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PSICOMOTRICIDADE

Prof. Me. Roberto Fonseca

GUIA DA
DISCIPLINA
2018
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância

1. CONCEITUAÇÃO

Objetivo:
Compreender o conceito e a importância do estudo da psicomotricidade, da
motricidade, do psiquismo, sua evolução e desenvolvimento por diversos autores através
da história.

Introdução:
Psicomotricidade é uma ciência que gera o equilíbrio biopsicossocial, percebendo o
ser humano sob três perspectivas: a cognitiva, representando a área intelectual, a motora,
referente aos movimentos do corpo e a afetiva, que é a relação do ser humano com os
outros.

A Psicomotricidade tem como objetivo específico estimular potenciais psicomotores,


cognitivos, afetivos e experiências compreendidas pelo cérebro de forma plena e
consciente. Essa consciência corporal ao ser estimulada conjuntamente com reflexão e
criatividade favorece o desenvolvimento de um ser pleno, saudável e feliz.

1.1. Evolução Histórica

A psicomotricidade é uma palavra derivada do termo grego psiché (alma) e do verbo


latino moto (mover). Em suma, psicomotricidade é a capacidade de definir e organizar
mentalmente os movimentos corporais.

O termo psicomotricidade surgiu no século XIX, quando neurologistas começaram a


estudar as zonas do córtex cerebral localizadas distante das regiões motoras com o intuito
de compreender as estruturas cerebrais de forma conjunta à psiquiatras que buscavam
conhecimento acerca de patologias mentais.

Em sequência cronológica, segundo Lussac, a psicomotricidade, segue:


 Época da primeira guerra mundial, com a inserção das mulheres no mercado
de trabalho gerou a necessidade de que crianças permanecessem em creches.
O déficit psicomotor observado a partir desse período, foi estudado pela escola
francesa que influenciou mundialmente no avanço dos estudos referentes a
psiquiatria infantil, psicologia e pedagogia;

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 1909, Dupré: foi de fundamental importância referente ao âmbito psicomotor,


uma vez que ele é quem afirma a “independência da debilidade motora,
antecedente do sintoma psicomotor, de um possível correlato neurológico”.
André Thomas e Saint-Anné Dargassie no mesmo período estudavam o “tônus
axial”;
 1925, Henry Wallon: médico psicólogo, trabalhava na construção do psiquismo,
dando notória importância para o movimento humano, relacionado ao afeto,
emoção, ambiente de convívio, seus hábitos e costumes, ocasionando tônus e
relaxamento;
 1935, Edouard Guilmain: neurologista, desenvolveu um exame psicomotor que
gerasse um diagnóstico, indicação de tratamento e prognóstico;
 1947, Julian de Ajuriaguerra: psiquiatra, defendeu que os transtornos
psicomotores poderiam oscilar entre neurológico e psiquiátrico. No mesmo
período, se embasou nos estudos de Wallon para se aprofundar sobre o
diálogo tônico;
 Na década de 70, diversos autores definiram psicomotricidade como
“motricidade de relação”;
 1977, fundado o Grupo de Atividades Especializadas (GAE): Sendo o
organizador da parte clínica e do Instituto Superior de Psicomotricidade e
Educação (ISPE), cuja finalidade é a formação de profissionais especializados
em psicomotricidade nas áreas de saúde e educação;
 1979, 1º Encontro Nacional de Psicomotricidade e a partir deste, o GAE seguiu
promovendo a partir de 1980 diversos encontros nacionais e latino-americanos;
 1980, foi fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP), entidade
sem fins lucrativos, destinada a regulamentação de profissionais de
psicomotricidade, organizando congressos, encontros científicos, eventos e
cursos;
 1982, ISPE-GAE: através da Delegação Brasileira da Organisation
Internationale de Psychomotricité et de Relaxation (OIPR), realizou o vínculo
científico-cultural com a Escola Francesa.

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Iniciou-se uma nova visão sobre a psicomotricidade, vendo o corpo de forma


holística, dando maior importância as relações, a afetividade e ao emocional do
indivíduo. Para o profissional que trabalha com psicomotricidade, o indivíduo
não é apenas uma ligação entre psico e o soma e nem um conjunto de suas
inclinações, e sim observado dentro de uma globalidade (SBP,2003) e (ISPE-GAE,
2007).

1.2. Conceito

O conceito da psicomotricidade é vasto para que haja uma definição precisa e


definitiva, sendo a junção da concepção neurofisiológica e psicanalítica do ser humano
(LAPÍERRE, 1982).

Psicomotricidade pode ser definida como uma ciência em que faz o estudo do homem
baseando-se em seu corpo em movimento em relação ao mundo interno e externo,
percebendo o ser sob três perspectivas: a cognitiva, representando a área intelectual, a
motora, referente aos movimentos do corpo e a afetiva, que é a relação do ser humano com
os outros.

A psicomotricidade vem a possibilitar um meio de convívio onde estimule o ser durante


seu processo evolutivo, disponibilizando suporte para o desenvolvimento intelectual, com
conotação na parte motora e cognitiva, usando os movimentos para atingir objetivos
específicos com relação a aprendizagem, diminuindo as limitações psicomotoras que
possam surgir ao longo do tempo.

Vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “O que é PSICOMOTRICIDADE?


Entenda o conceito de psicomotricidade NeuroSaber”. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=wIHiCBVesX8

Na psicomotricidade o movimento é resultante de vários componentes que formam o


ser

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COGNITIVO

AFETIVO
MOVIMENTO
SOCIAL

MOTOR

Dentro de um âmbito geral, a psicomotricidade tem variadas definições de acordo com


certas instituições e/ou autores. Ajuriaguerra, conceitua como ciência da Saúde e da
Educação, uma vez que visa a “representação e a expressão motora, através da utilização
psíquica e mental do indivíduo” (AJURIAGUERRA apud LUSSAC, 2008).

Para a ISPE-GAE (2007 apud LUSSAC, 2008) a definição se conceitua em “[...]


neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que
coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento
e aprendizado. ” Em suma, a psicomotricidade é a forma de expressão corporal do ser que
se manifesta do intangível para o tangível.

“A Psicomotricidade como ciência, é entendida como o campo transdisciplinar que


estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas, entre o
psiquismo e o corpo, e, entre o psiquismo e a motricidade, emergentes da
personalidade total, singular e evolutiva que caracteriza o ser humano, nas suas
múltiplas e complexas manifestações biopsicossociais, afetivo-emocionais e psico
sóciocognitivas. ” (FONSECA, 2010)

Nesse sentido, o psiquismo pode ser definido pelos fatores do funcionamento mental,
ou seja, engloba as sensações, percepções, campo visual, emoções, afetos, medos,
sonhos, fantasias, perspectivas, representações, símbolos, conceitos e preconceitos,
dentro de suas relações sociais, favorecendo a atenção e integração multissensorial,
controlando a execução motora. O estimulo do psiquismo está ligado a diversas
substâncias neurológicas advindas de origem filogenética, dentro de um âmbito
sociogenético, sendo submetido a uma neuroplasticidade, no desenvolvimento ao longo da

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ontogênese, tendendo a decriptar-se no processo inevitável do desgaste fisiológico ao


longo do tempo. (FONSECA, 2008)

Nesse contexto, a motricidade é representada como a agregação de representações


mentais e corporais, envolvendo o tônus muscular, somática e postural que facilitam o
desempenho das funções psíquicas. Portanto, a motricidade depende de motivações do
meio que está inserido, variando de acordo com os estímulos recebidos, associado aos
aspectos psicológicos ocasionando ação única entre os seres vivos (FONSECA, 2008).

Durante o desenvolvimento do homem (filogénese e sociogénese), da criança e


do jovem (ontogénese), a motricidade possibilita a continuidade da espécie em
suas diversas expressões, tais como a tecnologia, a arte, as variáveis formas de
manifestações do pensamento (fala e escrita), favorecendo um prognóstico
positivo para a evolução da espécie.

Seguindo o contexto de Fonseca (2008), a psicomotricidade, tem como objetivo básico


a análise da unidade e da diversidade humana, através do contexto funcional, ou
disfuncional, entre o psiquismo e a motricidade, nas diversas ocorrências biopsicossociais
e nas suas múltiplas expressões, englobando simultaneamente, “a investigação, a
observação e a intervenção ao nível das suas dissociações, desconexões, perturbações ou
transtornos ao longo do processo do desenvolvimento.”

Em suma, o conceito da psicomotricidade visa fundir a motricidade e o psiquismo


humano, revelando a unidade, diversidade e complexidade do ser.

Destacado por Le Boulch, nota-se a importância de a psicomotricidade ser implantada


na escola nas séries iniciais:

A educação psicomotora deve ser enfatizada e iniciada na escola primária. Ela


condiciona todos os aprendizados pré-escolares e escolares; leva a criança a tomar
consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, a dominar o tempo,
a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos, ao mesmo
tempo em que desenvolve a inteligência. Deve ser praticada desde a mais tenra
idade, conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações, difíceis de
corrigir quando já estruturadas. (LE BOULCH, 1984, p. 24).

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Nos parâmetros da psicomotricidade, a motricidade é vista como um complexo de


expressões corporais, verbais e não verbais, gestuais e motoras de caráter tônico-
emocional, postural e somático, que fornecem sustentação ao psiquismo humano,
fornecendo um funcionamento mental total. Enquanto que o psiquismo é entendido como o
funcionamento mental, fornecido pelas diversas sensações, percepções e emoções,
gerando comportamento interpessoal intencional e inteligível, sendo exclusivo do ser
humano.

Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “Aspectos Básicos da


PSICOMOTRICIDADE - NeuroSaber” dos 17 minutos até 1 hora e 03 minutos”.
Disponívem em:

https://www.youtube.com/watch?v=6BdRrepK_IA

1.3. Elementos Psicomotores

O movimento é um componente integrante do ser humano. Para que uma evolução


completa, é necessário que haja profissionais psicomotristas qualificados, que a
conceituem como ciência que engloba toda a ação executada pelo indivíduo, que retrate
suas carências e possibilite suas ligações interpessoais (SANTOS; CAVALARI, 2010). O
movimento pode ser visto como realização intencional, representando e originando seus
desejos, portanto, deve-se dar atenção não apenas ao tangível, mas também,
imprescindivelmente, ao intangível como expressão da personalidade (FONSECA, 1988).

Não há movimentos sem intenção e nem coordenação motora na ausência do


equilíbrio (KLEMPER, 2013). Os elementos básicos da psicomotricidade podem ser
definidos em: equilíbrio, tônus, lateralidade, esquema corporal (imagem corporal),
estruturação espaço-temporal, coordenação motora global, coordenação motora fina.

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Praxia fina

Praxia global

Estruturação espaço-temporal

Esquema corporal

Lateralização

Tônus e equilíbrio

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2. ELEMENTOS BÁSICOS DA PSICOMOTRICIDADE

Objetivo:
Compreender os padrões de elementos psicomotores, os movimentos, as fases e
estágios básicos referentes ao tônus, equilíbrio, lateralização, esquema corporal,
estruturação espaço-temporal, coordenação motora global e coordenação motora fina, afim
de trabalhar no processo de desenvolvimento psicomotor e saber identificar os mesmos em
casos atípicos.

