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2012

Curso
Operador Agrícola
Área – 621 – Produção Agrícola e Animal
6286 – Olivicultura – Enquadramento - 25Horas
6287 – Operações culturais de implantação, condução,
manutenção e colheita do olival - 50Horas

COMPETIR - Formação e Serviços S.A.


Índice

1 – Introdução ................................................................................................................... 7
1.1 – Origem e difusão ................................................................................................. 7
1.2 - Mitos, Lendas e Narrativas .............................................................................. 9
1.3 - O Azeite na Cultura Portuguesa .................................................................... 10
1.4 – Produção, Consumo e Comércio Mundial ......................................................... 11
1.4.1 - Produção ...................................................................................................... 11
1.4.2 – Consumo ..................................................................................................... 13
1.4.3 - Exportação ................................................................................................... 15
2 – Regiões de Maior Produção ................................................................................. 16
2.1 - Caracterização sector olivícola nacional ............................................................ 16
3 – As cultivares e porta-enxertos ............................................................................. 20
A - Galega Vulgar....................................................................................................... 20
B – Verdeal ................................................................................................................. 22
C - Cordovil ................................................................................................................ 23
D – Cobrançosa .......................................................................................................... 24
E – Carrasquenha ........................................................................................................ 25
F – Redondil ............................................................................................................... 26
G – Azeiteira............................................................................................................... 28
H – Conserva de Elvas ............................................................................................... 29
I – Maçanilha Algarvia ............................................................................................... 30
J – Picual..................................................................................................................... 32
K – Blanqueta ............................................................................................................. 34
L – Hojiblanca ............................................................................................................ 35
M – Arbequina ............................................................................................................ 36
N – Arbosana .............................................................................................................. 37
O – Koroneiki ............................................................................................................. 37
P – Frantoio ................................................................................................................ 37
4 – O Agrossistema Olival.............................................................................................. 38
5 - Morfologia da Oliveira .............................................................................................. 45
6 - Ciclo Vegetativo da Oliveira ..................................................................................... 56
7 – Exigências edafo-climáticas ..................................................................................... 70
7.1 - Clima .................................................................................................................. 70
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7.2 – Solos .................................................................................................................. 75
8 - Colheita e transporte da azeitona .............................................................................. 78
8.1 - Colheita .............................................................................................................. 78
8.2 – Limpeza da azeitona .......................................................................................... 86
8.3 - Transporte da Azeitona ...................................................................................... 86
8.4 – No Lagar ............................................................................................................ 87
9 – Multiplicação do olival ............................................................................................. 90
10 - Plantação ............................................................................................................... 105
11 - Manutenção do solo no olival .............................................................................. 112
12 – Poda ...................................................................................................................... 121
12.1 - Bases Biológicas da Poda............................................................................... 122
12.2 – Bases agronómicas da poda ........................................................................... 123
12.3 – Época e frequência de poda ........................................................................... 123
12.4 – Os ramos da oliveira e a sua função produtiva .............................................. 125
12.5 – Os cortes ........................................................................................................ 125
12.6 – Intensidade de poda ....................................................................................... 127
12.7 – Poda de formação .......................................................................................... 127
12.8 – Poda de frutificação ou produção .................................................................. 129
12.9 – Poda de renovação ......................................................................................... 130
12.10 – Poda de regeneração .................................................................................... 131
12.11 – Poda Mecânica............................................................................................. 131
13 - A rega no Olival .................................................................................................... 133
13.1 - Necessidades hídricas do olival...................................................................... 134
14 – Pragas ................................................................................................................... 138
Considerações finais: .................................................................................................... 162
Referências Bibliográficas:........................................................................................... 163

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Objectivos Gerais:

Identificar as operações culturais de implantação, condução, manutenção e


colheita de olivais.
Executar as operações culturais inerentes à implantação, condução,
manutenção e colheita de olivais.
Operar com as máquinas específicas nas operações culturais a realizar.

Objectivos Específicos:

Identificar as exigências ecológicas das culturas e factores


edafoclimáticos, favoráveis ao desenvolvimento do olival.
Executar técnicas e operações de instalação:
• Preparação do terreno
• Processos de mobilização do solo e máquinas utilizadas, de acordo com
as necessidades de mobilização – surribas, ripagem, gradagem,
escarificação, fresagem e outros
• Tipos de fertilização
• Exigências edafoclimáticas e necessidades em nutrientes
• Desequilíbrios nutricionais
• Principais carências
• Cálculo de adubação em conformidade com a análise de terra
• Incorporação de matéria orgânica
• Fertilização de fundo/aplicação de correctivos
• Formas e métodos de drenagem e conservação do solo
• Disponibilidade e qualidade da água e instalação de sistemas de rega
• Marcação de terreno, compasso de plantação, de acordo com o sistema
e piquetagem
• Escolha e plantação das cultivares
• Plantação – Sistemas e época
• Retancha
• Operação de regulação/afinação e manutenção das máquinas de
mobilização do solo, de distribuição de fertilizantes e de plantação

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• Preparação do terreno, fertilização e plantação, segundo o modo de
Produção Integrada
• Preparação do terreno, fertilização e plantação, segundo o Modo de
Produção Biológico

Executar as técnicas e operações de condução

Sistemas de condução

• Tutores
• Tipos e épocas de poda
• Poda de formação
• Poda de frutificação
• Poda de rejuvenescimento/renovação
• Podas sanitárias
• Intervenções em verde - desladroamento, desponta, desfolha e monda
de fruto
• Reguladores de crescimento
• Enxertias, tipo e épocas
• Máquinas, ferramentas e utensílios de poda e de enxertia
• Condução do olival em Produção Integrada
• Condução do olival em Modo de Produção Biológico
• Técnicas e operações de manutenção
• Manutenção do solo
• Fertilização de produção
• Rega/fertirrigação
• Protecção Integrada do olival (doenças pragas e infestantes; luta
química; fitofármacos e procedimentos operativos e técnicas de
aplicação)

Executar as técnicas e operações de manutenção

Acidentes fisiológicos e meteorológicos


Operação de regulação/afinação e manutenção das máquinas de
mobilização do solo, de distribuição de adubos e de produtos
fitossanitários
Manutenção do olival em Produção Integrada
Manutenção do olival em Modo de Produção Biológico (compostagem)

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Executar técnicas e operações de colheita

• Determinação do momento da colheita, de acordo com os fins a que se


destina a produção
• Métodos para determinação da época de colheita
• Procedimentos a observar na colheita
• Medidas profilácticas na conservação da azeitona, antes, durante e após
a colheita
• Colheita manual e mecânica – máquinas e equipamentos para colheita
de azeitona
• Operação de regulação/afinação e manutenção das máquinas e
equipamentos utilizados na colheita
• Procedimentos operativos e técnicas de aplicação

Executar técnicas e operações de armazenamento e conservação, de


acordo com o destino da produção

• Armazenamento e acondicionamento
• Condições de armazenamento
• Procedimentos operativos e técnicas de aplicação

Aplicar boas práticas de segurança, higiene e saúde no trabalho

Benefícios
Este manual representa a sistematização e organização de um conjunto de
materiais didáctico-pedagógico, actividades e propostas de trabalho, e textos
de apoio e suporte à exploração dos conteúdos do módulo, e, portanto,
constitui um instrumento de orientação pedagógica para o formador, com
benefícios para os formandos do Curso ao nível da coerência e estruturação
das matérias.

Condições de utilização
Este Manual será disponibilizado, parcial ou integralmente, aos formandos do
Curso, ministrado pela Competir, Formação e Serviços, SA. e servirá para
acompanhamento das sessões do curso de Olivicultura – Enquadramento e
Operações culturais de implantação, condução, manutenção e colheita do
olival.
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1 – Introdução

A oliveira é, em Portugal, desde longos tempos, uma cultura de grande


importância económica e social, perfeitamente adaptada às nossas condições
edafoclimáticas, encontrando-se distribuída praticamente por todo o país,
excluindo-se apenas algumas áreas junto à costa e em zonas de maior altitude.
O olival adquiriu grande importância devido ao facto de ter um carácter
permanente e, dada a grande rusticidade da oliveira, ela pode sobreviver e
produzir mesmo em condições adversas. Resiste a grandes períodos de
abandono “quase total”, recuperando-se com alguma facilidade de acidentes
climáticos ou de inadaptações culturais.
Tratando-se de uma cultura tradicional, cuja presença na região do Alentejo é
conhecida há milhares de anos, a sua importância do ponto de vista
económico-social é muito importante, sobretudo nas zonas rurais, onde pode
combater a desertificação, uma das maiores ameaças que o Alentejo enfrenta
actualmente.

1.1 – Origem e difusão

A origem da oliveira, na sua forma primitiva, remonta à Era Terciária, antes do


nascimento do homem e situa-se, segundo a opinião de vários autores, na Ásia
Menor, talvez na Síria ou Palestina, região onde foram descobertos vestígios
de instalações de produção de Azeite e fragmentos de vasos datados do início
da Idade do Bronze.
O facto é que em todo o Mediterrâneo foram encontradas folhas de oliveira
fossilizadas, datadas do Paleolítico e do Neolítico.
Actualmente pensa-se que a espécie à qual pertence a oliveira, a Olea
europaea, tem uma origem híbrida, ou seja, é fruto do cruzamento de várias
espécies.

Entre os seus progenitores encontram-se:


• Olea africana, originária da Arábia e do Egipto,
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• Olea ferruginea, procedente da Ásia,
• Olea laperrini, abundante no Sul de Marrocos e nas Ilhas da
Macaronésia

Por volta de 3000 antes de Cristo, a oliveira era já cultivada por todo o
"Crescente Fértil".
A dispersão desta cultura pela Europa mediterrânica ter-se-á ficado a dever
aos gregos.
Os gregos e os romanos, grandes entusiastas e produtores de Azeite, eram
igualmente pródigos a descobrir-lhe aplicações e, não contentes com as
múltiplas utilizações que lhe davam na cozinha, utilizavam ainda o Azeite
como:
– medicamento,
– unguento ou bálsamo,
– perfume,
– combustível para iluminação,
– lubrificante de alfaias e
– impermeabilizante de tecidos.

Mais tarde, a cultura do olival espalhou-se pela bacia do Mediterrâneo e, com


as expedições marítimas dos portugueses e espanhóis, a oliveira acabou por
navegar até às Américas.
Depois propagou-se um pouco por todo o mundo, onde as condições
climatéricas lhe foram favoráveis.

Fig.1 - Mapa da origem da Oliveira

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1.2 - Mitos, Lendas e Narrativas

Desde sempre, a oliveira tem estado associada a práticas religiosas, a mitos e


tradições, a manifestações artísticas e culturais, a usos medicinais e
gastronómicos.
Na antiga Grécia, as mulheres, quando queriam engravidar passavam longos
períodos de tempo à sombra das oliveiras.
Da madeira das oliveiras faziam-se ceptros reais e com o Azeite ungiam-se
monarcas, sacerdotes e atletas.
Com as folhas faziam-se grinaldas e coroas para os vencedores.
A oliveira era considerada símbolo de sabedoria, paz, abundância e glória.
Os egípcios, há seis mil anos, atribuíam a Ísis, mulher de Osíris, Deus supremo
da sua mitologia, o mérito de ensinar a cultivar a oliveira.
Na lenda grega Palas Atenea, Deusa da paz e sabedoria, filha de Zeus, era
para os Gregos a mãe da árvore sob a qual teriam nascido Remo e Rómulo,
descendentes dos Deuses e fundadores de Roma, tendo feito brotar a oliveira
de um golpe e, na sua grande bondade, ensinado o seu cultivo e o seu uso.
Em quase todas as religiões se fala da oliveira, árvore de civilizações
longínquas, que tem lugar nos textos mais antigos:
– no "Génesis": a pomba de Noé traz no bico um ramo de oliveira
para lhe mostrar que o mundo revive.
– No "Êxodo", Yaveh prescreve a Moisés a "Santa Unção" na qual
o Azeite se mistura com perfumes raros.
– Também o Corão canta a árvore que nasce no monte Sinai e
refere-se ao óleo que dela se extrai para ser transformado em luz
de candeia "que parece um astro rutilante".
Foi sempre património dos países mediterrâneos, mas hoje em dia encontra-se
disseminada um pouco por toda a parte, desde a Argentina, Austrália, Chile,
Estados Unidos da América, até ao Japão, México e África do Sul, entre outros.

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1.3 - O Azeite na Cultura Portuguesa

O Azeite sempre esteve presente nos recantos da vida diária dos portugueses:
na candeia do pobre e no candelabro do rico, na mesa frugal do camponês e
nos solenes templos de velhos cultos.
Mítico, bíblico, romanesco e histórico, "o Azeite vem sempre ao de cima".
Enfrentou a nova verdade dos mercados selectivos e deixou de ser
simplesmente o Azeite, para adoptar o berço de uma origem e assumir a
identidade de uma marca.
Em Portugal, a cultura da Oliveira perde-se nos mais remotos tempos.
Segundo rezam as crónicas, os Visigodos já a deviam ter herdado dos
Romanos e estes, possivelmente, tinham-na encontrado na Península Ibérica.
Por sua vez, os Árabes mantiveram a cultura e fizeram-na prosperar, sendo
que a palavra Azeite tem origem no vocábulo árabe al-zait, que significava
"sumo de azeitona".
De facto, as primeiras manifestações da importância da cultura da oliveira em
Portugal aparecem nas províncias onde a reconquista cristã mais tardiamente
se realizou. É assim que os primeiros forais que se referem à produção
olivícola dizem respeito às províncias portuguesas da Estremadura e do
Alentejo.
Até finais de século XII, em Portugal, não é mencionada a cultura da oliveira
nem o interesse económico da sua produção. Contudo, no século XIII, o Azeite
já ocupa um lugar importante no nosso comércio externo, posição que manterá
posteriormente, podendo afirmar-se que esta gordura era um produto muito
abundante na Idade Média.
Mais tarde, são as ordens religiosas que, com o seu papel na revitalização da
agricultura, dedicam especial atenção ao fabrico do Azeite. O "óleo sagrado"
vai ter uma importância fundamental na economia do Convento de Santa Cruz
de Coimbra, do Mosteiro de Alcobaça, da Ordem dos Freires de Cristo, da
Ordem do Templo e da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Resistente à seca, de fácil adaptação aos terrenos pedregosos, a oliveira
tornou-se numa presença constante na agricultura portuguesa.

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1.4 – Produção, Consumo e Comércio Mundial

1.4.1 - Produção
A produção de azeite a nível mundial está limitada, por questões edafo –
climáticas, a duas zonas do globo que se situam entre os paralelos 30 e 45 dos
hemisférios norte e sul.
Actualmente, cerca de 95% da superfície oleícola mundial está concentrada na
Bacia Mediterrânica, sendo que os países produtores da União Europeia
(Espanha, Itália, França, Grécia e Portugal) são responsáveis por 76% da
produção a nível mundial.
Os outros principais países produtores são a Tunísia (4,6%), a Turquia (5,0%),
a Síria (5,5%), Marrocos (2,8%) e a Argélia (1,4%).

Quadro 1- Produção Mundial de Azeite (1000t)

Campanha Produção
92/93 1,812
93/94 1,825
94/95 1,846
95/96 1,736
96/97 2,595
97/98 2,466
98/99 2,403
99/00 2,375
00/01 2,566
01/02 2,826
02/03 2,496
03/04 3,174
04/05 3,013
05/06 2,573
06/07 2,767
07/08* 2,633
08/09** 2,867
Média 3,927
Fonte: COI
* Valores Provisórios
** Valores Estimativos

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Analisando a produção mundial referente às 15 últimas campanhas, pode
verificar-se uma taxa de crescimento média de 3,2%, ao longo deste período.
Ao nível da União Europeia, a produção de azeite tem crescido
significativamente nos últimos anos, sendo que Espanha ocupa actualmente o
1º lugar no ranking mundial dos países produtores.

Quadro 2 - Produção de Azeite na UE (1000t)

Campanha Espanha França Grécia Itália Portugal


00/01 974 3 430 509 25
01/02 1.411 4 358 657 34
02/03 861 5 414 634 29
03/04 1.412 5 308 685 31
04/05 990 5 435 879 41
05/06 827 4 424 637 29
06/07 1.111 3 370 490 48
07/08* 1.222 5 307 470 35
08/09** 1.150 6 370 560 50
Fonte: COI
* Valores Provisórios
** Valores Estimativos

Em Portugal, tem-se assistido nos últimos anos a uma certa recuperação da


produção, após o acentuado decréscimo verificado sobretudo a partir da
década de 60 até finais da década de 80, onde passámos de produções da
ordem das 90.000 toneladas (anos 50) para valores médios de cerca de 35.000
toneladas, nos anos 80.

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Quadro 3 – Produção de Azeite em Portugal (1000t)

Campanha Produção
96/97 45
97/98 42
98/99 35
99/00 50
00/01 25
01/02 34
02/03 29
03/04 31
04/05 41
05/06 29
06/07 48
07/08* 35
08/09** 50
Média 38
Fonte: COI
* Valores Provisórios
** Valores Estimativos

1.4.2 – Consumo

Relativamente ao consumo, verifica-se nos últimos 15 anos um crescimento


médio, a nível mundial, da ordem dos 3,1%. Este aumento de consumo a nível
mundial reflecte bem o efeito da difusão dos resultados da investigação
científica sobre os benefícios do azeite para a saúde, bem como as sucessivas
campanhas promocionais levadas a cabo, quer pela União Europeia, quer pelo
Conselho Oleícola Internacional.
De referir que o consumo de azeite na União Europeia representa cerca de
75% do consumo mundial, embora o consumo de azeite em países que
tradicionalmente não eram consumidores, como os Estados Unidos da
América, tenha sofrido um forte acréscimo nos últimos anos. De facto, nos
Estados Unidos da América o consumo quase triplicou em 17 anos, atingindo
actualmente cerca de 226.000 toneladas anuais e colocando este país como o
quarto maior consumidor a nível mundial.
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Quadro 4 – Consumo Mundial de Azeites (1000t)
Campanha Consumo
90/91 1,667
91/92 1,857
92/93 1,904
93/94 1,985
94/95 1,995
95/96 1,889
96/97 2,242
97/98 2,382
98/99 2,413
99/00 2,443
00/01 2,591
01/02 2,607
02/03 2,678
03/04 2,883
04/05 2,924
05/06 2,691
06/07 2,799
07/08* 2,778
08/09** 2,876
Média 2,400
Fonte: COI
* Valores Provisórios
** Valores Estimativos

Relativamente ao consumo de azeite em Portugal, verifica-se uma nítida


recuperação comparativamente ao início da década de 90,em que o consumo
per capita se situava em 3,3 kg, atingindo actualmente um valor próximo dos
7,0 kg per capita.
Este aumento de consumo não será seguramente alheio à “redescoberta” do
azeite como produto natural, saudável e com inúmeros benefícios para a saúde
humana.

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Quadro 5 – Consumo de azeite em (1000t)
Campanha Consumo
90/91 27
91/92 45
92/93 45
93/94 59
94/95 58
95/96 58
96/97 62
97/98 69
98/99 66
99/00 67
00/01 61
01/02 62
02/03 65
03/04 67
04/05 75
05/06 72
06/07 77
07/08* 73
08/09** 72
Média 62
Fonte: COI
* Valores Provisórios
** Valores Estimativos

1.4.3 - Exportação
Ao nível das trocas internacionais, que se situam actualmente a níveis
próximos das 681 mil toneladas, os principais países exportadores são,
naturalmente, os principais produtores.
Na média das três últimas três campanhas, a União Europeia, com 54%, e a
Tunísia, com 17,5%, foram os principais países exportadores. Entre os
principais importadores encontramos os países considerados os novos
consumidores de azeite, que no seu conjunto foram responsáveis por cerca de
55% das importações mundiais: os Estados Unidos (36,6%), o Brasil (4,3%), a
Austrália (4,5%), o Canadá (4,7%) e o Japão (5,0%).
Portugal é, tradicionalmente, um país com vocação exportadora.
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Entre os mercados de destino das exportações nacionais, destaca-se o
mercado brasileiro que absorve cerca de 74% do total das exportações
nacionais de azeite, fazendo com que este produto seja igualmente o produto
português mais exportado para aquele país.

Quadro 6 – Exportações portuguesas de azeite (t)*


Ano Exportação
1997 22,210
1998 20,987
1999 14,466
2000 18,517
2001 18,080
2002 17,657
2003 16,694
2004 20,500
2005 20,956
2006 20,394
2007 27,622
2008 30,659
Média 20,728
Fonte: até 2004 - INE, a partir de
2005 - Eurostat

Nota: Estes valores referem-se a azeite embalado e a granel

2 – Regiões de Maior Produção

2.1 - Caracterização sector olivícola nacional

O quadro 7 apresenta a repartição da área de olival por Região Agrária, e


também a área média de olival por exploração. A maior área de olival do nosso
país encontra-se na região do Alentejo, correspondendo a 41% da superfície
olivícola nacional seguida de Trás-os-Montes e da Beira Interior.
O Alentejo apresenta uma área média por exploração superior às restantes
regiões, em que essa é substancialmente inferior e bastante pequena.

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Quadro 7 – Distribuição do nº de explorações, área e relação área/ exploração por
região agrária.
N.º explorações Superfície Superfície
Região Número % ha % média/exploração
(ha)
Entre Douro e Minho 6635 4,21 1115 0,33 0,17
Trás-os-Montes 37344 23,48 72295 21,58 1,94
Beira Litoral 26339 16,56 17590 5,25 0,67
Beira Interior 35176 22,12 60327 18,01 1,72
Ribatejo e Oeste 19878 12,50 36831 10,99 1,85
Alentejo 22513 14,16 138083 41,22 6,13
Algarve 11084 6,97 8788 2,62 0,79
Continente 159029 100 335029 100 2,11
Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (RGA,2001)

Gráfico I – Área de Olival (%) por Região Agrária.

Superfície de olival por regiões

Entre Douro e Minho


3% 0%
22%
Trás-os-Montes
41%
5% Beira Litoral

Beira Interior

Ribatejo e Oeste
18%
11%
Alentejo

Algarve

Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (RGA,2001).

Nos últimos anos, tem-se registado uma recuperação da produção de azeite,


após o acentuado decréscimo verificado a partir da década de 60 e até finais
da década de 80, onde se passou de produções da ordem das 90 000 ton

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(anos 50) para valores médios de 35 000 ton (anos 80) (CASA do AZEITE, s.d).
A partir dos anos 80, a produção média estabilizou nas 40 000 ton.
O Alentejo é, a seguir a Trás-os-Montes, a região portuguesa mais importante
na produção de azeite (quadro 8), apesar da regressão na produção e no
consumo deste produto, que se verificou em todo o país e a que a região não
escapou.

Quadro 8 – Produção de Azeitona de Mesa, Azeitona para Azeite e Azeite em


2001.
Produção
Região Azeitona de Mesa Azeitona para Azeite Azeite (hl)
(ton) (ton)
Entre Douro e Minho 3 1503 2316
Trás-os-Montes 4921 80097 128676
Beira Litoral 0 12337 33819
Beira Interior 2401 34709 46543
Ribatejo e Oeste 193 16840 34795
Alentejo 2690 65519 94978
Algarve 355 7516 8376
Continente 10563 218522 349502
Fonte: INE, 2001.

A produção de azeite no Continente em 2001 foi de aproximadamente 350 mil


hectolitros, traduzindo-se num acréscimo de cerca de 40% em relação a 2000.
Em Trás-os-Montes, verificou-se uma produção de azeite de quase130 mil
hectolitros, o que representou quase o dobro da de 2000. No Alentejo, a
produção de azeite foi de 95 mil hectolitros, ou seja, um acréscimo de 12% face
a 2000.
De acordo com o gráfico seguinte, a produção de azeitona de mesa em
Portugal no ano 1996/97 excedeu ligeiramente o consumo interno e nos anos
seguintes o consumo excedeu a produção; se juntarmos o quantitativo da
exportação constata-se igualmente que Portugal é um país importador.
Gráfico II – Evolução da Produção, Importações, Exportações e consumo
nacional de azeitona de mesa entre 1996-1999.

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Fonte: COI, 2000

As principais regiões produtoras de azeitona de mesa foram em 2001, segundo


os dados do INE, Trás-os-Montes, Alentejo e Beira Interior. A primeira região
contribui com 47% da produção, ou seja, mais de 4900 toneladas, enquanto
que o Alentejo com 25%, quase com 3000 toneladas. Relativamente à
superfície de olival para azeitona de mesa, verificou-se para esse ano, um valor
de 10500 hectares, praticamente a mesma área do ano anterior. A produção foi
de 13600 toneladas, o que correspondeu a um acréscimo de 80% na produção
face a 2000.
No Alentejo, a produção de azeitona de mesa aumentou aproximadamente
30%, em relação a 2000.
Gráfico III – Produção de Azeitona de Mesa em 2001, por região.

3%0% Entre Douro e Minho


25% Trás-os-Montes
47% Beira Litoral
Beira Interior
Ribatejo e Oeste
2% Alentejo
23% 0% Algarve

Fonte: INE, 2001.


No Alentejo, onde a olivicultura tem a sua maior expressão, para além da
Galega têm importância na zona Norte desta região as variedades Azeiteira e
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Conserva de Elvas como variedades de azeitona de mesa e a Redondil,
Carrasquenha e Cordovil como variedades para azeite. Na zona Sul do
Alentejo, a Galega reparte o seu domínio com a Cordovil e Verdeal.
No Alentejo estão reconhecidas pela União Europeia, três Denominações de
Origem Protegida (DOP): “Azeite de Moura”, “Azeites do Norte Alentejano”, e
“Azeites do Alentejo Interior”.

3 – As cultivares e porta-enxertos

A - Galega Vulgar

É a variedade mais cultivada em Portugal, dominante em quase todas as


regiões olivícolas, ocupando cerca de 80% da área de olival nacional;
É uma variedade produtiva e muito rústica bem adaptada a muitos tipos de
solos e às nossas condições ambientais, em especial à secura.
É uma variedade de dupla aptidão, para conserva em preto e para azeite.

