosos, salvo a reincidência.

DE OLHO NA JURIS! As agravantes genéricas podem ser aplicadas aos crimes preterdolosos
É possível a aplicação das agravantes genéricas do art. 61 do CP aos crimes preterdolosos. Ex.: pode ser aplicada agravante
genérica do art. 61, II, “c”, do CP no delito de lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º, do CP). STJ. 6ª Turma. REsp
1254749-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 6/5/2014 (Info 541).

Atenuante de menoridade relativa (art.65, 1ª parte, CP): ser o agente menos de 21 anos na data do fato.

Fundamento: o agente, antes de completar 21 anos, é imaturo, apresentando personalidade em desenvolvimento.


Mesmo com o advento do CC/02, a atenuante permanece, pois o direito penal não se preocupa com a capacidade civil,
e sim com a idade biológica.
Súmula 74, STJ: Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil.

Atenuante da senilidade (art.65, 2ª parte, CP): ser o agente maior de 70 anos na data da sentença.

Fundamento: alterações físicas e psíquicas que influem no ânimo do criminoso idoso. Menor capacidade de suportar
integralmente a pena.

Qual seria a data considerada “data da sentença”? Prevalece que seria a decisão de 1º grau, salvo se absolutória,
hipótese em que abrange o acórdão condenatório.

1ª situação 2ª situação
João com 69 anos é condenado João com 69 anos é absolvido
Recorre e Tribunal, 2 anos depois, confirma a condenação MP recorre e Tribunal, 2 anos depois, condena
Não incide a atenuante Incide a atenuante

Atenuante da confissão espontânea: ter o agente confessado, espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime.
Fundamento: tranquiliza o espírito do julgador, pois o agente demonstra colaboração.
Requisitos:
i) A confissão deve ser espontânea (livre de interferência subjetiva externa);
ii) A confissão deve ser feita perante a autoridade.

Se a confissão for utilizada pelo juiz para condenar, deve ser utilizada como atenuante
Súmula 545-STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante
prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal.

Súmula 630-STJ
Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes exige o
reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio. •
Importante. • Aprovada em 24/04/2019.

DE OLHO NA JURIS!
1) A confissão espontânea pode servir de fundamento para a redução da pena-base abaixo do grau mínimo previsto em lei (Juiz
Federal TRF2 2013)?
NÃO. A confissão é uma atenuante (art. 65, III, “d”, do CP) e, segundo entendimento sumulado do STJ, as atenuantes não podem
reduzir a pena do réu abaixo do mínimo legal:
Súmula 231-STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal.

2) O que é a confissão qualificada? Ela pode ser utilizada como atenuante genérica?
A confissão qualificada ocorre quando o réu admite a prática do fato, no entanto, alega, em sua defesa, um motivo que excluiria
o crime ou o isentaria de pena (ex: eu matei sim, mas foi em legítima defesa).
Ela pode ser utilizada como atenuante genérica?

@dicasexconcurseira 103
1ª) SIM. Posição do STJ 2ª) NÃO. Posição da 1ª Turma do STF.
A confissão qualificada (aquela na qual o agente agrega A aplicação da atenuante da confissão espontânea
teses defensivas discriminantes ou exculpantes), prevista no art. 65, III, “d”, do Código Penal NÃO incide
quando efetivamente utilizada como elemento de quando o agente reconhece sua participação no fato,
convicção, enseja a aplicação da atenuante prevista na contudo, alega tese de exclusão da ilicitude (STF. 1ª
alínea “d” do inciso III do art. 65 do CP (STJ. 5ª Turma. Turma. HC 119671, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
AgRg no REsp 1.198.354-ES, Rel. Min. Jorge Mussi, 05/11/2013).
julgado em 16/10/2014).

3) Se a confissão foi parcial e o juiz a considerou no momento da condenação, este magistrado deverá fazer incidir a atenuante
na fase da dosimetria da pena?
SIM. Se a confissão, ainda que parcial, serviu de suporte para a condenação, ela deverá ser utilizada como atenuante (art. 65, III,
“d”, do CP) no momento de dosimetria da pena (HC 217.683/SP, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 25/06/2013).

4) O agente confessa na fase do inquérito policial e, em juízo se retrata, negando a autoria. O juiz condena o réu fundamentando
sua sentença, dentre outros argumentos, na confissão extrajudicial. Deverá incidir a atenuante?
SIM. Se a confissão do agente é utilizada pelo magistrado como fundamento para embasar a condenação, a atenuante prevista
no art. 65, inciso III, alínea “d”, do CP deve ser aplicada em favor do réu, não importando que, em juízo, ele tenha se retratado
(voltado atrás) e negado o crime (HC 176.405/RO, Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 23/04/2013, DJe 03/05/2013).

5) A confissão atenua a pena mesmo que já existissem nos autos outras provas contra o réu?
SIM. O STJ decidiu neste sentido recentemente.
Exemplo: João, em seu interrogatório judicial, confessou a prática do crime. Na sentença, o juiz condenou o réu, mencionando a
sua confissão e aplicando a atenuante. Ocorre que o Ministério Público apelou, pedindo que fosse reformada a sentença para
retirar a redução da atenuante, sob o argumento de que as demais provas colhidas já eram suficientes para uma condenação e
que a atitude do réu de confessar não tinha o propósito de colaborar para a apuração da verdade. Essa tese do MP não é acolhida
pela jurisprudência.
A afirmação de que as demais provas seriam suficientes para condenar o recorrente, a despeito da confissão espontânea, não
autoriza a exclusão da atenuante se esta efetivamente ocorreu e foi utilizada na formação do convencimento do julgador (STJ. 6ª
Turma. REsp 1.183.157-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/10/2012).

6) Se a pessoa é acusada de tráfico de drogas e, durante seu interrogatório, nega que seja traficante, mas admite que é usuário,
isto poderá ser utilizado como confissão (atenuante) caso ela seja condenada por tráfico?
NÃO. Segundo a jurisprudência do STJ, não deve incidir a circunstância atenuante da confissão espontânea caso o acusado por
tráfico de drogas confesse ser apenas usuário (Juiz TJPB 2011).

7) A reincidência e a confissão espontânea se compensam ou prepondera a reincidência?


Caso o réu tenha confessado a prática do crime (o que é uma atenuante), mas seja reincidente (o que configura uma agravante),
qual dessas circunstâncias irá prevalecer?

1ª) Reincidência e confissão se COMPENSAM. 1ª) A agravante da REINCIDÊNCIA PREVALECE.


Posição do STJ Posição do STF
A Terceira Seção do STJ, no julgamento do EREsp A teor do disposto no art. 67 do Código Penal, a
1.154.752/RS, pacificou o entendimento no sentido de circunstância agravante da reincidência, como
que a agravante da reincidência e a atenuante da preponderante, prevalece sobre a confissão.
confissão espontânea - que envolve a personalidade do (STF. 2ª Turma. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
agente - são igualmente preponderantes, razão pela em 18/03/2014)
qual devem ser compensadas (STJ, 04/12/2014).

Veja como este tema foi cobrado no concurso da Defensoria Pública de Roraima em 2013:
O recente pronunciamento dos tribunais superiores consolidou-se no sentido da impossibilidade de o julgador, na aplicação da
pena, compensar a agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea (alternativa ERRADA).

A assertiva acima está incorreta porque afirma que o entendimento dos tribunais superiores consolidou-se em um dos sentidos.
Ocorre que, como vimos, existe ainda divergência entre o STJ e o STF. Logo, não há posição consolidada.

@dicasexconcurseira 104
8) Em que consiste a confissão judicial imprópria?
Caracteriza-se como imprópria a confissão judicial produzida perante autoridade judicial incompetente para o deslinde do
processo criminal em curso (DPE/ES CESPE 2012).
Se a confissão é feita perante a autoridade judicial competente, ela é chamada de “confissão judicial própria”.
Se a confissão é feita perante a autoridade policiais, administrativas, parlamentares etc, trata-se da chamada “confissão
extrajudicial”.

9) Quando a infração deixar vestígios o fato do réu ter confessado servirá para suprir a falta do exame de corpo de delito (Juiz
TJPR 2012)?
NÃO. Segundo texto expresso do CPP, quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto
ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado (art. 158).

10) De acordo com o STF, o juiz-presidente do Tribunal do Júri, ao elaborar a sentença, pode reconhecer a atenuante da confissão
ainda que esta não tenha sido debatida no Plenário (o réu confessou, mas nem a defesa nem a acusação pediram que fosse
reconhecida esta circunstância)?
SIM.

Veja o que diz o art. 492:


Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença que:
I – no caso de condenação:
b) considerará as circunstâncias agravantes ou atenuantes alegadas nos debates;

Apesar do texto da lei, o STF e o STJ possuem julgados aceitando que o juiz-presidente reconheça e aplique a confissão espontânea
mesmo sem que a defesa ou o MP tenha pedido isso expressamente no Plenário:
(...) Pode o Juiz Presidente do Tribunal do Júri reconhecer a atenuante genérica atinente à confissão espontânea, ainda que não
tenha sido debatida no plenário, quer em razão da sua natureza objetiva, quer em homenagem ao predicado da amplitude de
defesa, consagrado no art. 5º, XXXVIII, “a”, da CF.
2. É direito público subjetivo do réu ter a pena reduzida, quando confessa espontaneamente o envolvimento no crime.
3. A regra contida no art. 492, I, do Código de Processo Penal, deve ser interpretada em harmonia aos princípios constitucionais
da individualização da pena e da proporcionalidade. (...)
(HC 106376, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgado em 01/03/2011)

(...) Esta Corte possui o entendimento de que a Lei 11.689/2008, alterando a redação do art. 492 do CPP, conferiu ao juiz
presidente do Tribunal do Júri a atribuição de aplicar as atenuantes e agravantes alegadas nos debates.
3. O juiz presidente deve considerar como "alegada nos debates" ou "debatidas em Plenário" tanto a defesa técnica quanto a
autodefesa realizada pelo acusado no momento do interrogatório, de forma que ambas são legítimas para ensejar o
reconhecimento de atenuantes e agravantes. (...)
(STJ. 5ª Turma. HC 161.602/PB, Rel. Min. Gurgel De Faria, julgado em 18/11/2014).

Atenuantes INOMINADAS (art.66, CP)

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não
prevista expressamente em lei.

É neste ponto que a doutrina apresenta a coculpabilidade, que parte da premissa de que a sociedade, muitas vezes, é
desorganizada, discriminatória, excludente, marginalizadora, criando condições sociais que reduzem o âmbito de determinação e
liberdade do agente, contribuindo, portanto, para o delito.

Críticas:
i) Parte da falsa ideia de que a pobreza é causa do delito;
ii) Pode conduzir a redução de garantias quando se trata de processar o rico;
iii) Continua ignorando a seletividade do poder punitivo.

@dicasexconcurseira 105
TEORIA DA VULNERABILIDADE (veio para substituir a coculpabilidade)

Hoje, a doutrina tem preferido a teoria da vulnerabilidade.


Quem conta com alta vulnerabilidade de sofrer a incidência do Direito Penal – e esse é o caso de quem não tem instrução,
nem status, nem família, etc – tem a sua reprovação reduzida. O contrário também é verdadeiro: quem desfruta de baixa
vulnerabilidade deve ser mais severamente punido.

3ª Fase de aplicação da pena privativa de liberdade


Finalidade: fixar a pena definitiva
Instrumentos: causas de diminuição e aumento de pena
Ponto de partida: pena intermediária
As causas de diminuição e aumento de pena estão espalhadas pela parte geral do CP, pela parte especial do CP e na
legislação extravagante.

Obs1: O quantum das causas de diminuição e aumento de pena está identificado na lei, podendo ser em quantidade variável ou
fixo.

Obs2: Na 3ª fase do cálculo da pena, o juiz não está atrelado aos limites máximo e mínimo previstos no preceito secundário.

CUIDADO! Não podemos confundir as causas de aumento e de diminuição com as agravantes e atenuantes.

ATENUANTES E AGRAVANTES CAUSAS DE DIMINUIÇÃO E AUMENTO


(MINORANTES E MAJORANTES)
São consideradas na 2ª fase do cálculo da pena São consideradas na 3ª fase do cálculo da pena
Localizadas, em regra, na parte geral do CP (obs: legislação Localizadas na parte geral e especial do CP, bem como em
extravagante também pode prever) legislação extravagante
Não há previsão legal do quantum de diminuição ou aumento Há previsão legal do quantum
Atenuante e agravante devem respeitar os limites mínimo e Podem extrapolar os limites previstos no preceito secundário
máximo previstos em lei

CUIDADO! Também não podemos confundir as causas de aumento com a qualificadora.

CAUSA DE AUMENTO QUALIFICADORA


Majora a pena intermediária Qualifica o delito, substituindo os limites mínimo e máximo
previstos no preceito secundário
Considerada na 3ª fase de aplicação da pena Serve como ponto de partida para a fixação da pena-base

Como diminuir ou aumentar a pena?

HAVENDO UMA SÓ CAUSA DE DIMINUIÇÃO OU AUMENTO à o juiz, com base no quantum previsto em lei, deve diminuir ou
aumentar.
É possível – aliás, muito comum – o concurso de causas de aumento e/ou diminuição.
CONCURSO HOMOGÊNEO à 2 ou mais causas de aumento, ou 2 ou mais causas de diminuição.
CONCURSO HETEROGÊNEO à uma causa de aumento concorrendo com uma causa de diminuição.

1 – CONCURSO HOMOGÊNEO DE CAUSAS DE AUMENTO:

a) DUAS CAUSAS DE AUMENTO PREVISTAS NA PARTE GERAL DO CP: o juiz, sem escolha, aplica as 2 causas de aumento. Neste
caso, deve-se observar o princípio da incidência isolada: o segundo aumento recai sobre a pena originária, e não sobre a pena já
aumentada (beneficia o réu).

b) DUAS CAUSAS DE AUMENTO PREVISTAS NA PARTE ESPECIAL DO CP: aplica-se o art.68, p.u., CP, ou seja, o juiz escolhe:
i) aplica as 2 causas de aumento (princípio da incidência isolada)
ii) aplica somente a causa de aumento que mais aumenta a pena.
Obs: a decisão do juiz deve considerar o princípio da suficiência da pena.
@dicasexconcurseira 106
CP, art.68, Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-
se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.

c) CAUSA DE AUMENTO PREVISTA NA PARTE GERAL + CAUSA DE AUMENTO PREVISTA NA PARTE ESPECIAL DO CP: não vai se
aplicar o p.u. do art.68, CP, pois este dispositivo exige que as duas causas de aumento estejam previstas na parte especial.
Solução: o juiz deve aplicar as duas causas de aumento, seguindo o princípio da incidência isolada.

2 – CONCURSO HOMOGÊNEO DE CAUSAS DE DIMINUIÇÃO

a) DUAS CAUSAS DE DIMINUIÇÃO PREVISTAS NA PARTE GERAL DO CP: o juiz deve aplicar as 2 causas de diminuição. Neste caso,
aplica-se o princípio da incidência cumulativa: a segunda diminuição recai sobre a pena já diminuída.

b) DUAS CAUSAS DE DIMINUIÇÃO PREVISTAS NA PARTE ESPECIAL DO CP: aplica-se o p.u. do art.68, CP, ou seja, o juiz escolhe:
i) aplica as 2 causas de diminuição (princ. da incidência cumulativa);
ii) aplica somente a causa de diminuição que mais diminua a pena.

c) CAUSA DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NA PARTE GERAL DO CP + CAUSA DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NA PARTE ESPECIAL DO CP:
não vai se aplicar o p.u. do art.68, CP, pois este dispositivo exige que as duas causas de diminuição estejam previstas na parte
especial. Solução: o juiz deve aplicar as duas causas de diminuição, conforme o princípio da incidência cumulativa.

3 – CONCURSO HETEROGÊNEO DE CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO


O juiz deve aplicar ambas (princípio da incidência cumulativa).

ATENÇÃO! O juiz primeiro AUMENTA a pena; depois, sob a pena majorada, aplica a casa de DIMINUIÇÃO.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE DOSIMETRIA DA PENA

A revisão da dosimetria da pena em recurso especial é admissível apenas diante de ilegalidade flagrante
Em regra, não cabe, no recurso especial, a revisão da dosimetria da pena estabelecida pelas instâncias ordinárias. Exceção: o STJ
admite a mudança da pena no recurso especial em casos excepcionais quando ficar constatada ilegalidade flagrante, ou seja,
quando houver manifesta violação dos critérios dos arts. 59 e 68, do Código Penal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 711.268/CE,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 13/12/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 301.889/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
13/12/2016.

FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA (art.33, CP)

Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-
aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado.
§1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
§2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado,
observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8, poderá, desde o princípio, cumpri-la em
regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
§3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste
Código.

Obs: Súmula 269, STJ: se o condenado for reincidente e condenado a pena igual ou inferior a 4 anos, mas as circunstâncias
judiciais lhe forem favoráveis, poderá cumprir a pena em regime inicial semi-aberto.

@dicasexconcurseira 107
REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA

O juiz, na fixação do regime inicial, deve observar:


i) Espécie de pena privativa de liberdade (reclusão ou detenção)
ii) O quantum da pena (regime fechado, semi-aberto ou aberto)
iii) Condições subjetivas do condenado (em especial, a reincidência)
iv) Circunstâncias judiciais do art.59, CP.

Admite regime inicial:


Fechado: quando a pena for SUPERIOR A 8 ANOS.
Semiaberto: quando a pena for SUPERIOR A 4 e ATÉ 8 ANOS, desde que o condenado seja primário.
Aberto: quando a pena for IGUAL OU INFERIOR A 4 ANOS, desde que o condenado seja primário.

Súmula 269, STJ: É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a
quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.

DE OLHO NA JURIS! Imposição do regime semiaberto para réu reincidente, condenado a 1 ano e 4 meses de reclusão pelo furto
de uma garrafa de licor
João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime
de furto simples (art. 155, caput, do CP). A defesa postulou a aplicação do regime aberto com base no princípio da
insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas uma garrafa de licor. O STF decidiu impor o regime semiaberto.
Entendeu-se que, de um lado, o regime fechado deve ser afastado. Por outro, não se pode conferir o regime aberto para um
condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar um incentivo à criminalidade, ainda mais em cidades menores, onde
o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo estabelecimento. A reincidência delitiva do paciente, que praticou o quinto furto
em pequeno município, eleva a gravidade subjetiva de sua conduta. STF. 1ª Turma. HC 136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red.
p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/8/2018 (Info 910).

Súmula 718, STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a
imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada.

Súmula 719, STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea.

O que é considerado motivação idônea para impor ao condenado regime mais gravoso?
Exige-se que o juiz aponte circunstâncias que demonstrem que o fato criminoso, concretamente, foi grave. Se as circunstâncias
judiciais do art. 59 forem desfavoráveis, é possível que o juiz se fundamente nesses dados para impor ao condenado regime
inicial mais gravoso que o previsto para a quantidade de pena aplicada. Se as penas-base de ambos os crimes são fixadas acima
do mínimo legal em face da valoração negativa das circunstâncias do art. 59 do Código Penal, não há ilegalidade na imposição de
regime inicial mais gravoso do que o abstratamente previsto de acordo com a quantidade de pena aplicada. STJ. 5ª Turma. AgRg
no REsp 1471969/RN, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 20/11/2014.

PERGUNTA DE CONCURSO: Se o juiz fixou a pena base no mínimo legal, pode, com fundamento no art.59, CP, determinar regime
prisional mais severo do que o permitido pelo art.33, CP? De acordo com a maioria da doutrina, nada impede que o juiz fixe a
pena-base no mínimo e, depois, imponha regime prisional mais severo, não seguindo rigorosamente o art.33, CP. O art.59, CP é
utilizado sob perspectivas diferentes na pena-base e no regime prisional.

Súmula 440, STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o
cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.

Fixada a pena-base no mínimo legal, não é possível a imposição de regime inicial mais severo do que aquele abstratamente
imposto
Se todas as circunstâncias judiciais são favoráveis, de forma que a pena-base foi fixada no mínimo legal, então, neste caso, não
cabe a imposição de regime inicial mais gravoso. STF. 2ª Turma. RHC 131133/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/10/2017
(Info 881). Obs: o STJ possui um enunciado nesse sentido: Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o

@dicasexconcurseira 108
estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade
abstrata do delito.

DETENÇÃO

Admite regime inicial:


Semiaberto: quando a pena for MAIOR QUE 4 ANOS.
Aberto: quando a pena for IGUAL OU MENOR QUE 4 ANOS, desde que o condenado seja primário.

PEGADINHA DE CONCURSO! Não admitir regime inicial fechado não significa que o cumprimento da pena de detenção não
possa ocorrer no regime mais severo (sendo perfeitamente possível por meio da regressão). Assim, a detenção não pode
começar no regime fechado, mas pode ser cumprida no regime fechado, se ocorrer a regressão.

ATENÇÃO!
Estatuto do Índio, Art. 56. No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua aplicação o
Juiz atenderá também ao grau de integração do silvícola.
Parágrafo único. As penas de reclusão e de detenção serão cumpridas, se possível, em regime especial de semiliberdade, no local
de funcionamento do órgão federal de assistência aos índios mais próximos da habitação do condenado.

PERGUNTA DE CONCURSO: A detração (art.42, CP) influencia na fixação do regime inicial do cumprimento de pena?

Lei 12.736/12
ANTES DEPOIS
A detração não influenciava na fixação do regime inicial de A detração influencia na fixação do regime inicial de
cumprimento da pena, tratando-se de instituto considerado cumprimento de pena (art.387, §2º, CPP)
pelo juiz da execução penal.

CP, Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou
no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior

CPP, Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:


§2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para
fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade.

ATENÇÃO! Apesar de existir corrente em sentido contrário, o tempo de prisão provisória só autoriza imposição de regime menos
severo quando coincidente com o tempo de progressão.

PENAS E MEDIDAS ALTERNATIVAS À PRISÃO

Fixada a pena privativa de liberdade e determinado o regime prisional para o seu cumprimento, deve o juiz verificar a
possibilidade substituição da prisão por penas restritivas de direito ou modificar a sua execução (sursis ou livramento
condicional).

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO SURSIS E LIVRAMENTO CONDICIONAL


Espécies de pena alternativa Espécies de medida alternativa
Substituem a pena privativa de liberdade Mantém a pena, mas modificam sua execução, evitando a
prisão

@dicasexconcurseira 109
Aula 04

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO

As penas restritivas de direito, espécies de pena alternativa, seguindo a tendência do Direito Penal moderno, buscam
eliminar a pena privativa de liberdade de curta duração, por não atender satisfatoriamente as finalidades da sanção penal
(ênfase de política criminal).
A substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos é faculdade do juiz ou direito subjetivo do réu?
De acordo com a maioria, a sanção alternativa deve ser compreendida como direito público subjetivo do réu (presentes as
exigências legais, impõe-se a substituição).

DE OLHO NA JURIS! É possível a execução provisória de penas restritivas de direito?


• SIM. A execução provisória de pena restritiva de direitos imposta em condenação de segunda instância, ainda que pendente o
efetivo trânsito em julgado do processo, não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência. STF. 1ª Turma. HC
141978 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/06/2017.
• NÃO. Não é possível a execução da pena restritiva de direitos antes do trânsito em julgado da condenação. STJ. 3ª Seção.
EREsp 1619087-SC, Rel. para acórdão Min. Jorge Mussi, julgado em 14/6/2017 (Info 609).

Espécies de penas restritivas de direito

REAIS PESSOAIS
Atingem o patrimônio do condenado Atingem a pessoa do condenado
a) Prestação pecuniária (art.45, §1º, CP) a) Prestação de serviços à comunidade (art.46, CP)
b) Perda de bens e valores (art.45, §3º, CP) b) Interdição temporária de direitos (art.47, CP)
≠ confisco
c) Limitação de fim de semana (art.48, CP)

Juiz não deve decretar o arresto dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado da prestação pecuniária (pena
restritiva de direitos)
Em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de direitos (ex: prestação pecuniária), o CP prevê, como
consequência, a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Logo, o juiz não deve decretar o arresto
dos bens do condenado como forma de cumprimento forçado da pena substitutiva. A possibilidade de reconversão da pena já é
a medida que, por força normativa, atribui coercividade à pena restritiva de direitos. Ex: João foi condenado a pena de 3 anos de
reclusão, tendo o juiz substituída a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos. Uma delas foi o pagamento de
prestação pecuniária no valor total de R$ 100 mil, parceladamente em 36 prestações mensais. O Ministério Público afirmou que
o prazo para cumprimento da prestação pecuniária é muito longo e que haveria o risco de o condenado não pagar. Diante disso,
pediu ao juiz que decretasse o arresto dos bens do sentenciado. Este requerimento deverá ser indeferido. STJ. 6ª Turma. REsp
1699665-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 07/08/2018 (Info 631).

Obs: Nada impede que leis extravagantes criem penas restritivas especiais.

a) Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/03, art.41-B, §2º): §2o Na sentença penal condenatória, o juiz deverá converter a pena de
reclusão em pena impeditiva de comparecimento às proximidades do estádio, bem como a qualquer local em que se realize
evento esportivo, pelo prazo de 3 meses a 3 anos, de acordo com a gravidade da conduta, na hipótese de o agente ser primário,
ter bons antecedentes e não ter sido punido anteriormente pela prática de condutas previstas neste artigo.

b) Crimes ambientais – Lei 9.605/98


Art. 8º As penas restritivas de direito são:
I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.

@dicasexconcurseira 110
c) Lei de Drogas – Lei 11.343/06
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

ATENÇÃO! O rol de penas restritivas de direitos previsto no CP é exemplificativo.

CP, Art. 44. As penas restritivas de direitos são AUTÔNOMAS e SUBSTITUEM as privativas de liberdade, quando:
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 anos E o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II – o réu não for reincidente em crime doloso;
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.

Características das penas restritivas de direito

a) Autonomia: as PRD’s não podem ser cumuladas com penas privativas de liberdade.
ATENÇÃO! Há exceções a esta regra (CAI EM PROVA!!):
i) CDC, art.78;
ii) CTB, art.292.

CDC, Art. 78. Além das penas privativas de liberdade e de multa, podem ser impostas, cumulativa ou alternadamente, observado
odisposto nos arts. 44 a 47, do Código Penal:
I - a interdição temporária de direitos;
II - a publicação em órgãos de comunicação de grande circulação ou audiência, às expensas do condenado, de notícia sobre os
fatos e a condenação;
III - a prestação de serviços à comunidade.

CTB, Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pode ser
imposta isolada ou cumulativamente com outras penalidades.

b) Substitutividade: o juiz, primeiro, fixa a pena privativa de liberdade, anunciando, em seguida, o regime inicial de
cumprimento da pena. Depois, na mesma sentença, substitui a pena privativa de liberdade por restritivas de direito.

Exceção: para o usuário de droga, a PRD (art.28) é sanção principal, e não substitutiva de pena privativa de liberdade (PPL).

Prazo das penas restritivas de direito

CP, Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma duração da pena privativa
de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4o do art. 46.

Regra: As PRD’s terão a mesma duração da pena privativa de liberdade.


Exceções: i) PRD’s de natureza real (perda de bens e valores + prestação pecuniária)
ii) Prestação de serviços à comunidade (art.46, §4º, CP)
iii) Estatuto do Torcedor (art.41-B)

CP, Art.46, § 4o Se a pena substituída for superior a 1 ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor
tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.

