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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA E FISIOTERAPIA


LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

EXERCÍCIO ESCOLAR 4

Simon da Silva Carvalho


Suélen Dias Pinheiro
Vinicius Ventura Miranda de Araújo

Manaus – AM
Dezembro 2019
Exercício Escolar 4

Atividade a ser desenvolvida: Brincadeira do “Vivo, Morto!”

Desenvolvimento da atividade: O professor fica em pé, de frente para a turma. Ele


dá dois comandos: “vivo” – e todos têm de ficar em pé – ou “morto” – quando todos
agacham. A diversão fica por conta de quem se atrapalha, erra o comando e sai do
jogo. Como alternativa para que todos permaneçam brincando até o final da aula,
sugerimos pagar uma prenda (execução de 05 agachamentos).

O professor deve procurar fazer os alunos ficarem confusos, repetindo a


mesma ordem mais de uma vez, por exemplo: "Morto", "Morto", "Morto", "Vivo".

À medida que o tempo for passando, o professor vai alternando a velocidade


com que dá as ordens, tentando confundir os alunos. Para dificultar ainda mais, ele
também pode começar a fazer os movimentos de se agachar e levantar, porém com
os comandos invertidos.

Objetivo: apresentar a análise das ações musculares envolvidas durante a execução


da atividade:

Posição Inicial 1 Posição Final 2


“Vivo” “Vivo”

Posição Final 1
“Morto”

Posição Inicial 2
“Morto”

‘ Fase Excêntrica Fase Concêntrica


1. Posição Inicial 1/ Final 2: “Vivo” - Posição estática (em pé)

As ações musculares são importantes na manutenção da postura estática, sendo os


músculos participantes denominados músculos antigravitacionais (Figura 1).
São eles: extensores do quadril e do joelho e extensores do tronco e do
pescoço. Existem ainda, outros músculos que participam: flexores do tronco e
do pescoço, abdutores e adutores do quadril e, inversores e eversores do
tornozelo.

Figura 1 - Músculos antigravitacionais

Fonte: Cinesiologia Clinica e Anatomia. LIBERT, 2008, p. 261.

Ação Muscular: Isométrica


Extensores do Pescoço e tronco:
- M. Latíssimo do dorso –
Origem: Parte vertebral: processos espinhosos da sétima à décima segunda vértebras
torácicas, fáscia toracolombar. Parte ilíaca: crista ilíaca. Parte costal: nona a
décima segunda costelas. Parte escapular: ângulo inferior da escápula
(inconstante).
Inserção: Úmero proximal e distal
Função: Rotação interna, adução e retroversão do úmero; Elevação e anteriorização
do tronco; Auxilia a respiração.
Fibras: Oblíquas-peniforme (Uni-)
- M. Trapézio –
Origem: Ligamento nucal, Linha nucal superior, Processos espinhosos de C7-T12,
Protuberância occipital externa
Inserção: Acrômio, clavícula, espinha da escápula
Função: Estende o pescoço e a articulação atlanto-occipital, eleva, roda e retrai
escápula.
Fibras: Oblíquas-peniforme (Uni-)

- M. Levantador da escápula –
Origem: Processos transversos de C1 e C4
Inserção: Parte superior da borda medial da escápula
Função: Eleva e roda a escápula, flete lateralmente a coluna cervical.
Fibras: Oblíquas-peniforme (Uni-)

- M. Rombóide –
Origem: Processos espinhosos de C7-T5
Inserção: Borda medial da escápula
Função: Adução e Rotação Inferior das Escápulas e elevação do Ombro.
Fibras: Paralelas

- M. Reto posterior menor da cabeça –


Origem: Tubérculos posteriores do atlas
Inserção: Linha nucal inferior
Função: Estende articulação atlanto-occipital, cabeça.
Fibras: Paralelas