Fig.5 – Exemplo do porte de uma árvore galega adulta.


Fonte: Palma, 2009

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Fig. 6– Frutos da variedade galega (verdes e maduros).
Fonte: Palma, 2009

A variedade galega apresenta um porte, normalmente médio a grande. As


folhas são grandes, compridas, largas e planas. Os frutos, relativamente
pequenos, de forma ovóide ou elipsoidal, têm um peso médio de 2 a 3 g, a pele
(pericarpo) é violácea na viragem da cor e negra na maturação, a polpa,
quando madura, toma um tom violeta escuro, o caroço (endocarpo) é pequeno.
Apresenta um rendimento em azeite de 14 a 19 % com um sabor frutado e cor
amarelenta.
Os frutos apresentam grande resistência ao desprendimento (pouco adequada
à colheita mecânica) e amadurecem cedo. Na altura da maturação a queda
natural de azeitonas é acentuada. É uma variedade com uma grande tendência
para a alternância de produção.
É susceptível à tuberculose, à gafa e à mosca da azeitona; resistente à
verticiliose.
Apresenta fraca capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa; bom
porta enxerto para muitas cultivares.

Fig. 7 e 8 – Folhas e frutos da variedade Galega.

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B – Verdeal

A verdeal é uma variedade da região de Serpa e Moura, bastante produtiva em


solos férteis e profundos, adaptando-se bem a terrenos húmidos. É uma
variedade muito produtiva e regular, de maturação tardia e de dupla aptidão, ou
seja, tem aptidão tanto para azeite como para conserva em verde.
A árvore tem um porte médio ou grande, com ramificação ascendente, bastante
vigorosa. Tem baixa capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa.

Fig.9 – Exemplo do porte de uma árvore Verdeal adulta.

As folhas têm um tamanho médio, são compridas e largas, planas ou com


rebordo encurvado. Os frutos, de forma ovóide ou elipsóide, apresentam um
peso médio de 3 a 5,5 g e um rendimento em azeite de 21 a 25 %. A pele é
avermelhada na viragem de cor ou avermelhada a vermelho escuro na
maturação. O fruto apresenta lentículas muito visíveis. A polpa tem uma
consistência rija e o caroço, um tamanho médio. A maturação é tardia,
produzindo um azeite muito fino de cor amarelo - esverdeado.
Os frutos apresentam elevada resistência ao desprendimento, o que dificulta a
colheita mecânica, e uma queda natural reduzida.
Apresenta alguma resistência à tuberculose, gafa e mosca.

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Fig. 10 e 11 – Folhas e frutos da variedade Verdeal.

C - Cordovil

Variedade da região de Serpa e Moura, medianamente produtiva, mas pouco


regular, com tendência para a alternância e de maturação tardia.
Árvore de porte pequeno ou médio, com arborescência algo amoitada,
apresentando boa propagação por estaca semi-lenhosa.
Os frutos apresentam resistência ao desprendimento, pelo que na colheita se
deverá ter em atenção o estado de maturação, visto que na maturação
completa a colheita mecânica é viável, apresenta também uma queda natural
reduzida.
As folhas são médias ou pequenas, curtas e largas, com rebordo encurvado ou
plano.
Os frutos, de forma obovóide ou elipsoidal, têm um peso médio de 2,5 a 4 g e
um bom rendimento em azeite de 19 a 24 %. A pele é avermelhada na viragem
de cor e vermelho escuro ou negra na maturação. As lentículas são muito
visíveis, pequenas e abundantes. A O caro é de tamanho médio obovóide e
polpa não adere ao caroço,
Fruto próprio para conserva em verde, embora seja, principalmente utilizada
para produção de azeite.
É uma cultivar muito susceptível à tuberculose e medianamente sensível à
mosca da azeitona.

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Fig. 12 e 13 – Folhas e frutos da variedade Cordovil.

D – Cobrançosa

Variedade originária de Trás-os-Montes, bastante produtiva e regular na


produção, rústica, mas preferindo solos férteis.
Árvore de porte pequeno ou médio, com arborescência por vezes amoitada.
Tem sido muito usada na implantação dos novos olivais intensivos. Apresenta
boa capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa.
As folhas são pequenas, compridas e estreitas, com rebordo encurvado ou
planas.
Os Frutos são de tamanho médio, elipsoidais com um peso médio de 2,5 a 5 g.
A pele vermelha na viragem de cor e vermelho escuro ou negra na maturação.
Apresenta lentículas abundantes, mas pouco visíveis. O caroço é grande,
alongado ou elipsoidal. A polpa tem uma textura consistente pelo que os frutos
para além de se destinarem à produção de azeite podem ser utilizados para
conserva em negro.
Muito utilizada para Azeite visto que o rendimento em azeite varia entre 18 e 22
%.
Maturação normal, reduzida queda natural e baixa resistência do fruto ao
desprendimento, boas características para a colheita mecânica.
Esta cultivar é muito resistente à gafa e à mosca da azeitona e pouco sensível
ao olho de pavão e a acidentes climatéricos.
Dadas as suas características, é uma cultivar que se tem expandido por todo
País.

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Fig. 14 e 15 – Folhas e frutos da variedade Cobrançosa.

E – Carrasquenha

Variedade Alentejana bastante produtiva, regular na produção e que se adapta


bem a vários tipos de solos (excepto os que encharquem com muita facilidade),
de porte pequeno ou médio, pouco vigorosa com arborescência amoitada e de
reduzida longevidade quando em pé franco, sendo por isso, normalmente,
enxertada em galega ou em conserva de Elvas.
Variedade com baixa capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa e
com uma certa dificuldade de enraizamento quando plantada de pé - franco.

Fig.16 – Exemplo do porte de uma árvore Verdeal adulta.

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As folhas são grandes ou médias, compridas e largas, planas ou onduladas.
Os frutos são médios a grandes, elipsoidais a ovóides com um peso médio de
2,5 a 4,5 g e um rendimento em azeite de 22 a 24 %. A pele é avermelhada na
viragem de cor e avermelhada ou vermelho escura na maturação. A polpa
apresenta uma cor clara. As lentículas muito visíveis e abundantes. O caroço é
grande, obovóide ou elipsoidal.
Variedade de dupla aptidão, de maturação tardia, dando um bom rendimento
em azeite e um azeite muito fino; também pode ser utilizada para conserva em
verde.
É pouco sensível à gafa e moderadamente resistente à mosca da azeitona.
É uma cultivar com boas características para a colheita mecânica, na fase de
maturação completa, devido à baixa resistência do fruto ao desprendimento,
apresentando também uma queda natural reduzida

Fig. 17 e 18 – Folhas e frutos da variedade Cobrançosa.

F – Redondil

Variedade com grande representação na região de Elvas, excelente para


conserva em verde.
Árvore de porte médio e medianamente arborescente, muito susceptível a
solos compactos e húmidos, prefere solos frescos, férteis e com boa retenção
de água.
Ainda que muito produtiva apresenta tendência para a alternância, tendo uma
maturação temporã.

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Fig.19 – Exemplo de frutos da variedade Redondil

As folhas são de tamanho médio, curtas e largas, com rebordo encurvado ou


planas.
O Fruto apresenta um tamanho médio ou grande, esférico, tem um peso médio
de 3 a 6 g e um rendimento em azeite de 23 a 26 %. A pele é vermelha na
viragem de cor e avermelhado escuro ou negra na maturação, com lentículas
abundantes, mas pouco visíveis. A polpa não adere ao caroço. O caroço
apresenta um tamanho médio, com forma obovóide.
É uma cultivar de dupla aptidão, adaptada para a conserva em verde.
Os frutos apresentam baixa resistência ao desprendimento e queda natural
acentuada. Apropriada para a colheita por mecânica.
Apresenta capacidade de propagação por estaca vegetativa.
É muito sensível ao olho de pavão (sobretudo em terrenos húmidos), à gafa, ao
escudete, aos efeitos do granizo e é muito atacada pela mosca da azeitona,

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Fig. 20 – Frutos da Variedade Redondil.

G – Azeiteira

Árvore de porte médio, produtiva, regular e de maturação temporã, do tipo


maçanilha, existente na região de Elvas e Campo Maior, apresentando grandes
semelhanças com a variedade Negrinha de Trás-os-Montes.

Fig.21 - Exemplo do porte de uma árvore Azeiteira adulta.

As folhas são pequenas, curtas e estreitas, com rebordo encurvado ou planas.


Os frutos apresentam um tamanho médio, são elipsoidais ou ovóides, com um
peso médio de 3 a 5 g e apresentam um baixo rendimento em azeite (13 a 16
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%). O fruto é utilizado para conserva em verde ou em preto. A pele é
vermelhada na viragem de cor e negra na maturação, com lentículas pouco
visíveis.
A baixa resistência do fruto ao desprendimento favorece a mecanização da
colheita que se deve efectuar cedo, mas queda natural acentuada.
Variedade com boa capacidade de propagação por estaca.
Apresenta resistência à gafa e mosca da azeitona.

Fig.22 – Exemplo de frutos da variedade Azeiteira

H – Conserva de Elvas

Variedade típica da região de Elvas, mas em declínio devido a ter uma


produção irregular.
Muito utilizada para conserva em verde, para o que tem boas qualidades
organolépticas e sensoriais.
A árvore apresenta um porte grande e ramificação pendente.
As folhas são grandes ou médias, compridas e largas, com rebordo encurvado.

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O fruto é grande, ovóide ou elipsoidal. A pele é vermelha na viragem de cor e
vermelho escuro ou negra acastanhada na maturação, com lentículas muito
visíveis e abundantes. A polpa tem consistência rija e adere ao caroço. O
caroço é grande e alongado. Apresenta um bom rendimento em azeite.

Fig. 23 – Exemplo de frutos da variedade Conserva de Elvas

Esta variedade apresenta uma certa resistência do fruto ao desprendimento,


mas queda acentuada no fim da maturação.
Tem mediana capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa. O porta –
enxerto tem boa afinidade para muitas cultivares, conferindo um crescimento
mais rápido para as variedades enxertadas.
É uma variedade bastante susceptível à gafa e à mosca.

I – Maçanilha Algarvia

Variedade proveniente do sotavento algarvio, bastante semelhante às


variedades “manzanillas” espanholas.
Árvore de porte grande ou médio, com boa capacidade de adaptação

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As folhas apresentam um tamanho médio, são compridas e estreitas, com
rebordo encurvado.
Os frutos têm a forma de uma esfera, um peso médio de 3 a 6 g e um
rendimento em azeite de 18 a 25 %. A pele é avermelhada na viragem de cor e
vermelho escuro ou negra na maturação, com lentículas pouco visíveis. A
polpa é aderente ao caroço. O caroço é grande, elipsoidal ou esférico. As
maçanilhas são utilizadas para conserva em verde ou em meia maturação.

Fig.24 - Exemplo do porte de uma árvore Maçanilha adulta.

Os frutos desprendem-se facilmente pelo que se destinados a conserva, seu


destino principal, têm de ser colhidos atempadamente. Também apresenta
acentuada queda natural desde o início da maturação. Deste modo, é uma
variedade apropriada para a colheita mecânica por vibração, mas que deve ser
realizada no cedo por causa da queda natural.
É uma variedade com baixa capacidade de propagação por estaca semi-
lenhosa, e é susceptível à mosca da azeitona.

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Fig.25 – Exemplo de frutos da variedade Maçanilha

J – Picual

È a variedade mais cultivada em Espanha, em especial na Andaluzia, país de


onde é originária.
As plantas apresentam um porte mediano, com um bom vigor vegetativo, um
grande desenvolvimento foliar e alguma tendência para a alternância de
produção.
É uma variedade muito produtiva e a entrada em produção após a plantação é
precoce, utilizada essencialmente para azeite
Apresenta um elevado rendimento em azeite, que embora seja de qualidade
apenas média, possui um índice de estabilidade elevado.

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Fig. 26 – Exemplo de uma árvore jovem da variedade Picual

As folhas apresentam um tamanho médio, são compridas ou curtas e estreitas;


planas ou com rebordo encurvado ou ondulado.
O fruto é de tamanho médio (2,5 a 3,5g), elipsoidal. A pele é avermelhada na
viragem de cor e negra na maturação, com lentículas pouco visíveis,
abundantes e pequenas. A polpa apresenta uma consistência rija e aderente
ao caroço. O caroço é grande, alongado ou elipsoidal. O fruto tem uma
maturação média.
Esta variedade apresenta uma baixa resistência do fruto ao desprendimento e
reduzida tendência para a queda natural dos frutos, é uma variedade
apropriada para a colheita mecânica.
Apresenta uma multiplicação fácil por estaca semi-lenhosa.
È sensível à mosca da azeitona, à gafa e ao olho de pavão; tolerante à
tuberculose. É tolerante às geadas e ao excesso de humidade no solo; pouco
resistente à seca e ao excesso de calcário no solo.

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K – Blanqueta

É uma variedade originária de França, bastante produtiva, entrando em


produção de forma precoce e com bastante regularidade.
As árvores têm porte médio a grande, com ramificação ascendente e ramos
bastante alongados. Apresenta um rápido crescimento, mas exige solos férteis.

Fig. 27 – Exemplo de uma árvore adulta da variedade Blanqueta

As folhas são grandes, compridas e largas, planas ou onduladas.


O fruto é próprio para conserva em verde ou negra; elevado rendimento em
azeite, este apresenta um tamanho médio, a pele é avermelhada na viragem
de cor e negra na maturação, com lentículas pouco visíveis e pequenas. A
polpa tem consistência branda e não aderente ao caroço. O caroço é de
tamanho médio, de forma elipsoidal. A Maturação é escalonada e os frutos
apresentam baixa resistência ao desprendimento, mas queda natural
acentuada.
É uma variedade apta para a colheita com vibrador de troncos, a ser efectuada
cedo.
Apresenta fraca capacidade de propagação por estaca semi-lenhosa.

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É-lhe conferida alguma resistência à gafa e à mosca da azeitona; susceptível à
tuberculose.

L – Hojiblanca

É uma variedade originária de Espanha, cultivada especialmente na Andaluzia;


principal variedade espanhola de azeitona de mesa.
É uma variedade de dupla aptidão, apropriada para a confecção de conservas,
tanto em verde como negra, devido à textura firma da sua polpa.
As árvores apresentam um desenvolvimento precoce, alguma rusticidade, mas
pouco vigorosas. É uma variedade de mediana produtividade, com tendência
para a alternância de produção; baixo rendimento em azeite, embora de
qualidade elevada.

Fig. 28 – Exemplo de frutos da variedade Hojiblanca

As Folhas são de cor clara, que lhe dão o nome, médias ou pequenas,
compridas e estreitas, planas ou com rebordo encurvado.
O fruto é médio a grande (2 a 4g), elipsoidal, com diâmetro máximo na parte
mediana. A pele é avermelhada na viragem de cor e vermelha escura ou negra
na maturação, com lentículas pouco visíveis, abundantes e pequenas. A polpa
tem consistência rija e aderente ao caroço. O caroço tem um tamanho médio,

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elipsoidal. Apresenta uma grande resistência ao desprendimento, o que
dificulta a colheita mecânica. É uma variedade de maturação tardia.
É susceptível ao olho de pavão, à tuberculose e à mosca e esta adaptada ao
cultivo em solos caliços.

M – Arbequina

É uma variedade originária de Espanha, muito procurada para as novas


plantações super-intensivas devido ao seu fraco vigor vegetativo.
É uma Variedade muito produtiva, com um bom rendimento em azeite e de
elevada qualidade, com entrada em produção após a sua plantação muito
precoce.
As plantas têm um reduzido crescimento vegetativo, que torna esta variedade
especialmente adaptada para plantações em densidades muito elevadas.
Os frutos são pequenos (1 a 2g), ovalados e curtos, negros quando maduros.
O pequeno tamanho dos frutos dificulta a colheita mecânica da azeitona com
vibrador de troncos.
É uma variedade resistente ao frio, mas susceptível à clorose férrica em
terrenos muito caliços. É Relativamente tolerante ao olho de pavão e à
verticiliose.

Fig.29 – exemplo do porte de uma árvore jovem da variedade Arbequina

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Fig.30 – Exemplo de frutos da variedade Arbequina

N – Arbosana
É uma variedade espanhola, originária da zona de Barcelona.
Começa a produzir muito cedo (aos 2 anos) e atinge a plena produção aos 5
anos.
O fruto é pequeno, mas com bom rendimento em azeite (19-20%).
O azeite tem um sabor frutado, é vulgarmente usado para misturas com outras
variedades de forma a conferir sabor ao azeite.
Variedade muito indicada para os olivais super-intensivos.

O – Koroneiki
É uma variedade originária da Grécia, começa a produzir muito cedo, aos 2-3
anos.
Necessita de outras variedades para haver polinização (polinização cruzada).
È uma variedade muito indicada para olivais super-intensivos;

P – Frantoio
É uma variedade de origem Italiana,
O fruto apresenta um bom rendimento em azeite (21-23%). O azeite tem um
sabor forte e picante;
É uma variedade muito adaptada À colheita mecânica, muito sensível a frio e
ao calor.
Não se poliniza a si própria, mas é boa polinizadora para outras variedades
Muito indicado para os olivais super-intensivos.

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4 – O Agrossistema Olival

A oliveira é uma cultura que está perfeitamente adaptada às nossas condições


edafo - climáticas, e apresenta uma grande importância económica e social;
Encontra-se distribuída por todo o país (excepto algumas áreas junto à costa e
em altitude), apresentando características visíveis de rusticidade e
recuperando-se com grande facilidade de acidentes climáticos ou de
inadaptações culturais.
No Alentejo era uma cultura que ajudava a combater a desertificação, no
entanto devido aos altos custos de produção devido à ausência quase total de
mecanização, aliada à ausência de mão-de-obra e à sua baixa produtividade,
os números inverteram-se levando o olival ao abandono quase total.
Devido aos baixos rendimentos por árvore o olival deixou de ser tratado e
adubado em vastas áreas do território nacional, as necessidades nutritivas
estas eram colmatadas, na maior parte dos casos com adubos compostos ou
simples, existindo uma grande percentagem de olivais que continuava a não
ser adubado, o que levou ao abandono de grande percentagem de olival. Para
além disso a idade avançada de grande parte dos olivicultores e a sua
localização essencialmente em zonas desfavorecidas, onde existe uma
desertificação acentuada, também acentuou o abandono do olival.
As variedades mais utilizadas eram a Cordovil, a Galega (com característica
apetência para a alternância bem como baixo rendimento), a Verdeal e a
Cobrançosa, existindo ainda outras variedades com menor relevância que
poderiam ser usadas na maior parte dos casos consociadas com as variedades
dominantes. Grande percentagem do olival cultivado era estreme, mas por
vezes era consociado com outras culturas, por exemplo o figueiral, a vinha ou
os cereais, e sempre de sequeiro. Os compassos existentes eram na sua
maioria regulares, (10 x 10; 12 x 12, etc.), e a colheita era predominantemente
manual.

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A situação do olival no Alentejo era caracterizada por:
Má implantação dos olivais, tanto ao nível do solo como do clima (zonas
baixas com elevada humidade relativa, dificuldade de mecanização);
Cultura extensiva (baixa densidade-80 árvores/ha);
Plantas instaladas sem um compasso definido, o que dificulta a
mecanização, nomeadamente a colheita em virtude das árvores não
apresentarem sistemas de condução adaptados ao vibrador;
Baixas produções unitárias e altos custos de produção devido ao
elevado preço da mão-de-obra;
Poda deficiente com grandes desequilíbrios na árvore;
Ausência de outras técnicas culturais adequadas, fertilizações, rega,
tratamentos fitossanitários, etc.

Actualmente já há uma maior tendência para tratar o olival como qualquer outro
pomar e têm surgido os olivais considerados modernos, caracterizados por:

Aumento da densidade de plantação;


Multiplicação por estacas herbáceas;
Monda química do solo;
Fertilização racional e adubação foliar (análises foliares);
Rega localizada;
Generalização de novos métodos de poda;
Mecanização da colheita das azeitonas;
Luta integrada e cultura biológica

Para que haja sucesso na olivicultura será também necessário:


Modernização dos lagares
Melhoria das condições de armazenamento
Melhoria do material vegetal (porta - enxertos e selecção clonal das
variedades).

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Nos últimos anos:
Direcção Regional de Agricultura do Alentejo revelou que, nos 47 concelhos da
região, existem 158 mil hectares de área de olival, mas não está claro quantos
são explorados por espanhóis. A Câmara Oficial Espanhola de Comércio e
Indústria estima que sejam 25 mil hectares enquanto a Secretaria de Estado de
Agricultura portuguesa indica apenas 15 mil hectares.
Existe o aparecimento de novos olivais com proprietários de classe etária mais
baixa. E o olival voltou a adquirir uma função social (tem fixado as populações
rurais em algumas zonas do país, onde a olivicultura é a única fonte de
rendimento).
No entanto ainda é notória a falta de espírito associativo e a deficiente
investigação e experimentação em Portugal.
Mesmo com todos os aspectos negativos existe um esforço crescente para a
dinamização do sector olivícola. Ao longo dos anos foram aparecendo as várias
denominações de origem protegida (DOP), onde o Alentejo aparece com um
papel de relevância a nível nacional, apresentando 3 das 6 DOP existentes,
existindo ainda um plano de criação de uma IG Azeites do Alentejo.

6 D.O.P. Existentes em Portugal:


Azeites de Moura;
Azeites do Norte Alentejano;
Azeites do Alentejo Interior;
Azeites da Beira Interior;
Azeites de Trás-os-Montes;
Azeites do Ribatejo.

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Fig. 31 – Mapa da distribuição dos DOP do Alentejo

Azeite do Norte Alentejo P - Lagares de


prensas
Azeite de Moura C - Lagares
contínuos
Azeite do Alentejo Interior

Variedades mais utilizadas na região Alentejo


Para distinguir e identificar as variedades é necessário observar vários caracteres
morfológicos e botânicos, em especial:
O porte da árvore;
A forma e densidade da copa;
A disposição dos ramos (arborescência);
O tamanho, a forma e a cor das folhas;
O tamanho, a forma e a cor da azeitona;
A presença, abundância e tamanho das lentículas na pele da azeitona;
A cor e a consistência da polpa da azeitona;
Se a polpa da azeitona está ou não aderente ao caroço;
O tamanho e a forma do caroço;

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Não é especialmente fácil distinguir as variedades de oliveira, pois algumas delas são
muito semelhante. O fruto é o indicador mais fácil para as identificar; na sua ausência
há que olhar para as folhas e para o aspecto geral da árvore.
O porte da árvore, para além da sua variedade, depende também da sua idade, da
fertilidade do solo, do sistema de condução e das podas realizadas; um bom indicador é
a disposição dos ramos, mais verticais ou mais pendentes. A cor das folhas e, portanto
da própria árvore e o aspecto e a densidade da copa e da folhagem podem ser uma boa
ajuda.

Fig.32 – Exemplo de árvores de variedade Galega e Maçanilha

No fruto é importante o tamanho, a sua forma (mais elíptica ou mais arredondada) e a


sua cor, embora esta dependa essencialmente do estado de maturação; a presença de
lentículas pode ser uma boa ajuda, é também de se observar se a polpa está ou não
aderente ao caroço, qual a sua consistência (rija ou mole) e qual a sua cor (clara ou
arroxeada). O tamanho do caroço e a sua forma também podem ser vistos.

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Fig. 33 – Exemplo de lentículas nos frutos

Para uma variedade ficar completamente descrita devem ser considerados alguns
aspectos agronómicos, tais como:
Exigências climáticas e edáficas (clima e solos)
Capacidade produtiva e regularidade de produção (safra e contra-safra)
Facilidade de propagação por estaca de forma a produzir mais plantas para novas
plantações;
Aptidão para porta - enxerto e/ou necessidade de ser enxertada;
Época de maturação e colheita de azeitona
Facilidade ao desprendimento dos frutos e tendência para a sua queda natural;
Aptidão para a colheita mecânica;
Adaptabilidade ao tipo de sistema de produção escolhido (semi-intensivo,
intensivo, super-intensivo);
Aptidão para azeite ou conserva, qualidade e rendimento em azeite.

Quais as características que deve ter, num olival moderno (intensivo ou super-
intensivo), a variedade a escolher para uma nova plantação?
Se a apanha da azeitona é uma operação que, se feita manualmente, tem custos
muito elevados, é essencial uma variedade bem adaptada à colheita com
vibrador de troncos, ou seja, em que o fruto não tenha grande resistência ao
desprendimento mas também não tenha uma queda natural muito acentuada.

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É preciso escolher variedades produtivas e que, tanto quanto necessário não
tenham uma grande tendência para a alternância de produção.
Deve estar bem adaptada às condições climáticas e aos solos no local de
plantação.
Devem ser, pelo menos, tolerantes às principais pragas e doenças que atingem a
oliveira no nosso pais (mosca, traça, gafa e tuberculose).
Além de produtivas devem apresentar um bom rendimento em azeite.

É claro que através de boas técnicas de cultivo, algumas limitações que as variedades
possam apresenta podem ser ultrapassadas ou pelo menos minoradas.

Fig. 34 – Variedades dominantes nas principais zonas olivícolas do país.