Estatuto do Torcedor, Art. 41-B. Promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores em
eventos esportivos:
Pena - reclusão de 1 a 2 anos e multa.

@dicasexconcurseira 111
§2o Na sentença penal condenatória, o juiz deverá converter a pena de reclusão em pena impeditiva de comparecimento às
proximidades do estádio, bem como a qualquer local em que se realize evento esportivo, pelo prazo de 3 meses a 3 anos, de
acordo com a gravidade da conduta, na hipótese de o agente ser primário, ter bons antecedentes e não ter sido punido
anteriormente pela prática de condutas previstas neste artigo.

Requisitos das penas restritivas de direito


à Substituição da pena nos crimes DOLOSOS:
1 – Pena aplicada não superior a 4 anos;
2 – Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa;
3 – Não ser o condenado reincidente em crime doloso;
4 – Circunstâncias judiciais indicarem a suficiência da substituição (princípio da suficiência da pena alternativa).

ATENÇÃO! O art.44, §3º, CP admite a substituição da pena para o reincidente, desde que:
a) Seja socialmente recomendável;
b) Não seja reincidente específico.

§3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida
seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime.

à Substituição da pena nos crimes CULPOSOS:


A substituição é possível qualquer que seja a pena e o tipo de crime.

O autor de crime preterdoloso deve preencher os requisitos do crime doloso ou culposo? Prevalece que deve
preencher os requisitos do crime culposo. Crítica da minoria: antes da culpa, o agente já agia com dolo; a culpa é somente um
resultado agravador.

Cabe PRD’s nos delitos de lesão corporal leve, ameaça e constrangimento ilegal? Sim.
• São todos crimes dolosos;
• Cometidos com violência ou grave ameaça;
• No entanto, são também infrações de menor potencial ofensivo;
• No conflito aparente entre o art.44, I, CP e o art.62, Lei 9.099/95, deve prevalecer a lei especial.

Lei 9.099, Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade, informalidade, economia
processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não
privativa de liberdade.

ATENÇÃO! Lei 11.340/06, Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.

Cabe restritivas de direitos nos delitos militares? O CPM não prevê penas restritivas de direitos. Trata-se de omissão
intencional, não podendo ser suprida pela analogia (STF, HC 91.155/SP).

Regras de substituição das penas restritivas de direitos (art.44, §2º, CP)

CP, Art.44, §2o Na condenação igual ou inferior a 1 ano, a substituição pode ser feita por multa OU por uma pena restritiva de
direitos; se superior a 1 ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos E multa ou por
duas restritivas de direitos.

Condenação menor ou igual a 1 ano Condenação maior que 1 ano


1 restritiva de direito 2 restritivas de direito
ou ou
multa 1 restritiva de direito + multa

@dicasexconcurseira 112
Conversão das penas restritivas de direitos (art.44, §4º, CP)

§4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da
restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de
direitos, respeitado o saldo mínimo de 30 dias de detenção ou reclusão. à DETRAÇÃO

§5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão,
podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior.

Hipóteses de conversão:
i) Descumprimento injustificado da restrição imposta. Ex: a pena definitiva é de 1 ano de detenção. Há a substituição
por pena restritiva de direito. No 8º mês, ocorre o descumprimento injustificado da PRD. Haverá a conversão da
PRD em PPL. Faz-se a detração. O condenado terá que cumprir 4 meses de detenção.
ii) Condenação a pena PPL por outro crime.
iii) O art.181, LEP, anuncia outras hipóteses de conversão!

É possível a conversão da restritiva de direitos (prestação pecuniária ou perda de bens e valores) em privativa de
liberdade? Apesar de existir minoria não admitindo, pois de natureza diversa, prevalece ser possível a conversão de restritivas
de natureza real em privativa de liberdade, não se aplicando este raciocínio quanto à pena de multa.

DE OLHO NA JURIS! Para que haja conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade exige-se prévia intimação
do condenado
Exige-se contraditório e ampla defesa para a (re)conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade? SIM. É
imprescindível a prévia intimação pessoal do reeducando que descumpre pena restritiva de direitos para que se proceda à
conversão da pena alternativa em privativa de liberdade. Isso porque se deve dar oportunidade para que o reeducando
esclareça as razões do descumprimento, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa. STJ. 5ª Turma. HC
251312-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 18/2/2014 (Info 536).

Impossibilidade de reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade a pedido do condenado


O condenado que recebeu pena restritiva de direitos e ainda nem sequer iniciou seu cumprimento não tem o direito de escolher
cumprir a pena privativa de liberdade que foi originalmente imposta. A reconversão da pena restritiva de direitos em pena
privativa de liberdade depende da ocorrência dos requisitos legais (descumprimento das condições impostas pelo juiz da
condenação), não cabendo ao condenado, que nem sequer iniciou o cumprimento da pena, escolher ou decidir a forma como
pretende cumprir a sanção, pleiteando aquela que lhe parece mais cômoda ou conveniente. STJ. 6ª Turma. REsp 1524484-PE,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 17/5/2016 (Info 584).

Pena de multa

Espécie de pena alternativa à prisão.


Cominada no preceito secundário do tipo incriminador ou substitutiva da prisão (art.44, CP), a pena de multa é espécie
de sanção penal patrimonial, consistente na obrigação imposta ao sentenciado de pagar ao fundo penitenciário determinado
valor em dinheiro.
Muitos criticam essa espécie de pena, pois não é possível saber se foi o próprio condenado quem a cumpriu.
O CP adota o sistema de dias-multa, baseado principalmente, na capacidade econômica do sentenciado.

Obs: legislação extravagante pode anunciar outros sistemas:


- Lei 8666/93, art.99 à índices percentuais
- Lei 8245/91 (Lei de Locações) à valor do aluguel.

Lei 8666/93, Art. 99. A pena de multa cominada nos arts. 89 a 98 desta Lei consiste no pagamento de quantia fixada na
sentença e calculada em índices percentuais, cuja base corresponderá ao valor da vantagem efetivamente obtida ou
potencialmente auferível pelo agente.
§1o Os índices a que se refere este artigo não poderão ser inferiores a 2%, nem superiores a 5% do valor do contrato licitado ou
celebrado com dispensa ou inexigibilidade de licitação.
§2o O produto da arrecadação da multa reverterá, conforme o caso, à Fazenda Federal, Distrital, Estadual ou Municipal.

@dicasexconcurseira 113
Lei 8245/91, Art. 43. Constitui contravenção penal, punível com prisão simples de 5 dias a 6 meses ou multa de 3 a 12 meses do
valor do último aluguel atualizado, revertida em favor do locatário:
I - exigir, por motivo de locação ou sublocação, quantia ou valor além do aluguel e encargos permitidos;
II - exigir, por motivo de locação ou sublocação, mais de uma modalidade de garantia num mesmo contrato de locação;
III - cobrar antecipadamente o aluguel, salvo a hipótese do art. 42 e da locação para temporada.

Aplicação da pena de multa

1º momento: o juiz deve fixar a QUANTIDADE DE DIAS-MULTA (art.49, CP)


Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-
multa. Será, no mínimo, de 10 e, no máximo, de 360 dias-multa.
Mínimo: 10 dias-multa.
Máximo: 360 dias-multa.

Qual o critério para fixar a quantidade de dias-multa?

1ª Corrente (PREVALECE): deve observar o critério trifásico do art.68, CP.

2ª Corrente: deve analisar a capacidade financeira do sentenciado.

3ª Corrente: deve analisar as circunstâncias judiciais do art.89, CP.

2º Momento: depois de calculada a quantidade de dias-multa, o juiz decide O VALOR DE CADA DIA-MULTA (art.60, CP)
Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender, principalmente, à situação econômica do réu.
§1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz,
embora aplicada no máximo.

CÁLCULO DA MULTA
ETAPAS MÍNIMO MÁXIMO
Quantidade de dias-multa 10 360
(critério trifásico do art.59, CP)
Valor do dia-multa 1/30 5 salários mínimos
(situação econômica do réu) (até 3x)

Multa de valor irrisório deve ser executada?

1ª Corrente: não deve ser executada, já que o Poder Público arcará com a sua cobrança, gastando valor superior ao que
será arrecadado.

2ª Corrente (PREVALECE): a cobrança em juízo é obrigatória, não importando seu valor. Pena de multa é pena, incidindo
sobre ela os princípios da imperatividade e inderrogabilidade.

Pagamento voluntário da pena de multa (art.50, CP)

Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento do condenado e
conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais.

Não pagamento da multa (art.51, CP)

Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas
da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da
prescrição.

@dicasexconcurseira 114
DE OLHO NA JURIS! Execução da pena de multa não paga
Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública. • Aprovada em 25/03/2015, DJe 06/04/2015. • Superada. O Ministério Público
possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado, com a
possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info
927).

Extinção da punibilidade independentemente do adimplemento da pena de multa


João foi condenado a 3 anos de reclusão (pena privativa de liberdade) e a 200 dias-multa. Após cumprir integralmente a pena
privativa de liberdade, João foi solto e a Defensoria Pública peticionou ao juízo requerendo a extinção da punibilidade. O juiz
extinguiu a pena privativa de liberdade pelo seu integral cumprimento; todavia, determinou que fosse oficiada a Procuradoria
da Fazenda Pública para cobrança da pena de multa e afirmou que a extinção da punibilidade só poderia ser decretada quando
houvesse o pagamento do valor.
Agiu corretamente o magistrado? O inadimplemento da pena de multa impede a extinção da punibilidade mesmo que já tenha
sido cumprida a pena privativa de liberdade ou a pena restritiva de direitos?
NÃO. Nos casos em que haja condenação a pena privativa de liberdade e multa, cumprida a primeira (ou a restritiva de direitos
que eventualmente a tenha substituído), o inadimplemento da sanção pecuniária não obsta o reconhecimento da extinção da
punibilidade. Em outras palavras, o que importa para a extinção da punibilidade é o cumprimento da pena privativa de liberdade
ou da restritiva de direitos. Cumpridas tais sanções, o fato de o apenado ainda não ter pago a multa não interfere na extinção da
punibilidade. Isso porque a pena de multa é considerada dívida de valor e, portanto, possui caráter extrapenal, de modo que sua
execução é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública (Súmula 521-STJ). Assim, cumprida a pena privativa de
liberdade (ou restritiva de direitos), extingue-se a execução penal e, se restar ainda pendente o pagamento multa, esta deverá
ser cobrada pela Fazenda Pública, no juízo competente, tendo se esgotado, no entanto, a jurisdição criminal. STJ. 3ª Seção. REsp
1519777-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/8/2015 (recurso repetitivo) (Info 568). Obs: vale ressaltar que, após
esse julgado, o STF decidiu que: O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de
sentença penal condenatória transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. STF.
Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário. AP
470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927).

MP é quem deve executar a pena de multa e, apenas se ficar inerte por mais de 90 dias, essa legitimidade é transferida para a
Fazenda Pública
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória
transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. Quem executa a pena de multa?
• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP.
• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda Pública irá executar, na vara de
execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80. STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado
em 12 e 13/12/2018 (Info 927). STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927).
Obs: a Súmula 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada. Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa
pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.

Legitimidade do MP para promover medida que garanta o pagamento de multa penal


O Ministério Público tem legitimidade para promover medida assecuratória que vise à garantia do pagamento de multa imposta
por sentença penal condenatória. STJ. 6ª Turma. REsp 1.275.834-PR, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do
TJ-SP), julgado em 17/3/2015 (Info 558).

Prescrição da pena de multa

Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá:


I - em 2 anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada;
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou
cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada.

Cominadas cumulativamente penas privativas de liberdade e pecuniária, pode o juiz substituir a prisão por pena de
multa?
Súmula 171, STJ: Cominadas cumulativamente, em lei especial, penas privativas de liberdade e pecuniária, é defeso a
substituição da prisão por multa.

@dicasexconcurseira 115
Resumindo: no CP à pode haver a substituição da prisão por multa;
em LEI ESPECIAL à não pode haver a substituição da prisão por multa.

Lei 11.343/06, Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta
básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.

ATENÇÃO! Pena de multa não se confunde com a restritiva prestação pecuniária.

PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA MULTA


ESPÉCIES DE PENA ALTERNATIVA
Destinação: Destinação: Fundo Penitenciário
a) Vítima
b) Seus dependentes (não sucessores)
c) Entidade com destinação social
Consiste no pagamento de 1 a 360 salários mínimos Consiste no pagamento de 10 a 360 dias-multa.
1 dia-multa = 1/30 a 5x o salário mínimo.
O valor pago pode ser abatido de eventual condenação civil (se O valor não pode ser abatido de eventual condenação cível
coincidentes os beneficiários)
Seu descumprimento gera conversão em PPL O descumprimento não gera conversão – será executada
como dívida de valor

Aula 05

SURSIS: SUSPENSÃO CONDICIONAL DA EXECUÇÃO DA PENA


(Arts.77 a 82, CP + Arts.156 a 163, LEP)

Se não for possível substituir a pena privativa de Liberdade por pena restritiva de direito, ainda será possível a
suspensão condicional da pena (sursis).

O sursis é instituto de política criminal que suspende, por um certo tempo (período de prova) a execução da pena
privativa de liberdade, ficando o sentenciado em liberdade sob determinadas condições. Trata-se de exceção ao princípio da
inevitabilidade da pena.

O sursis é direito subjetivo do réu ou faculdade do juiz?

CP, Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 anos, poderá ser suspensa, por 2 a 4 anos, desde que:
à prevalece que a expressão “poderá” indica, na verdade, um poder-dever do juiz – é, pois, direito subjetivo do réu.

SISTEMAS DO SURSIS
FRANCO BELGA ANGLO-AMERICANO PROBATION OF FIRST OFFENDERS ACT
O réu é processado O réu é processado O réu é processado
É reconhecdio culpado É reconhecido culpado -----------------------
Existe condenação ------------------------ -----------------------
Suspende-se a execução da pena Suspende-se o processo, evitando a Suspende-se o processo, sem o
imposição da pena reconhecimento da culpa.
Adotado pelo Brasil para disciplinar a Não foi adotado pelo Brasil. Adotado pelo Brasil para disciplinar a
suspensão condicional da pena. suspensão condicional do processo.

@dicasexconcurseira 116
Espécies de sursis (arts.77; 77, §2º e 78, CP)

CP, Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 anos, poderá ser suspensa, por 2 a 4 anos, desde
que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias
autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.
§1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício.
§2o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 4 anos, poderá ser suspensa, por 4 a 6 anos, desde que o
condenado seja maior de 70 anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão.

Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas
pelo juiz.
§1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim
de semana (art. 48).
§2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe
forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas
cumulativamente:
a) proibição de freqüentar determinados lugares;
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.

SURSIS SIMPLES SURSIS ESPECIAL


Art.77 c/c art.78, §1º Art.77 c/c art.78, §2º
Pena imposta: não superior a 2 anos
Período de prova: de 2 a 4 anos
Reparação do dano
ou comprovada impossibilidade
Durante o 1º ano do período de prova: Durante o 1º ano do período de prova:
- Prestação de serviços à comunidade - Proibição de frequentar determinados lugares
ou +
- Limitação de fim de semana - Proibição de ausentar-se da comarca, sem autorização do
juiz
+
- Comparecimento mensal em juízo
Requisitos:
1 – Condenado não reincidente em crime doloso
2 – Circunstâncias judiciais favoráveis (suficiência da medida)
3 – Não indicada ou cabível a substituição da pena por restritivas de direito (sursis é subsidiário)

SURSIS ETÁRIO SURSIS HUMANITÁRIO


Art.77, §2º, 1ª parte, CP Art.77, §2º, 2ª parte, CP
Pena imposta: não superior a 4 anos
Período de prova: de 4 a 6 anos
Condenado maior de 70 anos (não importando seu estado de Razões de saúde (não importando a idade do condenado)
saúde)
Durante o 1º ano do período de prova: Durante o 1º ano do período de prova:
• Se não reparar o dano à art.78, §1º • Se não reparar o dano à art.78, §1º
• Se reparar o dano à art.78, §2º • Se reparar o dano à art.78, §2º
Requisitos:
1 – Condenado não reincidente em crime doloso
2 – Circunstâncias judiciais favoráveis
3 – Não indicada ou cabível a substituição por restritivas de direito
CUIDADO! Condenado reincidente em crime doloso não tem direito ao benefício do sursis, salvo pena de multa.

@dicasexconcurseira 117
Revogação obrigatória

Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:


I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
Obs1: este crime doloso pode ter sido praticado antes ou depois do início do período de prova.

Obs2: Rogério Greco, apesar do silêncio da lei, ensina que condenação por crime doloso à pena de multa não tem força para
revogar obrigatoriamente o sursis.

II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano;
Obs1: a primeira parte está revogada tacitamente epela Lei 9.268/96, que não mais permite a conversão da multa em pena
privativa de liberdade.

Sentença
Reparação do dano antes Reparação do dano depois
Sursis especial É condição obrigatória para as demais espécies (condição
legal indireta)

III - descumpre a condição do §1º do art. 78 deste Código.

Revogação facultativa
Art.81, §1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou é
irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos.

PERÍODO DE PROVA
CONDENAÇÃO CONSEQUÊNCIA
Crime doloso + PPL/PRD Revogação obrigatória (art.81, I, CP)
Crime doloso + multa Lei: revogação obrigatória
Rogério Greco: não revoga
Crime culposo + PPL/PRD Revogação facultativa (art.81, §1º, CP)
Crime culposo + multa Não revoga
Contravenção penal + PPL/PRD Revogação facultativa (art.81, §1º, CP)
Contravenção penal + multa Não revoga

Obs: art.81, §3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o
máximo, se este não foi o fixado.

ATENÇÃO! Não podemos confundir REVOGAÇÃO com CASSAÇÃO.

Revogação obrigatória Revogação facultativa Cassação


Art.81, I, II, III, CP Art.81, §1º, CP 1) Não comparecimento à audiência admonitória (onde
se concede o benefício)
Pressupõe início do período de Pressupõe início do período de 2) Provimento de recurso contra a concessão do
prova prova benefício
3) O condenado se recusa a cumprir as condições
impostas

Não há início do período de prova.

Prorrogação do sursis (art.81, §2º, CP)


§2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão
até o julgamento definitivo.

- Trata-se de prorrogação automática;


- A simples instauração do IP não acarreta a prorrogação do prazo de suspensão.

@dicasexconcurseira 118
Extinção do sursis (art.82, CP)
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade.

PERGUNTAS DE CONCURSO:
1 – É possível sursis incondicionado? Não. Todas as espécies de sursis obrigam ao cumprimento de condições no 1º ano do
benefício.

2 – E se o magistrado não impõe condição? Cabe embargos de declaração para suprir a omissão ou recurso de apelação,

3 – E se ninguém recorre, pode o juiz da execução suprir a omissão? No STJ, prevalece que, se o juiz da condenação não supre a
omissão, nada impede que, provocado ou de ofício, o juiz da execução especifique as condições. Não se pode falar em ofensa à
coisa julgada, pois esta diz respeito à concessão do sursis, e não às condições.

4 – É possível sursis sucessivos ou sursis simultâneos? SIM!


Sursis sucessivos: o sujeito, depois de cumprir o benefício do sursis, é condenado por outro delito – crime culposo ou
contravenção. Como não é reincidente em crime doloso, pode ser beneficiado novamente com o sursis.
Sursis simultâneo: suponhamos que o réu, durante o período de prova, é condenado a outro crime culposo. Poderá,
neste caso, obter novo sursis, mantendo-se o primeiro, pois a revogação é facultativa. Assim, ele irá cumprir, pelo menos em
parte, simultaneamente, dois sursis.

Aula 06

MEDIDA DE SEGURANÇA

É mais um instrumento, ao lado da pena, utilizado pelo Estado, na resposta à violação da norma penal, pressupondo
agente não imputável.

PENA MEDIDA DE SEGURANÇA


Espécies de sanção penal
É polifuncional: preventiva, retributiva, ressocializadora Tem finalidade essencialmente preventiva (não se pode
negar seu caráter aflitivo, ainda que em menor grau)
Volta-se ao passado (fato concreto cometido pelo agente) Volta-se ao futuro (fato abstrato que o agente poderá
cometer)
Trabalha com a culpabilidade do agente Trabalha com a periculosidade do agente

Princípios informadores da medida de segurança

Os princípios informadores da pena também se aplicam às medidas de segurança.

Obs1: Princípio da legalidade à existe corrente ensinando que, em razão de seu caráter curativo, a medida de segurança não se
sujeitaria à reserva legal e à anterioridade. Não é o que prevalece.

Obs2: Princípio da proporcionalidade.

PENA MEDIDA DE SEGURANÇA


Proporcional à gravidade do crime Proporcional ao grau de periculosidade do agente

Espécies de medida de segurança (art.96, CP)

1 – Medida de segurança detentiva à INTERNAÇÃO à crimes punidos com reclusão.

2 – Medida de segurança restritiva à TRATAMENTO AMBULATORIAL à crime punido com detenção.

@dicasexconcurseira 119
CP, Art. 96. As medidas de segurança são:
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado;
II - sujeição a tratamento ambulatorial.
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta.

ATENÇÃO! Nota-se que o CP leva em consideração apenas a gravidade da infração e não a periculosidade do agente. Ignora o
princípio da proporcionalidade.

CUIDADO! Tem prevalecido o caráter excepcional da internação (políticas antimanicomiais). Nesse sentido, art.17 da Resolução
113, CNJ.

Pressupostos das medidas de segurança


i) Prática de fato previsto como crime/contravenção penal
ii) Periculosidade do agente (maior ou menor inclinação para a prática de crime fruto de doença ou perturbação
mental).

CP, Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de 1/3 a 2/3, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

INIMPUTÁVEL SEMI-IMPUTÁVEL
Art.26, caput, CP Art.26, parágrafo único, CP
Doença mental Perturbação mental
Periculosidade presumida Periculosidade comprovada
Absolvição imprópria Condenação
(absolvição + medida de segurança) (o juiz, na imposição da sanção penal, escolhe: pena
diminuída ou substituição da pena por medida de segurança
– sistema vicariante)

Duração da medida de segurança

CP, art.97, §1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for
averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 a 3 anos.
Medida de segurança tem prazo mínimo, mas não tem prazo máximo, segundo a lei.
É possível detração (art.42, CP).

A indeterminação do prazo máximo é constitucional? Hoje, nos tribunais superiores, prevalece a tese da
inconstitucionalidade da indeterminação do prazo máximo, vez que viola a proibição da prisão perpétua.

1ª Corrente (STF): sugere o prazo máximo de 30 anos (o máximo previsto para as penas privativas de liberdade)

2ª Corrente (STJ): sugere que a medida de segurança não pode ser aplicada por tempo superior à pena máxima cominada ao
crime.

Perícia médica (art.97, §2º, CP)


§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer
tempo, se o determinar o juiz da execução.

Obs: a expressão “ou a qualquer tempo” significa que a perícia pode ser antecipada (jamais postergada).

@dicasexconcurseira 120
Laudo médico particular (art.43, LEP)
LEP, Art. 43 - É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento
ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento.
Parágrafo único. As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da execução.

Desinternação/Liberação condicional (art.97, §3º, CP)


§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes
do decurso de 1 ano, pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade.

Obs1: a desinternação e a liberação condicional são medidas a título de ensaio/condicional.

Obs2: se dentro de 1 ano, o agente pratica fato indicativo da persistência da periculosidade, a medida de segurança é
restabelecida.

Obs3: não precisa ser “fato típico”.

Desinternação progressiva
A jurisprudência dos tribunais superiores tem admitido a desinternação progressiva, consistente na passagem da
internação para o tratamento ambulatorial antes da definitiva liberação do agente.

Reinternação do agente (art.97, §4º, CP)


§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa providência for
necessária para fins curativos.

Superveniência de doença mental

DATA DO FATO EXECUÇÃO


Imputável Pena
Inimputável Medida de segurança
Semi-imputável Pena ou medida de segurança
Imputável Inimputável?

LEP, Art. 108. O condenado a quem sobrevier doença mental será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico.

LEP, Art. 183. Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde
mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá
determinar a substituição da pena por medida de segurança.

Art.108, LEP Art.183, LEP


Anomalia passageira Anomalia duradoura
Medida de segurança imposta é reversível Medida de segurança imposta é irreversível
O tempo da internação é computado como cumprimento de A internação não é computada como pena (a pena é
pena substituída por medida de segurança)
Deve observar a pena imposta (o tempo de internação não Qual o tempo máximo da de internação? 30 anos (STF) ou
ultrapassa a pena imposta na sentença) pena máxima abstratamente cominada ao delito (STJ).

Escoado o limite de cumprimento da medida de segurança, mas persistindo a periculosidade do agente, o que deve ser
feito? Deve-se buscar, perante o juízo cível, a interdição do agente, demonstrando a necessidade da internação extrapenal
como forma de proteger o paciente e a sociedade.

Medida de segurança provisória (art.319, VII, CPP)


Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos
concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração;

@dicasexconcurseira 121
Aula 07

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Efeito PENAL:
i) Principal: execução forçada da sanção imposta
ii) Secundários: reincidência, interrupção da prescrição, revogação de benefícios como o sursis, etc.

Efeito EXTRAPENAL:
a) Genérico: art.91, CP
b) Específico: art.92, CP

DE OLHO NA JURIS! Súmula 631-STJ


Súmula 631-STJ: O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos
secundários, penais ou extrapenais. • Importante. • Aprovada em 24/04/2019.

O indulto extingue somente a pena ou medida de segurança, não interferindo nos efeitos secundários da condenação (Súmula
631-STJ)
Súmula 631-STJ: O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos
secundários, penais ou extrapenais. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 24/04/2019, DJe 29/04/2019.

CP, Art. 91 - São efeitos da condenação: à EFEITOS EXTRAPENAIS GENÉRICOS


I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: - CONFISCO
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
§1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem
encontrados ou quando se localizarem no exterior.
§2º Na hipótese do §1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores
equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda.

CP, Art. 92 - São também efeitos da condenação: à EFEITOS EXTRAPENAIS ESPECÍFICOS


I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a 1 ano, nos crimes praticados com abuso de poder
ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 anos nos demais casos.
Obs: na lei de tortura e na lei das organizações criminosas, este efeito é automático.
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos
contra filho, tutelado ou curatelado;
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso.
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença.

Efeitos extrapenais específicos da condenação (art.92, CP)


I – Perda do cargo/função II – Incapacidade para o exercício do III – Inabilitação para dirigir veículo
pública/mandato eletivo poder familiar/tutela/curatela
a) Crimes cometidos com abuso de - Crime doloso + Veículo utilizado como meio para a
poder à se a PPL aplicada for igual ou - Punido com reclusão + prática do crime.
superior a 1 ano - Contra filho, tutelado ou curatelado Ex: homicídio doloso em racha.
b) Crimes comuns à se a PPL aplicada Não se confunde com as penas
for superior a 4 anos acessórias previstas no CTB

DE OLHO NA JURIS! A pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado no momento do delito, salvo se o novo cargo
tiver relação com as atribuições anteriores
Imagine que, quando o réu praticou o crime, ele estava ocupando o cargo público “X”. No entanto, anos mais tarde, no
momento em que foi prolatada a sentença condenatória, ele já estava em outro cargo público (“Z”). O juiz poderá condenar o
@dicasexconcurseira 122
réu à perda do atual cargo público (“Z”) mesmo sendo ele posterior à prática do delito? REGRA: não. Em regra, a pena de
perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida no momento da prática do delito. EXCEÇÃO:
se o juiz, motivadamente, considerar que o novo cargo guarda correlação com as atribuições do anterior, ou seja, daquele que o
réu ocupava no momento do crime, neste caso mostra-se devida a perda da nova função como uma forma de anular (evitar) a
possibilidade de que o agente pratique novamente delitos da mesma natureza. Assim, a pena de perdimento deve ser restrita
ao cargo ocupado ou função pública exercida no momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado,
motivadamente, entender que o novo cargo ou função guarda correlação com as atribuições anteriores. STJ. 5ª Turma. REsp
1452935/PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/03/2017 (Info 599).

