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A UNESCO organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura foi

criada em 1946 com o objetivo de contribuir para a "construção da paz", reduzindo a pobreza,
promovendo o desenvolvimento sustentável e o diálogo intercultural, através da educação,
ciência, cultura, comunicação e informação. Atualmente a UNESCO integra 195 países membros.

Para alcançar os seus objetivos a Unesco criou, ao longo do tempo, diferentes


programas, entre os quais o Programa “O Homem e a Biosfera” (1971) e o Programa para a
Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972).

Atentos à importância do reconhecimento e preservação do património geológico é em


1989 criado o “Gerolstein District Geopark” na Alemanha. De acordo com as iniciativas nacionais
e internacionais, como a “Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra” em 1991
realiza-se o primeiro Congresso internacional sobre a Proteção do Património Geológico em
(Digne, França 1991) a fim de promover três objetivos, a conservação de um ambiente saudável,
a educação em Ciências da Terra em geral, e a promoção do desenvolvimento económico
sustentável local.

Analisando os seus Programas a UNESCO apercebe-se que nenhum deles faz o


reconhecimento devido a locais de interesse geológico. Assim, em 1997 coloca-se a hipótese de
promover a criação de uma rede mundial de geossítios, pelo que a Divisão de Ciências da Terra
apresenta uma proposta final para a Criação do Programa Geoparques.

Em 2000 é criada a Rede Europeia de Geoparques, sendo totalmente independente das


iniciativas da UNESCO. Esta rede foi inicialmente, integrada por quatro países, com um
geoparque cada um – Alemanha, Espanha, França e Grécia.

No ano de 2001 a UNESCO, por falta de financiamento, decide não avançar com o Programa
Geoparques, mas reconhece a importância e relevância do conceito Geoparque, pelo que decide
assinar um acordo de cooperação com a rede Europeia de Geoparques.

A EGN continua a crescer, acrescentando novos geoparques de outros países europeus.


O número de geoparques criados é considerável, pelo que a UNESCO considerou criar uma rede
Mundial de Geoparques. Foi assim criada a Rede Global de Geoparques que incluiu todos os
Geoparques Europeus e todos os que se estavam a desenvolver na China. Apesar da existência
de uma rede Global continuam a existir as redes regionais – Rede Europeia de Geoparques e a
Rede Ásia-Pacífico.

Em 2005 é assinado o acordo de Madonie que estabelece uma parceria entre a Rede
Global e a Rede Europeia que define a Rede Europeia responsável por receber as candidaturas
de novos Geoparques. Após 2004 e 2005 novos países como a Roménia e República Checa
integram a Rede. Portugal e Noruega entram em 2006, ano em que a rede cresce para o
Continente Americano com o Geoparque Araripe no Brasil. Em 2007 assiste-se a um novo
crescimento da Rede quer na Europa quer na Ásia. O Japão entra em 2009 e em 2010 para além
do crescimento notável da Rede, é também criado um Geoparque na América do Norte –
Canadá. 2011 e 2012 as redes Europeia e Ásia-Pacífico são reforçadas. A América do Sul integra
novamente a Rede com um Geoparque no Uruguai em 2013. África – Marrocos integra a Rede
Global pela primeira vez em 2014.

Um ano determinante no processo de reconhecimento por parte da UNESCO é o ano de


2015. Neste ano a Rede Global de Geoparques transforma-se numa associação internacional,
passando de uma rede informal para uma associação internacional. A 17 de novembro de 2015
é finalmente aceite pela UNESCO a criação de um novo Programa “UNESCO GLOBAL
GEOPARKS”.

A Rede Global de Geoparques conta atualmente com 120 Geoparques em 33 países. A


China tem um número considerável (33), segue-se a Espanha (11), a Itália (10), Japão (8), Reino
Unido (7), Alemanha (6). Os restantes 45 Geoparques estão distribuídos nos outros países.
Portugal tem quatro Geoparques: Naturtejo Geopark (2006); Arouca (2009); Azores (2013) e
Terras de Cavaleiros Global Geopark (2014).

Apesar do elevado número de geoparques, verifica-se que a distribuição não é


homogénea. Há países que ainda não detêm nenhum e outros em que os geoparques estão
demasiado localizados em áreas específicas.

A rede abrange todas as regiões do mundo e reúne grupos que compartilham valores
comuns, interesses ou fundos, seguem um conceito e uma gestão de processo específico.
Servindo ainda para desenvolver modelos de melhores práticas e definir padrões de qualidade
para os territórios que integram a preservação do património geológico numa estratégia para o
desenvolvimento económico sustentável regional. Networking e colaboração entre os
Geoparques é uma componente importante da Rede Global de Geoparques. A UNESCO encoraja
qualquer forma de cooperação, nomeadamente nos domínios da educação, gestão, turismo,
desenvolvimento sustentável e planeamento regional entre os membros da rede