Extensores do quadril:
- M. Glúteo Máximo–
Origem: Sacro (porção dorsal), ílio (atrás da linha glútea posterior), fáscia
toracolombar e ligamento sacrotuberal
Inserção: Tuberosidade glútea do fémur (fibras caudais) e côndilo lateral da tíbia
(fibras craniais)
Função: Extensão e rotação externa do fémur, estabilização da articulação do quadril,
abdução (fibras craniais) e adução (fibras caudais) da coxa.
Fibras: Em leque, Triangular
- M. Glúteo Médio e Mínimo–
Origem: Médio - superfície glútea do íleo (sob o músculo glúteo máximo); Mínimo -
superfície glútea do íleo (sob o músculo glúteo médio);
Inserção: Médio/Mínimo - trocânter maior do fémur
Função: Estabilização da pelve; abdução e adução da articulação do quadril; flexão e
rotação interna (fibras ventrais); extensão e rotação externa (fibras dorsais).
Fibras: Em leque, Triangular

- M. Iliopsoas –
Origem: Músculo psoas maior: corpos vertebrais de L1-L4, processos transversos de
T12-L5; Músculo ilíaco: Fossa ilíaca
Inserção: Trocanter menor / pequeno trocanter do fêmur
Função: Flexão do quadril, rotação lateral da coxa, flexão lateral da coluna,
movimentação e estabilização da pelve.
Fibras: Em leque, triangular

- M. Bíceps Femoral –
Origem: Linha supra condilar lateral; Ligamento sacrotuberal; linha áspera do fêmur;
tuberosidade ísquica
Inserção: Cabeça da fíbula
Função: Flexão joelho e perna, estende articulação coxofemoral e coxa, estabiliza
pelve, roda externamente articulação coxofemoral, joelho, perna e coxa.
Fibras: Paralelas

- M. Semitendinoso –
Origem: Tuberosidade isquiática
Inserção: Pata anserina
Função: Flexão joelho e perna, estende articulação coxofemoral e coxa, estabiliza
pelve, roda internamente articulação coxofemoral, joelho, perna e coxa.
Fibras: Fusiformes

- M. Semimembranoso –
Origem: Tuberosidade Isquiática
Inserção: Côndilo medial da tíbia, ligamento poplíteo oblíquo
Função: Flexão joelho e perna, estende articulação coxofemoral e coxa, estabiliza
pelve, roda internamente articulação coxofemoral, joelho, perna e coxa.
Fibras: Fusiformes

Extensores do joelho:
- M. Reto femoral –
Origem: Espinha ilíaca antero-inferior, sulco supra acetabular
Inserção: patela, tuberosidade da tíbia
Função: estende joelho, flete articulação coxofemoral e coxa.
Fibras: Fusiformes

- M. Vasto Lateral –
Origem: Linha áspera do fêmur, trocânter maior
Inserção: Côndilo lateral da tíbia, patela, tuberosidade da tíbia
Função: estende joelho
Fibras: Fusiforme

- M. Vasto Medial –
Origem: Linha áspera do fêmur, linha intertrocantérica, linha espiral do fêmur
Inserção: Côndilo medial da tíbia, patela, tuberosidade da tíbia
Função: estende joelho
Fibras:

- M. Vasto Intermédio –
Origem: Corpo do fêmur
Inserção: Patela, Tuberosidade da tíbia
Função: estende joelho
Fibras: Fusiforme

Flexores do Tronco:

- M. Reto Abdominal –
Origem: Crista/sínfise púbica
Inserção: Cartilagens costais 5-7, apêndice xifóide
Função: Aumento da pressão intra-abdominal (Expiração, Vômito, Defecação, Micção
e no Parto) * Fixo no Tórax: Retroversão da pelve * Fixo na Pelve: Flexão do
tronco (+ ou – 30°).
Fibras: Paralelas

- M. Oblíquo Externo do Abdômen –


Origem: 5ª a 12ª costelas
Inserção: Crista ilíaca e linha alba
Função: Manter o tônus abdominal, compressão e suporte das vísceras, rotação
contralateral
Fibras: Oblíquas-semipeniforme

- M. Oblíquo Interno do Abdômen –


Origem: fáscia toracolombar, crista ilíaca e ligamento inguinal
Inserção: cartilagens costais inferiores e linha alba
Função: compressão das vísceras e rotação ipsilateral do tronco
Fibras: Oblíquas-semipeniforme