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5 - Morfologia da Oliveira

A oliveira é uma árvore de tamanho mediano (4 a 8 metros de altura, conforme a


variedade e as condições de cultivo.
É uma espécie muito rústica e de grande longevidade, podendo viver centenas ou
milhares de anos.
A copa tem uma forma arredondada e bastante densa, embora as podas a clareiem de
forma a facilitar a penetração da luz.
A densidade da copa, o porte, a cor das madeiras e outros caracteres botânicos
dependem muito da variedade, mas também das condições ambientais e das práticas
culturais, em especial da poda.
A árvore tem uma fase juvenil e uma fase adulta; existem diferenças nas capacidades
reprodutora e de enraizamento e na morfologia (nas plantas jovens as folhas são mais
pequenas e grossas, p. ex.); o estado adulto é atingido entre os 5 e os 8 anos em plantas
propagadas por via seminal e entre os 4 e os 5 anos em árvores plantadas sob condições
favoráveis (podendo atingir os 15 anos).
As zonas mais jovens das árvores estão situadas em pólos opostos da árvore: os
lançamentos que se formam a partir da base do tronco e o crescimento anual na
extremidade dos ramos são as zonas mais jovens da árvore.
Os lançamentos formados a partir da base do tronco permitem à árvore regenerar-se em
caso de morte do tronco principal, aumentando a longevidade da árvore.
É o que sucede quando se faz um corte raso do tronco; a partir dos novos rebentos
surgidos é eleito um que irá formar o novo tronco. Neste caso a parte aérea da planta
será mais jovem do que as raízes.
A morfologia do sistema radicular, bem como a sua profundidade, expansão lateral e a
maior ou menor ramificação depende, para além das condições do solo (profundidade,
estrutura e compactação, textura, retenção de água, etc), da própria origem da árvore
(semente ou estaca).
Quando a árvore provém de uma semente, forma-se uma raiz principal que vai dominar
o sistema radicular nos primeiros anos; quando a árvore é produzida através do
enraizamento de estacas, desenvolve-se na zona basal das estacas, múltiplas raízes
adventícias que se comportam como raízes principais múltiplas na árvore.

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Quando a planta é propagada por semente forma-se uma raiz principal aprumada e
pivotante na fase inicial do seu desenvolvimento (1), sem que se formem raízes
secundárias; quando a planta é transplantada para local definitivo a raiz principal fica
atrofiada sendo substituída por uma raiz fasciculada (2) mais superficial.
Quando a árvore é propagada por estaca forma-se inicialmente um sistema radicular
formado por 3 ou 4 raízes; depois do transplante para local definitivo desenvolve-se um
sistema radicular fasciculado (2).
As raízes apresentam um comportamento muito dinâmico, estando permanentemente a
ser renovadas

Fig.35, 36, 37 e 38 - exemplo dos tipos de sistemas radiculares existentes em olival

As raízes mais jovens são de cor branca (raízes capilares), passando a castanho à
medida que envelhecem e apresentam um estatuto dinâmico, renovando-se
constantemente. É precisamente nesta zona de raízes mais jovens e principalmente na
extremidade destas que se dá a absorção de nutrientes.

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Normalmente as raízes não tingem grande profundidade. A oliveira desenvolve uma
grande quantidade de raízes bastante superficiais (“raízes pastadeiras”), em especial em
sistemas de não mobilização de solo. A profundidade das raízes é maior em solos de
textura mais ligeira e em regiões de clima mais árido. O desenvolvimento lateral das
raízes pode ser muito grande, tanto maior quanto menor for a pluviometria e maior o
afastamento entre árvores.
É uma árvore que no terreno desenvolve um sistema radicular essencialmente
fasciculado, não emitindo raízes profundas, salvo casos de nutrição deficiente e, em
geral, 80% do seu volume radicular encontra-se a uma profundidade de 50 a 70 cm.

O caule é composto por: tronco, pernadas e ramos. O tronco subdivide-se em duas


partes, a parte inferior que está situada ao nível do solo e a parte superior, que é o tronco
propriamente dito, de onde saem os ramos e folhas.
Nas árvores jovens o tronco é direito e circular, o seu diâmetro é praticamente
constante desde o colo da planta até ao ponto de inserção das pernadas e a sua
superfície é mais ou menos lisa e regular e de cor verde-acinzentada. As madeiras
encontram-se ainda bastante sãs.

Fig. 39 e 40 – exemplos de caules de oliveira

À medida que o tronco envelhece torna-se mais escuro, começa a apresentar fendas e
fica com uma superfície irregular devido ao aparecimento de engrossamentos de
forma ovalada denominados “mamilos” ou de forma mais alongada denominados
“cordas”, que vão deformando o tronco.

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Os “mamilos” são zonas de maior actividade cambial (de crescimento do tronco)
localizada, que se traduz num engrossamento anormal do tronco.

Fig. 41 e 42 – exemplo de troncos com “mamilos”.

As “cordas” estabelecem a ligação entre os ramos que se vão formando ou renovando


na copa da árvore e a correspondente raiz que lhe está associada, constituindo uma zona
do tronco em que a circulação de seiva é mais activa.
Com o passar do tempo o tronco sofre um processo de “cárie” que leva ao seu
envelhecimento e pode levar à destruição total do centro do tronco, permanecendo a
árvore sustentada pela parte exterior, mais jovem, do tronco, sempre renovada através
da formação de novas raízes e de novas cordas e ramos ou pernadas, que irão dar à
árvore a aparência de ser formada por vários pés.

Fig. 43 e 44 – Exemplo de troncos de oliveira com “cáries”.

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A partir de determinada altura nada já resta da estrutura inicial da árvore, já totalmente
destruída pela “cárie”.
Este processo de renovação permanente confere à oliveira a grande longevidade que se
lhe reconhece.
A partir de certa idade, de forma mais ou menos pronunciada de acordo com a
variedade, o colo da árvore (zona de inserção do tronco no solo ou nas raízes) começa
a apresentar um engrossamento denominado “soco” ou “sapata”. (1).
Na “sapata” observam-se numerosas protuberâncias providas de um grande número de
olhos ou gomos adventícios que, em abrolhando, dão origem a rebentos com raízes na
base que crescem de forma vigorosa a partir do colo da árvore (2).
Quando as árvores são cortadas pela base estes gomos abrolham em grande número,
formando uma “toiça”, a partir da qual pode ser escolhido um dos rebentos para formar
uma nova árvore (3).

Fig. 45, 46 e 47 - exemplo de sapata, abrolhamento de raízes e formação de toicas,


respectivamente.

As árvores são normalmente formadas num único tronco, ramificado a maior ou


menor altura. Em certas regiões as plantações são formadas por mais do que um pé ou
tronco, partilhando o mesmo sistema radicular (e então é apenas uma árvore) ou não
(e então são mais do que uma árvore).

Fig. 48 e 49 - Exemplo de árvores com vários pés.

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Os ramos principais ou pernadas nascem directamente do tronco, recebendo o seu ponto
de inserção no tronco a designação de “cruz”; São eles que determinam a forma da
árvore, conforme a poda de formação realizada; O seu número é variável, sendo mais
comum uma árvore ter 3 ou 4 ramos principais; Os ramos secundários formam-se a
partir dos ramos principais.

Os ramos podem ser classificados de: ramos frutíferos (ramos onde se formam os frutos
– a frutificação decorre predominantemente nos ramos com 1 ano, que se desenvolvem
durante a Primavera e Outono; estes ramos tornam-se improdutivos durante ao 3º ano,
os ramos frutíferos possuem uma elevada taxa de gomos florais em relação ao número
total de gomos: entre 50 e 60% ou mais, dependendo da variedade, da sua localização
na árvore e das condições climáticas de cada ano); ramos foliares ou ramos de madeira
(originam novos ramos); Ramos adventícios (têm pouca tendência para a frutificação).
Deste modo, os ramos secundários ou braços nascem dos ramos principais e constituem
a copa da árvore.

Os ramos são identificados de acordo com a sua idade, posição e origem:


ramos do ano ou lançamentos;
ramos do ano anterior ou de dois anos (são os ramos frutíferos);
ramos ladrões (nascem de gomos situados nos ramos mais velhos e pernadas,
possuindo um crescimento vigoroso na vertical; resultam muitas vezes de podas
demasiado severas);
pôlas ou pés-de-burrico (nascem dos gomos localizados na sapata da árvore).

A oliveira é uma árvore de folha persistente. As folhas são formam-se desde o inicio da
Primavera, quando começa a actividade vegetativa, até ao inicio do Outono e persistem
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em geral por dois ou três anos. Apresentam uma disposição oposta nos ramos
(característica botânica da família das Oleacea), simples, inteiras, sem estípula e com o
pecíolo curto. Apenas o nervo central da folha é marcado, o limbo termina numa ponta
afiada.

A página superior da folha é reluzente e coreácea e de cor verde escura, a página


inferior da folha tem um aspecto prateado pela presença de pêlos tácteis, é aqui que se
concentram todos os estomas, de forma a diminuir as perdas de água por transpiração.
O conjunto das características anatómicas do limbo foliar é tipicamente xerófito.
As formas e dimensões das folhas variam muito consoante a variedade, podendo ser
lanceoladas, elípticas, pequenas, médias, grandes, curtas e largas, curtas e estreitas,
largas e estreitas, etc.

Fig. 50 – Exemplo de folhas de oliveira

Os gomos podem-se classificar quanto á posição no ramo e aí temos: gomos terminais


que se formam nas extremidades dos ramos e são responsáveis pelo crescimento dos
ramos; gomos axilares que se localizam nas axilas das folhas; gomos adventícios que se
localizam normalmente na proximidade de cortes ou de feridas, dão origem aos ramos
ladrões.

Quanto ao período de evolução podem ser classificados de: gomos latentes, este
subdividem-se em gomos hibernantes quando evoluem no ano seguinte e em gomos
dormentes quando evoluem passados pelo menos 3 a 4 anos; gomos prontos quando
evoluem no mesmo ciclo vegetativo em que se formaram.

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Quanto à natureza ou função, podem-se classificar de: gomos foliares quando originam
ramos meramente vegetativos; gomos florais quando originam flores; gomos mistos
quando dão origem a lançamentos que emitem folhas e flores.

Na oliveira as flores surgem agrupadas em inflorescências que se desenvolvem a partir


de gomos, do crescimento vegetativo do ano anterior, situados na axila das folhas.
Cada inflorescência pode ter entre 10 e 40 flores, conforme a variedade, o estado
fisiológico das árvores e as condições ambientais de cada local.
As inflorescências são em forma de panícula, têm um eixo central do qual podem sair
ramificações que, por sua vez, podem também ser ramificadas.

Fig 51 e 52 – Exemplo de inflorescências de oliveira

As inflorescências apresentam flores de dois tipos:


Perfeitas: são flores hermafroditas (têm os dois sexos) e dão origem à formação
dos frutos
Imperfeitas ou estaminíferas: são flores masculinas com ovário ausente ou
imperfeito e não dão lugar à formação de fruto. A proporção de flores
imperfeitas (% de aborto ovárico) pode chegar aos 50% ou mais em anos
normais, mas não afecta a produção.

Fig. 53 e 54 - Exemplo de flores de oliveira

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As flores são pequenas e simétricas, de cor branca ou ligeiramente amarelada e possuem
um pedúnculo curto:
O cálice é formado por 4 sépalas;
A corola é formada por 4 pétalas;
Cada flor possui 2 estames e 2 carpelos;
Cada ovário possui no total 4 óvulos, dos quais apenas um vinga, originando um
fruto.
Fig.55 – exemplo de flores de oliveira.

Duma forma geral à flor da oliveira dá-se o nome de “candeio”.


Cada árvore produz um grande número de flores, mas destas apenas uma muito reduzida
percentagem consegue vingar, produzindo fruto, quer isto dizer que a taxa de
abortamento floral é muito elevada.
O abortamento floral pode ser devido a várias causas: flores imperfeitas; má nutrição da
planta; desequilíbrios fisiológicos das plantas (devido, por exemplo, a podas mal
conduzidas), condições meteorológicas desfavoráveis (falta ou excesso de humidade).
A polinização é autogâmica (dentro da mesma flor), ou alogâmica ou cruzada (entre
flores e variedades) ou pode nem ocorrer (partenocarpia). A polinização é realizada pelo
vento (anemófila).
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O fruto da oliveira é a azeitona e é uma drupa, tal como o pêssego ou a cereja, de forma
elipsoidal ou ovóide, mas também com formas obovoides, esferoidais, ou alongadas e, o
seu tamanho varia muito, de pequeno (até 1,9 gr) a muito grande (mais de 8 gr), com
rendimentos em azeite de 14 a 28 % e períodos de maturação entre 25 e 50 dias,
consoante a variedade.
Tal como as flores, os frutos surgem também agrupados, dispostos em pequenos cachos
muito abertos.
O fruto é constituído pelo pericarpo e, no seu interior, pela semente.
O pericarpo é formado pelo epicarpo ou pele, pelo mesocarpo ou polpa e pelo
endocarpo ou caroço: o epicarpo constitui uma capa protectora do fruto, coberta por
uma grossa cutícula aonde pontuam as lentículas; o mesocarpo é carnudo e é nele que se
acumula a maior parte do azeite; o endocarpo é duro porque as suas células estão
lenhificadas, protegendo assim a semente.

Fig. 56 – Exemplo de frutos da oliveira

Fig.57 – Constituição do fruto da oliveira

Epicarpo (pele)– 2 a 3 %
Mesocarpo (polpa)– 68 a
85 %
Endocarpo (caroço) – 2 a
2,5 %

Na maturação a polpa representa 65 a 90% do peso da azeitona e contêm 70% do azeite


do fruto. O caroço representa 10 a 30% do peso e contêm 30% do azeite.

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O azeite é uma gordura vegetal composta essencialmente (80%) de ácidos gordos mono-
insaturados, na maior proporção ácido oléico. Pelo contrário é pobre em ácidos gordos
saturados (12%) e poli-insaturados (8%).

A semente é quase totalmente preeenchida pelo embrião, formado pelos primórdios da


raiz e do caule e pelo cotilédone.
Entre o embrião e o tegumento da semente encontra-se uma fina camada de tecido de
reserva, o endosperma ou albúmen, essencialmente constituído por amido.

Fig. 58 – (1) Fruto normal; (2) Fruto com o embrião abortado (sem semente); (3)Fruto
partenocárpico (mais pequeno e sem semente)

1 2
3

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6 - Ciclo Vegetativo da Oliveira

Na oliveira podem distinguir-se quatro grandes períodos de desenvolvimento, ao longo


do seu ciclo de vida:
- Período de juventude/período improdutivo: período de formação e de
crescimento da planta jovem, caracterizado por uma intensa actividade vegetativa,
florações fracas, débeis e poucos ou nenhuns frutos.
Esta fase começa no viveiro, normalmente a partir de uma estaca caulinar, e acaba no
local de plantação definitivo, onde a árvore começa a frutificar. Durante esta fase é
especialmente intenso o desenvolvimento do sistema radicular, em detrimento do
desenvolvimento da parte aérea da planta.
É neste período que se procede às primeiras podas de formação, a sua duração, embora
varie muito com as condições de cultivo e segundo as variedades, é de um a seis/sete
anos;

Fig. 59, 60 e 61 – Exemplo de plantas em viveiro

- Período de entrada em produção: período que marca a transição para a fase


adulta, em que prossegue o crescimento das árvores, em especial da parte aérea, e surge
o aparecimento das primeiras produções até à regularidade da produção. As podas de
formação continuam ainda a ser importantes e fazem-se as primeiras podas de
frutificação; tem a duração do sexto ao vigésimo/vigésimo quinto ano;

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Fig. 62 – Árvore em início de produção

- Período adulto/período produtivo: Quando termina a fase de formação da


árvore e as oliveiras atingem o seu porte normal e se estabelece o equilíbrio do
crescimento do sistema radicular e aéreo. Esta situação vai permitir manter também um
bom equilíbrio entre o crescimento vegetativo (de ramos e folhas) e a produção de
azeitona, indispensável para a longevidade da árvore e para a manutenção de elevados
níveis de produção durante um longo período de tempo.
A duração deste período depende muito das condições de exploração das árvores.
Corresponde ao período de plena produção das árvores, que se mantêm durante um
período de tempo mais ou menos prolongado através da realização periódica de podas
de frutificação e de manutenção e da utilização de práticas culturais (mobilização do
solo, fertilização, etc.) adequadas.

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Fig. 63 e 64 – Exemplo de árvores em período adulto / produtivo

- Período de envelhecimento: Durante este período verifica-se uma progressiva


diminuição da produção. O envelhecimento das oliveiras é visível através da observação
da deterioração do estado de conservação da madeira das árvores e pelo aumento da
relação entre a madeira (pernadas e ramos não frutíferos) e os ramos frutíferos, o que
leva a uma diminuição da produção de azeitona e a uma tendência cada vez maior para a
alternância de produções (safra e contra-safra).
A entrada neste período depende muito do sistema de exploração das árvores (mais ou
menos intensivo) e dos cuidados tidos com elas ao longo do seu período produtivo, em
especial no que respeita às podas e ao controlo de algumas doenças, nomeadamente
aquelas que atacam as madeiras.

Fig 65 e 66 – Exemplo de oliveiras em período de envelhecimento

O ciclo biológico de uma cultura lenhosa (como a oliveira) é o espaço de tempo


que transcorre desde que se dá a rebentação ou o despertar do repouso vegetativo
invernal até ao final do repouso vegetativo do ano seguinte. É portanto um ciclo anual,

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mas que, ao contrário do que se passa com as culturas herbáceas, se repete durante mais
do que dois anos. São portanto plantas plurianuais ou permanentes.

O ciclo biológico compreende basicamente dois períodos:


● um período invernal durante a qual a planta está em repouso vegetativo e o
crescimento dos órgãos da planta está parado. Apesar disso durante este período
ocorrem importantes processos do ponto de vista fisiológico;
● um período que começa no final do Inverno e que dura até ao final do Outono em que
a planta cresce de forma muito activa, produzindo novos ramos, flores e frutos.

O ciclo biológico de qualquer planta compreende uma sucessão de fases ao longo das
quais ela sofre mudanças que afectam a sua morfologia ou aspecto exterior. Em cada
uma das fases a planta assume uma determinada característica morfológica típica da sua
espécie: são os chamados estados fenológicos
A definição exacta destas fases ou estados são importantes para a compreensão do
processo de formação da produção (de frutos no caso da oliveira) e para estabelecer os
calendários de tratamentos das culturas (para as proteger das pragas e doenças).
O despoletar de cada uma das fases e o intervalo de tempo ou rapidez com que se
sucedem umas às outras depende:
das condições ambientais (temperatura, fotoperíodo)
de algumas técnicas de cultivo (a fertilização ou a rega)
da variedade

Ao logo deste ciclo a oliveira, apresenta geralmente, dois períodos de crescimento


activo: o crescimento de Primavera que dura aproximadamente até meio de Julho e o
crescimento entre Setembro e meados de Outubro (quando chove no início do Outono
ou quando o olival é regado).

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Estados fenológicos da Oliveira.

Estado Fenológico A - Gema de Inverno: É o período do


repouso vegetativo, em que o gomo terminal e os axilares estão sem
crescimentos; Consoante a variedade, varia de Dezembro até
Março.

Estado Fenológico B - Início Vegetativo: O gomo terminal e os


axilares começam a quebrar a dormência, e a alongar; De acordo com
a variedade, varia de meio de Fevereiro a meio de Abril.

Estado Fenológico C - Aparecimento dos botões florais:


O cacho revela diferentes botões em desenvolvimento;
Consoante a variedade, varia de Março até meio de Maio.

Estado Fenológico D1 - Formação da corola: O botão floral


incha, o cálice abre-se e começa a visualizar-se a corola, que
chega a ser maior que o cálice; Consoante a variedade, varia de
Abril até meio de Maio.

Estado Fenológico D2 - Mudança de cor da corola. O botão floral


aumenta de tamanho e a corola passa de verde a branco-amarelada;
Consoante a variedade, varia de meio de Maio até Junho.

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Estado Fenológico E - Aparecimento dos estames. O botão
floral continua a inchar, a corola começa a abrir, sendo possível
ver os estames ao fundo; Consoante a variedade, varia de meio de
Maio até meio de Julho.

Estado Fenológico F1 - Desabrochamento. Primeiras flores a


desabrochar; Consoante a variedade, varia de meio de Maio até meio de
Julho.

Estado Fenológico F2 – Plena floração. A maioria das flores estão


abertas e há abundante pólen no ambiente; Consoante a variedade,
varia de Junho até ao fim de Julho.

Estado Fenológico G - Frutos


formados. O ovário fecundado
aumenta de tamanho e aparece
claramente a azeitona formada. As
pétalas murcham e caem; Consoante
seja a variedade, varia de meio de Maio até meio de Agosto.

Estado Fenológico H - Lenhificação do caroço. O fruto


cresce e quando se aproxima da metade do seu tamanho
final, começa a ocorrer a lenhificação do caroço,
apresentando resistência ao corte; De acordo com a
variedade, varia de Agosto até fim de Setembro.

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Estado Fenológico I - Início da maturação. O fruto
atinge o seu tamanho normal, começando igualmente a
mudar de cor verde para arroxeado; Consoante a
variedade, varia de Outubro até fim de Novembro.

Estado Fenológico I1/J - Maturação do fruto. O fruto já


tem cor escura, mas só quando estiver completamente preto
é que atinge a plena maturação, podendo então desprender-
se do pedúnculo e iniciar o período de repouso vegetativo.
Consoante a variedade, varia de Novembro até fim de Janeiro.

Ao logo do seu ciclo anual a oliveira apresenta 6 fases de desenvolvimento muito


importantes pela qual se distribuem os diferentes estados fenológicos: repouso
vegetativo, indução e diferenciação floral, floração, polinização e fecundação,
frutificação e maturação.

Repouso Vegetativo
A entrada das árvores em repouso vegetativo é determinada pela descida da temperatura
do ar durante o Outono e Inverno.
Não se trata propriamente de um período de dormência: as folhas não caem e continuam
a fotossintetizar, embora o crescimento vegetativo (de ramos e folhas) seja nulo até ao
despertar do repouso vegetativo na Primavera.
Embora as árvores estejam em repouso vegetativo, durante este período ocorrem
processos morfológicos e fisiológicos, dependentes do frio, muito importantes para
aprodução de azeitona.
Na oliveira a quantidade de flores produzidas e a produção de azeitona são directamente
proporcionais à quantidade de frio recebido pelas árvores durante o Inverno, enquanto
as árvores estão na fase de repouso vegetativo.

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Indução e diferenciação floral
Na axila das folhas dos raminhos que crescem na Primavera e Verão de cada ano
desenvolvem-se as gemas ou gomos que irão dar origem à rebentação do
ano seguinte (imagem ao lado).
Na oliveira os gomos podem ser vegetativos ou florais: após o despertar do repouso
vegetativo os gomos vegetativos vão originar novos raminhos e folhas; os gomos florais
vão originar inflorescências.
As mudanças fisiológicas sofridas pelos gomos até à sua transformação em gomos
florais, em vez de permanecerem vegetativos, são a Indução Floral.
O destino final dos gomos depende de certos estímulos por eles recebido durante o
Verão e o início do Outono.
Em anos de muita produção de azeitona, a presença dos frutos e das suas sementes vai
inibir a indução floral nos raminhos que estão a crescer. No ano seguinte a produção de
flores e de frutos será limitada;
Em anos de pouca carga, a indução floral não será tão inibida e portanto um maior
número de gomos serão florais, incrementando a produção do ano seguinte.

Fig.67 – Zona onde se dará a indução/diferenciação floral

Nas árvores que tiveram uma reduzida carga de azeitona os gomos florais passam o
Inverno num estado de latência ou repouso, que requer uma fase de acumulação de frio
para o quebrar e assim iniciar-se o processo de diferenciação

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floral e de rebentação ou abrolhamento dos gomos: são as necessidades de frio ou de
vernalização.
As horas de frio necessárias para a plena floração variam com a variedade. Para que se
dê a vernalização são necessários dias com temperaturas minímas entre 0 e 12,5ºC,
desde que a temperatura máxima não ultrapasse os 21ºC.
A Diferenciação Floral é um processo de transformação morfológica e fisiológica dos
gomos florais, durante o qual se dá a diferenciação ou formação dos primórdios das
diferentes peças que constituem as flores: sépalas, pétalas, estames, pistilos, etc.
A diferenciação floral ocorre no final do Inverno, imediatamente antes do despertar do
repouso vegetativo.
Os gomos vegetativos, pelo contrário, não necessitam de frio para abrolharem na
Primavera.

Floração
O despertar do repouso vegetativo invernal (A), induzido pelo aumento da temperatura
do ar no final do Inverno (por volta dos meados do mês de Março), começa pelo
abrolhamento dos gomos florais inseridos na axila das folhas dos ramos formados
durante o período de crescimento do ano anterior (B).
Após o abrolhamento dos gomos florais começam a formar-se e a desenvolver-se as
inflorescências mediante o alongamento dos ramos florais e o aparecimento dos botões
florais (C).
A duração do intervalo de tempo entre o abrolhamento dos gomos florais e o início da
floração depende da variedade e da temperatura: temperaturas elevadas em Março e
Abril adiantam a floração; temperaturas baixas atrasam-na.
No período entre o abrolhamento dos gomos florais e a floração verifica-se o
desenvolvimento dos órgãos florais, visível, antes da floração, no gradual inchamento
dos botões florais (D) e no aparecimento das pétalas (corola) (E).
A quantidade de flores produzidas depende do número de gomos florais abrolhados: se
durante o Inverno e início da Primavera ocorrer uma desfoliação muito intensa ou se a
colheita da azeitona, no ano anterior, foi realizada muito tarde e não foram colhidos
muitos frutos, o número de gomos florais que abrolham pode ser substancialmente
menor.

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Tempo seco e quente ou a existência de alguma carência nutricional levam a uma
redução do número de flores por inflorescência e a um aumento do número de flores
abortadas devido a uma maior formação de flores imperfeitas.
Conforme as regiões e as condições ambientais (especialmente a temperatura) de cada
ano, a floração (F) inicia-se a partir do início ou dos meados de Maio, quando a
temperatura média do ar ultrapassa os 18ºC.

