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Universidade Católica Portuguesa

Faculdade de Ciências Humanas


Curso de Comunicação Social e Cultural
História Contemporânea I

A Ideologia Republicana
ROSAS, Fernando e ROLLO, Maria Fernanda (coord.), História da Primeira República Portuguesa, Lisboa,
Tinta da China, 2009.

Sara Ferrão – 130310094


Turma 2

Objectivo: Aprofundamento dos conhecimentos acerca das ideologias republicanas e a função das mesmas,
numa data tão importante como a que se assinala este ano – O Centenário da República.

Lisboa, 27-11-2010

Introdução

Na importante data que se assinala este ano de 2010 – O Centenário da República

(05.10.1910 – 05.10.2010) - achei que seria interessante aprofundar os meus conhecimentos

acerca das ideologias republicanas: a sua origem e a sua continuidade. Visto que muito se

reclama sobre estes princípios e qual a sua função no nosso quotidiano.

Com o passar de cem anos, será que as mesmas se mantiveram ou será que esse

conceito de “ideologia” não passou somente de uma ideologia e as mesmas não foram postas

em prática?

É exactamente sobre estes temas centrais que irei retratar a minha recensão, de um

ponto de vista crítico e pessoal.

Para que esta seja mais precisa, utilizarei o livro de Fernando Rosas e Maria Fernanda

Rollo – História da Primeira República Portuguesa. Um livro que retrata a história de Portugal

durante a Primeira República, desde a queda da Monarquia até ao fim desta mesma

República.

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Curso de Comunicação Social e Cultural
História Contemporânea I

A Ideologia Republicana
ROSAS, Fernando e ROLLO, Maria Fernanda (coord.), História da Primeira República Portuguesa, Lisboa,
Tinta da China, 2009.

Sara Ferrão – 130310094


Turma 2

Objectivo: Aprofundamento dos conhecimentos acerca das ideologias republicanas e a função das mesmas,
numa data tão importante como a que se assinala este ano – O Centenário da República.

Lisboa, 27-11-2010

A ideologia republicana

A 5 de Outubro de 1910 assinala-se a data da queda da Monarquia. Contudo Portugal

vivia há já setenta e seis anos em democracia, devido ao liberalismo que se vivia apesar de

ainda haver reis. Todavia, o seu poder diminuíra devido às Revoluções Francesas e Inglesas,

Constituições Revolucionária, a Carta Constitucional, a “Setembrista” e a da liberdade de

imprensa. Assim tornou-se popular a afirmação que o constitucionalismo era “a melhor das

repúblicas”.

Assim, a Monarquia é abalada devido a dificuldades estruturais, políticas sociais e

económicas, descontentamento perante as condições de vida da população e salários muito

reduzidos e fragilidades na actividade produtiva. A política Fontista que se reflecte num

agravamento da dívida pública e num défice orçamental que gera dificuldades financeiras e

comerciais e que por sua vez dão lugar a cada vez menos exportação e mais importação. A

última consequência é a questão colonial que engloba a Conferencia de Berlim, o Mapa Cor-

de-rosa, e o ultimatum inglês.

«Os efeitos da crise política do Ultimatum britânico de 1890 põem explicitamente

e causa, pela primeira vez, a legitimidade do regime monárquico; abalam, pode dizer-se

que definitivamente a plácida rotina do rotativismo oligárquico e criam o Partido

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Objectivo: Aprofundamento dos conhecimentos acerca das ideologias republicanas e a função das mesmas,
numa data tão importante como a que se assinala este ano – O Centenário da República.

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Republicano, após o ensaio insurreccional de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, uma

corrente crescente seduzia pela imprescindibilidade da tomada do poder pela via

revolucionaria.»

