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VALERIA BITENCOURT MOROCINI

PROCESSSOS PSÍQUICOS CARACTERÍSTICOS DO PERÍODO PRÉ-


OPERATÓRIO E O PAPEL DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

IJUÍ, DEZEMBRO DE 2015


UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL – UNIJUÍ / FIDENE

DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO – DHE

CURSO DE PSICOLOGIA

PROCESSSOS PSÍQUICOS CARACTERÍSTICOS DO PERÍODO PRÉ-


OPERATÓRIO E O PAPEL DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

VALERIA BITENCOURT MOROCINI

ORIENTADOR: DANIEL RUWER

Trabalho de conclusão do curso de graduação apresentado ao


curso de Psicologia da Universidade Regional Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul-UNIJUÌ como requisito parcial a
obtenção do título de Psicólogo.

IJUÍ, DEZEMBRO DE 2015


AGRADECIMENTOS

Ninguém é uma ilha!

Ninguém é capaz de realizar um estudo deste tipo sozinho. Ou, mesmo que fosse possível, qual
seria a vantagem de ser a única envolvido neste trabalho?

A satisfação de saber que existem pessoas amigas que se comprometem em contribuir para o
sucesso desta pesquisa é muito grande.

Relacionamentos se solidificam, envolvimentos diversos tornam-se frequentes. Para aqueles que


direta ou indiretamente contribuíram na conclusão deste trabalho, deixo aqui meu mais sincero
agradecimento.

A minha família, meus irmãos, cunhados, em especial meus pais, Vera (in memoriam) e Morocini
que sempre buscaram a união da família como fator de realização pessoal e profissional de todos.

Aos meus filhos Cecilia e Giordano, por compreender as minhas ausências e impaciências e por
terem estado sempre ao meu lado, amo vocês!

A Patricia Franck Mognhon que se implicou o meu trabalho, e principalmente na minha vida, a
nossa amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade
um do outro.

Aos amigos, tenho um carinho muito especial a minha amiga Sônia Mayer que sempre acreditou e
apostou no meu potencial, nunca deixou que desistisse com palavras de incentivo, tenho muitas
saudades de você.

A minha grande e inesquecível amiga Rosana Ferreira, que mesmo ao longe acompanha meus
passos, sеmprе fez entender qυе о futuro é feito а partir dа constante dedicação nо presente!

Aos professores do Curso de Psicologia que contribuíram para meu maior conhecimento, em especial
Nilson Heidemann e Daniel Ruwer que puderam me acompanhar em meus dois estágios orientar
para o desenvolvimento do meu potencial dentro da área Social e Organizacional.

Gostaria de agradecer ao orientador Daniel, pela presença constante, por todo o apoio, feedback e
orientação dada. Por me apoiar em todas as minhas dificuldades e pela paciência em controlar a
minha ansiedade e nervosismo, tens o meu eterno agradecimento.

São muitos os agradecimentos a fazer a todos aqueles que me apoiaram ao longo do meu percurso
acadêmico. Todos se apresentaram igualmente importantes, não havendo por isso uma hierarquia
valorativa face a cada nome referenciado.

Muito obrigada a todos, sem vocês do meu lado, este percurso teria sido muito mais difícil!
RESUMO

O estudo desenvolve uma reflexão, a partir de uma abordagem qualitativa,


interpretativa do trabalho do psicólogo no campo hospitalar. Direciona sua análise
para um período específico da internação, a saber, o pré-operatório. Discute as
implicações emocionais que o paciente apresenta neste contexto e as possíveis
formas de intervenção do psicólogo. Apresenta os principais conceitos que
sustentam o trabalho do psicólogo hospitalar e a origem histórica destes. Pensa a
interação e o posicionamento do psicólogo na equipe que atende o paciente. Por
fim, interroga a repercussão tanto da internação, da doença, do posicionamento da
família, quanto do próprio manejo hospitalar do paciente em sua subjetividade.

Palavras-chave: Psicologia hospitalar; Pré-operatório; Humanização; Resiliência.


ABSTRACT

The study develops a reflection, using a qualitative and interpretive method,


about the psychologists work in hospitals. Directs its analysis to a specific period of
hospitalization, the pre-surgical. Discusses the emotional implications that the patient
has in this context and the possible forms of psychologist intervention. It presents the
key concepts that support the work of the hospital psychologist and the historical
origin of these. Debate the interaction and the psychologist's position in the team that
treats the patient. Finally, questions the impact of hospitalization, illness, family
support and the hospital's treatment in the subjectivity of the pacient.

Keywords: Hospital psychology; Pre-surgical; humanization; Resilience.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ......................................................................................... 06
1. CONFIGURAÇÕES DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL ........... 08
1.1. O surgimento da psicologia hospitalar e o processo de humanização ..... 08

1.2. O contexto do atendimento psicológico hospitalar no período pré-


operatório .................................................................................................. 13

2. O PAPEL DO PSICÓLOGO NO CONTEXTO HOSPITALAR ....................... 20


CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................... 31
REFERÊNCIAS ........................................................................................ 33
INTRODUÇÃO

A Psicologia Hospitalar é uma das áreas de atuação do psicólogo que mais


tem crescido no Brasil, na medida em que se enfatiza o caráter preventivo da saúde
e amplia-se a compreensão do próprio conceito de saúde, considerando não só os
aspectos físicos, como os emocionais envolvidos. Para o desenvolvimento e
estruturação de nosso estudo propomos refletir, a partir de uma abordagem teórica,
qualitativa e interpretativa, sobre o contexto e características que compõe a atuação
do psicólogo na área hospitalar, de modo específico na atenção a paciente no
período pré-operatório.

O trabalho dividiu-se em dois capítulos. No capítulo inicial apresentamos


alguns dos aspectos mais relevantes que marcam o surgimento da psicologia
hospitalar no Brasil. Compreender as origens é fundamental para entender o que é e
como se constitui este campo que teve seu início com o trabalho de Matilde Neder,
pioneira da área. Seu objetivo inicial foi analisar como os fatores biológicos,
comportamentais e sociais influenciam na saúde e na doença e no processo de
humanização do tratamento.

Dentro do contexto hospitalar, refletir sobre a humanização é central. Desde a


hospitalização, e, considerando o foco deste trabalho, no período que antecede a
cirurgia, o paciente é acometido por uma variedade de processos psíquicos. Todos
esses sentimentos geram estresse e insegurança, independente do grau de
complexidade, o ato cirúrgico poderá ser acompanhado de anseios, dúvidas e medo.
Processos psicológicos quando não reconhecidos e atendidos podem trazer
consequências para o processo de restabelecimento do sujeito.

O segundo capítulo, proporciona uma reflexão sobre a importância do


psicólogo no contexto hospitalar, no sentido de favorecer a compreensão dos
aspectos emocionais apresentados pelos indivíduos no período pré-operatório,
prevenindo-os quanto à desestruturação emocional e contribuindo com melhor
compreensão ao realizar ações humanizadas com o paciente-família-equipe nesse
7

ambiente, trabalhando, como facilitador da comunicação e da expressão humana


através da escuta, visando a representação e a elaboração do sofrimento em torno
do adoecimento.

