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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTORJUÍZO DE


DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA
COMARCA DE GOIÂNIA, ESTADO DE GOIÁS.

FLAVIO FARIAS DA CUNHA, brasileiro, solteiro,


engenheiro civil, portadora da cédula de identidade nº
SESP/___, inscrita no CPF nº e (Nome do
Autor) brasileiro, casado, motorista autônomo, portador da
cédula de identidade nº __________ SSP/____, inscrito no
CPF nº ______________, ambos residentes e domiciliados
(endereço completo), por seu advogado e procurador que a
presente subscreve, devidamente habilitado conforme
procuração anexa, com endereço profissional na Rua, U-2, n.
65, onde recebem intimações e notificações, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, propor a
presente AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER
CUMULADA C/ PEDIDO DE CONDENAÇÃO EM
DANOS MORAIS C/C TUTELA PROVISÓRIA DE
URGÊNCIA em face do BANCO BV FINANCEIRA AS C.F.I.,
devidamente inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
- CNPJ sob o nº 01.149.953/001-89, (endereço completo)?

I- DOS FATOS

Com intuito de realizar o sonho de adquirir o carro próprio, o


autor recorreu-se ao leilão, sendo este promovido pela a
requerida,conforme edital anexo.

Posteriormente, 03 de maio de 2017, o autor recebeu o veículo,


conforme comprovante de pagamento anexo.
Pois bem, em data de 03 de maio de 2017, o Autor adquiriu o
tão sonhado automóvel, um veículo usado, modelo FIAT/IDEA
ELX FLEX, ano 2005/2006, branco, placa NCQ/9077-RO,
chassi , RENAVAM 888638728, conforme documento do
veículo anexo, no valor de R$ , , conforme contrato particular
anexo. Momento este, que o veículo passou por todo o
procedimento administrativo de vistoria pela segunda
requerida e pelo DETRAN, a qual constataram que o veículo
estava apto para ser adquirido, bem como transferido para os
autores, conforme resta provado os laudos de vistorias anexo.

Insta salientar, que na data de 03 de maio de 2017,

Pois bem, em 17 de maio de 2017, exatamente 3 (três) meses


após a aquisição do veículo, ocasião em que foram efetuar a
referida vistoria, bem como a transferência de propriedade do
veículo, perceberam que algo atípico estava ocorrendo, pois
haviam diversas multas pendentes no veiculo, alem de um
processo em andamento do antigo dono por embriagues ao
volante.

Pois bem, em relação as multas referentes as infrações:

 Deixar de usar o cinto de segurança -valor R$ 200,28

 Veiculo em mau estado de conservação –R$ 200,28

 Dirigir com fones nos ouvidos ou telefone celular – R$


104,12

 Multa do DETRAN – R$ 856, 75 ?

Arrasado e desesperado, imediatamente o autor entrou em


contato com os antigos proprietários, , que alegou desconhecer
o referido defeito ou qualquer irregularidade relativa a
adulteração na numeração do chassi.

Oportuno se torna destacar que o Sr. _______ adquiriu o


veículo de sua genitora, a Sra. __________ BOTURA na data
de 03 de abril de 2014. Situação em que o veículo foi
devidamente vistoriado, conforme documento anexo.

Ademais, a Sra. Rosa adquiriu o veículo zero quilometro da


empresa ______________-, situada na comarca de Sinop-
MT. Momento este, que o veículo foi licenciado, bem como
vistoriado pela supracitada distribuidora, e não foi detectado
qualquer irregularidade na numeração do chassi, conforme
resta provado documento anexo.

Com isso, o Sr. Cesar entrou em contato com a “Paloma


Veículos” para avisar sobre o fato. Logo após, em companhia
da autora, dirigiram-se ao CIRETRAN de __________ para
tentar provar a origem legal do carro, apresentando a nota
fiscal do veículo, momento em que foram novamente
constrangidos, sob a acusação de remarcação do número do
chassi ou adquirido um veículo roubado.

Deste modo, na data de 26 de maio de 2017, ainda


desesperados, os Autores juntamente com o Sr. _________,
foram conversar com o delegado e registrarem um BOLETIM
DE OCORRÊNCIA, que ora se anexa.

