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Baphomet & Opfer (Sacrifício)

Retirado de Opfer, Fenrir Vol. II, nº 2

A palavra 'opfer' refere-se geralmente ao sacrifício que ocorre - simbólico ou de outra forma -

durante certos rituais. Existem geralmente dois tipos de opfer: (1) associado a rituais para abrir uma passagem (ou 'Portal Estelar'), entre Aeons - quando um/uns opfer(s) é/são considerado(s) necessário

(s) em termos da 'energia' requirida; (2) aqueles associados a crenças tradicionais respeitando ao 'funcionamento do cosmos'.

('Opfers' associados com rituais de morte formam um terceiro tipo.)

O segundo tipo, de acordo com a tradição, era escolhido uma vez em cada 17 anos e este sacrifício

era visto como necessário para manter 'o equilíbrio cósmico' - nos tempos modernos, manter uma passagem aberta (e assim preservar a civilização mais elevada associada etc). O escolhido era tornado um Sacerdote honorário (este tipo de opfer era sempre masculino) e havia uma união entre

ele e uma ou mais mulheres, como Sacerdotizas. Esta união era um tipo simples de 'hierosgamos', e

ao descendente da união era dada grande honra. Na própria cerimónia, a cabeça do opfer era cortada

e exibida - habitualmente por uma noite e um dia (embora este período possa ter sido mais longo num passado muito mais remoto). O Rito era realizado num espaço aberto num sítio 'sagrado' - normalmente um círculo de pedras ou uma colina.

O escolhido era capaz, por causa do sacrifício, de usufruir de uma existência acausal - tornando-se

assim um Imortal. Dessa forma o 'sacrifício voluntário' era possível, embora seja fácil imaginar que em tempos mais tardios, o opfer não tinha tanta vontade.

Tradicionalmente, este tipo recua até Albion, e enquanto originalmente o ritual era provavelmente um acontecimento comunitário, tornou-se mais secretivo. O que sobrevive até hoje (a Cerimónia de Lembrança com fim 'opfer') provavelmente reflecte mais a essência desta tradição antiga do que o detalhe (as palavras, cânticos etc). Esta essência pode ser apreendida no papel da Senhora da Terra - representativa de Baphomet, a Deusa Negra. Era para Baphomet que o sacrifício era feito - daí um opfer masculino. Na realidade, toda a cerimónia (de Lembrança) pode ser vista como uma celebração

da deusa negra - a Senhora/deusa da Terra no seu aspecto mais sombrio/violento/sinistro. A cabeça

decepada estava associada à veneração de Baphomet - o culto derivado de Albion - daí a representação tradicional de Baphomet.

A identificação de Baphomet como a Esposa de Lúcifer/Satanás data provavelmente de meados do

século X ou XI, assim como o uso do nome 'Satan'/Satanás como o representante material dos Deuses Negros.

É importante lembrar que em tempos mais antigos (por exemplo em Albion durante o aeon

Hiperbóreo) não havia uma distinção clara e/ou moral entre o 'luminoso' e o 'sinistro': os dois eram vistos como diferentes aspectos da mesma coisa. Assim, aquilo que nós conhecemos como a Senhora

da Terra (a 'deusa') era tanto o que nós chamamos Baphomet (o lado sombrio) como Gaia (a Mãe

Terra). Da mesma forma para o aspecto masculino - Satanás e Lúcifer - ou Dioniso/Kabeiroi e Apollo. Agora entendemos todos estes símbolos como projecções inconscientes/conscientes da 'realidade' (onde 'realidade' = região da convergência causal/acausal) - como 'portais'/passagens para

o próprio acausal, com as 7 esferas da Árvore de Wyrd sendo um 'mapa' destes portais, inteligível pela consciência do não-Adepto. Desta forma, a esfera de Mercúrio representa Lúcifer/Satanás - Mercúrio, Marte e o Sol sendo esferas "masculinas", e a Lua, Vénus e Júpiter as "femininas" (Saturno para além desses opostos - o próprio Caos).