Ao se deparar com a realidade do adoecimento, o indivíduo pode apresentar-


se em uma situação de vulnerabilidade, a qual lhe desperta a percepção de que o
controle sobre o mesmo ultrapassa seus limites transformando em medo da morte.
Nesse sentido, o estudo discute e identificar as cinco fases do processo de morrer,
descritas por Elizabeth Kübler-Ross, a partir da observação de pacientes sob seus
cuidados.

Por fim, debatemos a capacidade que o indivíduo possui de suportar o


impacto do adoecimento e do processo cirúrgico, abordando o conceito de
resiliência. Mostramos assim capacidade do indivíduo/família, de enfrentar e
responder de forma positiva a doença e a possibilidade de emergir deste contexto
um posicionamento subjetivo, muitas vezes silenciado pela objetalização da
condição de paciente.
1. CONFIGURAÇÕES DA PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL

1. 1 O surgimento da psicologia hospitalar e o processo de humanização

"Quando é que me desato dos laços que me dei?


Quando serei um facto? Quando é que me serei?"

Fernando Pessoa

A Psicologia Hospitalar é uma das áreas de atuação do psicólogo que mais


tem crescido no Brasil, na medida em que se enfatiza o caráter preventivo da saúde
e amplia-se a compreensão do próprio conceito de saúde, considerando não só os
aspectos físicos, como os emocionais envolvidos. Neste capítulo inicial
apresentamos alguns dos aspectos mais relevantes que marcam o surgimento da
psicologia hospitalar no Brasil - objeto de estudo deste trabalho – e os principais
pressupostos que a sustentam. No decorrer do texto, propomos refletir, a partir de
uma abordagem teórica, qualitativa, acerca do contexto e características que
compõe a atuação do psicólogo nesta área. Para desenvolver tal tarefa iremos focar
nosso estudo em momento específico da prática, qual seja, o acompanhamento de
pacientes no período pré-operatório. Todavia, iniciamos pela história. Compreender
as origens é fundamental para entender o que é e como se constitui este campo.

Registros do trabalho de psicólogos em hospitais gerais existem desde a


década de 1950. O início da Psicologia Hospitalar no Brasil foi marcado no ano de
1954, pela psicóloga Matilde Neder. A pioneira desta área ocupou-se
fundamentalmente com o processo de humanização, a equipe multidisciplinar e a
defesa da importância do psicólogo hospitalar. Neder percebeu durante sua atuação
como psicóloga de uma clínica de Ortopedia e Traumatologia em São Paulo, que o
tratamento hospitalar seguia os pressupostos da teoria reducionista. O paciente era
visto como uma máquina a ser reparada. O indivíduo não era visualizado como um
9

todo. Matilde Neder, dá início à psicologia hospitalar, mostrando que a humanização


é um das ferramentas principais para o alívio do sofrimento emocional gerado por
pacientes hospitalizados (PSICÓPIO, 2005).

Neder, ao inserir-se no trabalho hospitalar, procurou fazer uma adaptação


técnica de seu instrumental teórico, acoplando-o à realidade institucional. Houve
então a criação de modelos teóricos de atendimentos que visavam agilizar esses
atendimentos afim de torná-los adequados à realidade hospitalar. (ANGERAMI-
CAMON, 1995).

No esforço de buscar atender à demanda existente, desenvolveu um trabalho


inovador que inaugurou as atividades do psicólogo em hospitais no Brasil. Como
primeiros efeitos do trabalho, possibilitou-se que fosse observado pela equipe
médica e a de enfermagem do hospital o que a agitação apresentada por algumas
crianças após a cirurgia, ocasionava danos às peças de gesso e prejudicava o
trabalho de recuperação. O que permitiu que se desenvolvessem os primeiros
acompanhamentos psicológicos, direcionados ao período pré e pós-operatório,
especificamente de crianças submetidas a cirurgias de coluna e a seus familiares,
Neder iniciou com atendimentos individuais e, posteriormente, também foi ampliada
a grupos.

Em 1957, a psicóloga Matilde Neder é transferida para trabalhar no Instituto


de Reabilitação da USP, onde seu trabalho teve grande reconhecimento. Passou a
destacar-se para além da Psicologia Hospitalar, tendo reconhecimento no campo da
ciência psicológica em constituição do Brasil (PSICÓPIO, 2005).

A partir de Neder, o termo “humanização” é incluído no campo da saúde.


Originalmente, foi conceituado como o ato de tornar mais sociável, o que hoje, pode
ser traduzido como levar em consideração as necessidades verdadeiras do individuo
no período pré-operatório, sendo elas materiais, psicológicas ou sociais. Procura-se
considerar as características e necessidades de cada sujeito. A humanização no
bloco cirúrgico abrange desde o contato com o paciente até o atendimento de
familiares. Faz-se importante ressaltar para a questão da humanização nesse
ambiente onde se utiliza muitos recursos tecnológicos e a equipe deve ser treinada
10

para agir atentamente e com eficácia, o que contribui para tratar o paciente como um
objeto, sem necessidades e vontades.

Conforme Mezzomo (2003), a psicologia hospitalar faz uso de poderoso


instrumental no processo de humanização do paciente internado. Tratar o sujeito
de forma humanizada significa em assisti-lo como pessoa que sofre em suas
diferentes dimensões, tanto no corpo como no espirito, isto é, em sua totalidade.

A Humanização hospitalar é uma tarefa muito difícil e de grande


complexidade, pois envolve mudanças no modo de agir da equipe que atua no bloco
cirúrgico ou até mesmo dando suporte para os familiares. Com isso, essas ações
humanizadas podem contribuir para a melhora dos pacientes.

O objetivo principal da Humanização hospitalar é dar suporte ao individuo em


seu processo de adoecimento, tendo em vista o sofrimento que se estabelece nesse
momento gerado pela hospitalização. A Psicologia deve, portanto, contribuir para
que haja humanização no período que antecede ao procedimento cirúrgico
(pensando em nosso foco – o período pré-operatório), com um olhar diferenciado,
sensível e acolhedor. Contribuindo para a adesão ao tratamento, uma boa
comunicação entre paciente e profissional e uma diminuição da visão estigmatizada.

Por muitos anos foram utilizados recursos metodológicos e técnicas de outras


áreas do saber psicológico, os quais nem sempre eram congruente ao contexto
hospitalar. A inexistência de um paradigma claro que pudesse definir estratégias
dificultou a oportunidade de legitimação do espaço psicológico nas instituições de
saúde. A partir da pluralidade evidenciada no exercício da psicologia hospitalar,
iniciou-se um direcionamento de pesquisas e publicações a respeito dessas práticas
a fim de fortalecer a identidade do profissional dessa área. (ANGERAMI-CAMON,
2002).

Nesse sentindo a psicologia Hospitalar foi reconhecida como uma


especialidade pelo Conselho Federal de Psicologia a partir de 2002. Antes dessa
data a fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH), em 1997,
vem fortalecendo a área nesse contexto ajudando a unificar e regulamentar a
11

prática. A sociedade tem por objetivo ampliar o campo de conhecimento científico e


promover cada vez mais o profissional que se dedica a este campo. (ISMAEL,
2005).

