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POLÍTICA E LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL BRASILEIRA

Maringá
2017
SOBRE A AUTORA
Prof.ª Me. Aline Rodrigues Alves Rocha

Psicóloga e licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá, com


especialização em Orientação, Supervisão e Inspeção Escolar pelo Centro
Universitário Barão de Mauá e mestrado em Educação pelo Programa de Pós
Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá, com ênfase na
linha de pesquisa de Políticas e Gestão em Educação. Participante do Grupo de
Estudos e Pesquisas em Educação Básica e Superior (GEDUC) vinculada à
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

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OBJETIVO DE APRENDIZAGEM E PLANO DE ESTUDO

Olá aluno (a), seja bem vindo (a) à disciplina de Legislação e Política
Educacional Brasileira. Esta disciplina foi pensada com objetivo de ajudá-lo (a) na
apreensão de conceitos que irão auxiliá-lo (a), de forma a estruturar e balizar seus
conhecimentos sobre o tema.
No processo de formação do profissional da educação, compreender a
estrutura e funcionamento da legislação e a formulação das políticas públicas
educacionais é primordial. Por este motivo, além do conteúdo ao qual você terá
acesso, haverá textos complementares, com indicação de temas adicionais, bem
como atividades que você deverá realizar para fixação do conteúdo, ampliação e
avanço de seu conhecimento.
Para auxiliar seu planejamento de estudos, abaixo seguem algumas
propostas orientativas para organização de sua rotina de estudos:
• Organize um plano de estudos, por meio de registros e estabeleça prazos e
metas para cumprir.
• Busque um local agradável, que favoreça sua concentração para leitura,
preferencialmente, um local onde você esteja livre de sons e possíveis perturbações.
• Sempre que possível tome nota, grife e registre de alguma forma tanto
impressões do texto quanto trechos que você julgue importante.
• Todas as vezes que se deparar com termos que não saiba o significado ou
tiver dúvidas, busque imediatamente resolver, pois, se deixar para depois você
poderá esquecer.
• Não deixe de realizar as atividades propostas no final de cada unidade, pois,
elas serão importantes no seu processo de aprendizagem, fixação de conteúdos e
reflexão.
O presente livro é composto por uma introdução e mais quatro unidades
escritas para suscitar discussões e reflexões que promovam a construção de seu
conhecimento enquanto aluno e de seu crescimento enquanto profissional.
Na unidade I você estudará o tema Política Pública e Política Pública
Educacional, cujos conteúdos serão os conceitos de Estado, Governo, Nação,
Política Pública e Política Educacional.
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Na unidade II, com o tema Aspectos Legais das Políticas Educacionais, a
centralidade da discussão será a educação e os textos legais, com ênfase na
Constituição Brasileira de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira
(LDB 9394/96) e o Plano Nacional de Educação.
A unidade III, abordaremos o Tema Avaliação no Sistema Educacional
Brasileiro, enfatizando o processo de a avaliação por meio do Saeb e Prova Brasil,
ENEM, Exame Nacional de Cursos e Sinaes.
Na unidade IV com o tema da Educação Profissional e Educação à Distância
no Brasil, o foco da discussão será o processo de inserção social proposto por estes
modelos de educação.

Bons estudos!

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Introdução

Prezados (as) alunos (as), estamos iniciando o estudo de uma temática que
atualmente é foco de muitas discussões tanto em âmbito nacional quanto
internacional. Por meio deste material didático procurei instigar em você a
curiosidade pelo tema da legislação e da política educacional para que, a partir do
debate aqui promovido, você seja capaz de formular alguns conceitos e sinta-se
instigado a se aprofundar cada vez mais. Isto é, busquei por meio de um panorama
horizontalizado promover um conhecimento que faça com que você, aluno (a), seja
capaz de buscar e reunir informações que verticalizem a construção do seu saber.
A política e legislação educacional é o princípio norteador de todos os
processos, iniciativas e ações que ocorrem a partir e no campo da educação. Isto
significa que é por meio destes princípios que são definidos no país a forma como
será conduzida a educação em todas as suas particularidades e também, a
atividade dos atores envolvidos no processo educacional.

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UNIDADE I. POLÍTICA PÚBLICA E POLÍTICA EDUCACIONAL

Objetivos da Aprendizagem
 Compreender os conceitos básicos da formulação das políticas públicas:
Estado, Governo e Nação

Plano de Estudo

 Nesta unidade você estudará os seguintes conceitos:


 Estado, Governo e Nação;
 Políticas públicas, Políticas de governo e Políticas de Estado;
 Políticas Públicas Educacionais.

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INTRODUÇÃO

Nesta unidade você irá estudar o conceito de Estado, Governo e Nação e


também irá aprender o que é política pública e política pública educacional. Ao final,
você será capaz não apenas de fazer as definições, mas de entender a maneira
como elas se articulam no processo de funcionamento e estruturação da política
pública educacional e a maneira como esta se encontra inserida no contexto do
Estado, enquanto forma de garantia de direitos do cidadão.
As políticas públicas sofrem a influência de uma gama de acontecimentos e
do contexto social, político e econômico no qual está inserida. Para
compreendermos conceitualmente o que é política pública e quais os atores e
instituições a que estão relacionados, é necessário que conheçamos e sejamos
capazes de definir e diferenciar termos como Estado, governo e nação. Estes são
conceitos inter-relacionados e que, portanto, coexistem na elaboração tanto da
política pública quanto da legislação.

Estado, Governo e Nação

Para Guimarães (2008), a origem da palavra “Estado”, enquanto


denominação de uma instituição, é bastante controversa. Trata-se de um termo
utilizado para fazer referência a determinações acerca de uma permanente posse de
um território e seus habitantes, onde ambos estão sujeitos a ordenações e princípios
políticos, jurídicos e sociais. Contudo, para autores como Weber (2004), que
defendem a ruptura entre a ideia de Estado e os ordenamentos políticos
precedentes, é pertinente discutir um “Estado” somente no que se refere às
formações políticas originadas da crise do feudalismo, o que incorre em acreditar
que o Estado seja um conceito que surgiu com o advento da modernidade. Por outro
lado, ainda, autores a exemplo de Engels (1986), defendem a ideia de continuidade
e contra argumentam que o Estado, enquanto ordenamento político, surgiu na
transição da comunidade primitiva para a comunidade civil.
Assim, conceitualmente, hoje, temos o Estado enquanto um macroambiente,
cujo espaço é composto por um território geográfico, habitantes, normas, regras e
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princípios – representados por diversas instituições – que ordenam sua dinâmica
política, econômica e social.
Para HÖFLING (2001)

(...) é possível se considerar Estado como o conjunto de instituições


permanentes – como órgãos legislativos, tribunais, exército e outras
que não formam um bloco monolítico necessariamente – que
possibilitam a ação do governo (HÖFLING, 2001, p. 31)

Contido no ordenamento do Estado, Cury (2014) aponta que o governo é uma


das instituições que o compõe e tem como função o exercício de administrá-lo.
Assim, os governos são mutáveis e se apresentam de formas diferenciadas ao
passo que o Estado é uma instituição permanente.
É o governo, enquanto instituição composta por pessoas, que cumpre o papel
de administrador do Estado, conduzindo-o politicamente. É por meio do governo,
representado por um grupo de pessoas, que as leis e diretrizes do país são
moldadas e executadas. Para HÖFLING (2001)

Governo, como o conjunto de programas e projetos que parte da


sociedade (políticos, técnicos, organismos da sociedade civil e
outros) propõe para a sociedade como um todo, configurando-se a
orientação política de um determinado governo que assume e
desempenha as funções de Estado por um determinado período.
(HÖFLING, 2001, p. 31)

Uma outra definição importante é a que Gramsci faz acerca do conceito de


Estado. Para ele, segundo Ney (2008), este se subdivide em duas partes:
Figura 1 Representação gramsciana do Estado

Estado

Sociedade Sociedade
Civil Política

Fonte: Ney, 2008. 8


Sendo definida como sociedade política, aquela que tem a competência da
força para exercer o direito de coerção do Estado. Na sociedade política estão
incluídos todos os organismos voltados à constituição do Estado e ao seu poder de
coerção; e sendo definido como sociedade civil aquela que é tida como o segundo
braço do Estado, onde estão os órgãos e as instituições (clubes, associações,
sindicatos, escolas, etc.) que vão constituir a hegemonia do Estado pela persuasão,
pois, é por meio do consenso que se acaba alcançando o convencimento da
sociedade com relação às intenções e as proposições políticas do Estado (NEY,
2008, p. 25).
Atrelada ao conceito de Estado e governo, figura o conceito de nação.
Quando nos referimos a este último, podemos aferir que é uma denominação que
está diretamente ligada à identidade, à cultura e aos aspectos históricos do local e
do povo que nele está. Para Guimarães (2008), a nação é uma espécie de
agrupamento ou organização de uma sociedade que compartilha dos mesmos
costumes, características, idioma, cultura e que possuem uma determinada tradição
histórica.

