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CÓDIGO/DESIGNAÇÃO DA UNIDADE

10371 - Respostas sociais de proximidade - organização e gestão

CARGA HORÁRIA 25 horas

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Índice
Índice ................................................................................................................................. 2
Objetivo Geral .................................................................................................................... 1
Conteúdos Programáticos .................................................................................................. 1

Introdução ......................................................................................................................... 1

1. Desenvolvimento sustentável ........................................................................................ 5


2. Economia Social: conceitos e caracteristicas ................................................................ 11
3. Políticas Sociais ............................................................................................................ 15
4. Relações entre as diversas políticas sociais ................................................................. 28

Conclusão ........................................................................................................................ 34

Referencias Bibliográficas ................................................................................................ 35

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OBJETIVO GERAL
Crianças e Jovens
• Identificar o estatuto, natureza, organização e gestão de cada equipamento e serviço.
• Reconhecer o papel das organizações do terceiro setor na resposta aos problemas sociais.
• Identificar as respostas sociais inerentes às diversas problemáticas e respetiva população
alvo.
• Observar as diferentes respostas sociais.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
• Organização e gestão do terceiro setor

Conceito e evolução do 3º setor em Portugal

Equipamentos e serviços

Entidades lucrativas e não lucrativas

Instituições particulares de solidariedade social

• Respostas sociais

Crianças e jovens

Crianças e jovens em situações de risco

Crianças, jovens e adultos com deficiência

Terceira idade

Família e comunidade

Pessoas com doença do foro mental

Comportamentos Aditivos e Dependências

Pessoas em condição de sem abrigo


INTRODUÇÃO
Crianças e Jovens

O Terceiro Setor tem demonstrado ser uma alternativa aos problemas sociais e, de
forma progressiva, está ocupando alguns espaços que eram tidos como exclusivos do
governo, pois, devido às suas visíveis limitações como supridor de serviços, o Estado
vê-se na obrigação de delegar responsabilidades para gerenciamento dos serviços.
Segundo Melo Neto e Froes (2002), o crescimento dos problemas sociais é a principal
causa do paradigma da exclusão social em Portugal, razão pela qual se exige uma
nova atitude de todos os atores políticos e sociais no tocante às práticas de gestão.
1. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO TERCEIRO SETOR
Crianças e Jovens

Segundo o Banco Mundial, principal responsável pela disseminação do termo Terceiro Setor, as
organizações que caracterizam essa esfera são organizações privadas que realizam atividades
voltadas para reduzir o sofrimento humano, promover o interesse dos pobres, proteger o meio
ambiente, prover serviços sociais básicos e desenvolver comunidades (BANCO MUNDIAL, 1997).
No caso brasileiro, são raras e de difícil generalização as informações sobre a criação de
empreendimentos com fins sociais, ou seja, que realizam essas atividades empreendedoras para
promover a mudança social. Segundo Melo Neto e Froes (2002), nesse novo contexto, surge um
novo paradigma, ou seja, uma maneira diferente de pensar a comunidade e o seu desenvolvimento
social, econômico, político, cultural, ético e ambiental. O empreendedorismo social é, portanto,
uma nova forma de pensar a comunidade. Na visão de Schindler e Naigeborin (2004), “o
protagonismo dos empreendedores sociais é capaz de produzir desenvolvimento sustentado,
qualidade de vida e mudanças de paradigmas”. Trata-se de ações sociais que beneficiam
comunidades menos privilegiadas, oferecendo oportunidades concretas de transformação de
setores tradicionalmente excluídos das principais agendas nacionais. Afirmam ainda as autoras que
a crescente oferta de publicações do mercado editorial brasileiro nas áreas de Planejamento e
Gestão para organizações do Terceiro Setor configura um claro sinal da relevância e potencial da
demanda pelo tema. Especificamente, a Competência Estratégica é colocada como atividade
essencial de planejamento e desenvolvimento para as ONGs, cujo desenvolvimento depende de
sistemas que unam organizações públicas e privadas, integrando iniciativas locais num ambiente
de apoio ao desenvolvimento, em articulação com outros atores sociais (KORTEN, 1997 apud KISIL,
2000).
Para que as organizações do chamado Terceiro Setor otimizem o seu potencial, seja pela
reflexão quanto aos seus propósitos, seja pela análise do ambiente e de suas possibilidades, ou
ainda pela construção de uma visão de futuro que possa mobilizar recursos, pela clareza dos seus
objetivos ou pelo alinhamento e integração das ações desenvolvidas na busca da sustentabilidade,
Queiroz (2004) recomenda que a execução dessas atividades se dê
mediante implementação de ferramentas de gestão e controle.
De acordo com Melo Neto e Brennand (2004), a gestão passou a fazer parte dos negócios das
organizações sem fins lucrativos, tornando mais efetivas as ações voltadas para garantir sua
sustentabilidade.

1.1. Terceiro Setor


A expressão terceiro setor é uma tradução de third sector, que nos EUA é usada junto
com expressões como organizações sem fins lucrativos (nonprofit organizations) ou setor
voluntário (voluntary sector). Na Europa continental predomina a expressão organizações
não-governamentais. Sua origem vem do sistema de representações da Organização das
Nações Unidas (ONU), que assim denomina as organizações internacionais representativas,
para justificar sua presença oficial na ONU (ALBUQUERQUE, 2006).
Historicamente, as organizações de Terceiro Setor começaram a surgir no país em
períodos de regime militar, acompanhando um padrão característico da sociedade brasileira,
em que o modelo autoritário convive com a modernização do país e com o surgimento de uma
novaCrianças
sociedadee Jovens
organizada, baseada em ideários de autonomia em relação ao Estado, em que
a sociedade civil tende a confundir-se, por si só, com oposição política (TACHIZAWA,
2002).
Contudo, Pereira (2006) destaca o Terceiro Setor como sendo uma consequência da
revolução nos papéis sociais tradicionais, em que a sociedade torna-se mais participativa da
realidade cotidiana, não deixando apenas a cargo do Estado o trabalho voltado para garantir o
bem-estar das pessoas. É o surgimento de uma esfera pública não estatal, porque não faz parte
do Estado, e sim de iniciativas privadas de sentido público, voltadas para o interesse geral e
para o bem-comum.
Na visão de Salamon (2008), o Terceiro Setor é um amplo conjunto de organizações
autônomas de caráter privado, que não distribuem lucros para seus membros. Nessas
organizações, as pessoas são livres para decidir se participarão, ou seja, são organizações
voluntárias. Elas também não são ligadas aos governos. Isso inclui hospitais, escolas e ONGs
voltadas para o desenvolvimento e os direitos humanos.
Segundo Merege (2008), a maioria das organizações do Terceiro Setor nasceu tendo
como referência projetos bastante específicos. Por exemplo, projetos que constituem a
materialização de um sonho de seus idealizadores, que passam a dedicar todas as suas energias
a uma determinada causa. São verdadeiros empreendedores, que, ainda segundo o autor,
indignados com a situação social no país, resolveram dedicar o seu trabalho à transformação de
pessoas e proporcionar melhoria nas condições de vida da população menos privilegiada.
Dessa forma, atendendo às necessidades da sociedade para uma melhoria no
desenvolvimento social local, os empreendimentos sociais desempenham importante papel
nesse contexto. Atuando numa grande demanda social que o Estado não consegue atender
plenamente, as organizações do Terceiro Setor são criadas com o objetivo de lutar por uma
sociedade mais igualitária e justa, ganhando importância no desenvolvimento político,
econômico e social do país.
No intuito de se fazer perpetuar as organizações sem fins lucrativos, para a melhoria das
condições de vida das pessoas menos favorecidas, aborda-se no próximo tópico, a importância
da gestão e a eficácia das ações e dos projetos sociais, nos quais a sociedade reconhece cada
vez mais, a necessidade de uma profunda transformação social, legitimando o Terceiro Setor
como veículo desse processo, acentuando-se cada vez mais a responsabilidade para a qualidade
e profissionalização dessa gestão.

