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Como dito no glossário, os alunos devem ter notado que algumas palavras ficam grifadas em

verde, isso acontece naturalmente para alertar que a palavra se encontra em nosso banco de
dados do glossário, mas para saber seu significado não necessita ir ao glossário, basta para
isso clicar sobre a palavra que abrirá uma janela pop-up , tal ferramenta no curso irá ajudar
em muito os estudantes, caso não se lembrem de determinado termo, evitando sair da
página para procurar seu significado, então usem e abusem dessa ferramenta.

Graha é como são chamados os Planetas no Jyotisha, sua definição em sânscrito é:


“influenciador cósmico” que tem poder de influenciar os seres vivos no Planeta Terra,
diferente de “lokas” que são Planetas ou corpos celestes que não tem esse poder, dentro do
Jyotisha, por isso usamos apenas os Grahas (Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Vênus, Júpiter,
Saturno e os dois nodos lunares; Rahu e Ketu.)

Nesse tópico-aula falaremos exclusivamente sobre os Grahas, sobre cada um deles, seus
significados e assuntos que regem, é importante a partir de agora, assimilar todo conteúdo das
aulas, para que possamos tirar um grande proveito do que esse ramo astrológico pode
oferecer.

Apesar de que usaremos os nomes “latinos” quando cita-los, é importante saber seus nomes
“hindus”, pois em grande parte dos textos que lerem sobre Jyotisha futuramente
mencionarão seus nomes como conhecidos na índia, então para que nossos alunos não fiquem
perdidos ao lerem sastras que tratam de astrologia.

No princípio pode parecer difícil, mas com o tempo as memorizações de tais nomes se tornam
comuns e importantes, apesar de que meu sistema de lecionar o Jyotisha tem como objetivo
dificultar o menos possível seu aprendizado, evitando abusar dos termos hindus, que são o
que mais inibe os futuros astrólogos para estudar essa arte, não posso abolir totalmente o uso
de tais termos, pois isso dificultaria ou limitaria o estudante ao se deparar com outros escritos
e autores que os menciona com frequência.

Já vi muitos astrólogos brasileiros abusar de tais termos, talvez para dificultar a assimilação da
arte, ou fazer parecer uma arte impossível de se aprender ou ainda tentar mostrar
conhecimento. Eu prezo por um ensino menos complexo e meu sincero desejo é que todos
aprendam por igual, então não posso fingir que tais termos não são necessários, pois grande
parte da literatura os inclui, fazemos parte do “sistema” e não podemos simplesmente ignora-
lo, isso faria um aprendizado capenga.

Olhando a tabela abaixo, você saberá então o nome de cada Planeta, sua referência em
sânscrito e sua qualidade natural.

Planeta Equivalente no Sânscrito Qualidade


Sol Surya Maléfico
Lua Chandra Benéfico
Marte Mangal Maléfico
Mercúrio Budha Neutro
Júpiter Guru Benéfico
Vênus Shukra Benéfico
Saturno Shani Maléfico
Nodo norte Rahu Maléfico
Nodo sul Ketu Maléfico

Algumas considerações devem ser dadas aqui quanto as qualidades naturais desses Planetas,
digo “naturais” porque de acordo com o lagna um maléfico pode ganhar a qualidade de
benéfico funcional ou vice versa, que será explicado em lições futuras.

Note que o único Planeta “neutro” é Mercúrio, na verdade esse neutro poderia ser qualificado
como “influenciável”, pois de acordo com os planetas que Mercúrio se associa, seja por
conjunção, aspectos ou regência do signo em que se encontra ele incorpora a qualidade desse
outro Planeta.

Exemplo: Se mercúrio está associado com Saturno ele se torna maléfico também, se associado
com Júpiter se trona benéfico, isso válido para todos os outros Planetas que se associam à
Mercúrio.

Quanto a Lua, ela é qualificada como benéfica, mas se o nativo nasceu na Lua minguante, a
mesma ganha qualidade de maléfica natural.

Muitos podem estranhar a qualidade “maléfica” dada ao Sol, mas ele é considerado maléfico
no Jyotisha por suas características de “queimar” o Planeta a ele conjunto, que nós chamamos
de combustão. Por isso sua qualidade de maléfico.

Além dos nove grahas principais, existem outros pontos astrológicos ou entidades astrológicas
chamadas de sub-grahas, que serão ensinadas mais adiante, como upaketu, gulika,
pranapada e etc...

Nessa lição nos limitaremos aos grahas principais para não confundir a mente do aluno com
informações agora desnecessárias, mas tudo será tratado de forma abrangente, para um bom
aprendizado.