Nação, em seu sentido político moderno, é uma comunidade de


indivíduos vinculados social e economicamente, que compartilham
certo território, que reconhecem a existência de um passado comum,
ainda que divirjam sobre aspectos desse passado; que têm uma
visão de futuro em comum; e que acreditam que esse futuro será
melhor se se mantiverem unidos do que se separarem, ainda que
alguns aspirem modificar a organização social da nação e seu
sistema político, o Estado. (GUIMARÃES, 2008, P. 145)

Para o autor, o significado de nação diz respeito ou indica um povo que


possui a mesma origem, que pode possuir a mesma cultura, ideologia, língua,
costumes e outras características comuns que os identifica entre si, isto é, crie uma
identidade coletiva para um grupo de pessoas.
Como parte das instituições que fazem parte do Estado, no qual se insere
tanto o governo quanto a nação, está a escola. Esta última, representando uma
classe que busca produzir, moldar e replicar o conhecimento formal como meio de
construir e consolidar um modo de pensamento, ação e utilização.

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O Contexto das Políticas Públicas e das Políticas Públicas Educacionais

No contexto do Estado e de suas formas de promoção do bem-estar da


sociedade, estão as políticas públicas. Estas podem ser resumidas como ações
promovidas pelo Estado ou governo, cujo objetivo é agir sobre uma determinada
situação instituída e que necessite de intervenção com a finalidade de assegurar
direitos do cidadão. Souza, 2003 apud Oliveira, 2010 faz uma diferenciação acerca
do que alguns dos principais autores definem como política pública, conforme
representa o quadro abaixo.

Autor Definição de políticas públicas Ano da obra


Campo dentro do estudo da política que analisa o
Mead 1995
governo à luz de grandes questões públicas.
Conjunto específico de ações do governo que irão
Lynn 1980
produzir efeitos específicos.
Soma das atividades dos governos, que agem
Peters diretamente ou através de delegação, e que 1986

influenciam a vidas dos cidadãos.

Dye O que o governo escolhe fazer ou não fazer. 1984

Responder às seguintes questões: quem ganha o


Laswell 1958
quê, por quê e que diferença faz.
Fonte: Oliveira, 2010

Para Oliveira (2011)

O conceito de Políticas Públicas pode possuir dois sentidos


diferentes. No sentido político, encara-se a política pública como um
processo de decisão, em que há naturalmente conflitos de
interesses. Através das políticas públicas o governo decide o que
fazer ou não fazer. O segundo sentido se dá do ponto de vista
administrativo: as políticas públicas são um conjunto de projetos,
programas e atividades realizadas pelo governo. (OLIVEIRA, 2011,
p. 325)

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Sendo assim, as políticas podem se traduzir em ações pontuais, decisões ou
programas que representarão a “mão do Estado” sobre um determinado contexto ou
realidade. As políticas públicas podem, nesse sentido, ser:

 Políticas de Estado: toda ação executada independentemente de partidos


políticos e governos, pois, está amparada pelo texto constitucional, ou seja, é
regulamentada por lei.
 Política de Governo: ações e programas cuja existência e execução estejam
diretamente ligadas à alternância do poder, pois, representa o grupo que governa
o país em determinado momento. As ações e programas implementados por cada
grupo que está no governo e, uma vez que o grupo no governo é trocado, suas
ações serão extintas.

Necessidade dos
Demanda da
grupos coletivos
sociedade
que compõe nação

Políticas
Públicas

Projetos, Ação articulada do


programas, ações e governo sobre
atividades determinada
articuladas realidade

No contexto das políticas públicas se insere as políticas públicas


educacionais, na busca pela construção de uma escola que promova conhecimento,
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cidadania e autonomia ao indivíduo que nela está. Sobre o conceito da palavra é
importante dizer que

Se “políticas públicas” é tudo aquilo que um governo faz ou deixa de


fazer, políticas públicas educacionais é tudo aquilo que um governo
faz ou deixa de fazer em educação. Porém, educação é um conceito
muito amplo para se tratar das políticas educacionais. Isso quer dizer
que políticas educacionais é um foco mais específico do tratamento
da educação, que em geral se aplica às questões escolares. Em
outras palavras, pode-se dizer que políticas públicas educacionais
dizem respeito à educação escolar (OLIVEIRA, 2010, p. 4).

No que se refere às políticas educacionais, embora ela tenha foco na


educação escolar, seu alcance vai além das crianças e adolescentes que estão na
escola, uma vez que esta incide diretamente na formação da sociedade como um
todo. Ou seja, as políticas educacionais influenciam a vida de todos aqueles que
fazem parte de sua sociedade alvo. Para Afonso (2001)

As políticas educacionais, até muito recentemente, eram políticas


que expressavam uma ampla autonomia de decisão do Estado,
ainda que essa autonomia fosse, necessariamente, a resultante das
relações (complexas e contraditórias) com as classes sociais
dominantes, e fosse igualmente sujeita às demandas das classes
dominadas e de outros actores colectivos e movimentos sociais.
Todavia, ainda que, cada vez mais, haja indicadores que apontam
para uma crescente diminuição dessa autonomia relativa, continua a
ser necessário fazer referência ao papel e lugar do Estado, mesmo
que seja para melhor compreender a sua crise actual e a redefinição
do seu papel – agora, necessariamente, tendo em conta as novas
condicionantes inerentes ao contexto e aos processos de
globalização e transnacionalização do capitalismo. (AFONSO, 2001,
p. 16)

Assim, correlacionar a formulação das políticas com o papel do Estado


(mesmo que este seja um Estado em crise, como aponta o autor) é primordial para
compreender como aquelas surgem no contexto da sociedade. Tanto a demanda
social quando a percepção por parte do Estado e do governo sobre tais demandas
são pontuais para que as políticas sejam formuladas.
No contexto da atuação do Estado, as Políticas públicas voltadas para a
educação podem ser traduzidas como ações articuladas com vistas a elaboração e
execução de projetos que tem como objetivo agir diretamente sobre os problemas

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educacionais, mas que estão diretamente ligados tanto ao Estado quando à
sociedade. Ou seja,

As Políticas Públicas Educacionais estão diretamente ligadas a


qualidade da educação e, consequentemente, a construção de uma
nova ordem social, em que a cidadania seja construída
primeiramente nas famílias e, posteriormente, nas escolas e na
sociedade. (FERREIRA; SANTOS, 2014, p. 151)

Nesse sentido, buscar a promoção da qualidade na educação equivale a dizer


que se busca a promoção da cidadania, da autonomia e da construção de um
conhecimento pautado na liberdade individual e igualdade coletiva na busca por uma
sociedade mais igualitária e justa.
Quando falamos de política educacional, no entanto, é preciso compreender
que estas se encontram vinculadas não apenas aos mecanismos e direcionamentos
nacionais, mas, além disso, estão diretamente ligadas a um processo macro, ou
seja, estão relacionadas ao posicionamento da política internacional. Para Amaral
(2010)
A partir da década de 1990, em especial, essa relação de soberania
entre Estado-nação e sistema de ensino tem sido problematizada.
Por um lado, como resultado de convergências transnacionais (...),
por outro lado, fenômenos como globalização, internacionalização e
supranacionalização geram certo grau de desnacionalização nos
sistemas nacionais de ensino (AMARAL, 2010, p. 43)

Isto quer dizer que a maneira como as políticas internacionais são


conduzidas, bem como o modo como ocorrem as reformas nos Estados
internacionais, influenciam a tomada de decisão no país na esfera social, política e
econômica, de modo que se cria um impacto direto na educação. Em outras
palavras, a influência dos organismos internacionais, por meio de suas diretrizes,
possui ação direta sobre os sistemas nacionais de ensino. Para além dessas
questões, cabe ressaltar que

As ações empreendidas pelo Estado não se implementam


automaticamente, têm movimento, têm contradições e podem gerar
resultados diferentes dos esperados. Especialmente por se voltar
para e dizer respeito a grupos diferentes, o impacto das políticas
sociais implementadas pelo Estado capitalista sofrem o efeito de
interesses diferentes expressos nas relações sociais de poder.
(HÖFLING, 2001, p. 35)
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Ou seja, toda política pública, seja ela educacional ou não, se encontra
circunscrita numa determinada realidade que é mais ampla do que seu foco e é
permeado não apenas por objetivos explícitos, mas por um jogo de diferentes
interesses que se exterioriza por meio do poder implícito nas relações sociais.
No caso brasileiro, conforme aponta Ney (2008) o que se tem é

uma análise que enfatiza os projetos de política educacional, onde se


constata que a redefinição do papel do Estado está se materializando
nessa política, principalmente por meio de dois movimentos: - de
contradição Estado mínimo/Estado máximo, que se apresenta nos
processos de centralização /descentralização dos projetos de política
educacional; - no conteúdo dos projetos de descentralização. O
movimento de centralização/descentralização da atual política
educacional, no qual é descentralizado o financiamento e
centralizado o controle, é parte da proposta de redefinição do papel
do Estado (NEY, 2008, p. 66-7)

Assim, a dicotomia entre viabilizar políticas que promovam o bem-estar da


sociedade e diminuir a responsabilidade do Estado diante das misérias sociais do
país, se acentuam e se concretizam sob a forma de discussões sobre o papel real
do Estado. Discussões que polarizam obrigação e desobrigação estatal, na mesma
medida em que articular o poder estabelecido por meio de mecanismos legais.

