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UNIVERSIDADE METROPOLITANA

Núcleo de Educação a Distância


DE SANTOS
3º SEMESTRE
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ARTES VISUAIS
UNIVERSIDADE METROPOLITANA
Núcleo de Educação a Distância
DE SANTOS
Créditos e Copyright

MARTINI, Fatima Regina Sans


Estéticae História da Arte
Brasileira I. Fátima Regina Sans
Martini. Santos: Núcleo de Educação a
Distância da UNIMES, 2007. p. (Material
didático. Curso de Licenciatura em Artes
Visuais).
Modo de acesso: www.unimes.br
1. Ensino a distância. 2. Artes
Visuais. 3. História da Arte
CDD 700

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ARTES VISUAIS
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Núcleo de Educação a Distância
DE SANTOS
UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS
PLANO DE ENSINO

CURSO: Licenciatura em Artes Visuais


COMPONENTE CURRICULAR: Estética e História da Arte Brasileira I
SEMESTRE: 3°
CARGA HORÁRIA TOTAL: 80 horas

EMENTA
Compreende os estudos dos conceitos estéticos e conhecimentos da História da
Arte brasileira a partir do período da pré-história até o início do século XX,
relacionando a produção artística com o contexto sociocultural e a biografia dos
artistas.
OBJETIVO GERAL:
Conhecer e classificar o período que se inicia na Pré-história do Brasil até o século
XIX e os elementos que constituem a Arte brasileira desse período.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Unidade I
Analisar e refletir as diversas manifestações visuais, em suas relações espaciais e
temporais em suas múltiplas funções, nos diferentes grupos sociais e étnicos,
interagindo com o patrimônio nacional e internacional em sua dimensão sócio
histórica. Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais,
geradores de sistemas simbólicos. Valorizar e organizar as produções brasileiras do
século XVI no Brasil.
Unidade II
Analisar e refletir as diversas manifestações visuais, em suas relações espaciais e
temporais em suas múltiplas funções, nos diferentes grupos sociais e étnicos,
interagindo com o patrimônio nacional e internacional em sua dimensão sócio
histórica. Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais,
geradores de sistemas simbólicos. Valorizar e organizar as produções brasileiras do
século XVII no Brasil.
Unidade III
Analisar e refletir as diversas manifestações visuais, em suas relações espaciais e
temporais em suas múltiplas funções, nos diferentes grupos sociais e étnicos,
interagindo com o patrimônio nacional e internacional em sua dimensão sócio
histórica. Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais,

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geradores de sistemas simbólicos. Valorizar e organizar as produções brasileiras do
século XVIII no Brasil.
Unidade IV
Analisar e refletir as diversas manifestações visuais, em suas relações espaciais e
temporais em suas múltiplas funções, nos diferentes grupos sociais e étnicos,
interagindo com o patrimônio nacional e internacional em sua dimensão sócio
histórica. Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais,
geradores de sistemas simbólicos. Valorizar e organizar as produções brasileiras do
século XIX no Brasil.
Unidade V
Analisar e refletir as diversas manifestações visuais, em suas relações espaciais e
temporais em suas múltiplas funções, nos diferentes grupos sociais e étnicos,
interagindo com o patrimônio nacional e internacional em sua dimensão sócio
histórica. Contextualizar a cultura em seus aspectos históricos e socioculturais,
geradores de sistemas simbólicos. Valorizar e organizar as produções brasileiras do
final do século XIX ao inicio do século XX no Brasil.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
Unidade I
Brasil – século XVI - A Pré-História no Brasil, os Sítios Arqueológicos, a Arte
Indígena e o Período Pré-Colonial.
Os elementos culturais e artísticos do período. Arquitetura do século XVI. Quadros
cronológico: Pré-História: Sítios arqueológicos, Os Sambaquis. A Arte indígena,
Descoberta do Brasil. Período Pré-colonial, Produção cultural dos colonos, A
arquitetura do séc. XVI - Métodos de construção.
Unidade II
Brasil – Século XVII - A presença dos holandeses no Brasil e os pintores do
período de Maurício de Nassau.
Os elementos culturais e artísticos do período. Imagens e a Arquitetura do séc. XVII
no Brasil. Literatura e Arte na Colônia do século XVII: O século XVII. Holandeses no
Brasil, Representação do Nordeste. Nassau, Arquitetura no século XVII, Coberturas
– Torres das igrejas, Igrejas no Brasil, Literatura e Arte na Colônia – Retábulos.
Unidade III
Brasil – Século XVIII - A Arte barroca e rococó brasileira nas diversas regiões
do Brasil.
Conceitos estéticos ligados à Arte brasileira no período: Os bandeirantes exploram o
território, Século XVIII. Arte e Arquitetura – Bahia, Nordeste – Arte e arquitetura, Rio
de Janeiro - Arte e arquitetura, São Paulo – O sul do Brasil, Minas Gerais – Arte e
Arquitetura, Antônio Francisco Lisboa, A Pintura mineira.

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Unidade IV
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Brasil: Século XIX - Estilos brasileiros nos períodos do Romantismo e
Realismo.
O Neoclassicismo e o ecletismo brasileiro. Conceitos estéticos ligados Arte brasileira
no período. O início do século XIX no Brasil, A Missão francesa. O Neoclassicismo,
O Neoclassicismo. Pintura de Paisagens, O Neoclassicismo na Arquitetura, Arte
Neoclássica, Romântica e Realista. Victor Meirelles e Pedro Américo, Final do séc.
XIX no Brasil. O Ecletismo.
Tema Transversal - Relações entre imagens e o poder.
Unidade V
Brasil – Do final do século XIX ao início do século XX - O Ecletismo e o final do
Neoclássico no Brasil.
Conceitos estéticos ligados à Arte brasileira no período. Literatura brasileira. Final do
séc. XIX. Início do séc. XX- Ecletismo – Minas Gerais – Bahia, Norte amazônico, O
Ecletismo e outros estilos na Arte, São Paulo.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Ática, 2007.
TIRAPELLI, Percival. Arte Colonial Barroco e Rococó. São Paulo: IBEP Nacional,
2006.
TIRAPELLI, Percival. Arte Imperial do Neoclássico ao Ecletismo. São Paulo:
IBEP Nacional, 2006.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
BATTISTONI, F. Duílio. Pequena História das Artes no Brasil. Átomo, 2008.
CAMPOS, Adalgisa A. Arte Sacra no Brasil Colonial. Belo Horizonte: Com Arte,
2011.
COLI, Jorge. Como Estudar a Arte brasileira no século XIX. São Paulo: SENAC,
2005.
PEREIRA, Sonia Gomes. Arte brasileira no Século XIX. Belo Horizonte: Com Arte,
2008.
TIRAPELLI, Percival. Arte Sacra no Brasil. São Paulo: UNESP, 2001.

METODOLOGIA:
A disciplina está dividida em unidades temáticas que serão desenvolvidas por meio
de recursos didáticos, como: material em formato de texto, vídeo aulas, fóruns e
atividades individuais. O trabalho educativo se dará por sugestão de leitura de

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textos, indicação de pensadores, de sites, de atividades diversificadas, reflexivas,
envolvendo o universo da relação dos estudantes, do professor e do processo
ensino/aprendizagem.

AVALIAÇÃO:
A avaliação dos alunos é contínua, considerando-se o conteúdo desenvolvido e
apoiado nos trabalhos e exercícios práticos propostos ao longo do curso, como
forma de reflexão e aquisição de conhecimento dos conceitos trabalhados na parte
teórica e prática e habilidades. Prevê ainda a realização de atividades em momentos
específicos como fóruns, chats, tarefas, avaliações a distância e Prova Presencial,
de acordo com a Portaria de Avaliação vigente.

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Sumário

Aula 01 - Pré-História: Sítios Arqueológicos ............................................................... 9


Aula 02 - Os sambaquis – A arte indígena ................................................................ 11
Aula 03 - Descoberta do Brasil – Período Pré Colonial............................................. 14
Aula 04 - Produção cultural dos colonos ................................................................... 16
Aula 05 - A Arquitetura do século XVI no Brasil ........................................................ 18
Aula 06 - Métodos de construção.............................................................................. 22
Aula 07 - O século XVII. Holandeses no Brasil. ........................................................ 22
Aula 08 - Representação do Nordeste. Nassau. ....................................................... 24
Aula 09 - Arquitetura no século XVII ......................................................................... 27
Aula 10 - Coberturas – Torres das igrejas. ............................................................... 29
Aula 11 - Igrejas no Brasil ......................................................................................... 30
Aula 12 - Literatura e Arte na Colônia – Retábulos. .................................................. 32
Aula 13 - Os bandeirantes exploram o território ........................................................ 35
Aula 14 - Século XVIII. Arte e Arquitetura – Bahia .................................................... 37
Aula 15 - Nordeste – Arte e Arquitetura .................................................................... 40
Aula 16 - Rio de Janeiro – Arte e Arquitetura ............................................................ 44
Aula 17 - São Paulo – O sul do Brasil ....................................................................... 47
Aula 18 - Minas Gerais – Arte e Arquitetura .............................................................. 49
Aula 19 - Antônio Francisco Lisboa........................................................................... 51
Aula 20 - A Pintura mineira ....................................................................................... 54
Aula 21 - O início do século XIX no Brasil ................................................................. 57
Aula 22 - A Missão francesa. O Neoclassicismo ....................................................... 59
Aula 23 - O Neoclassicismo. Pintura de Paisagens. ................................................. 62
Aula 24 - O Neoclassicismo na Arquitetura ............................................................... 64
Aula 25 - Arte Neoclássica, Romântica e Realista. ................................................... 67
Aula 26 - Victor Meirelles e Pedro Américo ............................................................... 69
Aula 27 - Final do séc. XIX no Brasil. O Ecletismo.................................................... 71
Aula 28 - Final do séc. XIX. Início do séc. XX ........................................................... 73
Aula 29 - Ecletismo – Minas Gerais – Bahia ............................................................. 75
Aula 30 - Norte amazônico ........................................................................................ 76

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Aula 31 - O Ecletismo e outros estilos na Arte .......................................................... 79
Aula 32 - São Paulo .................................................................................................. 81

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Aula 01 - Pré-História: Sítios Arqueológicos

Os primeiros colonizadores no Brasil, no sentido de propagação territorial, foram os


povos ameríndios. A origem desses povos ainda não foi plenamente esclarecida, mas
segundo as opiniões há os que acreditam na descendência de antigas raças asiáticas
e da Oceania, que teriam chegado à América pelo estreito de Bering ou pela
navegação no Oceano Pacífico ou, ainda, no parentesco dos povos que aqui
chegaram através da Corrente Malaio-polinésia pelo Sudeste Asiático até a América
Central. A descoberta de um fóssil de onze mil anos, apelidado de Luzia, em Lagoa
Santa, Minas Gerais, pertence a uma mulher com nítidas características De
pessoas da Polinésia, indicando que deve ter havido alguma forma de povoamento
vindo do Pacífico Sul.
Acredita-se que, espalhados pelo território que hoje se denomina Brasil, existiam
cerca de três mil nações indígenas. Apesar das pesquisas da arqueologia e
antropologia, não sabemos com segurança como viviam alguns dos diversos grupos,
pois esses não utilizaram a escrita, não deixando, portanto, nenhum documento sobre
seus hábitos ou história. Sabemos, com certeza, que eles viviam da pesca e caça e
que eram nômades, enquanto algumas tribos praticavam a agricultura e se mudavam
quando os recursos alimentares acabavam. As dificuldades aumentam mais quando
se busca pelos artefatos, os quais eram feitos de madeira, osso e fibra, não resistindo
à passagem do tempo. Ao longo do tempo, principalmente após a conquista do
território, muitas tribos foram dizimadas, restando hoje poucos grupos sobreviventes.

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS
Sítios arqueológicos brasileiros muito antigos foram achados desde São Raimundo
Nonato no Piauí, no Sítio da Pedra Furada, com aproximadamente 60.000 anos até à
região dos pampas com 10.000 anos. Existe também um antiquíssimo conjunto
achado na região de Lagoa em Minas Gerais, cujos descendentes mais próximos,
hoje, seriam os índios cariris e botocudos. Alguns grupos habitavam o território do
Ceará há cerca de trinta mil anos. (Disponível em:
http://www.fumdham.org.br/parque.asp Acesso em fev.2014)

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Os grupos étnicos que viveram na Serra da Capivara – Parque Nacional Serra da


Capivara – por cerca de doze mil anos, deixaram como testemunho as pinturas
rupestres. A comunicação social através dos desenhos com uma iconografia e
significação próprias, perdeu-se no tempo. Ficando para nossa leitura somente as
características de cada grupo e a interpretação de alguns desenhos e composições
questionáveis quanto às formas.

1 Caverna da Pedra Pintada


Em 1996, foram encontrados vestígios da presença do homem há pelo menos onze
mil anos na Caverna da Pedra Pintada, na região de Monte Alegre, às margens do
Rio Amazonas. As pinturas rupestres sugerem o estágio paleolítico no Novo Mundo.
A partir dos vestígios, os pesquisadores acreditam que os habitantes da região,
dominavam o fogo e eram caçadores.

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Aula 02 - Os sambaquis – A arte indígena

Na aula anterior, observamos as pinturas rupestres que provam a origem do homem


pré-histórico no Brasil. Ainda há muito a ser descoberto mediante avançadas
pesquisas arqueológicas.

OS SAMBAQUIS
No litoral brasileiro, observamos alguns enormes conjuntos formados por conchas,
pequenos e grandes esqueletos de animais e humanos, restos de alimento, madeira
e pedras conhecidos como sambaquis. Esses aglomerados em geral medem de dois
a trinta metros de altura, chegando, às vezes, a cem metros de diâmetro. Os
sambaquis provavelmente se formaram ao longo de centenas ou milhares de anos em
consequência da ação humana.
Através do estudo dos sambaquis, os arqueólogos procuram conhecer os tipos de
cabana, de objetos e costumes dos diversos grupos que ocuparam o lugar.

A ARTE INDÍGENA
Os indígenas do nosso território, assim como todas as sociedades humanas,
expressaram suas crenças por meio da pintura corporal, música, dança, cerâmica e
através da arte plumária.

1 . Cerâmica Marajoara
Na Ilha de Marajó, no Pará, foram encontradas diversas urnas funerárias e peças
para preparo e guarda de alimentos em cerâmica ornamentada com desenhos
geométricos. Diversas hipóteses surgiram indicando possíveis origens da
cerâmica da ilha do Marajó. Uma delas é a de que as fases arqueológicas da ilha
do Marajó foram cinco, correspondendo, cada uma, a diferentes culturas,
instaladas na região e a diferentes níveis de ocupação. A fase Marajoara, teria
ocorrido, provavelmente, entre os anos 200 e 690 d.C.
Segundo pesquisas arqueológicas e antropológicas uma parte dos habitantes da
ilha teria se transferido para a região da selva Amazônica.
No Amazonas, no Amapá e ao norte do Pará, em Belém também foram
encontradas peças ornamentadas, porém, em forma de animais e seres humanos,
o que representa a grande diversidade de povos que habitaram esse imenso país
e que ainda foi tão pouco diagnosticada.

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2. Cerâmica Tapajônica
Representando a fauna amazônica
Objetos de cerâmica em estilo Santarém achados em lugares distantes entre si
indicam que havia um contato intenso entre os índios tapajós e as tribos
vizinhas, seja pelo comércio, seja pela dominação direta. É possível que
houvesse um poder central exercido por um chefe tapajó, reunindo tribos
vizinhas.

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Ref. Imagem: Power Point. Cerâmica tapajônica. Gif. 752 x 563


pixels. 8 bits. 196KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 17 set. 2014.

SAIBA MAIS
Pesquise sobre as artes primitivas dos diversos grupos indígenas que aqui viviam na
época da chegada do homem branco.
Descubra as tribos sobreviventes e o que eles produzem atualmente em relação à
atividade artística.

Leia em:
PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008.

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Aula 03 - Descoberta do Brasil – Período Pré Colonial

Na aula anterior você acompanhou um resumo da arte pré-histórica do Brasil. Para


você refletir, observe que nas aldeias indígenas atualmente não são necessárias mais
do que quatro horas de trabalho para se viver bem. Assim, há tempo para jogos, artes
e conversas, além das histórias e lendas contadas pelos mais velhos e passadas de
geração em geração. Pense nisso, meu querido aluno!

DESCOBERTA DO BRASIL

O termo Descoberta do Brasil é atribuído à chegada e tomada de posse pelo reino de


Portugal, da esquadra sob o comando de Pedro Álvares Cabral, no ano de 1500, ao
território denominado de Brasil. Nesse período o litoral baiano estava ocupado por
duas nações indígenas que falavam o tupi: os Tupinambás e os Tupiniquins. Mais
para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam
os Aimorés.