Polinização e Fecundação
A polinização, que ocorre durante a floração, consiste na transferência do pólen desde a
antera de uma flor até ao estigma da mesma flor ou de outra flor.
A polinização é feita com a ajuda do vento (anemófila), embora a distância percorrida
pelo pólen seja, em geral, reduzida: 95% do pólen (imagens ao lado) deposita-se num
raio de 40 m da árvore de onde é originário.
A oliveira é, fundamentalmente, uma espécie alogâmica ou de polinização cruzada: as
flores deixam-se mais facilmente polinizar e fecundar pelo pólen proveniente de árvores
de outra variedade. A polinização cruzada é necessária para uma boa frutificação e uma
boa produção.
A necessidade de polinização cruzada depende um pouco da variedade: algumas
variedades, como a Picual e a Hojiblanca são auto-férteis (as flores são fecundadas pelo
pólen da mesma variedade).
Como nos olivais mais modernos as plantações são normalmente realizadas com uma
única variedade (monovarietais), a taxa de polinização e de fecundação poderão ser
suficientemente baixas para prejudicar a produção de azeitona. Pode por isso ser útil a
instalação de plantas polinizadoras de uma variedade diferente nos novos olivais.
A polinização e a fecundação são requisitos essenciais para a formação da azeitona.
Os frutos partenocárpicos, que se desenvolvem sem haver polinização são mais
pequenos, sem valor económico e frequentemente não permanecem na árvore até à
colheita.

Frutificação
Após a fecundação as pétalas das flores secam e caem (G).
Em seguida observa-se o aparecimento dos pequenos frutos, em início de formação, fora
da cúpula do cálice da flor (H).

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O início do crescimento dos pequenos frutos origina uma acentuada competição entre os
frutos em desenvolvimento e destes com as flores ainda não fecundadas. Em resultado
observa-se uma abcisão ou queda massiva de flores e de jovens frutos: é a chamada
queda fisiológica.
Este período de queda fisiológica começa logo após o desenvolvimento dos primeiros
frutos e prolonga-se até 6 a 8 semanas depois da floração, principalmente durante o mês
de Junho.
A queda fisiológica atinge as flores não fecundadas e os frutos menos desenvolvidos ou
que tiveram uma fecundação incompleta.
Em anos de boa floração e boa colheita chegam a cair até cerca de 96 a 99% das Flores.
A quantidade de flores e frutos que caem depende muito das condições ambientais de
cada local e de cada ano, da carga de flores e frutos, do vigor e do estado nutricional e
sanitário que cada árvore apresenta.

A queda fisiológica será maior:


em situações de défice hídrico acentuado;
em anos de floração e frutificação muito abundantes;
em árvores com problemas sanitários ou carências nutricionais.

Esta queda natural de flores e frutos permite às árvores ajustarem a sua capacidade de
carga de frutos às condições ambientais de cada ano, às suas condições fisiológicas e às
condições de cultivo.
Uma vez estabelecida a carga de frutos suportada pela árvore, os frutos que foram
conservados na árvore continuam a crescer até à maturação, não se produzindo novas
quedas, salvo por causas acidentais ou patológicas (ataques de mosca e traça
principalmente) e insuficiências nutritivas (azoto) ou hídricas. Esta segunda queda
produz-se em Agosto.
Após a fecundação o embrião permanece em estado de vida latente, sem actividade, até
3 a 4 semanas após a floração. Pelo contrário, o endosperma do fruto experimenta um
grande desenvolvimento logo a partir da fecundação.
O desenvolvimento dos frutos é muito longo (cerca de 200 dias até à maturação) e passa
por três fases, que se diferenciam quanto à velocidade de crescimento das azeitonas no
seu todo e de cada um dos tecidos que a compõem em particular:

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Fase І
É uma fase de crescimento rápido, feito sobretudo à custa do crescimento do endocarpo;
nesta fase o crescimento do mesocarpo (polpa) é lento (I).
Esta fase termina com o endurecimento ou esclerificação do endocarpo (caroço), o que
sucede 7 a 9 semanas após a floração, em Julho; o caroço atinge quase o seu tamanho
normal.
Quando se dá o endurecimento do endocarpo a azeitona deixa de poder ser cortada por
uma navalha bem afiada.
Condições de falta de água durante esta fase levam a um endurecimento precoce do
endocarpo e a uma diminuição do tamanho do caroço, criando-se frutos com uma
relação polpa/caroço muito elevada.

Fase ІІ
Nesta fase o crescimento do fruto é lento; termina a formação e o endurecimento do
endocarpo.
O embrião atinge o seu máximo crescimento e a semente alcança o seu tamanho
definitivo; neste momento fica terminado o período de queda fisiológica de frutos e
começa o período de indução floral.

Fase ІІІ
Nesta fase o crescimento dos frutos volta a ser rápido, sobretudo o do mesocarpo
(polpa), determinando o tamanho final do fruto, é durante esta fase que se dá a síntese
do azeite (lipogénese) e a sua acumulação nas células do mesocarpo. A partir daqui as
variações que se observam no teor de óleo nos frutos devem-se apenas a oscilações no
conteúdo em água da polpa.
Esta fase termina no começo do Outono, quando ocorre a mudança de cor dos frutos,
que corresponde ao início da maturação. A partir deste momento quer o crescimento dos
frutos quer a acumulação de azeite reduzem-se substancialmente.
A disponibilidade de água nesta fase determina o tamanho final dos frutos e o seu teor
em azeite: se faltar a água ambos diminuem e os frutos ficam enrugados.

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A maior disponibilidade de água permite obter azeitonas de maior tamanho e mais
pesadas e uma maior produção de azeite (porque é maior a produção de azeitona e
porque cada azeitona tem mais óleo).

Maturação
O amadurecimento dos frutos consiste nas modificações sofridas por eles sofridas
relativamente à sua consistência, cor, conteúdo em açucares, ácidos orgânicos e factores
gustativos que os tornam comestíveis; a maturação é a fase final deste processo.
O parâmetro mais utilizado para avaliar o estado de maturação da azeitona é a sua cor.
Inicialmente a cor da azeitona é verde, virando para amarelada como consequência da
diminuição do seu conteúdo de clorofila; em seguida começa a acumulação de
antocianinas, cuja concentração determina a intensidade da cor na maturação, que pode
ir do roxo ou violeta escuro até ao negro.
A coloração começa no ápice do fruto e termina junto do pedúnculo, depois o
mesocarpo (polpa) muda de cor de fora para dentro, até ao caroço.
A duração da fase de maturação depende da variedade, das condições climáticas e da
carga das árvores em azeitona:
tempo quente e seco aceleram a maturação;
em anos de maior produção a maturação é mais tardia e mais
escalonada.
O tipo de aproveitamento da azeitona determina o grau de maturação ideal no momento
da colheita:
Para azeite a maturação ideal corresponde ao momento em que a maioria dos
frutos está a mudar de cor - alguns poderão estar ainda com uma cor verde-amarelada
ou já negra.
Se a azeitona for para consumo à mesa, o estado de maturação ideal depende do
tipo de produto que se pretende obter: azeitona verde ou preta, de conserva ou natural.

A oliveira frutifica nos ramos resultantes do crescimento do ano anterior.


Em consequência a produção de cada ano depende do crescimento vegetativo do ano
anterior: um maior crescimento dos ramos do ano significa a formação de um maior
número de gomos.

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A oliveira é uma árvore que apresenta uma grande tendência para a alternância de
produção (safra e contra-safra): a um ano de boa produção segue-se um ano de produção
mais fraca.
A tendência das árvores para a alternância de produção é uma das maiores limitações
para a obtenção de bons rendimentos, por isso é importante contrariar esta tendência.

Safra e Contra-Safra
As razões para este comportamento estão relacionadas com o efeito da produção de um
ano sobre a produção do ano seguinte.
Os frutos em desenvolvimento nos ramos do ano anterior representam um factor de
inibição da indução floral: as sementes dos frutos libertam fitohormonas que vão inibir a
indução floral dos gomos em formação nos ramos do ano.
em anos de muita produção de azeitona a inibição da indução floral é elevada e
assim no ano seguinte a produção de flores e de frutos será limitada;
em anos de pouca produção a indução floral não será tão inibida e portanto um
maior número de gomos será diferenciado, aumentando a produção de flores e de frutos
do ano seguinte.
Se a colheita da azeitona for realizada tardiamente e/ou se alguns frutos permanecerem
na árvore após a colheita, a floração do ano seguinte poderá ser prejudicada.
Nas árvores jovens a tendência para a alternância de produção é menor.
Em condições de produção estáveis a alternância de produção tende, com o passar dos
anos, a tornar-se menos acentuada. A ocorrência de um fenómeno anormal (uma seca,
um problema fitossanitário, por exemplo), que resulte numa forte quebra da produção de
frutos, volta a provocar a retoma do ciclo de safra e contra-safra.
A alternância de produção é menor nos ramos com uma posição mais vertical.
Nos ramos mais pendentes o crescimento dos ramos do ano é mais afectado pela
presença de frutos em crescimento.
O controlo da tendência para a safra e contra-safra depende da capacidade de regular a
intensidade, em cada ano, da floração, nomeadamente através da:
realização de uma monda de frutos química (aplicando uma hormona – ácido
nafatalenacético - que provoca a queda dos frutos em excesso);
antecipação da colheita;
rega;

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realização de uma poda moderada antes de um ano de maior produção potencial
de flores e frutos.

7 – Exigências edafo-climáticas

7.1 - Clima

A cultura da oliveira está estreitamente relacionada com as regiões de clima


mediterrânico; pode-se dizer que a oliveira é a cultura mais característica das regiões de
clima mediterrânico, de modo que o mapa da dispersão da oliveira coincide com o mapa
das regiões de clima mediterrânico.
Fora da região mediterrânica, as principais regiões produtoras estão localizadas na
Califórnia, também em clima mediterrânico, na América do Sul (Argentina, Peru e
Chile) e no Próximo Oriente (Irão) em regiões de clima semi-árido.

Gráfico 2 – Histograma da região de Beja

O clima mediterrânico é temperado, caracterizado por um Inverno suave, em que se


concentra a maior parte da precipitação anual, e por um Verão quente e seco; é o único
clima global em que a estação seca é a estação quente.
Em clima mediterrânico a precipitação não só está mal distribuída ao longo do ano, mas
também é muito irregular entre anos, com séries alternadas de anos secos com anos
húmidos, e ocorre, frequentemente, em regime torrencial (precipitação muito elevada
em períodos de tempo curtos).

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O clima mediterrânico apresenta algumas variantes no território nacional: maiores
amplitudes térmicas (mais frio no Inverno e mais quente no Verão) no interior do que na
faixa litoral; menor precipitação no sul e no interior do que no norte e na faixa litoral, o
que vai condicionar a zona óptima de cultivo da oliveira no nosso país.
No território continental a precipitação é um elemento climático muito variável:
Na zona do Gerês a precipitação total anual ultrapassa os 3000 mm, sendo uma
das regiões mais chuvosas da Europa
No Alto-Douro (região de Pinhel) e no vale do Guadiana a precipitação total
anual ronda os 400 mm, uma das regiões mais secas da Europa.
A precipitação e a humidade atmosféricas são maiores no norte, junto ao litoral e em
altitude.
O clima mediterrânico não é obrigatoriamente seco; o que o caracteriza é a distribuição
da precipitação ao longo do ano, em conjugação com o regime térmico: Invernos
suaves e chuvosos e Verões quentes e secos.
A oliveira é uma árvore que apenas se adapta e produz bem em condições climáticas
muito definidas, motivo porque a sua dispersão geográfica é bastante limitada.
Na região do mediterrâneo as regiões de cultivo da oliveira estão situadas entre os 30º e
os 45º de latitude norte, ou seja, entre o deserto do Sahara e a Côte D.Azur francesa,
mais a sul o cultivo é impossível devido á secura e também ao frio dos climas
desérticos, mais a norte o cultivo não é possível devido ao excesso de humidade durante
o Verão e/ou ao frio durante o Inverno.
No continente americano o cultivo da oliveira faz-se nas regiões de clima mediterrâneo
ou semi-árido da costa do Pacífico e do centro-norte da Argentina, até cerca de 45º de
latitude sul (no Chile).
De uma forma geral, nas regiões de clima temperado, as áreas de cultivo da oliveira
estão limitadas pela falta de humidade e/ou pelo frio excessivo.
Nas regiões de clima tropical e sub-tropical, com excepção de zonas de altitude, (com
chuvas abundantes e temperaturas elevadas) a oliveira pode vegetar mas não chega a
frutificar, por falta de repouso vegetativo durante o Inverno, provocando o seu rápido
esgotamento.

Temperatura

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As árvores têm bastante capacidade de adaptação ao frio desde que este não seja muito
acentuado ( até -5 a -10ºC).
A capacidade para suportar o frio depende de vários factores:
se as árvores estiverem na fase de repouso vegetativo invernal suportam
melhor o frio do que após a rebentação, em especial durante a floração;
as árvores mais jovens são mais sensíveis ao frio;
se a descida da temperatura for gradual, ao longo de alguns dias, e se o
período de baixas temperaturas não for muito prolongado, as árvores
conseguem suportar melhor o frio;
da variedade e do estado sanitário das árvores.
Pelo contrário, a oliveira suporta bem as temperaturas elevadas de Verão (+40ºC), desde
que disponha de uma quantidade satisfatória de água armazenada no solo durante o
Inverno e não ocorram durante a floração.
A resistência ao calor resulta de algumas características da árvore, que
lhe permitem reduzir as perdas de água por transpiração:
uma carga de folhas bastante ligeira
a espessa cutícula que cobre as folhas
a pilosidade que cobre a página inferior das folhas
uma regulação eficaz da abertura e fecho dos estomas, que permanecem
encerrados quando a temperatura ultrapassa os 35ºC, do que resulta,
contudo, uma redução, quando não a paragem, do crescimento.
A oliveira necessita de frio para se dar a vernalização e, assim, frutificar.
para que se dê a vernalização (diferenciação floral) são necessários dias
com temperaturas mínimas entre 0 e 12,5ºC (400 horas), desde que a
temperatura máxima não ultrapasse os 21ºC ;
em Portugal as necessidades de vernalização são geralmente satisfeitas
em todo o território, motivo por não constituem um factor limitante para o
olival.

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Precipitação
A oliveira prefere os ambientes em que a precipitação seja relativamente baixa (inferior
a 600 mm de precipitação total anual) e em que exista uma estação do ano seca.
Consideram-se, em regra, 300 a 400 mm de precipitação total anual como o limite
inferior para a obtenção de boas produções; contudo, no norte de África são obtidas
boas produções com valores da precipitação na ordem dos 200 mm.
Nas regiões com precipitação muito débil as plantações foi feitas num compasso muito
largo (20 árvores/ha ou menos) e em solos de textura ligeira, de forma que as raízes
conseguem atingir grandes profundidades (até 6 metros); assim cada árvore tem à sua
disposição um maior volume de terra para explorar, suportando melhor a secura.
o excesso de precipitação, em especial se associado a solos mal drenados, cria
condições para o aparecimento de problemas de encharcamento dos terrenos, situação
que o olival não tolera.
O regime de precipitação característico do clima mediterrânico é, num ano normal,
favorável para a oliveira:
as chuvas de Inverno permitem aos solos, consoante a sua textura, armazenar
reservas de água que serão aproveitadas pelas árvores à medida das suas
necessidades;
as chuvas do final do Inverno e início da Primavera asseguram uma boa taxa de
vingamento de frutos;
as chuvas de início do Outono asseguram um bom enchimento dos frutos.

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Como em clima mediterrânico a precipitação é muito irregular ao longo do ano e de uns
anos para os outros, a produção de azeitona será mais ou menos limitada conforme a
climatologia de cada ano, muito irregular e com uma grande tendência para a
alternância (safra e contra-safra).
A pior circunstância que pode ocorrer para o olival é quando a seguir a um ano de boa
safra se segue um ano climatologicamente desfavorável (demasiado seco ou húmido),
porque a este efeito junta-se o efeito da contra-safra.

Humidade: ambientes com elevada humidade atmosférica, como sucede junto ao mar,
são muito desfavoráveis para o olival pois aumenta a incidência de pragas (a mosca) e
de doenças (a gafa); a precipitação e o excesso de humidade durante a floração
provocam a queda de flores.
Granizo: a sua acção sobre as pernadas e os ramos provoca o aparecimento de feridas
que favorecem o desenvolvimento de parasitas e a propagação da tuberculose; na altura
da colheita provoca a queda prematura de frutos.
Vento: além dos efeitos nefastos (queda de frutos e ramos), o vento atenua os riscos de
ocorrência de geadas, atenua o efeito das temperaturas elevadas nos dias de calor
excessivo e contribuí para a dispersão do pólen.
Luminosidade (Insolação): a oliveira necessita de muita luz, dando os melhores
resultados em vertentes expostas ao sol (viradas para sul).

Em Portugal continental o cultivo da Oliveira é mais difícil:


ao longo de toda a faixa litoral pelo excesso de humidade, que acentua os
ataques de pragas (mosca da azeitona) e doenças (a gafa) e, em especial no
litoral sul, pela possível falta do número suficiente de horas de frio para se dar
uma boa vernalização;
nas zonas de maior altitude (acima dos 800 metros nas encostas viradas a sul e
dos 600 metros nas encostas viradas a norte) e nas zonas baixas com reduzida
circulação de ar devido ao frio e ao risco de geadas tardias.

Atendendo às exigências climáticas da oliveira, toda a faixa interior do país, com


excepção das zonas de maior altitude, possui condições climáticas adequadas para o seu

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cultivo, sem limitações de maior; aqui são obtidas as melhores produções, tanto em
quantidade como em qualidade.
A oliveira prefere climas com um Verão quente e seco e um Inverno húmido, de forma
a permitir a criação de reservas de água no solo, e não demasiado frio; prefere as regiões
de clima mediterrânico com alguma influência continental; adapta-se pior ao clima
mediterrânico que sofre influência da proximidade do Atlântico.

7.2 – Solos

A profundidade do solo necessária para a oliveira deve variar entre um mínimo de 1 a


1,5 metros. Em solos menos profundos, desde que o subsolo seja formado por uma
rocha branda (como alguns calcários e xistos), a realização de uma ripagem ou de uma
subsolagem antes da plantação permitirá fracturar essa rocha e assim aumentar a
profundidade útil do solo, facilitando o crescimento das raízes em profundidade.

A profundidade do solo será mais critica em regiões de precipitação mais fraca e em


solos com menor capacidade de armazenamento de água devido a possuírem uma
textura ligeira e/ou estarem situados em zonas de mais ou menos montanhosas.

A oliveira não tolera o encharcamento dos solos, razão porque requer sempre solos bem
drenados; por este facto solos situados em zonas com algum declive são apropriados
para o olival; são inconvenientes solos pouco permeáveis e situados em zonas de baixa,
com fraca capacidade de escoamento superficial da água da chuva.

A oliveira adapta-se bem a uma gama variada de texturas do solo:


solos de textura ligeira têm uma boa permeabilidade e permitem um bom
desenvolvimento das raízes em profundidade, embora tenham uma fraca
capacidade de retenção de água
solos de textura pesada têm uma menor permeabilidade, embora possuam uma
boa capacidade de retenção de água que torna menos necessário um bom
desenvolvimento das raízes em profundidade

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São preferíveis solos bem estruturados, em especial se possuírem uma importante
percentagem de argila; solos compactados ou possuidores de camadas impermeáveis
não são apropriados ou devem ser previamente condicionados através de operações de
mobilização e/ou de correcção.

Do ponto de vista químico a oliveira prefere solos com um pH ligeiramente alcalino


(pH = 7,5) a alcalino (pH entre 8 e 8,5); suporta bem solos com uma elevada
percentagem de calcário activo (solos caliços); o excesso de cal provoca, contudo, o
aparecimento de carências de ferro (clorose férrica).
A oliveira suporta razoavelmente bem a acidez do solo, tal como sucede no norte do
país; a acidez pode ser corrigida através da aplicação de correctivos alcalinizantes,
como o calcário.

A oliveira não suporta o excesso de salinidade dos solos; por este motivo é necessário
ter cuidado com a qualidade da água de rega (no que diz respeito à sua concentração de
sais), pois em solos com fraca permeabilidade e em regiões de reduzida precipitação é
de temer acumulação de sais nas camadas superficiais do solo.

A oliveira prefere solos calcários ou associados a depósitos calcários, pois são


normalmente bem estruturados e bem drenados, são também apropriados solos de
vertente, sem demasiada pedregosidade, desde que suficientemente profundos.
Embora se adapte a uma grande variedade de solos, as produções variam muito de
acordo com a sua fertilidade.

O olival adapta-se muito bem a solos associados a zonas de relevo ondulado, desde que
tenham uma profundidade suficiente e o declive não seja de tal forma acentuado a ponto
de por problemas para a completa mecanização das operações e para um controlo eficaz
da erosão.São mais adequadas as encostas viradas a sul e a poente, por serem mais
soalheiras.

São muito adequados para o olival, solos calcários ou associados a depósitos calcários,
facilmente detectáveis pela presença de calcário à superfície do solo ou na sua camada
superior.

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Os “Barros” são também solos adequados para o cultivo da oliveira, muito em especial
se estiverem associados a depósitos calcários (imagem em cima à esquerda).
O seu principal problema é a fraca permeabilidade; são de evitar os “Barros” situados
em zonas de baixa, com difícil drenagem das águas superficiais; são preferíveis os
“Barros Vermelhos”, solos em geral bem drenados.

Os solos de xisto, desde que não sejam excessivamente esqueléticos, podem também ser
dedicados à olivicultura; antes da plantação pode no entanto ser útil realizar uma
mobilização profunda para fracturar o subsolo a fim de aumentar o volume de terra à
disposição das raízes.

Os solos litólicos, como os do vale do Douro, podem também ser cultivados com o
olival, embora a construção de terraços seja muitas vezes necessária para aumentar a
profundidade do solo e facilitar as operações de cultivo.

Resumindo, os solos ideais para a cultura da oliveira são:


Estrutura grumosa e Textura franca
Ligeiramente alcalinos (ph 7,5) a alcalinos (ph 8 e ph 8,5).
Vários tipos de solo, mas a maior parte ricos em cálcio e potássio

No caso do Alentejo:
Temperaturas médias anuais – 16 e os 22 ºC;
Durante o período de dormência – frio necessário (< 7º);
Precipitação varia entre 400 e 800 mm/ano;

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8 - Colheita e transporte da azeitona

Distribuição das necessidades de mão-de-obra no olival (horas/ha)


Operações Meses Total

Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set

Mobilizações 2 - - - 3.2 3 3 2 2 2 - - 17.2

Adubações 0 - - - 2 - - - - - - - 2.0

Poda - - - - 4 6.5 - - - - - - 10.5

Tratamentos - - - - 1 1.3 2.3 1 - - - 1.3 6.9

Colheita - - 70 90 - - - - - - - - 160.0

Transporte - - 1.3 1.6 0.5 - - - - - - 0 3.4

Fonte: estação de Olivicultura e Elaiotecnia – INIA (Jaén, Espanha)

Analisando a tabela acima, podemos concluir que das várias operações realizadas no
olival, no que concerne às necessidades de mão-de-obra, a colheita é a operação mais
exigente. As necessidades de mão-de-obra com a colheita representam mais de 50% do
valor do produto final e mais de 80% da mão-de-obra necessária total. Neste sentido,
exige-se cada vez mais a procura de alternativas que minimizem os custos desta
operação de forma a incrementar os rendimentos da cultura.

8.1 - Colheita

A colheita da azeitona deve ser realizada na época mais adequada para cada cultivar e
para cada região, devendo evitar-se colheitas muito tardias que afectam negativamente a
qualidade do azeite e a produção do ano seguinte.

Deste modo tem de se ter em atenção os seguinte conceitos:

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A - Período de maturação – é o período que decorre entre o aparecimento, na pele e
polpa do fruto, de manchas de cor violeta (iniciando-se no ápice) até à cor definitiva;

Período de maturação varia com:


• As condições climáticas;
• Variedades (Exemplo: Espanha - Blanqueta – 50 dias; Picual – 41 dias);
• Colheita

Na maioria das variedades, a maturação é escalonada; É no período de mudança de cor


violeta claro para violeta escuro, que o fruto atinge o seu máximo tamanho; A partir do
momento em que o fruto atinge o tamanho máximo, começam a verificar-se perdas de
água, com consequências na produção.

Momento Óptimo da colheita:

O início da colheita deve coincidir com o momento em que desaparecem os frutos


verdes da árvore, quando praticamente se alcançou o máximo de azeite.
O final da colheita – deveria coincidir com o momento em que a caída natural dos frutos
começa a alcançar uma percentagem apreciável.

Pode-se calcular o índice de maturação através da seguinte fórmula:

Atenção: a época de colheita influência a produção do ano seguinte

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Durante o processo de colheita a azeitona deve sofrer o mínimo de danos; Não devem
misturar-se nunca as azeitonas colhidas do ar com as azeitonas apanhadas do chão; No
campo deve proceder-se a uma 1ª limpeza da azeitona;

Resistência dos frutos ao desprendimento: Durante o período de maturação, a resistência


dos frutos ao desprendimento baixa de maneira acentuada;
A força necessária para desprender os frutos da árvore depende das características de
cada variedade;
Relação força de desprendimento / peso dos frutos diminui à medida que aumenta o
tamanho dos frutos.

O desprendimento dos frutos depende:


• Da Variedade
• Das Condições climáticas
• Do Estado fitossanitário

Conteúdo em azeite:
À medida que a maturação dos frutos avança, o conteúdo em azeite vai aumentando.
Atinge o máximo, no momento, em que desaparecem os frutos verdes da árvore. A
partir deste momento, o teor em azeite permanece praticamente constante.

Características fisico-químicas – durante um largo período de tempo os frutos que


permanecem na árvore, mantêm estas características constantes;

Características organolépticas – pioram à medida que a colheita se atrasa; obtêm-se


azeites mais frutados e aromáticos no início do período de maturação.

