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Pode haver uma linha tênue entre amor e ódio...

...Mas ultrapassar essa linha pode ser muito divertido.


Capítulo 1

—O que diabos ela está fazendo?

Quando a luz ficou verde, eu continuei correndo em vez de


cruzar. A cena que se desenrolava do outro lado da rua era
divertida demais para ser interrompida. Meu carro estava
estacionado em frente ao escritório, e uma loira de cabelo
encaracolado com pernas assassinas estava inclinada sobre o
para-brisa - seu cabelo aparentemente de alguma forma preso na
minha palheta do limpador.

Por quê? Eu não tinha a mínima ideia. Mas ela parecia muito
chateada, e a visão era cômica para assistir, então eu mantive
minha distância, curioso para ver como isso iria se desenrolar.

Era um dia típico com vento na área da baía, e uma rajada fez
com que seus longos cabelos voassem por todo o lugar enquanto
ela lutava com meu carro. Isso pareceu incomodá-la ainda mais.
Frustrada, ela puxou o cabelo, mas a mecha enrolada em torno do
limpador era grande demais, e não se soltou. Em vez de tentar
desenrolá-lo gentilmente, ela puxou com mais força, desta vez
levantando-se enquanto puxava o cabelo com as duas mãos.

Isso fez o truque. Seu cabelo se soltou. Infelizmente, minha


palheta de limpador ainda estava preso a ela, balançando. Ela
resmungou o que eu suspeitava ser uma série de maldições e, em
seguida, fez uma última tentativa fútil de remover a bagunça
emaranhada. As pessoas que tinham atravessado a rua, quando eu
deveria, agora começaram a se aproximar de onde ela estava, e a
pequena loira de repente pareceu perceber que alguém poderia
tomar conhecimento dela.

Em vez de ficar com raiva por essa mulher maluca ter


danificado meu Audi de uma semana, não pude deixar de rir
quando ela olhou ao redor, depois abriu a capa de chuva e enfiou
o limpador pendurado no interior. Ela alisou o cabelo, apertou o
cinto e se virou para ir embora como se nada tivesse acontecido.
Eu pensei que era o final do show, mas aparentemente ela pensou
melhor sobre o que ela fez. Ou então parecia. Voltando, ela foi
para o meu carro, então começou a mexer em seu bolso para
pegar algo e colocá-lo sob o limpador de para-brisa restante antes
de sair correndo.

Quando a luz ficou verde novamente, eu atravessei e corri


para o meu carro, curioso para saber o que o bilhete dela dizia. Ela
deve ter ficado presa lá por um tempo e escrito antes de eu a ver,
porque ela não pegou uma caneta enquanto eu assistia.
Levantando o limpador restante, tirei a nota e a virei, só para
descobrir que o que ela deixou para trás não era uma nota de
desculpas. A loira me deixou uma maldita multa de
estacionamento.

***

Que manhã. Meu carro vandalizado, sem água quente no


ginásio ao lado do escritório, e agora um dos elevadores estava
fora de serviço novamente. As pessoas correndo para o trabalho
se amontoaram no único elevador que funcionava como sardinhas
em lata. Eu olhei para o meu relógio. Merda. Meu encontro com
Jonas deveria ter começado cinco minutos atrás.

E nós estávamos parando em cada maldito andar.

As portas se abriram no sétimo andar, um andar abaixo do


meu.

—Com licença, — disse uma mulher atrás de mim.

Eu pisei para o lado para deixar as pessoas saírem, e a mulher


chamou minha atenção quando ela passou. Ela cheirava bem,
como loção bronzeadora e praia. Eu a observei sair. Assim que as
portas do elevador começaram a se fechar, ela se virou e nossos
olhares se encontraram por um breve segundo.

Lindos olhos azuis sorriam para mim.

Comecei a sorrir de volta... depois parei, piscando e


absorvendo todo o seu rosto - e seu cabelo - assim que as portas
se fecharam.

Puta merda. A mulher desta manhã.

Eu tentei colocar a pessoa em pé em frente ao painel do


elevador no outro lado para apertar o botão de abertura, mas nós
começamos a nos mover antes que ela percebesse que eu estava
falando com ela.

Perfeito. Simplesmente perfeito. Assim como o resto do


maldito dia.

Cheguei no escritório do Jonas quase dez minutos atrasado.


—Desculpe estou atrasado. Manhã complicada.

—Sem problemas. As coisas estão um pouco agitadas aqui


hoje com a mudança.

Sentei em uma das cadeiras de visitante em frente ao chefe e


soltei um suspiro profundo.

—Como está sua equipe com tudo o que está acontecendo


hoje? — Ele perguntou.

—Assim como se espera. Ficaria muito melhor se eu pudesse


dizer a todos que seus empregos estão seguros.

—Ninguém está perdendo nenhum emprego no momento.

—Se você pudesse parar a frase depois da palavra emprego,


isso seria ótimo.

Jonas se recostou na cadeira e suspirou.

—Eu sei que não é fácil. Mas essa fusão será boa para a
empresa no final. Wren pode ser o menor jogador, mas eles têm
um bom portfólio de clientes.

Há duas semanas, a empresa em que eu trabalhava desde que


saí da faculdade havia se fundido a outra grande agência de
publicidade. Todos estavam nervosos desde então, nervosos com
o que a aquisição da Wren Media significava para sua posição na
Foster Burnett. Nas últimas duas semanas, passei metade de
minhas manhãs tranquilizando meu time, mesmo que eu não
tivesse a mínima ideia de como seria o futuro de duas importantes
empresas publicitárias.
Nós éramos a maior empresa, então é isso que eu tenho
lembrado as pessoas. Hoje foi a consolidação física no escritório
de São Francisco, onde trabalhei. Pessoas carregando caixas
haviam se infiltrado em nosso espaço, e deveríamos sorrir e
cumprimentá-las. Não foi fácil, especialmente quando meu
trabalho poderia estar em jogo. Essa empresa não precisava de
dois diretores de criação, e Wren tinha sua própria equipe de
marketing, que estava entrando no nosso espaço neste exato
momento.

Enquanto Jonas me garantia que meu trabalho na empresa


era seguro, ele ainda não havia dito que nenhum de nós seria
transferido. O escritório de Dallas era maior, e havia rumores
recentes de que havia mais transferências.

Eu não tinha planos de me mudar para lugar algum.

—Então, me fale sobre a mulher que eu vou esmagar. Eu


perguntei por aí. Jim Falcon trabalhou na Wren por alguns anos e
disse que ela estava muito perto de se aposentar. Espero não fazer
uma mulher de cabelos brancos chorar.

As sobrancelhas de Jonas se abaixaram. —Aposentadoria?


Annalice?

—Jim me disse que ela usa um andador às vezes - problemas


com os joelhos ou alguma merda. Eu tive que fazer manutenção
para alargar o corredor entre os cubículos onde a equipe se senta
para que ela possa passar. Mas eu me recuso a me sentir culpado
por chicotear a bunda dessa mulher só porque ela é mais velha e
tem alguns problemas de saúde. Vou mandá-la para o Texas, se
chegar a hora.
—Bennett… acho que talvez Jim esteja confuso. Annalise não
tem um andador.

Eu balancei a cabeça. —Você está de brincadeira? Não me


diga isso. Custou-me uma garrafa de Johnny Walker Blue Label
para que meu pedido de trabalho subisse para o topo da lista com
o departamento de manutenção.

Jonas sacudiu a cabeça. —Annalise não é-— Ele parou no


meio da frase e olhou por cima da minha cabeça em direção à
porta. —Bom timing. Aqui está ela agora. Entre, Annalise. Eu
quero que você conheça Bennett Fox.

Eu me virei na cadeira para ver minha nova competição – a


senhora que eu estava prestes a aniquilar - e quase caí. Minha
cabeça voltou para Jonas.

—Quem é?

—Esta é Annalize O'Neil, sua contraparte na Wren. Eu acho


que Jim Falcon a confundiu com outra pessoa.

Voltei-me para a mulher caminhando em minha direção.


Annalise O'Neil certamente não era a velha que eu imaginei na
minha cabeça. Não mesmo. Ela tinha vinte e tantos anos, na
melhor das hipóteses. E linda - linda de morrer. Pernas longas e
bronzeadas, curvas que poderiam fazer um homem cair de um
penhasco, e uma cabeleira selvagem de cabelo loiro ondulado que
emoldurava um rosto seriamente digno de modelo. Sem aviso,
meu corpo reagiu - meu pau, que estava se debatendo
desinteressado pelo último mês desde que as notícias da fusão
começaram, de repente se animou. A testosterona endireitou
meus ombros e levantou meu queixo. Se eu fosse um pavão,
minhas penas coloridas teriam se espalhado.

Minha competição era uma porra de nocaute.

Eu balancei a cabeça e ri. Jim Falcon não cometeu nenhum


erro. O filho da puta fez isso para ferrar comigo. Ele era um cara
esperto. Eu deveria saber. Ele deve ter ficado rindo quando eu fiz
os caras da manutenção desmontarem e remontarem os cubículos
para dar espaço para o andador dela.

Que idiota. Embora tenha sido muito engraçado. Ele me


pegou, com certeza.

Mas isso não foi o que me fez sorrir de orelha a orelha.

Não. De modo nenhum.

Merda estava prestes a ficar interessante, e não tinha nada a


ver com a mulher com o chute na bunda dá mulher que vinha
caminhando.

Minha concorrência - Annalize O'Neil, a linda mulher que


estava bem na minha frente, no escritório do meu chefe, a mulher
com que eu estava prestes a enfrentar...

… Também era a mulher desta manhã, aquela que tinha


arrancado meu limpador e me deixou uma maldita multa de
estacionamento em seu lugar, a mulher sorridente do elevador.

—Annalise, não é? — Eu me levantei, endireitando minha


gravata com um aceno de cabeça. —Bennett Fox.

—Prazer em conhecê-lo, Bennett.


—Oh, confie em mim, o prazer é todo meu.
Capítulo 2

Que coisa.

Era o cara lindo que tinha visto no elevador. E aqui eu pensei


que tínhamos uma pequena faísca.

Bennett Fox sorriu como se já tivesse sido nomeado meu


chefe e estendeu a mão. —Bem vinda a Fostjer Burnett. —
Ugh. Ele não era apenas bonito; ele também sabia disso.

—Isso seria Foster, Burnett and Wren, desde algumas


semanas atrás, certo? — O respondi com minha lembrança sutil
de que agora era o nosso local de trabalho com um sorriso,
subitamente grata por meus pais terem me feito usar aparelho até
os dezesseis anos.

—Claro. — Meu novo inimigo sorriu brilhantemente.


Aparentemente, seus pais também se dedicaram a cuidados
ortodônticos.

Bennett Fox também era alto. Uma vez eu li um artigo que


dizia que a altura média de um homem nos EUA era de um metro
e noventa e cinco de altura; menos de quinze por cento dos
homens eram mais altos que um metro e oitenta. No entanto, a
altura média de mais de sessenta e oito por cento dos CEOs da
Fortune 500 era de mais de um metro e oitenta.

Subconscientemente, nós relacionamos o tamanho ao poder


em mais maneiras do que apenas a força.

Andrew tinha 1.88 cm. Eu acho que esse cara tinha o mesmo.
Bennett puxou a cadeira de visitas ao lado dele. —Por favor sente-
se.

Alto e com maneiras cavalheirescas. Eu não gostei dele.


Durante a conversa de vinte minutos com Jonas Stern - na qual ele
tentou nos convencer de que não estávamos disputando a mesma
posição, mas sim forjando o caminho como líderes da agora maior
agência de publicidade dos Estados Unidos - eu roubei olhares
para Bennett Fox.

Sapatos: definitivamente caros. Conservador, oxford em


estilo, mas com um toque moderno de topstitching 1. Ferragamo
seria meu palpite. Pés grandes também.

Terno: marinho, adaptado para caber seu alto e largo peito. O


tipo de luxo discreto que dizia que ele tinha dinheiro, mas não
precisava exibi-lo para impressionar você.

Ele tinha uma longa perna cruzada casualmente sobre o


outro joelho, como se estivéssemos discutindo o clima, em vez de
sermos informados de que tudo o que trabalhávamos em doze
horas por dia, seis dias por semana, corria subitamente risco de
ser em vão.

1
Topstitching é uma técnica de costura onde a linha de costura é projetada para ser vista de fora da peça, seja
decorativa ou funcional.
A certa altura, Jonas disse algo com o qual ambos
concordamos, e nos entreolhamos, acenando com a cabeça. Dada a
oportunidade de uma inspeção mais próxima, meus olhos
percorreram seu belo rosto. Mandíbula forte, ousadamente reta,
nariz perfeito - o tipo de estrutura óssea passada de geração em
geração que era melhor e mais útil do que qualquer herança
monetária. Mas os olhos dele eram o sinal da chuva: um verde
profundo e penetrante que se destacava de sua pele lisa e
bronzeada. Olhos que estavam atualmente olhando diretamente
para mim.

Eu desviei o olhar, voltando minha atenção para Jonas.

—Então, o que acontece no final do período de integração de


noventa dias? Haverá dois diretores de criação da West Coast
Marketing?

Jonas olhou para trás e para frente entre nós e suspirou.


—Não. Mas ninguém vai perder o emprego. Eu estava prestes a
contar as novidades a Bennett. Rob Gatts anunciou que vai se
aposentar em alguns meses. Então, haverá uma posição abrindo
para um diretor criativo substituí-lo.

Eu não tinha ideia do que isso significava. Mas


aparentemente Bennett sim.

—Então um de nós será enviado para Dallas para substituir


Rob na região sudoeste? — Ele perguntou.

O rosto de Jonas me disse que Bennett não ficaria feliz com a


perspectiva de ir para o Texas.

—Sim.
Todos nós deixamos isso ser absorvido por um momento. A
possibilidade de ter que se mudar para o Texas mudou minha
mente de volta, no entanto.

—Quem vai tomar a decisão?, — Perguntei. —Porque


obviamente você tem trabalhado com Bennett...

Jonas balançou a cabeça e acenou o que eu estava começando


a questionar.

—Decisões como essa - em que dois cargos de gerência


sênior estão sendo fundidos em um único escritório - o conselho
supervisionará e fará a determinação final de quem será o
primeiro a escolher.

Bennett estava tão confuso quanto eu.

—Os membros do conselho não trabalham conosco


diariamente.

—Não, eles não fazem. Então eles inventaram um método


para tomar sua decisão.

—Qual é?

—Será baseado em três grandes clientes. Vocês farão


campanhas por conta própria e as apresentarão. Os clientes
escolherão o que mais gostam.

Bennett pareceu abalado pela primeira vez. Sua perfeita


compostura e autoconfiança levou um golpe quando ele se
inclinou para frente e passou longos dedos pelos cabelos.
—Você só pode estar de brincadeira comigo. Mais de dez
anos, e meu trabalho aqui se resume a alguns passos? Eu consegui
meio bilhão de dólares em contas de anúncios para esta empresa.

—Eu sinto muito, Bennett. Eu realmente sinto. Mas uma das


condições da fusão com a Wren era que a devida consideração
fosse dada aos funcionários da Wren em posições que poderiam
ser eliminadas por causa da duplicidade. O acordo quase não foi
aprovado porque a Sra. Wren insistiu tanto para que ela não
vendesse a empresa do marido, apenas para que a nova
organização tirasse todos os funcionários que trabalhavam duro
em Wren.

Isso me fez sorrir. O Sr. Wren estava cuidando de seus


funcionários mesmo depois que ele se foi.

—Estou pronta para o desafio. — Eu olhei para Bennett, que


estava claramente chateado. —Que a melhor mulher vença.

Ele franziu o cenho.

—Você quer dizer homem.

Nós nos sentamos por mais uma hora, passando por todas as
nossas contas correntes e discutindo quais seriam realocadas para
que pudéssemos nos concentrar em integrar nossas equipes e os
campos que decidiriam nosso destino.

Quando chegamos à conta Bianchi Winery, Bennett disse:

—Isso é daqui a dois dias. Estou pronto para esse lance. —


Eu sabia que havia dois concorrentes além de me apresentar na
conta. Inferno, eu fui a única a sugerir que o trabalho fosse
divulgado para ter certeza de que eles estavam recebendo a
melhor publicidade lá fora. Mas eu não sabia que Foster Burnett
era uma das outras empresas envolvidas. E, claro, a fusão mudou
tudo. Eu não podia permitir que a nova gerência pensasse que eu
poderia perder uma conta existente.

—Eu não acho que seja necessário para nós dois lançarmos.
Bianchi tem sido minha conta há anos. Na verdade, por causa do
meu relacionamento com eles, fui eu quem sugeriu...

O idiota me interrompeu.

—Sra. Bianchi estava muito interessada em minhas primeiras


ideias. Não tenho dúvidas de que ela vai com um dos meus
conceitos.

Deus, esse cara é arrogante.

—Tenho certeza de que suas ideias são ótimas. Mas o que eu


ia dizer é que eu tenho um relacionamento com a vinícola, e tenho
certeza de que eles trabalharão comigo exclusivamente se eu
sugerir isso porque...

Ele me interrompeu novamente.

—Se você está tão certa, por que não deixar o cliente decidir?
Parece-me que você tem mais medo de um pouco de competição
do que do seu relacionamento. — Bennett olhou para Jonas.

—O cliente deve ver os dois.

—Tudo bem. Tudo bem. — disse Jonas.


—Somos uma empresa agora. Prefiro dizer um lance para um
cliente existente, mas como vocês já estão prontos, não vejo mal
algum em mostrar os dois. Enquanto vocês dois forem capazes de
colocar uma frente unida para Foster, Burnett e Wren, devemos
deixar o cliente ser o juiz.

Um sorriso detestável deslizou pelo rosto de Bennett.


—Tudo bem por mim. Eu não tenho medo de um pouco de
competição... ao contrário de algumas pessoas.

—Nós não somos mais concorrentes. Talvez isso não tenha


afundado na sua cabeça ainda. —Suspirei e murmurei baixinho:
— Parece que a informação teria que penetrar em um monte de
gel para chegar lá.

Bennett passou os dedos pela cabeleira exuberante.

—Você notou meu grande cabelo, hein?

Eu revirei meus olhos.

Jonas sacudiu a cabeça.

—Ok, vocês dois. Eu posso ver que isso não vai ser fácil. E
lamento fazer isso com vocês dois. — Ele se virou para Bennett. —
Trabalhamos juntos há muito tempo. Eu sei que isso deve doer.
Mas você é um profissional, e eu sei que você fará o seu melhor
para passar por isso. — Então ele se virou para mim.
—E nós podemos ter acabado de nos conhecer, Annalice, mas eu
também não ouvi nada além de coisas maravilhosas sobre você.

Depois disso, Jonas pediu a Bennett para ver se ele poderia


encontrar um escritório de reposição para me instalar por agora.
Aparentemente, as pessoas ainda estavam sendo movimentadas, e
meu escritório permanente ainda não estava pronto - bem, por
mais permanente que fosse, dadas as circunstâncias. Eu fiquei
para trás para discutir algumas das minhas contas com Jonas até o
início da tarde.

Quando terminamos, ele me acompanhou até o escritório de


Bennett. O espaço de Foster Burnett era definitivamente melhor
do que eu estava acostumada em Wren. O escritório de Bennett
era elegante e moderno, sem mencionar o dobro do tamanho do
meu antigo. Ele estava no telefone, mas fez um sinal para nós
entrarmos.

—Sim, eu posso fazer isso. Que tal sexta-feira por volta das
três? — Bennett olhou para mim, mas falou ao telefone.

Enquanto esperávamos que ele terminasse sua ligação, o


telefone de Jonas tocou. Ele se desculpou e saiu do escritório para
falar. Jonas retornou assim que Bennett desligou.

—Eu preciso subir as escadas para uma reunião, — disse


Jonas. —Você conseguiu encontrar um lugar para Annalice?

—Eu encontrei o local perfeito para ela.

Algo sobre a maneira como Bennett respondeu parecia


sarcástico, mas eu não conhecia bem o homem, e isso não parecia
incomodar Jonas.

—Ótimo. Tem sido um dia longo com muitas coisas para


vocês dois aceitarem. Não fiquem até muito tarde hoje à noite.

—Obrigada, Jonas, — eu disse. —Tenha um boa noite.


Observei-o partir e depois voltei minha atenção para Bennett.
Nós dois deveríamos esperar que o outro falasse primeiro.
Eu finalmente quebrei o silêncio.

—Então... toda essa situação é estranha.

Bennett saiu de trás da mesa.

—Jonas está certo. Tem sido um longo dia. Por que eu não te
mostro onde você irá ficar? Acho que vou ligar cedo para a
mudança.

—Isso seria bom. Obrigada.

Segui-o pelo longo corredor até chegarmos a uma porta


fechada. Havia um desses porta-placas na porta, mas o nome havia
sido retirado.

Bennett acenou com a cabeça na direção dela.

—Vou ligar para pedir que eles peçam uma nova placa para o
seu escritório antes de eu ir hoje à noite.

Bem, isso era legal da parte dele. Talvez não seja tão estranho
entre nós, afinal.

—Obrigada.

Ele sorriu e abriu a porta, afastando-se para eu entrar


primeiro.

—Sem problemas. Aqui está. Lar Doce Lar.

Eu dei um passo, assim que Bennett ligou as luzes.


Que diabos?

A sala tinha uma mesa dobrável e uma cadeira montada, mas


definitivamente não era um escritório. Era um armário pequeno,
na melhor das hipóteses - e nem mesmo do tipo bom, com
prateleiras cromadas organizadas onde os suprimentos de
escritório eram armazenados. Este era um armário de zelador, um
que cheirava como limpador de banheiro e água mofada de um
dia, provavelmente por causa do balde amarelo e esfregão
molhado ao lado da minha nova mesa improvisada.

Eu me virei para Bennett.

—Você espera que eu trabalhe aqui? Com isso?

Um lampejo de diversão dançou em seus olhos.

—Bem, você também precisará de papel, é claro.

Minha testa franziu. Ele está brincando?

Enfiando a mão no bolso, ele foi até a mesa dobrável e deu


um tapa em um pedaço solitário de papel no centro dela. Virando-
se para sair, ele parou diretamente na minha frente e piscou.

—Tenha uma boa noite. Eu vou consertar meu carro agora. —


Atordoada, eu ainda estava de pé dentro do armário quando a
porta bateu atrás dele. O barulho do ar com seu fechamento fez
com que o papel que ele deixou voasse no ar. Ele flutuou por
alguns segundos, depois se acomodou aos meus pés.

Eu olhei para ele sem entender a princípio.


Apertando os olhos quando entrou em foco, percebi que algo
estava escrito nele.

Ele me deixou uma nota? Eu me curvei e peguei para ver mais


de perto.

Que diabos?

O papel que Bennett havia deixado não era uma nota - era
uma multa de estacionamento.

E não qualquer multa de estacionamento.

Minha multa de estacionamento.

O mesmo maldito papel que eu deixei no para-brisa de


alguém esta manhã.
Capítulo 3

—Eu preciso de uma bebida tanto que você não acreditaria.


— Puxei uma cadeira e olhei para um garçom antes mesmo de me
sentar.

—E aqui estava eu pensando que você queria sair comigo por


causa da minha personalidade vencedora, não a refeição grátis
que você recebe toda semana.

Minha melhor amiga, Madison, tinha o melhor emprego do


mundo - uma crítica de alimentos do San Francisco Observer.

Quatro noites por semana, ela ia a um restaurante diferente


para uma refeição que acabaria se transformando em uma crítica.
Às quintas-feiras me juntava a ela. Basicamente ela era meu
ingresso de refeição grátis. Na maioria das vezes, era o único dia
em que saia do escritório antes das nove e a única refeição
decente que comia durante toda a semana por causa das sessenta
horas semanais que eu costumava fazer.

Me fazia muito bem.

O garçom se aproximou e estendeu a carta de vinhos.


Madison acenou para ele. —Teremos dois merlots... o que você
recomendar está bem. — O pedido era sua resposta padrão, e eu
sabia que era o primeiro passo para revisar o serviço do
restaurante. Ela gostava de avaliar o que o garçom trazia. Ele faria
perguntas sobre o gosto dela para que ele pudesse fazer uma boa
escolha? Ou ir para o copo mais caro no menu com o único
propósito de maximizar sua gorjeta?

—Sem problemas. Eu vou pegar alguma coisa.

— Na verdade. —Eu levantei um dedo. —Posso mudar esse


pedido, por favor? Traga um merlot e um de Tito e misture com
limão.

— Claro.

Madison mal esperou até que o garçom estivesse fora do


alcance da voz. —Uh-oh. Vodka Seltzer. O que aconteceu? Andrew
está vendo alguém? —

Eu balancei minha cabeça.

—Não. Pior. —Seus olhos se arregalaram.

—Pior do que Andrew vendo alguém? Você teve um acidente


de carro de novo?

Bem, talvez eu tenha exagerado um pouco. Descobrir que


meu namorado de oito anos estava namorando outra mulher
definitivamente me devastaria. Três meses atrás, ele me disse que
precisava de uma pausa. Não exatamente as três pequenas
palavras que eu esperava que ele dissesse no final da nossa noite
do jantar do Dia dos Namorados. Mas eu tentei ser compreensiva.
Ele teve muitas mudanças no último ano - seu segundo romance
se esgotou, seu pai de sessenta anos foi diagnosticado com câncer
de fígado e morreu três semanas após o diagnóstico, e sua mãe
decidiu se casar apenas nove meses depois de se tornar viúva.

Então eu concordei com a separação temporária, mesmo que


sua ideia de um intervalo fosse mais Ross do que Rachel - nós dois
éramos livres para ver outras pessoas, se quiséssemos. Ele jurou
que não havia mais ninguém, e não era sua intenção sair e dormir
por aí. Mas ele também sentiu que um acordo para não ver outras
pessoas nos manteriam amarrados e não permitiria a liberdade
que ele sentiu que precisava.

E em relação a dirigir... Eu odiei isso desde o primeiro mês


que recebi minha licença por causa de um acidente muito ruim
que me transformou em uma motorista nervosa. Eu nunca superei
isso. No ano passado eu bati em um para-lama em um
estacionamento, e qualquer um dos meus temores que foram
reprimidos pioraram. Outro acidente tão cedo poderia me
empurrar para o limite.

—Talvez não tão ruim assim, — eu disse. —Mas está lá em


cima.

—O que aconteceu? Primeiro dia ruim no novo escritório? E


aqui estava eu pensando em ouvir sobre todos os caras gostosos
no novo local de trabalho.

Madison não entendeu a necessidade de Andrew para uma


pausa, e ela estava me encorajando a voltar para o mundo do
namoro e seguir em frente.
O garçom chegou com nossas bebidas, e Madison disse a ele
que não estávamos prontas para pedir. Ela pediu que ele nos
desse dez minutos para decidir.

Eu bebi minha vodka. Queimou em sua descida. —Na


verdade, há um cara quente.

Ela colocou os cotovelos sobre a mesa e descansou a cabeça


sobre as mãos. —Detalhes. Me dê detalhes sobre ele. A história
sobre o seu dia ruim pode esperar.

—Bem... ele é alto, tem estrutura óssea que um escultor


invejaria, e exala confiança.

—Como ele cheira?

—Eu não sei. Eu não cheguei perto o suficiente para cheirá-lo.


— Peguei o limão da borda do meu copo e espremi o suco na
minha bebida.

—Bem, isso não é verdade. Eu fiz. Mas quando ele estava


próximo, nós estávamos em um armário de suprimentos, e tudo
que eu podia sentir era o material de limpeza e a água com mofo.
— Eu tomei um gole.

Os olhos de Madison se iluminaram. —Você não fez! Vocês


dois... no armário de suprimentos no seu primeiro dia no novo
escritório?

Eu sorri.

—Tudo bem.
Ela definitivamente achou que essa história teria um final
diferente.

—Eu tinha um baú cheio de caixas de última hora com


arquivos e lixo do meu antigo escritório que precisavam ser
transferidos para o novo espaço. Eu tentei achar um lugar de
estacionamento, mas não havia nada... assim eu estacionei
ilegalmente e fiz algumas viagens até o escritório com meu
material. Na minha penúltima viagem, havia uma multa no meu
para-brisa.

—Isso é uma merda.

—Me fale sobre isso. Quase duzentos dólares para eles hoje
em dia.

—Péssima forma de começar o dia, — disse ela. —Mas


poderia ter sido pior, suponho, com você e carros.

Eu tive que rir.

—Oh, ficou pior. Essa foi a melhor parte do meu dia.

—O que mais aconteceu?

—A agente de trânsito estava a alguns carros de distância na


minha frente, ainda dando multas. Eu percebi que eu já tinha
conseguido a multa, então eu poderia terminar meu
descarregamento. Eu carreguei a última das minhas caixas para o
meu novo escritório, e quando voltei lá embaixo, todos os carros
tinham um bilhete para combinar com o meu. Exceto um. O carro
estacionou bem na minha frente.
—Então o carro chegou depois que a policial saiu, fugindo da
multa?

—Não. Eu tenho certeza que estava lá antes de mim. Ela


simplesmente pulou esse. A razão pela qual eu tenho certeza é que
foi a mesma marca e modelo que eu tenho, apenas um ano mais
novo. A primeira vez que eu passei, eu espiei para dentro para ver
se eles tinham mudado alguma coisa no interior da nova edição.
Notei que havia um par de luvas de direção com o logo da Porsche
no banco da frente. Então eu sei que foi o mesmo carro que ficou
estacionado lá por mais de uma hora porque as luvas ainda
estavam lá.

Madison tomou um gole de vinho e franziu o rosto.

—O vinho não é bom?

—Não, está bem. Mas luvas de condução? Apenas pilotos de


carros de corrida e idiotas pomposos usam luvas de direção. —
Eu acenei com minha bebida para ela antes de trazê-la aos meus
lábios.

—Exatamente! Isso é exatamente o que eu pensei quando os


vi. Então eu passei minha multa de estacionamento para o idiota
pomposo. Meu carro era da mesma marca, modelo e cor. Por que
eu deveria perder duzentos dólares quando as luvas do Sr.
Porsche não tinham conseguido uma multa? A multa não tinha
nome, apenas a marca, o modelo e o número VIN do carro, e a
placa da minha cópia de carbono não era legível. Eu imaginei que
ele não saberia o seu VIN e provavelmente pagaria - ele estava
estacionado ilegalmente, afinal de contas.
Minha melhor amiga sorriu de orelha a orelha.

—Você é minha heroína.

—Você pode querer me deixar terminar a história antes de


declarar isso.

Seu sorriso murchou.

—Você foi pega?

—Eu não penso assim. Mas eu tive um pequeno contratempo.


Quando me inclinei e levantei o limpador para enfiar a multa por
baixo, de alguma forma um pedaço do meu cabelo ficou preso
nele.

Madison franziu a testa.

—Na palheta do limpador?

—Eu sei. Estranho. Mas foi forte o vento hoje, e quando fui
desenrolar, tornei tudo pior. Você conhece meu cabelo grosso e
maluco. Eu poderia perder uma escova de cabelo por alguns dias e
ninguém notaria. Essas ondas têm uma mente própria.

—Como você conseguiu resolver isso? —


—Eu puxei até que ficou livre. Apenas quando finalmente se
soltou do carro, o limpador de para-brisa estava preso ao meu
cabelo, em vez do novíssimo Audi ao qual ele pertencia.

A mão de Madison voou para sua boca quando ela riu.

—Oh meu Deus.

—Sim.
—Você deixou um bilhete para o proprietário?

Tomei um gole saudável da minha bebida, que provou um


pouco melhor quanto mais eu bebia.

—A multa conta como uma nota?

—Bem... pelo menos há um lado positivo?

—Há sim? Diga-me, porque agora, depois do dia que passei,


não vejo nada de positivo.

—Há um deus grego no escritório. Isso é bom. Quanto tempo


passou desde que você esteve em um encontro - oito anos?

—Confie em mim. O deus grego não vai me convidar para


sair.

—Casado?

—Pior.

—Gay?

Eu ri.

—Não. Ele é o dono do Audi que vandalizei e depois ofereci


minha multa por estacionamento, e aparentemente ele me viu
fazer isso.

—Porcaria.

—Sim. Porcaria. Ah, e tenho que trabalhar com ele


diariamente.

—Ah Merda. O que ele faz?


—Ele é o diretor de criação regional da empresa com a qual
nos fundimos.

—Espere um minuto. Não é esse o seu título?

—Sim. E só há espaço para um de nós.

Um garçom que nem sequer era nosso passou. Madison


estendeu a mão o agarrou.

—Precisamos de outra vodka e um copo de merlot.


Imediatamente. —

***

Na manhã seguinte, fiz uma parada no caminho para o


escritório. Por mais que eu odiasse o que estava acontecendo com
meu trabalho, aparentemente, eu teria que trabalhar com Bennett
pelos próximos meses. E... vamos encarar isso, eu estava errada.

Eu danifiquei o carro dele e deixei uma multa de


estacionamento em vez de uma nota. Se alguém tivesse feito isso
comigo... Bem, eu duvidava que eu fosse tão educada quanto ele ao
longo do dia. Ele esperou até estarmos sozinhos para me chamar,
quando ele poderia me fazer ficar mal na frente do meu novo
chefe.

Seu carro estava estacionado ilegalmente no mesmo local de


ontem quando cheguei. Ontem à noite, quando repassava o dia na
minha cabeça, achei que talvez o carro dele tivesse sido pulado
por acidente porque a agente perdeu o controle e achou que já
tinha pago o cartão, já que ele era idêntico ao meu por fora. Mas se
esse fosse o caso, e ele já tivesse se safado uma vez, por que ele
iria estacionar lá hoje de novo e arriscaria tomar outra multa?

Havia apenas algumas respostas lógicas. Um, ele era rico e


arrogante. Dois, ele era um idiota. Ou três, ele sabia que não
receberia uma multa de estacionamento.

A porta do escritório de Bennett estava fechada, mas notei


que a luz dele estava acesa. Eu levantei minha mão para bater,
mas hesitei. Seria mais fácil se ele não fosse tão bonito.

Cresça, Annalice.

Endireitei minha coluna e fiquei de pé antes de bater


ruidosamente na porta. Depois de um minuto, o alívio começou a
tomar conta de mim quando decidi que Bennett não estava lá. Ele
deve ter deixado sua luz acesa. Eu estava prestes a me afastar
quando, sem aviso, a porta se abriu.

Eu pulei de surpresa e agarrei meu peito.

—Você assustou a merda fora de mim.

Bennett tirou um fone do ouvido. —Você acabou de dizer que


eu te assustei?

—Sim. Eu não estava esperando que você abrisse a porta.

Ele puxou o outro fone de ouvido e os deixou pendurados no


pescoço. Sua testa franziu. —Você bateu na porta do meu
escritório, mas não estava esperando que eu abrisse?
—Sua porta estava fechada e tudo estava quieto. Eu não achei
que você estivesse ai.

Bennett levantou o seu iPhone.

—Acabei de voltar da minha corrida. Eu estava com meus


fones de ouvido.

A música soou através deles e eu reconheci a música.

—Enter Sandman? Sério? — Minha voz sugeriu a minha


diversão.

—O que há de errado com o Metallica?

—Nada. Nada mesmo. Você simplesmente não se parece com


alguém que ouve o Metallica.

Ele apertou os olhos.

—E exatamente o que eu pareço ouvir?

Eu dei uma olhada nele. Ele não estava vestido com o terno
caro e sapato de couro que ele tinha ontem. Mesmo usando
roupas casuais - uma camiseta preta da Under Armour e shorts
baixos - havia algo nele que cheirava a refinamento.

Embora o modo como a veia saltava do bíceps fosse mais fino


que o refinamento no momento. Bennett era mais velho do que eu,
eu acho - trinta e poucos anos, talvez -, mas seu corpo era firme e
musculoso, e eu imaginei que ele parecia ainda mais incrível sem
essa camisa.
Piscando de volta do meu torpor, lembrei-me que ele me fez
uma pergunta.

—Clássica. Eu achei que você era mais uma pessoa de música


clássica do que o Metallica.

—Isso é sobre estereótipos, não é? Nesse caso, o que devo


assumir sobre você? Você é loira e bonita.

—Eu não sou idiota.

Ele cruzou os braços sobre o peito e levantou uma


sobrancelha.

—Você ficou com a cabeça presa no para-brisa do meu carro.

Ele tinha um ponto. E eu definitivamente não estava


começando com o pé direito, discutindo com ele novamente esta
manhã. Me colocando de volta nos trilhos, eu levantei o pacote
comprido e fino que peguei no caminho para o escritório.

—Isso me lembra, eu queria me desculpar por ontem. —


Bennett pareceu me avaliar por um minuto. Então ele pegou o
pacote da minha mão.

—Como diabos você colocou seu cabelo no meu carro, afinal?

Eu senti meu rosto aquecer. —Deixe-me começar dizendo


que carros não são minha coisa. Não gosto de dirigi-los e tenho
uma péssima sorte com eles funcionando corretamente. No antigo
escritório, eu podia andar para o trabalho. Agora eu tenho que
dirigir todos os dias. De qualquer forma, recebi uma multa de
estacionamento ontem de manhã, enquanto tirava as caixas do
meu carro. Nós temos a mesma marca, modelo e cor de Audi. O
seu também estava estacionado ilegalmente, mas você não
conseguiu uma multa. Então tentei colocar a minha debaixo do
limpador de para-brisa, esperando que você pagasse. Só que uma
rajada de vento veio, e meu cabelo de alguma forma se emaranhou
quando eu levantei o limpador. Quando tentei tira-lo, ficou pior.
Eu realmente não quis vandalizar seu carro.

Seu rosto não estava demonstrando nada. —Você só queria


me fazer pagar sua multa de estacionamento, não quebrar meu
limpador. —

—Isso está certo.

Ele sorriu.

—Agora tudo faz sentido. — Bennett tinha uma garrafa de


água na mão. Ele trouxe para os lábios e tomou um longo gole,
seus olhos nunca me deixaram. Quando ele terminou, ele assentiu.
— Desculpas aceita.

— Realmente?

—Temos que trabalhar juntos. Podemos muito bem mantê-lo


profissional.

Fiquei aliviada.

—Obrigada.

—Eu tomo banho no ginásio no andar de baixo depois da


minha corrida matinal. Dê-me cerca de vinte minutos e podemos
começar a repassar nossas contas.

—OK. Ótimo. Te vejo daqui a pouco.


Talvez eu tenha subestimado Bennett. Só porque ele era
bonito, eu tinha assumido que ele seria um egocêntrico, e eu
nunca viveria meu momento de insanidade. Quando cheguei ao
escritório/depósito, enfiei a chave na fechadura. Estava presa,
mas acabou rodando e a porta se abriu. O cheiro de material de
limpeza imediatamente permeou meu nariz. Pelo menos entendia
porque ele me colocou aqui agora. Suspirando, acendi a luz e
fiquei surpresa ao descobrir que alguém havia deixado uma sacola
na minha mesa.

Supondo que fosse provavelmente o zelador, eu peguei para


movê-la para onde os outros produtos químicos foram
empilhados e vi uma nota manuscrita no topo.

Você vai precisar disso. Bennett

Um presente para mim? Colocando meu laptop e bolsa para


baixo, eu cavei dentro da sacola. Era leve - definitivamente não
era produtos químicos de limpeza e o conteúdo estava
embrulhado em papel absorvente.

Curiosa, eu desembrulhei.

Um chapéu de cowboy?

O que?

Você vai precisar disso.

Hmm…

Você vai precisar disso.

Como no meu trabalho.


No Texas.

Talvez Bennett não fosse maduro, afinal.


Capítulo 4

Amanhã talvez eu deva deixar alguma lingerie.

Na hora certa, Annalice entrou no meu escritório carregando


uma grande caixa de papelão. Ela tinha o chapéu de cowboy que eu
deixei por ela ser uma idiota. Só que agora ela estava usando, e eu
estava pensando com o meu pau.

Ela parecia sexy como o inferno com seu cabelo loiro selvagem
esticado por todo lado. Aposto que ela ficaria quente como merda
em um espartilho de renda preta e alguns saltos com o chapéu de
cowboy. Eu balancei a cabeça para tirar esse visual da minha
imaginação. Mas minha mente não estava ajudando. Estava
ocupada pensando em um milhão de maneiras que eu gostaria de
vê-la usá-lo.

Me montando.

Vaqueira reversa.

Sim, isso não é inteligente, Fox.

Eu desviei o olhar por um minuto antes de limpar a garganta e


caminhar até pegar a caixa de suas mãos.

—Parece bom em você. Você vai se encaixar no novo


escritório daqui a alguns meses.
—Pelo menos talvez eu tenha um lugar para trabalhar lá
embaixo, que não me deixe alta ao cheirar produtos químicos o dia
todo.

—Eu estava apenas sacaneando com você. Seu escritório real


está sendo preparado para você enquanto conversamos.

—Oh. Uau. Obrigada.

—Sem problemas. Tenho certeza de que os desinfetantes nos


mictórios fazem o novo escritório ter um cheiro muito melhor.

—Eu não vou...

Eu levantei a mão e a interrompi. —Brincadeira. O escritório é


o mesmo layout que o meu, duas portas abertas. Eu sei que você
gostaria de estar mais perto de mim, mas é o melhor que consegui.

—Você é sempre tão detestável tão cedo pela manhã? — Ela


ergueu uma caneca de café rosa brilhante. —Porque eu estou
apenas começando minha segunda xícara, e se for esse o caso, eu
vou precisar de mais cafeína antes de eu chegar aqui.

Eu ri.

—Sim, acostume-se a isso. Já me disseram que as manhãs são


meu tempo menos desagradável, então você pode querer encher
aquela caneca grande com algo mais forte depois do almoço.

Ela revirou os olhos.

Marina, minha assistente - nossa assistente - entrou e deixou


cair um envelope na minha mesa. Ela ofereceu um sorriso a
Annalice e disse bom dia, enquanto fingia que eu não estava na
sala.

Eu balancei a cabeça quando ela saiu.

—A propósito, sinto-me obrigado a avisá-la: não coma


acidentalmente o almoço do seu novo assistente.

Annalice parecia pensar que eu estava brincando.

—OK.

—Não diga que eu não te avisei. — Eu caminhei até a mesa


redonda no canto onde eu normalmente realizava pequenas
reuniões e coloquei sua caixa no chão. Percebendo o rótulo, eu
disse:

—Bianchi Winery? Eu pensei que nós iriamos falar sobre


todas as nossas contas para equilibrar a carga de trabalho e
transferir clientes entre nossas equipes?

— Nós estamos. Mas eu achei que não poderia machucar


mostrar um ao outro nossas apresentações para amanhã. Talvez
possamos concordar sobre qual é a melhor, e não teremos que ir
contra um ao outro? —

Eu sorri. —Achando que você vai perder, hein? —

Ela suspirou. —Esqueça. Vamos apenas analisar as contas,


como Jonas pediu. — Deus, ela é delicada.

—Tudo bem. Por que não trabalhamos aqui? Há mais espaço


para se espalhar. — Ela assentiu e tirou uma pasta de arquivo de
acordeão da caixa. Quando ela soltou o elástico que o mantinha
perfeitamente comprimido, o arquivo se expandiu, exibindo
algumas dúzias de slots individuais compartimentados. Cada slot
tinha um rótulo codificado por cores com algo digitado nele.

—O que é isso?

—É o meu kit rápido.

—Seu o quê?

—Kit rápido. — Ela puxou um monte de papéis de um dos


slots e os espalhou sobre a mesa. —Há uma folha de contato do
cliente com os nomes e números de todos os principais
participantes, um informativo que fornece um resumo das linhas
de produtos que comercializamos, uma lista dos membros da
minha equipe que trabalham na conta, informações resumidas de
orçamento, gráficos dos logotipos do cliente, uma lista de fontes
preferidas e códigos de cores PMS e um resumo do projeto atual.

Eu olhei para ela.

—O que?

—O que é tudo isso?

—Bem, mantenho o Kit Rápido no armário de arquivos na


área de marketing, para que, sempre que um cliente ligar, qualquer
um possa pegar as informações e discutir a conta depois de alguns
minutos examinando esses documentos. Também o uso quando
sou chamada para reuniões para fornecer atualizações da conta
para a equipe executiva. Mas achei que poderíamos usá-lo hoje
quando falarmos sobre cada conta.
Merda. Ela é uma dessas - todas super organizadas e
neuróticas.

Eu apontei meus olhos para sua pasta.

—E o que há com todas as cores diferentes?

—Cada conta tem sua própria cor, e todos os materiais e


colaterais são codificados por cores, por isso é fácil arquivar e
reunir informações.

Eu cocei meu queixo. —Você sabe, eu tenho uma teoria sobre


pessoas que usam sistemas de código de cores.

—Isso pode ser verdade. Na verdade, tenho certeza que você


vai me ouvir gritando algumas vezes por semana quando não
consigo encontrar algo que estou procurando.

—Viu? — Eu levantei um dedo. —Mas não é o código de cores


em si que causa estresse; é a necessidade incessante de
organização que leva ao estresse. Alguém que colore códigos acha
que tudo tem seu lugar, e o mundo não funciona dessa maneira.
Nem todo mundo quer ser organizado e, quando não segue seus
sistemas, isso o deixa inerentemente estressado.

—Eu acho que você está exagerando. Só porque eu gosto de


codificação por cores não significa que sou uma organizadora
neurótica esquisita que fica chateada quando as coisas estão fora
do lugar.

—Oh sim? Me passa seu telefone.

—O que?
—Me passa seu telefone. Não se preocupe. Eu não vou ver
todas as selfies fazendo biquinho que você guardou lá. Eu só quero
checar uma coisa.

Relutantemente, Annalice estendeu o celular para mim. As


coisas eram exatamente como eu suspeitava. Cada aplicativo foi
arquivado e organizado. Havia seis pastas diferentes, e aquelas
eram rotuladas: Mídia Social, Entretenimento, Compras, Viagem,
Aplicativos de Trabalho e Utilitários. Nem um único aplicativo
estava fora das pequenas bolhas organizadas. Eu cliquei na bolha
da mídia social, tirei o aplicativo do Facebook e o soltei. Então
entrei na pasta Shopping, peguei o ícone da Amazon e o arrastei
para a bolha da mídia social. Puxei o aplicativo e-Art da bolha de
trabalho e deixei-o solto no fundo dela.

Depois que eu entreguei de volta para ela, ela franziu o rosto.

—O que é que isso deveria provar?

—Seus aplicativos estão bagunçados agora. Você vai começar


a enlouquecer. Sempre que abrir o telefone para fazer algo, você
terá um forte desejo de arquivar os ícones de volta onde eles
pertencem. No final da semana, você terá muito estresse, você
cederá e consertará tudo para manter a pressão arterial baixa.

—Isso é ridículo.

Dei de ombros.

—OK. Veremos.

Annalice se endireitou em seu assento. —E qual é exatamente


o seu sistema para gerenciar contas? O que você vai usar para
revisar as contas hoje em dia? Uma lista escrita no verso de um
envelope em giz de cera?

—Não. Não preciso de uma lista. — Sentei-me na minha


cadeira e bati com o dedo na minha testa. —Memória fotográfica.
Está tudo aqui.

—Deus nos ajude se é onde todas as informações estão, — ela


murmurou.

Annalice passou as duas horas seguintes examinando todas as


suas contas. Eu nunca admitiria isso em voz alta, mas seu arquivo
hiper organizado deu a ela acesso a um monte de dados na ponta
dos dedos dela. Ela estava claramente no topo de seu jogo.

Deixamos de lado algumas de suas folhas de resumo para


anotar as contas que ela achava que poderia reatribuir.

Quando chegou a hora de falar sobre minhas contas, não


surpreendentemente, Annalice planejou tomar notas em vez de
apenas ouvir como eu fiz.

—Eu esqueci de trazer um bloco de notas, — ela disse. —


Posso pegar um emprestado?

—Claro. — Por causa do trabalho em equipe, peguei dois


blocos e uma caneta da gaveta da minha mesa. Não pensando em
nada, joguei um na mesa na frente dela e o outra na frente de onde
eu estava sentado. Annalice notou a tinta na frente antes de eu ver.
Ela virou o bloco para encará-lo.

Merda.
Eu tentei agarrá-lo da sua mão, mas ela puxou para fora do
meu alcance.

—O que temos aqui? Você desenhou tudo isso?

Eu estendi minha mão.

—Me dê isso.

Ela me ignorou e voltou a estudar meus rabiscos mais um


pouco.

—Não.

Eu arqueei uma sobrancelha. —Não? Você não vai me


devolver meu bloco de notas? Quantos anos você tem?

—Umm... aparentemente... — Ela acenou com o caderno no ar,


exibindo minha arte. —… A mesma idade do menino de doze anos
que desenhou essas coisas. Se é isso que você faz o dia todo no
trabalho, não tenho certeza sobre o que me preocupar. Eu estava
pensando que teria que competir pelo trabalho contra um
profissional experiente.

Eu tinha o mau hábito de rabiscar enquanto ouvia música. Eu


fazia isso sempre que eu estava preso criativamente ou precisava
de um limpador de paladar entre os projetos. Eu não tinha ideia do
porquê, mas o esboço sem sentido ajudava a limpar minha cabeça
ocupada, o que por sua vez permitia que a criatividade entrasse. O
hábito não seria tão ruim - talvez um pouco embaraçoso que um
homem de trinta e um anos ainda tenha desenhos de super-heróis
em sua mesa - mas nada para me causar problemas... isto é, se os
super-heróis que eu rabisquei diariamente eram masculinos. Mas
eles não eram. Meus super-heróis eram todas mulheres... com
partes do corpo pronunciadas, mais ou menos como as caricaturas
que você pode fazer com um artista de rua, onde sua cabeça tem
cinco vezes o tamanho do seu corpo e você está patinando ou
surfando. Você os conhece, certo?

Provavelmente, um de você montando um monociclo


escondido na parte de trás do seu armário em algum lugar. Está
rasgado e enrugado, mas você ainda não jogou a maldita coisa fora.
Bem, os meus são semelhantes. Só não são as cabeças das minhas
criações que são exageradas. São os seios. Ou a bunda.
Ocasionalmente os lábios, se o humor me bateu. Você entendeu a
ideia.

Jonas me alertou recentemente sobre não deixar essa merda


ao redor do escritório depois de um pequeno incidente com uma
mulher de recursos humanos que parou inesperadamente e teve
um vislumbre.

Peguei o bloco da mão de Annalice, arranquei a página e


amassei em uma bola. —Eu rabisco para relaxar. Eu não percebi
que peguei esse bloco. Eu costumo arrancar a página e jogá-la fora
quando eu termino. Peço desculpas.

Ela inclinou a cabeça, como se estivesse me examinando. —


Você se desculpa, né? Por que exatamente você está arrependido?
Eu vendo-os ou você desenhando personagens que objetivam as
mulheres no horário da empresa?

Eu estou supondo que esta é uma pergunta complicada. Claro


que eu só lamento que ela os tenha visto.
—Ambos.

Ela apertou os olhos e olhou para mim. —Você está cheio de


merda.

Voltei para a minha mesa, abri a gaveta e coloquei a página do


desenho amassado. Fechando, eu disse:

—Eu não acho que você esteja qualificada para saber quando
estou cheio de merda ainda. Nós passamos, o que, uma hora um
com o outro no total?

—Deixe-me perguntar algo. Se eu fosse um cara - um de seus


amigos aqui que você provavelmente sai para um happy hour de
vez em quando - você teria se desculpado com ele?

Claro que não. Outra pergunta capciosa. Eu tive que pensar a


forma certa para responder a isto. Por sorte, eu tinha passado por
treinamento de sensibilidade de RH e assédio sexual, então eu
estava armado com a resposta certa.

—Se eu pensasse que fosse ofendê-lo, sim. — Eu deixei de fora


que não ofenderia nenhum dos caras com quem eu socializava fora
do escritório... principalmente porque eu não saio com bocetas.
Imaginei que Jonas ficaria feliz com minha contenção, se ele
soubesse.

—Então você se desculpou comigo porque achou que poderia


me ofender?

Fácil.

—Sim.
Eu esperava que fosse o fim da discussão, então me sentei.
Annalice seguiu o exemplo. Mas ela não estava deixando passar tão
rápido.

—Então, achar mulheres um objeto é bom, apenas não é


quando você pensa que pode ofender alguém com isso?

—Eu não disse isso. Você está assumindo que eu trato as


mulheres como objeto. Eu não acho que eu faça.

Ela me lançou um olhar que achava besteira.

—Eu acho que você é quem trata as como objeto.

—Eu? — Suas sobrancelhas saltaram. —Eu trato as mulheres


como objeto? Como assim?

—Bem, esse desenho era um super-herói - a mulher tinha o


poder de voar. Todos os dias, ela salta de prédios altos e luta
contra o crime como uma fodona. E você aqui está assumindo que,
porque ela é mulher, ela é uma espécie de fantasia demente. Você
nem levou em consideração que Savannah Storm tem um QI de 160
e, ontem, salvou uma velha senhora de ser engolida por um ônibus.

Annalice levantou uma sobrancelha. —Savannah Storm?

Dei de ombros. —Até o nome dela é foda, não é?

Ela balançou a cabeça e tive uma breve visão de um sorriso


querendo sair. —E como exatamente eu saberia o quão fodona
Savannah era simplesmente pelo seu rabisco?

De alguma forma eu consegui manter uma cara séria —Ela


estava vestindo uma capa, não é?
Annalice riu. —Eu sinto muito. Eu devo ter perdido essa
grande pista devido ao fato de que cada um dos seios dela era
maior do que a minha cabeça. Quero dizer, o QI dela deveria ter
sido óbvio pela capa.

Dei de ombros.

—Acontece. Mas você deve realmente se atentar antes de


saltar para esses julgamentos precipitados. Algumas pessoas
podem se ofender e pensar que você está objetificando as
mulheres.

—Eu vou manter isso em mente.

—Bom. Então talvez possamos chegar às contas importantes,


agora são as minhas.
Capítulo 5

Eu tentei avisá-lo.

Mesmo ontem à noite, quando terminamos de analisar nossas


contas, mais uma vez tentei falar sobre o lançamento de hoje para
a Vinícola Bianchi. Mas o idiota presunçoso me parou antes que eu
pudesse explicar por que eu sabia que ele não tinha um tiro no
inferno ao conseguir a conta.

Então estrague tudo, espero que ele tenha perdido a manhã


inteira em um show de cachorros e pôneis que era totalmente
desnecessário.

Murmurei para mim mesma enquanto dirigia pela estrada de


terra de meia milha e estacionava perto do salgueiro-chorão
gigante. Vir aqui sempre trazia uma onda de calma sobre mim. Ser
saudada por filas e filas de videiras bem plantadas, salgueiros
balançando e barris empilhados deixa a serenidade penetrar
através dos meus poros. Saindo do meu carro, fechei os olhos,
respirei profundamente, e exalei um pouco do estresse da
semana.

Paz.

Ou então eu pensei.
Até que abri os olhos e vi um carro estacionado à direita, ao
lado do grande e velho trator verde. E esse carro era quase
idêntico ao meu.

Ele ainda está aqui.

A nomeação de Bennett tinha sido às dez horas desta manhã.


Olhei para a hora no meu relógio, confirmando que não cheguei
cedo. Mas eu não estava. Eram quase três horas da tarde. Eu
percebi que ele teria ido muito longe quando eu cheguei. De que
diabos eles poderiam estar falando por cinco horas?

Knox, o gerente da vinícola, saiu da pequena loja de varejo


carregando uma caixa de vinho no momento em que eu terminava
de tirar meus arquivos do carro. Ele trabalhava na vinícola desde
antes das primeiras sementes de uva serem semeadas.

—Hey, Annie. — Ele acenou.

Fechei o porta-malas e joguei meu adido de arte de couro por


cima do meu ombro.

—Ei, Knox. Você precisa que eu abra meu porta malas


novamente para que você possa esconder minhas garrafas de fim
de semana? —Eu provoquei.

—Tenho certeza que eu poderia esconder cada última garrafa


no seu porta-malas e o Sr. Bianchi não se importaria.

Eu sorri. Ele estava certo sobre isso.

—Matteo está no escritório ou em casa? Eu tenho uma


reunião de negócios com ele.
—A última vez que vi, ele estava andando pelos campos com
um visitante. Mas eles podem estar no porão agora. Acho que ele
estava dando a ele a turnê completa.

—Obrigado, Knox. Não deixe que eles trabalhem demais com


você!

A porta do escritório não estava trancada, mas ninguém


estava dentro. Então eu coloquei minhas coisas de apresentação
na recepção e fui procurar onde todos estavam se escondendo. A
porta da loja estava aberta, mas ninguém atendeu quando chamei.
Eu estava prestes a virar e dirigir-me para a casa principal quando
ouvi o eco das vozes quando passei pela porta que levava da loja
para a adega e sala de degustação.

—Olá? — Eu cuidadosamente percorri a escadaria de pedra


nos meus saltos altos.

A voz de Matteo, falando em italiano, explodiu à distância.


Mas quando cheguei ao fundo, a única pessoa que encontrei foi
Bennett. Ele estava sentado em uma das mesas de degustação,
com as mangas da camisa enroladas, a gravata afrouxada e um
copo de vinho na mesa à sua frente. Três dos quatro copos
estavam vazios.

—Bebendo no trabalho? — Eu arqueei uma sobrancelha.

Ele cruzou os dedos atrás da cabeça e se inclinou para trás


para deleitar-se com sua presunção.

—O que posso dizer? Os donos me amam.

Eu segurei meu riso.


—Oh, eles fazem? Então você não deixou que eles vissem o
verdadeiro você?

Bennett deu um sorriso. Um maravilho.

—Você perdeu uma viagem aqui, Texas. Tentei te dizer, mas


você não quis ouvir.

Suspirei.

—Onde está Matteo?

—Ele acabou de receber um telefonema e entrou na sala de


fermentação.

—Você viu Margo?

—Ela correu para o supermercado.

—O que você ainda está fazendo aqui, afinal? Você estava


atrasado para a sua apresentação?

—Claro que não. Matteo se ofereceu para me dar uma


excursão para que eu pudesse ver as novas videiras que eles
plantaram este ano, e então Margo insistiu que eu fizesse uma
degustação completa. Eu sou como alguém da família agora. — Ele
se inclinou para mim e baixou a voz. —Embora eu tenha certeza
que a Sra. Bianchi gosta muito de mim. Como eu disse, você não
tem chance de ganhar este aqui.

Eu de alguma forma consegui manter uma cara séria.

—Margo… Sra. Bianchi... gosta de você? Você conhece o


marido, o Matteo, certo?
—Não disse que ia tentar qualquer coisa. Apenas chamando
como eu vejo.

Eu balancei a cabeça.

—Você é inacreditável.

O som de uma porta abrindo e fechando virou nossas cabeças


em direção à parte de trás da sala de degustação. Cada som
reverberava duas vezes mais alto aqui, incluindo os passos de
Matteo enquanto ele caminhava em nossa direção. Ele abriu os
braços e falou com seu forte sotaque italiano quando olhou para
cima e me viu. —Minha Annie. Você está aqui. Eu não ouvi você
entrar.

Matteo me deu um abraço caloroso, então segurou meu rosto


e beijou minhas duas bochechas.

—Eu estava no telefone com meu irmão. O homem, ele ainda


é um idiota, mesmo depois de todos esses anos. Ele comprou
cabras. — Ele juntou os cinco dedos no gesto italiano universal de
capeesh! —Cabras! O idiota, ele comprou cabras para viver em
suas terras nas colinas. E ele fica surpreso quando elas comem
metade de suas colheitas. Que idiota. — Matteo sacudiu a cabeça.
—Mas não importa isso. Eu te apresento. — Ele se virou para
Bennett. —Este senhor é o Sr. Fox. Ele é de uma das grandes
empresas de publicidade que você nos fez ligar.

—Umm... sim. Nós já nos conhecemos. Eu não tive a chance de


falar com vocês, porque as coisas ficaram loucas no escritório.
Mas, Bennett e eu... trabalhamos para a mesma empresa agora.
Foster Burnett, a empresa para a qual ele trabalhou quando você
marcou uma reunião com ele há alguns meses, fundiu-se com a
empresa em que trabalho, a Wren Media. Agora é uma grande
agência de publicidade: Foster, Burnett e Wren. Então, sim,
Bennett e eu nos conhecemos. Nós trabalhamos juntos.

—Oh bom. — Ele bateu palmas. —Porque o seu amigo está se


juntando a nós para o jantar hoje à noite.

Meus olhos saltaram para encontrar os olhos de Bennett.

—Você vai ficar para o jantar?

Ele sorriu como um gato Cheshire e piscou. —Sra. Bianchi me


convidou.

Matteo não fazia ideia de que o sorriso grande e idiota de


Bennett era que ele tentava se vangloriar, já que o bastardo total
achava que ele foi convidado porque a Sra. Bianchi estava na dele.

A noção era hilária, na verdade. Porque eu conhecia Margo


Bianchi, e acredite em mim, ela não convidou Bennett Fox para
jantar porque ela gostava dele.

E eu sabia disso não porque ela adorava o marido - o que por


acaso era verdade -, mas porque Margo Bianchi era uma
casamenteira perpétua. Havia apenas uma razão para convidar
um rapaz para jantar. Porque ela queria colocá-lo junto com sua
filha.

—Oh? A Sra. Bianchi convidou você, não é? — Eu mal podia


esperar para limpar aquele sorriso de seu rosto.

Bennett pegou seu vinho e o girou no copo algumas vezes


antes de trazê-lo para seus lábios sorridentes.
—Ela fez.

Eu dei um sorriso exagerado.

—Isso é ótimo. Eu acho que você realmente vai gostar da


comida da minha mãe.

Bennett estava a meio gole de seu vinho. Eu observei suas


sobrancelhas se abaixarem em confusão e depois se levantarem
em choque - logo antes dele começar a engasgar com seu vinho.

***

—Eu não posso acreditar que você convidou o inimigo para


jantar.

Minha mãe levantou a tampa de uma panela e mexeu o


molho. —Ele é um homem muito bonito. E ele tem um bom
trabalho.

—Sim. Eu sei. Ele tem meu trabalho, mãe.

—Ele tem trinta e um anos, uma boa idade para um homem


começar a se estabelecer. Se você começar a fazer bebês na faixa
dos 40 anos, como muitos jovens hoje, você tem um adolescente
na faixa dos cinquenta anos quando não tem mais energia para
acompanhar.

Eu enchi meu copo de vinho. Quando se tratava de mães, eu


sempre pensava em mim mesma como sortuda. Depois que ela e
meu pai se separaram, ela praticamente me criou sozinha. Ela
trabalhou em tempo integral e nunca perdeu um jogo de futebol
ou uma apresentação escolar. Enquanto a maioria dos meus
amigos reclamava de sua intromissão, mãe casada ou mãe
divorciada e ausente, que estava à espreita de um novo marido,
nunca reclamei - até atingir a madura idade de vinte e cinco anos.
Aparentemente, foi quando a sombra de uma velha criada
começou a seguir as mulheres ao redor, de acordo com a maneira
como minha mãe agia.

—Bennett não é seu futuro genro, mãe. Confie em mim sobre


isso. Ele é uma pessoa arrogante, condescendente, que fica
desenhando caricaturas e roubando empregos.

Minha mãe colocou a concha na pia e franziu os lábios para


mim.

—Eu acho que você está exagerando, querida.

Eu a respondi com um olhar fixo. —Ele pensou que você o


convidou para ficar para o jantar porque você estava na dele.

Sua testa se enrugou. —Na dele?

—Sim. Como se... você estivesse interessada nele. E ele sabe


que você é casada.

Ela riu. —Oh querida. Ele é um homem bonito. Eu acho que a


maioria das mulheres gosta dele, então ele se acostumou a
confundir uma mulher interessada, com uma mulher sendo
amigável por uma razão.

Começou a parecer que eu poderia dizer qualquer coisa sobre


Bennett, e mamãe teria uma desculpa para isso. —Ele está
tentando roubar meu trabalho.
—Suas empresas se fundiram. Essa é uma situação infeliz,
mas não é algo que ele tenha alguma coisa a ver.

—Ele abusa de gatinhos, — eu brinquei.

Minha mãe balançou a cabeça. —Você está tentando


encontrar qualquer desculpa para não poder gostar do homem.

—Eu não tenho que encontrar nenhuma desculpa; Ele me


entrega as razões em uma bandeja de prata sempre que estou em
sua presença.

Mamãe abaixou o fogo e pegou outra garrafa na geladeira de


vinho. —Você acha que Bennett vai gostar do '02 Cab?

Eu desisto.

—Certo. Eu acho que ele vai adorar.

***

—Então você cresceu aqui? Vivendo em uma adega?

Eu evitei Bennett antes do jantar, saindo na varanda para


brincar com Sherlock – o labrador chocolate da minha mãe e
Matteo.

Infelizmente, ele me encontrou.

—Não. Eu gostaria. — Joguei uma bola de tênis sobre a grade


da varanda e caiu na fileira de trepadeiras. Sherlock saiu
correndo. —Minha mãe e eu moramos na área de Palisades
durante a maior parte da minha vida. Ela não conheceu Matteo até
que eu estava na faculdade. Ele comprou isso aqui para ela pelo
seu quinquagésimo aniversário.

Bennett encostou-se na pilastra, com uma mão casualmente


enfiada no bolso da calça. —Não deixe minha mãe saber disso.
Tudo o que eu consegui foi uma Keurig 2 que ela escondeu no
fundo do armário para pegar poeira.

Eu sorri.

—Crescendo, ela sempre disse que queria ir para a Itália. Eu


tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego quando ela
estava prestes a completar cinquenta anos, então eu economizei
para uma excursão de dez dias por Roma e Toscana. Matteo
possuía um dos vinhedos em que nosso tour parou. Eles se deram
bem, e dois meses depois que ela voltou, ele tinha sua vinha à
venda e decidiu se mudar para os EUA para estar mais perto dela.
—Eu apontei para a fazenda de uva. —Ele comprou este lugar, e
eles se casaram bem ali no aniversário de um ano do dia em que
se conheceram.

—Uau. Isso é bem legal.

—Sim. Ele é um ótimo cara. Minha mãe mereceu conhecê-lo.

Sherlock voltou correndo com a bola na boca, mas, em vez de


deixá-la cair aos meus pés, o traidor a levou para Bennett. Ele se
abaixou e coçou sua cabeça.

—Qual é o seu nome, garoto?

2
Keurig é um sistema de produção de bebidas para uso doméstico e comercial, é como uma cafeteira.
—O nome dele é Sherlock.

Bennett jogou a bola de volta para a fazenda e o melhor


amigo do homem saiu em disparada. —Então você poderia ter
mencionado que Bianchi Winery era sua família.

Meu queixo caiu.

—Você está brincando? Eu tentei. Várias vezes. Mas toda vez


que tentei te contar, você me interrompeu para falar sobre como
você ia ganhar a conta e o quanto os donos amam você. Você
estava bem convencido sobre isso. Especialmente esta tarde,
dizendo que minha mãe estava afim de você.

—Sim. Desculpe por dizer isso. Eu só queria ferrar com você.


Chocar sua confiança antes de sua apresentação.

—Agradável. Muito agradável.

Ele soltou seu sorriso encantador. —O que posso dizer? Tudo


é justo no amor e na guerra.

—Então estamos em guerra, não estamos? E aqui estava eu


pensando que o melhor candidato conseguiria o emprego baseado
no mérito, não porque o outro o sabotou.

Bennett se levantou e piscou. —Eu não estava falando sobre


guerra. Você já me ama.

Eu ri.

—Deus, você é um idiota tão pomposo. —


***

Fiquei na varanda para terminar de jogar com Sherlock


enquanto Bennett estava dentro da casa. Fiquei surpresa quando
ele voltou com o paletó dele, um copo de vinho em uma mão e seu
estojo de couro na outra. —Onde você está indo? —

Ele estendeu o copo de vinho para mim, mas quando eu


estendi a mão para pegá-lo, ele puxou de volta e tomou um gole.
—Sua mãe me pediu para trazê-lo ao sair. —

—Onde você está indo? —

—Pensei em ir para casa. —

—Meus pais tendem a derramar vinho como se fosse água.

—Não, eu estou bem. Eu fiz apenas um conjunto de


degustações e bebi durante algumas horas.

—Oh. OK. Mas ainda não jantamos.

—Eu sei. E pedi desculpas a seus pais. Eu disse a eles que algo
surgiu e tive que fugir.

—Alguma coisa surgiu?

—Eu não quero me intrometer em seu tempo de família. Sua


mãe mencionou que vocês não se viam há alguns meses.

—O trabalho tem sido louco desde que o Sr. Wren morreu.

Bennett levantou as mãos. —Entendi. Confie em mim, minha


mãe diria a você que eu não a chamo ou a vejo o suficiente.
—Você não precisa sair.

—Está tudo bem. Eu posso admitir a derrota nas raras


ocasiões em que isso acontece. Você venceu essa batalha, mas não
venceu a guerra, Texas. Deixarei que você apresente suas ideias
para eles, sem me distrair.

Eu fiquei de pé.

—Minha mãe vai ficar tão desapontada. Ela provavelmente


estava planejando discutir que tipo de roupa de baixo você usaria
durante o jantar para ter certeza de que você não está matando
esperma com bolas apertadas para a proteção de seus futuros
netos.

Bennett tomou outro gole de vinho e ofereceu-me o copo


agora meio vazio. Mas quando fui pegá-lo, ele não soltou. Em vez
disso, ele se inclinou para perto enquanto nossas pontas dos
dedos se tocavam.

—Diga à mamãe para não se preocupar. Meus meninos são


saudáveis. — Ele piscou para mim e soltou o vinho. —Eu prefiro
commando3.

Eu ri e assisti ele caminhar até seu carro. Ele carregou seu


material de apresentação no porta-malas e fechou-o.

—Ei! — Eu gritei. Ele olhou para cima. —Você já se esboçou?


Commando poderia ser um bom nome de super-herói. —

Bennett caminhou até a porta do carro. Ele abriu e a segurou


aberta enquanto gritava de volta. —Você vai estar sonhando com

3
Commando é não usar roupas íntimas. As origens para isso são "ao ar livre" ou "pronto para a ação".
isso hoje à noite, Texas. E eu não preciso adivinhar qual parte
você exagerará.
Capítulo 6

—Você está atrasada. —

Eu olhei para o meu relógio. —São três minutos depois das


doze. O 405 tinha um backup.