Segundo Simonetti (2004, p. 33) “[...] na psicologia hospitalar o diagnóstico é


o conhecimento da situação existencial e subjetiva da pessoa adoentada em sua
relação com a doença”. Nessa perspectiva, é através do diagnóstico em Psicologia
Hospitalar, procura-se oferecer uma visão ampla e de várias dimensões sobre os
processos psíquicos ao adoecimento do indivíduo. O diagnóstico norteia o psicólogo
direcionando-o, onde ele encontrará os dispositivos mais significativos em relação à
história, às emoções, aos sintomas e às defesas do indivíduo, servindo como ponto
de partida para a sua intervenção.

Sendo assim, a psicologia hospitalar, surge como um suporte aos processos


que envolvem as relações entre médico, a equipe, o paciente e seus familiares.
Fundamenta-se em uma posição filosófica muito particular, que pode ser
compreendida se colocada em perspectiva com a posição filosófica que fundamenta
a medicina. Quando se faz isso, a primeira coisa que salta aos olhos é o fato de a
psicologia não ser referenciada pelo discurso médico. É certo que, na cena
hospitalar, medicina e psicologia se aproximam bastante, articulam-se, coexistem,
tratam do mesmo paciente, porém, não se confundem, já que possuem objetos,
métodos, e propósitos bem distintos: a filosofia da medicina é curar doenças e salvar
vidas, enquanto a filosofia da psicologia hospitalar é reposicionar o sujeito em
relação a sua doença. Segundo Simonette (2004):

A psicologia hospitalar surge não para curar a doença da pessoa


hospitalizada, pois disso já cuida e, muito bem o faz a medicina, mas
escutar a pessoa que está inserida no meio dessa doença, escutar a sua
subjetividade porque no fim das contas a cura em si não elimina a
subjetividade do sujeito, ou melhor, a subjetividade não tem cura
(SIMONETTE, 2004, p.33).
12

Nesse cenário existe a necessidade biológica e a necessidade psicológica.


Nesse caso, podemos afirmar que o médico trabalha com coisas a fazer e o
psicólogo trabalha com coisas a dizer (SIMONETTI, 2004). Ele também acrescenta
que

cena hospitalar é rica em conflitos e o psicólogo hospitalar cada vez mais


tem sido chamado a prestar seus serviços não ao paciente, mas aos
médicos, enfermeiras, equipe administrativa e familiares por meio de
programas de controle de estresse, cursos de relações humanas, etc.
(SIMONETTI, 2004, p.101 ).

Vale ressaltar também que o objeto de trabalho do psicólogo são as palavras,


ele fala e escuta, destacando que a escuta tem um papel principal, pois a angustia,
apesar de não ser resolvida, se dissolve nas palavras proferidas pelo sujeito. Assim
como diz Simonetti (2004), o psicólogo mantém a angustia do paciente na sua frente
para que ele possa falar dela, simbolizá-la, dissolvê-la. Sendo assim, a atenção
destinada aos processos psíquicos ocasionados em decorrência de um processo de
internação hospitalar é extremamente relevante para que haja uma melhor resposta
durante e após a internação, assumindo o psicólogo um importante papel neste
contexto.

É importante ressaltar que a função da psicologia no hospital não é melhorar


o trabalho da medicina e, tão pouco curar, tem seu valor principal fundado na
subjetividade. Acaba ajudando no trabalho de cura, e surgindo como um efeito
colateral positivo a fim de que este possa atravessar esse período com resiliência1.
A Psicologia Hospitalar "é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos
psicológicos em torno do adoecimento" (SIMONETTI, 2004, p. 15). Para enfrentar
esses processos psíquicos de ordem afetivo/emocional, a psicologia hospitalar é a
área da psicologia que proporciona aos indivíduos, familiares e profissionais da
equipe de saúde, o saber psicológico, que vem a resgatar a singularidade e a
subjetividade, suas emoções, crenças e valores. O objetivo da Psicologia Hospitalar
é a elaboração simbólica do adoecimento, ou seja, ajudar o paciente a atravessar a
experiência do adoecimento através de sua subjetividade (SIMONETTI, 2004).

1
Abordaremos o conceito de resiliência no segundo capítulo.
13

Um ambiente hospitalar é composto por pessoas com diferentes papéis


(medico – equipe – psicólogos, pacientes, familiares), os quais estão envoltos por
diversas emoções, sentimentos, manifestações conscientes e inconscientes, que
são chamadas de processos psíquicos. O papel principal da psicologia é diminuir o
sofrimento provocado pela hospitalização. Alguns profissionais da saúde exercem
um trabalho sem qualquer sentimento, sendo verdadeiras máquinas de perguntas e
respostas, outros estão despreparados não conseguindo lidar com as emoções dos
sujeitos. Nas empresas hospitalares os indivíduos são considerados como
mercadorias que trazem exclusivamente lucro, não tendo assim, preocupação com o
seu sentimento e seus familiares.

Segundo Simonetti (2004) a Psicologia Hospitalar define como objetivo de


trabalho não só a dor do paciente, mas também a angústia declarada da família, a
angústia disfarçada da equipe e a angústia geralmente negada pelos médicos.
Supõe-se que os processos psíquicos devem ser considerados individualmente para
facilitar essa relação entre as pessoas envolvidas como um todo, visando não só a
doença, mas sim o que permeia o desenvolvimento de tais processos, buscando
minimizar o sofrimento psíquico do paciente em adoecimento.

1.2. O contexto do atendimento psicológico hospitalar no período pré-


operatório

De acordo com Sebastiani; Maia (2005) referem que o paciente cirúrgico


nunca se sente totalmente seguro, pois este procedimento tende a ocasionar um
intenso desconforto emocional, manifestando sentimentos de impotência, medo da
morte, da dor, da mutilação, de ficar incapacitado, das mudanças na sua imagem
corporal. Assim frente à necessidade de realizar uma cirurgia, o paciente sente-se
psicologicamente afetado, pois nenhum individuo está preparado, a priori, para um
procedimento cirúrgico. O psicólogo deve intervir de maneira a auxiliar na
compreensão vivida nesse momento, estabelecendo um elo de confiança entre
14

paciente e a equipe de enfermagem, possibilitando a fala referentes as fantasias e


devaneios.

Compreende-se então, que nenhum indivíduo está completamente apto para


enfrentar um procedimento cirúrgico, sendo importante um acompanhamento
psicológico no período pré-operatório. Para SPIELBERGER (1979), se um estímulo
interno ou externo ao sujeito for interpretado como perigoso ou ameaçador, este
desencadeará uma reação emocional caracterizada como um estado de ansiedade.
Nesse sentido, o psicólogo deve atuar com o objetivo de minimizar a angústia e a
ansiedade do indivíduo, resgatando a sua particularidade e subjetividade
trabalhando na tríade de relação, composta por paciente-família-equipe, projetando
um clima de confiança, facilitando a verbalização das fantasias derivadas dos
processos psíquicos do procedimento cirúrgico. Contudo, pode-se observar vários
aspectos psicológicos confusos e dolorosos que podem acometer os indivíduos a
partir do aparecimento da doença e ser agravado no momento do procedimento
cirúrgico, transformando em adoecimento.