O culto de Baphomet era a veneração do aspecto negro das energias "femininas" - onde neste

contexto, veneração significa um trabalho para compreender / integração consciente. Pistas da veneração do aspecto 'luminoso' sobrevivem na tradição Septenária no nome "Aktlal Maka" e na forma natural do rito dos Nove Ângulos. O aspecto mais tenebroso sobrevive, em essência, na Cerimónia de Lembrança e nas tradições associadas à Senhora da Terra e a Baphomet. Quanto ao nome original da deusa em ambos os aspectos, existe uma tradição que dá 'Darkat' (antiga forma de Lilith) como o nome usado antes de Baphomet se ter tornado de uso comum. No entanto, 'Azanigin' também já foi sugerido - tal como foi 'Aktlal Maka' para o aspecto 'luminoso'/Gaia, embora ambos sejam apenas sugestões do século XX, não baseadas em qualquer tradição oral. Diz-se que alguns aspectos na deusa (negra) sobreviveram nos tempos Gregos sob a forma dos 'cultos de mistérios' (vide Kabeiroi - e também Eleusis para o aspecto 'luminoso'), sendo estes uma 'sobrevivência indirecta', a tradição Septenária sendo directa, de Albion.

O uso do nome 'Baphomet' deriva provavelmente dos séculos X ou XI embora a representação pictórica tradicional de Baphomet seja indubitavelmente mais antiga. Se existia uma tradição oral ligada à origem do nome Baphomet, foi perdida.

Assim, não existem indicações quanto aos nomes 'originais' dos elementos 'luminosos' e 'sinistros' do lado 'masculino' - conhecidos por nós como 'Lúcifer' e 'Satanás'. Estes últimos nomes também datam provavelmente de meados do século X ou XI - embora 'Karu Samsu' (ou qualquer coisa muito semelhante) tenha sido sugerido para o aspecto 'Lúcifer' e 'Sapanur' para o aspecto 'sinistro'.

Os ritos associados com o primeiro tipo de opfer - tal como o 'Chamamento Sinistro' - não podem ser datados com certeza ou vistos como derivados de uma tradição mais antiga. Em toda a probabilidade, derivam do século XII ou XIII, embora seja muito possível que versões/formas antigas existissem. Algumas pessoas têm considerado o Chamamento Sinistro como uma versão posterior da Cerimónia de Lembrança. Mais uma vez, se existia uma tradição oral, foi perdida - tudo o que persiste são os próprios rituais.

A própria 'Missa Negra' (e na realidade a maior parte dos rituais n'O Livro Negro de Satanás) originaram-se provavelmente por volta da mesma altura do Chamamento Sinistro. A Missa original era dita em latim, embora a meio do século XX uma versão traduzida tenha encontrado o seu caminho para o Livro Negro - por necessidade, embora alguns cânticos em Latim tenham permanecido.

NOTAS: O significado do ciclo de 17 anos não é claro. Nas últimas décadas algumas teorias foram avançadas, mas não são convincentes.

Aktlal Maka é um cântico por vezes usado no Rito natural dos Nove Ângulos pela Sacerdotiza se a clareira tiver uma fonte de água. Significa 'as águas fluindo da Terra' e é cantado em homenagem a Gaia uma vez que as fontes naturais são vistas como as suas crianças.

Os mistérios dos 'Kabeiroi' (por vezes pronunciado Cabiri) são uma das tradições esotéricas associadas ao Aeon Helénico. Na sua forma original, 'os mistérios' respeitavam a determinadas deidades normalmente representadas na forma de grifos e ligadas ao mar assim como Deméter - a 'Mãe Terra' ou Gaia. Segundo a tradição esotérica, os mistérios respeitavam aos Deuses Negros - em variadas formas mutantes - e contavam como Deméter tinha dado aos primeiros Iniciados desta tradição um cristal (mais tarde venerado num santuário perto de Tebas, onde existia um bosque sagrado para Deméter) assim como também mostravam como um indivíduo, através de vários Ritos que envolviam Gaia, mulheres, casamento sagrado e por aí fora, podia ser transformado (transportado) para um nível diferente de consciência. Esta transformação, tal como noutros Cultos Gregos de Mistérios, era obtida principalmente através do envolvimento pessoal na acção ritual/cerimonial habitualmente de um tipo mitológico.

Mais tarde, esta tradição dividiu-se - Eleusis representando o elemento 'Apolíneo', e os Kabeiroi os aspectos 'Dionisíacos' ou sombrios, pois é dito que todos os iniciados dos Cabiri tinham de ter

cometido um crime maior que os crimes comuns.