Fanny balançou o dedo torto para mim. —Não venha com


desculpas só porque você não pode chegar aqui a tempo.

Mordi minha língua, segurando o que eu realmente queria


dizer em favor em vez de, —Sim, senhora.

Ela me olhou, parecendo não saber se minha resposta era


condescendente ou se eu estava realmente sendo respeitoso. O
último era impossível, já que você precisa ter respeito por uma
pessoa para mostrar a ela alguma coisa.

Nós ficamos na varanda de sua pequena casa, olhando um


para o outro. Olhei em volta dela para a janela, mas as persianas
estavam fechadas.

—Ele está pronto?

Ela estendeu a mão, sua palma para cima. Eu deveria ter


percebido que o problema do atraso. Cavando no bolso do meu
jeans, peguei o cheque, o mesmo pagamento que tinha dado a ela
todo primeiro sábado do mês por oito anos, então ela me deixava
passar um tempo com meu afilhado.

Ela examinou como se fosse tentar arrancá-lo, então enfiou


no sutiã. Meus olhos queimaram acidentalmente vendo algum
decote enrugado enquanto eu assistia.

Ela deu um passo para o lado.

—Ele está em seu quarto, punido a manhã toda por ter uma
boca suja. Melhor não estar recebendo essa linguagem de você.

Sim. Provavelmente é onde ele consegue. São cinco horas a


cada duas semanas que eu gasto com ele que estragam tudo. Não
seu quarto ou quinto - eu perdi a conta - marido caipira que grita
cale a porra da sua boca pelo menos duas vezes durante a minha
saída de cinco minutos e caia fora.

Os olhos de Lucas se iluminaram quando abri a porta do


quarto dele. Ele pulou da cama. —Bennett! Você veio!

—Claro que eu vim. Eu sentiria falta da nossa visita. Você


sabe disso.

—Vovó disse que você pode não querer passar um tempo


comigo porque eu estou podre.

Isso fez meu sangue ferver. Ela não tinha o direito de usar
minhas visitas como uma tática de medo.

Sentei na cama dele e ficamos cara a cara.

—Primeiro, você não está podre. Em segundo lugar, nunca


vou deixar de visitá-lo. Por nenhum motivo.
Ele olhou para baixo.

—Lucas?

Esperei até que os olhos dele voltassem para os meus.

—Nunca. Ok, amigo?

Ele balançou a cabeça, mas eu não tinha certeza se ele


acreditava em mim.

—Vamos. Por que não saímos daqui? Temos um grande dia


planejado.

Isso iluminou os olhos de Lucas.

—Espere. Eu preciso fazer uma coisa. — Ele enfiou a mão


debaixo do travesseiro, pegou alguns livros e foi até a mochila.
Achei que ele estava guardando as coisas da escola até eu dar uma
boa olhada na capa do livro em suas mãos.

Minhas sobrancelhas se uniram.

—O que é esse livro?

Lucas levantou a mão.

—Eles são os diários da minha mãe. Vovó os encontrou no


sótão e os deu para mim depois de lê-los.

Uma lembrança de Sophie sentada na calçada escrevendo


naquela coisa passou pela minha cabeça. Eu esqueci tudo sobre
esses diários.

—Deixe-me ver isso.


O primeiro livro era um diário encadernado em couro com
uma flor dourada em relevo na frente, que na maior parte se
desvaneceu. Eu sorri enquanto folheava as páginas e balancei a
cabeça.

—Sua mãe escreveu isso no primeiro dia de cada mês - nunca


no segundo, e sempre em caneta vermelha.

—Ela começa a página com Caro eu, como se ela não soubesse
que estava escrevendo as cartas para si mesma. E ela termina com
esses poemas estranhos.

—Eles são chamados haiku.

—Eles nem sequer rimam.

Eu ri, pensando na primeira vez que Soph me mostrou um. Eu


disse a ela que eu era melhor com poemas. Qual foi o que eu
recitei? Oh, espere... Era uma vez um homem chamado Lass. Ele
tinha duas bolas gigantes de latão. E na tempestade tempestuosa,
eles se agarravam e o raio saía de sua bunda. Sim, foi isso.

Ela me disse para manter o desenho.

Certa vez, no ensino médio, ela adormeceu quando saímos, e


eu coloquei minhas mãos neste e li. Ela ficou chateada quando ela
acordou e me pegou quase terminando com isso.

Eu olhei para Lucas. —Sua avó sabe que você está lendo isso?

Ele franziu a testa.


—Ela disse para aprender tudo sobre minha mãe e depois
fazer o oposto. Disse que isso me ajudaria a saber quem você é
melhor também.

Fodida Fanny. O que ela estava fazendo? —Não tenho certeza


se é uma boa ideia você ler esses diários agora. Talvez quando
você for um pouco mais velho.

Ele encolheu os ombros. —Eu apenas comecei. Ela fala muito


sobre você. Você ensinou a ela como parar de jogar como uma
garota.

Eu sorri.

—Sim. Nós éramos próximos

Eu não conseguia lembrar os detalhes das partes que lia há


muito tempo, mas eu estava razoavelmente certo de que não era
algo que uma criança de onze anos deveria estar lendo sobre sua
mãe morta.

—O que você acha de eu ficar com eles por um tempo e talvez


escolher algumas partes para você ler? Eu não acho que você vai
querer ler sobre sua mãe falando sobre garotos e coisas assim, e é
isso que as garotas geralmente escrevem em diários.

Lucas franziu o rosto.

—Fique com eles. Era meio chato de qualquer maneira.

—Obrigado parceiro.

—Vamos pescar hoje?, — Ele perguntou.


—Você nos fez novas iscas?

Ele correu para a cama e se arrastou para baixo até que só


seus pés estavam saindo. Seu sorriso era de orelha a orelha
quando ele voltou com a caixa de madeira que eu tinha dado a ele
e a abriu.

—Eu fiz um wooly bugger4, uma bunny leech5 e uma a gold-


ribbed6.

Eu não tinha ideia de como diabos eles pareciam, mas eu


sabia que se eu os pesquisasse no Google, suas iscas seriam feitas
com perfeição. Lucas estava obcecado com tudo de pescaria com
esse tipo de isca. Cerca de um ano atrás, ele começou a assistir
algum reality show sobre isso, e seu entusiasmo não diminuiu. O
que significava que eu tinha que descobrir como pescar peixe.

Uma vez eu estava assistindo a um vídeo no YouTube sobre


lagos no norte da Califórnia para pescar, e quando mencionei que
estava pensando em levá-lo um dia, ele começou a recitar todos os
melhores lugares para pescar coisas diferentes ao redor do lago.

Aparentemente, ele assistiu ao mesmo vídeo em que eu


encontrei - apenas uma centena de vezes.

Peguei as iscas da caixa e verifiquei a obra dele. Elas não


pareciam diferentes das que você compraria na loja.

4
O Woolly Bugger é uma mosca artificial comumente categorizada como mosca úmida ou streamer e é pescada
sob a superfície da água.

5
bunny leech

6
gold-ribbed
—Uau. Bom trabalho. — Eu levantei uma. —Eu acho que
primeiro temos que usar a woolly bugger.

Lucas riu.

—OK. Mas essa é a bunny leech.

—Eu sabia.

—Claro que você sabia.

***

—Então, como vai a escola, amigo? Estamos chegando perto


das férias de verão.

—A escola está bem—, ele franziu a testa. —Mas eu não


quero ir a Minnetonka.

Meu corpo ficou rígido. Eu sabia que o pai de Lucas morava


lá. Mas eu não achei que mais alguém soubesse disso. —Por que
você iria para Minnetonka?

—Vovó está me fazendo ir para a irmã dela. Ela mora no meio


do nada. Eu vi fotos. E quando ela vem nos ver, tudo o que ela faz é
sentar no sofá e assistir a novelas idiotas e me pedir para esfregar
seus pés. — Ele fez uma pausa. —Ela tem cebolas.

—Cebolas?

—Sim. Nos pés dela. Eles são como solavancos estranhos que
são todos ossudos e outras coisas, e ela quer que eu os esfregue. É
nojento.
Eu ri. —Oh. Joanetes Sim, eles podem ser bem feios. Quanto
tempo vocês estão ficando?

—Vovó disse um mês inteiro. A irmã dela está fazendo uma...


- Lucas ergueu os dedos para fazer aspas no ar -... cirurgia de
partes de mulher.

Sua resposta teria me feito rir se estivéssemos discutindo


outra coisa além de ele sair por um mês e ir para um lugar onde
sua mãe nunca teve intenção de levá-lo. —Ela disse que eu vou
conhecer um monte de pessoas da família. Mas eu prefiro ficar em
casa e ir para o acampamento de futebol.

O que diabos está fazendo Fanny agora? Nós dois


definitivamente precisávamos ter uma conversa quando eu deixar
o Lucas esta tarde. Ela não mencionou nada para mim sobre a
falta de visitas, e eu já paguei pelo acampamento de verão que
parecia que ele iria perder. Mas eu aprendi melhor do que
prometer a Lucas que eu poderia fazer a avó dele ver o que era
melhor para ele, então tentei colocar o assunto em segundo plano
para depois e não o deixar estragar nosso sábado.

—Como vão as coisas com Lulu? — As meninas eram um


novo tópico de discussão ultimamente.

Lucas lançou sua linha para o lago, e vimos a isca cair na água
a pelo menos vinte metros de distância. Eu teria sorte de chegar a
metade disso. Ele travou a linha e olhou em minha direção. —Ela
gosta de Billy Anderson. Ele está no time de futebol.

Ah, agora faz sentido. Duas semanas atrás, quando eu fui


buscá-lo, ele me perguntou se eu poderia falar com sua avó sobre
ele tentar o time de futebol americano. Ela disse a ele que era um
esporte muito perigoso. Ele nunca expressou interesse em nada
além de futebol antes, e Deus sabe que eu tentei fazer com que ele
jogasse uma bola de beisebol e futebol. Mas ele tinha quase 12
anos agora - com a idade que eu tinha quando descobri que a
menina de doze anos de idade, Cheri Patton, pulava para cima e
para baixo e torcia por mim se eu marcasse um touchdown. Porra,
aquela garota tinha grandes pompons.

—Oh sim? Bem, não se preocupe. Há muitos peixes no mar.

—Sim. — Ele se mexeu. —Eu acho que vou gostar de uma feia
da próxima vez.

Eu segurei meu riso. —Uma feia?

—Todas as lindas são tão mandonas e malvadas. Mas as feias


geralmente são bem legais.

Talvez ele devesse me aconselhar sobre garotas, em vez do


contrário.

—Isso soa como um bom plano. Mas deixe-me dar um


conselho.

—O que?

—Não diga à garota que você decidiu gostar dela porque ela
não era uma das bonitinhas.

—Sim. Eu não vou. — Ele olhou para sua linha com um


sorriso no rosto. —Aposto que a garota que usava sua camisa
quando você trocou o pneu algumas semanas atrás era realmente,
muito má.
Eu ri. O garoto não perdia nada. Normalmente, eu não trazia
mulheres ao redor do Lucas. Não que eu não achasse que ele não
estaria legal com isso, mas porque os relacionamentos que eu tive
não duraram muito tempo. Exceto algumas semanas atrás, quando
ele conheceu Elena - a pequena e quente empregada que cuidou
de mais de uma fantasia que eu tive sobre uma garota de
uniforme. Nós passamos a noite antes da minha visita regular aos
sábados com Lucas na minha casa. Dez minutos depois que eu o
peguei, ela ligou para o meu celular para dizer que o carro dela
precisava de um novo pneu, do lado de fora do meu prédio - onde
eu a deixei ainda na minha cama. Eu não poderia não voltar e
cuidar de seu carro quando ela cuidou tão bem de mim. Então
Lucas conheceu Elena. Eu disse que ela era uma amiga, mas
aparentemente ele colocou dois e dois juntos. Merda

—Elena era muito legal. — Até que eu não liguei na semana


seguinte. Então ela me disse para ir me foder. E de repente, ontem,
comecei a receber multas de estacionamento quando estacionei
no meu lugar de sempre do lado de fora do escritório.

—Meu amigo Jack diz que você deveria fazer a uma menina
três perguntas, e se ela responder não a qualquer uma delas, você
não deveria gostar dela.

—Oh sim? Que perguntas são essas?

Lucas contou com os dedos, segurando o polegar para uma


delas. —Primeiro, você pergunta se ela já deixou alguém copiar o
dever de casa. — Ele levantou o dedo indicador. —Em segundo
lugar, você pergunta se ela pode comer mais de uma fatia de pizza.
E terceiro... — Ele acrescentou o dedo do meio. —Você precisa
saber se ela já saiu de pijama.
—Interessante. — Eu cocei meu queixo. Eu poderia ter que
testar essa teoria eu mesmo. —Lulu come mais de uma fatia de
pizza?

—Ela come salada.

Ele disse isso como se a palavra fosse uma maldição. Mas


havia algo para isso. Quando levo uma mulher para um bom
restaurante ou churrascaria italiana e ela pede uma salada -
metade do tempo não termina porque está cheia demais - isso
nunca é um bom sinal.

—Deixe me perguntar algo. Como seu amigo Jack fez esse


teste?

—Ele tem um irmão mais velho que tem dezoito anos. Ele
também disse a ele que se você disser a uma garota que você tem
três testículos, ela sempre vai lhe deixar mostrar sua salsicha.

Essa eu definitivamente estaria experimentando. Eu me


perguntei se funcionaria com a Pequena Senhorita que os pais são
donos de uma adega.

—Uh, eu não acho que você deveria experimentar o último


conselho. Poderiam te prender por exposição indecente.

Lucas e eu passamos o nosso dia inteiro pescando com as


iscas mosca. Ele pegou um balde cheio de truta. Eu peguei um
dourado. Quando o levava de volta para a casa de Fanny, ela
costumava ser simpática. Eu tive que colocar meu pé na porta
para impedi-la de bater na minha cara depois que Lucas e eu
dissemos adeus.
—Eu preciso falar com você um minuto.

Ambas suas mãos voaram para seus quadris. —Seu cheque


não vai funcionar?

Deus não permita que isso aconteça.

—Meu cheque está bem. Como o que dei a Kick Start, o dia em
que paguei a Lucas para ir para este verão.

Fanny era uma dor na bunda, mas ela era afiada. Ela não
precisava de nada explicado para ela.

—Tenho que ajudar minha irmã. Ele vai pegar metade disso.

—E as minhas visitas aos sábados?

Ela ignorou a minha pergunta. —Você sabe, ele tem feito


muitas perguntas sobre sua mãe esta semana. Eu encontrei alguns
diários antigos de Sophia. Eles são uma leitura muito interessante.

—Ele é jovem demais para ler os diários de sua mãe.

—Esse é o problema com os jovens hoje. Os pais os protegem


demais. A realidade nem sempre é perfeita. Quanto mais cedo eles
aprenderem, melhor.

—Há uma diferença entre dar a uma criança uma dose de


realidade e feri-lo por toda a vida.

—Eu acho que nós temos sorte, cabe a mim determinar o que
vai assustá-lo e o que não vai, então.

Okay, certo. —E os meus fins de semana?


—Você pode ficar com ele até as seis em vez de cinco quando
voltarmos. Isso vai compensar as horas perdidas.

Inacreditável. —Eu prometi a ele que o veria todos os outros


sábados. Eu não quero decepcioná-lo.

Ela deu um sorriso malicioso. —Acho que esse navio já está


navegando.

Meu queixo flexionou. —Nós temos um acordo.

—Talvez seja hora de renegociar esse acordo. Minha


eletricidade subiu por causa do novo telefone e computador que
você comprou para ele.

—Você recebe seu cheque na hora todos os meses, e eu pago


por muitos extras, como acampamento, material escolar e tudo o
que ele precisa.

—Você quer que ele vá para o acampamento tão mal. Você o


mantém pelo mês que eu vou cuidar da minha irmã.

—Eu trabalho até tarde e viajo o tempo todo. — Sem


mencionar que meu trabalho estava em jogo, e eu estaria
trabalhando ainda mais nos próximos meses.

Fanny recuou da entrada para a casa. —Parece que você vai


quebrar sua promessa no mês que vem, então, não vai? Assim
como você fez com a mãe dele. Algumas coisas nunca mudam.

Ela bateu a porta na minha cara.


Capítulo 7
1 de Agosto

Caro eu,

Hoje fizemos um amigo! Não começou como se fôssemos


amigos, no entanto. Eu estava praticando softball no relvado que os
velhos proprietários deixavam em frente à nossa nova casa, e um
menino parou em sua bicicleta para me ver. Ele disse que eu jogava
como uma garota. Eu disse obrigado, mesmo sabendo que ele não
disse isso de uma forma legal. Bennett desceu da bicicleta e deixou-
a cair no chão, sem se incomodar em usar o suporte. Parecia que ele
fazia muito isso porque a bicicleta estava muito desgastada.

De qualquer forma, ele se aproximou e pegou a bola da minha


mão e me mostrou como segurá-la para que eu não jogasse mais
como uma garota. Passamos o resto da tarde jogando juntos. E
adivinha? Bennett e eu teremos o mesmo professor quando a escola
começar na próxima semana. Ah, e ele não gosta de ser chamado de
Ben.

Depois que terminamos de jogar bola, eu ia mostrar a ele a


casa nova. Mas o novo namorado da mamãe, Arnie, estava em casa.
Ele trabalha à noite, então eu não deveria fazer barulho durante o
dia porque ele dorme. Então fomos à casa de Bennett e a mãe dele
nos fez biscoitos. Bennett me mostrou um caderno de anotações que
ele fazia. Ele desenha imagens realmente boas de super-heróis!
Adivinha o que mais? Eu contei a ele sobre a poesia que eu escrevo e
ele não riu. Então hoje meu poema é dedicado a ele.

O verão é chuva.
Uma menina canta lá fora.
Ela se afoga na música.

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Anonimamente,
Sophie
Capítulo 8

Alguma coisa estava errada.

Nenhum insulto ou comentário espertinho desde que entrei


em seu escritório vinte minutos atrás. Eu digitei nossa lista de
contas que cada um concordou em manter e que estávamos
enviando para a equipe. Mas percebi que alguns que estávamos
retribuindo já tinham reuniões programadas, e provavelmente
deveríamos comparecer àquelas para suavizar a transição. Eu
reavaliei os clientes e os encontros enquanto Bennett sentava
atrás de sua mesa, jogando continuamente uma bola de tênis no ar
e pegando-a.

—Sim. Tudo bem, — ele disse.

—E a campanha Morgan Food? Nós não falamos sobre isso


porque o pedido de proposta ainda não havia chegado. Chegou
esta manhã.

—Você pode pega-lo.

Minhas sobrancelhas subiram. Hmmm. Não vou questionar


isso em voz alta.
Eu cruzei isso da minha lista e continuei. —Acho que
devemos ter uma reunião de equipe - uma reunião conjunta.
Mostrar a ambas as equipes que podemos agir como uma só,
mesmo que seja apenas um ato em benefício delas. Isso
impulsionará a moral.

—OK.

Eu cruzei outro item, em seguida, coloquei meu bloco e


caneta para baixo e observei-o mais de perto.

—E a campanha Arlo Dairy. Eu pensei que talvez você


pudesse fazer alguns desses esboços de super-heróis com partes
do corpo exagerado para incluir em nossa apresentação.

Bennett jogou aquela maldita bola no ar e depois a pegou.


Novamente. —Isso é bom.

Eu sabia que ele não estava prestando atenção.

—Talvez você possa esboçar a vice-presidente de operações.


Aposto que ela ficaria ótima com seios maiores.

Bennett jogou a bola para cima e sua cabeça balançou em


minha direção. Seus olhos vidrados pareciam voltar ao foco, como
se ele tivesse acabado de acordar de uma soneca e pela primeira
vez me viu sentada lá.

A bola caiu no chão.

—O que você acabou de dizer?


—Onde estava você? Estou sentada aqui há vinte minutos e
você foi tão agradável que achei que poderia estar com gripe ou
algo assim.

Ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes.

—Desculpe. Eu só tenho muita coisa em mente. —Virando a


cadeira para me encarar, ele pegou um café em sua mesa.

—O que você estava dizendo?

—Só agora ou o tempo todo?

Ele olhou para mim sem expressão.

Eu bufei, mas comecei de novo. Na segunda vez, quando ele


realmente prestou atenção, meu adversário não foi tão agradável.
No entanto, ele ainda parecia desligado. Quando terminamos de
ler minha lista, achei que ele poderia precisar de um pouco de
animação.

—Meus pais realmente gostaram de você...

—Especialmente sua mãe. — Ele piscou.

Agora esse comentário parecia mais com o Bennett que eu


vim a conhecer na semana passada.

—Deve ser senilidade de início precoce. De qualquer forma,


eles me mostraram sua proposta para a campanha publicitária
deles. Foi muito boa.

—Claro que foi.


Por um segundo, eu reconsiderei o que passei dias remoendo.
Seu ego ardente não precisava de mais fogo. Mas meus pais
mereciam a melhor campanha publicitária possível. E essa não era
a minha, infelizmente.

—Por mais que me doa dizer isso, suas ideias eram melhores.
Gostaríamos de avançar na cópia da rádio e nos esboços das
revistas que você propôs. Eu tenho alguns ajustes e, obviamente,
gostaria de continuar na campanha como a pessoa indicada, mas
podemos gerenciar essa campanha juntos. E deixarei que Jonas
saiba que é minha família e lhe dou crédito por trazer o melhor.

Bennett me encarou por um longo momento, sem dizer nada.


Então ele se recostou na cadeira, juntou os dedos e olhou para
mim como se eu fosse suspeita.

—Por que você faria isso? Qual é o problema?

—Fazer o que? Dizer a Jonas?

Ele balançou sua cabeça.

—Tudo isso. Estamos no meio de lutar por nossos empregos


e você vai me entregar um que é um ponto fácil para você.

—Porque é a coisa certa a fazer. Sua publicidade é melhor


para o cliente.

—Porque é a sua família?

Eu não tinha muita certeza sobre a resposta para isso. O fato


de que a vinícola de meus pais era um acéfalo. Mas o que eu faria
se este fosse um cliente regular que ambos tivéssemos? Eu
sinceramente não sabia se ia entregar-lhe alguma coisa. Eu
gostaria de pensar que minha moral me faria colocar o cliente em
primeiro lugar, não importa o quê. No entanto, este era o meu
trabalho na linha…

—Bem, sim. O fato de que meus pais tomaram uma decisão


fácil de colocar o cliente em primeiro lugar.

Bennett coçou o queixo.

—Tudo bem. Obrigado.

—Você é bem-vindo. — Abri o caderno de tarefas novamente.


—Agora, próxima ordem de negócios. Jonas nos enviou um e-mail
esta manhã da campanha Vodka de Vênus. Ele quer ideias até esta
sexta-feira e não quer que digamos a ele quem fez o que. Acho que
ele quer ter certeza de que teremos uma orientação antecipada,
porque ele não acredita que poderemos trabalhar juntos o
suficiente.

—Você faria isso para qualquer cliente?

—Estar pronta cedo quando o chefe perguntar? Claro.

Ele balançou sua cabeça. —Não. Usar minha campanha se


você achar que era melhor que a sua.

Aparentemente eu era a única que tinha mudado de assunto.


Eu fechei meu livro e me recostei no meu lugar.

—Eu sinceramente não tenho certeza. Eu gosto de pensar que


colocaria qualquer cliente em primeiro lugar, que eu agiria
eticamente em seu melhor interesse, mas eu amo meu trabalho e
investi sete anos trabalhando na Wren. Então, eu tenho vergonha
de dizer que não posso responder com certeza.
O rosto de Bennett tinha estado estoico, mas um sorriso lento
se espalhou por ele agora. —Podemos nos dar bem depois de
tudo.

—O que você faria nessa situação? Fazer o que é melhor para


o cliente ou para você mesmo?

—Fácil. Eu chutaria sua bunda e o cliente ficaria em segundo


lugar. Embora, na chance que meu trabalho fosse na verdade o
segundo melhor, seria por um fio de cabelo, então o cliente não
estaria sofrendo muito.

Eu ri. Um bastardo convencido, mas pelo menos ele era


honesto.

—É bom saber o que estou enfrentando.

Nós passamos a próxima meia hora passando por questões


abertas e então decidimos que começaríamos a campanha de
Vênus no final do dia porque nós dois tínhamos tardes cheias de
reuniões.

—Eu tenho um compromisso com um cliente às duas. Eu


provavelmente posso estar de volta ao escritório por volta das
cinco, — eu disse.

—Vou pedir algum jantar. O que você é? Uma vegetariana,


vegana, taco, beegan?

Eu fiquei de pé.

—Por que eu tenho que ser algum desses?

Bennett deu de ombros.


—Você apenas parece o tipo.

Uma pena rolar de olhos não ser uma forma de exercício.


Deus sabe, eu estaria em boa forma depois de estar perto desse
homem.

—Eu como qualquer coisa. Eu não sou exigente.

Eu cheguei à porta quando Bennett me parou.

—Ei, Texas?

—O que? — Eu precisava parar de responder a esse nome.

—Você já deixou alguém copiar sua lição de casa?

Meu nariz enrugou.

—Dever de casa?

—Sim. Na escola. Antigamente. Pode ter sido na escola


primária, no ensino médio ou até na faculdade.

Madison pode não ter feito uma única tarefa de matemática


por conta própria pela maior parte da álgebra.

—Claro que sim. Por que você pergunta?

—Nenhuma razão. —

***

Meu compromisso foi mais longo do que eu esperava, e o


escritório estava quase vazio quando voltei. Marina, a assistente
de Bennett - ou melhor, nossa assistente - estava arrumando sua
mesa.

—Ei, desculpe, estou atrasada. Você deixou Bennett saber


que me atrasei?

Ela assentiu enquanto puxava sua bolsa da gaveta.

—Você está pedindo o jantar? Porque meu Lean Cuisines está


claramente marcado com o meu nome no freezer na cozinha dos
funcionários.

—Umm. Sim. Bennett disse que iria pedir o jantar para nós.

Ela franziu a testa. —Eu também tenho duas latas de ginger


ale, quatro palitos de queijo cheddar e uma geleia de uva Smucker
espremida pela metade lá.

—OK. Bem, eu não estava planejando jantar com a comida de


alguém na geladeira. Mas é bom saber disso.

—Há menus na gaveta superior direita.

—OK. Obrigado. Bennett está em seu escritório?

—Ele foi para uma corrida. Normalmente ele corre de manhã,


mas ele saiu há cerca de quarenta e cinco minutos, desde que eu
lhe disse que você ia se atrasar. — Marina olhou ao redor da sala,
depois se inclinou para mais perto e baixou a voz. —Entre nós,
meninas, você pode querer proteger seus suprimentos em torno
dele.

—Suprimentos?
—Clipes de papel, blocos de notas, grampeadores - algumas
pessoas por aqui têm dedos leves, se você sabe o que quero dizer.

—Vou me lembrar disso. Obrigado pela atenção, Marina.

Vinte minutos depois, Bennett enfiou a cabeça no meu


escritório. Seu cabelo estava molhado e penteado para trás, e ele
vestia uma camiseta e jeans. Ele segurava uma caixa de pizza em
uma mão.

—Está pronta?

—Você pagou por essa pizza ou roubou da Marina?

Ele abaixou a cabeça. —Ela já chegou a você.

Eu sorri abertamente.

—Ela fez. Mas estou curiosa para ouvir a história de vocês.

—Bem, a menos que você goste de pizza fria, terá que


esperar. Porque explicar o quanto essa mulher é louca pode
demorar um pouco.

Eu ri.

—OK. Onde você quer trabalhar? —Eu balancei a cabeça para


a caixa na cadeira de hóspedes do outro lado da minha mesa. —Eu
arrumei algumas coisas apenas no caso de você querer ir para
outro lugar.

Ele caminhou em direção a minha mesa. —Claro que você fez.


Quer saber o que eu fiz para isso?

—O que?
—Eu peguei dois copos de shot na pequena loja turística do
quarteirão, para o caso de sentirmos a necessidade de testar o
produto. — Bennett colocou a caixa de pizza em cima da minha
caixa e segurou por baixo. Ele inclinou a cabeça em direção à
porta.

—Vamos. Vamos nos espalhar na sala de reunião. Eu acho


que todo mundo já encerrou o dia. —

***

O mercado de marketing da Foster Burnett era muito


diferente do que tínhamos na Wren. Além de ser o dobro do
tamanho - o que fazia sentido, já que Foster Burnett tinha o dobro
de funcionários da Wren -, foi criado como um salão de
dormitórios de faculdade. Ambas salas tinham dois sofás e uma
mesa de café, mas é aí que as semelhanças terminam. Wren tinha
moldado citações inspiradoras, cavaletes segurando quadros
brancos, uma grande mesa de desenho para esboçar ideias e uma
pequena geladeira com refrigerantes. Foster Burnett tinha uma
longa parede pintada de preto que era um enorme quadro-negro,
uma mesa de pebolim, um jogo de arcade de Pac-Man em tamanho
real, pufes coloridos, dezenas de animais de origami pendurados
no teto e duas máquinas de venda de refrigerantes bem
abastecidas da década de 1950 para refrigerantes e salgadinhos,
em que tudo custava apenas vinte e cinco centavos.

—Está sala não é nada parecida com o que tínhamos no


antigo escritório.
Bennett inclinou-se para a frente e arrancou uma segunda
fatia de pizza da caixa, deslizando-a sobre o prato de papel. Ele
segurou a caixa aberta.

—Você está pronta para outra?

—Não, obrigado. Ainda não.

Ele assentiu e dobrou a pizza ao meio. —Como era as salas da


Wren?

—Menos decoração de dormitório e mais construção de


equipe corporativa.

—Imagem emoldurada de um bando de lobos com algum


slogan idiota de trabalho em equipe?

Nós não tínhamos aquele em particular, mas eu conhecia a


impressão que ele estava se referindo.

—Exatamente.

—Eu montei está sala quando nos mudamos para este andar.
Tentei fazer com que pusessem alguns chuveiros, mas o RH não
queria fazer isso.

—Chuveiros?

—Eu tenho o melhor pensamento no chuveiro.

—Hã. Eu sinto que minhas melhores epifanias vêm no


chuveiro também. Eu sempre me perguntei por que isso acontece.

—Ele tira todos os estímulos externos e permite que nossa


mente mude para o modo de sonhar acordado, relaxando o córtex
pré-frontal do cérebro. É conhecido como DMN, rede de modo
padrão. Quando o cérebro está em DMN, usamos diferentes
regiões dele - literalmente abrindo nossas mentes.

Ele empurrou um quarto de sua fatia em sua boca, parecendo


não notar a surpresa no meu rosto.

—Uau. Eu não sabia disso. Quer dizer, eu sabia por que às


vezes precisamos sair do escritório ou jogar um videogame para
liberar espaço mental. Mas eu nunca ouvi a explicação científica
por trás disso.

Abri a caixa de pizza e tirei outra fatia. Levando em minha


boca, olhei para cima e encontrei Bennett me observando
atentamente.

—O quê? — Eu limpei minha bochecha com o guardanapo na


minha outra mão. —Eu tenho molho no meu rosto ou algo assim?

—Apenas me surpreendeu você comer mais de uma fatia de


pizza.

Eu estreitei meus olhos.

—Você está dizendo que eu não deveria comer mais de um?

Ele ergueu as mãos. —De modo nenhum. Isso não foi um


comentário de peso.

—Então o que isso significa?

Bennett sacudiu a cabeça.


—Nada. Apenas algo que um amigo meu disse sobre garotas
que realmente comem.

—Eu cresci comendo uma tigela de macarrão como


acompanhamento. Eu posso comer.

Eu peguei os olhos de Bennett fazendo uma rápida varredura


sobre o meu corpo, como se um comentário estivesse prestes a
vir, mas então ele empurrou mais pizza em sua boca.

—Então, qual é o negócio com Marina?, — Perguntei.

—Ela fez um inventário detalhado da comida que ela tem na


geladeira para que eu soubesse que ela saberá muito bem se algo
estiver faltando.

Bennett caiu no sofá.

—Eu acidentalmente comi seu almoço há dois anos.

—Você pensou que o almoço dela era seu e comeu por


engano?

—Não. Eu sabia que não era meu. Eu não trago o almoço. Mas
eu estava trabalhando muito tarde uma noite e pensei que era do
Fred da contabilidade, então eu comi. Era um maldito sanduíche
de manteiga de amendoim e geleia, e agora eu sou acusado de
roubar seus lanches ou algo assim a cada duas semanas.

—Bem, eu soube que a taxa de reincidência para ladrões de


almoço pela primeira vez é muito alta.

—Eu cometi o erro de contar a Jim Falcon. Agora de vez em


quando, ele rouba algo da mesa dela e coloca na minha. Ele acha
engraçado, mas eu tenho certeza que ela está a três passos de
envenenar meu café.

—Algo me diz que ela não é a única mulher a se sentir assim em


relação a você. —

***

Assim que colocamos a pizza de lado, nós dois não


concordamos em nada.

Primeiro, nos revezamos em compartilhar nossas ideias para


a campanha Vodka de Vênus. A empresa havia solicitado um
campo de marca completo para seu mais recente produto de
vodka com sabor. Precisávamos criar um pacote coeso: nomes de
produtos propostos, ideias de logotipo, slogans e uma estratégia
geral de marketing. Não é de surpreender que minhas ideias e as
de Bennett estivessem a uma milha de distância. Todas as minhas
sugestões tinham um toque feminino. Todos as de Bennett eram
masculinas.

—Homens de dezoito a quarenta anos bebem mais álcool, —


disse ele.

—Sim. Mas isso é vodka com sabor. Mel com sabor. Os


principais bebedores de bebidas alcoólicas com sabor são
mulheres.

—Isso não significa que temos que pintar a garrafa de rosa e


vendê-la com um canudo dentro.
—Eu não estava sugerindo isso. Mas Buzz não é um nome
feminino.

—É quando você adiciona uma abelha no rótulo. Se a marca


for muito feminina, os homens não vão pegar a garrafa para levar
para o caixa.

—Você está falando sério? Você está realmente sugerindo


que, se algo é muito feminino, os homens não vão querer?

—Eu não estou sugerindo isso. É um fato.

Nós estávamos discutindo pela última meia hora. Se íamos


chegar a algum lugar trabalhando juntos, precisávamos gastar
menos tempo tentando gritando com o outro e mais tempo
inventando ideias. Suspirei.

Que pena.

Eu realmente amei a vodka Buzz com uma abelha no rótulo.

—Eu acho que precisamos de um sistema.

— Claro que sim— resmungou Bennett.

Eu fiz uma careta.

—Cada um de nós recebe três vetos. Se um de nós invoca


poder de veto, isso significa que achamos que o conceito é
totalmente impraticável, e não faz sentido tentar moldá-lo em
uma campanha. Se um de nós vetar, temos que seguir em frente e
não tentar debater por que é uma boa ideia. — Olhei para o
relógio. —Já são quinze para as oito. Poderíamos passar a noite
toda discutindo.
—Bem. Se você desistir de sua campanha de abelhas, vamos
fazê-lo. — Bennett olhou para o relógio. —E são sete e cinquenta e
um, não quinze para as oito.

Sim. Outro revirar dos olhos.

Bennett decidiu jogar Sra. Pac-Man para tentar limpar a


cabeça. Eu precisava relaxar um pouco para entrar no modo de
debate também. Então eu tirei meus saltos e me levantei. O ritmo
me ajudou a pensar. Eu sacudi minhas mãos enquanto caminhava.

—Vodka mel… sabor de mel. Doce. Açúcar. Doces. — Comecei


a percorrer as associações de palavras em voz alta. —Xarope.
Colmeia Bzz. Bzz. Difusa. Amarelo.

—Que diabos você está fazendo? — O som de seu Pac-Man


sendo devorado pontuou sua frase.

Eu parei.

—Tentando limpar minha mente e começar a ter um


pensamento fresco.

Bennett sacudiu a cabeça.

—Suas divagações estão fazendo o oposto de limpar a minha.


Eu tenho uma ideia melhor para você.

—O que? Correr para casa e tomar banho?

Ele enfiou a mão na caixa que trouxe para mim e pegou a


garrafa selada e sem rótulo que Vênus mandou com a RFP. Então
ele tirou dois pequenos copos do bolso.
Eu pensei que ele estava brincando mais cedo quando ele
disse que os comprou em preparação para a nossa sessão de
debate.

—Precisamos provar o produto. Nada como um pouco de


álcool para limpar sua mente.
Capítulo 9

Annalice O’Neil era um peso leve.

Nós só tomamos dois copos - para fins de pesquisa, é claro - e


seu comportamento já havia mudado.

Ela acenou com o dedo indicador no ar. A única coisa que


faltava era uma lâmpada em uma bolha acima de sua cabeça. —
Deixa comigo. Eu sou tão querida.

Ela pronunciou o querida, como se estivesse com tesão. Então


começou a rir.

Eu gostava da Annalice bêbada.

—Essa é realmente uma boa ideia.

—Não é?

—Exceto que já está tomada.

—Nãoooo.

—Sim. Há uma cerveja pálida chamada Eu sou tão querida. É


realmente muito bom.

—Você provou?
—Claro. Como eu poderia ver uma cerveja com esse nome e
não a comprar para o meu amigo? Quem não comprou uma
garrafa de vinho Ménage à Trois para uma festa pelo mesmo
motivo

Annalice balançou os pés descalços sobre a mesa de café. —


Eu! Eu nunca comprei.

—Bem, isso é porque você é tensa

Seus olhos se arregalaram.

—Eu não sou tensa.

—Então você teve um ménage à trois? — Era divertido foder


com ela.

—Não. Mas isso não me deixa tensa.

Inclinei-me para a frente e despejei mais duas doses de


vodka. Annalice hesitou, mas eu incentivei. —Mais um. Isso
ajudará a limpar sua mente.

Ela fez uma careta depois dos dois primeiros tiros. Mas este
desceu suave. Sim. Annalice era definitivamente uma maldita peso
leve.

Ela bateu o copo vazio na mesa um pouco demais. —Ménage


à blah. Eu fui afastada uma vez por não querer participar.

Minhas sobrancelhas saltaram. Isso não era o que eu


esperava ouvir de sua boca. —Seu namorado queria que você
dormisse com outro cara?
—Sim. No meu primeiro ano de faculdade. E, claro, ele iria
dormir com outra mulher.

Eu tomei minha dose.

—Isso nunca me atraiu. Eu não sou grande fã em


compartilhar uma mulher.

Annalice bufou ao rir.

—Talvez você devesse namorar comigo. Isso vai fazer você


querer dormir com outras mulheres.

Deixei esse comentário afundar em um minuto antes de


responder. Ela acabou de me dizer que ela é ruim na cama? —
Ummm... volte novamente?

Ela gargalhou com tanta força que ela se inclinou no sofá. Eu


não tinha ideia do que diabos ela estava rindo, mas eu comecei a
rir também. Observá-la se soltar e se divertir com seus próprios
comentários era muito engraçado.

Quando sua risada embriagada parou, ela soltou um suspiro


melancólico.

—Os homens são uma merda. Sem ofensa.

Dei de ombros. Os homens são assim, especialmente eu. —


Nenhuma tomada.

—Desculpa. Eu acho que as doses subiram para a minha


cabeça. — Ela se endireitou e alisou o cabelo. —Vamos voltar ao
debate. Meu cérebro fez um desvio, aparentemente.
—Oh não, você não vai. Você não pode simplesmente deixar
sair isso de namorar, fazer os homens dormirem com outras
mulheres e seguir em frente. Eu sou um homem, lembra? Eu sou
péssimo. Eu não posso seguir em frente sem uma explicação. Você
é mal na cama ou algo assim?

Annalice forçou um sorriso, mas era muito triste. —Não. Pelo


menos eu não penso assim. Eu tenho ouvido que sou boa em... —
Ela olhou para baixo e depois voltou para mim sob os cílios
grossos. —…certas coisas. Eu só quis dizer porque fui descartada
por recusar trocar uma vez e agora… meu namorado… ex-
namorado… Andrew e eu… estamos dando um tempo.

Essa resposta continha muitas informações, mas eu não


consegui passar por certas coisas.

Ela era flexível?

Sabia chupar bem?

Uma vez conheci uma mulher que fez essa coisa incrível com
minhas bolas...

Eu engoli. Porra.

—Ummm... você está certa. Devemos voltar ao trabalho.


Desculpe-me por um minuto. — Eu me levantei abruptamente e
fui ao banheiro para jogar água no meu rosto. Poucos minutos
depois, consegui afastar meus pensamentos dos talentos que
Annalice poderia ter.

Voltando a sala, sentei-me em frente a ela. —E sobre o mel


selvagem? Homens e mulheres respondem bem à palavra
selvagem. Podemos comercializar por alguma associação com o
nome - festas selvagens, aventuras selvagens, animais selvagens.

Annalice pareceu ponderar minha sugestão por um tempo.


Pelo menos é o que eu supus que ela estava fazendo até que ela
falasse.

—Você é o cara. O que realmente significa um tempo para


você?

Merda. Eu respondo honestamente ou digo a ela o que ela


quer ouvir?

—Veto.

Sua testa se enrugou.

—O que?

—Você disse que cada um de nós tem três vetos, e quando um


de nós odeia algo que o outro fala, tudo o que temos a fazer é dizer
veto e seguimos em frente - sem debater a ideia. Eu estou
invocando meu primeiro poder de veto. Eu não estou tocando essa
pergunta.

—Vamos. Eu realmente quero saber. Eu só tenho a


perspectiva de uma mulher. E você não me parece o tipo de cara
para me chatear.

Eu a estudei com cuidado. Ela estava rindo há alguns


minutos, mas ela também parecia sincera em querer uma
resposta. Então eu respirei fundo.
—OK. Para mim, estar pedir um tempo significa que eu quero
ter meu bolo e comê-lo também. Não quero me comprometer com
apenas uma mulher, mas também não quero que ela se
comprometa com mais ninguém, caso chegue o dia em que eu
decidir que estou pronto para me estabelecer. Então eu a
mantenho no gancho, enquanto eu vou pescar em outro lugar por
um tempo.

Ela franziu a testa.

—Andrew disse que precisava descobrir quem ele é. No dia


dos namorados. Eu fui chutada no dia dos namorados.

Que idiota.

—Quanto tempo vocês estavam juntos?

—Oito anos. Desde o primeiro ano da faculdade.

Ela provavelmente me odiaria por isso, mas alguém tinha que


dizer a verdade. —Então ele tem o que... vinte e oito... trinta?

—Vinte e nove. Ele tem um ano a mais do que eu.

—Ele está traindo você por aí.

Seu queixo caiu.

—Você nem conhece ele.

—Não precisa. Nenhum homem de vinte e nove anos de idade


que adora uma mulher vai a afastar porque precisa se encontrar.
Especialmente na porra do Dia dos Namorados.
Ela endireitou sua espinha. —E você sabe disso porque você é
um cara pé no chão?

—Não disse isso. Na verdade, sou o oposto de um cara pé no


chão. Nunca tive uma namorada no Dia dos Namorados. Eu me
certifico de me livrar delas antes, então não há expectativa de luz
de velas e romance. É por isso que posso dizer com certeza que
seu ex não precisa realmente de uma pausa para se encontrar.
Porque é preciso um idiota para reconhecer outro.

Os olhos azuis de Annalice brilharam. Seus lábios franziram e


suas bochechas ficaram vermelhas de raiva. Se eu estivesse
errado, eu era o idiota que eu tinha acabado de admitir antes, o
fato de que vê-la ficando chateada fez meu pau contorcer teria
provado isso.

Ela me encarou por dois minutos e depois se levantou para


ficar na mesa de pebolim. —Vamos, — ela disse. —Eu sinto a
necessidade de chutar o seu traseiro. —

***

Foi horas mais tarde antes de termos feito algum progresso


real. Mas uma vez que começamos, seguimos rapidamente, e nós
dois realmente começamos a nos entender. Eu diria uma coisa, ela
pegaria e fugiria por um tempo, isso geraria uma ideia em mim, e
na última meia hora, nós tínhamos um nome, esboçamos uma
ideia difícil para um logotipo e anotamos uma dúzia de conceitos
de anúncios complementares.
Annalice bocejou.

Eu dei uma olhada no meu relógio.

—É quase meia-noite. O que você acha de encerrarmos a


noite? Nós temos um bom começo. Eu posso trabalhar no logotipo
amanhã de manhã e pegar algo desenhado no Mac. Talvez
possamos lançar mais algumas ideias na quarta-feira para que
possamos descobrir quais delas queremos apresentar a Jonas.

Ela se inclinou e se apoiou seus calcanhares. —Isso soa bem.


Estou exausta. E acho que posso estar começando a estragar essas
fotos, se é que isso é possível.

Com ela se inclinando assim, a blusa estava aberta e eu tinha


uma visão clara de sua camisa. A coisa cavalheiresca a fazer teria
sido afastar os olhos. Mas você já sabe que eu sou um idiota. Além
disso... ela usava um sutiã de renda preta. Renda preta contra a
pele pálida é a minha criptonita - algo sobre o contraste deixou
minha imaginação correr solta como um cozinheiro na cozinha,
prostituta na fantasia do quarto.

O que me fez pensar...

Aposto que ela ficaria ótima em um chapéu de chef e saltos.


Eu definitivamente precisava transar. Não é uma boa ideia estar
fantasiando sobre alguém no trabalho, não com uma mulher que
planejei aniquilar. A notícia da fusão poderia ter esvaziado minha
perpétua ereção, mas aparentemente a senhorita O’Neil havia me
puxado para aquele período de seca. Não era a primeira vez que
meu pau se animou ao redor dela.
Eu desviei meus olhos bem na hora, meio segundo antes que
ela olhasse para mim.

Seu sorriso era genuíno.

—Nós fizemos bem esta noite. Eu admito, eu não tinha


certeza se poderíamos trabalhar juntos.

—Eu sou fácil de trabalhar.

Ela revirou os olhos - uma resposta comum aos meus


comentários, eu notei. Mas desta vez, foi mais brincalhão do que
real.

Nós empacotamos o que tínhamos trazido para o escritório, e


Annalice embrulhou a pizza que sobrou em um papel alumínio
que encontrou em uma gaveta.

—Posso pegar emprestado o caderno que você estava usando


para esboçar antes? Eu quero rotular isso.

Eu enfiei a mão no bolso e entreguei a ela. Em letras grandes


e ousadas, ela escreveu na frente da folha de prata: MARINA NÃO.

—Ela vai pensar que eu fiz isso.

Ela sorriu.

—Eu sei. Eu concordei que você era fácil de trabalhar. Eu não


disse que você não era um idiota. Eu vi você olhando para baixo
da minha camisa antes.

Eu parei, sem saber como reagir ao comentário dela, e fechei


os olhos. O som de seus saltos estalando no chão me disse quando
era seguro abri-los. A poucos passos da porta, ela falou sem parar
ou se virar. Mas eu poderia dizer pela voz dela que ela estava se
divertindo.

—Boa noite, Bennett. E pare de olhar minha bunda.


Capítulo 10

Eu não ia a academia a mais de três meses.

Andrew era uma criatura de hábitos e ia diariamente às seis


da manhã em ponto. Eu tentei me juntar a ele pelo menos três dias
por semana quando estávamos juntos, mesmo que eu preferisse
me exercitar à noite. Mas depois que nosso intervalo começou,
ficou estranho vê-lo lá. Nós acenaríamos e diríamos olá. Uma ou
duas vezes nós conversamos. Mas o adeus no final da nossa
conversa fez meu coração doer novamente. Eu parei de ir para a
minha sanidade.

Até hoje.

Eu não tinha ideia do que me possuiu para escolher hoje de


todos os dias para voltar para a academia, especialmente porque
já era quase uma da manhã quando cheguei do trabalho ontem à
noite. Mas cheguei às cinco e cinquenta, querendo já estar na
esteira quando Andrew entrar... se ele entrasse. Não nos víamos
há mais de dois meses, desde o casamento de um amigo em
comum da faculdade, e fazia quase três semanas desde que
trocamos mensagens.
Escolhendo uma escada rolante no canto - uma com uma
visão direta da saída do vestiário, bem como da porta da frente -,
coloquei meus fones de ouvido e escolhi Pandora no meu iPhone.

Os primeiros cinco minutos foram difíceis. Talvez evitar


todos os exercícios juntos não tenha sido uma boa ideia, afinal. Eu
bufei e ofeguei como um fumante de dois maços por dia até que
finalmente minha adrenalina entrasse, e eu encontrei meu ritmo.

Embora encontrar meu ritmo não me impediu de olhar para


as portas como se eu estivesse esperando por Ryan Reynolds
entrar a qualquer segundo.

Às seis e dez, senti meus ombros começarem a relaxar.


Andrew nunca se atrasou. Ao contrário de mim, ele era um
defensor do tempo. Ele não deve estar vindo hoje. Por tudo que eu
sabia, ele podia estar longe ou até mesmo mudado de academia.
Embora o último não fosse muito provável. Andrew não mudava-
ele comia a mesma torrada de trigo integral com duas colheres de
manteiga de amendoim orgânica às cinco e quinze, todas as
manhãs, e entrava na porta da academia às seis horas. Às sete
horas, ele se sentava em frente ao computador em sua mesa para
começar sua escrita diária.

Com a ansiedade de antecipar sua chegada se dissipando,


aumentei a velocidade para 10 quilômetros por hora e tomei a
decisão mental de não parar até correr um quilômetro e meio.
Provavelmente era melhor que ele não aparecesse e me
encontrasse desde que eu estava me sentindo tão mal
ultimamente, de qualquer maneira.
Depois que eu alcancei o marcador de três milhas, fiz uma
caminhada de dez minutos e então limpei a máquina. Eu não tinha
trazido roupas para tomar banho, mas eu precisava pegar minha
bolsa no armário e parar no banheiro feminino antes de ir para
casa para me preparar para o trabalho. Eu fiz a metade do
caminho para o vestiário quando a porta da frente se abriu e duas
pessoas entraram, sendo Andrew a segunda pessoa. Meu coração
disparou mais rápido do que na esteira. E isso foi antes da mulher
que entrou antes dele se virar para rir do que ele acabou de dizer.

Eles vieram juntos.

Eu parei no lugar cerca de dois segundos antes que Andrew


olhasse para cima e me visse. Eu devo ter parecido com um cervo
nos faróis prestes a ser atropelado por um caminhão Mack. Ele
disse algo que eu não consegui ouvir para a mulher com quem ele
entrou, e ela olhou para mim, franziu a testa e se dirigiu para as
máquinas elípticas.

Andrew deu alguns passos hesitantes em minha direção.

—Ei. Como você está? Eu não esperava ver você aqui.

Obviamente.

Eu balancei a cabeça e engoli o gosto amargo na minha


garganta.

—Você está atrasado.

—Eu mudei minha rotina. Escrevendo no final do dia. Mesmo


à noite, às vezes.

Eu forcei um sorriso falso.


—Isso é ótimo.

—Eu ouvi sobre Wren. Como vão as coisas com a fusão?

—Está difícil.

Essa conversa fiada estava me matando. Eu olhei por cima do


meu ombro e encontrei a mulher com quem ele estava, nos
observando. Ela virou a cabeça imediatamente. Meu orgulho
queria que eu não a mencionasse e escapasse com a cabeça
erguida.

Mas eu não consegui evitar.

—Nova parceira de treino?

—Nós não chegamos juntos, se é isso que você está pensando.

Eu não conseguia mais segurar minhas emoções. Meu lábio


começou a tremer, então eu o mordi. O gosto do metal inundou
minha boca enquanto eu sugava o sangue.

—Eu preciso começar a trabalhar. Foi bom ver você. —Eu fui
embora antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. Mas ele nunca
fez uma tentativa de me impedir.

***

Dizer que me distraí esta manhã era um eufemismo. Eu


passei três horas respondendo a meia dúzia de e-mails e olhando
para uma cópia que precisava de aprovação ao meio-dia, mas
ainda não consegui passar das duas primeiras frases. Eu também
não devo ter ouvido Bennett entrar no meu escritório ou até
começar a falar.

—Terra para o Texas.

Eu olhei para cima.

Ele acenou com as mãos na minha linha de visão.

—Você está aí?

Eu pisquei algumas vezes e balancei a cabeça.

—Desculpa. Eu estava sonhando acordada com uma


campanha.

Bennett apertou os olhos como se soubesse que eu estava


cheia de merda, mas surpreendentemente, ele deixou passar. —
Venha comigo. — Ele acenou com a cabeça em direção à porta do
meu escritório.

—Onde?

—Apenas venha. Eu quero te mostrar algo.

A luta foi sugada de mim hoje. Então eu suspirei e me


levantei. Segui-o até uma sala no fim do corredor que continha um
arquivo com contas fechadas. Ele abriu e tirou um arquivo
aleatório.

—Confira a Marina.

Eu olhei para o arquivo. Qualquer página que estivesse no


topo estava de cabeça para baixo.
—Hã?

Ele discretamente apontou os olhos na direção de nossa


assistente, cuja mesa estava em nossa linha de visão no final do
corredor.

Seguindo seus olhos, os meus se arregalaram

—Isso é...

Ele virou uma página no arquivo de cabeça para baixo e


sorriu de orelha a orelha.

—Sim. Acho que sim. Fiz uma caminhada por aí e verifiquei o


lixo dela: duas bolas de papel amassadas. E as nossas sobras estão
faltando. Eu fui procurá-las para almoçar e, quando ela me viu
passar, ela sorriu como se estivesse no ônibus da cidade com Jack
Nicholson dirigindo para ir pescar.

Eu ri - algo que eu não acho que faria por um tempo depois


desta manhã.

—Você sabe o que eu penso?

—O que?

Eu fechei a pasta que ele estava fingindo olhar e larguei no


arquivo.

—Eu acho que vocês dois são loucos. — Eu bati a gaveta.


Ele me seguiu de volta ao meu escritório.

—Pelo menos quando eu comi o dela, foi um acidente


legítimo.
—Certo. Você quis roubar de outra pessoa.

—Exatamente.

Eu sentei atrás da minha mesa. Bennett se sentou na cadeira


de visitante. Aparentemente, ele não estava saindo.

—Você trouxe o almoço?

—Não. Esqueci na geladeira em casa, na verdade.

Ele pegou uma pequena moldura na minha mesa e examinou-


a. Ele segurou uma foto de mamãe e eu no dia do seu casamento
com Matteo. Andrew havia aceitado. Bennett sorriu e colocou de
volta.

—Minha garota estava linda.

Eu balancei a cabeça. Idiota.

—Eu tive uma reunião de almoço cancelada. Quer


encomendar e posso mostrar-lhe os novos conceitos de logotipo
que fiz esta manhã? Estou com vontade de grego.

Deus, ele já desenhou novos logotipos. Eu não podia me dar


ao luxo de me distrair.

—Certo. Vou pegar um gyro7 com o molho ao lado.

—Ótimo. — Ele se levantou.

7
Gyros ou gyro, lido "guíros" é uma apresentação de carne assada num forno vertical, servida num pão de pita ou
sanduíche.
—E eu vou querer um falafel com um pedido lateral de
batatas gigantes - essas coisas de batata frita.

—O que você está me dizendo?

Ele enfiou as mãos nos bolsos.

—Então você pode pedir. O nome do lugar é o Palácio de


Santorini. Está na rua principal.

—Eu? Por que estou pedindo? Você me pediu para pedir com
você.

Ele puxou uma carteira do bolso e tirou duas notas de vinte.

—Eu vou pagar. Mas você tem que pedir.

—Está mandando ou algo assim?

Ele caminhou até a minha porta.

—Saí com a mulher que aceita os pedidos há alguns meses.


Sua família é dona do lugar.

—É mesmo?

—Eu não quero que ela cuspa na minha comida.

Eu balancei a cabeça.

—Você é inacreditável. —

***
—O amarelo e o preto parecem realmente bons.

Acabamos de terminar o almoço, e Bennett me mostrou


quatro versões diferentes do logotipo que ele havia desenvolvido
esta manhã com base nos esboços que criamos na noite passada.
Ele realmente era um artista talentoso. Eu apontei para o último.

—Eu gosto deste, é o melhor. A fonte é mais nítida.

—Vendido. Nós vamos seguir em frente com isso para o


nosso encontro com o Jonas na sexta-feira. Você fez algum
progresso no slogan e nas ideias de anúncios?

—Eu... meio que tive uma manhã ruim.

—Colocou a cabeça presa no limpador de para-brisa de outro


cara bonito?

Eu sorri sem entusiasmo.

—Eu gostaria. Eu só… eu tive um começo difícil para o dia.

Como se na sugestão, meu telefone começou a zumbir.


Andrew piscou na tela. Eu olhei para ele.

Depois do segundo toque, Bennett olhou para mim.


—Você não vai responder isso? Andy está ligando.

—Não.

Pensei que tinha escondido minha tristeza, mas depois que o


telefone parou de tocar, Bennett disse.

—Você quer falar sobre isso?


Meus olhos saltaram para os dele. Sua preocupação parecia
genuína.

—Não. Mas obrigada.

Ele assentiu e me deu um minuto sozinha, enquanto limpava


nossos pratos de comida vazios. Quando ele sentou novamente,
ele virou o papel que tinha trazido com os logotipos e começou a
desenhar algo.

—Eu tenho uma ideia para um anúncio.

Fiquei olhando para o papel o tempo todo que ele esboçou,


perdida em pensamentos.

—O que você acha?

Suspirei.

—Eu encontrei Andrew na academia esta manhã com outra


mulher.

Bennett pegou o papel que acabou de esboçar e amassou em


uma bola. Ele recostou-se na cadeira, esticou as longas pernas na
frente dele e cruzou os braços sobre o peito.

—Você acabou de se deparar com ele?

Eu pensei em dizer sim, mas decidi admitir que eu era uma


perdedora. Abaixei minha cabeça e balancei.

—Quem era a mulher?

—Eu não sei. Ele não disse.


—O que ele disse?

—Não muito. Ele ficou definitivamente surpreso em me ver.


Eu não ia ao ginásio há algum tempo desde que ficou estranho vê-
lo lá.

—E você tem certeza que eles são um casal?

Dei de ombros. —Ele disse que eles não foram juntos. Eu


acho que ele viu na minha cara o que parecia para mim da mesma
forma que nós dois costumávamos entrar na academia juntos
depois de passar a noite na minha casa.

—Você mesma disse que podiam ver outras pessoas.

—Dizer e ver são duas coisas diferentes.

Meu telefone começou a zumbir novamente. Nós dois


olhamos para ver o nome de Andrew piscando no telefone. Antes
que eu pudesse detê-lo, Bennett pegou meu telefone e deu um
toque para responder.

—Olá?

Meus olhos saltaram da minha cabeça enquanto eu olhava


com um aviso de morte para ele.

—Ela está... — Ele parou por alguns segundos. Pelo menos eu


acho que é quanto tempo foi; meu coração parou de bater. —
…ocupada nesse momento.

Ele ouviu e depois balançou a cabeça.


—Sou Bennett, um bom amigo de Annalice. E quem é você? —
Silêncio.

—Arthur. Sim. Eu vou deixá-la saber que você ligou. —Pausa.


—Oh. Andrew. Tudo bem, Andy. Se cuide.

Bennett desligou a chamada e jogou o telefone de volta na


mesa.

—O que diabos você acabou de fazer?

—Dei ao idiota algo em que pensar.

—Você tem muita coragem pegando meu telefone e


respondendo.

Ele inclinou a cabeça, então estávamos de olhos erguidos e


nos encarando. —Alguém tem que ter bolas com aquele idiota. —
Então ele se levantou e saiu do meu escritório.
Capítulo 11

As mulheres são sentimentais demais.

Eu reli o e-mail de Recursos Humanos pela terceira vez.

Bennett,

Como você sabe, a recente fusão deixou muitos


funcionários ansiosos com o status de longo prazo de suas
posições aqui na Foster, Burnett e Wren. Por causa disso, as
declarações da administração podem ser escrutinadas pelos
funcionários de uma maneira que não haviam sido antes.

Como tal, pedimos que você, assim como todos os gerentes


seniores, esteja ciente da sensibilidade de suas respostas aos
funcionários. Por favor, abstenha-se de críticas como dizer a
um funcionário que ele faz “coisas muito grandes” e “engula
isso”. Embora nenhuma queixa formal tenha sido apresentada,
esses tipos de comentários podem ser considerados assédio e
torna a um funcionário o ambiente de trabalho difícil.

Obrigada,
Mary Harmon

Sabia exatamente quem havia reclamado. Finley Harper. O


nome não grita, eu tenho um pau na minha bunda? Isso era tudo
culpa de Annalice. Finley foi um transferido da Wren, claro.

Ninguém da minha equipe havia ido para o RH. Inferno, na


semana passada eu disse a Jim Falcon que eu não me importava se
ele tivesse que explodir o cliente, eu estava atirando na bunda
dele se o CEO da Monroe Paint não saísse da sala de conferência
sorrindo como o fodido idiota que ele era depois que nossa
reunião acabou.

Eu balancei a cabeça. Annalice e seu maldito código de cores


e espírito de equipe. Ela provavelmente chora junto com as
pessoas que ela tem que brigar. E, pensando nisso, onde diabos
ela estava? Eu não a via desde ontem na hora do almoço quando
atendi a ligação do idiota do seu ex.

Talvez eu devesse começar a dizer e fazer o oposto de tudo


que pensei a partir de agora em torno dessas pessoas de Wren. Da
próxima vez que Finley gastar meia hora reclamando que um
cliente não gosta de desenhos feitos de acordo com suas
especificações exatas, em vez de dizer a ela para engolir tudo e
voltar ao trabalho, vou me sentar e perguntar como é que ela se
sente em ter um cliente insatisfeito com o trabalho dela. Talvez
com um pouco de chá.

E Annalice - quando ela me perguntar o que eu penso sobre o


seu chamado intervalo, em vez de ser honesto e dizer a ela que
seu pau de ex namorado quer que seu pau seja chupado por
alguém que não seja ela, eu explicarei que é normal para os
homens querer um período de separação de vez em quando, e que
eu apostaria dólares em donuts, que ele voltará um homem mais
feliz e mais bem ajustado por causa de sua compreensão.

Acordem fodidas pessoas.

Eu apertei para responder e comecei a digitar uma resposta


para Mary do RH, então pensei melhor. Em vez disso, procurei a
senhorita luz do sol, que nunca entregou a cópia para nosso
encontro com Jonas amanhã.

A porta de Annalice estava aberta, mas a cabeça dela estava


enterrada na tela do computador. Eu bati duas vezes para chamar
sua atenção e então entrei.

—Antes de eu dizer alguma coisa, você está gravando essa


conversa para trazer para o departamento de Recursos Humanos?
Se assim for, deixe-me voltar para o meu escritório e trocar para
as minhas calças cor-de-rosa.

Ela olhou para cima e parecia que eu tinha sido atingido por
uma marreta no peito.

Chorando.

Annalice estava chorando. Pelo menos ela tinha feito


recentemente. Inconscientemente, esfreguei uma dor surda no
lado esquerdo das minhas costelas.

Seu rosto estava vermelho e inchado, e uma linha de rímel


percorria sua bochecha.
Dei alguns passos de volta para a porta e, por uma fração de
segundo, debati não parar. Quero dizer, porque ela poderia estar
chorando? As chances são, ou era trabalho ou seu ex. Eu era a
pessoa menos competente para dar conselhos de relacionamento
a alguém. E trabalho? Esta mulher era minha adversária, pelo
amor de Deus. Ajudá-la estava me ajudando a perder um maldito
trabalho.

No entanto, em vez de caminhar de volta para o limiar,


encontrei-me puxando a porta fechada comigo ainda dentro.

—Você está bem? — Minha voz estava hesitante.

As mulheres eram sempre imprevisíveis, mas uma mulher


chorando precisava ser tratada como um puma ferido deitado na
planície que você está tentando atravessar. Ela podia continuar a
sentir dor, lambendo os ferimentos infligidos por outra pessoa em
silêncio, ou ela poderia decidir a qualquer momento rasgar um
espectador inocente e se deleitar com ele para o almoço.

Basicamente, eu estava com medo de uma mulher em


lágrimas.

Annalice endireitou-se na cadeira e começou a folhear papéis


em volta da mesa.

—Bem. Estou terminando a cópia da reunião da Vênus com


Jonas amanhã. Desculpe, eu não fui até você mais cedo. Eu acabei
ficando... ocupada.

Ela abriu uma brecha, dando-me a chance de parar de


discutir qualquer coisa pessoal, e novamente eu não consegui
fazer essa saída. O que diabos estava errado comigo? Ela estava
acenando o cartão Avance Por Aqui (Colete $ 200) na minha cara;
no entanto, estendi a mão e peguei o cartão Vá Diretamente para a
Prisão do jogo.

Sentei em uma cadeira de visita na minha frente.

—Você quer falar sobre isso?

Que porra é essa?

Isso acabou de sair da minha boca?

Novamente?

Eu sabia que não deveria ter assistido ao The Notebook


algumas semanas atrás, mas eu estava de ressaca demais para me
levantar e encontrar o controle remoto para mudar de canal.

Annalice olhou para cima mais uma vez. Desta vez nossos
olhos se encontraram. Eu assisti enquanto ela tentava fingir que
nada estava errado e então... seu lábio inferior começou a tremer.

—Eu... eu falei com Andrew há pouco tempo.

O babaca. Ótimo. Ele a machucou pelo telefone enquanto ela


está no trabalho. Qualquer cara que profere as palavras —
Devemos fazer uma pausa— não tem bolas para começar.

Eu não tinha ideia do que dizer, então eu fui com o mínimo


possível - menos provável que eu colocasse meu pé na minha
boca. —Desculpe.

Ela fungou.
—Eu tentei não ligar para ele. Eu realmente fiz. Ele me enviou
alguns textos depois que você atendeu meu telefone ontem,
dizendo que precisávamos conversar. Mas estava me deixando
louca ver seus textos e não responder. — Ela riu entre as lágrimas.

—Mais louca do que ter meus ícones em todas as pastas


erradas me deixou na última semana.

Eu sorri abertamente.

—Você bem-vinda. Eu provavelmente acrescentei três anos à


sua vida ajudando a superar os demônios do controle
organizacional.

Annalice abriu a gaveta e tirou um lenço de papel. Enxugando


os olhos, ela disse: —Quantos anos eu recebo de volta se os
consertei depois de quatro dias?

Eu balancei a cabeça.

—Vamos trabalhar nisso. Na semana que vem, você me dará


sua lista de tarefas completas e tentaremos fazer isso cinco dias
sem que você verifique essa merda.

—Como você sabe que eu tenho uma lista de tarefas


completa?

Eu dei a ela um olhar que dizia Você está brincando comigo,


Capitão Óbvio?

Ela suspirou.

—Eu aposto que Andrew sabia que eu iria chamá-lo de volta


também.
Eu também não tinha dúvidas sobre isso. O cara era um idiota
porque sabia o que podia fazer e a mantinha pendurada no final
desse ponto.

—Eu posso ser a última pessoa a dar conselhos sobre


relacionamentos, mas conheço homens. E qualquer cara que
termina as coisas pelo telefone é um idiota e não vale suas
lágrimas.

—Oh. Andrew não acabou com as coisas.

—Ele não fez isso? Então por que você está chorando?

—Porque ele me pediu para encontrá-lo amanhã depois do


trabalho para o jantar.

Eu franzi minhas sobrancelhas.

—Estou perdido. Por que isso é ruim?

—Porque Andrew é um bom homem. Ele não iria me dizer


que está completamente fora por telefone. — Seus olhos
começaram a se encher de lágrimas novamente.

—Ele me pediu para encontrá-lo depois do trabalho no Royal


Excelsior. Tenho certeza que é porque ele vai me comprar um
jantar caro antes de terminar as coisas pessoalmente.

—O Royal Excelsior? Não é esse o lugar no Royal Hotel no


centro da cidade? Eu tenho um cliente a poucos quarteirões de
distância.

Ela assentiu e enxugou o nariz.


OK. Então eu sou um homem grande o suficiente para admitir
quando estou errado. E, obviamente, eu estava errado pensando
que seu ex era idiota o suficiente para acabar com pelo telefone.
Eu não tinha percebido que o cara era um idiota gigante e ia fodê-
la primeiro antes de acabar com ela.

—Você não deveria ir encontrá-lo.

Annalice ofereceu um sorriso triste. —Obrigada. Mas eu


preciso.

Eu lutei com meus pensamentos. Será que eu digo para ela


que o cara não queria terminar as coisas, ele queria transar?
Inferno, se ele fosse esperto eu estava razoavelmente certo de que
ele era, olhando para a linda mulher sentada na minha frente que
ele conseguiu manter no gelo por meses - ele provavelmente
conseguiria deixá-la pensar no rolo do feno que era sua maldita
ideia.

Ou eu mantenho meu nariz fora disso? Afinal, ela era uma


mulher adulta, capaz de tomar suas próprias decisões. E ela
também era minha inimiga.

Mas ela parece tão vulnerável.

—Ouça. Eu já coloquei meus pensamentos sobre esse cara


dizendo que ele precisava de uma pausa. Então, tenho certeza que
você não quer ouvir o que tenho a dizer... mas tenha cuidado.

—Tenha cuidado com o quê?

—Homens. Em geral. Nós podemos sair como caras legais


quando somos realmente idiotas.
Ela parecia confusa.

—Por que você não cita o que você está tentando dizer,
Bennett?

—Você não vai me culpar por ser honesto?

Ela olhou para mim. Sim. Ela vai me culpar por ser honesto.
Mas agora eu abri minha maldita boca e estava descontrolado,
então estraguei tudo.

—Eu só estou dizendo... não deixe ele se aproveitar de você.


Ele pediu para você encontrá-lo para jantar em um hotel por um
motivo. A menos que ele esteja lhe dizendo que cometeu um
grande erro e quer você de volta, não pule na cama com ele. Ouça
atentamente as palavras que ele escolhe. Dizer que ele sente falta
de você e não está se comprometendo e essas merda, pode ser
apenas para diminuir suas defesas e levantar sua saia.

Annalice olhou para mim. Seu rosto estava manchado de


chorar, mas o vermelho começou a preencher as manchas
brancas. Ela está chateada.

—Você não sabe do que diabos você está falando.

Eu levantei minhas mãos em rendição. —Apenas olhando por


você.

—Faça-me um favor e não. — Ela se levantou. —Eu terei a


cópia para você em uma ou duas horas. Há mais alguma coisa que
você precisa?