Introdução:
A evolução do desenvolvimento motor é um processo que tem mudanças
comportamentais desde a concepção até a morte, possibilitando análises de uma
determinada ordem e coerência no aglomerado de mudanças, permitindo assim, a
identificação de sequências. Essas determinadas sequências podem oscilar de acordo com
as limitações, destrezas e experiências de cada indivíduo, no entanto, a sua ordem
cronológica sempre será invariável (SOUZA, 2012).

A psicomotricidade incorpora uma comunicação não verbal, na qual o profissional


psicomotrista observa e redireciona o paciente em questão a condutas adequadas,
ocasionadas por problemas de maturação psicomotora, aprendizagem, comportamental ou
psicoafetivo (PEREIRA; RODRIGUES).

Saber identificar, os padrões de movimentações, as fases e estágios dos elementos


da psicomotricidade é de suma importância para o trabalho pedagogo, uma vez que a cada
atividade desenvolvida acerca dos alunos é possível trabalhar experiências e vivencias
aprimorando suas habilidades motoras, cognitivas e afetivas.

2.1. Tônus

O tônus é a união das informações recebida pelos sentidos, pelas emoções,


pensamentos e atividades biológicas, sendo sua atuação de extrema importância para o
corpo e mente. Segundo Le Boulch (1992) “o tônus muscular é a atividade primitiva e
permanente do musculo; além de traduzir a vivência emocional do organismo, é o alicerce
das atividades práxicas”. Para a psicomotricidade, ele é o canal de comunicação,
estabelecendo diálogo tônico especifico para expressão dos contatos corporais, para a voz
e para o sistema respiratório (ALEXANDER, 1983).

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Através da propriocepção e do sistema motor, a eutonia produz conexões


neurológicas, passando a agir diretamente na plasticidade neural, potencializando a
criatividade e proporcionando o aumento do intelecto e a inserção com o meio ambiente.
Na eutonia, a definição de tônus muscular é imprescindível, adquirindo um sentido próprio.
O tônus age constantemente no corpo-mente do indivíduo, ele atua na matéria corporal
agindo em toda as regiões musculoesqueléticos (ALEXANDER, 1983).

O tônus muscular é o encarregado pelas ações, é o sustento da postura corporal,


respondendo de forma adequada a força da gravidade respondendo a ação corporal. Ele
se associa a emoção e a cognição junto com as informações recebidas intra e extra
corporal, como definido por Fonseca (2009):

O tônus garante, como consequência, as atitudes, as posturas e a mimica. A sua


regulação complexa [...] é dependente das emoções e do controle afetivo e constitui
um dos meios de preparação da representação mental. A ele, estão ligados os
diferentes tipos de hipertonicidade em relação próxima com a organizaç ão
progressiva do sistema nervoso central. O tônus tem um papel muito importante na
tomada de consciência de si e na edificação do conhecimento do mundo e do outro.
(FONSECA, 2009, p. 192).

O tônus existe em todos os músculos corporais e quando ele está em distonia ou uma
fixação de tônus, originam-se desconfortos e/ou dores. Essas fixações ocorrem por tônus
baixo ou tônus alto (hipotonia ou hipertonia), que são tensões musculares relacionadas a
emoções, pensamento e condicionamentos, reconhecidos pela a postura e forma de
movimento. (ALEXANDER, 1983).

As alterações do tônus muscular podem ser definidas em:

 Hiperextensividade;
 Pouca ou nenhuma resistência ao movimento
Hipotonia  Coordenação da preensão;
(Baixo tônus  Menor gasto de energia;
muscular)  Movimentos mais soltos, leves e coordenados;
 Distúrbios da fala;
 Fraqueza muscular;
 Postura incorreta.

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Pode ser encontrada em alguns distúrbios neurológicos tais quais:


 Paralisia cerebral;
 AVC (fase aguda);

Hipertonia  Síndrome de Down;

(Alto tônus  Síndrome de Prader-Willi;


muscular)  Doença de Tay-Sachs;
 Trissomia do 13.
 Resistência aumentada ao movimento passivo;
 Padrões esteriótipos;
 Hiperextensibilidade;
 Marcha e conquista do espaço;
 Alta tensão muscular;
 Excessiva mobilidade;
 Mais coléricas e menos fixadas aos pais.

Pode ser encontrada em alguns distúrbios neurológicos tais quais:


 AVC (fase crônica);
 Parkinson;

 Assistir o vídeo “Tônus Muscular: Hipotonia e Hipertonia” do canal do


YouTube “FisioSlides”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=ajGnYrMacUU

2.2. Equilíbrio

Equilíbrio é a habilidade de associar o domínio da gravidade e controle postural, está


diretamente relacionado com o desenvolvimento da locomoção. É determinado por uma
característica sensorial-motora que tem como premissa harmonizar o campo visual e
manter a postura ereta, acontecendo de maneira inconsciente sendo atuado por
mecanismos sensoriais e reflexos (BARBOSA; MALT, 2007).

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Segundo Melo (et al, 2017), “o equilíbrio corporal consiste na manutenção do centro
de gravidade dentro da base de suporte dos pés e pode apresentar-se como estático ou
dinâmico. Está incorporada a primeira unidade neurofuncional, envolve neurologicamente
o tronco cerebral, o cerebelo e o gânglios de base.

O equilíbrio pode ser categorizado por equilíbrio estático e dinâmico (ALVES, 2008).
No estático, as bases mantem-se fixa e o centro de gravidade em movimento, enquanto
que no dinâmico a base fica em constante movimento e o centro de gravidade não se alinha
a base durante os movimentos (MELO; et al, 2017). Em suma, o equilíbrio possibilita que o
corpo se sustente imóvel de maneira estável ou de maneira precisa.

O equilíbrio se constitui pelos seguintes segmentos:


 Proprioceptivo: os pés, as articulações e no pescoço, possuem receptores
que produzem informações acerca do estado do corpo (parado ou em
movimento);
 Vestibular: é estruturado por três canais semicirculares, o vestíbulo, o sáculo
e o utrículo que são repletos de fluido e se localizam dentro do osso temporal,
são algumas das estruturas que compõem o ouvido interno. Conforme nos
movemos o fluido também se movimenta e é enviado mensagens ao cérebro
nos posicionando a cada movimento;
 Visual: O sentido visual para o homem é de suma importância para o controle
do equilíbrio, postura e propriocepção, uma vez que é instrumento de
desenvolvimento de pensamentos e de comunicação. A visão desempenha
função reguladora do tônus muscular e monitora outras vias sensoriais tais
quais a auditiva, labiríntica, coclear e proprioceptiva, que são a base sensório-
motora (BARBOSA; MALT, 2007)
O controle do equilíbrio e da postura deriva desses três sistemas, uma vez
que estes “interligam os núcleos do tronco encefálico sob coordenação do
cerebelo” Essas informações são processadas e organizadas pelo sistema
nervoso central que também é o encarregado de planejar o ato motor e assim
as execuções motoras se condicionem corretamente. (BARBOSA; MALT,
2007).

Para que haja o equilíbrio corporal do indivíduo, é necessário a integridade e


funcionabilidade do sistema vestibular. O sistema vestíbulo-coclear possui função dupla, a

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cóclea é responsável por funções auditivas enquanto que o sistema vestibular, pelo
equilíbrio do corpo, sendo a capacidade de ouvir um segmento secundário, uma vez que a
responsabilidade primeira e principal do órgão auditivo é a capacitação do equilíbrio
corporal. Todavia, quando há um distúrbios e/ou limitações no sistema vestibular, o
equilíbrio corporal pode ser prejudicado. O sistema vestibular e a cóclea são
anatomicamente muito próximos e podem ser prejudicados por um mesmo agente nocivo.
Os distúrbios vestibulares podem afetar a aquisição de habilidades neuromotoras, ou
interferir na integração sensorial, ou seja, crianças com distúrbios nesse campo, podem ter
sensação de desequilíbrio, dificuldade na marcha e apresentar ocorrências de quedas.
(MELO et al, 2007).

O equilíbrio é a sustentação imprescindível de todo o movimento corporal


(ROSA, 2002). Não há possibilidade de movimento sem ação, assim como não
há coordenação sem equilíbrio corporal, favorecendo um melhor suporte ao
homem no meio em que vive (ALVES, 2008).

2.3. Lateralização (Lateralidade)

A lateralidade é caracterizada pela propensão neurológica que se tem por um lado ou


outro do corpo, referentes as percepções das mãos, pés, olhos e ouvidos. Durante o
desenvolvimento da criança, a lateralidade se estabelece naturalmente, e por vezes,
também, sendo influenciado por fatores sociais.

A lateralidade está diretamente relacionada a todos os níveis do processo de


aprendizagem, mas se situa definitivamente por volta nos anos escolares iniciais (BELL,
2005; COSTE, 1992). Durante essa fase, o esquema corporal do indivíduo e a organização
espacial não depende da estrutura de seu próprio corpo, possibilitando que a criança gere
a habilidade de interpretar as relações entre noções espaciais, desde fatores externos à
fatores de seu próprio corpo (MACEDO, ANDREUCCI & MONTELLI, 2004), assim, a
criança gera as relações referentes a noção espacial com objetos, símbolos, imagens.
Quando há alterações no entendimento e compreensão dessas noções, tem maior
probabilidade de manifestar déficits no traçado e na junção de letras e números,
provocando quadros como de dislexia e discalculia (ROMERO, 1988).

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A lateralidade constitui um processo essencial às relações entre a motricidade e a


organização psíquica inter-sensorial. Representa a conscientização integrada e
simbolicamente interiorizada dos dois lados do corpo, lado esquerdo e lado direito,
o que pressupõe a noção da linha média do corpo. Desse radar vão decorrer, então,
as relações que pressupõe a noção da linha média do corpo. Desse radar vão
decorrer, então, as relações de orientação face aos objetos, às imagens e aos
símbolos, razão pela qual a lateralização vai interferir nas aprendizagens escolares
de uma maneira decisiva. (FONSECA, 1989. p. 69)

A lateralização se define por indivíduos destros – tem maior facilidade de destreza


com o lado direito do corpo -, indivíduos canhotos – maior facilidade com o lado esquerdo
- e os ambidestros que utilizam os dois lados com a mesma habilidade.

A lateralidade cruzada, refere-se à preferência do indivíduo pela utilização da mão


de um determinado lado do corpo, enquanto os pés e olhos do lado oposto. A lateralidade
indefinida é o termo usado para crianças que ainda não estipularam sua preferência de
lados. Algumas das dificuldades de aprendizado se originam pelo fator de crianças que não
definiram sua lateralidade ou que são canhotas, mas foram obrigadas a desenvolver a mão
direita, surgindo déficits como disgrafia, má orientação espacial na folha e a postura para
escrever.

 Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “#16 Psicomotricidade –


O que é dominância lateral? – Live NeuroSaber” a partir dos 09 minutos e
30 segundos. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=JE2cgerXouc

2.4. Noção de corpo ou esquema corporal

Esquema corporal pode ser compreendido como a entidade psicomotora de base. É


o entendimento acerca se seu próprio corpo e de suas partes, possibilitando que o indivíduo
estabeleça relações com objetos, pessoas e meio que está inserido. As noções
proprioceptivas ou cinestésicas, são as que estruturam esse conhecimento em relação ao
corpo que, conforme cresce, ocorrem mudanças nesse esquema corporal.