Considerações Finais

Caro aluno, ao longo desta unidade procuramos deixar claro o conceito de


política pública para embasar as discussões acerca de políticas e legislações
educacionais. Para conseguir realizar tal definição, conceituamos estado, nação e
governo, enfatizando as diferenças entre cada um.
Em seguida, conceituamos políticas públicas e políticas sociais, também por
meio de semelhanças e diferenças que orientassem para a reflexão sobre a função
de cada um. Esperamos e objetivamos que a discussão proposta nesta unidade
possa alicerçar sua compreensão para os próximos temas que serão estudados.

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SAIBA MAIS
Políticas Públicas para a Educação
A educação pública do Brasil é uma questão que envolve a responsabilidade e
parceria do governo federal, estadual e municipal e deve compreender um esforço
da sociedade e das instituições para garantir, de forma permanente, os direitos de
cidadania a todos.
Para os professores, é fundamental conhecer as políticas públicas vigentes para
lutar pela sua efetivação e qualidade e alcançar o objetivo almejado. Hoje no Brasil
existem algumas ações que o governo promove na educação cujo foco é incentivar
o ensino de qualidade e oportunidades para todos. Às vezes, o objetivo não é
alcançado, mas é primordial continuar buscando a melhoria da qualidade da nossa
educação.
Disponível em: http://educacao.faber-castell.com.br/professores/na-sala-de-
aula/politicas-publicas-para-educacao/>

SAIBA MAIS
Políticas do MEC tornam-se referência na América Latina

Em pouco mais de uma década, o Brasil conseguiu avanços significativos no


desafio da educação especial inclusiva. Desde 2003, quando o governo federal instituiu
as primeiras políticas públicas estruturantes na perspectiva de inclusão escolar de
pessoas com deficiência, o país aumentou em cinco vezes o número de matrículas em
classes comuns da educação básica e em seis vezes e meia na educação superior. “É
um avanço importante e que coloca o Brasil como referência entre os países da América
Latina”, afirma Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de políticas de educação
especial do Ministério da Educação.

Veja mais em: http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/205-1349433645/35231-politicas-


do-mec-tornam-se-referencia-na-america-latina

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Atividades de Auto Estudo

1. Escreva como você conceitua Estado, Nação e Governo, enfatizando as diferenças


de cada um e de que maneira tais conceitos se relacionam.

2. Defina políticas públicas, destacando o que são políticas de Estado e políticas de


governo.

3. O que são políticas públicas educacionais e qual sua importância para a sociedade
para a qual é formulada?

4. De que maneira o Estado, sociedade e educação podem se articular para a


efetivação de uma política pública? Enfatize o papel de cada um neste processo.

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UNIDADE II. ASPECTOS LEGAIS DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS

Objetivos da Aprendizagem

 Estudos os aspectos legais das políticas educacionais, centralizando a


discussão tanto em textos que retratem este debate, quanto na Constituição
Brasileira de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB
9394/96) e o Plano Nacional de Educação.

Plano de Estudo

 Nesta unidade você estudará os seguintes conceitos:


 Educação e os textos Legais
 Constituição Brasileira de 1988 e a Educação
 Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96)
 Plano Nacional de Educação

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INTRODUÇÃO

As reformas ocorridas no Estado nos países industrializados refletiram a


tendência dos mesmos em buscar atender às exigências do sistema capitalista. A
proposta principal seria de caminhar no sentido de ampliar e aprimorar a capacidade
de formação dos sistemas de ensino, para aumentar o capital humano disponível
para a demanda do capital.
Na busca por acompanhar tal tendência o Brasil da década de 80 buscou uma
ampliação na quantidade de vagas ofertadas para a educação, isto é, buscou uma
ampliação quantitativa, deixando de lado a necessidade de aprimorar
qualitativamente as pessoas que ingressavam em seu sistema de ensino. Já o Brasil
pós ditadura, em pleno processo de redemocratização, primou por ofertar vagas com
foco na qualidade do ensino.
As leis propostas para alcançar os objetivos da proposta de educação para o
Brasil pós ditadura caminhavam no sentido de reduzir a responsabilidade do Estado,
sem deixar de lado o controle sobre a nação, bem como ampliar e subordinar a
sociedade às políticas do mesmo.

As constituições e suas transformações: diferenças e semelhanças

A constituição de um país pode ser definida como um conjunto de leis, cujas


normas ou regras, norteiam ou, melhor, fazem a ordenação jurídica do
funcionamento do Estado.
No Brasil, a constituição atual, também conhecida como carta magna (ou
carta maior, mais importante, sobre a qual nenhum outro documento se sobrepõe),
está em vigência desde 1988. Foi elaborada pela assembleia constituinte e dispõe
sobre todos os dispositivos legais que orientam o país e o, consequentemente, os
cidadãos para a convivência num país democrático.
Mas nem sempre foi assim. Abaixo você poderá conhecer um pouco de cada
constituição que o Brasil já teve e quais as particularidades de cada uma delas:

18
Constituição de 1824

CONTEXTO - Após a independência do Brasil ocorreu uma intensa disputa entre as


principais forças políticas pelo poder: O partido brasileiro, representando
principalmente a elite latifundiária escravista, produziu um anteprojeto, apelidado
"constituição da mandioca", que limitava a poder imperial (antiabsolutista) e
discriminava os portugueses (antilusitano).

Dom Pedro I, apoiado pelo partido português (ricos comerciantes portugueses e altos
funcionários públicos), em 1823 dissolveu a Assembleia Constituinte brasileira e no ano
seguinte impôs seu próprio projeto, que se tornou nossa primeira constituição.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – Império do Brasil.


 Carta outorgada (imposta, apesar de aprovada por algumas câmaras municipais da
confiança de D. Pedro I).
 Estado centralizado / Monarquia hereditária e constitucional.
 Quatro poderes (Executivo / Legislativo / Judiciário / Moderador (exercido pelo
imperador).
 O mandato dos senadores era vitalício
 Voto censitário (só para os ricos) e em dois graus (eleitores de paróquia / eleitores de
província).
 Estado confessional (ligado à Igreja – catolicismo como religião oficial).
 Modelo externo – monarquias europeias restauradas (após o Congresso de Viena).

Foi a de maior vigência (durou mais de 65 anos). Foi emendada em pelo ato adicional de
1834, durante o período regencial, para proporcionar mais autonomia para as províncias. Essa
emenda foi cancelada pela lei interpretativa do ato adicional, em 1840.

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

19
Constituição de 1891

CONTEXTO - Logo após a proclamação da república, predominaram interesses


ligados à oligarquia latifundiária, com destaque para os cafeicultores. Essas elites
influenciando o eleitorado ou fraudando as eleições ("voto de cabresto") impuseram
seu domínio sobre o país ou coronelismo.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – Estados Unidos do Brasil.


 Carta promulgada (feita legalmente) Estado Federativo / República Presidencialista.
 Três poderes (extinto o poder moderador).
 Voto Universal (para todos / muitas exceções, ex. analfabetos).
 Estado Laico (separado da Igreja).
 Modelo externo – constituição norte-americana

Obs.: as províncias viraram estados, o que pressupõe maior autonomia.


Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

Constituição de 1934

CONTEXTO - Os primeiros anos da Era de Vargas caracterizaram-se por um


governo provisório (sem constituição). Só em 1933, após a derrota da Revolução
Constitucionalista de 1932, em São Paulo, é que foi eleita a Assembleia Constituinte
que redigiu a nova constituição.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – Estados Unidos do Brasil


 Carta promulgada (feita legalmente).
 Reforma Eleitoral – introduzidos o voto secreto e o voto feminino.
 Criação da Justiça do Trabalho Leis Trabalhistas – jornada de 8 horas diárias,
repouso semanal, férias remuneradas (13º salário só mais tarde, com João Goulart).

Foi a de menor duração / já em 1935, Vargas suspendia suas garantias através do estado de
sítio. Obs.: Vargas foi eleito indiretamente para a presidência.
Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

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Constituição de 1937

CONTEXTO - Como seu mandato terminaria em 1938, para permanecer no poder


Vargas deu um golpe de estado, tornando-se ditador. Usou como justificativa a
necessidade de poderes extraordinários para proteger a sociedade brasileira da
ameaça comunista ("perigo vermelho") exemplificada pelo plano Cohen (falso plano
comunista inventado por seguidores de Getúlio). O regime implantado, de clara
inspiração fascista, ficou conhecido como Estado Novo.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – Estados Unidos do Brasil.


 Carta outorgada (imposta).
 Inspiração fascista – regime ditatorial, perseguição e opositores, intervenção do
estado na economia.
 Abolidos os partidos políticos e a liberdade de imprensa.
 Mandato presidencial prorrogado até a realização de um plebiscito (que nunca foi
realizado).
 Modelo externo – Ditaduras fascistas (ex., Itália, Polônia, Alemanha).

Obs.: Apelidada de "polaca".


Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

Constituição de 1946

CONTEXTO - Devido ao processo de redemocratização posterior à queda de


Vargas, fazia-se necessária uma nova ordem constitucional. Daí o Congresso
Nacional, recém-eleito, assumir tarefas constituintes.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – Estados Unidos do Brasil.


 Carta promulgada (feita legalmente).
 Mandato presidencial de 5 anos (quinquênio).
 Ampla autonomia político-administrativa para estados e municípios.
 Defesa da propriedade privada (e do latifúndio).
 Assegurava direito de greve e de livre associação sindical.
 Garantia liberdade de opinião e de expressão.
 Contraditória na medida em que conciliava resquícios do autoritarismo
anterior (intervenção do Estado nas relações patrão x empregado) com
medidas liberais (favorecimento ao empresariado).

Obs.: Através da emenda de 1961, foi implantado o parlamentarismo, com situação


para a crise sucessória após a renúncia de Jânio Quadros. Em 1962, através de
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plebiscito, os brasileiros optam pela volta do presidencialismo.

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

Constituição de 1967

CONTEXTO - Essa constituição surgiu na passagem do governo Castelo Branco


para o Costa e Silva, período no qual predominavam o autoritarismo e o arbítrio
político. Documento autoritário, a constituição de 1967 foi largamente emendada em
1969, absorvendo instrumentos ditatoriais como os do AI-5 (ato institucional n 5) de
1968.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – República Federativa do Brasil.


 Documento promulgado (foi aprovado por um Congresso Nacional mutilado
pelas cassações).
 Confirmava os Atos Institucionais e os Atos Complementares do governo
militar.

Obs.: reflexo da conjuntura de "guerra fria", na qual sobressaiu a "teoria da


segurança nacional" (combater os inimigos internos rotulados de subversivos
(opositores de esquerda).

Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html
Constituição de 1988, "A Constituição Cidadã"

CONTEXTO - Desde os últimos governos militares (Geisel e Figueiredo), nosso país


experimentou um novo momento de redemocratização, conhecido como abertura.
Esse processo se acelerou a partir do governo Sarney, no qual o Congresso
Nacional produziu nossa atual constituição.

CARACTERÍSTICAS:

 Nome do país – República Federativa do Brasil.


 Carta promulgada (feita legalmente).
 Reforma eleitoral (voto para analfabetos e para brasileiros de 16 e 17 anos).
 Terra com função social (base para uma futura reforma agrária).
 Combate ao racismo (sua prática constitui crime inafiançável e imprescritível,
sujeito à pena de reclusão).
 Garantia aos índios da posse de suas terras (a serem demarcadas).
 Novos direitos trabalhistas – redução da jornada semanal, seguro
desemprego, férias remuneradas acrescidas de 1/3 do salário, os direitos
22
trabalhistas aplicam-se aos trabalhadores urbanos e rurais e se estendem aos
trabalhadores domésticos.

Obs.: Em 1993, 5 anos após a promulgação da constituição, o povo foi chamado a


definir, através de plebiscito, alguns pontos sobre os quais os constituintes não
haviam chegado a um acordo, forma e sistema de governo. O resultado foi a
manutenção da república presidencialista.
Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/4551/1/AS-CONSTITUICOES-BRASILEIRAS-DE-
1824-A-1988/Paacutegina1.html

Na Constituição atual, há um artigo específico que trata da legislação


educacional no Brasil. A seguir, além de conhecer o desdobramento deste artigo,
que se transformou na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, iremos
conhecer também o contexto em que a mesma foi elaborada.

As mudanças no cenário educacional e a Lei De Diretrizes e Bases da


Educação no Brasil (Lei 9394/96)

A Lei de Diretrizes e Bases de Educação (Lei nº 9394/96) foi aprovada em


1996 após amplo debate e marcou um processo de transição que veio para acentuar
ainda mais o que havia sido estabelecido na Constituição Federal de 1988,
consolidando o Estado de Direito no Brasil.
Após um longo período de luta pela redemocratização do país, por meio de
lutas de diversos atores sociais, que culminaram numa luta coletiva e na assembleia
constituinte de 1987, o Brasil via, finalmente, a possibilidade da instituição e da
garantia dos direitos civis e políticos e, para além, dos direitos sociais (CURY, 2014).
Para o autor,

A Constituição de 1988 reconheceu o direito à educação como o


primeiro dos direitos sociais, assim como um direito do cidadão e
dever do Estado. E, por essa razão, estabeleceu princípios,
diretrizes, regras, recursos vinculados e planos, de modo a dar
substância a esse direito. Ao explicitar esse direito, elencou as
formas de realizá-lo, tais como gratuidade e obrigatoriedade com
qualidade e com proteção legal, ampliada e com instrumentos
jurídicos postos à disposição dos cidadãos (CURY, 2014, p. 43)

23
A Carta Magna, em seu artigo 6º, explicitou não apenas o direito do cidadão à
educação, mas criou mecanismos que orientavam o Estado na promoção da
educação pública, gratuita e da qualidade e, além disso, buscou criar um
entendimento de que o povo além de usufruir de tal direito deveria compreender o
pertencimento do mesmo a ele.
Ainda, segundo estabelecido na Constituição Brasileira de 1988, Capítulo III -
da Educação, da Cultura e do Desporto, em seu artigo 205:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando
ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício
da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL,
CONSTITUIÇÃO, 1988)

E em seu artigo 206 ela aprofunda e define a questão da educação ao afirmar


que é garantido que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o
pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e
coexistência de instituições
públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma da
lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de
provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as
instituições mantidas pela União;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade. (BRASIL, CONSTITUIÇÃO,
1988)

A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), enquanto desdobramento do texto


constitucional, assumiu o papel de regulamentar e estabelecer normas orientativas
que deveriam atender à necessidade do pais. Após um longo período para
elaboração e um, não menos longo, período de discussão (foram exatos 8 anos) o
projeto de lei foi aprovado (ROSA, 2009). Por este motivo, além das mudanças
políticas que ocorreram neste cenário, muitas questões ficaram sem definição ou
não foram especificadas no texto, o que culminou em grande descontentamento por
parte dos indivíduos e dos coletivos envolvidos na luta pela LDB. Contudo, ainda

24
que muitos assuntos tenham ficado de fora e tenham se tornado objetos de
interpretação individual, pela primeira vez em anos, foi possível promover a
discussão acerca da escola pública no país. Dessa forma,

Analisando o texto da lei, podemos constatar que as


modificações acabaram produzindo dubiedades e omissões a
fim de escamotear a intervenção centralizadora do governo
federal. Sob a justificativa de que era preciso ter uma lei
“enxuta” como defenderam seus criadores, acabamos com um
documento que necessita de várias regulamentações,
promovendo várias resoluções por parte do Conselho Nacional
de Educação, sem que democraticamente as mesmas sejam
discutidas com o professorado. (ROSA, 2009, p. 84)

O que mudou efetivamente, então, com o novo documento? Abaixo estão alguns
apontamentos:
 União, estado e municípios deveriam atuar em regime de colaboração na
organização e implementação de seus respectivos sistemas de ensino;
 União deveria ficar incumbida de promover a elaboração do Plano Nacional
de Educação, sendo que estados e municípios deveriam articular e, quando
não, se submeterem aos parâmetros estabelecidos pela União;
 Estrutura e funcionamento do ensino: a educação ficou dividida em nível
básico (formado pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e
nível superior;
 Ensino fundamental de 8 (oito) anos e de caráter obrigatório;
 Gratuidade da escola pública;
 Igualdade de condições de acesso e permanência na escola;
 Pluralismo de ideias e concepções pedagógicas;
 Respeito à liberdade e tolerância em ambiente escolar;
 Instituições públicas e privadas de ensino em coexistência;
 Proposta de articulação entre o trabalho, as práticas sociais e a educação
escolar. (BRASIL, 1996)

Diante do exposto, fica claro que, embora a LDB tenha sido, sob alguns
aspectos, um avanço para a educação, sob outra ótica ela representou muito mais
um projeto de país que buscava centralizar de algum modo o poder na esfera
25
federal. Isso retrata a realidade de que, mesmo que houvessem discussões, um
panorama de luta pela redemocratização e pelos esforços que alguns coletivos
tiveram para consolidar esta luta, o governo afrontava tais esforços, na medida em
que se utilizava de manobras legais para manter o poder centralizado.