PERÍODO PRÉ-COLONIAL
O período Pré-Colonial se refere aos primeiros trinta anos após a chegada de Cabral
ao Brasil. Aos portugueses interessava mais a exploração do Oriente, onde
predominava o comércio das especiarias, por isso pouco foi feito no Brasil, em termos
de colonização, nos primeiros anos do século XVI.
O único interesse do rei de Portugal nessas terras foi a descoberta de uma árvore
semelhante à que existia no Oriente, chamada de pau-brasil, onde de sua madeira
extraía-se um corante vermelho excelente para tingir tecidos. Para comercializar essa
madeira chegaram alguns comerciantes portugueses que as deixavam cortadas e
armazenadas nas feitorias à espera do embarque para a Europa. Os portugueses só
resolveram controlar o território quando perceberam a cobiça dos corsários franceses
interessados também na madeira vermelha. A primeira medida foi enviar a expedição
de Martim Afonso de Souza para fundar os primeiros povoados. Assim, foi fundada a
vila de São Vicente em 1532, transformando o Brasil em Colônia de Portugal. Em
1534, o rei português dividiu o Brasil em quinze faixas paralelas a partir do Tratado de
Tordesilhas, as quais receberam o nome de capitanias hereditárias.
À espreita, os piratas e corsários franceses foram aos poucos adentrando os mares,
penetrando na costa potiguar em 1535, travando grande camaradagem com os
indígenas da área e estabelecendo o comércio e o tráfico do pau-brasil.

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1. Governo- geral
Para controlar a posse do território, estabeleceu-se o Governo-geral na
capitania da Bahia, em 1549, onde Tomé de Souza fundou a cidade de
Salvador, a primeira capital da colônia. No decorrer do século, em Pernambuco,
Sergipe e Bahia as fazendas de cana-de-açúcar se multiplicaram com a
chegada dos escravos.
Assegurada a posse da terra, estabeleceram-se os poderes civis e religiosos.
Os jesuítas chegaram em 1549 com a tarefa de cristianização dos indígenas,
dedicando-se à educação dos filhos dos colonos. Na construção de colégios
fundaram as vilas de São Paulo, Rio de Janeiro, Olinda, Ilhéus, Recife, São
Luís, Santos, entre outras. Em 1581 chegaram os beneditinos e os franciscanos
em 1584. A partir da chegada da religião ocorrem manifestações artísticas dos
colonizadores na Bahia, Pernambuco, São Vicente, Paraíba, Espírito Santo e
Rio de Janeiro. Os portugueses dispunham de arquitetos, mestres-de-obras,
pedreiros, marmoristas, carpinteiros, marceneiros e artesãos vindos da Europa.
Foi somente no final do século XVI que os portugueses, temerosos, decidiram-
se pela ocupação definitiva da área. O motivo político se deu quando em 1580,
Portugal passou a ser governado por Felipe II da Espanha.

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Aula 04 - Produção cultural dos colonos

Na aula anterior refletimos sobre a descoberta do Brasil, o período Pré-colonial e a


posse definitiva pelos portugueses.

A PRODUÇÃO INTELECTUAL E ARTÍSTICA DOS COLONOS NO BRASIL


A produção intelectual e artística dos colonos no Brasil era controlada pelo governo
que não tinha interesse algum no desenvolvimento dessas áreas. Durante o século
XVI, grande parte do que foi escrito na colônia tinha a finalidade de ensinar a religião
católica ou de descrever os aspectos do território. O padre jesuíta José de Anchieta
destacou-se nesse período, escrevendo poemas religiosos e peças teatrais sobre a
vida dos santos e elaborando uma gramática das línguas nativas.
Dentre os viajantes, destacou-se o aventureiro alemão Hans Staden. Náufrago, Hans
escapou de ser devorado pelos Tupinambás. De volta à Europa em 1555 escreveu
um livro com ilustrações, contando suas aventuras.

AS PRIMEIRAS IMAGENS RELIGIOSAS


As imagens religiosas surgiram no Brasil com a chegada dos portugueses. Sabe-se
que em 1550, Dom João III de Portugal enviou para Salvador uma escultura de
madeira representando Nossa Senhora das Maravilhas, venerada até hoje. Segundo
as pesquisas as primeiras imagens feitas no Brasil são de barro cozido executadas
em São Vicente por João Gonçalo Fernandes, provavelmente em 1560. Essas
imagens seriam a de Nossa Senhora do Rosário que se encontra em Itanhaém, Nossa

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Senhora da Conceição, no Museu de Arte Sacra de Santos e Santo Antônio, na Matriz
de São Vicente.
O primeiro imaginário franciscano no Brasil foi Francisco dos Santos, fundador de
numerosas casas de sua Ordem entre 1585 e 1616, em Olinda, Salvador, João
Pessoa na Paraíba, Vitória no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
Grande número de jesuítas chegou ao Brasil entre 1549 e 1759. Com certeza os
jesuítas trabalharam nos ramos artesanais e artísticos, mas não foram encontradas
informações referentes ao grande número de imagens existentes nas regiões de
Embu, Carapicuíba, Itapecerica, Santos e São Vicente no Estado de São Paulo.
Na região de São Paulo e litoral, segundo João Marino em Coleção de Arte Brasileira,
“desde a 2ª metade do século XVI até o final do século XVII, houve uma cadeia
ininterrupta na execução de imagens de barro cozido”, material estranho e pouco
usado em Portugal. Podemos pensar em vários motivos para a utilização do barro: “é
mais fácil modelar a argila, do que esculpir; o nosso indígena já usava o barro para
fazer seus utensílios domésticos” como também ele sabia onde encontrar. (MARINO,
1983, p. 21)

Você já deve ter percebido que há muito a ser pesquisado, pois é preciso
buscar os conhecimentos que, por questões de tempo, não seria
possível adquirir em aula. Não deixe as pesquisas acumularem. Procure
ler com atenção e documentar os dados principais para que você
consiga ter acesso fácil a essas informações. Bons estudos e até a
próxima aula!

SAIBA MAIS
MARINO, João. Coleção de Arte Brasileira. São Paulo: Raízes Artes Gráficas, 1983.

Leia mais sobre a imaginária do século XVI em:


TIRAPELI, P. (org). Arte Sacra Colonial. São Paulo: UNESP, 2005, pp. 82 a 84.

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Aula 05 - A Arquitetura do século XVI no Brasil

Vimos um resumo histórico do período da descoberta do Brasil, em 1500. No século


XVI, além da luta diária pela sobrevivência que os portugueses enfrentaram,
aprenderam a conviver com os indígenas, e desenvolveram estratégias para se
defender dos corsários que aqui chegavam. Referimo-nos também às imagens
sagradas que eram executadas aqui possivelmente copiadas das originais e trazidas
pelos portugueses.

A ARQUITETURA DO SÉCULO XVI NO BRASIL


A precariedade das condições de vida dos colonos no início do século XVI explica a
pobreza das primeiras construções. As obras religiosas iniciaram-se com a edificação
de igrejas e conventos de extrema rusticidade e singelos, construídos com os recursos
naturais disponíveis e mão de obra limitada e inexperiente. Jesuítas, franciscanos,
beneditinos e carmelitas implantaram suas missões de forma precária e provisória na
verdade. Isso explica porque tão pouco dessas obras resistiram ao tempo.
No entanto, segundo Pietro Maria Bardi, “os improvisados colégios jesuíticos logo
deram lugar a construções mais suntuosas, criadas por artistas itinerantes de várias
nacionalidades”. (Arte no Brasil, 1986, pp.12-13)

Dentre as obras conhecidas, segundo investigações, executadas no século XVI,


podem ser citadas algumas mais conhecidas:

1. Igreja de São Cosme e Damião


Datada de 1535, a Igreja de São Cosme e Damião em Igaraçu (ou Igarassu),
Pernambuco, muito alterada, ainda conserva a estrutura original quinhentista
com uma única nave e uma fachada, cuja parte superior é um frontão triangular.
Fundada a mando de Duarte Coelho, para celebrar a vitória sobre os índios que
habitavam aquelas terras. No século XVII a igreja foi incendiada pelos
invasores holandeses. Na fachada, no centro tem dois nichos de
cantaria[1] com as imagens dos santos.

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2. Igreja de Nossa Senhora da Graça


A Igreja de Nossa Senhora da Graça foi construída no século XVI, na cidade de
Olinda, Pernambuco e incendiada em 1631 pelos holandeses. Localizada no alto do
Morro do Seminário, foi uma das primeiras a serem construídas no Brasil, para
catequizar os indígenas.

Fig. 6: Igreja de Nossa Senhora da Graça


Olinda, Pernambuco.

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Ref. Imagem: Power Point. Igreja Nossa Senhora da Graça. Gif. 480 x 360
pixels. 8 bits. 92,7 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 17 set. 2014.

1. A arquitetura alterada

Em 1585 foram iniciados os trabalhos de construção da Igreja de Nossa Senhora


das Neves, com projeto do Frei Francisco dos Santos. Hoje a igreja comporta três
arcadas e três janelas superiores em verga reta, no estilo do século XVII.

O primeiro prédio a abrigar a Igreja Matriz, em São Vicente, foi construído por
Martim Afonso de Sousa, em 1532, próximo à praia onde aconteceu a fundação
oficial da Vila de São Vicente. A construção foi destruída por um maremoto, que
varreu a cidade em 1542. A segunda sede foi erguida pelo povo em local mais
distante do mar, mas foi destruída por piratas que atacaram São Vicente. Em 1757,
a atual igreja foi construída sobre as ruínas da anterior, alterando a fachada.

Fundado em 1588, o Convento e igreja de Santo Antônio de Igaraçu, em


Pernambuco, foi atacado e saqueado pelos holandeses, permanecendo
abandonado até 1654. A reconstrução se deu até 1693, no estilo do século XVII.

A igreja inicialmente dedicada a Nossa Senhora de Misericórdia, passou a chamar-


se Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso. A igreja foi levantada junto a enfermaria
da Irmandade de Misericórdia, em 1582, no Rio de Janeiro. A portada de lioz
português e a sineira são do século XVII.

Dentre as construções do século XVI ainda se encontram a Igreja e o Colégio dos


Jesuítas em Salvador, construídos entre 1561 e 1565 e posteriormente
reconstruídos e a Matriz de São Sebastião e do Colégio dos Jesuítas no Morro do
Castelo, no Rio de Janeiro, reconstruídos ainda em 1588, os quais hoje nada mais
restam a não serem os altares e retábulos na igreja da Misericórdia.

A igreja jesuítica de Reritiba (Santuário Nacional de Anchieta) no litoral sul do


Espírito Santo e a igreja de São Lourenço dos índios em Niterói, também são do
final do século XVI e início do século XVII.

As cidades em geral eram fundadas sem planificação e cresciam


desordenadamente. Salvador, Rio de Janeiro, Olinda e São Paulo foram edificadas
em locais altos para defesa dos possíveis ataques indígenas. Outras cidades
nasciam na planície costeira, nas proximidades de portos naturais ou rios que
funcionavam como vias de comunicação para o interior.

Os primeiros templos erguidos precocemente nos arraiais dos primórdios da


colonização foram executados à maneira de cabanas indígenas, usando-se folhas
de palmeira sustentadas por traves de madeira. Por muito tempo as igrejas mesmo
construídas de pau-a-pique ou de taipa de pilão eram recobertas com folhas de

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palmeira. A igreja de São Paulo de Piratininga, inaugurada em 1556 foi edificada
em taipa de mão e coberta com palha.

[1] Cantaria – pedra usada em construção.

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Aula 06 - Métodos de construção

Na aula anterior vimos a arquitetura do século XVI. Você deve ficar atento às
mudanças nas fachadas após passarem por reformas e às mudanças de estilo nos
interiores dos edifícios.

MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO
1. Pau-a-pique, taipa de mão ou taipa de sebe.
Consistia em criar um suporte de estacas de madeira para reter a terra molhada
que era amassada. A armação compunha-se de estacas verticais, cravadas na
terra, de barras horizontais de madeira e entre elas varetas que apoiavam o
suporte. O barro era socado à mão sobre essa armação.
Todas as construções provisórias do princípio da colonização eram de taipa de
mão.
2 . Taipa de pilão.
A taipa de pilão consiste em amassar a terra ou argila umedecida com água ou
água de cal dentro de moldes. A concretagem se torna mais consistente com o
emprego de materiais aglutinantes, como, palha ou crina, excrementos de
animais e até óleo de baleia. As paredes ficavam com uma espessura de 50 a
60 cm. O teto era bem avançado na beirada para suportar a água da chuva e
não prejudicar as paredes. A construção também recebia uma calçada ao redor
para proteção das paredes e evitar a erosão.
A igreja de São Vicente, depois do desaparecimento da cidade por uma enorme
ressaca em 1542, foi reconstruída em taipa de pilão sobre fundação de pedra.
3. Pedra e cal
Encontramos ruínas executadas em pedra e cal nas regiões onde a pedra era
fácil de ser extraída. A cal era obtida dos sambaquis, depósitos de esqueletos
e conchas da época Pré-Histórica, ao longo do litoral.
Sabe-se que algumas construções de edifícios administrativos construídos na
Bahia e Olinda com estrutura em pedra foram confiadas ao arquiteto português
Luís Dias, que trabalhou no Brasil entre 1549 e 1553.
O Colégio construído em Ilhéus, entre 1563 e 1572 foi executado em pedra e
cal de ostra, assim como a segunda igreja do Colégio no Rio de Janeiro,
construída em 1585 a 1588.

Aula 07 - O século XVII. Holandeses no Brasil.

ARTES VISUAIS 22
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Na Unidade anterior observamos a arquitetura civil e religiosa do século XVI e seus
métodos de construção. Em 1580, o rei da Espanha Felipe II impôs seu domínio sobre
Portugal, decidindo-se, pela ocupação definitiva do território brasileiro, por motivos
políticos e comerciais.

O SÉCULO XVII
Para enfraquecer a Holanda, inimiga da Espanha, Felipe II pensou em destruir o
poderio comercial holandês, proibindo que seus navios atracassem nos portos
portugueses. Com a intenção de agir nas Américas, os holandeses criaram a
Companhia de Comércio das Índias Ocidentais.

HOLANDESES NO BRASIL
Em 1630, os holandeses dirigiram-se a Pernambuco, dominando a capitania e
instalando um governo na cidade de Olinda e depois Recife.
Durante o período da dominação no Nordeste, de 1630 a 1654, os holandeses
mantiveram uma grande área dominada que ia de Alagoas até o Rio Grande do Norte.
De início os senhores de engenho defenderam suas terras, resultando em destruição
das lavouras e fuga de escravos para o quilombo de Palmares, o qual estava se
formando. Cedo os proprietários perceberam que a Holanda não tinha interesse em
terras, mas no comércio do açúcar, assim, se aquietaram, principalmente depois da
chegada de Maurício de Nassau.
A política da Companhia das Índias Ocidentais foi a de relações amigáveis também
com os Tapuias. O próprio Conde de Nassau reconhecia a importância da amizade
indígena, para fins de sossego e conservação da própria colônia. Ao contrário dos
portugueses, os holandeses concederam aos Tapuias uma aparente liberdade e a não
escravização. Foi financiada nesse período, a vinda de médicos, astrônomos,
cientistas e artistas, resultando em um desenvolvimento cultural até então
desconhecido na região.
Em 1644, porém, Maurício de Nassau se afasta do cargo em desacordo com a
Companhia de Comércio, modificando desde então, as relações entre holandeses e
colonos. Leia abaixo recorte do texto – O Diário do Conde de Nassau – em que o
Príncipe de Orange, se despede do Brasil:
Dentro de mais dois dias estarei deixando esta grande terra. Ainda me lembro, quando
aqui cheguei, do estado em que se encontrava a Conquista. A Companhia, em 1630,
tinha tomado Pernambuco. [...] Em 1637, após uma longa viagem desembarquei em
terras do Brasil. Foi um deslumbramento - o verde das matas, os pássaros, o grande
rio, que me lembrou as terras e os canais de Amsterdam. [...] Não fiquei morando no
Recife, estava muito desarrumado para o meu gosto, fui para a ilha, que se chamou
antes de Antônio Vaz. Nela me instalei em um grande sobrado, perto do rio, e, de

ARTES VISUAIS 23
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onde avistava o Recife. [...] Sobre o seu telhado, meu amigo [...] instalou um
observatório; várias vezes ali subi para observar os astros e ver, à distância, o mar e
as terras em redor. [...] A silhueta de Olinda é muito bonita, ao se recortar contra o
céu. [...] Chegando, naquela antiga vila, pude percorrer as suas ruas incendiadas; o
incêndio da cidade, ateado pelos da Companhia, em 1631, foi extenso e, não fossem
os índios que acudiram os padres, teriam se consumido totalmente algumas das
grandes construções dos religiosos. Perto da antiga Matriz, bastante arruinada, me
deparei, ao lado do mar, com a grande construção dos padres da Companhia. Que
maravilha, - estes jesuítas não construíam para o momento, mas sim, vendo o futuro.
Na Matriz, no Colégio da Companhia de Jesus e noutras em ruínas ainda pude ver os
ricos altares. Não vi imagens de santos, deviam ter sido tiradas dos altares pelos
portugueses. [...] Quando considerei a minha maior permanência me interessei pelas
melhoras das condições do Recife. [...] Assim logo cuidou-se da construção de dois
palácios. Um para residência oficial, onde seriam os despachos e onde se pudesse
receber e, outro, para repouso, poderia dizer, de inverno. O primeiro deles construído
na parte de terra ao Norte do Forte Ernesto e voltado para o continente, Olinda e o
Recife. Lugar encantador e onde se tem, além do palácio, com suas duas altas torres,
um jardim, no qual, para divertimento dos da casa, instalou-se viveiros, jaulas com
animais e plantou-se coqueiros, muitos dos quais transplantou-se já adultos. Para os
palácios mandou-se fazer móveis e adquirir tapetes, além de orná-los com quadros
pintados pelos nossos artistas. [...] foi encarregado o irmão do pintor Frans Post, o
arquiteto Pieter Post, de fazer o traçado das ruas para a expansão do casario em
direção ao Forte, e isto deveria ser feito a maneira nova, numa cidade moderna. Nela,
praças ao lado do canal principal, e casinhas pequenas foram construídas. Como ficou
elegante, aprazível - moderna. Dela fez desenhos o Sr. Post. Espera-se usá-los no
futuro. [...] É com tristeza que deixo esta terra e antevejo o seu futuro grandioso. Eles,
os que ficaram, dirão futuramente o quanto devem a esse período do governo. Hoje,
neste instante da partida vejo, comparando com o Recife que vi quando cheguei, o
quanto esta cidade é linda, debruçada no grande rio. […] Dessa terra levo muitas
memórias e dela fixou aspectos extraordinários, de suas paisagens e da gente, os
pintores, Srs. F. Post, Zacharias Wagner, e o notável Albert Eckhout. Um dia irão falar
muito disto tudo. (Disponível em
<http://www.recife.pe.gov.br/cidade/projetos/bairrodorecife/tx3.htm> Acesso em 11
set. 2014.).
Entre 1645 e 1654 os colonos lutaram pele expulsão dos holandeses, destacando-se
as batalhas de Guararapes em 1648 e 1649.
Em 1654, colonos, escravos e índios, com o auxílio de Portugal apoiado pela
Inglaterra, obrigaram os holandeses a se retirarem do Brasil.

