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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA-UESB

DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA-DG
DISCIPLINA: GEOGRAFIA URBANA
PROF.º ALTEMAR AMARAL ROCHA
ALUNO (A): Kattson Bastos Santos TURMA: V semestre
data 22/08/18

RESENHA

SPOSITO, M. B. E. Capitalismo e urbanização, São Paulo: Contexto, 1998

Maria Encarnação Sposito é graduada e mestra em Geografia pela UNESP e


doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é
docente do Departamento de Geografia da UNESP e atua em temas voltados a
Geografia Urbana e às Cidades Médias. Entre suas obras, o livro “Capitalismo e
Urbanização” é um excelente estudo sobre as cidades contemporâneas. A obra é
dividida em quatro capítulos, em que apresenta e analisa a problemática urbana
desde a antiguidade até o surgimento e consolidação do capitalismo.
O primeiro capítulo, intitulado “A Urbanização Pré-capitalista”, introduz a
importância do estudo da cidade e contextualiza-a no período pré-capitalista. A
autora inicia argumentando a importância do estudo do processo histórico das
cidades, entendendo sua origem, para que se possa entendê-la hoje (p.11).
Segundo ela, a domesticação dos animais e a prática de reprodução de vegetais
comestíveis, ainda no período neolítico, caracterizam a primeira condição para o
surgimento das cidades, ou seja, a agricultura e a agropecuária como fortes
expoentes para a criação de algo que possibilitaria o surgimento de uma cidade no
futuro. Por conseguinte, tem-se a diferenciação entre urbano e rural. O campo tem
predominância das atividades primárias, enquanto a cidade, segundo a autora,
“exige uma complexidade de organização social só possível com a divisão do
trabalho” (p.14). A causa dessa divisão é a produção e um excedente alimentar, que
possibilita que pessoas se dediquem a outras atividades que não a produção direta.
A ideia que ela traz no livro é a de que a explicação para a formação da cidade não
está no plano econômico, mas sim social e político, caracterizando-se como um
lugar de dominação. A análise do capítulo continua sobre a cidade na antiguidade e
termina na idade média. É importante ressaltar que na idade média houve uma
descaracterização do espaço urbano: com o sistema de latifúndios e servidão, boa
parte da população se concentrou no espaço rural.
O próximo capítulo, “A Urbanização Sob o Capitalismo”, mostra como o
sistema feudal de produção se desagrega e os núcleos urbanos retornam, embora
que de forma lenta, dando base ao surgimento do modo de produção capitalista. As
cidades durante o feudalismo constituíam-se apenas como ferramentas do sistema
feudal, onde o excedente da produção poderia ser trocado. Graças ao fortalecimento
do comércio é que o espaço urbano renasceu. Segundo a autora:

Este processo de retomada da urbanização, de renascimento das cidades,


foi possível pela reativação do comércio, enquanto atividade econômica
urbana. Ao se desenvolver, esse comércio foi criando as condições para a
estruturação do modo de produção capitalista e, simultaneamente, a
destruição dos pilares da economia feudal (p.32).

Em seguida, a burguesia se constituiu, cada vez mais, como classe social e


foi demarcando a cidade como seu território, principalmente com o aumento de sua
acumulação de riqueza. Com a aliança desses burgueses com o rei, surgem os
estados nacionais modernos. A necessidade de ampliar a produção favoreceu o
mercantilismo, levando a força burguesa para além do continente europeu.
O capítulo três, “Industrialização e Urbanização”, mostra como o processo de
urbanização se deu como o desenvolvimento do processo industrial. O capitalismo é
marcado pela divisão e especialização do trabalho, mão de obra assalariada, divisão
de classes e acumulação de capital. Tudo isso foi se desenvolvendo e
caracterizando o modo de produção. Segundo a autora, todo o aumento de
produção, a evolução tecnológica, a máquina a vapor e a locomotiva são processos
que o processo produtivo estava passando, e não uma simples causa da Revolução
Industrial.
Em decorrência do processo de industrialização, o desenvolvimento urbano
se intensificou e, com ele, algumas consequências, como a queda na taxa de
mortalidade em alguns países europeus. Algumas mudanças estruturais também
ocorreram, como a necessidade de ampliação dos mercados que veio sendo exigida
pelo sistema produtivo, a divisão social e territorial do trabalho, a rede urbana e a
hierarquização das cidades. Entretanto, como destaca a autora, problemas urbanos
surgiram. A população cada vez mais aumentava e, visto que a terra passou a ser
uma mercadoria, sua aquisição foi dificultada pelo preço mais alto. Portanto, a
população urbana aumentou e a cidade passou a ser dividida entre Centro e
periferia. Esta, local mais calmo e melhor de viver. Aquele, composto de fábricas e
ruas estreitas mal projetadas.
O espaço urbano é determinado pelos lucros. Bairros típicos de operários,
uniformes e numerosos, são projetados em território de menor valor. A cidade passa
a ser o reflexo da divisão e de classes do capitalismo: um espaço dividido, com
áreas restritas aos mais ricos e outras deixadas aos pobres. Além disso, como
centro econômico e político do estado moderno, a cidade é a imagem das mais
variadas formas de contradições sociais do capitalismo. Sem dúvida, o problema é
muito mais profundo nos países considerados “em desenvolvimento” ou “terceiro
mundo”, em que as condições de vida são precárias e o agente Estado serve os
propósitos dos proprietários dos meios de produção.