1.2. Gestão Organizacional do Terceiro Setor

Pereira (2006) constata que o Terceiro Setor não é, portanto, nem público nem privado, e
que congrega uma legião de entidades que desempenham papel complementar às ações do
Estado na esfera social. O grande problema reside, porém, na administração dessas
organizações, já que, como não buscam lucros convencionais e dependem de doações, elas
precisam determinar sua exata missão e atuação, de maneira a não despender esforços nem
capital que não produzam o retorno correspondente. Por esses motivos e pelas características
singulares dessas organizações, seus gestores procuram novas alternativas para a gestão
organizacional, buscando, na esfera pública e na iniciativa privada, subsídios para sua
modernização e atualização gerencial.
Crianças
Reduzir e Jovens
a gestão dessas organizações à simples aplicação de técnicas gerenciais do setor
estatal ou do privado pode comprometer a efetividade da missão e os objetivos
organizacionais. Segundo Tenório (1999), não se deve, no processo de profissionalização da
gestão, buscar somente estratégias de sobrevivência organizacional ou de grupos, mas, sim, ter
sempre em foco a maior efetividade das ações sociais, que em última instância são a razão da
existência dessas organizações.
Da mesma forma que as organizações do Segundo Setor procuram profissionalizar sua
gestão, as do Terceiro Setor também procuram estruturar-se melhor, para poder permanecer
em um ambiente competitivo e globalizado.
Nos últimos anos, essa constatação tem levado muitas organizações a qualificar os seus
serviços, para deixarem de ser exclusivamente assistencialistas e passarem a atuar na
promoção do desenvolvimento sustentável de comunidades pobres. Estão cientes de que
apenas vontade não basta, sendo necessária a profissionalização. Esse diagnóstico está levando
à procura de eficazes modelos de gestão, buscando-se melhores resultados no atendimento ao
público em questão. É a passagem da informalidade para a “fase da profissionalização”
(FISCHER, 2004).
Organizações do Terceiro Setor têm consciência de que além da boa-vontade, é
fundamental a profissionalização do pessoal para que um serviço de qualidade tenha destaque
pelo seu diferencial (FISCHER, 2004). A busca por novas ferramentas de gestão está
oportunizando a reavaliação das rotinas e procedimentos administrativos que ajudarão no
cumprimento da missão. Similarmente às empresas, as organizações sociais procuram
apropriar-se de processos que contribuam para uma melhor administração dos recursos
humanos, dos serviços prestados, dos recursos financeiros e materiais, e, fundamentalmente,
atender cada vez melhor ao seu público.
Na opinião de Dees (2008), muitas organizações do setor social são vistas como
ineficientes, ineficazes e sem respostas aos problemas, razão pela qual os empreendedores
sociais são necessários para o desenvolvimento de novos modelos de gestão. O pesquisador
assinala que os empreendedores sociais possuem um conjunto de características
comportamentais excepcionais, daí a necessidade de incentivar e recompensar esses
comportamentos. O empreendedor social é uma rara espécie de líder, devendo ser reconhecido
como tal.
A gestão das organizações sem fins lucrativos emprega as funções administrativas –
planejamento, organização, direção e controle –, a fim de conferir às instituições o melhor
desempenho em termos de eficiência, eficácia e efetividade. Tenório et al (2001) assim
explicam esses conceitos: eficiência: é a melhor forma de fazer algo com os recursos
disponíveis; eficácia: é fazer o que deve ser feito, isto é, cumprir o objetivo determinado e
efetividade: é a capacidade de atender às expectativas da sociedade.
Para os citados autores, o efeito gerado por essas relações (eficiência, eficácia e
efetividade) causará impacto, diga-se, mudança na vida das pessoas, o que, por sua vez, reforça
os desafios enfrentados para se conseguir esse resultado.
Outros autores, como Salamon (2005), Falconer (1999), Tenório (1999) e Drucker
(1997), abordam a questão relacionada aos desafios para a gestão do Terceiro Setor, conforme
explicitadas e conceituadas no Quadro 1.
Crianças e Jovens

Diante desses desafios, os gestores das organizações do Terceiro Setor veem-se na


necessidade de mostrar resultados para as partes interessadas, propiciando uma abertura cada
vez maior para o uso de métodos administrativos profissionais utilizados nos setores privado e
público, sem deixar de lado suas peculiaridades e o eminente valor implícito da sua missão,
para uma gestão de cunho social.

1.3. Gestão Social

Segundo Drucker (1997), é preciso deixar de olhar as organizações sem fins lucrativos
apenas pelo que elas não são, passando a valorizá-las pela sua atuação na sociedade, como
agentes de mudança individual e social. O grande problema reside na administração dessas
organizações, já que, como não operam com lucros convencionais e dependem de doações,
elas precisam determinar exatamente a sua missão e atuação, de forma a não despender
esforços nem capital que não produzam o retorno esperado.
Nessa perspectiva, vende-se a idéia, acatada pelas instituições sociais filantrópicas, de
que, para sobreviver, elas devem adotar os mesmos mecanismos e instrumentos de gestão das
empresas do Segundo Setor, incutindo-se em seus gestores o mito de que tudo que é
empresarial é bom, ou que o que é bom para as empresas privadas é bom para as organizações
do Terceiro Setor.
Tenório (1998) aborda a diferença entre gestão social e gestão estratégica. Em seu
modo de pensar, a gestão social é caracterizada "por um gerenciamento mais participativo,
dialógico, no qual o processo decisório é exercido por meio de diferentes sujeitos sociais", ao
passo que gestão estratégica "é um tipo de ação social utilitarista, fundada no cálculo de meios
e fins e implementada através da interação de duas ou mais pessoas, na qual uma delas tem
autoridade formal sobre a(s) outra(s)". O autor destaca, ainda, que a partir da década de 1980,
as ONGs no Brasil defrontaram-se com situações inusitadas – que passaram a exigir maior
preocupação com a sua gestão –, como:
a) inflação com índices crescentes;
b) emergências de governos democráticos;
Crianças e de
c) implantação Jovens
uma política neoliberal, que agravou a pobreza; e
d) crescimento da economia informal.

Nesse contexto, e devido à descoberta de que o Banco Mundial as entendia como


solução para os problemas sociais, as ONGs passaram a repensar a sua missão e se preocupar
com a gestão, já que seu desempenho era considerado questionável quanto à eficácia,
apresentando limitações na área administrativa, desempenho gerencial, profissionalização de
pessoas e necessidade de redução de custos indiretos (TENÓRIO, 1998).
Drucker (1994) afirma que as próprias instituições sem fins lucrativos sabem que
devem ser gerenciadas exatamente porque não têm “lucro convencional”. Elas sabem que
precisam aprender a utilizar a gestão como ferramenta, para que esta não as domine.
Percebe-se então uma preocupação com aspectos relacionados à gestão, devido ao
significativo crescimento das organizações do Terceiro Setor, segundo Falconer (1999):
Há um virtual consenso entre estudiosos e pessoas envolvidas no cotidiano de
organizações sem fins lucrativos de que, no Brasil, a deficiência no gerenciamento
dessas organizações é um dos maiores problemas do setor, e que o aperfeiçoamento
da gestão – através da aprendizagem e da aplicação de técnicas oriundas do campo
de Administração – é um caminho necessário para o atingir de melhores resultados.
Diante da heterogeneidade e da complexidade do Terceiro Setor, parece não haver a
possibilidade de se definir um sistema único de gestão para o segmento, devido às diferenças
em sua composição, porte, organização, finalidade e forma de funcionamento.

Levando em conta essa complexidade e a diversidade das organizações sem fins


lucrativos, Jadon (2005) cita dois fatores fundamentais que justificam a necessidade de se
profissionalizar a gestão social, referindo, antes de tudo, que a expansão do Terceiro Setor é a
explicação do surgimento desses fatores.
Um deles é o engajamento do setor privado nas questões sociais, por meio do qual, em
um primeiro momento, empresas brasileiras e multinacionais iniciaram um processo de
atuação nas áreas sociais em parceria com a sociedade civil. O outro fator importante para a
necessidade de uma gestão social efetiva é a sustentabilidade, como fim do processo da
dependência, ao implicar a necessidade de providências como: diversificar fontes de
financiamento; desenvolver projetos de geração de receitas; profissionalizar recursos humanos
e voluntariado; atrair membros/sócios das organizações e estratégias de comunicação; buscar
paradigmas de avaliação de resultados sociais; e desenvolver uma estrutura gerencial. O autor
cita, ainda, que, independentemente da ferramenta de gestão empresarial que se pretenda
utilizar na gestão social, torna-se imprescindível uma adaptação da linguagem e dos
conceitos.

Sendo assim, Jadon (2005) conceitua Gestão Social como:


um processo de organização, decisão e produção de bens públicos de proteção
social que, em um espaço público específico, provoca a sinergia dos elementos
derivados do lugar relacional do terceiro setor. No entanto, a gestão social se
concretiza, perseguindo uma missão institucional e articulando, formal e
informalmente, os públicos constituintes, envolvidos na representação da questão
social e moldando o terceiro setor reconhecendo nele um conjunto de dualidades
que dizem respeito aos níveis de formalidade, informalidade, racionalidade,
qualidade, controle e universalidade.
Crianças
Dessa e Jovens
forma, considerando-se o engajamento dos atores sociais na promoção de uma
mudança social e na garantia da sustentabilidade das organizações sociais, Silva (2002)
desenvolveu um modelo que explica o significado das relações de alguns envolvidos na
gestão de organizações sem fins lucrativos, para garantir a sustentabilidade das ações
relacionadas entre as partes. Por meio de um modelo em cinco dimensões, o autor representa
essas relações conforme ilustrado na Figura 1.

