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preparando o Natal

Maria Nazaré Lins Barbosa


Apresentação
Há vários anos, minha querida amiga Fabiana reúne suas
amigas no final do ano, e pede que eu lhes dirija algumas
palavrinhas sobre o Natal.

No ano passado a reunião foi no final de novembro, e pensei


que poderia levar algum livrinho para dar de presente às
participantes, que as ajudasse a se preparar para o Natal.
Procurei em várias livrarias, mas não encontrei o que
eu desejava. Queria algo simples, breve e prático. No dia
seguinte, fazendo oração, tive uma ideia: iria eu mesma
preparar durante o Advento pequenas reflexões, e, para
o próximo ano, teria algo que pudesse ser impresso, com
um teor mais “sob medida” para o que eu buscava. Logo
me veio uma segunda inspiração: ao invés de esperar o
próximo ano, enviaria por WhatsApp para as pessoas mais
próximas, diariamente, uma mensagem de preparação
para o Natal que pudesse ser lida em apenas um minuto.
Segui, nos textos diários, uma tradição de origem alemã
que sempre me encantou: colocar a cada dia uma “palha”
na manjedoura do Menino Jesus, correspondente a uma
oração ou a uma boa ação. Assim, o Menino Jesus fica-
ria confortável na manjedoura quando chegasse o Natal!

Desde o primeiro dia, uma amiga começou a copiar as


mensagens para os mais de 100 mil seguidores da conta
do Instagram que administra. No dia da mensagem sobre

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desprendimento, alguém comentou: “Como me ajudaram
essas palavras! Preciso tanto me desprender de falsas feli-
cidades!” Sobre a Coragem, escreveram: “Que eu também
consiga ter essa coragem!”

Vários conhecidos me relataram o impacto das mensagens


entre os seus amigos: “Graças a essas mensagens – disse
alguém - pela primeira vez na minha vida estou realmente
me preparando para viver bem o Natal”. E outra: “Agra-
deço de coração essas palavras tão inspiradoras. Estou
repassando para vários grupos”. Outra me disse: “Leio
todos os dias com meus filhos. É a primeira coisa que
faço a cada manhã”.

Algumas mensagens vêm de amigos de amigos de amigos,


como esta: “Foi uma bênção receber suas mensagens sobre
o Advento. Tive uma forte pneumonia e passei oito dias
hospitalizada. Todas as noites minha filha me trazia o
celular e fazíamos oração com as mensagens. Foi o melhor
presente”. O familiar de uma amiga lhe disse: “Depois de
ler ontem a mensagem sobre a diligência, resolvi visi-
tar um colega que fez uma cirurgia de coluna. Obrigado
pelo envio”. Uma senhora que padece de câncer escreveu
a quem lhe enviou: “Li duas vezes a mensagem sobre o
abandono e acordei de madrugada muito tranquila. Me
ajudou muito. Obrigada.”

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Tudo isso confirma uma íntima convicção: o tempo de
Natal é um tempo de graças muito especiais. Um pouco
que façamos – nem que seja um breve minuto de reflexão
diária, na presença de Deus, - opera em nossos corações
autênticas maravilhas. Convido você a viver esta expe-
riência, e desde já lhe desejo um Feliz Natal.

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Introdução
Advento: do latim “ad venias” - está para chegar! Não
deixemos que a correria do fim do ano tire o foco do mais
importante: a preparação espiritual para a festa do Natal
- o nascimento de Jesus. Olhemos para o nosso coração
e pensemos: Jesus Menino, eu te espero no meu coração.
Quero te preparar uma manjedoura confortável. A cada
dia colocarei uma palha, um pequeno gesto de amor
para te acolher.

Para favorecer o clima interior de oração, antes e depois


da breve meditação de cada dia, sugerem-se estas orações
introdutória e final:

Antes de começar a Meditação diária:


Pelo sinal da Santa Cruz livrai-nos Deus Nosso Senhor
dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho e do
Espírito Santo. Amém.

Meu Senhor e meu Deus: creio firmemente que estás


aqui, que me vês, que me ouves. Adoro-te com profunda
reverência. Peço-te perdão dos meus pecados e graça
para fazer com fruto este tempo de oração. Minha Mãe
Imaculada, São José meu Pai e Senhor, meu Anjo da
Guarda, intercedei por mim.