A definição de esquema corporal segundo Fonseca (1995) é:


 É a interpretação coletiva que a criança tem de seu devido corpo;

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 É componente básico e imprescindível para o desenvolvimento individual, ou


seja, da personalidade do indivíduo;
 O esquema corporal é a representação do corpo, gerada na mente, isto é, a
forma pelo qual o corpo se mostra para nós;
 Por meio das referências auditivas, visuais, cinestésicas, táteis, e vestibulares
reunidos no cérebro, o corpo produz o estruturamento da memorização de
ajustamento corporal estático e dinâmico.

O esquema corporal pode ser visto como um conhecimento imediato que temos do
nosso corpo, na relação de suas diversas partes entre si. A imagem do corpo (esquema
corporal), corresponde a um conjunto funcional, retrata o equilíbrio entre as funções
psicomotoras e sua maturidade. As etapas do esquema corporal são segundo Le Boulch
(1981) são “Corpo Vivido”, “Corpo Descoberto” e “Corpo Representado”.

A etapa do corpo vivido corresponde da fase neonatal até os 3 anos de idade, onde
a conduta motora é global e sua consequência emocional ainda não é bem controlada. O
bebe sente-se parte do meio ambiente e conforme ele cresce, ocorre o amadurecimento do
seu sistema nervoso, ampliando suas experiências e progressivamente diferenciando o
meio que está inserido. Nesse período há grande influência do adulto para com a criança,
gerando imitações de ações e falas e aos 3 anos, a consciência do “eu” é constituída
baseando-se nas práxis globais e na influência recebida pelos adultos. Nessa fase a criança
tem extrema necessidade de movimentação, porque, a partir disso, começa a ter
conhecimento acerca de seu corpo, assim aumentando sua capacidade motora. Apesar da
criança começar e ter maior compreensão acerca da totalidade seu corpo, ela não tem
pleno domínio de seus movimentos (LEBOULCH, 1981).

A etapa do Corpo percebido acontece entre os 3 e os 7 anos de idade, corresponde


como a possibilidade de realocar a atenção do meio ambiente para o próprio corpo,
tomando a consciência do mesmo, ou seja, é onde a perspectiva se reporta a compreensão
do corpo próprio, colocando em questão a função de interiorização e percepção dos
agentes externos, propiciando uma nova forma de atenção perceptiva do espaço e de si
mesmo, propiciando um maior domínio do seu corpo. Com isso, a criança passa a melhorar
o desempenho de seus movimentos adquirindo maior coordenação motora. O corpo torna -
se referência geoespacial para situar a si mesmo e objetos, a criança passa a assimilar
alguns conceitos tais como “embaixo e acima”, “direita e esquerda”, começa a ter

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consciência de noções temporais e de ordem de sucessão. Nessa fase, deve-se ser


trabalhado a percepção espacial e a associação da verbalização. À final etapa, o indivíduo
pode ser caracterizado como pré-operatório, ou seja, ele está inserido à noção num espaço
em parte representado, porém, ainda é centralizado em seu próprio corpo (LEBOULCH,
1981).

A etapa do Corpo representado origina-se dos 7 aos 12 anos de idade, a criança,


progressivamente, passa a desempenhar de forma mais consciente a sua própria
motricidade. No início dessa etapa a imagem do corpo se restringe apenas a uma forma
reprodutora, a criança só passa a ter consciência de uma imagem mental do corpo em
movimento após os 10/12 anos, onde a imagem do corpo torna-se antecipatória, devido a
evolução das funções cognitivas. A partir dessa fase, o indivíduo passa a ter os pontos de
referência não mais centralizados no próprio corpo, mas sim, levando em consideração os
agentes externos, podendo ter discernimento para criar seus próprios pontos de referência
que irão orientá-lo (LEBOULCH, 1981).

2.5. Estruturação espaço-temporal

A organização espaço-temporal tem como definição a capacidade de se orientar


diante de um espaço físico e relacionar a proximidades das coisas entre si. Ela se refere
aos sentidos de perto e longe, em cima e embaixo, dentro e fora, etc. Relacionado ao
movimento, a psicomotricidade necessita a associação de espaço e tempo
associadamente, para que desencadeie ações no espaço físico com determinada
sequência temporal (MELLO, 1989). A utilização da psicomotricidade irá construir um
conhecimento acerca de seu corpo e das probabilidades de expressão por meio dele,
inserido em seu tempo e espaço.

A estrutura espaço-temporal tem por premissa a capacidade do indivíduo de se


orientar da sucessão de acontecimentos em determinado tempo. É a capacidade de notar
intervalos e renovações cíclicas de períodos.

É de suma importância para o aprendizado de uma criança, uma vez que para ela
aprender a ler, há a necessidade de domínio de ritmo, sucessão de sons no tempo,
diferenciação de sons, memória auditiva e duração dos tons e sons das palavras.

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A estruturação espaço-temporal da criança é construída aos poucos e só será


plenamente desenvolvida quando estiver com a maturidade cognitiva mais desenvolvida.
Essa evolução ocorre lentamente, iniciando-se com suas expressões corpórea, ajustando-
se ao meio em que vive, e, posteriormente, inicia-se as noções de ordem, sucessão,
duração e alternância entre ações e objetos (EMMEL; FIGUEIREDO, 2011).

É experienciada através do movimento, de forma


Simultaneidade
motora.

A sequência é representada pela disposição dos


Ordem e acontecimentos em um determinado período de tempo,
sequência de forma que as relações temporais e a ordem
cronológica evidenciam-se.

Os acontecimentos acontecem em intervalos de


Duração dos
intervalos tempo, apresentam duração estabelecida e envolvem
aprendizados de hora, minuto e segundo
Renovação cíclica é a percepção do indivíduo acerca
Renovação
do período diário – manhã, tarde e noite -, semanas,
cíclica de
meses, anos, estações.
certos

O ritmo determina a noção de ordem, de duração, de


Ritmo
sucessão e de alternância. Pode ser distinguido em três
modelos: motor, auditivo e visual.

A estruturação espaço-temporal advém da motricidade, onde há interação com


os objetos iseridos ao seu acesso, associados ao tônus muscular, equilíbrio,
lateralização e noção corporal do indivíduo (FONSECA, 1995).

A noção espaço-temporal auxilia a criança na percepção de direita e esquerda,


facilitando o aprendizado para leitura e escrita. A falta de noção espacial, pode gerar no
aluno desmotivação e desinteresse, dificultando o processo de aprendizado (LE BOULCH,

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1987). A estrutura espacial é a habilidade de mensurar o tempo de uma ação, sistematizar


seu próprio ritmo, saber determinar o presente em relação ao passado, o antes e o depois,
saber diferenciar o rápido do lento, é distinguir o instante do tempo em relação ao outro
(FREIRE, 1999).

 Assistir video do psicomotricista, Professor Lino Azevedo Junior


“Psicomotricidade: O que é percepção temporal? ”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=B-MubUT0qmg

2.6. Coordenação motora global ou práxia global

A coordenação motora global é a simultaneidade do trabalho de grupos musculares


selecionados com a finalidade de realização de movimentos conscientes. É a interação
entre o sistema muscular, o sistema nervoso e o sensorial, com o objetivo de gerar ações
motoras equilibradas e reações rápidas. A coordenação motora global depende da
intensidade da habilidade do indivíduo acerca de seu equilíbrio na postura corporal. Este
equilíbrio é dependente dos sentidos proprioceptivos, cenestésicos e labirínticos.

O processo de desenvolvimento motor infantil é inserido dentro do contexto global de


evolução da criança. O desenvolvimento motor infantil pode ser dividido em quatro fases,
sendo a primeira o sensório-motor, de 0 a 2 anos, onde os movimentos são gerados a
partir de reflexos que o neonatal aperfeiçoa com treino e estimulo ao longo do tempo,
quando ele percebe que consegue atingir os objetivos mais distantes se utilizar de
movimentos coordenados. A segunda fase, pré-operatório, se estabelece dos 2 aos 7/8
anos, derivada da socialização da criança, que embora ainda possua limitações de
coordenação motora, vinda da falta de experiências. A terceira fase, operacional concreta,
se instaura dos 7/8 a 11/12 anos de idade, que se instala quando surge a necessidade do
contato intelectual e a criança percebe as relações de causa/efeito do meio que está
inserido; meio/fim de falas e ações e as sequências das ideias baseiam-se em mais de um
ponto de vista. A quarta e última fase é a das operações formais, acontece a partir dos 12
anos de idade, onde se forma o pensamento abstrato (PIAGET apud BOCK et al., 2002).

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Segundo Piaget, o estágio sensório-motor, descrito por Piaget, pode ser subdividido
em seis partes:
1º - 0 a 1 mês de vida: o neonato se limita apenas ao aparelho reflexo inato,
usando o mínimo de movimentos que só são acessados quando recebem
estímulos que geram reflexos;
2º - De 1 a 4 meses de vida: o bebê começa o processo de assimilação
funcional, iniciando as intenções de movimentos circulares do corpo.
Conforme há repetição, o esquema motor vai se desenvolvendo e
consolidando.
3º - De 4 a 8 meses de vida: o bebê desenvolve ações circulares
secundárias, tendendo a prolongar ou reproduzir o que acha interessante;
4º - De 8 a 12 meses de vida: o bebê promove seus movimentos de forma
intencional, promovendo meios para que ele alcance seu objetivo com
coordenação. Brinca de procurar objetos e imita trejeitos de adultos.
5º - De 12 a 18 meses de vida: ele desenvolve novas formas de alcançar
seus objetivos, embora seu campo visual ainda esteja limitado baseado e
sua posição corporal.
6º - De 18 a 24 meses de vida: ele já cria novos movimentos brincando com
objetos no plano motor.

A evolução do desenvolvimento motor acontece de maneira constante e é alterada


durante toda a vida. A cada fase esse desenvolvimento manifesta movimentos com
peculiaridades específicas e com certos comportamentos motores, ou seja, a cada
movimento conquistado influencia o anterior.

A coordenação motora global pode ser avaliada acerca de três perspectivas:


 Biomecânico: é a forma regular dos estímulos de força no movimento
motor em relação a diversas direções;
 Fisiológico: são os procedimentos que estabelecem os movimentos de
contração muscular
 Pedagógico: é o que organiza as fases de movimento e o aprendizado à
novas habilidades.

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O Incentivar a coordenação motora global, é desenvolver e conscie ntizar o


indivíduo das atividades de seus músculos principais e seu esquema corporal,
para que ele possa utilizar o corpo coordenadamente e harmonicamente
dominando o conhecimento de seu próprio corpo e da sua força muscular.

2.7. Coordenação motora fina ou praxia fina

A coordenação motora fina, ou praxia fina, é a capacidade de promover movimentos


coordenados usando seletos grupos musculares das extremidades do corpo (ANDRADE,
2013). O desenvolvimento dessa coordenação só é completo quando as mãos puderem ser
usadas em atividade de preensão, desenvolvendo-se do lado cubital ao radial no antebraço.
Tornando-se mais dominante gradativamente desenvolvendo a pinça entre o polegar e o
indicador e posteriormente mais madura, é a postura “tripé dinâmica” - escrever, pintar, etc.
(DOWNIE, 1987).
A coordenação visomotora é um processo de ação em que existe coincidência entre
o ato motor e uma estimulação visual percebida. Esse tipo de dinamismo soment e
pode dar-se em indivíduos videntes. Os não videntes transferem as percepções
visuais por outros meios de informação: guias sonoros outorgados pela explicação
verbal, pelas percepções táteis, entre outros, os quais lhes outorgam dados sobre
os quais elaboram a coordenação dinâmica necessária. (ROSA NETO, 2002, p. 15)

A escrita é uma atividade motora comum que exige o concurso de alguns músculos e
articulações do membro superior direito e/ou esquerdo, conjuntamente com a função dos
músculos oculares e visão. A coordenação tende a evoluir através do desenvolvimento
motor da criança e seu aprendizado.

Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “5 dicas de como trabalhar a


coordenação motora fina. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=C7mSh6RwJBk

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3. OBSERVAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E AS


DEFICIÊNCIAS FÍSICO MOTORAS

Objetivo:
Conhecer e identificar os padrões de desenvolvimento psicomotor e o conceito de
deficiente físico motor e a correlação com a psicomotricidade para que haja melhor
desempenho no processo de aprendizagem dos educandos.

Introdução:
A psicomotricidade deve-se ser estudada e investigada em três pilares fundamentais,
o multicomponencial, o multiexperiencial e o multicontextual. O multicomponencial,
integra as Ciências Biológicas, Humanas e Sociais de forma transdisciplinares e
biopsicossociais. O multiexperiencial, estuda e pesquisa a motricidade no
desenvolvimento e na ausência dele, desde o neonatal ao idoso, sadio ou portador de
qualquer patologia. Por fim, o multicontextual, que tem como objetivo a aplicação de seu
conhecimento, capacidade e competências no meio onde vive, ou seja, desde creches,
escolas, âmbito profissional, familiar e em sua comunidade em todas as fases da vida
(FONSECA, 2010).

As ligações definidas, no processo de evolução motor infantil, entendem-se a partir de


um procedimento sequencial e continuo proporcional e previsto para cada idade
cronológica, levando em consideração que as habilidades motoras partem de elementos
rudimentares e desconexos para organizados e complexos. Deve-se ter em vista o modelo
físico e estrutural, o ambiente e a tarefa a ser apreendida pelo indivíduo como fator
primordial na conquista de diferentes habilidades motoras tanto quanto o seu refinamento.
(HAYWOOD; GETCHELL, 2004).

O movimento psicomotor ocorre na sequência céfalo-caudal, próximo-distal, pré-


estabelecido genéticamente onde cada ser responde aos estímulos em seu tempo
especifico de acordo com o que lhe é oferecido e assimilado, fornecendo o equilíbrio. Esse
desenvolvimento psicomotor é variável de acordo com a genética, as tarefas e o ambiente
em seu entorno tanto quanto qualquer patologia a que esteja sujeito, desnutrição derivada
de baixa renda, falta de educação familiar ou ao fato de nascer prematuro, podendo
acarretar um diferencial na sua evolução motora, no caso um atraso.

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De acordo com o descrito pelo Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999,


o conceito de deficiência físico-motora (DFM) ou deficiência física não sensorial é:

Uma alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano,


acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de
paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tretraparesia,
triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro,
paralisia cerebral, membros com deformidades congênitas ou adquiridas, exceto as
deformidades estéticas e as que não produzam dificuldade para desempenho de
funções.

A psicomotricidade é de primordial importância para o deficiente fisio-motor, uma vez


que favorece o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo, ampliando a capacidade do
indivíduo de autonomia, de liberdade de expressão, de percepção e socialização

3.1. Observação do desenvolvimento motor


O comportamento motor tem como definição a área de entendimento que engloba
os campos de estudo do desenvolvimento motor, de aprendizagem motora e do
controle motor. As mudanças que acontecem no movimento do indivíduo ao longo de sua
vida são denominadas desenvolvimento motor. A aprendizagem motora investiga os
processos implicados na obtenção de novas habilidades de movimento e as causas que as
geram. O controle motor analisa como o sistema nervoso central (SNC) se organiza para
coordenar e monitorar os movimentos (ISRAEL; BERTOLDI, 2010).

Comportamento
motor

Aprendizagem Controle
motora Desenvolvimento motor
motor

A sequência de Harrow (1983), foi baseada no progresso do desenvolvimento motor


onde elencou-se:
 Movimentos reflexos: relaciona-se aos reflexos automáticos e
involuntários que são percebidos nos neonatos, gerando,
progressivamente, uma interação dele com o meio.

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 Habilidades básicas: está relacionada aos movimentos voluntários


pertencentes ao andar e aquisição em diferentes situações,
possibilitando tarefas complexas como deambular, correr, pular,
arremessar, chutar, etc.;

 Habilidades perceptivas: atividades motoras recebidas através de


estímulos levados aos centros cerebrais superiores que permitem ao
indivíduo tomar decisões como resposta;

 Capacidades físicas: são as habilidades funcionais primordiais na


evolução da habilidade motora que quanto maior seu desenvolvimento,
melhor será sua execução como a “força”, a “flexibilidade”, a
“resistência” e a “agilidade”;

 Habilidades especificas: são movimentos motores conscientes e com


objetivos específicos, tal qual um chute ou um arremesso;

 Comunicação não-verbal: são atividades motoras com maior nível de


complexidade, organizadas de forma que a capacidade dos
movimentos realizados, possibilitem ao ser, expressar suas emoções,
desejos ou necessidades.

Para que a criança alcance certos padrões de movimentos, deve-se aumentar o


conjunto de informações e repetições realizadas no campo motor, permitindo que ela realize
uma tarefa ou estimulo quando for fornecido. O ato do movimento é de suma importância
psicológica, biológica e sócio-cultural, uma vez que através dos movimentos há a interação
das pessoas com o meio, aumentando seus conhecimentos acerca de si, dos seus limites
e das suas capacidades.

Para entender o comportamento psicomotor é importante não apenas observar


o que o corpo está apresentando, mas também o que ele não está.

Para entender um processo avaliativo de psicomotricidade, é primordial considerar


três etapas: a coleta de dados, a análise dessas informações e a interpretação dos

Psicomotricidade 22
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resultados obtidos. Deve-se fazer uma coleta de dados acerca de informações como o
aspecto morfológico do indivíduo (altura, peso, idade, perímetro cefálico e torácico, etc),
seu processo de desenvolvimento pessoal, seu ciclo de funcionamento corporal (pressão
arterial, frequência cardíaca, índice ósseo, etc) e uma escala de desenvolvimento onde
leva-se em conta as atitudes, destrezas e informações que possam mapear o nível de
desenvolvimento que essa criança esteja (BUENO, 2014).

3.2. O desenvolvimento psicomotor no processo de aprendizagem

Diversos autores, em diferentes épocas, reforçam que a pratica continua dos


movimentos, melhora o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, como apresentado
através dos estudos dos autores Fitts em 1954, Adams em 1971, Gentile em 1972, Le
Boulch em 1987 e Schimidt em 1992. Segundo esses autores o aprendizado ocorre em
variados números de estágios. Para Fitts e Schmidt, a maneira como o indivíduo se porta
durante o processo de aprendizado pode ser retratado à vista de:
 Inexperiente (novato): Inicia suas tentativas no descobrimento da tarefa e de
como realiza-la, procurando observar as características e estruturas. Embora
descoordenado e sem clareza, apresentando grandes variações de respostas
motoras, procurando soluções para realizar a tarefa, sem se ater a detalhes
importantes apresentando muitos erros, onde os poucos acertos, o leva a
dúvidas.
 Intermediário: Durante as tentativas elimina movimentos desnecessários,
economizando tempo e energia, com isso, sua atenção é voltada a procurar
detalhes não sutis. O estimulo visual substitui o cinestésico, enquanto o padrão
motor se estabiliza, os erros diminuem, aumentando sua confiança.
 Avançado: o indivíduo tem certeza de como executar a sua ação, limitando ao
máximo sua energia e tempo, necessitando de mínima atenção para realização
do seu objetivo, automatizado.

Outro modelo de ensino-aprendizagem de determinada habilidade motora, é


exemplificado por Fitss e Posner (1967), onde, também composto de três estágios, delimita-
se em:
 Cognitivo: onde o indivíduo é levado a conquistar novas habilidades
enfrentando questionamentos dirigidas ao campo cognitivo. Esse estágio tem
como peculiaridade o número elevado de erros de performance até encontrar
a forma correta para a obtenção da habilidade.

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 Associativo: a criança começa a aprimorar os elementos básicos da


habilidade, propiciando menos erros e tornando-se capaz de perceber algumas
de suas próprias falhas, porém ainda não tem a aquisição total do desempenho.
 Autônomo: esse estágio acontece após muita persistência e vivência com a
habilidade, onde a criança além de perceber suas falhas, também regula esses
erros, para corrigi-los.

Le Boulch (1987, p.164), julga importante na educação, levar em conta que o corpo e
a pessoa são representados como unidade expessiva, devendo agir de forma unificada
durante seu aprendizado, com o objetivo de levar o indivíduo a se expressar de forma
humana (emocional, afetivo, motor e cognitivo). A aprendizagem apresenta-se em três
fases:
 Exploratória: é identificada pela conquista das informações, que são
fundamentais para o entendimento do caso, ou seja, a clareza da situação é
definida pela prática, que significa que o ser deve praticar para melhorar seu
aprendizado em relação as informações obtidas.
 Dissociação: prevalece no desenvolvimento de controle/inibição que irá atuar
na efetivação das contrações selecionadas, promovendo a motricidade.
 Estabilização do automatismo: nessa fase o automatismo do gesto é
adquirido em decorrência da repetição dos exercícios de aprendizagem.

A aprendizagem é uma linguagem interior, de onde partem as ações fornecendo os


ajustamentos as circunstâncias (FONSECA, 1995). O processo de aprendizagem humana
é composto por processo receptivo de decodificação (sinestésico – audição, visão e tátil),
processos de integração decorrentes de atenção, planificação, identificação,
armazenagem, integração, memoria, conceitos, organização, análise, discriminação,
síntese e decisão, pelo processo expressivo de codificação verbalizada e motora e
processo feedback. Evidenciando-se que o processo cognitivo é o principal indutor do
desenvolvimento as aspirações humanas.

Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “Coordenação motora: o que


esperar em cada idade?”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=Px2yYUMmt_c

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3.3. A deficiência físico-motora

A deficiência pode prejudicar as probabilidades de movimentação corporal ou de


manutenção da coordenação motora e do equilíbrio para atividades do dia a dia. O indivíduo
pode ter ela desde seu nascimento ou ter adquirido com o tempo, tendo a possibilidade de
ser permanente ou provisória (ISRAEL; BERTOLDO, 2010). Segundo O MEC (Ministério
da Educação), a deficiência física engloba uma diversidade de “condições não sensoriais
que afetam o indivíduo em termos de mobilidade, de coordenação motora global ou da fala,
como decorrência de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas ou, ainda de
malformações congênitas ou adquiridas” (BRASIL, 2000 p.16).

O processo conceitual do termo “deficiência” surgiu com a Classificação Internacional


de Doenças (CID-10) em 1983, com o intuito de codificar padrões, padronizando uma
linguagem em comum. Em 1976, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou
acerca de “Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens”
(CIDID). Em 2003, com a intenção de atualizar as concepções, a OMS publicou um novo
modelo de classificação “Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e
Saúde (CIF).

Segundo a CIF, as funções corporais envolvem as funções fisiológicas e psicológicas,


enquanto as estruturas corporais envolvem as anatomias corporais (ossos, órgãos e
sistemas), uma vez que esclarecido isso, fica claro que a deficiência denota uma variável
de problemas na função ou estrutura do corpo.