Aula 08 - Representação do Nordeste. Nassau.

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Observamos na aula anterior um resumo da história da invasão holandesa no Brasil e
a permanência de Maurício de Nassau em Recife.

REPRESENTAÇÃO DO NORDESTE NO SÉCULO XVII


A presença holandesa originou um período rico para a arte e a cultura no Brasil.
Na capital de Pernambuco, Recife, chamada de Maurícia, ou Mauritsstad, na época,
Maurício de Nassau coordenou pessoalmente a ampliação e restauração urbanística
da cidade, deixando na ocasião de sua partida mais de duas mil edificações
inteiramente de pedra e tijolo, de estilo tipicamente nórdico, com fachadas de dois
andares e teto pontiagudo. Os materiais das construções vieram da Europa e das
ruínas das construções portuguesas.
Da mesma forma quando os portugueses reassumiram, demoliram toda administração
anterior.
O período Nassau teve intensa atividade de um grupo de pintores que foram os
primeiros aqui, a ousarem pintar temas de caráter não religioso, representando
paisagens locais, natureza morta com flores e frutos tropicais, indígenas e animais
que para eles eram exóticos. Entre eles estavam os pintores: Frans POST (1612-
1680), de Haarlem; Albert ECKHOUT (1610-1666), de Gröningene, e Zacharias
WAGENER (1614-1668) de origem alemã, os quais possibilitaram referências sobre
o modo de vida dos colonos e são até hoje importantes fontes de pesquisa histórica.

1. Post
Frans POST (1612-1680), desenhou no Brasil de 1637 a 1644. São conhecidas cerca
de 150 pinturas de Post, a maioria assinada e datada, quase todas representando
paisagens.
2. Eckhout
Albert ECKHOUT (1610-1666) permaneceu no Brasil por sete anos, de 1637 a 1644,
desenhando a flora e fauna brasileira.
Os desenhos e pinturas efetuados no Brasil foram enviados para a Holanda. Uma
parte foi para a Dinamarca, hoje, no Museu Copenhagen, da Dinamarca e outra parte
foi enviada para a Alemanha, permanecendo na cidade de Cracóvia até por volta de
1970. D. Pedro II, em visita a Dinamarca em 1876, conheceu as obras de Eckhout e,
impressionado com a beleza dos quadros e da importância que representavam para
o Brasil, encomendou cópias em tamanhos menores a Niels Aagaard Lutzen, que
estão hoje preservadas.
Outros desenhos e pinturas fizeram parte dos presentes brasileiros enviados por
Mauricio de Nassau ao rei Luís XIV, da França, que os enviou para a cidade de

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Gobelin, como modelos para uma série de tapeçarias, entre 1687 e 1730. Os
gobelins[1] produzidos ficaram conhecidos como Grandes Indes e Petites Indes.
O Caçador índio, da série Nouvelles Indes é uma tapeçaria executada sobre os
cartões que o artista François Desportes (1735-1740) elaborou para substituir os
originais de Eckhout, já desgastados encontram-se atualmente no MASP, em São
Paulo.

3. Wagener
O desenhista e cartógrafo Zacharias WAGENER (1614-1668) trabalhava na Holanda
quando se transferiu para Recife como soldado da Companhia das Índias Ocidentais
por volta de 1634. O artista permaneceu até 1641 coletando materiais e desenhando
aquarelas.

SAIBA MAIS
Pesquise sobre as pinturas efetuadas por esses artistas na ocasião da invasão
holandesa do Brasil no século XVII.
Compare a flora e a fauna executadas por meio de efeitos pictóricos e do gosto
estilístico do momento com a diversidade paisagística brasileira que você conhece.

[1] Gobelins são tapeçarias executadas com composições em ricos tecidos. Os gobelins tem origem
na França, do século XVII.

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Aula 09 - Arquitetura no século XVII

Na aula anterior, conhecemos a história e a importância artística dos holandeses no


Brasil nas figuras de Zacharias Wagner, Eckhout e Frans Post. Seus desenhos e
pinturas permitem, sem dúvida, conhecer um pouco mais do estilo de vida colonial no
século XVII.
Em Arquitetura do século XVI, observaram-se alguns métodos de construção como a
utilização de madeira, folhas e palha nas primeiras obras levantadas; a taipa de mão
ou pau a pique; a taipa de pilão e o emprego de pedra e cal, nas regiões onde a pedra
era natural, assim que a colonização se estabeleceu.
Em algumas construções aparecem técnicas combinadas. Em certas igrejas
encontramos algumas partes de madeira ou taipa de pilão e até mesmo pau a pique
alternados com alvenaria.

MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO – OUTRAS TÉCNICAS


1. Alvenaria
A alvenaria é uma espécie de cascalho grosseiro aglomerado com argamassa. Essa
argamassa pode ser de toda espécie de elementos, como por exemplo, a cal, a argila
crua, pedras ou tijolos.
Em Minas, além do uso muito grande da argila, também pode ser encontrada na
argamassa, um minério de ferro extraído da serra de Ouro Preto com o nome de
canga.
2. Adobe
Os adobes são tijolos secos ao sol, de grandes dimensões: 20x20x40. Esse tipo de
tijolo foi menos usado do que a taipa de pilão, que resiste melhor ao tempo se bem
executada.
Os adobes eram normalmente reservados para as partes secundárias da construção.
3. Tijolo
A partir do século XVII, o emprego do tijolo cozido nas construções tornou-se comum,
principalmente na Bahia. Em 1711, a cidade de Ouro Preto, recém-fundada, já tinha
uma olaria. No entanto, a região de São Paulo só passou a utilizar o tijolo no século
XIX.
4. Cantaria
O uso da cantaria era reservado às partes nobres da construção, as quais
necessitavam de moldura, como pilastras, soleiras, peitoris de janelas, umbrais de
janelas e portas, cornijas, faixas e frontispício ou fachada.

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Do solo brasileiro foram extraídas para cantarias, a pedra Itacolomi e a pedra-sabão,
de Minas Gerais.
No século XVIII, para igrejas mais luxuosas importava-se de Portugal, principalmente,
uma espécie de mármore chamado de Lioz.

ARQUITETURA NO SÉCULO XVII


Após a expulsão dos holandeses em 1654, o Nordeste, única região brasileira
economicamente importante, renovou totalmente sua arquitetura. Uma nova
“linguagem espacial, na qual a exuberância da decoração tinha um papel fundamental,
substituía a sobriedade maneirista e as rígidas normas dos artistas do século XVI”.
(ARTE NO BRASIL, 1986, p. 41)
Algumas obras foram reconstruídas e outras restauradas, mantendo-se os projetos
originais, as quais recebiam o novo estilo só internamente.

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Aula 10 - Coberturas – Torres das igrejas.

Na aula anterior observamos as diversas formas de construção no século XVII no


Brasil, técnicas misturadas às mais antigas e outras que chegavam da Europa e eram
assimiladas pelos construtores.

TORRES E FRONTÕES
A regra geral eram as coberturas de madeira. As abóbadas construídas em pedra ou
tijolo são raras e, quando encontrada, estão nos conventos do século XVII.
Os claustros apresentam na maioria abóbadas em berço, instaladas nas naves únicas
ou principais. As abóbadas de arestas são empregadas nas naves laterais e nas
galerias.
No século XVII, os grandes tetos de madeira imitam a pedra. Exemplo magnífico é a
abobada com caixotões, da igreja do colégio jesuíta de Salvador, hoje a Catedral.
Algumas construções podem ser classificadas quanto ao formato e localização das
torres ou quanto à evolução dos frontões.

1. Frontão mais largo ou espaçado


Frontão mais largo ou espaçado era comum no século XVI.
A Igreja de Nossa Senhora da Graça (1580-1592) em Olinda, Pernambuco, foi
restaurada dentro dos padrões do século XVI. Apresenta nave única e fachada com
porta central e Frontão geométrico triangular.
2. Frontão mais alto e mais estreito
Em meados do século XVII, os frontões são altos e mais estreitos, enquanto no final
do século XVII, eles se simplificam e se tornam mais baixos.
3. Torre piramidal
A igreja apresenta uma nave central e duas laterais. Fachada acompanha com uma
porta central e duas laterais. Torres na lateral com acabamento piramidal. A Igreja da
Sé ou Igreja de São Salvador do Mundo (restaurada em 1584 e 1656) Olinda,
Pernambuco, é um exemplo de torres em formato piramidal.

ARTES VISUAIS 29
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Aula 11 - Igrejas no Brasil

Vimos, na última aula, mais algumas técnicas de construção empregadas na


arquitetura a partir do século XVII e exemplos de algumas igrejas classificadas por
torres, lanternins ou frontões.

IGREJAS
Algumas construções foram iniciadas no século XVI ou XVII. Algumas igrejas foram
restauradas e mantiveram a planta e/ou fachada originais, outras receberam
inovações arquitetônicas. Outras, ainda, foram construídas no século XVII e
terminaram as obras no século XVIII, sobretudo com relação à decoração no interior
das mesmas.
Outras vezes, as fachadas já acabadas recebiam decoração posterior. Fique atento
às características das torres e frontões.

1. Igreja do Convento de Santo Antônio do Carmo, Olinda, Pernambuco.


A Igreja do Convento de Santo Antônio do Carmo, de 1588, da Ordem dos Carmelitas
em Olinda, Pernambuco apresenta restauração e adição de elementos no século XVII.
Fachada com uma porta central. Nicho superior central, ladeado por janelas. Torres
laterais com cobertura em forma de meia laranja. Frontão mais largo com nervuras.
O Convento foi demolido no início do século passado. No 1º andar, está instalado a
Regional de Olinda do IPHAN · Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

2 . Igreja do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro.


A Igreja do Mosteiro de São Bento, do Rio de Janeiro (1617-1690) apresenta a
fachada composta por formas geométricas, com um frontão triangular, ladeada por
duas torres em formato piramidal. A fachada de dois andares apresenta no piso térreo,
uma galilé[1] composta por três portais; e, no piso superior, três janelas.

3. Catedral Basílica Primacial de São Salvador, Bahia.


A antiga igreja Jesuíta de Salvador, em alvenaria foi inaugurada e consagrada em
1572 e restaurada na segunda metade do século XVII. A construção iniciada em 1604,
sobre o projeto original de frei Francisco Dias, foi completada no final do século XVII.
O atual edifício é o quarto construído no local, hoje Catedral Basílica Primacial de São
Salvador.

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A fachada apresenta Frontão mais alto com volutas laterais e duas torres com sineiras.
Três portais são decorados com frontão quebrado e nichos com imagens (os três
santos jesuítas: Santo Inácio de Loyola, S. Francisco Xavier e S. Francisco de Borja).
As cinco janelas superiores também apresentam frontão quebrado.

4. Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, Rio de Janeiro.


A Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, Rio de Janeiro, de 1582. Apresenta Frontão
mais alto e mais estreito, construído na 2ª metade do século XVII.

SAIBA MAIS
É possível contar parte da história do nosso país por meio dos traços da arquitetura.
Pesquise outras igrejas e veja se você consegue tecer comparações ou identificar
suas características.
Sobre a arquitetura e a produção artística do século XVII em: ARTE NO BRASIL, 1986,
pp. 31-53.

Leia sobre as igrejas paulistas construídas no século XVII em:


TIRAPELLI, P. Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó. São Paulo: UNESP,

[1] Galilé ou nartex. Avançado do corpo principal, formando uma espécie de varanda coberta,
constituída por arcos que antecedem os portais, ou os próprios portais.

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Aula 12 - Literatura e Arte na Colônia – Retábulos.

Nas aulas anteriores aprendemos a reconhecer algumas construções do século XVII


no Brasil.

LITERATURA E ARTE NA COLÔNIA DO SÉCULO XVII


No século XVII, além de textos dos religiosos e viajantes, destacou-se o poeta
Gregório de Matos (1633-1695). Perseguido na colônia por causa das sátiras que
escrevia contra as autoridades foi exilado em Angola e só voltou um ano antes de sua
morte. O poeta também escreveu temas de amor e religião.
Também se destacou na literatura o jesuíta padre Antonio Vieira (1608-1697) que
escreveu 207 sermões contidos em 15 livros, editados na Bahia.
No século XVII, a escultura permaneceu ligada à arquitetura religiosa. Os franciscanos
produziram inúmeras imagens de barro cozido durante os períodos de 1650 a 1680,
encontradas nos conventos de Santo Antônio, do Rio de Janeiro, Angra dos Reis,
Santos, Itanhaém e Taubaté, entre outros.
Nas missões do Rio Grande do Sul, também foram encontradas muitas imagens que
,certamente, os jesuítas que ali estiveram, no século XVII, ensinaram a produzir. São
obras diferenciadas por grupos e períodos distintos. Existem as imagens trabalhadas
pelos indígenas com inspiração de esquemas europeus e são encontradas imagens
totalmente executadas com o espírito aborígine.
Três nomes se destacaram entre os artistas escultores beneditinos: freis Agostinho
da Piedade (nascido em Portugal no final do século XVI-1661), de Salvador; Agostinho
de Jesus e Domingos da Conceição e Silva, ambos do Rio de Janeiro.
Frei Agostinho da Piedade, nascido em Portugal no final do século XVI e falecido em
1661, em Salvador, executou todas as esculturas em barro cozido na Bahia.
Frei Agostinho de Jesus foi o primeiro grande escultor brasileiro. Nascido no Rio de
Janeiro, no início do século XVII, faleceu em 1661. Durante a maior parte de sua vida
esculpiu em São Paulo, Santana de Parnaíba e Santos.
O frei, Domingos da Conceição e Silva, trabalhou durante quarenta e oito anos no
Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1718. Além das imagens,
Frei Domingos produziu grande parte da talha do mosteiro e executou o retábulo e o
revestimento da Capela-Mor, assim como, as grades e os balaústres.

RETÁBULOS

ARTES VISUAIS 32
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Uma primeira manifestação artística realmente nacional aparece nos retábulos para
as igrejas.
Construído de talha na madeira ou pedra lavrada, guarnece a parede em que se
encosta um altar. Possui nichos e pranchas para imagens ou caixilhos para quadros.
Com estrutura de colunas ornamentadas por flores e caneluras, ladeiam painéis e
nichos para estátuas e sustentavam uma espécie de frontão com um painel pintado
no centro.
Nas igrejas mais modestas do interior de São Paulo, os retábulos são executados em
madeira talhada e pintada provavelmente por artesãos indígenas. A decoração é
semelhante aos modelos portugueses, do estilo plateresco[1], trazidos pelos jesuítas.
As pequenas e simples mesas ou armários, colocados ao fundo do altar, utilizados em
algumas igrejas da idade média e que tinham uma única função de sustentar os
objetos sacros, foram aos poucos adquirindo uma importância maior. E é a partir do
renascimento Europeu que passam a ter uma atenção maior e assumir um caráter
não só utilitário, mas principalmente estético. Surgem, então, os retábulos, que, do
renascimento ao neoclássico, irão se apresentar de diversas formas.

1. Capela de Santana, Ouro Preto, 1720.


Colunas torsas (ou retorcidas) profusamente ornamentadas com motivos fitomorfos
(folhas de acanto, cachos de uva, por exemplo) e zoomorfos (aves, geralmente um
pelicano); coroamento formado por arcos concêntricos; revestimento em talha
dourada e policromia em azul e vermelho.
2. Matriz de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto.
Excesso de motivos ornamentais, com predominância de elementos escultóricos;
coroamento com sanefas e falsos cortinados com anjos; revestimento com policromia
em branco e dourado.
3. Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto.
Coroamento encimado por grande composição escultórica; elementos ornamentais
baseados no estilo rococó francês (conchas, laços, guirlandas e flores); revestimento
com fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração. Sofre
influência do estilo francês dominante na Europa a partir da segunda metade do século
XVIII. No Brasil, o rococó é uma das fases do barroco, por ter se desenvolvido
paralelamente à sobrevivência desse estilo.

SAIBA MAIS
Sobre a produção artística do século XVII em:

ARTES VISUAIS 33
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MARINO, João. Coleção de Arte Brasileira. São Paulo, 1983, pp. 37-65.

