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PODER JUDICIÁRIO – JUSTIÇA ELEITORAL

CIRCUNSCRIÇÃO DE MINAS GERAIS


Juízo da 318ª Zona Eleitoral de Governador Valadares
Avenida Minas Gerais, nº 972 – Centro – CEP 35010-151
Governador Valadares - MG - Telefax (33)3272-1725 – email: zona318@tre-mg.jus.br

Representação nº 467-09.2012.6.13.0318

Representação por Propaganda Eleitoral Irregular

Representante: Coligação Experiência para Renovar

Representados: Coligação Pra Valadares Seguir Mudando


Elisa Maria Costa
Ronaldo Perim

SENTENÇA

Vistos etc.

Trata-se de Representação por Propaganda Eleitoral Irregular


formulada pela COLIGAÇÃO “EXPERIÊNCIA PARA RENOVAR” contra
COLIGAÇÃO “PRA VALADARES SEGUIR MUDANDO”, ELISA MARIA COSTA
e RONALDO PERIM, respectivamente, candidatos aos cargos de Prefeito e
Vice-Prefeito, no Município de Governador Valadares-MG.

Alega que os representados estariam colocando cavaletes


gigantes nas diversas vias públicas descritas na inicial, em desacordo com a
legislação eleitoral e com o disposto nos autos do Processo nº 864-86.2012,
em curso na 119ª Zona Eleitoral de Governador Valadares, “(...) que
determinou regras em relação aos cavaletes gigantes constantes na cidade,
objetivando ordenar e disciplinar o seu uso pelos candidatos (...)”.

Requer, em sede liminar, a imediata retirada dos cavaletes, sob


pena de crime de desobediência e de multa.

O pedido de liminar foi deferido, através da decisão de f. 19/21,


para determinar a remoção dos cavaletes irregulares, no prazo improrrogável
de 4 h, com a imediata restauração dos bens públicos em caso de dano,
mediante comprovação nos autos, sob pena de multa no valor de R$ 500,00

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(quinhentos reais) por hora de atraso, sem prejuízo de incorrerem no crime


tipificado no artigo 347 do Código Eleitoral, além da adoção de outras medidas
para garantir o resultado prático equivalente ao do adimplemento voluntário.

Regularmente notificados, os representados apresentaram defesa


conjunta (f. 29/32), alegando, em resumo, que teriam retirado de imediato todos
os cavaletes das vias públicas e que, com o deferimento de liminar em
Mandado de Segurança impetrado pelos Representados contra a decisão
proferida pelo magistrado da 119ª Zona Eleitoral, “(...) estes mantiveram o
direito de colocar nas vias públicas, os cavaletes de seus candidatos,
realizando, assim, a propaganda eleitoral, de forma legal e já conhecida por
todos” (f. 29).

Requerem, ao final, a improcedência da representação.

Ouvido, o Ministério Público Eleitoral, em razão do deferimento da


liminar nos autos do citado mandado de segurança, opinou pela improcedência
da representação.

É O RELATÓRIO. DECIDO.

Convém esclarecer, de início, que a liminar deferida no último dia


30/08/2012, nos autos do Mandado de Segurança nº 72503, de competência
originária do egrégio TRE-MG, não interfere em absolutamente nada no
julgamento da presente Representação por Propaganda Eleitoral Irregular,
primeiro porque suspendeu, através de tutela de caráter eminentemente
provisório, apenas a eficácia da decisão proferida nos autos do
Processo nº 864-86.2012.6.13.0119, em trâmite na 119ª Zona Eleitoral,
segundo, não possui efeito vinculante nem reformou a decisão de f. 19/21,
proferida nestes autos, e terceiro, a controvérsia aqui instaurada será julgada
com base na aplicação da legislação eleitoral vigente no caso concreto,
mediante a subsunção do fato à norma, sem adotar-se como alicerce qualquer
outra determinação de cunho genérico ou regulamentar proferida por outro
juízo, podendo, ou não, desencadear a consequência jurídica prevista na
norma in abstracto pertinente.
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Vale registrar, inclusive, antes de adentrar no mérito do caso sub


examine, que mais um fenômeno passou a ser observado nas grandes cidades
do país nestas eleições, devido à criatividade voltada para a delinquência de
alguns marqueteiros políticos, certamente mal orientados juridicamente ou de
acordo com a conveniência de momento das assessorias de diversos
candidatos, convictos de que o ilícito vale a pena: a veiculação de propaganda
eleitoral por meio da colocação de placas móveis, painéis ou 'minidoors'
ambulantes, com dimensão de 4m² (quatro metros quadrados), ao longo das
vias públicas, com suporte no formato de cavalete, na clara tentativa de
burlar a norma, o que, até então, vêm conseguindo com pleno êxito.