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Ao terminar a Meditação diária:
Dou-te graças, meu Deus, pelos bons propósitos, afetos
e inspirações que me comunicaste nesta meditação.
Peço-te ajuda para os por em prática. Minha Mãe Ima-
culada, São José meu Pai e Senhor, meu Anjo da Guarda,
intercedei por mim.

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27 de Novembro
Jesus Menino agradeço tua vinda a este mundo. Agradeço
o dom da minha própria vida. Agradeço tudo o que de
bom recebi: pessoas que me amam e que eu amo, saúde,
alegrias, êxitos, bem materiais. Te agradeço também por
me perdoar, quando perco de vista tudo isso, e reclamo,
me queixo e me angustio. Hoje quero colocar a palha da
Gratidão na manjedoura que estou preparando no meu
coração para te acolher. Quando você chegar quero te
abraçar dizendo: obrigado!

28 de Novembro
Jesus Menino! Quando você estava para chegar, com sua
Mãe prestes a dar à luz, não houve em Belém quem ofe-
recesse uma pousada. Maria e José tiveram que se con-
tentar com um estábulo. Mas sua Mãe não se queixou.
Não reclamou das pessoas que recusaram hospedagem.
E fez do estábulo um lindo presépio. Jesus, quero que no
meu coração não haja ressentimentos. Jesus, você que
fez tantos milagres ao crescer, cura agora o meu coração.
Hoje quero levar para a manjedoura a palha do Perdão. E
sei que você irá se sentir confortável ao encontrar assim
o meu coração, livre de mágoas e de ressentimentos, na
noite de Natal.

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29 de Novembro
Menino Jesus! Tendo pela frente a missão de trazer ao
mundo a mensagem de salvação e de amor, você vem sem
pressa, sem alarde, sem ostentação. E ali na manjedoura,
como Mestre, já nos oferece um ensinamento precioso: não
se dar importância. Menino, hoje quero levar à manjedoura
a palha do Esquecimento próprio. Vou fazer algo bom - um
favor, um ato de generosidade... - e não vou contar para
ninguém. Talvez ninguém note, será algo entre você e eu.
Sei que você ficará feliz quando encontrar no meu cora-
ção esse pequeno gesto de amor que passou inadvertido.

30 de Novembro
Menino, hoje vou me oferecer a você. Vou me servir das
palavras da Santa Teresinha, por isso mesmo chamada
“do Menino Jesus”: quero ser seu brinquedinho, mas não
um brinquedo de valor que as crianças vêem mas não se
atrevem a tocar. Quero ser como uma bolinha, sem nenhum
valor, que a criança pode atirar ao chão, empurrar com
o pé, desfazer, deixar a um canto, ou apertar ao coração,
conforme lhe apetecer. Em uma palavra: quero entreter
o Menino Jesus, causar-lhe gosto, entregar-me aos seus
caprichos infantis. Sim, hoje quero colocar na manjedoura
a palha da Infância espiritual, pois sei que o reino dos céus
pertence aos que se fazem como crianças (Mt 19,4). E te
direi ao pé do ouvido que eu te amo, Jesus, te amo muito.

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1º de Dezembro
Menino, às vezes meu coração se enche de turbulência,
quer uma solução imediata para todos os problemas... e
abro a Bíblia. Nas primeiras linhas, já leio: “O Espírito de
Deus pairava sobre as águas. Deus disse: ‘Faça-se a luz’!
E a luz se fez.” (Gn 1,2). Jesus, peço que teu Espírito paire,
hoje, sobre as turbulências da minha alma, e você, que é
a Luz do mundo, ilumine o meu coração. Digo com espe-
rança: “Vem, Senhor Jesus!” E leio nas últimas palavras
da Bíblia essa consoladora resposta: “Sim, eu venho em
breve!” (Ap 22, 21). Hoje levarei à manjedoura a palha da
Serenidade, dizendo na intimidade do meu coração: “Vem,
Senhor Jesus!” E sei que o Senhor virá, e não tardará, tra-
zendo serenidade e luz para minha alma.

2 de Dezembro
Menino, reparo agora neste instante no burrinho que trouxe
sua Mãe a este estábulo. E aqui está este animal, tão rude,
ao lado de Maria e de José, tão próximo ao Menino. Jesus,
hoje quero estar ao seu lado como este burrinho. Sei que
não sou nada, mas quero caminhar - mesmo com meu trote
desastrado - a teu lado. Jesus, hoje quero levar à manje-
doura a preciosa palha da Humildade. Não vou permitir
que o triste espetáculo de meus erros, fraquezas e pecados
me afastem de ti. Pelo contrário. E quando a vergonha me
assaltar direi à Maria simplesmente: “Mãe!” E Ela com
carinho saberá dizer a você algo de bom a meu respeito.