Conforme o desenvolvimento da legislação brasileira, em 1999, na Política Nacional


para a Integração da Pessoa com Deficiência, foi definido que:

I. Deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função


psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho
de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;
II. Deficiência Permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um
período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade
de que se altere, apesar de novos tratamentos;
III. Incapacidade – é uma redução efetiva e acentuada da capacidade de
integração social. Com necessidade de equipamentos, adaptações , meios ou
recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou

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transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho


de função ou atividade a ser exercida.

O aprendizado, auxilia de diversas formas o desenvolvimento de habilidades e


superação de limites do DFM, possibilitando um melhor convívio familiar, educacional,
profissional, de lazer e em todos os outros âmbitos sociais.

Em todo o processo de aprendizado, o indivíduo fica acessível a estímulos sensoriais


através de tudo e todos que interagem com ele e desenvolve sua compreensão corporal. É
de suma importância que o aluno DFM vivencie o escrever, a alimentação, o movimentar -
se e ter relações interpessoais, mesmo que seja através de tecnologias adequadas que
estimule tal fim (ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

A execução de atividades motoras, na abordagem sistêmica, baseia-se em


“mecanismos de adaptação das ações motoras, pois [...] admite a possibilidade do
desenvolvimento de flexibilização do sistema neural” (ISRAEL; BERTOLDO, 2010).
Conforme a adaptabilidade é reconhecida, a percepção da aprendizagem possibilita a
adaptação neural. É necessário criar técnicas de intervenção, que julguem as variações e
a adaptações dos movimentos em diferentes situações para solucionar desafios motores,
levando em consideração que a facilidade no processo de aprendizagem motora está
intrinsicamente relacionada às carências de cada indivíduo (ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

Assistir vídeo da psicomotricista Luciana Brites “Estimulação psicomotoras nas


crianças com deficiência intelectual’. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=6Pqjc_7VFb8

3.4. Interação entre os conceitos

A CIF auxilia em maior compreensão o indivíduo com deficiência, por ter claro os seus
fundamentos e funcionalidades, integrativo e interativos, por ter caracterististicas
operacionais semelhantes.

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Em sala de aula, notar a evolução do desenvolvimento do aluno ao longo do tempo


(levando em consideração sua CIF) é de suma importância, para que ele atinja com
plenitude suas habilidades educacionais e de vida. No processo de aprendizado do
indivíduo com DFM, é primordial a interação da equipe educacional, equipe de saúde,
familiar e a própria dedicação afim de que os objetivos de vida e sua cidadania sejam
alcançadas. (ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

É primordial ao educador compreender o que acontece com seu aluno DFM e os


recursos pedagógicos que ele precisa, para que assim, haja o melhor desempenho
educacional possível.

3.5. Características das principais deficiências motoras

Para que a construção de habilidades seja desenvolvida com o aluno DFM, desde
educacional à social, é necessário que haja uma boa interação entre o ele e o professor.
Para que essa interação ocorra é imprescindível a compreensão e o entendimento do
professor acerca das características das DFM. É necessário o entendimento dos padrões
motores ao longo do desenvolvimento, na reabilitação de pessoas com atraso no
desenvolvimento, assim como, favorecer a adaptação e estruturação de ambientes e
tarefas motoras ao longo do desenvolvimento para impulsionar corretamente cada indivíduo
(ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

Em cada deficiência o processo de aprendizagem irá variar conforme a abordagem


do professor, o ambiente inserido, o domínio de conceituação teórica e as aplicações
práticas. É preciso levar em consideração que os DFMs podem ter déficits de estruturas e
funções corporais e que para a manutenção da postura e realizar certos tipos de
movimentos, o tônus muscular precisa estar dentro dos padrões de normalidade, assim
possibilitando o aluno a realizar funções e tarefas escolares, sociais, esportivas,
profissionais e cotidianas. Em caso de lesões neurológicas, o tônus pode estar hipertônico
ou hipotônico e a motricidade do indivíduo pode estar comprometida e irá depender do
local, intensidade e da lesão sofrida.

Assistir vídeo da psicomotricista Luciana Brittes “Estimulação Psicomotora –


NeuroSaber “. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=0I4K-7koGLY

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4. DEFICIÊNCIA FÍSICO MOTORA - DISTURBIOS E ALTERAÇÕES


(PARTE I)

Objetivo:
Compreender os conceitos, limitações e formas psicomotoras de abordagem acerca
das deficiências físicos motoras relacionadas a paralisia cerebral, hidrocefalia, distrofias
musculares e Sindrome de Willians.

Introdução:
Todo e qualquer trabalho realizado no ensino-aprendizagem de educação especial
deve ser antecipadamente planejado detalhadamente para cada realidade, para cada
situação educacional e familiar, e primordialmente para a condição de cada DFM.

O desenvolvimento educacional e profissional com pessoas DFM buscar ampliar ao


máximo as habilidades e potencialidades desses indivíduos, desde hábitos corriqueiros á
competências de aprendizado escolar. É notório que a deficiência física traz consigo
limitações funcionais especificas de cada deficiência, que precisam ser trabalhadas para
um melhor desenvolvimento do aluno.

A reeducação psicomotora em DFM deriva de vários âmbitos profissionais que vão de


pedagogos, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais entre
outros. É primordial entender a deficiência instalada no indivíduo e suas limitações para
que o trabalho psicomotor seja efetivo. Nesse capitulo, estaremos relatando acerca das
conceituações, limitações e abordagens psicomotoras nas DFMs: Paralisia cerebral,
hidrocefalia, distrofias musculares e a Sindrome de Willians.

4.1. Paralisia cerebral

A Paralisia cerebral (PC) deriva de alguma lesão ou anomalia durante o


desenvolvimento do feto ou nos primeiros anos de vida (até 4 anos). É uma das maiores
DFMs, apresentando nos indivíduos em geral uma espasticidade, limitando os movimentos
voluntários, embora em graus variáveis, que complicam a relação do indivíduo com o meio.
A PC não evolui, porem normalmente altera a coordenação muscular devido a
espasticidade, limitando posturas voluntárias e simples como sentar, andar etc (ISRAEL;
BERTOLDO, 2010).

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As causas provenientes dessa deficiência podem ser durantes os pré-natais,


perinatais ou pós-natais. As razões pré-natais são referentes a drogas, infecções,
traumatismos, desordens circulatórias, ameaça de aborto, hipertensão arterial sistêmica
(HAS), toxoplasmose, exposição a radiografia, etc. Durante o período perinatais podem ser
durante o parto, quando há o caso de falta ou redução de oxigênio. No caso de pós-natais
os motivos podem ser derivados de quedas, afogamento, febre alta (maior que 39º),
meningite, trauma ou envenenamento (ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

A PC é dividida em vertentes como descrito abaixo:


 Monoplegia (monoparesia): É caracterizada por afetar apenas um membro do
corpo.

 Hemiplegia (hemiparesia): É caracterizada por afetar um lado inteiro do corpo


(direito ou esquerdo).

 Diplegia (diparesia): É caracterizado pelo melhor desempenho do indivíduo nos


membros superiores do que nos inferiores.

Psicomotricidade 29
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 Triplegia (triparesia): É caracterizado por afetar 3 membros do corpo (independe


quais).

 Paraplegia (paraparesia): É caracterizado por afetar apenas os membros inferiores.

 Tretaplegia ou quadriplegia (Tretraparesia ou Quadriparesia): É caracterizado


pelo acometimento dos 4 membros e do tronco.

Fonte: Elaborado pelo autor com embasamento em Israel; Bertoldo, 2010 .

As vertentes de acometimentos da PC podem apresentar características especificas


de DFM. Os padrões de movimento e tônus, segundo Leite e Prado (2004) podem ser:

Psicomotricidade 30
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 Espástica: em média 75% das crianças com PC tendem a ter um padrão


muscular de espasticidade, onde o músculo espástico tem crescimento
anormal levando a rigidez ao movimento, isso faz com que haja deformidades
osseas;
 Hipotônica: é caracterizado quando o tônus da musculatura apresenta-se de
forma flácida, limitando a manutenção da postura corporal;
 Discinética: as estruturas dos glânglios da base, que fazem parte do SNC
apresentam lesões especificas levando a criança a desenvolver movimentos
involuntários e desconexos, como exemplo são os PC atetóide, distonias e
coreoapetose;
 Atáxica: está vinculada a leões no cerebelo, que é parte do SNC ou nas vias
do cerebelo que controlam o equilíbrio e os movimentos. A criança com ataxia
apresenta dificuldade na coordenação motora e falta de equilíbrio,
desenvolvendo marcha ataxia;
 Mista: Denominado quando ocorre associação das alterações anteriormente
mencionadas, normalmente com ações musculares distônicas e
córeoatetoides ou ataxias associadas a plegia, principalmente a diplegia.

Em alguns casos de PC também é encontrado, eventualmente, associação com


deficiência intelectual, presença de convulsões ou eplipsias, dificuldades para falar,
alimentar-se, e dificuldades respiratórias ou sensoriais.

O desenvolvimento psicomotor auxilia o indivíduo com PC nas suas limitações de suas


atividades do dia a dia. Através desse desenvolvimento, favorece suas atividades básicas,
dos sentidos sensoriais, das percepções e dos movimentos, facilitando o aumento da
aprendizagem e essa abordagem terapêutica poderá ocorrer desde a educação infantil de
forma interdisciplinar.

 Filme: De porta em porta. Direção: Steven Scachter. Produção: Warren Car.


EUA: Turner Network Television, 2002. 91 min.

Psicomotricidade 31
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4.2. Hidrocefalia

A hidrocefalia é uma patologia


comum, muito presente na forma
congênita que entre 1000 nascidos
vivos, 3 ou 4 nascem com ela. É uma
circunstância decorrente da
alteração da circulação do liquor, que
protege o sistema nervoso central,
ocasionando dilatação do ventrículo
cerebral de forma progressiva. Esse
acumulo de liquor pode ocorrer antes
ou depois do nascimento, ocasionando o aumento da pressão intracraniana (ISRAEL;
BERTOLDO, 2010).

Podendo ocorrer em qualquer idade, a hidrocefalia pode ser originada de duas


formas, congênita ou adquirida. Em casos adquiridos, as causas podem por: processos
inflamatórios crônicos, hemorragia subaracnóidea, tumores ou hidrocefalia por redução
excessiva do líquor. Em casos congênitos, pode originar-se no nascimento ou até nas
primeiras semanas de vida do neonato.

O principal sintoma de uma criança com até 2 anos que tenha hidrocefalia, é o
tamanho da cabeça, macrocrania ou macrocefalia (cabeça grande) associado ao retardo
do desenvolvimento neurológico, psicológico e motor (JORGE, 2004). Esse retardo, pode
levar a criança a ter além do atraso motor e muitas vezes o atraso intelectual também
(ISRAEL; BERTOLDO, 2010).

A criança não consegue sustentar o peso da cabeça, não senta, não engatinha, não
anda, não fala ou tem contato social na idade que se almeja. Em indivíduos maiores há
queixas de dores de cabeça constantes conjuntamente com pode apresentar vômitos,
irritabilidade, sonolência, convulsões e visão dupla (JORGE, 2004).

O tratamento nos casos de hidrocefalia, é a intervenção cirúrgica, para que seja


introduzido uma válvula denominada DVP (Derivação do Ventriculo Peritoneal), que irá
drenar o líquor excessivo, esse procedimento costuma aliviar as pressões que o indivíduo
sente na cabeça (PINTO, 2015).