Plano Nacional de Educação

O Plano Nacional de Educação (PNE) é um documento com vigência decenal (de


dez anos) que procura orientar para diretrizes, metas e estratégias das políticas
educacionais, com vistas à promoção contínua da melhoria na educação. Ele é
estruturado a partir de três aspectos principais, a saber: busca por garantir o direito à
educação básica de qualidade; redução das desigualdades e busca pela valorização
da diversidade com ênfase em caminhos equitativos, a valorização do profissional
da educação e, por fim, objetivos referentes ao ensino superior. São diretrizes do
PNE, de acordo com o texto da lei:

I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na
promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de
discriminação;
IV - melhoria da qualidade da educação;
V - formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos
valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade;
VI - promoção do princípio da gestão democrática da educação
pública;
VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País;
VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em
educação como proporção do Produto Interno Bruto - PIB, que
assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de
qualidade e equidade;
IX - valorização dos (as) profissionais da educação;
X - promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à
diversidade e à sustentabilidade socioambiental. (BRASIL, 2014)

Além das diretrizes que orientam o PNE, para alcançar seus objetivos foram
estabelecidas metas que deverão ser alcançadas dentro de um determinado espaço
de tempo, sendo responsabilidade da União em regime de colaboração com estados
e municípios, buscar alcançar tais metas.

26
O PNE atual (2014-2024) foi elaborado a partir da Conferência Nacional de
Educação (CONAE 2010) e, de acordo com o Ministério da Educação e Secretaria
de Articulação com os Sistemas de Ensino (2014)1, estabeleceu as seguintes metas:

 Meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as


crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de
educação infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, 50%
(cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da
vigência deste PNE.
 Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a
população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95%
(noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade
recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.
 Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a
população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do
período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino
médio para 85% (oitenta e cinco por cento).
 Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete)
anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao
atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular
de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de
recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados,
públicos ou conveniados.
 Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º
(terceiro) ano do ensino fundamental.
 Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50%
(cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo
menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação
básica.

1
Disponível em: <http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>

27
 Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e
modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo
a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais
do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no
ensino médio.
 Meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29
(vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de
estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do
campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco
por cento) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não
negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
 Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos
ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até
2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo
absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo
funcional.
 Meta 10: oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das
matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e
médio, na forma integrada à educação profissional.
 Meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível
médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta
por cento) da expansão no segmento público.
 Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50%
(cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da
população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a
qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por
cento) das novas matrículas, no segmento público.
 Meta 13: elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção
de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto
do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento),
sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.

28
 Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação
stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil)
mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores.
 Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste
PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que
tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as
professoras da educação básica possuam formação específica de nível
superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que
atuam.
 Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento)
dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste
PNE, e garantir a todos (as) os (as) profissionais da educação básica
formação continuada em sua área de atuação, considerando as
necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.
 Meta 17: valorizar os (as) profissionais do magistério das redes públicas
de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos
(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do
sexto ano de vigência deste PNE
 Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de
Carreira para os (as) profissionais da educação básica e superior pública
de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos (as)
profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso
salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso
VIII do art. 206 da Constituição Federal.
 Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a
efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios
técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade
escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio
técnico da União para tanto.

29
 Meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a
atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno
Bruto (PIB) do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo,
o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio.

Uma característica importante do PNE é que ele tem força de lei, visto que é
um documento assinado pelo congresso nacional e, além de contemplar diretrizes
que englobam todos os níveis e modalidades educacionais, ele envolve a sociedade
civil no processo coletivo de acompanhamento de sua execução.

SAIBA MAIS

Por que acompanhar de perto o novo PNE: Saiba como o documento que vai
reger a Educação nacional nos próximos dez anos pode mudar a rotina das
escolas.
Disponível em: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/629/por-que-acompanhar-
de-perto-o-novo-pne

Plano Nacional de Educação 2014-2024


O PNE 2014-2024 traz dez diretrizes, entre elas a erradicação do analfabetismo,
a melhoria da qualidade da educação, além da valorização dos profissionais de
educação, um dos maiores desafios das políticas educacionais.
Disponível em:
http://www.observatoriodopne.org.br/uploads/reference/file/439/documento-
referencia.pdf

SAIBA MAIS

Lei 13005 de 25 de junho de 2014, aprova o Plano Nacional de Educação –


PNE e dá outras providências.

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-


2014/2014/Lei/L13005.htm

30
ATIVIDADES DE AUTO-ESTUDO

1. Explicite o contexto nacional da elaboração da Lei de Diretrizes e Bases de


1996.
2. Quais os avanços da Lei de Diretrizes e Bases de 1996?
3. A Lei de Diretrizes e Bases da educação de 1996 institui algumas mudanças
no cenário educacional. Enumere 2 (duas) dessas mudanças e explique.
4. O Plano Nacional de Educação é um documento plurianual que estabelece
diretrizes, metas e objetivos para a educação nacional. Relacione estas
metas e explique cada uma delas.

UNIDADE III - AVALIAÇÃO NO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO

31
Objetivos da Aprendizagem
 Conhecer o conceito de avaliação e suas formas de aplicação no sistema
educacional brasileiro

Plano de Estudo

 Nesta unidade você estudará os seguintes conceitos:


 Avaliação educacional e avaliação institucional
 Saeb e Prova Brasil
 Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM
 Exame Nacional de Cursos - Provão
 Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SINAES

INTRODUÇÃO

32
A avaliação constante de um campo de desenvolvimento é fundamental para
o aprimoramento deste campo e também de suas práticas. Nesse sentido, a
avaliação do sistema educacional brasileiro, tanto no que se refere ao seu aspecto
legal, quanto ao que se refere à sua estrutura e funcionamento é importante para
que se promova uma melhoria contínua de qualidade.
Considerando o sistema educacional enquanto um conjunto de instituições
que compõe a educação, por meio não apenas de sua organização, mas de sua
regulação e de seu funcionamento, ao processo de avaliação cabe qualificar, por
meio de mensuração, estes componentes. É a partir do processo de avaliação que
serão gerados indicadores que deverão orientar não apenas a gestão da educação e
da escola, mas as políticas para melhoria das mesmas.