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3 de Dezembro
Menino, vejo agora a seu lado José, um carpinteiro
humilde, enfrentando os poderosos do mundo: não aco-
lhem o Menino, depois quererão matá-Lo, expulsá-Lo do
universo que Ele mesmo criou. E José, com diligência,
percebe os sinais, levanta, age, assume a missão de pai e
de protetor: vai a Belém, foge ao Egito, retorna à Nazaré.
Jesus, quero hoje lhe oferecer a palha da Coragem. Irei
enfrentar algum pequeno desafio que você me proponha
no dia de hoje. Terei presente as suas palavras: “Coragem!
Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). E a glória deste instante
será lembrará com doçura na Noite de Natal.

4 de Dezembro
Jesus, a cidade está em festa: árvores, guirlandas, sinos,
enfeites lindos, alguns sofisticados! Jesus, quero também
embelezar meu coração. Sei que para isso não vou preci-
sar do cartão de crédito, mas preciso, e muito, que você
derreta a dureza do meu coração. Jesus, ao menos hoje,
me ajude a não pensar mal de ninguém, a não falar mal
de ninguém; a calar, se eu não puder elogiar. Sim, Jesus,
hoje quero levar à manjedoura a palha mais fofinha: a
palha da Bondade. Ela irá embelezar meus pensamentos,
palavras, e ações do dia de hoje. Já pressinto sua alegria
quando perceber a bondade em sua manjedoura na Noite
de Natal. E ao receber teu sorriso, renovarei meu desejo
de praticá-la sempre.

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5 de Dezembro
Jesus, quero que o meu coração esteja em ordem para
te receber. Faltam apenas vinte dias! Quero recolher a
memória, domar a imaginação, colocar os pensamentos
no lugar....deixar um cantinho sossegado para poder te
contemplar. Quantas vezes fico lembrando mágoas, fracas-
sos, ou, pelo contrário, revivendo os êxitos, os aplausos...!
Quanta energia também perco nas asas da imaginação!
Meu coração se inquieta, se enche de receios, ansieda-
des e medos....Senhor, como é difícil ter em ordem o meu
mundo interior! Mas quero te levar hoje, Senhor, a palha
do Recolhimento interior: se eu lembrar do passado, vou
agradecer e pedir perdão; se eu me preocupar com o
futuro, vou deixar nas suas mãos. E voltarei ao presente:
sem me deter no passado, sem me inquietar com o futuro!
Com a sua graça, lutarei por afastar de mim, no dia de
hoje, pensamentos inúteis, que me fazem perder o tempo.
Agora, fazendo o sinal da Cruz na testa direi: “Guardai no
dia de hoje meus pensamentos em paz junto a Ti Senhor.”

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6 de Dezembro
Menino Jesus, vejo você nesta singela manjedoura. O
lugar onde se depositavam forragens para os animais
comerem (manjar, daí o termo manjedoura) tornou-se um
berço improvisado para Ti, recém-nascido. José era car-
pinteiro, mas não pôde lhe oferecer sequer um bercinho!
Jesus, Mestre e Menino, esta manjedoura é para mim uma
Cátedra onde se ensinam muitas lições. E hoje aprendo
que devo levar à manjedoura a palha do Desprendimento.
Que não haja no meu coração necessidades falsas: “pre-
ciso disso, preciso daquilo”. Já sei, por experiência, meu
Menino, que as coisas prometem mais do que o que elas
realmente podem trazer. Meu coração anseia por Ti, e os
bens materiais não podem satisfazer a sede de paz que
só encontro em Ti. Liberta-me, Senhor, desprende-me de
preocupações inúteis, de necessidades falsas. E assim,
mais livre, correrei rapidamente a Belém para te ver nas-
cer. E ali saberei apreciar que verdadeiramente tem mais
aquele que necessita de menos.