Psicomotricidade 32
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O portador de hidrocefalia pode apresentar dificuldades escolares, derivadas da falta


de concentração, raciocínio lógico, memória de curto prazo, coordenação motora,
organização, localização espaço-temporal, problemas de visão e amadurecimento precoce.

A psicomotricidade deve ser trabalhada em crianças com hidrocefalia para melhorar


os âmbitos psicológicos, motores e sociais. O professor deve primeiramente realizar uma
avaliação abordando o tipo de hidrocefalia, o que originou a patologia, qual tratamento está
sendo realizado, qual e como está o acompanhamento médico e se faz uso
medicamentoso. (PINTO, 2015)

Deve-se trabalhar com o aluno os sentidos multissensoriais, através de luzes; sons;


aromas; instrumentos musicais; objetos com diversas texturas, formas e cores; espelhos;
jogos; e ambientes que ele possa vivenciar experiências e desenvolver o seu lado cognitivo,
melhorando assim, suas habilidades sociais e podendo ampliar seu desenvolvimento
intelectual.

4.3. Distrofias musculares

A doença neuromuscular alcança a periferia do corpo nos comandos nervosos dos


músculos. Essas doenças estão conjuntas devido aos
fatores comuns entre elas, que ocorrem na unidade
motora. Em âmbito geral, as distrofias provem de origem
genética e podem parecer na infância ou na fase adulta.

Em cada tipo de doença neuromuscular a evolução


é diferente, em algumas há a fraqueza muscular, outros
problemas intelectuais e/ou cardíacos etc. É primordial
que na escola o professor tenha atenção para sinais de
enfraquecimento (tropeços ou quedas constantes) dos
alunos, assim, podendo ajudar precocemente com o
diagnóstico do indivíduo (ISRAEL; BERTOLDI, 2010).

As maiores dificuldades para um indivíduo com distrofia muscular estão relacionadas


ao tônus muscular, a coordenação global e ao equilíbrio. Explorar as práticas da
psicomotricidade em atividades multidisciplinares e de ludoterpia, pode-se atenuar essas
problemáticas, sendo possível estabelecer uma relação com do tônus muscular com o

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indivíduo, melhorando sua qualidade de vida. Atividades recomendadas por Bueno (2014)
são: “[...] jogos que abranjam o restabelecimento e desenvolvimento do seu esquema
corporal, estimular a sensibilidade próprio sensitiva do aluno, deslocamentos no chão para
favorecer a descoberta e amplitude de seu corpo e gestos”.

4.4. Síndrome de Williams

A Síndrome de Williams Beuren (SWB) é uma alteração genética devido a ausência


de genes no cromossomo 7, incluindo a elastina (ELN), que ocasiona distúrbios em relação
ao desenvolvimento cognitivo, de comportamento e motor.

As características fisionômicas dessa síndrome são fronte larga, fenda da pálpebra


curta, cristas orbitais sobressaltadas, epicanto, excesso de pele subcutânea em volta dos
olhos, lábios inferiores grossos e superiores finos e ponta do nariz mais funda. As
características geradas por essa síndrome são problemas cardiovasculares, oculares,
dificuldade de alimentação, déficit no aprendizado, desenvolvimento estatal baixo, aumento
de cálcio, perda dentária e personalidade demasiadamente social (ALMEIDA; TAVARES,
2010).

Conforme o desenvolvimento do indivíduo, em fase adulta, as características físicas


se alteram, tornando o rosto em formato mais alongado, os lábios mais grossos e tendem
a ter os cabelos grisalhos e a pele enrugada (amadurecimento precoce).

O perímetro cefálico (PC) dos pacientes com SWB é inferior ao da populaç ão


normal. Apesar da velocidade de crescimento do PC nas crianças com SWB ser
baixa, o padrão de crescimento é semelhante ao da população normal. A
microcefalia foi observada em um terço dos afetados pela SWB e pode persistir em
alguns pacientes (PANKAU; et al., 1994).

A deficiência mental em indivíduos com SWB normalmente é de grau leve a


moderado. Costumam ter dificuldades em cognição espaço-temporal, o trabalho com
números, coordenação motora, solução de problemas e podem apresentar comportamento
impulsivo. Em contrapartida, crianças com SWB possuem maior desenvolvimento de
sociabilização, tendem a falar muito e possuem o vocabulário extenso.

Algumas características de personalidade são particularmente comuns nas crianças


com SW: grande sociabilidade; entusiasmo exuberante; sensibilidade com as
emoções alheias; sentem-se excessivamente a vontade com estranhos; pequeno
intervalo de atenção; medo de altura, escadas e superfícies irregulares ;
preocupação excessiva com determinados assuntos ou objetos (ANTONELL; et al.,
2006).

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A psicomotricidade é de suma importância para um melhor desenvolvimento em


indivíduos com essa síndrome, auxiliando em seu processo cognitivo e motor. Precisa ser
trabalhado o desenvolvimento espaço-temporal, equilíbrio, lateralidade, imagem do corpo,
coordenação motora global e fina. Para ampliar as habilidades de coordenação motora
global, equilíbrio e lateralidade do aluno, é importante inicialmente realizar atividades como
pular em cama elástica, subir escadas rapidamente, andar de joelhos, saltar, se rastejar,
rolar de lado, fazer corridas com obstáculos, pular corda, jogos com bolas, andar e correr
em linha reta, etc (ALMEIDA; TAVARES, 2010).

Nas habilidades de coordenação motora fina, algumas atividades podem favorecer


esse desenvolvimento, aumentando seu domínio com mãos melhorando seu desempenho,
tais como, picotar papel com as mãos, fazer bolinhas de papeis, amarrar o cadarço, torcer
papel de bala, abrir e fechar garrafas, amassar massinha de modelar (ALMEIDA;
TAVARES, 2010).

Assistir vídeo do neuropediatra Dr. Clay Brites "Sindrome de Williams – Beuren


| NeuroSaber” Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=yBH_eERuJd0&t=136s

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5. DEFICIÊNCIA FÍSICO MOTORA – DISTURBIOS E ALTERAÇÕES


(PARTE II)

Objetivo:
Compreender os conceitos, limitações e formas psicomotoras de abordagem acerca
das deficiências físicos motoras relacionadas a lesão medular, espinha bífida, deficiência
visual e deficiência auditiva.

Introdução:
O trabalho realizado na aprendizagem com DFM, deve ser antecipadamente
planejado para cada realidade, para cada situação educacional e familiar, e
primordialmente para a condição de cada indivíduo.

O desenvolvimento educacional com pessoas DFM deve buscar ampliar ao máximo


as habilidades e potencialidades dessas crianças, desde hábitos corriqueiros á
competências de aprendizado escolar. É notório que a deficiência física traz consigo
limitações funcionais especificas de cada deficiência, que precisam ser trabalhadas para
um melhor desenvolvimento do aluno.

A reeducação psicomotora em DFM deriva de vários âmbitos profissionais que vão de


pedagogos, fisioterapeutas, psicólogos, fonodiólogos, terapeutas ocupacionais entre
outros. É de suma importância entender a deficiência instalada no indivíduo, suas
limitações, acompanhamento médico e tratamentos que estejam sendo realizados para que
o trabalho psicomotor seja efetivo.

Nesse capitulo, estaremos relatando acerca das conceituações, limitações e


abordagens psicomotoras nas DFMs: lesão medular, deficiência visual, deficiência auditiva.

5.1. Lesão medular

A lesão medular (LM) é uma síndrome que tem como característica a perda da função
motora associada a alterações biopsicossociais (SANTINO; et al, 2013). Normalmente
ocorre devido a acidentes, porém em alguns casos específicos, pode ocorrer em crianças
com tumores medulares que geram a mesma deficiência.

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Geralmente as sequelas
são físico-motoras, sendo as
variáveis de tetraplegia, ou
paraplegia, incompleta –
quando há vestígios de
movimentos e sensibilidade-
ou completa – quando não há
vestígios de movimentos e tão
pouca sensibilidade.

Além da problemática
física e sensorial, as sequelas da lesão medular podem incluir a atrofia do sistema muscular,
a “espasticidade, redução da capacidade respiratória e das dimensões das estruturas
cardíacas, as quais juntamente com o estado sedentário, podem limitar as respostas
fisiológicas à atividade motora” (ISRAEL, BERTOLDI, 2010 p.83).

Em casos de lesão medular é primordial que o aluno esteja tendo o acompanhamento


interdisciplinar para que haja evolução no seu quadro, pois existem diversos níveis dessa
lesão que devem ser premeditadamente avaliados por equipes médicas para que,
academicamente, o professor possa aplicar os recursos da psicomotricidade da melhor
forma, respeitando os limites de cada um.

É importância ressaltar que o indivíduo com LM precisa ser trabalhado acerca de


noção corporal, atividades funcionais, equilíbrio, coordenação motora global e fina, controle
da respiração, lateralidade e equilíbrio, (desde que o indivíduo tenha condições
consideráveis de se movimentar) ou seja, precisa ser aplicado todos os itens que a
psicomotricidade inclui. É preciso estimular a percepção, atenção, memória, coordenação
do aluno, originando-se em melhores resultados nas habilidades motoras.

5.2. Espinha Bífida

A espinha bífida posterior é uma lesão congênita (má formação) que ocorre na medula
espinhal e que é causada pelo “fechamento incompleto do canal vertebral (coluna vertebral)
” (ISRAEL; BERTOLDI, 2010). Quando esse processo ocorre, o tecido nervoso fica exposto
e se forma uma proeminência mole, deixando a medula espinhal exposta. Essa lesão pode
ocorrer em qualquer nível da coluna vertebral, porem normalmente acontece na região

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lombossacral. Entre as causas para essa lesão estão as genéticas, nutricionais e


ambientais. (ISRAEL; BERTOLDI, 2010).

A espinha bífida pode ser


caracterizada por três tipos: a oculta, a
meningocele e a mielomeningocele. A
lesão pode ter desde aparência normal do
lado externo da coluna, como um
traumático especifico na pele, que indica a
má formação (estigmas cutâneos).
Podendo ser com característica de formas
de bolas de gordura, de pequenas
cavidades ou buracos na pele, de veias anormais, apresentar tufos de pelos, etc. (ISRAEL;
BERTOLDI, 2010).

Os dois tipos de espinha bífida não ocultam são:

 Meningocele: formação de uma protuberância nas meninges com liquido


cefalorraquidiano. Nessa patologia normalmente as raízes nervosas não estão
muito lesionadas e estão aptas a funcionar.
 Mielomeningocele: mais comumente encontrado, além de uma lesão mais
grave, onde tem mais intensificação na coluna lombossacra. Compromete a
medula espinhal e suas raízes nervosas, dura-mater, ossos e pele. Nessa
patologia a medula e as raízes nervosas podem estar deslocadas do lado
externo do canal vertebral, gerando alteração de sensibilidade e atraso motor
abaixo do nível medular lesionado, além de paralisia flácida, com
encurtamento dos músculos. Apresentam incontinência esfincteriana do reto e
da bexiga. A hidrocefalia pode estar em comorbidade com a mielomeningocele
(ISRAEL; BERTOLDI, 2010).

As crianças com essa patologia necessitam de atenção especial durante o seu


desenvolvimento, tendo orientação adequada de profissionais relacionados a área da
saúde para seus métodos e tratamentos, precisam de adequação na dieta, horário regular
de evacuação e uso medicamentoso, com isso, sua inclusão social pode ser mais
facilmente adquirida.