Desta forma, podemos dividir a queda da Monarquia em duas grandes fases, sendo que

a primeira incide na Política e a segunda no ultimatum inglês. A primeira fase abrange

manifestações estudantis, a composição do Hino Nacional – “A Portuguesa”, o boicote dos

produtos ingleses, a subscrição para comprar navios de guerra, a acusação da imprensa

perante o Rei, a Monarquia. A segunda fase aborda o ultimatum, que se torna o motivo do

PRP (Partido Republicano Português), que escolhe como alvos a Monarquia e a Inglaterra.

Perante estes acontecimentos a Monarquia reage violentamente e ditatorialmente

quanto à questão dos adiantamentos e à punição dos crimes com efeitos retroactivos que

tinham como finalidade acabar com os principais líderes republicanos.

Estes, em simultâneo, reagem contra os princípios monárquicos e organizam-se

maçonarias, carbonárias e sargentos, dando origem à implantação da República que foi a

forma da manifestação das grandes elites descontentes (intelectuais) perante a sua oposição à

política vigente no final do século XIX, caracterizada pelo rotativismo inoperante em que o

partido regenerador e o progressista se revezavam no poder. Essa oposição tornou-se mais

forte devido ao ultimatum inglês e tomou forma perante a aversão à figura do Rei D. Carlos

que demonstra debilidade e excessivos gastos na casa real.

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Objectivo: Aprofundamento dos conhecimentos acerca das ideologias republicanas e a função das mesmas,
numa data tão importante como a que se assinala este ano – O Centenário da República.

Lisboa, 27-11-2010

A difusão das ideias republicanas baseou-se na igualdade, liberdade e laicismo.

Assim, a igualdade abrangia a igualdade de direitos e de géneros, democracia e fraternidade, a

liberdade abordava a liberdade de expressão e de pensamento e o laicismo consistia na

liberdade de ter diferentes religiões, para além do cristianismo, e a

prática das mesmas e o afastamento do Estado e da Igreja como esferas autónomas. Todos

estes ideais tinham o objectivo de melhorar o progresso humano.

É através destas novas ideologias que os portugueses se baseiam num novo regime: A

Primeira República.

«O republicanismo, nos finais da primeira década do século XX, é o discurso

político e ideológico hegemónico nas camadas sociais urbanas excluídas ou

marginalizadas do sistema, incluindo a maioria do activismo operário socialista ou

mesmo libertário que por ele se deixa conquistar.»

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ROSAS, Fernando e ROLLO, Maria Fernanda (coord.), História da Primeira República Portuguesa, Lisboa,
Tinta da China, 2009.

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Objectivo: Aprofundamento dos conhecimentos acerca das ideologias republicanas e a função das mesmas,
numa data tão importante como a que se assinala este ano – O Centenário da República.

Lisboa, 27-11-2010

Conclusão
Para a realização desta recensão utilizei o livro Ideologia Republicana

ROSAS, Fernando e ROLLO, Maria Fernanda (coord.), História da Primeira República

Portuguesa, Lisboa, Tinta da China, 2009, mas nomeadamente a parte 2 deste livre “A

República (1919-1918) ”. Este livro de edição especial das comemorações do centenário da

república, onde faz uma análise desde a queda da monarquia até ao fim da primeira república.

Pela linguagem imposta pelos vários autores dá-nos a entender que o seu destinatário é

variável, é um tipo de linguagem acessível e simples. O desenvolvimento da temática é todo

ele organizado de forma cronológica, consoante os acontecimentos históricos.

As ideologias republicanas foram aquilo que formou o pensamento republicano e

através das quais se basearam as suas ideias políticas. Assim, a igualdade, a democracia e o

laicismo são os princípios base da política republicana. É através destes que se pôs em prática

todo o regime vigente entre os anos de 1910 e 1926 (Primeira República).

Muito se critica acerca da primeira república se de facto é a primeira ou a “velha”

república, contudo os ideais republicanos mantêm-se bem como a sua utilização. Será

portanto uma questão social quanto à definição de “velha” república ou será que estes

mesmos ideais se estão a desmoronar?