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Teste 11.

º ano
novembro 2019

PROPOSTA DE CORREÇÃO

GRUPO I
EDUCAÇÃO LITERÁRIA
A
1. O excerto integra-se no segundo ato de Frei Luís de Sousa (cena IV), no momento
central da ação da peça e do conflito.
Nesta cena, Maria, Manuel e Frei Jorge dialogam, depois de este último ter chegado
com a notícia de que os governadores não exerceriam qualquer represália sobre Manuel
de Sousa Coutinho por este ter incendiado o seu palácio como forma de não os receber
(“os outros que se não ressentissem da ofensa”). Em seguida, todos se preparam para ir a
Lisboa, deixando D. Madalena sozinha, situação que virá a revelar-se de extrema
importância, pois possibilita o seu encontro com o Romeiro, que lhe anuncia que o seu
marido está vivo.
Este texto é fulcral no desenrolar da ação, uma vez que D. Madalena, ao ficar sozinha,
como senhora da casa, irá receber o homem que vai determinar o seu desgraçado futuro.

2. Os acontecimentos decorrem no Palácio que fora de D. João de Portugal e agora


pertence a D. Madalena de Vilhena.
A família de Manuel de Sousa Coutinho encontra-se, então, na casa do primeiro
marido de D. Madalena, uma vez que Manuel, numa atitude de patriotismo, se tinha
recusado a receber no seu palácio os governadores e, por isso, o incendiara. Tendo em
conta que o palácio estava desabitado e pertencia à viúva de D. João, era evidente e natural
esta mudança.
Concluindo, as personagens encontram-se neste local por causa da anterior atitude de
Manuel de Sousa Coutinho.

3. Maria, filha de D. Madalena e de Manuel de Sousa, é uma jovem com grande força
interior.
Assim, Maria é carinhosa (“Oh, meu pai, meu querido pai”), decidida, persistente,
interessada em conhecer novas pessoas e novos locais (“levai-me, por quem sois,
convosco. Eu queria ver a tia Joana de Castro,”. Mostra-se igualmente confiante e
enérgica, apesar da doença, confiando na sua resistência: “A mim não se me pega nada”.
Concluindo, esta criança é muito precoce para a sua idade, perspicaz e intuitiva,
compreende o mundo e as coisas fora do comum.

4. A referência a Joana de Castro pode sugerir o desenlace funesto da ação.


Efetivamente, esta senhora, que recusara a vida material e terrena e se enclausurara,
assim como o marido, num convento, pode indiciar o desfecho da história de amor de D.
Madalena de Vilhena e Manuel de Sousa Coutinho. Também estes, depois de D.
Madalena ter referido que não seria capaz de tal decisão, se vão separar, entrando cada
um para o convento, em virtude do seu primeiro marido ainda estar vivo.
Concluindo, D. Madalena de Vilhena vivera sempre atormentada pelo passado e
dominada por pressentimentos de desgraça, que se vai consumar efetivamente.

1
Teste 11.º ano
novembro 2019

B
5. Devem ser referidos, entre outros, os seguintes tópicos:
• o ambiente da tragédia – a felicidade perturbada pelo remorso; a condensação e
afunilamento progressivo do tempo e do espaço; o desenlace trágico;
• o fatalismo – todos estão sob o domínio do destino contra o qual nada podem;
• a ação trágica – estão presentes, entre outros elementos, a hybris (Madalena desafia o
destino ao amar Manuel de Sousa quando ainda estava casada com D. João. Manuel
desafia os deuses quando desobedece aos governadores e incendeia o seu palácio), a
pathos (o sofrimento que atinge todas as personagens: pelas suas incertezas (Madalena),
pelo sentimento de culpa (Madalena e Manuel de Sousa), pela divisão interior (Telmo),
pela doença e pela vergonha da sua ilegitimidade (Maria), pelo esquecimento a que foi
votado (D. João), a anagnórisis (o reconhecimento do Romeiro como D. João de Portugal
que tem lugar em diferentes momentos da peça pelas diferentes personagens), o clímax
(a tensão emocional aumenta progressivamente atingindo o seu ponto máximo no final
do Ato II) e a katastrophé (Maria morre; Manuel e Madalena separam-se e morrem para
o mundo ao professarem);
• o número reduzido de personagens e a sua ascendência nobre;
• a presença do “coro” na figura de Telmo Pais e, por vezes, de Frei Jorge.

OU

B
5. O soneto “Erros meus, má fortuna, amor ardente” apresenta uma reflexão do sujeito
sobre a sua vida.
Assim, o “eu” expressa o seu sofrimento, atribuindo-lhe diversas causas. Ao fazer
uma retrospetiva da sua vida, constata que as causas da sua desgraça foram os erros que
cometeu, a sua pouca sorte e o amor. No entanto, bastava-lhe esta última para a sua
perdição (“que para mim bastava o amor somente”). Ele sente alguma revolta pelo facto
de ter uma vida tão desgraçada, expressando o seu desejo de vingança (“este meu duro
génio de vinganças!”). O sujeito aprendeu a não ter esperança, uma vez que as suas
anteriores “esperanças” foram “mal fundadas” ao acreditar num amor ilusório.
Concluindo, o “eu” demonstra a sua frustração e aspira a algum descanso depois de
tanto sofrimento.

6. No segundo terceto está presente uma hipérbole.


Assim, em “quem tanto pudesse que fartasse / este meu duro génio de vinganças!”,
o sujeito amplia a sua revolta, causada pelas infelicidades que sempre viveu, e expressa
de forma intensa o seu desejo de vingança, que serviria para dar ao sujeito o descanso que
entende ser merecido.
Em suma, este recurso expressivo contribui para realçar o desengano do “eu” com
a existência.

GRUPO II
GRAMÁTICA

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novembro 2019

Item
1. (C)
2. (A)
3. (B)
4. (D)
5. (B)
a) Sujeito.
6. b) Complemento do nome.
7. a) Coesão gramatical frásica.
b) Coesão gramatical interfrásica.
8. “autor”.

Grupo III
ESCRITA

Tópicos sugeridos
 Intuito de expressar emoções e ideias;
 O teatro desperta os sentimentos e emoções do público, fazendo-os rir ou
chorar. (Teatro de revista, tragédia, comédia…);
 As peças de teatro apresentam cultura e transmitem conhecimento aos
espectadores;
 O teatro mostra a cultura e a forma de pensar de determinada época ou contexto
social (Ex. Frei Luís de Sousa);
 Nas crianças, o teatro ajuda na formação e no desenvolvimento, despertando o
desejo pelo conhecimento,
 …

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