Eu poderia entender uma dica. De pé, abotoei meu casaco.


—Na verdade, sim. Talvez você possa falar com Finley sobre
remover o pau da bunda dela e vir até mim se ela tiver um
problema, em vez de marchar para os Recursos Humanos. Somos
uma equipe agora, todos do mesmo lado.

Ela franziu os lábios. —Tudo bem.

Fui até a porta e coloquei a mão na maçaneta antes de voltar


a olhar para ela. Eu nunca poderia foder o suficiente sozinho. —
Além disso, prefiro essa cópia em uma hora, em vez de duas.
Capítulo 12

Eu precisava ver o cliente.

Isso é o que eu ficava me dizendo de qualquer maneira. Fazia


seis meses desde que eu me encontrei com Green Homes, e eles
eram sólidos. Então uma rápida visita de surpresa no meu
caminho para casa esta noite não era fora do comum. O fato de
estar no centro da cidade, a duas quadras do Royal Hotel, era
coincidência.

E as garagens de estacionamento estavam sempre cheias


nessa área. Então não era incomum que eu estacionasse em umas
três quadras de distância e tivesse que passar direto pelo Royal
depois que minha reunião terminasse.

Às seis horas da noite.

Meu horário estava cheio durante a primeira parte do dia,


principalmente.

Eu não acreditava muito em coincidência. Eu era mais do tipo


de cara de fazer-as-coisas-acontecerem. Mas o fato de estar em
frente ao Royal Hotel – era puro acaso.

Um acaso.
Coincidência.

Tanto faz.

Abrindo a porta que leva ao lobby? Agora, isso não era


coincidência. Essa merda era curiosidade mórbida.

Eu olhei ao redor do átrio, intencionalmente posicionado


atrás de uma larga coluna de mármore para que eu pudesse olhar
as coisas sem que muitas pessoas me vissem. Estava muito
tranquilo para o início da noite. À esquerda estava a área de
check-in. Um cliente estava sendo ajudado enquanto alguns
funcionários circulavam atrás do longo balcão. À direita, havia um
banco vazio de elevadores. Em frente, do outro lado de uma
grande fonte circular, estava o bar do saguão. Uma dúzia de
pessoas estavam sentadas ao redor. Eu olhei a procura por seu
rosto.

Nada.

Ela deixou o escritório às quatro e meia, então ela deve estar


aqui agora. Espero que ela esteja dentro do restaurante pedindo
uma merda cara do cardápio, recebendo elogios do idiota, e não o
chupando em um quarto no andar de cima.

O relacionamento complicado de Annalice não era da minha


conta. Eu deveria ter me virado e saído. Eu realmente não me
importo se ela estava fodida.

Coincidência.

Curiosidade mórbida.
Essas foram as razões pelas quais eu pisei no lobby. E a razão
pela qual caminhei em direção ao bar, ao invés de levar minha
bunda pela porta da frente?

Estou com sede. Por que não posso tomar uma bebida?

O bar era em forma de L. Sentei no canto mais distante,


encostado na parede, de modo que as garrafas de bebidas
alcoólicas e a velha e sofisticada caixa registradora antiga me
bloqueava da maioria das pessoas que por acaso entraram no
saguão. Eu tinha uma visão clara das portas do restaurante, no
entanto. O barman colocou um guardanapo na minha frente.

—O que pegar para você?

—Vou tomar uma cerveja. Tudo o que você tem na torneira


está bom.

—Pode deixar.

Quando ele voltou, ele perguntou se eu queria ver um menu.


Eu neguei, então ele assentiu e começou a se afastar até que eu o
parasse.

—Alguma chance de você ter visto uma loira? — Fiz um sinal


com as duas mãos para a minha cabeça.

—Muito cabelo loiro ondulado. Pele de marfim. Grandes


olhos azuis. Se ela estivesse com um homem, estou supondo que
ele parecia estar fora de sua liga.

O garçom assentiu.
—Ele tinha um suéter Mister Rogers. Ela era mais alta
naqueles saltos.

—Por acaso você viu onde eles foram?

Ele hesitou.

—Você é seu marido ou algo assim?

—Não. Só um amigo.

—Você não vai causar nenhum problema, vai?

Eu balancei a cabeça.

—Nenhum.

Ele ergueu o queixo.

—Eles foram ao restaurante. Fechei sua conta há cerca de


vinte minutos atrás.

Soltei uma respiração profunda. Claro, senti alívio. Mas não


era porque dava uma merda se Annalice dormiu com o idiota ou
não. Foi porque eu não precisava a ver chorar no escritório. Eu
tinha que trabalhar com ela agora - nas proximidades.

Sentei no bar e tomei minha cerveja durante quase meia hora.


A porta do restaurante se abriu e fechou, e a excitação inicial que
eu estava sentindo começou a perder seu brilho. Eu considerei ir
embora.

Até a porta se abrir e eu vislumbrar a mulher saindo.


—Merda. — Eu olhei para o prato vazio de amendoim que eu
tinha acabado, tentando evitar o contato visual. Depois de trinta
segundos, eu arrisquei uma olhada. Ela não estava mais na frente
da porta do restaurante. Eu soltei um suspiro de alívio ansioso.
Mas durou apenas uma respiração. Porque na minha próxima
inspiração, desviei os olhos da porta e encontrei Annalice na
minha visão periférica, caminhando diretamente em minha
direção.

E ela não parecia muito feliz.

Suas mãos agarraram seus quadris.

—O que você pensa que está fazendo?

Eu tentei jogar casualmente, pegando minha cerveja vazia e


trazendo-a aos meus lábios.

—Ei, Texas. O que você está fazendo aqui?

Ela franziu o cenho.

—Nem tente, Fox.

—O que?

—Por que você está me seguindo?

Eu fingi estar ofendido, levantando minha mão para o meu


peito.

—Seguindo você? Eu estou encontrando um amigo. Eu tive


uma reunião com o cliente alguns quarteirões daqui.

—Sim? Onde está seu amigo?


Eu olhei para o meu relógio.

—Ele está atrasado.

—Que horas você deveria encontra-lo?

—Umm. Seis horas.

—Quem você está encontrando?

—O que?

—Você me ouviu. Qual é o nome do seu amigo?

Droga. Esta era uma inquisição. Suas perguntas rápidas me


ferraram. Eu disse o primeiro nome que veio à minha cabeça. —
Jim. Jim Falcon. Sim. Hummm... Acabei de me encontrar com um
cliente, e nós vamos tomar uma bebida depois de passar pela
minha reunião.

Ela parecia com um pouco mais de fúria apertando os olhos


para mim. —Você está tão cheio de merda. Você está me seguindo.

—Eu saí do escritório às três hoje para ir ver um cliente, —


eu menti, sabendo que minha porta tinha sido fechada para que
ela não soubesse se eu ainda estava quando ela saiu. —Que horas
você saiu?

—Quatro e meia.

—Então, como exatamente eu poderia ter te seguido? Eu acho


que você está me seguindo.

—Você é louco? Sério, acho que você precisa de um


psiquiatra, Bennett. Eu tenho observado você pela porta do
restaurante por meia hora. Você está olhando para a porta toda
vez que se abre.

Eu joguei minhas mãos no ar como se estivesse exasperado.

—A porta está na minha linha de visão.

—Vá para casa, Bennett.

—Estou esperando meu amigo.

—Eu não sei o que você pensa que está fazendo, mas eu sou
uma menina grande e posso cuidar de mim mesma. Eu não preciso
da sua proteção. Se eu quiser foder Andrew, se ele quer voltar
comigo ou não, essa é a minha decisão. Não é sua. Talvez você
deva gastar algum tempo pensando sobre por que você não tem
um relacionamento próprio, em vez de ficar tão preocupado com
o meu.

Antes que eu pudesse falar mais uma vez, Annalice se virou e


voltou para o restaurante. Fiquei ali por alguns minutos juntando
meus pensamentos.

Que diabos estou fazendo aqui? Eu perdi minha maldita


mente.

O garçom se aproximou e apoiou um cotovelo no bar.

—Ela vai continuar próxima. Elas só ficam chateadas quando


há algo lá.

Ele viu o olhar confuso no meu rosto e riu. —Posso servi-lo


em algo mais?
—Você tem algum traseiro lá atrás? Porque o meu acabou de
ser mastigado.

Ele sorriu.

—Cerveja eu posso ter. Espero que sua noite melhore.

—Sim. Eu também. Obrigado.

Levei meu tempo caminhando pelos três quarteirões até a


garagem e depois sentei no carro e digitei uma mensagem para
Jim Falcon antes de me esquecer.

Bennett: Se Annalice perguntar, você deveria me


encontrar para tomar uma bebida no bar do Royal Hotel hoje
às seis.

Ele digitou de volta alguns minutos depois.

Jim: Eu sou muito barato para pagar onze dólares por


uma cerveja doméstica.

Bennett: Ela não sabe disso, idiota. Apenas me cubra se ela


perguntar.

Jim: Não, eu quis dizer que queria conferir esse lugar, e é


muito caro para o meu orçamento. Então isso vai te custar.
Três bebidas lá da próxima vez que sairmos. Você está
pagando.

Eu balancei a cabeça.
Bennett: Tudo bem. Bom amigo você, está me fazendo
pagar para cobrir minha bunda.

Jim: Você tem sorte de não termos fingido nos encontrar


para um jantar. Frutos do mar com carne vão para setenta e
cinco dólares.

Joguei meu celular no painel e liguei meu carro. Eu estacionei


no segundo andar da garagem, e havia uma longa fila para pagar e
sair. Um desejo repentino de chegar em casa me atingiu enquanto
eu esperava. Então, é claro, cada pessoa na minha frente pagou
com um cartão de crédito, então eu acendi a luz no canto da
garagem antes de ter que parar para pedestres em cada turno. A
rua para voltar para a rodovia era de mão única, o que significava
que eu tinha que passar pelo hotel novamente.

Eu cometi o erro de olhar para a porta quando passei, e um


flash de loira me cumprimentou. Só que desta vez, Annalice não
me notou. Sua cabeça estava baixa e ela andava rapidamente,
praticamente correndo para fora do hotel. Preso em uma fila de
tráfego, eu observei no meu espelho retrovisor enquanto ela
acelerava ainda mais, passando por alguns carros estacionados
antes de se inclinar para colocar a chave em uma porta. Ela abriu e
pulou para dentro. Então sua cabeça caiu em suas mãos.

Porra.

Ela estava chorando.

Uma buzina de carro atrás de mim soou, chamando minha


atenção para o retrovisor, vendo os braços do motorista
balançando no ar. A luz ficou verde e todos à minha frente foram
embora. Eu dei a o imbecil um dedo, mesmo que eu estivesse
errado e, em seguida, acertei acelerei.

Dê o fora daqui, Bennett.

Você não precisa dessa merda.

Ela lhe disse diretamente para cuidar do seu próprio negócio.

E ainda…

Eu me encontrei puxando para a merda do meio-fio.

Irritado comigo mesmo, eu joguei o carro no estacionamento


e bati minhas palmas contra o volante algumas vezes.

—Seu idiota. Apenas vá para casa!

Naturalmente, eu não segui meu próprio conselho. Porque


aparentemente eu era um glutão de punição quando se tratava
dessa mulher. Em vez disso, saí, fechei a porta do carro e comecei
a andar pelo quarteirão, de volta para o carro dela.

Talvez ela tivesse ido embora.

Talvez eu tenha imaginado que ela estava chorando e em vez


disso ela estava rindo em suas mãos.

Claro que não tive essa sorte.

Annalice nem me notou quando me aproximei. O carro dela


ainda não tinha ligado e ela estava ocupada enxugando as
lágrimas com um lenço de papel. Eu andei até o lado do
passageiro, me inclinei e bati suavemente na janela.
Ela pulou.

Então olhou para cima, viu meu rosto e começou a chorar


mais forte.

Porra.

Sim, eu tenho esse efeito nas mulheres às vezes.

Eu deixei cair a cabeça para trás e olhei para o céu,


silenciosamente me repreendendo por alguns segundos, depois
respirei fundo, abri a porta do carro e entrei.

—Vindo para se vangloriar sobre estar certo? — Ela fungou.

—Não desta vez. — Inclinei-me e divertidamente dei uma


cotovelada nela. —Muito tempo para isso no escritório.

Ela riu através das lágrimas.

—Deus, você é um idiota.

Eu não podia argumentar com a verdade. —Você está bem?

Ela respirou fundo e soltou.

—Sim. Eu ficarei bem.

—Você quer falar sobre isso? — Por favor, diga não.

—Não realmente. — Sim!

—Ele me disse que sentia minha falta e esfregou meu braço.

OK. Então ela não segue a definição de não realmente.


Eu suspirei interiormente, mas externamente acenei para que
ela pudesse continuar se quisesse.

—Eu perguntei se isso significava que ele estava pronto para


voltar a ficarmos juntos. Ele disse que não estava pronto. Então
suas palavras ontem me atingiram. ‘Dizer que ele sente falta de
você e não quer se comprometer e merdas assim, pode ser apenas
para diminuir suas defesas e levantar sua saia.’

Eu sou poético, não sou?

—Eu sinto muito.

Ela olhou para baixo por alguns minutos. Eu mantive minha


boca fechada, tentando dar-lhe algum espaço na cabeça. Além
disso, eu não tinha ideia do que dizer além de me desculpe e eu
avisei, e algo me disse que o último não era uma boa ideia.

Eventualmente, ela olhou para mim.

—Por que você veio?

—Eu estacionei em uma garagem a algumas quadras. Você


passou andando quando eu passei pela entrada e vi que você
estava chateada.

Annalice balançou a cabeça.

—Não. Eu quis dizer por que você veio hoje à noite - para o
hotel?

Eu abri minha boca para falar e ela me parou, balançando o


dedo enquanto falava. —E nem tente me dizer que você estava
encontrando um amigo. Dê-me mais crédito do que isso.
Eu brinquei com a ideia de me manter firme na mentira, mas
decidi me limpar. O problema era que a verdade não fazia sentido
- nem para mim.

—Eu não tenho nenhuma ideia.

Seus olhos percorreram meu rosto, e então ela assentiu como


se entendesse.

Isso faz um de nós, pelo menos.

—Você está com fome?, — Ela perguntou. —Eu não cheguei à


entrada. Apenas tive uma salada como um aperitivo antes de eu
sair. E eu realmente não sinto vontade de ir para casa ainda.

—Estou sempre com fome.

Ela olhou para o hotel e de volta para mim. —Eu não quero
comer aqui.

—O que você gosta de comer?

—Italiano. Chinês. Sushi. Hambúrgueres. Comida de bar. —


Ela encolheu os ombros. —Eu não sou exigente.

—OK. Eu conheço o lugar perfeito. É cerca de uma milha


daqui. Por que você não dirige e pode me deixar no meu carro
quando terminarmos?

Ela respondeu rapidamente.

—Não.

—Por que não?


—Não gosto de dirigir com pessoas no carro.

—O que você quer dizer com não gostar de dirigir com as


pessoas no carro?

—Apenas o que eu disse. Eu gosto de dirigir sozinha.

—Por quê?

—Você sabe o que… apenas esqueça. Eu não estou mais com


fome.

Que diabos? Eu passei meus dedos pelo meu cabelo.

—Bem. Eu vou dirigir eu mesmo. Você sabe onde fica a Meade


Street?

—Sim.

—É chamado de jantar e uma piscadela.

—Jantar e uma piscadela? Esse é um nome estranho.

Eu sorri abertamente.

—É um lugar estranho. Você vai se encaixar.


Capítulo 13

—Isso é tão bom.

Eu estava preparada para o pior quando entramos. O lugar


parecia ser horrível do lado de fora. A decoração interna não era
muito melhor - iluminação ruim, móveis velhos, e o leve cheiro de
cerveja velha flutuava pelo lugar, elogios de um fã mantido atrás
do bar - embora todas as mesas de bistrô e banquetas do bar
parecessem estar cheias de casais... E as pessoas estavam todas
muito felizes e amigáveis. Olhei em volta e uma mulher sentada
com um homem sorriu e piscou para mim. Era a segunda vez que
aconteceu na meia hora em que estivemos aqui.

—Como você encontrou esse lugar? Está fora do caminho e


parece terrível do lado de fora.

—Ah. — Ele levou a cerveja à boca. —Fico feliz que você


tenha perguntado. Eu encontrei este lugar por acidente uma vez.
Eu namorei uma menina que morava a alguns quarteirões de
distância e parou para tomar uma bebida muito necessária depois
que eu terminei com ela. Ela não levou muito bem. É um lugar
especial.

Olhei de novo, e mais algumas pessoas sorriram para mim.


—A comida é muito boa, e todo mundo é muito amigável.

O sorriso de Bennett se alargou.

—Isso é porque é um lugar de troca de casais.

Tossi enquanto comia, quase engasgando com a comida.

—O que você disse?

—Lugar de troca de casais. — Ele encolheu os ombros. —Eu


não sabia da primeira vez que vim aqui também. Pensei que todo
mundo estava feliz em me ver. Não se preocupe, eles não se
aproximarão de você. Se um casal está interessado, eles piscam. Se
você piscar de volta, eles virão e conversarão.

Meus olhos se arregalaram. Ela já tinha piscado duas vezes e


eu poderia ter piscado de volta.

—Por que você me trouxe aqui? — Eu arrisquei outra olhada


nas pessoas comendo. Mas sorrindo e, desta vez, um cara piscou
para mim. Eu virei minha cabeça rapidamente. —Essas pessoas
acham que somos um casal e saímos para trocar.

Ele riu.

—Eu sei. Achei que você acharia engraçado, vendo como você
me disse que foi abandonada na faculdade porque seu namorado
queria uma aventura.

—Há algo de errado com você. — Depois que eu disse, olhei


em volta novamente. De repente senti como se estivéssemos
sentados no centro do palco. E aparentemente nós éramos
populares, porque eu recebi mais duas piscadelas.
—A comida é incrível, e ninguém vai até você a menos que
você pisque de volta. É o lugar perfeito para vir quando você quer
ficar sozinho e comer alguma coisa.

Ele tinha um ponto... eu acho. Embora ele tenha pensado em


me trazer aqui para zombar da história que eu contei a ele.

—Então me diga por que você não dirige com as pessoas no


carro, — disse Bennett. —Você é uma motorista nervosa ou algo
assim?

Eu tomei uma bebida antes do jantar, então minha guarda


estava um pouco baixa. —Eu faço algo que a maioria das pessoas
pode achar estranho quando eu dirijo, então tento evitar os
passageiros.

Bennett largou a batata frita de volta no prato e recostou-se


na cadeira. —Eu mal posso esperar para ouvir isso.

—Eu nem deveria te dizer. Eu te falei sobre a coisa da troca


de casais, e você me trouxe para este lugar. Seu senso de humor é
um pouco demente. Deus sabe o que você vai usar contra mim se
souber.

Ele levantou os braços para topo da mesa e abriu-os


amplamente.

—Se você não me disser, eu vou começar a piscar para as


pessoas para que elas venham até aqui. — Ele olhou para a direita
e empunhou um sorriso brilhante. Segui sua linha de visão e
encontrei um casal que parecia ansioso por sua piscada.

—Oh meu Deus. Não faça isso.


Ele levou a cerveja aos lábios.

—Comece a falar.

Suspirei.

—Bem. Eu narro enquanto eu dirijo. Você está feliz agora?

Ele franziu o nariz.

—Narrar. O que isso significa?

—Apenas o que eu disse. Eu narro. Se estou prestes a chegar


a um sinal de pare, digo em voz alta, puxando para um sinal de
pare. Quando vejo uma luz ficar amarela, posso dizer: desacelere.
A luz ficou amarela.

Ele olhou para mim como se eu fosse louca. —Porque diabos


você faz isso?

—Eu sofri um acidente de carro quando comecei a dirigir e


fiquei nervosa em voltar para o volante. Eu achei que narrar meus
movimentos ajudou a me acalmar enquanto dirigia. É meio que
apenas medo. Então eu não deixo ninguém andar comigo, exceto
minha mãe e melhor amiga, Madison. Elas estão tão acostumadas
a isso que nem percebem que estou fazendo isso e continuam
falando.

—Você está definitivamente me levando para casa. Vou voltar


para pegar meu carro amanhã de manhã antes do trabalho.

—O que? Não!
Ele virou a cabeça para a direita, mas manteve os olhos fixos
em mim.

—Eu vou piscar.

—Pare com isso. Não. —Eu nem fingia estar seriamente


louca, porque toda a situação era absurda.

Bennett baixou a cerveja e levantou uma batata frita.

—Pegando uma batata frita.

Ele levantou a boca.

—Levando aos meus lábios.

Eu ri.

—Deus, você é um idiota.

Ele mexeu a batata para mim.

—Você está sorrindo, não está?

Suspirei.

—Sim. Suponho que estou. Obrigada.

—A qualquer hora, Texas. Estou aqui para sua diversão pelos


próximos meses. — Ele piscou. —Antes de mandarem sua bunda
para Dallas.

Um minuto depois, um casal apareceu na nossa mesa.


Levamos um minuto para perceber o que havia acontecido.
Bennett tinha piscado para mim e alguns casais aceitaram isso
como convite.
***

—Você já roubou alguma coisa?

Bennett me fez a pergunta quando a garçonete se aproximou


para nos verificar. Ele pediu outra cerveja e eu pedi uma água
gelada. Era seu quarto ou quinto - eu perdi a conta. Desde que ele
decidiu que seu carro estava ficando do lado de fora durante a
noite, e eu o estava levando para casa, ela fez bom uso de estar
livre para beber um pouco.

A garçonete estava ao lado da nossa mesa, olhando para mim,


em vez de pegar nosso pedido. Eu pensei que talvez ela estivesse
esperando pelo resto do meu pedido, então eu sorri
educadamente.

—Eu estou bem. Apenas a água para mim.

Ela sorriu de volta.

—Oh, eu vou pegar a cerveja e água em um instante. Estou


apenas esperando para ouvir sua resposta à pergunta dele.

Bennett riu.

—Ela parece que poderia ter sido uma ladra, certo? Rosto
bastante inocente, mas há uma pequena faísca em seus olhos. Sem
mencionar o cabelo selvagem.

—Eu roubei uma caixa de preservativos uma vez, — a


garçonete ofereceu. —Não foi há muito tempo também. Eu estava
na drogaria e minha mãe subiu na fila atrás de mim. Eu tinha
xampu e trojans. Eu coloquei os preservativos no meu bolso para
escondê-los e deixá-la ir primeiro, esperando que eu pudesse tirá-
los depois que ela tivesse ido embora. Mas ela esperou por mim.
Tenho vinte e dois anos, mas somos católicas e ela é muito
religiosa. A escolha foi quebrar seu coração ou ir para a cadeia por
pequenos furtos. Eu arrisquei.

Bennett sorriu. Deus, ele tinha um maldito sorriso sexy.

—Eu roubei uma caixa de preservativos uma vez também. Eu


tinha quatorze anos e uma menina quente de dezessete anos me
convidou. Não fui pego, mas perdi minha virgindade. Totalmente
vale o risco. — Ele levantou o queixo para mim e balançou as
sobrancelhas.

—Você roubou camisinha, ou apenas lubrificante?

—Eu nunca roubei nada. — Eu senti meu rosto aquecer e


Bennett apontou para mim. —Puta merda. Você está ficando
vermelha, você está mentindo. Você é uma cleptomaníaca, não é?

Infelizmente para mim, ao longo da noite, Bennett descobriu


minha fraqueza. Eu coro mentindo. Toda vez que eu dizia uma
mentira, meu rosto corava, ou eu desviar meus olhos ou me
remexia. À medida que o número de cervejas que ele bebia
aumentava, ele criou um joguinho - A verdade de Texas. Ele me
faria uma pergunta, e eu tentaria mentir sobre algumas respostas
- daí a pergunta dele sobre roubar. Até agora, ele me pegou em
todas as mentiras.
Eu olhei para a garçonete divertida. —Eu tinha nove anos e
realmente queria o novo CD 'N Sync'. Então eu meio que coloquei
em minhas calças quando minha mãe não estava olhando.

—Boooom, — disse Bennett.

A garçonete riu.

—Eu volto com sua cerveja.

Quando ela se foi, ele, claro, queria mais detalhes.

—Você foi pega?

—Não. Mas quando cheguei ao carro, comecei a chorar


porque me sentia culpada. Eu admiti o que tinha feito para minha
mãe e ela me fez voltar para a loja e dar o CD para o gerente. Ele
chamou os policiais, que me deram uma palestra de uma hora, só
para me assustar um pouco mais.

—Você sabe que eu tenho um forte desejo de mudar o seu


apelido de Texas depois de ouvir essa história, certo?

—Para quê?

—Arrebatar. Mas eu já tenho problemas com o RH, então eu


não acho que gritar Hey, arrebatadora no corredor iria muito bem.

Eu enruguei meu nariz.

—Você é um porco.

A garçonete trouxe nossas bebidas, e ele tomou um longo


gole de sua cerveja. —Quando foi a última vez que você contou
uma mentira?
Eu sabia a resposta para essa pergunta sem ter que pensar
sobre isso. Mas não havia como compartilhar essa história com
Bennett.

—Já faz muito tempo.

Eu senti meu rosto aquecer.

Droga.

Ele viu e riu.

—Derrame suas entranhas, Texas.

—Se eu te disser, você tem que prometer que nunca vai tirar
sarro de mim por isso, ou até mesmo trazê-lo de novo.

—Quem eu? Nunca.

—Dê-me sua palavra.

Ele levantou três dedos como um escoteiro. —Você tem


minha palavra.

Eu sabia antes de começar a falar que era uma má ideia


compartilhar minha história com ele, mas eu estava me divertindo
e não estava pronta para encerrar a noite.

—Bem. Mas quando terminar, quero uma história sobre a


qual posso torturá-lo. Algo embaraçoso.

—Combinado. Vá em frente, mentirosa.

Eu sorri e balancei a cabeça.


—OK. Bem, eu moro em um condomínio. Meu prédio tem
vinte e quatro apartamentos. Um senhor mais velho, o Sr. Thorpe,
mora do outro lado do corredor e tem duas gatas. Ele as mostra
em competições.

Os olhos de Bennett tinham desviado para minha boca e


agora pulavam para encontrar os meus. Ele limpou a garganta. —
Mostrar gatos? Eu nem sabia que isso era uma coisa. Mas é
estranho, se for.

Eu meio que concordei. Embora esse não fosse o ponto da


minha história.

—De qualquer forma. Eu tenho um gato macho. Ele não é um


gato de raça pura ou um gato de show, apenas um malhado
normal que eu fui forçada adotar. Essa é uma história para outro
dia. Às vezes o Sr. Thorpe vai até Seattle para visitar seu irmão
por um dia ou dois, e ele me pede para cuidar de Frick e Frack. Se
ele for por mais tempo, ele as deixa na casa desta mulher, que
permite que todos os gatos ande livremente por seu apartamento.
Eu também a usei. Às vezes ela tem trinta gatos, mas não tem
cheiro. Não tenho ideia de como.

—OK. Estamos chegando à mentira em breve? Eu não sou


uma pessoa de gato e esta história está ficando chata. Apenas
chegue à sua grande e gorda mentira.

—Pare de ser tão impaciente. De qualquer forma... Os gatos


do Sr. Thorpe são, é claro, gatos de interior, então eu praticamente
preciso levanta-los e alimentá-los duas vezes ao dia. Seis meses
atrás, eu estava observando seus gatos e acidentalmente deixei a
porta do meu apartamento aberta quando atravessei o corredor
para alimentá-los. Quando percebi, meu gato havia fugido, e
encontrei Tom lambendo uma das persas do sr. Thorpe em seu
banheiro.

—Quem é Tom?

—Meu gato.

—Nomeado para Tom e Jerry?

—Não. Forte. Eu amo-o. De qualquer forma, eu não mencionei


o que tinha acontecido para o Sr. Thorpe, assumindo que seus
gatos foram castrados, mesmo que o meu não fosse. Alguns meses
depois, uma de seus gatos deu à luz oito gatinhos.

Bennett levantou as sobrancelhas.

—E você mentiu sobre isso?

—Eu descobri durante a reunião trimestral da cooperativa.


Todos os vizinhos estavam lá, e o Sr. Thorpe os irritou com o quão
irresponsável alguns donos de animais de estimação são. Ele
assumiu que a gata engravidou quando ela saiu ou no parque de
animais de estimação que ele leva para a socialização.

Eu vi que Bennett estava prestes a abrir a boca para zombar,


então eu parei ele.

—Sim, ele leva seus gatos premiados para um parque para


que eles possam se socializar. Em uma trela. Mas eu sou a pessoa
horrível nessa história, e ainda me sinto culpada, então não faça
piadas sobre o Sr. Thorpe ou seus gatos estúpidos.
—Ok. Não tirar sarro do Sr. Thorpe. Apenas o seu gato chorão
e sua mãe mentirosa.

Bennett mostrou aquele sorriso de menino de novo e minha


barriga deu um salto inesperado. Eu tentei ignorar isso.

—De qualquer forma, eu não confessei o crime do meu gato,


mas estou pagando pensão alimentícia. Eu não quero que você
pense que eu sou uma total imbecil.

Ele levantou uma sobrancelha.

—Apoio à criança?

—O que? Estou apenas envergonhada. Eu não posso encolher


a responsabilidade financeira.

—Quem ele acha que está deixando a comida?

—Eu não sei. Eu o evito porque, se ele me perguntar, meu


rosto vai ficar vermelho quando ele fizer.

—Isso é uma merda. Eu ficaria fodido se não tivesse uma cara


de pôquer.

Eu bebi um pouco da minha água gelada. —Sua vez. Me dê


uma história embaraçosa.

Ele coçou a sombra das cinco horas em seu queixo, que eu


decidi que ele usava muito bem.

—Deixe-me pensar. Eu não fico envergonhado com muita


facilidade. —Um minuto depois, seu rosto se iluminou e ele
estalou os dedos.
—Tenho um. Meus pais acharam que eu era gay.

Eu ri.

—Bom começo. Continue…

—Eu tinha provavelmente dez ou onze anos quando descobri


a masturbação. A Internet ainda não era grande e os materiais
eram escassos. Então eu costumava roubar as revistas da minha
mãe. Cosmo era a minha favorita, mas ela não a comprava com
frequência, então a maior parte da minha coleção era bem
desesperada - Good Housekeeping, Woman's Day, Better Homes &
Gardens. Em uma boa semana, um deles teria um biquíni para um
artigo sobre evitar a orelha de nadador ou alguma merda. Mas às
vezes tudo que eu conseguia era uma olhada de um sutiã
confortável para um artigo sobre como evitar dores nas costas. De
qualquer forma, eu as escondi debaixo do meu colchão quando
elas não estavam em uso. Um dia minha mãe as encontrou quando
ela estava trocando meus lençóis e me perguntou por que eu as
tinha. Eu disse que gostava de ler os artigos. Ela parecia suspeitar
daquela resposta e perguntou qual era o último artigo que eu li. A
única coisa em que consegui pensar rápido foi a que estava ao
lado das fotos que eu tinha gostado da foto: Como fazer os homens
te notarem.

Eu cobri minha boca enquanto eu ria. —Oh meu Deus.

—Sim. Meu pai foi enviado naquela noite para me dar uma
conversa de pássaros e abelhas. No final, ele me disse que me
amaria, não importa quem eu fosse.

—Aww... isso é tão doce.


—Sim. Mas nos anos seguintes, minha mãe seguiu meus
amigos e minhas amigas pela casa toda vez que eu recebia amigos.
Eu tive que manter a porta do quarto aberta quando os meninos
vinham para sair, e festas do pijama foram praticamente
proibidos. Mas em torno de treze anos percebi que também tinha
um lado positivo.

—O que era?

—Quando trouxe Kendall Meyer para casa, pude ficar com ela
em casa sem me preocupar com alguém que estivesse entrando.
Minha mãe tratou as garotas que eu trouxe para casa como
amigos homens heterossexuais. Eu poderia fechar a porta e
trancá-la, e ela não achava nada estranho.

Nós dois passamos horas compartilhando mais histórias


embaraçosas. Acabamos ficando no bar dos swingers até depois
da meia-noite. Na volta para casa, como eu suspeitava que fosse,
Bennett zombou da minha narração. Fiquei surpresa ao descobrir
que morávamos a menos de um quilômetro de distância.

—Verificando o espelho retrovisor. Puxando para o meio-fio,


—eu sussurrei quando cheguei em frente ao seu prédio. Alguns
segundos depois. —Colocar o carro no estacionamento.

Quando olhei para Bennett, vi que ele tinha um sorriso


engraçado.

—O que?

—Só quero saber se há mais alguma coisa que você narra?

—Não. Apenas dirigindo.


Ele exibiu um meio sorriso travesso.

—Eu estava imaginando você narrando sexo durante toda a


viagem para casa. Tirando a calcinha. Abrindo as minhas pernas
largamente. Puxando para baixo as calças. Tentando envolver meus
dedos...

Eu o interrompi.

—Eu entendi a ideia. Acho que você vai ganhar algumas


cópias novas do Better Homes & Gardens com essa imaginação.

Bennett pegou a maçaneta da porta.

—Você não tem ideia, Texas.

Fiquei feliz por estar escuro, porque dessa vez meu rosto
ficou vermelho por um motivo diferente do que mentir.

Ele abriu a porta.

—Boa noite. Obrigado pela divertida viagem para casa.

Eu comecei a noite tão infeliz e estava terminando com um


sorriso. Percebi que Bennett tinha me dado isso e eu não tinha
agradecido a ele. Rolando minha janela, eu chamei atrás dele
enquanto ele contornava o carro e chegava na calçada. —Bennett?

Ele se virou.

—Texas?

—Obrigado por hoje à noite. Talvez você não seja tão idiota
depois de tudo.
A iluminação da rua iluminou seu rosto o suficiente para que
eu pegasse sua piscada.

—Não tenha muita certeza disso.

Ele se virou para caminhar em direção à sua porta, mas


continuou a falar alto o suficiente para que eu pudesse ouvir. —
Incline-a sobre a cama. Enrolando o cabelo loiro louco em volta do
meu punho. Puxando com força enquanto abro suas pernas. —Ele
abriu a porta da frente e parou por um breve segundo antes de
entrar. —Muito melhor do que o Dia de Mulheres hoje à noite.
Capítulo 14

Três noites seguidas.

E agora isso.

Que porra é essa? Eu pisquei algumas vezes, tentando me


livrar de outra nova fantasia. Quase funcionou, mas Jonas
empurrou um monte de pastas de arquivo em sua mesa,
procurando por algo, o que fez um grampeador cair do lado onde
estávamos sentados. Annalice se inclinou para frente para pegá-lo.
Seu fodido cabelo caiu para um lado, me dando uma visão clara da
pele cremosa de seu pescoço. Parecia tão suave e macia, meu
cérebro pulou para perguntar se ela estava toda lisa.

Alguns dias atrás, na noite em que Annalice me deixou em


casa, eu comecei a pensar nela antes de ir para a cama. Era
normal, eu disse a mim mesmo. Eu tinha acabado de jantar e
beber com uma mulher bonita - qualquer cara que não voltasse
para casa imaginando o cabelo loiro enrolado em seu punho
enquanto sua bunda sexy estava empoleirada realmente estava
comprando o Dia da Mulher para ler os artigos.

Cem por cento normal. Não significou nada. Então, por que
não se entregar? Uma noite de fantasia não poderia doer. Vamos
encarar, não seria a primeira vez que eu fantasiava sobre uma
colega. Ninguém saberia. Nenhum dano, nenhuma falta. Mas uma
noite se transformou em duas, e duas se transformaram em três, e
então ontem, quando eu entrei na sala de descanso e encontrei
Annallice curvada para pegar algo fora da geladeira, eu realmente
comecei a ficar duro. No trabalho. No meio do maldito dia. Para
visões do bumbum bem formado de uma mulher que eu precisava
obliterar, não fantasiar até arruinar um terno de dois mil dólares
com um momento embaraçoso de adolescente.

Então eu recuei nas últimas quarenta e oito horas, dando a


ela um afastamento ontem e novamente esta manhã. Eu tomei
uma decisão mental de não me permitir pensar nela, exceto nas
maneiras de sair vencedor em cada jogada. Infelizmente, meus
olhos não receberam a mensagem. E isso só me irritou. Cada vez
que eu pegava meu olhar vagando em seu caminho, eu me
controlava de volta, aproveitando a raiva sobre o meu lapso
momentâneo de julgamento. O que significava que tinha sido
muito idiota na reunião de hoje. Mas com certeza a merda não foi
minha culpa que sua saia vermelha mostrou muita perna e
continuou chamando minha atenção. Ou que ela usava saltos finos
de quatro polegadas que envolviam seu delicado tornozelo e
implorava para perfurar a pele nas minhas costas.

Essa merda era tudo culpa dela.

Annalice se mexeu na cadeira e cruzou e descruzou as pernas.


Como branco no arroz, meus olhos estavam bem ali.

Porra. Ela tinha ótimas pernas.

Eu fechei meus olhos. Não, não pode olhar, Fox.


Contei até cinco na minha cabeça e os abri, apenas para notar
um grupo de minúsculas sardas no joelho esquerdo. Eu tive o
insano desejo de me estender e esfregar meu polegar sobre elas.

Porcaria.

Puxe suas coisas juntos.

Annalice se moveu de novo, e sua saia subiu outra meia


polegada.

Sua saia vermelha.

Apropriado, porque essa mulher era o maldito diabo.

Nós nos sentamos a dois metros um do outro, do outro lado


da mesa do Jonas por 15 minutos, ouvindo-o nos atualizar sobre o
status de várias coisas relacionadas à fusão. Ocasionalmente,
Annalice entrava e dizia alguma coisa e olhava na minha direção,
mas eu ficava quieto com a cabeça para frente, focado no chefe,
em vez de deixar meus olhos desviarem mais.

—Isso nos leva à avaliação do conselho de vocês dois. Um dos


membros do conselho, que também é um dos principais
acionistas, trouxe uma oportunidade com uma possível nova
conta para concorrer.

Eu me inclinei para a frente na minha cadeira.

—Ótimo. Eu posso lidar com isso.

Eu senti os olhos de Annalice queimarem no lado da minha


cabeça.
—Eu também posso, — ela retrucou.

—Não há necessidade de discutir. Vocês dois vão lidar com


isso. A diretoria decidiu que esse argumento será uma das contas
nas quais vocês serão analisados. Cada um de vocês conseguirá
criar sua própria campanha. Mas vocês devem saber, nossa
empresa está chegando ao jogo um pouco tarde aqui. Duas outras
agências já estão envolvidas e teremos que trabalhar em um
cronograma apertado. O atraso deve voltar em menos de três
semanas.

—Não é um problema, — eu disse. —Eu faço o meu melhor


trabalhando sob pressão.

Da minha visão periférica, peguei Annalice revirando os


olhos.

—Qual é a conta?

—Estúdios da estrela. É uma nova divisão da Foxton


Entertainment - o estúdio de cinema. Esta divisão vai se
concentrar em filmagens estrangeiras e refazê-los aqui.

Eu nunca havia comercializado um estúdio ou um filme, mas


sabia, pela revisão da lista de contas de Annalice, que ela havia
conseguido mais do que alguns. Os estúdios eram alguns dos seus
maiores clientes. Ela definitivamente sabia seu caminho em torno
desse mercado - uma vantagem injusta para algo que poderia
finalmente decidir em qual estado maldito eu viveria.

—Eu nunca trabalhei com um estúdio de cinema. Mas esse


era o nicho de Wren. — Levantei meu queixo em direção a
Annalice. —Cinquenta por cento de suas contas são relacionadas a
filmes. Eu não acho que é muito justo para o conselho usar um
campo como esse para avaliar nossos pontos fortes. Eu não tenho
experiência de mercado neste campo.

Jonas franziu a testa. Ele sabia que eu tinha um ponto válido.

—Infelizmente, não podemos nos dar ao luxo de escolher


muitas propostas grandes. Além disso, a maioria das contas de
filmes de Annalice são para filmes individuais, e isso é marketing
para uma nova empresa de produção - eles querem marca e
estratégia de mercado. Essas são suas forças, Bennett.

Olhei para Annalice e ela me respondeu com um sorriso


exagerado de que eu vou ganhar um presente porque não sabe de
nada. Isso me irritou, mas não porque ela tinha uma vantagem
injusta. Isso me irritou porque meu primeiro pensamento foi Hey,
olhe para isso. Ela mudou o batom hoje, quando deveria estar
pensando, vou limpar o chão com você.

Mais irritado comigo do que nunca, eu ataquei ela.

—Você conhece alguém no estúdio? É uma pequena


indústria. Eu só quero ter certeza de que você não tenha dormido
com alguém ali tomando decisões.

Os olhos de Annalice se arregalaram e depois se estreitaram


para fendas furiosas. —Eu nunca dormi com um cliente. E seu
comentário é ofensivo. Não é de admirar que o RH tenha usado
uma trilha no carpete do escritório para o seu.

Jonas suspirou.

—Isso foi desnecessário, Bennett.


Talvez, mas isso foi uma besteira total.

—Eu quero usar meus próprios membros da equipe, não


quero compartilhar algum funcionário de Wren agindo como uma
toupeira possa vazar minhas ideias para ela.

—Ninguém é um funcionário da Foster Burnett ou da Wren.


Somos uma equipe. Já é muito ruim que vocês dois estejam
basicamente um contra o outro. Suas equipes estão apenas
começando a trabalhar juntos. Isso causará uma divisão se os
separarmos para este projeto. Vocês vão precisar usar os recursos
completos da equipe.

Eu bufei. Annalice, por outro lado, acenou.

—Eu concordo, — disse ela.

—Precisamos manter a equipe unida, não os separar.

Jonas abriu um arquivo e levantou os óculos para ler o papel


de cima.

—Há uma reunião em Los Angeles depois de amanhã. O


estúdio nos convidou para uma turnê e uma visão dos bastidores.
Vocês se encontram com o vice-presidente de produção e alguns
talentos criativos. Gilbert Atwood, o membro do conselho que nos
deu o campo, está planejando voar para se juntar a vocês e
algumas pessoas para jantar. Então provavelmente será tarde da
noite e vocês devem planejar ficar por aqui. Mandarei Jeanie
mandar ao dois o endereço e informações de contato para que
você possa fazer os arranjos.
Eu consegui resmungar um obrigado insincero na conclusão
da pequena reunião do Jonas. Não com vontade de falar com
ninguém, voltei para o meu escritório e fechei a porta atrás de
mim. A porta abruptamente se abriu e fechou dois minutos
depois.

—Que diabos é a o seu problema?

Eu estava aborrecido por ela ter entrado, mas senti meu


pulso acelerar. Isso só acontecia em duas ocasiões - quando eu
estava prestes a entrar em uma briga física, o que eu consegui
evitar por pelo menos dez anos, ou quando eu estava prestes a
afundar dentro de uma mulher.

—Certo. Entre. Não bata nem nada.

—Bater seria educado e, obviamente, não estamos mais


sendo educados.

Eu pressionei meus dedos na minha mesa e me inclinei para


frente.

—Qual é o problema, Annalice? Os concorrentes não devem


ser educados. Os jogadores de futebol não tiram os picos dos
sapatos antes de pisar no homem para chegar à zona final. É a
natureza do jogo.

Ela deu alguns passos em minha direção e colocou as mãos


nos quadris.

—O que aconteceu entre o bar na outra noite e hoje? Eu perdi


alguma coisa? — Embora sua postura fosse firme, sua voz se
inclinou para vulnerável. —Eu fiz alguma coisa para te chatear?
Sentindo-me como o pau que eu era, abaixei os olhos. Quando
eles se levantaram antes de falar novamente, eles não puderam
deixar de viajar sobre a mulher que estava prestes a abordar. Só
que ao longo do caminho, eles se agarraram em alguma coisa. Os
mamilos de Annalice estavam duros e tentavam atravessar sua
camisa preta e sedosa. Eles pareciam dois grandes diamantes
redondos chamando um homem pobre - venha e me pegue, eu sou
sua riqueza para ser tomada.

Engoli. Que diabos ela acabou de me perguntar? Levantei


meus olhos para encontrar os dela e percebi que ela tinha acabado
de assistir a coisa toda - o que roubou minha atenção e fez minha
boca salivar. Com razão, ela parecia ainda mais confusa. Num
minuto eu a estava acusando de dormir com clientes, e no
seguinte a cobiçava como se quisesse dormir com ela.

Não era só ela que estava confusa. Eu não tinha ideia do que
diabos eu estava fazendo.

Nós nos encaramos por um momento. Eventualmente, eu


juntei minhas coisas, lembrei do que ela havia me perguntado, e
limpei minha garganta.

—Não é pessoal, Texas. Eu só acho que é melhor se nós não...


se não formos amigáveis. Não há como eu me mudar, e a última
coisa que preciso é me distrair porque me sinto mal por estar
chutando sua bunda.

O queixo de Annalice se levantou.


—Isso é bom. Mas você precisa ser cortês, pelo menos. Eu não
merecia esse comentário sobre dormir com clientes,
especialmente não na frente de Jonas.

Eu balancei a cabeça.

—Entendido. Eu sinto muito.

—E se você não quer ser amigo, vai ter que parar de me


seguir para os hotéis.

Eu gostei dela atrevida muito melhor do que vulnerável.


Demorou muito para manter meu sorriso em segredo.

—Anotado.

Ela assentiu e se virou para sair. Meus olhos imediatamente


caíram para sua bunda. Uma vez um idiota, sempre um idiota.
Antes que eu pudesse levantá-los novamente, Annalice se virou
para dizer outra coisa e me pegou. Desta vez, era ela tentando
esconder um sorriso.

—Os não amigos também não olham para os não-amigos.

Ela se virou, depois jogou as palavras por cima do ombro


enquanto atravessava a porta.

—Não importa o quão grande seja o seu T & A 8.

8
Expressão que significa “Seios & Bunda”
Capítulo 15

—Como está o cara gostoso no trabalho? — Madison


perguntou antes de morder um pedaço do bife Wellington que
havia pedido. Seu nariz se encolheu enquanto mastigava. Ela não
gostou. Eu me senti mal pelo dono do restaurante. Foi a terceira
falta e estávamos apenas começando o nosso prato principal.
Primeiro, o garçom trouxe os aperitivos errados. Então, quando
Madison pediu recomendações sobre vinho e jantar, ele
recomendou os itens mais caros. A crítica seria dolorosa.

—Cara quente? Bem, ele é um idiota. Então ele é muito fofo,


mas tenta fingir que não é. Então ele é praticamente um idiota de
novo. Eu não quero falar sobre ele.

Madison encolheu os ombros.

—OK. Como está tudo mais no trabalho? Você gosta das


pessoas no novo escritório?

Eu abaixei meu garfo.

—Eu simplesmente não entendo isso. Um dia ele sai do seu


caminho para me ajudar, e no outro ele é rude e me ignora.

Ela pegou seu vinho.


—Estamos falando sobre o cara gostoso?

—Bennett, sim.

Ela sorriu e levou o copo aos lábios.

—Pensei que você não queria falar sobre ele.

—Eu não. É só... Ele é tão enfurecedor.

—Então ele está quente e frio para você.

—Escaldar e gelar seria mais parecido com isso. Na semana


passada, fui ao encontro de Andrew para jantar. Bennett me
seguiu até o hotel porquê de alguma forma ele sabia que as coisas
não terminariam bem. E não foram. Bennett e eu acabamos
pegando algo para comer juntos e conversando até a meia-noite.
Na manhã seguinte, eu o vi na sala de descanso e ele me deu uma
recepção fria - como se a noite anterior nunca tivesse acontecido.

Madison pousou o copo de vinho.

—Cópia de segurança. Você encontrou Andrew para o jantar?


Eu não recebi uma ligação à meia-noite ou uma visita matinal no
dia seguinte. E agora nós passamos por bebidas e aperitivos e isso
nunca foi mencionado?

Suspirei.

—Sim. É uma longa história.

Ela empurrou o lado do purê de batatas ao redor com o garfo.

—Minha comida foi entregue fria de qualquer maneira.


Comece do início.
Passei através de Andrew pedindo-me para encontrá-lo,
esfregando meu braço no restaurante do hotel enquanto me dizia
o quanto ele sentia minha falta, mas ele também recuou o mais
rápido que pôde quando eu perguntei se ele estava dizendo que
queria estar junto novamente. Eu também a enchi com os
pensamentos de Bennett sobre o que Andrew queria antes de eu
ir e como ele apareceu para pegar as peças.

Madison bateu uma unha em seus lábios. —Então,


basicamente, você está dizendo que Bennett é um idiota para as
mulheres, então ele é capaz de prever o que os outros idiotas são
depois?

—Eu acho. Mas o que não consigo conciliar é, se ele é tão


idiota com as mulheres, por que ele tentaria me alertar sobre
Andrew e depois estar lá por mim quando tudo o que ele me
alertou se tornou realidade? Um babaca não se importaria com o
que aconteceu comigo antes ou depois. Ele deveria ter dito eu te
disse no dia seguinte no trabalho, em vez de me deixar falar sobre
as coisas naquela noite.

O garçom veio e perguntou como estava as nossas refeições.


Madison normalmente respondia que a comida estava abaixo do
normal para ver como o restaurante lidava com ela, e então lhes
daria outra chance se agissem profissionalmente. Mas em vez
disso, fingiu sorrir para o garçom, dizendo que o jantar estava
bom e pediu outra garrafa de vinho. Eu tinha a sensação de que
nossa discussão estava desviando sua avaliação no momento.

—Parece que Bennett pode ter síndrome da besta, — disse


ela.
—Síndrome da besta?

—Todos os homens se encaixam em um personagem da


Disney ou outro. Aquele cara com quem saí há alguns meses atrás,
que tinha três consoles de videogame e saía com seus amigos
cinco noites por semana? Síndrome de Peter Pan. Lembra-se no
ano passado eu namorei um cara que me disse que ele era o vice-
presidente de finanças de uma empresa de tecnologia, apenas
para descobrir que ele trabalhava em atendimento ao cliente
recebendo ordens? Síndrome de Pinóquio. Aquele cara francês
lindo que eu saí com quem queria fazer aquilo em seu banheiro
em frente ao espelho para que ele pudesse olhar para si mesmo?
Gaston.

Eu ri.

—Você está louca. Mas eu vou morder. Qual é a síndrome da


besta? Porque Bennett é lindo, não bestial.

—A síndrome da besta é quando um homem constantemente


grita com você para assustá-la. Talvez ele fosse menos que
magnânimo em seus primeiros dias, o que ele acha que define
quem é banido para sempre. Então ele tenta evitar que as pessoas
cheguem perto demais. Mas ele não é realmente o vilão que pensa
que é, e de vez em quando, uma espiada do príncipe por baixo
brilha. Isso normalmente só faz ele rugir mais alto.

—Então... tipo, ele era um jogador, e agora ele acha que


sempre precisa ser aquele cara em vez de um cara legal?

Madison encolheu os ombros.


—Talvez. Ou talvez ele fosse malvado com uma velha
mendiga. Eu não sei o motivo, mas parece que ele tem medo de
que mostrar muito do seu príncipe subjacente fará com que ele se
machuque.

—Eu não tenho tanta certeza sobre isso. Mas sei que é hora
de acabar com Andrew.

—Eu não poderia concordar mais. Ele vem te acompanhando


há anos - alegando que vocês não podiam morar juntos porque ele
não podia ter distrações enquanto escrevia seu livro idiota por
três anos. Então, quando o livro terminou, ele não estava pronto
para seguir em frente, porque ele tinha caído em depressão
porque o livro não funcionou tão bem quanto ele esperava.
Adivinha? A vida é uma droga. Todos nós temos decepções. Você
sabe o que fazemos? Ficamos bêbados por uma semana, depois
nos limpamos, voltamos ao trabalho e nos esforçamos mais, não
abandonamos a pessoa que amamos.

—Você está certa. Eu sempre amarei o Andrew. Mas as coisas


mudaram desde que estivemos na faculdade e depois da
formatura. Ele não é a mesma pessoa feliz e espontânea que ele
costumava ser, e ele não é há muito tempo. Eu acho que eu estava
esperando que ele magicamente voltaria a ser o cara que
costumava aparecer na minha casa com uma garrafa de vinho e
me surpreender com um final de semana na cama e café da
manhã.

Madison estendeu a mão e cobriu minha mão com a dela.

—Eu sinto muito, querida. Mas pelo lado positivo, talvez o


próximo seja mais oral.
Suspirei. Na noite seguinte, Andrew me disse que precisava
de um descanso, eu tinha me embebedado demais e derramado
minhas entranhas em algumas coisas privadas - ou seja, que
Andrew só desceu em mim no meu aniversário. Quando eu tentei
falar sobre isso com ele, ele disse que só precisava estar de bom
humor. Aparentemente, esse clima nunca aconteceu.

—Acho que vou colocar isso no meu perfil do match.com. À


procura de um homem bem educado, bonito e financeiramente
seguro, que não tenha medo de compromisso ou de se aproximar
da minha vagina.

O garçom veio e abriu nossa segunda garrafa de vinho. Ele


serviu dois copos, e Madison não se incomodou em esperar até
que ele estivesse fora do alcance da voz antes de levantar o copo
na alto.

—Para o sexo oral.

Eu bati meu copo no dela. Talvez fossem os tópicos que


havíamos passado, mas me vi pensando... Aposto que Bennett
teria orgulho em agradar uma mulher, não limitar a uma vez por
ano.

***

Eu reservei intencionalmente um voo diferente do meu


homólogo. Nossa assistente perguntou se eu queria viajar com ele,
e mesmo que eu preferisse pegar o voo das sete da manhã que ele
já tinha reservado, eu escolhi pegar um traslado de oito e meia
para LA. Nosso encontro não era até uma, e era apenas um voo de
uma hora e meia, mas eu gostava de chegar cedo. Agora eu olhava
para o grande conselho e me arrependia de ter tomado uma
decisão de negócios baseada em outra coisa que não negócios.
Meu ovo foi empurrado para onze, e eu estaria correndo para
chegar à reunião a tempo. Enquanto isso, Bennett provavelmente
estava no taxi agora mesmo. Droga.

Eu levei meu tempo no Hudson News, lendo os últimos best-


sellers, já que eu teria algumas horas extras de atraso.
Concentrando-me em um livro popular de mulheres sobre
aprender a aceitar quem você é, eu fui até o portão para ler. Só
que quando cheguei quase todos os assentos da área de embarque
estavam ocupados. Eu percebi que o voo antes de mim ainda não
tinha começado o embarque. Quando eu olhei para a placa do
balcão de check-in, percebi que era exatamente o que era, só que o
voo anterior era o que estava programado para decolar às sete
para Los Angeles. - O vôo de Bennett.

Eu olhei ao redor da área de espera, mas não o vi.

—Procurando por alguém? — Uma voz baixa retumbou atrás


de mim, e sua respiração quente fez cócegas no meu pescoço.

Eu pulei para frente, larguei a bolsa com meu livro e quase


tropecei na minha própria bagagem de mão. Mas uma grande mão
segurou meu quadril e me firmou.

—Calma. Eu não queria te assustar.

Minha mão voou para cobrir meu coração acelerado.

—Bennett. Que diabos? Não se aproxime de uma pessoa


assim.
—Desculpa. Eu não pude resistir.

Eu alisei minha blusa e me inclinei para pegar o meu livro,


que tinha saído da bolsa. —Você não deveria estar do outro lado
do terminal se me visse parada aqui?

Bennett passou os dedos pelos cabelos. —Provavelmente. —


Ele arrancou o livro de capa dura das minhas mãos enquanto eu
tentava guardá-lo de volta na sacola plástica.

—Mas aparentemente é uma coisa boa que estou aqui. — Ele


leu a capa da minha compra.

—Você faz você. O que é isso? Um livro de auto ajuda sobre


masturbação?

Eu o peguei de volta e enfiei na bolsa.

—Não. O que é isso não é da sua conta.

—Rapaz, você é mal-humorada. Eu acho que você realmente


precisa desse livro.

—É um livro sobre aceitar quem você é e não se preocupar


com o que todo mundo pensa sobre você, se você realmente
precisa saber.

Ele sorriu.

—Isso é uma vergonha. O que eu pensava sobre isso seria


muito mais interessante.

—O que está acontecendo com o seu voo? Você sabe do que


se trata o atraso?
—Atraso do tempo em Los Angeles, algo sobre ventos fortes.
Todos os voos estão atrasados. Originalmente eles disseram um
atraso de quarenta minutos; agora são até duas horas.

—Eu estava reservada às oito e meia. O meu mudou para as


duas e meia. É melhor eu ver se eles podem me levar no seu voo.

Depois de uma espera de vinte minutos na fila, o melhor que


eles podiam me dar era ficar na espera. Bennett estava encostado
em um pilar, percorrendo o telefone quando voltei.

—Estou na lista de espera. Não tenho certeza se vou


continuar.

Ele piscou.

—Não se preocupe. Eu vou lidar com isso se você não puder


chegar lá. Eu retransmitirei o que o cliente está procurando
quando eu voltar.

—Sim. Essa é uma ótima ideia. Vou contar com você para
preparar para mim uma proposta para um cliente que você não
quer que eu ganhe.

—Parece que você pode não ter escolha.

Olhei a hora no meu celular - alguns minutos depois das sete.


Era uma viagem de cinco horas e meia até L.A. Se eu saísse agora,
teria seis horas para voltar para casa e chegar lá.

—Eu vou dirigir.

—O que? São mais de trezentas milhas.


Eu peguei minhas malas.

—Eu posso fazer isso. É melhor do que ficar sentada aqui por
mais duas horas para descobrir que não posso entrar no voo mais
cedo e perder a reunião.

Bennett olhou para mim como se eu tivesse duas cabeças.

—Você levará uma hora para voltar para casa com o tráfego
da hora do rush agora.

Ele estava certo. Eu não podia voltar para o meu carro.

—Isso é verdade. Eu alugo um aqui. Isso vai economizar


algum tempo. Eu vou embora, boa sorte com o seu voo.

Eu me virei e comecei a tecer meu caminho de volta pelo


terminal em direção à saída. Eu temia dirigir meio dia na estrada,
mas temia a ideia de morar no Texas ainda mais.

Por sorte, peguei o Air Tran para o centro de aluguel de


carros assim que as portas estavam começando a se fechar. No
centro, escolhi a agência sem linha.

—Eu preciso alugar um carro para uma viagem só de ida para


Los Angeles.

A mulher digitou em seu teclado.

—Qual tamanho de carro você está procurando?

—Seja qual for, o menos caro.

—Eu tenho uma economia disponível. É uma Chevy Spark.


—Isso está bom.

—Na verdade, — uma voz profunda e familiar disse ao meu


lado, —podemos ficar com um tamanho maior, por favor?

Minha cabeça girou para encontrar Bennett de pé ao meu


lado.

Ele estendeu a carteira de motorista para a mulher atrás do


balcão e a agraciou com seu sorriso característico e encantador.

—E coloque em meu nome. Eu vou estar dirigindo. Eu não


posso levar cinco horas e meia ouvindo a direção dela.

A mulher olhou entre nós dois e depois se dirigiu a mim.

—Você gostaria que eu mudasse para um tamanho maior,


senhora?

Eu me dirigi a Bennett.

—Eles cancelaram seu voo ou algo assim?

—Sim.

Pensei em dividir um carro com Bennett. Seis horas dele


sendo malvado para mim ou me dando um olhar frio era pior do
que dirigir sozinha.

Eu olhei de volta para a agente de aluguel. —Vou pegar uma


econômica. O senhor Fox pode alugar um tamanho inteiro, se
quiser.

—Sério? Eu pagarei pela metade. Isso custará menos do que


um carro econômico sozinho.
—Não é uma questão de dinheiro. A empresa pagará por isso
de qualquer maneira. Eu só acho que seria melhor se nós
dirigíssemos separadamente.

Ele parecia perplexo.

—Por quê?

Eu olhei para a agente, que levantou as sobrancelhas e deu de


ombros, como se dissesse que gostaria de saber o porquê também.

—Porque você tem sido um idiota para mim. Eu não quero


lidar com isso pelo longo caminho. Eu prefiro ficar sozinha.

O rosto de Bennett caiu. Se eu não soubesse melhor, pensaria


que o que eu disse o fez se sentir mal. Nós nos encaramos. Eu
podia ver as rodas em sua cabeça girando enquanto ele refletia
sobre sua resposta.

O músculo em sua mandíbula se apertou e seus olhos


dispararam para frente e para trás entre os meus.

—Bem. Peço desculpas.

Este homem corria tão quente e frio.

—E você vai ser legal por toda a viagem?

Ele suspirou.

—Sim, Annalice. Eu vou estar no meu melhor


comportamento.

Eu olhei de volta para a agente.


—Vamos pegar um carro de tamanho médio.

Eu peguei a boca de Bennett se abrindo para dizer algo na


minha visão periférica, então eu cortei logo.

—É um acordo.

Ele balançou sua cabeça.

—Ok.

E assim, eu estava prestes a fazer uma viagem com a Besta.


Capítulo 16

Eu não discuti sobre quem tomaria o primeiro turno


dirigindo - só porque eu realmente odeio dirigir de qualquer
maneira. Mas eu usei Bennett querendo estar atrás do volante
para negociar que o passageiro tivesse controle do rádio.

Nós estávamos na estrada há cerca de duas horas, e nossa


conversa tinha sido limitada, principalmente uma pequena
conversa educada sobre o trabalho. Ele parecia estar em outro
lugar, embora eu não tivesse certeza se ele estava perdido em
pensamentos ou talvez gostasse de se concentrar quando dirigia.
Imaginei que seguiria o exemplo da conversa limitada, caso fosse
o último.

—Há uma parada para descanso em cerca de uma milha, —


disse Bennett. —Vou parar para usar o banheiro. Mas eles
também têm um Starbucks se você quiser café ou qualquer coisa.

—Oh isso é ótimo. Eu não tenho que ir ao banheiro, mas eu


definitivamente vou tomar um café. Eu preciso de mais cafeína.
Quer que eu te pegue alguma coisa?

—Sim, isso seria ótimo. Seja qual for o café que eles tenham
com creme, sem açúcar.
—OK.

No ponto de parada, Bennett foi até o banheiro enquanto eu


esperava em uma longa fila de café e folheava meus e-mails no
meu telefone. Anteriormente, enviei um e-mail à Marina para
informá-la sobre a nossa mudança nos planos. Eu sabia que
algumas companhias aéreas cancelaram seu voo de retorno se
você não aparecesse na primeira parte da viagem, então eu pedi a
ela que contatasse a Delta e garantisse que ficássemos reservadas
em nossos voos de retorno. Sua resposta foi interessante.

Oi, Annalice. Como o seu voo ainda não decolou, eles me


permitem convertê-lo em um bilhete só de ida sem taxa de
alteração devido ao atraso. Seu número de itinerário é o
mesmo. Mas desde que o voo de Bennett já havia decolado, seu
retorno foi cancelado automaticamente, e eu tive que marcá-lo
de novo e pedir um reembolso em sua saída. Ele tem um novo
número de itinerário: QJ5GRL

Espero que sua viagem fique melhor.

Marina

Bennett havia dito que seu voo foi cancelado. Talvez Marina
estivesse enganada? Comecei a escrever de volta, e então algo me
fez parar. Ao acessar o site de status de voo da Delta, digitei as
cidades de partida e chegada e defini a hora aproximada de
partida como 7:00. Com certeza, confirmou que o voo de Bennett
havia decolado quinze minutos atrás e que deveria pousar pouco
depois das onze. A página também listou os voos subsequentes,
então eu rolei para baixo para encontrar o meu. O tempo de pouso
estimado agora era depois do horário que nossa reunião estava
marcada.

Eu fiz a escolha certa em dirigir. Mas por que Bennett se


juntou a mim?

***

Não saber a resposta me corroeu enquanto dirigíamos. Eu


debati internamente as razões pelas quais Bennett poderia ter
mentido sobre o cancelamento de seu voo. Havia apenas duas que
eu poderia pensar. Ele temia que seu voo fosse cancelado e eu
aparecesse sozinha na reunião... ou... ele não queria que eu
dirigisse sozinha porque sabia como eu me sentia dirigindo. A
explicação lógica era que ele não me queria sozinha com o cliente.
Deve ter sido uma resposta cortada e seca que não requer debate.
No entanto, continuei voltando ao que Madison havia dito na
outra noite no jantar.

Besta. Ele era um bom sujeito debaixo do idiota e tentava


escondê-lo?

Seja qual for o motivo, eu poderia simplesmente deixar isso.


Mas esse não era o meu ponto forte. Não, eu tinha que entender o
homem ao meu lado, se ele queria ou não.

Virei meu corpo para o lado do motorista para poder


observar o rosto de Bennett enquanto falava.

—Então, Marina mandou um e-mail para mim sobre a


confirmação de nossos voos de retorno.
—Bom. Algum problema?

—Não. Estamos no mesmo retorno. —Fiz uma pausa. —


Exceto que ela mencionou alguma coisa.

—Deixe-me adivinhar, o almoço dela desapareceu e ela


chamou os policiais, mesmo que eu não esteja lá hoje?

Eu ri.

—Não. Ela mencionou que tinha que remarcar o seu. Parece


que cancelaram seu retorno porque seu assento não foi usado no
voo atrasado que já havia decolado.

Bennett olhou da estrada para mim e nossos olhos se


encontraram. Ele voltou a olhar para frente e não disse nada por
um minuto sólido. Eu vi as rodas em sua cabeça girando.

Eventualmente ele disse:

—Precisava jogar pelo seguro. Não poderia ter você


aparecendo no cliente sem mim.

Eu provavelmente estava louca, e não pude entender por quê,


mas não acreditei nele. Por alguma razão, de repente eu estava
certa de que Bennett estava mentindo. Ele viajou comigo porque
não queria que eu tivesse que dirigir sozinha. Aqueceu meu
coração um pouco, embora ele claramente não pretendesse que
isso acontecesse. E isso me fez querer ser legal de volta.

Eu respirei fundo e virei meu pescoço... novamente.

—A outra noite realmente me ajudou muito.


Ele me olhou pela segunda vez. Seu rosto estava pensativo,
como se ele estivesse curioso para ouvir o que eu tinha a dizer,
mas também não achava que seria sensato ter essa conversa.

—Oh sim?

Eu balancei a cabeça.

—Eu estive pensando sobre isso. Eu realmente te devo. Se


você não tivesse me dito diretamente sobre o que você achava que
as intenções de Andrew eram antes de eu ir, eu teria acordado na
manhã seguinte em um quarto naquele hotel. Não só isso, mas
quando finalmente descobri que ele não estava planejando ficar
comigo por mais de uma noite de cada vez, teria sido como abrir
uma ferida que já tinha começado a cicatrizar.

—Só te disse o que vi acontecer. Poderia ter sido totalmente


fora da base.

—Mas você não foi. E você estava lá por mim, para ajudar a
pegar as peças quando eu poderia ter desmoronado, mesmo que
tenha contado para você.

Sentada no banco do passageiro enquanto Bennett dirigia


realmente tinha uma grande vantagem: eu podia estudar seu
rosto. Ser capaz de se concentrar e observar o modo como sua
mandíbula endurecia, sua boca se movia e sua testa franziu-se em
confusão quando ele não tinha certeza de como responder muito.
Ele lutou por um momento sobre como responder ao meu último
comentário antes de decidir por um simples aceno de cabeça.

—Então, agora que você conhece o meu triste histórico de


relacionamento, qual é a sua história? A única coisa que você me
deu é que nunca teve uma namorada no Dia dos Namorados. É
justo que eu saiba algo sobre sua vida amorosa. Além disso,
estamos presos nesse carro por mais horas, então você pode me
contar e acabar logo com isso, porque eu vou tirar isso de você
antes de chegarmos a L.A. E não se preocupe podemos voltar para
não sendo amigos quando abrimos as portas do carro.

Bennett ficou concentrado na estrada, mas conseguiu um


sorriso forçado.

—Nada a dizer.

—Oh, vamos lá, deve haver alguma coisa. Quando foi a última
vez que você teve um encontro?

Ele balançou sua cabeça.

Ele não queria ter essa conversa. Mas minha necessidade de


tê-la era mais forte que sua resistência. O homem me deixou
curiosa.

—Foi uma semana atrás? Um mês atrás? Sete anos?

Ele suspirou.

—Eu não sei. Algumas semanas atrás. Bem antes de você


vandalizar o meu carro.

—Qual era o nome dela?

—Jessica.

—Jessica o quê?

—Eu não sei. Algo com um S, eu acho.


—Então eu acho que você só saiu com ela uma vez desde que
você nem sabe o sobrenome dela?

Um sorriso culpado cobriu seu rosto bonito. —Na verdade,


saí com ela algumas vezes. Eu sou ruim com nomes.

—Mesmo? Qual é o meu sobrenome?

Ele respondeu sem perder uma batida.

—Dor na bunda.

Eu ignorei isso.

—Então você saiu com Jessica S. algumas vezes. Por que isso
acabou?

Ele encolheu os ombros.

—Realmente nunca começou. Nós apenas nos damos bem e…


éramos compatíveis.

—Então você era compatível, mas durou apenas alguns dias.


Por que isso?

—Eu não quis dizer que éramos compatíveis para nada a


longo prazo.

Demorei um minuto para entender.

—Você quer dizer compatível como em você era compatível


no quarto?

—É o que é.

—Então você está dizendo que era uma coisa sexual só.
—Nós saímos para jantar algumas vezes. Apreciamos a
companhia um do outro. Eu apenas gosto de manter as coisas
simples.

—Mesmo? Por que é assim?

—Eu gosto da minha vida sem complicações desnecessárias.

—Então você vê as mulheres como complicações, então?

—A maioria das mulheres é complicada, sim.

Eu ponderei isso por um momento.

—Então, como isso funciona? Você conhece uma mulher e


pergunta se ela está interessada em uma noite de sexo apenas?

Bennett riu.

—Não é tão simples assim.

Eu provoquei.

—Mas se não é assim tão simples, seria complicado. E você


não faz complicado.

Ele murmurou algo em voz baixa sobre eu ser uma dor na


bunda e balançou a cabeça - algo que ele fazia frequentemente
quando eu falava.

—Não, sério, — eu disse. —Estou interessada. Como


funciona? Você usa um serviço de encontros ou algo assim?
Bennett olhou para mim e de volta para a estrada algumas
vezes. Parecendo perceber que eu não tinha intenção de deixar o
assunto ir embora, ele suspirou.