Art. 92 do CP não prevê a perda da aposentadoria


É possível que o juiz o condene também à perda da aposentadoria com base no art. 92, I, do CP? NÃO. Ainda que condenado por
crime praticado durante o período de atividade, o servidor público não pode ter a sua aposentadoria cassada com fundamento
no art. 92, I, do CP, mesmo que a sua aposentadoria tenha ocorrido no curso da ação penal. Os efeitos de condenação criminal
previstos no art. 92, I, do CP, embora possam repercutir na esfera das relações extrapenais, são efeitos penais, na medida em
que decorrem de lei penal. Sendo assim, pela natureza constrangedora desses efeitos (que acarretam restrição ou perda de
direitos), eles somente podem ser declarados nas hipóteses restritas do dispositivo mencionado, o que implica afirmar que o rol
do art. 92 do CP é taxativo, sendo vedada a interpretação extensiva ou analógica para estendê-los em desfavor do réu, sob pena
de afronta ao princípio da legalidade. Dessa maneira, como essa previsão legal é dirigida para a “perda de cargo, função pública
ou mandato eletivo”, não se pode estendê-la ao servidor que se aposentou, ainda que no decorrer da ação penal. STJ. 5ª Turma.
REsp 1416477-SP, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em 18/11/2014 (Info
552).

Art. 92 do CP não se aplica a Promotor de Justiça condenado


Imagine que determinado Promotor de Justiça vitalício foi condenado a 3 anos de reclusão pelo Tribunal de Justiça pela prática
de corrupção passiva (crime contra a Administração Pública). O TJ poderá determinar a perda do cargo, com base no art. 92, I,
“a”, do CP? NÃO. As regras sobre a perda do cargo de membro do Ministério Público estadual estão previstas em norma
especial, qual seja, Lei nº 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público), que dispõe que a perda do referido cargo
somente pode ocorrer após o trânsito em julgado de ação civil proposta para esse fim. STJ. 5ª Turma. REsp 1251621-AM, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014 (Info 552).

Efeitos do art. 92 do CP não são automáticos


O art. 92, I, do CP prevê, como efeito extrapenal específico da condenação, a perda do cargo, função pública ou mandato
eletivo. Segundo prevê o parágrafo único do art. 92 e a jurisprudência do STJ, esse efeito (perda do cargo) não é automático,
devendo ser motivadamente declarado na sentença. Em outras palavras, a determinação da perda de cargo público pressupõe
fundamentação concreta que justifique o cabimento e necessidade da medida. STJ. 6ª Turma. REsp 1044866-MG, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/10/2014 (Info 549).

REABILITAÇÃO (art.93, CP)

Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos
registros sobre o seu processo e condenação.
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada
reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo.

Reabilitação é medida jurídica de política criminal que garante ao condenado o sigilo sobre o seu processo e condenação,
podendo também suspender determinados efeitos extrapenais específicos ordenados na sentença. Possui, em suma, duas
finalidades:
i) Assegurar o sigilo da condenação;
ii) Suspender condicionalmente efeitos específicos da condenação previstos no art.92, CP (perda do
cargo/função/mandato eletivo; incapacidade para o poder familiar/tutela/curatela e inabilitação para dirigir
veículo).

@dicasexconcurseira 123
Sigilo das condenações

De acordo com o art.202, LEP, cumprida ou extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões
fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir
processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei.

Ora, se a LEP já assegura o sigilo, bastando o cumprimento ou extinção da pena, qual é a utilidade da reabilitação nesse
ponto?
1ª Corrente (Rogério Greco): nenhuma utilidade.

2ª Corrente: enxerga graus diversos de sigilo. O sigilo assegurado pela reabilitação é mais amplo, onde as informações só podem
ser obtidas por requisição judicial. Já o sigilo assegurado pela LEP é menos amplo (não precisa de autorização judicial para ser
excepcionado).

Art.93, parágrafo único, CP

Inc. I – perda do cargo/função II – incapacidade para o exercício do Inc.III – inabilitação para dirigir veículo
poder familiar/tutela/curatela
Vedada a reintegração ao mesmo cargo Vedada a reintegração do poder Possibilidade de reintegração total
ou função familiar em relação ao filho vítima

A reabilitação impede a reincidência de crime futuro? A medida de reabilitação não rescinde a condenação. Logo,
permanecem todos os efeitos penais e extrapenais, dentre eles a reincidência. Só se suspende determinados efeitos (art.92, CP).

Requisitos para a reabilitação

Nos termos do art.94, CP, são requisitos cumulativos da reabilitação:


a) Transcurso do período de 2 anos, desde o cumprimento ou extinção da pena, computando-se o período de prova do
sursis e do livramento condicional, se não houver revogação;
b) Domicílio do condenado no país pelo período de 2 anos anteriormente citado;
c) Bom comportamento público e privado do condenado;
d) Ressarcimento do dano causado pelo crime ou comprovação da impossibilidade de fazê-lo, assim como a renúncia do
ressarcimento pela vítima ou a novação da dívida.

Na hipótese de indeferimento do pleito de reabilitação, o mesmo poderá ser renovado? Sim, conforme art.94, p.u., CP.

Revogação da reabilitação

Uma vez concedida, a reabilitação pode ser revogada, de ofício ou a requerimento do MP, se o reabilitado for condenado,
como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa (art.95, CP).

Obs: pena de multa não revoga reabilitação.

Competência e recurso

De quem é a competência para processar e julgar pedido de reabilitação? Juiz da condenação.

Quando indeferido o pedido, o pretenso reabilitado pode interpor recurso? Qual? Sim, apelação (art.593, II, CPP).

Da decisão que concede a reabilitação, cabe recurso? Sim, cabe apelação ou recurso de ofício (art.746, CPP).

Reabilitação e pluralidade de condenações

Havendo pluralidade de condenações, a reabilitação só pode ser requerida após o transcurso do período de 2 anos a
partir do cumprimento da última sanção penal.

@dicasexconcurseira 124
Aula 08

CONCURSO DE CRIMES

Dá-se o concurso de crimes quando o agente com uma ou várias condutas realiza pluralidade de crimes.

ATENÇÃO! Pode ocorrer entre infrações penais de quaisquer espécies: crime comissivo + omissivo; crime doloso + crime
culposo; crime consumado + crime tentado; crime simples + crime qualificado

Espécies de concurso de crimes

1 - Concurso material/real de crimes

CP, Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica 2 ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se
cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão
e de detenção, executa-se primeiro aquela.
§1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, por um dos
crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código.
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis
entre si e sucessivamente as demais.

Requisitos: pluralidade de condutas + pluralidade de crimes.


Espécies:
a) Homogêneo: pluralidade de crimes da mesma espécies;
b) Heterogêneo: pluralidade de crimes de espécies distintas.

Regra de fixação da pena: sistema do cúmulo material à o juiz, primeiro, individualiza as penas de cada um dos crimes (critério
trifásico), somando todas ao final.

2 – Concurso formal/ideal de crimes

CP, Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a
mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de 1/6 até 1/2. As penas
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. à cúmulo material
benéfico.

Requisitos: uma única conduta (que, no entanto, pode ser divida em vários atos) + pluralidade de crimes.

Espécies:
a) Concurso formal homogêneo: os crimes decorrentes da conduta única são da mesma espécie.

b) Concurso formal heterogêneo: os crimes são de espécies distintas.

c) Concurso formal próprio/perfeito/normal: o agente, apesar de provocar 2 ou mais resultados, não tem intenção
independente em relação a cada crime (não há desígnios autônomos). Ex: atropelamento.

d) Concurso formal impróprio/imperfeito/anormal: o agente age com desígnios autônomos em relação a cada crime. Ex: roubo
em ônibus.

DE OLHO NA JURIS! Concurso formal e desígnios autônomos


O concurso formal perfeito caracteriza-se quando o agente pratica duas ou mais infrações penais mediante uma única ação ou
omissão. O concurso formal imperfeito, por sua vez, revela-se quando a conduta única (ação ou omissão) é dolosa e os delitos
concorrentes resultam de desígnios autônomos. Essa distinção entre os dois tipos de concurso formal varia de acordo com o
elemento subjetivo que animou o agente ao iniciar a sua conduta. A expressão "desígnios autônomos" refere-se a qualquer forma
de dolo, seja ele direto ou eventual. A morte da mãe e da criança que estava em seu ventre, oriundas de uma só conduta (facadas

@dicasexconcurseira 125
na nuca da mãe), resultaram de desígnios autônomos. Em consequência disso, as penas devem ser aplicadas cumulativamente,
conforme a regra do concurso material. STJ. 6ª Turma. HC 191490-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 27/9/2012.

Regra de fixação da pena no concurso formal próprio

O juiz aplica a pena mais grave dentre as cominadas para os vários crimes cometidos pelo agente. Em seguida, majora
essa pena em um quantum anunciado em lei, que é de 1/6 até ½ (sistema da exasperação).

Regra de fixação da pena no concurso formal impróprio


O agente atua com desígnios autônomos.
Aplica-se o sistema do cúmulo material: o juiz individualiza e soma as penas dos vários crimes praticados pelo agente.

JURISPURDÊNCIAS SOBRE CONCURSO FORMAL


Roubo praticado em ônibus contra o patrimônio de vários passageiros
O sujeito entra no ônibus e, com arma de fogo em punho, exige que oito passageiros entreguem seus pertences (dois desses
passageiros eram marido e mulher). O agente irá responder por oito roubos majorados (art. 157, § 2º-A, I, do CP) em concurso
formal (art. 70). Atenção: não se trata, portanto, de crime único. Ocorre concurso formal quando o agente, mediante uma só
ação, pratica crimes de roubo contra vítimas diferentes, ainda que da mesma família, eis que caracterizada a violação a
patrimônios distintos. STJ. 5ª Turma. HC 207.543/SP , Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 17/04/2012. Nesse caso, o concurso
formal é próprio ou impróprio? Concurso formal PRÓPRIO. Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas
distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que
violados patrimônios distintos. STJ. 6ª Turma. HC 197684/RJ , Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 18/06/2012. STJ. 5ª
Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018.

Concurso formal e competência do Juizado Especial


O Juizado Especial Criminal possui competência para julgar as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima
não superior a 2 anos (art. 61 da Lei nº 9.099/95). Imagine que o agente praticou, em concurso formal, três crimes, cuja pena
máxima para cada um deles é de 2 anos. Indaga-se: o julgamento será de competência do Juizado? NÃO. É pacífica a
jurisprudência do STJ de que, no caso de concurso de crimes, a pena considerada para fins de fixação da competência do Juizado
Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de concurso material, ou a exasperação, na hipótese de concurso formal ou
crime continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. Assim, se desse somatório resultar uma pena superior a 02 anos,
fica afastada a competência do Juizado. STJ. 5ª Turma. HC 143500/PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
31/05/2011.

3 – Crime continuado

CP, Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas
condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação
do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso,
de um 1/6 a 2/3.
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o
juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as
regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código. à cúmulo material benéfico e pena máxima de até 30 anos.

É instituto de baseado em razões de política criminal. O juiz, ao invés de aplicar as penas correspondentes aos vários
crimes praticados em continuidade, por ficção jurídica, para fins de pena, considera como se um só crime tivesse sido praticado
pelo agente, majorando a sua pena. É instituto que nasceu para beneficiar o réu.

@dicasexconcurseira 126
Requisitos do crime continuado genérico/comum (art.71, caput, CP)
i) Pluralidade de condutas;
ii) Pluralidade de crimes da mesma espécie: crimes previstos no mesmo tipo penal, protegendo o mesmo bem
jurídico.
iii) Elo de continuidade (diferencia o concurso material da continuidade delitiva)
a) Mesmas condições de tempo à entre as várias infrações deve-se obedecer um espaço temporal máximo de
30 dias (construção jurisprudencial);
b) Mesmas condições de lugar à os vários crimes tem que ser praticados na mesma comarca ou comarcas
contíguas (jurisprudência).
c) Mesma maneira de execução;
d) Outras circunstâncias semelhantes.

DE OLHO NA JURIS! Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão


Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os referidos
crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 24/4/2018 (Info 899). Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes. STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.

A continuidade delitiva demanda HOMOGENEIDADE SUBJETIVA? Os vários crimes devem resultar de um plano
previamente elaborado pelo agente?

1ª Corrente (STF, PREVALECE): para caracterizar o crime continuado, deve existir um dolo unitário ou global, que torne coesas
todas as infrações cometidas, executando-se um plano preconcebido. Esse elemento subjetivo é o que diferencia o art.71, CPP
do crime habitual.

2ª Corrente (concurso para DP): a unidade de desígnios ou dolo único não é requisito do crime continuado.

DE OLHO NA JURIS! Unidade de desígnio: teoria objetivo-subjetiva (teoria mista)


De acordo com a Teoria Mista, adotada pelo Código Penal, mostra-se imprescindível, para a aplicação da regra do crime
continuado, o preenchimento de requisitos não apenas de ordem objetiva — mesmas condições de tempo, lugar e forma de
execução — como também de ordem subjetiva — unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos. STJ. 6ª Turma. HC
245156/ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 15/10/2015.

Regra de fixação da pena para o crime continuado genérico/comum: aplica-se o sistema da exasperação à pena de um só dos
crimes (ou a mais grave) + aumento de 1/6 a 2/3.

Obs: para exasperar, deve-se levar em consideração o número de infrações:


• 2 crimes à 1/6
• 3 crimes à 1/5
• 4 crimes à ¼
• 5 crimes à 1/3
• 6 crimes à ½
• 7 crimes à 2/3

DE OLHO NA JURIS! Critério para aumento da pena no crime continuado


• Crime continuado do caput do art. 71 do CP: o critério para se determinar o quantum da majoração (entre 1/6 a 2/3) é apenas
a quantidade de delitos cometidos. Assim, quanto mais infrações, maior deve ser o aumento.
• Crime continuado específico (art. 71, parágrafo único, do CP): a fração de aumento será determinada pela quantidade de
crimes praticados e também pela análise das circunstâncias judicias do art. 59 do Código Penal. STJ. 5ª Turma. REsp 1718212/PR,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/04/2018.

Aumento de pena no máximo pela continuidade delitiva em crime sexual


No caso de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais
grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. O STJ entende que, em regra, a escolha da quantidade de
@dicasexconcurseira 127
aumento de pena deve levar em consideração o número de infrações praticadas pelo agente com base na seguinte tabela: O
critério para o aumento no crime continuado é o número de crimes praticados: 2 crimes — aumenta 1/6 3 crimes — aumenta
1/5 4 crimes — aumenta 1/4 5 crimes — aumenta 1/3 6 crimes — aumenta 1/2 7 ou mais — aumenta 2/3 Porém, nem sempre
será fácil trazer para os autos o número exato de crimes que foram praticados, especialmente quando se trata de delitos
sexuais. É o caso, por exemplo, de um padrasto que mora há meses ou anos com a sua enteada e contra ela pratica
constantemente estupro de vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo não havendo a informação do número exato de crimes que
foram cometidos, o juiz poderá aumentar a pena acima de 1/6 e, dependendo do período de tempo, até chegar ao patamar
máximo. Assim, constatando-se a ocorrência de diversos crimes sexuais durante longo período de tempo, é possível o aumento
da pena pela continuidade delitiva no patamar máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a quantificação exata do número
de eventos criminosos. STJ. 5ª Turma. HC 311146-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), julgado
em 17/3/2015 (Info 559).

Requisitos do crime continuado específico (art.71, parágrafo único, CP)


i) Pluralidade de condutas;
ii) Pluralidade de crimes da mesma espécie;
iii) Elo de continuidade;
iv) Crimes dolosos;
v) Contra vítimas diferentes;
vi) Cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa.

Regra de fixação da pena para o crime continuado específico: aplica-se o sistema da exasperação, mas, CUIDADO: a pena
cominada não pode ser superior àquela que seria obtida se fosse aplicado o sistema do cúmulo material (é o chamado cúmulo
material benéfico).

Cabe continuidade delitiva em crimes contra a vida? A Súmula 605 do STF diz que não. Porém, esta súmula é anterior à
reforma que trouxe o art.71, p.u., CP. CUIDADO! Alguns concursos públicos ainda cobram o entendimento literal desta súmula.

Como se resolve a sucessão de leis penais durante a continuidade delitiva? Aplica-se a Súmula 711, STF: a lei penal mais
grave aplica-se ao crime continuado, se a sua vigência é anterior à cessão da continuidade.

Admite-se, no mesmo contexto fático, crime continuado e concurso formal?

1ª Corrente (LFG): deve-se desprezar o concurso formal, aplicando-se somente a continuidade delitiva, evitando o bis in idem.

2ª Corrente (STF): os dois concursos podem ser aplicados, não havendo bis in idem.

CONCURSO DE CRIMES x PRESCRIÇÃO

CP, Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente.

CONCURSO DE CRIMES x SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO

Súmula 723, STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da
infração mais grave com o aumento mínimo de 1/6 for superior a 1 ano.

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MÓDULO III

CRIMES PREVISTOS NO CÓDIGO PENAL

PARTE ESPECIAL
TÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A VIDA

Homicídio simples
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de 6 a 20 anos.

Caso de diminuição de pena à chamado erroneamente de “HOMICÍDIO PRIVILEGIADO”


§1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção,
logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode (=DEVE) reduzir a pena de um 1/6 a 1/3.

Homicídio qualificado à é CRIME HEDIONDO


§2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa* (HOMICÍDIO MERCENÁRIO), ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil**;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel***, ou de que possa resultar
perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do
ofendido****;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

* DE OLHO NA JURIS! Incidência da qualificadora do motivo torpe em relação ao mandante de homicídio mercenário
O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art. 121) em relação ao executor
do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o delito em relação ao mandante, nada obstante este possa
incidir no referido dispositivo caso o motivo que o tenha levado a empreitar o óbito alheio seja torpe. STJ. 6ª Turma. REsp
1209852-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/12/2015 (Info 575). Obs: existem julgados em sentido contrário.

**DE OLHO NA JURIS! A qualificadora do motivo fútil é compatível com o homicídio praticado com dolo eventual
A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é compatível com o homicídio praticado com dolo eventual? SIM. O fato
de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a possibilidade de o crime ter sido
praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a
conduta. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 06/03/2012. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017.

Hipótese de inexistência de motivo fútil em homicídio decorrente da prática de "racha"


Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente praticado por agente
que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido — em razão de choque com outro automóvel também participante
do "racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. STJ. 6ª Turma. HC 307617-SP, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).

Homicídio qualificado por motivo fútil e fato que surgiu como uma bobagem, mas virou uma briga
Se o fato surgiu por conta de uma bobagem, mas depois ocorreu uma briga e, no contexto desta, houve o homicídio, tal
circunstância pode vir a descaracterizar o motivo fútil. Vale ressaltar, no entanto, que a discussão anterior entre vítima e autor
do homicídio, por si só, não afasta a qualificadora do motivo fútil. Assim, é preciso verificar a situação no caso concreto. STJ. 5ª
Turma. AgRg no REsp 1113364-PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/08/2013 (Info 525).

*** DE OLHO NA JURIS! Homicídio qualificado pelo meio cruel e reiteração de golpes na vítima
O juiz, na decisão de pronúncia, só pode fazer o decote (retirada) da qualificadora imputada se ela for manifestamente
improcedente, ou seja, se estiver completamente destituída de amparo nos elementos cognitivos dos autos. Isso porque o

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verdadeiro julgador dos crimes dolosos contra a vida são os jurados. O juiz togado somente deve atuar em casos excepcionais
em que a pretensão estatal estiver claramente destituída de base empírica idônea. O fato de o agente ter praticado o crime com
reiteração de golpes na vítima, ao menos em princípio e para fins de pronúncia, é circunstância indiciária do “meio cruel”,
previsto no art. 121, § 2º, III, do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1241987-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
6/2/2014 (Info 537).

**** DE OLHO NA JURIS! Dolo eventual não é compatível com qualificadora de traição, emboscada, dissimulação
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada, dissimulação). STF. 2ª Turma.
HC 111442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677).

Feminicídio
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da
Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até 3º grau, em razão dessa condição:

Pena - reclusão, de 12 a 30 anos.

§2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Homicídio culposo
§3º Se o homicídio é culposo:
Pena - detenção, de 1 a 3 anos.

Aumento de pena
§4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou
ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa menor de
14 ou maior de 60 anos.

DE OLHO NA JURIS! Morte instantânea da vítima nem sempre irá afastar a majorante do § 4º do art. 121 do CP
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir
as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º do art. 121 do CP). Se a vítima tiver morte
instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO.
No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a
não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa. STJ. 5ª Turma. HC 269038-RS, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 2/12/2014 (Info 554).

Homicídio culposo cometido por médico e causa de aumento do art. 121, § 4º do CP


É possível a aplicação da causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP no caso de homicídio culposo cometido por
médico e decorrente do descumprimento de regra técnica no exercício da profissão. Nessa situação, não há que se falar em bis
in idem. STJ. 5ª Turma. HC 181847-MS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Rel. para acórdão Min. Campos Marques
(Desembargador convocado do TJ/PR), julgado em 4/4/2013 (Info 520).

§5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL), se as conseqüências da
infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

§6o A pena é aumentada de 1/3 até a 1/2 se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de
segurança, ou por grupo de extermínio.

§7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 até a 1/2 se o crime for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 meses posteriores ao parto;

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II - contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem
condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de
7 de agosto de 2006 (LEI MARIA DA PENHA).

DE OLHO NA JURIS! Motivo torpe e feminicídio: inexistência de bis in idem


Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio
praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o feminicídio é uma qualificadora de
ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto
que a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o
delito. STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625).

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE HOMICÍDIO NA CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR


Homicídio culposo na condução de veículo automotor e excesso de velocidade: não pode ser utilizado na 1ª fase
O réu foi denunciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB). Ficou provado que ele estava em
alta velocidade. O juiz pode aumentar a pena-base com fundamento na excessiva velocidade? NÃO. Na primeira fase da
dosimetria da pena, o excesso de velocidade não deve ser considerado na aferição da culpabilidade (art. 59 do CP) do agente
que pratica delito de homicídio e de lesões corporais culposos na direção de veículo automotor. O excesso de velocidade não
constitui fundamento apto a justificar o aumento da pena-base pela culpabilidade, por ser inerente aos delitos de homicídio
culposo e de lesões corporais culposas praticados na direção de veículo automotor, caracterizando a imprudência, modalidade
de violação do dever de cuidado objetivo, necessária à configuração dos delitos culposos. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 153549-DF,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/6/2015 (Info 563).

Homicídio culposo na condução de veículo automotor e excesso de velocidade porque o réu queria levar drogas para festa:
pode ser utilizado na 1ª fase
O réu foi denunciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB). Ficou provado que ele estava em
alta velocidade e que dirigia o carro imprudentemente porque estava com pressa para levar drogas a uma festa. O juiz pode
aumentar a pena-base com fundamento no fato de que o réu estava transportando droga no carro para levá-la a uma festa?
SIM. O juiz, na análise dos motivos do crime (art. 59 do CP), pode fixar a pena-base acima do mínimo legal em razão de o autor
ter praticado delito de homicídio e de lesões corporais culposos na direção de veículo automotor, conduzindo-o com
imprudência a fim de levar droga a uma festa. Isso porque o fim de levar droga a uma festa representa finalidade que desborda
das razoavelmente utilizadas para esses crimes, configurando justificativa válida para o desvalor. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC
153549-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/6/2015 (Info 563).

Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo eventual


Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na
contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual. O
condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de
outrem. STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info
904).

O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de que tenha havido dolo eventual
A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de premissa bastante para a afirmação do dolo
eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A embriaguez do agente condutor do automóvel, sem o acréscimo de
outras peculiaridades, não pode servir como presunção de que houve dolo eventual. STJ. 6ª Turma. REsp 1689173-SC, Rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).

Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo embriagado praticou homicídio doloso ou culposo
Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor
do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte. STJ. 6ª Turma. REsp
1689173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).

Entrega de veículo automotor a pessoa embriagada e inexistência de homicídio doloso


Se houver incorreto enquadramento fático-jurídico na capitulação penal, que repercuta na competência do órgão jurisdicional,
admite-se, excepcionalmente, a possibilidade de o magistrado, antes da pronúncia e submissão do réu ao júri popular, efetuar a
desclassificação para outro tipo penal e encaminhar o feito ao órgão competente. No caso, o STF considerou que não havia
homicídio doloso na conduta de um homem que entregou o seu carro a uma mulher embriagada para que esta dirigisse o

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veículo, tendo havido acidente por conta do excesso de velocidade e da embriaguez, resultando na morte da mulher
(condutora). STF. 2ª Turma. HC 113598/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015 (Info 812).

Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio


Art. 122 - Induzir ou instigar alguém* a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de 1 a 3 anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão
corporal de natureza grave.

* Este alguém deve ser capaz; se for incapaz, será caso de homicídio.

Parágrafo único - A pena é duplicada:


Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de 2 a 6 anos.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento


Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54) à possibilidade de aborto de
feto anencéfalo
Pena - detenção, de 1 a 3 anos.

Aborto provocado por terceiro

Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:


Pena - reclusão, de 3 a 10 anos.

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de 14 anos, ou é alienada ou debil mental, ou se
o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.

DE OLHO NA JURIS! Interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação


A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com o seu
consentimento (art. 126) não é crime. É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código
Penal – que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação
efetivada no primeiro trimestre. A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o
princípio da proporcionalidade. STF. 1ª Turma. HC 124306/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 29/11/2016 (Info 849).

Interrupção de gravidez de feto anencéfalo é conduta atípica


É inconstitucional a interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo seria conduta tipificada nos arts.
124, 126 e 128, I e II, do CP. A interrupção da gravidez de feto anencéfalo é atípica. STF. Plenário. ADPF 54/DF, rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 11 e 12/4/2012.

Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um 1/3, se, em conseqüência do aborto ou dos
meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas
causas, lhe sobrevém a morte.

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DE OLHO NA JURIS! Ceifar a vida do feto após iniciado o trabalho de parto
Iniciado o trabalho de parto, não há falar mais em aborto, mas em homicídio ou infanticídio, conforme o caso, pois não se
mostra necessário que o nascituro tenha respirado para configurar o crime de homicídio, notadamente quando existem nos
autos outros elementos para demonstrar a vida do ser nascente. STJ. 5ª Turma. HC 228998-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 23/10/2012.

Art. 128 – NÃO SE PUNE O ABORTO* praticado por MÉDICO: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário à ou ABORTO TERAPÊUTICO
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro à ou ABORTO SENTIMENTAL/HUMANITÁRIO/ÉTICO


II - se a gravidez resulta de estupro E o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu
representante legal.

* Para maioria da doutrina, trata-se de causas especiais de ausência da ilicitude, embora a redação pareça indicar serem causas
de ausência de culpabilidade ou punibilidade.