Coincidentemente em forma de trevo, o autor denominou “Modelo Trevo” a gestão de


uma organização sem fins lucrativos, porquanto contínua, dinâmica, diversificada, complexa e
pouco comum. O modelo apresenta-se através de cinco relações, a saber: “Informação,
comunicação e relações internas”, caracterizada e conhecida como Pessoas; “Relações com a
sociedade”, em que a sociedade será a beneficiada com a gestão; Recursos, considerados
essenciais para a manutenção do empreendimento social; Serviços e processos, que
determinarão o meio para se alcançar o valor percebido pela organização; e Grupo gestor,
representado pelos dirigentes da organização. O autor define a relação entre a sociedade e
serviços como o DIRECIONAMENTO, o foco da organização, que é fundamental, evitandose, assim,
que tente solucionar todos os problemas e carências da comunidade atendida. Ou
seja, quando a organização define bem seu direcionamento, por meio da missão ou da visão
do empreendimento social, a probabilidade de acerto é bem maior. A relação entre recursos e
pessoas define a CAPACIDADE do empreendimento social, pois, sem esses dois, a
organização fica impossibilitada de atender às necessidades da sociedade. Defende o autor
que os talentos e a infraestrutura determinam o que o empreendedor é capaz de realizar.
Na relação entre pessoas e serviços encontra-se a QUALIDADE do empreendimento
social, em que a forma de organização dos serviços será o diferencial em sua gestão. Já na
relação entre as pessoas e a sociedade, é a MOTIVAÇÃO que se caracteriza pelo
comprometimento com a causa social, estimulando, concomitantemente, o trabalho
voluntário. Sendo a VIABILIDADE do empreendimento social representada na relação entre
recursos e serviços, é fundamental que haja uma adequação entre os recursos do
empreendimento e os serviços que oferta. Por isso, é importante definir e quantificar os
recursos disponíveis, para que se estabeleçam os serviços a serem ofertados à comunidade. O
autor define ainda a LEGITIMIDADE do empreendimento, quando da relação entre a
sociedade e os recursos, em que ratifica que o momento mais oportuno de a sociedade
Crianças
reconhecer e Jovensse dá na ocasião em que os recursos são repassados para a organização.
a entidade
Dessa forma, a organização sabe comunicar à sociedade o que faz e qual o seu propósito.
Percebe-se, ainda, no centro do “Trevo”, o grupo gestor da organização, que tem a
responsabilidade de manter as relações em movimento e em equilíbrio, buscando, nesse
formato dinâmico, o melhor resultado para a sociedade.

Como relevância e direcionamento dessa temática neste estudo, explica-se no próximo


tópico o papel fundamental do empreendedorismo social ao contribuir para o processo de
gestão de projetos inovadores, capazes de sustentar sistemas democráticos e vários tipos de
comunicação, como um novo paradigma no desenvolvimento econômico.

Entretanto, o papel do empreendedor social e sua responsabilidade para com o


desenvolvimento, em nada diminuem a responsabilidade do Estado e de outros segmentos da
sociedade. É, então, a partir desse enunciado que Sen (2000) analisa o desenvolvimento de
uma sociedade com base não somente na produção de riqueza material e outras variáveis
relacionadas à renda, mas também na incorporação da gestão social, pelas oportunidades
sociais adequadas e de liberdades individuais, políticas, sociais e econômicas.

1.4. Empreendedorismo Social

Segundo Melo Neto e Froes (2002), o crescimento dos problemas sociais é a principal
causa do paradigma da exclusão social no Brasil, razão pela qual se exige uma nova atitude de
todos os atores políticos e sociais; uma atitude de mudança, inovadora em sua natureza e
essência, voltada para o desenvolvimento sustentável das comunidades em geral, inclusive as
de baixa renda. Nesse contexto, surge o empreendedorismo social como alternativa para
combater esses problemas, caracterizando-se como um novo paradigma do desenvolvimento.
Segundo Silva (2008), na medida em que aumenta a importância das organizações do
Terceiro Setor na sociedade e na economia contemporânea, necessariamente o

empreendedorismo social tende a ocupar posição de crescente destaque no contexto da gestão


organizacional, a exemplo do que ocorreu ao longo das décadas de 1980 e 1990 com o
empreendedorismo mais relacionado ao enfoque empresarial.
Entende-se que um dos pressupostos básicos para uma ação empreendedora social é a
efetiva participação das pessoas nas atividades sociais, políticas, econômicas que afetam o
seu desenvolvimento e sua qualidade de vida, assim como o fortalecimento institucional da
comunidade. Segundo Arruda e Boff (2000), o empreendedorismo social requer um modelo
de desenvolvimento e uma cultura de gestão abrangendo:
A. implantação de trabalhos cooperativados, baseados em valores como a partilha, a
complementação, a reciprocidade, a corresponsabilidade e a solidariedade;
B. uso do trabalhador individual e social como criação de valor;
C. formação de parcerias e redes sociais (cooperativas e de intercâmbio);
D. fomento da cidadania ativa, em que os cidadãos tornam-se sujeitos do seu próprio
desenvolvimento;
E. democratização da propriedade, da gestão produtiva, da tecnologia, do crédito, da
educação de qualidade e do acesso aos mercados;
Crianças
F. e Jovensdas empresas em verdadeiras comunidades humanas;
transformação
G. adoção, prática e disseminação de uma educação libertadora;
H. disseminação de práticas participativas de gestão;
I. adoção de um projeto comum de uma socioeconomia de solidariedade; e
J. “empoderamento” dos cidadãos e da comunidade e sociedade.

Para que ocorra esse desenvolvimento, torna-se necessário que os empreendimentos


sociais superem desafios que, por sua natureza, diferentemente do que se verifica nos
empreendimentos privados, decorrem de condicionamentos sociais, econômicos, políticos e,
sobretudo, culturais e ambientais, com a comunidade no principal eixo de atuação, o que, por
sua vez, difere do empreendedorismo privado, cuja força motriz é o mercado.
Melo Neto e Froes (2002) definem os principais desafios dos projetos de
empreendedorismo social, associados à estrutura das “dimensões do empreendedorismo
social”, ainda que sintetizadas e distribuídas pela estrutura, conduzindo à análise e ao estudo
de um dos objetivos da pesquisa, conforme ilustrado na Figura 2.

Partindo-se da Dimensão Psicossocial (1), que tem como objetivo melhorar o sentimento de
autoestima das pessoas da comunidade e proporcionar-lhes orgulho de sua cultura e meio
ambiente, seguida da Dimensão Cultural (2), que consiste em criar a cultura REGULATÓRIA
AMBIENTAL POLÍTICA ECONÔMICA CULTURAL PSICOSSOCIAL 01 02 03 04 05 06 9 de
autossustentação e preservar as culturas locais, que por sua vez implementam-se de mecanismos
geradores de renda e emprego. Surgem, assim, novas organizações, materializando-se em conjunto
com as Dimensões Econômica (3) e Política (4), que se traduzem na na Dimensão Ambiental (5),
mediante iniciativas de preservação do meio ambiente local e dos recursos naturais existentes na
comunidade e na região, finalizando em sua Dimensão Regulatória/Institucional (6), que
compreende a criação de instrumentos legais e políticas públicas de fomento ao
empreendedorismo social local, regional, nacional e suas articulações de caráter continental e
global.
2. RESPOSTAS SOCIAIS
Crianças e Jovens

Infância e Juventude

Respostas Sociais
nomenclaturas/Conceitos
Ama
Crianças
(Cód.1101)ee Jovens
(Cód.1102)

Conceito:

Resposta social desenvolvida através de um serviço prestado por pessoa idónea que, por
conta própria e mediante retribuição, cuida de crianças que não sejam suas parentes ou afins
na linha recta ou no 2º grau da linha colateral, por um período de tempo correspondente ao
trabalho ou impedimento dos pais.

Objectivos: Destinatários:

 Apoiar as famílias mediante o acolhimento de  Crianças até aos 3 anos de


crianças, providenciando a continuidade dos idade.
cuidados a prestar;
 Manter as crianças em condições de segurança;
 Proporcionar, num ambiente familiar, as
condições ade- quadas ao desenvolvimento
integral
Disposições dasecrianças.
Legais Técnicas Enquadradoras da Resposta:
Obs:

 Decreto-Lei n.º 158/84, de 17 de Maio; Cód. 1101 – AMA

 Despacho Normativo n.º 5/85, de 18 de Janeiro. Cód. 1102 - AMA (CRECHE FAMILIAR)
Ama enquadrada em Creche
Familiar.
Crianças e Jovens

Creche
(Cód.1103)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, de natureza sócio-educativa, para acolher


crianças até aos três anos de idade, durante o período diário correspondente ao impedimento
dos pais ou da pessoa que tenha a sua guarda de facto, vocacionado para o apoio à criança
e à família.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar o bem estar e desenvolvimento  Crianças até aos 3 anos de


integral das crianças num clima de segurança idade
afectiva e física, durante o afastamento parcial
do seu meio familiar através de um atendimento
individualizado;
 Colaborar estreitamente com a família numa
partilha de cuidados e responsabilidades em
todo o processo evolutivo das crianças;
 Colaborar de forma eficaz no despiste
precoce de qualquer inadaptação ou
deficiência assegurando o seu
encaminhamento adequado;
Obs:
 Prevenir e compensar défices sociais e culturais
do meio familiar.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Despacho Normativo n.º 99/89, de 11 de


Setembro;
 Guião Técnico das Creches aprovado em
29/11/1996;
 Orientação Técnica, Circular n.º11, de
24.06.2004.
Crianças e Jovens com Deficiência

Estabelecimento de Educação Pré-Escolar


(Cód.1104)

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, vocacionada para o


desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe actividades educativas e
actividades de apoio à família