—É menos estéril do que isso. Se eu estiver com uma mulher,


em algum momento a conversa inevitavelmente se volta para o
que ambos estamos procurando em um relacionamento. Eu sou
honesto e digo que quero manter as coisas casuais. Mas não é
difícil dizer o que uma mulher está procurando antes de chegar a
esse ponto. Então evito as que são... complicadas.

—Você está dizendo que você pode dizer se uma mulher pode
estar interessada em um relacionamento só de sexo por apenas, o
que, falando com ela por alguns minutos?

—Usualmente.

—Isso é ridículo.

Ele encolheu os ombros.

—Parece ter funcionado para mim até agora.

Eu olhei pela janela, perdida em pensamentos por um


minuto, então fiz a minha próxima pergunta enquanto o
observava no reflexo.

—E quanto eu?

Os olhos de Bennett saíram completamente da estrada e sua


cabeça virou para mim depois disso.

—E você?
—Você passou algum tempo comigo agora. Diga-me, eu
estaria interessada em um relacionamento sexual apenas, ou eu
sou muito complicada?

Voltei-me para olhá-lo e observei quando ele levou a mão ao


queixo e esfregou. Um largo sorriso apareceu em seu rosto
quando ele parou de fingir deliberar sobre sua resposta.

—Você é tão complicada como elas vêm, querida.

Abri a boca para discutir, depois fechei e abri.

—Eu não sou.

Ele me lançou um olhar que dizia besteira.

—Eu não sou!

—Você já teve um tempo com aquele idiota por três, quatro,


cinco meses agora? Com quantos homens você saiu durante esse
tempo?

Meus lábios se franziram.

—Então eu tomo isso como nenhum, então?

—Eu precisava de uma pausa.

—De sexo?

—De homens. — Eu fiz uma careta. —Andrew realmente me


machucou.
—Sinto muito. Mas isso só prova o meu ponto. Você poderia
ter saído e feito sexo se quisesse - uma liberação física. Mas você
associa isso a um relacionamento.

Acho que ele estava certo. Eu tive uma noite no meu primeiro
ano na faculdade e odiava o jeito que me sentia no dia seguinte. Eu
suponho que eu seja complicada.

Agora eu era a única que queria mudar de assunto.

—Você já teve uma namorada?, — Perguntei.

—Defina namorada?

—Uma pessoa que você namorou exclusivamente.

—Certo. Eu te disse, eu não sou grande em compartilhar


quando estou vendo alguém.

—Quanto tempo durou o seu mais longo relacionamento?

—Eu não sei, alguns meses. Talvez seis.

—Já esteve apaixonado alguma vez?

A mandíbula de Bennett se apertou. Claramente essa


pergunta causou alguma mágoa.

Ele limpou a garganta.

—Você disse que me deve uma, certo?

Eu balancei a cabeça.

—Vamos mudar de assunto e falar de negócios, e nós vamos


deixar assim.
Capítulo 17

—Annalice? É tão bom ver você.

O cara que acabou de entrar na sala para participar da


reunião aproximou-se e abraçou Annalice. Eu observei a mão dele
viajar até bem acima da fenda da bunda dela enquanto ele passava
os braços em volta dela - discutível se isso seria considerado
apropriado para um colega.

—Tobias? — Ela se afastou do abraço. —O que você está


fazendo aqui?

—Sou o novo vice-presidente de criatividade para a Star


Studios. Eu deixei a Century Films e comecei aqui há uma semana.
Eu não vi seu nome na agenda de hoje até esta manhã ou eu teria
entrado em contato antes.

—Uau, — disse ela. —Bem, é ótimo ver um rosto familiar.


Como você tem estado?

—Bem. Mantendo-me ocupado no trabalho. Ainda me


aperfeiçoando em fazer vinho. A primeira colheita completa veio
na semana passada na pequena fazenda que eu peguei no ano
passado. Eu posso ter que ligar para seus pais para algumas dicas.
—Isso é ótimo. Eles ficariam felizes em ajudar. Você terá que
compartilhar uma prova quando suas primeiras garrafas
estiverem prontas.

Eu fiquei ao lado de Annalice, observando toda a troca.


Enquanto o sommelier, ou qualquer que seja a porra que você
chame um cara que faz vinho, não desviou os olhos da mulher na
frente dele para me notar, Annalice de repente lembrou que eu
estava aqui.

—Oh. Tobias, este é Bennett Fox. Bennett e eu trabalhamos


juntos em Foster, Burnett e Wren.

Eu apertei a mão dele e o avaliei. Alto, nada mal, sapatos


brilhantes, um bom e firme aperto.

—Prazer em conhecê-lo, Ben.

Normalmente eu corrigia pessoas se elas encurtassem meu


nome para Ben, embora nunca um cliente. Os clientes podiam me
chamar de idiota por tudo que me importava, contanto que eles
me dessem seus negócios. Mas algo sobre um encurtar de nome
imediato sempre me incomodava. Você não é meu amigo. Eu não
vou te chamar de Toby e pedir que você vá tomar uma cerveja.
Acabamos de nos conhecer. É Ben-nett... a sílaba extra não custa
mais.

—Por que não nos sentamos? Eu acho que todo mundo está
aqui, — disse ele.

Esperei que todas as senhoras da sala se sentassem, mas


aparentemente isso foi um pouco longo demais. Porque antes que
eu pudesse sentar na cadeira ao lado de Annalice - você sabe, para
mostrar uma frente corporativa unida - Tobias colocou a mão no
encosto da cadeira na minha frente e puxou para si mesmo.

Não querendo causar uma cena, me mudei para o próximo


assento disponível, que estava do outro lado da mesa.

O vice-presidente de produção iniciou a reunião,


apresentando uma visão geral completa dos objetivos de negócios
e do público-alvo da empresa. Tomei notas enquanto ele falava e,
na maior parte, tentei prestar atenção. Mas de vez em quando, eu
olhava para Annalice. Por duas vezes Tobias estava sussurrando
para ela enquanto ela tomava notas. A mesa de conferência tinha
provavelmente cerca de um metro e meio de largura. Isso me fez
querer descobrir se eu poderia alcançá-lo com o pé debaixo dela.

Depois que a apresentação formal terminou, cada um dos


funcionários da Star acrescentou algo. Quando a pauta foi para
Tobias, ele deveria ter ficado quieto porque ele não tinha nada de
substancial para adicionar. Aparentemente, o cara gostava do som
de sua própria voz dizendo palavras sem sentido. E ter uma
desculpa para tocar em Annalice.

—Então eu sou o cara novo aqui na Star, obviamente. E a


equipe fez um excelente trabalho hoje em apresentar não apenas
quem somos, mas a marca que nos antecipamos para nos
tornarmos no futuro. Uma coisa que posso acrescentar é que a
sinergia é importante. Nosso logotipo, nossa mensagem de
marketing, nossa equipe, nossos alinhamentos estratégicos - eles
são apenas os ingredientes para fazer um grande lote de cookies.
Deixar de fora a pitada de sal ou as gotas de chocolate e o que
você ganha? Provavelmente ainda é um cookie - mas não será tão
delicioso quanto poderia ter sido. Coesão é o nome do jogo, e a
campanha que conquistar nossos corações será aquela que
combina bem com tudo o mais para fazer o melhor biscoito.

Womp womp womp. Biscoitos. Womp womp womp. Mais


cookies. Isso é o que eu ouvi.

Ele falou sem parar, sem dizer nada, até que finalmente
concluiu com um aceno de cabeça para Annalice.

—Eu já trabalhei com a Wren antes, e estou confiante de que


eles têm a capacidade de pensar grande e pensar fora da caixa
para chegar a algo grande. — Ele tocou o braço dela. —Só
precisamos dar a Annalice e sua equipe a lista certa de assados, e
ela voltará com o lote mais saboroso de biscoitos com gotas de
chocolate que já comemos.

Annalice e sua equipe. Ótimo. Que idiota.

Após o término da reunião, Tobias se ofereceu para nos fazer


um tour pelos lotes de produção. Ele ofereceu a mão para
Annalice entrar no banco da frente do carrinho de golfe antes de
caminhar até o lado do motorista. Eu estava relegado para o banco
de trás e tive que me esforçar para ouvi-lo falar enquanto
caminhávamos.

Depois de quatro horas de reuniões e de ser mostrado pelo


presidente do fã-clube de Annalice, nós três voltamos ao seu
escritório para conversar. Até então, seus toques familiares
aumentaram com frequência, e senti meu rosto queimando.

—Então, o que mais posso fazer para ajudá-la a acertar isso


no parque? — Tobias olhou apenas para Annalice quando ele
falou, embora nós três estivéssemos sentados em uma pequena
mesa redonda.

—Eu adoraria que esboçássemos alguns designs de logo


ásperos e os executássemos informalmente antes de irmos longe
demais no nosso caminho completo de marca para o grupo, —
disse ela.

Tobias assentiu.

—Feito. Envie tudo o que você quiser que eu dê uma olhada.


Melhor ainda, volte para cá e eu organizarei um almoço com
alguns dos principais jogadores e verei se eles poderiam te dar
uma opnião inicial.

—Uau. Isso seria bom.

Eu senti a necessidade de contribuir com algo. Ou talvez


lembrá-lo de que eu estava na sala.

—Obrigado, Tobias. Isso seria bom.

Ele me reconheceu com um sorriso educado e voltou sua


atenção para a mulher ao lado dele. Mais uma vez, ele tocou o
braço dela. —Qualquer coisa para Anna.

Annalice me pegou olhando onde a mão dele descansava e


rapidamente moveu o braço dela.

Puta merda. Isso é uma cara de culpa. Ela transou com ele?
Aqui eu estava pensando que o cara era apenas um idiota comum
que tira proveito de sua posição. Mas havia algo mais acontecendo
aqui.
Os dois passaram um tempo falando sobre a porcaria que
fizeram juntos em seu último estúdio. Claro, eu não pude
contribuir para essa conversa também, o que pode ter sido o
ponto. Por sorte, o assistente de Tobias eventualmente bateu para
interromper e lembrar que ele tinha uma teleconferência em
breve.

—Veja se você pode remarcar, por favor, Susan?

Eu queria dar o fora deste escritório. Eu fiquei de pé.

—Tudo bem. Você foi tão generoso com seu tempo. Nós não
queremos ultrapassar nossas boas-vindas. Certo, Annalice?

Suas sobrancelhas se abaixaram.

—Umm… claro. Você vai estar no jantar hoje à noite?

—Eu não estava planejando, mas vou ver se posso mudar


algumas coisas para conseguir.

Eu forcei um sorriso falso. Foda-se. —Ótimo.

Depois que o menino Toby conseguiu outro abraço, Annalice


e eu caminhamos para o estacionamento em silêncio. Parecia que
um nó gigante tinha criado raízes na parte de trás do meu
pescoço. Abri a porta do carro e nossos olhos se encontraram por
um breve segundo. Meu rosto permaneceu severo.

Se eu falasse agora, eu definitivamente explodiria. Tínhamos


algumas horas até nosso jantar hoje à noite, então eu precisava ir
ao ginásio por uma hora ou mais para ajudar a gastar um pouco
desse vapor - talvez duas horas.
Depois que ela entrou, eu fechei a porta do carro com um
sucesso moderado em não bater com força suficiente para sair das
dobradiças.

No minuto em que sentei, eu liguei o carro e comecei a me


mover pela rua sem programar nenhuma direção.

—Você sabe como chegar ao hotel? — Perguntou Annalice.

—Não. Por que você não descobre isso e me direciona,


considerando que você é a chefe?

Annalice franziu o cenho.

—O que você quer que eu faça? Corrigir o cliente no meio de


sua apresentação? Você sabe que isso seria pouco profissional.

—Não é tão pouco profissional quanto incentivar o cliente a


lhe dar uma palmada.

—Você está brincando comigo?

Annalice não era muito de jogar, então eu sabia antes de dar


uma olhada em seu rosto vermelho que ela estava chateada. Isso
estava bem. Essa porra fez dois de nós.

—Ele é amigável porque trabalhamos juntos antes. Ele


também está felizmente casado, não que eu precise explicar
alguma coisa para você.

—Você não pode ser tão ingênua assim, não é? Pensar que
uma coisinha como ser casado faz diferença para alguns homens?
—Fiz uma pausa, embora devesse ter acabado de terminar meu
discurso lá. —Oh espere. Você pode ser tão ingênua. Você é a
mesma mulher que achava que encontrar um ex em um hotel não
era para uma foda.

Se eu pensasse que o rosto dela estava quente de raiva antes,


eu estava errado. A sombra vermelha se aprofundou em um quase
roxo. Ela parecia quase como se estivesse segurando a respiração.
Por meio segundo, considerei sair do carro para minha própria
segurança.

—Pare o carro, — ela exigiu. —Pare o maldito carro!

Eu parei abruptamente.

Annalice desafivelou o cinto de segurança e abriu a porta do


carro. Nós ainda estávamos no estacionamento, e pelo menos não
havia outros carros ou pessoas ao redor para assistir quando ela
saiu, começou a andar enquanto balançava as mãos no ar, e
gritava sobre o quão idiota eu era.

Talvez eu fosse um idiota. Na verdade, eu sabia que estava


sendo. Mas não fez o que aconteceu entre os dois a tarde toda
menos aceitável. Então eu a deixei lá fora para se acalmar
enquanto eu fazia meu próprio resmungo dentro. Após cerca de
quinze minutos, ela voltou para o carro, entrou e afivelou o cinto
de segurança.

—Dirija até o hotel. Temos que fingir que somos amigáveis na


frente do cliente no jantar hoje à noite. Mas não há motivo para
ser legal agora.

Eu liguei o carro.

—Por mim tudo bem.


***

Uma hora não ajudou. Duas não fizeram nada além de fazer
meus braços e panturrilhas doerem.

Nem mesmo uma soneca de meia hora e um banho de


chuveiro com água quente e uma configuração de massageador
me ajudaram a relaxar. Todos os músculos do meu corpo ainda
estavam tensos.

Por mais fodido que fosse, eu não estava com medo do jantar.
Na verdade, eu estava ansioso por isso. Eu mal podia esperar para
ver como Annalice agia depois que eu a chamei sobre o que estava
acontecendo com aquele idiota.

Às quinze para as oito, desci ao bar onde estávamos nos


encontrando com a equipe da Star Studios em quinze minutos. Eu
estava feliz que nossos planos para o jantar estavam no
restaurante do nosso hotel, então eu não precisei dirigir e tomar
uma ou duas bebidas. Deus sabe que eu precisava disso.

O vice-presidente de produção e o roteirista-chefe já estavam


sentados no bar. Eles estenderam uma recepção amigável.

—O que você está bebendo, Bennett?

Eu olhei para os copos deles, ambos cheios de líquido âmbar.

—Eu vou tomar um scotch.


O VP deu um tapinha nas minhas costas. —Boa escolha. —
Ele se virou e ordenou outro ano e marca que os dois estavam
bebendo e girou de volta para mim.

—Nós fizemos toda a conversa hoje. Diga-me um pouco sobre


você.

—Tudo bem. Estive com Foster Burnett em dez anos, comecei


como artista gráfico e trabalhei meu caminho até o diretor de
criação. Passo muito tempo no escritório, jogo um pouco de golfe
nos fins de semana, e minha assistente me odeia porque uma vez
eu comi seu sanduíche de manteiga de amendoim e geleia da
geladeira quando estava no fim do prazo e trabalhando à meia-
noite.

A última parte me deu uma risada. Era engraçado dizer, e eu


assumi que eles achavam que eu estava exagerando. Não era
engraçado que ela realmente me odiasse.

—Artista gráfico, né? Você ainda desenha?

—Fazer rabiscos enquanto estou no telefone com minha mãe


conta?

O riso dos homens foi interrompido pela voz de uma mulher.

—Bennett aqui está apenas sendo modesto. Ele é um bom


artista. Você deveria ver alguns de seus trabalhos - especialmente
os desenhos animados que ele cria. Ele tem uma imaginação muito
viva.

Eu me virei para encontrar Annalice - usando um vestido azul


que combinava com seu corpo e fazia seus peitos parecerem
fantásticos, mas de alguma forma ainda era um traje de negócios
apropriado. Ela estava linda. Isso quase me fez esquecer a
pequena guerra que nós estávamos tendo, e que ela tinha acabado
de tentar uma escavação para mim por meus desenhos animados
sexy.

Eu tomei minha bebida.

—Falando de modesto... quando é a vez de Annalice contar


um pouco sobre si mesma, não deixe que ela esqueça de
mencionar o hobby de seu carro. Ela pode desmontar um carro
como ninguém. Inferno, em seu segundo dia no novo escritório,
ela cuidou de um problema de limpador de para-brisa que eu nem
percebi que tinha até o dia anterior.

Annalice manteve o sorriso largo em seu rosto, mas eu peguei


os pequenos punhais que ela atirou do pequeno olhar de seus
olhos. Eu irradiei meus brancos perolados de volta, só que minha
diversão não era falsa. Eu gostava de foder com ela. Eu poderia ter
passado a noite toda assim, trocando farpas como elogios. Ele fez
mais em dois minutos para aliviar a tensão que eu senti do que
horas na academia e um chuveiro tinha feito.

Depois de mais algumas trocas, onde ela disfarçou uma


batida sobre minha vida amorosa como sendo dedicada ao meu
trabalho, e eu bati nela com uma batida sobre ela ser ingênua
disfarçada como ela ter a mente aberta, meu pescoço aiviou pela
primeira vez no dia todo.

Embora a dor tenha voltado menos de cinco minutos depois,


quando seu amigo apareceu.
—Você conseguiu, — eu disse.

Eu observei seus olhos passarem rapidamente por Annalice


antes de responder.

—Era importante demais para não acontecer.

Sim. Certo.

Em poucos minutos, o resto do nosso grupo se juntou a nós,


incluindo o membro do conselho que foi amigável com o vice-
presidente da Star e que aceitou o convite para vir hoje e fazer o
seu negócio. Nós mudamos nossas discussões para uma mesa
durante o jantar, e eu não fiquei surpreso ao ver que de alguma
forma Annalice e Tobias conseguiram se sentar ao lado do outro
novamente.

Embora eu tivesse a sorte de estar sentado ao lado do


membro do conselho, que logo decidiria onde diabos eu morava,
eu não conseguia me concentrar o suficiente para aproveitar a
oportunidade de falar sobre ele. Em vez disso, encontrei-me
examinando cada gesto entre o casal de aparência feliz sentado à
minha frente.

O jeito que ela jogou a cabeça para trás para rir quando ele
disse algo que deveria ser engraçado.

A maneira como sua boca se movia quando ela falava e sua


língua limpava os restos de vinho do topo do copo toda vez que
ela tomava um gole.

O jeito feminino que ela limpou os cantos da boca com o


guardanapo de pano.
A maneira como o imbecil continuava tocando seu braço e
batendo nos ombros com ela.

No momento em que chegamos à sobremesa, eu comecei a ter


problemas para inventar algo para dizer e fiquei quieto. A
diversão que eu senti no começo da noite tinha acabado, e estava
ansioso para a noite acabar.

Quando finalmente chegou, todos nos reunimos no saguão do


hotel dizendo adeus. Annalice acenou uma última vez enquanto
toda a equipe da Star saía do hotel, e então éramos apenas nós
dois. O sorriso que ela estava ostentando imediatamente se
transformou em um rosto irritado.

—Você é a pessoa mais anti profissional que eu já conheci!

—Eu? O que diabos eu fiz?

—Você passou a noite toda me dando o olhar do mal e


olhando para Tobias.

—Besteira! Eu não fiz isso.

Ela parou por um momento e estudou meu rosto.

—Você está falando sério, não está? Você nem percebe o que
estava fazendo.

—Eu não estava fazendo isso.

Essa mulher era louca. Talvez eu estivesse quieto, menos


social do que eu normalmente seria, mas ela também estava
sentada do outro lado da mesa.
—Você estava sentado na minha linha de visão. Onde diabos
você esperava que eu olhasse?

—Você estava fazendo beicinho e emburrado como... como...


você agiu como um maldito namorado ciumento.

—Você está louca.

—Você é impossível de trabalhar. — Ela saiu antes que eu


pudesse dizer mais alguma coisa, indo para o elevador.

Eu fiquei lá por um momento, tentando descobrir onde


diabos ela tinha me feito agir como um namorado ciumento.
Minha adrenalina aumentou, e eu sabia que não havia maneira
alguma em que eu fosse capaz de dormir. Então eu decidi voltar
para o bar do lobby e ter uma pequena assistência de sono
líquido.

***

Você agiu como um maldito namorado ciumento. Suas


palavras continuaram girando em minha mente, junto com
grandes quantidades de scotch de dez anos de idade.

Depois de dois drinques, eu estava definitivamente mais


calmo. Mas eu não consegui afastar tudo o que aconteceu hoje à
noite. As coisas tinham começado bem o suficiente - o vestido
azul, seus seios grandes. Eu fui bem composto quando ela chegou,
mesmo depois da nossa explosão no carro esta tarde.
Observando-a falar, observando-a rir, vendo o homem sentado ao
lado dela se esticar e descansar o braço ao redor das costas da
cadeira durante os aperitivos. Eu não conseguia ver a mão dele,
mas imaginei-o arrastando um dedo pelas costas dela, achando
que ninguém saberia.

Exceto eu. Eu sabia.

Eu sacudi o gelo ao redor do meu copo e depois engoli o resto


da minha bebida.

Aquele dedo do caralho.

Eu queria quebrar isso.

Como se atreve aquele bastardo a tocá-la?

A coisa que cruzou a minha mente qause bêbada pareceu


surgir do nada.

Mantenha suas mãos longe da minha garota.

Que porra é essa?

Volte novamente?

Eu ri para mim mesmo, tentando me livrar do pensamento


ridículo. É o álcool falando.

Teve que ser.

Certo?

Ou…

Porraaaa.
Minha cabeça caiu contra o topo do banco do bar, e eu olhei
para o teto por um minuto, perdido em pensamentos. Tudo
começou a se encaixar em velocidade rápida.

Eu fechei meus olhos.

Merda.

Eu estava agindo como um namorado ciumento esta noite.

Mas por que?

A resposta deveria ser óbvia, mesmo para alguém tão tenso


quanto eu. Mas levou mais duas bebidas e até o bar começar a
fechar para ponderar mais alguns.

Depois que eu descobri, decidi fazer algo estúpido...


Capítulo 18

Thump thump.

Eu rolei e cobri minha cabeça com o cobertor.

Alguns minutos depois, houve o som novamente.

Thump thump.

Eu afastei o cobertor e suspirei. Que horas eram? E quem


diabos estava batendo? Não soou como alguém batendo.

Pegando no meu celular na mesa de cabeceira, eu peguei e


apertei o botão. A luz brilhante iluminava o quarto de hotel escuro
e agredia meus olhos sonolentos. Eu dei uma olhada na hora. 2:11

Suspirei. Deve ser gente vindo pelo corredor depois que o bar
fechou. Eu tentei rolar e voltar a dormir, mas agora minha bexiga
tinha acordado também. No caminho para o banheiro, espiei pelo
olho mágico e olhei o corredor o máximo que pude. Parecia estar
vazio agora.

Mas no momento em que voltei para a cama, tudo começou


de novo.

Thump thump.
Que diabos? Tirei as cobertas e saí da cama para verificar o
olho mágico novamente. Nada. Mas desta vez, enquanto eu estava
em pé, com os dedos dos pés esbugalhados olhando para dentro, o
barulho veio novamente - e a porta vibrou. Eu pulei para trás.

—Olá?

Uma voz baixa disse algo do outro lado da porta, mas eu não
consegui entender as palavras. Eu verifiquei o olho mágico
novamente, apenas olhando para baixo através do espectador
desta vez. Cabelo. Alguém estava sentado na frente da porta. Meu
coração começou a acelerar.

—Quem está aí?

Mais resmungos.

Eu caí ao nível deles e coloquei meu ouvido na porta.

—Quem está aí?

Eu ouvi o som distinto de riso.

O que era isso?

Eu subi para o olho mágico e olhei para baixo, tanto quanto


pude mais uma vez. O cabelo também parecia o dele. Mas eu não
podia ter certeza. Então eu verifiquei novamente a trava da
corrente de segurança antes de abrir a porta devagar.

—Bennett? É você?

—Que porra é essa? — Sua voz resmungou mais clara através


do espaço aberto. Olhando para baixo, encontrei-o caído contra a
porta. Ele a estava usando para se manter em pé e caiu quando ela
abriu.

Empurrei a porta para frente para destravar a corrente de


segurança, depois abri a porta.

Bennett seguiu em frente, seu peso empurrando a porta até


que ele estava esparramado, deitado no chão - a metade superior
dele no meu quarto, as pernas do lado de fora no corredor. Ele
ficou histérico rindo.

—Que diabos você está fazendo?, — Perguntei. Então me dei


conta de que ele poderia estar doente e precisando de atenção
médica.

—Merda. — Eu me inclinei em pânico. —Você está bem?


Alguma coisa está doendo?

O cheiro de álcool respondeu na ausência de palavras reais.

Eu acenei uma mão na frente do meu nariz. —Você está


bêbado.

Ele mostrou o sorriso torto mais sexy dele.

—E você é linda pra caralho.

Não era exatamente o que eu esperava.

Eu pisei em torno de seu corpo no meu tapete e olhei para


cima e para baixo no corredor. Ninguém mais estava lá fora.

Bennett apontou para mim com todo seu rosto se juntando


para um sorriso sujo.
—Eu posso por baixo de seu vestido.

Eu tinha uma longa camiseta que mal chegava às minhas


coxas. E ele estava olhando para minha calcinha. Eu puxei o
material apertado na bainha e pressionei minhas pernas fechadas.

—O que está acontecendo? Você achou que este era seu


quarto ou algo assim? Você está duas portas abaixo, o quarto ao
lado do elevador, lembra?

Ele estendeu a mão e seus dedos deslizaram pela minha coxa.

—Vamos. Deixe-me ver de novo. Elas eram pretas e rendadas.


Meu tipo favorito.

Calor espalhou minhas pernas pela sensação dos dedos dele


na minha pele. Mas meu coração era esperto o suficiente para
lembrar o que ele havia feito antes. Eu empurrei a mão dele. O que
ele achou divertido.

—Você não gosta de mim, não é?

—No momento, não.

—Tudo bem. Eu gosto de você.

—Bennett, você quer alguma coisa, ou precisa de ajuda para


voltar ao seu quarto?

—Eu vim pedir desculpas.

Isso derreteu meu gelo um pouco. Mas ele estava bêbado,


então eu não podia ter certeza de que ele sabia o que diabos ele
estava arrependido.
—Pedir desculpas por quê?, — Perguntei.

—Por ser um idiota. Por agir como um namorado ciumento.

Suspirei.

—Qual foi o seu problema esta noite?

Um sorriso bobo se espalhou pelo rosto dele. —Toby boy não


deveria estar tocando em você. Eu estava com raiva. Eu não
deveria ter jogado isso em você.

Mais da minha guarda desceu.

—Está tudo bem. Eu acho que em algum nível eu posso


apreciar seu cavalheirismo, querendo me defender.

Ele achou esse comentário divertido também.

—Cavalheirismo. Isso é algo que eu nunca fui acusado.

Bennett estendeu a mão e colocou a mão no meu pé descalço.


Ele traçou um infinito com o dedo. Deus, seu toque era bom,
mesmo ali.

Ele olhou para baixo, observando a mão dele desenhar,


enquanto continuava a falar. —Sinto muito, Texas.

Por alguma razão estúpida, o uso do meu apelido me


amoleceu.

—Tudo bem, Bennett. Não se preocupe com isso. Apenas não


deixe acontecer de novo. OK?
Ele parou de desenhar e cobriu a parte superior do meu pé
com a palma da mão. Seu polegar subiu e acariciou meu tornozelo.
Eu senti isso entre as minhas pernas.

—Vai, no entanto, — ele sussurrou. —Isso vai acontecer


novamente.

Meu cérebro se distraiu com a maneira como seu toque


simples irradiava por todo o meu corpo, então eu não entendi o
que ele estava dizendo.

—O que vai acontecer?

—Vou agir assim de novo. Eu não posso evitar. Você sabe


porquê?

Eu não tinha certeza se me importava, contanto que o polegar


continuasse acariciando meu tornozelo.

—Hmmm?

—Porque eu estava com ciúmes.

Meu queixo caiu. Eu tinha que estar interpretando mal o que


ele estava dizendo. —Você estava com ciúmes sobre o quê?

Ele olhou para cima do chão e nossos olhos se encontraram.

—Sobre ele tocar em você.

—Mas por que?

—Porque eu quero ser o único a tocar você.


De repente, fiquei ciente de que estava de pé apenas com uma
camisola.

—Eu preciso colocar algumas calças. — A porta do meu


quarto ainda estava aberta, com metade de seu corpo no corredor.

—Você pode puxar suas pernas para que eu possa fechar a


porta e pegar algo para vestir?

Ele conseguiu dobrar os joelhos e levantá-los o suficiente


para que a porta se fechasse, mas ele não se levantou do chão. Ele
também não soltou meu pé. O som da fechadura clicando fechada
soou extra alto, seguido de silêncio. Fiquei dolorosamente ciente
de que estava seminua, que Bennett estava tocando minha perna e
que estávamos muito sozinhos no meu quarto de hotel.

Puxei meu pé da mão dele e corri para a minha mala para


encontrar a calça que eu deveria ter colocado antes de abrir a
porta em primeiro lugar. A encontrando, corri para o banheiro.

Jesus. Eu me assustei, pegando meu reflexo no espelho.


Cabeça bagunçada do travesseiro, maquiagem borrada, olhos
cansados e com olheiras - eu parecia uma pessoa sem lar. Rímel
escorreu por uma das minhas bochechas e - eu me inclinei para
frente para olhar mais de perto - aquela baba secou ao lado do
meu rosto?

Passei Deus sabe quanto tempo me consertando. Amarrei


meu cabelo em um rabo de cavalo, lavei meu rosto, escovei os
dentes, coloquei desodorante e coloquei a calça de moletom.
Então eu tive uma longa conversa... comigo mesma.
—Você está bem. Ele está bêbado. Ele não tem ideia do que
está dizendo. — Respirei fundo. —Nada vai acontecer lá fora. Você
só vai ajudá-lo e levá-lo até seu quarto.

Mas… se ele começar a esfregar meu pé novamente.

—Não. Definitivamente não. Isso é estupido. Apenas vá lá


agora. Há quanto tempo você está se escondendo aqui?

A melhor pergunta é: quanto tempo passou desde que você


estava com um homem?

—Pare com isso. Você está sendo ridícula. Este é seu inimigo,
um homem que você nem gosta metade do tempo.

Esta noite não tem que ser metade do tempo...

Eu apontei um dedo severo para o espelho. —Não mais. —


Então dei uma última olhada em mim e endireitei minha postura
antes de colocar a mão na maçaneta. Não vai acontecer nada.

Literalmente.

Porque eu abri a porta do banheiro para encontrar...

Bennett roncando no meu chão.

***

Eu não consegui voltar a dormir.

E como eu tinha um ovo no início da manhã, eu só tinha


algumas horas para matar até ter que ir para o aeroporto. No
entanto, algumas horas não pareciam tempo suficiente para
reproduzir tudo o que Bennett havia feito e dito na noite anterior.
Eu tentei acordá-lo depois que eu saí do banheiro, mas não
adiantou. Ele caiu em um profundo sono bêbado. Então eu o cobri
com um cobertor extra do armário, coloquei um travesseiro sob
sua cabeça e o deixei dormindo bem ali no meu quarto.

Mesmo quando eu estava pronta esta manhã - fechando


minha mala, o som do chuveiro, deixando o desodorante cair no
chão do banheiro - nada fez Bennett acordar. Tive a sensação de
que ele provavelmente poderia ficar assim até esta tarde, e ele
provavelmente precisava, mas então ele perderia voo. Felizmente,
o seu não era até três horas após o meu, então ele não precisava
se levantar por um tempo.

Telefonei para a recepção e pedi a eles que me dessem um


telefonema às nove, mas eu não tinha certeza se o som do telefone
tocando do outro lado da sala o acordaria. Então decidi ligar o
alarme no celular dele também. Só que eu tive que tirar do seu
bolso primeiro.

Agachando-me, examinei seu rosto, certificando-se de que ele


ainda estava em um sono profundo. Bennett realmente era um
maldito homem considerável sua pele tinha uma cor natural,
beijada pelo sol, mesmo em sua embriaguez, e eu sabia que, se
seus olhos estavam para abrir, eles seriam surpreendentemente
verde contra sua pele. E que homem tinha os lábios tão cheios e
rosados? Claro, ao contrário de mim, ele dormiu graciosamente.
Seus lábios estavam ligeiramente abertos, mostrando uma
sugestão de seus perfeitos dentes brancos, enquanto o meu
estaria vazando baba em uma poça no chão. Quase não era justo o
quão bonito ele era.
Mas eu tinha um voo para pegar, e ele também. Então não
podia perder mais tempo admirando-o. Eu precisava tentar tirar o
celular do bolso para acionar um alarme.

Exceto que…

Quando fui enfiar a mão no bolso da calça, meus olhos se


prenderam a uma protuberância significativa um pouco à
esquerda. Oh meu Deus. Bennett fica de pau duro em seu sono.

Uau. Isso é... um bom tamanho.

Eu poderia ter olhado por um minuto ou dois.

Eu poderia ter levado mais um minuto para fechar os olhos e


imaginar como seria se estivesse em minhas mãos se eu abrisse o
zíper da calça dele e desliza-se dentro dela.

Eu poderia imaginar se ele saberia se eu abrisse o zíper.

Ou se ele acordasse enquanto minhas mãos estavam


enroladas em torno daquela protuberância, o que ele faria.

Este homem está realmente me fazendo perder a cabeça.

Eu balancei a cabeça e me tirei da minha insanidade. Eu


precisava pegar a estrada e definir esse maldito alarme de
telefone.

Minha mão tremia quando enfiei a mão no bolso. Com cada


movimento que eu fiz, eu continuei verificando o rosto dele para
ter certeza que ele não estava acordando. Sempre tão devagar, eu
abri o celular dele.
Quando saiu, eu exalei, percebendo que estava prendendo a
respiração. Minhas mãos ainda estavam trêmulas quando liguei
seu telefone. Eu não pensei sobre a possibilidade de uma senha - a
maioria das pessoas tinha uma. Mas quando eu pressionei o botão,
nenhum teclado apareceu. Em vez disso, inicializou diretamente
em sua tela inicial e uma imagem inesperada de um menino
adorável. Ele provavelmente não tinha mais de dez ou onze anos,
com cabelo castanho-claro desgrenhado e o maior sorriso
dentuço. Ele usava shorts e botas de chuva de plástico amarelo, e
ele estava em uma pedra no meio de um riacho, segurando um
peixe gigante.

Olhei para a foto e depois para o homem adormecido ao meu


lado. Poderia Bennett ter um filho? Ele nunca mencionou um, e ele
disse que seu relacionamento mais longo era de menos de seis
meses - não que você precisasse estar em um relacionamento. Mas
parecia algo que teria surgido em nossas conversas agora. Eu
olhei entre Bennett e a foto mais algumas vezes. Não houve
qualquer semelhança que eu vi.

Eu poderia ter adivinhado que ele teria algumas fotos sujas


de mulheres em seu telefone, mas não um menino doce como esse.
O homem era verdadeiramente um enigma completo.

Por sorte, enquanto olhava para o garoto, vi a hora no


telefone de Bennett.

Porcaria.

Eu precisava sair daqui. Eu rapidamente defini um alarme


por duas horas a partir de agora e entrei em suas configurações
para aumentar o volume e garantir que seu telefone vibrasse ao
mesmo tempo. Então eu coloquei no chão, ao lado de sua orelha.
Se isso não o acordasse, nada acordaria.

Levantei-me e peguei minha bagagem, dando à sala um


último olhar para qualquer coisa que eu possa ter esquecido.
Então eu caminhei ao redor do homem adormecido e gentilmente
abri a porta do quarto do hotel. Ele ainda não se mexeu.

Eu roubei uma olhada final na protuberância em suas calças.

Bem, Bennett Fox, isso foi interessante, para dizer o mínimo.


Eu mal posso esperar para ver o quanto você se lembrá-ra no
escritório amanhã.
Capítulo 19

Às oito da manhã, eu já estava no escritório há horas.

Em meu voo para casa ontem, eu havia digitado um resumo


das informações que tirei das reuniões da Star e enviei um e-mail
para três membros da equipe - dois da Wren e um de Foster
Burnett - pedindo-lhes que lessem minhas anotações e se
reunissem para uma sessão de debate primeira coisa esta manhã.

Quando cheguei ao escritório às cinco da manhã, a porta de


Bennett estava fechada, embora a luz estivesse acesa. Depois de
recuperar os e-mails durante uma hora, fui tomar café e notei que
a porta estava aberta e que a luz estava apagada. Eu percebi que
ele tinha feito o que costumava fazer - chegou ao escritório cedo,
fez algum trabalho e depois foi para sua corrida matinal depois de
algumas horas. Nós não tivemos nenhum contato desde que eu o
deixei desmaiado no meu quarto de hotel ontem de manhã, e
mesmo que a minha curiosidade sobre como ele lidaria com o que
tinha acontecido estivesse me consumindo, eu não tinha tempo a
perder hoje.

Assim que minha reunião começou, Bennett passou pelo


escritório. Ele deu um passo para trás, nos vendo lá dentro. Seu
cabelo estava molhado e ele segurava um grande café Starbucks
na mão.
—O que está acontecendo aqui?

—Estamos apenas começando sobre a Star Studios, — eu


disse.

Seus olhos investigaram as pessoas na sala, e eu pensei que


ele poderia estar prestes a questionar por que eu escolhi pessoas
para trabalhar na campanha comigo sem discutir com ele em
primeiro lugar. Mas em vez disso, quando nossos olhos se
encontraram, ele apenas ofereceu um breve aceno de cabeça antes
de se afastar.

Eu e minha equipe escolhida a dedo trabalhamos o resto da


manhã juntos. Eu tinha uma dúzia de conceitos soltos para a Star
em mente antes de começarmos, e nós reduzimos a lista a duas
ideias e as expandimos, além de acrescentar mais duas que a
sessão trouxe. Nosso plano era passar um pouco de tempo por
conta própria, cada um correndo com todos os quatro conceitos, e
ver o que acontecia quando nos encontrávamos de novo em
poucos dias.

No caminho de volta ao meu escritório, parei no de Bennett.


Ele estava com a cabeça baixa, esboçando alguma coisa.

—Você fez o seu voo? — Eu perguntei.

Ele recostou-se na cadeira e jogou o lápis sobre a mesa.

—Eu fiz. Por sorte, eu tinha lembrado de acionar um alarme,


eu acho.

Ummm... Não, você não fez.

Ele continuou.
—Eu realmente não me lembro muito da noite depois que
terminamos o jantar. Eu desmaiei no seu andar depois de levá-la
para o seu quarto ou algo assim?

—Você não se lembra de bater na minha porta?

—Aparentemente não. — Suas sobrancelhas estavam


franzidas. —Por que eu bati?

—Para se desculpar pela maneira como você agiu no jantar.


— E me dizer por que você agiu do jeito que você fez.

—Eu geralmente não tenho mais do que uma ou duas bebidas


fortes. Eu sou mais uma pessoa de cerveja. —Ele sorriu. —Espero
que você não tenha tentado se aproveitar de mim.

Desapontamento me atingiu. Ele não se lembra. Eu sabia que


havia uma boa chance de que a noite toda fosse um apagão para
ele, mas eu não esperava me machucar por ele não se lembrar das
coisas que ele disse.

Mas é claro que era melhor assim.

—Você ficou confuso sobre qual quarto era o seu e desmaiou


quando fui colocar um suéter e o levar ao seu quarto.

Eu senti meu rosto começar a esquentar da minha mentira.


Merda.

—Tenho que correr. Falo com você mais tarde. — Eu


abruptamente me afastei e fui me esconder no meu escritório com
a porta trancada antes que ele pudesse notar.
No final da tarde, passei algum tempo aprimorando a
campanha Bennett Bianchi Winery. A cópia que ele escreveu
precisava de um trabalho para refletir que a vinícola era de
propriedade familiar e não fazia parte de um grande
conglomerado corporativo - algo em que Matteo se orgulhava.
Além disso, mudei algumas cores nos rótulos da nova linha de
rose que mamãe queria que fosse iluminada e substituísse a
proposta de rádio noturno com horários diurnos.

Eu tinha planos de ir à academia a caminho de casa hoje à


noite - para não encontrar Andrew de manhã - então limpei minha
mesa em uma hora razoável e fiz as malas para trabalhar na
campanha da Star Studios depois. Peguei a arte e a cópia revisadas
de Bianchi para deixá-lo no escritório de Bennett enquanto
passava. Só que minhas mãos estavam cheias e, logo antes de
chegar à sua porta, alguns dos papéis do alto da pilha caíram. Eu
me abaixei para pegá-los e ouvi Bennett falando.

—Eu não estou bravo. Este é apenas o meu rosto desde que
Annalice chegou.

Nós tivemos nossa parte de discussões e xingamentos, mas


isso foi entre nós, e parecia mais um jogo de gato e rato - não
verdadeiramente insultuoso, mesmo quando estávamos jogando
insultos um com o outro. Mas ele falando merda sobre mim para
outra pessoa me senti pior do que se ele tivesse dito a mesma
coisa na minha cara, por algum motivo.

—Ela parece boa o suficiente para mim, — disse uma voz de


homem. Eu pensei que poderia ter sido Jim Falcon. —Inteligente
também.
Isso fez eu me sentir um pouco melhor.

—É uma vergonha que você tenha que enfrentar o jeito que


você faz, na competição pelo mesmo trabalho e tudo. Se vocês
tivessem se conhecido em um bar, acho que vocês dois teriam se
dado bem.

—Ela não é meu tipo, — retrucou Bennett.

Ontem eu era linda. Hoje, eu não era o tipo dele. Eu queria


estar aborrecida, mas ao invés disso, tudo que senti foi ferida.

—Sim. Acho que você está certo. Inteligente, legal e linda...


que homem gostaria dessa merda?

Obrigado, Jim!

—Foda-se, Falcon. — A voz de Bennett se tornou concisa.

—Se eu a tivesse conhecido em um bar, teria mantido


distância depois de passar três minutos com ela. Confie em mim.

Eu nunca estive em uma briga, mas de repente eu sabia o que


um soco no estômago parecia. Minhas entranhas sentiram uma
dor oca. O que eu estava pensando? Permitir-me acreditar que
suas palavras bêbadas eram uma confissão de sentimentos de
algum tipo e mais do que bobagens incoerentes? Pior, eu me
permiti começar a pensar que por baixo da Besta arrogante havia
uma espécie de incompreendido Príncipe Encantado.

Às vezes uma fera é apenas uma fera, não importa quantas


camadas você descasque.
O som de passos me tirou da minha festa de pena
momentânea. Eu me virei e comecei a andar na outra direção. Jim
se aproximou da porta, então eu ainda podia ouvi-lo enquanto
colocava distância entre nós.

—Faz algum tempo. Vamos fazer o happy hour na sexta à


noite. Nós vamos achar alguém malvada e estúpida para te tirar
desse estado de espírito.

***

O relacionamento quente e frio que eu tive com Bennett deu


uma volta na tundra no meio da semana. Só que desta vez fui eu
quem instigou.

Jonas tinha atribuído a segunda conta que a diretoria


planejava nos julgar, a Billings Media, e nós dois estávamos no
meio de trabalhar nos rascunhos iniciais de nossas campanhas
Star separadas. Perto do final de nossa reunião semanal,
mencionei a Jonas que tinha um compromisso marcado para a
próxima semana com um dos vice-presidentes da Star. Eu sabia
que isso iria irritar Bennett. Ele olhou para mim, mas não disse
nada, e eu o ignorei e continuei conversando com o chefe.

Quando Tobias originalmente se ofereceu para ver os


projetos iniciais, eu supus que tanto Bennett quanto eu iriamos.
Mas isso foi quando eu era uma idiota que achava que o campo de
jogo deveria ser justo para que a pessoa realmente melhor
pudesse vencer.
Depois da porcaria de Bennett em L.A., e ao ouvir como ele
realmente se sentia em relação a mim, eu não tinha mais nenhuma
dúvida de que a pessoa melhor ia ganhar - eu.

Eu acabei de voltar para o meu escritório e peguei o telefone


para retornar algumas ligações, quando Bennett entrou sem bater.

—A porta estava fechada porque estou ocupada.

Ele deu uma olhada exagerada ao redor do meu escritório.

—Não parece ocupada para mim.

Suspirei.

—Eu preciso fazer algumas ligações. O que você quer,


Bennett?

—Voando para L.A. para um almoço? Deixe-me adivinhar,


você está se encontrando em um hotel?

—Foda-se.

Ele olhou para mim.

—Não, obrigado. Eu te disse, eu não gosto de compartilhar.


Certamente não com o menino Toby.

Eu fiquei de pé.

—Você veio ao meu escritório por qualquer motivo que não


seja para brigar?

—Seu amigo Tobias não está recebendo minhas ligações. É


isso que você está fazendo?
Tobias nem sequer mencionou que Bennett tinha ligado.

—Absolutamente não.

—Eu estava passando enquanto Marina estava fazendo suas


reservas de voo no outro dia. Essa é a única razão pela qual eu
sabia que você decidira ir ver seu amigo. Belo trabalho de equipe,
a propósito. Eu quase me apaixonei por você ser uma besteira de
equipe. Quando o convite foi feito para que pudessem dar uma
espiada no nosso trabalho, presumi que fosse um convite da
empresa... não um convite pessoal da Annalice.

Eu me inclinei e apoiei minhas palmas na minha mesa e


coloquei um sorriso doce.

—Eu também. Acho que nós dois aprendemos muito sobre o


outro desde L.A.
Capítulo 20

Bem, bem, bem. A noite ficou muito mais interessante.

Eu tomei o resto da cerveja que eu estava bebendo por quase


uma hora e gesticulei para o barman.

—Já ouviu falar de uma bebida chamada um perdedor


dolorido?

—Acho que sim. Vodka, mistura agridoce, grenadine, suco de


laranja e açúcar ao redor da borda, certo?

—E uma cereja marasquino ou duas.

O barman fez uma careta.

—Soa mais como uma receita para uma ressaca, se você me


perguntar.

—Sim. É por isso que é perfeito. —Fiz um gesto para a outra


extremidade do bar, onde Annalice acabara de entrar com Marina,
de todas as pessoas. —Ve a loira sexy falando com a ruiva de
aparência louca?

Ele olhou para o bar.

—Certo.
—Você pode preparar uma daquelas bebidas e enviar para
ela? Certifique-se de que ela saiba o nome da bebida e quem a
enviou.

—Se você diz.

—E eu vou tomar outra cerveja quando você tiver uma


chance.

Nosso happy hour da empresa não-oficial teve uma afluência


hoje à noite. Era a primeira vez que a equipe de Wren e Foster
Burnett socializava fora do escritório. Eu acho que pelo menos
trinta pessoas apareceram, metade delas do departamento de
marketing, já que Jim Falcon sempre organizou isso.

Fiquei de olho em Annalice enquanto o barman misturava a


bebida e caminhou até a outra extremidade do bar para entregá-
la. Ela sorriu e olhou para o copo cheio de líquido rosa e depois
seguiu para onde o barman apontava. Vendo-me, seus lábios
imediatamente azedaram a uma carranca. Marina, claro, juntou-se
a ela atirando adagas em minha direção. Pena que eu não tinha
pensado nisso antes; teria sido mais engraçado se eu tivesse um
PB & J entregue para Marina junto com o perdedor dolorido de
Annalice - engraçado para mim, pelo menos.

Do outro lado do bar, Annalice levantou a bebida com um


sorriso gelado e inclinou a cabeça para mim em agradecimento.

Durante a próxima hora e meia, tentei me misturar. Mas


quanto mais eu me pegava olhando de relance para Annalice, mais
ficava aborrecido. Ela, por outro lado, não parecia nem um pouco
distraída ou até mesmo perceber que eu tinha ficado obcecado em
seguir cada movimento dela.

Em um ponto, um cara que não trabalhava em Foster, Burnett


e Wren se aproximou dela e começou a ficar em sua orelha. O
imbecil tinha uma jaqueta de tweed marrom com cotoveleiras de
couro e mocassins gastos - provavelmente um escritor como seu
último namorado babaca ou professor de algum assunto inútil
como filosofia.

Olha, se você está pensando que eu estou com ciúmes, eu não


estou. Tire essa merda da sua cabeça. Inveja é quando você quer
algo que outra pessoa conseguiu - e Annalice não conseguiu e não
vai conseguir nada em cima de mim - ou quando alguém tem algo
que é seu, e todos nós sabemos que nunca, nem nunca vou
reivindicar qualquer mulher como minha.

Eu sou apenas protetor por natureza, isso é tudo. E enquanto


a mulher poderia ter subido nas fileiras da empresa para uma
posição igual à minha, ela claramente não sabia nada sobre os
homens.

Em algum ponto, entre jogar a cabeça para trás e rir e mexer


em seus cabelos, ela se desculpou com a conversa de meia hora
que estava tendo com o Sr. Brown Tweed. Meus olhos a seguiram
pelo corredor que eu sabia que levava aos banheiros. Eu disse a
mim mesmo para ficar parado, não ir lá e foder com ela... mas...

Eu não era um ótimo ouvinte.

Eu levantei minha mão para o barman, pedi outro perdedor


dolorido e, em seguida, caminhei até o banheiro feminino. Eu
parei do lado de fora e esperei até que ela saísse. Ela deu dois
passos pelo corredor e quase caiu direto em mim.

Seus olhos apertaram com força, era uma maravilha que ela
pudesse ver.

—O que você está fazendo, Bennett?

Eu estendi a bebida.

—Pensei que você gostaria de outra bebida.

—Não, obrigada. — Ela desviou ao meu redor, mas eu me


esquivei na frente dela.

—Saia do meu caminho.

—Não.

Seus olhos se arregalaram.

—Não?

Eu sorri abertamente. Em retrospecto, isso provavelmente foi


uma coisa difícil de fazer, mesmo para mim.

—Está certo. Não.

—Veja. Seja qual for o jogo que você está jogando, eu não
quero jogar.

—Nenhum jogo. Eu estou apenas cuidando de você,


certificando-se de que você não bebeu tanto que você está se
apaixonando pelas falas que algum cara aleatório te alimenta.
Claramente, sua capacidade de julgar o caráter de um homem,
mesmo quando você está sóbria, é ruim.

Seu rosto ficou vermelho. Um fogo dançou em seus olhos


azuis, e parecia que a fumaça poderia começar a sair pelo nariz.
Eu a vi chateada. Inferno, isso se tornou um dos meus
passatempos favoritos nas últimas semanas para irritá-la... mas
ela nunca pareceu tão brava. Eu realmente dei um passo para trás.

E você sabe o que ela fez?

Você adivinhou.

Ela deu um para frente.

Eu vou admitir, eu fiquei um pouco assustado então.

Enfiando o dedo no meu peito, ela começou em uma tirada


batida.

—Você— batida

—Pensa— batida

—Que sou— batida

—Uma— batida

—Má— batida

—Juíza— batida

—De— batida

—Caráter? — batida
Ela realmente esperou que eu respondesse. Eu dei de ombros
como um covarde.

—Bem, sabe de uma coisa? Você está absolutamente correto.


Deixei Andrew me amarrar por muito tempo. No entanto, de
alguma forma, quando eu descobri quem ele era, não era metade
do que percebi como eu estava errada a seu respeito. Eu tinha
tanta certeza de que você era apenas um idiota do lado de fora e
uma boa pessoa do lado de dentro. Eu pensei que se eu cavasse
um pouco mais, eu cavaria a sujeira e encontraria o ouro
escondido. Mas eu estava errada. Eu cavei a sujeira e você sabe o
que eu encontrei? Mais sujeira.

Lágrimas brotaram nos olhos dela. Eu fui dizer alguma coisa,


dizer a ela que estava apenas dando voltas e ela me interrompeu
com mais palavras.

—E você não precisa se preocupar comigo acreditando nas


mentiras de um cara bêbado. Eu já cometi esse erro uma vez. Você
sabe, você foi realmente convincente também. Dizendo-me como
você acha que eu sou bonita e que você estava com ciúmes de
outro homem me tocando. Na verdade, você foi tão bom, que eu
estupidamente acreditei que o bêbado que você me alimentou
mesmo depois que você não se lembrou de dizê-los. Isto é, até que
eu escutei você conversando com Jim outro dia e percebi que
idiota completa eu era... de novo. Que vergonha. Mas acredite em
mim, aprendi minha lição.

Antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Annalice


contornou-me e voltou ao bar. Eu abaixei minha cabeça, sentindo
como se um elefante tivesse acabado de se sentar no meu peito.
—Porra.

O que eu fiz?

***

Na manhã seguinte, choveu. Não é o típico tipo de chuva de


de abril, mas do tipo que vem com céus cinzentos e trovão mais
alto do que uma pista de boliche na noite da liga. Junte isso com a
batida que eu estava sentindo na minha cabeça, e a última coisa
que eu queria fazer era ir a um show de caminhão monstro esta
tarde.

Eu não tinha bebido tanto ontem à noite. Inferno, eu tive


minha terceira cerveja ainda na minha mão quando eu finalmente
cresci algumas bolas e fui perseguir Annalice depois que ela
terminou de me chutar. Eu corri contra o tijolo do lado de fora do
prédio quando a encontrei - assim que ela se afastou do bar
dentro de um Uber. Não surpreendentemente, ela não fez o
motorista parar, embora eu gritei atrás dela.

Quando parei na casa de Lucas, não me preocupei em pegar o


guarda-chuva que guardei no meu carro no porta-luvas, então
minhas roupas ficaram encharcadas depois de fazer a curta
caminhada do carro até a porta da frente. Eu bati e esperei por
algum milagre que ele respondesse hoje, em vez de Fanny. A
última coisa que precisava junto com uma dor de cabeça e um dia
chuvoso para um show de caminhão monstro era um encontro
com aquela mulher.

A porta se abriu. Nenhuma sorte.


—Espero que você planeje usar um guarda-chuva quando
estiver andando com Lucas. Eu não posso ficar doente quando ele
pegar um resfriado.

Que choque, ela não deu a mínima para Lucas ficar com o
resfriado, só que ele poderia passar para ela. Eu não estava de
bom humor.

—Vou me certificar de que ele corra entre os pingos de


chuva.

Ela franziu os lábios finos.

—Ele também pode usar alguns tênis novos.

Eu a ignorei. Eu aprendi há muito tempo a não esperar que o


cheque mensal que eu entregava a ela fosse para qualquer coisa
que Lucas realmente precisasse.

—Ele está pronto? Precisamos estar em um lugar.

Ela bateu a porta na minha cara e gritou dentro da casa:

—Lucas!

Eu preferia ficar na chuva do que falar com ela de qualquer


maneira.

O sorriso no rosto de Lucas quando ele abriu a porta me fez


sorrir pela primeira vez desde a noite passada. Cerca de um ano
atrás, ele parou de correr em meus braços. Então eu encontrei um
aperto de mão secreto só para nós. Passamos pela rotina de
sacudir a mão e bater palmas de quinze segundos.
—Você comprou tampões de ouvido?, — Ele perguntou.

Eu parei na loja no caminho. Estendendo a mão no meu bolso,


tirei dois conjuntos.

Lucas franziu a testa.

—Quando vou ter idade suficiente para parar de usar isso?

—Velho o bastante? Eu ainda estou usando, não estou?

—Sim. Mas isso é porque você é um idiota, não porque você é


velho.

Eu sorri. Esse garoto poderia me fazer esquecer um dia ruim.

—É assim?

Ele sorriu e acenou com a cabeça.

—Bem, apenas por esse comentário, eu não vou te dar minha


jaqueta para colocar sobre sua cabeça enquanto fazemos uma
corrida para o carro, como eu ia fazer.

Lucas sacudiu a cabeça novamente e zombou:

—Jaqueta por cima da minha cabeça. Você realmente é um


idiota. —Então ele saiu correndo para o carro.

***

Merda. Eu tinha cerca de meia milha para ir para a arena


quando percebi que tinha esquecido os ingressos. Eles estavam na
gaveta de cima da minha escrivaninha no escritório, junto com os
primeiros passes de entrada que eu comprei, então Lucas e eu
podíamos verificar os caminhões antes do show começar.

Felizmente, o escritório não estava muito longe, e estávamos


um pouco adiantados, pois nunca importava a que horas nossos
planos eram para Fanny - só que eu o enviava exatamente às doze
horas em todos os sábados.

Eu parei em um local ilegal em frente ao prédio e olhei ao


redor. Não havia uma agente à vista e eu demoraria apenas alguns
minutos. Meu passe livre nos bilhetes de estacionamento tinha
expirado quando parei de ligar para a adorável empregada que
tinha saído algumas vezes.

—Só tenho que correr para cima para pegar os ingressos da


gaveta no meu escritório.

—Legal! Nós nunca viemos aqui. Você ainda tem a Sra. Pac-
Man naquela sala grande?

—Nós temos. Mas não temos tempo para um jogo hoje.

Lucas fez beicinho.

—Apenas um. Por favor?

Eu era tão idiota.

—Ok. Um jogo.

Havia algumas pessoas circulando pelo escritório, embora


fosse sábado. Fiquei aliviado ao descobrir que Annalice não era
uma delas - sua porta estava fechada e nenhuma luz vinha de
debaixo da porta. Eu não queria outro confronto com ela na frente
de Lucas. Deus sabe que eu trabalhei duro ao longo dos anos para
impedi-lo de ver o idiota que muitas vezes eu era para os outros
seis dias da semana.

Abri meu escritório e fui para a gaveta da minha


escrivaninha, apenas para descobrir que os ingressos não estavam
onde eu pensava tê-los escondido. Eu me lembro de trazê-los aqui
com um monte de contas que eu precisava pagar... Eu poderia
jurar que eu tinha colocado na gaveta do canto direito. Depois de
alguns minutos pesquisando na minha mesa, ficou claro que eles
não estavam aqui. Merda. Eu esperava que eles estivessem em
algum lugar no meu apartamento, e eu não os havia jogado
inadvertidamente com o meu lixo eletrônico.

Eu olhei a hora no meu celular. Se saíssemos agora,


estaríamos chegando perto. Mas a arena estava na direção oposta
do meu apartamento; não havia como fazer isso se eu dirigisse até
a minha casa primeiro. Pior, eu não tinha ideia de onde eu
coloquei os ingressos, se eles estivessem lá.

Suspirei.

—Eu não sei o que fiz com os ingressos. Vou ter que ligar
para a Ticketmaster e descobrir se eles podem me enviar uma
versão eletrônica ou algo assim.

—Posso ir jogar Ms. Pac-Man enquanto você faz isso?

—Sim claro. Essa é uma boa ideia. Pode demorar um pouco se


eu ficar preso, e eu preciso procurar o número primeiro. Venha,
vou levar você ao escritório.
Enquanto caminhávamos, continuei pensando o que tinha
feito com os ingressos depois de abrir o envelope em meu
escritório. Lembrei-me de olhar para os inícios da entrada com
colhedores com logotipos e pensando que Lucas seria bombeado
para usar um distintivo no pescoço. Mas eu não pude pela minha
vida relembrar o que tinha feito uma vez que tinha colocado tudo
de volta no envelope - que era exatamente o que eu estava focado
quando entrava no escritório.

E descobriu que alguém já estava lá.

Annalice olhou para cima. Ela começou a sorrir, mas então ela
viu meu rosto e seus lábios curvados em uma carranca.
Inesperadamente, a visão dela me pegou desprevenido também, e
foi por isso que parei três passos antes da sala - e fiz com que
Lucas batesse direto em mim.

—Que diabos? — Ele choramingou.

—Foi mal cara. Uhhh... Parece que alguém está trabalhando


aqui, então é melhor que você não brinque e faça barulho.

Lucas andou em volta de mim e olhou para Annalice. Ela


olhou para ele, depois para mim, depois de volta para ele.

Oferecendo um sorriso, ela falou com o meu amiguinho.

—Está tudo bem. Você está convidado a jogar enquanto estou


aqui.

Lucas não me deu a chance de discutir. Ele saiu correndo


para a máquina da Sra. Pac-Man.

—Ótimo!
Annalice riu enquanto o observava.

Quando ela olhou de volta para mim, nossos olhos se


encontraram, mas o que quer que estivesse em sua mente era
ilegível.

—Tem certeza de que não se importa? Eu preciso fazer uma


ligação. Parece que perdi alguns ingressos que precisamos.

—Está tudo bem.

Eu balancei a cabeça, embora ela não tenha notado porque


ela já estava de cabeça para baixo, enterrando o rosto em seu
trabalho.

—Obrigado, — eu disse. —Vais ser apenas alguns minutos.

De volta ao meu escritório, procurei o número de telefone e


liguei para Ticketmaster no viva-voz. Enquanto o milhão de
tentativas de apertar botões, eu procurei na minha mesa
novamente. Ainda sem ingressos. E, claro, não tinha uma
solicitação para quem perdesse seus ingressos, o que me fez ter
que esperar o último aviso para empurrar o temido —Qualquer
outro problema, por favor, pressione sete. — Isso inevitavelmente
levou a mais alguns incômodos para tentar identificar o problema
em particular.

Perdendo a paciência, pressionei zero meia dúzia de vezes


numa tentativa de mudar para uma pessoa de atendimento ao
cliente ao vivo - mas isso não fez nada além de me reiniciar no
começo do carrossel do telemarketing.
Depois de pelo menos vinte minutos, finalmente falei com
alguém que disse que reimprimiria meus passes e, contanto que
eu tivesse o cartão de crédito com o qual paguei e a identificação
com foto, eu poderia pegá-los no guichê de entrada da arena.

Eu desliguei e imediatamente comecei a pensar em como


Annalice provavelmente ficaria chateada com o tempo que deixei
Lucas jogando a Sra. Pac-Man e acho que fiz isso apenas para
distraí-la ou algo assim.

Para minha surpresa, ela não estava nem um pouco chateada.


Na verdade, ela tinha um sorriso no rosto e ria quando entrei no
escritório. Ela e Lucas estavam sentados em frente um do outro
em puffs e estavam gritando coisas aleatórias um para o outro.
Não foi até eu entrar na sala que percebi que Annalice tinha um
telefone preso na testa dela. Ele conseguiu que ela jogasse o jogo
de charadas digitais que eu nunca deixei ele me bater.

—É grande, — disse Lucas.

—O sol! — Annalice gritou.

Lucas riu e sacudiu a cabeça.

—Marmelada.

—Fruta. Uma fruta grande. Cantalupo. Melancia.

Lucas fez uma careta como se ela fosse louca.

—Scooby-Doo.

Annalice parecia totalmente confusa, então Lucas ofereceu


outra sugestão.
Ele apontou para mim.

—Bennett queria ser um quando crescesse.

Levou alguns segundos para perceber a palavra que ele


estava tentando fazer com que ela adivinhasse. Ela nunca iria
conseguir - não com essas pistas.

O telefone tocou, indicando que a hora da vez dela estava


chegando, e ela abaixou o telefone e o virou para ler a palavra que
Lucas estava dando suas dicas.

Seu rosto inteiro se enrugou.

—Um ótimo dinamarquês? O que a marmelada tem a ver com


um cachorro?

Eu ri e respondi por ele.

—Nada. Ele quis dizer Marmaduke.

—A velha tira de desenho animado?

—Sim.

—Mas ele disse que você queria ser um quando crescesse?

Dei de ombros.

—Eu fiz.

Annalice riu.

—Você queria ser um grande dinamarquês?

—Não bata nele. Ele é o rei da família canina.


Deus, quando ela sorriu, fez meu peito doer. Mas quando ela
sorriu e riu com Lucas - mesmo às minhas custas - isso realmente
fez alguma coisa para mim. Eu assisti enquanto a risada dela
diminuía e seu rosto voltava a tristeza, quase como se ela tivesse
esquecido como eu era um idiota por um minuto.

—Eu também a bati na Sr. Pac-Man e pebolim.

—Ela não tem praticado tanto quanto eu. Annalice acabou de


começar neste escritório.

Lucas ficou de pé.

—Você conseguiu ingressos novos?

—Sim. Podemos pegá-los na portaria.

—Você quer vir, Anna?, — Ele disse. —Eu vou te dar meus
tampões de ouvido.

Ela ofereceu um sorriso sincero.

—Obrigada pela oferta, Lucas. Mas tenho muito trabalho a


fazer hoje.

Ele enfiou as mãos nos bolsos.

—OK.

Annalice evitou meu olhar, olhando para o telefone.

—Você está pronto, amigo? — Eu perguntei.

—Sim! — Ele correu para a porta, ao invés de andar.

O garoto tinha um monte de energia.


Esperei que Annalice olhasse para cima, mas ela não olhou.
Eventualmente, eu falei com o topo de sua cabeça.

—Obrigado por ficar com ele.

Eu queria dizer que lamento pela noite passada também. Mas


o momento não era certo. Além disso, eu me desculpei por meia
dúzia de outras vezes em que eu agi como um idiota. Eu não tinha
certeza se ela aceitaria dessa vez... ou que eu até a merecia.
Capítulo 21
1 de Novembro

Cara eu,

Até agora o oitavo ano é uma droga. Eu sou mais alta que
quase todos os garotos. Ninguém me pediu para ir ao baile de
Halloween, então eu fui com Bennett. Ele não queria se vestir, mas
eu o fiz ser Clark Kent. Ele usava óculos nerds e uma camisa social
com uma camisa do Superman por baixo. Eu fui como Mulher
Maravilha. Meus amigos todos acham que Bennett é quente e
estavam com ciúmes. Então isso foi divertido.

No meu aniversário, Bennett e sua mãe me levaram para o


show de caminhões-monstro. O novo namorado da mamãe, Kenny,
vende coisas na banca de concessão, então pegamos cachorros-
quentes e refrigerantes grátis.

O proprietário está tentando nos expulsar de nossa casa


novamente. Mamãe perdeu o emprego na lanchonete e diz que
provavelmente teremos que nos mudar. Espero que não seja longe
demais.

Eu amo minha professora de inglês, Sra. Hoyt. Ela disse que


meus poemas têm muito potencial e que eu deveria entrar em um
concurso. Mas a taxa de inscrição era vinte e cinco dólares e minha
mãe disse que temos melhores usos para o nosso dinheiro. A Sra.
Hoyt me surpreendeu e me colocou de qualquer maneira. Ela disse
que a escola tinha um fundo para ajudar em coisas desse tipo. Mas
tenho a sensação de que foi realmente o dinheiro da Sra. Hoyt que
pagou. Então eu dedico este poema para você, Sra. Hoyt.

Flores murcharão

amor floresce no sol quente

frio vem muito cedo

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Atenciosamente,

Sophie
Capítulo 22

Eu não conseguia parar de pensar em Annalice o dia todo.

Felizmente, Lucas não pareceu notar desde que ele estava


ocupado comendo uma vasilha gigante de pipoca, dois cachorros-
quentes e um refrigerante grande o suficiente para encher uma
pia. Tínhamos assentos na terceira fileira, então o rugido dos
caminhões e nossos tampões também nos impedia de falar muito.
Sem nada para fazer além de sentar no meu lugar, eu não
conseguia parar de ficar obcecado com o rosto de Annalice
quando saí do escritório mais cedo. Ela se moveu com raiva e
agora se acomodou na dor.

Deus, eu sou tão idiota.

Depois que o show acabou, Lucas e eu estávamos andando


para o carro no estacionamento quando meu telefone tocou com
um texto.

Cindy

Agora, isso é um nome que eu não pensava há algum tempo.


Já faz alguns meses desde que tivemos algum contato. Cindy era
uma comissária de bordo que conheci em uma viagem de negócios
no ano passado. Ela morava na costa leste, e nós ficamos juntos
algumas vezes - duas enquanto eu estava em Nova York e uma vez
enquanto ela estava aqui. Aparentemente ela estava na cidade
hoje à noite em uma parada inesperada e queria saber se eu
poderia sair. Sair significava um jantar rápido e depois ficar em
seu quarto de hotel a noite toda.

Provavelmente era exatamente o que eu precisava.

Um bom momento com certeza.

Simples. Sem complicações.

Alívio de algumas frustrações reprimidas.

No entanto, coloquei meu celular no bolso e não enviei o


texto imediatamente.

Eu ligaria para ela depois que eu levasse Lucas para casa.

Mas depois que eu o deixei, eu sabia que precisava resolver


algo antes de fazer planos com Cindy esta noite. Devia desculpas a
Annalice, e isso deveria vir antes do meu bom momento. Então eu
dirigi para o escritório. Eram quase cinco horas, então eu não
tinha ideia se ela ainda estaria lá. Ela provavelmente viria de
madrugada para dar um salto no dia. Era sábado, afinal de contas.
No entanto, tomei o caminho de qualquer maneira.

A área ao redor do escritório era comercial e se tornou uma


cidade fantasma nos fins de semana, ainda mais à noite. Então
quanto mais perto eu chegava, e quanto mais vagas de
estacionamento vazias eu passava, menos eu pensava que ela
ainda estaria no escritório. Até que eu cheguei a nossa rua e vi um
único carro no estacionamento - um que parecia exatamente com
o meu.

***
As luzes estavam apagadas na área de recepção até que o
sistema ativado por movimento as acendesse. Algumas pessoas
tinham trabalhado mais cedo hoje em vários departamentos, mas
quando eu passei pelos corredores agora, todo o andar parecia ter
esvaziado. Todo escritório estava escuro ou a porta estava
fechada.

Exceto por um.

A luz cobria o tapete do corredor de uma porta aberta no


final. Mas foi só quando cheguei a duas portas que ouvi algum
som.

Eu parei no lugar, ouvindo uma voz. Demorei alguns


segundos para perceber que era Annalice. Ela estava... cantando.
Era uma música country vagamente familiar que eu ouvi algumas
vezes - alguma coisa sobre perder seu cachorro e sua melhor
amiga - mas, caramba, sua voz era boa, como um anjo doce, com
uma pequena alma de diabo vibrato sofrendo para sair. Isso me
fez sorrir.

Eu queria ouvir mais, mas estava ainda mais curioso para ver
como ela era enquanto cantava. Então eu andei os poucos passos
até a porta dela.