A doença leva o individuo a uma condição de crise, esse momento rompe


com seu equilíbrio físico e psicológico, pois não foi escolhido pelo paciente estar
nessa posição, razão porque a doença, por si só, constitui-se como um evento
gerador de angústias, medo e ansiedades. A ansiedade é a reação ao perigo ou à
ameaça definidas como reação de luta e fuga, ou seja, mecanismos de defesa que
tem por finalidade reduzir manifestações que pode colocar em perigo os aspectos
psíquicos. É assim porque tende a lutar ou fugir do perigo visando proteger o
organismo. No contexto da cirurgia, não é diferente. É possível supor que a
antecipação desse evento desencadeia sentimentos potencialmente negativos,
baseados na avaliação de cada indivíduo. Além disso, o adoecimento não acomete
unicamente o paciente, e sim toda sua família e o círculo social em que convive.

Nessa perspectiva Carraro (1997) enfatiza que


15

Uma situação cirúrgica envolve não apenas o ato cirúrgico em si, [...] mas
envolve mudança da rotina diária do ser humano, separando-o do contexto
a que está habituado e expondo-o ao estresse de uma hospitalização
carregada de características e singularidades. Dentre estas características
destacam-se a solidão, o medo, a ansiedade, a esperança, a mudança de
hábitos e a necessidade imposta de se relacionar com a diversidade de
pessoas de princípios desconhecidas, entregando-se aos seus cuidados.
(CARRARO, 1997, p.4)

Nesse contexto o indivíduo tem que aceitar o fato de estar doente, enfrentar o
processo cirúrgico e se organizar, já que existe uma ruptura em seu cotidiano
deixando-o bastante vulnerável ao ambiente hospitalar provocado pela sensação de
ausência de controle sobre os procedimentos invasivos. Nesse sentido, prevalecem
os exames clínicos, medicamentos administrados, internações entre equipes,
afastamento de familiares, a pessoa perde sua liberdade, seu querer, deixa de ser
ela mesma, deixa de ser autêntica para ser impessoal, passa a ser submissa e
dominada nesse período que antecede a cirurgia.

O período que antecede a cirurgia apresenta uma terminologia específica.


Quando o paciente necessita de um procedimento cirúrgico e este é agendado, diz-
se que ele se encontra no período perioperatório, que compreende as fases: pré-
operatório mediato e imediato, transoperatório, recuperação anestésica e pós-
operatório (SOBECC, 2005). A necessidade de hospitalização e de intervenção
cirúrgica potencializa as ameaças pelas quais ele passa, fazendo-o vivenciar um
momento de ansiedade que interfere no curso do seu tratamento e na sua
recuperação. A ansiedade pode ser vivida pelos pacientes de modos diversificados,
podendo interferir no curso do procedimento cirúrgico e na sua recuperação.

Na Hospitalização até o momento do procedimento cirúrgico no bloco, ainda


que haja dor física, na maioria das vezes vem acompanhada de processos psíquicos
de sofrimento frente a esse novo contexto, Esta dor pode ser apenas física, mas
também pode ser uma dor psíquica onde o individuo começa fantasiar sentimentos
desconhecidos pelo fato de ter a sua saúde ameaçada. Segundo Simonetti (2011),
define esses aspectos psicológicos como as manifestações subjetivas da doença,
16

que são as crenças, os sonhos, os conflitos, o estilo de vida, as lembranças e os


pensamentos. Ou seja, parafraseando o próprio autor, a doença não fala, o doente
sim, esses aspectos podem envolver a doença, transmutando-a em adoecimento,
agravando o quadro clínico.

A função do psicólogo diante do indivíduo que se vê no período pré-operatório


é de dar suporte a essa nova realidade, onde ele se encontra afastado da família, da
rotina, com incertezas quanto ao tratamento, como diz o autor, psicólogo não deve
diagnosticar a doença, mas sim o que a doença faz o paciente sentir, é um olhar
para além do biológico.

O acompanhamento psicológico ao paciente cirúrgico é abordado por


Sebastiani e Maia, que destacam as contribuições da psicologia na atenção ao
paciente cirúrgico:

(...) O psicólogo deve atuar com o objetivo de minimizar a angústia e


ansiedade do paciente, favorecendo a expressão dos sentimentos e
auxiliando na compreensão da situação vivenciada, proporcionando
também, um clima de confiança entre o paciente e equipe de saúde, e
facilitando a verbalização das fantasias advindas do processo cirúrgico. (
SEBASTIANI, 2005, p. 54)

Em outras palavras a situação de hospitalização será sempre seguida de um


sofrimento, de uma dor. Assim, diante da constatação de que a avaliação dos
sentimentos ocasionados em decorrência de um processo cirúrgico é extremamente
relevante para uma melhor resposta durante e após a cirurgia; e diante também do
fato de que o psicólogo assume um importante papel neste contexto.

Conforme Angerami-Camon (2002), mesmo sem a intenção de negar que o


passado de uma determinada pessoa irá influenciar não apenas em sua conduta,
mas também em sua recuperação física, ainda assim não está errado a afirmação
de que a situação de hospitalização é algo único enquanto vivência, não havendo a
possibilidade de previsão anterior à sua própria ocorrência.
17

Segundo SPIELBERGER (1979), é esperado que indivíduos com alto traço de


ansiedade respondam com elevação do estado de ansiedade às situações. Ao ser
submetido a um procedimento cirúrgico o ser humano apresenta processos
psíquicos relevantes e perceptíveis em relação ao medo. Geralmente tem medo de
sentir dor, medo de mostrar medo, da anestesia, medo de uma série de aspectos
que compõe as fantasias de mutilação, de ficar desfigurado ou incapacitado, e
principalmente, medo de morrer.

A anestesia pode despertar sentimentos ambivalentes no individuo, pois ao


mesmo tempo que ela evita dor, ela retira o controle do próprio corpo fazendo o
individuo assumir uma posição passiva no procedimento. O próprio termo "submeter-
se" a procedimento cirúrgico indica a aceitação de um estado de dependência,
maximizando o medo fantasiando que aconteça algo errado e esteja fora do seu
controle.

Se considerarmos o pressuposto da evolução das técnicas médicas, o medo


que o paciente sente da anestesia deve ser entendido antes como decorrente de
suas construções e menos do risco propriamente dito. Nesse sentido, pode-se
pensar que esse medo da anestesia deve-se, em grande parte, aos aspectos
emocionais que o momento vivenciado pelo individuo está fantasiando.

O procedimento cirúrgico é um ato da medicina que está voltado para a cura


das doenças. Se entendemos que apesar do avanço tecnológico nas cirurgias e
anestesias não há o sentimento de segurança, precisamos compreender que resta
algo do campo subjetivo a ser escutado e trabalhado pela psicologia.