Objectivos: Destinatários:

 Promover o desenvolvimento pessoal e social


da criança e proporcionar-lhe condições de  Crianças com idades
bem estar e segurança; compreendi- das entre os 3
anos e a idade de ingresso
 Contribuir para a igualdade de oportunidades no ensino básico.
no acesso à escola e para o sucesso da
aprendizagem e desenvol- ver a expressão e a
comunicação através da utilização de
linguagens MÚLTIPLAS como meios de
relação, de informação, de sensibilização
estética e de compreensão do mundo;
 Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;
 Proceder à despistagem de inadaptações,
deficiências e precocidades, promovendo a
melhor orientação e encaminhamento da
criança;
 Incentivar a participação das famílias no
processo edu- cativo e estabelecer relações de
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:
efectiva colaboração com a comunidade; Obs:

 Lei
Apoiar
n.º 5/97,
a família
de 10 através
de Fevereiro;
de fornecimento de
Resposta com intervenção
refeições e de prolongamentos
Decreto-Lei n.º 147/97, de 11 dedeJunho;
horários com
 integrada da Segurança Social
actividades de animação sócio-educativa.
 Despacho Conjunto n.º 268/97, de 21 de e da Educação.
Agosto.
Crianças e Jovens com Deficiência

Centro da Atividades de Tempos Livres


(Cód.1105)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento ou serviço, que proporciona actividades de


lazer a crianças e jovens a partir dos 6 anos, nos períodos disponíveis das
responsabilidades escolares e de trabalho, desenvolvendo-se através de diferentes
modelos de intervenção, nomeadamente acompanhamento/ inserção, prática de
actividades específicas e multi-actividades.

Objectivos: Destinatários:

 Criar um ambiente propício ao desenvolvimento de


cada criança ou jovem, por forma a ser capaz de se  Crianças e jovens a partir
situar e expressar num clima de compreensão, dos 6 anos de idade.
respeito e acei- tação de cada um;
 Colaborar na socialização de cada criança ou jovem,
através da participação na vida em grupo;
 Favorecer a inter-relação
família/escola/comunidade/ estabelecimento, em
ordem a uma valorização, aprovei- tamento e
rentabilização de todos os recursos do meio;
 Proporcionar actividades integradas num projecto
de animação sócio-cultutral, em que as crianças
possam escolher e participar voluntariamente,
considerando as características dos grupos e tendo
como base o maior respeito pela pessoa;
 Melhorar a situação sócio-educativa e a qualidade
de vida das crianças;
Obs:
 Potenciar a interacção e a inclusão social das
crianças com deficiência, em risco e em exclusão Actividades integradas nos
social e familiar. modelos de intervenção
referidos na definição da
resposta:
Acompanhamento/inserção
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: - actividades de animação de rua e
actividades de porta aberta;
 Despacho Normativo n.º 96/89, de 11 de
Prática de actividades específicas
Setembro; - desporto, biblioteca, ludotecas, ateliers de
expressão, cinecl ubes, clubes de fotografia
 Guião Técnico - DGAS, Despacho do SEIS de e quintas pedagógicas;
23/03/98 Multi-actividades
- actividades diferenciadas desenvolvidas nos
ATL tradicionais.
Crianças e Jovens com Deficiência

Intervenção Precoce
(Cód.1201)

Conceito:

Resposta desenvolvida através de um serviço que promove o apoio integrado, centrado


na criança e na família mediante acções de natureza preventiva e habilitativa,
designadamente do âmbito da educação, da SAÚDE e da acção social.

Objectivos: Destinatários:

 Assegurar condições facilitadoras do


desenvolvimento global da criança com  Crianças até aos 6 anos de
deficiência ou em risco de atraso grave de idade, especialmente dos 0
desenvolvimento; aos 3 anos, com deficiência
ou em risco de atraso grave
 Potenciar a melhoria das interacções familiares; de desenvolvimento (1).
 Reforçar as competências familiares como
suporte da sua progressiva capacitação e
autonomia face à proble- mática da deficiência.
Obs:

Resposta de intervenção
integrada - Segurança Social /
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:
Educação / SAÚDE.
 Despacho Conjunto nº 891/99, de 19 de
Outubro. (1) Entende-se por “risco de atraso grave de
desenvolvimento” aquele que, por factores pré,
peri ou post natal ou, ainda, por razões que
limitem a capacidade de tirar partido de
experiências importantes de aprendiza- gem,
constitui probabilidade de que uma ou mais
disfunções possam ocorrer.
Crianças e Jovens com Deficiência

Lar de Apoio
(Cód.1202)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada a acolher crianças e jovens com


necessidades educativas especiais que necessitem de frequentar estruturas de apoio
específico situadas longe do local da sua residência habitual ou que, por comprovadas
necessidades familiares, precisem, temporariamente, de resposta substitutiva da família.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar alojamento que se aproxime, tanto


 Crianças e jovens com
quanto possível, do ambiente familiar;
deficiência com idades
 Garantir condições de bem estar e qualidade compreendidas entre os 6 e os
de vida ajustadas às necessidades dos utentes; 16/18 anos que necessi- tem,
 Criar condições facilitadoras da integração sócio- temporariamente de resposta
familiar; substitutiva da família.
 Proporcionar meios que contribuam para a sua
valoriza- ção pessoal, o reforço da auto-
estima e a autonomia pessoal e social.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Guião Técnico.
Crianças e Jovens com Deficiência

Transporte de Pessoas com Deficiência


(Cód.1203)

Conceito:

Resposta social desenvolvida através de um serviço de natureza colectiva de apoio a


crianças, jovens e adultos com deficiência, que assegura o transporte e acompanhamento
personalizado.

Objectivos: Destinatários:

 Facilitar a mobilidade em ordem à


 Crianças, jovens e adultos
prossecução dos objectivos gerais de
com deficiência.
reabilitação e integração da pessoa com
deficiência.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem. Resposta transversal a toda a


popula- ção com deficiência.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental


(Cód.1301)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço, vocacionada para o estudo e prevenção


de situações de risco social e para o apoio a crianças e jovens em situação de perigo e suas
famílias, concretizado na sua comunidade, através de equipas multidisciplinares.

Objectivos:
Destinatários:
 Promover o estudo e a avaliação de famílias em
risco psicossocial;  Crianças e jovens em
 Prevenir situações de perigo; situação de perigo e suas
famílias.
 Evitar rupturas que possam levar à
institucionalização;
 Assegurar a satisfação das necessidades
físicas, cogniti- vas, emocionais e sociais das
crianças e jovens;
 Reforçar as competências pessoais dos
intervenientes no sistema familiar das
crianças e jovens através de uma abordagem
integrada dos recursos da comunidade;
 Promover a mediação entre a família e os
serviços envol- vidos para facilitar a
comunicação, potenciar contactos e promover Obs:
a solução de eventuais dificuldades;
 Contribuir para a autonomia das famílias.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

Não existem.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Equipa de Rua de Apoio a Crianças e Jovens


(Cód.1302)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço, destinada ao apoio a crianças e jovens


em situação de perigo, desinseridas a nível sócio-familiar e que subsistem pela via de
comportamentos desviantes.

Objectivos: Destinatários:

 Promover a sua reintegração na família, escola e comu- nidade;


 Recuperar as crianças e jovens de rua incentivando a construção
 Crianças e jovens em ruptura
de um projecto de vida saudável; fami- liar, social e em risco,
 Fazer prevenção primária da toxicodependência e de sem qualquer contexto de
comportamentos desviantes e eventual encaminha- mento para apoio institucional e suas
estruturas de rede existentes para promover a inserção social; famílias.
 Despistar situações de risco ao nível do jovem consumi- dor e
sensibilizar para a mudança de comportamentos e para o
abandono do consumo de droga;
 Fazer a prevenção do contágio pelas doenças sexual- mente
transmissíveis e satisfazer necessidades básicas de alimentação,
higiene, SAÚDE e vestuário;
 Promover o contacto e a ligação com as famílias e o
envolvimento da comunidade, tendo em vista a preven- ção, o
apoio e a resolução de problemas.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem. São crianças e jovens que se encontram


desinseridos em termos sócio-familiares, na
medida em que a maioria são filhos de
traficantes e/ou toxicodependentes que se
encontram detidos. Não aderindo a nenhum
tipo de apoio institucional, funcionam como
uma sub-cultura juvenil com regras
próprias, vivem à margem dos próprios
bairros e subsistem pela via de
comportamentos desviantes, não
frequentam a escola, não têm local certo
para dormir e alguns são consumidores de
haxixe).
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Acolhimento Familiar para Crianças e Jovens


(Cód.1303)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço, que consiste na atribuição da


confiança da criança ou do jovem a uma família ou a uma pessoa singular, habilitadas
para o efeito, tecnicamente enquadradas, decorrente da aplicação da medida de promoção
e protecção, visando a sua integração em meio familiar.