A cabeça dela estava abaixada, o nariz enterrado em um


arquivo, e os fones de ouvido pendiam de suas orelhas. Ela não me
notou imediatamente. Eu só podia ver o perfil dela, mas isso me
deu uma breve chance de observá-la. E fiquei impressionado com
o quão bonita ela parecia.
Ela usava jeans e uma camisa branca de botões, e seu cabelo
estava preso em um rabo de cavalo. No entanto, ela nunca pareceu
mais linda. A falta de um terno de negócio extravagante e cabelo
perfeitos permitiu que o foco fosse apenas ela. Algumas pessoas
precisavam de toda essa fachada. Mas não Annalice. Sua beleza
vinha da impecabilidade de sua pele de porcelana, das curvas
suaves de seu corpo e dos olhos que eu conhecia, iluminados pelo
fogo. E aquela voz... eu estava completamente paralisado.

Enquanto eu olhava, ela esticou o pescoço um pouco mais


para folhear alguns arquivos, e o movimento deve ter causado
uma sombra em sua visão periférica.

Sua cabeça girou, os olhos se arregalaram e seu canto cortou


no meio da palavra.

—Oh meu Deus! — Ela se levantou e arrancou um fone de


ouvido. —Você assustou a merda fora de mim.

Eu segurei minhas palmas para cima. —Desculpa. Eu não


queria te assustar.

Ela colocou a mão sobre o peito e respirou fundo algumas


vezes.

—Há quanto tempo você está aí parado?

—Não muito.

—Eu acho que eu tinha a música muito alta, então eu não


ouvi você.

Ou eu não disse nada para continuar olhando para você.


—O que você está fazendo aqui?

—Eu parei para falar com você.

Ela fechou a gaveta do arquivo. O choque inicial havia se


dissipado e sua voz ficou vazia.

—Eu não estou conversando. Apenas vá embora, Bennett.

Enfiei minhas mãos nos bolsos e dei um passo para o


escritório dela.

—Você não tem que falar então. Apenas ouça. Eu vou sair do
seu caminho quando terminar.

Ela usava uma máscara de indiferença, mas não disse nada -


aparentemente essa era a minha oportunidade.

Eu limpei minha garganta.

—Eu não errei meu quarto de hotel. Eu acho que você é linda
e eu estava com ciúmes das mãos daquele cara em você.

Seu queixo caiu.

—Eu pensei que você não lembrava de nada que você disse
naquela noite.

Eu sorri timidamente.

—OK. Então isso foi uma mentira. Mas o que eu disse naquela
noite - não foi.

—Eu não entendo.

Eu dei outro passo em direção a ela.


—Era mais fácil dizer que eu não me lembrava de dizer essas
coisas e deixar que você esquecesse o que eu tinha admitido em
divagações bêbadas.

Ela olhou para baixo por um minuto, e quando olhou de volta,


pareceu hesitante em aceitar o que eu estava dizendo.

—Por que você não quer que eu me lembre do que você


disse?

E havia a pergunta de um milhão de dólares. Eu poderia ter


dado a ela uma resposta perfeitamente aceitável que fizesse
sentido e fosse provavelmente a que deveria ter sido verdade -
porque estamos competindo pelo mesmo trabalho, e isso teria
sido inadequado - mas essa resposta teria sido besteira.

Eu lhe devia alguma honestidade, então engoli meu orgulho.

—Porque cada palavra que eu disse naquela noite é a


verdade, e isso assusta a merda fora de mim.

Seus lábios se separaram e seu rosto ficou vermelho. Eu amei


como ela não podia mentir ou ficar envergonhada sem mostrá-lo.
Isso me fez pensar se isso também acontecia quando ela estivesse
ligada. Eu aposto que sim.

—Por que isso te assusta? — Ela perguntou baixinho.

As perguntas continuaram ficando mais difíceis. Eu corri


meus dedos pelo meu cabelo e tentei encontrar as palavras certas.

—Porque eu nunca fui uma pessoa ciumenta. Posso não ter


tido um relacionamento de longo prazo como você, mas eu já
namorei o suficiente. Às vezes via a mesma pessoa todo fim de
semana durante meses. No entanto, nunca perguntei o que ela
fazia durante a semana. Porque eu não me importava. Sempre foi
sobre o dia, o tempo que passamos juntos. O ciúme é sobre o
amanhã.

Ela refletiu sobre isso por um tempo, depois assentiu e fez


uma pergunta que eu não esperava.

—O que você é de Lucas?

—Ele não é meu filho, se é isso que você está perguntando.

—No salão de jogos esta tarde ele mencionou que vive com
sua avó e vocês dois passam todos os outros sábados juntos.

Eu balancei a cabeça.

—Sua mãe morreu e seu pai é um caloteiro que não se


importa se ele existe. Ele é meu afilhado.

Ela se virou e olhou pela janela do escritório. Quando ela se


virou, ela disse: —Mais alguma coisa que você precisa dizer?

Merda. Eu tinha esquecido alguma coisa? Parecia que ela


estava me pedindo mais. Eu rapidamente corri de volta através de
tudo o que eu disse... eu admiti que menti, admiti que a achava
linda e que tinha ficado com ciúmes. O que mais estava lá?

Vendo o olhar perdido no meu rosto, ela me jogou um colete


salva vida.

—Você tem sido um idiota para mim toda a semana.


Especialmente ontem à noite no bar.
Oh. Sim. Isso. Eu sorri.

—Eu mencionei que sentia muito por agir como um idiota?


Porque eu poderia jurar que disse isso.

Ela sorriu de volta. —Você não mencionou isso, não.

Eu dei alguns passos para mais perto.

—Sinto muito por agir como um idiota.

—Mais uma vez, você quer dizer.

Eu balancei a cabeça.

—Sim novamente. Sinto muito por agir como um idiota


novamente.

Ela procurou meu rosto.

—OK. Desculpas aceitas. Novamente.

—Obrigado. — Eu empurrei minha sorte o suficiente com ela


para o dia, então eu percebi que deveria sair.

—Eu vou deixar você voltar ao trabalho.

—Ok, obrigada.

Eu realmente não queria sair, então eu levei meu tempo me


virando. Ela me parou logo antes de eu chegar à sua porta.

—Bennett?

Eu voltei.
—Para o registro, eu acho você atraente também.

Eu sorri abertamente.

—Eu sei.

Ela riu.

—Deus, você é tão idiota. Eu acho que é mais o motivo pelo


qual você nunca teve um namoro do que você não querendo velas
e romance.

—Você quer que eu seja seu namorado, não é?


Provavelmente porque você acha que eu sou muito quente.

—Boa noite, Bennett.

—Noite linda.
Capítulo 23

O garçom terminou de reabastecer nossas taças de vinho.

—Vou verificar seus jantares. Há mais alguma coisa que eu


possa lhe trazer enquanto isso?

Olhei para Madison e depois para o garçom. —Eu acho que


estamos bem. Obrigada.

Ele se afastou e os olhos de Madison o seguiram.

Ela levantou o copo para os lábios.

—Você deveria dormir com ele.

—O garçom? Ele tem vinte anos.

—Não. Eu deveria dormir com o garçom. Você deveria dormir


com a Besta.

Eu acabei de falar sobre a última semana de drama de


escritório - da nossa visita à Star Studios e à atitude subsequente
de Bennett, ao inesperado final de semana, ao seu gesto de
aparecer de surpresa no escritório e aos gracejos da semana. Meu
relacionamento com Bennett mudava com tanta frequência
quanto as pessoas trocavam de roupas íntimas.
Eu assenti com isso.

—Sim, essa é uma ótima ideia. Dormir com o cara que está
tentando roubar meu trabalho.

—Por que não? Você sabe que dizendo isso... Mantenha seus
amigos perto e foda a merda de seus inimigos. —Eu ri.

—Esse não é exatamente o ditado. — Ela encolheu os


ombros. —Vamos ser pragmáticas sobre isso. Você já admitiu que
vocês se atraem um pelo o outro. Não é como se isso fosse acabar.
E você precisa voltar para lá. Ele está se mudando em alguns
meses de qualquer maneira, então ele é o cara perfeito. —

—Eu amo que você já decidiu que ele é o único que está se
mudando e não eu.

—Claro. O fato de que você vai ganhar é um dado. Você não


pode me deixar.

Suspirei.

—Bennett não é o tipo de cara que eu namoraria.

—Eu disse alguma coisa sobre namoro? Eu disse que você


deveria dormir com ele, não o cortejar como material para futuro
marido. Foda-se, não vá às compras para escolher pratos de
porcelana juntos.

—Isso é... — Eu parei. Minha reação instintiva era dizer louco.


Mas eu tinha que admitir... o pensamento era muito atraente.

Madison sorriu como um gato Cheshire. Ela me conhecia bem.


—Você está pensando em foder com ele, não é?

—Não. — Eu senti minha pele começar a esquentar. —E


antes de dizer qualquer coisa... está quente aqui.

—Uh-huh. — Ela sorriu. —Claro que está.

***

No dia seguinte, eu estava trabalhando na impressão de um


logotipo usando a impressora 3D quando a maldita coisa ficou
emperrada. Eu não conseguia desentupir o bocal. Bennett se
aproximou quando me viu desmontando.

—Precisa de alguma ajuda?

—Estava no meio da impressão de algo, e então começou a


fazer um som de clique. Eu acho que o bocal está cheio de
filamentos.

—Esta é a primeira coisa que você imprimiu?

—Não. Eu fiz dois outros projetos antes disso, e eles


imprimiram bem.

Bennett enrolou as mangas da camisa.

—Às vezes acontece de ficar quente. A extremidade quente


precisa esfriar antes de aquecer a cada vez, ou o filamento
esquenta demais e causa um entupimento.

Eu encarei seus antebraços. Eles eram fortes e bronzeados,


mas não foi isso que chamou minha atenção - era a tatuagem
aparecendo onde ele tinha dobrado a camisa.
Bennett percebeu onde eu estava focada. —Você tem alguma
tatuagem?

—Não. É sua única?

Ele mexeu as sobrancelhas.

—Você teria que fazer uma verificação de corpo inteiro para


descobrir isso.

Eu revirei meus olhos.

Ele virou alguns números na impressora, depois pegou uma


bandeja de prata e colocou um braço dentro da máquina. Quando
o braço dele voltou, pude ver um pouco mais de sua tatuagem.
Parecia algarismos romanos com algo enrolado em volta deles.

—Isso é uma videira?

Ele assentiu.

—É de um poema que é especial para mim.

Hã. Não o que eu esperava.

Bennett abriu e fechou algumas bandejas e depois inseriu a


de prata que ele havia removido de volta na impressora.

—É o que eu pensei. Está muito quente. O final


provavelmente não teve tempo para esfriar. Eu usei por algumas
horas esta manhã também. Cancele o trabalho e dê uma hora.
Quando o filamento esfriar, ele irá desobstruir por conta própria.

—Oh. Certo, ótimo. Obrigada.


—Não tem problema. — Ele começou a desdobrar a manga
da camisa. —Se você precisar mais rápido, eu tenho um pequeno
ventilador na gaveta de baixo da minha mesa. Se você o configurar
na parte superior da impressora e inclinar o ar, isso acelerará o
esfriamento.

—Está tudo bem. Eu posso esperar.

Eu me senti um pouco culpada por estar imprimindo coisas


para levar comigo para a Star Studios em alguns dias, e aqui ele
estava me ajudando.

— Tobias já ligou de volta? — perguntei.

O músculo da mandíbula de Bennett se flexionou.

—Não. Deixou três mensagens. — Nossos olhos se


encontraram brevemente antes de eu desviar o olhar. —Deixe-me
saber se você tem algum outro problema.

Eu balancei a cabeça, me sentindo culpada. Ele deu três


passos antes de eu soltar. —Bennett?

Ele se virou de volta.

—O almoço é quinta-feira à uma. Marina fez a minha reserva.


Venha comigo. Somos uma empresa. Devemos ir juntos.

Era a coisa certa a fazer, mesmo que não fosse a coisa mais
inteligente.

Bennett apertou os olhos.

—Por que você faria isso?


—Porque eu planejo chutar a sua bunda com base no meu
trabalho, não porque algum cliente possa ser atraído por mim,
então ele não está te ligando de volta.

—Então você está finalmente admitindo que o idiota é


atraído por você?

Eu peguei uma peça do livro de Bennett.

—Não está todo mundo?

***

Coloquei a mala de mão no chão.

—Eu vou te mostrar a minha, se você me mostrar a sua?

Eu olhei para cima e encontrei Bennett com um sorriso sujo.

—Eu quis dizer a apresentação que você tem naquela bolsa.


Tire sua mente da sarjeta, Texas.

Eu sorri.

—Eu estava começando a pensar que você não viria. O voo


acabou de começar a embarcar.

Bennett colocou uma caixa no banco ao meu lado na sala de


espera e ergueu as mãos. Eles estavam cobertos de sujeira e graxa.

—Tenho um apartamento. Eu tive que trocar um pneu no


caminho para o aeroporto.

—Um pneu? Você dirigiu e estacionou? Por que você não


pegou um Uber?
—Eu fiz. Mas nós tivemos um pneu furado no meio do
caminho. E o motorista tinha uns setenta anos com problemas nas
costas. Ele ligou para o AAA para trocar o pneu por ele e disseram
que seria uma espera de quarenta e cinco minutos. Com o tráfego
da hora do rush, eu não tinha tempo para isso. Então eu troquei eu
mesmo.

—Oh, nossa. Isso é dedicação.

—Eu teria chego no horário se não fosse os contratempos. —


Ele olhou para a linha de embarque. —Parece que temos alguns
minutos. Eu vou encontrar um banheiro e tentar limpar minhas
mãos. Posso deixar minha apresentação com você?

—Certo. Claro.

—Tem certeza de que posso confiar em você para não


espreitar e roubar minhas ideias?

Eu sorri abertamente.

—Provavelmente não. Mas vá de qualquer maneira.

Quando ele voltou, a fila estava prestes a desaparecer. Eu


fiquei de pé.

—Nós devemos ir.

Bennett levantou sua própria caixa de transporte e depois


pegou a minha.

—Eu posso carregar isso.


—Está tudo bem. Eu tenho um motivo oculto, no entanto. Eu
vou acidentalmente soltá-lo e chutá-lo algumas vezes - ver o quão
bom seu modelo 3D aguenta.

Uma coisa tão esperta.

Quando chegamos ao final do corredor para entrar no avião,


perguntei:

—Em que fileira você está?

—A mesmo que você. Estamos nos dois assentos no corredor,


um em frente do outro. Eu disse a Marina para nos colocar juntos
para que pudéssemos trabalhar, se quiséssemos.

—Oh. Tudo bem. — Eu estava com medo disso.

Bennett guardou nossas apresentações na parte de cima e


nos sentamos na fila onze. Depois que eu me prendi, decidi sair e
contar a ele meu pequeno problema.

—Umm... Só para você saber, eu fico um pouco nervosa.

As sobrancelhas dele mergulharam.

—O que isso significa? Você vai narrar o voo inteiro?


Taxiando pela pista. Atingir uma velocidade de decolagem de cento
e cinquenta milhas por hora. Colocando minha cabeça pelas minhas
pernas para beijar meu belo traseiro...

Eu soltei uma risada nervosa.

—Não. Eu só fico em pânico em voos, então eu uso um


aplicativo que me ajuda a me acalmar. É uma combinação de
meditação, música e técnicas de respiração guiadas. Se tivermos
uma turbulência, posso apertar um botão e um terapeuta me
conduz por exercícios calmantes.

—Você está me zoando.

—Eu não tenho certeza de quanto trabalho vamos realmente


fazer no voo.

Ele sorriu.

—Trabalho de parafuso. Assim é bem melhor. Eu não posso


esperar para ver você enlouquecer.

Ótimo. Ótimo.

Cinco minutos depois da decolagem, abri os olhos e encontrei


Bennett me observando com um sorriso.

Eu balancei a cabeça.

—Estou te divertindo?

—Sim, está. E a maneira como você agarrou o braço da


cadeira durante a decolagem, fico feliz de estar sentado à sua
frente para que você não pegue outra coisa se tivermos uma
turbulência. Você tinha essa coisa em um aperto de morte.

Eu ri.

—A decolagem é a pior parte para mim. Quando estamos no


ar, geralmente não sou tão ruim, a menos que seja difícil.

—Então, são todos os modos de transporte que você não


gosta, ou apenas carros e aviões?
—Muito engraçado.

—Você disse que sofreu um acidente que fez de você uma


motorista nervosa. Aconteceu alguma coisa que te deixou nervosa
para voar? Como um voo ruim ou algo assim?

Eu coloquei meu melhor rosto solene.

—Meu pai era piloto e morreu em um acidente de avião.

Bennett pareceu assustado.

—Merda. Eu sinto muito. Eu não fazia ideia.

Eu tentei manter uma cara séria, mas o olhar dele era


engraçado demais. Meu sorriso escapou.

—Eu estou apenas fodendo com você. Meu pai vende seguros
e mora em Temecula.

Ele riu.

—Agradável. Você me pegou.

Depois que nos estabilizamos, foi um vôo curto para L.A., e


assim que Bennett e eu começamos a brincar, o tempo voou.
Todos os vôos devem ser assim tão fáceis nos meus nervos.

Assim que aterrissamos, o capitão veio na parte superior e


disse que estávamos alguns minutos adiantados, então
precisávamos esperar para chegar ao nosso portão. Eu desliguei
meu aplicativo de meditação e tirei meu telefone do modo avião.
Os e-mails começaram a preencher minha caixa de entrada.
Notando um de Tobias, abri-o.
Porcaria. Eu me virei para Bennett.

—Acabei de receber um e-mail de Tobias. Ele disse que teve


uma situação urgente que precisava ser resolvida, e ele teve que
remarcar a nossa reunião de almoço.

—Até quando?

Eu fiz uma careta, sabendo o que ele pensaria.

—Ele disse que tem uma reunião que foi remarcada, e ele
pode encaixar você às cinco da noite.

—Apenas eu?

Eu balancei a cabeça. Nós marcamos por duas horas,


planejando cada uma levar uma hora.

—Ele gostaria que eu o encontrasse para o jantar hoje às oito.

O músculo da mandíbula de Bennett se flexionou.

—Eu sei o que você está pensando. Mas mesmo que fosse
verdade, eu sou uma menina grande e posso cuidar de mim
mesma. E o fato de você estar aqui comigo agora deve dizer a você
que quero ganhar essa conta justa e horizontal, com base no meu
trabalho.

Ele assentiu. Nós dois estávamos quietos quando


desembarcamos do avião. Depois que alugamos um carro, percebi
que precisava mudar meus planos de devolução. Se o jantar fosse
às oito, não havia como eu pegar o último vôo do dia. Eu precisava
de Marina para me reservar um hotel e remarcar meu vôo de volta
para amanhã de manhã.
Bennett estava ocupado navegando pelo estacionamento da
Hertz, então eu quebrei o gelo.

—Eu vou pedir a Marina para mudar meus planos de viagem.


Você quer que eu mude a seu?

—Não. Está tudo bem. Eu vou lidar com isso.

Ele não falou de novo até que nos chegamos na estrada e


começamos a nos dirigir para a Star Studios.

—Temos um dia inteiro para matar agora. Você quer ir a um


café e se preparar para trabalhar?

Nenhum de nós tinha trazido nossos laptops, já que tínhamos


materiais de apresentação para usar. Embora tivéssemos nossos
telefones para pelo menos responder e-mails e outras coisas. Mas
isso não duraria um dia inteiro. O e-mail de Tobias deixou alguma
tensão entre nós dois, então achei que talvez um pouco de
relaxamento pudesse estar em ordem.

—Tenho uma ideia melhor.

—O que seria?

Eu sorri abertamente.

— Massagens nos pés.


Capítulo 24

Ela tinha que estar fodendo comigo.

—O que você está fazendo?

Os olhos de Annalice se abriram. Estávamos sentados lado a


lado em cadeiras enormes enquanto duas mulheres esfregavam
nossos pés.

—O que?

—Parece que você está prestes a começar a gemer.

Seus olhos estavam realmente vidrados e encapuzados. Ela se


inclinou para sussurrar para mim.

—Honestamente, eu provavelmente poderia… você sabe… de


uma massagem nos pés. É a minha coisa favorita para relaxar de
sempre.

Jesus Cristo. Eu olhei para os pés dela. Eu nunca chupei os


dedos de uma mulher antes, embora eu não tivesse oposto a isso.
A oportunidade certa simplesmente nunca se apresentou. Mas
agora, eu estava absolutamente certo de que eu estava perdendo
totalmente. Se uma pequena fricção nos pés fosse tão boa para
uma mulher, eu poderia até ter sido negligente. Eu precisava
remediar essa merda imediatamente, e eu sabia exatamente onde
eu queria começar. Imagino o que as duas massagistas teriam
feito se eu tivesse me levantado e batido uma fora do caminho,
substituindo as mãos dela com a minha boca.

Annalice fechou os olhos e voltou para o seu lugar feliz. Eu a


observei por um longo momento e depois me inclinei para
sussurrar em seu ouvido.

—Se essa é a sua coisa favorita para relaxar, então o idiota fez
um favor ao terminar as coisas. Eu posso pensar em algumas
coisas que deixariam você se sentindo sem fôlego.

Ela riu. Só que eu não estava brincando. E eu tinha o impulso


forte de ser o único a provar isso a ela. Tentei relaxar e aproveitar
o resto da minha massagem, mas já era tarde demais. Os próximos
trinta minutos consistiram basicamente em eu fantasiar sobre
todas as coisas que eu poderia fazer para a mulher sentada ao
meu lado que a faria pensar que uma massagem nos pés era uma
brincadeira de criança. Bem, isso e pensar em todos os pés
repugnantes com fungos que a mulher esfregando meus pés tinha
esfregado bem antes dos meus. Eu precisava de alguma maneira
de manter a ereção constantemente ameaçadora à distância.

Depois que nossas massagens acabaram, nós caminhamos até


ao lado para uma casa de massas asiática para almoçarmos. O
telefone de Annalice começou a zumbir enquanto olhávamos o
menu.

—É minha mãe. Me dê licença por um momento.

Ela não se levantou da mesa, então eu escutei um lado da


conversa.

—Oi mãe.
Pausa.

—Sim, isso parece ótimo. Eu vou levar a sobremesa.

Pausa.

—Jantamos na outra noite. Ela disse algo sobre ir para a irmã


no fim de semana. Mas eu vou perguntar de qualquer maneira.

Outra pausa. Desta vez, seus olhos saltaram para encontrar os


meus.

—Umm. Eu duvido. Mas eu posso perguntar a ele, eu acho.

Ela falou por mais alguns minutos e depois desligou.

—Tudo bem? — Eu perguntei.

Annalice suspirou.

—Sim. Minha mãe simplesmente não pode se ajudar. Ela está


tendo uma festa privada de degustação de vinhos com as
primeiras garrafas da temporada no próximo final de semana. Ela
me disse para convidar minha melhor amiga, Madison, e então ela
me disse para convidá-lo. Uma vez que ela se apega ao cheiro de
um solteiro elegível para sua filha, ela é como um pit bull. Eu vou
dizer a ela que você está ocupado.

—Por quê? Eu não tenho planos, exceto o trabalho neste fim


de semana.

—Seria... eu não sei... estranho para você vir.


—Não mais estranho do que sentar ao seu lado assistindo
uma mulher asiática de um metro e meio de altura quase lhe dar
um orgasmo.

Ela riu.

—Eu acho que você tem um ponto.

—Além disso, nós dois sabemos a verdade. — Eu pisquei. —


Sua mãe me convidando não é realmente para sua filha.

—Eu disse a ela que estávamos competindo por uma


promoção, não para manter nossos empregos aqui na Califórnia.
Eu não mencionei a possível mudança para o Texas porque achei
que não havia sentido em fazê-la se preocupar. Mas se eu dissesse
a ela que o único interesse que você tem em sua filha é que eu seja
despachada a mil e novecentos quilômetros de distância, acho que
você ficaria surpreso com o quanto sua amizade mudaria. Ela é
super protetora comigo.

Definitivamente não era o único interesse que eu tinha em


Annalice. Mas ela tinha razão, e se sua mãe soubesse sobre o
Texas ou qualquer outra coisa que eu fantasiava sobre fazer com
sua filha, eu tinha certeza de que ela estaria me perseguindo com
um saca-rolhas na mão.

—Você é filha única?

—Agora sou. Minha irmã morreu quando ela tinha oito anos.

—Merda. Eu sinto muito.

—Obrigado. Ela era cinco anos mais velha, então eu tinha


apenas três anos quando aconteceu. Ela tinha neuroblastoma - um
câncer infantil que é muito agressivo. Eu gostaria de me lembrar
dela mais. Embora, pelo menos, eu não me lembre muito de sua
morte. Mas, para responder à sua pergunta, não tenho outros
irmãos. Meus pais começaram a ter problemas com o casamento
depois disso. E você? Qualquer outra Raposa cheia de si correndo
por aí que eu deveria procurar?

Eu balancei a cabeça. —Apenas eu. Meu pai morreu quando


eu tinha três anos - ataque cardíaco aos trinta e nove. Mamãe
nunca superou isso ou se casou novamente. Embora, ela tenha se
mudado para a Flórida para estar perto de sua irmã há dois anos,
e ultimamente ela tem mencionado que vai passear com um cara
chamado Arthur. Imaginei que provavelmente farei uma viagem
até lá logo, para ver se preciso chutar a bunda de Arthur.

—Isso é estranhamente doce.

—Sim esse sou eu. Estranhamente doce.

A garçonete veio e levou a nosso pedido de almoço. Annalice


pediu uma sopa, aperitivo e almoço.

—Você tem certeza que pode comer tudo isso sozinha?

—Eu não comi nada esta manhã por causa dos meus nervos
sobre voar. E eu não vou comer até as oito da noite, então achei
melhor armazenar.

A lembrança de seu jantar com Tobias esta noite arruinou


meu apetite.

—Então, onde é este encontro hoje à noite?

Ela franziu a testa.


—Não é um encontro.

—Oh, isso mesmo. Deixe-me reformular. Onde será a reunião


de negócios com o cara que quer entrar nas suas calças?

Ela cruzou os braços sobre o peito.

—Eu não quero te dizer.

—Um romântico pequeno bistrô italiano com velas? Talvez


uma cabine de canto perto da lareira.

—Idiota.

—Francês? Talvez o Chez Affaire.

—É no mesmo lugar que comemos da última vez. O mesmo


restaurante exato onde ambos compartilhamos uma refeição e
discutimos negócios com toda a equipe da Star. O mesmo lugar
que parecia uma escolha lógica e conveniente para uma reunião
apenas duas semanas atrás. No entanto, tenho certeza de que você
estará convencido de que agora ele tem uma motivação oculta
escolhendo isso.

Eu estava brincando com ela, mas porra, o pensamento de os


dois jantando no hotel em que ela iria ficar realmente me
arrancou. E eu nem tentaria me convencer de que tinha algo a ver
com negócios. Eu já admiti uma vez que estava com ciúmes. Não
havia sentido em expor minha fraqueza à competição uma
segunda vez. Então eu calei tudo. Pelo menos eu tentei.

—É uma escolha conveniente. Muito conveniente.

***
Talvez eu não tivesse dado uma chance ao cara.

Tobias me deu um tapinha nas costas quando saímos do


escritório do Diretor de Aquisições de Filmes. Ele adorou o plano
de marketing que eu tinha feito, incluindo o novo logotipo e
taglines. E agora era o terceiro escritório para o qual ele enviou
até mim que parecia amar minhas ideias.

—Estou aqui há três semanas e foi a primeira vez que vi Bob


Nixon sorrir. Ou você bateu fora do estádio, ou aquele cara
começou em novos remédios recentemente.

— Muito obrigado por deixar um tempo para fazer isso. Eu


sei que você teve algo vindo hoje cedo, então eu agradeço que
você ainda nos encaixe. — Nós voltamos para o escritório dele.

—A qualquer momento. Ainda bem que posso ajudar. Agora


que vi algumas de suas ótimas ideias, estou ansioso para ver seus
conceitos finais quando chegarmos em sua agência em algumas
semanas. Eu ouvi grandes coisas sobre o seu trabalho de Annalice,
e agora eu sei o porquê.

Eu estava começando a me sentir um completo idiota. Eu


deixei meus sentimentos pessoais atrapalharem os negócios -
deixei nublar meu julgamento em relação a Tobias - e Deus sabe
que eu passei por Annalice sobre esse cara. E aqui ela estava me
construindo para o cara que iria escolher a campanha que iria
longe para manter meu maldito trabalho.

—Tenho certeza de que a apresentação dela será exatamente


como no ponto, se não mais. Ela é incrivelmente talentosa, — eu
disse. O telefone do escritório de Tobias tocou. Ele pegou e disse a
quem estava na linha que ele precisava de um minuto e, em
seguida, segurou o receptor no peito. —Por que você não serve
duas bebidas comemorativas? — Ele ergueu o queixo, apontando
para um longo aparador posicionado sob as janelas. —Gabinete
do meio tem um bom conhaque e alguns copos.

Enquanto ele falava ao telefone, tirei dois copos de cristal e


uma garrafa cheia de álcool de cor âmbar. O topo do armário tinha
um monte de fotografias emolduradas, então eu olhei enquanto
esperava. Um deles tinha um menino loiro e uma menina mais
velha sentada em uma pedra em algum lugar nas montanhas.
Alguns eram de várias celebridades e Tobias em diferentes
estreias de filmes. A última era uma foto de uma mulher com os
mesmos dois garotinhos da primeira foto emoldurada, só que eles
eram mais velhos nessa foto, e todos os três levantaram as mãos
no ar enquanto caíam em uma queda na montanha-russa. Seus
sorrisos eram enormes.

Eu balancei a cabeça. Eu fiquei muito cego pela inveja. Esse


cara era obviamente casado e tinha uma boa e pequena família. Eu
interpretei mal a situação da última vez.

Ou talvez não.

Tobias virou enquanto eu colocava a última foto emoldurada.

—Você tem uma família linda, — eu disse.

Ele deu a volta na mesa dele e pegou um dos copos de


conhaque que eu tinha servido, depois levantou a foto que eu
tinha acabado de colocar. Agitando o líquido em torno de seu
copo, ele olhou para ele.
—Candice é linda sim. Pena que ela é uma puta de merda. Nós
nos separamos há nove meses. Com toda a porcaria acontecendo,
imaginei que seria melhor manter minha fachada como um
homem felizmente casado em público.

Ele ergueu o copo e tilintou com o meu. —Falando de


mulheres bonitas, estou ansioso para ver o que sua colega criou
mais tarde.
Capítulo 25

Ele é um idiota.

Continuei a usar meu grande e falso rosto feliz enquanto me


despedia de Tobias. Mas no momento em que ele empurrou a
porta giratória, eu girei no meu calcanhar, fiz uma careta e fui
para o bar para procurar meu perseguidor. Uma sensação de déjà
vu veio sobre mim.

—Com licença? — Eu chamei o barman. —Estou procurando


o cara que estava sentado no final do bar há alguns minutos atrás?

Ele assentiu.

—Bebendo Corona e parece que alguém atropelou seu


cachorro?

—Isso seria ele.

—Pagou sua conta e saiu um minuto ou dois atrás. Não tenho


certeza se ele é um convidado aqui desde que ele pagou em
dinheiro. Não peguei o caminho que ele foi quando saiu.

—Oh, ele é um convidado aqui sim, — eu murmurei e


comecei a ir em direção à recepção. —Que eu apostaria minha
vida.
A recepção tinha dois funcionários, e ambos estavam
ajudando as pessoas já, então eu entrei na fila. Mas, enquanto
esperava, me dei conta de que talvez não dessem o número do
quarto de outro convidado tão facilmente. Então, em vez disso,
voltei para o saguão, peguei meu celular e procurei o número do
telefone do hotel.

—Oi. Estou tentando encontrar um convidado aí. Ele é meu


chefe, na verdade. Ele me deu o número de telefone direto para o
seu quarto para uma teleconferência que estamos prestes a ter,
mas parece que o perdi.

—Eu posso conectar você. Qual é o nome do hóspede?

—Ummm… Você poderia me dar o número direto de novo?


Ele me deu isso porque ligarei para outras pessoas em uma linha
de conferência e, por motivos de privacidade, ele não gostaria de
informar o nome do hotel onde ficará hospedado. O operador
disse o nome do hotel quando ela responde no número principal.
Ele vai me matar por perder isso.

—Certo. Sem problemas. Qual é o nome do hóspede?

—É Bennett Fox.

Quando eu dei meu número de telefone de discagem direta


para Marina hoje cedo, percebi que o número do meu quarto era
os quatro últimos do número de telefone. Ou isso era uma
coincidência ou todos eles funcionariam dessa maneira.

Eu a ouvi clicando em algumas teclas antes de voltar para a


fila.
—Esse número direto seria 213-555-7003.

—Muito obrigado.

—Sem problemas. Tenha uma boa noite.

Eu corri para terminar a ligação. Oh, eu vou ter uma boa noite
- mastigando o babaca do quarto 7003.

***

Seria possível que o sangue pudesse realmente ferver?


Comecei a suar no elevador até o sétimo andar. Parecia que o
calor estava saindo dos meus poros - eu estava muito chateada.

Não só eu tinha me assegurado de que o idiota tivesse a


chance de apresentar suas ideias para Tobias, mas eu nunca disse
uma palavra ruim sobre ele, nunca tentei manipular minha
amizade com Tobias para obter uma vantagem. E o que o idiota
faz? Ele inventa mentiras sobre mim, então pareço uma idiota
falando com o cliente.

As portas do elevador se abriram e eu marchei para o quarto


7003. Sem tirar um minuto para me acalmar, bati na porta.
Quando não abriu em três segundos, eu bati um pouco mais -
desta vez mais alto. A porta se abriu no meio da batida.

—Que porra é essa? — Bennett rugiu.

Se eu não estivesse tão chateada, poderia ter me distraído


com a visão de um Bennett Fox sem camisa do outro lado. Mas eu
estava furiosa, então ver que ele tinha um abs esculpido só me
deixou mais irritada.
Claro que ele também tem um corpo perfeito. Que idiota.

Eu marchei passando por ele, em seu quarto de hotel.

Ele ficou parado piscando por um momento, parecendo


confuso sobre o que diabos estava acontecendo. Eventualmente,
ele balançou a cabeça e soltou a maçaneta da porta ainda em sua
mão.

—Entre. Eu não estava no meio de tirar a roupa ou qualquer


coisa.

—Você tem algum nervo.

—Eu tenho muita coragem. Você precisa ser mais específica


sobre o que rastejou na sua bunda.

Sua jogada inocente me fez perder a calma. Não que eu


tivesse estado muito no controle antes, mas eu quebrei.

Eu fiquei bem próxima de seu rosto e enfiei meu dedo em seu


peito.

—Eu estou em um relacionamento, comprometida com a


Marina? Que diabos está errado com você!

—Oh. Isso.

—Eu não fiz nada além de ajudar você, e como você me paga?
Você vai e diz ao cliente que estou tendo um caso com uma
mulher no escritório, então eu pareço completamente não
profissional!

Ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo.


—Não. Não. Isso não é o que eu pretendia fazer.

—Sério? Então você acidentalmente disse ao nosso cliente


que eu estava dormindo com a nossa assistente e quis dizer o que?
Me fazer parecer profissional?

Bennett passou a mão pelos cabelos.

—Eu não estava pensando.

—Besteira. Você sabia exatamente o que estava fazendo!

—O cara é um idiota sujo. Eu estava tentando manter as


coisas profissionais. Eu disse isso para ele não ir em você.

—Você é tão cheio de merda que eu acho que você realmente


começa a acreditar em suas próprias mentiras, e é isso que faz
com que suas ridículas desculpas sejam tão críveis. Você é um
mestre em manipular as coisas para ferrar as pessoas quando elas
se sentem vulneráveis.

Eu fiz beicinho e imitei suas desculpas pesarosas.

—Sinto muito, Annalice. Eu estava com ciúmes. Ah, não, eu


estava tentando protegê-la do cliente grande e ruim.

A mandíbula de Bennett se apertou quando ele olhou para


mim.

—Eu não estava manipulando você.

Frustrada, me virei para sair. Mas então pensei melhor e


voltei para uma última pergunta.

—Por que você ainda está aqui, Bennett?


Isso me irritou, que ele estava jogando jogos. Suas narinas
alargaram como se ele tivesse motivo para ficar puto.

—Me responda!

Em um piscar de olhos, minhas costas estavam contra a porta


e Bennett estava ao meu redor. Seu rosto se inclinou para se
alinhar com o meu, e seus antebraços pressionaram firmemente
contra a porta em ambos os lados do meu rosto. Seu peito nu
subia e descia tão perto do meu, que eu podia sentir o calor que
irradiava dele. O fogo transformou o verde suave de seus olhos em
um quase cinza.

—Estou aqui porque não consigo ficar longe.

Meu queixo caiu.

—Eu não entendo.

—Bem, isso faz dois de nós.

Nada fazia sentido. Um minuto nos demos muito bem, e eu vi


pedaços de uma pessoa que eu realmente gostei. Mas então…

—Por que você continua me machucando?

Bennett abaixou a cabeça por um momento enquanto eu


tentava entender o que estava acontecendo.

Quando ele olhou para cima, seus olhos estavam cheios de


remorso.
—Eu não quero te machucar. Eu só... você me deixa louco. Em
trinta e um anos, eu nunca quis uma mulher como eu quero você
e, claro, você é a única mulher que eu não posso ter.

Engoli. Meu coração parecia ricochetear contra o meu peito.

—Eu não acredito em você, — eu sussurrei.

Seus olhos caíram para a minha boca e ele gemeu. O som


disparou direto entre as minhas pernas, e meus lábios se
separaram com um pequeno suspiro que eu esperava que ele não
tivesse ouvido.

Mas o sorriso malicioso se espalhando pelo rosto dele me


disse que ele definitivamente tinha ouvido.

—Você não acredita em mim? O que devemos fazer sobre


isso?

—Bennett, eu...

Ele estendeu a mão, enrolou os dedos firmemente no meu


cabelo e me puxou contra ele. Seus lábios se chocaram com os
meus, engolindo o resto das minhas palavras. Fiquei chocada com
a forma como senti tudo isso, e meu corpo se iluminou como uma
árvore de Natal a partir de uma única conexão simples. Suas mãos
deslizaram até o meu rosto, e ele inclinou a cabeça, mergulhando
a língua dentro da minha boca. Minha bolsa caiu no chão. Tudo
mais em torno de nós deixou de existir.

Eu passei meus braços em volta de seu pescoço e enfiei


minhas unhas em seu cabelo. Ele gemeu novamente e alcançou a
minha bunda, apertando enquanto me levantava dos meus pés.
Minhas pernas envolveram sua cintura. Deus, eu amo saias.

Com elas aberta para ele, Bennett pressionou seu corpo


contra o meu. Eu senti o comprimento duro dele encontrar meu
calor, e ele rosnou.

—Porra. Você se sente tão bem.

Eu choraminguei quando ele aprofundou o beijo, cavando


minhas unhas em suas costas e me agarrando a ele. Nosso beijo
era desesperado e carente, baixo e sujo, e eu podia sentir um
coração batendo a milhões de quilômetros por hora, embora eu
não tivesse certeza se era dele ou meu. Quando finalmente
paramos para respirar, estávamos ofegantes e me sentia tonta.

Bennett se aninhou no meu pescoço enquanto eu tentava


recuperar o fôlego. Ele beijou o caminho da minha clavícula até o
meu ouvido.

—Há tantas coisas que eu quero fazer com você.

Eu amei o som grave de sua voz.

—Como o quê? — Eu sussurrei.

Eu senti seus lábios se curvarem em um sorriso contra o meu


pescoço.

—Eu quero provar você em todo lugar. — Ele deu um puxão


leve e inesperado no meu cabelo e expôs mais do meu pescoço
enquanto ele beijava o caminho de volta para baixo.

—Sim.
—Eu quero enterrar meu rosto entre suas pernas até você
gritar meu nome.

—Sim.

—Eu quero você de quatro para que eu possa estar em todos


os lugares, então você não pode pensar ou sentir nada além de
mim. Uma mão brincando com seus seios, a outra tocando sua
bunda. Meu pau enterrado profundamente dentro de você. — Ele
pressionou sua ereção contra o meu centro exposto, e meus olhos
rolaram na parte de trás da minha cabeça.

Oh Deus. Era tão bom. Meu corpo começou a vibrar. Comecei


a pensar que poderia vir apenas da sensação dele contra mim e do
som de sua voz sexy me dizendo o que ele queria fazer.

As coisas entre Andrew e eu nunca foram assim, nem mesmo


no começo.

Bennett levantou e me levou para fora da porta do seu


quarto. Eu esperava que minhas costas batessem na cama, mas em
vez disso ele me colocou de pé ao lado dele e deu um pequeno
passo para trás. Seus olhos vidrados subiram e desceram pelo
meu corpo, e por alguns segundos, achei que ele poderia estar
repensando o que estava acontecendo, o que estava prestes a
acontecer.

—Fique nua para mim.

O tom assertivo e o som tenso de sua voz espalharam


arrepios por todo o meu corpo. Às vezes a confiança dele me dava
vontade de bater nele. Aparentemente outras vezes isso me fazia
querer me despir.
Eu desabotoei minha blusa e olhei para ele. Houve tantas
vezes quando eu não tinha certeza se confiava nele ou não, mas o
tipo de desejo que eu vi em seus olhos encapuzados agora não
podia ser falsificado.

—Não consegui me concentrar em nada desde o dia em que


você entrou no escritório, — disse ele. —Você estrelou todas as
minhas fantasias, mesmo quando eu tentei te odiar.

Eu tirei minha camisa dos meus ombros e deixei cair no chão.

—Tire a saia.

Era fácil me sentir corajosa do jeito que ele estava olhando


para mim. Eu alcancei e abri o zíper da minha saia lápis e deslizei
para o chão. Eu estava grata por ter usado um lindo sutiã e
calcinha que ajudou minha confiança. Eu fiquei de pé, vestindo
apenas minha lingerie e salto alto.

Bennett abriu o botão da calça. Seu olhar me deixou muito


feliz. Ele tirou as calças e meus olhos se arregalaram com a
protuberância em sua boxer apertada.

Droga. Agora eu sei de onde vem a confiança arrogante.

Ele ergueu o queixo.

—Sutiã.

Eu abri o fecho e joguei de lado. Meus mamilos já estavam


duros, mas eles ficaram dolorosamente inchados enquanto eu o
observava lambendo seus lábios.

—Você é incrível.
Eu amava o jeito que ele exigia as coisas, mas eu queria
mostrar a ele que eu estava lá com ele. Então eu respirei fundo,
coloquei meus polegares nos lados da minha calcinha, e tirei meu
último fragmento de roupa sem que ele mandasse.

Bennett sorriu como se soubesse exatamente o que eu tinha


pensado. Seus olhos fizeram uma varredura lenta sobre mim e
escureceram, mas eles brilhavam com um brilho travesso.

Ele gesticulou para os meus pés. —Esses ficam.

Ele me guiou para sentar na beira da cama e caiu de joelhos.


A visão era bem espetacular. Bennett Fox sempre foi bonito, mas
seminu, com todos os músculos rasgados em plena exibição,
enquanto se ajoelhava diante de mim era um novo nível de
sensualidade. Ele olhou nos meus olhos enquanto suas mãos
empurravam meus joelhos abertos até onde eles podiam ir.

Eu ofeguei quando Bennett se inclinou e lambeu em um longo


golpe. Ao contrário de quando tiramos nossas roupas, não havia
nada lento ou provocante quando ele enterrou o rosto inteiro
entre as minhas pernas. Não foi suave e gentil. Foi duro e
desesperado. Ele alternou entre chupar meu clitóris, empurrando
sua língua dentro de mim, e me lambendo com longos golpes que
me fizeram querer segurá-lo lá e nunca o deixar subir para
respirar.

Minha cabeça caiu para trás e ficou difícil ficar ereta.

—Oh Deus.

Meu grito fez ele rosnar e empurrar muito mais. Comecei a


me contorcer enquanto meu corpo tremia de dentro para fora e
ondulações de prazer pulsavam entre as minhas pernas. Eu puxei
o cabelo sedoso de Bennett e gemi quando ondas intensas de
êxtase me atingiram com força. Lágrimas brotaram nos meus
olhos, minhas emoções precisando escapar de alguma forma, e eu
caí de volta na cama, incapaz de suportar o peso do meu próprio
corpo por mais tempo.

Através da névoa do meu cérebro saciado, ouvi o som fraco


da embalagem se abrindo. A próxima coisa que eu sabia era que
estava sendo levantada do fundo da cama para a cabeceira da
cama, e Bennett subiu em cima de mim.

Eu esperava que o ritmo frenético continuasse, mas esse era


um homem que me surpreendeu a cada turno desde o dia em que
o conheci. Ele tirou o cabelo do meu rosto e gentilmente se
inclinou e beijou meus lábios.

—Você está bem?

Não tenho certeza se eu poderia falar ainda - ou talvez de


novo - respondi com um grande sorriso e assenti. Ele sorriu para
mim quando ele empurrou para dentro. Nossos olhares ficaram
trancados, nossos sorrisos compartilhados se transformando em
algo mais sério, pois ambos sentimos a conexão intensa. Ele
trabalhou devagar - impulsos curtos e moderados enquanto
entrava e saía de mim. Uma vez que meu corpo aceitou sua
circunferência, ele foi um pouco mais fundo, empurrou um pouco
mais, até que finalmente ele caiu, me preenchendo
completamente.

Juntos, encontramos nosso ritmo - ele bombeando e eu


encontrando cada impulso até que nossos corpos estivessem
cobertos de suor, e o som e o cheiro de sexo encheram o ar ao
nosso redor. Bennett segurou atrás de um dos meus joelhos e
levantou minha perna, mudando o ângulo de seus golpes um
pouco, mas ele encontrou meu ponto sensível.

—Bennett...

Sua mandíbula flexionou, da mesma maneira que costumava


fazer quando eu o irritava. Só agora eu percebi que sua tensão
muscular não era tanto uma expressão de raiva, mas sim ele
tentando segurar alguma coisa de volta. E desta vez ele estava
tentando segurar o prazer para mim.

Eu gemi quando meu orgasmo começou a se firmar, e meus


olhos se fecharam.

—De jeito nenhum, querida. Abra e dê para mim.

Bennett acelerou seus impulsos e eu segurei seu olhar. Meu


corpo tremeu quando eu apertei ao redor dele. A necessidade de
me esconder da intensidade de sua observação era forte, mas eu
empurrei de lado e dei a ele o que ele queria.

Ele sorriu para mim quando meu orgasmo começou a


diminuir, e então todos os músculos de seu corpo endureceram, e
ele começou realmente a me foder - duro e selvagem com golpes
de punição que terminaram em um rugido que sacudiu a sala.

Depois, ele enterrou o rosto no meu cabelo e beijou meu


pescoço enquanto ele continuava a deslizar lentamente para
dentro e para fora em um ritmo sem pressa. Nenhum de nós
parecia querer que o momento terminasse, então ficamos o tempo
que pudemos, mantendo a conexão. Mas eventualmente ele teve
que se levantar para lidar com o preservativo.

Bennett saiu da cama e entrou no banheiro, deixando o ar frio


bater na minha pele ensopada de suor e causando um calafrio. A
sacudida de frio fez minha mente vibrar com o que acabou de
acontecer.

Nunca na minha vida eu tinha sido fodida assim. E eu tinha a


sensação de que o que quer que fosse isso entre nós, eu seria
fodida de uma maneira que não seria tão divertida em breve.
Capítulo 26

Nós dois estávamos quietos, deitados lado a lado no quarto


escuro.

Eu me perguntava se ele já se arrependeu.

—O que você está pensando agora? — Eu perguntei.

Ele soltou um suspiro profundo.

—A verdade?

—Claro.

—Eu estava pensando em como eu poderia usar o gravador


de áudio no meu telefone sem você perceber antes de eu descer
em você novamente. Eu preciso capturar esse som que você faz
enquanto você goza para usar para tirar o material depois de
jogar minha bunda no meio-fio em meia hora.

Eu ri e virei de lado para ele.

—Que som?

—É uma espécie de cruzamento entre um gemido e um grito,


mas é realmente gutural e gostoso.
—Eu não grito.

—Oh, você faz, querida.

Eu honestamente não tinha ideia do que tinha saído da minha


boca hoje à noite. Foi uma experiência fora do corpo que eu não
tinha controle.

—E o que faz você pensar que eu vou jogar sua bunda no


meio-fio em meia hora?

Bennett se virou para mim. Ele tirou um fio de cabelo da


minha bochecha.

—Porque você é inteligente.

Eu não tinha ideia de como o que aconteceu, aconteceu. Ao


contrário do meu eu habitual, não pensei nas consequências das
minhas ações. Em vez disso, eu fui com o que parecia certo no
momento. E Deus sabe o que parecia certo no momento acabou
por se sentir muito incrivelmente surpreendente. Então eu
continuei com essa mentalidade, não me permitindo analisar algo
completamente ainda.

—Andrew não... Ele não estava realmente fazendo sexo oral.


Então eu acho que o som que você ouviu pode ter sido a rolha
saindo de um champanhe bem engarrafado.

Bennett apoiou a cabeça no cotovelo.

—Que diabos isso significa? Ele não estava realmente em


sexo oral? Você está dizendo que ele não queria descer em você?
— Não, eu estou dizendo que isso não acontecia com
frequência. Como...praticamente nunca.

—Mas você gosta disso?

Dei de ombros.

—Ele não fazia.

—E aí reside o problema em seu relacionamento em poucas


palavras. Eu não estou falando apenas sobre sexo. Qualquer cara
que não se supera para fazer algo que ele pode não amar para
agradar a sua mulher tem um problema que vai muito além do
sexo.

Infelizmente, Bennett estava cem por cento certo. As coisas


com Andrew sempre foram sobre o que Andrew queria e
precisava. Ele precisava de silêncio para escrever seu romance,
então nós adiamos morar juntos. Eu gostei de um restaurante
novo e ele não, então nós não voltamos. Ele precisava de espaço e
eu dei a ele. No entanto, quando ele queria ir esquiar nas férias e
eu queria a praia, eu tirei minhas roupas de inverno para fazê-lo
feliz. E o pior, Deus, eu realmente senti falta, Bennett estava certo.
Eu gosto de sexo oral.

Suspirei.

—Você está certo.

O quarto estava escuro, mas pude vê-lo sorrir.

—Eu estou sempre certo.


Bennett passou dois dedos ao longo do comprimento do meu
braço, ombro a ombro. Eu senti seriamente até os dedos dos pés, e
isso me fez tremer com um arrepio.

—Seu corpo é tão responsivo.

Eu estendi a mão e abaixei minhas mãos para o seu abdômen,


deixando-as sentirem o seu caminho ao redor das planícies duras.
—E o seu é tão... duro.

Ele riu e capturou meu pulso em sua mão, arrastando um


pouco para o sul.

—Oh. Uau. Você está….

—Duro em todos os lugares.

—De fato. Isso não é muito tempo de inatividade, você sabe.

Bennett fez um movimento furtivo, pegando-me e rolando de


costas para me deitar em cima dele.

—Tenho que fazer bom uso do tempo antes que o sangue


volte para o seu cérebro e você fique mais esperta. — Ele ergueu
seus quadris e cutucou minha abertura. —Parece que o sangue
não correu de volta para o seu cérebro ainda.

—Que tal fazer um pacto? — Ele traçou o dedo ao longo da


minha espinha, diminuindo, mas não parando quando ele veio
para a fenda da minha bunda. —Nenhum de nós pensa em nada
até o sol nascer amanhã.

Eu escovei meus lábios com os dele. —Finalmente, algo em


que podemos concordar.
***

Eu escorreguei da cama e fui até o banheiro na ponta dos pés.


No meu caminho, peguei minha bolsa de onde tinha caído perto da
porta na noite passada e peguei meu telefone. Seis e Meia. Meu voo
era às nove. Examinei meus e-mails para ver se Marina havia me
enviado o itinerário de Bennett assim como o meu. Com certeza,
ela me enviou o dele enquanto eu estava no jantar na noite
passada. Então eu abri para ver se estávamos no mesmo vôo. Nós
não estávamos. Ele iria às onze horas, por algum motivo. O
pensamento de não ter que viajar com ele, não ter que encará-lo à
luz do dia, me fez sentir uma estranha combinação de desamparo
e alívio.

Eu amarrei meu cabelo e tomei um banho rápido. Quando me


lavei entre as minhas pernas, senti uma dor que me fez sorrir.
Quantas vezes tivemos sexo ontem à noite? Quatro? Cinco? Isso
era possível? Fosse o que fosse, eu sabia com certeza que era meu
recorde pessoal. Andrew e eu nunca havíamos ficado assim. No
começo, pode ter havido uma noite ou duas que fizemos duas
vezes, mas uma vez por semana era mais nossa média nos últimos
anos.

Minhas roupas ainda estavam no chão onde eu tinha me


despido na noite passada. Embora quando eu as coloquei de volta,
parecia mais que eu tinha dormido nelas. Mas eu não consegui
encontrar minha calcinha. Então eu peguei o resto das minhas
coisas, chamei um Uber, e sacudi as roupas de Bennett, pensando
que talvez minha calcinha tivesse se misturado com elas durante
nosso frenesi.

Eu pulei ao som de sua voz grogue. —Procurando por algo?


—Merda. — Eu deixei minha bolsa cair no chão. —Você me
assustou. Eu pensei que você estivesse dormindo.

—Eu estava. Mas acordei quando você começou a vasculhar


minhas roupas.

—Eu não estava vasculhando suas roupas. Estou procurando


pela minha calcinha.

Ele levantou um braço das cobertas e levantou minha


calcinha, pendurada em um dedo.

—Oh. Você quer dizer isso?

Eu ri.

—Como diabos você terminou com ela?

—Eu me levantei para ir ao banheiro uma hora atrás, logo


depois que você caiu no sono, e eu a peguei no meu caminho.

—Ela é da sua cor, mas não tenho certeza se vai se caber em


você.

Fui tirá-las da mão dele, mas ele se afastou e apertou em seu


punho.

—O que você está fazendo?

Ele juntou as mãos e as levou ao nariz, dando uma profunda


cheirada na minha calcinha.

—Ah. Eu amo o cheiro da sua boceta.

Meus olhos se arregalaram.


—Isso é um pouco distorcido, mesmo para você, Fox. Agora
me devolva minha calcinha. Eu tenho um vôo para pegar.

—Não posso.

—Você espera que eu voe para casa vestindo uma saia sem
calcinha?

Ele estendeu a mão e enfiou a mão debaixo da minha saia,


agarrando um punhado de bunda.

—Você deveria vir trabalhar assim todos os dias.

Eu ri.

—Sério, eu vou me atrasar para o meu vôo.

—Você poderia mudar o seu voo e pegar mais tarde comigo.

Eu pensei nisso, mas eu precisava de um tempo longe desse


homem para limpar minha cabeça. Antes que eu pudesse pensar
em uma desculpa, Bennett usou a mão na minha bunda para
agarrar minha cintura e me puxar para ele.

—Eu sei que você precisa de algum espaço, — disse ele. —A


calcinha é minha apólice de seguro. Eu vou mantê-la até que você
esteja pronta para falar comigo. Então você vai pegá-la de volta.

—E se eu decidir que não quero falar sobre a noite passada?

Ele beijou meus lábios.

—Então Jonas fica com sua roupa de baixo.

—Você está fora de si.


—Talvez. Mas aposto que o pensamento dele a cheirando
enquanto ele se masturba pensando em você é um pouco mais
estranho do que eu fazendo isso.

Eu balancei a cabeça.

—Eu não tenho tempo para discutir com você. No entanto...


— Fui até sua pilha de roupas e tirei sua carteira do bolso. Eu
peguei um Visa e deixei a carteira de couro cair sem a menor
cerimônia no chão.

.. —. há uma Victoria's Secret no LAX. Eu vou pegar algumas


novas… e algumas outras coisas enquanto estou lá.

Bennett sorriu amplamente.

—Tente...Talvez algo com ligas e calcinhas com aberturas


para que você não tenha que tirá-la enquanto eu te fodo na sua
mesa na próxima semana.
Capítulo 27

Não era ela.

Coloquei meu celular de volta no bolso e tentei fingir que não


estava decepcionado por um dos meus amigos ter mandado uma
mensagem de texto para ver se eu iria tomar drinques hoje à
noite.

Mas você não pode se chatear agora, pode?

Na tarde em que voltamos de L.A, Annalice já tinha ido


embora quando cheguei ao escritório. Na quinta-feira, tive uma
reunião matinal no escritório e, quando cheguei, ela se foi
novamente. Marina disse que ela tinha marcado uma consulta de
última hora.

Então, na sexta-feira, vi o mesmo Audi que eu dirijo saindo da


frente do prédio às dez para as sete da manhã, então mandei uma
mensagem para ela. Algumas horas depois, ela enviou uma
resposta curta dizendo que chegou cedo para pegar alguns
arquivos e estava trabalhando em casa.

Não era incomum os funcionários trabalharem em casa um


ou dois dias por semana - tínhamos horários flexíveis e podíamos
trabalhar em qualquer local. Mas Annalice não tinha aproveitado
antes, e eu estava começando a sentir que ela poderia estar me
evitando.
Na sexta-feira à tarde, isso estava me consumindo, então
mandei outra mensagem perguntando se ela queria tomar uma
bebida. Ela nunca respondeu.

Agora era sábado à tarde, e eu estava checando meu telefone


como uma garota do ensino médio cada vez que ele zumbia.

Eu assisti Lucas verificar o preço no fundo do tênis que ele


estava de olho e colocá-lo de volta na prateleira.

—Você gosta daqueles? — Eu perguntei.

—Sim. — Ele encolheu os ombros. —Eles são legais.

—Então, por que você não experimenta? Você precisa de


tênis novos antes da viagem da Disney em algumas semanas.

—Eles custam muito dinheiro.

—Você está pagando por eles?

—Não?

—Então, porque diabos você está verificando os preços? —


Eu peguei o tênis e fiz sinal para o garoto em um uniforme listrado
da Foot Locker que não parecia muito mais velho do que o Lucas.

—Podemos ver isso em outro tamanho?

—Sim senhor.

—Espere, — eu disse ao garoto. —Mais alguma coisa que


você gosta?

Lucas não respondeu.


—Lucas?

Ainda nada, então segui sua linha de visão para o que tinha
capturado sua atenção. Eu ri e falei com o garoto nos esperando.

—Só esse por agora, por favor.

A pequena e fofa loira que Lucas não conseguia tirar os olhos


olhou para cima e o pegou observando-a. Ela ficou nervosa e deu
um aceno desajeitado antes de virar na outra direção para olhar a
parede de sapatos do outro lado da loja.

Eu me inclinei para Lucas e sussurrei:

—Ela é fofa.

—Ela é Amelia Archer.

—Você gosta dela?

—Todo mundo na sexta série gosta dela.

—Pensei que você estava mudando sua estratégia e só iria


gostar das feias?

—Ela é bonita e legal. Mas ela não quer nada com nenhum
dos garotos.

—Bem, você está apenas com doze. As crianças começam a


perceber umas às outras em momentos diferentes. Ela pode não
estar lá ainda.

—Não, não é isso. Um mês atrás, ela disse a Anthony Arknow


que gostava de Matt Sanders, e Anthony espalhou todos esses
rumores sobre ela. Ele fez isso porque gostava dela também.
Agora ela não fala mais com nenhum dos garotos.

As alegrias do ensino médio.

—Ela virá ao redor. Por que você não diz oi? Mostre a ela o
tênis que você está olhando e pergunte se ela gosta.

—Você acha que eu deveria? — Eu peguei o tênis de volta na


prateleira e segurei para ele.

—Definitivamente. Você tem que fazer o movimento. Os bons


não ficam sozinhos por muito tempo. Apenas seja seu amigo. Ela
provavelmente precisa ver que nem todos os garotos são idiotas.
— Eu sorri.

—Quero dizer, nós somos, mas faça o seu melhor, de


qualquer maneira. — Lucas pegou o tênis da minha mão e
debateu. Eu tive um momento do tipo tio-orgulhoso quando ele
caminhou até lá. Eu assisti quando o constrangimento inicial de
sua abordagem se desgastou, e seus ombros relaxaram um pouco.
Dentro de um minuto ou dois, ele a fez rir. Ele voltou sorrindo de
orelha a orelha.

—Ela é muito legal.

—Parecia que ela gostou de você ir falar com ela. — Ele deu
de ombros.

—Talvez. Garotas são confusas. —Esse garoto era muito mais


esperto do que eu nessa idade. Eu pensei que eu tinha todos eles
descobertos até que tinha dezoito anos e percebi que não sabia de
nada. Eu balancei a cabeça.
—Em linha reta elas são.

Lucas acabou recebendo os Nikes de cem dólares. E nós


também pegamos algumas camisetas e alguns materiais de arte
que ele disse que sua avó se recusou a comprar porque ela disse
que a escola deveria providenciar essas coisas, e então ele pediu
um pouco de gel de cabelo e desodorante Axe.

Gel de cabelo e Axe - ele definitivamente encontrara garotas.

—Você está esperando por uma ligação? — Lucas perguntou


enquanto caminhávamos pelo estacionamento do shopping no
caminho para o carro.

Eu olhei para o telefone na minha mão. —Não. Por quê?

—Porque você continua verificando isso.

Eu empurrei o telefone de volta no meu bolso.

—Não percebi que estava.

O pequena idiota sorriu.

—Você está esperando por uma garota ligar para você.

Foi difícil conter meu sorriso. Eu cliquei no botão de


destravar o carro e ele apitou. —Entre no carro, Casanova.

—Quem?

—Apenas entre.
Meu telefone tocou assim que chegamos à casa de Lucas. Sem
pensar, tirei do bolso e verifiquei o nome. Lucas deve ter lido meu
rosto.

—Você está totalmente esperando por uma garota enviar


uma mensagem de texto para você. — Ele sorriu.

Não havia sentido em mentir.

—Sim. Desculpe se eu me distraí.

Ele encolheu os ombros.

—Por que você não liga para ela?

—É complicado, amigo.

Lucas pegou as sacolas de compras no banco de trás e abriu a


porta do carro. Ele me disse para parar de levá-lo até a porta no
ano passado, então agora eu apenas sentava no carro e me
certificava de que ele entrasse bem.

Ele saiu do carro e recostou a cabeça para trás, uma mão no


alto da porta.

—Você tem que fazer o movimento, cara. Os bons não ficam


sozinhos por muito tempo.

O pequeno idiota jogou minhas próprias palavras de volta


para mim.
Capítulo 28
1 de Maio

Caro eu,

Nós fizemos isso! Meu primeiro namorado. Levou apenas


dezesseis anos. Mas Nick Adler é totalmente lindo. Ele sempre usa
um boné de beisebol para trás, e seu cabelo bagunçado sobressai
por baixo dele. Estamos juntos há duas semanas. E… nós fizemos o
primeiro movimento! Bem, tecnicamente, Bennett deu o primeiro
passo por nós. Tanto faz.

Costumamos almoçar com Bennett e um monte de outras


crianças. Nick se senta à mesa em frente a nós. Bennett continuou
nos dizendo para irmos sentar com ele - para dar o primeiro passo,
mas éramos muito frangos. Um dia, quando estávamos olhando
para Nick, Bennett gritou:

— Ei, Adler. Soph vai se sentar com vocês hoje, tudo bem? —
Nick encolheu os ombros e disse certo. Nós queríamos matar
Bennett. Ficamos tão nervosas quando tivemos que caminhar até lá.
Mas as coisas funcionaram. Nick e nós até saímos com Bennett e
Skylar - sua mais nova namorada - no último final de semana. A
namorada de Bennett já está na faculdade e é muito bonita. Ela era
legal, eu acho.

Ah... e nós tivemos que nos mudar novamente. Mamãe e


Lorenzo se separaram. Nosso novo apartamento é bem pequeno.
Mas pelo menos não é muito longe do último. Hoje meu poema é
dedicado a Nick.

Meu coração tem quatro paredes.

Ele tentou subir, mas caiu.

Para você, elas desmoronam.

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Anonimamente,

Sophie
Capítulo 29

Foda-se.

Eu pulei da estrada na próxima saída.

Eu juro, eu tomei banho e me vesti com todas as intenções de


encontrar meus amigos para bebidas no centro da cidade. Mas no
meio do caminho para o O'Malley, decidi por uma mudança de
planos.

E agora que cheguei mais perto, comecei a me questionar


novamente. Bianchi Winery não era apenas o lugar de seus pais -
eles também eram clientes.

Então, novamente, isso pareceu bom para o curso. Annalice


era a última pessoa que eu deveria estar perseguindo. Então, por
que não a rastrear na casa de um cliente? O que poderia dar
errado?

Tudo.

Qualquer coisa.

Mas… foda-se.

Eu fui convidado. Annalice havia me dito que Margo havia


feito um convite para mim. Pelo menos eu não estava invadindo a
festa.
Eu segui a longa estrada de terra assim que o sol começou a
se pôr. Cerca de uma dúzia de carros estavam estacionados ao
longo da frente da vinícola, incluindo o gêmeo do meu carro. Eu
estacionei e verifiquei meu telefone uma última vez. Eu morreria
se ela estivesse aqui com um encontro. Mas eu não podia imaginar
que ela era o tipo de mulher que sairia em um encontro algumas
noites depois de dormir com outro cara.

Inferno, eu era esse tipo de cara, e eu não poderia ter feito


isso depois da noite que tivemos.

Entrei na loja assim que Margo Bianchi saiu da adega.

—Bennett! Estou muito feliz por você estar se sentindo


melhor e decidiu se juntar a nós depois de tudo.

Se sentindo melhor? Eu fui com isso. —Acabou sendo apenas


uma coisa de vinte e quatro horas.

—Annalice e Madison estão lá embaixo. Eu só vou pegar


outra bandeja de queijo. Vá em frente. Todo mundo está amando a
nova colheita.

—Deixe-me dar uma mão com a bandeja primeiro.

—Absurdo. Você vai se divertir. Tenho certeza de que minha


filha ficará encantada em vê-lo.

Eu não estaria tão certo disso.

—OK. Obrigado.

A adega tinha quatro mesas de um lado e um longo bar de


pedra do outro. Eu examinei as mesas e vi rostos que não
reconheci. Mas eu definitivamente reconheci a parte de trás
exposta de uma mulher sentada no penúltimo banquinho do bar.
De costas para mim, ela não tinha nenhuma ideia de que eu estava
aqui.

Soltei um suspiro profundo e comecei a andar em direção a


ela. A mulher sentada ao lado dela me chamou a atenção e me viu
se aproximar. Eu segurei um dedo até meus lábios enquanto
minha outra mão tocou as costas de Annalice.

Eu me inclinei para sussurrar perto de sua orelha.

—Eu estava me sentindo melhor, então pensei em me juntar


a você depois de tudo.

Ela se virou tão rápido que ela cambaleou e quase caiu da


cadeira.

—Bennett?

A mulher ao lado dela levantou uma sobrancelha.

—Bennett? Como o cara quente do escritório?

Eu estendi minha mão.

—Esse mesmo. Bennett Fox. Prazer em conhecê-la. Eu estou


supondo que você é Madison?

—Eu sou. — Madison olhou para trás e para frente entre nós
dois. —Bem, esta é uma boa surpresa. Eu não sabia que Bennett
estava se juntando a nós hoje à noite.

Annalice parecia esgotada.


—Eu também não.

Madison sorriu e olhou para mim por uma resposta. Eu fui


com a verdade.

—Ela está me evitando há dois dias. Eu também tenho uma


calcinha dela no bolso que eu pensei que ela gostaria de pegar de
volta.

Sua amiga riu e se inclinou para beijar Annalice na bochecha.

—Eu gosto dele. Eu vou encontrar meu encontro. Vocês dois


sejam legais.

Eu deslizei para o lugar de Madison ao lado de Annalice,


mantendo minha mão nas costas dela.

—Então você fala sobre o quão quente eu sou com sua amiga?

—Não deixe sua cabeça inchar ainda mais. Foi o único elogio
que te dei.

Eu me inclinei. —Mesmo depois da outra noite?

Suas bochechas ficaram rosadas. Deus, por que eu amo tanto


isso nela?

—Gostei do seu vestido.

—Você nem sabe o que parece. Estou sentada.

Passei meus dedos ao longo da pele exposta de suas costas.


—Isso me permite tocar sua pele sem ter que deslizar minha
mão até sua saia. Então, é um dos meus favoritos. Ver a frente será
apenas cereja no topo do bolo.

Suas bochechas escureceram. Deus, eu queria transar com ela


em plena luz do dia para que eu pudesse observar todas as cores
que sua pele se transformava. Aposto que era melhor que a
folhagem de outono.

—O que você está fazendo aqui, Bennett?

Peguei o copo de vinho na frente dela e bebi dele.

—Margo me convidou. Você mesma me disse isso no outro


dia, lembra?

—Sim. Mas você não mencionou que estava vindo.

Eu segurei seus olhos.

—Eu teria, se você tivesse retornado minha ligação.

Ela desviou o olhar.

Matteo me notou pela primeira vez e fez muito barulho pela


minha chegada. Ele me recepcionou com diferentes vinhos da
safra deste ano e ficou conversando por um tempo, até que Margo
o afastou com um grande sorriso - alegando precisar de sua ajuda
com a máquina de fazer gelo no andar de cima.

Annalice traçou a borda do copo com o dedo.

—Nós nem sequer temos uma máquina de gelo.

Eu ri.
—Parece que eu não sou o único que acha que precisamos de
alguns minutos para conversar. Sua amiga desapareceu no minuto
em que cheguei aqui, e sua mãe está tentando nos dar um pouco
de privacidade.

Ela levantou o copo para os lábios.

—Talvez sua presença apenas repele as pessoas.

Eu sorri.

—Talvez. Mas o que a minha presença faz com você?

Annalice girou a cadeira para me encarar. Ela olhou em volta


- presumi ver o quão privado seria nossa conversa - então se
aproximou.

—Eu me diverti muito na outra noite.

Eu usei essa linha de abertura várias vezes para saber para


onde essa conversa estava indo.

—Mas... — eu disse para ela.

—Mas… nós trabalhamos juntos. Ou, na verdade, somos


praticamente concorrentes trabalhando na mesma empresa.

Eu me inclinei para sussurrar em seu ouvido, mesmo sabendo


que ninguém podia nos ouvir. Eu só queria uma oportunidade
para me aproximar.