Os mistérios dos Kabeiroi eram habitualmente celebrados em santuários em montanhas (algumas combinações de rochas e água subterrânea sendos vistas como sagradas - isto é, capazes pelo seu poder mágico de transformar a consciência dos indivíduos (confrontar alguns sítios sagrados do povo Yezidi que possuíam uma versão mais confusa da tradição dos Deuses Negros) e atingir estes santuários era considerado parte do processo da Iniciação.

Os Gregos chamavam aos Kabeiroi 'os grandes deuses'.

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B A P H O M E T – "Musa de Espadas" (segundo o Tarot

BAPHOMET "Musa de Espadas" (segundo o Tarot Sinistro)

Baphomet – Uma Nota no Nome I

O nome de Baphomet é visto pelos Satanistas Tradicionais como significando "a senhora (ou mãe)

de sangue" - a Senhora que por vezes se banha no sangue dos seus inimigos e cujas mãos estão assim

tingidas.

A suposta derivação é do grego βαϕη µητρα [baphē mētra] e não, como é às vezes dito, de µητιος

[mētios] (a forma Ática para 'sábio'). O uso do termo 'Mãe'/Senhora era bastante comum em escritos

gregos alquímicos tardios - por exemplo Iamblichus em "De Mysteriis" usou µητριζω [mētrizō] para significar possuído pela mãe dos deuses. Mais tarde escritos alquímicos tenderam a usar o prefixo para significar um tipo específico de 'amálgama' (e alguns tomam isto como uma amálgama do Sol com a Lua, no sentido sexual).

No Sistema Septenário, Baphomet, como Senhora da Terra, é ligada à sexta esfera (Júpiter) e à estrela Deneb. Ela é assim num sentido um "Portal Terrestre" mágico e a Sua reflexão (ou natureza 'causal' - por oposição à Sua natureza acausal ou Sinistra) é a terceira esfera (Vénus) relacionada com a estrela Antares. De acordo com a Tradição esotérica, o aspecto Antares era celebrado por ritos em Albion cerca de 3000 A.P. [Antes do Presente i.e. cerca de 1990 eh - 'era horrificus'] - no meio e em direcção ao fim do mês de Maio e dizia-se que alguns círculos de pedras / sítios sagrados estavam alinhados para Antares. Em contraste, o aspecto Sinistro da Senhora (i.e. Baphomet) era celebrado no Outono e estava relacionado com a subida de Arcturus, a própria estrela Arcturus estando ligada ao aspecto masculino Sinistro (Mercúrio - segunda esfera), mais tarde identificado com Lúcifer/Satanás. Assim, a celebração de Agosto era um hierosgamos [casamento sagrado] Sinistro - a união de Baphomet com o Seu esposo (ou 'Sacerdote' que tomava o papel do aspecto masculino Sinistro). De acordo com a Tradição, o Sacerdote era sacrificado depois da união sexual, onde o papel de Baphomet era assumido pela Sacerdotiza/Senhora do culto. Assim, a celebração de Maio era um (re-)nascimento de novas energias (e da criança da União). A Tradição conta este rito sagrado Sinistro e Arcturiano como tendo lugar uma vez em cada 17 anos. Mais uma vez, diz-se que alguns sítios sagrados em Albion estão alinhados com a subida de Arcturus, há mais de 3000 anos. Na Idade Média, Baphomet começou a ser vista como a Esposa de Satanás - e é desde este tempo que 'Baphomet' e 'Satanás' começaram a ser usados como nomes para o aspecto feminino e masculino do lado obscuro (pelo menos na tradição sinistra secreta).

Daí a representação Tradicional de Baphomet - uma bonita mulher adulta (frequentemente mostrada nua) segurando a cabeça decepada do sacerdote sacrificado (habitualmente mostrado com barba).

Até determinada etapa os Templários ressuscitaram parte deste grupo, mas sem qualquer entendimento esotérico e para os seus próprios propósitos. Eles adoptaram Baphomet como uma espécie de Yeshua [Jesus] feminino, mas com alguns aspectos sangrentos/sinistos - e contrariamente às ideias mais aceites, eles não eram especialmente 'Satânicos'. Mais que isso, eles viam-se a si próprios como _guerreiros_ sagrados, e tornaram-se num culto militar com laços de honra, embora o seu conceito de "sagrado" diferisse de certa forma do da igreja contemporânea, incluindo aspectos sombrios/Gnósticos. Os seus sacrifícios eram feitos em batalha e não faziam parte de um ritual específico.