É tão absurda a situação, que referidos “cavaletes”, instalados


nas esquinas das principais calçadas de toda a zona urbana de Governador
Valadares, são mais assemelhados a “tendas”, porque não dizer, quase do
tamanho padrão das casas populares construídas nas periferias, de modo que
nenhum candidato poderá ficar surpreso se porventura, quando for recolher a
propaganda às vinte e duas horas, conforme determina a lei, deparar-se com
algum sem teto que tiver invadido a “propriedade” e, recusando-se a deixar o
local, consumar verdadeiro esbulho possessório.

Lamentavelmente, como a conduta irregular parte de quem


deveria dar o bom exemplo, multiplicam-se campanhas nas redes sociais
incentivando o desmonte de cavaletes de propaganda eleitoral, em que pese o
fato configurar, em tese, o crime tipificado no art. 331 da Lei nº 4.737/65, que
instituiu o Código Eleitoral, ao compreensível argumento de que os suportes de
madeira prejudicam o deslocamento na via pública, a ponto de ser o pedestre
forçado a disputar a corrida dos 100 m com barreira para conseguir transitar.1

Nesse contexto, quando eventual transgressão do candidato


chega ao conhecimento da Justiça Eleitoral, a adoção das providências legais
é de rigor, sob pena de incrementar o risco de acidentes de trânsito e nas

1 Eleições 2012. Campanha nas redes sociais incentiva chute em cavaletes de candidatos. Portal
iG,: São Paulo, 01 set. 2012. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-09-
01/campanha-nas-redes-sociais-incentiva-chute-em-cavaletes-de-candidatos.html>. Acesso em: 04 set.
2012.
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próprias calçadas, em função da possibilidade de queda dos citados artefatos


sobre as pessoas, além de fomentar a proliferação dos indesejáveis atos de
vandalismo, que devem, no entanto, ser substituídos pela maior arma de que
dispõe o eleitor civilizado: o voto consciente.

Assim, quanto ao mérito do caso sub judice, propriamente dito,


dispõe o art. 37, §§ 1º, 2º, 4º, 5º e 6º, da Lei 9.504/97, com as alterações
promovidas pela Lei nº 11.300/06 e Lei nº 12.034/09, in verbis, cujo texto é
integralmente reproduzido pelo art. 10 da Resolução TSE 23.370/2011:

Art. 37. Nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do


Poder Público, ou que a ele pertençam, e nos de uso comum,
inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego,
viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros
equipamentos urbanos, é vedada a veiculação de propaganda de
qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação de
placas, estandartes, faixas e assemelhados.

§ 1º. A veiculação de propaganda em desacordo com o disposto no


caput deste artigo sujeita o responsável, após a notificação e
comprovação, à restauração do bem e, caso não cumprida no prazo,
a multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 8.000,00 (oito
mil reais).

§ 2º. Em bens particulares, independe de obtenção de licença


municipal e de autorização da Justiça Eleitoral a veiculação de
propaganda eleitoral por meio da fixação de faixas, placas,
cartazes, pinturas ou inscrições, desde que não excedam a 4m²
(quatro metros quadrados) e que não contrariem a legislação
eleitoral, sujeitando-se o infrator às penalidades previstas no § 1º.
(….................................)
§ 4º. Bens de uso comum, para fins eleitorais, são os assim definidos
pela Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil e também
aqueles a que a população em geral tem acesso, tais como cinemas,
clubes, lojas, centros comerciais, templos, ginásios, estádios, ainda
que de propriedade privada.

§ 5º. Nas árvores e nos jardins localizados em áreas públicas,


bem como em muros, cercas e tapumes divisórios, não é
permitida a colocação de propaganda eleitoral de qualquer
natureza, mesmo que não lhes cause dano.

§ 6º. É permitida a colocação de cavaletes, bonecos, cartazes,


mesas para distribuição de material de campanha e bandeiras ao
longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem
o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

§ 7º. A mobilidade referida no § 6º estará caracterizada com a


colocação e a retirada dos meios de propaganda entre as seis horas
e as vinte e duas horas. (original sem destaque)

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Ora, é nítido, portanto, que os representados estão utilizando


indevidamente as vias públicas de Governador Valadares-MG para colocar
placas móveis, painéis ou 'minidoors' ambulantes, com dimensão de até
4m² (quatro metros quadrados), com suporte no formato de cavalete,
segundo já registrado, mediante a equivocada aplicação da regra prevista no
art. 37, §2º, da Lei 9.504/97, conjugada com o disposto no §6º do mesmo
artigo, eis que o referido limite de tamanho serve de parâmetro apenas
para a veiculação de propaganda eleitoral através de faixas, placas,
cartazes, pinturas ou inscrições apenas em bens particulares.