Resumindo:

Uma vez desaparecidos os frutos verdes da árvore, está produzido a totalidade do azeite;
À medida que se atrasa a época de colheita, no ano seguinte a % de gemas florais é
menor. O que se traduz em perdas de produção;

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Se a colheita se realizar mais tarde do que o momento em que se é dada a iniciação
floral, as árvores quase que não chegam a florescer, afectando a produção do ano
seguinte.

B - Sistemas de colheita

A colheita deve ser efectuada manualmente, quando a azeitona se destina a conserva, ou


mecanicamente, utilizando-se vibradores ou outro equipamento auxiliar, quando aquela
seja para azeite e as condições do olival o permitam.
Descreve-se a seguir os diferentes sistemas de colheita existentes.

1 - Apanha frutos caídos do chão;


2 - Ripagem (Azeitona de Mesa);
3 - Varejamento (proibido em produção Integrada);
4 – Colheita Mecânica

A - Apanha frutos caídos do chão

Exige que o terreno esteja bem preparado, limpo e compacto;


Apresenta algumas limitações em terrenos húmidos;
São utilizados: varredoras, aspiradoras, ventiladores e limpadoras.

Fig.68- Exemplo de uma varredora.

Foto: NLeal, 2005.

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B – Ripagem

A ripagem consiste em colher a azeitona à mão, este processo é normalmente utilizado


para a colheita de azeitona para conserva. É um processo moroso e dispendioso devido à
grande necessidade de mão-de-obra, no entanto para azeitona de conserva não existe
alternativa.
Neste processo a azeitona é colocada em caixas de plástico e imediatamente
transportada para a unidade fabril.

C - Varejamento

O varejamento intenso dos ramos que provoca uma excessiva queda de folhas e
raminhos, é proibido em produção Integrada. Atente-se que são estas as estruturas
responsáveis pela produção do ano seguinte. Não é aconselhável a mistura de frutos
recém colhidos da árvore com aqueles que se encontram no solo, por estes poderem
afectar negativamente a qualidade do azeite obtido.
Para além disso este sistema possuiu elevada necessidade de mão-de-obra; Destrói uma
grande quantidade de ramos do ano; Pode aumentar a tendência da árvore à alternância
de produções;

Fig.68 - Exemplo do sistema de colheita por varejamento.

Foto: NLeal, 2005.

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D – Colheita Mecânica

Podem atingir uma eficácia de 95% (com varejamento complementar).


Em árvores pequenas ou médias obtêm-se uma eficácia próximo a 100%, à medida que
aumenta o tamanho da árvore esta eficácia diminui;
Em árvores de porte erguido a eficácia é maior, do que em árvores de copa
arrendondada e pendida: a vibração tem maior eficácia em ramos verticais do que em
ramos horizontais e pendidos;
Conseguem-se melhores desprendimentos dos frutos em ramos mais ou menos erectos
do que os que apresentam mudanças bruscas de direcção;
Árvores de um só tronco apresentam vantagens sobre aquelas formadas por vários pés,
principalmente devido à sua maior facilidade para manobras de aproximação e agarre
dos troncos;

Vibradores de ramos – ocasionam grandes perdas de tempo quando ocorre o


deslocamento do braço de um ramo para outro;

Fig.70 - Exemplo de um vibrador de Ramos.

Foto: NLeal, 2003.

Fig.71 - Exemplo de Vibrador de raminhos.

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Foto: HManuel, 2005.

Vibradores de tronco – provocam o desprendimento imediato das azeitonas

Fig.72 - Exemplo de vibrador de troncos automotriz.

Foto: NLeal, 2005.

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Fig.73 - Exemplo de um braço vibrador de troncos, acoplado a um tractor

Foto: NLeal, 2004.

Vantagens

O arejamento e regeneração das raízes é favorecida;


A colheita será efectuada na altura ideal, deixando mais tempo a árvore em repouso
recuperando melhor para a próxima época;
Os ramos frutíferos não são afectados;
Custos de colheita mais baixos.

Desvantagens
Investimento;
Necessita de árvores e plantações bem estruturadas para haver um máximo rendimento;
Área mínima de 50 ha para se tornar viável.

Adaptação da Poda
Árvores de copa erguido, com ramos primários formando ângulos não muito abertos,
em relação ao tronco; reduzir os ramos horizontais e pendidos);

Espaços necessários para manobrar


200-250 plantas/ha – 6X7 m; 40-50 m3 volume de árvore

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Resumindo:

À medida que aumenta a maturação dos frutos, existe uma forte tendência para a
redução à resistência do fruto ao desprendimento e do tempo de vibração;
Existe um ligeiro aumento da % de frutos caídos por vibração, mas não
directamente à diminuição da resistência do fruto ao desprendimento;
A colheita com vibrador ocasiona menos danos nas árvores que o varejamento,
melhorando significativamente a produção do ano seguinte.

Existem actualmente outros tipos de máquinas adaptadas à colheita mecânica do olival,


como por exemplo a colossus ou as colhedoras da New Holand ou da Pelenc.

Fig.74 e 75 – Colhedora da New Holand e da Pelenc respectivamente

8.2 – Limpeza da azeitona

A limpeza da azeitona é feita directamente no campo logo após a colheita;


Antigamente, esta separação era feita em dias muito ventosos, com uma pá erguendo a
azeitona contra o vento.

8.3 - Transporte da Azeitona

O transporte da azeitona para o lagar deve ser efectuado o mais rapidamente possível
após a colheita, devendo acondicionar-se a azeitona em caixas perfuradas ou

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contentores apropriados. Também se admite o transporte a granel. A utilização de sacos
de plástico para o transporte da azeitona é desaconselhável.

Fig.76 - Exemplo de transporte a granel.

Foto: NLeal, 2004

Fig.77 - Exemplo de transporte a granel.

Foto: NLeal, 2004

8.4 – No Lagar

Após a recepção da azeitona no lagar esta deve ser elaborada o mais rapidamente
possível;
Não devendo haver lugar a armazenamento da azeitona;
Se bem que, a azeitona não sofre grave deterioração até ao 3º ou 4º dia após entulhada.

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Processo de laboração:
• Antes da moenda e extracção do azeite, deve-se proceder à limpeza e lavagem da
azeitona;
• Todo e qualquer equipamento que contacte com a azeitona, com as massas
oleosas e com o azeite deve ser em inox;
• O azeite é extraído apenas por processos físicos e mecânicos, sem solventes
químicos;
• As condições higio-sanitárias do lagar são um factor determinante para a
qualidade do azeite.
Limpeza
• Uma azeitona sem ser lavada, vai aumentar a acidez e deteriorar as qualidades
(mau sabor e cheiros estranhos) do azeite;
• Antes de ser moída, a azeitona é lavada das suas impurezas, numa máquina
chamada “lavadora” ou “lavadeira”,

Moenda - é efectuada com moinhos a martelos ou com moinhos a galgas.


A prensagem era realizada no método tradicional, realizada em prensas e tendo como
finalidade separar da massa de azeitona, as partes sólidas e as líquidas.
Actualmente após a moenda a massa passa para as batedoras e posteriormente para a
centrifugação.

Separação do azeite faz-se por 2 métodos diferentes:

Decantação - É um método baseado nas diferenças de densidade dos líquidos;


Centrifugação - o “mosto oleoso” sofre uma pequena decantação mais conhecido por
“caldeamento” e segue posteriormente para a “centrífuga” para arejamento.

Nos lagares modernos o procedimento de laboração do azeite segue a seguinte ordem:

1 – Recepção;
2 – Pesagem
3 – Limpeza e lavagem;
4 – Armazenamento;
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5 – Moenda (trituração);
6 – Batimento;
7 – Centrifugação horizontal e vertical (sistema contínuo de 2 e 3 fases).

Sistema contínuo de 3 fases:

Centrifugação horizontal - extrai o bagaço, o azeite e água ruça (o azeite contém ainda
águas residuais e as águas ruças contêm azeite residual);
Centrifugação vertical - separação do azeite das águas residuais; as águas ruças sofrem
uma centrifugação vertical, para se extrair o azeite residual.

Sistema contínuo de 2 fases:


Centrifugação horizontal - resulta bagaço húmido (bagaço + água intrínseca à azeitona)
e azeite;
Centrifugação vertical - para além do azeite resulta ainda água de lavagem;

Depois das operações realizadas no lagar, o azeite é armazenado e classificado por


tipos. A armazenagem é um aspecto muito importante para a qualidade do produto, pelo
que devem ser observadas as boas condições higio-sanitárias do armazém e os depósitos
(evitar os de ferro) devem estar muito bem lavados e cheirados antes de se começarem a
encher.
O azeite armazenado deve ser sujeito a duas trasfegas, uma no fim da Primavera e outra
no final do Verão. Antes do embalamento, o azeite armazenado deverá ser filtrado.
Os azeites, e especialmente os azeites virgens, são extremamente sensíveis a agentes
externos e, em particular, às radiações ultravioleta que podem alterar a composição do
produto e degradar a clorofila, alterando, assim, a cor do produto.
As embalagens – normalmente garrafas de vidro – são cuidadosamente seleccionadas e
a quantidade de oxigénio no seu interior é controlada, para uma melhor conservação.
Segue-se a rotulagem, operação que consiste na colagem de rótulos nas embalagens e
que constitui o melhor aval para o consumidor.
O rótulo garante que o azeite tem a qualidade controlada e contém informações úteis e
obrigatórias que podem orientar o consumidor na sua escolha.

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O azeite embalado e rotulado constitui, assim, uma garantia de sabor, qualidade e
segurança: da colheita até ao engarrafamento, todas as fases são submetidas a vários
controlos.
Depois, é só escolher o tipo de azeite adequado às várias utilizações pretendidas e
adoptar alguns cuidados na sua conservação: num local fresco, pouco húmido e ao
abrigo da luz, respeitando o prazo preferencial de consumo indicado na garrafa.
Quando bem acondicionado, o azeite pode conservar-se em média durante 18 meses.
Deve ser armazenado em recipientes que fechem hermeticamente, de preferência em
garrafas de vidro. Deve manter-se afastado de locais e alimentos com cheiro intenso.

9 – Multiplicação do olival

A - Material Vegetal

A multiplicação e a propagação vegetativa são conceitos diferentes, enquanto a


multiplicação define-se como um conjunto de processos e metodologias que nos permite
multiplicar o número de árvores de forma rápida e económica, sendo um processo
indispensável para a obtenção das árvores no número e qualidade necessárias para a
realização de novas plantações (exemplo: multiplicação por estacas caulinares), a
propagação define-se como um conjunto de processos que nos permite propagar árvores
com determinadas características consideradas desejáveis; permite transformar a
natureza de uma planta já existente na de outra que mais nos convenha (exemplo: a
enxertia).

Multiplicação vegetativa
A oliveira pode ser multiplicada por via sexual, utilizando-se a semente, ou por via
assexual ou vegetativa. Este método de propagação pode ser feito de forma directa
utilizando-se mais frequentemente uma estaca semilenhosa, de onde se obtém uma
árvore de pé franco, ou indirecta, como por exemplo a enxertia, em que a árvore tem um
porta-enxerto diferente do enxerto.

Existem variados métodos de multiplicação vegetativa tradicionais:


• por estacas lenhosas;
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• por “óvulos”;
• por pôlas ou “pés-de-burrico”.

Mais recentemente foram desenvolvidos novos métodos de multiplicação:


• por estacas semi-lenhosas sob nebulização;
• por micropropagação, com cultivo “in vitro” de estacas herbáceas.

a ) Via seminal

Na maior parte das variedades as sementes possuem uma capacidade de germinação


baixa (imagem à direita). As plantas obtidas a partir de semente são bastante vigorosas,
mas apresentam características diferentes da planta de onde são originárias e muito
heterogéneas, quando o que se pretende é uma grande homogeneidade entre árvores da
mesma variedade.
Por isto as plantas obtidas a partir de semente têm de ser enxertadas com a variedade
pretendida, tornando-se o processo moroso e dispendioso.
A utilização de porta-enxertos na oliveira é quase desnecessária, sendo apenas útil em
variedades que enraízem mal ou em condições de solo particulares (solos que
encharquem com facilidade, por exemplo).

Figs 78 e 79 – exemplo de plantas propagadas por via seminal

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b) Estacas Lenhosas

A oliveira tem uma grande capacidade de multiplicação a partir de gomos latentes


existentes na raiz e no colo da planta e possui, em maior ou menor grau conforme a
variedade, uma boa capacidade de emitir raízes adventícias a partir de gomos situados
em estacas, herbáceas, semi-lenhosas e lenhosas.
As plantas assim obtidas são iguais entre si (clones) e iguais à planta-mãe.
Como as estacas provenientes de ramos jovens (herbáceas e semi-lenhosas) têm uma
maior dificuldade em enraizar, pelos métodos tradicionais são habitualmente utilizadas
estacas lenhosas, provenientes de ramos da poda de árvores adultas, vigorosos e sãos,
com cerca de 4-5 anos de idade pelo menos, que tanto podem ser postos a enraizar em
local definitivo como podem ser postos a enraizar em viveiro, directamente no solo ou
em sacos de polietileno.
As estacas têm uma dimensão variável, desde 25 cm até 2 m de comprimento e desde 1
cm até 9 cm de diâmetro.
As estacas são enterradas em cerca de 2/3 do seu comprimento; os gomos que ficam
fora da terra vão originar as ramificações; os gomos que ficam enterrados vão originar
as raízes; as estacas permanecem em viveiro durante 1-2 anos.
As estacas devem ser colhidas em anos de contra safra.
A tendência actual é para utilizar estacas de menor dimensão, mais fáceis de ser
colocadas a enraizar em sacos de polietileno.

Figs 80, 81, 82 e 83 – Estacas verticais, horizontais, em garrote e tanchoeira

Estacas verticais e horizontais Estacas em garrote Tanchoeira

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É prática comum as estacas lenhosas, serem revestidas, empalhadas ou cobertas de terra
acima do nível do solo com o objectivo de evitar a sua dessecação.
Para obter bom material para multiplicação temos de cortar ramos sãos e vigorosos, com
uma grossura adequada, que numa poda racional não devem ser podados; devido ao
grande tamanho das estacas, para fazer uma nova plantação é necessária uma grande
quantidade de material de qualidade que, por norma, não é fácil de obter (nem barato).
Se o viveiro é estabelecido directamente no solo, a quando do transplante das plantas
para o local definitivo de plantação muitas das suas raízes são destruídas,
desequilibrando as árvores e dificultando o seu enraizamento; se o enraizamento é feito
em bolsas de polietileno falta às raízes o espaço suficiente para crescerem.
Os sistemas tradicionais de multiplicação podem ser interessantes apenas quando se
pretende substituir árvores muito envelhecidas, pouco produtivas ou mortas num olival
tradicional, em que o objectivo principal é manter no olival árvores com as mesmas
características das existentes.

Fig.84 – Exemplo de enraizamento de estacas lenhosas

c) Óvulos

Consiste no aproveitamento para “estacas” das excrecências, a que se dão o nome de


“óvulos” ou mamilos radicíferos. que se formam no colo e na sapata das oliveiras
velhas.
Os “óvulos” são ricos em gomos ou olhos que, cobertos de terra, facilmente lançam
rebentos e raízes.

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Os “óvulos” são cortados em pedaços de 10-20 cm de comprimento e depois plantados
em viveiro; como cada “óvulo” lança um grande número de rebentos e raízes ele deve
depois ser seccionado em tantas secções quantos forem os rebentos com raiz.
Este sistema é prejudicial para as árvores de onde se colhe o material para propagação, a
não ser que ele provenha de árvores arrancadas.
Se a árvore de onde se colheu o material foi exertada, porventura sobre zambujeiro, o
material colhido não interessa pois pode ser de outra variedade ou, quando não, de
zambujeiro.
Fig 85 e 86 – Exemplo de propagação por óvulos

d) Pôlas

Consiste em aproveitar os lançamentos que surgem a partir do colo ou da sapata da


oliveira.
Se as pôlas, mesmo já lenhificadas, forem cortadas da planta-mãe e colocadas a enraizar
em viveiro pegam com dificuldade.
Por isso as pôlas, ainda ligadas à árvore, devem ser cobertas de terra de forma a forçar o
seu enraizamento; só depois de bem enraizadas e grossas podem ser destacadas da
planta-mãe e transplantadas para viveiro ou para local definitivo.
Processo não muito recomendável porque as árvores podem ter sido enxertadas e as
pôlas serem provenientes do porta-enxerto e porque as jovens plantas apresentam um
crescimento lento e uma entrada em produção tardia.
Este processo de multiplicação tem a vantagem de não prejudicar em demasia a planta-
mãe.

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e) Estacas semi-lenhosas

Um viveiro de multiplicação de oliveira deve ser capaz de assegurar a produção de


plantas:
• em quantidades elevadas e a baixo custo
• isentas de doenças e parasitas
• com característica homogéneas, típicas da variedade multiplicada
• bem enraizadas para suportarem o transplante

Bases do processo

O processo mais utilizado para multiplicar a oliveira em escala comercial consiste na


utilização de pequenas estacas semi-lenhosas, provenientes de ramos de um ano ainda
não completamente lenhificados, que são colocados a enraizar num ambiente
estritamente controlado, em estufas de nebulização, de forma a obter a mais elevada
percentagem possível de enraizamento de estacas.
Na oliveira utilizam-se as estacas lenhosas provenientes de ramos com alguma idade,
porque possuem uma grande quantidade de gomos latentes, têm normalmente uma
maior facilidade de enraizamento do que as estacas provenientes de ramos jovens ou de
raminhos; existe contudo uma grande dificuldade em obter, a partir de ramos com
alguns anos de idade, a quantidade de material vegetal necessário para produzir um
grande número de estacas lenhosas, além de que as árvores que fornecem essas estacas
ficam despojadas de ramos vitais para o seu crescimento e que as árvores formadas a
partir deste tipo de estacas nem sempre se desenvolvem nas melhores condições nem
apresentam uma boa e sã longevidade.
Pelo contrário, a partir de ramos jovens é mais fácil obter uma grande quantidade de
estacas semi-lenhosas para fazer a multiplicação; o problema é que estas estacas têm,
conforme a variedade, uma maior ou menor dificuldade em enraizar.
A dificuldade de enraizamento das estacas semi-lenhosas, especialmente quando
colocadas em viveiro ao ar livre, resulta do facto de, no início do processo de
enraizamento, não possuírem raízes o bastante desenvolvidas para absorverem água em

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quantidade suficiente para, mesmo regando, fazer face às perdas de água por
transpiração; nestas circunstâncias as estacas acabam por secar e perder-se.
Para reduzir as perdas de água por transpiração as estacas são postas a enraizar em
estufas de nebulização, onde o ambiente é mantido a uma temperatura moderada e as
estacas, através da rega por nebulização, são mantidas num ambiente húmido e ficam
quase permanentemente molhadas, de forma a transpirarem o menos possível até as
raízes estarem suficientemente desenvolvidas.
O processo de obtenção de estacas semi-lenhosas em estufa de nebulização comporta
quatro fases principais:
• Escolha e colheita do material vegetal e preparação das estacas;
• Enraizamento na estufa de nebulização;
• Endurecimento em estufa ou estufim;
• Adaptação ao meio exterior sob rede de sombreamento ao ar livre.

COLHEITA E PREPARAÇÃO DO MATERIAL VEGETAL

As estacas devem ser colhidas a partir de campos de pés-mães, formados por oliveiras
plantadas exactamente para este fim: fornecer material vegetal; nestes campos a
variedade e o estado sanitário do material vegetal pode ser garantido.
Na ausência de campos de pés-mães pode-se colher material vegetal de olivais já
instalados, tendo o cuidado de garantir que ele provém de árvores em bom estado
sanitário e da variedade que se pretende multiplicar.
O momento em que se colhe o material vegetal vai influir na sua capacidade de
enraizamento:
• O período mais favorável para a colheita do material vegetal é durante a
Primavera (Março até Maio); o inconveniente desta época é que as estacas vão a
enraizar durante a época mais quente do ano, sendo por isso mais difícil manter
dentro das estufas de nebulização as condições óptimas para o enraizamento das
estacas.
• Em alternativa as estacas podem ainda ser colhidas em boas condições final do
Verão e início do Outono (Setembro e Outubro); nesta época as condições de
temperatura são mais favoráveis para o enraizamento em estufa das estacas.

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As estacas devem ser obtidas de ramos semi-lenhosos produtivos (não se devem utilizar
ramos ladrões) do crescimento do ano ou do crescimento do ano anterior, consoante a
época de colheita do material (Outono ou Primavera); depois de colhidos os ramos
devem ser mantidos em ambiente fresco e húmido até à preparação final das estacas.
Cada ramo é cortado em 3 ou 4 estacas com cerca de 10-15 cm de comprimento e 4 a 6
entre-nós, conservando-se 2 ou 3 pares de folhas na extremidade superior da estaca.
Depois de cortadas as estacas devem ser desinfectadas com um fungicida cúprico que
proteja a folhagem do “olho de pavão” durante o período de enraizamento.
Finalmente a base da estaca deve ser mergulhada durante cerca de 5 segundos numa
solução contendo 2 a 4 g/l de ácido indol-3-butirico, uma hormona (auxina) que
estimula a emissão de raízes a partir das gemas da base da estaca.

ESTUFA DE NEBULIZAÇÃO

As estufas de nebulização são constituídas por:


• Um sistema controlador da temperatura e humidade dentro da estufa
• Um sistema de arrefecimento da estufa (cooling system)
• Um sistema de rega automatizado
• Bancadas de enraizamento com um sistema de aquecimento

Cada bancada de enraizamento deve possuir um sistema para a drenagem do excesso de


água, constituído por vários orifícios no fundo da bancada.

As bancadas são cheias com três camadas de materiais:


• No fundo uma camada de cascalho
• Por cima do cascalho uma camada de areia fina lavada
• À superfície uma camada de 10 cm do substrato de enraizamento (Perlite)

Entre as camadas de areia e de perlite estão colocadas resistências eléctricas que, para
favorecerem o enraizamento das estacas, aquecem o substrato; a temperatura deve ser
mantida entre 20 e 25ºC e é controlada por um termóstato.

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A perlite é um vidro de origem vulcânica que por aquecimento é expandido, dando
origem a um material inerte, leve e estéril, que proporciona um bom arejamento e uma
boa retenção de água e nutrientes, constituindo um excelente meio de enraizamento.
Dentro da estufa a humidade deve ser mantida sempre próxima dos 100%; para tal
existem vários aspersores de rega por nebulização colocados por cima das bancadas,
que asseguram a manutenção da humidade atmosférica e mantêm as folhas das estacas
permanentemente molhadas, diminuindo as perdas de água por transpiração; a duração e
os intervalos entre regas podem ser programados.
Dentro da estufa a temperatura ambiente deve ser mantida ligeiramente abaixo da
temperatura medida no substrato de enraizamento.
Para manter a estufa fresca, em especial durante o Verão, existe um sistema de
arrefecimento (“cooling system”) formado basicamente por alguns ventiladores,
colocadas num dos topos da estufa, que extraem o ar quente de dentro da estufa, e por
um evaporador, que pode ser constituído por uma rede de malha estreita,
permanentemente molhada e colocada no lado oposto da estufa.
Quando o ar é aspirado de dentro da estufa para o exterior pelos ventiladores, ele entra
pelo lado oposto da estufa através da rede; o ar ao passar através da rede molhada
provoca a evaporação da água, arrefecendo assim o ar que entra dentro da estufa; a
temperatura na estufa é controlada por um termóstato.

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1-Meio de enraizamento
2- bicos de nebulização
3- Rede
4- Resistências elétricas
5- Areia
6- Cascalho
7- Orifícios de drenagem
8- Válvula
9- Torneira
10- Entrada de água para nebulização
11- Termóstato

FASE DE ENRAIZAMENTO

As estacas são plantadas nas bancadas de enraizamento com uma densidade de 750 a
1500 estacas/m2.
A fase de enraizamento dura entre 45 e 60 dias, variável conforme a época de ano e a
variedade.
A percentagem de estacas enraizadas é muito variável consoante as variedades, o que
condiciona muito a possibilidade de realizar a sua multiplicação comercial.

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Figs 87 e 88 – exemplo de uma estufa de enraizamento

Fig 89 - Colocação das estacas na bancada de enraizamento.

Foto: MARodrigues, 2003

FASE DE ENDURECIMENTO

Depois de enraizadas as estacas são transplantadas das bancadas para sacos de plástico,
placas de alvéolos ou pequenos vasos, que são cheios com um substrato constituído por
uma parte de terra, uma parte de turfa e uma parte de areia.

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Fig 90 - Estacas na estufa de endurecimento

Foto: MARodrigues, 2003

As jovens plantas são então colocadas na estufa ou estufim de endurecimento, a fim de


serem submetidas a uma primeira fase de adaptação às condições ambientais exteriores.
Na estufa de endurecimento a temperatura e a humidade são gradualmente reduzidas
para as condições de campo de forma que o choque de transplantação não seja tão
drástico; as plantas são regadas por aspersão, reduzindo-se também progressivamente a
quantidade de água aplicada.
É vantajoso que a transferência das plantas para esta fase seja feita fora das épocas do
ano de maior calor ou maior frio.
A fase de endurecimento dura aproximadamente 60 dias; o fim desta fase deve coincidir
de preferência com a Primavera ou o final do Verão, também fora das épocas de maior
calor e de maior frio.
No final desta fase a planta deve ter conseguido ser capaz de iniciar o crescimento da
parte aérea, com a formação de, pelo menos, um par de folhas novas.

