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RCMat – Revista do Clube de Matemáticos nº 3 – outubro de 2019

PARTE 2 – ENSINO MÉDIO

UM PROBLEMA DIFÍCIL DE GEOMETRIA ESPACIAL DA ESCOLA NAVAL


2018-2019

Luis Antonio Ponce Alonso

ENUNCIADO
Seja ABCDEF um prisma triangular reto, com todas as suas arestas congruentes e suas
̅̅̅̅, 𝐵𝐸
arestas laterais 𝐴𝐷 ̅̅̅̅ e 𝐶𝐹
̅̅̅̅ . Sejam O e O´ baricentros das bases ABC e DEF,
̅̅̅̅´ tal que 𝑃𝑂´ = 1 𝑂𝑂´.
respectivamente, e P, um ponto pertencente a 𝑂𝑂 Seja , o
6
plano determinado por P e pelos médios de ̅̅̅̅ 𝐷𝐹 . O plano  divide o prisma em dois
𝐴𝐵 e ̅̅̅̅
sólidos. Determine a razão do volume do sólido menor para o volume do solido maior
(ambos na mesma unidade), determinado pelo plano , e assinale a opção correta.
47 49 43 45 41
a) b) c) d) e)
97 95 93 93 91

RESOLUÇÃO
1. Sejam N, H, M e J pontos médios das arestas ̅̅̅̅
𝐷𝐹 , ̅̅̅̅
𝐴𝐶 , ̅̅̅̅
𝐴𝐵 e ̅̅̅̅
𝐷𝐸 , respectivamente.

2. Suponhamos que as arestas congruentes do prisma tenham medida 6. Com esta


suposição, claramente, não teremos perda de generalidade no cálculo da razão entre as
medidas (na mesma unidade) dos volumes dos dois sólidos, determinados pela secção de
um plano  com o prisma ABCDEF.

3. Em consequência destas considerações, temos:


• ABED, BCFE e CADF (faces laterais) são quadrados de lado 6;
• DEF e ABC (bases) são equiláteros de lado 6;
• BH EN são alturas (medianas), com BH = EN = 3 3; e
• DJP é equilátero de lado 3.

4. O pentágono convexo MSQNK (ver figura) é a secção determinada pelo o plano (  )


no prisma ABCDEF.

5. A justificativa desta afirmação, é dada abaixo, através da construção dos vértices


̅̅̅̅, Q𝐸𝐹
S𝐸𝐵 ̅̅̅̅ e K𝐴𝐶
̅̅̅̅ ; pois, os demais vértices, claramente, pertencem a esta secção,
em consequência da definição do plano ( ) .
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ˆ = 60, pois
ESN

tg ( ESN
ˆ ) = EN = 3 3 = 3
ES 3

6. Construção do vértice “S”


Desde que O e O ´são baricentros dos  ABC e DEF, respectivamente, segue-se da
definição de baricentro:
1 2
• O  BH, com OH =  BH = 3 e BO =  BH = 2 3; e
3 3
1 2
• O '  EN, com O ' N =  EN = 3 e EO ' =  EN = 2 3.
3 3
Consequentemente, OO'  plano ( BENH ) , OO' EB NH e OO' = EB = NH = 6.
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1
Como P  OO' e PO ' =  OO ', então P  plano ( BENH ) , com NP  EB  , O'P = 1
6
e PO = 5.
Então, sendo S  NP  EB (ver figura) e NP  plano (  ) , conclui-se que S  plano (  ) .
ES 3 3
Ainda mais, como NES ~ NO'P (caso de semelhança A.A.), resulta = , ou
1 3
seja, ES = 3 e, portanto, SB = 3.

7. Construção do vértice “Q”

Desde que S  plano (  ) , segue-se MS  plano (  ) e, portanto, sendo G  MS  DE,


resulta G  plano (  ) . Mas, como SEG  SBM (caso de congruência A.L.A.), então
EG = 3. Note que NG  plano ( DEF)  plano ( ) e NG  EF  .
Então, sendo Q  NG  EF, resulta em Q  plano (  ) .
JN 3
Ainda mais, claramente, EQ é base média do NJG. Logo, EQ = = .
2 2

8. Construção do vértice “K”


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Já, traçando-se uma paralela à reta NG por M, claramente, ela intersectará a aresta AC.
Então, denotando por K esta intersecção, segue-se que MK  plano (  ) e, portanto,
K  plano (  ) .
AK AM
Mas, como AKM ~ DNG (caso de semelhança A.A.), então = , ou seja,
DN DG
AK 3
= . Logo, AK = 1.
3 9

9. Cálculo dos volumes dos sólidos determinados pelo plano (  )


O plano  divide o prisma em dois sólidos. O sólido de menor volume é um hexaedro de
faces:
• Pentagonais: AMSED e KMSQN;
• Triangulares: SEQ e AMK; e
• Quadrangulares: AKND e DEQN.
Note que este hexaedro pode ser dividido em dois sólidos pelo plano (DMN):
• pirâmide (M-AKND), de vértice M, base trapezoidal AKND e altura relativa a
3 3
esta base medindo (ver nota); e
2
• um pentaedro convexo MDNSEQ.
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10. Por outro lado, denotando por:


• V(M-AKDN) o volume da pirâmide quadrangular “M-AKDN”;
• V(MDNSEQ) o volume do pentaedro convexo “MDNSEQ”;
• V(M-DNG) o volume da pirâmide triangular “M-DNG”; e
• V(S- EQG) o volume da pirâmide triangular “S-EQG”.
Segue-se que o volume V1 , do hexaedro, (sólido de menor volume), é obtido pela soma
do volume da pirâmide (M-AKND) com o volume de um pentaedro convexo
(MDNSEQ). Note que o volume deste pentaedro é igual ao valor absoluto da diferença
entre os volumes das pirâmides triangulares: (M-DNG) e (S-EQG). Deste modo,
V1 = V ( M − AKND ) + ( V ( M − DNG ) − V (S − EQG ) ) =
1 (1 + 3)  6 3 3  1 3  9  sen 60 1 3  3 2  sen120 
=   +  6 −   3 =
3 2 2 3 2 3 2 
 27 3 9 3  147 3
= 6 3+ − =
 2 8  8
Já, sendo V2 , o volume do sólido (maior volume) determinado pelo plano , distinto do
pentaedro convexo, tem-se
6  6  sen 60 147 3 147 3 285 3
V2 = V ( ABCDEF ) − V1 = 6 − = 54 3 − =
2 8 8 8
147 3
V1 49
Portanto, = 8 = .
V2 285 3 95
8

RESPOSTA: b
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NOTA: Como BH ⊥ AC e BH ⊥ NH; pois o prisma ABCDEF é reto, então


BH ⊥ plano ( CADF) .
Deste modo, sendo MI BH, com I  AC, MI ⊥ plano ( CADF ) . Consequentemente, a
distância de M ao plano da face lateral (CADF), é igual ao comprimento do segmento
BH 3 3
MI, isto é, , ou seja, .
2 2