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7 de Dezembro
Menino Jesus, contemplo sua inocência. E vejo tantas
crianças neste mundo a quem querem roubar a inocên-
cia, com mentiras e ideologias, que confundem as mentes
infantis. Vejo meninos soldados, vejo meninas lesadas, vejo
a miséria que grassa clamando aos céus. E penso em tan-
tas crianças que foram rejeitadas antes mesmo de nascer,
cujos olhos não viram a luz, cujo corpo foi desprezado, a
quem o amor foi negado. Menino Jesus, hoje levarei à man-
jedoura uma palha umedecida por lágrimas de Desagravo.
Aprendi que é precisar “des-agravar”, isto é, suavizar os
agravos, reparar as ofensas, maldades e indiferenças que
se cometem contra as crianças, que são ofensas a Ti. Que
posso fazer, Menino, para consolar teu coração ingênuo,
que não conhece a malícia? Repetirei, Senhor, as pala-
vras cheias de misericórdia que mais tarde você dirá na
Cruz: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem” (Lc
23, 34). E com audácia infantil imploro no dia de hoje que
protejas as crianças do nosso Brasil e de todo o mundo.

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8 de Dezembro
Imaculada Conceição de Maria
Quem é esta Mulher, esta Princesa, esta Rainha que irradia
do presépio uma luz celestial? É a Filha de Deus Pai, é a
Mãe de Deus Filho, é a Esposa de Deus Espírito Santo. É a
Imaculada, é a Virgem Maria, é a Nossa Senhora! Menino,
me explica este mistério: como pode esta criatura - a que
mais perto está de Deus! – ser também a que mais perto
está de nós? Sem dúvida, é a sua obra prima! Sim, esta
Mulher, que jamais conheceu o pecado, compreende como
ninguém as misérias dos homens. Não se assusta, não se
afasta, não julga, apenas ama. Com sua presença - suave
e materna - já nos purifica e nos perfuma. Não é preciso
saber pedir, não é preciso saber rezar. Ela nos entende ao
cruzar com o nosso olhar. Menino, hoje deixarei que Maria
passe na frente, tome a palha da minha mão e a coloque
junto a Ti. Esta será a palha da Confiança em Maria. Ela
me dará uma “piscadinha” carinhosa, e dirá a teu ouvido
qual a graça que mais necessito no dia de hoje. Obrigado,
Mãezinha, pois você sempre adivinha! Obrigado, Menino,
por deixar que a sua Mãe seja também minha.

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9 de Dezembro
Menino, vejo agora seu abandono completo, sua entrega
plena, nas mãos carinhosas de Maria, nos braços corajo-
sos de José, criaturas santas, sim, mas criaturas. E que
surpresa Senhor ao perceber seus bracinhos voltados
para mim, pedindo colo, mendigando afeto, quase como
se necessitasse de mim. Senhor, não quero magoar-te,
quero lhe oferecer meu amor. Hoje, Jesus, levarei à man-
jedoura a palha da Devoção. Sim, eu te amo com amor,
devotamente, e quero me entregar sem reservas Àquele
que antes entregou-se a mim completamente. Sei que Deus
não se satisfaz com qualquer coisa que não seja tudo:
“Todo o teu coração, toda a tua alma, toda a tua mente e
todas as tuas forças” (Lc 10, 27). Em prova de minha devo-
ção farei neste momento o sinal da Cruz pausadamente.
Primeiro na testa: te entrego meus pensamentos. Depois
nos lábios: te entrego minhas palavras. E enfim no peito:
te entrego meu coração. Em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo. Amém.

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10 de Dezembro
Menino Jesus, já atravessamos metade do caminho, sua
manjedoura está ficando bem fofinha, a cada dia trago
uma palhinha. Meu coração sorri em festa ao vislumbrar
a proximidade da Noite de Natal. Já ressoa em meu cora-
ção a alegre melodia do coro dos anjos: “Glória a Deus nas
alturas!” Mas percebo, Senhor, que este clima de festa é
incompatível com meus arranques de mau humor. Não faz
sentido minha cara carrancuda ao divisar o presépio de
Belém. Sim, Menino, é difícil não sorrir ao pensar neste
neném, sua candura me rende desde já. Menino do meu
coração, dá-me a leveza infantil, dá-me um ar de traves-
sura, alegre e pura. Hoje, Senhor, levarei à manjedoura
a palha do Sorriso, de bom grado, com bom humor. Sei
que tudo o que me preocupa neste momento cabe em um
sorriso, esboçado por amor de Deus. Ao nascer você se
alegrará, ao ver estampado em meu rosto o sorriso desta
manhã. Tentarei prolongá-lo durante todo este dia. Obri-
gado, meu Amor, meu Menino, meu Senhor.