CAPÍTULO II
DAS LESÕES CORPORAIS

Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano. à LESÃO CORPORAL LEVE à AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO

Lesão corporal de natureza GRAVE


§1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função*;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos.

* Membro à braços, antebraços, mãos, pernas, coxas e pés;


Sentido à visão, audição, olfato, tato e paladar;
Função à respiratória, circulatória, digestiva, etc.

DE OLHO NA JURIS! Perda de dois dentes configura lesão grave (e não gravíssima)
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima
(art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade
maior da mastigação, mas não configura deformidade permanente (§ 2º, IV). § 1º Se resulta: III - debilidade permanente de
membro, sentido ou função; § 2º Se resulta: IV - deformidade permanente; STJ. 6ª Turma. REsp 1620158-RJ, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 590).

Reconhecimento da gravidade da lesão corporal pode ser feito por outros meios além da perícia
A ausência do laudo pericial não impede que a materialidade do delito de lesão corporal de natureza grave seja reconhecida por
outros meios, como testemunhas e relatórios de atendimento hospitalar. STF. 2ª Turma. HC 114567/ES, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 16/10/2012 (Info 684).

§ 2° Se resulta: à LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA


I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos.

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DE OLHO NA JURIS! Qualificadora da deformidade permanente e posterior cirurgia plástica reparadora
A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior
cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no
momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo
custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério
exclusivo da vítima. STJ. 6ª Turma. HC 306677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), Rel. para
acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562).

Lesão corporal seguida de morte à CRIME PRETERDOLOSO = DOLO EM LESIONAR + CULPA NO RESULTADO MORTE.
§3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo (OU
SEJA, NÃO HOUVE DOLO DIRETO OU EVENTUAL, DE FORMA QUE A MORTE FOI CULPOSA):
Pena - reclusão, de 4 a 12 anos.

DE OLHO NA JURIS! Lesão corporal qualificada pelo resultado morte e nexo de causalidade
De acordo com o art. 13 do CP, o resultado do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Este art. 13, contudo, deve ser interpretado em conjunto com o art. 18,
segundo o qual a responsabilidade somente pode ser imputada ao agente quando o resultado puder ser atribuível a ele ao
menos culposamente. “A” desfere chutes e joelhadas contra a região abdominal de “B”, fazendo com que este caia, bata a
cabeça e morra. O laudo prova que a causa mortis foi a ruptura de um aneurisma cerebral e não o choque da cabeça no meio-
fio. Neste caso, “A” não responderá pelo resultado morte porque este não lhe pode ser atribuído nem mesmo culposamente.
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1094758-RS, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Vasco Della Giustina
(Desembargador convocado do TJ-RS), julgado em 1º/3/2012.

Diminuição de pena à LESÃO PRIVILEGIADA


§4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção,
logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de 1/6 a 1/3.

Substituição da pena
§5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos
de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior (SE FOR HIPÓTESE DE LESÃO PRIVILEGIADA);
II - se as lesões são recíprocas.

Lesão corporal culposa à AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO


§6° Se a lesão é culposa:
Pena - detenção, de 2 meses a 1 ano.

Aumento de pena
§7o Aumenta-se a pena de 1/3 se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121 deste Código.

§8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121 (PERDÃO JUDICIAL).

Violência Doméstica à APLICA-SE APENAS AOS CASOS DE LESÃO CORPORAL LEVE


§9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha
convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 meses a 3 anos.

DE OLHO NA JURIS! Qualificadora do § 9º do art. 129 do CP aplica-se também quando a vítima for homem
A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais cometidas contra HOMEM no âmbito
das relações domésticas. STJ. 5ª Turma. RHC 27622-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/8/2012.

Lesão corporal contra irmão configura o § 9º do art. 129 do CP não importando onde a agressão tenha ocorrido
Não é inepta a denúncia que se fundamenta no art. 129, § 9º, do CP – lesão corporal leve –, qualificada pela violência doméstica,
tão somente em razão de o crime não ter ocorrido no ambiente familiar. Ex: João agrediu fisicamente seu irmão na sede da
empresa onde trabalham, causando-lhe lesão corporal leve. O agente deverá responder pelo art. 129, § 9º do CP. Sendo a lesão
corporal praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, deverá incidir a qualificadora do § 9º não

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importando onde a agressão tenha ocorrido. STJ. 5ª Turma. RHC 50026-PA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
3/8/2017 (Info 609).

Não cabe pena restritiva em caso de condenação pelo art. 129, § 9º do CP


Não é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em caso de condenação por crime de lesão
corporal previsto no art. 129, § 9º, do CP. STJ. 6ª Turma. HC 192104-MS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 9/10/2012.

§10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo (LESÃO GRAVE, GRAVÍSSIMA E SEGUIDA DE MORTE), se as circunstâncias são
as indicadas no §9o deste artigo (VIOLÊNCIA DOMÉSTICA), aumenta-se a pena em 1/3.

§11. Na hipótese do §9o deste artigo, a pena será aumentada de 1/3 se o crime for cometido contra pessoa portadora de
deficiência.

§12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até 3º grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de 1/3 a 2/3.

CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA

Calúnia à ATINGE A HONRA OBJETIVA DO SUJEITO


Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato (DETERMINADO) definido como crime:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.
§1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
§2º - É punível a calúnia contra os mortos.

Exceção da verdade
§3º - Admite-se a prova da verdade (PROVAR QUE O FATO IMPUTADO A ALGUÉM É VERÍDICO), salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141 (PRESIDENTE OU CHEFE DE GOVERNO
ESTRANGEIRO);
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.

Difamação à ATINGE A HONRA OBJETIVA DO SUJEITO


Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe FATO (VERDADEIRO OU FALSO) OFENSIVO à sua REPUTAÇÃO:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público E a ofensa é relativa ao exercício
de suas funções.

DE OLHO NA JURIS! Difamação pode ser praticada mediante a publicação de vídeo no qual o discurso da vítima seja editado
Configura, em tese, difamação a conduta do agente que publica vídeo de um discurso no qual a frase completa do orador é
editada, transmitindo a falsa ideia de que ele estava falando mal de negros e pobres. A edição de um vídeo ou áudio tem como
objetivo guiar o espectador e, quando feita com o objetivo de difamar a honra de uma pessoa, configura dolo da prática
criminosa. Vale ressaltar que esta conduta do agente, ainda que praticada por Deputado Federal, não estará protegida pela
imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Pet 5705/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/9/2017 (Info 876).

Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: à ATINGE A HONRA SUBJETIVA DO SUJEITO
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

§1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL):

@dicasexconcurseira 135
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

§2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
à INJÚRIA REAL*
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

* Na injúria real:
i. A contravenção de vias de fato fica absorvida pela injúria real;
ii. Haverá concurso entre a injúria real e a violência.

OBS: Quando da violência resultar lesão corporal, a ação penal será pública incondicionada.

§3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa
ou portadora de deficiência: à INJÚRIA RACIAL/QUALIFICADA PELO PRECONCEITO/RACISMO IMPRÓPRIO
Pena - reclusão de 1 a 3 anos* e multa.

Na injúria racial:
i. Prevalece que não é possível o perdão judicial;
ii. A ação penal é pública condicionada à representação do ofendido.

* Pena da injúria qualificada não é desproporcional


A pena prevista para o crime de injúria qualificada (art. 140, § 3º do CP) NÃO é desproporcional, sendo compatível com a CF/88,
considerando que tem por objetivo proteger a dignidade da pessoa humana. STF. 1ª Turma. HC 109676/RJ, rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 11/6/2013 (Info 710).

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE INJÚRIA! Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que sugere
relação extraconjugal do marido
A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de mensagem que insinua que o seu marido tem uma relação
extraconjugal com outro homem. Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação homossexual extraconjugal com
outro homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-crime por injúria, alegando que também é
ofendida. Caso concreto: Roberto insinuou que Weverton teria um relacionamento homossexual extraconjugal com outro
homem. A mulher de Weverton tem legitimidade para ajuizar queixa-crime contra Roberto pela prática do crime de injúria. STF.
1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2018 (Info 919).

Não deve ser punido Deputado Federal que profere palavras injuriosas contra adversário político que também o ofendeu
imediatamente antes
Determinado Governador afirmou, em rede social, que certo Deputado Federal estava financiando, com a utilização de
“dinheiro sujo”, a produção de injúrias contra ele e que o parlamentar estava sendo processado pelos crimes de tortura,
corrupção e estupro. No dia seguinte, o Deputado, em resposta, afirmou, também em uma rede social, que o Governador era
acusado de corrupção eleitoral, que tinha como costume fazer acusações falsas para tentar incriminar seus desafetos políticos,
que costumava espancar seu pai e que era desequilibrado mental. O STF entendeu que o Deputado Federal praticou fato típico,
antijurídico e culpável, mas que não deveria ser punido, com base no art. 140, § 1º, II, do CP. O Deputado postou as mensagens
ofensivas menos de 24 horas depois de o Governador publicar a manifestação também injuriosa. Dessa forma, as mensagens do
parlamentar foram imediatamente posteriores às veiculadas pelo ofendido e elaboradas em resposta a elas. Ao publicá-las, o
acusado citou parte do conteúdo da mensagem postada pelo ofendido, comprovando o nexo de pertinência entre as condutas.
Dessa maneira, o ofendido não só, de forma reprovável, provocou a injúria, como também, em tese, praticou o mesmo delito, o
que gerou a retorsão imediata do acusado. Logo, o STF entendeu que não havia razão moral para o Estado punir o Deputado.
STF. 1ª Turma. AP 926/AC, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 6/9/2016 (Info 838).

Deputado que, em entrevista à imprensa, afirma que determinada Deputada "não merece ser estuprada" pratica, em tese,
injúria (art. 140 do CP)
O Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que a também Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), “não merece ser
estuprada por ser muito ruim, muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se fosse estuprador, "não iria estuprá-la
porque ela não merece". O STF entendeu que a conduta do parlamentar configura, em tese, para fins de recebimento de
denúncia, o crime de injúria: "Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis
meses, ou multa." As declarações do Deputado atingiram a honra subjetiva da Deputada porque rebaixaram sua dignidade

@dicasexconcurseira 136
moral, expondo sua imagem à humilhação pública, além de associar as características da mulher à possibilidade de ser vítima de
estupro. STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016 (Info 831).

Diferença entre a injúria comum (art. 140 do CP) e a injúria prevista no art. 326 do CE
Compete à Justiça Comum Estadual, e não à Eleitoral, processar e julgar injúria cometida no âmbito doméstico e desvinculada,
direta ou indiretamente, de propaganda eleitoral, embora motivada por divergência política às vésperas da eleição. STJ. 3ª
Seção. CC 134005-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/6/2014 (Infos 543 e 545).

Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de 1/3, se qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.

DE OLHO NA JURIS! Prática de calúnia, difamação e injúria por meio de uma única carta
É possível que se impute, de forma concomitante, a prática dos crimes de calúnia, de difamação e de injúria ao agente que
divulga, em uma única carta, dizeres aptos a configurar os referidos delitos, sobretudo no caso em que os trechos utilizados para
caracterizar o crime de calúnia forem diversos dos empregados para demonstrar a prática do crime de difamação. Ex: João,
síndico do prédio, brigou com Pedro em virtude de desavenças quanto à prestação de contas. Pedro escreveu, então, uma carta,
distribuída a todos os demais condôminos, na qual dizia que João, no mês de 09/2014, desviou R$ 10 mil da conta do
condomínio em proveito próprio (calúnia); que, no dia da assembleia ocorrida em 22/10/2014, estava tão bêbado que não
conseguia parar em pé (difamação) e que ele era um gordo, feioso e burro (injúria). STJ. 5ª Turma. RHC 41527-RJ, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 3/3/2015 (Info 557).

Exclusão do crime à CAUSA ESPECIAL DA EXCLUSÃO DA ILICITUDE à HIPÓTESES ESPECIAIS DE ESTRITO CUMPRIMENTO DO
DEVER LEGAL E EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador*; à IMUNIDADE JUDICIÁRIA
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; à
IMUNIDADE LITERÁRIA, ARTÍSTICA OU CIENTÍFICA
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever
do ofício. à IMUNIDADE FUNCIONAL
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.

* Advogado não comete calúnia se não ficar provada sua intenção de ofender a honra
A manifestação do advogado em juízo para defender seu cliente não configura crime de calúnia se emitida sem a intenção de
ofender a honra. STJ. 3ª Seção. Rcl 15574-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 9/4/2014 (Info 539).

Crimes contra a honra e imunidade profissional do advogado


Em regra, o advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria ou difamação puníveis a sua manifestação, no
exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, ainda que contra o magistrado. STJ. 5ª Turma. HC 202059-SP, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 16/2/2012 (Info 491).

Retratação à É ATO UNILATERAL E CIRCUNSTÂNCIA SUBJETIVA INCOMUNICÁVEL


Art. 143 - O querelado (CABE NAS HIPÓTESES DE “QUEIXA”) que, antes da sentença (DE 1º GRAU), se retrata cabalmente da
calúnia ou da difamação, fica ISENTO de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de
comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa.

Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir
explicações em juízo*. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

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* O pedido de explicações não suspende o prazo decadencial para o oferecimento da queixa.

Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da
violência resulta lesão corporal (INJÚRIA REAL DA QUAL RESULTE LESÃO CORPORAL).
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código
(CRIME CONTRA A HONRA DE PRESIDENTE E CHEFE DE GOVERNO ESTRANGEIRO), e mediante representação do ofendido, no
caso do inciso II do mesmo artigo (CRIME CONTRA A HONRA DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO EM RAZÃO DE SUAS FUNÇÕES), bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código (INJÚRIA RACIAL).

CAPÍTULO VI
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL

SEÇÃO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL

Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a
capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

Aumento de pena
§1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se reúnem mais de 3 pessoas, ou há
emprego de armas.
§2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência. à CONCURSO MATERIAL
§3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se justificada por iminente
perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.

Ameaça à É CRIME FORMAL


Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e
grave:
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.

Seqüestro e cárcere privado à PRAZO DA PRISÃO TEMPORÁRIA : 5 + 5 DIAS


Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.

§ 1º - A pena é de reclusão, de 2 a 5 anos:


I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de 15 dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. à ANTIGO “RAPTO VIOLENTO” (PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVO-
TÍPICA)
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos.

Redução a condição análoga à de escravo à TAMBÉM CHAMADO DE “PLÁGIO”; COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

@dicasexconcurseira 138
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer
sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida
contraída com o empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

§1o Nas mesmas penas incorre quem:


I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho;
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o
fim de retê-lo no local de trabalho.

§2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:


I – contra criança ou adolescente;
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.

DE OLHO NA JURIS! Redução a condição análoga à de escravo (art. 149 do CP)


Para configurar o delito do art. 149 do Código Penal (redução a condição análoga à de escravo) NÃO É imprescindível a restrição
à liberdade de locomoção dos trabalhadores. O delito pode ser praticado por meio de outras condutas como no caso em que os
trabalhadores são sujeitados a condições degradantes, subumanas. STJ. 3ª Seção. CC 127937-GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 28/5/2014 (Info 543).

Tráfico de Pessoas
Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça,
violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - adoção ilegal; ou
V - exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 a 8 anos, e multa.

§1o A pena é aumentada de um 1/3 até a 1/2 se:


I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de dependência econômica,
de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional.

§2o A pena é reduzida de 1/3 a 2/3 se o agente for primário E não integrar organização criminosa.

SEÇÃO II
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO

Violação de domicílio à CRIME FORMAL


Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em
casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de 1 a 3 meses, ou multa.

§1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por 2 ou mais
pessoas:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência.

§2º - Aumenta-se a pena de um 1/3, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos legais, ou com inobservância
das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.

§3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:

@dicasexconcurseira 139
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.

§4º - A expressão "casa" compreende:


I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.

§5º - Não se compreendem na expressão "casa":


I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo
anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

DE OLHO NA JURIS! Invasão de domicílio (art. 150 do CP)


Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do CP) o ingresso e a permanência, sem autorização, em gabinete de Delegado
de Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos. No caso concreto, dezenas de manifestantes foram
até a Delegacia de Polícia Federal cobrar agilidade na conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos, decidiram
invadir o gabinete do Delegado. STJ. 5ª Turma. HC 298763-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/10/2014 (Info 549).

TÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

CAPÍTULO I
DO FURTO

Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.
§1º - A pena aumenta-se de 1/3, se o crime é praticado durante o repouso noturno. à ESTANDO OU NÃO A CASA HABITADA
§2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada (ATÉ 1 SALÁRIO-MÍNIMO), o juiz pode substituir a pena de
reclusão pela de detenção, diminuí-la de 1/3 a 2/3, ou aplicar somente a pena de multa. à FURTO PRIVILEGIADO
§3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. à NÃO SE PODE EQUIPARAR
LIGAÇÃO CLANDESTINA DE TV A CABO À “ENERGIA”, SOB PENA DE ANALOGIA IN MALAM PARTEM (STF, 2011).

DE OLHO NA JURIS! Adulterar o sistema de medição da energia elétrica para pagar menos que o devido: estelionato (não é
furto mediante fraude)
A alteração do sistema de medição, mediante fraude, para que aponte resultado menor do que o real consumo de energia
elétrica configura estelionato. Ex: as fases “A” e “B” do medidor foram isoladas por um material transparente, que permitia a
alteração do relógio fazendo com que fosse registrada menos energia do que a consumida. STJ. 5ª Turma. AREsp 1.418.119-DF,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 650).
Cuidado para não confundir:
• agente desvia a energia elétrica por meio de ligação clandestina (“gato”): crime de FURTO (há subtração e inversão da posse
do bem).
• agente altera o sistema de medição para que aponte resultado menor do que o real consumo: crime de ESTELIONATO.

O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica antes do recebimento da denúncia não é causa de extinção da
punibilidade
No caso de furto de energia elétrica mediante fraude, o adimplemento do débito antes do recebimento da denúncia não
extingue a punibilidade. O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento tributário,
de modo que o pagamento do débito antes do recebimento da denúncia não configura causa extintiva de punibilidade, mas
causa de redução de pena relativa ao arrependimento posterior (art. 16 do CP). Isso porque nos crimes contra a ordem
tributária, o legislador (Leis nº 9.249/1995 e nº 10.684/2003), ao consagrar a possibilidade da extinção da punibilidade pelo
pagamento do débito, adota política que visa a garantir a higidez do patrimônio público, somente. A sanção penal é invocada
pela norma tributária como forma de fortalecer a ideia de cumprimento da obrigação fiscal. Já nos crimes patrimoniais, como o
furto de energia elétrica, existe previsão legal específica de causa de diminuição da pena para os casos de pagamento da

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“dívida” antes do recebimento da denúncia. Em tais hipóteses, o Código Penal, em seu art. 16, prevê o instituto do
arrependimento posterior, que em nada afeta a pretensão punitiva, apenas constitui causa de diminuição da pena. Outrossim, a
jurisprudência se consolidou no sentido de que a natureza jurídica da remuneração pela prestação de serviço público, no caso
de fornecimento de energia elétrica, prestado por concessionária, é de tarifa ou preço público, não possuindo caráter tributário.
Não há como se atribuir o efeito pretendido aos diversos institutos legais, considerando que o disposto no art. 34 da Lei nº
9.249/1995 e no art. 9º da Lei nº 10.684/2003 fazem referência expressa e, por isso, taxativa, aos tributos e contribuições
sociais, não dizendo respeito às tarifas ou preços públicos. STJ. 3ª Seção. RHC 101299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min.
Joel Ilan Paciornik, julgado em 13/03/2019 (Info 645).

Furto qualificado à PODE INCIDIR O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


§4º - A pena é de reclusão de 2 a 8 anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; à PREVALECE NÃO INCIDIR O PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA. O ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO PARA QUALIFICAR O CRIME HÁ DE SER EXTERIOR À COISA SUBTRAÍDA; SE A
VIOLÊNCIA FOR EXERCIDA CONTRA O PRÓPRIO OBJETO VISADO, NÃO INCIDE A QUALIFICADORA.

II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;


III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de 2 ou mais pessoas.

DE OLHO NA JURIS! Causa de aumento do § 1º pode ser aplicada tanto para furto simples como qualificado
É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno (art. 155, § 1º) no caso de
furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º). Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e
as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é
possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em
1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) não é fator que
impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º). STF. 2ª Turma. HC 130952/MG, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 13/12/2016 (Info 851). STJ. 6ª Turma. HC 306450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014
(Info 554).

É possível o furto híbrido se a qualificadora for objetiva


Súmula 511-STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime de furto
qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/06/2014.

Destreza e excepcional habilidade sem ser descoberto


No crime de furto, não deve ser reconhecida a qualificadora da “destreza” (art. 155, § 4º, II, do CP) caso inexista comprovação
de que o agente tenha se valido de excepcional — incomum — habilidade para subtrair a coisa que se encontrava na posse da
vítima sem despertar-lhe a atenção. Destreza, para fins de furto qualificado, é a especial habilidade física ou manual que
permite ao agente subtrair bens em poder direto da vítima sem que ela perceba o furto. É o chamado “punguista”. STJ. 5ª
Turma. REsp 1478648-PR, Rel. para acórdão Min. Newton Trisotto (desembargador convocado do TJ/SC), julgado em
16/12/2014 (Info 554).

Furto qualificado mediante escalada pode ser provado por outras provas além da perícia
Para que seja configurado o furto qualificado mediante escalada é dispensável a realização de perícia, desde que existam outras
provas que demonstrem a ocorrência da escalada (exs: filmagem, fotos, testemunhos etc.). STJ. 5ª Turma. REsp 1392386-RS, Rel.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 3/9/2013 (Info 529).

Subtrair objeto do interior do automóvel mediante quebra do vidro: furto qualificado


A conduta de violar o automóvel, mediante a destruição do vidro para que seja subtraído bem que se encontre em seu interior
— no caso, um aparelho de som automotivo — configura o tipo penal de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo à
subtração da coisa, previsto no art. 155, § 4º, inciso I, do CP. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1364606-DF, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 22/10/2013 (Info 532). STJ. 3ª Seção. EREsp 1079847/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Terceira Seção, julgado em
22/05/2013.

§4º-A A pena é de reclusão de 4 a 10 anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo
comum.

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§5º - A pena é de reclusão de 3 a 8 anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro
Estado ou para o exterior.

§6o A pena é de reclusão de 2 a 5 anos se a subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido
em partes no local da subtração.

§7º A pena é de reclusão de 4 a 10 anos e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O CRIME DE FURTO


Momento consumativo
Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida de perseguição
ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. STJ. 3ª Seção. REsp 1524450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 14/10/2015 (recurso repetitivo) (Info 572). à ADOÇÃO DA TEORIA DA AMOTIO.

Sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a consumação do furto
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a tipificação do crime de furto. STF.
1ª Turma.HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Roberto Barroso, julgado em 10/4/2018 (Info
897).
Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de
estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.

Furto de “cofrinho” contendo R$ 4,80 de uma instituição de combate ao câncer, mediante induzimento de filho de 9 anos
Não se aplica o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo valor pecuniário de associação sem fins lucrativos
com o induzimento de filho menor a participar do ato. STJ. 6ª Turma. RHC 93472-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 15/03/2018 (Info 622).

Art. 102 do Estatuto do Idoso


Se o funcionário do banco recebe o cartão e a senha da idosa para auxiliá-la a sacar um dinheiro do caixa eletrônico e,
aproveitando a oportunidade, transfere quantias para a sua conta pessoal, tal conduta configura o crime previsto no art. 102 do
Estatuto do Idoso. STJ. 6ª Turma. REsp 1358865-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/9/2014 (Info 547).

CAPÍTULO II
DO ROUBO E DA EXTORSÃO
Roubo à É CRIME MATERIAL
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-
la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência (VIOLÊNCIA IMPRÓPRIA): à PARA CARACTERIZAR ESSA
VIOLÊNCIA DO TIPO BÁSICO DE ROUBO, É SUFICIENTE QUE OCORRA LESÃO CORPORAL LEVE OU SIMPLES VIAS DE FATO, NA
MEDIDA EM QUE LESÃO CORPORAL GRAVE E MORTE QUALIFICAM O CRIME (...). EMPURRÕES OU TROMPABAS, TIDO COMO
LEVES, UTILIZADOS APENAS COM A FINALIDADE DE DESVIAR A ATENÇÃO DA VÍTIMA NÃO TEM SIDO CONSIDERADOS IDÔNEOS
PARA CARACTERIZAR O CRIME DE ROUBO.

Pena - reclusão, de 4 a 10 anos, e multa.

§1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim
de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. à ROUBO IMPRÓPRIO/ POR
APROXIMAÇÃO à É CRIME FORMAL

DE OLHO NA JURIS! Súmula 582-STJ à ADOÇÃO DA TEORIA DA AMOTIO.


Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave
ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo
prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/09/2016, DJe 19/09/2016 (Info 590).

§2º A pena aumenta-se de 1/3 até 1/2: à CAUSAS DE AUMENTO DE PENA à ROUBO CIRCUNSTANCIADO/MAJORADO
I – (revogado);
II - se há o concurso de 2 ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores E o agente conhece tal circunstância.

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IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. à ESSA RESTRIÇÃO DEVE SE DAR POR, NO MÍNIMO,
20 MIN, E SERVE PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO DO ROUBO OU PARA SERVIR CONTRA A AÇÃO POLICIAL.
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação,
montagem ou emprego.
§2º-A A pena aumenta-se de 2/3:
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo
comum.

DE OLHO NA JURIS! Aumento decorrente da existência de pluralidade de majorantes


Se houver pluralidade de causas de aumento no crime de roubo (art. 157, § 2º do CP), o juiz não poderá incrementar a pena
aplicada com base unicamente no número de majorantes nem se valer de tabelas com frações matemáticas de aumento. Para
se proceder ao aumento, é necessário que o magistrado apresente fundamentação com base nas circunstâncias do caso
concreto (Súmula 443-STJ). STF. 2ª Turma. RHC 116676/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/8/2013 (Info 716).

Roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e participação de inimputável


Se um maior de idade pratica o roubo juntamente com um inimputável, esse roubo será majorado pelo concurso de pessoas
(art. 157, § 2º do CP). A participação do menor de idade pode ser considerada com o objetivo de caracterizar concurso de
pessoas para fins de aplicação da causa de aumento de pena no crime de roubo. STF. 1ª Turma. HC 110425/ES, rel. Min. Dias
Toffoli, 5/6/2012. STJ. 6ª Turma. HC 150849/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/08/2011.

Roubo circunstanciado pelo emprego de arma e desnecessidade de perícia


É necessário que a arma utilizada no roubo seja apreendida e periciada para que incida a majorante do art. 157, § 2º-A, I, do
Código Penal? NÃO. O reconhecimento da referida causa de aumento prescinde (dispensa) da apreensão e da realização de
perícia na arma, desde que o seu uso no roubo seja provado por outros meios de prova, tais como a palavra da vítima ou mesmo
de testemunhas. STF. 1ª Turma. HC 108034/MG, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 05/06/2012. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
1076476/RO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 449102/MS, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 09/10/2018.

Se, após o roubo, foi constatado que a arma estava desmuniciada no momento do crime, incide mesmo assim a majorante?
STJ: NÃO. O emprego de arma de fogo desmuniciada tem o condão de configurar a grave ameaça e tipificar o crime de roubo, no
entanto NÃO É suficiente para caracterizar a majorante do emprego de arma, pela ausência de potencialidade lesiva no
momento da prática do crime (STJ. 5ª Turma. HC 449.697/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 21/06/2018; STJ. 6ª Turma.
AgRg no REsp 1536939/SC , Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/10/2015).
STF: SIM. É irrelevante o fato de estar ou não municiada para que se configure a majorante do roubo (STF. 2ª Turma. RHC
115077 , Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 06/08/2013).