FASE DE CRESCIMENTO E ADAPTAÇÃO EM VIVEIRO

Após a fase de endurecimento as plantas têm de ser transferidas para sacos de plástico
de polietileno com cerca de 15 cm de diâmetro e 25-30 cm de altura, cheios com uma
mistura de turfa com terra ou areia; desta forma cada planta será instalada no local

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definitivo de plantação com o seu torrão de terra o que facilitará o trabalho e reduzirá o
choque de transplantação, melhorando o enraizamento das plantas e reduzindo ao
mínimo as necessidades de substituição de árvores mortas.
As plantas são depois colocadas ao ar livre, se necessário debaixo de uma rede de
sombreamento (em especial durante a Primavera e Verão), a fim de continuarem a sua
adaptação às condições de campo.
Durante este período as plantas serão regadas regularmente, fertilizadas, em especial
com azoto, e protegidas contra as doenças; podem também ser tutoradas e sujeitas a
uma primeira poda de formação a fim de se obterem plantas erectas e formadas sobre
um único eixo.
Esta fase pode durar aproximadamente 12 a 18 meses, após os quais as plantas estão em
condições de serem plantadas para local definitivo.

VANTAGENS E INCONVENIENTES

Relativamente aos métodos tradicionais, a multiplicação através de estacas semi-


lenhosas apresenta as seguintes vantagens:

• Obtenção de uma grande quantidade de plantas num curto espaço de tempo, pois
todo o processo até as plantas estarem em condições de serem transplantadas
pode demorar apenas cerca de 18 meses.
• É possível realizar pelo menos dois ciclos de propagação por ano.
• São obtidos lotes de plantas com grande homogeneidade.
• Intensificação da produção de plantas, tanto por unidade de tempo como de área.
• O crescimento vegetativo das árvores é maior e o período improdutivo após a
plantação é menor.
• A poda de formação, é mais fácil e mais económica, uma vez que pode ser
iniciada ainda em viveiro.

e inconvenientes:

• Maior grau de especialização e de tecnicismo da produção.


• Maiores necessidades de investimento.
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• Dificuldades em multiplicar algumas variedades (como a galega).

f) Micropropagação

A técnica de micropropagação consiste em colocar um fragmento da planta que


queremos multiplicar num meio nutritivo com uma composição bem definida e
ambiente com temperatura e humidade controlados a fim de provocar, graças a um
equilíbrio adequado de fitohormonas no meio, o desenvolvimento de uma planta
completa, com raiz, caule e folhas, que pode depois ser transferida para um meio normal
de aclimatação às condições de campo.
Este processo de multiplicação utiliza as técnicas de cultura de tecidos vegetais “in
vitro” e as plantas assim obtidas são cópias fiéis (clones) da planta mãe.
A micropropagação é útil nas variedades de oliveira em que as estacas tenham
dificuldades de enraizamento, como é o caso da “galega”, ou que necessitem de
enxertia.
Para fazer a multiplicação “in vitro” são utilizadas microestacas, com cerca de 2 cm de
comprimento, postas a enraizar num meio artificial.
Por este processo pode-se obter um grande número de plantas iguais num curto espaço
de tempo e em qualquer altura do ano.

g) enxertia

A enxertia é um método de propagação em que se promove a união, em geral através


dos seus caules, de duas plantas de variedades distintas, sendo que uma irá formar a raiz
da nova planta (porta-enxerto ou cavalo) e a outra a sua parte aérea (garfo).
Na oliveira aproveita-se uma planta já enraizada de determinada variedade como
suporte para uma outra variedade, porventura de maior interesse produtivo, que irá
formar a parte aérea produtiva da nova planta.
A enxertia apenas é necessária nas variedades cujas estacas tenham dificuldade em
enraizar, como são os casos da “carrasquenha” e da “blanqueta”.
Nestes casos pode utilizar-se como porta-enxerto uma planta da variedade “galega”
obtida a partir do caroço.

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Em Portugal a técnica de enxertia tem sido utilizada para reconverter os olivais da
variedade “galega” para outras variedades com melhores características, como sejam,
rendimentos em azeitona e azeite mais elevados, com menos problemas sanitários e
melhor adaptadas à colheita mecânica com vibrador, utilizando as oliveiras adultas da
variedade “galega” como porta-enxerto.
As enxertias podem fazer-se de garfo, de borbulha ou placa e de coroa.

Figs. 91, 92, 93, 94 , 95, 96 e 97 - Exemplo de enxertia de placa

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Em produção integrada:

O material vegetal a plantar deve ser, obrigatoriamente, certificado e ser proveniente


de viveiristas autorizados.
As plantas devem ser, preferencialmente, produzidas a partir de estacas semi-lenhosas
enraizadas em estufa de nebulização. Admite-se, também, a produção de plantas para
auto-consumo pelos métodos tradicionais. As plantas devem possuir um bom sistema
radicular, ser formadas a um eixo e ter à plantação uma altura de cerca de 1 metro.
Na escolha das cultivares a seleccionar deve dar-se preferência às tradicionalmente
cultivadas na região, constituindo algumas destas a base de azeites com Denominação
de Origem. Também se admite a plantação de outras cultivares que se considerem bem
adaptadas à zona.

10 - Plantação

A plantação das oliveiras deve ser efectuada no início do Outono ou na Primavera,


sendo de evitar a primeira época nas regiões em que o risco de geada seja elevado.
Deverá ser efectuada em covas com 40 a 50 cm de profundidade e de igual largura,
tendo o cuidado de enterrar o colo da planta alguns centímetros, de forma a evitar que as
raízes venham a ficar expostas.
Para manter o tronco das jovens plantas na vertical, deve colocar-se um tutor por planta
na altura da plantação.
Sempre que haja risco de danos provocados por coelhos e outros roedores, as plantas
deverão ser devidamente protegidas com rede.
O material a utilizar na atadura dos tutores às plantas deve ser suficientemente flexível,
de forma a evitar o estrangulamento das mesmas, devendo ser igualmente acautelados
os ferimentos causados pelo roçar da planta pelo tutor como consequência do vento.

Fig.98 – Exemplo de uma árvore bem plantada

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Exemplo de uma árvore bem plantada.
Foto: HManuel, 2004

A - Procedimentos a observar antes da instalação do olival

Segundo Dias et al. (2000) antes da instalação de um olival é obrigatória a observação


prévia das características pedológicas da parcela onde se pretende instalar o mesmo,
com o objectivo de avaliar a sua aptidão para a cultura e determinar as intervenções a
efectuar com vista à sua instalação.
No que respeita à fertilização, esta prática será descrita mais à frente e será relacionada
com os períodos de crescimento da oliveira, no entanto é importante referir a
obrigatoriedade de realizar análises de terra para avaliar o estado de fertilidade do solo,
conhecer as suas características físicas e químicas.
Deste modo, e após a colheita das amostras de terra deve-se observar a espessura da
camada arável, a existência de declives, o risco de fenómenos de erosão, a ocorrência de
camadas impermeáveis e seus reflexos no desenvolvimento vegetativo ou até asfixia
radicular, assim é de ter presente que:
- Textura do solo: deve ser franca; (solos de textura arenosa só deverão ser aprovados se
o olival for regado e os de textura argilosa e limosa não são aconselhados para
instalação de olival, dada a dificuldade de obter um adequado arejamento);
- Perfil do solo: até à profundidade potencialmente explorada pelas raízes, deve
caracterizar-se pela ausência de camadas impermeáveis, de forma a que a drenagem
interna seja eficiente.

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Nota: Não é aconselhável a instalação de olivais em solos com a rocha ou uma camada
impermeável a menos de 0,50 m de profundidade, a não ser que através de uma
mobilização profunda (ripagem e ou surriba), se aumente a espessura efectiva do solo e
se melhore a sua permeabilidade à água, ao ar e ás raízes.
Na plantação de novos olivais é desejável que o declive não ultrapasse os 5 %. Em solos
com declives superiores a 5 % e até 15 %, a plantação deverá ser efectuada,
obrigatoriamente, segundo as curvas de nível, de forma tendencialmente concêntrica.
Não são permitidas novas plantações em solos com declives superiores a 15 %. São de
rejeitar solos com afloramentos rochosos que impeçam a mecanização das operações
culturais.

B - Preparação do solo

Caso o olival seja instalado numa parcela onde ainda existam outras culturas é
necessário avaliar o estado fitossanitário das mesmas.
Por vezes pode surgir depois da instalação do olival, problemas de doenças do sistema
radicular, como é o caso da Rosellinea necatrix (Hart.), Armillaria mellea (Vahl) Quel.
e Phytophtora spp., que costumam ocorrer em solos encharcadiços, estas parcelas
deverão ser devidamente assinaladas, sendo um dado importante na avaliação das
características da parcela, ou de parte dela. Esta informação poderá determinar a
realização de medidas profiláticas, como a queima do material infectado e eventual
exposição das camadas sub-superficiais à acção do calor, nos meses de Verão, antes da
instalação do olival (Dias et al, 2000).
Depois de efectuados os estudos do perfil do solo e da análise de terra, bem como do
passado cultural da parcela, serão determinantes na decisão a tomar sobre a instalação
do olival.

Desde que não haja contra indicações de ordem técnica, é aconselhável proceder do
seguinte modo:

a) Efectuar-se uma mobilização profunda à instalação do olival, que será aproveitada


para a incorporação dos fertilizantes considerados necessários, cujos quantitativos serão
determinados com base nos resultados da análise de terra.

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O recurso à surriba, ainda que tecnicamente aconselhável para eliminar impermes e
uniformizar o perfil do solo, deverá ser ponderado devido ao seu custo; a ripagem
cruzada é uma operação alternativa ou complementar, cuja necessidade de realização,
tal como a surriba, depende do parecer formulado após observação do(s) perfil(s) e da
apreciação do passado cultural da parcela;

b) Em solos com tendência para o encharcamento deve efectuar-se a drenagem do solo,


podendo a plantação fazer-se em camalhões para evitar a ocorrência de problemas
fitossanitários nas raízes;Os drenos podem efectuar-se aproveitando valas naturais dos
cursos de água, colocando as pedras de maior tamanho no fundo e cobrindo com terra;
Outros preferem drenar com manilhas perfuradas, que distam entre si não mais de 20 ou
30 metros.
c) Os resíduos vegetais de culturas anteriormente instaladas devem ser retirados e,
sempre que sanitariamente recomendável, queimados.
Não é permitida a desinfecção química do solo em produção integrada.
d) Após a remoção de grandes pedras, susceptíveis de dificultar as operações
posteriores, trazidas à superfície pelas mobilizações mais profundas, a realização de
gradagens cruzadas é suficiente para deixar o terreno apto para a marcação e posterior
plantação.
Refira-se que a presença de pedras no futuro olival é desejável, desde que não impeçam
a circulação de máquinas e equipamentos nem a realização das lavouras indispensáveis,
pelo que devem ser deixadas sobre o terreno por constituírem um elemento de protecção
do solo contra a erosão provocada pela chuva.

Caso apenas se queira apenas mobilizar na linha procede-se da seguinte forma:


- Faz-se uma subsolagem, que tem a vantagem de abrir a linha de plantação sem
remover as camadas do solo, não disturbando a disposição das diferentes camadas;
- É conveniente realizar a subsolagem com o solo seco para que a terra na linha fique
bem “rasgada”.
- O tractor para realizar esta operação de “rasgar o solo” deverá ter potência superior a
70 cv;
- A profundidade de trabalho deverá estar compreendida entre os 50 e 80 cm.

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Fig. 99 – Exemplo de uma plantação de olival marcado, com valas de drenagem.

Foto: NLeal, 2003

e) Marcação do olival

A marcação do olival depende de:


- Finalidade do olival (conserva / azeite);
- Variedade;
- Declive;
- Tipo de solo;
- Etc.

Das diferentes opções de marcação, as mais utilizadas são:


- Marcação por lasers (no inicio e no fim da linha, existe um reflector que “guia” o
tractor e a plataforma de plantação durante a operação);
- Marcação manual com estacas guias (são colocadas estacas guias no inicio e fim das
linhas, e assinalados os locais das oliveiras na linha).

A marcação do olival pode ser:


- Em quadrado (marca real);
- Em rectângulo;
- Em triangulo equilátero;
- Em 5 de ouros

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1 - Marcação em quadrado:
- As oliveiras distam o mesmo na linha e na entrelinha.

2 - Marcação em rectângulo:

- Tem como objectivo o melhor aproveitamento da luz.

Marcação em 5 de ouros:

- Principalmente utilizada quando adensamos.

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C - Compassos

Tendo em atenção a necessidade de mecanizar as operações culturais, bem como a


optimização das condições de iluminação e arejamento das copas das árvores, o
compasso a adoptar dependerá do vigor da cultivar, do estado de fertilidade do solo e da
disponibilidade de água.
Aconselham-se compassos que conduzam a uma densidade de 200-300 árvores por
hectare.

Compassos modernos em que se aumentam as densidades, com vista a rentabilizar a


mesma área com maior produção:
Exemplos:
7 x 7 = 204 árvores/ha;
7 x 5 = 285 árvores/ha; compassos mais aconselhados
6 x 6 = 278 árvores/ha;
8 x 4 = 312 árvores/ha;

Existem ainda uma classe denominada de superintensivos, olivais com elevada


densidade, muito produtivos e muito específicos.

Exemplos:
3 x 1,75 = 1905 árvores/ha;
3 x 1,5 = 2222 árvores/ha;
3 x 1,25 = 2666 árvores/ha.

A orientação das linhas de árvores deve ser aquela que minimize os riscos de erosão do
solo, devendo seguir as curvas de nível, preservando o alinhamento perpendicular ao
declive sempre que este seja superior a 5 %. Quando o declive for igual ou inferior a 5
% deverá plantar-se, preferencialmente, com uma orientação Norte-Sul.

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11 - Manutenção do solo no olival

Aquando da opção do sistema de manutenção do solo a utilizar, é importante lembrar


que este, influencia a produção, os custos de cultivo, os custos de colheita, a influência
da geada na cultura, o tipo e quantidade de fertilização a adoptar e a incidência de
pragas e doenças.
Deste modo, a eleição do sistema mais adequado depende sobretudo dotipo de
exploração, da topografia, do tipo de solo e do destino da azeitona (azeite ou conserva).
Com o sistema a eleger deve-se obter, um óptimo aproveitamento da água disponível,
uma óptima utilização do solo, a conservação do solo minimizando a erosão, sabendo
sempre que este sistema deve ser económico e facilitar a realização das diferentes
operações de cultivo.

A - Sistemas que podem ser usados actualmente em olivicultura

A1 – Mobilização

Com este sistemas obtem-se um solo nú todo o ano através de mobilizações contínuas,
esta mobilizações são feitas superficialmente com alfaias de dentes (escarificador).

Esquema do sistema:

Após a colheita faz-se uma mobilização com um escarificador com tractor de 70-90 CV
de potência, com o objectivo de abrir o solo para infiltração da água da chuva.
Nos meses seguintes fazem-se 2 a 4 mobilizações cruzadas, principalmente para
combate de infestantes (utilização de grade de discos).
No verão com o solo seco e com gretas faz-se uma gradagem (rompe as camadas
compactadas e cria nuvens de pó que tapa os estomas e reduz a transpiração????).
Antes da colheita (debaixo das árvores) faz-se uma despedrega do terreno e compacta-se
o solo com um rolo.

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Inconvenientes deste método:

• Perdas de solo por erosão;


• Quebra de raízes;
• Altera a relação parte aérea/raiz;
• Custo elevado;

A2 – não mobilização (solo nú)

Com este sistema obtém-se um solo nú todo o ano através da aplicação de


herbicidas.

Esquema do sistema:

Faz-se um herbicida pré-emergência (Outono) ou, pós-mergência (a meio do Outono –


depois das primeiras chuvas, permite a germinação das infestantes de Inverno mais
abundantes no olival).
Posteriormente faz-se um herbicida pós emergência (Primavera), para as infestantes
perenes utiliza-se um herbicida sistémico (o mais utilizado é o glifosato).

Inconvenientes deste sistema:

• Aumento da perda de água por escorrimento superficial com efeito erosivo;


• Fitotoxicidade;
• Contaminação do meio ambiente.

A3 – mobilização mínima

Com este sistema fazem-se mobilizações de diferentes intensidades e profundidades


juntamente com a aplicação de herbicidas debaixo da copa das árvores.

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A3.1 – sistema semi-mobilização

Nesta situação fazem-se herbicidas residuais debaixo das copas das árvores e
mobilizações cruzadas no centro das entrelinhas. Estudos efectuados na zona de Jaén
revela que este sistema melhora a capacidade produtiva relativamente ao sistema
convencional

A3.2 – sistema de mobilização reduzida

Neste caso fazem-se herbicidas residuais em todo o terreno e realiza-se alguma


mobilização muito superficial (5 cm) nas entrelinhas para romper a crosta superficial
para a penetração de água.
Fazem-se mobilizações quando a camada superficial do solo está seca (final do verão)
para melhor penetração das águas das chuvas no Outono.
Nos casos em que os solos têm grande tendência para a compactação superficial pode
ser impossível realizar as mobilizações no final do verão. Neste caso recomendam-se 2
mobilizações, uma no Inverno (evaporação mínima) e outra no final do verão.
A alfaia recomendada é o vibrocultor (tractor de pequena potência e marcador de
profundidade).

A4 – Cobertura do solo

Estudos efectuados revelam que este sistema é a solução mais eficaz para controlar a
erosão. Neste caso podem-se aplicar dois tipos de cobertura: cobertura inerte ou
cobertura viva.

A4.1 – Coberturas inertes

No caso das coberturas inertes pode-se utilizar plástico, palha, manta térmica, restos
vegetais, etc.
Em olivais adultos, este sistema, é muito complicado porque fica muito caro.
Como alternativa, podem-se utilizar as folhas que caem e o material da poda destroçado
e espalhado todos os anos.

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Em olivais jovens, pode-se aplicar plástico e palha de cereal, que provoca o aumento da
temperatura do solo e beneficiando o desenvolvimento das árvores.

A4.2 – Cobertura vegetal viva

Em olivais de sequeiro não faz muito sentido a utilização de coberturas vivas, uma vez
que a água é um factor limitante da plantação.
No entanto, este sistema permite uma maior infiltração das águas da chuva na época de
Outono-Inverno e uma redução da evaporação do solo na época estival (seca)
(resultados comprovados na Andaluzia).

Esquema do sistema:

Instalar a cobertura durante o Inverno, realizar cortes no final do Inverno (diminuição da


transpiração), ficando o material vegetal sobre o solo reduzindo as perdas de água por
evaporação na Primavera.
As infestantes podem ser uma cobertura útil desde que sejam cortadas.
O corte pode ser mecânico recorrendo ao uso de gadanheiras. Dependendo do tipo de
infestantes pode-se ainda fazer herbicidas de contacto ou sistémicos .
Pode-se ainda controlar a vegetação através do pastoreio com ovelhas, neste caso pode
haver compactação quando se pastoreia com solo húmido.

As infestantes que dão melhores resultados são:


Gramíneas (O sistema radicular melhora a estrutura do solo e o afilhamento
proporciona uma boa cobertura do solo);
Leguminosas autóctones de porte rasteiro (ervilhas, ervilhacas, tremocilhas, etc
que promovem a fixação de azoto)

Atenção:
As plantas cortadas sobre o solo não o defendem eficazmente da erosão.
A cultura com coberto vegetal necessita de mais uma adubação azotada complementar
no Inverno.

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Em ensaios realizados em Espanha, a cobertura do solo com infestantes, cortada
quimicamente no final do Inverno tem conduzido a um aumento da produções
relativamente às mobilizações tradicionais.

A4.2.1 – cobertura com cevada

A cevada é uma espécie rústica com crescimento invernal e com grande capacidade de
afilhamento, a semente é barata e existe uam facilidade de cultivo devido ao
conhecimento empirico do agricultor.
Neste sistema pretende-se semear um cereal (cevada) no Outono nas entrelinhas da
plantação (olival), a sementeira da cevada faz-se com uma mobilização superficial e
incorpora-se simultaneamente 50 Kg de azoto por hectare. A cultura desenvolve-se no
período de Outono-Inverno. No mês de Março aplica-se herbicida sistémico (glifosato –
0,72 a 1 Kg /ha), a palha seca fica sobre o solo durante a Primavera o que promove a
diminuição da evaporação.
Este sistema tem apresentado bons resultados no controlo da erosão e nas produções na
Andaluzia em olivais de sequeiro.

Inconvenientes:
Perigo de incêndio na Primavera se não chover

A4.2.2. – Cobertura com leguminosas

Neste sistema podem-se utilizar as leguminosas em vez da cevada.

Vantagens:
• Fixam o azoto
• Adaptam-se melhor ao corte mecânico
• Provocam menos perigos de incêndios

Inconvenientes:
• Os restos que ficam no solo não impedem a erosão;
• A monda com herbicida é mais difícil (glifosato+fluroxipir)
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B - Factores que determinam a eleição do sistema

1 – disponibilidade de água no solo

As disponibilidades de água para a cultura de sequeiro são dadas pela seguinte


expressão: precipitação + contribuição da tolha freática-escorrimento-evaporação-
drenagem
Desprezando a contribuição da tolha freática e drenagem profunda temos: Infiltração
(diferença entre a água da precipitação e o escorrimento superficial)- evaporação
O sistema de manutenção do solo modifica a infiltração e a evaporação da água e
consequentemente as suas disponibilidades de água.
Obtêm-se melhores respostas no sistema de não mobilização do que com um solo
mobilizado.

B1– infiltração da água no solo

Embora a mobilização aumente aparentemente a velocidade de infiltração de água no


solo, ensaios realizados durante vários anos, mostraram que no final do período das
chuvas os terrenos mobilizados não acumularam maior quantidade de água que os que
permaneceram nus.
O que está na base desta situação:
• Nem todas as chuvas provocam escorrimento superficial
• O solo depois de molhado aumenta a infiltração (solos não mobilizados)
• O impacto das gotas de água alteram a superfície do solo lavrado, compactando-
o e formando crosta o que reduz a velocidade de infiltração
Depois de um aguaceiro a infiltração pode ser igual num solo mobilizado e noutro não
mobilizado.
Os solos limosos (normalmente com má estrutura) são os menos apropriados para a não
mobilização (decréscimo de infiltração em profundidade).

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B2 – evaporação da água do solo

Tradicionalmente atribui-se à mobilização um papel importante na conservação de água


infiltrada no solo, afirmando-se que a redução da evaporação é devida à ruptura da
capilaridade em consequência das mobilizações.
No entanto ensaios realizados em Espanha não parecem confirmar esta hipótese.
Quando um solo está em condições de ser mobilizado a maior parte das perdas de água
devidas à capilaridade já ocorreram.
A crosta formada à superfície em situações de não mobilização reduz a velocidade de
evaporação relativamente às mobilizações tradicionais. As gretas que se formam tanto
em situações de mobilização como de não mobilização também são responsáveis por
perdas de água por evaporação.

B3 – Erosão

Em olivais de Córdoba, instalados em terrenos inclinados, as perdas de solo anuais


devidos à erosão são da ordem de 60 a 105 toneladas/hectare/ano.
O principal agente de erosão nas regiões mediterrânicas é a água, embora o vento
também possa ter importância.

Erosão provocada pela água provoca:


- Desprendimento e desagregação das partículas do solo
- Transporte das partículas pelo fluxo de água de escorrimento.

Este duplo processo é responsável pelo arrastamento de grandes de quantidades de terra.


A maioria dos autores que têm estudado este problema concorda que a cobertura vegetal
do solo é o método mais eficaz para a resolução do problema.

A cobertura do solo tem os seguintes efeitos:


• Reduzir o número de impactos das gotas de água sobre o solo
• Reduzir a energia cinética das gotas de água da chuva antes de caírem sobre a
superfície do solo
• Aumentar a velocidade de infiltração da água da chuva.

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Em qualquer sistema de cultivo devem fazer-se as alterações necessárias para:
• Aumentar a infiltração da água da chuva
• Reduzir o declive para reduzir o escorrimento superficial
• Permitir a redução da velocidade da água nas descidas
• Reduzir o caudal de escorrimento mediante captação e armazenamento

B4 – Produção

Em ensaios realizados em Espanha conclui-se que a técnica de não mobilização pode


proporcionar aumentos importantes de produção relativamente aos métodos
tradicionais.
Em 85% dos ensaios a produção aumentou na situação de não mobilização.

Produções:
- Mobilizações tradicionais – 33,2 kg/ árvore
- Não mobilização – 38,6 kg/ árvore
- Verificou-se um aumento de 16% de produção em situação de não mobilização.

Os sistemas de mobilização mínima e semi mobilização também apresentaram


aumentos de produção relativamente aos sistemas convencionais.

B5 – Custo de cultivo

Os sistemas de manutenção do solo afectam fundamentalmente duas operações:


- Controlo de infestantes
- Colheita da azeitona

Nos sistemas de não mobilização, mobilização mínima e coberturas vegetais:


- Reduz-se a potência dos tractores
- Reduz-se o número total de horas de trabalho do tractor
- Redução de custos

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- Aumentos de produção de azeitona
- A compactação e limpeza do solo debaixo da copa (não mobilização com aplicação de
herbicidas) são importantes para reduzir os custos de colheita.

Num solo lavrado a operação de compactação e limpeza do solo debaixo da copa


representa um custo adicional.

B6 – Fauna e microrganismos do solo

Não mobilização:
Em solos com cobertura vegetal cortada dá-se um aumento máximo de minhocas. A
cobertura vegetal é o método que mais protege toda a fauna do solo

C - Tendências futuras para os sistemas de manutenção dos solos no olival

Os sistemas apresentados anteriormente parecem proporcionar melhores resultados


relativamente aos tradicionais, embora muitos olivicultores ainda não estejam
convencidos disso.
Referem-se de segui algumas sugestões para melhorar os sistemas de manutenção do
solo num olival:
- Reduzir de forma geral o número de mobilizações anuais às estritamente necessárias
(mais mobilizações não significam mais humidade no solo);
- As mobilizações mais convenientes são as superficiais que não reviram o solo e que
deixam à superfície a maior quantidade de restos vegetais;
- Realizar as mobilizações no final do Verão (menor evaporação);
- Controle da aplicação de herbicidas debaixo da copa sem prejudicar a árvore;
- Aplicar os herbicidas correctamente, mudar as substâncias activas quando não atacam
determinada espécie e não aumentar a doses;
- Utilização de equipamento adequado à aplicação de herbicidas para reduzir os custos
com os tratamentos.