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11 de Dezembro
Menino Jesus, em meio a sombras, quanta Luz emana do
presépio! Aqui tudo é divino, sem deixar de ser humano.
Vemos uma história de duros acontecimentos. Os jovens
prometidos em casamento, o anúncio do Anjo, e Deus que
vem ao mundo no seio virginal de Maria. E a ida para
Belém, no pior momento, quando já se aproxima o parto,
para obedecer ao recenseamento ordenado pelo imperador
(Lc 2,1). A negação de pousada, o estábulo, a pobreza...e as
profecias iam tendo cumprimento! “Eis que uma Virgem
conceberá...”! (Is 7, 14). E tu, Belém, não és a menor das
cidades, pois de ti virá o Salvador” (Mq 5,2). Senhor, dá-me
algo dessa luz, que dissipe as densas névoas do meu cora-
ção, quando tudo parece contradizer meus planos. Hoje,
Menino, quero levar à manjedoura a palha da Aceitação
das minhas circunstâncias! Sim, sei que devo lutar pela
vida, mas dá-me a certeza de que eu não estou só! A sua
providência me acompanha, e tudo de algum modo concorre
para um bem maior. E agora, Menino, junto ao presépio,
digo a teu ouvido: “Em tuas mãos abandono o passado,
o presente e o futuro, o pequeno e o grande, o pouco e o
muito, o temporal e o que tem alcance eterno”. Amém.

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12 de Dezembro
Nossa Senhora de Guadalupe,
Padroeira da América Latina
Menino Jesus, quero me deter agora contemplando o manto
azul de sua Mãe. Quero me acolher sob este manto, colocar-
me sob a proteção desta Senhora. Ouço as palavras que
Ela disse antes de você nascer: “Eis que todas as gerações
me chamarão Bem-aventurada”! (Lc 1,48) E esta impres-
sionante profecia se cumpriu. Não há rosto feminino mais
retratado, mais venerado, mais amado, mais solicitado. E
não poderia deixar de ser assim! Mãe querida, nunca se
ouviu dizer que quem tivesse procurado o vosso auxílio
fosse por vós desamparado. Animado eu pois, com igual
confiança, a vós recorro e de vós me valho. Hoje quero
levar à manjedoura a palha de uma Súplica filial: peço
a Jesus, por intercessão de Maria, uma graça especial
neste Natal (pedir). E ouço as palavras de alento que você
dirigiu ao índio São Juan Diego, cujo coração vacilava,
nas maravilhosas aparições de Guadalupe: “Não estou eu
aqui e sou sua Mãe?”. À vossa proteção me acolho, Santa
Mãe de Deus, apresenta a Jesus a minha prece, e cubra-
me com o seu manto de amor.

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13 de Dezembro
Menino Jesus, já chego ao portal! Em minha cidade é clima
de festa, é Natal! Mas vejo, Jesus, em tantos países, cida-
des sem Luz, onde os cristãos não podem expressar o seu
amor. Cristãos sem liberdade, hostilizados, deserdados,
ou até martirizados. Hoje quero levar à manjedoura uma
palha densa: a Oração pelos cristãos que sofrem, em todo
o mundo, pelo simples fato de serem cristãos. Cristãos na
Síria, no Iraque, na faixa de Gaza, na África, em tantas
regiões da Ásia sofrem perseguições abertas. No Ocidente,
na Europa e na América, tantas hostilidades e perseguições
veladas. Estes irmãos revivem em sua pele o mistério do
Menino Jesus, sem abrigo, rejeitado, ameaçado, obrigado
a fugir para o Egito. E esses cristãos atribulados viverão
momentos difíceis também neste Natal. Menino Jesus, me
uno à sua cruz fazendo por eles neste instante uma prece
em silêncio (rezar): por eles, suas famílias, suas crianças.
Que permaneça neles o ardor da esperança. Hoje me pro-
ponho também a fazer algum pequeno sacrifício e oferecer
a Deus por eles. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. Amém. Para conhecer melhor nossos irmãos que
sofrem ver: www.acn.org.br