Leia sobre os Retábulos coloniais e as esculturas em barro em:


TIRAPELLI, Percival. Igrejas Paulistas Barroco e Rococó. São Paulo: UNESP, 2003,
pp. 38-53 e 54-57.

[1] Plateresco - Mistura de elementos artísticos do mudéjar e do gótico, um estilo decorativo espanhol
e português, no renascimento.

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Aula 13 - Os bandeirantes exploram o território

Nas aulas anteriores, aprendemos a reconhecer a arte produzida no Brasil dos


séculos XVI e XVII. Classificamos as igrejas no Nordeste e Rio de Janeiro e suas
características diferenciadas. Iniciamos aqui, uma nova etapa com a História do Brasil
no século XVIII e a grande produção intelectual e artística do período.

Depois de um curto período no século XVI, cultivando cana no litoral, os vicentinos


subiram a serra do Mar, fixando-se em São Paulo. Os habitantes do planalto, muito
pobres, desenvolveram uma agricultura de subsistência baseada no trabalho
indígena.
Durante o século XVII, numerosas expedições armadas iniciaram a conquista do
sertão atrás de índios para comercializarem e de ouro, prata e pedras preciosas para
se enriquecerem. Explorando o interior do continente, os bandeirantes realizaram o
maior sonho do governo português: encontraram ouro, quase no fim do século, na
região que hoje denominamos Minas Gerais.

O SÉCULO XVIII NO BRASIL

Com a descoberta do ouro, houve uma verdadeira corrida às regiões mineradoras.


Assim, foram fundadas as vilas de Caeté, Sabará, Vila Rica, Ribeirão do Carmo e
outras. Essas áreas se viram, de uma hora para outra, tomadas por milhares de
pessoas.
Entre as consequências da exploração do ouro, surgiram núcleos urbanos e novos
estilos de vida para os colonos, a elevação do Estado do Brasil à categoria de vice-
reino e a transferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro em
1763.
Parte do ouro que ficava na colônia foi utilizado no revestimento dos interiores das
igrejas, na confecção de objetos religiosos e para o enriquecimento e melhoria de
vida, principalmente dos que lidavam com o comércio minerador. A maior parte do
ouro, no entanto, foi para a Inglaterra como pagamento das dívidas da corte de
Portugal. Dessa forma, o ouro do Brasil financiou a Inglaterra e a transformou no maior
produtor manufatureiro, contribuindo para o processo de industrialização inglês em
meados do século XVIII.

A Revolução Industrial, a independência das colônias inglesas na América do Norte e


a Revolução Francesa são alguns dos acontecimentos que marcaram o século XVIII,
promovendo mudanças expressivas no cenário mundial e agitaram os jovens
intelectuais no Brasil. Durante o período colonial, o Brasil presenciou, em diferentes
regiões, revoltas contra o governo português e outras entre diferentes grupos sociais.

Revolta de Beckman[1], Guerra dos Emboabas[2], Guerra dos Mascates[3], Revolta


de Vila Rica[4], Conjuração Mineira[5] e Conjuração Baiana[6] foram conflitos em que

ARTES VISUAIS 35
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prevaleceram interesses particulares, ficando à margem os interesses dos grupos
oprimidos, como escravos e índios.

SAIBA MAIS

Sobre a História do Brasil em:


SILVA, F. de A. História do Brasil. São Paulo: Moderna, 1992.

Leia mais em:


FIGUEIRA, D. G. História. São Paulo: Ática, 2005.

[1] Revolta de Beckman – Também conhecida como Revolta do Maranhão. 1684.

[2] Guerra dos Emboabas – Em 1709 os paulistas são mortos em uma emboscada por emboabas
(pessoas de outras regiões que chegavam a Minas à procura de ouro)

[3] Guerra dos Mascates - Conflito entre os habitantes de Olinda e Recife. De 1710 a 1711.

[4] Revolta de Vila Rica - Insatisfação dos colonos em 1720. Execução de Felipe dos Santos.
[5] Conjuração Mineira - Em 1789, revolta das camadas mais favorecidas, com intelectuais e sociedade
mineira. Execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes em 1792.
[6] Conjuração Baiana - Também conhecida por Revolta dos Alfaiates. 1798. Execução de dois
soldados e dois alfaiates.

ARTES VISUAIS 36
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Aula 14 - Século XVIII. Arte e Arquitetura – Bahia

Na aula anterior, retratamos o Brasil no século XVIII, com um pequeno resumo


histórico, a fim de nos orientarmos em relação à instalação da arte barroca.

A CULTURA NO SÉCULO XVIII

Com dinheiro sobrando, os filhos dos ricos colonos foram estudar na Europa. De volta,
a jovem elite trazia os ideais iluministas que agitavam a Europa no período. Na música,
como na literatura, encontrarmos indícios que revelam um leve e oculto caráter de
nacionalidade. Para os críticos mais ferozes, porém, o barroco brasileiro em termos
de música, principalmente, não teria passado de simples cópia portuguesa, ou seja,
uma reprodução do que era criado na Espanha e Itália, na verdade. Acredita-se que
a poesia brasileira tenha-se iniciado com os Árcades no século XVIII, sendo os mais
famosos os de Minas Gerais, pois se relacionaram ao primeiro movimento de
independência no Brasil, no fim do século XVIII. Esses poetas, no entanto, ainda
estavam muito presos aos cânones clássicos e portugueses das Academias.

ARQUITETURA DO SÉCULO XVIII NO BRASIL


Além da formação de grupos dinâmicos e intelectuais, a riqueza gerada pelo ouro
possibilitou a produção de um importante conjunto arquitetônico e artístico em regiões
que despontavam política e economicamente no período.

Vale lembrar que o Barroco, nas artes plásticas, chegou com atraso no Brasil em
relação à literatura e à música. Como consequência, quando se trata da arquitetura,
depara-se com um grande número de construções com estrutura barroca e decoração
rococó, um estilo que já se encontrava decadente na Europa neoclássica, do final do
século XVIII.

BAHIA
Sede do governo, no início do século XVIII, a Bahia produziu uma arte admirável,
mantida ainda pelo comércio do açúcar. A cidade de Salvador, com sua riqueza e
arquitetura inspirada nos modelos Europeus serviu de base para outras cidades da
Colônia.

1. Igreja e Convento de São Francisco


O complexo mais famoso de Salvador é constituído pela Igreja e Convento de
São Francisco. O complexo foi iniciado em 1686 com a construção do novo

ARTES VISUAIS 37
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convento sobre o antigo destruído pelos holandeses. Em 1708, iniciaram-se as
obras da igreja, sob o projeto de Gabriel Ribeiro.

O interior da igreja é formado por talha de madeira com todos os símbolos do


barroco; folhas de acanto, pelicanos, flores, anjinhos e sereias. As pinturas do
teto da nave principal apresentam forma de estrelas, hexágonos e octógonos.
2. Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia.
A construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia foi iniciada em
1739, em pedra de cantaria, vindas de Portugal e numeradas. A obra só
terminou em 1820, após passar por três mestres de obra. Seu interior possui
uma das primeiras demonstrações do barroco de D. João V no Brasil,
destacando-se a pintura do teto da nave de autoria de José Joaquim da Rocha
(1737-1807) fundador da escola baiana de Pintura. Na segunda metade do
século XVIII.
3. Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.
A construção da mais popular igreja baiana foi iniciada em 1754 e concluída
em 1772. A fachada é parcialmente coberta por azulejos brancos portugueses,
que chegaram à igreja cem anos depois da construção. A fachada é rococó e

ARTES VISUAIS 38
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o interior, que recebe pintura de anjos e nuvens entre 1818 e 1820, já é no estilo
neoclássico.

ESCULTORES E PINTORES NA BAHIA DO SÉCULO XVIII


Dos escultores que trabalharam para os Carmelitas em meados do século XVIII temos
os nomes de Francisco Chagas, codinome Cabra e Félix Pereira Guimarães. Segundo
Arte no Brasil, “o maior escultor baiano da época foi Manuel Inácio da Costa que se
manteve sempre fiel às formas Rococó.” (Arte no Brasil, 1986, pp.58)
Em relação à pintura, Antonio Simões Ribeiro desenvolveu a pintura sob o conceito
da perspectiva nos tetos das igrejas em Salvador, influenciando vários artistas do seu
tempo. Domingos da Costa Filgueira trabalhou, em meados do século XVIII, nas
igrejas de Nossa Senhora da Saúde e Glória e na Ordem Terceira de São Francisco
da Penitência em Salvador.
José Joaquim da Rocha, após decorar o teto da Igreja Nossa Senhora da Conceição
da Praia, ficou tão famoso que se fez necessário passar a pintura para seus discípulos,
após desenhar nos tetos das diversas igrejas baianas. O último trabalho importante
de José Joaquim foi a pintura e o douramento da sacristia da Igreja do Pilar, construída
em pedra lioz, na metade do século XVIII. Dos seus discípulos destacaram-se José
Teófilo de Jesus e Antonio Joaquim Franco Velasco.

SAIBA MAIS
Investigue as igrejas brasileiras construídas no século XVIII.
Classifique as diferenças existentes entre suas fachadas e interiores.
Compare e procure fazer um quadro cronológico apontando as diferenças e
semelhanças entre as igrejas brasileiras e as da Europa no mesmo período.

Leia mais em:


ARTE NO BRASIL, 1986, pp. 58 a 62;
ARTE SACRA COLONIAL, 2005, pp.42 a 78.

Em relação à arte Barroca na Europa, leia em:


JANSON, H. W. História da Arte, 1992, pp. 503 a 521,
TRIADÓ, Juan-Ramón. A arte Barroca, 1991, pp. 03 a 29.

Ao final, você, além de surpreender-se, terá um lindo trabalho em mãos. Guarde-o,


pois ele será digno de uma pós-graduação. Anime-se.

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Aula 15 - Nordeste – Arte e Arquitetura

Na aula anterior, demos uma passada pela arquitetura baiana e a arte produzida
nessa região no século XVIII. Anime-se em relação a tantos nomes de igrejas, pois o
que conta é você reconhecer o estilo das obras no período.

NORDESTE
A economia nordestina decaiu no século XVIII, com a queda do comércio de cana de
açúcar. Com a implantação das companhias comerciais, Recife suplantou a cidade
de Olinda, transformando-se em florescente centro comercial, com aumento da
população e novas construções, após as reformas nos templos danificados e
saqueados no período das invasões holandesas.

PERNAMBUCO
O estilo barroco exibindo frontões decorados em voltas e contravoltas com
decoração rococó já aparecem em meados do século XVIII em Pernambuco.

1. Igreja Nossa Senhora do Carmo, Recife.


A Igreja Nossa Senhora do Carmo, terminada em 1767, em Recife, apresenta
a mistura do barroco com o rococó. A planta da igreja em forma de salão
caracteriza a maioria das construções em Pernambuco.

Ref. Imagem: Power Point. Igreja e convento de São Francisco. Gif.


480 x 360 pixels.
8 bits. 100 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 17 set. 2014.

ARTES VISUAIS 40
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2. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo
Antônio, Recife.
A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo Antônio,
em Recife, Pernambuco, foi restaurada no século XVII.
A fachada e o pórtico com cinco arcos se destacam de outras construções.
O arquiteto Antonio Fernandes de Matos utilizou a forma de salão na Capela
da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. A Capela é anexa ao Convento
de Santo Antônio, Recife, Pernambuco e foi inaugurada no século XVII.
A decoração interna da Capela Dourada, como é conhecida, perdurou por todo século
XVIII e é um dos mais belos exemplos de revestimento de talha dourada intercalada
com painéis pintados, no estilo barroco.

ARTES VISUAIS 41
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No interior da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de
Santo Antônio, de Recife, encontram-se as famosas paredes revestidas de
azulejos portugueses.
A maioria dos azulejos do século XVIII encontrados nos interiores das igrejas é
apresentada em tons monocromáticos de azul cobalto sob fundo branco, na
forma figurativa ou historiada, segundo Olympio Pinheiro em Arte Sacra
Colonial, “construindo um discurso icônico, uma cenografia teatral de sedução”
com cenas “bíblicas, morais, clássicas, de paisagens, e costumes locais,
exóticos ou europeus.” (ARTE SACRA COLONIAL, 2005, pp. 139).

PARAÍBA
1. Convento franciscano de Santo Antônio, João Pessoa.
A Igreja de São Francisco começou a ser construída em 1589, a partir de um
pequeno convento de taipa. Apenas em 1602, foi erguida uma construção em
pedra.
No século XVII, serviu de residência durante a invasão holandesa. Após o
domínio holandês, iniciou-se a restauração do complexo.
O final da restauração do Convento franciscano de Santo Antônio se deu
somente no século XVIII. A fachada e o pórtico com cinco arcos se destacam
de outras construções.
A Igreja de São Francisco e o Convento de Santo Antônio, em João Pessoa,
são interligados e no seu interior se encontram talhas em madeira recoberta de
ouro, painéis de azulejos portugueses, cantarias e pinturas.

ESCULTORES, ENTALHADORES E SANTEIROS:


Figuram poucos nomes dos trabalhadores contratados para a decoração interna das
igrejas no Nordeste. Entre eles, aparecem os nomes do pintor e escultor Antonio
Spangler Aranha; e o mestre entalhador e escultor João Pereira.
A pintura pernambucana é influenciada pela arte flamenga e espanhola cuja produção
se restringe ao anonimato.
João de Deus Sepúlveda é um dos raros nomes reconhecidos. Sua obra mais antiga
é mal conservada e a série sobre a vida de Santa Teresa está na Igreja de Santa
Teresa da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Recife.
Sepúlveda pintou também em Recife, o forro da Igreja de Nossa Senhora da
Conceição dos Militares; e o teto da Igreja de São Pedro dos Clérigos, considerada
a obra prima de toda a pintura colonial pernambucana. A obra, do século XVIII,
mostra São Pedro abençoando o Mundo Católico.

ARTES VISUAIS 42
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Na segunda metade do século aparecem os nomes dos pintores Francisco Bezerra,
Manuel de Jesus Pinto e José Elói, entre outros.

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Aula 16 - Rio de Janeiro – Arte e Arquitetura

Vimos, nas últimas aulas, a Arte e a Arquitetura do Nordeste brasileiro. Observamos


alguns nomes de artistas escultores e pintores que trabalharam na decoração das
mais importantes igrejas do século XVIII na mesma região.

RIO DE JANEIRO NO SÉCULO XVIII


Após a descoberta do ouro em Minas Gerais, a cidade do Rio de Janeiro transformou-
se no mais importante centro de intercâmbio comercial.
A partir de 1735, foi aperfeiçoado o sistema defensivo da cidade para manter os
piratas distantes e escoar as riquezas. Em 1738, chegou à cidade, o professor de
engenharia militar José Fernandes Pinto ALPOIM (1700-1765), responsável pela
construção de várias obras de utilidade pública, residências e obras para os
franciscanos. O engenheiro permaneceu em Minas Gerais, um tempo, voltando para
construir mais obras famosas no Rio. Entre os diversos projetos de construção de
Alpoim, encontram-se o Convento de Santa Teresa, a fachada interna do claustro de
São Bento, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Boa Morte e o aprimoramento
do Aqueduto da Carioca.
Outro engenheiro militar, de nome José Cardoso Ramalho foi responsável também
pela arquitetura civil e religiosa do Rio de Janeiro no início do século XVIII,
introduzindo a planta poligonal de solução barroca.
Na segunda metade do século XVIII, a maioria das igrejas do Rio de Janeiro
apresentava a planta poligonal ou nave retangular com corredores laterais.
Entre as igrejas de planta retangular, destacam-se a Igreja da Ordem Terceira de
Nossa Senhora do Carmo e a Igreja de São Francisco de Paula.
A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, projetada por Francisco João RÓSCIO
(1733-1805), em 1775, destaca-se por apresentar uma planta em cruz latina,
decoração e aplicações de mármore inspirada nos projetos italianos. O projeto foi
ampliado até o século XIX, recebendo detalhes do período neoclássico.

1. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência


A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro, foi
construída, com interrupções, entre 1653 e 1773. A construção localiza-se ao lado da
Igreja e Convento de Santo Antônio.
Na fachada, se encontram quatro pilastras com pináculos de cantaria, ligados por
simples cimalha[1]. A fachada apresenta seis janelas e três portas. Frontão com óculo
central e portal trabalhado no estilo barroco em pedra lioz trazida de Portugal.

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O interior, revestido de talha dourada, recebeu decoração de dois nomes importantes


na escultura: Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito.
Manuel de Brito chegou ao Brasil em 1726 e iniciou os trabalhos no retábulo para a
Capela-mór da igreja. Em 1735, Francisco Xavier de Brito foi contratado para a
execução da talha e os dois trabalharam juntos a partir de 1738 até meados do século
XVIII. O arco triunfal da abside é de autoria de Francisco Xavier de Brito sob projeto
de Manuel de Brito.

Fig. 11: Interior da Igreja Ordem Terceira. RJ.


Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.
Ref. Imagem: Power Point. Interior da Igreja da Ordem Terceira. RJ. Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 165
KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 19 set. 2014.

A ESCULTURA NO RIO DE JANEIRO

ARTES VISUAIS 45
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Na escultura, além dos nomes de Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito, o nome
de Valentim da Fonseca e Silva, chamado de MESTRE VALENTIM (c. 1745-1813) é
um dos mais conceituados, depois de Aleijadinho em Minas Gerais.
Valentim pertenceu à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e trabalhou sempre
no Rio de Janeiro. Suas maiores obras encontram-se na Capela e na Igreja Ordem
Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Mosteiro de São Bento. O artista também
executou algumas obras para os projetos urbanísticos.