A avaliação educacional e a avaliação institucional: aproximação conceitual

Avaliar significa mensurar algo com o objetivo de reunir informações que, uma
vez organizadas, serão utilizadas para um determinado fim. Ao longo dos anos a
avaliação se objetificou e se tornou tema central de discussão não apenas no que se
refere ao seu caráter pedagógico (escolar) mas, também, no que se refere ao seu
caráter político (institucional).
A avaliação de caráter pedagógico diz respeito aos processos de
acompanhamento, classificação e análise do aprendizado que o aluno adquire no
espaço escolar. A esse modelo de avaliação damos o nome de avaliação
educacional, isto é, uma avaliação de rendimento que busca quantificar o
aprendizado do aluno. Sendo assim,

A avaliação escolar é um meio e não um fim em si mesma; está


delimitada por uma determinada teoria e por uma determinada
prática pedagógica. Ela não ocorre num vazio conceitual, mas está
dimensionada por um modelo teórico de sociedade, de homem, de
educação e, conseqüentemente, de ensino e de aprendizagem,
expresso na teoria e na prática pedagógica. (CALDEIRA, 2000, p.
122)

Dizer que a avaliação não é uma prática desvinculada e não pode ser
realizada por si só, equivale a dizer que a mesma está inserida num contexto mais

33
amplo e, além disso, reflete não apenas os processos escolares, mas os processos
sociais e econômicos da realidade na qual se encontra inserida. Por este motivo, é
que é necessário analisar, mais do que quantidade de conteúdo “absorvido” pelo
aluno, os processos institucionais e, consequentemente, a qualidade da educação
ofertada. E, é nesta dimensão de análise que está a avaliação institucional.
Por avaliação institucional se entende um processo que visa gerar
informações, por meio da análise de dados colhidos, com o intuito de atribuir um
valor àquilo que é objeto de análise. Desse modo,

Avaliar é reconhecer ou atribuir um valor. Em se tratando de valor em


educação, ele defende que há que se adotar uma postura
radicalmente ética e epistemológica. Os valores são histórica e
culturalmente construídos, consequentemente a avaliação é histórica
e cultural. Já que o valor só existe como referência mediadora de
uma ação concreta, a decorrência disso é que a avaliação educativa
não é um fim de processo, mas o seu meio. (BRANDALISE, 2010, p.
316)

Assim, por meio de análises mais críticas a partir das pesquisas no campo de
avaliação, os elementos conceituais que a compunham foram se tornando em maior
número e sua definição foi se afastando, por meio do aprofundamento teórico, do
conceito meramente classificatório para se aproximar da dimensão social e política
que atualmente lhe é atribuída. Por isso, na contemporaneidade, autores como
Figari (1996) afirmam que a avaliação educacional é composta por realidades que

[...] nessa acepção mais alargada de avaliação educacional, há a


noção de estrutura que define realidades diferentes: as
macroestruturas (os sistemas educacionais), as mesoestruturas (as
escolas) e as microestruturas (as salas de aulas). No espaço da
macro e da mesoestrutura, a avaliação geralmente é o processo de
observação e interpretação dos resultados da aprendizagem que
objetiva orientar as decisões necessárias ao bom funcionamento da
escola, dos sistemas educacionais e subsidiar a formulação de
políticas públicas. (FIGARI, 1996, p. 317)

Seguindo a perspectiva de análise que aponta para o processo avaliativo


enquanto algo mais amplo, composto por diferentes aspectos e inserido em
diferentes realidades, Afonso (2003) salienta o quanto a escola sintetiza diferentes

34
elementos, das mais diversas ordens e origens e a importância de se considerar tais
divergências no processo avaliativo. Pois,

A escola é confrontada com dimensões éticas, simbólicas, políticas,


sociais e pedagógicas que devem ser consideradas como um todo
por quem tem especiais responsabilidades na administração da
educação quer em nível do Estado, quer em nível municipal e local,
quer em nível da própria unidade escolar. (AFONSO, 2003, p. 49)

Considerando, portanto, tais dimensões, o autor aponta que a avaliação


ocorre em quatro diferentes níveis:

Nível microssociológico: processo avaliativo centrado no sujeito e que ocorre


em sala de aula sob os cuidados do docente
Nível mesossociológico: avaliação da instituição escolar e dos aspectos que a
envolvem (processo de gestão, qualificação de professores, componentes
curriculares, comunidade e etc.).
Nível macrossociológico: é um processo de avaliação que compreende todo o
país e é orientado e realizado por organismos nacionais (no caso do Brasil, O
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP – é um
exemplo).
Nível megassociológico: desenvolvido por organismos internacionais que
buscam fixar padrões de desempenho, de referência para a criação de metas e
diretrizes para os sistemas educacionais de diferentes países, em nível global.

Fonte: AFONSO, 2003

Em termos tanto conceituais quanto práticos, a avaliação institucional (que


pode ser interna ou externa) é um conceito relativamente novo que contrapõe uma
prática já tradicional que, via de regra, não inclui o questionamento da prática, bem
como a relação entre o pensar e o fazer dentro das instituições. Tendo em vista que,
hoje, a avaliação pode ser compreendida como um dos pilares da regulação da
educação no contexto do mundo capitalista, é que o Estado se utiliza, atualmente,
de mecanismos de avaliação – geradores de dados e índices – que orientam a
articulação de ações na educação. É o que Schneider e Rostirola (2016) apontam
como “a presença do Estado-avaliador na educação”. Isto é,

A avaliação educacional, nesse sentido, representa uma estratégia


de governação em que o Estado atua a partir dos resultados obtidos
em testes organizados e realizados, primeiramente, pelo próprio país
e, num segundo momento, por agências multilaterais. Tem a ver,
35
portanto, com o fortalecimento de referenciais neoliberais,
representados pela adesão a medidas políticas e administrativas
ajustadas às leis do mercado e pela sofisticação dos mecanismos de
controle e responsabilização dos resultados obtidos pelos sistemas
educacionais. (SCHNEIDER; ROSTIROLA, 2016, p. 496)

Desse ponto de vista, o Estado passou a se articular para avaliar de acordo


não apenas com a realidade posta no país, mas com as exigências internacionais
especificamente do capital para que as ações estatais, por meio dos dados obtidos
nos processos avaliativos, pudessem estar em consonância com os organismos
internacionais.

MECANISMOS DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

Os principais programas de avaliação instituídos no Brasil

Programa de Avaliação Ano

Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 1990

Exame Nacional de Cursos (Provão) 1996

Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 1998

Sistema Nacional de Avaliação do Educação Superior (SINAES) 2003

Saeb e Prova Brasil

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) foi criado em


1990, por uma demanda criada pelo próprio Banco Mundial, com o intuito de avaliar
a educação tendo por base o fato de que além do desempenho do aluno estar
relacionado à qualidade do ensino ao qual ele tinha acesso, não havia um
determinante específico do que vinha a ser a definição de qualidade nesse quesito
(COSTA; OLIVEIRA, 2009). A implantação do Sistema de Avaliação da Educação
Básica (Saeb),

36
[...] no ano de 1990 [...] é exemplo cabal da entrada do Brasil nos
preceitos do Estado-avaliador e das injunções de organizações
internacionais sobre as políticas nacionais. Reestruturado no ano de
1995 e, posteriormente, em 2005, sob a alegação de que na forma
como vinha sendo realizado não dava conta de retratar a realidade
escolar do país, o Saeb abriu espaço para a realização de avaliações
censitárias com dados sobre a situação educacional das escolas e
redes de ensino, constituindo-se em importante instrumento para o
aprimoramento das políticas educacionais aos moldes praticados
pelos países mais avançados. (SCHNEIDER, 2015, P.08)

A partir de 2005, no entanto, tendo em vista a compreensão de que o Saeb


não atendia completamente a necessidade de avaliação da qual o Estado
necessitava, foi criada a Prova Brasil. Esta última é uma prova denominada
censitária, que busca avaliar todos os alunos de escolas públicas, urbanas nas
séries finais do ensino fundamental. Por isso, vai além do que propunha o Saeb
(avaliava por amostragem) uma vez que busca avaliar todos os municípios e escolas
públicas das diversas regiões do país.

Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) foi criado em 1998 com o intuito
de avaliar o desempenho, habilidades e competências dos alunos ao final de sua
escolaridade básica (terceiro ano do ensino médio). Trata-se de um exame
individual, de caráter eletivo e que tem oferta anual. Durante mais de dez nos foi
utilizado apenas como medida de desempenho, mas a partir de 2009, passou a ser
utilizado como critério para acesso ao ensino superior.
É um exame composto por uma prova única, com questões que versam sobre
diferentes áreas do conhecimento e redação, objetivando compreender o
desempenho do estudante de forma mais abrangente. Conforme dito anteriormente,
é uma forma de avaliação que já está sendo utilizada em várias instituições de
ensino superior como forma de ingresso, substituindo aos poucos a tradicional prova
do vestibular.
Além disso, outra forma de incentivar o aluno a realizar a prova do ENEM é
que por meio desta nota ele pode ter acesso ao Programa Universidade Para Todos
(PROUNI) – um programa criado pelo governo federal com o objetivo de fomentar o
37
ingresso de estudantes de baixa renda em cursos de graduação em instituições
ensino da rede privada.
Além destes motivos que levam ao crescimento de participantes no exame
ano a ano, Costa e Oliveira (2009) aponta que

Ao participar do Enem, o aluno poderá avaliar sua capacidade de


utilizar os conhecimentos adquiridos na escola para a resolução de
problemas presentes no seu dia a dia, interpretando dados e
informações que estão cada vez mais disponíveis nos livros, nos
jornais, nas revistas, na televisão, na natureza e na nossa vida
social. (COSTA E OLIVEIRA, 2009, p. 243)

Dada a complexidade da sociedade em que vivemos permitir ao aluno


compreender adequadamente suas ideias e tomar decisões que orientem suas
escolhas futuras é um dos objetivos gerais do ENEM, que orienta o aluno a perceber
em quais áreas tem maior ou menor potencialidade.