O fato de ser anestesiado implica em uma total perda do controle sobre o


próprio corpo, o que pode significar extrema angústia em quem vivencia essa
situação. Assim, perante a indispensabilidade de realizar um procedimento cirúrgico,
o individuo se sente ameaçado, embora a realidade seja sempre manifestada pela
imaginação, esse processo psíquico nunca é totalmente imaginário, ele tem pelo
menos em parte uma base concreta. A cirurgia realmente vai acontecer e não existe
18

nenhum termo de garantia dizendo que não existe nenhum risco de que alguma
coisa possa dar errado.

O período pré-operatório é, portanto, vivenciado pela forma com que o


paciente elabora a situação vivida, sendo considerado uma transição na vida do
sujeito. O acompanhamento de paciente cirúrgico é campo de atuação desafiador
por gerar em cada indivíduo grande instabilidade. Esse processo traz em sua
estrutura uma possível desorganização da sua vida, de modo que ocasiona várias
alterações em sua subjetividade. Certo medo e ansiedade são reações consideradas
normais. Porém, na medida em que essas condições se elevam e se somam à
tensão, que o individuo sai do conforto do seu lar e se esbarra com a hospitalização
que gera estresse ou outras condições adversas do estado emocional, o sujeito
sofre interferências em seu organismo que podem prejudicar o procedimento,
deixando profundas alterações, que podem ser passageiras ou permanentes.

Durante o período pré-operatório a identificação de necessidades psicológicas


permitem a execução de um plano de intervenções que visem um restabelecimento
rápido e seguro dos indivíduos em fase cirúrgica (SEBASTIANI; MAIA, 2005). Neste
âmbito, ressalta-se a relevância da psicologia hospitalar no atendimento a indivíduos
em fase antecedente ao ato cirúrgico (YAMADA; BEVILACQUA, 2005). Decorre daí
a importância do papel desempenhado pelo psicólogo, uma vez que este atua de
maneira a proporcionar aos indivíduos institucionalizados suporte emocional frente
aos mais variados sentimentos (ANGERAMI-CAMON et al.,1995), assim como
referência Simonetti ( 2004), segundo Freud, tratamento psicológico “é o cuidado
que qualquer individuo presta ao outro a partir de sua presença em pessoa”.

Durante esta fase o sujeito passa, comumente, por um processo denominado


despersonalização, ou seja, perde-se a individualidade. Neste momento a pessoa
institucionalizada deixa de possuir seus bens, deixa de ter seu nome e passa a ser
chamada pelo número do leito que ocupa ou pela patologia que possui. Situações de
constrangimento por exposições de seu corpo durante a realização de determinados
procedimentos são aspectos vivenciados por pacientes no pré-operatório. Todas
essas e outras situações são momentos presenciados na vida dos enfermos antes
do ato cirúrgico (ANGERAMI-CAMON et al.,1995).
19

Segundo os autores acima referenciados, a despersonalização do individuo


ocasiona alterações no estado emocional dos mesmos, pois acontece uma cisão da
sua vida normal. Estas perturbações emocionais podem causar complicações no
período de trans e pós–operatório imediato e tardio, pois ao tornar-se paciente, ele
torna-se vulnerável aos procedimentos invasivos sem que lhes peçam autorizações
e consentimento trazendo assim consequências para seu processo de
restabelecimento.

Assim como referência Sebastiani:

Com as rotinas de tratamento, o paciente sente-se, se quisermos falar do


aspecto físico, agredido e invadido (invasão que ocorre, por exemplo,
através de sondas, cateteres, drenos, etc.), gerando sentimentos de
dúvidas, medo, expectativas, sensações estranhas em sua corporeidade,
etc., atingindo e, até comprometendo sua identidade (SEBASTIANI, 2005).

É visivelmente notável a quantidade de reações vividas na fase que antecede


o procedimento cirúrgico, pode-se inferir que esses momentos são fantasiados pelo
individuo de uma forma dramática e assustadora. O medo do desconhecido é a
principal causa da insegurança e da ansiedade do paciente pré-cirúrgico. Como
referimos, ele teme a morte, a anestesia (temor de acordar no meio da cirurgia e de
sentir dor durante o procedimento) o procedimento em si, a recuperação. Frente a
essa situação, o profissional psicólogo desempenha uma função de extrema
relevância, uma vez que este atua de forma a possibilitar a minimização de tamanho
sofrimento (SEBASTIANI E MAIA, 2005; ANGERAMI-CAMON et al., 1995). Assim,
para que exerça uma assistência qualificada, é necessário que este atue de forma a
contextualizar o paciente em uma dimensão biopsicossocial humanizadora
(MEZZOMO et al., 2003). Esta atuação que passamos a discutir no segundo
capítulo.
2. O PAPEL DO PSICÓLOGO NO CONTEXTO HOSPITALAR

“Tão importante quanto conhecer a doença que o homem tem,


é conhecer o homem que tem a doença.”

(Osler)

A área da psicologia no ambiente hospitalar é relativamente nova, e as


instituições hospitalares muitas vezes desconhecem a exata função do psicólogo.
Cabe a ele situar à instituição o que pode ser oferecido em termos de atuação e
ajuda ao paciente.

O psicólogo hospitalar tem por objetivo observar os aspectos psicológicos do


indivíduo doente e sua a subjetividade em torno da doença, sendo eles:
sentimentos, emoções, fantasias, sonhos, lembranças e crenças não se limitando
apenas ao adoecimento, mas também abrangendo os familiares da pessoa doente e
também a equipe médica, trabalhando, assim, os aspectos psicológicos e a
subjetividade que eles “carregam” devido ao processo de adoecimento. Além de
proporcionar uma melhor ligação entre a tríade paciente-equipe médica-familiares,
fortalecendo a relação entre eles (SIMONETTI, 2004).

Considerando a especificidade de nosso tema - a atuação psicológica


hospitalar no período pré-operatório - o psicólogo no bloco cirúrgico deve fazer o
manejo do vínculo entre o indivíduo e a equipe multidisciplinar. Para que isso
aconteça é de vital importância que o psicólogo entenda as atividades que serão
desenvolvidas pelos demais componentes que pertence a essa tríade, bem como
os limites de cada um, viabilizando uma ação integrada em um único manejo a fim
de entender e atender o sofrimento psíquico do ser humano como um todo.

A multidisciplinariedade corre o risco de fragmentação no bloco cirúrgico e


consequentemente, a fragmentação do indivíduo. O elo precário que envolve
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paciente e equipe nesse setor pode promover mais sofrimento do que o esperado
para o sucesso do procedimento. O psicólogo tem papel fundamental no momento
que antecede a cirurgia, juntamente com o indivíduo, atuando como facilitador nessa
relação, com o objetivo de favorecer a comunicação, reflexão e conscientização de
todos os envolvidos neste difícil processo.

Nesse sentido, o psicólogo no contexto hospitalar não se refere apenas à


atenção direta ao paciente, refere-se também atenção que é dispensada à família e
a equipe de funcionários do bloco, para que dentro de sua atuação profissional,
possa diminuir o sofrimento que a hospitalização e a doença causam ao indivíduo.
Estar atento, principalmente, para a maneira como ele reage frente ao período que
antecede a cirurgia, como a sua vida psíquica e sua vida social interfere na dinâmica
subjetiva, e também como se estabelecem as relações psicológicas entre o
paciente, a família e a equipe que compõem o bloco cirúrgico.