Todavia, como os cavaletes são colocados em bem de uso


comum, evidentemente não podem atingir cerca de 2 m2 de cada lado, fugindo
completamente do padrão determinado pelo senso comum da citada
modalidade de propaganda eleitoral, sobretudo se comparado ao tamanho
médio da maior parte dos cavaletes utilizados pelos candidatos, que não
ultrapassam – nem deveriam ultrapassar – 0,50 m de largura por 1,00 m de
altura, sob pena de causarem – como de fato vêm causando – sérios
transtornos ao trânsito de veículos e de pessoas, em completa desarmonia
com a inteligência da norma.

Aliás, as fotografias das propagandas apontadas como


irregulares, juntadas às f. 06/16, demonstram que os cavaletes, além de
retirarem a atenção dos motoristas que trafegam na via pública, atrapalham o
trânsito de pedestres e ainda podem causar graves acidentes se forem jogados
na pista de rolamento, até mesmo pelo vento, ou vierem a atingir os
transeuntes, principalmente idosos e crianças.

Pode-se notar ainda que alguns cavaletes, independentemente do


tamanho, encontram-se semiabertos, apoiados em postes e árvores, ou foram
colocados indevidamente em espaço de uso comum, como jardins, canteiros
centrais das vias públicas, praças, rotatórias, ilhas, refúgios, cruzamentos ou a
poucos centímetros das faixas de travessia, causando significativos embaraços
ao trânsito seguro de veículos e pedestres, em flagrante ofensa à vedação
contida no art. 37, §5º, da Lei 9.504/97.
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Como se não bastasse, uma das peças encontra-se instalada em


jardim central, no cruzamento da Rua Israel Pinheiro com a Avenida Santos
Dumont, ao lado de uma placa de sinalização de sentido obrigatório, que
aponta, justamente, para a propaganda eleitoral irregular.

A propósito, os artigos 81 e 82 da Lei nº 9.503/97 – Código de


Trânsito Brasileiro – vedam a citada conduta expressamente:

Art. 81. Nas vias públicas e nos imóveis é proibido colocar luzes,
publicidade, inscrições, vegetação e mobiliário que possam gerar
confusão, interferir na visibilidade da sinalização e comprometer
a segurança do trânsito.

Art. 82. É proibido afixar sobre a sinalização de trânsito e


respectivos suportes, ou junto a ambos, qualquer tipo de
publicidade, inscrições, legendas e símbolos que não se
relacionem com a mensagem da sinalização. (destacamos)

Logo, o simples pretexto de que a conduta é resguardada pelo


período eleitoral é falso, porque todos, inclusive os candidatos, partidos e
coligações, têm a obrigação de respeitar as regras de trânsito e de circulação
de pessoas.

Ademais, em que pese a ausência de expressa limitação legal


quanto às dimensões do cavalete, tais propagandas devem ser imediatamente
removidas, porque obstruem a inteira visualização da via pública, com evidente
potencial de atrapalhar o trânsito regular de pessoas e de veículos e,
consequentemente, provocar acidentes, caso, por exemplo, qualquer pedestre
inicie a travessia das praças, ruas ou avenidas, logo após passar por detrás
dos indesejáveis obstáculos, em decorrência do efeito gerado pelo ponto cego.

Nesse sentido, a Lei Municipal nº 3.665, de 30 de dezembro de


1992, que disciplina o poder de polícia administrativa do Município de
Governador Valadares, também tipifica como ilícita a conduta de colocar
anúncios ou cartazes, inclusive quando obstruam, interceptem ou reduzam,
total ou parcialmente, a visão do interior de prédios públicos ou particulares:

Art. 71. Não será permitida a colocação de anúncios ou cartazes


quando:
I – causar prejuízo para o trânsito público;
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II – de alguma forma prejudique os aspectos paisagísticos da cidade,


seus panoramas naturais, monumentos típicos históricos e
tradicionais;
(….................................)
IV – obstruam, interceptem ou reduzam o vão das portas ou janelas
com respectivas bandeiras ou ainda, obstruam, interceptem ou
reduzam, total ou parcialmente, a visão que se deva ter do interior de
prédios públicos ou particulares;

De igual modo, o art. 51 da referida lei municipal permite a


ocupação das calçadas com mesas e outros objetos desde que permaneça
livre, para o trânsito público, uma faixa de passeio com largura não inferior a
2,0m e fiquem no mínimo a 1,50 m de distância uns dos outros.2