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Quanto menor o nível de lesão medular, melhor será o desenvolvimento motor do


aluno, podendo, mesmo com dificuldades, ter marcha independente. Normalmente essas
crianças precisam de auxilio de equipamentos para andar (bengalas ou andadores), para
terem maior segurança na locomoção (ISRAEL; BERTOLDI, 2010).

As crianças com mielomeningocelo manifestam problemas musculares devido a falta


de tónus muscular. A paralisia e a fragilidade muscular atingem diretamente a coordenação
motora global, a força e a rapidez, assim como a coordenação motora fina, fazendo com
que o indivíduo tenha dificuldades em habilidades manuais e o uso dos dedos. Essas
dificuldades podem ser atenuadas com a intervenção da psicomotricidade, através de
práticas acentuadas a nível de macromotricidade (circuitos de habilidades motoras)
fortalecendo a musculatura, e de micromotricidade (desenho, contorno de imagens, pintura)
focando no domínio manual mais detalhado (SILVA, 2014).

O tônus e a lateralidade dessas crianças também precisam ser trabalhados através


de atividades de posicionamento correto de postura ou por relaxamento corporal que
incentivem o toque afim do indivíduo identificar e eliminar tensões desnecessárias. Para o
fortalecimento do tônus, a marcha é de suma importância e urgência, uma vez que os
mielomeningocelos tem grande problemática acerca disso. Realizar atividades que incitem
a criança a andar em base da sua linha média de seu corpo e/ou linha reta, que englobem
a ação do “pular”, andar em cima de superfícies irregulares como colchões ou esponjas,
são benéficas para fortificar o tônus, o equilíbrio e reajustar a postura dessa criança (SILVA;
2014).

Para a melhor mobilidade dos membros superiores, a musculatura posterior do tronco


é de suma importância e quando são realizadas atividades em posturas decúbito ventral,
ou seja, de barriga para baixo, são trabalhados todos esses músculos posteriores, desde
os da coluna vertebral aos músculos escapulares. As atividades que podem ser realizadas
para o fortalecimento desses músculos são, como exemplo, circuitos onde a criança rasteje
em cima de colchões, role sob ele, ou até mesmo engatinhe (SILVA, 2014).

5.3. Deficiência visual

A deficiência visual (DV) é uma limitação das experiências necessárias para o


conhecimento do mundo exterior a partir do indivíduo. A deficiência visual é segmentada
em duas vertentes, a cegueira e a baixa visão. O aluno DV, assim como as demais crianças,

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tem o desejo de aprender, brincar e se comunicar e para isso, é necessário que o meio e
as pessoas o estimule para tais atividades, favorecendo sua aprendizagem.

[...] necessitam de um ambiente estimulador, de mediadores e condições favorá veis


à exploração de seu referencial perceptivo particular. No mais, não são diferent es
de seus colegas que enxergam no que diz respeito ao desejo de aprender, aos
interesses, à curiosidade, às motivações, às necessidades gerais de cuidados,
proteção, afeto, brincadeiras, limites, convívio e recreação dentre outros aspectos
relacionados à formação de identidade a aos processos de desenvolvimento e
aprendizagem. (SÁ; CAMPOS; SILVA; 2007, p.14)
É de suma importância ressaltar que a evolução do processo de aprendizagem de DV
(cegueira ou baixa visão), o trabalho com objetos e materiais específicos de textura e relevo
possibilita o melhor aprendizado. É necessário, além do ambiente favorável, estímulos ao
aluno e para isso é de suma importância que o professor possibilite esse conhecimento e
reconhecimento de espaços físicos e objetos escolares. O braile deve ser incentivado ao
aluno, para que ele possa desenvolver conjuntamente aos outros alunos, aprendendo a
leitura e a escrita (SILVA; OLIVEIRA).

A visão possui grande importância no desenvolvimento motor, uma vez que os


estímulos externos orientam no controle dos movimentos. O problema visual implica em o
indivíduo, não ter os estímulos necessários carretando déficits em funções motoras que a
princípio o DV não possui. Quando não trabalhados, o DV pode acarretar
comprometimentos que podem ser primários (nível orgânico) ou secundários (nível
psicossocial) que se direciona a déficits de autoconhecimento do corpo e de sensações
corporais e orientações espaciais no meio, gerando atrasos no desenvolvimento do
esquema corporal. Normalmente esse estágio secundário se origina com maior intensidade,
em consequência as barreiras sociais, educacionais e físicas, sendo necessário a
intensificação de trabalhos específicos acerca da mobilidade do indivíduo (SOARES; et al,
2012).

A nível psicomotor, os DVs costumam apresentar problemas de organização e


orientação espacial, tendo como consequência, dificuldades nas informações perceptivas
que deve ser levado ao sistema nervoso central para nortear o indivíduo (BUENO, 2014).
Assim sendo, os fundamentos da psicomotricidade são de suma importância uma vez que
resgata a funcionalidade e proporciona independência ao indivíduo, através de exercícios
para coordenação motora, lateralidade, marcha, equilíbrio, orientação espaço-temporal e
esquema corporal (SOARES; et al, 2012).

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5.4. Deficiência auditiva

Pode-se caracterizar como deficiente auditivo (DA) todo ser com limitações devido a
falha no escutar. Davis (1965), classificou os deficientes auditivos conforme o grau de sua
falha sensorial da seguinte forma:

 Falha leve: entre 25 e 40 decibéis. Apresentam dificuldade apenas frente a fala


de fraca intensidade;
 Falha moderada: entre 40 e 55 decibéis. Apresentam frequentemente
dificuldades frente a fala de intensidade normal;
 Falha acentuada: entre 55 e 70 decibéis. Apresentam frequentemente
dificuldades frente a fala forte;
 Falha severa: entre 70 e 90 decibéis. Podem compreender apenas a fala
gritada ou amplificada eletronicamente;
 Falha extrema: acima de 90 decibéis. Usualmente, não conseguem
compreender mesmo a fala amplificada.

O grau de funcionalidade da audição foi utilizado para diferenciar dois grupos de


indivíduos: os hipoacúsicos, para os quais o sentido da audição embora falho é funcional
e os surdos, para os quais a audição não é funcional para os propósitos comuns da vida.

A deficiência auditiva pode estar correlacionada a alterações localizadas no sistema


transmissor das ondas sonoras, ou seja, no conjunto tímpano-ossicular e nesses casos há
grandes possibilidades de superação parcial ou total do problema ou estar associada a
alterações localizadas na cóclea ou no nervo auditivo, que no caso não há relatos de
procedimentos efetivos nem para parcialidades.

A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) é de suma importância para o aprendizado de


Das uma vez que é um instrumento mediante o qual os surdos suprem espontaneamente
a privaçõ do ouvido e da palavra, a fim de poderem comunicar-se entre si e com os outros.

Segundo Bueno (2014), os indivíduos DAs costumam apresentar constantemente


problemáticas no controle postural e segmentário, os quais são derivados da evolução do
esquema corporal e que as dificuldades de relação estão diretamente relacionadas aos
“transtornos de percepção do próprio corpo”. A evolução da estruturação da imagem do

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mundo externo fica defasado, demonstrando a dificuldade de relação espaço-temporal. As


questões de direção, distância e noção de profundidade, estão associadas a percepção
auditiva, prejudicando o indivíduo nesses quesitos.
O trabalho da psicomotricidade em alunos das deve ser feito através do movimento
do corpo, explorar a tonicidade muscular, senso de equilíbrio, explorar variados movimentos
e favorecer a coordenação viso-motora, em vista de gerar o aumento da autoconfiança da
criança. Deve-se trabalhar com exercícios que favoreçam a vivencia do próprio corpo e
atividades que estimulem sua noção espaço-temporal, assim como, trabalhar também as
questões perceptivas, estimulando a localizações e identificações de estímulos sonoros e
gestuais (BUENO, 2014).

6. DEFICIÊNCIA FÍSICO MOTORA - DISTURBIOS E ALTERAÇÕES


(PARTE III)

Objetivo:
Compreender os conceitos, limitações e formas psicomotoras de abordagem acerca
das deficiências físicos motoras relacionadas a Síndrome de Down, o autismo, a dislexia e
o TDAH.

Introdução:
O desenvolvimento educacional com pessoas deficientes físicos motores devem
buscar ampliar ao máximo as habilidades e potencialidades desses indivíduos, desde
hábitos corriqueiros á competências de aprendizado escolar. Para isso, todo e qualquer
trabalho realizado no ensino-aprendizagem de educação especial deve ser
antecipadamente planejado detalhadamente para cada realidade, para cada situação
educacional e familiar, e primordialmente para a condição e nível de cada DFM.
É notório que a deficiência física tras consigo limitações funcionais especificas de
cada deficiência, que precisam ser trabalhadas para um melhor desenvolvimento do aluno.
A reeducação psicomotora em DFM deriva de vários âmbitos profissionais que vão de
pedagogos, fisioterapeutas, psicólogos, fonodiólogos, terapeutas ocupacionais entre
outros. É primordial entender a deficiência instalada no indivíduo e suas limitações para
que o trabalho psicomotor seja efetivo. Nesse capitulo, estaremos relatando acerca das

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conceituações, limitações e abordagens psicomotoras nas DFMs: Distrofias musculares,


Síndrome de Down, dislexia e TDAH.

6.1. Sindrome de Down

O indivíduo com Síndrome de Down (SD) possui um cromossomo a mais nas células
do seu organismo. Há incidência de frequência para a SD de 1 para cada 700 nascidos
vivos e em 80 % dos casos a contribuição do cromossomo extra vem da mãe. Segundo
Shwartzman (1992, p.15).

[...] a síndrome de Down é uma condição clínica caracterizada por retardo mental,
baixa estatura, alterações esqueléticas, imunológicas, vários estigmas fenótipos ,
bem como anomalidades em outros sistemas e órgãos; os pacientes afetados
apresentam vários indícios de um processo precoce de envelhecimento.

Segundo Connor e Fergusson-Smith (1993), existem três tipos de aberrações


cromossômicas na SD:
1º - são pacientes com “trissomia do 21”, que são a maioria, devido a uma não união
durante o período da meiose celular;
2º - são os pacientes resultantes do “mosaicismo”, que é a condição em que todas as
células (normais e trissomicas) se localizam em diversos tecidos, e ocorrem devido a não
união, acontecendo após a fertilização na divisão celular;
3º - pacientes com a “translocação”, que é onde ocorre a fusão de dois cromossomos,
ocasionando os 46 cromossomos, apesar de ainda constar um cromossomo 21 extras.

A deficiência mental (normalmente moderado) é uma característica corriqueira na SD


e parte de um quadro genético com patologia especifica, seu QI normalmente é inferior a
50, 40% dos casos apresentam de problemas cardíacos, possuem hipotonia muscular
generalizada e hiperextensibilidade articular, pouca coordenação motora, possuem
frouxidão ligamentar da primeira e segunda vértebra cervicais, fala tende a ser tardia e a
respiração é bucal e em alguns casos há implicações tais como a epilepsia, a leucemia e o
hipotireoidismo (KAPLAN; SADOK, 1990).