Novamente foram surpreendidos, o Delegado alegou que o


carro deveria ser fruto de roubo. Com isso, o veículo ficaria
apreendido e que se fosse constatado a adulteração, os autores
seriam detidos. Após muita conversa, o Delegado concordou
em liberar o veículo para ser realizado uma perícia.

É valioso destacar, que os promoventes deixaram de sair de


casa muitas vezes, pois tiveram que deixar por meses o carro
na garagem por conta desse problema, pois quando isso ocorre,
o veículo fica irregular, sendo proibido a sua circulação. Em
outras ocasiões, perderam diversas horas de lazer, de trabalho
e ouviu reclamações de parentes e amigos, pois acabavam não
comparecendo em encontros familiares por não possuírem
outro meio de locomoção, a não ser, o referido automóvel
irregular. E o pior, passaram meses sem visitar a genitora da
requerente, a Sr. _______, que mora na área rural do
município de Paranaíta, conforme comprovante de endereço
anexo.

Em uma das ocasiões, os autores foram questionados o porquê


de não estarem utilizando o tão sonhado veículo. E ao
explicarem os fatos foram humilhados até por seus amigos e,
obrigados a suportar a acusação de que: “Quem não deve
não teme”
Além do mais, os promoventes vivenciaram dias de pânico,
pois temiam que o veículo fosse alvo de uma busca e apreensão
em seu próprio domicílio.

Cabe também dizer que, nos anos anteriores o veículo foi


regularmente licenciado, sendo que em nenhuma das
cinco vistorias foi detectado qualquer irregularidade
na numeração do CHASSI. Outrossim, seus antigos
proprietários jamais foram notificados sobre as irregularidades
com o veículo, conforme comprovam os documentos anexos,
em especial, vistoria do primeiro emplacamento.
Por esses motivos, por diversas vezes os autores foram
humilhados sob a acusações de terem adulterado o chassi do
automóvel. Momentos estes em que a autora acabava até
chorando.

Já profundamente abalados e decepcionados com o veículo que


tinham adquirido há alguns meses, mas acreditando que ainda
poderiam reverter a situação (pois na verdade a esperança é a
última que morre), os requerentes decidiram agendar a perícia
que foi solicitada pelo DETRAN, sob o ofício nº 001/2017, a
saber:

“pelo presente, venho requerer de Vossa Senhoria o


procedimento de perícia técnica ao veiculo placa ________,
marca/modelo FIAT/PALIO FIRE ECONOMY, ano modelo
_______, pelos motivos abaixo descritos;
Ao realizar a vistoria para fins de transferência da 20ª
Ciretran de ________/______, constatou-se a dificuldade
de realizar a leitura do chassi do citado veiculo
Aparentemente, a numeração encontra-se gravada de forma
disforme
Portanto, torna-se necessário o procedimento de perícia
técnica para total esclarecimento do caso, além de
demonstrar total boa-fé da compradora, que desde a
fatídica compra tem passado por sérios transtornos
morais. (Grifo nosso).
Ora, nobre julgador, é tão clarividente os transtornos morais
sofridos pelos autores, que até o colaborador do CIRETRAN fez
questão de evidencia-los, conforme trechos acima descritos.

Pois bem, em 30 de agosto de 2017, quarta-feira, ocasião em


que os autores deveriam estar gozando de seus lazeres, como
todo cidadão comum, tiveram que se deslocar a comarca de
________, para realizar a supracitada perícia no automóvel,
conforme resta provado documento anexo.

Cumpre destacar, nobre julgador, que a perícia foi realizada. A


princípio, com uma análise superficial, o perito afirmou que o
carro teria sido adulterado. Mas, com uma análise mais
complexa, que perdurou por 4 horas, averiguou que se tratava
de erro de fábrica, a saber:

EXAME:
“O serial do chassi encontrava no local de origem com serial
_________, com seriais destoantes dos seriais de fábrica.
No entanto, eram originais, como atesta o reverso,
popularmente conhecido como “espelho”
“O serial do motor, se encontrava no local de origem. Havia
outros elementos de identificação no veículo, com sinais de
originalidade e demais itens também.”
CONCLUSÃO:
“Após a realização dos exames acima relatados, conclui-se o
veículo tem os elementos de identificação nas condições acima
colocada”
Insta salientar, que os Autores correram um risco imensurável,
ao trafegarem com o veículo “IRREGULAR” por estradas
Federais, bem como passaram pela base da Policia Rodoviária
Federal, a qual poderiam ter tido o carro apreendido e serem
detidos.