Objectivos: Destinatários:

 Garantir integração em meio familiar


 Crianças e jovens, de ambos
adequado, que lhe assegure os cuidados e a
os sexos, em situação de
atenção que a sua família não lhe pode
perigo, cuja medida de
proporcionar;
promoção e protecção assim
 Assegurar alojamento à criança e ao jovem; o determine.
 Garantir prestação de cuidados adequados às
suas necessidades e bem estar e ao seu
desenvolvimento integral;
 Assegurar os meios necessários ao
desenvolvimento pessoal e à formação
escolar e profissional em coope- ração com a
família, a escola, as estruturas de formação
profissional e a comunidade;
Obs:
 Promover, sempre que possível, a integração
na sua família de origem. ·

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro;


 Decreto-Lei n.º 190/92, de 3 de Setembro.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Centro de Acolhimento Temporário


(Cód.1304)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada ao acolhimento urgente e


temporário de crianças e jovens em perigo, de duração inferior a seis meses, com base na
aplicação de medida de promoção e protecção.

Objectivos: Destinatários:

 Permitir a realização do diagnóstico de cada


 Crianças e jovens de ambos
criança e jovem bem como a definição dos
os sexos até aos 18 anos, em
respectivos projectos de vida, com vista à
situação de perigo, cuja
inserção familiar e social ou a outro
medida de promo- ção e
encaminhamento que melhor se ADEQÚE à
protecção determine um
situação em estudo;
acolhimento de duração
 Assegurar alojamento temporário; inferior a seis meses.
 Garantir às crianças e jovens a satisfação das
suas necessidades básicas;
 Proporcionar o apoio sócio-educativo adequado
à idade e características de cada criança ou
jovem;
 Promover a intervenção junto da família, em
articulação com as entidades e as instituições
cuja acção seja indis- pensável à efectiva
promoção dos direitos das crianças e jovens.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro;


 Guião técnico do CAT aprovado por
Despacho do SEIS, de 29/11/96.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Lar de Infância e Juventude


(Cód.1305)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada ao acolhimento de crianças e


jovens em situação de perigo, de duração superior a 6 meses, com base na aplicação de
medida de promoção e protecção.

Objectivos: Destinatários:

 Assegurar alojamento;
 Crianças e jovens de ambos
 Garantir a satisfação das necessidades os sexos, até aos 18 anos,
básicas das crianças e jovens e promover o em situa- ção de perigo, cuja
seu desenvolvimento global, em condições medida de promoção e
tão aproximadas quanto possível às de uma protecção assim o
estrutura familiar; determine.
 Assegurar os meios necessários ao seu
desenvolvimento pessoal e à formação escolar
e profissional, em coopera- ção com a família,
a escola, as estruturas de formação
profissional e a comunidade;
 Promover, sempre que possível, a sua
integração na família e na comunidade de
origem ou noutra medida em meio natural de
vida, em articulação com as enti- dades Obs:
competentes em matéria de infância e
juventude e as comissões de protecção de
crianças e jovens, com vista à sua gradual
autonomização.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro;


 Decreto-Lei n.º 2/86, de 2 de Janeiro;
 Guião técnico do CAT aprovado por
Despacho do SEIS, de 29/11/96.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Apartamento de Autonomização
(Cód.1306)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento - apartamento inserido na comunidade


local - destinada a apoiar a transição para a vida adulta de jovens que possuem
competências pessoais específicas, através da dinamização de serviços que articulem e
potenciem recursos existentes nos espaços territoriais.

Objectivos: Destinatários:

 Mediar processos de autonomia de vida e de


 Jovens de idade superior a 15
participa- ção activa de jovens, minimizando
anos com medida de
riscos de exclusão social;
promoção e pro- tecção
 Desenvolver processos individuais de definida.
acompanhamento e de apoio a nível
psicossocial, material, de informação e de
inserção sócio-laboral;
 Dinamizar programas de formação específicos
destina- dos ao desenvolvimento de Obs:
competências pessoais, sociais, escolares e
profissionais dos jovens; Resposta contextualizada em
termos institucionais (criada no
 Partilhar competências com outros serviços e âmbito da intervenção da Casa
promover domínios comuns de conhecimentos Pia de Lisboa, I.P. ), com pouca
e de práticas com o objectivo de estabelecer expressão quantitativa.
uma intervenção articulada e integrada
facilitadora da transição de jovens para a vida
adulta.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro;


 Decreto-Lei n.º 2/86, de 2 de Janeiro.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

População Adulta

Respostas Sociais
Nomenclaturas/Conceitos
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Serviço de Apoio Domiciliário


(Cód. 2101)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida a partir de um equipamento, que consiste na prestação de


cuidados individualizados e personalizados, no domicílio, a indivíduos e famílias quando,
por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária
ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ou as actividades da vida
diária.

Objectivos:

 Contribuir para a melhoria da qualidade de


vida dos indivíduos e famílias;
Destinatários:
 Garantir a prestação de cuidados de ordem física
e apoio psicossocial a indivíduos e famílias, de  Indivíduos e famílias,
modo a contribuir para seu equilíbrio e bem- prioritaria- mente, pessoas
estar; idosas, pessoas com
 Apoiar os indivíduos e famílias na satisfação deficiência, pessoas em situa-
das neces- sidades básicas e actividades da vida ção de dependência.
diária;
 Criar condições que permitam preservar e
incentivar as relações inter-familiares;
 Colaborar e/ou assegurar o acesso à prestação
de cui- dados de SAÚDE;
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização;
 Prevenir situações de dependência,
promovendo a auto- nomia.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Decreto-Lei n.º141/89, de 28 de Abril;


 Despacho Normativo n.º 62/99, de 12 de
Novembro,
 Guião Técnico aprovado por despacho do
SEIS de 29/11/1996.
Crianças e Jovens em Situação de Perigo

Centro de Convívio
(Cód. 2102)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, de apoio a actividades sócio-recreativas e


culturais, organizadas e dinamizadas com participação activa das pessoas idosas de uma
comunidade.

Objectivos:

 Prevenir a solidão e o isolamento;


Destinatários:
 Incentivar a participação e potenciar a inclusão
social;  Pessoas residentes numa
 Fomentar as relações interpessoais e determi- nada comunidade,
intergeracionais; prioritariamen- te com 65 e
mais anos.
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização.
Pessoas Idosas

Centro de Dia
(Cód. 2103)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, que presta um conjunto de serviços que


contribuem para a manutenção das pessoas idosas no seu meio sócio-familiar.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar serviços adequados à satisfação


das neces- sidades dos utentes;  Pessoas que necessitem dos
servi- ços prestados pelo
 Contribuir para a estabilização ou Centro de Dia,
retardamento das consequências nefastas do prioritariamente pessoas com
envelhecimento; 65 e mais anos.
 Prestar apoio psicossocial;
 Fomentar relações interpessoais e
intergeracionais;
 Favorecer a permanência da pessoa idosa no
seu meio habitual de vida;
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização;
Obs:
 Contribuir para a prevenção de situações de
dependên- cia, promovendo a autonomia.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:

 Despacho do MESS de 03/08/1993.


 Guião Técnico aprovado por despacho do
SEIS de 29/11/1996.
Pessoas Idosas

Centro de Noite
(Cód. 2104)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, que tem por finalidade o


acolhimento nocturno, prioritariamente para pessoas idosas com autonomia que, por
vivenciarem situações de solidão, isolamento ou insegurança necessitam de suporte de
acompanhamento durante a noite.

Objectivos: Destinatários:

 Acolher, durante a noite, pessoas idosas com


autonomia;  Prioritariamente pessoas de
65 e mais anos com
 Assegurar bem-estar e segurança; autonomia ou, em condições
 Favorecer a permanência no seu meio habitual excepcionais, com idade
de vida; inferior, a considerar caso a
caso.
 Evitar ou retardar a institucionalização.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Orientação Técnica, Circular n.º12, de


25.06.2004
 Guião Técnico, aprovado por Despacho de
19 de Maio de 2004 do MSST.
Pessoas Idosas

Acolhimento Familiar para Pessoas Idosas


(Cód. 2105)

Conceito:

Resposta social que consiste em integrar, temporária ou permanentemente, em famílias


consideradas idóneas, pessoas idosas quando, por ausência ou falta de condições de
familiares e / ou inexistência ou insuficiência de respostas sociais, não possam permanecer
no seu domicílio.

Objectivos:
Destinatários:

 Acolher pessoas idosas (no máximo de três),


que se encontrem em situação de dependência  Pessoas com 65 e mais anos.
ou de perda de autonomia, vivam isoladas e sem
apoio de natureza sócio-familiar e/ou em
situação de insegurança;
 Garantir à pessoa acolhida um ambiente sócio-
familiar e afectivo propício à satisfação das
suas necessidades e ao respeito pela sua
identidade, personalidade e priva- cidade;
 Evitar ou retardar o recurso à institucionalização.
Obs:

Resposta comum à prevista para


a população adulta com
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: deficiência.
 Decreto-Lei n.º 391/91, de 10 de Outubro;
 Despacho Conjunto n.º 727/99, de 23 de
Agosto.
Pessoas Idosas

Residência
(Cód. 2106)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, constituída por um conjunto de


apartamentos com espaços e/ou serviços de utilização comum, para pessoas idosas, ou
outras, com autonomia total ou parcial.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar alojamento (temporário ou


permanente);  Pessoas de 65 e mais anos
ou de idade inferior em
 Garantir à pessoa idosa uma vida condições excep- cionais, a
confortável e um ambiente calmo e considerar caso a caso.
humanizado;
 Proporcionar serviços adequados à
problemática biopsi- cossocial das pessoas
idosas;
 Contribuir para a estabilização ou
retardamento das consequências nefastas do
envelhecimento;
 Criar condições que permitam preservar e
incentivar a relação inter-familiar.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem.
Pessoas Idosas

Lar de Idosos
(Cód. 2107)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada a alojamento colectivo, de


utilização temporária ou permanente, para pessoas idosas ou outras em situação de maior
risco de perda de independência e/ ou de autonomia.