Assim sendo, o acompanhamento psicológico no pré-operatório é necessário


para que possam identificar e conhecer os sentimentos do indivíduo no momento em
que estes podem surgir e, além disso, saber interpretar e auxiliá-lo, para que suas
fantasias possam ser controladas e minimizadas, com apoio e compreensão.
Lembrando-se desta forma que entrar na instituição não é sinônimo de perder a
identidade e aceitar regras impostas, sendo imprescindível resgatar os valores
humanos deste paciente, deixando-o decidir sobre seu corpo e a assistência
recebida.

Neste contexto alguns conceitos são de vital importância e o psicólogo deve


ser um elo especializado do ponto de vista técnico para detectar as necessidades
dos indivíduos, familiares e equipe em relação ao momento que estão vivendo. Pois,
o objetivo do mesmo é compreender como os fatores biológicos, comportamentais e
sociais influenciam na saúde e na doença.

Quando um sujeito tem o diagnóstico de um procedimento cirúrgico, não


importa qual seja, a primeira reação é de desespero: "estou doente , vou para uma
cirurgia e posso morrer!". Neste momento há uma real percepção da finitude da vida
humana, através da antecipação da presença da morte. Este impacto inicial é o
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marco dos processos psíquicos desenvolvidos pelas fantasias causados pelo


momento que antecede a cirurgia e o paciente poderá entrar em um processo de
luto.

O procedimento cirúrgico, inicialmente, pode ser entendido pelo paciente


como "reconfortante", pois através dele, poderá "acabar com isso logo", ele será
tratada, finalizando um "problema". No entanto, a "alegria, o alívio" motivado por esta
fase que se inicia do tratamento tem um certo tempo de duração, até o momento em
que o indivíduo conscientiza-se dos riscos do procedimento, aí pode iniciar-se o luto.
Luto pelo corpo que agora fica alienado aos procedimentos invasivos, gerado pelo
desamparo e angustia; luto de si mesmo, pela possibilitada, real ou não, de sua
morte durante a cirurgia.

Sendo assim, é de vital importância que seja analisados os aspectos


psicológicos que envolvem os indivíduos no período que antecedem a cirurgia. Ao
receber o diagnóstico, o paciente e a família iniciam alguns processos psíquicos
importantes. Para além do tratamento médico são também convocados a lidar com
conteúdos emocionais tais como ansiedade, tristeza, angústia, frustrações e
esperanças. A grande maioria dos indivíduos se deparam com muitas questões,
entre elas o medo da alteração da qualidade de vida, dos efeitos colaterais do
tratamento, da não eficácia do tratamento e principalmente o medo de morrer.

Em pesquisa realizada no Hospital Billings da Universidade de Chicago, na


década de 1980, a terapeuta Elisabeth Kubler-Ross, investigou o comportamento de
pacientes crônicos e terminais, como eles lidavam com o processo da morte. A
pesquisadora identificou alguns estágios, que se tornaram clássicos no campo
hospitalar, pelos quais os pacientes passam durante do período de tratamento de
uma doença grave ou diante do processo de morrer.

Kübler-Ross proporciona uma melhor compreensão do modo como a


iminência da morte afeta o indivíduo, os profissionais que o servem, e a sua família,
trazendo a esperança a todos os que estão envolvidos no processo, sendo estes: a
negação/isolamento, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Sendo assim
podemos encontrar nos indivíduos que estão no período pré-operatórios esses
estágios
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Segundo Kübler-Ross, citada por Simonetti (2011):

Todos os nossos pacientes reagiram quase do mesmo modo com relação


às más noticias (o que é típico não só em casos de doença fatal, mas
parece ser uma reação humana a pressões fortes e inesperadas), isto é,
com choque e descrença. Muitos de nossos pacientes fizeram uso da
negação, que podia durar de alguns segundos até muitos meses. Essa
negação nunca é uma negação total. Depois dela predominava a raiva e a
revolta, manifestadas dos modos mais diversos, como uma inveja dos que
podiam viver e agir. Quando os circunstantes conseguiam suportar essa
raiva sem assumi-la pessoalmente, ajudavam o paciente a alcançar o
estagio temporário de barganha, seguido pela depressão que era o
trampolim para a aceitação final. (KÜBLER-ROSS apud SIMONETTI, 2011,
p.38-39).

Os estágios, não possuem um tempo predefinido para acontecerem. Abaixo


as principais características de cada estágio

1º Estágio: Negação/Isolamento

A fase do diagnóstico é um momento em que o individuo é acometido por um


grande choque e não acredita no que está acontecendo. No primeiro estágio, a
negação e o isolamento servem como um mecanismo de defesa temporário, um
para-choque que alivia o impacto da notícia, uma recusa a confrontar-se com a
situação.

Segundo Simonetti (2011), na maioria das vezes o nosso encontro com a


doença, é mais parecido com um tropeço inesperado, e que nos desconcerta, do
que uma entrevista marcada com antecedência e para a qual podemos nos
preparar com vagar. Esse mesmo autor ainda pontua que esse “tropeço” no real faz
com que nos defrontemos com uma realidade cruel e absurda porque não existe a
possibilidade de representação psíquica da própria morte.

Embora considerado o primeiro estágio, pode aparecer em outros momentos.


Muitas vezes também o indivíduo para sustentar seus sentimentos tem necessidade
de investigar, recorrer para sites, ter outras opiniões sobre a doença, faz
questionamentos sobre os exames e algumas vezes ainda insiste em repeti-los.
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Comportamentos esses, de negação, não são racionais, são mecanismos de


defesas que eles utilizam para poder sustentar a situação que se encontram, com
isso a negação deve ser respeitada. Normalmente ela é temporária, muitas vezes
sendo uma defesa saudável, podendo ser logo substituída por uma aceitação
parcial. É de suma importância ressaltar que todo indivíduo em algum momento fará
uso da negação e que o isolamento acontecerá mais tarde a negação como um
"esconderijo" para se resgatar.

2º Estágio: A raiva

A raiva é a fase na qual surgem sentimentos de ira, revolta, e ressentimento e


inveja de quem esta com saúde no momento: “porquê eu?”. Nesse momento o
individuo não consegue mais se fixar no estágio da negação com isso, não sendo
mais possível negar a doença, a reação passa a ser de revolta, entra em contato
com a dura realidade e os sentimentos são substituídos por esse mecanismo de
defesa, torna-se mais difícil lidar com o paciente, e ele acaba sendo rotulado como
“paciente difícil”, pois a raiva se propaga em todas as direções, projetando-se no
ambiente, muitas vezes, sem “razão plausível”. Conforme Simonetti (2011):

O termo “paciente difícil”, tão comum nas enfermarias dos hospitais, não se
refere a um paciente cuja doença exija muito da equipe médica quanto à
técnica, esse se denomina, na verdade, um caso grave, mas designa o
paciente que tem problemas de relacionamento, seja por que esta sempre
de cara fechada, não querendo conversar com ninguém, seja por que é
muito critico ou sarcástico com os que cuidam de sua saúde, como
médicos, enfermeiras ou familiares. O paciente difícil é o protótipo da
pessoa na posição de revolta, embora alguns pacientes na posição de
pressão também possam receber esse rotulo. (SIMONETTI, 2011, p. 47).

