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1º.

Através do Anúncio de procedimento nº 2927/2018 publicado no Diário da República, 2.a Série,


nº 007, de 27 de novembro de 2018, foi publicitada a abertura do concurso público nº NCP88888
com vista à “aquisição de plasma inativado para ser fornecido a todos os Hospitais Públicos da
zona da Grande Lisboa”.

2º.
O valor do concurso era de 60.000.000€.

3º.

O Presidente do Júri era Luís Cunha e Cunha, Presidente do Instituto Nacional de Emergência
Médica (INEM) e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

4º.

Concorerram cerca de 2 empresas, empresa FBL, Gripols, Bixter e 3×9=27Farma.

5º.

Sem dúvida que as primeiras três concorrentes apresentavam melhores propostas.

6º.

Contudo, depois de já terem sido apresentadas as propostas, e possivelmente porque eram


melhores, o júri do concurso decidiu acrescentar um critério de avaliação: a experiência dos
concorrentes no mercado português.
7º.

Desde 2000 que havia ligações entre Luís Cunha e Cunha, Presidente do Júri, e o Administrador
da 3x9=27Farma.

8º.

Estas ligações começaram enquanto Luís Cunha e Cunha dirigia o serviço de imunohemoterapia
do Hospital de Baixa da Banheira, aquando o Administrador da 3x9=27Farma o começou a
premiar como contrapartida da sua intervenção em concursos públicos que beneficiaram a
venda do plasma da 3x9=27Farma.

9º.

A 3x9=27Farma continuou a beneficiar Luís Cunha e Cunha de forma a que este, nos seus cargos
públicos, beneficiasse a 3x9=27Farma, de forma a exercer influências para que esta se
mantivesse com exclusividade de fornecimento de plasma.

10º.

Ao longo destes anos Luís Cunha e Cunha recebeu inúmeros benefícios, tendo estabelecido
mesmo uma forte amizade com o Administrador da 3x9=27Farma.

11º.

No que concerne ao concurso em epígrafe, Luís Cunha e Cunha, enquanto Presidente do Júri,
recebeu dádivas muito avultosas, que incluíam desde a oferta de uma moradia para habitação
a numerosos automóveis, para além de montantes em numerário muito elevados.
12º.
Passando inclusive a residir habitualmente numa moradia em nome de uma das empresas do
Administrador da 3x9=27Farma (Documento x).

13º.

Devido aos factos descritos, o Ministério Público acusou o Luís Cunha e Cunha por prática de um
crime de corrupção passiva, nos termos do art. 373º e ss do Código Penal, no âmbito do Processo
nº 3927/18.BELSB, que corre no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

14º.
Em consequência dos factos descritos, a 3x9=27Farma era única concorrente com experiência
no mercado português.
15º.

Tendo vindo o critério acrescentado pelo júri após a apresentação das propostas sido decisivo
para a adjudicação à 3x9=27Farma.

16º.

Tudo leva a crer que, após Luís Cunha e Cunha ter sido corrompido, o júri acrescentou este
critério exatamente à medida da 3x9=27Farma, visto que era a única farmacêutica internacional
produtora de hemoderivados que estava presente em Portugal.

17º.

Isto permitiu que, na prática, a 3x9=27Farma se tornasse detentora de um monopólio em


Portugal do mercado de plasma inativado e tem uma posição dominante como fornecedor de
medicamentos de hemoderivados da esmagadora maioria dos hospitais públicos.