Objectivos:
Destinatários:

 Acolher pessoas idosas, ou outras, cuja situação


social, familiar, económica e /ou de SAÚDE, não  Pessoas de 65 e mais anos
lhes permite permanecer no seu meio habitual ou de idade inferior em
de vida; condições excep- cionais, a
considerar caso a caso.
 Assegurar a prestação dos cuidados
adequados à satis- fação das necessidades,
tendo em vista a manutenção da autonomia e
independência;
 Proporcionar alojamento temporário, como
forma de apoio à família;
 Criar condições que permitam preservar e
incentivar a relação inter-familiar;
 Encaminhar e acompanhar as pessoas idosas
para soluções adequadas à sua situação.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Despacho Normativo n.º 12/98, de 25 de


Fevereiro;
 Despacho n.º 9400/2001 do
SESSS, de 11 Abril de 2001;
 Despacho n.º 7837/2002, de 16 de Abril;
 Despacho do MESS de 03/08/1993,
 Guião Técnico aprovado por
Despacho do SEIS em 29/11/1996;
 Orientação Técnica, Circular n.º11, de
24.06.2004.
Pessoas Idosas
Pessoas Adultas com Deficiência

Centro de Atendimento/Acompanhamento e
Animação para Pessoas com Deficiência

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, organizada em espaço polivalente,


destinado a informar, orientar e apoiar as pessoas com deficiência, promovendo o
desenvolvimento das competências necessárias à resolução dos seus próprios problemas,
bem como actividades de animação sócio-cultural.

(Cód. 2201)

Objectivos:

 Informar, apoiar e orientar as pessoas com


deficiência e suas famílias na resolução dos
seus problemas;
 Contribuir para que seja reconhecido às pessoas
com deficiência o direito à participação no
processo de tomada de decisões;
Destinatários:
 Promover o convívio entre as pessoas através de
activi- dades sócio-culturais, recreativas e de  Pessoas com deficiência e
lazer, a fim de reforçar a auto-estima e a famílias.
motivação, favorecendo a inclusão social;
 Informar/sensibilizar a comunidade em geral
para as problemáticas da deficiência,
promovendo uma mudan- ça de atitude.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem
Pessoas Adultas com Deficiência

Serviço de Apoio Domiciliário


(Cód. 2202)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida a partir de um equipamento, que consiste na prestação


de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a indivíduos e famílias
quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar
temporária ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ou as
actividades da vida diária.

Objectivos: Destinatários:

 Contribuir para a melhoria da qualidade de  Indivíduos e famílias,


vida dos indivíduos e famílias; prioritaria- mente, pessoas
 Garantir a prestação de cuidados de ordem física idosas, pessoas com
e apoio psicossocial aos indivíduos e famílias, deficiência, pessoas em situa-
contribuindo para o seu equilíbrio e bem-estar; ção de dependência.
 Apoiar os indivíduos e famílias na satisfação
das neces- sidades básicas e actividades da vida
diária;
 Criar condições que permitam preservar e
incentivar as relações inter-familiares;
 Colaborar e/ou assegurar o acesso à prestação
de cuidados de SAÚDE;
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização;
 Prevenir situações de dependência,
promovendo a auto- nomia.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Decreto-Lei n.º141/89, de 28 de Abril;


 Despacho Normativo n.º 62/99, de 12 de
Novembro,
 Guião Técnico aprovado por despacho
do SEIS de 29/11/1996.
Pessoas Adultas com Deficiência
Pessoas Adultas com Deficiência

Centro de Actividades Ocupacionais


(Cód. 2203)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada a desenvolver actividades para


jovens e adultos com deficiência grave.

Objectivos: Destinatários:

 Estimular e facilitar o desenvolvimento das  Pessoas com deficiência


capacidades; grave, com idade igual ou
 Promover estratégias de reforço de auto-estima superior a 16 anos, cujas
e de autonomia pessoal e social; capacidades não permitam,
temporária ou
 Privilegiar a interacção com a família e com a
permanentemente, o
comuni- dade, no sentido da integração social
exercício de uma actividade
das pessoas com deficiência;
pro- dutiva;
 Promover o encaminhamento, sempre que
 Pessoas com deficiência cuja
possível, para programas adequados de
situa- ção não se enquadre
integração sócio-profissional.
no âmbito do regime de
emprego protegido, nos
termos da respectiva
legislação e careçam de
apoios específicos.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Decreto-Lei n.º 18/89, de 11 de Janeiro;


 Despacho n.º 52/SESS/90, de 16 de Julho.
Pessoas Adultas com Deficiência

Acolhimento Familiar para Pessoas Adultas com Deficiência


(Cód. 2204)

Conceito:

Resposta social, que consiste em integrar, temporária ou permanentemente, em famílias


consideradas idóneas, pessoas com deficiência, a partir da idade adulta.

Objectivos:

 Acolher pessoas com deficiência;


 Garantir à pessoa acolhida um ambiente sócio-
familiar e afectivo propício à satisfação das
suas necessidades básicas e ao respeito pela sua
identidade, personalidade e privacidade;
 Facilitar a interacção com a comunidade, no Destinatários:
sentido da integração social das pessoas com
deficiência;  Pessoas com deficiência, a
partir da idade adulta, em
 Promover estratégias de reforço de auto-estima situação de dependência e
e de autonomia pessoal e social; sem apoio sócio-
 Evitar ou retardar a institucionalização. -familiar.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Decreto-Lei n.º 391/91, de 10 de Outubro; Resposta comum à prevista para


 Despacho Conjunto n.º 727/99, de 23 de Agosto as pessoas idosas.
Estabelece as condições de formação para as
famílias de acolhimento para pessoas idosas
e adultas com deficiência.
Pessoas Adultas com Deficiência

Lar Residencial
(Cód. 2205)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada a alojar jovens e adultos com


deficiência, que se encontrem impedidos temporária ou definitivamente de residir no seu
meio familiar.

Objectivos: Destinatários:

 Disponibilizar apoio residencial permanente  Pessoas com deficiência com


ou tempo- rário a jovens e adultos com idade igual ou superior a 16
deficiência; anos;
 Garantir condições de bem estar e qualidade  Pessoas com deficiência,
de vida ajustadas às necessidades dos com ida- des inferiores a 16
utentes; anos cuja situa- ção sócio-
familiar o aconselhe e se
 Promover estratégias de reforço da auto- tenham esgotado as
estima, auto- nomia pessoal e social dos possibilidades de
utentes; encaminhamento para
 Privilegiar a interacção com a família e com a outras respostas sociais
comuni- dade, no sentido da integração social mais adequadas.
dos utentes.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem.
Pessoas Adultas com Deficiência

Transporte de Pessoas com Deficiência


(Cód. 2206)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço, de natureza colectiva de apoio a


crianças, jovens e adultos com deficiência, que assegura o transporte e acompanhamento
personalizado.

Objectivos:

 Facilitar a mobilidade em ordem à


prossecução dos objectivos gerais de
reabilitação e integração da pessoa com
deficiência.
Destinatários:

 Crianças, jovens e adultos


com deficiência.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem. Resposta transversal a toda a


popula- ção com deficiência.
Serviço de Apoio Domiciliário -SAD
(Cód. 2301)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida a partir de um equipamento, que consiste na prestação


de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a indivíduos e famílias
quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar
temporária ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ou as
actividades da vida diária.

Objectivos: Destinatários:

 Contribuir para a melhoria da qualidade de  Indivíduos e famílias,


vida dos indivíduos e famílias; prioritaria- mente, pessoas
 Garantir a prestação de cuidados de ordem física idosas, pessoas com
e apoio psicossocial aos indivíduos e famílias, deficiência, pessoas em situa-
contribuindo para o seu equilíbrio e bem-estar; ção de dependência.

 Apoiar os indivíduos e famílias na satisfação


das neces- sidades básicas e actividades da vida
diária;
 Criar condições que permitam preservar e
incentivar as relações inter-familiares;
 Colaborar e/ou assegurar o acesso à prestação
de cuidados de SAÚDE;
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização;
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:


Prevenir
Decreto-Lei situações
n.º141/89, dede
28 dedependência,
Abril;
promovendo a auto- nomia.
 Despacho Normativo n.º 62/99, de 12 de
Novembro,
 Guião Técnico aprovado por despacho
do SEIS de 29/11/1996.
Apoio Domiciliário Integrado - ADI
(Cód. 2302)

Conceito:

Resposta que se concretiza através de um conjunto de acções e cuidados


pluridisciplinares, flexíveis, abrangentes, acessíveis e articulados, de apoio social e de
SAÚDE, a prestar no domicílio, durante vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana.