Muitos dos que estão acostumados com a astrologia moderna ocidental, devem estar se
perguntando porque não usamos no Jyotisha os chamados Planetas trans-saturninos (Netuno,
Urano e Plutão) e nem asteroides diversos (Ceres, Pallas, Quiron...) nesse ramo astrológico, de
antemão advirto que quando se pratica Jyotisha não se usa esses Planetas, no entanto não
condeno seu uso para quem queira fazer na astrologia ocidental, não há uma proibição
específica para fazer isso na astrologia ocidental, mas no Jyotisha seu uso é contra a tradição e
infundado, então não devemos misturar as duas astrologias.

Abaixo transcrevo parte de um artigo que fala da diferença dos grahas e dos lokas, esses
últimos, trans e asteroides diversos, são no Jyotisha considerados lokas,para se aprender
Jyotisha deve-se entender os conceitos indianos, espero não ferir ninguém expondo aqui esses
conceitos, mas vocês poderão continuarem a fazer usos desses Planetas na astrologia
ocidental livremente, apenas menciono isso aqui, para não misturarem conceitos. Seria como
usar açúcar em receitas para diabéticos, é imprudente, cada coisa em seu lugar.

(tradução livre do conceito de Graha X Planeta do artigo de Shyamasundara Dasa)

“Há uma diferença fundamental entre o conceito védico de “Graha” e o uso ocidental de
Planetas na Astrologia. Graha, por definição, é qualquer coisa que tem o poder de apreender,
compreender ou influenciar. Neste caso, “apreensão ou influenciar se refere a intervir nos
destinos dos homens de uma forma sobrenatural”. A palavra para planeta, por outro lado é
traduzido como “loka’ em Sânscrito. Nem todos os Grahas são lokas e nem todos lokas são
grahas. Em inglês, isso significa que a classe de entidades ou objetos que tem significado
divinatórios inclui Planetas, mas nem todos os Planetas tem significado divinatório.
(Lembramos, porém que, enquanto certos Planetas podem ser Grahas, em um sentido
divinatório, eles não são agentes casuais, eles não causam as coisas para acontecer. Mas como
Grahas eles tem o poder para ser usado em uma linguagem divinatória para explicar a vontade
de Deus. Assim como presságios não causam nada, mas são sinais divinos).

No Jyotish os dez grahas principais são: O Ascendente, O Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter,
Vênus , Saturno, Rahu (Nodo norte da Lua) e Ketu (Nodo sul da Lua). Destes dez grahas o
ascendente, Rahu e Ketu não são “lokas” ou Planetas (no conceito tradicional como a Lua ou
Mercúrio), mas sim pontos matemáticos calculados pelo astrólogo. A astrologia indiana tem
também numerosos Upa-grahas (grahas menor) e kala-velas (pontos sensíveis). Destes Upa-
grahas e kala-velas, Mandi é considerado o mais importante e é utilizado especialmente em
Kerala. Mandi definitivamente não é um Planeta, no sentido ocidental, mas é um Graha.

Astrologia Védica é um membro dos Vedas(vedanga) e foi revelado por Rishis de uma fonte
superior. Em última análise, Jyotisha é um conhecimento revelado que vem do Senhor sri
Krishna, a suprema personalidade de Deus. Assim as tarefas tradicionais de grahas não são
triviais, sem sentido ou casual. Notamos também a distinção védica entre a classificação de
Graha (agente divinatório) e loka (planeta).
Astrologia ocidental carece inteiramente do conceito de graha, eles são tidos apenas como
Planetas. Como consequência, eles assumem que algo simplesmente flutua lá fora, como
Netuno ou Ganimedes (uma das luas de Júpiter) ou asteroides como Athena, devam ser
incorporados ao mapa astral.(gráfico). Sugerimos que tal atitude cria uma miscelânea
incompreensível que corrói a base axiomática de sua escola de astrologia.”

Note que o texto acima, é uma tradução e não uma afirmação minha, pois nesse curso não
tenho o objetivo de atacar esse ou aquele ramo astrológico, nem afirmar que o Jyotisha é
superior a astrologia ocidental, temos entre nossos alunos grandes e bons astrólogos
ocidentais, que estudaram a astrologia do ocidente e dela fazem uso de forma notável.

Minha opinião quanto a isso é que é duas astrologias diferentes, o estudo do Jyotisha não
tira o que já aprendeu da astrologia do ocidente, não somos superiores a esse ou aquele
outro ramo astrológico, apenas minha intenção em citar o texto acima é para explicar porque
no Jyotisha não fazemos uso de determinados Planetas, sem contudo condenar seu uso em
outras astrologias.

Espero que tenha ficado clara essa minha posição, pois o respeito é, acima de tudo, a base
para um bom aprendizado e convivência.
Nas demais lições, desse tópico, farei explanações maiores acerca de cada Planeta e também
do Lagna, inclusive postando tabelas que serão úteis nessa fase do curso.

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