—Você tem medo que eu vou foder seus segredos comerciais


fora de você?
Ela imitou meu movimento e se inclinou para sussurrar na
minha.

—Não. Você está?

Eu ri. Eu provavelmente deveria estar com medo. Porque eu


tinha certeza que mostraria o que ela quisesse para que ela
voltasse para casa comigo esta noite.

—Olha, vou colocar todas as minhas cartas na mesa. Eu não


consegui parar de pensar em estar dentro de você por dois dias.
Você ainda está superando o idiota. Não estou procurando nada
sério. Temos uma data de validade no futuro, gostemos ou não -
um de nós será enviado para o Texas. Podemos passar o próximo
mês ficando frustrados e chateados um com o outro no escritório,
ou podemos passar esse tempo chateados com Foster, Burnett e
Wren por nos colocar nessa situação, enquanto tiramos nossas
frustrações uns com os outros. Uma maneira produtiva à noite. Eu
voto para o último.

Ela chupou o lábio inferior enquanto pensava por um minuto.

—Então, durante o dia, se um cliente que estamos


representando me fornecer informações privilegiadas sobre a
direção que ele deseja seguir, e você descobre que eu não
compartilhei isso com você... você não ficaria chateado?

—Claro que sim, eu ficaria chateado. Mas essa é a beleza da


nossa situação. Eu ficaria chateado que você tem uma vantagem
sobre mim. Então, na manhã seguinte, você pode ter um pouco de
dificuldade em sair de mim, tirando essa frustração de você.
Vamos encarar, isso me daria uma desculpa para remar com
aquela bunda que eu tenho sonhado em remar desde o primeiro
dia que te vi. Mas sou competitivo, não um idiota. Então você pode
apostar que eu faria funcionar para você também.

Annalice engoliu em seco.

—E se a situação fosse invertida? Se eu descobrir algo que


você fez e isso me incomoda?

—Então eu vou te chupar até que você não esteja mais


chateada. E provavelmente tentar te irritar no dia seguinte.

Ela riu.

—Você está fazendo isso soar tão simples. Mas é muito mais
complicado que isso.

Eu peguei suas mãos nas minhas.

—Bem, há uma coisa.

—O que é isso?

—Vai ser difícil para você não se apaixonar por mim.

—Deus, você é um idiota.

Eu me inclinei.

—Um idiota que você tem química, goste ou não. Então o que
você diz? De dia nós lutamos como inimigos, de noite nós fodemos
como guerreiros?

Ela me olhou nos olhos.

—Eu realmente espero que eu não me arrependa disso.


Meus olhos se arregalaram. Eu não esperava que ela dissesse
sim, apesar de estar preparado para a convencer.

—No final do dia, só lamentamos as coisas que deixamos de


fazer. Então, vou me certificar de fazer tudo.

A amiga de Annalice voltou.

—Vocês dois parecem aconchegantes.

—Agora você vem interromper? Onde você estava cinco


minutos atrás, quando eu tive um lapso temporário de sanidade
mental e concordei com o negócio louco que esse lunático acabou
de propor?

Madison sorriu para ela.

—Você precisa de uma boa dose de insanidade. Além disso,


estamos ficando sem material para falar depois de vinte e cinco
anos de amizade. Isso nos dará todo o material novo para nossos
jantares semanais.

Annalice se inclinou e beijou a bochecha de Madison.

—Certamente vai.

***

Eu queria Annalice para mim mesmo desde o momento em


que eu entrei. Não que eu não tenha me divertido - porque
surpreendentemente, eu fiz. Sua amiga Madison era uma faladora
direta, e seu namorado era um cara decente também.
Mas agora eles acabaram de dizer adeus, e Annalice e eu
ficamos do lado de fora da vinícola, só nós dois, enquanto eles se
afastavam. A sujeira que subiu no ar dos pneus ainda não tinha se
estabelecido quando eu tinha o rosto dela em minhas mãos. Eu a
beijei suavemente no começo, mas eu não consegui me conter, e
não demorou muito para que ela se tornasse de dura a aquecida.

Ela gemeu em minha boca, e eu tive que me forçar a puxar


para trás antes que fosse tarde demais e acabasse transando com
ela contra uma árvore para seus pais saírem e verem.

Eu escovei meu polegar sobre seus lábios inchados.

—Venha para casa comigo.

—Eu não posso. — Ela franziu a testa. —Eu disse a minha


mãe que ficaria aqui hoje à noite. Amanhã de manhã eu a levo de
carona para entregar as garrafas grátis do vinho da nova
temporada para alguns de seus maiores clientes. Matteo prepara
um enorme brunch, e todos os catadores e trabalhadores vêm
para comer. Começamos a fazer isso no primeiro ano em que
compraram o local, e ficou como uma tradição.

Isso soou legal, mas eu era egoísta, então eu não conseguia


nem esconder meu beicinho.

—Awww... — Ela acariciou minha bochecha. —Você parece


eu no Natal quando abria todos os meus novos brinquedos e, em
seguida, minha mãe me fazia colocá-los de volta porque os
convidados estavam chegando.

Eu deslizei minhas mãos atrás das costas dela.


—Eu definitivamente quero brincar com meu novo
brinquedo.

—Acho que devemos estabelecer algumas regras básicas de


qualquer maneira, — disse ela.

—Uh-oh. As regras sempre me colocam em problemas.

Ela sorriu.

—Eu aposto que elas fazem. Mas acho que precisamos de


algumas.

—Como o quê?

—Bem, eu acho que não devemos tornar público no trabalho


que algo está acontecendo entre nós. Nem para nossos amigos.

Eu balancei a cabeça.

—Faz sentido.

—E quando estamos juntos fora do escritório, não falamos de


projetos de trabalho onde somos concorrentes.

—Certo.

—OK. Bem, isso foi fácil. Você geralmente não é tão


agradável.

—Eu também tenho algumas das minhas próprias regras


básicas que gostaria de estabelecer.

Annalice levantou uma sobrancelha.

—Você faz, não é?


—Sim.

—OK…

—A menos que um de nós termine as coisas antes da data de


expiração, somos monogâmicos.

—Eu acho que isso foi um dado para mim. Mas bom, eu estou
feliz que você coloque isso de qualquer maneira. Algo mais?

—Você está tomando pílula?

—Eu estou sim.

—Então vamos nos livrar dos preservativos. Eu tive meu


exame anual algumas semanas atrás. Limpo como um apito. Se
parece tão bom dentro de você usando eu preciso descobrir como
diabos é sem isso.

Ela se inclinou e apertou os seios contra mim, olhando para


cima.

—Nu... tudo bem.

—A que horas é o brunch de amanhã?

—Provavelmente as três.

—Venha direto para minha casa depois. Eu vou fazer o jantar


e comer você como sobremesa.

Ela olhou por baixo daqueles longos cílios e passou a língua


no lábio superior.

—E a minha sobremesa?
Eu gemi.

—Você está me matando, Texas.


Capítulo 30

Eu fiquei com a boca aberta, olhando para a vista.

Como Bennett e eu não morávamos longe um do outro, supus


que ele também morasse em um apartamento de cento e
cinquenta metros quadrados e sacrificasse espaço para a
vizinhança agradável. Mas as West Hill Towers - pelo menos o
apartamento em que eu estava atualmente - não sacrificaram
nada. Sua cozinha aberta e sala de estar era provavelmente duas
vezes o tamanho do meu apartamento inteiro. E quando olhei
para fora da minha janela, vi o prédio ao meu lado. Bennett tinha
uma visão milionária da baía e da ponte Golden Gate, com as
montanhas como pano de fundo.

Ele me trouxe uma taça de vinho e ficou ao meu lado


enquanto eu olhava embasbacada ao olhar a paisagem.

—Umm... Você rouba os bancos do lado?

O canto do lábio dele se contraiu. Ele ergueu a taça de vinho


para a boca.

—Eu sou bonito demais para ir para a prisão.

—Filhinho da mamãe?
Ele balançou sua cabeça.

—Ganhou a loteria?

Minha cabeça seguiu pensando. Ele poderia ter acabado de


me dizer qual era o negócio. Ele me conhecia bem o suficiente
para saber que não era provável que eu deixasse o assunto sem
uma resposta.

—Pais ricos? Você usa alguns ternos e sapatos caros.

—Meu pai era carteiro. Minha mãe era secretária de um


escritório de advocacia.

—Eu sei que, em média, os homens tendem a fazer mais do


que as mulheres nos mesmos trabalhos, mas isso... — Eu levantei
minhas mãos em direção a sua visão.

... — isso é um pouco insano.

Bennett colocou seu vinho em uma estante próxima, depois


tirou o meu da minha mão e colocou-a ao lado da dele.

Ele colocou os dois braços em volta da minha cintura.

—Você não me deu um beijo de olá.

—Eu acho que me distrai com a visão.

Seus olhos subiram e desceram pelo meu corpo.

—Estou muito distraído com a visão no momento.

Meu estômago tem aquele sentimento estranho.

Ele se inclinou.
—Beije-me.

Revirei os olhos como se fosse um fardo plantar meus lábios


nesse homem bonito, e depois me inclinei para dar um rápido
beijo. Só que quando fui recuar, Bennett enrolou a mão no meu
cabelo e não me deixou. Meu beijo apressado se transformou em
mais do que um olá. A outra mão de Bennett deslizou para a
minha bunda e ele me puxou contra ele. Eu senti o cutucão de sua
ereção contra a minha barriga.

Olá.

Ele quebrou o beijo com um puxão no meu lábio inferior


entre os dentes. Eu estava sem fôlego.

—Oi, — eu disse.

Sua boca se curvou em um sorriso. Ele empurrou meu cabelo


rebelde atrás da minha orelha.

—Ei, linda.

Nós nos encaramos, sorrindo como dois adolescentes tolos


que acabaram de sair pela primeira vez. Bennett usou o polegar
para limpar o batom borrado do meu lábio inferior.

—Eu sofri um acidente há muito tempo atrás. Teve um


grande acordo. Investi parte do dinheiro para comprar este lugar.

Levei um segundo para perceber o que ele estava falando. Seu


beijo me deixou atordoada.

—Oh. Sinto muito por ouvir isso. Espero que ninguém tenha
se machucado tanto.
Bennett me devolveu meu vinho.

—É melhor eu verificar o macarrão.

Enquanto ele voltava para a cozinha, eu bisbilhotei ao redor.


As janelas do chão ao teto na sala de estar eram a decoração em
seu apartamento, então ele não precisava de muito mais. Seus
móveis eram bonitos, escuros e masculinos, e ele tinha uma
gigantesca TV de tela curva na sala de estar.

O único sentido real de quem Bennett Fox teve de sair de suas


estantes de livros. Examinei os títulos - uma estranha mistura de
não-ficção política, livros de capa dura e algumas histórias em
quadrinhos bem usadas. Havia quatro pequenas fotos
emolduradas, duas das quais eram Lucas - uma em uniforme de
futebol com metade dos dentes da frente faltando em seu sorriso
e uma que parecia mais recente dele e de Bennett em um barco.
Eles pareciam ter um vínculo muito forte.

Havia outro de Bennett e uma mulher mais velha no que


parecia ser seu dia de formatura na faculdade. Eu me virei e
encontrei Bennett me observando da cozinha aberta.

—Sua mãe?

Ele assentiu.

—Graduação na escola.

Olhei mais de perto para a foto e pude ver a semelhança.

—Você se parece com ela. Ela parece muito orgulhosa aqui.


—Ela era. Saí dos trilhos por um ano no mês em que comecei
a pós-graduação. Desisti. Tenho certeza que ela nunca esperou
que eu voltasse aos trilhos e terminasse.

—Oh, agora estou curiosa. Espero ouvir mais sobre esse ano
louco em algum momento.

O rosto de Bennett ficou solene.

—Não é um ano que eu tenho orgulho.

Sentindo a necessidade de mudar de assunto, coloquei a foto


de sua mãe para trás e peguei o último quadro. Era uma garota,
provavelmente com dezessete ou dezoito anos, encostada em um
carro e sorrindo. Ela era bonita.

—Sua irmã? — Eu perguntei, embora eu me lembrei que ele


mencionou uma vez que ele era filho único. Bennett sacudiu a
cabeça.

—Amiga. A mãe de Lucas. —Ele disse que a mãe de Lucas


morreu há muito tempo, então eu não empurrei. Em vez disso,
olhei para baixo e estudei a foto. Seu filho parecia exatamente com
ela.

—Uau, ele é como seu pequeno mini-eu. — Bennett jogou


água na pia de uma panela fumegante.

—Ele está se tornando um pouco mais esperto assim como


ela também. — Coloquei a foto de volta e caminhei até os bancos
do bar sob o lado da sala do balcão da cozinha para vê-lo cozinhar.

—Você está bem? —


Ele arqueou uma sobrancelha.

—Você me diz.

—Tire sua mente da sarjeta, Fox. Eu estava me referindo à


sua comida.

—Minha mãe é italiana, então eu posso fazer algumas coisas.


Enquanto eu estava crescendo, ela trabalhou em tempo integral.
Quando eu era pequeno, ela pré-preparava cinco refeições
diferentes aos domingos para ficar no forno durante a semana, já
que ela trabalhava muito tempo extra. Eu fiquei por perto e a
ajudei. Eventualmente, ela parou de ter que passar um dia inteiro
na cozinha todo fim de semana, porque aprendi a fazer algumas
coisas e comecei a cozinhar para nós depois da escola.

—Isso é doce.

—Mas meu forte é sobremesa. Eu mal posso esperar para te


alimentar com o que planejei para mais tarde.

E... esse doce não vai durar muito tempo. Embora eu amasse
sua combinação única de doce e sujo.

Quando nos sentamos para jantar, cheirava bem. Minha boca


na verdade encheu d’água, embora eu não tivesse comido um
brunch completo há muito tempo. Eu imaginei que seria bom.
Bennett não era o tipo de homem que fazia qualquer coisa ruim.
Mas eu não esperava que ele fosse modesto. Seu espaguete
carbonara estava fora deste mundo.
—Isso é... orgásmico. — Eu apontei meu garfo para meu prato
depois de engolir minha segunda garfada. —Madison daria cinco
estrelas se ela comesse aqui.

Ele sorriu, em vez de se gabar como normalmente fazia em


todas as oportunidades.

—Obrigado.

Tive a sensação de descobrir que Bennett fora do escritório


era muito diferente do homem que eu conhecia no trabalho -
diferente no bom sentido. E por alguma razão, isso me deixou
nervosa. Era mais fácil imaginar ter um caso com o idiota que eu
trabalhava. Eu não precisava encontrar coisas para gostar dele,
além do corpo dele.

—Então, como foram suas entregas esta manhã e o brunch?

—Bom. Exceto que fiquei presa em um carro por horas com


minha mãe, e a única coisa que ela queria falar era que você
apareceu na degustação na noite passada.

Ele sorriu.

—Ela tem bom gosto.

Suspirei.

—Pelo menos ela parou de perguntar se ouvi de Andrew.

O garfo de Bennett estava a caminho de sua boca e ele


congelou.

—Você já ouviu?
—Ele me enviou uma mensagem na noite depois que nos
encontramos para jantar no hotel, mas eu não respondi, e ele não
me incomodou de novo.

Bennett enfiou uma garfada de macarrão na boca.

—Foda-se ele. Idiota.

Eu não pude deixar de sorrir. Eu adorava o quão defensivo


ele era sobre Andrew desde o começo.

—De qualquer forma. Como foi o seu dia?

—Tive dificuldade em adormecer ontem à noite, então


acordei tarde. Apenas fui ao ginásio e depois trabalhei até bem
antes de você chegar aqui.

—Você geralmente tem dificuldade em adormecer?

Ele olhou para cima parando de girar o macarrão. —Só


quando tenho bolas azuis.

Isso foi um beijo na noite passada.

—Você não poderia simplesmente...

—Bater uma?

—Sim, isso.

—Não ajudou.

O pensamento dele dando prazer a si mesmo por causa do


efeito que eu tinha nele me deu uma explosão de confiança
feminina.
—Me fale sobre isso. Eu dormi na casa da minha mãe. Minha
mão não funciona tão bem quanto o meu vibrador.

Bennett largou o garfo com um barulho alto. —Você está


dizendo que você se masturbou enquanto pensava em mim na
noite passada?

Eu dei-lhe um sorriso provocante e assenti.

Cinco segundos depois, eu estava de pé e fora do meu lugar.


Bennett me jogou por cima do ombro, estilo bombeiro.

—É hora da sobremesa.

Eu ri.

—Mas nós não terminamos o jantar ainda.

—Foda-se o jantar. Eu vou encher sua boca.

***

—Isso mesmo frio é delicioso, — eu disse com a boca cheia de


macarrão.

Eu não tinha ideia de que horas eram, mas o sol tinha


desaparecido há muito tempo. Nós passamos a noite toda na
cama, e agora estávamos passando uma tigela de macarrão frio
para trás e para a frente enquanto estávamos nus em seu quarto.

—Você é fácil de agradar. — Ele balançou as sobrancelhas. —


E eu quero dizer isso de algumas maneiras diferentes.

Parecia que Bennett não tinha problema em me agradar. Meu


corpo nunca foi tão responsivo. Não me entenda mal, eu não
estive com tantos homens para experimentar. Na verdade, eu
poderia contar todos eles em uma mão - incluindo o homem
sentado ao meu lado - mas você pensaria que depois de todos os
anos com Andrew ele teria sido melhor em apertar meus botões
do que um cara que eu passei duas noites.

—Você... o sexo é sempre bom para as mulheres com quem


você está?

Ele parou com o garfo a meio caminho da boca.

—Você está me perguntando se eu sou bom na cama? Porque


vamos encarar, nenhum cara vai dizer não a essa pergunta,
mesmo que ele precise de um roteiro para encontrar um clitóris.

Eu ri.

—Eu só quis dizer, o sexo é sempre assim para você?

Ele colocou a tigela de macarrão na mesa e terminou de


mastigar.

—Você quer saber se o sexo é sempre bom para mim porque


você não tem certeza se sou eu, nós ou se aquele idiota com quem
você perdeu oito anos é apenas um inútil na cama?

—Mais ou menos... eu acho.

—É tudo o que precede. Eu não tenho reclamações. Mas eu


gosto de uma mulher sentindo-se satisfeita tanto quanto, se não
mais, do que me satisfazer. Então, me esforço e observo-a,
descubro o que a faz vibrar.

—Oh. Ok. — Eu me senti meio desanimada por algum motivo.


Bennett colocou dois dedos debaixo do meu queixo e
levantou para que nossos olhos se encontrassem.

—Você não me deixou terminar. Mas há uma diferença entre


sexo bom e o que diabos acontece quando estou dentro de você.
Nós temos química, Texas. E nenhuma quantidade de atenção ou
trabalho duro pode tomar o lugar disso. Então, minha resposta é,
sim... Eu gosto de pensar que o sexo foi satisfatório para mim e
para as mulheres com quem estive. Mas o que temos
acontecendo? Não, nem sempre é assim.

Meu coração se agitou um pouco.

—OK.

Ele se inclinou e beijou minha bochecha.

—E para responder a última parte da sua pergunta, você era


privada, querida. Eu não sei muito sobre o menino idiota, exceto
que ele estava planejando usar você e não gosta de se deparar
com uma mulher que claramente gosta disso. E essas duas coisas
são suficientes para me dizer que o idiota é egoísta, e sim... ele não
era bom na cama. Então você foi privada. Fácil de agradar depois
daquele idiota.

Bennett se levantou da cama e, pela primeira vez, dei uma


boa olhada em seu corpo nu da cabeça aos pés. Seus ombros eram
largos e grossos, seus braços musculosos e esculpidos, mesmo
sem flexão, e ele tinha mais de oito pacotes de abs. E finalmente
consegui dar uma boa olhada na tatuagem que eu tinha visto
naquele dia no escritório - IV x MMXI com uma trepadeira escura
serpenteando ao redor das letras. Eu sabia que o numeral romano
I traduzia para um e V era cinco, então cinco menos um seria o
quarto mês - 2 de abril, oito anos atrás. Obviamente, a data era
importante se ele tivesse permanentemente coberta em seu
corpo.

Bennett se virou e pegou a tigela de macarrão que


compartilhamos, e vi uma longa cicatriz escorrendo pelo lado
esquerdo de seu abdômen. Ela corria de baixo da caixa torácica
para logo abaixo do umbigo. Sua pele estava naturalmente
bronzeada, então eu quase não percebi isso.

—Eu preciso de uma bebida, — disse ele, completamente


alheio a minha curiosidade sobre o que parecia ser um rastro de
pistas por todo o corpo. —Você quer uma água ou refrigerante ou
algo assim? Vinho, talvez?

—Eu adoraria uma água. Obrigada.

Eu engoli metade da garrafa quando ele voltou. Toda essa


respiração pesada deve ter secado minha garganta. Nós não
tínhamos falado sobre arranjos para dormir, então eu não trouxe
nenhuma roupa. E fiquei acordada até tarde ontem à noite
ajudando minha mãe a limpar depois da festa, e depois acordando
cedo esta manhã para pegar a estrada para suas entregas.
Aparentemente, minha mente e meu corpo estavam em sincronia,
porque eu bocejei.

—Eu provavelmente deveria ir em breve.

Bennett tinha uma mão atrás da cabeça, casualmente deitado


na cama, como se estivesse completamente vestido, em vez de
completamente nu, com tudo à mostra. Ele estendeu a mão livre e
me puxou para ele, posicionando minha cabeça em seu peito. —
Fique mais. Eu sei que você provavelmente está cansada. Eu
prometo deixar você dormir. Mas podemos tomar banho juntos de
manhã.

Eu sorri com a minha bochecha contra seu peito.

—Eu não tenho roupas.

—Você nunca vai precisar de nenhuma aqui. — Ele acariciou


meu cabelo. —Na verdade, eu diria que é uma aposta bastante
segura que você estará principalmente nua quando estiver na
minha casa.

—Eu quis dizer para o trabalho amanhã.

—Eu posso te levar para casa agora para pegar alguma coisa,
se você quiser. Ou se não, vá para casa cedo amanhã de manhã
para se vestir para o escritório. Eu vou correr enquanto você faz
isso para que você não sinta que eu tenho uma vantagem injusta
de chegar ao escritório antes de você.

Minha cabeça queria discutir. Provavelmente seria melhor se


nós apenas nos afastássemos e não começássemos festas de
pijama. Mas meu corpo estava em total desacordo.

—Eu acho que eu poderia fazer isso - parar na minha casa


pela manhã, quero dizer.

—Bom. Então está resolvido. Vou definir o alarme mais cedo


para um bom e longo banho.

Meu corpo começou a relaxar, e o dele também pareceu. Eu


estava deslizando meus dedos ao longo do punhado de cabelo em
seu peito, e comecei a traçar a cicatriz em seu abdômen. Os
músculos de Bennett ficaram tensos quando ele percebeu o que eu
estava fazendo.

Inclinei a cabeça para olhar para ele.

—Isso é do seu acidente?

Ele assentiu.

—Meu baço foi removido. Rompido no impacto.

—Uau. Isso deve ter sido um acidente e tanto.

O músculo em sua mandíbula flexionou. —Sim.

—Quantos anos você tinha?

—Vinte e dois.

Eu inclinei minha cabeça para baixo e beijei a cicatriz, com a


intenção de rastrear uma linha de beijos de cima para baixo. Mas a
voz curta de Bennett me parou.

—Não.

Eu congelei.

—OK.

Colocando minha cabeça de volta em seu peito, de repente


me senti realmente estranha.

—Desculpa. Eu não queria chatear você. Eu estava pensando


em algo que minha avó costumava dizer. As cicatrizes são os
mapas da história de onde estivemos.
Ele ficou quieto por um longo tempo. Quando ele finalmente
falou, sua voz estava baixa. —Nem toda cicatriz leva a uma
história com um final feliz, Annalice.

—Ok, — eu disse suavemente. —Eu sinto muito.

Durante a próxima hora, nenhum de nós disse uma palavra.


Eu me perguntei se ele se arrependia de me pedir para ficar.
Mesmo que eu estivesse exausta, não consegui dormir. Eu pensei
que poderia ser melhor se eu fosse para casa. Mas se ele tivesse
adormecido, eu não queria acordá-lo.

—Bennett? — Eu sussurrei.

Ele não respondeu, então eu cuidadosamente puxei as


cobertas e tentei o meu melhor para não fazer a cama balançar
para que ele não acordasse. Eu cheguei a sentar quando sua voz
me assustou.

—Onde você vai?

—Merda. Você me assustou. Eu pensei que você estava


dormindo.

—Você ia tentar fugir?

—Não. Ummm... sim. Eu pensei que talvez fosse melhor se eu


fosse para casa.

Ele me puxou de volta para o seu peito, abraçando meu


ombro apertado para ele. —Não seria.

—Você tem certeza?


—Você é uma garota legal. Uma boa mulher. Eu gosto de você
aqui. Mas se eu disser que algumas das minhas cicatrizes não
podem ser curadas por dentro, você vai tentar me curar.

—E algo está errado com isso?

—Algumas cicatrizes não merecem ser curadas. Mas isso não


significa que eu quero que você vá para casa. Durma um pouco,
querida.
Capítulo 31

—O conselho selecionou a última das contas em que vocês


dois serão avaliados, — disse Jonas. —É uma nova conta para
vocês dois, então eu acho que vocês serão tão felizes quanto vocês
poderiam ser sob as circunstâncias.

—Isso é ótimo. Que tipo de conta é essa? —Perguntou


Annalice.

Ao mesmo tempo, ela também descruzou e cruzou as pernas,


então eu perdi o controle da conversa. Não ajudou que eu
soubesse que ela não tinha calcinha debaixo daquela saia. Depois
de uma hora de foda no chuveiro esta manhã, eu saí correndo
enquanto ela foi para casa se vestir. Acontece que chegamos ao
trabalho exatamente ao mesmo tempo, e nós dois tivemos que
estacionar no estacionamento na rua, em vez dos locais habituais
que nos esbarramos perto do prédio quando estávamos
adiantados.

Ela me mandou uma mensagem de seu carro, me pedindo


para andar em frente para que as pessoas não suspeitassem de
nada se entrássemos ao mesmo tempo. Eu pensei que era um
exagero, mas logo percebi que ela estava cheia de merda e porque
ela realmente precisava do minuto sozinha.
As portas do elevador em que eu havia entrado começaram a
se fechar quando Annalice entrou no saguão do prédio. Em vez de
deixá-lo ir e pegar o próximo, ela acenou e gritou da porta.

—Segure o elevador, por favor!

Havia algumas outras pessoas no elevador e uma mulher da


contabilidade apertou o botão aberto.

—Obrigada. — Annalice entrou correndo e parou ao meu


lado. Tentando seguir o seu pedido de que ninguém no trabalho
descubra sobre nós, eu a reconheci com um simples aceno e olhei
para frente. Ela, por outro lado, saiu do seu caminho falar comigo
na frente das pessoas.

—Bennett. — Ela estendeu uma sacola de papel marrom. —


Eu acho que você pode ter deixado algo cair do seu carro no
estacionamento. — Seu rosto não demonstrava nada, mas eu
peguei o brilho em seus olhos.

O que diabos ela estava fazendo? Eu peguei a bolsa, apesar de


não ter largado.

—Sim eu fiz. Obrigado.

No nosso andar, ela saiu do elevador primeiro, me dando uma


boa visão de seu traseiro enquanto eu a seguia pelo corredor.
Curioso, entrei no meu escritório e abri o saco de papel pardo.
Uma nota estava em cima de um tecido vermelho rendado. A
tanga ainda estava quente.
Não deixe que isso te distraia hoje. Ou o fato de que eu a
tirei no carro.

Eu ri, pensando que ela estava sendo fofa. Mas agora eu


percebi que estava realmente distraído. Era eu, ou ela parecia
ainda mais foda hoje do que o habitual? A que distância ficava o
motel mais próximo do escritório? Eu me perguntei se ela estaria
pronta para uma rapidinha no almoço.

Esse pensamento ainda estava rolando na minha cabeça


quando Jonas deu o nome da nova conta - Pet alguma coisa ou
outra. Mas a mudança no tom de Annalice me trouxe de volta da
terra da fantasia. Ela parecia apreensiva.

—Suprimentos para animais? A empresa on-line sediada em


San Jose?

—Esse é a única, — disse Jonas. —Você está familiarizada


com eles?

Ela olhou para mim e depois de volta para Jonas.

—Sim eu estou.

Eu apertei os olhos.

—Você já conheceu eles antes?

Annalice balançou a cabeça e falou com Jonas.

—Trent e Lauren Becker, certo?

Jonas assentiu.
—Sim, são eles. Você já trabalhou com eles antes?

Algo sobre a reação de Annalice estava errado. Ela não


parecia animada que ela os conhecesse, quando isso poderia ser
uma vantagem clara.

—Não, eu não fiz. Como a RFP entrou?

—Nosso CEO recebeu uma ligação de seu CEO.

—Oh. OK. Lauren pode nem saber que eu trabalho aqui com a
fusão e tudo mais. Mas eu posso ligar para ela.

—Por que você? — Que tipo de jogo ela está jogando?

—Porque eu a conheço.

Eu endireitei minha gravata.

—Obviamente não tão bem se ela não ligou para a RFP e nem
sabe que você trabalha aqui.

—Eu vou fazer a ligação, Bennett. Não preocupe sua linda


cabecinha. Não tentarei excluir você da obtenção de informações.
Mas ambos sabemos que é melhor para alguém com um
relacionamento assumir a liderança do que alguém sem um.

—Eu acho que isso depende de quem é mais competente.

Annalice me deu um olhar maligno e falou com Jonas.

—Eu fui a alguns trabalhos com Lauren e Trent.

—Se você os conhece tão bem, por que você não os lançou
antes?
—Porque foi uma daquelas coisas que, na época, achei
melhor não misturar negócios com eles.

Por que diabos ela estava sendo tão sombria?

—No momento? E agora tudo bem para misturar negócios


com eles? Qual é o negócio, Annalice?

Ela suspirou e chamou minha atenção antes de se virar para


Jonas.

—Lauren é a irmã do meu ex. A empresa foi iniciada pelos


avós de Lauren há sessenta anos. Mas ela e seu marido, na maioria
das vezes, administram isso agora. Eu os conheço muito bem.
Andrew e eu estivemos juntos por oito anos.

—Ótimo. Então, estamos sendo julgados em três contas. Um,


o novo diretor de criação quer entrar nas suas calças e outro, o
irmão do dono já esteve lá.

—Bennett! — Jonas repreendeu. —Você está andando em


uma linha fina. Sei que esse trabalho é importante para você e, em
um mundo perfeito, a única vantagem de conseguir uma conta
seria o fato de que o argumento de alguém é melhor. Então vou te
dar uma folga por estar chateado. Mas eu não vou sentar aqui e
ouvir você falar sobre Annalice dessa maneira.

Eu me levantei abruptamente.

—Bem. Então eu vou sair. Parece que Annallice vai liderar


esse campo com os Beckers de qualquer maneira.

***
—Você deve estar brincando comigo! — A porta tremeu
quando ela se fechou atrás de Annalice.

Eu esfreguei minhas mãos no meu rosto e rosnei.

—Volte para o seu escritório. Eu não estou com vontade de


discutir e tenho trabalho a fazer.

Ela marchou em direção a minha mesa. —Você está agindo


como uma criança. Eu claramente não fazia ideia de que o
argumento da conta estava chegando. Não sei com o que você está
tão bravo. Eu provei que sou justa quando se trata de clientes com
quem tenho um relacionamento.

—Um relacionamento, hein? — Eu zombei. —Pensei que você


não tinha mais esse relacionamento.

As sobrancelhas de Annalice subiram e então um olhar de


compreensão cruzou seu rosto. Ela se aproximou de mim.

—É disso que se trata? Andrew? Eu pensei que você estava


com raiva que eu tinha uma vantagem no trabalho.

Sentimentos desconhecidos sacudiram minha jaula, fazendo-


me sentir como um leão trancado. Meu primeiro instinto foi sair
do porão.

—Quem você fode não é da minha conta, a menos que você


esteja me fodendo ao mesmo tempo.

Ela parecia magoada.


—Quem eu fodo não é da sua conta? Eu pensei que nós
decidimos que nenhum de nós estaria transando com mais
ninguém.

Eu não queria me sentir mal. Eu estava chateado. Fodido


Andrew. Se ele não estivesse nisso, aquele idiota estava jogando
algum tipo de jogo. Isto não era uma coincidência.

—Ele pode não ser bom em atacar você, mas eu descobri que
você é um pouco profissional em dar atenção. Tenho certeza de
que você pode levar uma para o time e ajoelhar-se para ajudar a
conquistar a conta.

Ela recuou e foi dar um tapa no meu rosto. Só que peguei o


seu pulso antes que ela acertasse.

—Foda-se, — ela fervia.

Eu exibi um sorriso presunçoso.

—Estive lá, fiz isso.

Sua outra mão surgiu, e ela tentou dar um tapa do outro lado.
Esse foi ainda mais fácil de pegar.

—Você é um idiota. — Ela olhou para mim, seu peito estava


arfando.

Olhando para baixo, notei seus mamilos apontando através


de sua camisa. Eu deixei meus olhos demorarem para que ela
notasse o que tinha prendido minha atenção, e então os levantei
para encontrar os dela.

—Você deve gostar de idiotas, então.


—Vá para o inferno, — ela sussurrou.

—Eu já estou lá, querida.

Ela olhou para trás e para frente entre os meus olhos, e um


sorriso perverso puxou o canto de seus lábios.

—Pelo menos, Andrew pode me levar a algo produtivo. Eu


não sei o que eu estava pensando em perder meu tempo com você.

Eu respirei fundo e senti como se fosse um touro soltando


vapor de seu nariz. Annalice estava agitando uma capa vermelha
no maldito ar, desafiando-me. Esse pensamento, o de uma capa
vermelha me lembrou o que ela me deu esta manhã. Além disso, o
que ela não estava vestindo.

Eu me inclinei para ela, nariz com nariz. —Você gosta de


transar comigo? Você está molhada para mim agora?

Sim. Eu perdi isso. Meu pau endureceu, e eu precisava tocá-la,


não importa o quanto isso parecesse insano.

Seus olhos se arregalaram. Ainda segurando seus pulsos, eu


os puxei e levantei seus braços no ar. Então eu transferi os dois
pulsos para uma mão e coloquei a outra sob a saia dela. Sua
boceta estava quente e macia. Se discutir com ela era o inferno,
isso era o paraíso.

Eu não podia dar a ela uma chance de estragar o momento e


me impedir. Então, sem qualquer aviso, eu fui em frente. Eu
deslizei dois dedos dentro dela, e ela engasgou. Minha boca
desceu sobre a dela, e eu engoli seu gemido quando eu bombeei
minha mão três vezes rápidas.
Quando ela arqueou as costas e empurrou para mim, presumi
que era seguro soltar seus pulsos. Eu a guiei para se inclinar
contra a borda da minha mesa e caí de joelhos. Eu precisava
prová-la muito mal. Não estava perdido em mim que nós
estávamos brigando sobre o ex dela, e eu escolhi ir atrás dela.

Eu simplesmente não dava a mínima para o que, no mínimo,


significava no momento. A única coisa importante para mim agora
era que eu precisava que ela viesse.

Em. Minha. Boca.

Eu fui como uma tempestade, lambendo e chupando,


enterrando meu nariz profundamente dentro dela, ela começou a
rebolar na minha cara. Alguns homens dizem que a coisa mais
sexy que uma mulher pode fazer é falar sujo ou se submeter a
eles, mas eles obviamente não tiveram seus cabelos puxados e
arrancados por uma mulher que atualmente odeia suas entranhas.

Nada. Mais. Sexy. No. Mundo.

Quando eu deslizei dois dedos de volta para dentro dela e


chupei forte seu clitóris, ela começou a ficar alta. Felizmente, um
de nós se lembrou de onde estávamos - obviamente eu não dava a
mínima desde que eu estava descendo em uma mulher na minha
mesa com uma porta destrancada - mas eu estava lúcido o
suficiente para pelo menos usar minha outra mão para cobrir sua
boca.

Depois que ela ficou mole, diminuí meu ritmo, mas permaneci
de joelhos para desfrutar de algumas voltas mais agradáveis de
sua doçura. Então eu abruptamente me levantei e limpei meu
rosto com as costas da minha mão.

Annalice piscou algumas vezes como se estivesse voltando de


outro lugar, mas não tentou se mexer. Claramente ela não ouviu o
barulho da primeira vez.

Eu a levantei e abaixei a saia em um movimento rápido. Ela


parecia confusa... até que ouviu a segunda batida na porta do
escritório.
Capítulo 32

Merda!

Bennett abaixou minha saia, endireitou minha blusa e alisou


meu cabelo antes que eu percebesse o que diabos estava
acontecendo. Mas ele estava tão ocupado me consertando, que ele
não percebeu como ele estava.

Em pânico quando a porta começou a se abrir, peguei a coisa


mais próxima que consegui encontrar e joguei na situação
ofensiva.

Apenas… aconteceu de ser um café grande.

Quando se conectou com o meu alvo, a tampa saiu e todo o


conteúdo espalhou-se por toda a calça de Bennett no momento em
que Jonas entrava.

—Que porra é essa? — Bennett gritou.

—Eu sinto muito. Foi... foi um acidente.

Jonas franziu a testa e fechou a porta atrás dele.

—Vocês dois, vão embora. Todo o escritório pode ouvir vocês


discutindo. Vocês parecem dois gatos brigando.
Bennett abriu a gaveta de cima, pegou um punhado de
guardanapos e enxugou as calças.

—Não é o que você pensa, — eu disse. —Nós estávamos


discutindo inicialmente, sim. Mas então nós... encontramos uma
maneira mutuamente benéfica de trabalhar com isso. Estávamos
prestes a ligar para o cliente quando eu derrubei o café de Bennett
pegando seu telefone da mesa.

Jonas apertou os olhos. Ele parecia não acreditar em


nenhuma palavra que eu disse. Mas então Bennett me cobriu,
ainda enxugando a virilha encharcada.

—Nós temos isso, Jonas. Eu me desculpei pelas coisas que eu


disse em seu escritório, e nós… nos beijamos e fizemos as pazes. O
café foi um acidente.

Ele olhou para trás e para frente entre nós dois, ainda não
parecendo totalmente convencido.

—Talvez vocês dois devessem tirar isso do escritório. Vão


tomar uma bebida ou comer alguma coisa. Fazer amigos. Está
bem.

—Comer alguma coisa. — Bennett assentiu. Eu peguei a


contração no canto do seu lábio, mas felizmente Jonas não parecia
perceber.

—Boa ideia. Obrigado, Jonas.

Nosso chefe resmungou algo sobre ser velho demais para


essa merda e nos deixou sozinhos no escritório de Bennett
novamente. Ele até fechou a porta atrás dele.
—Que porra é essa? — Bennett apontou para suas calças
encharcadas.

—Você tinha uma mancha molhada.

—O que?

—Um ponto molhado gigante. Você sabe, a garoa antes do


aguaceiro. E uma ereção.

—Então sua resposta foi jogar um café cheio no meu pau ao


invés de...., eu não sei, me entregar um arquivo para me cobrir?

Eu comecei a rir.

—Eu entrei em pânico. Eu sinto muito.

—Acho que eu deveria estar feliz por não estar mais quente.

Eu cobri minha boca, mas não consegui conter meu sorriso.

—Isso foi... absolutamente insano.

O sorriso de Bennett estava convencido. —Isso foi muito


gostoso.

—Isso nunca pode acontecer novamente.

—Isso definitivamente está acontecendo de novo.

—Você agiu como um idiota.

—Da próxima vez que brigarmos, vou empurrá-la para o chão


e te alimentar com meu pau. Bem aqui neste escritório. Porta
destrancada.
Meu estômago se agitou nervosamente. Eu não tinha dúvidas
de que ele faria isso. E por mais insano que fosse, o pensamento
me excitou. Mas eu não podia deixar que ele soubesse disso.

Eu alisei minha saia e dei um passo para trás.

—Você me deve um pedido de desculpas pelas coisas que


você disse esta manhã.

Ele sorriu.

—Eu pensei em te dar uma desculpa. Mas eu sou o jogo para


dar-lhe outro.

—Eu quero dizer isso, Bennett. Você não pode agir como um
namorado ciumento no escritório.

—Eu não estava com ciúmes.

Ele parecia genuinamente confuso com o meu comentário.


Será que ele realmente achava que o que acabara de acontecer era
outra coisa senão o bom e velho comportamento de macho alfa,
ciumento?

—Você não estava com ciúmes? Então, com o que você estava
todo chateado?

Ele jogou os guardanapos que usara para limpar as calças no


cesto de lixo.

—Foi sobre o trabalho. O campo de jogo deve ser nivelado


para nós.

Eu estudei seu rosto. Deus, ele realmente não tinha ideia.


—Uh-huh.

A gaveta de sua escrivaninha ainda estava aberta desde


quando ele tirou os guardanapos. Eu alcancei e bisbilhotei.

—Novo super-herói? — Eu arqueei uma sobrancelha.

—Dê-me isso. — Bennett tentou roubar o bloco de anotações


cheio de rabiscos da minha mão, mas eu puxei de seu alcance.

—Parece um pouco familiar. — Sua última obra de arte


apresentava uma caricatura com cabelos grandes e seios gigantes.
Ela parecia exatamente comigo - com uma capa, claro.

Ele se aproximou e removeu o bloco da minha mão.

—Você sabe o superpoder que tem?

—O que?

—O poder de levar as pessoas a loucura.

Eu exibi um sorriso bobo.

—Você acha que eu sou uma Super-heroína?

—Não deixe isso subir à sua cabeça, Texas. Eu desenho


muitos desenhos animados.

Apontei para o rabisco com o super-herói encostado a uma


mesa, com as pernas bem abertas em uma posição de poder. A
única coisa que faltava era a cabeça de Bennett entre elas.

—Sim. Mas nem todas as suas fantasias se tornam realidade.

***
Eu tinha debatido se convidaria Bennett para se juntar a mim
o dia todo.

E se minha competição fosse com um homem de sessenta


anos, felizmente casado, em vez de um solteiro de trinta e um
anos, incrivelmente sexy que acabou de me dar três orgasmos
hoje de manhã - dois em seu chuveiro e outro em sua mesa?

Eu jogaria limpo? Ou eu estava dando mais do que deveria


porque eu tinha um fraco por Bennett Fox? (E talvez tenha
gostado do seu ponto duro também?) Eu me importava como
venceria a batalha, desde que ganhasse?

Infelizmente, eu me importei. E eu sabia que era a minoria.


Em uma competição acirrada como essa, a maioria das pessoas
usaria todas as vantagens para vencer a guerra. Mas era
importante para mim ganhar justamente. É só quem eu sou.

Então, às cinco para as quatro, fui até o escritório de Bennett.


Ele estava no fundo da arte, que ele espalhou por toda a mesa no
canto do seu escritório.

Eu bati na porta aberta.

—Você tem um minuto?

Ele mexeu as sobrancelhas.

—Isso depende do que você tem em mente.

—Basta vir ao meu escritório em cinco minutos.

Eu me virei e caminhei de volta pelo corredor, mas ele


apareceu na porta do meu escritório na hora certa.
Eu fiz sinal para a porta.

—Feche a porta. Eu preciso fazer uma ligação no viva-voz

Bennett sorriu.

—Com certeza.

O idiota pensou que eu iria convidá-lo para outra coisa. Em


vez de explicar, apertei o botão do viva-voz e disquei.

O assistente atendeu no primeiro toque. —Escritório de


Lauren Becker.

Eu olhei para Bennett. Suas sobrancelhas se levantaram.

—Oi. Sou Annalice O'Neil chamando por Lauren. Nós


conversamos hoje cedo e eu agendei uma ligação para as quatro.

—Sim. Ela está esperando por sua ligação, Annalice. Eu vou te


transferir ok.

—Obrigada.

Ela colocou a chamada em espera e meu olhar se fixou no de


Bennett.

—Eu vou bater em você porque eu sou boa no meu trabalho.


Não por causa de qualquer outra coisa.

Bennett olhou para mim, seu rosto ilegível.

Lauren veio ao telefone dois segundos depois.

—Anna?
Eu peguei o receptor.

—Sim. Oi Lauren.

—Como você está? Deus, já faz muito tempo.

—Sim. Eu não sei se você está ciente ou não, mas eu trabalho


na Foster, Burnett e Wren agora. As duas empresas se fundiram.

Eu olhei para Bennett enquanto ouvia sua resposta.

—Oh, — ela disse.

—OK. Sim. Eu não tinha certeza se Andrew tinha contado a


você. Obrigada. Agradeço a sua inclusão na RFP.

A mandíbula de Bennett flexionou e eu suspirei. Eu não tinha


controle sobre como o negócio tinha vindo em nossa direção, mas
eu tinha controle sobre como conseguia isso. Lauren e eu nos
encontramos por um minuto, e então eu limpei minha garganta.

—Espero que você não se importe, mas convidei um colega


para se juntar a mim nesta ligação. Ele acabou de entrar. Seu
nome é Bennett Fox.

Depois que ela disse que não se opunha, eu coloquei o


telefone de volta no viva-voz. Nós três conversamos por meia hora
sobre a RFP e o que ela estava procurando. No final do nosso
chamado, sugeri que nos reuníssemos para o jantar para discutir
as coisas na próxima semana.

—Isso seria bom. Eu sei que Trent adoraria ver você também.
—Ela fez uma pausa. —E quanto a Andrew? Devo ver se ele
gostaria de se juntar a nós? Ele mencionou que as coisas estavam
difíceis desde a fusão e achou que seria um bom momento para
finalmente trabalharmos juntas.

Bennett parecia tão desconfortável quanto eu me sentia.

—Se você não se importa, eu prefiro que você não o convide.


Não estamos… Eu nem sabia que ele tinha falado com você sobre
minha mudança no trabalho ou pedir para você incluir na RFP.

Lauren suspirou.

—Sim eu entendo.

Eu não tinha ideia do que esperar de Bennett quando


desliguei, mas o que consegui, soube que era sincero.

—Obrigado por me incluir.

Eu balancei a cabeça.

—Você é bem-vindo.

Ele deu alguns passos em direção à porta do meu escritório e


depois voltou.

—Por quê?

Eu não tinha certeza se entendi a pergunta. —Porque o que?

—Por que você quer ganhar sendo justa? É por causa do que
está acontecendo entre nós?

—Eu realmente pensei sobre isso antes. — Eu sorri. —Não se


iluda. Eu estaria fazendo as coisas da mesma maneira, mesmo se
você fosse um homem de sessenta anos de idade, felizmente
casado.

—Uau. — Ele balançou a cabeça. —E aqui estava eu pensando


que você era apenas uma boa pessoa. Mas você deixaria um cara
de sessenta anos casado descer em você em seu escritório?

—Isso não foi o que eu quis dizer!

Bennett piscou.

—Eu sei. Mas vamos fingir, então eu não tenho que admitir
que você é uma pessoa muito melhor que eu.
Capítulo 33

—Você gosta de Star Wars?

Apertei o mudo no Sports Center e olhei para Annalice. Ela


tinha três jornais diferentes espalhados por toda a minha cama.
Eu preferia minhas notícias na forma de CNN ou ESPN, mas nas
últimas semanas, nós nos acomodamos em uma rotina de sábado
de manhã que eu gostava.

Nós faríamos sexo de manhã cedo, e então eu iria para uma


corrida enquanto ela nos fazia o café da manhã. A caminho de
casa, pegava três jornais diferentes e, depois que comíamos, eu
assistia ao Sports Center enquanto ela lia os jornais por horas.

Eu mencionei que ela cozinhou e leu enquanto usava uma das


minhas camisetas sem sutiã ou calcinha por baixo? Sim, essa é a
minha parte favorita.

Eu coloquei minha mão sob a bainha da camiseta branca que


ela usava e esfreguei sua coxa.

—Eu gosto de Star Wars. Eu não sou uma dessas aberrações


que andam por aí vestidas como Yoda ou Chewbacca em uma
convenção anual de aberrações, mas eu vou ver os filmes. Por
quê?

Annalice encolheu os ombros.


—Nenhuma razão.

Mas algo sobre sua resposta talvez fosse muito rápida ou


muito curta me disse que ela estava cheia de merda.

—Você não é uma dessas aberrações, não é?

Suas bochechas ficaram sombreadas de rosa.

—Não, eu não sou.

Eu apontei para o rosto dela.

—Nem tente, Texas. Você já está no meio do caminho para o


tomate.

Ela largou o papel.

—Bem. Eu costumava me vestir como a Princesa Léa. —Sua


voz baixou. —E talvez às vezes Aayla Secura e Shaak Ti.

Eu ri.

—Quem?

—Esqueça.

—Ah não. Você abriu esta lata de vermes. Agora que eu sei
que você é uma louca por Star Wars, quero saber com o que estou
lidando. Estamos falando apenas de trajes de Halloween,
lancheiras, e você tem toda a língua Klingon decorada, ou fã
enlouquecida que se veste e vai a convenções?

—Klingon é Star Trek, não Star Wars.

—O fato de você saber isso me diz muito.


Annalice revirou os olhos.

—Por que eu ainda compartilho alguma coisa com você?

Eu ri.

—OK. Eu não vou provocar, minha idiota sexy. O que te fez


perguntar?

Ela apontou para um artigo no jornal. —Estou lendo sobre


merchandising de filmes que superou as vendas de bilheteria. Star
Wars teve quase trinta e cinco bilhões em merchandising.

—Acho que você tem um monte de amigos em potencial lá


fora em dorkland.

Ela bateu no meu estômago com as costas da mão.

—Cale-se.

—Você sabe que há uma nova terra chegando à Disneylândia


em breve: Star Wars: Galaxy's Edge.

—Duh. Eu sei. Eu mal posso esperar.

Esta tarde foi a minha viagem anual à Disney com Lucas - seu
fim de semana de aniversário foi a única noite que Fanny me
permitiu. Todos os anos, nós dirigimos no sábado à tarde e
passamos a noite e todo o dia seguinte indo em passeios. Lucas
sempre escrevia uma lista dos passeios que eram novos a cada
ano, e desta vez um deles tinha o tema de Guerra nas Estrelas.

—Você vai em passeios na Disney? — Eu perguntei.

—Eu costumava. Mas eu não vou em anos.


Eu não mencionei minha viagem com Lucas, mas eu estava
brincando com ela durante toda a semana.

—Estou indo até a Disney com o Lucas esta tarde. É seu


aniversário esta semana e fazemos uma viagem anual.

—Oh. Fantástico. Você faz coisas divertidas com ele.

Eu nunca realmente trouxe mulheres ao redor de Lucas,


principalmente porque os relacionamentos que eu tinha não
pareciam se encaixar nas minhas visitas semanais com ele. Eu
levava mulheres para jantares onde elas usavam vestidos bonitos,
e então eu as levava para casa, não para pescar ou correr de kart.
Mas Annalice e eu éramos diferentes. Nós passávamos horas
trabalhando juntos todos os dias, e quando não estávamos
brigando ou transando, nós realmente nos divertíamos muito
sentados sem fazer nada em manhãs como essa.

Mesmo que tenha sido apenas um mês, eu a conheci muito


melhor do que qualquer pessoa que eu tinha namorado por seis
meses. Além disso, ela gostaria do novo passeio de Star Wars que
eles colocaram. Então, agora eu me sentia quase obrigado a
convidá-la. Era a coisa certa a se fazer.

Eu desliguei a TV sem som.

—Por que você não vem com a gente?

Ela parecia tão surpresa quanto eu que a convidei.

—Para a Disney? Com você e Lucas?

—Sim. Por que não? Você pode conhecer o novo passeio de


Star Wars, e Lucas vai ter alguém para curtir essa merda.
—Você não vai em passeios com brinquedos?

—Não. Na oitava série, eu estava morrendo de vontade de


ficar com Katie Lanzelli. Eu a levei para a feira da cidade e planejei
beijar ela na roda-gigante. Logo antes de continuarmos, fui ao
Gravitron. Coloquei minhas entranhas para fora depois que eu saí.
Não poderia sujeitá-la a me beijar depois disso. Então parei de
andar nesses brinquedos naquele dia.

Annalice riu.

—Sua perversão não conhece limites. Isso afeta até mesmo


suas viagens à Disney.

—O que você diz? Quer vir? —Eu deixei minha mão em sua
perna viajar mais alto e acariciei a pele sensível no interior de sua
coxa, bem ao lado de seus lábios. —Eu tenho que te pegar um
quarto separado por causa de Lucas, mas talvez eu consiga um na
porta ao lado para que eu possa sair depois que ele adormecer e
deslizar dentro de você.

—Veja? Pervertido. Todos os caminhos levam ao sexo. — Ela


sorriu. —Eu adoraria ir. Mas tem certeza? Eu não quero
interromper seu tempo com Lucas.

Quanto mais conversamos sobre isso, mas eu gostava da ideia


de ela vir.

—Positivo. Ele ficará feliz em ter alguém além de mim para


conversar. Confie em mim. — Eu olhei para ela. —Além disso, eu
quero que você venha.
Annalice se iluminou, praticamente brilhava, enquanto
assentia com a cabeça. Então ela subiu em cima de mim e eu me
animei também.

***

—Que compositor marcou as músicas nos filmes?

—Fácil. John Williams. —Annalice limpou o lábio com um


guardanapo.

Lucas olhou para o telefone e bateu novamente. Ele estava


interrogando-a com todas as curiosidades on-line que ele poderia
encontrar desde que chegamos no carro hoje de manhã.

—Que cor foi o sabre de luz de Luke Skywalker nos dois


primeiros filmes?

—Azul.

—Que tal em Return of the Jedi?

—Verde.

Eu balancei a cabeça.

—Por que eles mudariam a cor do sabre de luz? E, uma


pergunta melhor, por que você sabe as respostas para toda essa
porcaria?

Annalice lambeu um gotejamento de sua casquinha de


sorvete e meu pau se contorceu - no meio da porra da Disney.

—Ele perdeu o azul em um duelo com Darth Vader em Cloud


City. Houve um grande alvoroço pelo motivo de seu sabre de luz
ser verde em Return of the Jedi. Os cartazes do filme original
tinham ele segurando um sabre azul. Algumas pessoas dizem que
mudaram de cor porque o pano de fundo da cena de luta era um
céu azul, enquanto outros acham que há um significado mais
profundo - como os cineastas tentando mostrar que Luke se
tornou seu próprio homem.

Eu ri.

—Ah, entendi. Então eles queriam convencer os pais a


comprar mais sabres de luz mudando a cor.

Lucas ficou fascinado com a capacidade de curiosidades de


Star Wars de Annalice. Eu, não me importava de ficar sentado
apenas observando os dois - contanto que ela continuasse
lambendo aquela casquinha de sorvete. Eu estava muito feliz por
termos conseguido os quartos lado a lado agora.

Depois que terminamos nossa sobremesa, fomos a mais


alguns passeios antes de encerrarmos a noite. Tinha sido um dia
longo - sexo duas vezes esta manhã, um longo prazo, dirigindo a
Los Angeles, depois indo a um monte de brinquedos quando
chegamos aqui. Mas enquanto eu estava derrubado, Lucas e
Annalice pareciam ainda ter muita energia.

—Podemos ir na piscina? — Lucas perguntou quando saímos


do bonde na nossa parada do hotel.

Eu olhei para o meu relógio.

—São quase 9:30.

—Então? — Ele franziu a testa.


—Annalice provavelmente nem trouxe um biquini.

Ela sorriu.

—Na verdade, eu trouxe.

—Por favor? — Lucas atirou os olhos de cachorrinho.

—Eu posso levá-lo se você estiver muito cansado.

—Não. Tudo bem. — Eu apontei para Lucas. —Meia-hora. É


isso.

—OK!

Resmunguei para Annalice enquanto Lucas corria à frente da


porta do hotel.

—É melhor, pelo menos, te ver em um biquíni do que ir para


um balde de mijo da Disney.

Seu sorriso brilhou.

—Reclame tudo o que você quiser, mas vejo a verdade em


seus olhos. Você faria qualquer coisa que aquele garoto lhe
pedisse e você ama cada minuto assistindo-o se divertir.

Ela não estava exatamente errada. Sem pensar, deslizei


minha mão na dela e terminei a caminhada até o saguão do hotel
de mãos dadas. O problema foi que eu não tinha ideia do por que
tinha feito isso. Apenas parecia... certo. Annalice também não
pareceu notar, ou se ela fez, ela não disse nada.

Da mesma forma, abri a porta e enfiei as mãos nos bolsos


depois disso.
***

—Ele é um ótimo garoto.

Annalice e eu sentamos em frente um do outro na banheira


quente e borbulhante, a seis metros da piscina. Um bando de
garotos estava organizando uma partida de vôlei aquático quando
saímos, e pediram a Lucas para participar. Então, conseguimos um
alívio de entrar no balde de mijo frio e passamos a mergulhar na
área designada para maiores de dezoito anos. Jacuzzi. Luzes
iluminavam a área da piscina, então ainda poderíamos ficar de
olho a distância, mas estávamos longe o suficiente para não
parecermos que estávamos cuidando dele.

—Sim. Apesar da criação maluca dele, ele se tornou um


garoto realmente bom. Ele tem uma cabeça bem legal.

—Ele realmente gosta de você.

A banheira estava ajudando a relaxar meus músculos, mas


esse comentário os fez ficar tensos novamente.

—Sim.

Annalice ficou quieta e eu tive uma ideia do que ela estava


pensando.

—Você se importa comigo perguntando quantos anos ele


tinha quando sua mãe morreu?

—Ele tinha três anos.

—Uau.
—Sim.

—Ela estava... doente?

Eu segurei seu olhar.

—Acidente de carro.

Seus olhos caíram para o meu torso. Ela foi inteligente o


suficiente para colocar dois e dois juntos. E eu sabia que ela estava
debatendo se perguntaria.

Era a última coisa que eu queria falar. Eu fiquei de pé. —Está


ficando tarde. Por que não pego algumas toalhas?

Lucas estava roncando quando saí do banho. O dia tinha sido


muito bom, mas a menção do acidente bagunçou minha cabeça.
Sentei na cama em frente a Lucas, observando-o dormir. Ele
parecia com sua mãe agora. Era difícil imaginar que, em apenas
mais alguns anos, ele teria a mesma idade em que ela dera à luz a
ele. O que me fez pensar... eu precisava ter uma conversa sobre
preservativos e controle de natalidade com ele. Fanny não ia fazer
isso. Inferno, eu tinha conversado com a filha dela também.

Deu muito certo.

Meu celular vibrou na mesa, então eu passei para verificar


minhas mensagens.

Annalice: Desculpe se eu estava sendo intrometida. Você


ficou quieto depois que perguntei sobre a mãe dele. Eu não
queria chatear você.

Eu tentei colocar sua mente à vontade.


Bennett: Você não fez. Só cansado. O longo dia deve ter me
derrubado.

Eu duvidava que ela tivesse comprado, mas pelo menos ela


não iria empurrar.

Annalice: OK. Bem, obrigado por me deixar acompanhar


hoje. Eu tive um grande momento. Boa noite.

Bennett: boa noite.

Joguei meu celular de volta na mesa. Nos oito anos desde


aquela noite, nunca falei com ninguém sobre o acidente - exceto
os policiais e os advogados. Nem mesmo o psiquiatra que minha
mãe me mandou poderia abrir o cofre. Durante muito tempo,
imaginei que quanto menos pensasse nisso, mais fácil seria seguir
em frente. Até recentemente.

Os diários de Sophie despertaram muitas coisas dentro de


mim. Eu estava começando a me perguntar se mantê-los me
deixava seguir em frente, ou se talvez deixá-los ir seria a única
coisa que me libertaria.
Capítulo 34
1 de Janeiro

Caro eu,

Estamos tristes.

Bennett já foi há dois meses. Ele está apenas a algumas horas


de distância na UCLA, mas também pode estar no meio do mundo.
Nós sentimos a falta dele. Muito. Ele tem uma nova namorada.
Novamente. Ele disse que essa também é uma das maiores do
marketing e eles saem o tempo todo como costumávamos fazer.

Ainda estamos namorando Ryan Langley, mas às vezes quando


estamos nos beijando, penso em Bennett. É muito estranho. Quero
dizer, ele é o Bennett, certo? Nosso melhor amigo. Mas parece que
não conseguimos parar.

A faculdade não é tão boa. Eu pensei que seria diferente. Mas


parece apenas mais um ano do ensino médio quando você mora em
casa - só que sem Bennett aqui. Tem até um monte de crianças nas
minhas aulas que estavam nas minhas aulas na RFK High.

Tudo é o mesmo e tão diferente.

Conseguimos um emprego num cabeleireiro atendendo os


telefones. As pessoas lá são muito legais e pagam muito bem.
Esperamos economizar dinheiro e conseguir nosso próprio lugar. O
novo namorado da mamãe Aaron é um idiota e está sempre em
casa.

O poema deste mês é dedicado a ninguém.

Ela olha para trás,

com medo de seguir em frente agora.

Por que você não está aqui?

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Anonimamente,

Sophie
Capítulo 35

Quão ruim eu queria o emprego?

Annalice saiu para o jantar semanal com Madison algumas


horas atrás. Já que eu tinha um compromisso de manhã cedo fora
do escritório amanhã, e minha cama estaria vazia hoje à noite, eu
fiquei até mais tarde para terminar as coisas para o meu passo
completo para a Star Studios, que estava chegando em breve. Esta
semana estava ocupada como o inferno, embora fosse apenas
quarta-feira. E ainda jantamos com a irmã do babaca na sexta-
feira.

Peguei a chave do escritório de Annalice na gaveta de cima da


Marina para deixar alguns esboços em sua mesa. No almoço de
hoje, ela mencionou que estava criando um logotipo para uma
empresa de marcadores mágicos infantis que estava se
expandindo para uma linha de marcadores de artistas
profissionais. Uma ideia surgiu enquanto eu trabalhava em
sombreamento em um projeto diferente, e achei que poderia
funcionar para o cliente dela.

Annalice tinha trazido a conta com ela de Wren, então não


estávamos competindo - eu não tinha motivos para não ajudar.

Só que quando fui colocar meus desenhos em sua mesa,


encontrei todo o conceito para o seu tom de estrela: storyboards,
modelos de logotipo 3D e uma pasta de arquivos expandida e
vermelha chamada PESQUISA. Eu olhei para a pasta - tinha que
haver três polegadas de maldita pesquisa. Muito mais do que eu
fiz. O que ela poderia ter lá? Merda que poderia lhe dar uma
vantagem, é isso.

Eu coloquei meus desenhos em sua cadeira e peguei a pasta.


A coisa tinha peso.

Porra.

Eu não deveria.

Mas e se eu perdi alguma coisa?

Eu sabia duas coisas com absoluta certeza. Um, seria uma


coisa muito feia de se fazer. E dois, se o sapato estivesse no outro
pé, e fosse Annalice encontrando minha mesa com toda essa
merda, ela se viraria e sairia andando.

Mas não havia nenhuma maneira que eu pudesse me mudar


para o Texas.

Eu não estaria fazendo isso por mim mesmo. Eu faria isso por
Lucas.

Havia uma exceção para o comportamento de merda quando


o fim justificava os meios, certo?

Que diabos ela poderia ter aqui? Sério, essa coisa tinha que
pesar três quilos. Talvez houvesse um tijolo dentro? Ou um livro?
Uma capa dura de Marketing para Dummies? Eu poderia pelo
menos checar isso, não poderia? Isso poderia deixar minha mente
à vontade para saber que eu não estava perdendo a pesquisa.
Puxei o elástico vermelho da pasta de arquivos.

Deus, eu sou um babaca.

Colocando-a na mesa novamente, eu olhei para ela mais um


pouco.

E se isso não fosse analisar?

Ela disse a si mesma que tentou tirar a pessoa da equação ao


decidir como agir. Um homem casado de sessenta anos - eu tinha
certeza de que era quem ela fingia que competia.

O que eu faria se tivesse encontrado este arquivo de


informações potencialmente úteis, mas apenas a competição
contra a qual eu me deparei foi um cara de sessenta anos em vez
de Annalice?

Eu gostaria de pensar que descobrir a resposta para essa


pergunta requeria algum debate.

Mas… todos nós sabemos melhor, certo?

Eu já estava na copiadora copiando a porcaria desse arquivo.

Isso resumia a diferença entre eu e Annalice. Quando ela


passava por um cenário como eu agiria em sua cabeça, ela sempre
ficava do lado certo do que era ético. Eu, por outro lado, saí do
lado direito do que me aproximaria do que eu queria.

Então, o que diabos estava me impedindo?

Annalice e sua maldita besteira ética fizeram eu me sentir


culpado.
Gemendo, eu peguei a pasta de arquivo, envolvi o elástico de
volta, e coloquei onde eu encontrei. Eu tirei meus desenhos de sua
cadeira, fechei a porta atrás de mim e, em seguida, agachei-me
para deslizar a obra de arte sob a porta do escritório fechada. Ela
os encontraria pela manhã sem nunca saber que eu estava lá
dentro.

Eu resmunguei em meu caminho de volta para a mesa da


Marina para devolver a chave. Enquanto eu estava lá, achei que ia
deixar uma nota para ela que eu sairia amanhã de manhã desde
que minha reunião seria originalmente à tarde.

Eu encontrei uma caneta e procurei por algo para escrever.


Ao lado de seu telefone, havia um daqueles blocos de mensagens
que continham três pequenas mensagens de texto em cada folha.
Então eu peguei isso e comecei a escrever no fundo.

Mas o carbono que restava da mensagem acima me chamou a


atenção porque continha o nome de Annalice.

Data: 06/01

Hora: 11:05

PARA: Annalice

Remetente: Andrew Marks

TELEFONE: 415-555-0028

MENSAGEM: Ele está retornando sua ligação. Ligue a


qualquer hora.

***
—Há algo de errado? — Annalice inclinou o quadril contra o
balcão na sala de descanso.

—Nada, — eu disse, derramando minha segunda xícara de


café.

Ela cruzou os braços sobre o peito.

—Então, apenas um humor geral pobre?

—Tem sido uma semana agitada.

—Eu sei. — Ela olhou para a porta e baixou a voz. —É por


isso que pensei que seria legal e te faria um jantar na minha casa
ontem à noite. Só que você não respondeu meu texto, e esta
manhã, quando te vi no corredor, parecia que você poderia me
morder.

Eu peguei minha caneca.

—Você é quem queria ter certeza de que éramos discretos no


escritório. Eu deveria ter parado para tocar você?

Ela apertou os olhos.

—Tanto faz. Não esqueça que o jantar será às seis da noite


com Lauren e Trent na La Maison.

Eu zombei.

—Mal posso esperar.

Annalice leu corretamente meu sarcasmo. Ela suspirou e se


virou para sair da sala de descanso.
Perto da porta, ela parou e se virou. —Obrigada pelos
esboços, a propósito. Eles eram exatamente o que eu precisava e
não conseguia pensar.

Eu olhei para cima da minha caneca e nossos olhos ficaram


presos. Foda-se.

—Eu fui ao seu escritório para colocá-los em sua mesa na


noite passada. Eu vi que estava coberto com o seu trabalho na
campanha Star, então saí e coloquei debaixo da sua porta.

Ela inclinou a cabeça para o lado e procurou em meu rosto.

—Você não olhou nada?

Depois que eu encontrei a mensagem do ex dela, eu pensei


em voltar. Mas eu não poderia. Marica.

Eu balancei a cabeça.

Seus olhos perderam o foco por um minuto, e eu tive a


sensação distinta de que merda aleatória estava girando em sua
cabeça enquanto ela tentava clicar as peças de algum quebra-
cabeça.

Ela zoneava em mim novamente.

—Você está aborrecido consigo mesmo por não ter


vasculhado minhas coisas?

Eu cruzei meus braços sobre o peito.

—Eu me perguntei se eu teria saído se fosse alguém diferente


de você.
—E…

—Eu não teria.

Os olhos de Annalice se suavizaram.

—Bem, obrigada. É por isso que você está todo mal-


humorado? Porque você não me tratou como o inimigo.

—Não era - até que eu fui colocar a chave na gaveta da


Marina e peguei uma mensagem que ela te deixou que alguém te
ligou de volta.

Seu rosto caiu.

—Não é o que você pensa.

—Então você sabe o que estou pensando agora?

—Quando liguei para Lauren no outro dia para confirmar o


jantar esta noite, ela me disse que Andrew estava planejando se
juntar a nós. Eu liguei para ele para perguntar porque ele fez. É
por isso que ele me ligou de volta.

Eu andei em direção a porta da sala de descanso.

—Tanto faz.

Annalice exalou alto.

—Da próxima vez, venha para mim se algo te incomodar.

Eu parei na porta onde ela estava.

—Ou talvez da próxima vez, eu vou crescer algumas bolas e


ganhar vantagem sobre a competição.
***

—Me desculpe por isso. Achei que as duas precisavam de


alguns minutos sozinhas. Minha esposa gosta de se meter na
merda onde o nariz dela não pertence. Mas eu sou um homem,
então eu não luto contra isso. —Trent Becker levantou seu copo e
sorriu. —Minha resposta é sempre sim, querida. E um bom uísque.

Eu levantei meu copo.

—Parece bom para mim. Não importa qual seja a pergunta.

Annalice e eu chegamos ao restaurante do escritório ao


mesmo tempo. Lauren e seu marido chegaram alguns minutos
depois. Como a recepcionista disse que a nossa mesa ainda não
estava pronta, Trent me pediu para ir ao bar e pegar bebidas,
enquanto as mulheres imediatamente conversavam.

Lauren e Annalice têm uma história pessoal.

Bebi e olhei para a borda do meu copo em Trent.

—Andrew. Eu sei.

Trent ergueu as sobrancelhas.

—Então ela te disse.

—Ela disse.

Ele assentiu.

—Faz sentido. Especialmente desde que ele é quem facilitou


essa reunião.
Esta era uma reunião de negócios. Eu tive que manter minhas
opiniões para mim mesmo, mas com a porta aberta para espiar
dentro, eu não pude resistir.

—Momento estranho. Annalice trabalha em marketing há


anos. No entanto, ela disse que vocês nunca haviam discutido sua
proposta para o seu negócio.

Trent olhou em volta, depois se inclinou. —Lauren acha que o


sol nasce e se põe em seu irmão. Mas entre nós, eu acho que ele é
um pouco pomposo e egoísta.