Se a arma é apreendida e periciada, sendo constatada a sua inaptidão, não se aplica a majorante do art. 157, § 2º-A, I, do CP
Se a arma é apreendia e periciada, sendo constatada a sua inaptidão para a produção de disparos, neste caso, não se aplica a
majorante do art. 157, § 2º-A, I, do CP, sendo considerado roubo simples (art. 157, caput, do CP). O legislador, ao prever a
majorante descrita no referido dispositivo, buscou punir com maior rigor o indivíduo que empregou artefato apto a lesar a
integridade física do ofendido, representando perigo real, o que não ocorre na hipótese de instrumento notadamente sem
potencialidade lesiva. Assim, a utilização de arma de fogo que não tenha potencial lesivo afasta a mencionada majorante, mas
não a grave ameaça, que constitui elemento do tipo “roubo” na sua forma simples. STJ. 6ª Turma. HC 247669-SP, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/12/2012.

Roubo: o fato de ter sido usado arma, por si só, não impõe o regime inicial fechado
No crime de roubo, o emprego de arma de fogo não autoriza, por si só, a imposição do regime inicial fechado se, primário o réu,
a pena-base foi fixada no mínimo legal. STJ. 5ª Turma. HC 309939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do
TJ-SC), julgado em 28/4/2015 (Info 562).

Além do roubo circunstanciado, o agente responderá também pelo porte ilegal de arma de fogo (art. 14 ou 16, da Lei nº
10.826/2003)?
Em regra, não. Geralmente, o crime de porte ilegal de arma de fogo é absorvido pelo crime de roubo circunstanciado. Aplica-se
o princípio da consunção, considerando que o porte ilegal de arma de fogo funciona como crime meio para a prática do roubo
(crime fim), sendo por este absorvido. A conduta de portar arma ilegalmente é absorvida pelo crime de roubo, quando, ao longo
da instrução criminal, restar evidenciado o nexo de dependência ou de subordinação entre as duas condutas e que os delitos

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foram praticados em um mesmo contexto fático, incidindo, assim, o princípio da consunção (STJ HC 178.561/DF). No entanto,
poderá haver condenação pelo crime de porte em concurso material com o roubo se ficar provado nos autos que o agente
portava ilegalmente a arma de fogo em outras oportunidades antes ou depois do crime de roubo e que ele não se utilizou da
arma tão somente para cometer o crime patrimonial. Ex: “Tício”, às 13h, mediante emprego de um revólver, praticou roubo
contra “Caio”, que estava na parada de ônibus (art. 157, § 2º-A, I, CP). No mesmo dia, por volta das 14h 30min, em uma blitz de
rotina da polícia (sem que os policiais soubessem do roubo ocorrido), “Ticio” foi preso com os pertences da vítima e com o
revólver empregado no assalto. Em um caso semelhante a esse, a 5ª Turma do STJ reconheceu o concurso material entre o
roubo e o delito do art. 14, da Lei nº 10.826/2003, afastando o princípio da consunção. STJ. 5ª Turma. HC 199031/RJ, Rel.
Ministro Jorge Mussi, 5ª Turma, julgado em 21/06/2011. STF. 1ª Turma. RHC 106067, Rel. Min. Rosa Weber, 1ª Turma, julgado
em 26/06/2012.

Abolitio criminis promovida pela Lei 13.654/2018 no roubo


O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo com a modificação operada pela Lei nº 13.654/2018,
que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante disso, constata-se que houve abolitio criminis, devendo a Lei
nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para excluir a referida causa de aumento da pena imposta aos réus condenados
por roubo majorado pelo emprego de arma branca. Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius, prevista no art. 5º, XL, da
Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018 (Info 626). STJ. 6ª Turma.
AgRg no AREsp 1249427/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/06/2018.

Causa de aumento incidente no caso de a vítima estar em serviço de transporte de valores


O inciso III do § 2º do art. 157 do Código Penal prevê que a pena do delito de roubo é majorada se a vítima estava em serviço de
transporte de valores e o agente conhecia essa circunstância. Quando o dispositivo fala em “transporte de valores” não se
restringe a dinheiro em espécie, abrangendo outros bens e produtos que possuam expressão econômica. No caso concreto, o
STJ reconheceu que incide a majorante prevista no inciso III do § 2º do art. 157 do CP na hipótese em que o autor praticou o
roubo ciente de que as vítimas, funcionários dos Correios, transportavam grande quantidade de produtos cosméticos de
expressivo valor econômico e liquidez. STJ. 5ª Turma. REsp 1309966-RJ, Min. Rel. Laurita Vaz, julgado em 26/8/2014 (Info 548).

§3º Se da violência resulta: à ROUBOS QUALIFICADOS


I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 a 18 anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 a 30 anos, e multa. à LATROCÍNIO

DE OLHO NA JURIS! As causas de aumento de pena do § 2º do art. 157 não se aplicam para o § 3º
As causas de aumento de pena do § 2º do art. 157 do CP não se aplicam para o roubo qualificado pela lesão corporal grave nem
para o latrocínio, previstos no § 3º do art. 157. STJ. 6ª Turma. HC 330831/RO, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado
em 03/09/2015.

Consumação do latrocínio
Súmula 610-STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da
vítima.

O que fazer se foi atingido um único patrimônio, mas houve pluralidade de mortes?
Carlos e Luiza estão entrando no carro quando são rendidos por João, assaltante armado, que deseja subtrair o veículo. Carlos
acaba reagindo e João atira contra ele e Luiza, matando o casal. João foge levando o carro. Haverá dois crimes de latrocínio em
concurso formal de ou um único crime de latrocínio?
STJ: concurso formal impróprio.
STF e doutrina majoritária: um único crime de latrocínio. STJ. 5ª Turma. HC 336680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
17/11/2015. STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

Caracterização do latrocínio independentemente do grau das lesões


Latrocínio é o crime de roubo qualificado pelo resultado, em que o dolo inicial é o de subtrair coisa, sendo que as lesões
corporais ou a morte são decorrentes da violência empregada. Embora haja divergência, prevalece no STJ que, se o agente
consegue subtrair o bem da vítima, mas não tem êxito em matá-la, há tentativa de latrocínio, desde que fique comprovado que
havia dolo de subtrair e dolo de matar. Por esta razão, a jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que o crime de
latrocínio tentado se caracteriza independentemente da natureza das lesões sofridas pela vítima (se leves, graves, gravíssimas),
bastando que o agente, no decorrer do roubo, tenha agido com o desígnio de matá-la. Assim, como a gravidade das lesões
experimentadas pela vítima não influencia para a caracterização da tentativa de latrocínio, pouco importa que o laudo pericial

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que atestou as lesões tenha irregularidades. STJ. 5ª Turma. HC 201175-MS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/4/2013 (Info
521).

Latrocínio e cooperação dolosamente distinta


Em regra, o coautor que participa de roubo armado responde pelo latrocínio ainda que o disparo tenha sido efetuado só pelo
comparsa. Essa é a jurisprudência do STJ e do STF. Entretanto, se um dos agentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste. Logo, se o coautor que não atirou não queria participar do latrocínio, não responderá por esse crime mais
grave. STF. 1ª Turma. HC 109151/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2012 (Info 670).

Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que matou a vítima tenha sido efetuado
pelo corréu
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde pelo crime de latrocínio,
ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação se revele de menor importância. Ex: João e Pedro
combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no
veículo que estava estacionado. Os assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar
o casal no cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, Ricardo e
Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia responder apenas por roubo
majorado (art. 157, § 2º, I e II) alegando que não participou nem queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser aplicado o
art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente
de que atuava em crime de roubo, no qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. STF. 1ª Turma.
RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855). Atenção: vide STF. 1ª Turma. HC 109151/RJ, Rel.
Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2012 (Info 670).

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O CRIME DE ROUBO


Grave ameaça/violência contra mais de uma pessoa, mas subtração de um só patrimônio
No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio, estará configurado apenas um
crime, ainda que, no modus operandi (modo de execução), seja utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa
para a obtenção do resultado pretendido. Ex: Maria estava saindo do banco, acompanhada de seu segurança. João, de arma em
punho, deu uma coronhada no segurança, causando lesão leve, e subtraiu a mala que pertencia a Maria. O agente praticou um
único roubo majorado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º, I do CP), considerando que somente um patrimônio foi
atingido. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1490894-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015 (Info 556).

Roubo praticado no interior de ônibus sendo que o sujeito rouba apenas o dinheiro que estava com o cobrador
O sujeito entra no ônibus e, com arma em punho, subtrai apenas os bens que estavam na posse do cobrador de ônibus: R$
30,00 e um aparelho celular, pertencentes ao funcionário, e R$ 70,00 que eram da empresa de transporte coletivo. Quantos
crimes ele terá praticado? Um único crime (art. 157, § 2º, I, do CP). Em caso de roubo praticado no interior de ônibus, o fato de
a conduta ter ocasionado violação de patrimônios distintos (o da empresa de transporte coletivo e o do cobrador) não
descaracteriza a ocorrência de crime único se todos os bens subtraídos estavam na posse do cobrador. No voto, o Ministro
relembrou que a jurisprudência do STJ e do STF entende que o roubo perpetrado com violação de patrimônios de diferentes
vítimas, ainda que em um único evento, configura concurso formal de crimes, e não crime único (vimos isso acima). Todavia,
para ele, esse mesmo entendimento não pode ser aplicado ao caso em que os bens subtraídos, embora pertençam a pessoas
distintas, estavam sob os cuidados de uma única pessoa, que sofreu a grave ameaça ou violência. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp
1396144-DF, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador Convocado do TJ/SP), julgado em 23/10/2014 (Info 551).

Roubo praticado no interior de ônibus atingindo patrimônios distintos


Imagine a seguinte situação: o sujeito entra no ônibus e, com arma em punho, subtrai os pertences de oito passageiros. Quantos
crimes ele terá praticado? O agente irá responder por oito roubos majorados (art. 157, § 2º, I, do CP) em concurso formal (art.
70). Atenção: não se trata, portanto, de crime único. Confira: (...) É entendimento desta Corte Superior que o roubo perpetrado
contra diversas vítimas, ainda que ocorra num único evento, configura o concurso formal e não o crime único, ante a pluralidade
de bens jurídicos tutelados ofendidos. (...) (STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 389.861/MG , Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 18/06/2014) Nesse caso, o concurso formal é próprio ou impróprio? Segundo a jurisprudência majoritária, consiste em
concurso formal PRÓPRIO. Veja: (...) Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas, no mesmo
contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios
distintos. (...) STJ. 6ª Turma. HC 197684/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 18/06/2012. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp
1189138/MG , Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 11/06/2013. STJ. 5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 02/08/2018.

@dicasexconcurseira 145
Roubo de uso é crime
Furto de uso: NÃO é crime (fato atípico).
Roubo de uso: É crime (configura o art. 157 do CP).
STJ. 5ª Turma. REsp 1323275-GO, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/4/2014 (Info 539).

Prostituta que arranca cordão de cliente que não quis pagar o programa responde por exercício arbitrário das próprias razões
A prostituta maior de idade e não vulnerável que, considerando estar exercendo pretensão legítima, arranca cordão do pescoço
de seu cliente pelo fato de ele não ter pago pelo serviço sexual combinado e praticado consensualmente, pratica o crime de
exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do CP) e não roubo (art. 157 do CP). STJ. 6ª Turma. HC 211888-TO, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/5/2016 (Info 584).

Extorsão à CRIME FORMAL; PARA A SUA CONSUMAÇÃO, É DE SUMA IMPORTÂNCIA A PARTICIPAÇÃO DO CONSTRANGIDO
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida
vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de 4 a 10 anos, e multa.

§1º - Se o crime é cometido por 2 ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um 1/3 até 1/2.

§2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no §3º do artigo anterior. à EXTORSÃO QUALIFICADA, NOS
CASOS DE HAVER O RESULTADO LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE.

§3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, E essa condição é necessária para a obtenção da
vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 a 12 anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se
as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. à É O CHAMADO “SEQUESTRO RELÂMPAGO”, QUE É
TECNICAMENTE UMA HIPÓTESE DE ROUBO QUALIFICADO. SE, DO SEQUESTRO RELÂMPAGO RESULTAR LESÃO CORPORAL GRAVE
OU MORTE, A PENA É AUMENTADA AINDA MAIS.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O CRIME DE EXTORSÃO


Incide a majorante do § 1º do art. 158 do CP no caso da extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º)
O § 1º do art. 158 do CP prevê que se a extorsão é cometida por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, a pena deverá
ser aumentada de um terço até metade. Essa causa de aumento prevista no § 1º do art. 158 do CP pode ser aplicada tanto para
a extorsão simples (caput do art. 158) como também para o caso de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (§
3º). Assim, é possível que o agente seja condenado por extorsão pela restrição da liberdade da vítima (§ 3º) e, na terceira fase
da dosimetria, o juiz aumente a pena de 1/3 até 1/2 se o crime foi cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de
arma (§ 1º). STJ. 5ª Turma. REsp 1353693-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/9/2016 (Info 590).

A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um "mal espiritual" na vítima
O crime de extorsão consiste em "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou
para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa" A ameaça de causar um
"mal espiritual" contra a vítima pode ser considerada como "grave ameaça" para fins de configuração do crime de extorsão?
SIM. Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete vítima à grave ameaça espiritual que se
revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem econômica indevida. STJ. 6ª Turma. REsp
1299021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017 (Info 598).

Ameaça de causar prejuízo econômico à vítima pode configurar extorsão


Se o agente ameaça causar um prejuízo econômico à vítima, ainda assim haverá extorsão? A grave ameaça prevista no art. 158
pode ser econômica? SIM. O STJ decidiu que a extorsão pode ser feita mediante ameaça de causar um prejuízo econômico.
Assim, não se exige que a ameaça se dirija apenas contra a integridade física ou moral da vítima. No caso concreto julgado, o
agente estava com o carro da vítima e exigiu que ela fizesse o pagamento a ele de determinada quantia em dinheiro. Caso o
pedido não fosse atendido, ele prometeu destruir o veículo. Dessa forma, o STJ decidiu que pode configurar o crime de extorsão
a exigência de pagamento em troca da devolução do veículo furtado, sob a ameaça de destruição do bem. STJ. 5ª Turma. REsp
1207155-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 7/11/2013 (Info 531).

Consumação do crime de extorsão


Não se consuma o crime de extorsão quando, apesar de ameaçada, a vítima não se submete à vontade do criminoso, ou seja,
não assume o comportamento exigido pelo agente. Nesse caso, haverá tentativa de extorsão. STJ. 6ª Turma. REsp 1094888-SP,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/8/2012 (Info 502).

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Extorsão mediante sequestro à CRIME FORMAL
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do
resgate:
Pena - reclusão, de 8 a 15 anos.

§1o Se o seqüestro dura mais de 24 horas, se o seqüestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos, ou se o crime é cometido por
bando ou quadrilha (ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA).
Pena - reclusão, de 12 a 20 anos.

§2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:


Pena - reclusão, de 16 a 24 anos.

§3º - Se resulta a morte:


Pena - reclusão, de 24 a 30 anos.

§4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do seqüestrado,
terá sua pena reduzida de 1/3 a 2/3. à DELAÇÃO PREMIADA.

CAPÍTULO IV
DO DANO

Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa
pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de 6 meses a 3 anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

DE OLHO NA JURIS! Destruição de acessões feitas em terras indígenas pode configurar dano qualificado
Se um indivíduo que tinha uma fazenda em uma terra indígena, ao receber ordem para desocupar o local, destrói as acessões
(construções e plantações) que havia feito no local, ele pratica, em tese, o delito de dano qualificado (art. 163, parágrafo único,
III, do CP). Isso porque essas terras pertencem à União (art. 20, XI, da CF/88), de forma que, consequentemente, as acessões
também são patrimônio público federal. STF. 2ª Turma. Inq 3670/RR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/9/2014 (Info
760).

Crime de dano praticado contra a Caixa Econômica


O STJ entendia que dano doloso praticado contra a Caixa Econômica Federal era considerado como crime de dano simples (art.
163, caput, do CP), não podendo ser caracterizado como dano qualificado (art. 163, parágrafo único, III). Isso porque o
legislador, ao prever a redação do referido inciso III não incluiu neste rol as empresas públicas. Logo, não estando
expressamente prevista a empresa pública no art. 163, parágrafo único, III, do CP, não é possível incluí-la por meio de
interpretação uma vez que isso seria realizar analogia em prejuízo ao réu, o que não é permitido no Direito Penal. STJ. 5ª Turma.
RHC 57544-SP, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ-PE), julgado em 6/8/2015 (Info 567).
Atenção. O julgado acima está superado. A Lei nº 13.531/2017 corrigiu essa falha e incluiu o “Distrito Federal”, as “autarquias”,
as “fundações” e as “empresas públicas” no rol do inciso III do parágrafo único do art. 163 do CP.

Dano contra o patrimônio do Distrito Federal


O art. 163, parágrafo único, III, do CP prevê que o dano será qualificado no caso de ter sido praticado contra o patrimônio da
União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. Como o inciso III não
falava no “Distrito Federal”, o STJ entendia que a conduta de destruir, inutilizar ou deteriorar o patrimônio do DF não
configurava, por si só, o crime de dano qualificado, subsumindo-se, em tese, à modalidade simples do delito. É inadmissível a
realização de analogia in malam partem a fim de ampliar o rol contido no art. 163, III, do CP, incluindo o Distrito Federal. STJ. 6ª

@dicasexconcurseira 147
Turma. HC 154051-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2012 (Info 515). Atenção. O julgado acima está
superado. A Lei nº 13.531/2017 corrigiu essa falha e incluiu o “Distrito Federal”, as “autarquias”, as “fundações” e as “empresas
públicas” no rol do inciso III do parágrafo único do art. 163 do CP.

CAPÍTULO V
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA

Apropriação indébita à CRIME MATERIAL


Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.

Aumento de pena
§1º - A pena é aumentada de 1/3, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.

DE OLHO NA JURIS! O síndico mencionado no inciso II do § 1º, do art. 168, do CP não é o síndico de condomínio edilício
O "síndico" mencionado no inciso II do § 1º, do art. 168, do Código Penal é o síndico da massa falida (atualmente denominado
"administrador judicial" da falência ou recuperação judicial - Lei nº 11.101/2005), e não o síndico de condomínio edilício. Por
essa razão, não se aplica esta causa de aumento para o caso de um síndico de condomínio edilício que se apropriou de valores
pertencentes ao condomínio para efetuar pagamento de contas pessoais. STJ. 5ª Turma. REsp 1552919-SP, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 24/5/2016 (Info 584).

Ressarcimento em acordo homologado no juízo cível e sua repercussão no criminal


A advogada ficou com o dinheiro recebido pelo cliente e só devolveu a quantia após ser demandada judicialmente e fazer
acordo em ação de cobrança. Vale ressaltar que, a esta altura, já havia um inquérito policial instaurado para apurar eventual
crime de apropriação indébita. O STF, com base em peculiaridades do caso concreto, decidiu trancar a ação penal por falta de
justa causa. Salientou-se que o acordo firmado no juízo cível que colocou fim à pendência ocorreu em novembro de 2012 e a
denúncia só foi formalizada quase um ano após. Além disso, o juiz do processo cível determinou a comunicação à Delegacia de
Polícia sobre o acordo. Diante desses fatos, a 1ª Turma entendeu que a situação seria excepcional e suficiente para se trancar a
ação penal. Entendeu-se que a relação jurídica cível repercute porque o acerto de contas se deu em data anterior à propositura
da ação penal. STF. 1ª Turma. RHC 125283/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/8/2015 (Info 793).

Descumprimento de obrigação contratual não consiste, como regra, em crime


O simples descumprimento de uma obrigação contratual, sem que ocorra a indicação de elementos concretos do ilícito penal,
não pode ensejar uma ação penal contra o inadimplente. Assim, o STJ considerou atípica a conduta do advogado que,
contratado para patrocinar os interesses de determinada pessoa em juízo, não cumpriu o pactuado, apesar do recebimento de
parcela do valor dos honorários contratuais. STJ. 6ª Turma. HC 174013-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/6/2013 (Info
527).

Apropriação indébita previdenciária à SERÁ DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL, EM REGRA


Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou
convencional*:
Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

* Forma legal = previdência oficial


Forma convencional = previdência privada

§1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:


I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de
pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de
produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela
previdência social.

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§2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições,
importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do
início da ação fiscal.

§3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL) ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de
bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social
previdenciária, inclusive acessórios; ou
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscal (20 MIL REAIS).

§4o A faculdade prevista no §3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo valor, inclusive dos
acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções
fiscais.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA


Efeitos da suspensão da exigibilidade de crédito tributário na prescrição da pretensão punitiva
A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP) permanece suspensa
enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo
cível. Isso porque a decisão cível acerca da exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da
própria existência do tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material, que
pressupõe, para sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma. RHC 51596-SP, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556).

Apropriação indébita de contribuição previdenciária não exige "dolo específico"


Para a caracterização do crime de apropriação indébita de contribuição previdenciária (art. 168-A do CP), não há necessidade de
comprovação do “dolo específico” de se apropriar de valores destinados à previdência social. STJ. 6ª Turma. AgRg no Ag
1083.417-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/6/2013 (Info 526). STJ. 3ª Seção. EREsp 1296631-RN, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 11/9/2013 (Info 528).

CAPÍTULO VI
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES

Estelionato à CRIME MATERIAL DE DUPLO RESULTADO = EFETIVA OBTENÇÃO DA VANTAGEM INDEVIDA + LESÃO PATRIMONIAL
DE OUTREM
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante
artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.

§1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, §2º
(FURTO PRIVILEGIADO). à ESTELIONATO PRIVILEGIADO

§2º - Nas mesmas penas incorre quem:


Disposição de coisa alheia como própria à CRIME DE DUPLA SUBJETIVIDADE PASSIVA: O ADQUIRENTE DE BOA-FÉ + REAL
PROPRIETÁRIO DA COISA; DISPENSA A TRADIÇÃO OU O REGISTRO PARA A CONSUMAÇÃO.
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;

Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria


II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que
prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias;

Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse
do objeto empenhado;

Fraude na entrega de coisa


IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;

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Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro à ÚNICA MODALIDADE DE ESTELIONATO FORMAL, QUE SE
CONSUMA COM O EMPREGO DA FRAUDE, INDEPENDENTEMENTE DO RECEBIMENTO DA INDENIZAÇÃO
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da
lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro;
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.

DE OLHO NA JURIS! A Súmula 554 do STF não se aplica ao estelionato no seu tipo fundamental (art. 171, caput)
A jurisprudência afirma que a Súmula 554 do STF aplica-se unicamente para o crime de estelionato na modalidade de emissão
de cheque sem fundos (art. 171, § 2º, VI). Assim, a referida súmula não se aplica ao estelionato no seu tipo fundamental (art.
171, caput). Dessa forma, não configura óbice ao prosseguimento da ação penal — mas sim causa de diminuição de pena (art.
16 do CP) — o ressarcimento integral e voluntário, antes do recebimento da denúncia, do dano decorrente de estelionato
praticado mediante a emissão de cheque furtado sem provisão de fundos. STJ. 5ª Turma. HC 280089-SP, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 18/2/2014 (Info 537).

§3º - A pena aumenta-se de 1/3, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia
popular, assistência social ou beneficência.

DE OLHO NA JURIS! Estelionato previdenciário (art. 171, § 3º do CP): crime permanente ou instantâneo?
O estelionato previdenciário é crime “permanente” ou “instantâneo de efeitos permanentes”?
• Quando praticado pelo próprio beneficiário: é PERMANENTE.
• Quando praticado por terceiro diferente do beneficiário: é INSTANTÂNEO de efeitos permanentes.
STF. 1ª Turma. HC 102049, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/11/2011. STJ. 6ª Turma. HC 190071/RJ, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, julgado em 02/05/2013.

Estelionato contra idoso


§4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O CRIME DE ESTELIONATO


O chamado “estelionato judicial” é conduta atípica
O estelionato judicial consistiria no uso do processo judicial para auferir lucros ou vantagens indevidas, mediante fraude, ardil
ou engodo, ludibriando a Justiça. A jurisprudência entende que esta conduta é penalmente atípica e não configura o delito do
art. 171 do CP. Assim, não configura crime de “estelionato judicial” a conduta de fazer afirmações possivelmente falsas, com
base em documentos também tidos por adulterados, em ação judicial. Isso porque a Constituição Federal assegura à parte o
acesso ao Poder Judiciário. O processo tem natureza dialética, possibilitando o exercício do contraditório e a interposição dos
recursos cabíveis, não se podendo falar, no caso, em “indução em erro” do magistrado. Desse modo, verifica-se atipicidade
penal da conduta de invocar causa de pedir remota inexistente para alcançar consequências jurídicas pretendidas, mesmo que a
parte ou seu procurador tenham ciência da ilegitimidade da demanda. A deslealdade processual é combatida por meio do
Código de Processo Civil, que prevê a condenação do litigante de má-fé ao pagamento de multa, e ainda passível de punição
disciplinar no âmbito do Estatuto da Advocacia. Assim, o chamado “estelionato judicial” pode ensejar infrações civil e
administrativa, mas não configura crime. Vale ressaltar que o indivíduo poderá responder por eventual ilicitude dos documentos
que embasaram o pedido judicial, sendo isso, contudo, um crime autônomo (ex: falsidade documental), que não se confunde
com a imputação de estelionato judicial. STJ. 5ª Turma. HC 435.818/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 03/05/2018. STJ. 6ª
Turma. RHC 88.623/PB, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018.

Estelionato e competência no caso em que o prejuízo ocorreu em local diferente da obtenção da vantagem
Nos termos do art. 70 do CPP, a competência é, em regra, determinada pelo lugar em que se consuma a infração penal ou, no
caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. O delito de estelionato consuma-se no local em
que ocorre o efetivo prejuízo à vítima, ou seja, na localidade da agência onde a vítima possuía a conta bancária. Assim, a
competência para o processo e julgamento do estelionato deve ser o local em que a vítima mantém a conta bancária. Ex: João,
famoso estelionatário que mora em Belo Horizonte (MG), ligou para a casa de Maria, uma senhora que reside em Campo
Grande (MS). Na conversa, João afirmou que trabalhava no Governo e que Maria tinha direito de receber de volta R$ 10 mil de
impostos pagos a mais. Para isso, no entanto, ela precisaria apenas depositar previamente R$ 1 mil a título de honorários
advocatícios em uma conta bancária cujo número ele forneceu. Maria, toda contente, depositou o valor na conta bancária,
pertencente a João, que no dia seguinte, foi até a sua agência, em Belo Horizonte (MG) e sacou a quantia. João praticou o crime
de estelionato (art. 171 do CP). A competência para processar e julgar o crime será da vara criminal de Campo Grande (lugar

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onde ocorreu o dano efetivo). STJ. 3ª Seção. CC 147811/CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/09/2016. STJ. 3ª Seção. AgRg
no CC 146524/SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 22/03/2017.