Ademais, houve imensa expectativa dos Suplicantes na


aquisição do veículo, visto que esse iria facilitar sobremaneira
as suas vidas, não só no trabalho, mas também em suas vidas
sociais. Mas não foi o que ocorreu, o veículo só trouxe
dissabores aos demandantes, pois o defeito, embora seja
aparentemente simples, culminou em um temor totalmente
inesperado e indevido. Além do mais, a força dos fatos implica
na depreciação do veículo por questões de obviedade, afinal de
contas, quem irá querer pagar o mesmo valor por um carro que
apresenta um chassi irregular ou remarcado. Ademais, de
acordo com a AltoInforme, chassi remarcado desvaloriza o
carro em até 30% na hora da revenda.

Todo o ocorrido gerou uma imensa indignação dos


promoventes, e o sonho se tornou um pesadelo, culminando no
sentimento de não querer mais o bem. Com isso, a Autora e o
Sr. _______, ambos em comum acordo resolvem desfazer o
negócio, conforme Instrumento Particular de Distrato de
Compra e Venda de Veículo Usado, que ora se anexa.

Para efetivar o distrato, a autora recebeu de volta o valor de R$


__________ (________________) da seguinte forma:

a) R$ _______ (quinze mil e quinhentos reais) em moeda


corrente nacional (Que foi utilizado integralmente para o
pagamento do consórcio) .
b) Uma motocicleta Honda CG, ano 2016 no valor de R$
__________. (_____________)
c) E posteriormente a desalienação, receberia mais R$
_________ (___________)
Com isso, o automóvel foi devolvido para o antigo proprietário.
Portanto, o pesadelo não havia acabado. Em data de 20 de
setembro de 2017, ao ligarem para a segunda requerida
(protocolo nº 19559399048), foram informados de que havia
ocorrido um erro no sistema da requerida. Com isso os cálculos
presentes no extrato do consórcio estavam incorretos,
conforme resta provado documento anexo.

Deste modo, o valor para quitação não seriam 17 parcelas de


R$ _______ conforme exposto no extrato, que ora se anexa.
Mas, um montante de R$ ________ (quinze mil setecentos
reais e oitenta e cinco centavos), conforme resta provado
Recibo de quitação anexo.

Porém, mais uma vez os autores suportaram as consequências


de erro de outrem. Visto que, tiveram que fazer a quitação de
todo o débito para, posteriormente, poderem baixar o
GRAVAME que está indevidamente pesando os registros do
automóvel. Portanto, o automóvel que foi entregue aos antigos
proprietários.

Se não bastasse, o pesadelo continuou. Após a quitação dos R$


____________ (quinze mil setecentos reais e oitenta e cinco
centavos), os autores não conseguiram excluir a informação de
Gravame financeiro constante no Certificado de Registro do
veículo. Muito embora tenha tentado resolver o problema
amigavelmente, a requerente manteve-se inerte e não
regularizou a situação do veículo, tratando o caso com desleixo,
conforme comprova os e-mails anexos, sendo que os autores
sempre deparam-se com novas desculpas.

A grande verdade, Excelência, é que as grandes financeiras só


se preocupam com os contratos não cumpridos, com débitos à
receber, “girar a máquina financeira”, “fazer dinheiro”. Como o
autor JÁ QUITOU seu débito, não há mais relevância para a
Requerida em sequer atendê-lo, e veja que é algo tão simplório
e “teoricamente” fácil de resolver.
Assim, Excelência, é urgente que venha o Poder Judiciário
interferir para garantir a proteção dos direitos do autor, uma
vez que é de EXCLUSIVA responsabilidade legal da requerida
realizar a BAIXA DO GRAVAME DA ALIENAÇÃO
FIDUCIÁRIA para que se prossiga com os trâmites de
transferência do veículo e, receberem a parcela de R$
_________ (dois mil reais), que seria entregue após a
regularização do veículo.
Resta deste modo configurada a conduta ilícita da requerente
(Embracon), que, por negligência não teve zelo necessário para
com a situação. Em se tratando de uma dívida paga, jamais
poderia ter agido de forma relapsa como agiu, dando
continuidade à restrição do veículo em nome do requerente.