Desta vez minhas sobrancelhas subiram. Talvez esse jantar


não seja tão ruim assim.

—Parece que você está certo, pelo que Annalice


compartilhou. Mas, assim como você, vou guardar isso para mim.
—Eu levantei meu copo. —E engolir meus pensamentos com este
uísque.

Trent riu.

—Annalice é ótima. Fico feliz por podermos fazer alguns


negócios da maneira dela. Só espero que não ajude o meu querido
e velho cunhado a voltar. Deixe-o ficar com a comissária de bordo
sueca que tem visto nas costas dela nos últimos anos.

Merda.

Idiota.

Eu sabia que aquele cara era um idiota.


Oito anos e ainda sem compromisso me disseram que ele
estava a empurrando; Eu só não sabia o motivo. Que idiota.

O garçom trouxe duas taças de vinho, e Trent e eu discutimos


sobre quem pagaria a conta. Depois que eu ganhei, nós levamos as
bebidas para as senhoras, que estavam amontoadas em um banco
perto da estação da recepcionista.

—Obrigada. — Annalice se levantou para eu passar o copo


para ela. Ela se inclinou com um sorriso apreensivo. —Tudo bem?

O meu era genuíno.

—Nunca estive melhor.

O jantar com Lauren e Trent acabou sendo


surpreendentemente agradável. Conversamos muito sobre seus
negócios, e eles estavam abertos sobre seus altos e baixos e
pareciam ter uma boa pegada no mercado que queriam alcançar.
Eles também compartilharam o grande orçamento que alocaram
para a publicidade na web e na televisão, o que justificou a
gratificação do conselho pela campanha responsável pelo
recebimento da conta.

—Então, quem faz o quê? — Lauren perguntou a nenhum de


nós em particular. —Um de vocês é da web e um de vocês, TV ou
algo assim?

Eu deixei Annalice assumir a liderança naquilo. Como ela


escolheu girar foi o seu chamado.
—Na verdade não. Temos membros da equipe especializados
em coisas como arte, cópia e pesquisa de mercado. Vamos usá-los
para criar duas campanhas diferentes para apresentar a você.

—Oh, nossa. Ok. —Lauren sorriu. —Tenho certeza que vou


amar o que você quiser. Nós sempre tivemos um gosto parecido.

Mais uma vez, Annalice poderia ter me ferrado. Tudo o que


ela precisava fazer era mencionar que faríamos cada um dos
lançamentos individuais e eles escolheriam de quem gostassem
melhor. Sem dúvida isso daria a Lauren uma boa pré-venda em
qual escolher. Mas Annalice apresentando como se fosse um
esforço de equipe realmente nivelou o campo de jogo.

Eu olhei de relance, e ela deu um sorriso doce.

Tão fodidamente linda. E essa merda era contagiante, porque


eu sorri de volta, e tenho certeza como merda que eu não sorria
muito. Eu sou mais um tipo de pessoa cara-fechada
principalmente porque a maioria das pessoas me irrita. Na
verdade, eu diria que os cantos dos meus lábios estão mais
inclinados desde que conheci Annalice do que nos primeiros
trinta anos da minha vida.

Eu deixei meus olhos voltarem para ela para outro olhar. Ela
era tão fodidamente moral e boa. Isso me fez querer fazer coisas
imorais e deixá-la mal depois.

Eu usei meu guardanapo para limpar minha boca e, em


seguida, acidentalmente deixei cair no chão. Inclinando-me para
fingir que o peguei, deslizei minha mão pelo vestido de Annalice
sob a toalha da mesa e a observei pular quando meu polegar
acariciou o centro quente entre suas pernas. Sua reação foi
imediatamente fechar as coxas, e quase perdi o equilíbrio quando
ela fechou meu braço entre as pernas com um puxão. Eu tossi e
puxei minha mão, tentando não rir.

Existe alguma maneira que eu poderia tocá-la agora e vê-la


tentar falar de negócios com a irmã do babaca ao mesmo tempo?

Ela olhou para mim com um aviso em seus olhos.

—Você está bem, Bennett?

Eu me endireitei na minha cadeira e coloquei meu


guardanapo sobre a mesa na minha frente.

—Apenas um deslize da minha mão.

Minha mão discretamente escorregou mais algumas vezes


antes do final da noite - a última vez para apertar sua bunda
enquanto caminhávamos para a porta do restaurante atrás de
nossos potenciais novos clientes. O carro deles parou um pouco
antes do meu, então dissemos boa noite e os assistimos se afastar.

Se eles olhassem, Lauren e Trent provavelmente ainda


poderiam ter nos visto no espelho retrovisor quando eu puxei
Annalice para os meus braços.

—Você estava tão mal hoje à noite. — Ela pressionou as


palmas das mãos contra o meu peito.

Eu escovei meus lábios com os dela.


—Eu não posso me ajudar. Eu quero fazer coisas ruins com
você. Venha para casa comigo. Senti sua falta na minha cama
ontem à noite.

Seus olhos se suavizaram.

—Também senti sua falta.

Eu não me lembro de ter perdido alguém, exceto Sophie. E


isso foi totalmente diferente, porque ela realmente se foi. No
entanto, eu não acabei de falar besteira com Annalice. Eu
realmente sentia falta dela. Depois de uma noite de intervalo. E
tanto quanto o pensamento me assustou, o pensamento de não a
ter em minha cama esta noite realmente me assustou um pouco
mais. Então eu ignorei os sinos de alerta dizendo que eu estava
levando as coisas longe demais.

O manobrista parou no carro de Annalice.

—Eu vou seguir você, — eu disse.

—Na verdade, podemos ficar na minha casa hoje à noite?


Pedi uma cadeira nova para a minha sala há dois meses e ela está
sendo entregue amanhã de manhã.

—Sim. Claro. — Eu beijei sua testa. —Desde que eu durma e


acorde dentro de você, não importa onde estamos.
Capítulo 36

—Shit-take9. — Madison balançou a cabeça.

—Hummm, o quê?

—Você não acabou de ouvir o garçom? Ele pronunciou o


cogumelo shiitake como merda e perguntou como eu queria que
minha lagosta cozida. Um... feita?

Eu ri.

—Desculpa. Acho que fiquei zoneada por alguns segundos.

Madison levou o vinho aos lábios. —Provavelmente exaustão


de transar toda noite com seu novo menino brinquedo.

Suspirei.

—Posso fazer uma pergunta hipotética?

—Claro. Se isso faz você se sentir melhor para fingir que não
é sobre você, vá em frente. Mande.

—Sim. — Fiz uma pausa e pensei em como pronunciá-la. —Se


uma mulher está envolvida com um homem - alguém que tem
estado muito aberto desde o início que não quer um compromisso
9
Shit-take seria merda.
de longo prazo - seria insano para a dita mulher abandonar um
bom emprego com um monte de opções de ações e dinheiro em
jogo com a chance de o cara aparecer e querer algo mais?

Madison franziu a testa e pousou o copo de vinho.

—Oh querida. Você só deveria usá-lo como um rebote.

Passei o dedo pela condensação na base do meu copo de


vinho.

—Eu sei. E deveria ter sido o arranjo perfeito. Quero dizer,


ele é um burro narcisista, fóbico de compromisso, chauvinista e
arrogante.

Madison jogou as mãos no ar.

—Bem, é claro que você se apaixonou por ele!

Nós rimos.

—Falando sério, um de nós será transferido para o Texas em


algumas semanas. Eu seria louca se eu procurasse outro emprego
para que nós dois pudéssemos ter uma chance?

—Quanto dinheiro estamos falando aqui?

—Bem, eu tenho opções de ações que valem nos próximos


três anos. Basicamente, eles me dão a oportunidade de comprar
20.000 ações por um preço fixo de $ 9. Então, depende do que a
ação vale.

—O que vale a pena agora?

Eu estremeci.
—Uns $ 21 por ação.

Os olhos de Madison se arregalaram.

—Isso é o que... quase duzentos e cinquenta em lucros?

Eu assenti e engoli em seco.

Ela engoliu o resto do vinho.

—Você gosta muito dele.

Eu balancei a cabeça um pouco mais.

—Não me entenda mal, ele é todas aquelas coisas que eu


pensava originalmente, mas há muito mais por baixo. Tipo, ele
tem essa qualidade infantil nele, mas, ao mesmo tempo, é tão
comprometido e responsável com seu afilhado. Além disso, ele me
faz rir, mesmo quando estou chateada com ele. E ele tem um bom
coração, mas ele não quer que ninguém saiba. Sem mencionar que
ele tem os bens e sabe como usá-los.

—Como Bennett se sente sobre tudo isso?

Eu balancei a cabeça.

—Nós não falamos sobre isso.

—Bem, acho que é uma conversa que você precisa ter antes
de pensar em deixar sua carreira e muito dinheiro de lado.

—A coisa é... eu não acho que ainda estamos lá. E eu não


posso imaginá-lo sendo bom comigo, dando qualquer coisa por
uma chance que ele virá ao redor. Na verdade, tenho certeza de
que ele se dobraria de volta na caixinha que fica trancado na
maior parte do tempo se soubesse o que eu estou pensando. Algo
tem ele tímido sobre relacionamentos. Mas eu não sei o que.

—Você não acha que é uma bandeira vermelha em si? Que


você nem sabe o que o tornou anti-relacionamento?

—Claro que eu faço! E sei que a coisa toda parece absurda até
considerar. Mas eu realmente gosto dele, Mad.

—Sabe, às vezes é difícil ver as coisas claramente em um


relacionamento de rebote. As pessoas muitas vezes procuram a
segurança e o conforto daquilo que acabaram de perder e isso
pode causar apegos que são mais para o relacionamento do que a
pessoa real.

—Eu pensei sobre isso. Eu tenho. Mas eu não acho que estou
tentando substituir o Andrew ou o que tivemos.

Madison não parecia convencida. Eu esperava que ela me


dissesse que eu era louca, mesmo considerando desistir de um
ótimo trabalho e dinheiro por um homem - pelo menos, no
começo. Mas agora que ela não estava a bordo ou empolgada com
a minha ideia, isso estragou meu entusiasmo também.

Eu mudei de assunto e tentei aproveitar o resto da minha


noite. Embora houvesse uma razão pela qual a mulher tinha sido
minha melhor amiga por mais de vinte anos: ela via através da
minha besteira.

Quando estávamos saindo do restaurante, ela me abraçou por


muito tempo.
—Se você ama um idiota narcisista, eu vou amá-lo também.
Se você decidir deixar o emprego e se arriscar no amor, pode
dormir no meu sofá e ir a meus jantares de trabalho quatro noites
por semana comigo quando estiver falida. Estou aqui para você,
não importa o quê. Eu não quis ferir seus sentimentos. Eu estava
apenas sendo protetora com você, minha amiga. Eu confio no seu
julgamento. Você pode ganhar mais dinheiro e encontrar um novo
emprego.

Ela recuou e segurou meu rosto em suas mãos.

—Você tem tempo. Você vai descobrir isso.

Senti meus olhos arderem e puxei-a para outro abraço.

—Obrigada.

***

Eu decidi não mandar uma mensagem para Bennett antes de


aparecer. Mas agora que eu estava na frente de seu prédio,
olhando para sua janela escura, me perguntei se isso era uma má
ideia. Parecia um telefonema, algo que eu nunca fiz. Na verdade,
nos oito anos em que Andrew e eu estivemos juntos, nunca tinha
sequer pensado em aparecer sem avisar. Nós simplesmente não
tínhamos esse tipo de relacionamento - o que nunca pareceu
estranho para mim, até hoje à noite.

Mas aqui estava eu de pé; não estrague tudo. Não adiantou


em repensar no que me senti confortável fazendo antes de
começar a analisar as coisas e compará-las ao meu último
relacionamento. Respirei fundo e abri a porta do prédio dele.
Pressionando a campainha chamada Fox, esperei enquanto batia
minhas unhas no metal da caixa de correio embutida embaixo.

Eu pulei quando sua voz veio pelo interfone. —Sim?

Ele estava tão mal-humorado; Eu não pude deixar de sorrir.

—Entrega para o Sr. Fox.

Eu ouvi o sorriso em suas palavras.

—Entrega, né? O que você tem para mim?

—Tudo o que você está com vontade de fazer.

A campainha tocou, abrindo a porta antes que eu terminasse


a última palavra. Eu ri, sentindo-me tonta.

Mas quando o elevador subiu, outros sentimentos


começaram a tomar conta. Meu corpo começou a formigar e meu
batimento cardíaco acelerou. Minha primeira vez chamando-o.
Não é de admirar que as pessoas tenham feito uma grande coisa
sobre isso.

Quando saí do elevador, Bennett esperava no corredor, sem


camisa, encostado no batente do seu apartamento. Ele era a
imagem de confiante e casual, e seus olhos brilharam quando ele
me viu caminhar em direção a ele.

Ele pegou um pedaço do meu cabelo rebelde entre o polegar


e o indicador e brincou com ele.
—Tudo o que eu estou com vontade de fazer? Essa é uma
declaração bem grande para uma garotinha. — Sua voz era tão
grossa e rouca, eu adorei.

Eu me mexi inquieta, sentindo a eletricidade crepitar no ar ao


nosso redor. Tentando juntá-lo, endireitei minha coluna e olhei
para sua imponente ereção.

—Eu estou aqui, não estou?

A boca de Bennett se curvou em um sorriso lento e perverso.

—Você certamente está.

Eu gritei quando ele me levantou do chão. No entanto, minhas


pernas pareciam saber o que fazer antes que meu cérebro se
recuperasse. Elas envolveram sua cintura e cruzaram em suas
costas enquanto ele me levava para dentro de seu apartamento.
Seus lábios selados sobre os meus enquanto uma mão enrolou um
punhado do meu cabelo, e ele usou para inclinar minha cabeça
onde ele queria.

Completamente perdida no beijo, eu não tinha ideia de que


estávamos nos movendo até minhas costas baterem no colchão
macio atrás de mim. De alguma forma, conseguimos tirar a
maioria das nossas roupas sem nunca quebrar o contato. Bennett
arrastou minha calcinha pelas minhas pernas e minha respiração
era selvagem e irregular.

Ele tirou o cabelo do meu rosto.

—Uma última chance... o que eu estou com vontade de fazer?


Você tem certeza?
Eu balancei a cabeça, embora agora eu estivesse um pouco
nervosa.

Seu sorriso perverso retornou quando ele alcançou sua mesa


final e pegou algo da gaveta. Ele ergueu uma garrafa de
lubrificante.

—Cheio. Novo em folha. Comprei no caminho para casa esta


noite, no caso de a oportunidade surgir. Devemos estar na mesma
página, querida.

Sua cabeça abaixou para capturar um dos meus mamilos


entre os dentes. Ele puxou até minhas costas se arquearem para
fora da cama, e então fechou os lábios sobre o bico inchado e
chupou suavemente. Quando ele levantou a cabeça para se alinhar
com a minha novamente, eu estava ofegante como um animal
selvagem.

Ele mudou de cima para perto de mim, o calor do seu corpo


deixando uma brisa fresca de ar bater no meu corpo. Arrepios
eclodiram em lugares que eu nem sabia que poderia bater. O som
da tampa se abrindo na garrafa de lubrificante me fez pular.

—Eu estou supondo que você é uma virgem anal. Estou


certo?

Meus olhos se arregalaram. Eu balancei a cabeça porque


formar palavras seria completamente impossível.

Ele me beijou gentilmente mais uma vez, então envolveu um


braço em volta da minha cintura e me virou como se eu fosse uma
boneca de pano.
—De quatro, linda. — Seu braço se levantou e me guiou.

O som da minha respiração irregular encheu o ar ao nosso


redor. Bennett se posicionou de joelhos atrás do meu traseiro
apoiado. Eu senti como se pudesse explodir de nervos e
antecipação. Ele se inclinou e arrastou uma série de beijos do alto
da minha bunda, por cima da minha espinha, no meu pescoço, e
depois mordiscou seu caminho até o meu ouvido. Seu corpo
envolveu o meu, e eu senti seu pau cutucar meu traseiro.

—Nós vamos devagar. Eu não vou te machucar. Confie em


mim.

Eu estive inconscientemente tensa, e o calor e a preocupação


em sua voz ajudaram meu corpo a relaxar um pouco.

Bennett se ajoelhou atrás de mim e senti minúsculas gotas de


um líquido quente começarem a cair no topo da minha bunda.
Cada gota intensificou minha expectativa. Viajando
meticulosamente devagar, eles seguiram o caminho natural entre
as bochechas da minha bunda. Foi o sentimento mais eufórico que
eu já experimentei na minha vida. Meus dedos começaram a
formigar.

—Jesus Cristo, — ele gemeu. —Isso é muito gostoso.

Quando o lubrificante chegou aos meus lábios, Bennett


esfregou em mim, massageando meu clitóris e provocando na
minha abertura. Ele se debruçou sobre o meu corpo e usou a outra
mão para virar minha cabeça para um beijo no exato momento em
que seus dedos empurraram dentro de mim. O calor se espalhou
pelo meu corpo quando ele murmurou:
—Eu quero estar dentro de cada parte de você de uma vez.

Ele mudou seus quadris e substituiu seus dedos com seu


pênis. O lubrificante e minha excitação o deslizaram para dentro
com facilidade. Ele balançou os quadris algumas vezes, afundando
profundamente, antes de se levantar de joelhos atrás de mim.

Quando senti a ponta de um de seus dedos circulando sobre o


meu ânus, meu corpo imediatamente se apertou em reação.

—Relaxe. Eu não vou te empurrar. Isso é tudo que vou tentar


hoje à noite. Eu prometo. Confie em mim.

Fechei meus olhos e tentei desdobrar o rolo de tensão dentro


de mim com algumas respirações profundas. Bennett me deu um
pouco de espaço e lentamente deslizou para dentro e fora de mim
algumas vezes antes de tentar novamente. Na segunda vez, ainda
parecia estranho, mas aceitei e deixei acontecer. Ele massageou e
empurrou a ponta do dedo lentamente para dentro, em uníssono
com seus quadris. Eventualmente eu relaxei e comecei a me
mover com ele, até mesmo empurrando para trás e encontrando
seus impulsos. Fiquei chocada com o quão bem me senti.

Eu me perdi na sensação de estar cheia e em dar algo tão


especial a esse homem. Meus braços e pernas começaram a
tremer, meu corpo tremendo em antecipação ao tsunami que
começou a rolar através de mim.

—Bennett...

Ele bombeou com mais força e mais rápido, ao mesmo tempo


em que retirou o dedo e depois o deslizou até o fim. Quando
relaxei o suficiente, ele acrescentou um segundo dedo. Isso foi o
suficiente para me quebrar. Eu gozei forte e alto - sons vindos de
mim que eu nem reconheci. Quando achei que poderia entrar em
colapso, Bennett passou um braço pela minha cintura para me
manter firme e bombear para dentro de mim com mais força. Com
um rosnado voraz, ele se inclinou, enterrou a cabeça no meu
cabelo e derramou dentro de mim.

Nós dois estávamos encharcados de suor quando caímos na


cama. Bennett, ciente de seu peso, rapidamente rolou de minhas
costas, e nós dois lutamos para recuperar o fôlego.

Meu cabelo estava grudado ao lado do meu rosto.


Empurrando isso, eu rolei para as minhas costas.

—Uau.

Bennett se apoiou no cotovelo e olhou para mim. Ele se


inclinou para um beijo gentil, depois esfregou meu lábio inferior
com o polegar.

—Obrigado porque seu ex é um idiota e não tinha ideia do


que você gostava.

Eu dei um sorriso bobo.

—Eu não acho que sabia também. — Ele me beijou


novamente.

—É meu grande prazer ajudar você a descobrir isso. —

—Acabei de fazer meu primeiro contato. — Eu balancei


minhas sobrancelhas. Bennett riu.

—Nome muito apropriado, você não acha?


Capítulo 37

Satisfação.

Na última meia hora, eu estava deitado aqui tentando


descobrir a última vez que senti esse sentimento. Se alguém me
perguntasse há alguns meses, eu teria dito que sentia isso toda
vez que fazia sexo - aquele relaxamento pós-orgástico que toma
conta do seu corpo. Mas eu estaria errado.

Isso era saciado. Eu não tinha percebido até agora que havia
uma diferença entre sentir-se satisfeito e saciado. Mas existe - um
maldito grande. Satisfeito é aquela sensação de satisfação que
você sente depois de uma boa refeição quando estava morrendo
de fome. Ou quando você está com tesão como merda e você
recebe um lançamento que drena a vida de você. Claro, eu estava
esgotado agora; não me entenda mal. E também me senti
satisfeito. Mas eu não estava satisfeito. Satisfeito satisfaz uma
fome que sempre volta. Saciado faz com que você sinta que não
precisa de mais nada. Nunca.

E isso é fodido.

No entanto, no momento, eu não dava a mínima como era que


eu me senti assim. Na verdade, pela última meia hora, eu tive que
mijar. Mas eu não, porque eu estava com medo quando meus pés
tocassem no chão, esse sentimento poderia ter sumido
novamente.
A cabeça de Annalice descansou no meu peito, enquanto eu
acariciava seus cabelos. Seus dedos traçaram um pequeno círculo
ao redor do meu abdômen.

—Posso te perguntar uma coisa? — Sua voz era baixa.

—Sim. Eu posso ir de novo. Apenas mova a mão um pouco


para o sul por um minuto.

Ela deu uma risadinha e bateu no meu estômago.

—Isso não é o que eu ia perguntar. — Ela fez uma pausa, e


sua voz ficou séria. —Mas você poderia realmente fazer isso de
novo? Já fizemos duas vezes desde que cheguei aqui.

Eu peguei a mão dela e empurrei-a para o meu pau. Eu ainda


estava semi-ereto após o último round.

—Ummm… eu acho que você pode ter um problema. É


preciso esvaziar de vez em quando, você sabe.

—Bem, agora que estamos falando do meu pau, ele sabe


disso, e ele está ainda mais acordado, por isso, se você tiver uma
pergunta real, é melhor perguntar rapidamente. Sua boca vai estar
cheia demais para falar em um minuto.

Annalice apoiou a cabeça em seu punho, que descansou no


meu peito.

—O que você acha que aconteceria se não tivéssemos uma


data de validade?

Eu congelei.
—O que você quer dizer?

—E se nós apenas trabalhássemos juntos e um de nós não


estivesse se mudando logo? Você acha que faríamos isso daqui a
um ano?

Eu não queria ferir seus sentimentos, mas precisava ser


honesto. As palavras normalmente vinham do meu cérebro, mas
parecia que esta rasgou e subiu do meu coração.

—Não.

Ela fechou os olhos e assentiu.

—OK.

Porra.

Ela virou a cabeça e descansou de volta no meu peito. Alguns


minutos depois, senti a umidade na minha pele.

Porra. Porra.

Ela estava chorando. Fechei meus olhos e respirei fundo


algumas vezes. Então eu rolei até que ela estava de costas e eu
podia falar com ela cara a cara. Eu limpei uma lágrima com o
polegar. Ela olhou por cima do meu ombro em vez de olhar para
mim.

—Ei. Olhe para mim.

Eu odiava que seus olhos estivessem cheios de dor quando


encontraram os meus. Dor que eu causei.
—A resposta tem tudo a ver comigo e nada a ver com você.
Você é…

Eu raramente ficava sem palavras. Mas eu não tinha nenhuma


para descrever com precisão o que pensava dela. No entanto,
sabia que era importante que minha mensagem passasse. Ela
acabou de sair de um relacionamento de longo prazo e precisava
saber o que era.

—Você é tudo, Annalice. Eu conheci dois tipos de mulheres na


minha vida: todas as mulheres lá fora. E você.

—Então eu não entendo...

—Você me perguntou se as coisas eram diferentes, se nós


estaríamos fazendo isso daqui a um ano. Estou sendo honesto.
Nós não estaríamos. Mas eu não quero que você pense que é
porque eu não seria o filho da puta mais sortudo se eu tivesse que
mantê-la na minha cama por tanto tempo. Porque eu faria. Mas
algumas pessoas simplesmente não são cortadas a longo prazo.

—Por que não?

A verdade é que elas não merecem isso. Mas eu não podia


dizer isso a Annalice. Ela passava o último minuto do tempo que
nos separávamos tentando provar que eu estava errado.

Eu desviei o olhar, porque eu não conseguia olhar nos olhos


dela e mentir.

—Porque eu gosto de ser solteiro. Eu gosto da minha


liberdade e não ter que responder a ninguém ou ter qualquer
responsabilidade. Você quer velas e flores no Dia dos Namorados
e merece o que deseja.

Ela engoliu em seco e acenou com a cabeça. Decidi que já era


hora de responder à ligação da natureza.

—Eu vou ao banheiro e pegar algo para beber. Você quer


algo?

—Não, obrigada, — ela sussurrou tristemente.

Infelizmente, eu não estava errado. Quando meus pés caíram


no chão, meu sentimento de satisfação desapareceu há muito
tempo.

***

Ela me evitou por dias depois disso.

E eu a deixei. Nós não estávamos brigando ou chateados um


com o outro. Quando passamos pelo corredor, colocamos sorrisos
falsos, e ela inventou alguma desculpa sobre uma consulta que
teve que correr, que eu sabia por perseguir sua agenda que ela
não tinha. No entanto, eu não liguei para ela. Não havia sentido.

Começava a parecer que nosso relacionamento tinha seguido


seu curso natural, e a melhor noite de sexo da minha vida acabara
sendo nossa canção de cisne. Era provavelmente o melhor -
colocar um pouco de espaço entre nós e facilitar as coisas. Nossas
apresentações para a Star eram na próxima semana e o Pet
Supplies foi marcada para o começo da semana seguinte. Qual foi
o ponto de manter as coisas?

No entanto, eu não consegui me conter.


Sua porta estava fechada, mas eu sabia que ela ainda estava
lá. Nós éramos os únicos dois no escritório às nove horas da noite
de quinta-feira. Eu também estava morrendo de fome.

Eu bati na porta do seu escritório depois de vasculhar a


geladeira.

—Entre.

Eu levantei um sanduíche na minha mão.

—Você está com fome? Eu vou dividir com você.

Ela suspirou.

—Faminta, na verdade.

Fui até a mesa dela e entreguei a ela metade de um PB & J.

Annalice lambeu os lábios e pegou, embora parasse a meio


caminho da boca.

—Espere... isso é seu, certo?

Eu sorri abertamente.

—Apenas coma. Eu vou entrar de manhã cedo e substituí-lo.

Ela olhou ansiosamente para o sanduíche e de volta para


mim.

—Isso é da Marina, não é?

Eu mordi metade da minha metade em uma mordida


gigantesca e falei com a boca cheia.
—Mmmmm. É tão bom pra caralho.

Os cantos de seus lábios se contraíram, mas ela mordeu a


metade dela de qualquer maneira.

—Você está me corrompendo.

—Eu pensei que você estava se divertindo comigo


corrompendo você. — Eu inclinei minha cabeça. —Mas você
parece ter estado muito ocupada para isso nos últimos dias.

O sorriso de Annalice caiu.

—Oh. Desculpa. Eu estive... ocupada.

Eu olhei para a mesa dela. Seu laptop estava fechado e uma


pilha de arquivos empilhados.

—Parece que você está acabando. — Eu peguei seu olhar. —


Então, isso significa que você está livre hoje à noite?

Ela olhou para mim por alguns segundos e, em seguida,


levantou uma mão para cobrir sua boca enquanto a abria para um
óbvio bocejo fingido.

—Eu estou realmente acabada. Talvez outra noite.

Eu sabia que ela mentiu mesmo antes de sua pele começar a


corar, mas eu a deixei sair do gancho de qualquer maneira.

Eu balancei a cabeça.

—Sim. Certo. Estou cansado também.

**
Eu não estava mentindo. Eu estava cansado.

Ainda assim não fui para casa.

Em vez disso, fui até o bar mais próximo do escritório e pedi


um scotch duplo. E depois outro. E depois outro. Até que o garçom
me disse que só me daria um último drinque se eu lhe entregasse
meu celular.

Eu joguei no bar e joguei minhas palavras. —Essa é uma


bebida cara. Mas vá em frente... guarde. Apenas me dê a maldita
coisa.

O barman pegou meu celular em uma mão e serviu-me uma


bebida com a outra. Ele levantou uma sobrancelha.

—Qual é o nome dela?

—Annalice. — Eu ri maniacamente. —Ou Sophia. Faça a sua


escolha. — Eu inclinei meu copo em direção a ele, e metade dele
derramou no bar. —E ela parece muito bem em um chapéu de
cowboy.

—Sobre qual estamos falando? Annalice ou Sophia?

—Annalice. Mulher bonita. Apenas maravilhosa. — Eu engoli


um grande gole da minha bebida.

—Tenho certeza que ela é. Estou te chamando um Uber. Para


onde você vai depois daquela bebida?

—Ela acha que eu sou um idiota.

O barman estoico suspirou.


—Tenho certeza que ela pode estar certa sobre isso. A que
endereço você vai, amigo?

—Eu não a mereço.

—Tenho certeza que não. E aquele endereço?

Eu derrubei o conteúdo do meu copo.

—Você é casado?

Ele levantou a mão esquerda.

—Dezesseis anos.

—Como você sabia que a amava?

—Se você me der um endereço para ligar para este maldito


Uber, eu vou te contar como eu sabia.

Eu falei o endereço. Ele digitou no meu celular e depois


deslizou para o outro lado do bar para mim.

—Você sabe que, se você ama alguma coisa, liberte-a e ela


voltará para você?

—Sim.

Ele balançou sua cabeça.

—Bem, isso é um monte de merda. Se você ama alguém e a


liberta, ela pode voltar com herpes. Então se supere e tranque
essa merda antes que você receba uma doença sexualmente
transmissível. —Ele fez uma pausa. —Seu Uber estará aqui em
quatro minutos, então você deve começar a levar seu traseiro
bêbado para o meio-fio agora.

***

—Estamos aqui.

A voz do motorista me acordou. Caindo no banco de trás,


devo ter cochilado na curta viagem para casa.

Eu balancei a cabeça.

—Sim. Obrigado, cara.

Levei algumas tentativas, mas consegui encontrar a maçaneta


da porta e abrir a maldita coisa. Eu até tropecei sem cair no meu
rosto. O motorista do Uber não deve ter ficado tão impressionado
com o quão bem eu fiz, porque ele não ficou por perto para me ver
chegar até a porta. Ele teve seu pé pressionado no acelerador para
dar o fora dali antes que eu pudesse terminar de balançar o
suficiente para andar os três degraus até o meio-fio. Mas eu acenei
adeus de qualquer maneira.

De alguma forma, fiz meu caminho até a porta da frente.


Felizmente, quando quase cem quilos se inclinam para a frente a
ponto de cair, isso também aumenta muito o impulso. Passei cinco
minutos tentando colocar a chave na fechadura, mas a maldita
coisa não abria. Eu comecei a pensar que alguém tinha vindo para
minha casa e trocado a porra da fechadura.

Dei um passo para trás e olhei para a porta, tentando dar uma
boa olhada na fechadura. Mas então a porta se abriu.

Que porra é essa?


Tropeçando de volta, pisquei algumas vezes.

—Que diabos você está fazendo? — Fanny puxou o roupão


apertado.

Eu fui para a casa errada?

Porra.

Talvez eu não tenha.

—Eu não queria machucá-la. — Eu balancei para frente e


para trás. —Eu não sabia como ela se sentia.

—É depois da meia-noite. Eu deveria ligar para a maldita


polícia.

Eu olhei para baixo e engoli o nó na garganta.

—Eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo.

Eu disse as palavras tantas vezes oito anos atrás. Eles não


fizeram nada por nenhum de nós naquela época. Mas o que eu
esperava? Perdão? O perdão não muda o passado.

—Você quer que eu diga que está tudo bem? Não está. Lucas
me contou sobre a garota que você levou para a Disney. Você quer
que eu aceite seu pedido de desculpas para que você possa seguir
em frente sem uma consciência culpada? É disso que se trata?
Minha filha não conseguiu seguir em frente, não é?

Não, ela não fez. Eu balancei a cabeça.

—Eu sinto muito.


—Você sabe o que desculpa faz?

Eu olhei para cima e encontrei seus olhos irritados.

—O que?

—Nada.

A porta bateu na minha cara antes que eu pudesse dizer outra


palavra.
Capítulo 38
1º de dezembro

Caro eu,

Nós estamos grávidos.

Não é exatamente o que nós planejamos, né?

É uma longa história, mas aconteceu quando fomos a


Minnetonka com a mamãe há dois meses. Lembra do cara fofo que
conhecemos no bar quando escapamos depois que a mamãe foi
dormir?

Sim. Esse é ele.

Ele parecia um cara tão legal.

Até que aparecemos em sua casa para dizer a ele que


estávamos grávidos há duas semanas e...

… Sua esposa atendeu a porta.

A esposa dele! O idiota disse que ele nem tinha namorada!

Nós ainda não contamos a mamãe. Ela não vai ficar feliz.

A única pessoa no mundo que sabe é Bennett. No dia seguinte


que contei a ele, ele foi para casa no final de semana para ter
certeza de que estávamos bem. Nós fingimos estar. Mas nós não
estávamos, na verdade.
Eu secretamente gostaria que estivéssemos carregando o bebê
de Bennett. Ele seria tão bom para nós e um bom pai. Eu realmente
amo ele - diferente do jeito que os melhores amigos deveriam se
amar.

Este poema é dedicado a Lucas ou Lilly.

Trovão quebra acima

nuvens negras se reúnem no céu

o sol brilhará um dia

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Anonimamente,

Sophie
Capítulo 39

Parecia que uma banda marcial tinha se instalado dentro do


meu crânio.

A batida monótona aumentou até a sessão de jam de


percussão toda vez que tentei levantar a cabeça do travesseiro.

O que diabos eu bebi ontem à noite?

E que horas são?

Eu senti em volta da minha mesa de cabeceira por meu


telefone, mas não estava lá. Rolando, eu abri um olho e encontrei
um fluxo de luz entrando pelas persianas.

Deus. Eu protegi meus olhos. Essa porra dói.

Forcei-me a levantar da cama, fui ao banheiro e peguei três


Tylenol do armário de remédios, engolindo-os. No caminho de
volta, encontrei meu celular no chão do quarto, ao lado das roupas
que usei ontem.

8:45 Merda. Eu precisava arrastar minha bunda para o


escritório. No entanto, voltei para a cama. O Tylenol precisava
funcionar antes que eu pudesse fazer isso. Eu peguei meu telefone
com a intenção de enviar um e-mail para Jonas para que ele
soubesse que eu estaria atrasado, mas ao invés disso eu encontrei
um monte de chamadas perdidas.
Duas de Fanny esta manhã e três de Annalice ontem a noite.

Que diabos Fanny quer? Nunca era uma coisa boa quando ela
ligava.

Eu estava prestes a apertar ignorar quando pedaços da noite


passada começaram a rastejar de volta, pouco a pouco.

Muito scotch.

Uber

Aparecendo na casa de Lucas e rastejando para Fanny.

Chamando Annalice do meio-fio em frente a Fanny.

Eu fechei meus olhos. Jesus Cristo.

Eu a despertei para pedir desculpas.

E dizer a ela que eu achava que ela era linda.

E inteligente.

E engraçada.

E…

Que eu queria transar com ela usando um chapéu de cowboy


e saltos desde a primeira vez que ela bateu sua bunda sexy no
meu escritório e me respondeu de volta.

Porra.

Passei os minutos seguintes respirando de forma


descontraída que não funcionou e, em seguida, pressionei na
chamada perdida de Annalice. Eu precisava me desculpar antes de
lidar com Fanny.

Ela respondeu no primeiro toque.

—Como você está se sentindo está linda manhã?

Eu gemi.

—Como se eu tivesse sido atropelado por um rolo


compressor e o bastardo se recusou a voltar e terminar o
trabalho.

Ela riu.

—Bem, eu estou feliz que você esteja bem. Eu estava


começando a ficar preocupada. Eu percebi que você não estaria
com muito humor para a sua corrida matinal, mas nove horas é
como o meio dia para você.

—Sim. — Eu esfreguei minha mão livre sobre o meu rosto. —


Ouça. Me desculpe pela noite passada.

—Está tudo bem. Não é nada demais. Eu te chamei na semana


passada. Você tem direito a uma ou duas ligações gratuitos.

Eu meio que sorri.

—Obrigado. Você pode me fazer um favor e deixar que Jonas


saiba que eu vou chegar tarde? Digamos que estou trabalhando
em casa esta manhã para terminar a apresentação da Star ou algo
assim.

—Certo. Claro.
—Obrigado.

Depois que desliguei, ouvi a mensagem de voz de Fanny. Não


surpreendentemente, ela não era tão compreensiva quanto
parecia ser Annalice. Mas eu precisava levantar minha bunda.
Então eu cliquei em ligar em seu nome, esperando que talvez ela
não respondesse.

Nenhuma sorte.

Fanny me soltou durante cinco minutos sem respirar.

—Você quer se desculpar com alguém, peça desculpas a


Lucas.

Eu fechei meus olhos.

—Eu acordei ele?

—Você com certeza fez. E aparentemente o pequeno


fofoqueiro estava ouvindo. Ele queria saber o que você fez de
errado pelo qual estava se desculpando.

Porra.

—O que você disse para ele?

—Eu disse a ele para voltar para a cama e falaríamos sobre


isso depois da escola hoje.

—Você não pode, Fanny. Isso não pode vir de você. Ele
precisa ouvir isso de mim.

—Então eu acho que você vai ter uma conversa com ele em
breve.
Eu passei meus dedos pelo meu cabelo.

—Ele é jovem demais. Vai machucá-lo demais.

—Deveria ter pensado nisso oito anos atrás, não deveria?


Talvez você tivesse prestado um pouco mais de atenção.

—Fanny...

—Eu vou deixá-lo saber que você vai ter uma conversa com
ele quando você o ver no próximo fim de semana. —

—Mas... — Ela interrompeu novamente. —E se você não fizer,


eu vou.

Clique.
Capítulo 40

—Boa sorte.

Annalice tinha as mãos cheias, então eu abri a porta da sala


de conferências.

—Obrigada. — Ela colocou seus materiais de apresentação na


longa mesa. —Mesmo que eu tenha certeza que você realmente
não quis dizer isso.

Eu dei um sorriso genuíno pela primeira vez em dias. Eu


realmente quis dizer isso, mesmo que eu desejasse que não.
Merda, seria muito mais fácil se não quisesse vê-la bem-sucedida.

Eu acabei de terminar minha apresentação final para Star, e a


equipe deles fez uma pausa enquanto eu limpava minhas coisas e
Annalice preparava sua vez.

—Como foi? — Ela perguntou.

Eu arrasei, mas eu não queria a machucar. Em vez de me


regozijar como o meu eu antipático normal, encolhi os ombros.

—Ok, eu acho.

Ela olhou para mim.

—Apenas bem?
Olhei para o relógio.

—Eles não vão voltar por mais vinte minutos. Você quer fazer
uma demonstração para mim?

—Você quer dizer te mostrar meus conceitos?

—Claro. — Eu dei de ombros. —Meu turno acabou. Eu não


posso roubar nenhuma das suas ideias, mesmo que eu quisesse.

Annalice mastigou o lábio inferior.

—Certo. Por que não? Normalmente não estou tão nervosa,


mas, por algum motivo, está me assustando um pouco.

Ela montou suas pranchas e me acompanhou em sua


apresentação. Eu olhei, hipnotizado por como ela começou com
nervos tão visíveis, mas ainda assim conseguiu fazer uma
apresentação incrível. Meu instinto me disse que seus conceitos
não iriam ser tão bons quanto os meus, mas eu queria aumentar o
ego dela, não destruir, então eu a elogiei.

—Bom trabalho. Suas cores trouxeram uma familiaridade de


sua empresa mãe, mas você criou uma identidade inteiramente
nova para a Star.

Ela ficou um pouco mais alta. Então eu continuei.

—E eu gosto do slogan. A brincadeira com as palavras é


inteligente também.

—Obrigada. — Annalice começou a parecer desconfiada,


então reduzi a lisonja para algo mais do meu estilo habitual.
—Sua bunda também parece fenomenal nesta saia.

Ela revirou os olhos, mas eu peguei o pequeno sorriso que ela


tentou esconder. Eu fiz o meu trabalho aqui. Sua confiança
instável havia sido confirmada.

Jonas entrou na sala de conferências. —Está tudo pronto,


Annalice?

Ela olhou para mim e depois para Jonas, com um sorriso.

—Claro que sim.

No caminho para fora da sala de conferências, eu me inclinei


para sussurrar alguns pensamentos de despedida para o meu
inimigo.

—Que tal uma pequena aposta? Eu ganho, você vai se


debruçar sobre a minha mesa mais tarde. Você vence, vai ficar de
joelhos sob a minha.

—Puxa, que prêmio para mim.

Eu sorri.

—Boa sorte, Texas.

***

No final do dia, Jonas bateu na porta do meu escritório.

—Tem um minuto?

Joguei meu lápis sobre a mesa, feliz pela distração. Minha


concentração tinha sido uma merda toda a tarde.
—Entre.

Ele fechou a porta atrás de si - não era algo que Jonas fazia
com frequência. Tomando um assento na cadeira do outro lado da
minha mesa, ele soltou um grande suspiro.

—Há quanto tempo nos conhecemos agora? Dez anos?

Dei de ombros.

—Algo assim.

—Durante todo esse tempo, nunca vi você tão estressado


quanto esteve na última semana ou duas.

Ele estava certo sobre isso. Meu maldito pescoço doía de


tensão, mesmo quando eu acordei de manhã.

—Há muito em jogo. — Muito mais do que esta competição


deveria ser.

Jonas assentiu.

—É por isso que estou lhe dizendo isso em confiança hoje. Eu


devo a você tirar você da sua miséria o mais rápido possível,
depois do quanto você trabalhou comigo todos esses anos.

O que ele estava dizendo?

—OK…

Ele sorriu sem entusiasmo.


—Falei com a equipe da Star antes de eles saírem há pouco
tempo. Eles estão indo com sua campanha. Foi a escolha unânime
de toda a equipe.

Eu deveria ter sentido aliviado e festejar, mas a vitória


parecia vazia. Forcei um sorriso feliz.

—Isso é ótimo.

—Essa não é a única boa notícia. A Billings Media também me


disse oficialmente que planeja concorrer com seu discurso. Eles
também entraram em contato com nosso CEO e disseram que
ficaram impressionados com o seu trabalho ao longo dos anos. Eu
não pedi a eles para fazer isso também. Eles fizeram isso sozinhos
porque você trabalha duro.

—Uau. OK.

—Eu não acho que preciso dizer a você o que isso significa. O
conselho vai votar formalmente em todas as reestruturações e
demissões de pessoal de gestão sénior, mas é apenas uma
formalidade neste momento. Você ganhou dois de três, então o
terceiro não é necessário. Você vai ficar parado, Bennett. — Jonas
deu um tapa no joelho e usou como equilíbrio para se levantar. —
Annalice será transferida para o escritório de Dallas. Mas vamos
esperar até depois das apresentações do Pet Supplies para dar a
notícia.

Eu esfreguei o nó na parte de trás do meu pescoço.

—Obrigado por me avisar, Jonas.

Ele deixou a porta aberta atrás dele ao sair.


Eu ganhei.

Tudo o que eu queria há dois meses era meu para guardar.


No entanto, eu não poderia ter me sentido mais infeliz. Isso me fez
questionar se eu realmente sabia o que queria começar. Porque
agora não conseguia imaginar querer nada que levasse Annalice a
mil milhas de distância.

Uma hora depois, eu ainda estava olhando para o espaço


quando Annalice apareceu com o casaco.

—Obrigada pela demonstração desta tarde. Isso fez com que


minha apresentação fosse mais suave.

Eu balancei a cabeça.

—Sem problemas. Que bom que correu tudo bem.

Seus lábios se curvaram em um sorriso duvidoso.

—Com certeza. Enfim, eu estou indo encontrar Madison em


algum restaurante nepalês - o que quer que seja. Ainda vamos
jantar amanhã à noite?

Eu esqueci completamente que ela deveria me fazer o jantar


em sua casa.

—Certo. Soa bem. —Pode ser uma das últimas noites que
temos.

Annalice tirou as chaves da bolsa e inclinou a cabeça.

—Você está bem?

—Bem. Só cansado.
—Bem, descanse um pouco esta noite. — Ela sorriu. —
Porque você não vai conseguir nada em minha casa amanhã.
Capítulo 41
1 de abril

Caro eu,

Está na hora.

Nestes últimos meses, desde que Lucas e eu nos mudamos


com Bennett, eu tenho sido mais feliz do que eu tenho em toda a
minha vida. Mas esta manhã, observando Bennett rir e brincar
com Lucas, finalmente decidi. Nós já éramos como uma família de
muitas maneiras. Talvez ele pudesse me amar de volta do jeito
que eu o amo?

Ele acabou de receber uma promoção em seu novo emprego -


depois de apenas um ano de trabalho lá. Ele está mais resolvido
agora.

Eu tenho que pelo menos tentar. Dizer-lhe como me senti por


tanto tempo agora.

Que mal poderia fazer?

Não me lembro da última vez que fiquei tão animada. Espero


que, quando eu escrever no mês que vem, algo mude na vida entre
Bennett e eu.

Este poema é dedicado a Bennett.


Duas videiras crescendo alto

uma envolve a outra apertado

Entrelaçadas ou estranguladas

Esta carta irá se autodestruir em dez minutos.

Anonimamente,

Sophie
Capítulo 42

Eu não consegui dormir novamente.

Você se lembra de —The Tell-Tale Heart, — de Edgar Allan


Poe? Você provavelmente leu no ensino médio. Não? Bem, deixe-
me dar-lhe a versão curta. Um cara mata outro cara e enfia seu
corpo sob as tábuas do assoalho. Ele fica ouvindo os batimentos
cardíacos do cara morto por baixo do chão por causa da culpa que
sua consciência deposita nele. Ou isso, ou o cara é maluco - eu
nunca tinha certeza.

De qualquer forma, sou eu - com uma pequena modificação.


Eu estou vivendo —The Smell-Tail Heart, — de Bennett Fox. Eu
joguei e virei metade da maldita noite, o cheiro de Annalice tão
pesado no meu travesseiro que depois de duas horas tentando
dormir, levantei-me e tirei da cama. Eu também peguei um
travesseiro de reserva que eu tinha colocado na parte de trás do
meu armário - um dos quais Annalice nunca tinha colocado um
dedo - e joguei os lençóis ofendidos no corredor.

Thump-thump

Deitado em um colchão nu, usando um travesseiro sem


fronha, eu ainda sentia o cheiro dela. Não poderia nem ser
fisicamente possível. Mas o cheiro dela não diminuiu nem um
pouco. Eu bati no travesseiro com o punho para afofar.
Thump-thump

Eventualmente, eu saí da cama e procurei na maldita sala. Ela


tinha que ter deixado um frasco de perfume em algum lugar. Puxei
tudo para fora das mesinhas de cabeceira, tomei um cheiro da
garrafa de lubrificante inodoro e verifiquei debaixo da cama.

Nenhum perfume maldito.

Thump-thump

***

Na manhã seguinte, minha bunda se arrastou. Pelo menos era


sábado, então eu não precisava ir ao escritório. Embora eu
preferisse isso ao pensamento de conversar com Lucas hoje. Eu
tinha que ser um sádico, ou era um masoquista? Eu sempre
confundi esses dois. Independentemente do que você chamasse, o
momento parecia ser uma coincidência fodida. Eu estava prestes a
ferir as duas pessoas na minha vida que eu realmente dava a
mínima.

Fanny me encontrou na porta com uma carranca. Eu não


poderia ter ficado mais emocionado quando ela não disse nada,
bateu a porta na minha cara, e gritou no andar de cima de sua
maneira usual e amigável.

Lucas era seu eu normal e despreocupado. Ele saiu e fizemos


nosso habitual aperto de mão.

Então seu nariz se encolheu quando ele olhou para mim.

—Você está doente ou algo assim?


—Não. Por que você diz isso?

Ele desceu os dois degraus da varanda em um gigantesco


salto.

—Você parece com uma crosta. E você apareceu na nossa


casa no meio da noite no outro dia, e você não parecia tão bem.

—Sim. Me desculpe por isso. Eu não queria te acordar.

Ele encolheu os ombros.

—Vovó disse que você queria falar comigo sobre algo.

Eu respirei fundo e deixei sair.

—Sim. Temos que conversar um pouco hoje.

Depois que entramos no carro e colocamos o cinto de


segurança, Lucas se virou para verificar o banco de trás. —
Nenhuma vara de pesca?

Eu balancei a cabeça.

—Não hoje, amigo. Eu quero te levar a algum lugar.

Ele franziu a testa.

—OK.

Durante a viagem até o porto de barcos, tentei fazer conversa


fiada, mas tudo pareceu forçado. Minhas mãos começaram a suar
enquanto eu estacionava. Talvez não tenha sido uma boa ideia
falar com ele sobre a mãe dele, afinal. Ele ainda era muito jovem.
Fanny provavelmente tinha um preço para manter a boca fechada.
Pode levar o conteúdo da minha conta bancária, mas no momento,
parecia um bom investimento. Colocar isso seria melhor para
Lucas - ele ainda é muito jovem.

Assim que esse pensamento passou pela minha cabeça, Lucas


esticou os braços sobre a cabeça em um bocejo gigante. Suas
axilas estavam cobertas de pelos.

Sim. Boa tentativa. Esta era uma discussão que ele


provavelmente merecia ter anos atrás, mas eu fui muito egoísta.

Entramos no estacionamento e Lucas olhou pela janela para a


baía e o píer próximo. Algumas pessoas estavam pescando nas
rochas.

—Onde estamos?, — Ele perguntou. —Por que não


trouxemos uma vara?

—Porque hoje é sobre escutar. Vamos, quero te mostrar um


lugar.

Nós descemos o cais. Quando nos aproximamos do nosso


destino, comecei a ouvir o som e sorri.

—Você ouviu aquele barulho?, — Perguntei.

—Sim. O que é isso?

—É chamado de órgão das ondas. Este era o lugar favorito da


sua mãe quando éramos adolescentes. Ela costumava me arrastar
aqui o tempo todo.

O Wave Organ era uma escultura acústica ativada por ondas


localizada ao longo da baía. Feito principalmente a partir dos
escombros de um cemitério demolido, parecia mais ruínas antigas
do que uma exposição de arte e música. Vinte e poucos tubos de
PVC e tubos de concreto estavam localizados em todo o granito
esculpido e peças de mármore, criando som que vinha do
movimento da água abaixo.

Lucas e eu nos sentamos em pedras quebradas em frente


uma da outra e ouvimos os sons sutis.

—Não é realmente música. — Seu rosto enrugou-se.

Eu sorri.

—Isso é o que eu costumava dizer a sua mãe. Mas ela me


disse que eu não escutava bem o suficiente.

Lucas se concentrou por um minuto, tentando ouvir algo


diferente do som que trazia uma concha até o ouvido. Ele
encolheu os ombros.

—Está bem. Seria melhor com uma vara de pescar.

Eu concordei com o sentimento dele.

Eu sempre estive cuspindo para fora, diga o que está


pensando, cara, mas eu não consegui descobrir como mergulhar
na conversa que eu o trouxe aqui para ter. Aparentemente, Lucas
sabia que algo estava em minha mente.

Ele pegou uma pequena pedra e a jogou na água.

—Vamos ter os pássaros e as abelhas conversando ou algo


assim?
Eu ri.

—Eu não estava planejando isso hoje. Mas se você quiser, nós
podemos.

—Tommy McKinley já me contou tudo sobre coisas assim.

—Tommy é o garoto cheio de espinhas que cheira a um


hamster que levamos ao cinema há alguns meses? Aquele que
amarrou os próprios cadarços e caiu.

Lucas riu.

—Sim, isso é Tommy.

Oh, definitivamente precisávamos ter essa conversa.

—Estou supondo que a experiência de Tommy com as


garotas é praticamente zero. Então, por que não temos essa
conversa na próxima semana? Eu queria falar com você sobre sua
mãe hoje.

—Então o que tem ela?

De repente, senti tontura. Como eu disse a esse garoto que eu


adorava arruinar sua vida? Minha boca ficou seca.

—Você sabe que sua mãe e eu éramos melhores amigos,


certo?

—Sim. Mesmo que isso seja estranho. Quem quer ser o


melhor amigo de uma garota quando você é criança?

Eu murchei um sorriso. Não havia uma maneira fácil de


confessar esse garoto. Eu prefiro ver uma onda gigante me lavar
sobre a rocha que eu estava sentado e me levar para o mar do que
terminar esta conversa. Mas olhei para Lucas esperando.

Como um covarde, olhei para baixo.

—Você sabe que sua mãe morreu em um acidente de carro.

—Sim. — Ele balançou a cabeça. —Eu não me lembro, no


entanto, realmente. Apenas muitas pessoas continuaram vindo
para nossa casa.

Eu balancei a cabeça.

—Sim. Muitas pessoas realmente amavam sua mãe.

Quando fiquei quieto de novo, ele perguntou:

—É isso que você queria me dizer?

Eu olhei para cima e encontrei os olhos de Lucas tão cheios


de inocência e confiança - confiança que ele tinha em mim por
onze anos, confiança em que eu estava prestes a quebrar.

—Não, amigo. Preciso te contar uma coisa sobre o acidente.

Ele esperou.

Não havia como colocar a rolha na garrafa depois disso.


Tomei uma última respiração profunda.

—Eu deveria ter dito isso há muito tempo. Mas você era
muito jovem, ou eu estava com muito medo de dizer a você, ou
talvez os dois. —Eu desviei o olhar, depois voltei para Lucas para
dar o golpe. —Era eu quem dirigia o carro na noite do acidente.
Sua mãe e eu, nós tivemos uma grande discussão e... Chovia muito.
Uma grande árvore precisava ser cortada e cobria parcialmente
um sinal de parada. Eu não vi até estarmos quase no topo. Eu pisei
nos freios, mas o chão estava molhado...

A expressão no rosto de Lucas mudou imediatamente.


Pareceu demorar uma eternidade para ele engolir o que eu disse,
para permitir que ele se registrasse completamente. Mas quando
finalmente aconteceu, ele se levantou.

—É por isso que você passa todo esse tempo comigo? — Sua
voz estava cheia de mágoa, e quanto mais ele falava, mais alto ele
ficava. —Você se sente culpado por matar minha mãe? É por isso
que você vem me visitar a cada duas semanas e pagar minha avó?

—Não. Não é nada disso.

—Você é um mentiroso!

—Lucas...

—Apenas me deixe em paz! — Ele saiu correndo pelo píer.

Eu o chamei algumas vezes, mas quando ele parou no


caminho para pegar pedras e arremessá-las na água, achei que
seria melhor dar-lhe algum espaço para pensar. Ele normalmente
não ficava chateado falando sobre sua mãe, mas o que eu disse a
ele foi muito para absorver e provavelmente abriu muitas feridas
antigas, junto com a criação de novas.

Lucas não falou comigo pelo resto da tarde. Mas ele também
não me pediu para levá-lo para casa mais cedo. Então eu não fiz.
Em vez disso, parei na loja e peguei uma vara barata e alguns
equipamentos e levei-o para um lago para pescar. Se eu pedisse
algo, ele rosnava uma resposta de uma palavra. Eu encontrei uma
certa quantidade de conforto em saber que, mesmo quando ele
estava chateado e irritado, ele ainda não me ignorava
completamente.

Quando chegamos perto de sua casa, eu sabia que ele não me


deixaria qualquer momento para conversar com ele quando
chegássemos. Ele pularia no minuto em que eu parasse e bateria a
porta atrás dele. Inferno, eu teria feito o mesmo na idade dele. É
por isso que eu aliviei o acelerador e disse minha peça durante os
últimos cinco minutos da viagem.

—Eu entendo que você está chateado comigo. E eu não estou


procurando por você para falar comigo agora. Mas preciso que
você saiba que nenhuma das vezes que passei com você foi por
culpa. Eu me sinto culpado pelo que aconteceu e gostaria que
tivesse sido diferente? Todo maldito dia da minha vida. Mas não é
por isso que eu venho visitá-lo. Eu venho visitá-lo porque amei
sua mãe como se ela fosse minha irmã. — Comecei a ficar
engasgado e minha voz falhou.

—E eu te amo com todo meu coração. Você pode me odiar se


quiser pelo que aconteceu. Eu mereço isso. Mas não há nada mais
honesto na minha vida do que o que eu tenho com você, Lucas.

Nós paramos na frente de sua casa, e eu virei minha cabeça


para tentar me esconder minhas lágrimas. Lucas olhou para mim,
olhou nos meus olhos por mais tempo, e então se virou e saiu do
meu carro sem dizer uma palavra.
Capítulo 43

—Tem certeza de que está bem?

Peguei o prato de Bennett na frente dele. Ele mal comeu.

—Sim. Apenas cansado. —Ele esfregou a parte de trás de seu


pescoço.

—Você não gostou do frango?

—Não, estava ótimo. Eu… hum… comi com o Lucas mais cedo.
Eu não estava pensando. Desculpe eu não comer tudo quando
você teve todo aquele trabalho.

Coloquei nossos pratos na pia e fiz Bennett puxar um pouco a


cadeira para trás da mesa. Sentado em seu colo, acariciei seus
cabelos.

—Está tudo bem. Eu não me importo. Você apenas parece...


em outro lugar esta noite.

—Desculpa.

—Pare de se desculpar. — Eu me levantei e ofereci minha


mão. —Vamos. Você está cansado e está esfregando o pescoço
desde que chegou aqui. Deixe-me tirar os nós.
Bennett pegou minha mão e eu o levei para o meu quarto. Ele
tirou os sapatos e sentou-se na beira do colchão.

Entrei no banheiro e peguei a garrafa meio vazia de óleo de


bebê que mantinha debaixo da pia para a minha pele seca.

—Tire a sua camisa, para que não fique oleosa.

Ao me ver derramar óleo sobre as minhas mãos não me


convidou nenhum comentário lascivo, eu sabia que o que estava
incomodando era mais do que dor no pescoço e estar cansado.
Levantei-me de joelhos atrás dele e comecei a massagear o óleo de
bebê em sua pele. Seu queixo caiu para o peito enquanto eu
trabalhava meus dedos nos músculos.

—Você não estava brincando. Você está tão tenso. É como um


nó gigante aqui atrás.

Bennett fez um som que era um cruzamento entre um gemido


de prazer e dor enquanto eu cavava meus dedos mais
profundamente em sua carne.

—Se sente bem?

Ele assentiu.

Depois que eu soltei os músculos do pescoço dele, imaginei


que soltaria outro músculo. Então eu alcancei seu peito e soltei
seu cinto enquanto beijava sua nuca. Então eu saí da cama e fiquei
entre as pernas dele antes de cair de joelhos.

O som do zíper no jeans de Bennett ecoou pela sala.


Alcançando suas calças, eu segurei seu pênis, e ele soltou um
suspiro alto e instável. Eu pensei que era o som de seu
autocontrole escorregando, mas quando olhei para cima,
encontrei seus olhos fechados e seu rosto torcido de dor.

—Bennett? — Eu recuei. —O que há de errado?

Seus olhos se abriram.

—Nada.

—Não me diga que não é nada. Você parece muito chateado.

Ele se levantou e deu alguns passos para longe de mim.

—Eu sinto muito.

—Pare de dizer isso. O que está acontecendo com você?

Eu esperei em silêncio para ele dizer alguma coisa, mas ele


continuou a respirar profundamente, para dentro e para fora.
Parecia que ele estava tentando se recompor, tomar seu controle.

Bennett passou a mão pelos cabelos. —Pooorra! — Ele


parecia irritado, mas eu poderia dizer o que quer que fosse, ele
estava com raiva de si mesmo, não eu.

—Fale comigo.

Ele andou de um lado para o outro algumas vezes e então se


sentou na beira da cama, a cabeça entre as mãos e os dedos
puxando o cabelo dele.

Eu me ajoelhei na frente dele.

—Bennett?
Eu assisti o seu pomo de Adão balançar para cima e para
baixo enquanto ele engolia. E então seus ombros começaram a
tremer. No começo, achei que ele estava rindo - algum tipo de
risada maníaca que precisava sair porque era isso ou quebrar e
chorar.

Mas então ele olhou para cima.

E eu vi seus olhos cheios de lágrimas não derramadas.

Meu coração parou.

Ele não estava rindo; ele estava chorando em silêncio,


fazendo tudo ao seu alcance para não deixar sair.

—Oh Deus, Bennett. O que há de errado? O que aconteceu?


Capítulo 44

Eu segurei ele apertado.

Seus ombros tremeram por tanto tempo, eu sabia que


precisava me preparar para o som quando finalmente chegasse.
Foi um ruído ensurdecedor, de quebrar o coração e esmagador de
alma, quando o fez. Eu não tinha ideia do que poderia causar tanta
dor. Mas eu sabia que queria tirar um pouco disso para ele.

Esfreguei suas costas, acariciei seus cabelos, assegurei-lhe


com palavras carinhosas que tudo ficaria bem. Fosse o que fosse,
essa era uma dor que havia sido construída por um longo tempo.
Não era novo, não é o tipo que acontece quando você perde
alguém inesperadamente ou de repente descobre que o homem
que você achava que sabia não era o homem pelo qual você se
apaixonou. A dor que emanava de Bennett era do tipo que passou
anos engarrafada - como um vulcão que entra em erupção depois
de cem anos de estar adormecido e, de repente, seu fogo está
disparando a cento e cinquenta metros de altura.

Comecei a chorar com ele, apesar de não ter ideia do porque


estávamos chorando. Foi muito emocionante assistir e não ser
levada às lágrimas. Nós nos abraçamos por um longo tempo.

—Vai ficar tudo bem, — eu sussurrei. —Vai ficar tudo bem.


Eventualmente, os tremores de Bennett começaram a
diminuir. Eu não tinha certeza se era porque eu o trouxe conforto
ou ele simplesmente não tinha mais lágrimas para chorar. Ele
tomou algumas respirações longas, profundas e instáveis, e seu
aperto em mim afrouxou.

Seu rosto estava enterrado no meu pescoço. Eu queria olhar


para ele, para ver seu rosto, mas eu estava meio com medo de que
uma vez que eu recuasse e visse a dor em seus olhos, eu perderia
tudo de novo, mesmo se ele estivesse bem.

Quando a nossa respiração voltou ao normal e nenhum de


nós chorava mais, limpei minha garganta rouca.

—Você quer que eu pegue algo para você beber? Uma água
ou algo assim?

Bennett balançou a cabeça, mantendo-a abaixada, para que


eu não pudesse vê-lo, mas uma de suas mãos subiu para o meu
rosto.

Ele pressionou a palma da mão na minha bochecha e


sussurrou:

—Obrigado.

—A qualquer momento. — Eu sorri tristemente, tirando a


mão do meu rosto e trazendo-a aos meus lábios. —A qualquer
momento.

Ele levantou a cabeça e encostou a testa na minha. Seus olhos


estavam inchados e vermelhos, mas o meio sorriso que ele
conseguiu me dar era real.
—Obrigado pela oferta. Mas eu espero que seja a primeira e a
última vez que você verá isso.

Ele parecia mais com Bennett já.

—Você quer falar sobre isso?

Ele olhou para cima.

—Ainda não.

—OK. Bem, você sabe onde me encontrar se você fizer.

Ele sorriu tristemente.

—No Texas?

Eu comecei a rir.

—Rapaz, isso não demorou muito. E aqui eu estava pensando


que você seria legal comigo depois de como eu fui legal com você.
Eu deveria saber melhor.

Bennett pegou-me e surpreendeu-me, balançando-me até o


topo da cama perto da cabeceira da cama. Ele subiu em cima de
mim.

—Você está dizendo que eu te devo uma?

Eu balancei a cabeça com um sorriso gigante de orelha a


orelha.

—Talvez mais do que uma.

Ele riu.
—Bem, é melhor eu começar logo.

Seu rosto mudou para o meu pescoço mais uma vez, só que
desta vez ele definitivamente não estava chorando. Nós nos
envolvemos um ao outro. Não dez minutos atrás, nós dois
estávamos emocionalmente aflitos, e agora esses sentimentos se
transformaram em desejo e necessidade.

Bennett me beijou apaixonadamente, com tanta ternura e


adoração. Nosso desejo um pelo outro nunca foi um problema,
mas esse momento pareceu diferente por algum motivo. Quando
ele quebrou o beijo para tirar minhas roupas, ele olhou para mim
como se ninguém mais existisse no mundo. O sorriso que ele
usava quando ele empurrou dentro de mim me tocou
profundamente era diferente. Eu sabia no meu coração que algo
havia mudado. Então ele solidificou esse sentimento fazendo
amor comigo pela primeira vez.

***

—Eu disse a Lucas a verdade sobre mim hoje à noite.

O quarto estava escuro como breu. Eu comecei a cochilar e


não podia ter certeza se o tinha ouvido direito.

—A verdade?

Eu o senti acenar, mesmo que eu não pudesse ver. Minha


cabeça estava enfiada na curva do ombro dele, e ele continuou a
acariciar meu cabelo gentilmente enquanto falava.

—Sophie era minha melhor amiga. As pessoas achavam


estranho que passássemos muito tempo juntos, mas não éramos
desse jeito. Ela era como a irmãzinha que eu nunca tive, apesar de
termos a mesma idade. Nós tínhamos dezenove anos quando ela
ficou grávida de um perdedor. Sua mãe a expulsou, e ela veio ficar
comigo no meu dormitório por um tempo e depois voltou para
casa. Foi assim por anos. Mas depois que me formei, ela não podia
mais ficar em casa com Fanny. Conseguimos um apartamento
juntos para que pudéssemos dividir as despesas e eu poderia
ajudar com Lucas enquanto ela ia à escola de cosmetologia à noite.

Ele fez uma pausa e eu esperei em silêncio até que ele


estivesse pronto para continuar.

—Uma noite ela saiu da aula cedo. Lucas já estava dormindo


em seu quarto. Eu conheci uma mulher em nosso prédio e
começamos a sair de vez em quando. Sophie entrou e estávamos
fazendo sexo no meu quarto.

Ele soltou um suspiro profundo.

—Eu nem me lembro do nome da mulher. De qualquer forma,


Sophie surtou, dizendo que Lucas poderia ter entrado, e nós
tivemos uma grande briga. Na noite seguinte, ela deixou Lucas na
casa da mãe, em vez de deixá-lo em casa comigo quando ela foi
para a escola. Ou pelo menos eu pensei que ela fosse para a escola.
Um amigo meu ligou mais tarde naquela noite e disse que estava
em um bar, e Sophie estava lá, e ela estava bem bêbada. Então eu
dirigi para buscá-la. Foi uma noite de merda, chovia muito, e eu a
encontrei saindo com algum motociclista maluco. Houve uma
grande cena - o motoqueiro queria chutar a minha bunda, mas eu
a tirei de lá antes que ela fizesse algo estúpido.

Ele respirou fundo novamente.


—Nossa luta continuou no carro e Sophie me beijou.

—Ela beijou você?

—Eu pensei que ela estava bêbada no começo. Eu a empurrei


de cima de mim e disse a ela para cortar a merda. Mas ela
começou a chorar. Então tudo saiu. Ela me disse que estava
apaixonada por mim há anos. Aparentemente a noite anterior não
tinha sido sobre me encontrar com outra mulher enquanto Lucas
estava dormindo; foi porque ela tinha sentimentos por mim.

—Oh, nossa. E você não tinha ideia?

—Nenhuma. Como um fodido idiota, eu não vi nada disso. Até


muito tempo depois. E eu não lidei muito bem com isso. Eu disse a
ela que isso era ridículo e ela era como minha irmãzinha.

—Ouch.

—Sim. Isso não foi muito bom. Ela estava muito chateada,
então achei melhor levá-la para casa. —Ele fez uma pausa.

—Nós nunca fizemos isso. Eu perdi um sinal de parada por


causa de algumas árvores pesadas da chuva, e havia um caminhão
de dezoito rodas se aproximando. Nós derrapamos e o carro
capotou algumas vezes.

Eu me virei de barriga para baixo.

—Oh meu Deus, Bennett.

Ele balançou sua cabeça.


—Eu não deveria estar dirigindo enquanto estava chateado e
bravo, não à noite, com pouca visibilidade e estradas molhadas.

Eu agarrei meu peito. A história em si era de partir o coração,


mas depois me lembrei do que ele disse antes.

Eu disse a verdade a Lucas esta noite.

—Lucas não sabia nada disso?

Ele assentiu.

—Não até esta tarde. É uma longa história, mas Sophie


manteve esses diários e sua mãe recentemente os leu. Lucas quase
leu também. A última entrada em seu diário foi escrita no dia
anterior à sua morte e dizia que iria me contar sobre seus
sentimentos. Sua mãe sabia que nós brigamos na noite em que
Sophie morreu, mas quando ela leu os diários, percebeu o porquê
que estávamos brigando. Fanny nunca gostou de mim para
começar, e com razão me culpa pelo acidente.

Ele suspirou.

—Ela só me deixa ficar na vida de Lucas porque eu a ajudo


financeiramente. Lucas e eu conseguimos um acordo porque a
árvore deveria ter sido cortada e o caminhoneiro estava em alta
velocidade, mas o dele é uma pensão, e Fanny só recebe uma
quantia por suas despesas diárias a cada mês. Eu sempre soube
que precisava dizer a ele que estava dirigindo. Eu só pensei que
poderia esperar até que ele ficasse um pouco mais velho. — Ele
balançou a cabeça.
—Ler esses diários despertou muitos sentimentos. Para nós
dois.

Eu fechei meus olhos.

—Oh Deus, Bennett. Eu sinto muito. Você disse a ele tudo isso
hoje? Eu estou supondo que não foi bem?

—Ele poderia ter me dito para nunca mais entrar em contato


com ele. Então eu acho que poderia ter sido pior.

Não foi preciso um psiquiatra para descobrir por que Bennett


não tinha relacionamentos. Uma mulher com quem ele se
importava profundamente lhe dissera que estava apaixonada por
ele na noite em que ela morreu em um acidente de carro - um
acidente que aconteceu enquanto ele estava atrás do volante, um
acidente pelo qual obviamente sentia muita culpa.

Em um instante, o resto das peças que faltavam de Bennett


Fox se encaixaram. Um homem tão complexo, com cicatrizes no
interior, corria muito mais fundo do que o do lado de fora do
acidente.