A PINTURA NO RIO DE JANEIRO


Os representantes da pintura no Rio de Janeiro receberam o nome de Escola
Fluminense de Pintura.
Caetano da Costa Coelho, de origem portuguesa é um dos maiores nomes. Em 1730,
o artista firma contrato com a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da
Penitência e inicia o douramento dos entalhes e painéis e a pintura do teto da nave.
Caetano da Costa Coelho foi um dos primeiros artistas, a pintar no Brasil, os tetos em
perspectiva, muito divulgados na Itália a partir do século XVII.
José de Oliveira Rosa, chefe da Escola Fluminense, pintou cenas sagradas, alegorias
e retratos. Trabalhou para o Convento de Santa Teresa e para o Mosteiro de São
Bento.
João Francisco Muzzi, discípulo de José de Oliveira Rosa, distinguiu-se como
cenógrafo da Casa de Ópera e do Teatro de Manuel Luis, e deixou documentos
artísticos e históricos que revelam a moda e mobiliário do final do século XVIII no Rio
de Janeiro.
Manuel Dias de Oliveira, chamado de brasiliense, foi nomeado regente da Aula
Pública de Desenho e Figura no Rio de Janeiro. São de sua autoria vários painéis
sacros para as igrejas.
José Leandro de Carvalho e Francisco Pedro do Amaral são os dois últimos nomes
da Escola Fluminense de Pintura. Francisco Pedro do Amaral foi considerado o último
dos pintores com tradição colonial e José Leandro de Carvalho foi retratista oficial da
família real.

[1] Cimalha – O mesmo que arquitrave.

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Aula 17 - São Paulo – O sul do Brasil

Vimos, na última aula, a Arte e Arquitetura na região do Rio de Janeiro, no século


XVIII.

SÃO PAULO NO SÉCULO XVIII


São Paulo passava por um período de estagnação quando as primeiras vilas mineiras
se formaram. O isolamento do litoral e a pobreza geraram uma criação artística
diferente das outras cidades no mesmo período. A arquitetura paulista girou ao redor
dos estabelecimentos agrícolas. As construções das casas em terrenos inclinados
passaram a ser assobradadas com entradas em dois níveis, no sistema de taipa de
mão e pau a pique com muros de pedra.
No litoral, o desenvolvimento proveniente da cana de açúcar, em meados do século
XVIII, gerou a construção de engenhos entre a Serra do Mar, entre eles, o Engenho
D’Água ou Engenho São Matias em São Sebastião. As construções serviam como
habitação e como local de trabalho.
Das poucas construções do período, “destacam-se o conjunto formado pela igreja e o
convento da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e a igreja e convento de
Nossa Senhora da Luz.” (PROENÇA, 2005, p. 202)

A PINTURA PAULISTA
Atuando em São Paulo em fins do século XVIII, encontramos o pintor, dourador e
restaurador José Patrício da Silva Manso. O artista atuou em São Paulo entre 1770 e
1780, pintando o teto da Capela-mór da nova igreja do Mosteiro dos Beneditinos.
Trabalhou em Itu, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária e no teto da
Capela mór[1] da Ordem Terceira do Carmo.
Retornando em 1784, para São Paulo, executou a decoração do teto e pintou alguns
quadros para Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, a Ordem Terceira do
Carmo e a Igreja da Ordem Terceira das Chagas do Seráfico Pai São Francisco até
1793.
Outro pintor reconhecido que atuou na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Itu, foi
Jesuíno Francisco de Paula Gusmão, nascido em Santos, em 1764, mais conhecido
como Jesuíno de Monte Carmelo.
Jesuíno do Monte Carmelo foi discípulo de José Patrício da Silva Manso e atuaram
quase em todas as mesmas igrejas.

ARTES VISUAIS 47
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OS RETÁBULOS NAS IGREJAS PAULISTAS

Os retábulos executados no século XVIII nas igrejas paulistas são exemplares da


decoração barroca e rococó, em uma combinação de elementos arquitetônicos
executados em madeira dourada e policromada.

A “Igreja de Nossa Senhora do Rosário, do Embu, abriga preciosos conjunto de talha,


no qual se destaca uma mescla entre as formas dos modelos eruditos e as
interpretações com sabor popular.” (ARTE SACRA COLONIAL, 2005, p. 73-74)

O SUL DO BRASIL
Pelo interior do sul do país, seguiram os jesuítas em trabalho de catequese. A zona
de colonização foi chamada de Missões. Estabelecidos nas terras de ninguém, os
jesuítas puderam realizar um trabalho de integração com os guaranis, durante
aproximadamente 140 anos.
Os primeiros povos ou povos originais da região do atual estado do Rio Grande do
Sul já estavam aculturados, em boa parte, especialmente devido ao estabelecimento
dessas missões jesuíticas.
Em 1753, porém, os bandeirantes, unidos às forças espanholas, atacaram essas
regiões. Finalmente, em 1759 os jesuítas foram expulsos, sendo impossível qualquer
tentativa de reconstrução da cultura original das Missões.
Tropeiros paulistas e mineiros, reforçados com a chegada de casais açorianos,
estabeleceram o domínio português na região.
As pessoas escravizadas de origem africana começaram a ser levadas em maior
número ao estado do Rio Grande do Sul a partir do final do século XVIII, com o
desenvolvimento das charqueadas, e chegaram a representar metade da população
rio-grandense em 1822.
Os espanhóis introduziram a criação de gado que, rapidamente, tornou-se a economia
predominante no Rio Grande do Sul. Espanhóis, portugueses e indígenas deram
origem ao tipo regional gaúcho, com uma fusão de costumes.

SAIBA MAIS
Sobre a pintura e a talha dourada colonial paulista em:
ARTE SACRA COLONIAL, 2005, pp. 60 a 78 e 90 a 117.

ARTES VISUAIS 48
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[1] Capela mór – O mesmo que abside, localizado para dentro da igreja.

Aula 18 - Minas Gerais – Arte e Arquitetura

Observamos, nas aulas anteriores, a Arte e a Arquitetura das regiões do Nordeste,


Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

MINAS GERAIS NO SÉCULO XVIII


No início da formação das vilas mineiras, os construtores utilizaram a mão de obra
mameluca, mulata e negra disponíveis no local.
Os padres mineiros não pertenciam às ordens religiosas e conventos, a imprensa era
proibida e a indústria não existia. Estruturada assim, de modo diverso das outras
regiões, a sociedade de Minas Gerais se subdividiu em brancos, pardos e negros
escravos e em irmandades religiosas ou confrarias. Essas irmandades lutavam entre
si e impulsionaram a Arquitetura, procurando, na ostentação, o poder e prestígio.

Nas moradias foi aplicada a técnica de estruturas autônomas de madeira preenchidas


pela taipa de mão. Pouco a pouco surgiram as construções de pedra, iniciando pelas
casas mais modestas e capelas mais humildes. Com ângulos retos, paredes brancas,
apresentavam molduras nas portas e janelas na cor azul, graças ao anil de certas
plantas das redondezas.

Mais tarde, foram construídas grandes igrejas de taipa e de pedra. Os acabamentos


evidenciavam as origens culturais. As construções, levantadas pelos mamelucos, por
exemplo, que trabalhavam com os carpinteiros do Reino, peritos em cortar pedras,
apresentava um exterior muito simples.
Apesar do exterior simples, o interior das igrejas apresentava uma decoração muito
rica. Os retábulos compunham-se de colunas torsas, ou retorcidas profusamente,
ornamentadas com motivos fitomorfos, como folhas de acanto e cachos de uva, por
exemplo e com motivos zoomorfos.
A partir de 1760, os retábulos internos passam a ser executados somente com
elementos do rococó francês: conchas, laços, guirlandas e flores; revestimento com
fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração.

Em meados do século, as alvenarias de pedra dura, chamada de canga[1]foram


aperfeiçoadas e as paredes puderam ser mais altas, delgadas e curvadas à vontade.
As construções possuíam fachadas com soluções decorativas as mais diversas. Em
um processo demorado e difícil, escultores e construtores conseguiram dar
uniformidade plástica aos espaços, tetos e paredes.

ARTES VISUAIS 49
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“Os vilarejos cresceram muito. Vila Rica, Mariana, Sabará, Congonhas do Campo,
São João del Rei, Caeté, Catas Altas começaram a desenvolver-se e construir seus
primeiros edifícios importantes.” (PROENÇA, 2005, p. 204)

O Barroco português influenciou toda arquitetura mineira, no entanto, através dos


artistas e construtores da própria região, as construções foram adquirindo
características próprias.

1. Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Ouro Preto.

Remodelada em 1736 pelo português Francisco Antônio Pombal, o interior


da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, foge às paredes planas e apresenta
retábulo joanino, de autoria de Francisco Xavier de Brito.
O interior antigo foi revestido com um excesso de motivos ornamentais, em que
predomina os elementos escultóricos.
A partir de 1760, os retábulos internos passam a ser executados somente com
elementos do rococó francês: conchas, laços, guirlandas e flores; revestimento
com fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração.

2. Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto.

Construída em 1765, a Igreja de São Francisco de Assis foi planejada,


esculpida, talhada e ornamentada por Antônio Francisco Lisboa, o
ALEIJADINHO (c. 1730-1814). É considerada a obra-prima do período rococó
brasileiro.
As pinturas no teto são de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830)

3. Igreja de Santa Efigênia, Ouro Preto.


A construção da Igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto, é datada de 1733 a
1785. A Capela mór recebeu talha de Francisco Xavier de Brito e a construção
recebeu a supervisão técnica de Manuel Francisco Lisboa.

4. Igreja Nossa Senhora do Rosário, Mariana.


A Igreja Nossa Senhora do Rosário substituiu a primitiva capela datada de
1709.
O projeto da igreja atribuído a Antônio Pereira de Souza Calheiros é composto
por duas grandes elipses que se juntam para formar a nave e a abside. O risco
do frontispício e da empena é atribuído a Manuel Francisco de Araújo.

ARTES VISUAIS 50
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[1] Minério de ferro contido na pedra mineira.

Aula 19 - Antônio Francisco Lisboa

Vimos, na última aula, o início das construções mineiras com a chegada dos
bandeirantes e o impulso da região graças às minas de pedras e metais preciosos.
Observamos também a Arquitetura religiosa de Minas Gerais no século XVIII, no estilo
barroco e rococó.

O ARTISTA ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA


Escultor, entalhador, desenhista, projetista e construtor. Com um estilo entre o
Barroco e o Rococó, Antônio Francisco de Lisboa (c. 1730-1814), conhecido por
ALEIJADINHO, é considerado o maior artista brasileiro do final do século XVIII e início
do século XIX
Antônio Francisco Lisboa, nasceu em Ouro Preto por volta de 1738. Filho do arquiteto
português Manoel Francisco Lisboa e de uma negra, escrava de sua propriedade,
chamada Isabel. De personalidade forte e perseverante, teve noções de música e
latim, aprendeu a ler, escrever, e estudou desenho e arquitetura com os mestres da
época. Em 1812, ficou totalmente paralítico e morreu pobre em 1814. Seu corpo foi
enterrado no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
A cidade de Minas Gerais decaía, abarrotada de padres, procissões, cruzes, festas,
tradição. À noitinha, o povo mineiro meditava, passeando pelas ruas mal iluminadas.
Aceito como artista de valor, Antônio Francisco Lisboa, segundo Mário de Andrade,
quase não foi reconhecido em seu tempo e esquecido no século passado. Os que o
descobrem tem a tendência a deformá-lo ou não compreender sua obra, chamando-
o muitas vezes de primitivo, o qual pode significar iniciador de novas ideias, perturbado
ou próximo à feiura.

Afirmamos a genialidade do Aleijadinho, mas esbarramos logo com o


conceito de genialidade que nos veio da Europa. [...] Conceda-se ao
gênio o direito de errar, em vez de nos aplicarmos a essa falsificação
européia da genialidade que busca reverter feiúras em subtilezas do
belo. [...] Pelo contrário, o Aleijadinho ainda está sem uma exegese
completa. E os estrangeiros que nos visitaram, no geral se
esqueceram dele, o que inda mais assusta a nossa timidez.
(ANDRADE, 1965, p. 28-30)

O que os brasileiros conhecem desse artista mineiro é que esculpia com mãos
deformadas e que ajudou na construção de algumas igrejas e é nelas que aparecem

ARTES VISUAIS 51
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as contradições entre a arte conservadora lusitana e os processos de uma solução
pessoal.

O tipo de igrejas como São Francisco, de Ouro Preto, e São João D’el-Rei, não
corresponde apenas ao gosto do tempo, “como já se distingue das soluções barrocas
luso-coloniais, por uma tal ou qual denguice, por uma graça mais sensual e
encantadora, por uma ‘delicadeza’ tão suave, eminentemente brasileiras”.
(ANDRADE, 1965, p. 34)

Sobre a individualidade de ALEIJADINHO deve-se determinar e constatar sua obra e


as diversas fases relacionadas à sua doença. Madeira e pedra foram tratadas de
maneiras diferentes, numa variedade assombrosa. E, na escultura, segundo Mário de
Andrade, “é toda uma história da arte. Bizantino, gótico, renascente, frequentemente
expressionista” e continua “o único que se poderá dizer nacional, pela originalidade
das suas soluções. Era já um produto da terra, e do homem vivendo nela.”
(ANDRADE, 1965, p. 44)

Acredito que esse texto, com as citações maravilhosamente redigidas por Mário de
Andrade, deu uma mostra dos preconceitos que os nossos artistas sofreram ao longo
do tempo, principalmente em termos de características raciais. Finalizo com mais um
pouquinho de Mário de Andrade sobre o artista Aleijadinho:

Mas abrasileirando a coisa lusa, lhe dando graça, delicadeza e dengue


na arquitetura, por outro lado, mestiço, ele vagava no mundo. Ele
reinventava o mundo. [...] Evoca os primitivos itálicos, bosqueja a
Renascença, se afunda no gótico, quase francês por vezes, muito
germânico quase sempre, espanhol no realismo místico. É um
mestiço, mais que um nacional. ... E só é o Aleijadinho na riqueza [...]
de suas idiossincrasias. E nisto em principal é que ele profetizava
americanamente o Brasil. (ANDRADE, 1965, p. 46)

A ARTE DE ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA


Apesar dos preconceitos em relação aos artistas e aos mestiços, principalmente, o
Aleijadinho obteve celebridade ainda em vida. O artista era solicitado e disputado por
Ordens religiosas e municípios mineiros.
Antônio Francisco Lisboa efetuou riscos, projetos, esculturas,talhas e/ou
detalhamento de muitas das igrejas levantadas no período. Entre as obras destacam-
se:

1. Em Ouro Preto
Igreja de São Francisco de Assis e Igreja de Nossa Senhora da Conceição de
Antônio Dias.

ARTES VISUAIS 52
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Nos anos de 1769 a 1771, o artista trabalhou nas esculturas em pedra-sabão
da fachada e na porta da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.
Entre 1771 e 1794 realizou a decoração das Igrejas, Nossa Senhora das
Mercês e Perdões e Nossa Senhora do Pilar.
2. Em Congonhas
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Construída em meados do
século XVIII, apresenta fachada com duas torres laterais ligadas ao corpo
central. O portal recebe pedra sabão esculpida com volutas.
Os Doze Profetas em pedra sabão no adro da Matriz de Bom Jesus de
Matosinhos.
3. Em Sabará
Igreja de Nossa Senhora do Carmo. A igreja possui características do Barroco
e Rococó. Construída a partir da década de Sessenta do século XVIII. As
imagens dos irmãos carmelitas, os dois púlpitos, o portal e frontão em volutas
e querubins em pedra sabão, e o conjunto do coro são obras do Mestre
Aleijadinho.
4. Em Caeté
Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso. A igreja é uma das primeiras
construídas em Minas Gerais no estilo barroco e decoração Rococó. Antônio
Francisco Lisboa participou da construção e da decoração como aprendiz.
5. Em São João del-Rei
Antônio Francisco Lisboa é o autor do risco do portal da Igreja de São Francisco
de Assis.
6. Em Tiradentes
Igreja Matriz de Santo Antônio. A fachada e o portal da igreja foram desenhados
por Antônio Francisco Lisboa, no início do século XIX.

ARTES VISUAIS 53
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Aula 20 - A Pintura mineira

Observamos a obra do artista mineiro Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido pelo
nome de Aleijadinho. Uma obra de influências múltiplas, produzida por um grande
artista, de caráter regional, formado em Minas Gerais.
Com uma defasagem de quase quarenta anos em relação à arquitetura e à escultura,
a pintura mineira sobressai com vários nomes expressivos.