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14 de Dezembro
Menino Jesus, que estrela é esta que ilumina desde o Céu
este presépio de Belém? É a estrela que guiou os Reis
Magos! Atravessando desertos, eles chegaram até aqui.
Houve momentos em que a estrela se ocultou, e tiveram
a tentação de desistir. Sem cansaço, eles foram buscar
indicações para o caminho. Senhor, hoje quero levar à
manjedoura a palha da Docilidade, para deixar-me guiar
por quem você coloca em meu caminho como luz para me
orientar. Sim, sempre haverá pessoas confiáveis a quem
me reportar, e ainda mais profunda e intimamente, terei
a luz interior que é a minha consciência. Senhor, não
quero burlar a mim mesmo, abafar esta voz interior que
ressoa em meu coração dizendo: vai por aqui, retifica, dá
a volta por cima, volta para a pista. Senhor, quero ser dócil
às suas inspirações, às suas luzes. E peço agora: “Vinde
Espírito Santo, enviai do Céu um raio da vossa Luz!” Não
quero dizer: amanhã, depois...não! Pode ser que o ama-
nhã me falte. Agora, neste Natal, seguirei a tua luz, darei
um passo à frente em meu caminho, retificarei o meu
desvio. E se assim sugeres, irei a um diretor espiritual,
a um confessor, que traga toda a luz e claridade ao meu
interior. Assim seja.

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15 de Dezembro
Está chegando o dia, quero fazer parte desta família:
Jesus, Maria e José. A Sagrada Família! Aqui ninguém se
reserva nada. Aqui não se ouve falar nem do meu tempo,
nem dos meus projetos, nem dos meus talentos, nem do
meu dinheiro. Estão todos a serviço do grandioso jogo da
Salvação. Maria se declara “a escrava do Senhor”. José,
um trabalhador, entrega-se totalmente a uma missão
que lhe é superior. O Menino, inerme, não transparece
glória nem poder. Jesus, diante deste presépio, também
eu quero me render. Hoje levarei à manjedoura a palha
do Amor à minha família. Ofereço, Senhor, neste dia, os
meus olhos, para perceber as necessidades dos que estão
à minha volta; meus ouvidos, para escutá-los com atenção;
minha boca, para falar com senso de oportunidade; meu
coração, para sintonizar com os sentimentos de cada um.
Te ofereço minha liberdade, para amá-los; minha inteli-
gência, para procurar compreendê-los; minha memória,
para recordar as alegrias; todo o meu ser, para servir à
minha família. Ao menos neste dia quero me deixar con-
tagiar pela lógica de entrega, de amor e de serviço que
reina na Sagrada Família. Dá-me esta graça. Dá-me esta
alegria. Assim seja.

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Início da Novena de Natal
16 a 24 de Dezembro

Novena de Natal – 1º dia - 16/12


Entramos agora na etapa final do Advento...são nove dias
até o dia vinte e quatro. Quero acelerar o passo, correr até
Belém e fazer algo especial nesta Novena de Natal! Mas...
que surpresa! Neste caminho apressar é atrasar...chega
mais rápido quem vai mais devagar...Sim, Menino Jesus,
é preciso parar e contemplar: te vejo adormecido, sereno,
como se você tivesse sido amamentado e descansasse em
paz. Que contraste com o meu dia a dia, cheio de relações
frenéticas e superficiais. Sim, hoje quero levar à man-
jedoura a palha do Sossego. O sossego de uma oração à
mesa, antes ou depois da refeição: “Senhor, obrigado pelos
alimentos que da vossa bondade recebemos”! Ou o sos-
sego nas expressões de afeto: um olhar mais terno, mais
puro para quem amo; um abraço lento, de vários segun-
dos...Neste 1º dia da Novena, direi: “Senhor, põe calma na
minha alma”. Faz o meu passo mais lento e o meu amor
mais denso. E na Noite de Natal lembrarei o dia de hoje,
e direi a teu ouvido: «Estou sossegado e tranquilo, como
criança saciada ao colo da mãe» (Salmo 131, 2).