—Ele virá ao redor. Ele é um garoto inteligente e, no pouco


tempo que passei com vocês dois, ficou claro o quanto você se
importa com ele. Tenho certeza de que ele ficou chateado com o
choque. Deve ter parecido um grande segredo escondido dele.

—Ele acha que passei todo esse tempo com ele por culpa pelo
que fiz. E honestamente, tenho muita culpa. Mas essa nunca foi a
razão pela qual eu fiquei envolvido na vida de Lucas.
Ficamos calados por um bom tempo. Eu precisava envolver
minha cabeça em torno de tudo o que ele compartilhava, e
Bennett obviamente precisava de espaço. Mas primeiro... eu
precisava fazer mais uma pergunta.

—Bennett?

—Hmm?

—Você já conversou com alguém sobre isso? Quero dizer,


toda a história. O que Sophie significou para você, o que ela
compartilhou na noite em que morreu e os relacionamentos que
teve desde então - ou falta de relacionamentos?

Ele balançou sua cabeça.

—Obrigado por me dizer. Eu sei que tem sido um longo dia,


mas eu quero que você saiba que eu adoraria ouvir tudo sobre
Sophie. Quando você estiver pronto.

Ele olhou nos meus olhos.

—Por quê? Por que você quer ouvir sobre ela?

—Porque ela é obviamente muito especial para você, ela é a


mãe do garoto que você ama, e quer você perceba ou não, ela
ajudou a transformá-lo no homem que você é hoje.
Capítulo 45

Reli a carta que eu havia digitado para Jonas pela segunda


vez. Eu não estava pronta para dar a ele ainda. Mas digitá-la me
aproximou um passo. Parecia certo - como experimentar um par
de jeans que não cabia há muito tempo e, de repente, o zíper se
fechou. Fazia muito tempo desde que qualquer coisa na minha
vida realmente se encaixava.

Meu telefone de mesa tocou, então rapidamente fechei a carta


em um envelope e guardei na gaveta. Achei que era Bennett
ligando do escritório para gritar comigo para me apressar, já que
eu disse que estaria pronta em dez minutos, pelo menos meia
hora atrás.

—Annalice O'Neil. — Minha voz era quase cantada.

Mas quando olhei para cima, com o telefone entre o ombro e


a orelha, Bennett estava em pé na minha porta. Eu sorri.

Até que a voz do outro lado da linha veio através do receptor.

—Anna? Ei. Achei que você ainda podia estar no escritório.

Andrew.
Eu não sei porque, mas eu entrei em pânico. —Ummm… sim.
Ainda estou aqui. Espere um minuto. —Eu segurei o telefone
pressionado contra o meu peito e falei com o homem que
atualmente está me encarando da porta. —É minha mãe. Eu vou
demorar alguns minutos.

Bennett assentiu.

—Não tenha pressa. Me dê suas chaves. Eu vou puxar o seu


carro pela frente para que possamos carregar suas apresentações
quando você terminar.

Eu pesquei dentro da minha bolsa, esperando que ele não


notasse o rubor subindo pelo meu rosto. Felizmente, ele não
parecia notar. Ele pegou as chaves e beijou minha testa antes de
sair do meu escritório. Esperei, ouvindo seus passos
desaparecerem até que eles estivessem ao longe, e pelo som da
porta da frente dos nossos escritórios abrindo e fechando.

Eu levantei o telefone de volta ao meu ouvido.

—Oi. O que está acontecendo? Está tudo bem?

—Eu peguei você em um momento ruim?

Eu me sentei. Já houve um bom momento para um ex chamar


do nada?

—Estou me preparando para sair. Está tudo bem?

—Ainda trabalhando muito tarde, eu vejo. — Ele estava


brincando, mas eu não estava com vontade de conversa fiada.
—Estou saindo para jantar. Então eu preciso fazer isso
rápido, Andrew. O que está acontecendo?

—Jantar como em um encontro?

Isso me irritou. Eu bufei.

—Eu realmente preciso ir.

—OK. OK. Eu só queria que você soubesse que eu vou me


juntar a Lauren e Trent para o seu jantar amanhã à noite.

—Por quê?

—Porque eu quero te ver.

—Por que?

Andrew suspirou.

—Por favor, Annalice.

—Este é um jantar de negócios. Da última vez que verifiquei,


você não tinha interesse nos negócios de sua família.

—Eu ainda sou um acionista. E eu ajudei lá nos últimos meses


- renovando a cópia para o catálogo e outras coisas.

Seus pais sempre quiseram que ele se envolvesse nos


negócios da família, mas Andrew tinha enfiado o nariz no ar
quando sugeriram que ele assumisse um papel que envolvesse
escrever em seu império. Qualquer coisa menos literatura estava
abaixo dele.

—Bem. Tanto faz. Eu preciso correr.


—Estou ansioso para ver você.

O sentimento não era mútuo.

—Adeus, Andrew.

***

—Você já ouviu falar de Lucas?

Bennett esfregou meu ombro. Nós estávamos no que havia se


tornado nosso habitual modo de dormir pós-sexo - o braço
esquerdo dele em volta de mim, minha cabeça descansando em
seu peito, seus dedos traçando meu ombro enquanto
conversávamos.

—Eu mandei uma mensagem para ele esta tarde para lembrá-
lo que eu iria aparecer na sexta-feira antes da escola para dizer
adeus. Ele está indo para Minnetonka com Fanny logo depois do
término das aulas. Eu odeio que ele vá embora por três semanas e
meia enquanto estamos neste lugar fodido. Eu deveria ter forçado
Fanny a me deixar contar a ele depois que ele voltasse.

—Talvez o tempo seja bom para ele, faça-o perceber que


sente a sua falta.

—Eu não sei sobre isso.

—Ele mandou uma mensagem de volta?

—Uma palavra: ok.

Eu sorri.
—Isso é melhor que nada. Ele virá ao redor. Ele só precisa de
um pouco de espaço.

Bennett beijou o topo da minha cabeça. —Você está nervosa


sobre amanhã à noite?

Porque eu tinha uma consciência culpada, eu imediatamente


pensei que ele sabia de Andrew, mesmo que eu não tenha
mencionado que ele estava vindo para a minha apresentação com
Lauren e Trent.

—Não, — eu retruquei. Ele riu.

—Você é realmente uma mentirosa de merda. Eu nem preciso


ver seu rosto vermelho para saber que você está cheia de merda.
— Agora seria a oportunidade perfeita para mencionar que
Andrew estava se juntando a nós para o meu encontro. Mas eu
não fiz. Eu sabia que isso o aborreceria, e ele tinha passado
bastante estresse ultimamente. Quando Andrew ligou mais cedo,
minha reação imediata foi defensiva. Eu ainda estava com raiva de
como as coisas terminaram, e eu não queria que ele tentasse
voltar às minhas boas graças - se era isso que ele queria. A raiva
era mais fácil de lidar. Mas quanto mais eu pensava nisso, mais eu
pensava que talvez ver Andrew fosse exatamente o que eu
precisava. Embora eu tivesse desistido da idéia de desistir há
algumas semanas, parecia meio ridículo arriscar tanto uma
chance absurda com um homem que não tinha interesse em um
relacionamento. Mas depois do fim de semana passado - depois
que Bennett me confidenciou sobre o que havia acontecido com a
mãe de Lucas - eu não tinha certeza se ele não tinha interesse em
um relacionamento. Ele simplesmente não sentiu que merecia a
felicidade. Ele nutria muita culpa equivocada.
Eu precisava de um sinal de que ir com meu coração era a
coisa certa a fazer. Talvez ver Andrew me fizesse sentir que o que
eu sentia por Bennett não era uma espécie de rebote. Eu precisava
ter certeza de que minhas emoções eram reais e não uma fantasia.

Bennett bocejou.

—Você vai ser ótima.

Eu quase esqueci que ainda estávamos falando sobre amanhã


à noite.

—Obrigada. Está tudo pronto para a sua apresentação?

—Quase.

—Quanto tempo depois você acha que vamos ouvir sobre a


decisão do conselho?

A mão de Bennett no meu ombro parou. —Não tenho certeza.


Muito rápido, eu acho.

O que significava que eu poderia ter menos de uma semana


para descobrir se Bennett e eu estaríamos separados por mais de
mil milhas.

***

—Suas ideias foram ótimas.

Eu me virei de olhar pela grande janela de sacada na sala de


estar de Lauren e Trent para encontrar Andrew caminhando em
minha direção com um copo de vinho em cada mão. Ele estendeu
um para mim.

—Não, obrigado. Estou dirigindo.

Ele sorriu.

—Mais para mim, então. Meu carro está na loja, Trent me


pegou a caminho de casa do escritório.

Eu balancei a cabeça.

Andrew tinha ficado bem quieto enquanto eu apresentava


minhas ideias antes do jantar, e então ele ficou no fundo da nossa
conversa enquanto nós quatro compartilhamos uma refeição.

Eu levei um minuto para olhar para ele. Ele usava uma camisa
de botão, fora da calça, com um par de jeans escuros e mocassins.
Ele tinha uma barba clara, o que realmente me surpreendeu. Na
verdade, todo o seu olhar descontraído me surpreendeu.

—Você parece diferente, — eu disse.

Ele tomou um gole de vinho.

—Isso é uma coisa boa ou ruim?

Eu olhei para ele de novo.

—Boa. Você parece relaxado. Eu acho que nunca te vi de


barba, exceto quando você estava em uma farra de vários dias.

Ele assentiu.

—Você sempre disse que gostava de mim com pelos faciais.


Isso era verdade. Eu sempre gostei dele com um pouco de
barba. Mas ele não... então ele nunca teve nenhum.

Eu olhei por cima do meu ombro em direção à cozinha.


Lauren e Trent tinham insistido em limpar e não me permitiram
ajudar. Mas eles foram embora por um tempo.

Andrew bebeu mais do seu vinho, observando-me pela borda


do copo.

—Pedi a eles que nos dessem um pouco de tempo para


conversar.

—Oh. — Eu balancei a cabeça. Sentindo-me de repente


desconfortável, voltei minha atenção para a grande janela. Estava
chovendo a noite toda.

—Está realmente chovendo lá fora.

Andrew manteve os olhos fixos em mim.

—Eu não tinha notado.

Ele caminhou até uma mesa e pôs o vinho no chão. Quando


ele voltou, ficou um pouco mais perto de mim.

—Você está bonita esta noite.

Eu olhei para ele e nossos olhares se encontraram. O calor do


seu sorriso me jogou de volta a muito tempo atrás. Nós
costumávamos ser felizes. Aquele sorriso costumava fazer minhas
entranhas se sentirem quentes - como Bennett faz agora. Apenas o
sorriso de Bennett faz muito mais para mim. Isso me fez sentir
calor e emoção, e mesmo que ele não me desse nada para indicar
que ele sentia mais do que uma atração mútua e física por mim,
isso me fez sentir amada e cuidada.

Andrew estendeu a mão e empurrou o cabelo do meu rosto.


Seus dedos roçaram minha pele. Eu senti isso, quente e suave, mas
apenas uma sombra do que parecia quando eu estava perto de
Bennett. Bennett podia me passar um lápis em uma reunião e o
roçar acidental de nossos dedos incendiava meu corpo. O toque de
Andrew era o conforto de um cobertor aconchegante - uma
familiaridade. Eu não conseguia lembrar a última vez que Andrew
e eu estávamos em chamas. Nós já estivemos? Ou eu tinha me
tornado confortável na segurança do que eu sabia?

Ele se inclinou um pouco mais perto.

—Eu sinto sua falta, Anna.

Eu olhei para ele. Seus lábios estavam tão perto e seu cheiro
familiar ao meu redor. No entanto... eu não tinha vontade de beijá-
lo. Nenhuma.

Um sorriso brotou no canto dos meus lábios. Eu estava


animada para não sentir nada, e naquele momento, eu me decidi.
Eu ia arriscar com Bennett.

Andrew interpretou mal o que estava passando pela minha


mente e se inclinou para um beijo.

Minhas mãos saltaram para o peito dele, parando-o logo


antes de nossos lábios se encontrarem.

—Não. Eu não posso.


Lauren e Trent pegaram aquele momento para sair da
cozinha. Eu dei um passo para trás, colocando distância entre
Andrew e eu antes que eles se juntassem a nós na sala de estar.

—Tudo feito com a limpeza. — Lauren sorriu. —E Trent só


quebrou um prato hoje à noite.

Trent colocou a mão nas costas da esposa. —Eu continuo


pensando que ela vai parar de me fazer lavar pratos se eu quebrar
outro. Mas ela continua comprando mais e me forçando a ajudar.

Eu estava grata pela interrupção. De repente eu também


queria dar o fora daqui e surpreender Bennett a caminho de casa.
Tivemos algo para comemorar esta noite, mesmo que ele não
tivesse ideia do que estava prestes a acontecer.

—Muito obrigada pelo jantar. Estava uma delícia.

—Obrigada— disse Lauren. Ela olhou para o marido.

—Nós amamos suas ideias. Eu nem acho que precisamos


ouvir a outra apresentação, para ser honesta.

—Quanta gentileza. Mas eu definitivamente quero que você


tenha a campanha que você mais gosta, então talvez mantenha
sua mente aberta até depois de ver o que Bennett apresenta
quando você se encontrar com ele na segunda-feira.

Além disso, se você for com minhas ideias, eu posso estar


pedindo para você me seguir para uma nova empresa. Preciso de
pelo menos alguns dias para colocar meu currículo no ar.

Trent assentiu.
—Certo. Claro.

—Eu espero que você não se importe, mas eu vou sair. A


chuva está ficando pesada lá fora, e eu não quero dirigir com ruas
inundadas.

—Oh. Claro, —Lauren disse. Seus olhos se voltaram para o


irmão e depois de volta para mim.

—Você se importaria de me dar uma carona?, — Perguntou


Andrew. —Dessa forma, Lauren e Trent não têm que sair neste
tempo.

—Ummm... — Eu não poderia dizer não. A casa de Andrew


estava a caminho de casa, e era muito desagradável lá fora.

—Certo. Sem problemas.

Talvez isso tenha sido bom. Nós mantivemos a porta aberta


uma polegada, e finalmente era hora de fechá-la e dizer adeus. Eu
poderia dizer a ele no caminho que eu conheci alguém. Era a coisa
certa a fazer depois de oito anos. E eu não precisava de nenhum
ressentimento entre Lauren e eu, se estivéssemos trabalhando
juntas.

Nós quatro nos despedimos. Era estranho estar saindo de


casa com Andrew - jantamos tantas vezes como casais. Juntos,
Andrew e eu corremos para o carro. Mas a chuva caía de lado, e
nós dois estávamos encharcados quando batemos as portas atrás
de nós.

—Droga. — Andrew sacudiu os braços. —Está realmente


chovendo.
Eu tirei a água do meu rosto e liguei o carro. —Sim, horrível.

—Você quer que eu dirija?

Dirigir era a última coisa que eu queria fazer. Mas isso não
importava.

—Não, eu estou bem. Obrigada. —Olhando no meu espelho


retrovisor, eu respirei fundo e sussurrei,

— Checando por carros que se aproximavam, —antes de


colocar o carro pra fora.

—Se afastando do meio-fio.

—Esta é uma das coisas que mais senti falta.

Eu ouvi o sorriso na voz de Andrew, mas continuei me


concentrando na estrada. Estava chovendo como eu nunca tinha
visto antes, e as ruas já estavam começando a inundar.

—Não tenho certeza se isso é um elogio ou um insulto que


isso é o que você mais perdeu. — Eu arrumo o volante e faço meu
caminho para a estrada. As janelas estavam começando a
embaçar, e quando olhei no espelho retrovisor para entrar na
estrada, só consegui ver um borrão de luzes através da janela do
lado do motorista. O retrovisor não estava muito melhor por
causa da janela traseira embaçada. Então apertei o botão para
rolar pela minha janela e dar uma olhada melhor. Mas assim como
eu fiz, um carro passou, enviando um grande jato de água através
da minha janela aberta e diretamente no meu rosto. Minha reação
inata foi acionar os freios. Mas isso me fez aquaplanar na fusão.
Agarrei o volante e meu carro começou a sair do controle. O carro
puxou para a direita, na direção do tráfego em movimento na
estrada, e eu puxei o volante para a esquerda.

Tudo aconteceu em câmera lenta depois disso.

Nós começamos a girar.

Eu perdi todo o sentido do que era para a frente e o que era


para trás.

Luzes brilhavam nos meus olhos.

E percebi que era porque estávamos enfrentando o caminho


errado.

Na pista oposta da rodovia.

Uma buzina começou a soar.

O carro vindo em nossa direção desviou para a direita.

Mas não havia espaço suficiente para nós dois.

Eu me preparei para o impacto.

Nós fomos atingidos.

Foi alto e chocante.

Meu corpo sacudiu para a esquerda e depois para a direita.

Andrew gritou meu nome.

Então tudo ficou quieto novamente.

Comecei a pensar que podíamos ficar bem.


E depois…

Nós fomos atingidos pela segunda vez.


Capítulo 46

Eu parei na frente da casa de Lucas e Fanny alguns minutos


mais cedo e chequei meu telefone pela décima vez desde a noite
passada.

Nada ainda.

Eu mandei uma mensagem para Annalice para ver como sua


apresentação foi e nunca recebi sua resposta. Mesmo que ela
chegasse em casa cedo e fosse para a cama, ela definitivamente
estaria acordada agora. Na maioria dos dias ela estava no
escritório às sete.

Eu tive uma sensação de ansiedade ruim toda a noite depois


que eu não à ouvi de volta. Mas isso provavelmente se deve mais à
merda que estava acontecendo com Lucas e ter que dizer adeus
por três semanas depois do que aconteceu no último fim de
semana.

Enfiei meu celular de volta no bolso, olhei para a casa de


Fanny e Lucas e respirei fundo antes de sair do carro.

Fanny abriu a porta com sua habitual disposição ensolarada.

—Ele poderia usar algum dinheiro para suas férias.

Eu balancei a cabeça. Sim? Então dê a ele um pouco.


—Bem. Ele está pronto?

Ela bateu a porta na minha cara e eu a ouvi gritar:

—Lucas! Coloque sua bunda em movimento!

Meu coração começou a bater de forma irregular quando ouvi


seus pés descendo as escadas. Eu não tinha ideia do que faria se
esse garoto não aparecesse. As palmas das minhas mãos
começaram a suar.

A porta se abriu e Lucas saiu, colocando sua mochila.

Eu pisei levemente, mantendo minhas mãos nos bolsos.

—Ei.

Ele ergueu o queixo para mim.

—Ei.

É um começo.

—Está pronto?

Ele assentiu e entramos no meu carro. Liguei a ignição e


tentei fazer conversa fiada. —Você está animado para a sua
viagem a Minnetonka?

Lucas franziu o rosto como se tivesse cheirado algo azedo.

—Você estaria?

Ele tinha um ponto.


—Vá no porta-luvas. Retire o envelope dourado. Eu imprimi
para você algumas informações sobre os lagos locais na noite
passada. Há alguns a uma curta distância de onde você está indo
que soam como se tivessem uma boa pescaria. Há algum dinheiro
lá também, então você pode obter varas e iscas e outras coisas.

Ele pegou o envelope e enfiou na mochila. —Obrigado.

Fizemos mais algumas pequenas conversas a curta distância


de sua escola, mas era uma conversa empolada e basicamente
consistia em eu falar e ele dizer sim, não, ou obrigado.

Poderia ter sido muito pior, eu supus.

Quando chegamos à frente de sua escola, ainda estávamos


alguns minutos adiantados, então parei no meio-fio e estacionei o
carro.

—Ouça, amigo... — Eu limpei minha garganta... —. sobre o


que eu te disse na semana passada.

Ele olhou para baixo, mas não tentou sair do carro pelo
menos.

Então eu continuei.

—Eu sinto muito. Sinto muito que o acidente tenha


acontecido. Me desculpe, eu não te contei até agora. Mas nunca foi
por isso que passei tempo com você. — Passei meus dedos pelo
meu cabelo.

—Eu não estou indo a lugar nenhum. Tome algum tempo se


você precisar. Fique bravo comigo pelo acidente. Fique bravo
comigo por demorar muito para falar com você. Inferno, estou
bravo comigo mesmo por tudo. Mas eu estarei aqui a cada duas
semanas depois que você voltar, assim como sempre estive
porque amo você - e enquanto me sinto culpado por muitas coisas,
essa culpa não tem nada a ver com o tempo que passamos juntos.

Lucas olhou para mim e nossos olhos se encontraram por um


breve segundo. Então ele se abaixou e levantou sua mochila. Ele
abriu a porta do carro e começou a sair, mas fez uma pausa para
resmungar:

—Mesmo.

Eu esperei até que ele entrasse na escola para se afastar. Eu


estava temendo contar a ele por tantos anos, mas nós iríamos
passar por isso. Seria lento reconquistar sua confiança, mas
iríamos fazer isso juntos.

E foi a primeira vez que acreditei que talvez, apenas talvez, eu


também pudesse passar por isso.

***

Onde diabos ela está?

Fui direto ao escritório de Annalice para contar a ela sobre


Lucas, mas a porta estava fechada. Sua luz também estava
apagada. Eu disquei seu número novamente no meu caminho para
perguntar a Marina se ela tivesse ouvido falar dela hoje.
Ela não tinha, e minha ligação foi para o correio de voz
novamente.

Às onze horas, eu estava preocupado. Uma coisa era ela me


ignorar, mas não aparecer ou ligar para o escritório? Algo não
estava certo. Eu fui ao escritório do Jonas, mas ele estava em uma
reunião, então pedi ao seu assistente que me ligasse assim que ele
saísse. Eu devo ter ligado mais cinquenta vezes até que Jonas
finalmente saiu da sala de conferências.

Ele entrou no meu escritório sem bater e jogou um envelope


na minha mesa.

—Você simplesmente não podia se ajudar, poderia? — Ele


estava chateado.

—Do que você está falando?

—Eu confiei em você que a diretoria iria mantê-lo aqui. E


você simplesmente não podia esperar para esfregar no rosto de
Annalice, não é?

Eu levantei ambas as minhas mãos.

—Eu não tenho ideia do que você está falando. Eu não contei
nada a Annalice.

—Então, sobre o que é essa carta? — Seus olhos apontaram


para o envelope.

Eu abri e li.
Caro Jonas

Aceite isso como minha carta de demissão com duas


semanas de antecedência de que deixarei o cargo de Diretor
Criativo para Foster, Burnett e Wren. Embora tenha gostado
do meu tempo trabalhando para você e apreciado a
oportunidade que me proporcionou, decidi permanecer na
área de São Francisco e buscar outras oportunidades.

Obrigado.

Annalice O’Neil

Eu estendi o papel para ele.

—O que diabos é isso?

—Parece-me uma demissão.

—Quando ela deu isso para você? Por que ela renunciaria?

Jonas colocou as mãos nos quadris. —Suponho que ela tenha


renunciado porque quer permanecer na área de São Francisco -
como ela escreveu em sua carta. Mas ninguém, exceto nós dois,
sabia que ela era aquela que seria realocada. Ela tinha que ter
descoberto essa informação de alguma forma.

—Bem, não foi de mim. Ela deu isso a você esta manhã?

—Eu encontrei em sua gaveta quando fui procurar os


arquivos que eu precisava para cobrir a reunião que ela não
apareceu hoje.
Algo não estava certo. Annalice não desistiu. Mesmo se ela
estivesse chateada, ela não iria perder uma reunião do cliente
agendada. Ela se orgulhava de como se comportava, sempre justa
e profissional. E por que ela não falaria comigo sobre algo assim?

Eu reli a carta mais uma vez e, em seguida, deixei cair na


minha mesa e peguei meu paletó na parte de trás da minha
cadeira. —Eu tenho que ir.

Eu estava na porta do meu escritório antes que Jonas pudesse


se opor.

—Onde você está indo? — Ele gritou atrás de mim.

— Descobrir o que diabos está acontecendo.

***

—Annalice? — Eu bati em sua porta novamente, mesmo que


eu tivesse certeza que ela não estava em casa. Eu tocava a
campainha como um louco até que alguém falou na porta da
frente e depois correu para o apartamento dela antes que eu fosse
expulso. O carro dela não estava estacionado no quarteirão e
nenhum som vinha de dentro. No entanto, eu bati mais alto.

Por fim, o vizinho do outro lado do corredor abriu a porta. Ele


embalava um gato em seus braços como a maioria das pessoas
cuidaria de um bebê.

—Eu não acho que ela chegou em casa ontem à noite.


—Oh?

Ele coçou a barriga do gato e a coisa ronronou alto.

—Ela deveria alimentar Frick e Frack para mim na noite


passada. Deixei as latas sobre a mesa, mas elas ainda estão lá. —
Ele olhou para o gato e falou com ele, em vez de mim. —Sr. Frick
aqui me perdoou, mas o Sr. Frack nem sai do quarto. Eu tenho
sorte que meu voo esta manhã não foi atrasado ou meus bebês
teriam morrido de fome.

Fome? Eu balancei a cabeça. Tanto faz. —Quando foi a última


vez que você falou com ela?

—Ontem de manhã, quando lhe dei a chave.

Eu me virei e comecei a voltar para as escadas sem dizer


outra palavra. A aberração do gato gritou atrás de mim.

—Quando você a vir, diga a ela que ela deve uma desculpa a
Frick e Frack.

Sim. Essa será a primeira coisa que discutiremos.

Sentei-me no meu carro do lado de fora do prédio dela,


estacionado em fila dupla, tentando descobrir o que diabos havia
acontecido. Ela não chegou em casa ontem à noite e desistiu sem
sequer discutir comigo?

Na verdade, ela mencionou o trabalho na outra noite. Bem,


mais ou menos. Ela perguntou se eu achava que estaríamos juntos
no próximo ano se um de nós não fosse forçado a se mudar para o
Texas. E eu disse não. Eu sabia que tinha machucado ela, mas ela
estava tão chateada comigo que ela desistiu e nem mesmo me
deixou saber?

Eu não pensava assim.

Apesar…

Ela ficou quieta na outra noite. Eu até perguntei a ela algumas


vezes se estava tudo bem. Ela disse que estava apenas nervosa
com a apresentação da campanha dos animais de estimação. Meu
instinto achava que algo mais a estava incomodando. Agora que
eu pensei sobre isso, ela ficou quieta desde a ligação de sua mãe.
Eu não empurrei.

Foi uma coincidência que ela tenha jantado com a ex cunhada


dela na noite passada? Talvez lembrasse a ela que todos os
homens eram idiotas.

Mesmo assim, ela teria pelo menos voltado para casa ontem à
noite.

A não ser que…

Eu balancei a cabeça. Não, ele não iria lá. Ela sabe que idiota
esse cara é, agora.

Não é?

Mas onde diabos ela dormiu na noite passada?

Eu liguei meu carro e tirei meu celular do meu bolso.


Nenhuma chamada perdida. Não há textos perdidos. Frustrado, eu
bati na rediscagem novamente antes de voltar para o escritório.
Talvez ela tenha aparecido no trabalho enquanto eu estava fora.
Nós provavelmente passamos um pelo outro na estrada. Ela ficou
na casa de Lauren e Trent na noite passada e seu celular morreu.
Estava chovendo muito forte e ela não gostava de dirigir para
começar. Isso fazia sentido.

Sim, foi o que aconteceu.

Decidindo que tinha que ser, joguei meu celular no banco do


passageiro e coloquei meu carro em movimento, esquecendo que
eu já tinha ligado novamente. Foi por isso que fiquei confuso
quando a voz de um homem passou pelos alto-falantes do meu
carro.

—Olá?

Eu franzi a testa, esperando pelo resto do comercial no rádio.

—Olá? — A voz disse novamente.

O celular iluminado no banco ao meu lado me chamou a


atenção. Merda. Meu celular tinha se conectado através do meu
Bluetooth e estava vindo pelo meu carro. Mas quem diabos eu
acidentalmente liguei?

—Onde está Annalice?

—Ela está na cama. Adormecida. Eu posso te ajudar com


alguma coisa?

O sangue nas minhas veias começou a ferver. —Sim. Coloque


Annalice no maldito telefone!

—Desculpe?
—Você me ouviu. Coloque Annalice no telefone.

Clique.

—Olá?

Silêncio.

Eu gritei mais alto.

—Olá?

O idiota tinha desligado na minha cara.

Porra.

Porra.

—Pooooorra.

Eu bati na rediscagem. O telefone nem ligou dessa vez, foi


direto para o correio de voz. Então eu bati na rediscagem
novamente.

Então novamente.

Então novamente.

Eu chamei mais e mais. Mas continuou indo direto para o


correio de voz. O filho da puta ou estava rejeitando a chamada, ou
ele desligou o celular. De qualquer maneira, ele estava me
impedindo de falar com Annalice.
Capítulo 47

Eu sentei na minha mesa por horas, passando por todas as


emoções.

Chateado.

Como ela poderia fazer isso comigo... para nós? Ela não sabia
como eu me sentia por ela?

Não. Ela não sabia.

Por quê? Porque eu era muito boceta para contar a ela.

Negação.

Provavelmente havia uma explicação perfeitamente lógica


para isso. Talvez ela tenha se encontrado com Andrew para uma
reunião de negócios - algo relacionado a Pet Supplies & More.
Talvez Lauren tivesse puxado seu irmão para o laço e queria que
Annalice mostrasse sua apresentação para ele esta manhã.

Sim. Era provavelmente isso.

Exceto que ela estava na cama quando ele atendeu a porra do


telefone.

Na porra da cama dele.

Não minha, onde ela deveria estar.


Por quê? Porque eu era muito careta para admitir que tinha
medo de dar uma chance real entre nós. Ela foi corajosa o
suficiente para me fazer a maldita pergunta. No entanto, eu tomei
a saída covarde.

Eu continuei repetindo a conversa que tivemos na outra noite

—Se as coisas fossem diferentes entre nós, estaríamos aqui


daqui a um ano?

E minha resposta de merda. —Não. Porque eu gosto de ser


solteiro. Eu gosto da minha liberdade e não ter que responder a
ninguém ou ter qualquer responsabilidade.

Bem, você tem o que pediu, idiota.

De barganha.

Se eu pudesse falar com ela, poderia consertar. Eu sabia que


ela tinha sentimentos por mim; Eu podia ver nos olhos dela - o
jeito que a machucou quando eu disse a ela que não estaríamos
juntos daqui a um ano, mesmo que as coisas fossem diferentes no
trabalho.

Eu estava tentando me convencer de que gostava da minha


liberdade, quando o tempo todo eu nunca quis deixá-la ir.

Porque eu estava com medo.

Fodido boceta.

Eu precisava falar com ela - ir até o apartamento do idiota e


chutar a bunda dele, se é isso que é preciso para vê-la. Ela me
daria uma chance. O que nós tivemos era real.
Não era?

Como diabos eu saberia? Eu nunca tive nada real na minha


vida, exceto o jeito que ela me fez sentir.

Poderíamos nos separar por mil milhas - um de nós no Texas


e o outro aqui - mas isso não importaria. Porque a distância física
não mudaria o que estava no meu coração.

No meu coração.

Porra.

Minha cabeça caiu para trás contra a minha cadeira, e eu


olhei para o teto do meu escritório, respirando fundo.

Estou apaixonado por ela.

Fodido.

Amor.

Como diabos isso aconteceu?

Eu não amo uma mulher desde...

Sophie.

E olha o que aconteceu da última vez que cheguei perto de


uma mulher. Sophie não teve a chance de sentir como era ser
amada de volta. Por que eu deveria?

Eu não merecia ser amado por uma mulher como Annalice.

Eu não merecia o amor de Sophie.


Eu não merecia ter o amor de Lucas também.

No entanto, de alguma forma ele deu para mim. E eu fui


egoísta o suficiente para aceitar isso.

Minha mente continuava pulando por todo o lugar.

Annalice tinha sentimentos por mim; Eu sabia em algum


lugar no fundo do meu coração negro.

Mas eu não fiz nada para mostrar a ela como me sentia.

Eu precisava dizer a ela, mas mais do que isso, eu precisava


mostrar a ela.

Seu maldito ex disse uma coisa e fez outra por anos. Se eu


tivesse alguma chance de lutar por ela, ela precisava ver que eu
tinha mais do que palavras.

Eu só esperava que não fosse tarde demais.

***

Jonas estava se preparando para sair para a noite quando eu


bati na sua porta. Mas ele largou a pasta desde que eu plantei
minha bunda em uma cadeira em frente a ele de qualquer
maneira.

Ele sentou-se, tirou os óculos e esfregou os olhos.

—O que está acontecendo, Bennett?


Eu balancei a cabeça.

—Eu fodi com Annalice.

Jonas soltou um suspiro profundo.

—O que você fez?

—Não se preocupe. Não é nada que você possa estar


pensando. Eu não sabotei a apresentação dela nem bati de
qualquer maneira. E eu não contei a ela sobre a decisão com
nossas posições.

Ele assentiu.

—OK. Então o que aconteceu?

—Você sabe a política de não confraternização que temos?

Jonas fechou os olhos e franziu a testa. Eu não precisava dizer


mais.

—Então você ganhou o trabalho, mas perdeu a menina.

—Eu peguei de volta.

—Como você vai consertar isso?

Eu pensei que ficaria nervoso, mas de repente me senti


calmo. Deslizando o envelope do lado de dentro do meu paletó,
me inclinei para frente e coloquei na mesa do Jonas. Ele olhou
para baixo e depois para mim, sorrindo tristemente.

—Eu estou supondo que esta é a sua demissão?

Eu balancei a cabeça.
—Você falou com Annalice?

—Eu não consegui falar com ela.

—E ainda assim você está me entregando agora, afinal? E se


você perder o emprego, mas ainda não conseguir a garota de
volta?

Eu fiquei de pé.

—Isso não é uma opção.

Jonas abriu a gaveta e tirou o envelope contendo a renúncia


de Annalice. Ele estendeu para mim.

—Gaveta superior esquerda de sua mesa. Colocado bem no


topo. Eu nunca encontrei isso.

Troquei minha carta pela dela.

—Obrigado, Jonas.

—Espero que você pegue a garota.

—Você e eu, chefe. Você e eu.

***

Eu enchi o correio de voz dela. Agora, toda vez que eu ligava,


ia direto para uma mensagem dizendo que o número de telefone
que eu tinha alcançado não podia mais aceitar mensagens. Eu
soltei uma respiração entrecortada e encostei minha testa no
volante. Eu estava sentado na frente de sua casa desde as quatro e
meia. Já eram quase oito horas e ainda não havia sinal dela. Eu
fiquei mais e mais ansioso a cada minuto. Mas eventualmente ela
teria que voltar para casa.

Eu esperei o que pareceu uma eternidade. Toda vez que um


raio de luz começava a descer pela estrada, eu ficava impaciente
para ver se era o carro dela. Mas cada um passou direto. Até que
finalmente um conjunto de faróis no espelho retrovisor diminuiu
e puxou para o local vazio atrás de mim. Mas fiquei desapontado
novamente, encontrando um logotipo da Toyota em um SUV. Não
ela.

Meus ombros caíram. Um minuto depois, os faróis desligaram


e ouvi o som de uma porta abrindo e fechando. Um homem saiu
do carro e estava indo em direção à porta do prédio de Annalice.
No começo, não pensei nisso. Mas então um cachorro latiu, e o
cara virou a cabeça, me dando um vislumbre de seu perfil. Meu
coração começou a bater. Ele parecia muito com o padrasto de
Annalice, Matteo.

Abaixando a janela do passageiro, me inclinei e chamei seu


nome.

—Matteo?

O homem se virou. Demorou alguns segundos para ele


registrar quem eu era, mas então ele começou a andar em minha
direção enquanto eu saía do carro.

—Bennett?

Eu balancei a cabeça.
—Você sabe onde está Annalice?

—No hospital. Sua mãe ficou com ela. Eu acabei de sair para
pegar algumas das coisas dela.

—Hospital? — Eu me senti mal.

—O que aconteceu?

Matteo franziu a testa.

—Você não sabe? Ela teve um acidente de carro muito ruim.


Capítulo 48

Meus olhos se abriram com a comoção. Eles se sentiam tão


pesados. Assim como meus braços e pernas.

Um alarme que eu estava ouvindo ao longe começou a soar


mais alto. Uma mulher de azul aproximou-se de mim e fez alguma
coisa, e o som irritante foi silenciado. Eu a ouvi falar, mas soava
abafado, como se eu estivesse debaixo d'água e ela não estivesse
lá.

—Ela precisa descansar. Se vocês dois a incomodarem, vou


ter a segurança mostrando a vocês dois a porta.

Eu ouvi a voz de um homem murmurar alguma coisa, ou


talvez fosse a voz de mais de um homem, eu não podia ter certeza.
Se eu pudesse apenas chutar meus pés um pouco, eu
provavelmente poderia chegar à superfície e ouvir melhor. Eu
tentei chutar, mas não consegui o suficiente. A mulher de azul
colocou as mãos nas minhas pernas, parando o pequeno
movimento que eu consegui reunir.

—Shhh. Você descanse, senhorita Annalice. Não deixe esses


garotos a aborrecerem. Deus deu a essa enfermeira uma boca para
expulsar os visitantes quando necessário.
Uma enfermeira. Ela era uma enfermeira.

Eu tentei falar, mas minha boca estava coberta. Eu levantei


meu braço para pegar o que estava bloqueando, mas não consegui
levantar mais do que uma polegada ou duas na cama. A
enfermeira se inclinou e aproximou seu rosto do meu.

—Você tem dois visitantes, senhorita Annalice. Seus pais e


seus amigos também estão aqui. Eles estão na sala de espera. Você
quer que eu diga a esses meninos para deixá-la descansar?

Eu inclinei meus olhos para o outro lado da cama, e dois


rostos apareceram.

Bennett?

Andrew?

Eu olhei para a mulher e balancei a cabeça.

—Que tal recebermos um de cada vez?

Eu balancei a cabeça.

Ela falou com os homens e depois para mim novamente.

—Você quer que o Andrew a visite agora?

Mudei meus olhos para ver seu rosto, depois olhei para a
enfermeira e balancei a cabeça.

Ela sorriu.

—Bom. Porque o outro parecia que poderia arrancar minha


cabeça se eu o fizesse sair.
Um minuto depois, Bennett estava ao meu lado, com o rosto
bem onde a mulher estava. Ele pegou minha mão na sua; estava
tão quente e ele segurava meus dedos com tanta força.

—Hey. — Ele se inclinou e beijou minha testa. Meus olhos se


encontraram nos dele. —Minha linda garota. Você está com dor?

Dor? Eu não penso assim. Eu não conseguia nem sentir meus


dedos. Eu balancei a cabeça.

—Eu falei com sua mãe. Ela disse que você vai ficar bem. Você
se lembra do acidente?

Eu balancei a cabeça.

—Você teve um acidente de carro. Houve uma tempestade e


muita chuva, e a água da rodovia fez com que você fizesse uma
aquaplanagem.

Memórias começaram a voltar em flashes. Chovendo muito.


Pisando nos freios. As luzes brilhantes. Faróis. O estrondo alto.
Sendo sacudido de um lado para o outro. Andrew.

Eu tentei levantar minha mão para tirar a máscara do meu


rosto.

Bennett percebeu o que eu estava tentando fazer.

—Você tem que deixar isso por agora.

Eu fiz uma careta.

Ele se inclinou para nossas mãos unidas e beijou o topo da


minha.
—Eu sei. Manter sua boca fechada é um desafio para você. —
Ele sorriu. —Mas eu tenho um monte de coisas para dizer, e não
tenho ideia de quanto tempo vou ficar sentado aqui sozinho com
você, então isso funciona para mim. — O rosto dele ficou sério, e
ele desviou o olhar por um minuto antes de respirar fundo.

—Eu menti.

Seu olhar voltou para o meu. Nenhuma palavra foi necessária


para ele saber minha pergunta.

Ele apertou minha mão e se aproximou. —Quando você me


perguntou se nós estaríamos juntos daqui a um ano se um de nós
não fosse realocado, eu disse que não. Eu disse que gostava de ser
solteiro e ter minha liberdade. Mas a verdade é que eu estava
apavorado. Eu estava com medo de estragar tudo se ficássemos
juntos. Você não merece se machucar novamente e...

Bennett fez uma pausa e eu observei enquanto ele tentava


engolir suas emoções. Quando ele olhou para cima novamente,
seus olhos estavam cheios de lágrimas.

—Você não merece se machucar novamente, e eu não mereço


te amar.

Isso me esmagou, ao ouvi-lo dizer aquelas palavras. Ele


merecia muito amor em sua vida.

Bennett fechou os olhos e se firmou para continuar.

—Mas eu acabo me importando com o que eu mereço ou você


merece - porque eu sou egoísta o suficiente para não dar a mínima
que eu não te mereço, e eu vou trabalhar duro todos os dias para
me tornar o homem que você merece.

Ele sorriu e passou a mão pela minha bochecha.

—Eu te amo. — Sua voz quebrou. —Eu loucamente te amo,


Annalice.

Fomos interrompidos pela enfermeira vestindo roupa azul.


Ela se inclinou sobre o meu rosto do outro lado da cama, em
frente a Bennett.

—Só vou adicionar alguns medicamentos em seu IV. Eles


podem te deixar um pouco grogue.

Oh bom. Alguém contou a ela sobre o batom em seus dentes.


Eu a vi empurrar um remédio para minha linha intravenosa.
Voltei-me para Bennett, mas meus olhos ficaram ainda mais
pesados. Então, tão apaguei.

***

Bennett estava caído na cadeira ao meu lado, dormindo.

Eu olhei em volta. Era um quarto diferente do que eu tinha


estado antes. Não era? Ou sonhei com a outra sala - a grande, sem
janelas, com uma dúzia de camas e apenas uma cortina me
separando dos pacientes de ambos os lados. Agora eu estava
sozinha em uma grande sala com uma porta, exceto pelo homem
dormindo ao meu lado. E uma janela atrás dele me disse que era
noite.

Meu pescoço estava duro, então tentei mover minha cabeça


de um lado para o outro. O ligeiro roçar dos lençóis acordou o
gigante adormecido.

Ele sorriu e se inclinou para frente.

—Ei. Você está acordada de novo.

Eu levantei meu braço para tocar minha máscara, mas


Bennett me parou.

—Não tire isso ainda. Deixe-me chamar a enfermeira. Eles


baixaram a dose de sedação, mas eles queriam verificar sua
respiração e os sinais vitais antes de tentar sem a máscara. OK?

Eu balancei a cabeça. Ele desapareceu e voltou um minuto


depois com uma enfermeira.

Eu não reconheci está. Ela ouviu meu peito, conferiu minha


pressão e observou o monitor por um minuto.

—Você está indo bem. Como você está se sentindo?

Minhas costelas estavam me matando, mas acenei para dizer


que me sentia bem de qualquer maneira enquanto apontava para
a máscara.

—Você quer tirá-la?

Eu balancei a cabeça novamente.


—OK. Deixe-me pegar algumas lascas de gelo. Quando o
tirarmos, você ficará realmente com a garganta seca de todo o ar
forçado por três dias.

Três dias? Eu estive aqui por tanto tempo?

Quando a enfermeira retornou, ela colocou um copo de


isopor com uma colher na bandeja ao lado da minha cama e, em
seguida, estendeu a mão em volta da minha cabeça e soltou a alça
que segurava minha máscara no lugar. Escorregando, ela esperou
por perto, seus olhos se movendo entre o monitor e eu.

—Faça algumas respirações profundas.

Primeiro eu abri a boca para esticar minha mandíbula


apertada, e então fiz como ela instruiu. Meu rosto estava muito
dolorido, especialmente meu nariz.

Ela escutou meu peito de novo e colocou o estetoscópio no


pescoço.

—Você parece bem. Como você está se sentindo?

Minha mão levantou para segurar minha garganta. Minha voz


resmungou baixinho, —seca.

—OK. Bem, precisamos ir devagar. Mas vou ficar de olho nas


estatísticas do posto de enfermagem e dar um descanso a você um
pouco. — Ela se virou para Bennett. —Um ou dois pedaços de gelo
de cada vez. Isso deve ajudar a umedecer sua garganta.

A porta nem tinha fechado quando Bennett tinha as lascas de


gelo na mão e a colher na minha boca. Eu teria rido de sua
ansiedade se meu lado não doesse tanto.
Ele colocou algumas lascas na minha boca e depois se
inclinou e roçou os lábios nos meus. —Foi um longo cochilo que
você tirou. Eu finalmente comecei a conversar com você sobre
meus sentimentos, e sua resposta foi dormir doze horas.

Eu quase me esqueci de tudo o que ele disse antes. Mas uma


vez que ele me lembrou, todas as palavras voltaram, cristalinas.
Embora eu quisesse ouvi-lo dizer de novo. Então eu coloquei meu
melhor rosto confuso. —Sentimentos?

Os olhos de Bennett se arregalaram.

—Você não se lembra de mim derramando meu coração para


você ontem?

Eu balancei a cabeça, mas não consegui parar meu sorriso.


Ele percebeu.

—Você está fodendo comigo, não está?

Meu sorriso se alargou.

—Eu quero ouvir de novo.

Bennett se levantou e, com tanto cuidado, subiu na cama ao


meu lado.

—Oh sim? Que parte você quer ouvir?

—Tudo isso.

Um sorriso se espalhou por seu rosto bonito, suavizando


algumas das linhas de preocupação. Ele aconchegou a boca no
meu ouvido.
—Eu te amo.

Eu sorri abertamente.

—Novamente.

Ele riu.

—Eu te amo, Annalice O'Neil. Eu te amo, porra.

Depois que o fiz dizer uma dúzia ou mais vezes, Bennett me


contou sobre meus ferimentos. A dor no meu peito foi devido a
uma costela quebrada. Eu nem tinha notado o gesso no meu pulso
esquerdo de uma ulna fraturada, e aparentemente eu tinha
inchaços e hematomas por toda parte. O pior de tudo foi um
colapso parcial de um dos meus pulmões, que eles haviam tratado
com uma agulha para sugar o ar do lado de dentro do pulmão, e
ele havia se insuflado por conta própria. Basicamente, eu tive
muita sorte.

Mais coisas começaram a voltar para mim, quanto mais eu


ficava acordada. Lembrei que mamãe, Matteo e Madison estavam
todos aqui. E Andrew também. Ele tinha dois olhos negros e uma
bandagem no nariz, mas ele disse que estava bem.

—Todos foram para casa?

Bennett assentiu.

—Eu prometi a sua mãe e Matteo que eu ligaria se alguma


coisa mudasse. Eles estarão de volta logo de manhã. Madison
ameaçou minha vida se eu não mandasse mensagens de texto a
cada poucas horas. — Ele me deu mais lascas de gelo. Elas se
sentiam tão bem com a minha dor de garganta.
—Ela é muito assustadora.

—E quanto a Andrew? Você estava discutindo com ele mais


cedo no meu quarto?

O sorriso no rosto de Bennett caiu.

—Eu estava ligando para o seu telefone a noite toda. Quando


finalmente consegui, ele respondeu. E o idiota me disse que você
estava na cama. Não mencionou o hospital nem nada. Então ele
desligou na minha cara.

Oh garoto.

—Você deve ter pensado...

O aperto de sua mandíbula respondeu.

—Você pensou que eu voltei para ele?

—Eu não sabia o que pensar.

—Como você descobriu o que aconteceu?

—Eu acampei na frente do seu apartamento. Por fim, Matteo


apareceu.

—Espere... Então, quando você falou com o Andrew?

Bennett deu de ombros.

—Eu não sei. No início da tarde. Talvez cerca de uma hora?

—Mas você esperou na frente do meu prédio mesmo


pensando que eu tinha voltado para o Andrew?
Ele segurou minha bochecha.

—Eu não estava perdendo você sem lutar.

Isso fez meu coração inchar.

—Você teria me levado de volta, mesmo se eu...

Bennett colocou o dedo na minha boca e me impediu de


continuar.

—Nem diga isso. Eu nem quero saber por que você estava no
carro com ele. Apenas me diga que estamos bem e que isso não vai
acontecer novamente.

—Nada aconteceu com Andrew. Eu estava dando a ele uma


carona para casa porque ele disse que seu carro estava na loja. Ele
estava na casa de Lauren para o jantar.

A cabeça de Bennett caiu.

—Obrigado Jesus Cristo. Porque eu pedi demissão do meu


trabalho. Você está presa comigo aqui em São Francisco.

Meus olhos se arregalaram.

—O que? Por que você faria isso?

—Porque eu não vou deixar você se mudar para o Texas.

—Uh... eu acho que você está ficando um pouco à frente de si


mesmo. Você é quem iria se mudar para o Texas quando eu
ganhasse.
Bennett revirou os olhos enquanto alisava o cabelo do meu
rosto.

—Sim, você provavelmente está certa. Mas de qualquer


forma, nós dois estamos ficando agora.
Capítulo 49

—Você deveria estar descansando. — Eu joguei minhas


chaves no balcão da cozinha e coloquei a sacola de compras. Eu
tinha ido ao escritório por algumas horas enquanto a mãe de
Annalice a levava para um check-up pós-traumático.

—Estou bem. Eu tenho isso. O médico disse que estou indo


muito bem. — Annalice inclinou-se para tirar um pote do fundo
do armário. A visão de sua bunda era espetacular, mas eu não
queria que ela se machucasse. Eu passei meus braços ao redor de
sua cintura e a tirei do meu caminho.

—Deixe-me.

Ela suspirou quando eu esvaziei o conteúdo do armário no


balcão para que ela pudesse escolher o que precisava.

—Você sabe, eu vou ter que trabalhar sozinha de qualquer


maneira. Você precisa começar a procurar um novo emprego, e eu
provavelmente deveria voltar para o meu apartamento. Eu estou
aqui há quase duas semanas e você vai ficar doente de mim em
breve.

Eu empurrei um pedaço de seu cabelo do rosto dela.


—O médico disse que você precisa ir devagar porque seu
pulmão ainda está se recuperando. Você não está pronta para três
lances de escada na sua caminhada. Você precisa de um elevador.

Eu fiz Annalice voltar para casa depois que ela foi liberada do
hospital. Ela concordou porque eu não tinha lhe dado muita
escolha. Mas ela estava ficando mais forte a cada dia, e em breve
ela estaria bem para ir para casa, mesmo que esse dia não fosse
hoje. Eu só queria ela aqui.

—Eu poderia ficar com minha mãe por um tempo. Ela tem um
quarto de hóspedes no primeiro andar.

Eu coloquei um dedo sob o queixo dela e levantei para que


nossos olhos se encontrassem.

—Você está cansada de mim?

Ela segurou minhas bochechas.

—Deus não. Como posso ficar doente de você quando você


cuida de mim e lava meu cabelo na banheira para que eu não
molhe meu gesso?

—Então por que você quer sair?

—Eu não quero. Mas eu também não quero ultrapassar


minhas boas-vindas, Bennett. Consigo fazer as coisas agora, e com
exceção das escadas, não há motivo para eu precisar estar mais
aqui.

Eu balancei a cabeça.

—Nenhuma razão? Que tal você querer estar aqui?


Ela amoleceu.

—Claro que eu quero. Mas você sabe o que quero dizer.

Levantei-a e coloquei-a no balcão da cozinha, por isso


ficamos cara a cara.

—Eu não faço, na verdade. Então vamos conversar. Você


gosta do meu lugar?

Ela se virou para a sala de estar e a vista para as janelas.

—Uh, isso faz meu lugar parecer um buraco de merda. É


deprimente entrar no meu apartamento depois de deixar o seu.

—Então você gosta do apartamento. Que tal o companheiro


de quarto?

Ela se inclinou para frente e pressionou seus lábios nos meus.

—Ele está me mimando. Além disso, a visão de quando ele sai


do chuveiro em apenas uma toalha sopra a vista da ponte Golden
Gate da sala de estar para fora da água.

Prendo seu rabo de cavalo em volta da minha mão e mantive


a boca na minha quando ela tentou recuar. Ela abriu quando eu
deslizei minha língua entre aqueles lábios deliciosos. Eu a beijei
longamente e forte, e meu coração se encheu de novo.

Nas últimas semanas, eu estava mais feliz do que toda a


minha vida. Eu sabia que não queria que isso acabasse. O beijo foi
toda a garantia que eu precisava.
—Bom. — Eu dei-lhe um leve puxão no cabelo. —Então está
resolvido. Você vai morar aqui. Vou arranjar uma companhia de
mudança para ir ao seu lugar neste fim de semana e arrumar suas
coisas.

Os olhos de Annalice se arregalaram.

—O que?

—Você gosta do apartamento, ele é melhor que o seu. Você


gosta do seu companheiro de quarto. — Eu encolhi os ombros. —
Por que sair?

—Você está... você está me pedindo para morar com você


permanentemente?

Eu olhei para frente e para trás entre os olhos dela.

—Eu estou dizendo que eu quero você aqui quando eu


acordar de manhã, e eu quero você aqui quando eu for para a
cama à noite. Eu quero seus quatro jornais diferentes espalhados
por toda a nossa cama, e sua quantidade ridícula de sapatos
enchendo nosso armário. Eu quero que você use minhas
camisetas para nos preparar o café da manhã quando você estiver
se sentindo bem de novo, e tenho certeza que quero você debaixo
de mim, em cima de mim, de joelhos no chão do meu quarto, e
amarrada na cabeceira da cama enquanto eu como você como
sobremesa. —Eu parei. —Isso está mais claro?

Ela mordeu o lábio inferior.

—Há algo que eu preciso te contar primeiro.

Eu endureci.
—O que?

Ela esfregou o nariz com o meu e colocou os braços em volta


do meu pescoço.

—Eu te amo, Bennett Fox.

Eu abaixei minha cabeça e soltei uma grande lufada de ar.

—Você está tentando me dar um ataque cardíaco? Dizendo


que tem algo que você precisa me dizer? Eu pensei... Eu nem sei o
que eu pensei. Mas não parecia bom porra.

Annalice riu.

—Desculpa.

Eu apertei os olhos.

—Eu vou te desculpar. Porque que diabos você levou tanto


tempo para me dizer isso, afinal? Você me deixou esperando por
semanas.

Ela pegou minha camiseta em dois punhados e me puxou


para ela.

—Eu queria estar fora dos analgésicos e remédios que me fez


grogue para que você não tivesse dúvidas que eu quis dizer isso.

Eu puxei meu pescoço para trás.

—Você parou os remédios? O médico disse que está tudo


bem?
Ela olhou para baixo e deslizou a unha ao longo do meu
braço. Então ela olhou sob os cílios com os olhos foda-me mais
sexy.

—Ele também disse que tudo bem retomar todas as


atividades. Eu só preciso ir devagar.

Eu estava ostentando o início de uma ereção desde que eu


entrei na porta e a vi inclinada. Eu precisava de confirmação antes
de ter minhas esperanças. Tinha sido longas três semanas desde o
acidente.

—Todas as atividades?

Ela mexeu as sobrancelhas.

—Todas.

O balcão da cozinha tinha a altura perfeita, e eu não a


esmagaria nessa posição. Além disso, não perderia tempo
andando para o quarto. Alcançando a bunda dela, eu a puxei até a
borda do balcão e pressionei minha crescente ereção entre suas
pernas. Eu senti o calor de sua boceta através das minhas calças e
gemi.

Eu mencionei que foram três semanas?

—A coisa certa a fazer provavelmente seria fazer amor com


você agora. Mas vou devagar e doce, porque preciso de você forte
e rápido antes de ficar calmo o suficiente para ir devagar.

Ela passou a língua ao longo do meu lábio inferior e depois


mordeu inesperadamente. —Duro funciona para mim.
Suas roupas estavam fora em dois segundos. Eu chupei seus
peitos lindos, mordendo até que ela soltou um som que era um
cruzamento entre um gemido e um grito. Deus, eu senti a falta
dela. Sentia falta de estar dentro dela. Senti falta de estar
enterrando tão profundamente que meu esperma não conseguisse
encontrar o caminho de volta. Foi surreal o quanto eu queria essa
mulher. Precisava dessa mulher. Ansiava por essa mulher, mesmo
quando eu não queria.

Tomando sua boca, eu murmurei contra seus lábios.

—Eu te amo, porra.

Eu senti seu sorriso mesmo se eu não pudesse ver em seu


rosto.

—Eu também te amo, porra.

Eu beijei ao longo de cada pedaço exposto de sua pele que eu


poderia alcançar enquanto desabotoava minhas calças. Quando
minhas boxers se juntaram a elas no chão, minha ereção balançou
contra o meu abdômen.

Levou cada grama de força de vontade em mim para retardar


as coisas. Eu me levantei e olhei nos olhos dela.

—Você está bem? Sua respiração está bem?

Ela respondeu olhando para baixo entre nós, correndo o


polegar sobre a cabeça brilhante do meu pau e, em seguida,
levando o dedo até os lábios para lamber. —Mmmm... Tudo bem. E
quanto a você?
Eu gemi e segurei meu pau, trazendo-o entre as pernas para
testar as águas e encontrá-la gloriosamente molhada. Sentindo-
me pronto para explodir antes mesmo de começarmos, empurrei
para dentro em um golpe longo e duro e a beijei até que comecei a
me preocupar com sua respiração pesada.

Ela sorriu para mim, ofegante, mas parecia perfeitamente


bem. Eu retornei o sentimento quando comecei a me mover -
lento e firme - nunca quebrando o nosso olhar enquanto eu
bombeava dentro e fora dela.

Deus, essa mulher. Eu passei metade da minha vida


construindo um milhão de obstáculos para colocar no caminho do
amor. No entanto, quando conheci Annalice, todos os obstáculos
foram para me mostrar o quanto ela valia a pena saltar sobre cada
um deles.

Eu tentei me segurar, apertando meus olhos com força para


evitar ver o quão bonita ela parecia. Mas quando ela sussurrou
meu nome como uma oração, como eu poderia não assistir?

—Bennett. Oh Deus. Por favor.

Não havia som mais doce do que a mulher que você amava
gemendo seu nome. Também era sexy pra caralho. Foi isso. Eu
quebrei.

Minhas investidas aceleraram e eu comecei a foder com mais


e mais força. Cada músculo do meu corpo se apertou enquanto ela
se apertava ao meu redor, suas unhas se enterraram nas minhas
costas quando seu orgasmo a atingiu. Assistir meu pau entrar e
sair dela era a visão mais impressionante possível. Mas saber que
ela me amava tornava tudo muito mais doce. Deus sabe por que
diabos ela me deu seu coração, mas eu não tinha intenção de dar
de volta.

Quando o corpo dela começou a ficar frouxo, bastaram


apenas algumas estocadas para eu encontrar minha própria
libertação. Eu beijei seus lábios e a envolvi em meus braços,
tomando cuidado para não colocar muita pressão em seu peito.

Inclinando minha bochecha contra o topo de sua cabeça, me


senti quase contente. Quase. Apenas uma pequena coisa me
incomodou.

—Então, eu não ouvi um sim definitivo como sua resposta.

—Qual foi a pergunta?

—More comigo?

Annalice puxou a cabeça para trás.

—Mas o que eu faria com aquele chapéu de cowboy que você


me deu no segundo dia que nos encontramos se eu ficasse aqui na
Califórnia?

—Eu venho fantasiando sobre você vestindo aquela coisa e


me montando por meses. Você vai usar muito.

Ela riu, mas logo descobriria que eu não estava brincando. Eu


mal podia esperar para vê-la brincar de vaqueira.

—Então isso e um sim?


—Sim. Eu vou morar com você. — Ela parou a propagação do
meu sorriso quando ela levantou o dedo e apontou para mim. —
Mas sob uma condição.

Eu levantei uma sobrancelha.

—Uma condição?

Ela assentiu.

—Estou pagando metade dos custos. Considerando que eu


sou a única que vai estar empregada em breve, quero pagar
metade... ou mais, se puder pagar, enquanto você procura um
novo emprego.

De jeito nenhum eu estava deixando-a pagar nada - não no


sentido tradicional de qualquer maneira.

—Na verdade, não vou procurar emprego.

Ela franziu a testa.

—Por que não?

—Porque eu tenho algo melhor em mente.

—OK…

—E eu estava esperando que talvez você estivesse


interessada em um novo cargo também.

Ela inclinou a cabeça.

—Uma nova posição? Deixe-me adivinhar... de costas ou de


quatro?
Eu sorri e bati no seu nariz com o meu dedo. —Isso não era o
que eu estava pensando, mas eu gosto de onde está sua mente,
minha garota safada.

—Você está sendo muito superficial, Fox. Diga logo isso. O


que está acontecendo?

—Vou começar minha própria agência. Eu quero que você


venha trabalhar comigo.
Epílogo

Dois anos atrás, neste dia, eu fiquei devastada.

Acendi as duas últimas velas e diminuí as luzes da sala de


estar. Perfeito.

A lareira estava ligada, a mesa estava posta com a porcelana


que minha mãe tinha me dado quando me mudei, duas dúzias de
velas definiram o clima de romance, e eu tinha a refeição favorita
de Bennett no forno. Eu olhei em volta e sorri. Finalmente este
homem teria um encontro com uma namorada no Dia dos
Namorados.

No ano passado, planejei um dia especial em 14 de fevereiro,


mas, como a maioria das coisas desde que conheci Bennett Fox,
nossa noite não foi como esperávamos. Recebemos uma ligação
naquela manhã do Lucas. Ele estava no hospital com a avó. Ele
acordou para encontrá-la sem respirar a e ligou para o 911.
Acontece que ela teve um derrame.

Uma semana depois, ela morreu dormindo enquanto ainda


estava na UTI. E nossas vidas tomaram um rumo inesperado mais
uma vez.

Dois anos atrás, meu namorado de oito anos me deixou no


Dia dos Namorados. Hoje eu estou criando um adolescente com
um homem que me faz querer estrangular e escarranchar nele
simultaneamente. No entanto, nunca fui mais feliz.

No dia seguinte à morte de Fanny, Bennett fez uma petição ao


tribunal pela custódia temporária. Nós pedimos a custódia
permanente alguns meses depois. Eu levei Lucas para conversar
com um conselheiro, preocupada que ele poderia estar lutando
com a perda da segunda mulher em sua vida que o criou. Como
seu guardião, Bennett foi com ele por algumas sessões, e ele
acabou vendo o conselheiro por conta própria algumas vezes para
lidar com sua persistente culpa pela perda de Sophie. Isso os fez
muito bem.

Peguei a foto emoldurada na estante da sala e passei o dedo


no rosto sorridente de Sophie.

—Não se preocupe. Eles estão felizes. Eu estou cuidando bem


dos seus garotos.

No último ano, encontrei algum consolo em conversar com


ela em momentos diferentes - quando Lucas estava agindo
estranho, ou quando Bennett me frustrava com sua incessante
superproteção. Eu me senti eternamente em dívida com ela pela
linda vida que tinha hoje, e eu disse a ela muitas vezes.

Ouvi a chave na porta e me inclinei sobre o balcão da cozinha,


expondo um pouco de decote enquanto esperava meu homem
louco entrar. Ele abriu a porta, e seus olhos imediatamente se
concentraram no que mostrei. Jogando as chaves no balcão, ele
colocou duas malas no chão. Seus olhos focaram nos meus e
voltaram ao meu decote duas vezes antes mesmo que ele notasse
que o apartamento estava cheio de velas.
—Onde está Lucas?

—Dormindo no amigo dele, Adam, — eu disse com uma


inclinação tímida da minha cabeça.

Um sorriso perverso cruzou o rosto de Bennett. Ele caminhou


em minha direção com um olhar tão focado que arrepios
estouraram nos meus braços. Eu tive que trabalhar para ficar
parada e não me contorcer de antecipação.

Ele deslizou um braço em volta da minha cintura e me puxou


contra ele, enquanto o outro agarrou a parte de trás do meu
pescoço.

—Eu vou fazer você gritar tão alto que os vizinhos podem
chamar a polícia.

Seu beijo tirou meu fôlego. Eu não tinha dúvidas de que ele
pretendia cumprir sua ameaça.

Tínhamos que levar nossa vida sexual mais calma um pouco


desde que nos tornamos pais em tempo integral para um
adolescente. Enquanto antes tínhamos feito sexo em todo o
apartamento - contra a parede, no chão da sala, balcões de
cozinha, no chuveiro - após a chegada de Lucas, nossa atividade
precisava ser um pouco confinada, assim como o volume.

Embora isso não tenha parado Bennett - ele acabou se


tornando mais criativo. Ele enviaria toda a equipe para casa mais
cedo para que pudéssemos ter sexo desinibido no escritório. Isso
tendeu a acontecer depois que nós dois discutimos sobre como
uma certa conta deveria ser tratada. Nós podemos estar no
mesmo time agora, mas um desacordo acalorado ainda faz meu
homem brincalhão. Às vezes eu o perturbava de propósito apenas
por esse motivo.

—Como foi o encontro com Star hoje?, — Perguntei. —Você


disse a Tobias que eu disse olá?

Os olhos de Bennett brilharam.

Veja? Bem desse jeito. Uma das maneiras mais fáceis de


irritá-lo era ir no leão ciumento. Sempre foi um ponto dolorido
que Star havia mudado de ideia no último minuto e saído com a
minha campanha. Tobias convenceu os outros de que esse era o
caminho a percorrer, e isso só alimentou a chama de ciúmes que
Bennett carregava. Ah, e a propósito, a Pet Supplies & More
também escolheu minha campanha. O que significa que eu ganhei
dois de três, e teria sido Bennett usando as botas de cowboy. Mas
tudo deu certo no final. Eu peguei minhas duas novas contas e um
monte de outras pessoas comigo quando saí de Foster, Burnett e
Wren e fui trabalhar para a Fox Agency.

—Você está apenas pedindo para andar engraçado amanhã,


não é, Texas?

O apelido tinha ficado.

Eu sorri. —Feliz Dia dos Namorados, querido. Nós fizemos


isso.

As sobrancelhas de Bennett se juntaram.

—Você nunca teve um encontro com uma namorada no Dia


dos Namorados, lembra?
—Ah. É Dia dos Namorados. — Ele sorriu maliciosamente. —
Eu esqueci completamente disso. Odeio estragar seus planos.

Ele olhou ao redor da sala.

—Parece que você se deu muito trabalho. Que vergonha.

Eu fiz uma careta. Ele esqueceu o dia dos namorados? Outros


planos?

—Mesmo? Nós temos a casa inteira para nós mesmos por


uma noite e você fez planos no Dia dos Namorados?

—Desculpe, querida.

Fale sobre decepção. A tampa da panela cheia de água no


fogão para cozinhar a massa começou a fazer barulho.
Aparentemente, havia duas coisas fervendo agora.

Eu contornei Bennett e fui para a cozinha. Pegando um pote


da gaveta, abaixei o fogo e levantei o topo para deixar sair o vapor.
Mas, à medida que os segundos se passaram, fiquei cada vez mais
irritada por Bennett ter estragado a noite que eu planejei. Eu até
comprei alguns presentes que eu não queria mais dar a ele.

Não dava para segurar quando se tratava de lutar com ele, eu


bati a tampa no balcão e decidi compartilhar o quanto eu estava
realmente chateada.

Só que quando eu me virei, ele não estava mais lá.

Ele estava de joelhos.

Eu ofeguei em choque.
Bennett segurava uma caixa de veludo preto na mão e sorriu
maliciosamente.

—Você ia me bater, não é?

Meu coração estava batendo no meu peito. Eu cobri com


minhas mãos.

—Claro que eu ia. Por que você brincou comigo desse jeito?

Ele estendeu a mão e pegou a minha. —Você fez tudo isso


porque eu nunca tive um encontro com uma namorada no Dia dos
Namorados. Espero que continue, e que eu tenha um encontro
com minha noiva.

Meus olhos começaram a lacrimejar.

Ele apertou minha mão e notei a caixa em sua outra mão


tremendo. Minha besta confiante que virou o amor da minha vida
estava nervosa em propor. Debaixo de todo o exterior duro estava
um homem com um coração gigante e macio - é por isso que ele
sofreu tanto por tanto tempo e ergueu uma parede para protegê-
lo de se ferir novamente.

Bennett engoliu em seco e o humor em seu rosto foi


substituído por sinceridade. —Quando eu conheci você, eu estava
quebrado e não queria ser consertado. Você vandalizou meu
carro, tentou pegar meu emprego e me chamou de idiota, tudo em
poucas horas depois de entrar no escritório. Eu fiz tudo que podia
para te odiar, porque em algum lugar lá no fundo, eu sabia que
você era uma ameaça à minha necessidade de ser infeliz.
—Quando te insultei, você me convidou para uma reunião
mesmo sendo minha concorrente e você poderia ter ido sozinha.
Quando eu fiz merda de mim mesmo dizendo que sua mãe estava
dando em cima de mim, você me encorajou a ficar para o jantar.
Quando a avó de Lucas morreu, foi você quem disse
imediatamente que precisávamos levá-lo ao conselheiro. Você
deveria correr para o outro lado, mas não é quem você é. Você é
uma mulher linda, mas a verdadeira beleza que brilha vem de
dentro.

Ele balançou sua cabeça.

—Eu não mereço um amor tão desinteressado. Eu não posso


imaginar como eu mereço você. Mas se você me deixar, eu quero
passar o resto da minha vida tentando ver pelo menos a metade
do que você de alguma forma vê em mim.

Lágrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto.

—Annalice O'Neil, eu quero discutir com você todos os dias


no escritório e fazer as pazes com você todas as noites em nossa
cama. Eu quero encher sua barriga com bebês de cabelos loiros
que se parecem com você e transbordar nossa casa com felicidade.
Eu quero envelhecer com você. Então, você não será minha
namorada e me fará a honra de ser minha noiva neste Dia dos
Namorados?

Eu caí no chão, quase derrubando-o quando passei meus


braços em volta do seu pescoço. —Sim. Sim. — Beijei seu rosto de
novo e de novo.

—Sim. Sim, vou me casar com você.


Bennett nos firmou e pressionou seus lábios nos meus. Seus
polegares enxugaram as lágrimas dos meus olhos.

—Obrigado por me amar mesmo quando eu me odiava.

Meu coração soltou um grande suspiro. Essa é a coisa sobre o


amor. Nós não nos apaixonamos pela pessoa perfeita; nós nos
apaixonamos apesar das imperfeições de uma pessoa.

—Eu te amo, — eu disse.

Ele levantou minha mão e colocou um lindo diamante


lapidado de esmeralda no meu dedo.

—Eu não vi você chegando, Texas. Não vi mesmo você


chegando.

—Tudo bem. — Eu sorri. —Porque você nunca me verá indo


embora também.

Fim