O desenvolvimento das habilidades psicomotoras acontece no indivíduo a partir das


manifestações do meio sob ele. É de suma importância fornecer diversas experiências de
movimentos coordenados, levando em consideração todos os elementos da
psicomotricidade desde as habilidades de destreza manual, controlar pequenos e grandes
músculos, coordenação visomotora, audiomotora e facial. Incentivar as funções

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psicomotoras com atividades para auxiliar no controle da cabeça, de erguer o corpo, sentar
e levantar, trocar de posições, virar de barriga para cima e para baixo, marcha, lateralidade,
correr e andar, subir e descer, pular e abaixar, favorece o desenvolvimento motor do aluno.

6.2. Autismo

O termo “autismo” vem do grego “autos” que significa “próprio” ou “de si mesmo”. O
autismo é uma distinção neurológia que se pressupõem que ocorre geneticamente, e que
dê seus sinais antes dos 3 anos de idade. É um distúrbio do desenvolvimento da
personalidade, afetando diretamente as interações sociais da criança, manifestando-se de
variada forma dependendo do desenvolvimento do indivíduo e da sua idade cronológica.

O autista tende-se a diferenciar-se uns dos outros, não somente pelo nível do distúrbio
em si e de suas capacidades, mas também pela sua personalidade e interesses peculiares,
normalmente originais e diferenciados. O autista pode apresentar um grave atraso mental,
como também ser excepcionalmente dotado de suas faculdades intelectuais e acadêmicas.
A diversidade e padrão de desenvolvimento são múltiplos, em alguns casos tem faculdades
mais desenvolvidas na área de músicas, outros com mecânica, outros com cálculos e
alguns apresentam significante atrasos. (SOUZA; SANTOS).

A utilização dos recursos da psicomotricidade em crianças autistas é de suma


importância, uma vez que esses indivíduos têm características de estruturação motora,
sensorial, e de linguagem, contextual, social e de relacionar a linguagem verbal e/ou não
verbal. Os impulsos originários do autista, dificuldades de adaptação social, falta de
entendimento do espaço com contexto, se denotam na forma desorganizada que eles
demonstram pelos movimentos corporais. O domínio dos movimentos do autista, depende
da junção de diversos fatores tais quais como: noção espacial, adaptação com o meio e
sensibilidade. A psicomotricidade possibilita que o indivíduo autista adquira o que está em
déficit, ou seja, ele possa ter noção de sua própria imagem, do seu esquema corporal e da
consciência de ambiente em certo conceito. Para que esse objetivo tenha devido alcance,
deve ser trabalhado na criança estratégias de relações com o ambiente, através de
atividades tais como pular, tocar, rolar, mudar de lado e/ou posição, incentivando a criança
para que aos poucos ela consiga compreender os limites entre o interno e o externo.

Psicomotricidade 44
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 Ler artigo “Dicas para desenvolver a psicomotricidade fina com alunos


autistas”. Escrito pela equipe NeuroSaber. Disponível em:
https://neurosaber.com.br/dicas-para-desenvolver-psicomotricidade-fina-
com-alunos-autistas/
 Assistir vídeos com o neuropediatra Dr. Clay Brites “Como o autismo afeta o
cérebro? ” e “Quais são os tipos de autismo (TEA)” DIsponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=y0ojTqMcqlE e
 https://www.youtube.com/watch?v=TmEI_QOg5a0)
 Assistir vídeos da psicomotricista Luciana Brites “Métodos de alfabetização
para crianças com autismo e outras deficiências” e “Como conversar com um
autista em sala de aula?”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=GaBoPTeayFQ e
 https://www.youtube.com/watch?v=UpaSQdKadPc

6.3. Dislexia

A dislexia é um distúrbio que promove a dificuldade de compreender, assimilar,


interpretar e memorizar conhecimentos por meio da leitura. Esse distúrbio, segundo
Fonseca (1995), não depende das instruções convencionais, de nível de inteligência ou de
oportunidades sócio-culturais. Em indivíduos disléxicos, é observado que a leitura é lenta,
fragmentada e com troca de fonemas, além da distorção na escrita, prejudicando a
compreensão e interpretação de textos (LIMA; et al). Entretanto os disléxicos têm o em seu
cérebro lateral-direito maior desenvolvimento, propiciando habilidades superiores em
fatores artísticos, atléticos, relacionados a mecânica, criatividade na solução de problemas
e habilidades intuitivas (ALVES, 2012).

Citado por Fonseca (1995), a dislexia também pode apresentar características de


desordem neurológica no giros angular; podem ler melhor quando o texto está invertido ou
em espelho; apresentam frequentemente ambidestria; podem apresentar gaguez; possuem
problemas psicomotores; podem não apresentar dificuldade de leitura, mas apresentam no
ditado; apresentam problemas emocionais e tem predisposição em pessoas do sexo
masculino.
[...] a atividade elétrica de crianças Disléxicas envolve muitas áreas disfuncionais
do que anteriormente se pensou, onde ressaltam, pela sua obviedade, áreas de
integração sensorial/visual e auditiva e áreas de integração psicomotoras (área
parieto-occiptal e área suplementar motora). Podemos assegurar, portanto, que
algumas crianças disléxicas acusam disfunções cerebrais da organizaç ão
proprioceptiva (dispraxia) que interferem com o potencial de aprendizagem e com a
planificação das ações, onde certamente o perfil psicomotor da criança se vai
manifestar (as tais crianças dislexia-plus de Denckla, 1985). Trata-se de uma

Psicomotricidade 45
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dispraxia, ou seja, uma insuficiência de planificação de ações (Fonseca, 1986),


independentemente da inteligência normal e de motricidade normal. O problema
parece residir na ponte entre o intelecto e o motor, entre o psíquico e o motor
(FONSECA, 1995).

Crianças disléxicas podem manifestar um isolamento social ou perturbações sócio


emocionais (FONSECA, 1995). O autor cita alguns problemas psicomotores que indivíduos
disléxicos apresentam:
 Má lateralização;
 Desenvolvimento insuficiente de algumas áreas cerebrais;
 Distorções perceptivo-espaciais;
 Déficit na memória de curto termo;

Os movimentos que requerem as formas adaptativas mais elementares estão


naturalmente integrados nas formas adaptativas mais complexas, como uma
totalidade sistêmica, razão pela qual o ato de escrever, por exemplo, exige a
sequencia de impulsos seriados disparados pelo córtex motor e programados no
córtex pré-motor (córtex psicomotor áreas associativas do lóbulo frontal) que
envolvem necessariamente subsistemas ditos simples, como a tonicidade e o
equilibrio; subsistemas ditos compostos, como a lateralização, a noção do corpo e
a estrutura espaciotemporal, e por último, subsistemas ditos complexos, como a
praxia global e a praxia fina (FONSECA, 1986;335).

É importante para a criança com dislexia integrar os elementos psicomotores.


Segundo Fonseca, (1986;1995) essa integração é a chave da aprendizagem, levando-se

Psicomotricidade 46
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em consideração que as dificuldades psicomotoras prejudicam acerca da linguagem, uma


vez que ela só se materializa pela ação da oro motricidade e de micro motricidade.

É importante realizar atividades de percepção visual (jogo dos 7 erros, caça palavras,
falso fundo, figuras inversas, etc), fortificação tônica e principalmente a consciência
fonológica.

 Assistir vídeo do neuropediatra Dr. Clay Brites " Você sabe o que é DISLEXIA?”.
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=toSveL3JpAQ

 Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “Dicas para trabalhar com


crianças com dislexia – NeuroSaber”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=lY5I5Rg03sw

6.4. TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e


Hiperatividade (TDAH) se caracteriza pela tríade
de sintomas de desatenção, inquietude
(hiperatividade) e impulsividade. É uma alteração
neurobiológica comprovadamente de origem
genética que frequentemente aparece na infância
e acompanha o indivíduo por toda a vida (ALVES,
2012) O TDAH é dividido em três vertentes, o
TDAH desatento, hiperativo compulsivo ou o
combinado.

O indivíduo com TDAH desatento tem características principal de ser desatenta em


excesso, apresentam déficit de atenção, o indivíduo por muitas vezes é tímido e
introspectivo, costumam ser distraídos, não terminar o que começaram, esquecidos e tem
baixo rendimento escolar.

Os indivíduos com TDAH hiperativo-compulsivo costumam falar bastante, possuem o


habito frequente de dar respostas antecipadas, tem dificuldade de esperar a sua vez, fazem
várias coisas ao mesmo tempo, constantemente interrompe assuntos alheios, tem

Psicomotricidade 47
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dificuldade de prestar atenção a detalhes, dificuldade de manter a atenção durante um


longo tempo, possuem dificuldade para lidar com instruções, são desorganizados,
costumam perder com frequência objetos importantes, se distraem facilmente e esquecem
atividades diárias frequentemente.

O TDAH combinado apresenta conjuntamente os dois tipos de TDAH (hiperativo -


compulsivo e desatento).

Por vezes pode aparecer associados ao TDAH outros transtornos e que por falta de
informação adequada é visto como sinais de preguiça, irresponsabilidade, hostilidade ou
rebeldia. As comorbidades (dois ou mais transtornos no mesmo indivíduo) mais frequentes
em casos de TDAH são com TDO (Transtorno Desafiador Opositor), Transtorno de conduta
e a depressão.

O TDO é o caso mais comum de comorbidade no TDAH, suas características


englobam: “comportamentos desafiadores, opositivos e implicantes direcionados a figuras
que representem autoridade, além de um humor irritável” (BARROS, 2012)

O Transtorno de conduta também aparece frequentemente em comorbidade com o


TDAH. O transtorno de conduta é caracterizado pelos comportamentos desrespeitosos,
pela presença de violações graves, como crueldades com animais e vandalismos
(BARROS, 2012).

Em casos de comorbidade com a depressão, o indivíduo com TDAH tendem a ter


as características de humor triste, perda de estímulos para realizar atividades, falta ou
excesso de apetite e sono, cansaço frequente, alterações de comportamento (como
isolação social) e em alguns casos mais avançados, a ideia de suicídio (BARROS, 2012).

A psicomotricidade pode ser uma forma efetiva de de melhorar o desenvolvimento em


crianças com TDAH, uma vez que as intervenções psicomotoras influenciam a motricidade
fina, o equilíbrio, a imagem corporal e a organização temporal, auxiliando o aluno, além de
seu desenvolvimento motor, também, na sua atenção e concentração (BARROS, 2012). A
psicomotricidade auxilia o aluno para que retome aos estímulos essenciais, uma vez que a
vivencia da criança com o ambiente ocorre de maneira inadequada e desordenada. É de
suma importância apresentar atividades que sejam voltadas para o elemento de esquema

Psicomotricidade 48
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corporal, ou seja, que trabalhem a mobilidade, o tônus muscular, o equilíbrio do corpo, a


organização espaço-temporal e a coordenação desse indivíduo.

 Texto texto Assistir os vídeos do neuropediatra Dr. Clay Brites


" TDAH no ciclo de vida: infância, adolescência e adultos podem ter
TDAH”. Disponível em:
 https://www.youtube.com/watch?v=4YOIr59PXzw
“Quais são os tipos de TDAH e como identificar. Disponível em:
 https://www.youtube.com/watch?v=veLPQE_BQyk
“Como Trabalhar com o TDAH em Sala de Aula: Dicas para
Professores”. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=pQj5exw5KvA
 Assistir vídeo da psicomotricista, Luciana Brites “conduta escolar para
crianças e adolescentes com TDAH”. Disponível em:
 https://www.youtube.com/watch?v=OOaAJOZl1M4

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