Em momentos como esse, o indivíduo pode apresentar certa agressividade


com os que cuidam dele, tanto com equipe de saúde quanto com a família. Essa
agressividade pode fazer com que a equipe evite conscientemente ou
inconscientemente de lidar com ele.
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De acordo com o mesmo autor,

consciente: “ah, desse daí eu não cuido”; ou inconsciente, por meio de


pequenos esquecimentos dos horários de medicação, cuidados muito
apressados, silêncio temeroso, etc. Na doença, como na vida, raivosos
despertam medo e afastamento. Tratar esses pacientes por esse caminho
do isolamento só faz piorar a situação. (SIMONETTI,2011, p. 47).

O importante neste estágio é dedicar tempo e atenção ao paciente com muito


respeito, pois logo ele diminuirá sua agressividade e sua raiva, pois nesse momento
ele tem dificuldade em lidar com essa nova realidade, Simonetti ( 2011, p 47) nos
diz que quando eles podem ser escutados em sua revolta e mal humor, quando
podem ter seus sentimentos reconhecidos, seus medos ventilados numa conversa
desarmada, geralmente melhoram muito em seus relacionamentos.

3º Estágio: Barganha

Este estágio apresenta-se em um tempo curto, é o menos conhecido. O


individuo adota a estratégia de fazer “acordos” e promessas, geralmente com
alguma força superior, para adiar.

A maioria das barganhas, geralmente são mantidas em segredo negociadas


com Deus. Assumem características de súplicas, pois dificilmente o individuo tem
alguma coisa a oferecer a Deus, além de sua vida, e como este parece estar
tomando-a.

Normalmente, as promessas podem estar associadas a um processo de


culpa, ou seja, a algum comportamento que o indivíduo teve durante a vida e liga a
doença a este comportamento e deseja fazer a promessa que não repetirá tal
comportamento ou que melhorará como pessoa. Por isso é de vital importância a
escuta entre paciente x família e paciente x equipe de saúde, pois estes podem
ajudar a diminuir este sentimento de culpa quanto a alguma situação.
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4º Estágio: Depressão

Quando o tratamento não acontece da forma planejada ou que é obrigado a


submeter-se a um procedimento cirúrgico. Quando o individuo se entrega
passivamente e entra de fato em contato com sua doença, a mesma se agrava, este
processo psíquico depressivo pode apresentar-se de muitas formas.

Nessa etapa, trata-se de uma atitude evolutiva, negar não adiantou, agredir e
se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento
de grande perda. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua
e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos
sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico;
desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, etc.

Nessa perspectiva Simontetti (2011), enfatiza que:

Ao contrário da posição negação, com seu pensamento onipotente, a


posição de depressão evidencia um pensamento com conteúdo de
impotência: é o polo oposto. A pessoa não se acredita capaz de ficar curada
nem capaz de enfrentar a situação provocada pela doença, e geralmente
percebe seu estado de saúde como sendo mais grave do que realmente é.
Outras vezes essa impotência se estende levando a uma descrença nos
poderes terapêuticos da medicina e na psicologia. . (SIMONETTI, 2011,
p.57).

Os pacientes ficam bastante vulneráveis nessa fase, é necessário e saudável


se o paciente entrar num estágio de aceitação. Vale salientar, que existem outros
tipos de depressão e que alguns indivíduos já podem ter apresentado outro estado
depressivo em outros momentos da vida e que somente um profissional apto poderá
investigar e realizar o diagnóstico.

5º Estágio: Aceitação

Nesse estágio o sujeito passa a aceitar a sua situação e seu destino. Deixou
de ficar na posição de fantasia e onipotência. Nessa fase se o indivíduo recebeu
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suporte e tiver sido respeitado seu tempo para lidar com as questões que norteiam
seu adoecimento e para superar os estágios escritos acima, atingirá uma fase que
não sentirá depressão.

Segundo Simonetti (2011 p.63), é como se ela tivesse conseguido esvaziar a


doença de todos os seus sentidos imaginários, ficando apenas com seu caroço, um
núcleo duro do real que não demanda sentido, e sim pede posicionamento. É um
mecanismo de defesa de fuga dos processos psíquicos, como se a dor e os
sentimentos se tornassem mais amenos.

Quanto mais o indivíduo resiste ao que está acontecendo, mais difícil é


chegar ao estágio de aceitação. Os pacientes que melhor reagem são os que são
encorajados a manifestar suas raivas, chorar quando necessitam, a falar seus
temores e fantasias. O único sentimento que geralmente persiste em todos os
estágios é a esperança.

Segundo Simonetti (2011 p. 67), a esperança é:

o fio que sustenta e conecta as quatro posições (...) ela esta presente,
sempre, ate no ultimo instante. A esperança é um fator que se repete em
todas as posições, pode ate ter uma “cara” diferente ou vir disfarçada, mas
ela esta lá. Na negação é do tipo exagerada, na revolta querelante,
exigente, na depressão mínima, quase nada, e no enfrentamento matizada
pelo real. (SIMONETTI (2011 p.67).

Kübler-Ross, citada por Simonetti, enfatiza essa questão:

qualquer que fosse o estágio da doença, quaisquer que fossem os


mecanismos de aceitação utilizados, todos os nossos pacientes
mantiveram, até o ultimo instante, alguma forma de esperança (...) essa
esperança deve ser mantida, não importa a forma como seja. (KÜBLER-
ROSS apud SIMONETTi, 2011, p.68).

Sendo assim, o único sentimento que geralmente persiste em todos os


estágios é a esperança. Ela sustenta psicologicamente o indivíduo que antecede ao
procedimento cirúrgico. Porém, nem todos os pacientes passam por todos os
estágios e nem necessariamente acontecem nesta ordem, podendo ser até mesmo
que regresse para alguma etapa ou nunca vivencie algum estágio.
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A partir do momento que o psicólogo possui conhecimento de qual das fases


destes estágios se encontra no período que antecede a cirurgia, fica mais fácil lidar
com o indivíduo e seus familiares, pois a família também pode passar pelos
estágios, e muitas vezes precisar de suporte para lidar com seus sentimentos e
emoções, favorecendo um melhor entendimento da complexidade dos sentimentos
vivenciados, tanto pelos familiares quanto pelo paciente diante do adoecimento ou o
período que antecede a cirurgia.

Em alguns casos, a família é vista como algo que pode atrapalhar o


tratamento. A expectativa que ela tem é que alguém dê uma certeza. É justamente
por ser uma situação crítica que ela precisa de cuidados constantes junto ao
paciente.