Aumento de pena-base fundado na confiança da vítima no autor de estelionato


O cometimento de estelionato em detrimento de vítima que conhecia o autor do delito e lhe depositava total confiança justifica
a exasperação da pena-base em razão da consideração desfavorável das circunstâncias do crime. Existe um plus de
reprovabilidade pelo fato de o agente ter escolhido para ser vítima do delito uma pessoa conhecida que lhe depositava total
confiança. STJ. 6ª Turma. HC 332676-PE, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em
17/12/2015 (Info 576).

Hipótese de inaplicabilidade do princípio da consunção com o furto/roubo


O delito de estelionato não será absorvido pelo de roubo na hipótese em que o agente, dias após roubar um veículo e os objetos
pessoais dos seus ocupantes, entre eles um talonário de cheques, visando obter vantagem ilícita, preenche uma de suas folhas
e, diretamente na agência bancária, tenta sacar a quantia nela lançada. A falsificação da cártula não é mero exaurimento do
crime antecedente. Isso porque há diversidade de desígnios e de bens jurídicos lesados. Dessa forma, inaplicável o princípio da
consunção. STJ. 5ª Turma. HC 309939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), julgado em
28/4/2015 (Info 562).

Estelionato e devolução da vantagem antes do recebimento da denúncia


O art. 9º da Lei 10.684/2003 prevê que o pagamento integral do débito fiscal realizado pelo réu é causa de extinção de sua
punibilidade. Imagine que determinado indivíduo tenha praticado estelionato contra o INSS, conhecido como estelionato
previdenciário (art. 171, § 3º do CP). Antes do recebimento da denúncia, o agente paga integralmente o prejuízo sofrido pela
autarquia. Isso poderá extinguir sua punibilidade, com base no art. 9º da Lei 10.684/2003? NÃO. Não extingue a punibilidade do
crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do CP) a devolução à Previdência Social, antes do recebimento da denúncia,
da vantagem percebida ilicitamente.
O art. 9º da Lei 10.684/2003 menciona os crimes aos quais são aplicadas suas regras:
a) arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90;
b) art. 168-A do CP (apropriação indébita previdenciária);
c) Art. 337-A do CP (sonegação de contribuição previdenciária).
Repare, portanto, que o estelionato previdenciário (art. 171, § 3º do CP) não está listado nessa lei. Mesmo sem o estelionato
previdenciário estar previsto, não é possível aplicar essas regras por analogia em favor do réu? NÃO. O art. 9º da Lei
10.684/2003 somente abrange crimes tributários materiais, delitos que são ontologicamente distintos do estelionato
previdenciário e que protegem bens jurídicos diferentes. Dessa forma, não há lacuna involuntária na lei penal a demandar
analogia. O fato de o agente ter pago integralmente o prejuízo trará algum benefício penal? SIM. O agente poderá ter direito de
receber o benefício do arrependimento posterior, tendo sua pena reduzida de 1/3 a 2/3 (art. 16 do CP). STJ. 6ª Turma. REsp
1380672-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 24/3/2015 (Info 559).

Pessoa que, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em seu lugar: estelionato em continuidade
delitiva
Se a pessoa, após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o benefício em seu lugar, mediante a utilização do
cartão magnético do falecido, pratica o crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do CP) em continuidade delitiva.
Segundo o STJ, nessa situação, não se verifica a ocorrência de crime único, pois a fraude é praticada reiteradamente, todos os
meses, a cada utilização do cartão magnético do beneficiário já falecido. Assim, configurada a reiteração criminosa nas mesmas
condições de tempo, lugar e maneira de execução, tem incidência a regra da continuidade delitiva prevista no art. 71 do CP. A
hipótese, ressalte-se, difere dos casos em que o estelionato é praticado pelo próprio beneficiário e daqueles em que o não
beneficiário insere dados falsos no sistema do INSS visando beneficiar outrem; pois, segundo a jurisprudência do STJ e do STF,
nessas situações, o crime deve ser considerado único, de modo a impedir o reconhecimento da continuidade delitiva. STJ. 6ª
Turma. REsp 1282118-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/2/2013 (Info 516).

Cola eletrônica
A “cola eletrônica”, antes do advento da Lei nº 12.550/2011, era uma conduta atípica, não configurando o crime de estelionato.
STJ. 5ª Turma. HC 245039-CE, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 9/10/2012.

Advogado que cobra honorários de cliente beneficiado pela justiça gratuita não pratica crime
Advogado pode cobrar honorários contratuais de seu cliente no caso de êxito da ação, ainda que este seja beneficiário da justiça
gratuita. Não há qualquer ilegalidade ou crime nessa conduta. STF. 1ª Turma. HC 95058/ES, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
4/9/2012.

@dicasexconcurseira 151
à Informativo 571 do STJ: Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e julgar tentativa de estelionato
consistente em tentar receber, mediante fraude, em agência do Banco do Brasil, valores relativos a precatório federal creditado
em favor de particular.

CAPÍTULO VII
DA RECEPTAÇÃO

Receptação
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar (RECEPTAÇÃO PRÓPRIA à CRIME MATERIAL), em proveito próprio
ou alheio, coisa que sabe (DOLO DIRETO) ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou
oculte (RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA à CRIME FORMAL):
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.

Receptação qualificada
§1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou
de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber
(“DEVE SABER” OU “SABE”à INCLUI DOLO DIRETO E O EVENTUAL) ser produto de crime:
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.

DE OLHO NA JURIS! Constitucionalidade do § 1º do art. 180 do CP


O STF entende que o § 1º do art. 180 do CP é CONSTITUCIONAL. O objetivo do legislador ao criar a figura típica da receptação
qualificada foi justamente a de punir de forma mais gravosa o comerciante ou industrial que, em razão do exercício de sua
atividade, pratica alguma das condutas descritas no referido § 1°, valendo-se de sua maior facilidade para tanto devido à
infraestrutura que lhe favorece. O crime foi qualificado pelo legislador em razão da condição do agente que, por sua atividade
profissional, merece ser mais severamente punido com base na maior reprovabilidade de sua conduta. Para o STF, o § 1º do art.
180 pune tanto o agente que atua com dolo eventual como também no caso de dolo direto. STF. 1ª Turma. RHC 117143/RS, rel.
Min. Rosa Weber, 25/6/2013 (Info 712).

§2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino,
inclusive o exercício em residência.

§3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a
oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: à RECEPTAÇÃO CULPOSA
Pena - detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa, ou ambas as penas.

§4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.

§5º - Na hipótese do §3º (RECEPTAÇÃO CULPOSA), se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as
circunstâncias, deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL). Na receptação dolosa aplica-se o disposto no §2º do art. 155
(FURTO PRIVILEGIADO) à RECEPTAÇÃO PRIVILEGIADA.

§6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública,
empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena
prevista no caput deste artigo.

Receptação de animal
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de produção ou de
comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de
crime:
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

@dicasexconcurseira 152
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título (CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO), em
prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.

Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: à ESCUSAS
RELATIVAS
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:


I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.

DE OLHO NA JURIS! Furto e imunidade patrimonial


A coabitação, de que trata o art. 182, III do CP, significa residência conjunta quando da prática do crime, o que não se confunde
com a mera hospedagem, a qual tem caráter temporário. STJ. 6ª Turma. REsp 1065086-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 16/2/2012.

TÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL

CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

Violação de direito autoral


Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: à SE PROCEDE MEDIANTE QUEIXA DO OFENDIDO.
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

§1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo,
de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou
executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.

§2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga,
introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação
do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os
represente.

§3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que
permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por
quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do
artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.

§4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são
conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou
fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.

@dicasexconcurseira 153
DE OLHO NA JURIS! Tipicidade da venda de CDs piratas
Súmula 502-STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no artigo 184, parágrafo
2º, do Código Penal, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.

Crime de violação de direito autoral: basta a perícia por amostragem


Súmula 574-STJ: Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de sua materialidade, é suficiente
a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação
dos titulares dos direitos autorais violados ou daqueles que os representem.

TÍTULO VI
DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL

Estupro
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com
ele se pratique outro ato libidinoso:
Pena - reclusão, de 6 a 10 anos.

à STF E STJ: É DISPENSÁVEL A OCORRÊNCIA DE LESÕES CORPORAIS PARA A CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA REAL NOS CRIMES
DE ESTUPRO.

§1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos (A VÍTIMA É
MENOR DE 18 ANOS, PORÉM TEM MAIS DE 14 ANOS)
Pena - reclusão, de 8 a 12 anos.

§2o Se da conduta resulta morte:


Pena - reclusão, de 12 a 30 anos

DE OLHO NA JURIS! Legitimidade ativa do Ministério Público e crime de estupro sem lesão corporal
A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada.”
O entendimento dessa súmula pode ser aplicado independentemente da existência da ocorrência de lesões corporais nas
vítimas de estupro. A violência real se caracteriza não apenas nas situações em que se verificam lesões corporais, mas sempre
que é empregada força física contra a vítima, cerceando-lhe a liberdade de agir segundo a sua vontade. Assim, se os atos foram
praticados sob grave ameaça, com imobilização de vítimas, uso de força física e, em alguns casos, com mulheres sedadas, trata-
se de crime de estupro que se enquadra na Súmula 608 do STF e que, portanto, a ação é pública incondicionada. STF. 2ª Turma.
RHC 117978, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905). A Súmula 608 do STF permaneceu válida mesmo após o
advento da Lei nº 12.015/2009. Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública
incondicionada mesmo após a Lei nº 12.015/2009. STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).

Em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada
A Súmula 608 do STF continou válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009. Assim, em caso de estupro praticado
mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada mesmo após a Lei nº 12.015/2009. STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ,
rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).

Beijo roubado em contexto de violência física pode caracterizar estupro


O agente abordou de forma violenta e sorrateira a vítima com a intenção de satisfazer sua lascívia, o que ficou demonstrado por
sua declarada intenção de "ficar" com a jovem – adolescente de 15 anos – e pela ação de impingir-lhe, à força, um beijo, após
ela ser derrubada ao solo e mantida subjugada pelo agressor, que a imobilizou pressionando o joelho sobre seu abdômen. Tal
conduta configura o delito do art. 213, § 1º do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1611910-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
11/10/2016 (Info 592).

@dicasexconcurseira 154
O crime de estupro é tipo misto alternativo
O estupro (art. 213 do CP), com redação dada pela Lei 12.015/2009, é tipo penal misto alternativo. Logo, se o agente, no mesmo
contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP. A
Lei 12.015/2009, ao revogar o art. 214 do CP, não promoveu a descriminalização do atentado violento ao pudor (não houve
abolitio criminis). Ocorreu, no caso, a continuidade normativo-típica, considerando que a nova Lei inseriu a mesma conduta no
art. 213. Houve, então, apenas uma mudança no local onde o delito era previsto, mantendo-se, contudo, a previsão de que essa
conduta se trata de crime. É possível aplicar retroativamente a Lei 12.015/2009 para o agente que praticou estupro e atentado
violento ao pudor, no mesmo contexto fático e contra a mesma vítima, e que havia sido condenado pelos dois crimes (arts. 213
e 214) em concurso. Segundo entende o STJ, como a Lei 12.015/2009 unificou os crimes de estupro e atentado violento ao
pudor em um mesmo tipo penal, deve ser reconhecida a existência de crime único na conduta do agente, caso as condutas
tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, devendo-se aplicar essa orientação aos delitos
cometidos antes da vigência da Lei nº 12.015/2009, em face do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. STJ. 5ª
Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 05/08/2014. STJ. 6ª Turma. HC 212305/DF, Rel.
Min. Marilza Maynard (Des. Conv. TJ/SE), julgado em 24/04/2014 (Info 543).

Art. 214 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)

Violação sexual mediante fraude à “ESTELIONATO SEXUAL”


Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou
dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos.
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

Importunação sexual
Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de
terceiro:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, se o ato não constitui crime mais grave.

Art. 216. (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)

Assédio sexual à CRIME SUBSIDIÁRIO


Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua
condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.
Pena – detenção, de 1 a 2 anos.
Parágrafo único. (VETADO)

§2o A pena é aumentada em até 1/3 se a vítima é menor de 18 anos.

CAPÍTULO I-A
DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE SEXUAL
Registro não autorizado da intimidade sexual

Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso
de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes:
Pena - detenção, de 6 meses a 1 ano, e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o
fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.

@dicasexconcurseira 155
CAPÍTULO II
DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL

Sedução
Art. 217 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)

Estupro de vulnerável à NÃO EXIGE O USO DE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA


Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos:
Pena - reclusão, de 8 a 15 anos.

§1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência.

§2o (VETADO)

§3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:


Pena - reclusão, de 10 a 20 anos.

§4o Se da conduta resulta morte:


Pena - reclusão, de 12 a 30 anos.

§5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento da vítima
ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime.

DE OLHO NA JURIS! Praticar sexo com menor de 14 anos é crime


Súmula 593-STJ: O crime de estupro de vulnerável configura-se com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor
de 14 anos, sendo irrelevante o eventual consentimento da vítima para a prática do ato, experiência sexual anterior ou existência
de relacionamento amoroso com o agente. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 25/10/2017, DJe 06/11/2017.

Não é possível desclassificar crime de estupro de vulnerável para o delito de importunação sexual
Não é possível a desclassificação da figura do estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) para o crime do art. 215-A do CP
(importunação sexual). Isso porque o tipo penal do art. 215-A é praticado sem violência ou grave ameaça e o delito do art. 217-A
inclui a presunção absoluta de violência ou grave ameaça, por se tratar de menor de 14 anos. STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr
4.969/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/06/2019.

Em caso de estupro de vulnerável com violência presumida praticado contra vítimas diferentes, a continuidade delitiva é
simples (e não específica)
Em caso de estupro de vulnerável praticado contra duas ou mais vítimas, mediante violência presumida, não há continuidade
delitiva específica (art. 71, parágrafo único, do CP). Isso porque a violência de que trata a continuidade delitiva especial é a real,
não abarcando a violência presumida. STJ. 5ª Turma. HC 232709/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/10/2016. Poderá
ser aplicada a regra do concurso material, então? Aplica-se o concurso material em caso de estupro de vulnerável com violência
presumida praticado contra vítimas diferentes? Também não. A jurisprudência do STJ entende que, nas hipóteses de estupro
praticado com violência presumida, não incide a regra do concurso material nem da continuidade delitiva específica. Neste caso,
deverá ser aplicada a continuidade delitiva simples (art. 71, caput, do CP), desde que estejam preenchidos, cumulativamente, os
requisitos de ordem objetiva (pluralidade de ações, mesmas condições de tempo, lugar e modo de execução) e o de ordem
subjetiva, assim entendido como a unidade de desígnios ou o vínculo subjetivo havido entre os eventos delituosos. STJ. 6ª
Turma. REsp 1602771/MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/10/2017.

Passar as mãos nas coxas e seios da vítima configura, em tese, estupro


O agente que passa as mãos nas coxas e seios da vítima menor de 14 anos, por dentro de sua roupa, pratica, em tese, o crime de
estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Não importa que não tenha havido penetração vaginal (conjunção carnal). STF. 1ª
Turma. RHC 133121/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin julgado em 30/8/2016 (Info 837).

Contato físico entre autor e vítima não é indispensável para configurar o delito
A conduta de contemplar lascivamente, sem contato físico, mediante pagamento, menor de 14 anos desnuda em motel pode
permitir a deflagração da ação penal para a apuração do delito de estupro de vulnerável. Segundo a posição majoritária na

@dicasexconcurseira 156
doutrina, a simples contemplação lasciva já configura o “ato libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-A do Código Penal, sendo
irrelevante, para a consumação dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e ofendido. STJ. 5ª Turma. RHC 70976-MS, Rel.
Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587).

Meios de comprovação da menoridade da vítima nos crimes sexuais


Nos crimes sexuais contra vulnerável, quando inexiste certidão de nascimento atestando ser a vítima menor de 14 anos na data
do fato criminoso, o STJ tem admitido a verificação etária a partir de outros elementos de prova presentes nos autos. Em suma,
a certidão de nascimento não é o único meio idôneo para se comprovar a idade da vítima, podendo o juiz valer-se de outros
elementos. No caso concreto, mesmo não havendo certidão de nascimento da vítima, o STJ considerou que esta poderia ser
provada por meio das informações presentes no laudo pericial, das declarações das testemunhas, da compleição física da vítima
e das declarações do próprio acusado. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 12700-AC, voto vencedor Rel. Min. Walter de Almeida
Guilherme (Desembargador convocado do TJ/SP), Rel. para acórdão Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/3/2015 (Info 563).

Passar as mãos no corpo da vítima: consumado


O agente levou a vítima (menina de 12 anos de idade) para o quarto, despiu-se e, enquanto retirava as roupas da adolescente,
passou as mãos em seu corpo. Ato contínuo, deitou-se na cama, momento em que a garota vestiu-se rapidamente e fugiu do
local. O crime se consumou. Assim, se o réu praticou esse fato antes da Lei 12.015/2009, responderá por atentado violento ao
pudor com violência presumida (art. 214 c/c art. 224, “a”do CP) ou, se depois da Lei, por estupro de vulnerável (art. 217-A),
ambos na modalidade CONSUMADO. Para que o crime seja considerado consumado, não é indispensável que o ato libidinoso
praticado seja invasivo (introdução do membro viril nas cavidades da vítima). Logo, toques íntimos podem servir para consumar
o delito. STJ. 6ª Turma. REsp 1309394-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/02/2015 (Info 555).

Deitar em cima da vítima com o membro viril à mostra: consumado


A consumação do delito de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal) dá-se não apenas quando há conjunção carnal,
mas sim todas as vezes em que houver a prática de qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos. No caso, o agente deitou-se
por cima da vítima com o membro viril à mostra, após retirar-lhe as calças, o que, de per si, configura ato libidinoso para a
consumação do delito de estupro de vulnerável. O STJ entende que é inadmissível que o Julgador, de forma manifestamente
contrária à lei e utilizando-se dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, reconheça a forma tentada do delito, em
razão da alegada menor gravidade da conduta. STJ. 6ª Turma. REsp 1353575-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
5/12/2013 (Info 533).

Corrupção de menores
Art. 218. Induzir alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem:
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos.
Parágrafo único. (VETADO).

Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente


Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato
libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem:
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos.

Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável


Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos* ou que,
por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou
dificultar que a abandone:
Pena - reclusão, de 4 a 10 anos.

* TEM QUE SER ALGÚEM MENOR DE 18 ANOS, MAS COM IDADE SUPERIOR A 14 ANOS. SE A CRIANÇA TIVER MENOS DE 14
ANOS, A PESSOA QUE INDUZIR REPONDERÁ POR ESTUPRO DE VULNERÁVEL NA CONDIÇÃO DE PARTÍCIPE.

§1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

§2o Incorre nas mesmas penas:


I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos na situação descrita
no caput deste artigo;

@dicasexconcurseira 157
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo.

§3o Na hipótese do inciso II do §2o, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de
funcionamento do estabelecimento.

DE OLHO NA JURIS! Cliente pode ser punido sozinho pelo art. 218-B do CP; a vulnerabilidade é relativa; o tipo penal não exige
habitualidade, comportando a aplicação da continuidade delitiva
O “cliente” pode ser punido sozinho, ou seja, mesmo que não haja um proxeneta. Assim, ainda que o próprio cliente tenha
negociado o programa sem intermediários, haverá o crime Nos termos do art. 218-B do Código Penal, são punidos tanto aquele
que capta a vítima, inserindo-a na prostituição ou outra forma de exploração sexual (caput), como também o cliente do menor
prostituído ou sexualmente explorado (§ 1º). STJ. 5ª Turma. HC 371633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info
645). A vulnerabilidade no caso do art. 218-B do CP é relativa No art. 218-B do Código Penal não basta aferir a idade da vítima,
devendo-se averiguar se o menor de 18 (dezoito) anos ou a pessoa enferma ou doente mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou por outra causa não pode oferecer resistência. STJ. 5ª Turma. HC 371633/SP, Rel. Min.
Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645). O tipo penal não exige habitualidade. Basta um único contato consciente com a
adolescente submetida à prostituição para que se configure o crime O crime previsto no inciso I do § 2º do art. 218 do Código
Penal se consuma independentemente da manutenção de relacionamento sexual habitual entre o ofendido e o agente. Em
outras palavras, é possível que haja o referido delito ainda que tenha sido um único ato sexual. Logo, como não se exige a
habitualidade para a sua consumação, é possível a incidência da continuidade delitiva, com a aplicação da causa de aumento
prevista no art. 71 do Código Penal. STJ. 5ª Turma. HC 371633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645).

Configura o crime do art. 218-B do CP ainda que a vítima seja prostituta e que a relação tenha sido eventual
O cliente que conscientemente se serve da prostituição de adolescente, com ele praticando conjunção carnal ou outro ato
libidinoso, incorre no tipo previsto no inciso I do § 2º do art. 218-B do CP (favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável), ainda que a vítima seja atuante na prostituição e que a relação
sexual tenha sido eventual, sem habitualidade. STJ. 6ª Turma. HC 288374-AM, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 5/6/2014
(Info 543).

Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia


Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio
- inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro
audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o
consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Aumento de pena
§1º A pena é aumentada de 1/3 a 2/3 se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto
com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação.

Exclusão de ilicitude
§2º Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação de natureza jornalística,
científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia
autorização, caso seja maior de 18 anos.

CAPÍTULO III
DO RAPTO
Rapto violento ou mediante fraude
Art. 219 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Rapto consensual
Art. 220 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Diminuição de pena
Art. 221 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Concurso de rapto e outro crime
Art. 222 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)

@dicasexconcurseira 158
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 223 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 224 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)

Ação penal
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública incondicionada.
Parágrafo único. (Revogado).

DE OLHO NA JURIS! Estupro de vulnerável, vulnerabilidade temporária e ação penal


O art. 225 do CP prevê que, nos crimes sexuais, em regra, a ação penal é condicionada à representação. Existem duas exceções
previstas no parágrafo único:
1) Se a vítima é menor de 18 anos: INCONDICIONADA.
2) Se a vítima é pessoa vulnerável: INCONDICIONADA. A interpretação que deve ser dada a esse parágrafo único é a de que, em
relação à vítima possuidora de incapacidade permanente de oferecer resistência à prática dos atos libidinosos, a ação penal
seria sempre incondicionada. Mas, em se tratando de pessoa incapaz de oferecer resistência apenas na ocasião da ocorrência
dos atos libidinosos, a ação penal permanece condicionada à representação da vítima. Assim, procede-se mediante ação penal
condicionada à representação no crime de estupro praticado contra vítima que, por estar desacordada em razão de ter sido
anteriormente agredida, era incapaz de oferecer resistência apenas na ocasião da ocorrência dos atos libidinosos. STJ. 6ª Turma.
HC 276510-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/11/2014 (Info 553).
ATENÇÃO: A discussão acima exposta existia antes da Lei nº 13.718/2018. Atualmente não interessa mais, salvo para definir
situações pretéritas. Isso porque a Lei 13.718/2018 alterou a redação do art. 225 do CP e passou a prever que TODOS os
crimes contra a dignidade sexual são de ação pública incondicionada (sempre). Não há exceções!

Aumento de pena
Art. 226. A pena é aumentada:
I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 ou mais pessoas;
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou
empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela;
III - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
IV - de 1/3 a 2/3, se o crime é praticado:

Estupro coletivo
a) mediante concurso de 2 ou mais agentes;

Estupro corretivo
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima.

DE OLHO NA JURIS! Bisavô é considerado ascendente para os fins da causa de aumento do art. 226, II, do CP
No caso de crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A) e crimes sexuais contra vulnerável (arts. 217-A a 218-B), se o
autor do delito for ascendente da vítima, a pena deverá ser aumentada de metade (art. 226, II, do CP). O bisavô está incluído
dentro dessa expressão “ascendente”. O bisavô está no terceiro grau da linha reta e não há nenhuma regra de limitação quanto
ao número de gerações. Assim, se o bisavô pratica estupro de vulnerável contra sua bisneta, deverá incidir a causa de aumento
de pena prevista no art. 226, II, do CP. STF. 2ª Turma. RHC 138717/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017
(Info 866).

@dicasexconcurseira 159
CAPÍTULO V
DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE
PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE
EXPLORAÇÃO SEXUAL

Mediação para servir a lascívia de outrem


Art. 227 - Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem: à LENOCÍDIO
Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.

§1o Se a vítima é maior de 14 e menor de 18 anos, ou se o agente é seu ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro,
irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada para fins de educação, de tratamento ou de guarda: à LENOCÍDIO
FAMILIAR
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos.

§2º - Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:


Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, além da pena correspondente à violência.

§3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. à LENOCÍDIO QUESTUÁRIO/MERCENÁRIO

Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual


Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que
alguém a abandone:
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

§1o Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou
empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância:
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos.

§2º - Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:


Pena - reclusão, de 4 a 10 anos, além da pena correspondente à violência.

§3º - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.

Casa de prostituição à CRIME HABITUAL; NÃO ADMITE TENTATIVA; NÃO EXIGE INTUITO DE LUCRO
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de
lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente:
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

DE OLHO NA JURIS! Somente ocorre o delito do art. 229 do CP se houver exploração sexual, ou seja, violação à dignidade sexual
Não se tratando de estabelecimento voltado exclusivamente para a prática de mercancia sexual, tampouco havendo notícia de
envolvimento de menores de idade, nem comprovação de que o réu tirava proveito, auferindo lucros da atividade sexual alheia
mediante ameaça, coerção, violência ou qualquer outra forma de violação ou tolhimento à liberdade das pessoas, não há falar
em fato típico a ser punido na seara penal. Não se trata do crime do art. 229 do CP. Mesmo após as alterações legislativas
introduzidas pela Lei nº 12.015/2009, a conduta consistente em manter “Casa de Prostituição” segue sendo crime tipificado no
art. 229 do Código Penal. Todavia, com a novel legislação, passou-se a exigir a “exploração sexual” como elemento normativo do
tipo, de modo que a conduta consistente em manter casa para fins libidinosos, por si só, não mais caracteriza crime, sendo
necessário, para a configuração do delito, que haja exploração sexual, assim entendida como a violação à liberdade das pessoas
que ali exercem a mercancia carnal. STJ. 6ª Turma. REsp 1683375-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
14/08/2018 (Info 631).

Rufianismo
Art. 230 - Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em
parte, por quem a exerça:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.

@dicasexconcurseira 160
§1o Se a vítima é menor de 18 e maior de 14 anos ou se o crime é cometido por ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado,
cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma,
obrigação de cuidado, proteção ou vigilância:
Pena - reclusão, de 3 a 6 anos, e multa.

§2o Se o crime é cometido mediante violência, grave ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação
da vontade da vítima:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência.

Tráfico internacional de pessoa para fim de exploração sexual


Art. 231. (Revogado pela Lei nº 13.344, de 2016)
Art. 231-A. (Revogado pela Lei nº 13.344, de 2016)
Art. 232 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)

Promoção de migração ilegal


Art. 232-A. Promover, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a entrada ilegal de estrangeiro em território
nacional ou de brasileiro em país estrangeiro:
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

§1º Na mesma pena incorre quem promover, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a saída de
estrangeiro do território nacional para ingressar ilegalmente em país estrangeiro.
§2º A pena é aumentada de 1/6 a 1/3 se:
I - o crime é cometido com violência; ou
II - a vítima é submetida a condição desumana ou degradante.
§3º A pena prevista para o crime será aplicada sem prejuízo das correspondentes às infrações conexas.