Objectivos: Destinatários:

 Assegurar a prestação de cuidados de SAÚDE  Pessoas em situação de


e apoio social; dependên- cia e suas
 Contribuir para a melhoria da qualidade de famílias.
vida das pessoas e famílias;
 Garantir a prestação de cuidados de ordem
física e apoio psicossocial aos indivíduos e
famílias, de modo a contri- buir para o seu
equilíbrio e bem-estar;
 Apoiar os utentes e famílias na satisfação de
necessida- des básicas e actividades da vida
diária;
 Contribuir para retardar ou evitar a
institucionalização;
 Desenvolver actividades LÚDICO-terapêuticas-
ocupacio- nais;
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:
 Assegurar o apoio aos
Despacho Conjunto n.ºfamiliares com
407/98, de 15 pessoas
de Maio;
 Resposta de intervenção
em situa- ção de dependência a seu cargo,
integrada - Segurança Social /
incluindo a formação na prestação de
S AÚDE, a adequar em função
cuidados.
da rede de cuidados
continuados integrados.
Unidade de Apoio Integrado - UAI
(Cód. 2303)

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, que visa prestar cuidados temporários, globais e


integrados, a pessoas que, por motivo de dependência, não podem, manter-se apoiadas no
seu domicílio, mas que não carecem de cuidados clínicos em internamento hospitalar.

Objectivos:

 Criar condições de autonomia às pessoas, por


forma a habilitá-las a regressar ao seu domicílio
ou ambiente sócio-familiar, ainda que
necessitando de apoio domi- ciliário integrado;
Destinatários:
 Proporcionar cuidados de convalescença a
doentes crónicos, de reabilitação e formação,  Pessoas com necessidade de
centrados na pro- moção do auto-cuidado e da cuida- dos de SAÚDE
satisfação das necessida- des básicas; continuados e de apoio
social, qualquer que seja a
 Assegurar actividades de animação sócio-
sua idade e origem.
cultural, ocu- pacional e actividades de vida
diária, envolvendo as famílias e outros
prestadores de cuidados informais;
 Contribuir para a prevenção da dependência e
promo- ção da autonomia.
Obs:

Resposta de intervenção
integrada - Segurança Social /
S AÚDE, a adequar em função
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:
da rede de cuidados
 Despacho Conjunto n.º 407/98, de 15 de Maio; continuados integrados.
Pessoas com Doença do Foro Mental ou Psiquiátrico

Forum Sócio-Ocupacional
(Cód. 2401)

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, destinada a pessoas com desvantagem, transitória


ou permanente, de origem psíquica, visando a sua reinserção sócio-familiar e ou
profissional ou a sua eventual integração em programas de formação ou de emprego
protegido.

Objectivos: Destinatários:

 Promover a autonomia e o relacionamento  Jovens e adultos com doença


interpessoal; psiquiátrica grave
 Promover a reinserção sócio-familiar e estabilizada, tendencialmente
profissional; crónica, que apresentam
reduzida capacidade
 Encaminhar, caso seja necessário, para relacional e de integração
estruturas resi- denciais adequadas;
social.
 Integrar em programas de formação
profissional, em emprego normal ou protegido
·

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Despacho Conjunto n.º 407/98, de 15 de Maio Resposta de intervenção


integrada - Segurança Social /
S AÚDE.
Pessoas com Doença do Foro Mental ou Psiquiátrico

Unidade de Vida Protegida


(Cód. 2402)

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, destinada a pessoas adultas com problemática


psiquiátrica grave e de evolução crónica clinicamente estável e que necessitam de treino
de autonomia.

Objectivos:

 Promover a reabilitação e fomentar a


autonomia de vida e reinserção social;
 Promover a estreita ligação à comunidade
Destinatários:
facilitando a efectiva e progressiva
integração;  Jovens e adultos com
problemática psiquiátrica
 Evitar a institucionalização. grave, clinicamente estáveis e
em que se verifiquem
potencialidades de autonomia
passíveis de desenvolvimento
pelo retorno à actividade
profissional ou pela
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:
integração em programas de
Obs:
reabilitação psicossocial.
 Despacho Conjunto n.º 407/98, de 15 de Maio Resposta de intervenção
integrada - Segurança Social /
S AÚDE.
Pessoas com Doença do Foro Mental ou Psiquiátrico

Unidade de Vida Autónoma

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, destinada a pessoas adultas com problemática


psiquiátrica grave estabilizada e de evolução crónica mas com capacidade autonómica,
permitindo a sua integração em programas de formação profissional ou em emprego normal
ou protegido e sem alternativa residencial satisfatória.

(Cód. 2403)

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar alojamento;  Pessoas com doença


 Assegurar a individualização e a estabilidade psiquiátrica grave, em fase
dos utentes numa vida normalizada, quer na estabilizada, cuja capacidade
vertente relacional, quer na vertente laboral. mental permita pers- pectivar
uma reinserção sócio-pro-
fissional.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Despacho Conjunto n.º 407/98, de 15 de Maio Resposta de intervenção


integrada - Segurança Social /
S AÚDE.

·
Pessoas com Doença do Foro Mental ou Psiquiátrico

Unidade de Vida Apoiada


(Cód. 2404)

Conceito:

Resposta, desenvolvida em equipamento, destinada a pessoas adultas que, por limitação


mental crónica e factores sociais graves, alcançaram um grau de desvantagem que não lhes
permite organizar, sem apoio, as actividades de vida diária, mas que não necessitam de
intervenção médica frequente.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar alojamento;  Pessoas adultas com doença


mental crónica e com um
 Garantir a satisfação das necessidades básicas; grau de autonomia que não
 Promover a integração comunitária dos utentes lhes permite viver
através de programas de reabilitação isoladamente ou em meio
psicossocial e/ou ocupa- cionais; familiar, embora não
 Promover a criação ou manutenção da relação necessitem de intervenção
familiar médica psiquiátrica
permanente.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

 Despacho Conjunto n.º 407/98, de 15 de Maio Resposta de intervenção


integrada - Segurança Social /
S AÚDE.

·
Pessoas Sem-Abrigo

Equipa de Rua para Pessoas Sem-Abrigo


(Cód. 2501)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço prestado por equipa multidisciplinar,


que estabelece uma abordagem com os sem-abrigo, visando melhorar as suas condições
de vida.

Objectivos:

 Ir ao encontro dos Sem-Abrigo, visando


estabelecer uma relação pessoal e melhorar
as suas condições de vida;
Destinatários:
 Prestar apoio a nível da alimentação e
tratamento de roupas;  População sem-abrigo que
não se desloca aos serviços.
 Prestar apoio psicológico e social, tendo em
vista a superação das dificuldades;
 Motivar para a inserção.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem
Atelier Ocupacional
(Cód. 2502)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada ao apoio à população adulta, sem


abrigo, com vista à reabilitação das suas capacidades e competências sociais, através do
desenvolvimento de actividades integradas em programas “estruturados” que implicam uma
participação assídua do indivíduo, ou “flexíveis” onde a assiduidade depende da sua
disponibilidade e motivação.

Objectivos: Destinatários:

 Reabilitar capacidades de trabalho, de  População adulta sem abrigo.


socialização e de autonomia;
 Promover a inserção social/profissional;
 Recuperar hábitos de trabalho.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem Resposta contextualizada em


termos institucionais (criada no
âmbito da intervenção da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa),
com pouca expressão
quantitativa.
Família e Comunidade

Respostas Sociais
Nomenclaturas/Conceitos
Atendimento/Acompanhamento Social
(Cód. 3101)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de um serviço de primeira linha, que visa apoiar
as pessoas e as famílias na prevenção e/ou reparação de problemas geradores ou
gerados por situações de exclusão social e, em certos casos, actuar em situações de
emergência.

Objectivos: Destinatários:

 Informar, orientar e encaminhar;  Pessoas e famílias residentes


 Apoiar, através de metodologias próprias, numa determinada área
pessoas/ geográfica ( freguesia,
/famílias em situação de dificuldade e/ou concelho... ), que se
emergência social; encontram em situação de
vulne- rabilidade social ou
 Assegurar o acompanhamento social dos outras dificul- dades
indivíduos e famílias no desenvolvimento das pontuais.
suas potencialidades, contribuindo para a
promoção da sua autonomia, auto-
-estima e gestão do seu projecto de vida;
 Mobilizar recursos adequados à progressiva
autonomia pessoal, social e profissional;
 Prevenir situações de exclusão;
 Dotar as pessoas/famílias dos meios e
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:
recursos que possibilitem a construção de um
Não existem.
projecto de vida estru- turado e autónomo.
Grupo de Auto-Ajuda
(Cód. 3102)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida através de pequenos grupos para inter-ajuda, organizados e


integrados por pessoas que passam ou passaram pela mesma situação/problema, visando
encontrar soluções pela partilha de experiências e troca de informação.

