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Capítulo IV - algumas reflexões

Relação entre personagens – Tadeu e Teresa; Simão e Teresa.

Este capítulo IV é um bom exemplo para ver as relações entre as personagens.

Por um lado, existe a relação familiar entre pai e filha – Teresa e Tadeu Albuquerque – e, por
outro, existe a relação entre dois apaixonados – Simão Botelho e Teresa Albuquerque.

A relação de Tadeu e a sua filha Teresa é uma relação conflituosa e injusta. Acreditando que o
casamento de sua filha com o Baltasar é o melhor (pois não aceita o amor entre Teresa e
Simão), quando Teresa recusa-se a casar com o seu primo, Tadeu reage de uma forma negativa
e impulsiva. Acaba por mandar Teresa para um convento, por ela não ter aceitado a sua
proposta.

A relação entre Teresa e Simão é amorosa e infinita. Também se encontra um elemento de


proteção entre estas duas personagens. O amor deles é apresentado de uma forma clara
quando Teresa recusa-se a casar com Baltasar, pois sente que o seu amor por Simão é mais
importante que a felicidade do seu pai. O capítulo mostra a qualidade impulsiva de Simão, a
sua qualidade mais predominante, quando este recebe a carta de Teresa onde é lhe explicado a
situação do casamento arranjado.

O herói romântico na figura de Simão

Simão é mostrado como um jovem com atos impulsivos. Ao receber a carta de Teresa os
primeiros sentimentos que surgiram foi ódio, fúria, raiva e vontade de matar o Baltazar. Depois
de ler mais umas vezes, acalma-se e toma decisões razoáveis, mandando a carta para Teresa.

Apesar dos primeiros sentimentos serem precipitados Simão é mostrado como um jovem que
avaliava os seus atos numa situação crítica e capaz de tomar decisões importantes.

Simão não esperou e pediu que lhe preparassem o cavalo e quando chegou a carta de Teresa,
ouviu e viu com o coração aos saltos o que se passava na casa dela pensando que era o
casamento de Teresa e Baltazar.

Sendo assim, Simão é o herói romântico, luta cintra os preconceitos sociais e pelo seu amor.
Valoriza os seus sentimentos, é corajoso, honesto e possuidor. Tem uma sensibilidade
romântica, daí a sua frustação e revolta.A procura do ideal leva-o a ter atitudes menos
responsáveis e impulsivas devido ao seu temperamento violento e muitas vezes refletido.

Simão Botelho recebe uma carta de Teresa onde esta escreve acerca das ameaças de Baltasar e
as suas suspeitas de algum novo plano de violência.

Após ler a carta, este reage impulsivamente com intenções de matar Baltasar na sua própria
casa.

Com uma terceira leitura, Simão pondera e já não pensava em matar o homem, em vez disso,
resolve ir a Viseu, entrar de noite, esconder-se e ver Teresa.
Naquela noite, Teresa fazia anos e não refletiu quando lhe escreveu a carta. Quando este
chegou a sua casa, ouviu música e não sabia o que se passava, o que lhe deixou incomodado e
termina assim o capítulo.

Simão vive muito pelos sentimentos e não pela razão, como podemos ver nas suas ações e
quando imagina vê-la naquela noite, o que fez com que seja um herói romântico.

Códigos de época.

No capítulo IV é evidente o código rígido da sociedade da época, uma vez que Teresa é
obrigada a escolher entre o casamento imposto com o seu primo Baltasar ou o seu futuro no
convento.

Algo que choca o leitor, é a violência que o pai de Teresa adquire quando esta
respeitosamente, lhe nega algo que ele lhe pede. Este modo violento do pai é justificado como
amor.

A importância da opinião pública é algo valorizado na época, como podemos perceber com a
reação de Baltasar Coutinho, quando posta a possibilidade de Teresa ir para um convento.

Talvez a intenção do escritor fosse mudar a sociedade ao seu redor, e a verdade é que
atualmente, muitos dos atos repressivos que exemplificámos não são habituais na maior parte
dos países desenvolvidos. A questão do casamento imposto apenas é habitual em algumas
etnias e religiões. Teresa é apenas uma adolescente, mas se esta história se passasse em pleno
século XXI, provavelmente a sua reação não seria tão educada e a do seu pai não seria tão
autoritária e bruta.

Infelizmente, as aparências ainda são algo atual na nossa sociedade, não devido aos
conventos, mas sim devido ao estilo de vida que as pessoas levam, algo visivel nas redes
sociais. Por isso, é bom pensar que a sociedade continua evoluir, e que com o tempo melhorou
a sua maneira de ver as coisas.

No capítulo IV de “Amor de perdição”, o escritor apresenta um diálogo entre Teresa e Tadeu de


Albuquerque onde é notório a relação entre pai e filha.

De facto, no século XIX, era visível a existência de um código familiar onde o pai tinha poder
autoritário sobre os restantes membros da família. Neste contexto, Tadeu esperava que Teresa
o respeitasse na sua decisão de a casar com o seu primo Baltasar. O poder que este exercia
sobre a sua filha pode-se verificar nas linhas 30-31, onde Tadeu diz “Mas repara, minha querida
filha, que a violência de um pai é sempre amor”.

Face a isto, quando Teresa desobedeceu à vontade paterna, o mesmo sentiu-se


desrespeitado e traído, ameaçando enviá-la para um Convento e deserdando-a.

Hoje, no século XXI, temos diferentes perspectivas sobre este assunto pois deve haver
respeito por parte de ambos.

A obra como crónica da mudança social


No capítulo IV é evidente o código rígido da sociedade da época, uma vez que Teresa é
obrigada a escolher entro o casamento imposto com o seu primo Baltasar ou o seu futuro no
convento.

Algo que choca o leitor, é a violência que o pai de Teresa adquire quando esta
respeitosamente, lhe nega algo que ele lhe pede, este modo violento do pai é justificado como
amor.

A importância da opinião pública é algo valorizado na época, como podemos perceber com a
reação de Baltasar Coutinho, quando posta a possibilidade para ir para um convento.

Talvez a intenção do escritor fosse mudar a sociedade ao seu redor, e a verdade é que
atualmente, muitos dos atos repressivos que exemplificamos não são habituais na maior parte
dos países desenvolvidos. A questão do casamento imposto apenas é habitual em algumas
etnias e regiões. Teresa é apenas uma adolescente, se esta história se passasse em pleno
século XXI provavelmente a sua reação não seria tão educada e a do seu pai não seria tão
autoritária e bruta.

Infelizmente, as aparências ainda são algo atual na nossa sociedade, não devido aos conventos,
mas sim devido ao estilo de vida que as pessoas levam, algo visivel nas redes sociais. Por isso, é
bom pensar que a sociedade continua evoluir, e que com o tempo melhorou a sua maneira de
ver as coisas.