Portanto, demonstrada a inequívoca irregularidade da


propaganda, na espécie, por exceder os limites restritivos impostos pela
legislação eleitoral, torna-se imperiosa a aplicação da multa legalmente
prevista, em face do descumprimento da liminar de f. 19/21, a partir da
recolocação dos cavaletes irregulares, segundo já decidiu reiteradamente o
colendo TSE,3 mesmo porque os representados vêm praticando a reincidência,
sem qualquer cerimônia, conforme expressamente confessado à f. 29, em
manifesto desrespeito não apenas aos preceitos legais, assim como à Justiça
Eleitoral e aos próprios eleitores.4

Desta forma, como o efeito indesejado coibido pela legislação


eleitoral foi atingido, a representação deve ser julgada procedente, com a

2 Art. 51. A ocupação de vias com mesas e cadeiras ou outros objetos será permitida quando
satisfeitos, cumulativamente, os seguintes requisitos:
(….................................)
II – deixarem livre, para o trânsito público, uma faixa de passeio com largura não inferior a 2,0m
(dois metros).
III – distarem as mesas no mínimo 1,50 (um metro e cinquenta centímetros) umas das outras.

3 Nesse sentido: REspe nº 27.626/SP, Rel. Min. Caputo Bastos, DJ de 20.2.2008.

4 Ainda: “RECURSO ELEITORAL - PROPAGANDA ELEITORAL - CAVALETE


COLOCADO EM CALÇADA PÚBLICA - ART. 37, § 1º DA LEI Nº 9.504/97 - RETIRADA APÓS
NOTIFICAÇÃO - CIÊNCIA PRÉVIA E REINCIDÊNCIA CONSTATADA - MULTA MANTIDA -
ANÁLISE DE DANO MORAL COLETIVO - INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL -
SENTENÇA CORRETA. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. No caso dos autos, mesmo
que retirada após a notificação a propaganda eleitoral colocada em bem de uso comum, impõe-se a
manutenção da multa, vez que comprovada a ciência prévia e a reincidência de um dos recorrentes
na veiculação da propaganda irregular. A Justiça Eleitoral é incompetente para processar e julgar
pedido de dano moral coletivo decorrente da veiculação da propaganda eleitoral em bem público”. (TRE-
PR. RECURSO ELEITORAL nº 7491, Acórdão nº 36095 de 04/12/2008, Relator(a) DR. GILBERTO
FERREIRA, Publicação: DJ - Diário de justiça, Data 18/12/2008) -destaque nosso-
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imposição da multa prevista no art. 37, §1º, da Lei 9.504/97, em seu grau
máximo, haja vista a persistência no descumprimento da decisão de f. 19/21,
da qual os representados foram intimados em 30/08/2012, às 19:09 h.5

PELO EXPOSTO, com fundamento no art. 269, inciso I, do


Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente, julgo procedente a
representação para, nos termos do artigo 37, §§1º e 6º, da Lei 9.504/1997,
determinar a imediata retirada dos cavaletes (similares a placas móveis,
painéis ou 'minidoors', com suporte no formato de cavalete), colocados em
bens públicos de uso comum e nas vias públicas descritas na inicial, de modo a
prejudicar o livre trânsito de veículos e pessoas, ratificando, em consequência,
a liminar anteriormente deferida, bem como condeno os representados
COLIGAÇÃO “PRA VALADARES SEGUIR MUDANDO”, ELISA MARIA COSTA
e RONALDO PERIM, individualmente, ao pagamento de multa no valor de
R$ 8.000,00 (oito mil reais).

Sem custas ou honorários, por não incidirem nos feitos eleitorais.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos com baixa e as


anotações devidas.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Governador Valadares-MG, 05 de setembro de 2012.

LUPÉRCIO PAULO FERNANDES DE OLIVEIRA


Juiz Eleitoral

5 Em idêntico sentido: “REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR.


CAVALETE. CANTEIRO CENTRAL DE VIA PÚBLICA. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO DE
MULTA. REDUÇÃO DO VALOR AO MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. É vedada a
veiculação de propaganda em objetos não fixos (cavaletes, bonecos, placas, estandartes, cartazes,
faixas, bandeiras) ao longo de vias públicas no canteiro central entre vias, próxima a cruzamentos,
viadutos, sinais de trânsito, em cruzamentos de vias arteriais com controle semaforizado de
preferência, a teor da Portaria 01/2010 do TRE-DF. 2. Cabível a aplicação da penalidade de multa em
valor acima do mínimo legal em razão da multiplicidade de artefatos, do local de grande circulação
em que foi colocada a propaganda irregular e da desobediência expressa à Portaria deste Tribunal
Regional Eleitoral. 3. Recursos conhecidos e não providos.” (Ac. do TRE-DF no RECURSO EM
REPRESENTAÇÃO nº 316083, de 18/10/2010, Rel. Dr. Nilson de Freitas Custódio, publicado em
Sessão) -original sem destaque-
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