- M. Oblíquo Transverso do Abdômen –


Origem: superfície interna das cartilagens costais inferiores, fáscia toracolombar e
crista ilíaca
Inserção: linha alba
Função: compressão das vísceras abdominais
Fibras: Paralelas

Flexores do pescoço:

- M. Longo do pescoço –
Origem: corpos de C5 a T3, apófises transversas de C3 a C5
Inserção: tubérculo anterior do atlas, corpos de C1 a C3 e apófises transversas de C3
a C6
Função: flexão anterior e lateral do pescoço, com rotação ligeira para o lado oposto
Fibras: Paralelad

2. Fase 2: Execução do agachamento


O movimento de agachamento inicia-se com a fase de descida com a flexão
dos quadris, joelhos e tornozelos. Uma orientação de segurança muito comum é
descer até que não ocorra a retroversão pélvica, não existe um ângulo exato, cada
pessoa vai ter seu ângulo influenciado pelo nível de flexibilidade dos flexores dos
quadris. A fase de subida é alcançada pela extensão tripla dos quadris, joelhos e
tornozelos, até que o indivíduo retorne à posição inicial. Os músculos do tronco,
particularmente os eretores da coluna são recrutados pela ação muscular isométrica
para dar apoio a uma postura ereta durante todo o movimento. Além disso, os
músculos do reto e transverso abdominal dão maior tensão a parede abdominal.

1- Articulação do Joelho (Tíbiofemoral):

Classificação morfológica: Gínglimo (Falsa Dobradiça)

Classificação Funcional: Biaxial

Plano: Sagital

Eixo: Latero-Lateral

Direção Fase Excêntrica: Podálica

Movimento Fase Excêntrica: Flexão de Joelho

Direção Fase Concêntrica: Cefálica

Movimento Fase Concêntrica: Extensão de Joelho


Ação Muscular Fase Excêntrica (Descida)

Motor Primário: Quadríceps Femoral (Reto Femoral, Vasto Medial, Lateral e


Intermédio) – Origem, inserção e função descritos na fase estática.

Motor Secundário: Bíceps Femoral (Cabeça Longa e Curta), Semitendinoso e


Semimembranoso, Poplíteo e Gastrocnêmios. (bíceps femoral, semitendinoso e
semimembranoso com origem, inserção e função já descritos na fase estática)

- M. Poplíteo –
Origem: Côndilo lateral do fêmur e corno posterior do menisco lateral
Inserção: Face posterior da tíbia, superiormente à origem do músculo solear (sóleo)
Função: Desbloqueio da articulação do joelho
Fibras: Em leque, Triangular

- M. Gastrocnêmio –
Origem: Epicôndilo lateral do fêmur, Epicôndilo medial
Inserção: Tuberosidade do calcâneo
Função: Flexão de joelho e perna, flexão plantar da articulação talocrural.
Fibras: Fusiforme

Movimento Fase Concêntrica (Subida): Quadríceps Femoral (Reto Femoral, Vasto


Medial, Lateral e Intermédio). Origem, inserção e função descritos na fase estática.

2- Articulação do Quadril (Acetábulo Femoral):

Classificação Morfológica: Esfenoidal

Classificação Funcional: Triaxial

Plano: Sagital

Eixo: Latero- Lateral

Direção Fase Excêntrica: Podálica

Movimento Fase Excêntrica: Flexão do Quadril


Direção Fase Concêntrica: Cefálica

Movimento Fase Concêntrica: Extensão de Quadril

Ação Muscular Fase Excêntrica:

Motor Primário: Reto Femoral, Glúteo Máximo, Bíceps Femoral Cabeça Longa,
Semitendinoso e Semimembranoso. - Origem, inserção e função descritos na fase
estática.