Exame Nacional de Cursos – Provão

O Exame Nacional de Cursos (ENC- Provão) foi aplicado nos estudantes de


ensino superior entre os anos de 1996 e 2000. Era um exame de caráter obrigatório,
composto por questões objetivas e discursivas, com base nos conteúdos de cada
curso, objetivando avaliar habilidades e competências mínimas. Além desta
avaliação, as instituições recebiam visitas de comissões que objetivavam avaliar
também questões que orientavam a formação de indicadores de qualidade.
Uma das principais críticas a este modelo de avaliação era que ele avaliava
apenas os estudantes nos anos finais de cursos, podendo ter seu resultado alterado
de acordo com a qualidade de ensino médio que o estudante tivesse tido acesso.

Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes)

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) foi criado


em 2004, como alternativa à avaliação de desempenho dos estudantes de
graduação que, até então, realizavam o Provão. O avanço se deu porque este

38
sistema de avaliação era organizado de forma mais completa e composto uma gama
de itens que norteavam a geração de dados e indicadores. Além da avaliação
institucional externa, por exemplo, havia uma avaliação das condições de ensino e
uma autoavaliação institucional – entre outros itens avaliados.
Por meio da coleta de dados conseguida com os itens avaliados, era possível
formular um cenário da qualidade do ensino superior no Brasil e, por meio deste
cenário, articular ações e decisões por parte do governo acerca tanto de
reconhecimento dos cursos quanto do processo de credenciamento de novas
instituições junto ao MEC. Entre as principais características desse processo
estavam a avaliação participativa, a integração flexibilidade e institucionalidade
(COSTA; OLIVEIRA, 2009).
O Exame Nacional de Desempenho do Estudante (ENADE) de acordo com o
MEC,

Avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, em


relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências
adquiridas em sua formação. O exame é obrigatório e a situação de
regularidade do estudante no Exame deve constar em seu histórico
escolar. [...] E tem como objetivo avaliar o desempenho dos
estudantes com relação aos conteúdos programáticos previstos nas
diretrizes curriculares dos cursos de graduação, o desenvolvimento
de competências e habilidades necessárias ao aprofundamento da
formação geral e profissional, e o nível de atualização dos
estudantes com relação à realidade brasileira e mundial, integrando o
SINAES. (BRASIL, 2015 – online)

Aplicado de três em três anos, o Enade, enquanto parte do Sinaes, se utiliza


do processo de amostragem para escolher os estudantes que deverão se submeter
às provas (aluno de graduação do final do primeiro e do último ano do curso, o que
busca garantir que o curso seja avaliado em sua evolução).

Considerações Finais

Prezado (a) aluno (a) o objetivo desta unidade foi apresentar o conceito de
avaliação escolar e institucional, expondo tanto suas aproximações quanto seu
distanciamento. Além disso, buscamos também apresentar as dimensões em que

39
esta ocorre, considerando que está vinculada a uma realidade socioeconômica e
política que exerce influência direta em seus processos. Por meio destas dimensões
procuramos apresentar os mecanismos que permeiam a avaliação do sistema de
ensino no Brasil, evidenciando que, por meio deles, é que as ações políticas são
articuladas e refletem no cotidiano da educação.

SAIBA MAIS

Aluno de baixa renda ganha espaço nas universidades


De 2004 a 2006, total de estudantes com renda de até 3 salários mínimos
subiu 49%. ProUni, aumento de vagas e expansão da classe média foram
responsáveis pelo aumento; segmento, porém, ainda é subrepresentado.
Puxada pelo ProUni, pelo aumento de vagas e pelo alargamento da classe
média, a participação de alunos de baixa renda no ensino superior do Brasil
cresceu nos últimos anos.
De 2004 a 2006, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
registrou um aumento de 49% na proporção de universitários com renda familiar
mensal de até três salários mínimos -de 10,1% para 15,1%, segundo dados
tabulados pelo pesquisador Simon Schwartzman, do Iets (Instituto de Estudos do
Trabalho e Sociedade).
Na população em geral, a proporção de pessoas com essa faixa de renda
subiu apenas 8%.
Continue lendo em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1808200807.htm>

40
SAIBA MAIS

Conheça melhor o que é a avaliação institucional, comentada pelo professor


Carlos Stange, membro da Comissão Especial de Avaliação Institucional do
Estado do Paraná junto à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do
Estado do Paraná. Membro Suplente do Conselho Estadual de Educação do
Paraná, segundo dados informados pelo autor em seu currículo disponível na
plataforma Lattes (2016).

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL - Prof Carlos Stange


https://www.youtube.com/watch?v=BKHtsCGnOLU

ATIVIDADES DE AUTO-ESTUDO

1. O que é avaliação escolar?


2. O que é avaliação institucional?
3. Qual a importância de compreender as diferenças entre avaliação escolar e
avaliação institucional?
4. Quais os mecanismos de avaliação institucional? Explique cada um deles.

41
UNIDADE IV. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA E
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Objetivos da Aprendizagem
 Conhecer o conceito de educação à distância e educação profissional
enquanto política para a educação.

Plano de Estudo

 Nesta unidade você estudará os seguintes conceitos:


 Educação a distância no Brasil;
 Educação Profissional no Brasil;

Introdução
42
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 pode ser considerada um
ponto de partida para discussões acerca de ações que visavam ampliar e
democratizar o acesso à educação no Brasil. Sem dúvidas que, nessa perspectiva,
pode ser considerada um marco na medida em que reconhece educação à distância
e educação profissional enquanto formas modalidades de ensino.

A Educação à Distância no Brasil

Por educação à distância podemos entender uma modalidade de ensino onde


aluno e professor encontram-se separados fisicamente e utilizam de recursos
técnicos e metodológicos para mediar o ensino e aprendizagem. Autores diversos
fazer a definição do conceito, afirmando que

Educação a Distância é uma forma sistematicamente


organizada de auto-estudo onde o aluno instrui-se a partir do
material de estudo que Ihe é apresentado, o acompanhamento
e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo
por um grupo de professores. Isto é possível através da
aplicação de meios de comunicação, capazes de vencer longas
distâncias. (DOHMEM, 1967, p. 21)

Ou ainda

Educação/ensino a distância é um método racional de partilhar


conhecimento, habilidades e atitudes, através da aplicação da
divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto
quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação,
especialmente para o propósito de reproduzir materiais
técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um
grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto
esses materiais durarem. É uma forma industrializada de
ensinar e aprender. (PETERS, 1973, p. 85)

Ou uma definição mais atual afirma que

A Educação a Distância, no sentido fundamental da expressão,


é o ensino que ocorre quando o ensinante e o aprendente
estão separados (no tempo ou no espaço). No sentido que a
expressão assume hoje, enfatiza-se mais a distância no

43
espaço e propõe-se que ela seja contornada através do uso de
tecnologias de telecomunicação e de transmissão de dados,
voz e imagens (incluindo dinâmicas, isto é, televisão ou vídeo).
Não é preciso ressaltar que todas essas tecnologias, hoje,
convergem para o computador. (CHAVES, 1999, p.85)

Existem as mais diversas formulações para definir o que vem a ser educação
à distância, mas é no Decreto nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2005)
que ela se personifica ao estabelecer regras para sua realização.
Art. 1o Para os fins deste Decreto, caracteriza- -se a Educação
a Distância como modalidade educacional na qual a mediação
didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem
ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo
atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

§ 1o A Educação a Distância organiza-se segundo


metodologia, gestão e avaliação peculiares, para as quais
deverá estar prevista a obrigatoriedade de momentos
presenciais para:
I – avaliações de estudantes;
II – estágios obrigatórios, quando previstos na legislação
pertinente;
III – defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando
previstos na legislação pertinente e
IV – atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando
for o caso.