A PINTURA MINEIRA NO SÉCULO XVIII


A pintura mineira atingiu uma grande força na cobertura dos tetos religiosos, com
diversos exemplos espalhados por várias cidades.
Na década de Sessenta do século XVIII, podemos citar as pinturas de Manuel Rebelo
e Souza e José Soares de Araújo. Na década de 70, Manuel Antônio da Fonseca e
Silvestre de Almeida Lopes se destacam.
No final do século XVIII, desponta os nomes dos pintores mineiros, Bernardo Pires da
Silva, João Nepomuceno Correia e Castro; Manuel Ribeiro da Rosa, Antônio Martins
da Silveira, João Batista de Figueiredo e Manuel da Costa ATAÍDE (batizado em 1762-
1830), os quais se destacam por pinturas no teto das principais igrejas das cidades
de Minas Gerais.
1. Manuel da Costa Ataíde
Manuel da Costa ATAÍDE nasceu em Mariana. Filho do militar Luís da Costa Ataíde e
de Maria Barbosa de Abreu. Começou a pintar por volta do ano de 1781, ano em que
há registro de seu primeiro trabalho: a pintura de imagens para o santuário de Bom
Jesus dos Matozinhos, em Congonhas do Campo.
Foi o único pintor mineiro do período a receber destaque. Fiel à temática religiosa,
seus santos, anjos e demais personagens tinham como principal característica os
inconfundíveis traços mestiços, bem brasileiros. O artista buscava inspiração na
Bíblia, nos missais e nos livros que chegavam da Europa, evidenciando a transição
para o estilo Rococó.
Muitos dos trabalhos de Ataíde foram executados paralelamente às obras do Mestre
Aleijadinho, como por exemplo, o painel que decora o teto da nave (parte central mais
alta da igreja) da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto.
No teto da nave da igreja, Ataíde representa a Assunção de Nossa Senhora, com
anjinhos mulatos substituindo os rosados querubins dos modelos tradicionais
europeus. A Virgem Maria, também mulata, exibe os traços da mulher que era
companheira do pintor, Maria do Carmo.

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Fig. 12: Assunção de Nossa Senhora.


ATAIDE, Manuel da Costa (batizado em 1762-1830) Assunção de Nossa Senhora, início do século
XIX. Pintura no teto da Igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto.
Ref. Imagem: Power Point. Interior da Igreja da Ordem Terceira. RJ. Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 142
KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 19 set. 2014.

Outra obra notável de Ataíde é a pintura do teto da nave da Igreja do Santuário do


Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo, onde estão os Doze Profetas
de Aleijadinho. No teto azul voam e se entrelaçam anjos mestiços, sem dúvida,
brasileirinhos.

ARTESANATO E MOBILIÁRIO BRASILEIRO NO SÉCULO XVIII


A ourivesaria brasileira no século XVIII, mais precisamente das regiões de Minas,
Bahia e Rio de Janeiro, foi confeccionada com uma grande dose de ingenuidade,
despojamento e criatividade. O estilo sóbrio inicial transformou-se nos ricos
ornamentos do estilo rococó, com folhas de acanto, conchas e volutas.
O número de ourives fiscalizados em rédeas curtas pela Coroa era muito grande em
fins do século XVIII. Apesar do controle severo e dos impostos altos, uma imensa
produção de ornamentos em ouro e prata saía das principais cidades. Somente a partir
de 1815, os ourives puderam trabalhar em paz.
O revestimento arquitetônico à base de azulejos floresceu no século XVIII,
predominando a policromia no azul e branco, representando vidas de santos, temas

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marítimos, paisagens, cenas pastoris, quase sempre com molduras barrocas. Os
azulejos ficaram tão famosos que passaram a decorar as fachadas e fazer parte das
construções civis.
A imaginária no século XVIII torna-se vulgar com uma comercialização intensa. O
mobiliário se define pelos três estilos segundo os monarcas dos períodos.
D. João V, de 1706 a 1750, com um estilo fortemente influenciado por Portugal
D. José, de 1750 a 1777, com um estilo rococó francês.
Dona Maria I, de 1777 a 1792, com um estilo mais simples e sóbrio.

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Aula 21 - O início do século XIX no Brasil

Na unidade anterior, observamos os conceitos estéticos ligados à arte brasileira no


século XVIII, assim como as obras e os artistas que se classificaram nessa época.

O INÍCIO DO SÉCULO XIX NO BRASIL


Em 1808, chegou ao Brasil a Corte portuguesa fugindo das tropas francesas de
Napoleão. Com sua chegada, os portos foram abertos às nações amigas, entre elas,
a Inglaterra. Até 1814, os ingleses tiveram exclusividade sobre o comercio brasileiro,
provocando a queda de preço na entrada dos produtos industrializados, mas limitando
as possibilidades de crescimento industrial, restringido a duas fábricas de ferro em
São Paulo e Minas Gerais.
A família real trouxe uma corte parasitária, prepotente e exigente frente aos habitantes
do Rio de Janeiro, transformada em capital do reino português.
Apesar de algumas instituições serem criadas a maioria só serviu de cabide de
emprego. Os costumes se alteraram e a aristocracia rural passou para a cidade em
busca de palacetes e bens importados.
A nova realidade imposta gerou um protesto armado em Recife, em 1817. A
Revolução Pernambucana sentiu a violência armada e a repressão portuguesa,
quando os líderes foram sumariamente executados.
Em 1821, as Cortes portuguesas exigiram o retorno de D. João a Portugal,
permanecendo no Brasil seu filho D. Pedro. A seguir, subordinaram todas as
províncias ao comando direto de Portugal esquecendo-se da cidade do Rio de
Janeiro, fecharam órgãos públicos, favoreceram os comerciantes portugueses e
tentaram recolonizar o Brasil.
As abastadas camadas sociais urbanas e rurais se uniram para envolver D. Pedro
para que o mesmo realizasse a emancipação definitiva, mantendo o povo à margem
do processo. Em 1822, o príncipe regente aceitou ficar no Brasil, destacando um
ministério tendo à frente José Bonifácio.
Em sete de setembro de 1822, a independência do Brasil se oficializou sob a velha
estrutura conservadora e escravista dependente dos mercados externos, bem ao
gosto da aristocracia. Os choques políticos entre a elite e o imperador marcaram o
Primeiro Reinado resultando na abdicação de D. Pedro I em 1831, consolidando uma
vez mais o poder dos grandes proprietários de terra.
O período Regencial, de 1831 a 1840, foi marcado por lutas e reivindicações das
camadas inferiores urbanas e rurais.[1]

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Em 1840, os líderes no governo se uniram em favor da maioridade do menino Pedro
de Alcântara, restaurando o reinado, mantendo a monarquia e abandonando os
princípios liberais. Assim se iniciava o Segundo Reinado.

LITERATURA BRASILEIRA NO INÍCIO DO SÉCULO XIX


Os conceitos românticos portugueses foram introduzidos no Brasil durante a
Regência, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades de Gonçalves de
Magalhães, publicado na França, em 1836.
O Romantismo brasileiro divide-se em geração indianista, com Gonçalves de
Magalhães e Gonçalves Dias; geração mal do século, com Álvares de Azevedo,
Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela; e geração condoreira, com
Castro Alves e Sousândrade.
Os principais romances românticos foram publicados por Joaquim Manuel de Macedo,
Manuel Antônio de Almeida e José de Alencar.

SAIBA MAIS
Pesquise sobre a literatura brasileira, pois muito da nossa marca nacional teve início
com a arte voltada para a linguagem escrita. É certo que estou me referindo à arte
que se iniciou a partir da colonização. Ao pesquisar você irá encontrar as crônicas de
viagem e poemas narrativos com traços puramente europeus.
Perceberá, também, que a segunda geração romântica construiu um perfil de herói
nacional representado pelo índio. O perfil de herói romântico não se aproxima dos
heróis atuais.
Esse perfil ainda se baseava em padrões europeus da época, mas já anunciava a
necessidade de pontuar os feitos genuinamente brasileiros. Faça uma pesquisa
prazerosa para enriquecimento pessoal. Vale a pena descobrir tais características.

[1] Cabanagem, no Grão Pará, de 1835 a 1839; Sabinada, em Salvador, de 1837 a 1838; Balaiada, no
Maranhão e Piauí; e a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, de 1835 a 1845.

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Aula 22 - A Missão francesa. O Neoclassicismo

Na aula anterior,observamos um resumo a respeito da chegada da Corte portuguesa


ao Brasil, o Primeiro Reinado e a posse de D. Pedro II. Vimos também uma sinopse
da literatura romântica brasileira no início do século XIX.

ARTE NO INÍCIO DO SÉCULO XIX NO BRASIL


A situação política e econômica colonial de feição agrária foi a base que condicionou
e limitou a criação artística no Brasil. O Iluminismo e as descobertas arqueológicas
na Itália no final do século XVIII já haviam modificado o gosto e a arte do europeu.
Contudo, no Brasil, a infiltração das novas ideias clássicas demorou um pouco. Com
a chegada da Corte portuguesa em 1808, alguns dos elementos do classicismo
expandiram-se ao gosto do próprio regente. A classe média era pouco numerosa e a
elite se resumia às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a imigração
portuguesa se expandiu. A pintura de temas literários, históricos e alegorias militares
correspondiam ao gosto dos círculos oficiais e da elite. O regente, embora não fosse
culto, estimulou a criação de museus, bibliotecas e escolas. Professores, cientistas e
artistas vieram participar da formação de escolas.
A vinda de artistas e artífices, exilados bonapartistas, para o Brasil acelerou as
transformações nos níveis artísticos.

A MISSÃO OU COLÔNIA DE JOAQUIM LEBRETON (1760-1819),


Antigo secretário da classe de Belas Artes na França, Lebreton trouxe um sistema de
ensino em academia, onde o ensino de belas-artes se funde aos ofícios.
Com ele chegou à baía da Guanabara, Nicolas-Antoine TAUNAY (1755-1830), pintor
de gênero e de batalhas; Jean Baptiste DEBRET (1768-1848), pintor de História; o
arquiteto Auguste-Henri Victor GRANDJEAN DE MONTIGNY (1776-1850); o escultor
Auguste-Marie TAUNAY (1768-1824); mecânicos, serralheiros, ferreiros, carpinteiros
e comerciantes.
Em novembro de 1820, a Academia e Escola Real das Artes, oficializa-se e se
estabelece no Rio de Janeiro, formada por docentes franceses.
Não foi fácil para a Missão o convívio e a sobrevivência no Brasil, pois o
neoclassicismo imposto produziu uma grande tensão entre a população colonial que
tendia a rejeitar a arte em níveis aristocrático e burguês.

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1
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Nicolas-Antoine Taunay
Nicolas-Antoine TAUNAY (1755-1830), desde cedo um grande artista, iniciou a vida
artística pintando paisagens. Participou da Academia em Roma e na França. No
período de Napoleão, Taunay pintou cenas de batalha em uma intensa atividade
artística. A produção do artista no Brasil compreendeu paisagens, personagens
bíblicos, mitológicos e históricos, em um estilo baseado nos grandes paisagistas
holandeses.
Os filhos de Taunay, Felix-Émile Taunay (1795-1881) e Adrien-Aimé Taunay (1803-
1828), também se destacaram como pintores no Brasil.

2 Auguste-Henri Victor Grandjean de Montigny


O primeiro trabalho no Brasil de Auguste-Henri Victor GRANDJEAN DE MONTIGNY
(1776-1850) foi o projeto para o edifício da futura sede da Academia de Belas Artes.
O prédio da Academia construído em 1826 foi derrubado em 1937.
Montigny realizou diversos projetos de arquitetura e urbanismo no Rio de Janeiro.

3 Jean Baptiste Debret

Fig. 13: Debret


DEBRET, Jean Baptiste (1768-1848) DETALHE. Negros Movimentando um Carro. Gravura extraída
da obra Voyage Pittoresque et Historique au Brésil. Obra publicada em três volumes, entre 1834 e
1839, na França.
Ref. Imagem: Pranchas de Jean Baptiste Debret. Prancha nº 15. SP: Formar, s/d.
Debret jpg. 1024x715 pixels. 200 dpi. 24 bits. 147 KB. Martini, Fátima R. Sans. 20 set. 2014.

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Jean Baptiste DEBRET (1768-1848) viveu no Brasil por 15 anos, não se deixando
abater pela hostilidade e pouco caso do ambiente estranho.
A partir de 1823 viajou pelo Brasil desenhando a natureza e os tipos humanos de
diversos estados, tornando-se professor de Pintura Histórica na Academia. Realizou
gravuras a água-forte[1] , aquarelas e organizou o Primeiro Salão de Belas Artes no
Brasil, no Rio de Janeiro. De volta a Paris, depois de se desentender com o Imperador
Pedro I, editou o livro em três volumes – Viagem pitoresca e histórica ao Brasil – com
aquarelas e gravuras, ilustrando os usos e costumes brasileiros no período inicial do
século XIX.
Debret deixou muitos alunos e aprendizes no Brasil: Francisco Pedro do AMARAL
(1790-1831); Simplício RODRIGUES DE SÁ (1785-1839); José de Cristo MOREIRA;
Francisco Souza LOBO; José da Silva ARRUDA; José dos REIS CARVALHO (c.1798-
c.1892); Guilherme e Auguste MULLER (1815-c.1883); Alphonse Auguste FALCOZ;
Joaquim Lopes de Barros Cabral TEIVE (1816-1863) e Manuel de Araújo PORTO-
ALEGRE (1806-1879)

SAIBA MAIS
Sobre a História do Brasil em:
FIGUEIRA, D. G. História. São Paulo: Ática, 2005.

Leia sobre a Missão francesa em:


ARTE NO BRASIL, 1986, pp. 148-160.

[1] Água-forte - Técnica de gravura na qual se utiliza a ação corrosiva de ácido sobre as partes postas
a descoberto na superfície de uma placa metálica revestida de camada protetora.

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Aula 23 - O Neoclassicismo. Pintura de Paisagens.

Observamos a chegada no Brasil, em 1816, de artistas e artífices por meio da Missão


francesa. Os mestres franceses deixaram alunos que continuaram a produção
neoclássica no Brasil.
A Academia e Escola Real das Artes impulsionaram a pintura neoclássica e histórica,
incluindo a pintura de retratos. O estimulo romântico chegou através de novos artistas
em viagens curtas ou através dos mestres que se fixaram no Brasil a pedido de D.
Pedro II.
Na primeira fase de ação da Academia destacou-se o trabalho dos artistas Manuel de
Araújo PORTO-ALEGRE (1806-1879) e Simplício RODRIGUES DE SÁ (1785-1839).

1. Manuel de Araújo Porto-Alegre


Manuel de Araújo PORTO-ALEGRE (1806-1879) foi contratado como professor de
Pintura Histórica da Academia Imperial de Belas Artes, em 1837, no Rio de Janeiro.
De 1854 a 1857 investido como diretor da Academia reformou os métodos de ensino
e contratou novos professores. Poeta, teatrólogo, tradutor e diplomata, Porto-Alegre
dedicou-se à literatura no Brasil e Portugal, sendo um dos pioneiros do romantismo.

2. Simplício Rodrigues de Sá
Simplício RODRIGUES DE SÁ (1785-1839) estudou com Debret na Academia
Imperial de Belas Artes. Em 1831 foi contratado como professor de Pintura Histórica
e Desenho, onde atuou até 1837. Foi professor de desenho do imperador D. Pedro II
e suas irmãs. Simplício foi acima de tudo um grande retratista.
Outro artista que atuou no mesmo período dos alunos da Missão francesa foi Miguel
Arcanjo Benício de Assunção Dutra, mais conhecido como MIGUELZINHO DUTRA
(1812-1875) escritor, artífice e ourives da cidade de Itu, interior de São Paulo. Com
uma formação interiorana, sua obra foi composta com componentes intimistas,
retratando populares, festas e paisagens de campo.

PINTURA DE PAISAGENS – A PRESENÇA DOS ITINERANTES


Durante o século XIX, veio para o Brasil grande número de pintores estrangeiros.
Alguns integrantes de expedições científicas e artísticas, como a Missão austríaca e
a Expedição Langsdorff, outros por conta própria.
Encantados com a luz e o cenário tropical, eles desenharam e pintaram paisagens,
marinhas e cenas de costume, sobretudo do Rio de Janeiro, documentando com
detalhes aspectos pitorescos da vida brasileira.

ARTES VISUAIS 62
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Entre os ingleses, estiveram no Brasil: Richard BATES (1775-1856); Henry
CHAMBERLAIN (1796-1844) e Emeric Essex VIDAL (1791-1861).
Dos artistas portugueses destacaram-se: Joaquim Cândido GUILLOBEL (1787-1859)
e Augusto Rodrigues DUARTE (1848-1888), discípulo de Vítor MEIRELLES.
Do grupo de italianos chegaram ao Brasil: Alessandro CICARELLI (1811-1879); Luigi
STALLONE e Nicollo Antonio FACCHINETTI (1824- 1900), que permaneceu pintando
a serra da Mantiqueira e outros recantos brasileiros.
Entre os franceses: François-René MOREAU (1807-1860), que se fixou no Rio de
Janeiro, produzindo retratos brasileiros e pinturas históricas; Charles Othon JEAN
BAPTISTE (1777-1847) e Hercule FLORENCE (1804-1879) entre outros.
Da Áustria, o pintor Thomas ENDER (1793 - 1875) veio para o Brasil em 1817,
permanecendo por um ano, durante o qual pintou aquarelas e desenhos com
observações do Brasil.
O grupo de pintores alemães que veio para o Brasil foi um pouco maior. Alguns artistas
permaneceram no país e outros foram chegando até o final do século XIX. Dentre eles
os que mais se destacaram foram: Johann Moritz RUGENDAS (1802-1858), Edward
HILDEBRANDT, Ferdinand KRUMHOLZ, Fridrich HAGEDORN e Johann Georg
GRIMM (1846-1887), entre outros.