CAPÍTULO VI
DO ULTRAJE PÚBLICO AO PUDOR
Ato obsceno
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

Escrito ou objeto obsceno


Art. 234 - Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de exposição
pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.

Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem:


I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos referidos neste artigo;
II - realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição cinematográfica de caráter obsceno, ou
qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter;
III - realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou recitação de caráter obsceno.

CAPÍTULO VII
DISPOSIÇÕES GERAIS

Aumento de pena
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada:
I – (VETADO);
II – (VETADO);
III - de metade a 2/3, se do crime resulta gravidez;
IV - de 1/3 a 2/3, se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou
se a vítima é idosa ou pessoa com deficiência.

@dicasexconcurseira 161
Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em segredo de justiça.

Art. 234-C. (VETADO).

CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais à INVESTIGAÇÃO
PELA PF
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: à CRIME FORMAL
Pena - reclusão, de 10 a 15 anos, e multa.

§1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma,
distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.

§1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos, as matérias-primas, os insumos
farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico.

§1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no §1º em relação a produtos em qualquer das
seguintes condições:
I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente;
II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior;
III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização;
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade;
V - de procedência ignorada;
VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente.
Modalidade culposa
§2º - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de 1 a 3 anos, e multa.

DE OLHO NA JURIS! Inconstitucionalidade do preceito secundário do art. 273, § 1º-B, V, do CP


O § 1º-B foi inserido no art. 273 do CP por força da Lei 9.677/98. O objetivo do legislador foi o de punir pessoas que vendem
determinados “produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais” e que, embora não se possa dizer que sejam falsificados,
estão em determinadas condições que fazem com que seu uso seja potencialmente perigoso para a população. A pena prevista
pelo legislador para o § 1º-B foi de 10 a 15 anos de reclusão. Ocorre que essa pena é muito alta e, por conta disso, começou a
surgir entre os advogados que militam na área a constante alegação de que essa reprimenda seria inconstitucional por violar o
princípio da proporcionalidade. A tese foi acolhida pelo STJ? SIM. O STJ decidiu que o preceito secundário do art. 273, § 1º-B,
inciso V, do CP é inconstitucional por ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Então, neste caso, qual
pena será aplicada em substituição? O STJ autorizou a aplicação analógica das penas previstas para o crime de tráfico de drogas,
sem vedar expressamente a incidência da minorante do § 4º do art. 33, da Lei nº 11.343/2006. Além disso, será possível aplicar
para o réu que praticou o art. 273, § 1º-B do CP a causa de diminuição prevista no § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. O que o
STF entende a respeito? O Plenário do STF ainda não se manifestou sobre o tema. No entanto, existem precedentes da Corte em
sentido contrário ao que decidiu o STJ, ou seja, acórdãos sustentando que o § 1º-B do art. 273 é CONSTITUCIONAL (RE 829226
AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/02/2015; RE 844152 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 02/12/2014). Para fins de
concurso, você deve estar atento para o modo como a pergunta será formulada. Se indagarem a posição do STJ, é pela
inconstitucionalidade. Se perguntarem sobre o STF, este possui precedentes sustentando que o art. 273, § 1º-B, do CP é
constitucional. Caso o enunciado não diga qual dos dois entendimentos está sendo exigido, assinale a posição STJ porque esta
foi divulgada em Informativo e é mais conhecida. STJ. Corte especial. AI no HC 239363-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 26/2/2015 (Info 559). STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1192979/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 13/12/2018.

Crimes do art. 273, §§ 1º e 1ºB do CP: não é necessária perícia


Para a configuração do crime previsto no art. 273, §§ 1º e 1º B, I, não se exige perícia, bastando a ausência de registro na
ANVISA, obrigatório na hipótese de insumos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. STJ. 5ª Turma. HC 177972-BA, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 28/8/2012.

@dicasexconcurseira 162
à OS CRIMES DOS ART.217, CAPUT E §1º, §1º-A E §1º-B SÃO HEDIONDOS.

Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica


Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal ou
excedendo-lhe os limites:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa.

DE OLHO NA JURIS! Atipicidade penal do exercício da acupuntura


O exercício da acupuntura por indivíduo que não é médico não configura o delito previsto no art. 282 do CP (exercício ilegal da
medicina, arte dentária ou farmacêutica). Não existe lei federal prevendo que a acupuntura é uma atividade privativa de médico
(art. 22, XVI, da CF/88). STJ. 6ª Turma. RHC 66641-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/3/2016 (Info 578).

TÍTULO IX
DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA

Associação Criminosa à IMPORTANTE SABER A DIFERENÇA ENTRE ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Art. 288. Associarem-se 3 ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimeS:
Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.
Parágrafo único. A pena aumenta-se até a 1/2 se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou
adolescente.

Constituição de milícia privada


Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão
com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código:
Pena - reclusão, de 4a 8 anos.

TÍTULO X
DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

CAPÍTULO I
DA MOEDA FALSA

Moeda Falsa à COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL


Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de 3 a 12 anos, e multa.

§1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta,
guarda ou introduz na circulação moeda falsa. à SOMENTE TEM SUA CONDUTA SUBSUMIDA AO DISPOSTO NO §1º DO ART.282
O AGENTE QUE NÃO CONCORREU, DE QUALQUER MODO, PARA A FALSIFICAÇÃO. TENDO CONCORRIDO PARA A FALSIFICAÇÃO,
AS CONDUTAS NO §1º CARACTERIZAM POST FACTUM IMPUNÍVEL.

§2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a
falsidade, é punido com detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.

§3º - É punido com reclusão, de 3 a 15 anos, e multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que
fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.

§4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada.

@dicasexconcurseira 163
DE OLHO NA JURIS! Inaplicabilidade do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma dívida. Após alguns dias, descobriu-se que a
cédula era falsa e, antes que houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor por seus prejuízos. O réu praticou o crime de
moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do arrependimento posterior (art. 16 do CP)? NÃO. Não se aplica o instituto do
arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de moeda falsa — cuja consumação se dá com a falsificação da
moeda, sendo irrelevante eventual dano patrimonial imposto a terceiros —, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem
jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes aos
demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a
impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa subtraída. STJ. 6ª Turma. REsp 1242294-
PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554).

Moeda falsa e aplicação das agravantes do art. 61, II, “e” e “h” do CP
Nos casos de prática do crime de introdução de moeda falsa em circulação (art. 289, § 1º, do CP), se a nota falsificada é
repassada para “ascendente, descendente, irmão ou cônjuge” ou para “criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou
mulher grávida”, incidirão as agravantes previstas nas alíneas "e" e "h" do inciso II do art. 61 do CP. Isso o sujeito passivo desse
delito não é apenas o Estado, mas também a pessoa lesada com a introdução da moeda falsa. STJ. 6ª Turma. HC 211052-RO, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/6/2014 (Info 546).

à Súmula 73 STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da
competência da Justiça Estadual. à A FALSIFICAÇÃO, NO CRIME DE MOEDA FALSA, DEVE SER CAPAZ DE ILUDIR DESTINATÁRIOS.
PARA ISSO, É NECESSÁRIA A PERÍCIA.

Petrechos para falsificação de moeda


Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda:
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.

DE OLHO NA JURIS! Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o agente detenha a posse de petrechos destinados à
falsificação de moeda, sendo prescindível que o maquinário seja de uso exclusivo para esse fim
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda. A expressão “especialmente destinado” não diz respeito a
uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o maquinário exclusivamente voltado para a fabricação
ou falsificação de moedas consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua consumação (crime
impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos utilizados pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a
fabricação de moeda. A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao objeto, ou seja, a consumação
depende da análise do elemento subjetivo do tipo (dolo), de modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda que
manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar precipuamente para contrafação de moeda, incorre
no referido crime. STJ. 6ª Turma. REsp 1758958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018 (Info 633).

Falsificação de documento público à É CRIME FORMAL


Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.

§1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

DE OLHO NA JURIS! Prefeito que insere artigo em projeto de lei aprovado pelo Parlamento
Prefeito que, ao sancionar lei aprovada pela Câmara dos Vereadores, inclui artigo que não constava originalmente no projeto
votado pratica o crime de falsificação de documento público (art. 297, § 1º do CP). No momento da dosimetria, o fato de o réu
ser Prefeito não pode ser utilizado como circunstância desfavorável para aumentar a pena-base na primeira fase e, em seguida,
ser empregado como causa de aumento do § 1º do art. 297 do CP. Se ele for utilizado duas vezes, haverá bis in idem. Assim, essa
circunstância (condição de Prefeito) deve ser considerada apenas uma vez, na terceira fase da pena, como majorante (causa de
aumento). STF. 1ª Turma. AP 971/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/6/2016 (Info 832).

§2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público (CAI EM PROVA!) o emanado de entidade paraestatal, o título
ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.

@dicasexconcurseira 164
§3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social,
pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência
social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência
social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.

§4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a
remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. à QUANDO O PATRÃO OMITE OS DADOS DE QUE
TRATA O §4º, ELE ESTÁ LESANDO, EM PRIMEIRO LUGAR, A ARRECADAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, ADMINISTRADA PELO INSS,
QUE É UMA AUTARQUIA FEDERAL. O EMPREGADO É PREJUDICADO DE FORMA APENAS INDIRETA, REFLEXA.

DE OLHO NA JURIS! Art. 297, § 4º do CP e necessidade de ser demonstrado o dolo de falso


A simples omissão de anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) não configura, por si só, o crime de
falsificação de documento público (art. 297, § 4º, do CP). Isso porque é imprescindível que a conduta do agente preencha não
apenas a tipicidade formal, mas antes e principalmente a tipicidade material, ou seja, deve ser demonstrado o dolo de falso e a
efetiva possibilidade de vulneração da fé pública. STJ. 5ª Turma. REsp 1252635-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
24/4/2014 (Info 539).

Competência para julgar o crime do art. 297, § 4º, do CP


De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo empregatício na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)?
* STJ: Justiça FEDERAL. O sujeito passivo primário do crime omissivo do art. 297, § 4.º, do Diploma Penal, é o Estado, e,
eventualmente, de forma secundária, o particular, terceiro prejudicado, com a omissão das informações, referentes ao vínculo
empregatício e a seus consectários da CTPS. Cuida-se, portanto de delito que ofende de forma direta os interesses da União,
atraindo a competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da CF/88. Nesse sentido: STJ. 3ª Seção. CC 145567/PR ,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 27/04/2016.
* 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. Nesse sentido: 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet 5084, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
24/11/2015 .

Falsificação de documento particular


Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.

Falsificação de cartão
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. à AINDA
QUE SEJA O CARTÃO DE CRÉDITO/DÉBITO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.

DE OLHO NA JURIS! Clonagem de cartão de crédito ou débito antes da entrada em vigor da Lei nº 12.737/2012
A Lei nº 12.737/2012 acrescentou o parágrafo único ao art. 298 do CP prevendo o seguinte: Art. 298. Falsificar, no todo ou em
parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: (...) Parágrafo único. Para fins do disposto no caput,
equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. Ocorre que mesmo antes da edição da Lei nº 12.737/2012 a
jurisprudência do STJ já considerava que cartão bancário poderia se amoldar ao conceito de "documento". Assim, a inserção do
parágrafo único no art. 298 do Código Penal apenas confirmou que cartão de crédito/débito é considerado documento, sendo a
Lei nº 12.737/2012 considerada como lei interpretativa exemplificativa. Logo, ainda que praticada antes da Lei nº 12.737/2012,
a conduta de falsificar, no todo ou em parte, cartão de crédito ou débito é considerada como crime de falsificação de
documento particular (art. 298 do CP). STJ. 6ª Turma. REsp 1578479-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para
acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/8/2016 (Info 591).

Falsidade de contrato social para ocultar o verdadeiro sócio


O contrato social de uma sociedade empresária é documento particular. Assim, caso seja falsificado, haverá o crime de
falsificação de documento particular (e não de documento público). Não se pode condenar o réu pelo crime de uso de
documento falso quando ele próprio foi quem fez a falsificação do documento. A pessoa deverá ser condenada apenas pela
falsidade, e o uso do documento falso configura mero exaurimento do crime de falso. STF. 1ª Turma. AP 530/MS, rel. orig. Min.
Rosa Weber, red.p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/9/2014 (Info 758).

@dicasexconcurseira 165
Falsidade ideológica
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir
declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de 1 a 3 anos, e multa, se o documento é
particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração
é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

DE OLHO NA JURIS! Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade ideológica
Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade. Isso não configura falsidade
ideológica (art. 299 do CP) porque: 1) currículo Lattes não é considerado documento por ser eletrônico e não ter assinatura
digital; 2) currículo Lattes é passível de averiguação e, portanto, não é objeto material de falsidade ideológica. Quando o
documento é passível de averiguação, o STJ entende que não há crime de falsidade ideológica mesmo que o agente tenha nele
inserido informações falsas. STJ. 6ª Turma. RHC 81451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017 (Info
610).

Necessidade de prova de que o Prefeito que assinou documentos do Município tinha ciência inequívoca de que a declaração
era falsa
Prefeito que assina documentos previdenciários com conteúdo parcialmente falso não deve ser condenado por falsidade
ideológica se não foram produzidas provas de que ele tinha ciência inequívoca do conteúdo inverídico da declaração. Neste
caso, ele deverá ser absolvido, nos termos do art. 386, III, do CPP, por ausência de dolo, o que exclui o crime. STF. 1ª Turma. AP
931/AL, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

Candidato que deixa de contabilizar despesas em sua prestação de contas no TRE


Determinado Parlamentar Federal, quando foi candidato ao Senado, ao entregar a prestação de contas ao TRE, deixou de
contabilizar despesas com banners e cartazes no valor de R$ 15 mil. O STF considerou que havia indícios suficientes para receber
a denúncia contra ele formulada e iniciar um processo penal para apurar a prática do crime de falsidade ideológica (art. 299 do
CP). STF. 1ª Turma. Inq 3767/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/10/2014 (Info 765).

Falsa declaração de hipossuficiência não configura falsidade ideológica (art. 299)


É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de obter os benefícios da justiça gratuita. A
conduta de firmar ou usar declaração de pobreza falsa em juízo, com a finalidade de obter os benefícios da gratuidade de
justiça, não é crime, pois aludida manifestação não pode ser considerada documento para fins penais, já que é passível de
comprovação posterior, seja por provocação da parte contrária seja por aferição, de ofício, pelo magistrado da causa. STJ. 6ª
Turma. HC 261074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 546).

O falso pode ser absorvido pelo descaminho


Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido, como crime-fim, condição que
não se altera por ser menor a pena a este cominada. STJ. 3ª Seção. REsp 1378053-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
10/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 587).

à EM REGRA, A FALSIDADE IDEOLÓGICA DISPENSA EXAME PERICIAL. DEMANDA PROVA TESTEMUNHAL OU DOCUMENTAL.

à NÃO COMETERÁ O CRIME DE FALSIDADE IDEOLÓGICA O INDIVÍDUO QUE DEIXAR DE DECLARAR A VERDADE PARA A
FORMAÇÃO DE DOCUMENTO, SE O SERVIDOR PÚBLICO QUE RECEBER A DECLARAÇÃO ESTIVER ADSTRITO A AVERIGUAR, PROPIIS
SENSIBUS, A VERDADE DESTA.

Uso de documento falso


Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

DE OLHO NA JURIS! Desnecessidade de prova pericial para condenação por uso de documento falso (art. 304)
É possível a condenação pelo crime de uso de documento falso (art. 304 do CP) com fundamento em documentos e
testemunhos constantes do processo, acompanhados da confissão do acusado, sendo desnecessária a prova pericial para a
comprovação da materialidade do crime, especialmente se a defesa não requereu, no momento oportuno, a realização do
referido exame. O crime de uso de documento falso se consuma com a simples utilização de documento comprovadamente

@dicasexconcurseira 166
falso, dada a sua natureza de delito formal. STJ. 5ª Turma. HC 307586-SE, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme
(Desembargador convocado do TJ/SP), julgado em 25/11/2014 (Info 553).

Competência para julgar uso de documento falso


Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em razão da entidade ou
órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor. STJ. 3ª Seção. Aprovada
em 14/10/2015, DJe 19/10/2015.

SÚMULA 546 DO STJ


COMPETÊNCIA PARA JULGAR A FALSIFICAÇÃO DO COMPETÊNCIA PARA JULGAR O USO DO DOCUMENTO FALSO
DOCUMENTO
Definida em razão do órgão expedidos Definida em razão do órgão a quem é apresentado o documento

Falsa identidade
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar
dano a outrem:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

DE OLHO NA JURIS! Falsa identidade (art. 307 do CP) é crime mesmo em situação de autodefesa
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada
autodefesa. Aprovada em 25/03/2015, DJe 06/04/2015. Importante.

TÍTULO XI
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

In(aplicabilidade) do princípio da insignificância aos crimes contra a Administração Pública


Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. STJ. Corte Especial.
Aprovada em 20/11/2017, DJe 27/11/2017.
Exceção
Existe uma exceção. A jurisprudência é pacífica em admitir a aplicação do princípio da insignificância ao crime de descaminho (art.
334 do CP), que, topograficamente, está inserido no Título XI do Código Penal, que trata sobre os crimes contra a Administração
Pública.
De acordo com o STJ, “a insignificância nos crimes de descaminho tem colorido próprio, diante das disposições trazidas na Lei n.
10.522/2002”, o que não ocorre com outros delitos, como o peculato etc. (AgRg no REsp 1346879/SC, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 26/11/2013).

O STF concorda com a Súmula 599 do STJ?


NÃO. No STF, há julgados admitindo a aplicação do princípio mesmo em outras hipóteses além do descaminho, como foi o caso
do HC 107370, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/04/2011 e do HC 112388, Rel. p/ Acórdão Min. Cezar Peluso, julgado em
21/08/2012.
Segundo o entendimento que prevalece no STF, a prática de crime contra a Administração Pública, por si só, não inviabiliza a
aplicação do princípio da insignificância, devendo haver uma análise do caso concreto para se examinar se incide ou não o referido
postulado.

@dicasexconcurseira 167
CAPÍTULO I
DOS CRIMES PRATICADOS
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Peculato à PECULATO PRÓPRIO


Art. 312 - Apropriar-se (PECULATO APROPRIAÇÃO) o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel,
público ou particular (NÃO INCLUI “SERVIÇOS PÚBLICOS), de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo (PECULATO
DESVIO), em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

à O PECULATO APROPRIAÇÃO É UM TIPO ESPECIAL DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA.

§1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou
concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de
funcionário. à PECULATO FURTO OU PECULATO IMPRÓPRIO

Peculato culposo
§2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem (PREVALECE QUE ESSE “CRIME DE OUTREM” É O
PECULATO PRÓPRIO OU IMPRÓPRIO):
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano.

§3º - No caso do parágrafo anterior (PECULATO CULPOSO), a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a
punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
DE OLHO NA JURIS! Peculato de uso
O STF considerou atípica a conduta de “peculato de uso” de um veículo para a realização de deslocamentos por interesse
particular. STF. 1ª Turma. HC 108433 AgR/MG, rel. Min. Luiz Fux, 25/6/2013 (Info 712).

Depositário judicial que vende os bens não pratica peculato


O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de peculato (art. 312 do CP). O crime de peculato
exige, para a sua consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro bem móvel em virtude do
“cargo”. Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a ele é atribuído
um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma. HC 402949-SP,
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623). Obs: vale ressaltar que o STJ decidiu apenas que a
conduta do depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime de peculato, pois não é funcionário
público e não ocupa cargo público. No entanto, a depender das peculiaridades do caso concreto, a conduta pode configurar, em
tese, os tipos penais dos arts. 168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal.

Os valores apropriados possuem natureza semelhante a de tributos, devendo ser suspensa a ação penal enquanto perdurar o
parcelamento da dívida
A ação penal que apura a prática de crime de peculato de quantia de natureza sui generis com estreita derivação tributária, por
suposta apropriação, por Tabelião, de valores públicos pertencentes a Fundo de Desenvolvimento do Judiciário deve ser
suspensa enquanto o débito estiver pendente de deliberação na esfera administrativa em razão de parcelamento perante a
Procuradoria do Estado. STJ. 6ª Turma. RHC 75768-RN, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 15/8/2017 (Info 611).

STF recebeu denúncia contra o Senador Renan Calheiros em razão de ter desviado recursos públicos da verba parlamentar para
pagamento de pensão alimentícia à filha
O Ministério Público ofereceu denúncia contra o Senador Renan Calheiros pelas seguintes condutas:
• o denunciado teria desviado recursos públicos da chamada verba indenizatória (destinada a despesas relacionadas ao
exercício do mandato parlamentar) para pagar pensão alimentícia à filha. Com isso, teria praticado peculato (art. 312 do CP).
• além disso, ele teria inserido e feito inserir, em documentos públicos e particulares, informações diversas das que deveriam
ser escritas, com o propósito de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (sua capacidade financeira para custear
despesas da referida pensão). Isso porque o parlamentar, ao prestar contas dos valores recebidos a título de verba
indenizatória, teria apresentado notas fiscais fictícias, ou seja, de serviços que não teriam sido prestados. Ademais, ele teria
apresentado livros-caixa de suas atividades como pecuarista com informações supostamente falsas. Por conta desses fatos, foi
denunciado pelos crimes de falsidade ideológica (art. 299) e de uso de documento falso (art. 304). Quanto ao art. 312 do CP, a
denúncia foi recebida porque o STF entendeu estarem presentes indícios de autoria e materialidade minimamente suficientes.

@dicasexconcurseira 168
No que tange aos arts. 299 e 304 do CP, a denúncia foi rejeitada em virtude de os delitos imputados estarem prescritos. STF.
Plenário. Inq 2593/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 1º/12/2016 (Info 849).

Deputado Federal que utiliza do trabalho de assessor parlamentar para serviços particulares pratica crime de peculato?
O servidor público (ex: um Deputado Federal) que se utiliza do trabalho de outro servidor público (ex: assessor parlamentar)
para lhe prestar serviços particulares pratica crime de peculato (art. 312 do CP)?
Situação 1. Servidor público que se utiliza da mão-de-obra de outro servidor público (normalmente seu subordinado) para, em
determinados momentos, fazer com que este preste serviços particulares a ele. Esta conduta não configura peculato nem
qualquer outro crime. Atenção: se o indivíduo que se utilizou do servidor público for Prefeito, ele cometerá o delito do art. 1º, II,
do DL 201/67.
Situação 2. Servidor público que utiliza a Administração Pública para pagar o salário de empregado particular. Aqui o chefe
contrata um indivíduo supostamente para ser servidor público (cargo comissionado), mas, na verdade, ele manda que a pessoa
contratada preste exclusivamente serviços particulares ao seu superior. Esta conduta, em tese, configura peculato. Isso porque
o dinheiro público está sendo desviado para o pagamento de um "servidor" que, formalmente está vinculado à Administração
Pública, mas que, na prática, apenas executa serviços para outro servidor público no interesse particular deste último. Caso
concreto: o Deputado Federal Celso Russomanno (PRB-SP) contratou para o cargo de secretária parlamentar, com remuneração
paga pela Câmara dos Deputados, a senhora "SJ". Ocorre que, de acordo com a acusação, "SJ" trabalhava, na verdade, não na
Câmara, mas sim na produtora de vídeo do Deputado, em São Paulo. Assim, para o MP, o Deputado utilizou a assessora para o
exercício de atividade privada, embora recebendo pelos cofres públicos. A 2ª Turma do STF absolveu o réu. Segundo ficou
decidido, "SJ", ainda que tenha exercido algumas atividades de interesse particular do Deputado na produtora, dedicou-se
preponderantemente ao cargo de secretária parlamentar no escritório político de Celso Russomano em São Paulo, atendendo
cidadãos que se sentiam lesados em suas relações de consumo. Assim, a prova dos autos demonstrou que “SJ” exercia as
atribuições inerentes ao cargo de assessora parlamentar, ainda que também, algumas vezes, desempenhasse outras atividades
no estrito interesse particular do parlamentar. Dessa forma, pela prova colhida, a conduta do Deputado foi penalmente atípica,
uma vez que consistiu no uso de funcionário público que, de fato, exercia as atribuições inerentes ao seu cargo para, também,
prestar outros serviços de natureza privada. Em outras palavras, o caso de Russomano se enquadrou na situação 1 acima
explicada. STF. 2ª Turma. AP 504/DF, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2016 (Info
834).

Empréstimos consignados retidos pelo Município e dinheiro utilizado para pagamento de despesas da Administração, sem
repasse ao banco mutuante
Diversos servidores municipais tinham empréstimos consignados cujos valores eram descontados da folha de pagamento. O
Prefeito ordenou que fosse feita a retenção, mas que tais valores não fossem repassados à instituição e sim gastos com o
pagamento de despesas do Município. Isso foi feito no último ano do mandato do Prefeito, quando não havia mais recursos para
pagar o banco, o que só foi feito no mandato seguinte. O STF entendeu que, nesta situação, restou configurada a prática de dois
delitos: arts. 312 e 359-C do Código Penal. STF. 1ª Turma. AP 916/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2016 (Info
826).

Peculato mediante erro de outrem à PECULATO ESTELIONATO


Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.

Inserção de dados falsos em sistema de informações à PECULATO ELETRÔNICO


Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados
corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para
si ou para outrem ou para causar dano:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações


Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou
solicitação de autoridade competente:
Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.
Parágrafo único. As penas são aumentadas de 1/3 até a 1/2 se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração
Pública ou para o administrado.

@dicasexconcurseira 169
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total
ou parcialmente:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Emprego irregular de verbas ou rendas públicas


Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de 1 a 3 meses, ou multa.

DE OLHO NA JURIS! Desvio de recursos de convênio e sua aplicação em finalidade diversa


Secretária de Estado que desvia verbas de convênio federal que tinha destinação específica e as utiliza para pagamento da folha
de servidores não pratica o crime de peculato (art. 312 do CP), mas sim o delito de emprego irregular de verbas ou rendas
públicas (art. 315). STF. 2ª Turma. Inq 3731/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/2/2016 (Info 813).

Concussão à MODALIDADE DE EXTORSÃO PRATICADA POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO


Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.

Excesso de exação
§1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na
cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.

§2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres
públicos:
Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

SUJEITO ATIVO DOS §§1º E 2º à FUNCIONÁRIO PÚBLICO, AINDA QUE NÃO ENCARREGADO DA ARRECADAÇÃO.
NO §1º, O TRIBUTO, DEPOIS DE EXIGIDO, É ENCAMINHADO AOS COFRES PÚBLICOS (DIVERSAMENTE DO QUE OCORRE NO §2º).

DE OLHO NA JURIS! Concussão (art. 316) e momento da consumação


No crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da exigência da vantagem indevida (e não no
instante da entrega). Isso porque a concussão é crime FORMAL, que se consuma com a exigência da vantagem indevida. Assim,
a entrega da vantagem indevida representa mero exaurimento do crime que já se consumou anteriormente. Ex: funcionário
público exige, em razão de sua função, vantagem indevida da vítima; dois dias depois, quando a vítima entrega a quantia
exigida, não há mais situação de flagrância considerando que o crime se consumou no momento da exigência, ou seja, dois dias
antes. STJ. 5ª Turma. HC 266460-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/6/2015 (Info 564).