É comum que se produzam desencontros de objetivos que envolvem


paciente, família e equipe medica. A este respeito relata Simonetti, no Manual de
Psicologia Hospitalar

O paciente que sente a dor quer se livrar dela o mais rápido possível: seu
interesse está no sintoma. A Família, angustiada com o sofrimento do
paciente, quer se assegurar que a doença não é tão grave e que ele vai
ficar bom: seu foco de interesse esta no prognóstico. Já o medico esta
muito interessado em descobrir qual a causa da dor do paciente: ele quer
descobrir o diagnóstico, pois dele depende para instituir o melhor
tratamento.(SIMONETTi, 2011, p.19)

Quando a família tem a demanda de buscar informações, e não é ouvida, é


vista como algo que esta solicitando demais, colocando em dúvida o procedimento
dos profissionais, criando problemas. Com isso, é de suma importância o
acompanhamento dos familiares nesse momento que antecede a cirurgia, essa
aliança com ela é apontada como o primeiro dispositivo para o tratamento com o
individuo, objetivando, cada um no seu contexto, o melhor suporte emocional para o
indivíduo.

Conforme temos constatado em nosso estudo, o adoecimento e a iminência


de um procedimento cirúrgico, gera momentos de crises e desestruturação tanto
para o paciente quanto para a família. Cada um vivencia esse contexto no qual está
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inserido de maneira diferente, pois as sensações e simbolismos atuais vão depender


de experiências anteriores passadas, assim como o tempo que cada pessoa vai
necessitar para sua reestruturação psíquica.

Messa (2010), corrobora esta concepção, entendendo que o surgimento de


uma doença gera crise e desestrutura a vida não só do paciente, mas também de
todo o sistema familiar, pois a família é o primeiro grupo de relações que o indivíduo
está inserido. Todos necessitam se organizar e se adaptar a nova situação
tornando-se cada vez mais fortes despertando mecanismos de resiliência, conceito
de grande relevância na abordagem hospitalar.

A resiliência no âmbito familiar envolve o potencial de crescimento e


transformação que pode ser construído nas relações familiares em situações de
adversidade. Os processos familiares medeiam o impacto do estresse em todos os
membros das famílias e em seus relacionamentos, estimulando a resiliência ou
aumentando a vulnerabilidade (WALSH, 2003; 2005).

Esse processo de resiliência faz com que todos envolvidos tenham


capacidade de tolerar os acontecimentos e elaborá-lo psiquicamente, ou seja, o
indivíduo passa por um processo e tem um acontecimento, tem uma mudança, e
mesmo assim tem a capacidade de se reposicionar. Promover as transformações
necessárias para alcançar o seu propósito.

Segundo Wielenska

A resiliência, a capacidade de nos refazermos depois de um baque,


depende de tolerarmos as frustrações, de conseguirmos assimilar os fatos,
de encontrar as alternativas possíveis, negociando com a vida e refazendo
nosso caminho. Aceitar as emoções, sem fugir delas, requer um
compromisso com as coisas mais essenciais da vida.(WIELENSKA, 2015,
n.p.)

Segundo Silva (2005, p.95), o conceito de resiliência é comumente definido


como a capacidade do indivíduo, ou a família, de enfrentar as adversidades, ser
transformado por elas e conseguir superá-las. A realidade em que o sujeito vive
pode ser ameaçadora, colocando em risco a qualidade de seu viver e fazendo-o
sofrer, mas ele consegue encontrar recursos que o ajudam a avançar e prosseguir.
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Fernandes (2004)

É a capacidade que algumas famílias possuem como “traços de força”,


padrões interacionais flexíveis e recicláveis onde podem aprender com a
dor e o sofrimento. Como que um “colete contra balas”, metaforicamente
falando.(...) A “lente resiliente” prepara para ver a família ou o casal como
desafiante e com capacidade de reparação. (...) O que define família
saudável não é a ausência de problemas, mas sim seu poder e habilidade
em resolver problemas. (FERNANDES, 2004, n.p).

Então o que pode ser traumático para um indivíduo, pode não ser para outro,
que tenha capacidade de tolerar o acontecimento e elaborá-lo psiquicamente e as
relações familiares podem ser grande fonte de resiliência nesse período que o
individuo esta passando por um processo psíquico no qual será submetido a um
procedimento cirúrgico.

É papel do psicólogo, portanto, reconhecer os processos descritos e oferecer


suporte para o paciente. Espaço de fala que oportunize a saída de uma posição de
mero objeto de intervenção médica, que permita a aceitação da necessidade do
tratamento e da intervenção cirúrgica, mas de forma ativa e não na passividade
instrumental comumente vigente no campo hospitalar. O reconhecimento dos
processos emocionais e familiares envolvidos são fatores fundamentais para que o
sujeito possa se colocar e com isso encontrar saída, resilientes para suportar sua
condição de paciente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse trabalho desenvolvemos um relato descritivo e interpretativo sobre


Psicologia Hospitalar. Analisamos como foi o seu início na década de 50, e a sua
importância do processo de humanização para os indivíduos hospitalizados, que não
eram visualizados como um todo, mas sim, exclusivamente pela foco de sua
doença. As experiências oriundas da internação e os momentos que antecedem o
período pré-operatório são carregados de processos emocionais e comportamentais
que podem interferir direta ou indiretamente tanto no tratamento quanto na condição
subjetiva global do paciente. Os sentimentos de invasão e agressão, a
despersonalização no processo cirúrgico são aspectos mais do que significativos
para fundamentar a necessidade de uma intervenção do psicólogo no campo
hospitalar.

Os indivíduos em período pré-operatório presenciam muitos sentimentos,


sejam estes, medo da anestesia, da morte, angústia, entre outros. Há uma série de
dispositivos que podem ser desencadeados ou agravados em decorrência desse
momento. Em virtude dos fatos mencionados e da constatação dos sentimentos
ocasionados em decorrência de um processo cirúrgico, é extremamente relevante
para uma melhor resposta durante e após a cirurgia um acompanhamento, sendo
assim, o psicólogo assume um importante papel neste contexto.

Concluímos que, por todos esses aspectos, o psicólogo no momento que


antecede a cirurgia promove ao indivíduo uma abordagem humanizada, fornecendo
instrumentos terapêuticos para ajudá-lo a diminuir seu sofrimento e ter uma
compreensão mais ampla sobre sua condição psíquica, bem como encorajá-lo a
criar novas possibilidades de enfrentamento tornando-o mais resiliente. Possibilita-
se que esse indivíduo resinifique seu adoecimento e aprenda a lidar melhor com
essa transição. Além do paciente, a família se beneficia muito com o
acompanhamento, pois esta se encontra quase sempre mobilizada diante da
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situação de risco e sofrimento do familiar, portanto o psicólogo atua como mediador


das relações envolvidas.

Concluir esse trabalho não significa encerrar o percurso, mas sim, abrir novas
portas, que já não eram as mesmas desde o início. O crescimento em relação as
atitudes, decisões, foram decisivos para o amadurecimento como futura profissional
de Psicologia.
REFERÊNCIAS

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http://www2.uol.com.br/vyaestelar/escapada_imediatista.htm, acessado dia
24/11/2015.