Para agravar a situação, os autores continuam recebendo as


cobranças da segunda requerida, conforme resta provado
cobrança referente ao mês de outubro de 2017, que ora se
anexa. Ademais, temem que seu nome seja negativado.

Em suma, hoje os autores possuem total convicção de que a


irresponsabilidade é de ambas as promovidas, pois a culpa da
primeira foi ter fabricado um veículo “viciado” (irregularidade
na escrita da numeração do chassi) e ter deixado de manter os
arquivos do “espelho” da numeração que facilmente resolveria
o problema independente de perícia. E a culpa da segunda
(_______) é por ter feito a vistoria e não constatado a
irregularidade do veículo, ter autorizado a compra do veículo
“viciado”, bem como, continua errando ao não baixar o
gravame do automóvel e continuar enviando as cobranças para
os autores.

Daí, a evidência da efetivação dos danos morais causados aos


Promoventes pelas Promovidas, visto que os autores foram
alvos de gravíssimos vexames e humilhações, como restou
devidamente comprovado, por isso bate às portas desse
Egrégio Poder Judiciário, buscando a aplicação de danos
morais.

III - DO DIREITO
a) Da Inversão do Ônus da Prova
Os autores encontram-se respaldo jurídico, em especial da lei
consumerista vigente, sem prejuízo aos demais artigos e
incisos e na Constituição Federal.
Conforme é cediço, Código de Defesa do Consumidor, em seu
artigo 6º, inciso VIII, permite a inversão do ônus da prova em
favor do consumidor, excepcionando a regra geral trazida pelo
artigo 373, do Código de Processo Civil. Vejamos:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo
civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as
regras ordinárias de experiências; (grifo nosso)
No caso em tela, as alegações dos requerentes são verossímeis,
haja vista o vasto número de documentos anexados juntamente
com esta exordial e que corroboram suas alegações. Além
disso, é inegável hipossuficiência dos requerentes em relação
aos requeridos.

b) Da Obrigação de Fazer (aplicação de multa)


Em sendo deferido o pedido da parte autora, como assim
aguarda confiante, no que se refere às providências e obtenção
do resultado prático, que devem ser tomadas pela requerida,
no sentido de sustar os efeitos do GRAVAME no VEÍCULO do
autor, requer seja assinalado o prazo de 10 dias à mesma para
cumprimento da ordem judicial

Pugna-se ainda, na mesma decisão que provisória ou


definitiva, que seja fixada multa por dia de atraso ao
cumprimento da ordem, com base no art. 500 c/c
art. 537 ambos do CPC, não inferior a R$500,00 (quinhentos
reais)/dia, bem como a mesma instituição ora requerida, deve
ser condenada ao pagamento dos danos morais, uma vez que
mesmo tendo a autora quitado o financiamento, descumpriu o
contrato não fazendo o acordado, em total descaso com o
consumidor, não procedendo ao levantamento do gravame
sobre o bem. Outrossim, enviou a cobrança da dívida já paga.
c) Da tutela de Urgência
São requisitos para a concessão da tutela de urgência de
natureza antecipada o fundamento da demanda e o justificado
receio de ineficácia do provimento final, em síntese o “fumus
boni iuris” e o “periculum in mora”. Assim dispõe a Lei
nº 8.078/90 Código de Defesa do Consumidor:
Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da
obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§ 3º Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo
justificado receio de ineficiência do provimento final, é lícito
ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação
prévia, citado o réu.
E destaco ainda o Código de Processo Civil que diz em seu
artigo 497, que o juiz concederá a tutela específica da obrigação
nas ações que tenham por objeto o cumprimento de obrigação
de fazer, in verbis:

Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer


ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a
tutela específica ou determinará providencias que assegurem
a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.
Parágrafo único. Para concessão da tutela específica
destinada a inibir a prática, a reiteração ou a continuação de
um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a demonstração da
ocorrência de dano ou da existência de culpa ou dolo.
Poderá ainda a obrigação se converter em perdas e danos e sem
prejuízo da multa, pela prerrogativa ditada pelo art. 499 do
Código de Processo Civil.

Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e


danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela
específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente.
Outrossim, o Código de Processo Civil dispõe no livro V, da
parte geral, sobre a tutela provisória, que tem como espécies a
tutela de urgência e a tutela de evidencia, in verbis.
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.
§ 2º. A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente
ou após justificação prévia.
O primeiro requisito resta preenchido, uma vez que
todas as alegações estão devidamente comprovadas
pela vasta documentação que instrui a peça
vestibular. Com isso, resta claro a ausência de culpa dos
requerentes para a não regularização da situação do veículo,
visto que, o GRAVAME está indevidamente pesando os
registros do automóvel, mesmo após a quitação integral da
dívida.
Por sua vez, o perigo do dano está de plano evidenciado, uma
vez que o veículo só poderá ser regularizado após a baixa do
gravame que está pesando em seu registro. Caso isto não
ocorra, todo esforço dispendido pelos Autores, em relação a
quitação da dívida, até o momento, restará inútil, adiando o
seu objetivo de resolver o conflito que vem causando diversos
dissabores e humilhações. Ademais, os autores necessitam da
desalienação para receber o restante do valor acordado no
instrumento particular de distrato de compra e venda.

Saliente-se que, além do óbice para a baixa no gravame, os


Requerentes estão sendo cobrados injustamente e, ainda, corre
o risco de ter seu nome inscrito em órgão de proteção ao
crédito.

Desta feita, requer-se a concessão da tutela provisória de


urgência no sentido de que seja a parte requerida intimada a
proceder com a imediata baixa do GRAVAME que está
indevidamente pesando os registros do automóvel.
Colaciona-se jurisprudência demonstrando a responsabilidade
da requerida na baixa do gravame do veículo:

OBRIGAÇÃO DE FAZER. BAIXA GRAVAME VEÍCULO.


RESPONSABILIDADE DA EMPRESA
FINANCIADORA. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA
OBRIGAÇÃO E VALOR DA MULTA DIÁRIA
MANTIDOS. 1. A baixa do gravame, quando comprovada a
quitação do preço, é responsabilidade da empresa que
financiou o veículo. 2. Incabível a redução doprazo de 15
(quinze) dias para cumprimento da obrigação (baixa do
gravame), bem como da multa diária fixada em R$ 1.000,00,
tendo em vista se tratar de empresa de grande porte, e por se
tratar de pretensão na qual, se busca, efetivamente, o
cumprimento da obrigação no menor prazo possível, ainda
mais quando o consumidor já quitou o contrato, ao que
consta, há mais de cinco anos. 3. Negou-se provimento ao
apelo do réu.
(TJ-DF - APC: 20140710082382, Relator: SÉRGIO ROCHA,
Data de Julgamento: 22/07/2015, 4ª Turma Cível, Data de
Publicação: Publicado no DJE : 24/08/2015 . Pág.: 223)
AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. INDENIZAÇÃO POR DANOSMORAIS.
INÉRCIA DA AGRAVANTE EM PROCEDER À BAIXA
DO GRAVAME DEALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA NO
REGISTRO DO VEÍCULO. QUANTUM
INDENIZATÓRIOFIXADO COM RAZOABILIDADE. 1.-
A intervenção do STJ, Corte de Caráter nacional, destinada
afirmar interpretação geral do Direito Federal para todo o
país e nãopara a revisão de questões de interesse individual,
no caso dequestionamento do valor fixado para o dano moral,
somente éadmissível quando o valor fixado pelo Tribunal de
origem, cumprindoo duplo grau de jurisdição, se mostre
teratológico, por irrisório ouabusivo. 2.- Inocorrência de
teratologia no caso concreto, em que, para odano consistente
na inércia da Agravante em proceder à baixa dogravame de
alienação fiduciária no registro do veículo, foi fixado,em
24.03.2011, o valor da indenização em R$ 5.000,00 (cinco
milreais), consideradas as forças econômicas do autor da
lesão. 3.- Agravo Regimental improvido.
(STJ - AgRg no AREsp: 131756 SC 2012/0017445-5,
Relator: Ministro SIDNEI BENETI, Data de
Julgamento: 24/04/2012, T3 - TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: DJe 08/05/2012)
a) DOS DANOS MORAIS
Reputa-se tecer algumas considerações preliminares acerca do
dano moral, com o escopo de conceituá-lo à luz do nosso
ordenamento jurídico.
Ensina a boa doutrina que a expressão dano moral
tecnicamente qualifica o prejuízo extrapatrimonial, possuindo
um sentido mais amplo e genérico, pois representa a lesão aos
valores morais e bens não patrimoniais, reconhecidos pela
sociedade, tutelados pelo Estado e protegido pelo ordenamento
jurídico.