1. Johann Moritz Rugendas


Johann Moritz RUGENDAS (1802-1858) esteve no Brasil em 1822, acompanhando a
comitiva da expedição de Langsdorff. Em 1825 voltou para a Europa depois de ter
pintado paisagens e cenas de costumes por várias regiões. Retornou em 1831, por
conta própria, permanecendo até 1846 no Brasil e outros países da América Latina.

SAIBA MAIS
Sobre os artistas viajantes no site do Itaú Cultural.org.br.
Pesquise mais sobre outros artistas que aqui estiveram e documentaram o Brasil de
forma delicada e sensível.

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Aula 24 - O Neoclassicismo na Arquitetura

Vimos, na aula anterior, os artistas viajantes e os primeiros artistas pintores do Brasil


no início do século XIX. Espero que você esteja se surpreendendo com tantos artistas
desconhecidos!

O BRASIL EM MEADOS DO SÉCULO XIX


Com a posse do imperador D. Pedro II, em 1840, restabeleceu-se a paz no Brasil
convulsionado pelas rebeliões e consolidaram-se as instituições. A principal garantia
material dessa estabilidade foi a prosperidade econômica, assegurada pela
exportação do café.
Do vale do Paraíba, os cafezais alcançaram São Paulo e o sul de Minas. A partir de
1870, as plantações chegaram ao Oeste paulista e por volta de 1880, o Brasil já
produzia mais da metade de todo o café cultivado no mundo. Surgia assim uma nova
camada de prósperos senhores de terra: os cafeicultores.
Com um grande volume de dinheiro circulando, na década de 50 foram fundadas
empresas industriais, bancos, caixas econômicas, companhias de navegação a vapor,
companhias de seguro, estradas de ferro, empresas de mineração, transporte urbano
e serviços de gás.
A fase de relativo desenvolvimento só foi quebrada com a Guerra do Paraguai de 1865
a 1870.
Em meados do século XIX a escravidão começou a ser contestada por amplos setores
da sociedade. As pressões internacionais, principalmente da Inglaterra se
intensificaram. O primeiro passo do governo após muita pressão foi extinguir o tráfico
negreiro em 1850.
Vale lembrar que a partir de 1870, surgiu um cafeicultor com uma mentalidade mais
evoluída, que trocava a mão de obra escrava pela dos imigrantes vindos da Europa.
Os primeiros imigrantes a chegar ao Brasil fixaram-se em algumas zonas rurais do
Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, e foram chamados de colonos.

O NEOCLASSICISMO NA ARQUITETURA
Introduzido por Auguste-Henri Victor GRANDJEAN DE MONTIGNY (1776-1850), o
Neoclássico na arquitetura teve numerosos alunos, no Rio de Janeiro, como Justino
de Alcântara Barros, autor do zimbório[1] da Igreja da Candelária; José Maria Jacinto
Rebelo, autor do projeto do atual Palácio do Itamaraty (1851-1855); entre outros.
Foram esses discípulos que difundiram a Arquitetura neoclássica por toda a Corte
como estilo oficial do Império.

ARTES VISUAIS 64
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As investigações acerca das orientações teóricas da arquitetura produzida no Brasil
da Independência levantam a forma de composição arquitetônica do Neoclassicismo
como causa intelectual e política.
O Neoclassicismo teria sido então adotado no Brasil durante a monarquia como
instrumento civilizador, isto é, como meio de aproximar o país do modelo europeu de
civilização.
Algumas características da Arquitetura Neoclássica: Materiais nobres, como pedra,
mármore, granito e madeiras. Processos técnicos avançados e sistemas construtivos
simples. Esquemas mais complexos com linhas ortogonais. Formas regulares,
geométricas e simétricas. Volumes corpóreos, maciços, bem definidos por planos
murais lisos. Uso de abóbadas de berço ou de aresta. Uso de cúpulas. Espaços
interiores organizados segundo critérios geométricos e formais Pórticos com
colunatas e frontões triangulares A decoração recorreu a elementos estruturais com
formas clássicas, à pintura rural e ao relevo em estuque, acentuando a intimidade e o
conforto nas mansões familiares.
O Brasil do século XIX graças à cultura do café propiciou um conforto para a sociedade
que povoou de casas neoclássicas as regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e
Nordeste.

1. No Nordeste
No Nordeste, comandados pelo alemão Augusto Koersting, cerca de cem artistas e
artífices modernizaram e atualizaram as construções em Pernambuco, a partir de
1839. “O neoclássico foi introduzido graças a Francisco do Rego Barros, conde da
Boa Vista.” (ARTE NO BRASIL, 1986, p.160)
O Palácio do Governo de Pernambuco, reformado pelo conde da Boa Vista, no ano
de 1841, é um exemplo de Arquitetura no estilo neoclássico.
2. Na Bahia
Na primeira metade do século XIX foi concluído o prédio da Associação Comercial,
uma das construções pioneiras do estilo neoclássico na Bahia, com influência inglesa.
O prédio apresenta o pórtico com quatro colunas, frontão triangular, escadaria
externa com duas entradas e decoração na fachada composta de guirlandas.
3. No Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro,foi construído pelo arquiteto particular de D. Pedro I, o francês
Pierre Joseph Pézerat, um palacete neoclássico, ao lado do palácio imperial, para a
Marquesa dos Santos, que ali viveu entre 1826 e 1829.

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Fig. 14: Marquesa de Santos, RJ. Palacete neoclássico. Século XIX.


Ref. Imagem: Original date/time: 25 set. 2012 13:23 Camera make. model: SONY DSC-
TX1. 766x642 pixels. 96 dpi. 24 bits. ISO 125. Marquesa de Santos Jpg. 127 KB; MARTINI, Fátima
R. Sans. 21 set. 2014.

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Aula 25 - Arte Neoclássica, Romântica e Realista.

Na última aula, vimos a arquitetura neoclássica desenvolvida nas principais cidades


do Brasil. Voltamos agora para a Arte em meados do século XIX.

MEADOS AO FINAL DO SÉCULO XIX


A Arte Realista, por volta de 1850 a 1860, já se expandia na França, surgindo como
expressão revolucionária, representando trabalhadores e as injustiças sociais,
sobrepondo-se ao Romantismo na era industrial.
No Brasil, o Realismo surgiu em meados do século, nas paisagens, dentro das
limitações estéticas. Como a classe operária e os problemas urbanos e sociais ainda
não ocorriam, os temas sociais não ocuparam espaço, só surgindo no final do século,
mesmo assim de forma indelével e superficial.
Aliás, os termos naturalismo e classicismo encobrem a arte figurativa e o ecletismo
acadêmico tardio aplicado por muito tempo no Brasil.
Dentre os artistas que se destacaram, de meados ao final do século XIX, com uma
pintura em amplos termos figurativa acadêmica, às vezes neoclássica, às vezes
romântica, outras realista, se encontram: Agostinho José DA MOTTA (1824-1878),
Johann Georg GRIMM (1846-1887), Garcia Y VASQUEZ (Espanha,1859-1912);
Joaquim José da FRANÇA JUNIOR (1838-1890); Giovanni Battista Felice
CASTAGNETO (1851-1900), os irmãos Francisco Renato e Luís Augusto MOREAUX;
Hipólito CARON (1862-1892); Vitor MEIRELES (1832-1903), PEDRO AMÉRICO de
Figueiredo e Melo (1843-1905) e José Ferraz de ALMEIDA JUNIOR (1850-1899).

1. Agostinho José da Motta


Agostinho José DA MOTTA (1824-1878), em 1850, tornou-se o primeiro paisagista a
obter o prêmio de viagem à Europa.
Em 1856 funda com outros artistas a Sociedade Propagadora das Belas Artes no Rio
de Janeiro. Foi Professor de Desenho e Paisagens na Academia Imperial de Belas
Artes.
2. Johann Georg Grimm
Johann Georg GRIMM (1846-1887) chegou ao Brasil em 1878, executando estudos
das paisagens e iconografias das fazendas de café.
Quando professor na Cadeira de Paisagem, Flores e Animais, de 1882 a 1884 na
Academia Imperial de Belas Artes, Grimm introduziu a pintura ao ar livre, lembrando
os Impressionistas franceses e italianos do final de 1870 em oposição aos
acadêmicos.

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Em 1884, Georg Grimm, com os artistas Giovanni Battista Felice CASTAGNETO
(1851-1900), Hipólito CARON (1862-1892); Garcia Y VASQUEZ (1859-1912);
Francisco RIBEIRO (c. 1855-1900), Antônio PARREIRAS (1860-1937), Joaquim José
da FRANÇA JUNIOR (1838-1890) e Thomas DRIENDL (1849-1916), fundou o Grupo
Grimm, no Rio de Janeiro.
3. Giovanni Battista Felice Castagneto
Genovês, Giovanni Battista Felice CASTAGNETO (1851-1900) veio para o Brasil em
1874 e estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Em 1882, trabalhou como professor de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1885,
o artista já pintava com técnicas no estilo impressionista.

ARTES VISUAIS 68
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Aula 26 - Victor Meirelles e Pedro Américo

Na última aula observamos os artistas atuando em meados do século XIX.


Continuamos com os dois maiores representantes e consagrados pintores desse
período.

VITOR MEIRELES (1832-1903)


Natural de Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina, Vitor Meireles embarcou para
o Rio de Janeiro para se matricular na Academia Imperial Brasileira (AIBA) em 1846.
Em 1852 com o prêmio de viagem para a Europa mudou-se para Paris.
Autor da mais popular das telas brasileiras: A Primeira Missa no Brasil - reproduzida
em cadernos escolares, selos, cédulas monetárias, livros de arte, catálogos e revistas.

Fig. 16: A Primeira Missa no Brasil


MEIRELLES, Victor (1832-1903) A Primeira Missa no Brasil, 1860/1. Óleo sobre tela, 268 x 356.
MNBA - Museu Nacional de Belas Artes, RJ. Brasil.
Ref. Imagem: Power Point. A Primeira Missa. Gif. 480 x 360 pixels. 8 bits. 133 KB. MARTINI, Fátima
R. Sans. 21 set. 2014.

Em 1862, Meirelles retornou para o Brasil e tornou-se professor de Pintura na


Academia.
Entre outros, foram alunos de Meirelles: Antônio PARREIRAS (1860-1937); Rodolfo
AMOEDO (1857-1941); Henrique BERNARDELLI (Chile,1858-Rio de Janeiro,1936);

ARTES VISUAIS 69
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BELMIRO BARBOSA de Almeida (1858-1935), José Ferraz de ALMEIDA JUNIOR
(1850-1899), Eliseu D’Ângelo VISCONTI (1866-1944); OSCAR PEREIRA DA SILVA
(1867-1939) e João ZEFERINO DA COSTA (1840-1915).
Além da famosa A Primeira Missa no Brasil, outra obra conhecida de Meirelles
é Batalha dos Guararapes, 1879. Óleo sobre tela, 494,5 x 923. No acervo do Museu
Nacional de Belas Artes, RJ. Brasil. A obra representa a vitória luso-brasileira sobre
as invasões holandesas no Morro de Guararapes, em Pernambuco.
Victor Meirelles deixou um extraordinário acervo, em minuciosos esboços e estudos
em papel e óleo sobre tela.
No entanto ao morrer em 1903, no Rio de Janeiro, o artista estava pobre e quase
esquecido.

PEDRO AMÉRICO de Figueiredo e Melo (1843-1905)


Paraibano, natural de Areia, Pedro Américo iniciou os estudos no Colégio D. Pedro II
no Rio de Janeiro e na AIBA.
Em 1859 o estudante partiu para estudar na Academia de Belas Artes de Paris, sob a
tutela de D. Pedro II.
Ao retornar da França, tornou-se professor de Desenho na AIBA - Academia Imperial
Brasileira do Rio de Janeiro.
Pedro Américo viajou para diversos países a trabalho e estudou na Universidade de
Bruxelas, na Bélgica.
Em 1870 foi empossado como Professor de Estética, História da Arte e Arqueologia
na AIBA.
Em 1900, o artista participou da Exposição Universal de Paris.
Entre as obras mais conhecidas de Pedro Américo encontram-se: Batalha do Avaí,
1872/77. Um óleo sobre tela, 600 x 1100, que retrata a guerra do Paraguai. A obra
pertence ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, RJ. Brasil; e Independência
ou Morte, de 1888, em óleo sobre tela, 415 × 760, encomenda do império, para o salão
nobre do atual Museu Ipiranga, ou Museu Paulista, em São Paulo.
A pintura de Pedro Américo é acadêmica e neoclássica. “Mesmo tendo estado na
Europa onde que já começavam as manifestações impressionistas, sua produção
manteve-se fiel aos princípios da Imperial Academia de Belas Artes.” (PROENÇA,
2005, p. 216)

ARTES VISUAIS 70
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Aula 27 - Final do séc. XIX no Brasil. O Ecletismo.

Examinamos a arte figurativa nos estilos romântico, realista e neoclássico.


Conhecemos importantes artistas que pintaram os gêneros de pintura histórica,
alegórica, mitológica, sacra, marinhas, nus e retratos. Chegamos ao final do século
com uma grande produção artística, sem, no entanto, alcançar uma forte expressão
individual.

FINAL DO SÉCULO XIX NO BRASIL


A Guerra do Paraguai provocou mudanças significativas na História do Brasil. Uma
delas foi a participação mais efetiva na vida política do Exército. Insatisfeitos com a
política do Império, os militares passaram a se considerar mais preparados que os
civis para cuidar dos interesses da nação.
Em 1888, o Brasil aboliu a escravidão em todo o território nacional. Era um dos últimos
países do mundo a pôr fim a essa atrocidade.
Em 15 de novembro de 1889, tropas rebeldes, sob o comando do marechal Deodoro
da Fonseca, marcharam pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, surpreendendo a
população. Ao cair da tarde, proclamaram a República e constituíram o Governo
Provisório. Sendo um movimento de cúpula, o novo regime não se preocupou em
promover reformas na estrutura econômica do país. O governo foi formado por ex
monarquistas e poderosos aristocratas.
Em 1891, o Brasil já sofria com a inflação e queda no preço das ações, causando
prejuízos e falências.
No final do século, ocorreu a crise do café, com os preços despencando. No início de
1906, os governadores dos três maiores estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro, se reuniram e firmaram a valorização do café, estocando e
recorrendo a empréstimos, aumentando, assim, a dívida externa.
A balança comercial foi salva graças ao produto primário da Amazônia – a borracha.
Entre 1891 e 1900, o Brasil era praticamente o único produtor mundial de borracha.
Contudo, grupos ingleses introduziram mudas de seringueiras na Ásia, as quais
aclimatadas passaram a produzir em condições mais vantajosas. Por volta de 1919,
a borracha brasileira já não tinha importância no comércio mundial.
No início do século XX, os principais produtos brasileiros de exportação
continuaram sendo o café, a borracha, o açúcar e o algodão, com o único objetivo de
abastecer o mercado europeu. A falta de capitais, de energia e de matérias-primas
básicas comprometeu o desenvolvimento industrial.

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Na virada do século XIX para o século XX, algumas regiões do Brasil passaram por
importante processo de modernização. Grandes cidades foram reurbanizadas e
acelerou-se a industrialização.

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Aula 28 - Final do séc. XIX. Início do séc. XX

Observamos a História, a Arte e a Arquitetura do século XIX até próximo ao seu final.
A partir dessa Unidade estaremos acompanhando a evolução da Arte e Arquitetura
em torno dos anos 80 do século XIX até o início do século XX no Brasil, pois muito
pouco se alterou durante esse período, que abrange a Primeira Guerra Mundial.

O ECLETISMO NO BRASIL NO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX


Do final do século XIX e início do século XX, o Brasil conviveu com várias tendências
artísticas denominadas ecléticas, correspondendo à falta de decisão pela filiação a
um só estilo, refletindo períodos de transição ou de indefinição artística e, assim,
ressuscitando estilos anteriores. Mas essa indecisão não foi só do Brasil e, sim,
universal. Pesou o fato, porém, de que, no Brasil, a duração do ecletismo foi maior e
mais intensa.

O ECLETISMO NA ARQUITETURA
Na arquitetura o termo ecletismo se refere a tolerância no emprego de diversos
padrões de estilos utilizados nas construções nas principais cidades do Brasil.
O Ecletismo brasileiro também aparece de duas formas: Como erudito e como
popular. Na forma erudita, os edifícios foram construídos por arquitetos europeus que
aqui estiveram ou sob projetos trazidos nas bagagens. Na forma popular, são aqueles
edifícios construídos por mestres de obras, que utilizavam detalhes ao sabor das
novidades, às vezes redecorando alguns edifícios tradicionais construídos nas
grandes cidades.

1. São Paulo
Os fazendeiros paulistas foram os primeiros a providenciar casas luxuosas na cidade,
com ornamentação baseada em relevos de estuques pré-moldados e importada; “nos
vasos e estátuas de porcelana do Porto, nas grandes vidraças, nos assoalhos
desenhados com finas madeiras de lei e nas ferragens caprichosamente trabalhadas,
importadas da França e da Bélgica.” (ARTE NO BRASIL, 1986, p.182)
A população, de modo geral, passou a construir suas casas com tijolo e com
afastamentos laterais, ganhando mais arejamento e luz. Durante a Primeira Guerra
Mundial, surgiram as primeiras casas neocoloniais, um estilo também considerado
eclético.
O prédio ocupado pela Pinacoteca do Estado em São Paulo foi projetado por Ramos
de Azevedo em 1897, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios, instituição que

ARTES VISUAIS 73
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formavam técnicos e artesãos para construir as cidades que se enriqueciam com o
café.