As primeiras experiências no Brasil datam do século XX, contudo a educação


à distância no Brasil passou a ser reconhecida oficialmente somente por meio da
LDB de 1996, onde foi salientado, principalmente, que ela poderia ser uma maneira
de promover a formação docente – que buscava atender uma demanda emergente
por qualificar todos os professores que se encontravam em atividade, mas não
possuíam a escolaridade adequada para tal.
Na atualidade, a educação à distância pode ser vista como uma forma de
democratização do acesso à educação, uma vez que, ao se utilizar de recursos
tecnológicos diversificados, ela busca não apenas disseminar a informação, mas,
sobretudo transpor as possíveis barreiras de acesso ao conhecimento. Ou, como
salienta Alves (2011)

44
A Educação a Distância pode ser considerada a mais democrática
das modalidades de educação, pois se utilizando de tecnologias de
informação e comunicação transpõe obstáculos à conquista do
conhecimento. Esta modalidade de educação vem ampliando sua
colaboração na ampliação da democratização do ensino e na
aquisição dos mais variados conhecimentos, principalmente por esta
se constituir em um instrumento capaz de atender um grande número
de pessoas simultaneamente, chegar a indivíduos que estão
distantes dos locais onde são ministrados os ensinamentos e/ou que
não podem estudar em horários pré-estabelecidos (ALVES, 2011, p.
90)

O crescimento e expansão da EAD no Brasil apontam não apenas para um


alcance mais de pessoas, mas para o crescimento em número de instituições,
cursos e ofertas de vaga (principalmente no ensino superior). Isso se deu na esfera
pública principalmente com a iniciativa da Universidade Aberta do Brasil. Um sistema
criado em 2005 que busca articular iniciativas para a expansão do ensino superior
no Brasil. De acordo com Silva e Pereira (2013),

O Sistema UAB foi criado como uma política pública pelo Ministério
da Educação (MEC) no ano de 2005, em parceria com a Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior
(ANDIFES) e empresas estatais. Trata-se de uma política pública de
articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC
e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vistas à
expansão da educação superior, no âmbito do Plano de
Desenvolvimento da Educação – PDE (2001-2010). (SILVA e
PEREIRA, 2013, p. 3)

As autoras destacam ainda que entre os objetivos estipulados pelo sistema


UAB estão:

 Expansão pública da educação superior, considerando os


processos de democratização e acesso;
 Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de
ensino superior, possibilitando sua expansão em consonância com
as propostas educacionais dos estados e municípios;
 Avaliação da educação superior a distância tendo por base os
processos de flexibilização e regulação implantados pelo MEC;
 Estímulo à investigação em educação superior a distância no
País;
 Financiamento dos processos de implantação, execução e
formação de recursos humanos em educação superior a distância.
(SILVA E PEREIRA, 2013, p. 4)

45
O que observamos que é a proposta do sistema UAB de democratização tem
atingido diversos públicos e tem buscado atuação com qualidade. O amplo alcance
fomenta cada vez mais a formação de profissionais, principalmente, formação de
professores. Por outro lado, embora possa ser compreendido como uma iniciativa
que favorece, ao mesmo tempo é necessário entender qual o perfil do público
atingido por ela e refletir se não é também uma ação estigmatizante. Qual é o perfil
do aluno de EAD no Brasil? Quais são os cursos mais procurados? A elite do país
procura esta modalidade de ensino? Estas e outras questões precisam ser
consideradas, principalmente, no que se refere ao processo de democratização do
acesso ao ensino superior.

A Educação Profissional no Brasil

De acordo com Rocha (2016), em 1988, a Constituição Federal foi aprovada


em assembleia constituinte e, com isso, o país passou a ser regido por novas
diretrizes jurídicas. Como era de se esperar, com a instituição do Estado
Democrático de Direito2, as mudanças no cenário político e social brasileiro, a
educação também entra em debate, principalmente, porque foi considerada como
um direito estabelecido, cujo acesso deveria ser obrigatório e gratuito, na
Constituição do país.

Com o avanço proporcionado pela Constituição Federal, a década de 1990


iniciou com uma ebulição de discussões na esfera econômica, política e
educacional. O avanço das ideias neoliberais e o fortalecimento do capitalismo,
acentuou a questão da relação entre educação e trabalho e a finalidade de ambos
(MARCELINO, 2011).

A principal expressão da reforma da educação brasileira daquele período foi a


Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96. Através deste
documento de sistematização da educação no país, ficou patente não só o ganho de
espaço da educação profissional, documentalmente falando, mas o documento

2 O Estado democrático de direito é um conceito que designa qualquer Estado que se aplica a
garantir o respeito das liberdades civis, ou seja, o respeito pelos direitos humanos e pelas garantias
fundamentais, através do estabelecimento de uma proteção jurídica.
46
expressa a tentativa de unificar trabalho e educação – na perspectiva oficial (do
governo).

A preparação para a vida aparece como finalidade da educação, conforme


artigo 1º da LDB,

Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se


desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais (BRASIL, 1996)

Contudo, a educação profissional técnica de nível médio aparece vinculada


ao ensino médio, como subitem deste e poderá ser cursado ou não, isto é, tem
caráter eletivo, conforme o artigo 36 da LDB

Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste


Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do
educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões
técnicas.
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e,
facultativamente e a habilitação profissional poderão ser
desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio
ou em cooperação com instituições especializadas em
educação profissional. (BRASIL, 1996)

A educação profissional e tecnológica aparece numa seção específica e onde


preconiza que:

Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento


dos objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes
níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho,
da ciência e da tecnologia.
§ 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão
ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a
construção de diferentes itinerários formativos, observadas as
normas do respectivo sistema e nível de ensino.
§ 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os
seguintes cursos:
I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
II – de educação profissional técnica de nível médio;

47
III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-
graduação. (BRASIL, 1996)

Ao ser tratada em seção específica, sem necessariamente ocorrer em


consonância com o ensino médio, a educação profissional e tecnológica delimita um
público diferenciado (pois não está diretamente ligada ao nível de escolaridade
daqueles que dela farão parte, mas a capacidade de aproveitamento do indivíduo
que nela está inserido). Contudo, o retrocesso está justamente ligado à questão da
preparação para o trabalho de forma facultativa (para as classes econômicas mais
abastadas, pois, a classe trabalhadora precisa trabalhar para sobreviver) e
desvinculada de outras categorias de ensino (mais uma vez, aí reside um indício da
dualidade já discutida anteriormente e, com isso, assume um caráter complementar).

Conceitos como empregabilidade, competência, qualidade e adaptabilidade


ganham espaço cada vez mais, uma vez que o ensino médio e a educação
profissional não são obrigatórios, ficando sob a responsabilidade do indivíduo a
busca por capacitação e inserção no mundo do trabalho. Isto é, se propala que
quanto maior a capacitação do indivíduo e a sua adequação àquilo que o mercado
de trabalho exige, maior serão as possibilidades de ocupação de um posto de
trabalho - e tal capacitação só pode ser conseguida através de duas vias: a
educação superior (para aqueles que a ela tem acesso) e a educação profissional
(para o restante da população).

Considerações Finais

A Educação à Distância e a Educação Profissional podem ser compreendidas


como ações articuladas com o intuito de promover equidade e igualdade de acesso
à educação no Brasil. São políticas que incidem diretamente sobre o público mais
carente, mas que, embora tenham propostas democratizadoras, da forma como
estão propostas apenas reforçam um status estabelecido socialmente: o de que
pessoas pobres não têm acesso a determinadas oportunidades e, por isso, precisam
de políticas de cunho assistencialista que busquem diminuir a desigualdade social e
econômica do país. Tanto uma quanto a outra são ações que merecem destaque

48
pela amplitude e alcance que possuem, mas não podem estar livres de críticas para
que também busquem a promoção de uma melhoria contínua no que se propõem a
realizar.

SAIBA MAIS

O que é educação a distância


José Moran

Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por


tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou
temporalmente. [...] Outro conceito importante é o de educação contínua ou
continuada, que se dá no processo de formação constante, de aprender sempre,
de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria
experiência, ampliando-a com novas informações e relações. A educação a
distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino regular. No ensino
fundamental, médio, superior e na pós-graduação.
Leia na íntegra:
<http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/dist.pdf>

49
SAIBA MAIS

O Brasil tem até o ano 2024 para triplicar as matrículas da educação profissional
técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta, do ensino e do
aprendizado. Além disso, pelo menos 50 por cento dessas matrículas terão que
ser feitas na rede pública. Atualmente, temos mais de um 1 milhão e 700 mil
alunos matriculados no ensino técnico profissional, mas apenas 11,4% por cento
estão no segmento público. Entre as estratégias para alcançar a meta está a
ampliação da oferta de educação profissional técnica nas redes públicas e o
número de matrículas gratuitas nas entidades privadas, como o Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial, o Senai.

Veja mais em:


Educação Técnica e Profissional - Sala Debate - Canal Futura
<https://www.youtube.com/watch?v=ifMZt8A7oCg>

ATIVIDADES DE AUTO-ESTUDO

1. O que é Educação à distância?


2. O que é Educação profissional?
3. De que maneira educação à distância e educação profissional se articular
para democratizar o acesso à educação?
4. Quais os impactos da mudança no mundo do trabalho para a educação
profissional?

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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