Segundo o que ensina Aguiar Dias:

“O dano moral é o efeito não patrimonial da lesão de direito e


não a própria lesão abstratamente considerada.”
Maria Cristina da Silva Carmignani, em trabalho publicado na
Revista do Advogado nº 49, editada pela conceituada
“Associação dos Advogados de São Paulo”, ensina que:

“(…) a concepção atual da doutrina orienta-se no sentido de


que a responsabilidade de indenização do agente opera-se por
força do simples fato das violações (danun in reipsa).
Verificado o evento danoso, surge a necessidade da
reparação, não havendo que se cogitar de prova do dano
moral, se presentes os pressupostos legais para que haja a
responsabilidade civil (nexo de causalidade e culpa)”.
A Carta Política de 1988, impondo sua hegemonia sobre todo o
ordenamento jurídico, confirmou o princípio da reparação dos
danos morais, previsto no capítulo dos direitos e deveres
individuais e coletivos, dispositivo alhures mencionado.
Do mesmo modo, a moderna legislação consumerista
salvaguarda o direito de reparação por danos morais aos
consumidores, que por definição legal (art. 2º) tanto podem
ser pessoas físicas ou jurídicas.

Nesse diapasão, preceitua o jurista Limongi França:

“Dano moral, é aquele que direta ou indiretamente, à pessoa


física ou jurídica, bem assim a coletividade, sofre no aspecto
não econômico de seus bens jurídicos. ”(In Reparação do
Dano Moral, RT, Vol. 631, pg. 31, maio/88)
Consoante restou demonstrado alhures, todo o evento ocorrido
envolvendo a compra do automóvel com um vício oculto e as
frustradas tentativas em resolver a desgastante situação,
afetaram, sobremaneira, a vida funcional dos Autores, sempre
à espera de que tal conflito logo se resolvesse com a efetiva
troca do veículo ou o definitivo conserto do mesmo.

Ademais, houve imensa expectativa dos Suplicantes na


aquisição do veículo, visto que esse iria facilitar sobremaneira
as suas vidas, não só no trabalho, mas também em suas vidas
sociais.

A quantificação do dano moral deve atender a critérios como a


extensão do dano, a condição do causador do dano e a da
vítima, bem como atentar para o aspecto pedagógico da
indenização, isto é, deve ser tal que sirva de advertência para
que o causador do dano e seus congêneres se abstenham de
praticar tais atos.

Ante todo o exposto, é patente a lesão à imagem dos


Autores, que há muito propagavam a aquisição de um
automóvel a fim de facilitar o seu dia a dia no trabalho
e na vida social, razões pelas quais impende seja
reparado pecuniariamente todo desgaste sofrido.
Todo aquele que causar dano tem o dever de repará-lo, art.
927.