Objectivos: Destinatários:

 Tornar-se “sujeito” e não “objecto” na  Jovens e adultos com


resolução dos seus problemas; deficiência e suas famílias;
 Adquirir poder (recursos, informação,  Jovens e adultos com
oportunidades) em áreas da sua vida onde problemática psiquiátrica
anteriormente não tinham controlo - processo grave estabilizada e de
de transferência de poder através do evolução crónica e suas
crescimento individual e da força colectiva; famílias;
 Contribuir para a reabilitação psicossocial e  Outros jovens e adultos com
familiar; pro- blemas específicos.
 Proporcionar apoio, encorajamento e informação;
 Promover a auto-estima, auto-confiança e a
estabilidade emocional;
 Fomentar a intercomunicação e o
estabelecimento de relações de suporte
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:
positivas;
Não existem.
 Reduzir o sentimento de isolamento.
Centro Comunitário
(Cód. 3103)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, onde se prestam serviços e desenvolvem


actividades que, de uma forma articulada, tendem a constituir um pólo de animação com
vista à prevenção de problemas sociais e à definição de um projecto de desenvolvimento
local, colectivamente assumido.
Objectivos: Destinatários:

 Contribuir para a criação de condições que  Pessoas e famílias de uma


possibilitem aos indivíduos, o exercício pleno deter- minada área
do seu direito de cidadania; geográfica.
 Apoiar as pessoas e famílias no desempenho
das suas funções e responsabilidades,
reforçando a sua capaci- dade de integração e
participação social;
 Constituir um pólo de animação gerador de
dinâmicas locais;
 Fomentar a participação das pessoas, das
famílias e dos grupos;
 Dinamizar e envolver os parceiros locais e
fomentar a criação de novos recursos;
 Desenvolver actividades dinamizadoras da
vida social e cultural da comunidade;
 Promover a inserção social de pessoas e grupos
mais vulneráveis;
 Criar condições para responder às
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta:
necessidades con- cretas da população; Obs:

 Guião técnico.
 Gerar condições para a mudança.
Centro de Férias e Lazer
(Cód. 3104)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada à satisfação de necessidades de


lazer e de quebra da rotina, essencial ao equilíbrio físico, psicológico e social dos seus
utilizadores.

Objectivos: Destinatários:

Proporcionar aos utentes:  Todas as faixas etárias da


 Estadias fora do quadro habitual de vida; popula- ção e à família na
sua globalidade.
 Contactos com comunidades e espaços
diferentes;
 Vivências em grupo, como formas de integração
social;
 Promoção do desenvolvimento do espírito de inter-
ajuda;
 Fomento da capacidade criadora e do espírito
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:
de inicia- tiva.
 Guião técnico.
Refeitório/Cantina Social
(Cód. 3105)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada ao fornecimento de refeições, em


especial a indivíduos economicamente desfavorecidos, podendo integrar outras actividades,
nomeadamente de higiene pessoal e tratamento de roupas.

Objectivos: Destinatários:

 Garantir alimentação a população carenciada;  Pessoas/famílias


 Promover a auto-estima através da prática de economicamente
hábitos de higiene; desfavorecidas.

 Sinalizar/Diagnosticar situações, tendo em


vista um encaminhamento.

Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: Obs:

Não existem.
Centro de Apoio à Vida
(Cód. 3106)

Conceito:

Resposta social, desenvolvida em equipamento, vocacionada para o apoio e


acompanhamento a mulheres grávidas ou puérperas com filhos recém nascidos, que se
encontram em risco emocional ou social.

Objectivos: Destinatários:

 Proporcionar condições que favoreçam o Mulheres grávidas ou


normal desen- volvimento da gravidez; puérperas com filhos recém
 Assegurar condições de nascimento e nascidos que se encontram em
desenvolvimento do recém-nascido; risco emocional ou social
decorrente de:
 Contribuir para o exercício de uma maternidade
e/ou paternidade responsável;  Ausência de enquadramento
fami- liar ou de condições
 Promover a aquisição de competências afectivas que lhes permitam
pessoais, profis- sionais e sociais, tendo em assegurar uma maternidade
vista a respectiva inserção social, familiar e responsável;
profissional.
 Instabilidade emocional
relaciona- da com a
maternidade que possa
afectar o normal
desenvolvimento da
gravidez;
 Comportamentos ou entrega
Disposições Legais e Técnicas Enquadradoras da Resposta: a actividades que ponham
 Portaria n.446/2004, de 30 de Abril; em perigo a sua SAÚDE ou do
nascituro;
 Orientação Técnica, Circular n.º14, de
 Condições sócio-
25.06.2004 - Guião técnico, aprovado por
económicas que a coloquem
Despacho de 19 de Maio de 2004 do Obs:
numa situação particu- lar de
Ministro da Segurança Social e do Trabalho.
vulnerabilidade, ou afectam
a sua estabilidade familiar.
CONCLUSÃO

O alargamento da intervenção nos domínios da protecção social a outras entidades que não o Estado (o
poder local ou as IPSS, por exemplo), teve a ver com a necessidade de conceder uma maior eficácia e
proximidade à intervenção pública e sobretudo com a necessidade de compensar os entraves financeiros
com que o Estado se debate. O desenvolvimento do poder local e das redes de parceria que vão
procedendo ao planeamento estratégico conseguem obter uma perspectiva mais aproximada das
realidades locais. Os vários parceiros locais definem estratégias de acção e envolvem a própria população
na procura das soluções mais adequadas aos problemas de pobreza e exclusão social. A problemática da
territorialização não deve, portanto, ser entendida como um conjunto estático de indivíduos, infra-
estruturas e habitações, mas “como um elo de mediação entre estes elementos físicos e o conjunto de
relações sociais que aí se estabelecem” (Fangueiro, 2002:21). Aliás, como defende Luís Capucha, tem sido
“a intervenção política a estar na base de boa parte dos estudos que colocaram a questão dos territórios
da pobreza no centro da análise, realizados ou no quadro de processos de avaliação de programas, ou
como instrumentos de diagnóstico em projectos locais (...). Muitas medidas e programas da última década
tiveram como eixo de intervenção o próprio território. A lógica de aproximação às pessoas não é feita em
função de problemáticas específicas, mas das zonas onde elas se encontram concentradas e onde tais
problemáticas se cruzam” (Capucha, 2000a:13). Aliás, quando não se verifica a existência de um
planeamento estratégico territorial, as acções desenvolvidas pelos vários parceiros sociais são acções
descontínuas, que muitas vezes rivalizam entre si, não conseguindo encontrar uma necessária articulação
das iniciativas em curso. Assim sendo, e subsistindo então uma grande dispersão de medidas e pouca
clareza nas competências (próprias ou delegadas), muitos locais acabam por ter uma sobreposição de
respostas, enquanto outros locais ficam pela escassez de acções concretas e rápidas, acentuando-se as
disparidades regionais. Por outro lado, a diminuta presença de pessoal técnico, situação dificultada pelo
alheamento de algumas instituições com recursos técnicos disponíveis (o que seria interessante numa
lógica de “adicionalidade” e de coordenação das respostas), impede a possibilidade de “acordos de
inserção” vocacionados para uma abordagem direccionada para os indivíduos e para os agregados
familiares (entrevista 1). Restam os tratamentos e as respostas generalistas, burocráticas e nada assentes
nas especificidades das situações e dos problemas (entrevista 3). É verdade que a situação tende a evoluir,
embora com muita lentidão. Essa evolução é induzida directamente pela medida, mas no seu longo
caminho vai permitindo a criação de múltiplas dimensões de contestação à medida (Entrevista 3), desde
logo pela ausência de resultados rápidos. Aliás, é interessante verificar que aqueles que menos acreditam
nas virtualidades da medida nos processos de inserção são, o, ao mesmo tempo, aqueles que mais
rapidamente querem identificar os resultados
• Carmo, Renato Miguel, Frederico Cantante (2014), Precariedade, desemprego e proteção social: caminhos
para a desigualdade? Observatório das Desigualdades, ISCTE-IUL, CIESIUL. http://wp.me/p4h6tu-m3.

• DEMO, Pedro. Participação é conquista – Noções de política sociais participativas. São Paulo, Cortez, 1990.
COVRE, Maria de Lurdes Manzini. O que é Cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2006.
• Esping-Andersen, Gosta (2002), “Towards the Good Society, Once Again em Gosta EspingAndersen, Duncan
Gallie, Anton Hemerijck e John Myles, Why we need a new Welfare State, Oxford, University Press.
• Hespanha, Pedro (2008), "Politicas Sociais: novas abordagens, novos desafios", Revista de Ciências Sociais,
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Teóricas e Estatísticas em torno do caso Português”, Sociologia, Revista da FLUP, série I, volume 9, pp. 63-
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• SCHWARTZMAN, Simon. As causas da pobreza. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
• STOER, Stephen. Os lugares de exclusão social: um dispositivo de diferenciação pedagógica/ Stephen R.
Stoer, Antonio M. Magalhães, David Rodrigues. São Paulo: Cortez, 2004.
• Titmuss, Richard (1974), Social Policy, Londres, Allen and Unwin.

• VIANA, Ana Luiza d’Àvila. ELIAS, Paulo Eduardo, IBANEZ, Nelson. Organizadores Proteção Social: dilemas e
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