Fig. 17: Pinacoteca.


Pinacoteca do Estado de São Paulo. Projeto de Ramos de Azevedo, 1897.
Ref. Imagem: Original date: MARTINI, Fátima R. Sans. 2005. 640x480 pixels. 8 bits. Pinacoteca. Gif.
218 KB. MARTINI, Fátima R. Sans. 24 set. 2014.

2. Rio de Janeiro
Capital do país, o Rio de Janeiro, reformulou a arquitetura e a estrutura urbana, de
modo geral. Sob a ordem do presidente Rodrigues Alves, a cidade recebeu grandes
melhorias. Foi aberta a avenida central, hoje Rio Branco, a qual recebeu diversos
edifícios com fachadas ecléticas.
Prefeito do Rio de Janeiro, entre os anos de 1902 e 1906, o engenheiro Pereira
Passos planejou a construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Todo o material
usado na construção foi importado da Europa: mármores, ônix, bronze, cristais,
espelhos, mosaicos, vitrais e maquinaria de palco.
Os maiores artistas brasileiros da época – Rodolfo AMOEDO (1857-1941); Henrique
BERNARDELLI (1858-1936) e Eliseu D’Ângelo VISCONTI (1866-1944) – criaram as
pinturas e esculturas que enfeitam a sala de espetáculos, a fachada e as áreas de
circulação.

ARTES VISUAIS 74
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Aula 29 - Ecletismo – Minas Gerais – Bahia

Na aula anterior descobrimos prédios executados sob o estilo eclético nas cidades de
São Paulo e Rio de Janeiro. Continuamos com as cidades de Minas Gerais,

3. Minas Gerais
Em Minas Gerais, a cidade de Belo Horizonte, uma das primeiras cidades brasileiras
planejadas foi construída inteiramente sob a arquitetura eclética. A cidade foi
inaugurada em 1897.
O Palácio da Liberdade foi construído em Belo Horizonte no ano de 1897. Com um
traçado neoclássico, o palácio mescla estilos arquitetônicos que vão desde Luís XV
ao mourisco. A escadaria principal foi fundida na Bélgica e apresenta um elegante
estilo Art Nouveau.

4. Bahia
O Palácio do Rio Branco começou a ser construído pelo primeiro governador geral do
Brasil, Tomé de Souza, em meados do século XVI, para ser o centro da administração
portuguesa. No início era de taipa de pilão, mas recebeu posteriormente pequenas
ampliações. Teve várias funções, como quartel e prisão. Abrigou Dom Pedro II quando
visitou a Bahia em 1859.
No fim do século XIX, o palácio ainda ostentava a velha fachada colonial portuguesa.
Após uma profunda reforma; ficou pronto em 1900, quando passou a exibir um nobre
e imponente estilo neoclássico, bem ao gosto francês.
O Palácio do Paranaguá está localizado na cidade de Ilhéus, e foi construído no estilo
neoclássico em 1907, no mesmo local onde existiam ruínas de um colégio jesuíta. A
construção é um dos símbolos da opulência na região do cacau.
Em Salvador encontra-se o Palácio da Aclamação. A construção exibe uma bela
fachada em estilo neoclássico. Interiormente é decorado com belos painéis
emoldurados, guirlandas, laços e medalhões, pintados por Presciliano Silva (1883-
1965). Seu acervo é composto de mobiliários nos estilos Dom José e Luís XV,
porcelanas, cristais, bronzes, tapetes persas e franceses e telas de pintores famosos.
O atual prédio que abriga o Mercado Modelo começou a ser construído em 1854. Foi
inaugurado em 1868 para ser a terceira Casa da Alfândega de Salvador.
Com formas consagradas da segunda metade do século XIX, a construção apresenta
uma planta quadrada e uma construção circular ao fundo.

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Aula 30 - Norte amazônico

Vimos nas aulas anteriores a arquitetura eclética nas cidades de São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Embora tenham sido apenas poucas referências, pois,
se fôssemos comentar todos os edifícios, páginas e páginas seriam escritas, as
mesmas são exemplos do Patrimônio cultural e artístico do Brasil. A surpresa na
descoberta de palácios e edifícios civis construídos (alguns já derrubados) vem
demonstrar o tão pouco que conhecemos de nossas cidades maravilhosas, o pouco
caso da mídia e o descaso dos brasileiros na conservação dos mesmos.
O norte amazônico foi reformulado totalmente de acordo com a visão eclética no
tempo da grande produção de borracha. “Os novos reis da borracha mandavam vir do
estrangeiro suas próprias casas completas, desde tijolos ingleses até os lampiões
belgas e as mobílias francesas” (Arte no Brasil, 1986, pp.183)

5. Belém do Pará
O Teatro da Paz ostenta e simboliza a riqueza dos tempos áureos da borracha. Seu
projeto foi elaborado pelo engenheiro Tibúrcio Pereira Magalhães no estilo
neoclássico. A construção começou em 1868 e só terminou seis anos depois, em
1874. No espaço interior, piso, teto, paredes, lustres e escadarias atestam a fama de
excelente casa de espetáculos.
O Palácio Antônio Lemos foi construído para ser a sede do poder municipal. O autor
do projeto foi José Coelho de Gama e Abreu, o Barão de Marajó.
As obras começaram em 1868. A inauguração foi em 15 de agosto de 1883, quinze
anos depois do início das obras.

6. Manaus
Trabalhadores de diferentes nacionalidades – brasileiros, portugueses, espanhóis,
italianos, alemães, ingleses, americanos, sírios, libaneses, judeus, gregos – formavam
os fortes elos da cadeia produtiva da borracha, o que fez o intercâmbio das atividades
econômicas entre Manaus, os seringais e os grandes centros industriais e financeiros
da Europa e dos Estados Unidos.
Artistas, intelectuais, médicos, advogados, engenheiros, professores, jornalistas,
militares, homens de negócio, seringalistas, seringueiros de saldo, todos falavam com
maior ou menor desenvoltura a linguagem das libras esterlinas que fazia a riqueza de
poucos e inseria a cidade na rota internacional dos negócios da borracha.
O Palácio da Justiça, inaugurado em 1900, possui estilo eclético, inspirado na
arquitetura do Segundo Império francês e do neoclassicismo inglês, com uma
profusão de elementos que misturam vários ornamentos.

ARTES VISUAIS 76
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O prédio foi construído sobre uma área elevada e é protegido por um espesso muro
com balaustradas. Projetado para ser a sede do Palácio da Justiça, esse monumento
arquitetônico cumpre até hoje a mesma função.
O térreo tem revestimento em alvenaria, janelas e portas em arco pleno e colunas de
pórtico da ordem toscana. O segundo piso tem alvenaria lisa, janelas de púlpito de
verga reta, com frontões curvos e irregulares e colunas do pórtico da ordem
compósita. O aspecto barroco do seu ambiente interno contrasta acentuadamente
com sua fachada sóbria e austera.
Artistas, técnicos e operários vieram da Europa e de outros pontos do Brasil para
trabalhar na obra do Teatro Amazonas, iniciada em 1884 e finalizada em 1896.
Os navios que chegavam da Europa traziam lustres de bronze e de cristal, tapeçarias,
espelhos, estátuas, grades para janelas e camarotes, peças em ferro fundido, vigas
de aço e até a estrutura metálica da cúpula, com telhas cerâmicas.
Crispim do AMARAL (1858-1911) artista pernambucano que vivia em Paris, foi
chamado para cuidar da pintura, do mobiliário e de toda a decoração interna do
edifício. Foi Amaral quem pintou o pano de boca do palco, representativo do encontro
das águas dos rios Negro e Solimões. Sob sua inspiração foram pintadas, em Paris,
as telas que foram afixadas ao teto da luxuosa sala de espetáculos, alusivas à Dança,
à Música, à Tragédia e às óperas do maestro Carlos Gomes[1]. As máscaras afixadas
nas colunas que circundam a sala de espetáculos destacam as grandes figuras da
música e do teatro – Esquilo[2], Aristófanes[3], Shakespeare[4], Rossini[5], Schiller[6],
Verdi[7] e outros.
Construído para ser a residência de um rico comerciante da borracha, o Palácio Rio
Negro foi inaugurado no final do século XIX. A fachada, dividida em dois pavimentos,
com três corpos, apresenta elementos ecléticos com predomínio de características
clássicas. A porta de entrada é de arco pleno. No interior, objetos vindos do oriente
compõem a ambientação. Uma imponente escada de madeira leva até o segundo
pavimento com uma sacada em ferro fundido.

[1] CARLOS GOMES, Antônio (1836-1896). Foi o mais importante compositor de óperas brasileiro,
com carreira de destaque principalmente na Europa.
[2] ESQUILO (c. 525 a.C.- 456 a.C.). Foi um poeta trágico grego. É considerado o fundador da tragédia.
[3] ARISTÓFANES (c. 447 a.C. - c.385 a.C.). Dramaturgo grego. Representante da Comédia Antiga.
[4] SHAKESPEARE, William (1564-1616). Dramaturgo e poeta inglês.
[5] ROSSINI, Gioacchino Antonio (1792-1868). Grande compositor italiano do romantismo.

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[6] SCHILLER, Johann Christoph Friedrich von (1759-1805). Poeta, dramaturgo, filósofo e historiador
alemão, um dos líderes do romantismo literário.
[7] VERDI, Giuseppe Fortunino Francesco (1813-1901). Compositor de óperas românticas.

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Aula 31 - O Ecletismo e outros estilos na Arte

Vimos nas aulas anteriores a arquitetura eclética do século XIX e início do século XX.
Apoiada no neoclassicismo essas construções fazem parte do Patrimônio cultural e
artístico do Brasil.

FINAL DO SÉCULO XIX AO INÍCIO DO SÉCULO XX NO BRASIL


O ECLETISMO E OUTROS ESTILOS NA ARTE
Artista eclético é aquele que se filia simultaneamente às várias escolas, ou que, não
se filiando a nenhuma delas, busca inspiração em fontes diversificadas.
O ecletismo no Brasil vigorou entre cerca de 1870 a 1922, portanto, entre o
esgotamento da Academia Imperial de Belas Artes e o Modernismo.
Artistas são únicos e suas obras também, por isso, não podemos classificar todos os
artistas e obras produzidas nesse período como ecléticas.
No Brasil o neoclássico se arrastou por um longo tempo se juntando a outros estilos
como o impressionismo e o simbolismo.
Enquanto na Europa a Belle Epoque contrastava com o expressionismo, no Brasil a
arte se situava bem longe da angustia e da experimentação.
Entre artistas desse período destacaram-se: Eliseu D’Ângelo VISCONTI (1866-1944);
Oscar PEREIRA DA SILVA (1867-1939) Antônio Diogo da Silva PARREIRAS (1860-
1937); Rodolfo AMOEDO (1857-1941); Henrique BERNARDELLI (1858-1936);
BELMIRO BARBOSA de Almeida (1858-1935), José Ferraz de ALMEIDA JUNIOR
(1850-1899), Georgina ALBUQUERQUE (1885-1962), Arthur TIMOTHEO DA COSTA
(1882-1923), Lucílio de ALBUQUERQUE (1877-1939), Benedito CALIXTO (1853-
1927), PEDRO ALEXANDRINO Borges (1856-1942) e João BATISTA DA COSTA
(1865-1926)

1. Henrique Bernardelli
Senhor de uma técnica com composições livres e elementos essenciais, com
pinceladas largas e espontâneas, Henrique BERNARDELLI (1858-1936) participou
com outros artistas da reforma da Academia transformada em Escola Nacional de
Belas Artes, em 1890.

2. João Batista da Costa


Em 1892, João BATISTA DA COSTA (1865-1926) recebeu o prêmio de viagem pelo
Salão Nacional de Belas Artes para a França. De 1905 a 1926 foi professor de pintura

ARTES VISUAIS 79
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na Escola Nacional de Belas Artes, tendo como alunos Quirino CAMPOFIORITO
(1902-1993), Candido PORTINARI (1903-1962), Francisco ACQUARONE (1898-
1954) e Henrique Campos Cavalleiro (1892-1975)
Entre os brasileiros, o artista é um dos mais importantes paisagistas com influência
da Escola de Barbizon.

3. Antônio Parreiras (1860-1937)


As primeiras obras de Antônio Diogo da Silva PARREIRAS (1860-1937) retratam
casas ensolaradas e árvores vislumbradas através de frestas luminosas.
Com o prêmio de aquisição na Exposição Geral de Belas Artes, o artista viajou para
Veneza em 1888. Em 1890 criou, no Brasil, a Escola de Pintura ao Ar livre, de onde
se destacaram os nomes de: Candido de Souza Campos, Hortênsia Goulart, Paulo de
Mendonça, entre outros. Em 1902 abre um curso só para mulheres: Angelina de
Figueiredo, Olga Parreiras, Alzira de Oliveira, entre outras.
A partir de 1906, Antônio Parreiras viaja para a Europa constantemente a trabalho,
exercendo as atividades de desenhista e pintor, ilustrador, cenógrafo e crítico de arte.

ARTES VISUAIS 80
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Aula 32 - São Paulo

Observamos a estética do Realismo Burguês impregnando toda a pintura brasileira


do final do século XIX e alcançando os primeiros anos do século XX. O ecletismo se
mantinha às margens das renovações pictóricas, refletindo o deslumbramento da
sociedade e a Belle Epoque francesa. Mesmo na França, o Simbolismo,
Impressionismo e outros movimentos de vanguarda se mantinham afastados do gosto
burguês pelo refinamento do desenho e a predileção por temas religiosos e alegóricos.

SÃO PAULO
São Paulo, no final do século XIX, tinha uma população que crescia devagar,
comprimida entre os rios Tamanduateí e o Anhangabaú, divertindo-se com o jogo de
bilhar, peteca e frequentando o Teatro São José. A iluminação paulista apresentava
problemas e os carros e bondes de tração animal corriam na cidade escura e deserta.
A vida cotidiana era copiada dos hábitos europeus em que a vestimenta importada
pesada contrastava tristemente com o clima brasileiro. A vida noturna era
insignificante e os estudantes animavam as poucas casas alegres existentes.
As famílias de organização patriarcal se isolavam com pretensões fidalgas, negando-
se a quaisquer ofícios, vivendo à custa de cargos públicos. A elite regional considerava
os bacharéis, principalmente aqueles que estudavam fora.
Os artistas bem nascidos e os que iam estudar fora eram apenas toleráveis.
O consumo artístico era copiado da burguesia europeia e aos artistas brasileiros
restava apenas cumprir seu papel.

1. José Ferraz de Almeida Junior


José Ferraz de ALMEIDA JUNIOR (1850-1899) matriculou-se em 1869, na Academia
Imperial de Belas Artes com os professores de desenho Jules Le Chevrel e de pintura
Victor MEIRELLES (1832-1903).
Em 1874 tornou-se professor de desenho na Academia. A partir do ano seguinte fixou
residência em Itu, no interior de São Paulo, abrindo um atelier.
Em 1876, Almeida Junior viu-se em Paris graças à bolsa de estudos proporcionada
por D. Pedro II impressionado com sua obra.
Na cidade dos impressionistas e simbolistas, Almeida Junior manteve-se próximo aos
românticos e aos realistas. De volta ao Brasil chegou carregado de medalhas e
prêmios. A partir de 1883, em São Paulo, com a técnica dominada, os vínculos com
os temas históricos e acadêmicos desapareceram e a obra de Almeida Junior passou

ARTES VISUAIS 81
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a apresentar primorosas e delicadas cenas caboclas que o consagraram como o
melhor pintor da época.

2. Lasar Segall
Lasar SEGALL (1891-1957) foi o primeiro artista a introduzir obras expressionistas e
modernas no Brasil. Com uma mostra pioneira, porém pequena, no ano de 1913 nas
cidades de São Paulo e Campinas, Lasar Segall não teve condições de surpreender
e movimentar a classe artística e a crítica brasileira.

3. Anita Malfatti
A exposição em 1917, de Annita Catharina Malfatti, ou Anita MALFATTI (1889-1964),
em São Paulo, com uma mostra no campo de Expressionismo e Cubismo, teve o dom
de irritar, entre outros, Monteiro Lobato.
“Medíocre como pintor, mas já consagrado como escritor. Lobato fulminou Anita com
um artigo intitulado Paranóia ou Mistificação?” Em defesa de Anita se juntaram alguns
intelectuais, “além de artistas como Di Cavalcanti, que, anos mais tarde, se alinharia
entre os organizadores e participantes da Semana de Arte Moderna.” (ARTE NO
BRASIL, 1986, p.193)

Fig. 18: Anita Malfatti


MALFATTI, Anita (1889-1964), A Boba, 1915/ 1916. Óleo sobre tela, 61 x 50,6. MAC – Museu de
Arte Contemporânea, USP, SP. Brasil.
Ref.
Imagem: http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/artistas/malfa/
obras.htm. 25 set. 2014.

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Com eventos separados e artistas com novas pretensões artísticas surgiram
movimentos intelectuais que decretaram o fim do academismo na Arte brasileira a
partir de 1922.
Mas esse é um assunto para o próximo semestre em Estética e História da Arte
Brasileira II. Aguardem!
Espero que você mantenha o hábito da pesquisa. Agora que chegamos ao fim, é muito
importante rever suas anotações, resumos etc. Bons estudos!

ARTES VISUAIS 83

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