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O CLASSICISMO

Doutrina dos artistas que, a partir do séc. XVI, encontraram na Antiguidade greco-
romana suas fontes de inspiração e seus exemplos.
Doutrina literária e artística fundada sobre o respeito da tradição clássica.
Caráter do que é conforme a certa tradição literária ou artística. O classicismo confere
maior importância às faculdades intelectuais do que às emocionais na criação das obras
de arte, porque busca a expressão de valores universais acima dos particularismos
individuais ou nacionais. Inspirando-se nos modelos da Antiguidade clássica greco-
romana, estabeleceu princípios ou normas, como a harmonia das proporções, a
simplicidade e equilíbrio da composição e a idealização da realidade. Recusa, portanto,
a emotividade e exuberância decorativa do barroco.
O classicismo é uma escola resultante de determinantes históricos, políticos e sociais
que ganhou feição específica dentro de cada país onde se manifestou. O classicismo
francês foi o que codificou os procedimentos estéticos que lhe conferiram
especificidade e determinação. Contrariamente ao senso comum, o classicismo não se
baseia completamente nas teorias dos antigos clássicos, mas os tempos modernos
incluíam sua marca, fazendo emergir uma literatura própria. Elementos buscados e
preservados eram: a verossimilhança, a proporcionalidade, a contenção dos
extravasamentos pessoais e emocionais e o caráter sereno das manifestações estéticas.
Há estudos que apresentam as origens do classicismo francês atreladas,
antiteticamente e ironicamente ao “preciosismo barroco” da França, introduzido pelo
universo místico espanhol e italiano. O classicismo coloca-se contra as invenções
lexicais e o vocabulário precioso, em uma concepção de “limpeza” da língua francesa.

“A idéia-força do classicismo é de que o mundo se acha inteiramente construído- Ele é


dado ao homem da forma que é. O ser humano deve, portanto, se contentar com ele,
sem poder trazer modificações sensíveis a um universo que se liga ao permanente, ao
intangível, ao cristalizado. É o que explica, em particular, a concepção que os clássicos
têm dos caracteres e dos comportamentos humanos: são marcados pela continuidade e
não podem sofrer evolução a não ser no âmbito de sua própria lógica: desse modo, não
se deve, numa peça de teatro, terminar a ação fazendo intervir uma mudança de
vontade, isto é. uma modificação radical do comportamento da personagem (...) O
mundo clássico é, portanto, um mundo que depende de regras de funcionamento muito
estritas. O mesmo acontece com o homem, que aparece profundamente alienado,
submetido a seu destino imposto por Deus. Ele está estreitamente subordinado à
fatalidade que, inexoravelmente, apesar de seus esforços, o conduz à sua perda: assim se
revelam as personagens do teatro de Racine que se vêm na incapacidade de fazer uma
escolha, impor sua vontade. A essa dependência do homem se acrescenta seu
isolamento: cada um se acha fechado em seu meio e em si mesmo, sem poder
comunicar-se profundamente com seus semelhantes.” (HORVTLLE. Robert – Histoire
de Ia littétature en France ou XVIIe siècle. Paris, Hatier, 1985, Col. Profil d’une oeuvre
120,p.33-34,trad. de G. P. Passos)
O Classicismo em Moliére
Jean-Baptiste Molière era fruto da atmosfera do século XVII. A comédia, nas décadas
anteriores ao aparecimento de Molière, era um gênero médio, situada entre a grandeza
trágica e a zombaria farsesca. Definia-se pelo objetivo de provocar o riso pelos
personagens de condição social baixa ou média, ambiente doméstico, assuntos
corriqueiros e desfecho obrigatoriamente feliz. Devia ser escrita em versos, ter cinco
atos, respeitar as conveniências, preocupar-se com a verossimilhança e obedecer às
unidades de tempo e lugar. Molière dirige durante quinze anos (1643-1673) um grupo
de atores ambulantes. A partir de 1659, instalado em Paris e protegido por Luís XIV,
representa para o divertimento da Corte e do público parisiense numerosas comédias.
Ator, diretor de companhias, criou verdadeiramente a mise-en-scène e dirigiu a atuação
dos atores com precisão. Suas obras-primas são as peças em que, combatendo um vício
ou extravagância, constrói personagens que se tornam tipos eternos. A lição de moral
que se tira do seu teatro é uma recomendação ao homem para que nunca ultrapasse a
medida e permaneça nos limites do bom senso.

“É uma curiosa indicação da complexidade do homem e seu mundo que a era de


Corneilíe e Racine tenha sido também a de Molière. Pois enquanto a tragédia estava
erigindo uma torre de poderosa dignidade, a comédia estava ocupada em demoli-la.
Enquanto a tragédia investia a sociedade aristocrática e da alta classe média com vestes
cravejadas de jóias, a comédia as arrancava até pôr a nu a truanesca roupa de baixo – e
qual a sociedade que não usa por baixo uma roupa de truão? Aqui, novamente , a França
do século XVTI assumiu a liderança Da conjunção de uma era e.de um temperamento
surgiu uma grande figura que lança sua ampla sombra sobre todo o teatro europeu, e
não é necessária grande sagacidade para reconhecer nesta descrição Molière. o mestre
cômico da dramaturgia moderna até o advento de Shavv.” (GASSNER, John – Mestres
do teatro I . São Paulo , Editora Perspectiva / Editora da Universidade de São Paulo ,
1974 , vol. I, p.331)

Características do Teatro – Classicismo:


- Atores e atrizes juntos;
- Teatros com teto;
- Textocentrismo;
- Ator declamador;
- Valorização da comédia;
- Público pagante.
- Reescrituras das tragédias gregas, atenuadas;
- Teatro Elisabetano é visto como um teatro bárbaro;
- Teatro dos palácios e salões;
- “Arte Poética”, de Nicolas Boileau: manual estético da doutrina clássica; propõe as
regras do bem escrever;
- Adota os princípios da “Poética” de Aristóteles;
- Lei da verossimilhança;
- O belo como condição indispensável;
- Adota a regra das três unidades
- Desprezo pela arte que se aproxime do popular;
- Texto rígido, contido, metrificado e rimado;

Bibliografia:
http://dumayisiro.wordpress.com/2010/07/23/moliere-racine-e-
classicismo/

http://blog.cybershark.net/miguel/2009/03/17/textos-sobre-o-
classicismo-frances/

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