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Conhecimento Histórico

A história faz parte do campo de conhecimento das ciências humanas. Seu empenho
principal está na reconstrução do passado. No seu trabalho o historiador utiliza fontes que
podem ser: escritas, como documentos oficiais e particulares, cartas jornais, livros. Orais,
como discos ou fitas gravadas; ou visuais, quadros, gravuras, fotos e filmes.

Na vida cotidiana deparamos com um sem-número de fontes para os mais diversos estudos
de história. Por exemplo, para o pesquisador empenhado em descrever e explicar a sociedade
brasileira da década de 1980, seriam materiais importantes: cadernos e contas de famílias de
várias classes sociais; documentos mostrando o funcionamento de empresas; declarações de
renda; decretos governamentais; panfletos sindicais e políticos, livros, revistas, jornais, fotos
e filmes.

O estudo das fontes dever ser feita de forma crítica. Nem tudo que é dito pelos materiais
coletados para a pesquisa é a expressão da verdade. Ao longo da história, governos,
instituições e pessoas tendem a afirmar, como verdade, aquilo que muitas vezes é a
expressão de seus interesses.

Essas mentiras podem ser deliberadas ou inconscientes. Cabe ao historiador comparar,


criticar, estudar fontes de variadas tendências, numa tentativa de reconstruir o que
aconteceu de forma mais exata possível.

“A verdade na História tem um caráter diferente, em que o limite do que é aceitável ou não é
dado pela pesquisa junto às fontes, pelo diálogo com os conceitos e por um trabalho analítico
e de síntese, no sentido de construir uma explicação. Com certeza, esse tipo de verdade é
mais móvel, mais passível de reavaliação, mas isso não quer dizer que não exista produção
de conhecimento há História ou que o conhecimento produzido por essa disciplina não seja
rigoroso. (...) afirmar que a verdade histórica possui um caráter diferente não significa dizer
que ela não existe o que é arbitrária. A História não se confunde com uma opinião qualquer”.

O conhecimento produzido pelos historiadores é provisório (uma nova fonte, por exemplo,
pode alterá-lo), descontínuo (já que um historiador não poderá estudar toda a história dos
homens em todos os seus aspectos, no decorrer de todo o tempo), seletivo (uma vez que o
historiador elege o seu problema e seu objeto) e limitado (porque conhecer é tarefa infinita),
mas tudo isso não quer dizer que ele não seja verdadeiro.

De um lado estão as fontes e, de outro, as várias perguntas com as quais o historiador


interroga essas fontes. O acontecimento, a própria história, surge deste diálogo entre a
documentação e a pergunta feita pelo historiador.

O objeto do conhecimento histórico é aquilo que acontece, é o acontecido, perseguido pelas


suas evidências e registros.

Cada historiador faz perguntas diferentes e procura selecionar o material que possa
responder a essas perguntas. Isso não significa que a História, com “h” maiúsculo, seja a
simples somatória das várias histórias escritas. Para se conhecer o passado dos homens não
basta juntar tudo o que já foi dito sobre eles. É preciso compreender como cada aspecto da
vida humana e dos universos sociais se relacionam uns com os outros”.1

A historiografia, ou a história do estudo da história.

Durante muito tempo a preocupação dos historiadores era de estudar os grandes


acontecimentos, fundamentados nas ações dos governantes e encadeados em ordem
cronológica e o papel do historiador era o de descrever o que aconteceu na história.

Escrevia-se a história dos reis, príncipes, a vida dos heróis militares, suas batalhas e suas
vitórias. Era uma história mais descritiva do que reflexiva.

Um momento importante foi o da historiografia marxista. O pensador Karl Marx tinha uma
filosofia histórica peculiar, ele entendia que a história humana era movida pelos seus
interesses econômicos.

Para os marxistas o conhecimento histórico é um elemento de transformação da sociedade.


Eles dividiam a história pelos seus modos de produção. Por exemplo: no mundo antigo,
existia o modo de produção escravista, depois sucedido pelo modo de produção feudal,
seguido pelo capitalista, e assim por diante.

Uma nova tendência historiográfica é o que ficou conhecida como Nova História. Cansados da
ênfase econômica imposta pelos marxistas os historiadores desta nova tendência, quiseram
ampliar as fontes e o objeto de estudo da história.

O cotidiano encontrou sua relevância, a vida individual de cada pessoa passou a ser de
interesse do historiador. Pensou-se na História das Mentalidades, História da Mulher, do
Jovem, História da Vida Privada, História dos Cheiros e do Cotidiano.

Periodização histórica

Periodizar significa indicar períodos, demarcar o tempo histórico com marcos significativos.

Nas civilizações cristãs, convencionou-se que o marco inicial para a contagem do tempo
histórico é o nascimento de Cristo. Assim, no calendário cristão, o ano 1 começa com o
nascimento de Cristo. As datas anteriores ao nascimento levam a abreviatura a.C. e as datas
posteriores d.C. .Nem todos os povos, porém, adotam o calendário cristão, como os
muçulmanos e judeus.

Esta é ainda a periodização mais aceita:

• Idade Antiga – do fim da pré-história (aparecimento da escrita) até o século V d.C


(queda do Império Romano do Ocidente, em 476)

• Idade Média – do final da Antiguidade até o século XV (queda de Constantinopla,


em 1453)

• Idade Moderna – do final da Idade Média até o final do século XVIII (Revolução
Francesa, em 1789)

• Idade Contemporânea – do final da Idade Moderna até os dias atuais.

1 DE DECCA, Edgar Salvatori – História Editora Globo. Citado em COTRIM, Gilberto. História e
Consciência do Mundo. Editora Saraiva.

In, http://www.isaiaslobao.pro.br/index.php?
option=com_content&view=article&id=77:conhecehistoria&catid=39:artigos&Itemid=
59

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