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Os métodos não devem ser considerados incompatíveis, uma vez que se podem
combinar de modo a assegurar uma maior eficácia e rentabilidade, dependendo das
condições do olival.

O sistema ideal deve ser ajustado de acordo com o factor limitante de cada momento,
pois as condições podem mudar de acordo com:

- Estado vegetativo da árvore;


- Época do ano.

Não há problema quando se passa de um sistema de solos mobilizados ou mantidos com


cortes de infestantes para sistemas de não mobilização com aplicação de herbicidas. A
cultura responde com o aumento de vigor. O mesmo não se passa com o inverso, neste
caso as mobilizações teriam de se fazer com prudência (mobilizações superficiais) para
não danificar as raízes. Se a alteração é para coberto vegetal convém aplicar maiores
quantidades de adubos e ter em atenção as maiores necessidades de água.

12 – Poda

A poda do olival é uma operação indispensável, dada a organização fisiológica e a


longevidade da oliveira.
Esta está baseada em princípios biológicos e agronómicos que, ao não serem cumpridos,
fazem com que a dupla finalidade de melhorar a produção e conservar a vitalidade da
árvore não se verifiquem.
Assim, pode-se ter a ideia de que muitos sistemas de poda de muitas regiões do país não
se encontram adaptados às condições edafoclimáticas aí verificadas, nem se verifica a
existência dos princípios atrás referidos.
Existem alguns tipos de intervenções nas árvores, que não só diminuem o potencial
produtivo como também promovem um envelhecimento rápido e desvitalização da
árvore, levando em muitos casos o olival à decrepitude.
A poda compreende as operações que realizadas sobre a oliveira modificam a forma
natural da sua vegetação, dando vigor ou restringindo o seu desenvolvimento e que têm

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como finalidade dar-lhe uma forma adequada, conseguir a adaptação da árvore ao meio
produtivo e naturalmente, obter a máxima produção.

“A poda é necessária para manter o equilíbrio entre as funções vegetativa e


reprodutiva, tornando compatíveis a máxima produção e a vitalidade da árvore,
alargando ao máximo o período produtivo e retardando o envelhecimento e a
morte da oliveira”

A poda é, a seguir à colheita, a operação que necessita de mais mão-de-obra. Pode-se


dizer que para a poda, investe-se cerca de 25 horas por hectare, representando 16% dos
custos de cultivo.

12.1 - Bases Biológicas da Poda

Se a poda é uma operação cuja principal finalidade é promover a produção de mais


frutos, devemos ter um conhecimento completo das condições em que a árvore produz.
Em todos os organismos há um período de crescimento, sem haver reprodução ou
frutificação, onde existe um intenso crescimento vegetativo. Esta é a idade juvenil, que
possuiu um metabolismo determinado.
Existe outro período, o de reprodução / produção, acompanhado de um certo
crescimento, menos intenso e no qual se verifica uma alteração do metabolismo.
Por fim existe o período de envelhecimento, no qual a reprodução e o crescimento são
mínimos.
Em relação a estas fases sucessivas, a poda tem de as acompanhar e respeitar.
No período juvenil poda-se muito pouco ou nada, de modo a encurtar o período de
improdutividade (Poda de formação);
No período adulto deve-se podar ligeiramente (poda de produção ou Frutificação);
No período de envelhecimento deve-se podar com alguma intensidade, lembrando que
na produção integrada são proibidas podas severas, em espaços de tempo suficientes
para a reconstituição, sempre que possível acompanhados de adubações e regas.

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Fig.100 - Exemplo de uma oliveira mal podada (poda severa).

Nota: É muito importante conhecer o papel que desempenham os diferentes órgãos da


planta, pois só assim se saberá a extensão de uma supressão de uma parte da árvore.

12.2 – Bases agronómicas da poda

A suprimirem-se partes da árvore, com recurso à poda, alteram-se as relações folha/raiz


e folha/madeira, estas alterações devem ser feitas sempre a nosso favor. Deste modo, os
principais objectivos da poda são:

• Equilibrar o crescimento e a frutificação;


• Encurtar ao máximo o período improdutivo;
• Alargar o período produtivo;
• Não desvitalizar e envelhecer prematuramente a árvore;
• Ter um custo económico;
• Ter em atenção o factor limitante água para os olivais de sequeiro.

12.3 – Época e frequência de poda

A poda do olival é realizada tradicionalmente após a colheita, o que em zonas não muito
frias pode querer dizer nos meses de Janeiro a Abril, devendo-se respeitar a forma

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natural da cultivar e orienta-la no sentido de se manter uma elevada relação
folhas/madeira.
Em zonas frias e com geada deve-se, sempre que possível, realizar-se a poda fora dos
meses de Inverno.
A frequência da poda mais usual é bienal, mas pode ser feita de 4 em 4 anos ou de 6 em
6 anos dependendo do estado de conservação e árvore e do tipo de olival. No entanto
em terrenos férteis e com chuvas abundantes ou em regadio deve-se realizar a poda
anual, tentando sempre aclarar as árvores e retirar os chupões mais fortes e não
produtivos ou seja intervir de forma a eliminar os ramos ladrões, os ramos secos,
debilitados e mal inseridos.
Nos anos em que se prevê uma produção excessiva, a poda deve limitar o número de
gemas de flor através de um corte de alguns ramos frutíferos o que regulará o número de
frutos e reduzirá a produção.
Nos anos em que se espera fraca produção, ou não se poda ou poda-se pouco.

Figs.101 e 102 – exemplo de uma poda de arejamento, antes e depois, respectivamente.

Foto: NLeal, 2005 Foto: NLeal, 2005

É proibida a realização de podas severas que desfigurem a copa, reduzindo a vitalidade


da árvore e o seu potencial produtivo.

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12.4 – Os ramos da oliveira e a sua função produtiva

Dos diferentes ramos que constituem a árvore, é notório que os ramos centrais e
verticais, mais iluminados são os que apresentam um crescimento vegetativo maior. Os
ramos mais baixos e horizontais padecem frequentemente, de falta de luz, apresentando
uma produção inferior aos anteriores. Por ultimo, os ramos interiores pouco vigorosos,
quase não apanham luz, apresentando uma produção reduzida.

Fig.103 – esquema de variação do conteúdo médio em azeite e do peso médio da


azeitona, de acordo com a posição dos ramos na copa da oliveira.
Azeite – 26,2%
Peso de 100 frutos 328,1g

Topo

Parte de fora
Parte de dentro

Azeite – 23,7% Azeite – 21,4%


Peso de 100 frutos – 244,5g
Peso de 100 frutos – 263,7g

12.5 – Os cortes

Existem diversas formas de se efectuar um corte de supressão de ramos, na figura a


baixo, podemos ver um ramo antes de ser cortado (1), seguido de um corte mal
efectuado, onde é visível o corte do ramo “mãe”, deixando uma ferida aberta com
grande extensão (2), contrariando esta má execução temos o ramo seguinte bem cortado
(3), e depois verificamos um corte defeituoso, onde se deixou demasiada madeira,
podendo haver acumulação de água e podridão (4).

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Fig.104 – Exemplo de diversos cortes de supressão

Figs. 105,106,107 e 108 – esquema de um corte mal efectuado e bem efectuado,


respectivamente

É importante evitar o lascar do ramo sob o seu próprio peso.

Para cobrir as feridas resultantes dos cortes da poda pode-se usar:

• Mástique
• Sulfato de cobre
• Calda bordalesa a 5%
• Hidróxido de cobre com óleo de Verão

É aconselhável a desinfecção do material de poda quando se passa de uma árvore recém


podada para outra, tornando-se esta desinfecção obrigatória, imediatamente após a
poda de uma árvore doente, nomeadamente com tuberculose.
Nos olivais em boas condições sanitárias é recomendável a fragmentação e trituração da
lenha de poda no local e a sua permanência sobre o solo.

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12.6 – Intensidade de poda

No que diz respeito à intensidade de poda temos de ter em conta:

• A quantidade de precipitação ocorrida no período Outono/Inverno antes desta


operação;
• A colheita do ano anterior;
• O estado vegetativo das árvores;
• O destino da colheita (azeite ou conserva);
• A densidade de plantação e o tamanho das árvores;

Neste caso, deve-se deixar ao longo das pernadas alguns rebentos que servem para
proteger as pernadas dos efeitos climatéricos prejudiciais, se as pernadas ficarem
completamente desprotegidas vão originar rebentos ladrões ou chupões, que vão
enfraquecer a árvore e provocar um excessivo desenvolvimento nos ramos do interior da
copa, prejudicando os da zona exterior.
Deve-se também, podar de modo a que não possa haver deposição de água nos ramos ou
pernadas pois essa deposição pode provocar, mais tarde, o apodrecimento dessa mesma
pernada.
É de ressalvar que copas muito densas e compactas, em forma esférica não permitem
uma boa iluminação e arejamento, razão pela qual utilizarão convenientemente a
radiação solar e será favorecido o aparecimento de pragas e doenças;
As mesmas copas esféricas são as que proporcionam as áreas de frutificação menores.
Também as podas que dêem origem a árvores abertas com ramos estendidos, quase
horizontais, muito expostos ao sol, não são as mais indicadas, uma vez que promovem a
rebentação de ramos ladrões sobre as pernadas principais.

12.7 – Poda de formação

A poda de formação tem como objectivo construir a “armação” ou “esqueleto” que


servirá de suporte aos órgãos vegetativos, bem como à produção durante a vida
produtiva do olival.

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Assim, este período, corresponde a um período improdutivo durante o qual se deve dar
uma estrutura adequada às árvores de forma a proporcionar uma entrada precoce em
produção e a possibilitar, também, a posterior mecanização da colheita.
A árvore proveniente do viveiro já deveria ter mais ou menos um metro de altura e ter o
tronco já bem conduzido com duas ou três ramos laterais.
No entanto e dado que as plantas provenientes de viveiro são, habitualmente, de
reduzidas dimensões e, muitas vezes, mal estruturadas, é normalmente necessário
proceder à poda de formação.
Deste modo, dever-se-ão realizar pequenas intervenções anuais de modo a formar a
árvore com um tronco único sem ramificações laterais, com formação da copa a partir
de um metro de altura aproximadamente.
Deverá eliminar-se gradualmente os ramos da base, pois o seu vigor vai condicionar o
crescimento em altura. Esta poda terminará mais ou menos ao 8º ano (depende muito da
variedades e das condições edafoclimáticas) de modo que ainda não haja muita
competição entre os diversos pés.
Pode-se ver a seguir os vários exemplos de formação de árvores:

Fig.109 – Esquema dos diferentes tipos de poda de formação

Vaso cónico invertido Vaso cónico cilíndrico Vaso Troncocónico

Vaso Policónico Globo

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Esta poda pode ser efectuada a partir de Janeiro, pois como não se vão realizar cortes
severos, não há o perigo de geadas e chuvas.
O desenvolvimento da árvore vai indicar-nos a altura para as intervenções seguintes.

12.8 – Poda de frutificação ou produção

Uma vez concluída a fase de formação, é aconselhável uma intervenção de poda com a
menor intensidade possível, deste modo, devem-se alguns ramos da copa de modo a
facilitar a circulação de ar e a entrada de luz e cortar os ramos grandes e pouco
produtivos (chupões) para que a árvore funcione com vigor.
Não se deve cortar ramos demais para não deixar a planta desprotegida (escaldão), e
para não haver uma rebentação demasiado vigorosa.

“A madeira à sombra e a folha ao sol”


Fig.110 – Exemplo de uma árvore em período produtivo

Esta poda se for do tipo racional pode ser feita em Janeiro, pois as pernadas e o tronco
vão ficar protegidos pela rama. Sendo menor o perigo das geadas. Se for do tipo
tradicional, só deve ser feita em Março por causa da geada.

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12.9 – Poda de renovação

Com a idade os olivais vão a pouco e pouco, acumulando madeira, havendo um


decréscimo da relação folha/madeira, trazendo consigo um decréscimo de produção e
uma maior tendência para a alternância de produção.
Deste modo, este tipo de poda serve para renovar as pernadas da árvore, para que deste
modo, ela não perca o seu potencial, devendo ser feita de forma contínua e escalona.
Para se proceder a esta operação a árvore tem de estar em bom estado vegetativo e
sanitário pois de outra forma pode não responder tão bem à poda (a circulação da seiva
ser dificultada).

Regras para este tipo de poda:


Se há desigualdade no vigor das pernadas, começa-se por podar a pernada mais vigorosa
pois rebenta com mais facilidade.
Se o número de pernadas for muito grande não as podemos podar todas, pois ia haver
muita competição pela seiva e pela luz.
Fig. 111 – Exemplo de uma poda de renovação total.

Esta poda deve ser realizada em Fevereiro / Março em locais onde existam geadas
tardias, pois nessa altura ainda não se deu a rebentação, não causando assim prejuízos

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12.10 – Poda de regeneração

Em caso de olivais velhos e doentes onde já não é possível fazerem-se podas de


renovação só há duas soluções:
1ª - O corte raso que é o corte da árvore junto ao solo, onde desaparece grande parte do
tronco e a copa. Com este corte a árvore vai voltar a rebentar embora nem todos os
rebentos se aproveitem (Só se aproveitam os que vão formar árvores independentes com
raiz nova) depois da árvore ter rebentado procede-se como se fosse um olival novo com
a poda de formação seguindo-se as outras.
2ª - O arranque de todas as árvores do olival.
Esta poda deve ser realizada em Fevereiro / Março por causa das geadas tardias.

12.11 – Poda Mecânica

Este é o método de poda que recebe o seu nome devido ao corte dos ramos ser
efectuado com uma máquina podadora de discos, montado sobre um carregador frontal
de um tractor.
Esta máquina move-se de uma forma constante pelo centro da rua das árvores e realiza
um trabalho de corte perpendicular, inclinado ou paralelo em relação à superfície do
solo.
Este tipo de poda apresenta resultados muito prometedores, sobretudo em olivais de
regadio com grandes crescimentos anuais.
Na maioria das situações, este tipo de poda tem de ser complementado com poda
manual, cada 3 ou 4 anos, de modo a colmatar falhas de corte dentro da copa, retirada
de madeiras mortas e chupões.

Este tipo de poda poderá ser viável em algumas situações:


• Na poda de produção, substituindo a poda manual;
• Em olivais intensivos, para adaptar o volume de copa ao óptimo de produção,
permitindo abrir as ruas do olival para melhor acesso de máquinas, da luz e do
ar.
• Em podas severas para rebaixar as copas e para rejuvenescer olivais velhos;

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As intervenções com poda mecânica devem ser severas, eliminando uma copa em meia-
lua com cerca de 0,75 a 1 metro de altura, deixando posteriormente períodos de tempo
de 3 ou 4 anos sem intervenções da máquina, de modo a que a árvore se reconstitua
sobre as novas rebentações.
É imprescindível alternar este tipo de poda com complemento da poda manual, de modo
a abrir o centro da árvore.

Fig.112 – esquemas do diversos tipos de cortes mecânicos

Na vertical Oblíquo

Na Em Pirâmide Em Capela Em Quadrado

Vários tipos de poda possíveis em poda mecânica

O maior inconveniente que se coloca a este tipo de poda prende-se com a dificuldade de
colheita manual da azeitona após vários anos de poda mecânica. Esta dificuldade pode
ser atenuada com alguns complementos de poda manual de forma a abrir as copas.
No caso de colheita mecânica da azeitona esta questão não se coloca.

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13 - A rega no Olival

A oliveira tem sido tradicionalmente uma cultura de sequeiro, é uma árvore que se
adapta bastante bem à secura, pois dispõe de mecanismos que lhe permitem enfrentar
situações de stress hídrico, tais como:
• O sistema radicular da oliveira é extenso, em solos ligeiros (60% areia e 20% de
argila) as raízes das oliveiras de 20 anos atingem os 90-100 cm de profundidade,
com um desenvolvimento horizontal que chega a ser 2-3 vezes o raio da copa.
• Os estomas, orifícios através dos quais se efectuam as trocas gasosas essenciais
à fotossíntese e respiração, encontram-se na página inferior das folhas. Não
estão por isso directamente expostos aos raios solares, e situam-se em pequenas
depressões, onde se criam condições de humidade que lhe permitem diminuir as
perdas por transpiração;
• Ao contrário de outras culturas, possui mecanismos apurados de regulação do
balanço fotossíntese e transpiração. Assim, mesmo havendo abundância de água,
consegue manter os estomas pouco abertos ao meio-dia solar, deixando-os com
abertura máxima às primeiras horas do dia, quando as perdas de água por
transpiração são menores.

Em condições de défice hídrico, a oliveira reage de várias formas, tais como:


• A oliveira enrola as folhas salvaguardando as perdas de água e fechando os
estomas ao meio-dia solar;
• Consegue ainda aumentar a pressão osmótica, o que lhe permite aproveitar
alguma humidade existente no solo quando a maioria das culturas já não o
consegue fazer;
• Em condições de seca, parte da água dos frutos passa para as folhas enrugando a
azeitona.

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13.1 - Necessidades hídricas do olival

A oliveira pode ser cultivada em sequeiro sempre que a precipitação anual não seja
inferior aos 400 ou 500 mm.
O período critico em necessidade de água situa-se num período que vai desde um pouco
antes da floração até à maturação, que coincide, nas nossas condições, no período de
maior escassez de precipitação.
A falta de água influência a árvore de várias formas consoante a fase do ciclo vegetativo
em que se encontram.

Influência do défice hídrico no ciclo da oliveira


Estados
Processo fenológicos Época Efeito do défice hídrico
Crescimento vegetativo BaJ Todo o ano Redução do crescimento e do n.º
de flores do ano seguinte
Desenvolvimento dos gomos B Fevereiro a Redução do n.º de flores
florais Abril
Floração C; D1; D2; Maio Redução da fecundação
E; F1; F2
Formação do fruto G Maio a Junho Aumenta a alternância
Crescimento do fruto H; I Junho a Julho Diminui o tamanho do fruto
(menor n.º de células/fruto)
Crescimento posterior do J Agosto - Diminui o tamanho do fruto
fruto Colheita (menor tamanho das células do
fruto)
Fonte: ORGAZ, F. & FEREBES, E., 1999

Factores que influenciam a quantidade de água de rega:


• Factores climáticos como a chuva, a temperatura, a humidade do ar, a radiação e
o vento que influenciam a evaporação;
• O tipo de solo (texturas e camadas do perfil) que influenciam a capacidade de
retenção de água e a capacidade de infiltração;
• A densidade de plantação e o desenvolvimento da copa;
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• A transpiração da cultura que está relacionada com características da variedade.

Deste modo, a rega do olival permite optimizar a capacidade fotossintética da cultura,


contrariando a tendência para o fecho dos estomas em condições de stress hídrico:
• Aumenta a produção mesmo em oliveiras velhas, que sempre foram de sequeiro;
• Ajuda a regularizar as produções diminuindo o efeito de safra e contra-safra;
• Permite acelerar a entrada em produção do olival novo.

Além dos factores que condicionam as necessidades hídricas da cultura, existem


momentos, críticos do ciclo da oliveira em que a falta de água tem consequências mais
graves para a produção. Se não temos muita disponibilidade de água, podemos optar por
regar apenas nos momentos mais críticos:
- Durante o desenvolvimento dos gomos, se houver falta de precipitação;
- Durante a floração;
- Na fase de vingamento dos frutos.

Dotações de rega

Segundo o que se abordou anteriormente, o cálculo de dotação de rega deve entrar em


linha de conta com:
- A precipitação;
- A evapotranspiração da cultura;
- A água armazenada no solo;
- O grau de cobertura do solo pela cultura.

Existem fórmulas capazes de traduzir esses efeitos, no entanto, esta fórmula de cálculo
não é facilmente acessível à maioria dos agricultores.
Nota: O COTR tem à disposição dos olivicultores, na sua página da Internet um cálculo
das necessidades de rega semanais.
Deste modo, durante os primeiros cinco anos dever-se-á regar o olival para promover
um bom desenvolvimento vegetativo das árvores e uma mais rápida entrada em
produção. A primeira rega deverá ter lugar logo após a plantação, especialmente quando
esta se efectuar na Primavera. Nos olivais de sequeiro dever-se-ão realizar, pelo menos,

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quatro regas anuais, veiculando cada uma cerca de 100 litros de água por árvore. A
periodicidade das regas bem como as dotações a aplicar dependerão das características
do solo, do clima (precipitação, temperatura), bem como da disponibilidade de água.
Nos olivais de regadio é aconselhável a instalação do sistema de rega gota-a-gota, pois
permite uma maior economia de água. Este sistema é normalmente utilizado entre finais
do Inverno e o Outono, dependendo a rega dos mesmos factores indicados para os
olivais de sequeiro. Os jovens olivais instalados com o sistema de rega atrás citado
necessitam de quantidades de água relativamente baixas, referindo-se, a título
indicativo, que dotações médias entre os 10 e os 15 litros semanais, por planta, são
geralmente suficientes. É de ter presente que olivais instalados em solos de textura
grosseira deverão ser alvo de rega a intervalos mais curtos, embora com menores
dotações do que olivais instalados em solos de textura mais fina, com maior capacidade
de retenção para a água. Nestes casos a periodicidade da rega poderá ser maior, assim
como as quantidades de água distribuídas em cada rega.
Dado que o sistema radicular de oliveiras em plantações regadas não é profundo, há
necessidade de garantir uma boa fixação da árvore ao solo, o que obriga a que os
gotejadores se coloquem a alguma distância do tronco, promovendo um bom
desenvolvimento das raízes na horizontal e, desta forma, também a fixação das plantas.

Fig.113 – Disposição/ intervalo entre gotejadores

Fonte: JRRibeiro, 2004

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Caso prático de dotações de rega, no olival da região Alentejo:

Tipo de solo Idade do olival Dotação


Árvores jovens 20 litros/árvore de 2 em 2 dias
Terras de Barro 12 anos 120 litros/árvore de 5 em 5 dias
Terras arenosas 12 anos 120 litros/árvore de 3 em 3 dias
Adultas 50 litros/árvore por semana

Atenção: para evitar regas excessivas, abra uma cova com cerca de 10 cm de
profundidade junto ao gotejador. Só volte a regar quando não encontrar humidade.

A título indicativo refira-se que, em olivais instalados em solos com adequada


capacidade de retenção para a água e em zonas com quedas pluviométricas anuais da
ordem dos 500 mm, as necessidades mínimas de dotação, com o sistema de rega gota-a-
gota, oscilam entre 2000 e 3000 m3 por hectare.

A qualidade da água de rega é um dos aspectos a ter em conta, razão pela qual é
obrigatória a sua análise de quatro em quatro anos, salvo nos casos em que os
resultados analíticos indiciem teores de alguns parâmetros próximos dos valores
máximos recomendados pelo Decreto-Lei 236/98 (em anexo), de 1 de Agosto, caso em
que se aconselha a monitorização anual daqueles parâmetros.

Os sistemas de distribuição da água deverão ser mantidos em bom estado de


conservação para evitar perdas.

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14 – Pragas

Mosca da azeitona – Bactrocera oleae Gmelin

Sintomas:
Frutos picados;
Queda prematura do fruto.

Fig. 114 – Ovo de mosca da azeitona

Fonte: www.inra.fr

Biologia:
Os adultos surgem na Primavera principalmente nos meses de Maio/
Junho.Estes adultos provêm das pupas hibernantes do ano anterior. Os adultos
da 1ª geração saem escalonadamente ao longo do mês de Agosto até meados
do mês de Setembro, dando lugar a uma 2ª geração que se desenvolve desde
os princípios de Setembro até meados de Outubro. Estes adultos dão origem a
uma 3ª geração cujos estados larvares se observam desde meados de Outubro
a Dezembro. A maior parte destes insectos vão pupar no solo passando o
Inverno nesse estado.

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Fig. 115 – Adulto de mosca da azeitona
Fonte: www.inra.fr

Factores favoráveis:

Solos com coberto vegetal;


Temperaturas amenas (20 a 30 ºC);
Humidade relativa elevada (> 70 %).

Nível Económico de Ataque:

Azeitonas para azeite – 10% de azeitonas picadas com larvas vivas;


Azeitonas para conserva – às primeiras picadas.

Estragos:

Directos – Diminuição da produção; Queda de azeitona


Indirectos – Diminuição da qualidade do azeite.

Meios de Luta:
Biológica – Opius concolor (parasitóide)

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Fig. 116 - Opius concolor (parasitóide)
Fonte: www.inra.fr

Culturais – Antecipar a colheita;


Escolher variedades mais resistentes;
Manter o solo liso e sem vegetação (principalmente sob a copa).

Químicos – Preventiva: atractivos (ex: endomosyl) e insecticidas;


Curativos: Ver lista DGADR

Traça da Oliveira – Prays oleae Bernard

Sintomas:
Flores destruídas;
Queda prematura do fruto: início do Verão – provocada pelas galerias que a
larva escava através dos canais fibrovasculares, no momento da sua entrada
para o caroço; finais de Agosto a Novembro – devido às larvas que abandonam
os frutos para irem pupar.

Biologia:
Os ovos da 1ª geração são postos sobre as folhas (ataca as folhas –
Filófaga), preferencialmente sobre a página superior e junto à nervura central.
A larva penetra na folha e faz galerias que abandona depois de cada muda. Os
ovos da 2ª geração são postos preferencialmente sobre o cálice, a larva
penetra directamente no botão floral e começa a alimentar-se dos sacos

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polínicos, dirigindo-se depois para o resto da flor. Os adultos surgem
normalmente entre Maio e Junho (ataca as flores – Antófaga). Na 3ª geração a
postura é feita sobre o cálice dos jovens frutos (ataca os frutos – Carpófaga), e
a larva penetra directamente no fruto.