Motor Secundário: Iliopsoas, Pectíneo. (Iliopsoas com origem, inserção e função


descritos na fase estática)

- M. Pectíneo –
Origem: Epicôndilo lateral do fêmur, Epicôndilo medial
Inserção: Linha pectínea do fêmur
Função: Estabiliza pelve, rotação, flexão e adução da articulação coxofemoral e coxa.
Fibras: Paralelas

Ação Muscular Fase Concêntrica: Glúteo Máximo, Semitendinoso, Semimembranoso


e Biceps Femoral Cabeça Longa. - Origem, inserção e função descritos na fase
estática.

3- Articulação do Tornozelo (Articulação Talocrural)

Classificação Morfológica: Gínglimo

Classificação Funcional: Uniaxial

Plano: Sagital

Eixo: Latero-Lateral

Direção Fase Excêntrica: Cefálica

Movimento Fase Excêntrica: Dorsiflexão

Direção Fase Concêntrica: Podálica


Movimento Fase Concêntrica: Flexão Plantar

Ação Muscular Fase Excêntrica: Tibial Anterior, Fibular Terceiro, Extensor Longo dos
Dedos e Extensor Longo do Hálux.

- M. Tibial Anterior –
Origem: Côndilo lateral da tíbia e ½ proximal da face lateral da tíbia e membrana
interóssea
Inserção: Cuneiforme medial e base do 1º metatarsal
Função: Flexão Dorsal e Inversão do Pé
Fibras: Fusiforme

- M. Fibular Terceiro –
Origem: 1/3 distal da face anterior da fíbula
Inserção: Base do 5º metatarsal
Função: Eversão do Pé
Fibras: Fusiforme

- M. Extensor Longo dos Dedos –


Origem: Côndilo lateral da tíbia, ¾ proximais da fíbula e membrana interóssea
Inserção: Falange média e distal do 2º ao 5º dedos
Função: Dorsiflexão da articulação talocrural
Fibras: Oblíquas-semipeniforme

- M. Extensor Longo do Hálux –


Origem: 2/4 intermediários da fíbula e membrana interóssea
Inserção: Falange distal do hálux
Função: Extensão do Hálux, Flexão Dorsal e Inversão do Pé
Fibras: Fusiforme

Ação Muscular Fase Concêntrica: Gastrocnêmio, Sóleo e Plantar (gastrocnêmio com


origem, inserção e função já descritos em ‘articulação do joelho’)

- M. Sóleo –
Origem: 1/3 intermédio da face medial da tíbia e cabeça da fíbula
Inserção: Face posterior do calcâneo, através do tendão calcaneano
Função: Flexão Plantar do Tornozelo
Fibras: Fusiforme

- Tendão Plantar –
Origem: Côndilo lateral do fêmur
Inserção: Calcâneo
Função: Auxilia o Tríceps Sural

Conclusão
A atividade proposta (brincadeira do Vivo, Morto!) é apresentada de forma
lúdica, requerendo do aluno participante raciocínio rápido para tomada de decisão e
inúmeras ações musculares, tendo em vista a necessidade de ficar na posição
agachado quando ordenado a posição “Morto!”. E, o professor de Educação Física
pode utilizar desta fase da brincadeira para execução da posição correta do
agachamento, uma vez que este exercício é considerado um dos mais completos da
musculação e quando bem executado, traz benefícios à saúde de quem o pratica.

O agachamento é um exercício que recruta músculos do joelho, perna, quadril


e coluna, e quando bem orientado e executado, principalmente para escolares, este
exercício pode colaborar com o fortalecimento destas musculaturas de forma a evitar
possíveis lesões durante outros desportos, e ainda, auxiliando no desempenho de
força e desenvolvimento muscular.

REFERÊNCIAS
Análise Cinesiológica do Exercício Agachamento. VIAS DE TREINAMENTO. Brasil,
2019. Disponível em: <http://viasdetreinamento.blogspot.com/2012/10/analise-
cinesiologica-do-exercicio.html> Acesso em 01 dez 2019.

Kenhub GmbH. KEN HUB. Alemanha, 2019. Disponível em: <


https://www.kenhub.com>

Surface ElectroMyoGraphy for the Non-Invasive Assessment of Muscles. SENIAM.


Holanda, 2019. Disponível em: <https://www.seniam.org>