A imagem de Baphomet (por exemplo segundo Levi) como uma figura hermafrodita é uma confusão

romântica e/ou distorção: essencialmente da união simbólica/real da senhora e do sacerdote e o seu

posterior sacrifício. O mesmo se aplica à derivação do sufixo do seu nome com 'sabedoria' (e uma imagem masculina nisso!) - até os confusos Gnósticos entendiam 'sabedoria' como feminina.

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Baphomet – Uma Nota no Nome II

Existe uma tradição respeitante à origem do nome Baphomet que merece ser registada, mesmo que não seja autêntica, não tendo quaisquer defensores actuais.

Esta tradição encara o nome como derivando de βουβαστις [boubastis] - o nome Grego para a deusa egípcia Bastet, registada por Heródoto (2137 ff). É interessante que Heródoto identifique a deusa com Ártemis, a deusa da lua. Bubastis era vista como a filha de Osíris e Ísis e frequentemente representada como uma fêmea com a cabeça de um gato - os gatos eram considerados sagrados para ela. Ártemis era uma deusa não movida pelo amor e era vista como a irmã gémea de Apollo (a identificação dela como uma 'deusa lunar' derivou naturalmente disto já que Apollo estava relacionado com o sol). Tal como Apollo, ela frequentemente enviava morte e pragas, e era por vezes presenteada com sacrifícios.

É interessante que (a) βουβαστεια [boubasteia] é o nome Pitagórico para 'cinco' [vide Iamblichus:

Theologumena Arithmeticae, 31] - talvez uma ligação com o 'pentagrama'?; (b) dizia-se que os Templários, com os quais o nome Baphomet é associado, veneravam a sua divindade sob a forma de um gato.

***

A tradição registada acima, e a descrita na parte 1, ambas representam Baphomet como uma divindade feminina - e ambas são tradições esotéricas, portanto não registadas. É possível que ambas estejam correctas, isto é, que o _nome_ Baphomet deriva (tal como mencionado na parte 1) do Grego βαϕη µητρα [baphē mētra]: referindo-se o prefixo a estar manchada ou molhada em sangue. O sufixo deriva de 'mãe' ou 'senhora' usado num sentido religioso (vide Iamblichus 'De Mysteriis'). Este nome - Baphomet - é portanto descritivo para a deusa "sombria" (lunar), a quem sacrifícios eram feitos, e que era na realidade conhecida em tempos antigos como 'Bubastis' - isto é, Bastet, para a qual os gatos eram sagrados. Assim, Baphomet podia ser vista como uma forma de Ártemis/Bastet - uma divindade feminina com um lado ou natureza 'sombria' (quando vista segundo a moralidade convencional) a quem sacrifícios eram, e continuam a ser, feitos. A tradição Sinistra vê Baphomet como a esposa de Satanás/Lúcifer - isto encaixaria bem uma vez que Lúcifer é frequentemente visto como uma forma de Apollo: Ártemis é a forma feminina ('irmã') de Apollo. Aqui, deve ser lembrado que tanto Apollo como Ártemis não eram divindades etéreas, morais e sublimes (os deuses clássicos foram romanticamente mal interpretados) - eles podiam ser, e eram frequentemente, mortais e 'sombrios': ambos 'sinistros' e 'luminosos'.

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Baphomet – Uma Note no Nome III

A Tradição fala de uma comunidade que venerava a deusa numa área do que é agora o Norte da Escócia. Acredita-se que esta comunidade constituiu os antepassados dos 'Pictos', e estava baseada perto do rio Oykel. A forma Latinizada do seu nome, dada por Ptolemeu, era Smertae, que significa 'manchado' ou 'povo tingido'.

O nome pelo qual esta comunidade conhecia a deusa não está registado, mas em inscrições Gaulesas existem referências a uma deusa da guerra chamada Rosmerta. O nome dela significa 'a grande deusa tingida' - isto é, manchada com sangue. É bem possível que os Smertae estivessem relacionados com a sua veneração, e dizia-se que eles se costumavam pintar ou tingir a si próprios com o sangue dos seus inimigos, na sua honra.

Um facto interessante, outro povo que vivia perto da região dos Smertae durante a mesma época, era conhecido por um nome que é traduzido como o 'povo gato' (ver Nota ao Nome II).

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