Aumento da pena-base pelo fato de a concussão ter sido praticada por policial
Em caso de condenação do réu por concussão, na dosimetria da pena o juiz pode (e deve) aumentar a pena-base pelo fato de o
réu ser policial. Para cometer o crime, basta ser funcionário público, mas o grau de reprovabilidade do réu é maior, tendo em
vista que se trata de policial, agente público responsável pelo combate à criminalidade. Assim, não é possível nivelar a
concussão de um funcionário público comum com a de um policial, de um parlamentar, de um juiz etc. Aquele que está
investido de parcela de autoridade pública — como é o caso de um juiz, um membro do Ministério Público ou uma autoridade
policial — deve ser avaliado, no desempenho da sua função, com maior rigor do que as demais pessoas não ocupantes de tais
cargos. STF. 2ª Turma. RHC 117488 AgR/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 1º/10/2013 (Info 722). STF. 1ª Turma. HC
132990/PE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 16/8/2016 (Info 835).

Corrupção passiva
Art. 317 – Solicitar (CRIME FORMAL) ou receber (CRIME MATERIAL), para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que
fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

@dicasexconcurseira 170
§1º - A pena é aumentada de 1/3, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar
qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. à CORRUPÇÃO EXAURIDA

DE OLHO NA JURIS! Receber propina sob o disfarce de doações eleitorais oficiais e tipificação penal
Determinado Senador solicitou e recebeu de uma construtora R$ 500 mil, valor destinado à sua campanha política. A quantia foi
repassada pela construtora não diretamente ao Senador, mas sim ao partido político, como se fossem doações eleitorais oficiais.
Ao pedir o valor, o Senador teria se comprometido com a construtora a manter João como Diretor da Petrobrás. Isso era de
interesse da construtora porque João, em nome da estatal, celebrava contratos fraudulentos com a empresa. O Senador foi
reeleito e, com sua influência decorrente do cargo, conseguiu manter João na Diretoria. Em um juízo preliminar, para fins de
recebimento da denúncia, o STF entendeu que a conduta do Senador, em tese, configura a prática dos seguintes crimes:
• Corrupção passiva (art. 317, caput e § 1º, do CP);
• Lavagem de dinheiro (art. 1º, caput, da Lei nº 9.613/98).
STF. 2ª Turma. Inq 3982/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 7/3/2017 (Info 856).

§2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou
influência de outrem: à CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA: O AGENTE, SEM VISAR SATISFAZER INTERESSE PRÓPRIO, CEDE A
PEDIDO, PRESSÃO OU INFLUÊNCIA DE OUTREM; SÃO OS “FAVORES ADMINISTRATIVOS”.
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

DE OLHO NA JURIS! O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a vantagem indevida esteja relacionada com atos que
formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público
O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que a solicitação ou recebimento de vantagem indevida, ou a aceitação da
promessa de tal vantagem, esteja relacionada com atos que formalmente não se inserem nas atribuições do funcionário público,
mas que, em razão da função pública, materialmente implicam alguma forma de facilitação da prática da conduta almejada. Ao
contrário do que ocorre no crime de corrupção ativa, o tipo penal de corrupção passiva não exige a comprovação de que a
vantagem indevida solicitada, recebida ou aceita pelo funcionário público esteja causalmente vinculada à prática, omissão ou
retardamento de “ato de ofício”. A expressão “ato de ofício” aparece apenas no caput do art. 333 do CP, como um elemento
normativo do tipo de corrupção ativa, e não no caput do art. 317 do CP, como um elemento normativo do tipo de corrupção
passiva. Ao contrário, no que se refere a este último delito, a expressão “ato de ofício” figura apenas na majorante do art. 317, §
1.º, do CP e na modalidade privilegiada do § 2.º do mesmo dispositivo. STJ. 6ª Turma. REsp 1745410-SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 02/10/2018 (Info 635).

Pratica corrupção passiva o Deputado que concede apoio político à permanência de Diretor da Petrobrás em troca do
recebimento de propina
Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um partido de sustentação do governo federal. Como importante figura
partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência da República a fim de que Paulo Roberto Costa fosse mantido como
Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Como “contraprestação” por esse apoio, o Deputado recebia dinheiro do referido
Diretor, quantia essa oriunda de contratos ilegais celebrados pela Petrobrás. O STF entendeu que esta conduta se enquadra no
crime de corrupção passiva (art. 317 do CP). Obs: foi a primeira condenação do STF envolvendo a chamada “operação Lava
Jato”. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

"Lucro fácil" e “cobiça” não podem ser usados como argumentos para aumentar a pena da concussão e da corrupção passiva
A obtenção de lucro fácil e a cobiça constituem elementares dos tipos de concussão e corrupção passiva (arts. 316 e 317 do CP),
sendo indevido utilizá-las para aumentar a pena-basealegando que os “motivos do crime” (circunstância judicial do art. 59 do
CP) seriam desfavoráveis. STJ. 3ª Seção.EDv nos EREsp 1196136-RO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/5/2017 (Info 608).

Aumento da pena pelo fato de a corrupção ter sido praticada por Promotor ou policial
O fato de o crime de corrupção passiva ter sido praticado por Promotor de Justiça no exercício de suas atribuições institucionais
pode configurar circunstância judicial desfavorável na dosimetria da pena. Isso porque esse fato revela maior grau de
reprovabilidade da conduta, a justificar o reconhecimento da acentuada culpabilidade, dadas as específicas atribuições do
promotor de justiça, as quais são distintas e incomuns se equiparadas aos demais servidores públicos “latu sensu”. STJ. 5ª
Turma. REsp 1251621-AM, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014 (Info 552).

@dicasexconcurseira 171
Facilitação de contrabando ou descaminho à CRIME FORMAL E DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334):
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.

à O SUJEITO ATIVO É O FUNCIONÁRIO INCUMBIDO DE IMPEDIR A PRÁTICA DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CASO NÃO
OSTENTE ESSA ATRIBUIÇÃO FUNCIONAL, RESPONDERÁ PELO DELITO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO NA CONDIÇÃO DE
PARTÍCIPE.

Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

- É ESPÉCIE DE AUTOCORRUPÇÃO;
- ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: SATISFAZER INTERESSE OU SENTIMENTO PESSOAL;
- NÃO HÁ PEDIDO DE OUTREM.

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho
telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: à PREVARICAÇÃO
IMPRÓPRIA
Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano.
- É CRIME OMISSIVO PURO;
- CRIME DE MERA CONDUTA;
- NÃO ADMITE TENTATIVA.

Condescendência criminosa
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou,
quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente:
Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

Advocacia administrativa
Art. 321 – Patrocinar (REFERE-SE A INTERESSE DE TERCEIRO), direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração
pública, valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de 1 a 3 meses, ou multa.

Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:


Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, além da multa.

Violência arbitrária
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:
Pena - detenção, de 6 meses a 3 anos, além da pena correspondente à violência.

Abandono de função
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:
Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

à HÁ CRIME, AINDA QUE EXISTA ALGUÉM PARA SUBSTITUIR AQUELE QUE ABANDONOU O CARGO, POIS O TIPO PENLA NÃO
EXIGE QUE HAJA DANO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

§1º - Se do fato resulta prejuízo público:


Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

@dicasexconcurseira 172
§2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:
Pena - detenção, de 1 a 3 anos, e multa.

Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado


Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem
autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:
Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.

Violação de sigilo funcional


Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:


I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas
não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.

§2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:


Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.

Violação do sigilo de proposta de concorrência


Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo:
Pena - Detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce
cargo, emprego ou função pública.

§1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

§2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos
em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista,
empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

DE OLHO NA JURIS! O simples fato de o réu exercer mandato eletivo não é suficiente para a causa de aumento do art. 327, §
2º, do CP
O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa de aumento do art. 327, § 2º, do
CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica"). STF. Plenário.
Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816).

Causa de aumento do § 2º do art. 327 aplica-se ao Chefe do Executivo


A causa de aumento prevista no § 2º do art. 327 do Código Penal pode ser aplicada aos agentes detentores de mandato eletivo
(agentes políticos) que exercem, cumulativamente, as funções política e administrativa. STF. Plenário. Inq 2606/MT, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 4/9/2014 (Info 757). O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir
a causa de aumento do art. 327, § 2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF chamou de
"imposição hierárquica"). STF. Plenário. Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816).

Causa de aumento do § 2º do art. 327 aplica-se aos agentes políticos


A causa de aumento prevista no § 2º do art. 327 do Código Penal pode ser aplicada aos agentes detentores de mandato eletivo
(agentes políticos) que exercem, cumulativamente, as funções política e administrativa. STF. 2ª Turma. RHC 110513/RJ, rel. Min.
Joaquim Barbosa, 29/5/2012. O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa de
aumento do art. 327, § 2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF chamou de "imposição
hierárquica"). STF. Plenário. Inq 3983/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 02 e 03/03/2016 (Info 816).
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São considerados funcionários públicos para fins penais
Diretor de organização social STF. 1ª Turma. HC 138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).
Administrador de Loteria STJ. 5ª Turma. AREsp 679.651/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 11/09/2018. Advogados
dativos STJ. 5ª Turma. HC 264.459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 579). Médico de
hospital particular credenciado/conveniado ao SUS (após a Lei 9.983/2000) STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1101423/RS, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 06/11/2012. Estagiário de órgão ou entidade públicos STJ. 6ª Turma. REsp 1303748/AC, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 25/06/2012.

Diretor de organização social é considerado funcionário público por equiparação para fins penais
O diretor de organização social pode ser considerado funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327, § 1º do CP).
Isso porque as organizações sociais que celebram contratos de gestão com o Poder Público devem ser consideradas “entidades
paraestatais”, nos termos do art. 327, § 1º do CP. STF. 1ª Turma. HC 138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018
(Info 915).

Depositário judicial NÃO é considerado funcionário público para fins penais


Depositário judicial não é funcionário público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a ele é atribuído um
munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens ficam sob sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma. HC 402949-SP, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623).

Advogado que atua como advogado dativo, por força de convênio com o Poder Público, é funcionário público para fins penais
O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público, atua de forma remunerada em defesa dos
hipossuficientes agraciados com o benefício da assistência judiciária gratuita, enquadra-se no conceito de funcionário público
para fins penais. Sendo equiparado a funcionário público, é possível que responda por corrupção passiva (art. 317 do CP). STJ. 5ª
Turma. HC 264459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 579).

CAPÍTULO II
DOS CRIMES PRATICADOS POR
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Usurpação de função pública


Art. 328 – Usurpar (CHEGAR A POSSUIR SEM TER O DIREITO) o exercício de função pública:
Pena - detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.

Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:


Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

Resistência à CRIME FORMAL; O AGENTE TEM UMA POSTURA ATIVA/VIOLENTA


Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem
lhe esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de 2 meses a 2 anos.

§1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: à RESISTÊNCIA EXAURIDA


Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.

§2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

Desobediência à CRIME FORMAL


Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de 15 dias a 6 meses, e multa.

DE OLHO NA JURIS! Não configuração do crime de desobediência na hipótese de não atendimento por Defensor Público-Geral
de requisição judicial de nomeação de defensor
Não configura o crime de desobediência (art. 330 do CP) a conduta de Defensor Público Geral que deixa de atender à requisição
judicial de nomeação de defensor público para atuar em determinada ação penal. A Constituição Federal assegura às
Defensorias Públicas autonomia funcional e administrativa (art. 134, § 2º). A autonomia administrativa e a independência

@dicasexconcurseira 174
funcional asseguradas constitucionalmente às Defensorias Públicas não permitem que o Poder Judiciário interfira nas escolhas e
nos critérios de atuação dos Defensores Públicos que foram definidos pelo Defensor Público-Geral. STJ. 6ª Turma. HC 310901-
SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 16/6/2016 (Info 586).

Desobediência (art. 330 do CP) e ordem encaminhada via postal


Não se configura o crime de desobediência na hipótese em que as notificações do responsável pelo cumprimento da ordem
foram encaminhadas por via postal, sendo os avisos de recebimento subscritos por terceiros. Para caracterizar o delito de
desobediência, exige-se a notificação pessoal do responsável pelo cumprimento da ordem, demonstrando a ciência inequívoca
da sua existência e, após, a intenção deliberada de não cumpri-la. STJ. 6ª Turma. HC 226512-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 9/10/2012.

Desacato
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.

DE OLHO NA JURIS! Desacato continua sendo crime


O crime de desacato é compatível com a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica. A figura penal do
desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o direito à livre manifestação, desde que
exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos, punindo-se os excessos. STF. 2ª Turma.HC 141949/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (Info 894). Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela
continua a ser crime, conforme previsto no art. 331 do Código Penal. STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, Rel. para acórdão Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 24/5/2017 (Info 607).

Tráfico de Influência
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar (CRIME FORMAL) ou obter (CRIME MATERIAL), para si ou para outrem, vantagem ou promessa
de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função:
Pena - reclusão, de 2a 5 anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao
funcionário.

Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato
de ofício:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de 1/3, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de
ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

DE OLHO NA JURIS! Inépcia da denúncia de corrupção ativa e o que acontece com a corrupção passiva
O reconhecimento da inépcia da denúncia em relação ao acusado de corrupção ativa (art. 333 do CP) não induz, por si só, ao
trancamento da ação penal em relação ao denunciado, no mesmo processo, por corrupção passiva (art. 317 do CP). Prevalece o
entendimento de que, via de regra, os crimes de corrupção passiva e ativa, por estarem previstos em tipos penais distintos e
autônomos, são independentes, de modo que a comprovação de um deles não pressupõe a do outro. STJ. 5ª Turma. RHC 52465-
PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2014 (Info 551).

Descaminho à É CRIME FORMAL CUJA COMPETÊNCIA É DA JUSTIÇA FEDERAL DO LOCAL DA APREENSÃO DOS BENS
Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de
mercadoria.
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos.

§1o Incorre na mesma pena quem:


I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei;
II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho;

@dicasexconcurseira 175
III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou
fraudulentamente ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por
parte de outrem;
IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de
procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos.

§2o Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de
mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências.

§3o A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.

DE OLHO NA JURIS! Competência da Justiça Federal


Compete à Justiça Federal a condução do inquérito que investiga o cometimento do delito previsto no art. 334, § 1º, IV, do
Código Penal, na hipótese de venda de mercadoria estrangeira, permitida pela ANVISA, desacompanhada de nota fiscal e sem
comprovação de pagamento de imposto de importação. STJ. Plenário. CC 159680-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 08/08/2018 (Info 631). Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda
que inexistentes indícios de transnacionalidade na conduta. STJ. 3ª Seção. CC 160748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 26/09/2018 (Info 635).

Descaminho é crime formal


O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho não é necessária a prévia
constituição definitiva do crédito tributário. Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a simples
conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou exportação de mercadorias.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (Info 548). STF. 2ª Turma.
HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/05/2014. É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal
com a posterior constituição do crédito tributário para a configuração do crime de descaminho (art. 334 do CP), tendo em conta
sua natureza formal. STF. 1ª Turma. HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Pagamento integral da dívida tributária


Se o denunciado pelo crime de descaminho fizer o pagamento integral da dívida tributária, haverá extinção da punibilidade?
NÃO. Segundo a posição atual do STJ, o pagamento do tributo devido NÃO extingue a punibilidade do crime de descaminho. STJ.
5ª Turma. RHC 43558-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 5/2/2015 (Info 555). STJ. 6ª Turma. HC 271650/PE, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 03/03/2016.

Decisão administrativa ou judicial favorável ao contribuinte caracteriza questão prejudicial


Sendo o descaminho um crime formal, e sendo desnecessária a constituição definitiva, a ação penal imputando o descaminho
pode ser proposta mesmo que ainda não tenha sido concluído o processo administrativo ou a execução fiscal acerca do crédito
tributário. As instâncias administrativa, cível e penal são independentes. No entanto, imagine que, antes de ser julgado o
processo criminal, chega ao fim o processo administrativo ou o processo cível e estes concluem que não houve importação
irregular, razão pela qual a autuação tributária é anulada. Nesse caso, a decisão administrativa ou do processo cível irá
repercutir no processo criminal? Ainda que o descaminho seja delito de natureza formal, a existência de decisão administrativa
ou judicial favorável ao contribuinte — anulando o auto de infração, o relatório de perdimento e o processo administrativo fiscal
— caracteriza questão prejudicial externa facultativa, que autoriza a suspensão do processo penal (art. 93 do CPP). STJ. 6ª
Turma. REsp 1413829/CE, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 11/11/2014 (Info 552).

Falsidade ideológica é absorvida pelo descaminho


Responderá apenas pelo crime de descaminho, e não por este em concurso com o de falsidade ideológica, o agente que, com o
fim exclusivo de iludir o pagamento de tributo devido pela entrada de mercadoria no território nacional, alterar a verdade sobre
o preço desta. STJ. 5ª Turma. RHC 31321-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 16/5/2013 (Info 523).

Contrabando à COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL; NÃO CABE O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida (RELATIVA OU ABSOLUTAMENTE):
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos.

§1o Incorre na mesma pena quem:


I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando;

@dicasexconcurseira 176
II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou autorização de órgão público
competente;
III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação;
IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira;
V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida
pela lei brasileira.

§2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de
mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências.

§3o A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.

DE OLHO NA JURIS! A importação de arma de pressão por ação de gás comprimido, ainda que de calibre inferior a 6 mm,
configura o crime de contrabando, sendo inaplicável o princípio da insignificância
Configura CONTRABANDO (e não descaminho) a conduta de importar, à margem da disciplina legal, arma de pressão por ação
de gás comprimido ou por ação de mola. A importação de arma de pressão está sujeita à autorização prévia da Diretoria de
Fiscalização de Produtos Controlados do Exército Brasileiro e só pode ser feita por colecionadores, atiradores e caçadores
registrados no Exército. Além disso, deve se submeter às normas de desembaraço alfandegário previstas no Regulamento para a
Fiscalização de Produtos Controlados. Logo, trata-se de mercadoria de proibição relativa, sendo a sua importação fiscalizada não
apenas por questões de ordem tributária, mas outros interesses ligados à segurança pública. Não é possível aplicar o princípio
da insignificância mesmo que a arma de ar comprimido importada seja de calibre inferior a 6 mm, já que este postulado é
incabível para contrabando. STJ. 5ª Turma. REsp 1428628/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/04/2015. STJ. 6ª Turma.
REsp 1.427.796-RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, julgado em 14/10/2014 (Info 551). STF. 2ª Turma. HC 131943/RS,
Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 7/5/2019 (Info 939).

Importação de colete à prova de balas configura contrabando


Configura crime de contrabando a importação de colete à prova de balas sem prévia autorização do Comando do Exército. A
importação de colete à prova de balas não se enquadra em nenhum tipo penal previsto no Estatuto do Desarmamento. Aquele
que poderia gerar algum tipo de dúvida seria justamente o art. 18. Ocorre que colete à prova de balas não pode ser considerado
acessório. Isso porque a palavra "acessório" mencionada no art. 18 é acessório de arma de fogo, ou seja, algo que complementa,
que se agrega à arma de fogo para melhorar o seu funcionamento ou desempenho. Exs: silenciador, mira telescópica etc. O
colete à prova de balas é uma proteção contra armas de fogo e não um acessório desta. STJ. 6ª Turma. RHC 62851-PR, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/2/2016 (Info 577).

Importação de arma de ar comprimido configura contrabando


A importação de arma de ar comprimido configura CONTRABANDO (e não descaminho) a conduta de importar, à margem da
disciplina legal, arma de pressão por ação de gás comprimido ou por ação de mola, ainda que se trate de artefato de calibre
inferior a 6 mm. A importação de arma de pressão está sujeita à autorização prévia da Diretoria de Fiscalização de Produtos
Controlados do Exército Brasileiro, e só pode ser feita por colecionadores, atiradores e caçadores registrados no Exército. Além
disso, deve se submeter às normas de desembaraço alfandegário previstas no Regulamento para a Fiscalização de Produtos
Controlados. Logo, trata-se de mercadoria de proibição relativa, sendo a sua importação fiscalizada não apenas por questões de
ordem tributária, mas outros interesses ligados à segurança pública. Não é possível aplicar o princípio da insignificância, já que
este postulado é incabível para contrabando. STJ. 5ª Turma. REsp 1428628/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
28/04/2015. STJ. 6ª Turma. REsp 1427796-RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, julgado em 14/10/2014 (Info 551).

CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA

Reingresso de estrangeiro expulso à JUSTIÇA FEDERAL


Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da pena.

@dicasexconcurseira 177
Denunciação caluniosa à OU “DENÚNCIA QUALIFICADA”
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa,
inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém (PESSOA DETERMINADA SABIDAMENTE INOCENTE),
imputando-lhe crime de que o sabe inocente:
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.

à É CRIME PROGRESSIVO: O AGENTE, PARA ALCANÇAR O CRIME DESEJADO, NECESSARIAMENTE VIOLA OUTRA NORMA PENAL
MENOS GRAVE (A CALÚNIA), QUE FICA ABSORVIDA

§1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto.
§2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

DE OLHO NA JURIS! Denunciação caluniosa: exigência de dolo direto do agente


Para configuração do delito de denunciação caluniosa, exige-se que o agente saiba que a pessoa é inocente, ou seja, é
necessário dolo direto. O simples fato de a pessoa “investigada” ou “denunciada” ter sido absolvida não significa que o autor da
“denúncia” deverá responder por denunciação caluniosa, sendo necessário comprovar a sua má-fé, ou seja, que a sua única
intenção era a de atribuir fato criminoso a pessoa que ele sabia ser inocente. STF. 1ª Turma. Inq 3133/AC, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 5/8/2014 (Info 753). No mesmo sentido é a posição 5ª e da 6ª Turmas do STJ (RHC 50672/SP, Rel. Min. Sebastião
Reis Júnior, 6ª Turma, j. 18/09/2014 e RHC 63061/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma, j. 03/11/2015).

O fato de não ter havido indiciamento não é motivo para desclassificar o crime para o art. 340
Se, em razão da comunicação falsa de crime, houve a instauração de inquérito policial, sendo a falsidade descoberta durante os
atos investigatórios nele realizados, o delito cometido é o de denunciação caluniosa, previsto no art. 339 do CP. O fato de o
indivíduo apontado falsamente como autor do delito inexistente não ter sido indiciado no curso da investigação não é motivo
suficiente para desclassificar a conduta para o crime do art. 340. STJ. 6ª Turma. REsp 1482925-MG, Rel. Min. Sebastião Reis,
julgado em 6/10/2016 (Info 592).

Comunicação falsa de crime ou de contravenção


Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter
verificado:
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA COMUNICAÇÃO FALSA


O agente imputa infração penal imaginária a pessoa certa e O agente comunica infração penal fantasiosa, não imputando
determinada a ninguém ou a personagem fictício

Auto-acusação falsa
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem:
Pena - detenção, de 3 meses a 2 anos, ou multa.

Falso testemunho ou falsa perícia à CRIME FORMAL


Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em
processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.

§1o As penas aumentam-se de 1/6 a 1/3, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova
destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta
ou indireta.
§2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença (DE 1º GRAU) no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou
declara a verdade.

DE OLHO NA JURIS! Falso testemunho é crime formal


O crime de falso testemunho é de natureza formal. Consuma-se no momento em que é feita a afirmação falsa a respeito de fato
juridicamente relevante, aperfeiçoando-se quando encerrado o depoimento, podendo, inclusive, a testemunha ser autuada em
flagrante delito. Para que esse delito ocorra, não interessa se as afirmações feitas possuem ou não potencialidade lesiva. STJ. 5ª

@dicasexconcurseira 178
Turma. AgRg no AREsp 603.029/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/05/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 723.184/SP,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 22/11/2016.

Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete,
para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação:
Pena - reclusão, de 3 a 4 anos, e multa. à CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA, PERITO, CONTADOR, TRADUTOR OU
INTÉRPRETE

Parágrafo único. As penas aumentam-se de 1/6 a 1/3, se o crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir
efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.

Coação no curso do processo


Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou
qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

DE OLHO NA JURIS! Crime de coação no curso de procedimento investigatório criminal (PIC)


O Código Penal prevê o delito de coação no curso do processo: Art. 344. Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de
favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir
em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral: Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da
pena correspondente à violência. O crime em tela abrange o "Procedimento Investigatório Criminal" (PIC), que é o
procedimento investigatório aberto pelo Ministério Público? Se um investigado ameaça uma testemunha que seria ouvida pelo
MP no PIC, ele pratica o delito do art. 344 do CP? SIM. O crime de coação no curso do processo (art. 344 do CP) pode ser
praticado no decorrer de Procedimento Investigatório Criminal instaurado no âmbito do Ministério Público. Isso porque o PIC
serve para os mesmos fins e efeitos do inquérito policial. STJ. 6ª Turma. HC 315743-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
6/8/2015 (Info 568).

Exercício arbitrário das próprias razões à DOUTRINA MAJORITÁRIA: É CRIME MATERIAL


Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:
Pena - detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Fraude processual à ESTELIONATO PROCESSUAL


Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa,
com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em
dobro.

Favorecimento pessoal à É CRIME MATERIAL


Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, e multa.

§1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:


Pena - detenção, de 15 dias a 3 meses, e multa.
§2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena. à CAUSA DE
EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE POR INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.

Favorecimento real
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do
crime:

@dicasexconcurseira 179
Pena - detenção, de 1 a 6 meses, e multa.

Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de
rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional.
Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano.

Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança


Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança detentiva:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos.

§1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a pena é de reclusão, de 2
a 6 anos.

§2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência.

§3º - A pena é de reclusão, de 1 a 4 anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda está o preso ou o
internado.

§4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de 3 meses a 1 ano, ou
multa.

Evasão mediante violência contra a pessoa à CRIME DE ATENTADO OU CRIME DE EMRPEENDIMENTO


Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência
contra a pessoa:
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, além da pena correspondente à violência.

Arrebatamento de preso à CRIME FORMAL


Art. 353 – Arrebatar (ARRANCAR COM VIOLÊNCIA) preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob custódia ou
guarda:
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, além da pena correspondente à violência.

Motim de presos
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem ou disciplina da prisão:
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, além da pena correspondente à violência.

Patrocínio infiel à CRIME MATERIAL


Art. 355 - Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo,
lhe é confiado:
Pena - detenção, de 6 meses a 3 anos, e multa.

à INDIFERENTE, PARA O APERFEIÇOAMENTO DESTE TIPO, QUE O PATROCÍNIO SEJA EXERCIDO REMUNERADA OU
GRATUITAMENTE, OU QUE O ADVOGADO TENHA SIDO CONTRATADO PELA PARTE OU NOMEADO PELO JUIZ, PODENDO,
INCLUISVE, FIGURAR COMO SUJEITO ATIVO O DEFENSOR PÚBLICO.

DE OLHO NA JURIS! Patrocínio infiel (art. 355 DO CP)


Somente existe o crime de patrocínio infiel se o agente ostentava a qualidade de advogado ou procurador da pessoa. Assim,
este delito pressupõe que o profissional da advocacia tenha recebido outorga de poderes para representar seu cliente. STF. 1ª
Turma. HC 110196/PA, rel. Min. Marco Aurélio, 14/5/2013 (Info 706).

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Patrocínio simultâneo ou tergiversação
Parágrafo único - Incorre na pena deste artigo o advogado ou procurador judicial que defende na mesma causa, simultânea
(PATROCÍNIO SIMULTÂNEO) ou sucessivamente (TERGIVERSAÇÃO), partes contrárias.

Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito


Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial: à PARA
O STF, ESSA “DECISÃO” TEM QUE TER NATUREZA PENAL.
Pena - detenção, de 3 meses a 2 anos, ou multa.

@dicasexconcurseira 181