Fig. 117 – Pupa de traça


Fonte: www.infolivo.com

Factores favoráveis:
Temperaturas amenas (20 – 30 ºC);
Humidade relativa acima de 70%.

Nível Económico de Ataque:


20% de frutos atacados.

Estragos:
Destruição dos gomos terminais (geração filófaga);
Destruição de parte das influrescências (geração antófaga);
Dupla queda de frutos (geração carpófaga): queda estival – início do Verão,
queda outonal – fins de Agosto a início de Novembro.

Meios de Luta:
Biológica – Bacillus thuringiensis (actua sob a forma de cristais que impedem
as pupas de se alimentarem).
Culturais – Escolher variedades mais resistentes;

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Manter o solo sob a copa livre de infestantes (destruir as pupas que
aí existam).

Químicos – Ver lista DGADR

Traça do Jasmim, Glifodes ou Margarónia – Palpita vitrialis

Sintomas:
Ápices vegetativos dos ramos destruídos;

Biologia:
Passa o Inverno na forma de lagarta e os primeiros adultos surgem nos

princípios da Primavera. O acasalamento é realizado à noite e as fêmeas

colocam os ovos sobre as folhas (até 600 ovos). Inicialmente mantêm-se entre

as 2 epidermes das folhas, mas acaba por romper o limbo e come toda a folha,

deixando apenas a nervura central. A duração do ciclo de vida é de 24 a 40

dias.

Fig. 118 - Traça do Jasmim


Fonte: www.infolivo.com

Factores favoráveis:
Olivais novos de regadio;
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Temperaturas amenas (20 – 30 ºC);
Humidade relativa elevada (> 70 %).

Nível Económico de Ataque:


Olivais jovens - 5% de árvores afectadas;

Estragos:
Ápices vegetativos dos ramos destruídos.

Fig. 119 - Ápices vegetativos dos ramos destruídos.


Fonte: www.infolivo.com

Meios de Luta:
Biológica – a fauna auxiliar não é bem conhecida, mas algumas espécies já
foram catalogadas (dípteros e himenópteros);
Culturais – Manter o solo liso e sem vegetação (principalmente sob a copa).
Químicos – Ver lista DGADR

Cochonilha Negra – Saissetia oleae Olivier

Sintomas:
Ramos parasitados.

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Fig. 120 – Cochonilha adulta
Fonte: www.infolivo.com

Biologia:
Hiberna sob a forma de ninfa de 2º e 3º instar. Os adultos surgem de
Maio a Julho e as posturas realizam-se desde Junho a Agosto. Destes ovos
eclodem as ninfas que podem surgir de Junho a Setembro.

Fig. 121 – Ninfa de cochonilha


Fonte: www.infolivo.com

Factores favoráveis:
Elevada densidade de plantação;
Elevada densidade de folhagem;
Excesso de adubos azotados;
Zonas baixas e sujeitas a neblinas;
Temperaturas amenas e HR elevada.

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Nível Económico de Ataque:
1 Adulto / árvore não parasitado;
Eclosão de todos os ovos.

Fig. 122 – Ramo parasitado


Fonte: www.infolivo.com

Estragos:
Directos – Sucção da seiva; Desvitalização da árvore.
Indirectos – Provocados pela fumagina e das formigas que se desenvolvem às
custas das meladas (açucaradas).

Meios de Luta:
Biológica:

Parasitóides: Coccophagus lycimnia; Coccophagus scutellaris; Metaphycus


flavus; Scutellista nigra.
Predadores: Chilocorus bipustulatus; Exochomus quadripustulatus;
Chrysoperla carnea.

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Fig. 123 – Cochonilhas parasitadas
Fonte: www.infolivo.com

Culturais:

Podas de arejamento;
Fertilizações equilibradas;
Regas adequadas.

Químicos:
Ver lista DGADR

Algodão da Oliveira – Euphyllura olivina Costa

Sintomas:
Teias brancas nos ramos das árvores;

Biologia:
Hiberna sob a forma de adulto, na base dos ramos, nas folhas ou
gomos. No início da Primavera fazem as posturas na face interior das folhas
dos rebentos terminais. As ninfas eclodem passados alguns dias e fixam-se
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nas influrescências, onde formam colónias densas, que segregam uma
substância branca algodonosa. Durante o Verão as ninfas entram em repouso
estival.

Fig. 124 – Ramos infestado com algodão


Fonte: www.infolivo.com

Factores favoráveis:
Temperaturas amenas (20 - 30 ºC);
Humidade relativa elevada (> 70 %).

Nível Económico de Ataque:


4 a 5% de inflorescências com algodão;
10 insectos por inflorescência.

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Estragos:

Sucção da seiva;
Alguma desvitalização da árvore;
Abortamento de flores.

Meios de Luta:

Biológica – Chrysopidae (Neurópteros) e Anthocoridae (Heteróptera).

Químicos – Ver lista DGADR

Tripes – Liothrips oleae Costa

Sintomas:
Deformações nas folhas terminais e nos ramos tenros.

Biologia:
Passa o Inverno no estado adulto refugiado nas galerias deixadas pelo
caruncho. Os adultos na época quente, refugiam-se em fendas na árvore ou
debaixo de folhas no chão, alimentando-se nas horas mais frescas.

Factores favoráveis:
Presença anterior de caruncho;
Olivais plantados a grandes altitudes (acima dos 800 metros).

Nível Económico de Ataque:


>10% de ramos com média de 10 insectos/ folha;

Estragos:
Deformações nas folhas acompanhadas de pequenas manchas concêntricas
mais claras;

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Murchidões nos ramos e raminhos, ocasionalmente pela sucção da seiva;
Crescimento retardado e surgimento de entrenós mais curtos;
Maturação tardia e diminuição da qualidade do azeite.

Meios de Luta:
Culturais – Evitar plantações fortemente regadas e adubadas.
Químicos – Ver lista DGADR

Caruncho da Oliveira ou Gorgulho – Phloeotribus scarabacoides


Bern.

Sintomas:
Queda prematura do fruto;

Biologia:
Passa o Inverno no estado adulto em galerias escavadas nas axilas das
dos ramos, gemas e folhas. No final do Inverno desloca-se com as podas para
a madeira cortada (o insecto é atraído pela libertação de etileno dos ramos a
secar), onde vão acasalar e realizar as posturas.

Factores favoráveis:
Restos de lenhas de podas abandonados no olival;
Temperaturas amenas (20 – 30 ºC);
Humidade relativa elevada (> 70 %).

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Fig. 125 – Ramo atacado com caruncho
Fonte: www.infolivo.com

Nível Económico de Ataque:


Acima de10% de ramos com adultos vivos.

Estragos:
Morte dos ramos produtivos e consequente diminuição da produção;
As galerias servem também de refúgio para outros inimigos da cultura como
sejam os tripes e tuberculose.

Fig. 126 – pormenor das galerias do caruncho


Fonte: www.infolivo.com

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Meios de Luta:

Biológica – Opius concolor (parasitóide)

Culturais – Recolher as madeiras resultantes das podas;


Colocar iscos de madeira debaixo das árvores e queimar antes da
saída dos adultos.

Químicos – Ver lista DGADR

15 – Doenças

Gafa – Gloeosporium olivarum Almeida

Taxonomia:

Classe: Fungi
Subclasse: Deutomicetos
Ordem: Melanconialis
Família: Melanconiáceos
Espécie: Gloesosporium olivarum Almeida

Biologia:
É sem duvida a doença com maior importância nos olivais portugueses.
A partir do micélio formam-se os acérvulos, ou seja, os órgãos de frutificação.
Os acérvulos ao iniciarem a sua maturação, saem por meio de fendas e liberta
os conídios reunidos em massas mucilaginosas de cor rosada a alaranjada.
O período de incubação, que decorre desde a infecção até ao aparecimento
dos sintomas varia entre 6 a 27 dias, em função da temperatura, da humidade
relativa e das condições do olival.
Conservação do inóculo: as fontes de inóculo são os acérvulos existentes
nos frutos mumificados.
A chuva e o vento são os factores responsáveis pela disseminação da doença,
que através da sua actuação provocam uma dispersão dos conídios.
Infecção: o conídio emite o tubo germinativo que penetra através de feridas ou
mesmo através da epiderme no interior do fruto, onde se vai desenvolver o
micélio. Para tal ocorrer é necessário existir uma película de água sobre o fruto,
para se dar a germinação dos conídios.

Olivicultura – Enquadramento e Operações culturais de implantação, condução, manutenção e colheita do olival


Elaborado por: Helena Manuel

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Factores abióticos favoráveis:
- Humidade relativa: 90 a 100%;
- Temperatura: 0 a 30 ºC (óptimo 20 a 25 ºC).

As primeiras chuvas Outonais dissolvem as massas gelatinosas e libertam os


conídios.

Factores bióticos favoráveis:


Os frutos atacados pela mosca, com orifícios de saída são mais sensíveis à
gafa, já que estes são uma excelente porta de entrada para a instalação do
fungo.
Os ataques começam geralmente nos frutos quando estes a mudam de cor
(verde para roxo) e as condições climáticas são favoráveis. Para a germinação
dos esporos é necessária a presença de água e é tanto mais rápida quanto
maior for a temperatura.

Factores favoráveis:

Solos de drenagem difícil;


Humidade relativa elevada;
Ataques de mosca;
Solos argilosos;
Vales.

Sintomatologia:
Consoante os órgãos atacados apresenta os seguintes sintomas:

Frutos: manchas arredondadas, acastanhadas, deprimidas, de aspecto


oleoso que se vão alastrando. Sobre as manchas aparecem massas
gelatinosas de cor rosada a alaranjada (conídios) dispostas concentricamente.
A azeitona fica desidratada, mumificada e acaba por cair.

Fig. 127 – Frutos engelhados e mumificados pela gafa.


Foto: JRRibeiro, 2005.

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Folhas e Ramos: manchas cloróticas amarelo-acastanhado com as
margens pouco definidas.
- Desfoliações;
- Dessecação e morte apical dos ramos.

Fig. 128 – Ramos desfoliados devido ao ataque de gafa.


Foto: JRRibeiro, 2005.

Prejuízos:

Podem ser de dois tipos:

Quantitativos – destruição total ou parcial dos frutos, que caem


facilmente da árvore.
Qualitativo – o azeite obtido é de má qualidade (elevada acidez e sabor
desagradável).

Estimativa de risco e NEA


Observação visual de Setembro /Outubro até à colheita: 10 frutos maduros x 20
árvores
NEA: + de 5% de frutos com sintomas (na variedade galega e variedades
precoces sensíveis à gafa o NEA consiste na existência de condições
climáticas favoráveis ao desenvolvimento do patogéneo).

Protecção Fitossanitária de acordo com a Protecção Integrada

Meios de Luta a utilizar:

Luta Cultural: evitar plantações no fundo dos vales e em solos mal drenados.
Manter o solo limpo de vegetação espontânea e liso. Facilitar
drenagem do solo e arejamento da copa com podas anuais.
Evitar variedades precoces (ex: galega);

Luta Química: os tratamentos são basicamente preventivos, antes das 1ªs


chuvas outonais (meados a fins de Setembro).
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As substâncias activas fungicidas aconselhadas em protecção integrada
para a cultura da oliveira, pela DGADR, não se encontram sujeitas a qualquer
restrição no que diz respeito ao número de aplicações de utilização pelo facto
de esses produtos apresentarem um efeito tóxico neutro ou pouco tóxico sobre
os auxiliares.

Olho de Pavão – Cycloconium oleaginum (Cast.)

Taxonomia:

Classe: Fungi
Subclasse: Deutomicetos
Ordem: Hifales
Família: Demaciiáceos
Espécie: Cycloconium oleaginum (Cast.)

Fig. 129 - Folhas atacadas por Cycloconium oleaginum.


Fonte: www.infolivo.com

Biologia:
O fungo sobrevive nos períodos desfavoráveis, nas folhas caídas e nas
folhas afectadas que permanecem nas árvores, podendo a doença disseminar-
se durante todo o ano, sendo os períodos de maior incidência o Outono/
Invernal e o Inverno / Primaveril.
O seu período de incubação, ou tempo que decorre desde a infecção até
à manifestação dos sintomas pode oscilar entre duas a quinze semanas, em
função da temperatura, humidade relativa e condições do olival.

O ciclo evolutivo do Cycloconium oleaginum tem quatro fases (Cantero,


1965):
- Germinação: necessita de água sobre os esporos e sobre a zona de
penetração, e temperaturas de 8 a 24 ºC;
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Elaborado por: Helena Manuel

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- Infecção: depois da penetração desenvolve-se o micélio do fungo
que cresce inter e intracelularmente nas células epidérmicas. As
primeiras infecções ocorrem com as primeiras chuvas Outonais,
iniciando-se o desenvolvimento da doença a partir dos esporos que
sobrevivem durante o Verão;
- Esporulação: surgem no exterior da folha os órgãos de frutificação
que propagam a doença;
- Disseminação: os esporos dispersam-se quase exclusivamente pela
chuva, pelo que as infecções sucessivas ocorrem preferencialmente
no sentido descendente da árvore e as zonas baixas são as mais
afectadas.

Fig. 130 - Folha atacada por Cycloconium oleaginum.


Fonte: www.infolivo.com

Factores abióticos favoráveis:


- Humidade relativa: 90 a 100%;
- Temperatura: 0 a 27 ºC (óptimo 15 a 20 ºC).

Condições do olival favoráveis:


- Olivais de regadio;
- Compassos apertados;
- Deficientes condições de arejamento;
- Solos ácidos;
- Excesso de adubações azotadas;
- Deficiências de cálcio;
- Idade da folha (mais jovens são mais sensíveis).

Sintomatologia:

Folhas:
- Página superior do limbo: manchas concêntricas de tamanho variável
e de diferentes tonalidades. Quando a doença evolui, as manchas
adquirem uma cor escura ao cobrirem-se de conídios. Mais tarde
quando se dá a libertação dos conídios, as manchas podem ter uma
cor esbranquiçada, devido à separação da cutícula atacada do resto
do tecido.

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Elaborado por: Helena Manuel

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- Página inferior do limbo: manchas acinzentadas de contorno
irregular. Enegrecimento da nervura central.
- Pecíolo: manchas cinzentas alongadas. O ataque no ponto de
inserção do pecíolo com o ramo provoca a queda da folha.

Frutos:
- Epiderme: zonas necrosadas, onde cessa o crescimento originando a
deformação do fruto.
- Pedúnculo: manchas cinzentas alongadas; há interrupção da seiva, o
fruto fica engelhado e seco, mumificado, acabando por cair.

Prejuízos:

Esta doença provoca graves desfoliações, que muitas vezes dá origem a


importantes desequilíbrios fisiológicos da planta, dando origem a fracas
produções.
O ataque no pedúnculo leva à queda prematura dos frutos e
consequentemente a perdas na colheita. As azeitonas infectadas sofrem um
atraso na sua maturação e diminui a quantidade e qualidade do azeite
produzido.
Em olivais jovens o ataque pode provocar a sua morte, o mesmo
sucedendo em viveiros, onde a densidade de plantas é maior, por
consequência, a humidade relativa é mais elevada.

Estimativa de risco e NEA

Inicio vegetativo: Observação visual de 20 folhas x 20 árvores

NEA (variedades sensíveis) – 5-10% de folhas com manchas visíveis


Variedades resistentes – não tratar.

Verão: Dignóstico precoce – colher 200 folhas (5 folhas x 40 árvores, colher


folhas de cada quadrante).

NEA (Variedades sensíveis) – 10% de folhas infectadas;


NEA (variedades resistentes) - > de 30 a 40% de folhas infectadas.

Fim de Verão/Outubro (antes das primeiras chuvas): observação visual de 20


folhas x 20 árvores
NEA (variedades ensíveis) – 10% de folhas com manchas visisveis+latentes
NEA (variedades resistentes) – tratar ao aparecimento das primeiras manchas
esporuladas.

Protecção Fitossanitária de acordo com a Protecção Integrada

Meios de Luta a utilizar:

Luta Cultural: evitar plantações de variedades sensíveis, evitar excessos nas


adubações, efectuar calagens e realizar podas de arejamento
nos locais mais húmidos.
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Luta Química: deve-se efectuar um ou dois tratamentos com produtos cúpricos
(ex: oxicloreto de cobre) entre meados de Setembro e fins de
Novembro, aproveitando-se os tratamentos feitos para controlo
da gafa. No entanto, em situações de muita gravidade, deve-se
efectuar um tratamento primaveril, após o início do período
vegetativo.

As substâncias activas fungicidas aconselhadas em protecção integrada para a


cultura da oliveira, pela DGADR, não se encontram sujeitas a qualquer
restrição no que diz respeito ao número de aplicações de utilização pelo facto
de esses produtos apresentarem um efeito tóxico neutro ou pouco tóxico sobre
os auxiliares.

Para determinar se o NEA foi atingido, nesta doença pode-se efectuar um


diagnóstico precoce que consiste na adopção da seguinte metodologia:

Mergulhar folhas sem sintomas ou com leves sintomas numa solução diluída
de Hidróxido de Sódio (NaOH) ou de Potássio (KOH) a 5%, durante 25 a 35
minutos à temperatura ambiente ou durante 2 a 3 minutos à temperatura de 50
a 60 ºC.

Cercosporiose – Cercospora cladosporioides Sacardo

Taxonomia:

Classe: Fungi
Subclasse: Deutomicetos
Ordem: Hifales
Família: Demaciiáceos
Espécie: Cercospora cladosporioides Sacardo

A cercosporiose encontra-se espalhada por todo o país atacando


principalmente as folhas, confundindo-se muitas vezes com a fumagina.

Biologia:
A infecção ocorre principalmente no Outono, sendo a sua principal fonte
de inóculo as folhas infectadas caídas no solo. Os conídios produzem o micélio
no exterior da folha, indo penetrar no seu interior através dos estomas ou de
feridas. O fungo ataca preferencialmente as folhas jovens que se tenham
desenvolvido na Primavera anterior, e apresenta um ciclo biológico com um
período de incubação de 10 a 15 dias, em que após este prazo as folhas
infectadas apresentam o aspecto típico da doença.

Factores abióticos favoráveis:


- Humidade relativa: 92 a 100%;
- Temperatura: 0 a 30 ºC (óptimo 20 a 25 ºC).
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Sintomatologia:
Esta doença embora ataque principalmente as folhas poderá
eventualmente atacar também os frutos.

Folhas:

- Página inferior do limbo: manchas cinzento plúmbeas dispersas no


início cobrindo pouco a pouco toda a página, tornando-a totalmente
enegrecida, À medida que a infecção progride. Nas manchas
observamos pontuações negras (esclerotos).

- Página superior do limbo: em correspondência com as manchas da


página inferior aparecem áreas amarelecidas, acabando por ficar
totalmente cloróticas.

Frutos:

Manchas circulares de cor castanha avermelhada e de tamanho variável


entre 3 a 15 mm.

Prejuízos:
Provoca forte e anormal desfoliação das oliveiras com a consequente
seca dos ramos jovens, originando uma diminuição de produção e, por vezes
paralisações do desenvolvimento da árvore.
Os frutos atacados caem prematuramente. O ataque compromete o
desenvolvimento das azeitonas e afecta a qualidade do azeite produzido.

Protecção Fitossanitária de acordo com a Protecção Integrada

Meios de Luta a utilizar:

Luta Cultural: eliminação dos focos infecciosos pelo enterramento ou queima


das folhas caídas.

Luta Química: os tratamentos realizados para a gafa combatem também a


cercosporiose, indo portanto aproveitar-se o tratamento para a
gafa no combate à cercosporiose.

As substâncias activas fungicidas aconselhadas em protecção integrada


para a cultura da oliveira, pela DGADR, não se encontram sujeitas a qualquer
restrição no que diz respeito ao número de aplicações de utilização pelo facto
de esses produtos apresentarem um efeito tóxico neutro ou pouco tóxico sobre
os auxiliares.

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Tuberculose da Oliveira – Pseudomonas syringae pv. savastanoi (Smith)

Taxonomia:

Classe: Bacterias
Ordem: Eubacterias
Família: Pseudomonadáceas
Espécie: Pseudomonas savastanoi (Smith)

Biologia:
Esta doença é provocada pela bactéria P. s.pv. savastanoi. É móvel em
forma de bastonete, com 1 a 4 flagelos. Produz um exudado em presença da
água (chuva ou forte humidade), o que lhe permite mobilidade, penetrando em
seguida na planta através de feridas.
Uma vez no interior da planta pode ser transportada pela seiva, e
ocasionar tumores distantes do local de infecção.
Pode também penetrar nos estomas e multiplicar-se, mas neste caso
não ocasiona tumores – fase epifitíca.
A distribuição e a intensidade vão depender das estirpes de P. s.pv.
savastanoi, dependendo também das práticas culturais praticadas
(varejamento e poda que provocam feridas na árvore e aumentam o risco de
infecção).

Fig. 131 - Grande ataque de tuberculose.


Foto: JRRibeiro, 2005.

Factores climáticos favoráveis:


- Granizo;
- Material vegetativo contaminado;
- Instrumentos da poda.

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Sintomatologia:
A doença manifesta-se por tumores ou nodosidades nos raminhos,
ramos e troncos:
No início os tumores, são mais ou menos esféricos, pequenos, de cor
esverdeada, com uma consistência mole e de superfície lisa. Em poucos
meses estes tumores atingem um tamanho considerável (1 a 100 mm)
tornando-se lenhosos, secos, de cor escura, gretados e fendidos, com
cavidades.
Os tumores podem surgir isoladamente ou na forma de rosário ao longo
dos ramos e raramente se apresentam unidos. Sob a acção das geadas
surgem tumores contínuos na face dos ramos expostos às geadas.

Fig. 132 - Ramo atacado por Pseudomonas savastanoi.


Foto: JRRibeiro, 2005.

As infecções nos frutos raramente se verificam, quando aparecem surgem


sob a forma de manchas castanhas, com início nas lentículas, e com 0,5 a
2,5 mm.
A formação de tumores no hospedeiro deve-se à grande quantidade de
ácido indol-acético e citocininas, que a bactéria produz nos espaços
intercelulares da planta hospedeira.

Prejuízos:
As árvores afectadas apresentam um menor vigor, redução no crescimento e
um fruto com sabor amargo e rançoso, o que naturalmente afecta a qualidade
do azeite.

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Protecção Fitossanitária de acordo com a Protecção Integrada
Meios de Luta a utilizar:

Luta Cultural: os tratamentos existentes têm apenas carácter preventivo:

- Utilizar técnicas de colheita da azeitona que não provoquem feridas


na árvore (evitar o uso da técnica do varejamento);
- Evitar a colheita em condições de muita humidade;
- Podar separadamente as árvores sãs e as doentes e efectuar a poda
em tempo seco;
- Desinfectar os utensílios utilizados na poda, com frequência,
recorrendo ao álcool ou hipoclorito de sódio;
- Utilizar Flintcott nas feridas;
- Remover os ramos infectados;
- Utilizar materiais de propagação vegetativa não contaminados.

Luta Química: realizar tratamentos com compostos de cobre, como


preventivos, nomeadamente depois de uma geada ou granizo.

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Considerações finais:

A acção de formação sobre Olivicultura – Enquadramento e Operações


culturais de implantação, condução, manutenção e colheita do olival destina-se
a agricultores, ou futuros agricultores, que desempenham ou pretendem vir a
desempenhar funções nas actividades profissionais de olivicultura.
Os temas que constam deste manual da acção de formação pretendem
criar uma informação de base para a prática da olivicultura, para além disso
permite também a cultura da segurança, prevenção e minimização dos riscos,
sustentabilidade dos ecossistemas, uma vez que se atende sempre às práticas
culturais num contexto de produção integrada. Assim contribui-se para a
segurança, providenciando para que a legislação existente seja cumprida e que
cada um, ao nível da sua intervenção, contribua para a defesa da saúde
pública e da protecção do ambiente.

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Referências Bibliográficas:

- Almeida, F.J.(1950).”Estacas de raiz e raízes aéreas na Oliveira.” Bolm. Nac. Azeite


- Almeida, F.J.(1942)”Organogenia das formações radicíferas da Oliveira Olea
europaea L. Agronomia Lusit
- AMARO, P. (2002). Os conceitos de protecção Integrada e Produção Integrada.
- Battaglini, M (1967) – “Métodos Tradicionales de propagação del Olivo”. Semin.
Oleic. Intern. Perusa - Spoleto
- Caballero, J. M. (1981) –“Multiplicacion del Olivo por Estanquilhado Semileñoso
Bajo Nebulizacion”. Comunicaciones. INIA Ser, Madrid.
- Calado, M. (1992) –“ Reconversão Olivicola”. Instituto Nacional de Investigação
Agrária, Lisboa
- Cerqueira, J.M.C (1983) –“Fruticultura”. 2ª Edição. Colecção Agros, Lisboa
- Costa, J.B. (s/ data) –“Caracterização e constituição do solo”. Fundação Calouste
Gulbenkian.

-Dias e tal.2000. Produção Integrada da Oliveira – Fertilização e outras práticas


culturais. DGPC. Oeiras

- Feio, M.1991.Clima e Agricultura. Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação.


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- Galvão, J. M. (1945) –“Manual do Olivicultor”. 2ª Edição, Biblioteca de Agricultura


Alentejana
- Guerrero, ª (1991) –“A propagação da Oliveira”. Olivicultura n.º 4 – Direcção Geral
de Agricultura, Lisboa

- Trindade, ª F (1984) –“Importância da Olivicultura”. Direcção Geral de Agricultura,


Lisboa

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variedades de Oliveiras cultivadas em Portugal.” Ministério da Agricultura Pesca e
Alimentação, Lisboa

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Lisboa

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Sites:
www.dgadr.min-agricultura.pt
http://www.internationaloliveoil.org/
www.casadoazeite.pt
www.inra.fr
www.infolivo.com
www.fao.org
www.cothn.pt
www.bayercrposcience.com
www.syngenta.pt
www.ecossistemas.com

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