Nos termos do artigo 944 do Código Civil, a indenização mede-


se pela extensão do dano, que pode ser material ou moral,
dependendo da repercussão e do bem jurídico atingido.
No caso em tela, os autores sofreram dano moral em
razão da vergonha, humilhações e constrangimentos
sofridos. Pois, sofreram a acusação de possuírem um
veículo fruto de roubo e/ou sofrido adulterações no
número do chassi.
É mais que evidente que os fatos narrados repercutiram
negativamente no patrimônio extrapatrimonial dos autores,
causando prejuízos que precisam ser reparados. E a maneira
adequada a repará-los é a compensação, consubstanciada
numa indenização por danos morais.
Colaciona-se jurisprudência demonstrando que os gravíssimos
vexames e humilhações gera dano moral, in verbis:
“ADMINISTRATIVO. TRÂNSITO. CERTIFICADO DE
REGISTRO DE VEÍCULO. DUPLICIDADE DE CHASSI.
DANO MORAL. PROVA. Em caso de dúvida quanto à
regularidade do chassi instalado em veículo, compete ao
DETRAN adotar as providências para apurar eventual
alteração, antes de expedir o certificado de licenciamento do
veículo. Art. 22, III, do CTB. Em caso de inércia da
Administração Pública, na apuração da suposta
anormalidade no chassi, tem direito o proprietário à obtenção
a segunda via do aludido documento. A demora na expedição
do documento solicitado não configura dano moral in
reipsa. A configuração do dano moral exige grave
ofensa à dignidade da pessoa humana. a demora em
expedir a segunda via do certificado. Recurso do DETRAN
provido em parte. Recurso da parte autora prejudicado.
(Apelação Cível Nº 70060176021, Vigésima Segunda
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Maria Isabel de Azevedo Souza, Julgado em
26/07/2014).”
“APELAÇÃO CÍVEL. LEGITIMIDADE AD CAUSAM.
VÍCIO REDIBITÓRIO. REGRAVAÇÃO DE
CARACTERES DE CHASSI. DANO MORAL
CONFIGURADO. 1. Alegitimidade ad causam é aferida com
base nas asserções lançadas na inicial. 2. Tratando-se de
contrato comutativo, o alienante tem o dever de assegurar ao
adquirente a posse útil da coisa, respondendo por vício
redibitório, por este ignorado, que a torne imprópria ao uso a
que se destina ou que lhe subtraia valor. 3. No caso específico,
a substituição do bem equivale à restituição do preço. 4. A
situação experimentada pelos autores - apreensão do veículo
decorrente de irregular regravação dos caracteres do chassi -
transcende o mero aborrecimento, configurando dano moral,
cuja compensação foi assegurada em valor - R$ 12.000,00 –
que não comporta redução.
(TJ-DF - APC: 20120310332443 DF 0032404-
12.2012.8.07.0003, Relator: FERNANDO HABIBE,
Data de Julgamento: 11/03/2015, 4ª Turma Cível,
Data de Publicação: Publicado no DJE : 19/03/2015 .
Pág.: 161)”
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. VÍCIO NA
NUMERAÇÃO DO MOTOR DO VEÍCULO.
IMPEDIMENTO DE TRANSFERÊNCIA DA
PROPRIEDADE. DANO MORAL. CONFIGURADO.
REVISÃO DO VALOR DA CONDENAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. "QUANTUM" RAZOÁVEL.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 83/STJ.
PRECEDENTES
1. Em virtude de vício na numeração do motor feito na
montagem, o proprietário do veículo de luxo ficou
impossibilitado de aliená-lo. Quando acionada para saná-lo a
montadora nada o fez. Por isso configurado o dano moral
merecedor de reparação econômica. 2. Este Sodalício
Superior intervém para alterar o valor indenizatório por
dano moral apenas nos casos em que o valor arbitrado pelo
Acórdão recorrido se mostrar irrisório ou exorbitante,
situação que não se faz presente no caso em tela. 3. O
agravante não apresentou argumento novo capaz de
modificar a conclusão alvitrada, que se apoiou em
entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça.
Incidência da Súmula n.º 83, do STJ. 4. Agravo regimental
não provido.
(STJ - AgRg no REsp: 1463897 SC 2014/0160890-7,
Relator: Ministro MOURA RIBEIRO, Data de
Julgamento: 16/09/2014, T3 - TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: DJe 22/09/2014)
Apelação Cível. Relação de Consumo. Indenizatória.
Instituição Financeira. Concessionária de veículo. Contrato de
Arrendamento Mercantil. Aquisição de veículo com chassi
irregular. Obrigação de transferência de titularidade pelo
Banco réu junto ao DETRAN e troca de veículo junto a
concessionária que não se efetivou. Falha na prestação de
serviço. Responsabilidade objetiva. Dano moral configurado.
Verba compensatória bem fixada. Precedentes
citados: 0033006-23.2010.8.19.0202 ¿ APELAÇÃO -
DES. REGINA LUCIA PASSOS - Julgamento:
19/12/2013 - VIGÉSIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL
CONSUMIDOR; 0015371-14.2014.8.19.0000 -
AGRAVO DE INSTRUMENTO - DES. ROBERTO
GUIMARAES - Julgamento: 12/05/2014 - VIGÉSIMA
QUARTA CÂMARA CÍVEL CONSUMIDOR.
DESPROVIMENTO DO RECURSO.
(TJ-RJ - APL: 00084242220118190202 RIO DE
JANEIRO MADUREIRA REGIONAL 3 VARA CIVEL,
Relator: REGINA LUCIA PASSOS, Data de
Julgamento: 22/07/2015, VIGÉSIMA QUARTA
CÂMARA CÍVEL CONSUMIDOR, Data de Publicação:
24/07/2015)
Compra e venda de veículo. Indenização por perdas e danos.
Alegação da autora que sofreu prejuízos ante a
irregularidade do número do chassi do veículo com pedido
para ser ressarcida pela anulação de venda a terceiro. Ação
julgada improcedente. Apelação da autora. Repetição das
alegações iniciais. Motor com número diferente do registrado
na documentação, o que só foi notado quando da revenda do
veículo a terceiro, depois de dez anos do seu uso. Laudo
pericial que confirma que a empresa ré cometeu a falha.
Sinais de adulteração do chassi por parte da autora.
Inexistentes. Presente responsabilidade objetiva da
montadora, afastada da revendedora. Danos materiais e
morais comprovados, este último fixado em R$5.000,00.
Recurso parcialmente provido.
(TJ-SP - APL: 00117382220128260565 SP 0011738-
22.2012.8.26.0565, Relator: Francisco Occhiuto
Júnior, Data de Julgamento: 09/04/2015, 32ª
Câmara de Direito Privado, Data de Publicação:
10/04/2015)
IV- DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer a Vossa Excelência:

a) Primeiramente, seja concedida liminarmente a tutela


provisória de urgência pretendida, para fins de determinar a
instituição financeira, ora requerida, para que proceda a baixa
do gravame incidente no veículo supra descrito, com aplicação
de multa diária não inferior a R$500,00 (quinhentos reais) no
caso de descumprimento da ordem judicial;

b) A concessão dos benefícios da gratuidade judiciária, uma vez


que os Requerentes não possuem condições de arcarem com o
pagamento das custas e honorários advocatícios sem prejuízo
para a própria subsistência, pois, encontra-se desempregado
conforme documentos anexos.

c) A citação dos requeridos, para, em querendo, apresente


CONTESTAÇÃO no prazo legal, sob pena de revelia;

d) Julgar TOTALMENTE PROCEDENTE a presente ação


CONDENANDO os réus ao pagamento de indenização por
danos morais em favor dos autores, no valor de R$
18.740,00, pelas razões apresentadas na fundamentação.
e) Que seja determinada a inversão do ônus da prova

f) Requer ainda a condenação dos requeridos nas custas e


despesas judiciais e honorários advocatícios.

g) Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em


Direito admitidas, principalmente a juntada dos documentos
que instruem a inicial

Atribui-se à causa o valor de R$ 18.740,00 (dezoito mil


setecentos e quarenta reais).
Nesses termos,

Pede e espera deferimento.

__________, 08 de novembro de 2017

advogado
Advogado- OAB.XX _______
Documentos Anexos:
Anexo 1 - Procuração Ad Judicia
Anexo 2 - Cópia dos documentos pessoais dos requerentes;
Anexo 3 - Cópia da carteira de trabalho dos requerentes;
Anexo 4 – Situações das Declarações de IRPF de 3 anos
(Autores)
Anexo 5 - Cópia comprovante de endereço dos requerentes;
Anexo 6 - Primeiro contrato ______
Anexo 7 – Contrato de compra e venda
Anexo 8 – Novo Contrato
Anexo 9 - Vistoria
Anexo 10- Vistoria para transferência Cesar
Anexo 11- Vistoria mãe do Cesar (carro zero)
Anexo 12- Boletim de Ocorrência
Anexo 13- Comprovante de endereço mãe autora
Anexo 14- Outras vistorias
Anexo 15- Solicitações da perícia
Anexo 16- Perícia
Anexo 17- Distrato
Anexo 18- Extrato consórcio
Anexo 19- Recibo de quitação
Anexo 20- Emai-l com a _______
Anexo 21- Nova cobrança

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