- 25 -
Novena de Natal – 2º dia – 17/12
Jesus, todos os que caminham a Belém levam algo para o
neném! Vejo pastores trazendo leite, Reis com lindos pre-
sentes, ouço cânticos solenes. E eu, Menino, trarei algo
surpreendente: desta vez será diferente! Sim, levarei ao
Menino algo que na verdade me custaria entregar: não darei
só uma esmola, um pertence usado, ou algo que me sobrar.
Não, Menino, desta vez levarei à manjedoura a palha da
Generosidade. Quero fazer algo com um sabor de “extraor-
dinário”, um gesto generoso, para alguém necessitado.
Pode ser dar o meu tempo, ou minha atenção, a quem dela
precisar, mesmo que seja alguém chato, que eu preferiria
evitar. Ou farei uma doação, sem avareza, com o coração.
Já vejo seus olhos brilhando na Noite de Natal ao receber
meu presente! E me dirás sorridente: “Em verdade, vos digo:
todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos,
que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

- 26 -
Novena de Natal - 3º dia – 18/12
Menino Jesus, em torno ao Portal, todo o universo te presta
homenagem: a estrela, as plantas que brotam da terra, os
animais, os seres humanos e os celestiais: José e Maria,
pastores, reis magos, e anjos que descem do Céu anun-
ciando o Natal. Pois Deus veio habitar entre nós! Este é
um mistério profundo. É a chave do meu viver. Pois tenho
um Deus que me entende, que se aproxima e me vê. Fala
comigo, me ensina, me mostra como Ele é, e como eu devo
ser. Hoje levarei à manjedoura a palha da Adoração. Sim,
sou uma criatura consciente e livre, sou imagem de Deus.
Mas Deus se fez também semelhante a mim. Aqui, neste
Menino, se esconde a divindade, mas se revela também
a minha humanidade. Para eu ser plenamente humano,
preciso me abrir ao mistério, reconhecer o divino. Neste
momento quero me unir a todos os personagens do presé-
pio e adorar por alguns segundos. Sim, eu Te adoro com
amor, Deus escondido. Glória a Deus Uno e Trino. Glória
a Jesus Menino. Que o teu Reino venha a mim. Amém.

- 27 -
Novena de Natal - 4º dia - 19/12
Senhor, hoje quero me adentrar no mistério do encanto e
da ternura que o presépio encerra. Que magia é esta que
atravessa a história, que fascina as crianças, que converte
adultos, e que reduz a pó o nosso orgulho? Entendo, Jesus,
que este é o poder da Simplicidade. Há riqueza nos reis
magos, mas não há ostentação. Há pobreza nos pastores,
mas sem vitimização. Há glória no alto dos Céus, mas
não há humilhação. Há uma perfeita entrega: há oração.
Menino Jesus hoje quero levar à manjedoura a palha da
Simplicidade. Irei me apresentar a ti sendo apenas quem
sou. Sem disfarce ou fantasia. Apenas lhe farei companhia.
Entrarei no quarto, fecharei a porta. E direi: “Meu Senhor
e meu Deus, creio firmemente que estás aqui, que me vês
e que me ouves”. Mas...não sei se sei rezar. Quero te olhar.
E deixar que tu me vejas. E sei, Jesus, que ao me apresen-
tar assim, com simplicidade, diante de Ti, o teu Pai, que
vê o que se passa em segredo, me recompensará (Mt 6, 6).

- 28 -
Novena de Natal - 5º dia – 20/12
Menino Jesus, já às vésperas da grande festa, meu cora-
ção ouve o coro dos Anjos que anuncia: “Glória a Deus nas
alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!” Senhor,
este canto me desafia. Será que a paz não depende de algo
externo...mas de mim...? Da minha “boa vontade”...? Certa-
mente esta não é a paz da inércia ou da comodidade. Sim,
preciso combater um bom combate...dentro de mim! Calar
ou perdoar, ceder ou conceder, desarmar meu coração. Ou
pedir perdão a Deus, decidir-me a fazer uma boa Confissão.
Sim, hoje levarei à manjedoura a palha da Paz. Pedirei ao
meu Anjo da Guarda: se a ti me confiou a piedade divina,
seja você meu protetor que hoje me governe, me guarde e
me ilumine! Que ao menos hoje, Senhor, meus pensamen-
tos sejam de paz, e não de aflição. Que minhas palavras
não gerem desconfiança ou discórdia, mas união. E a paz
de Cristo triunfe em meu coração e no coração de todos
a quem eu me dirigir no dia de hoje, com a proteção de
seus Anjos. Assim seja.

- 29 -
Novena de Natal - 6º dia - 21/12
Menino Jesus, todos estão chegando a Belém! Os reis magos
deixaram suas terras e trazem presentes. Os pastores dei-
xaram seus rebanhos e chamaram uns aos outros para
virem também! Que lindo cenário! E eu, Senhor, quero
chegar a tempo! Quero ser neste presépio como mais um
personagem! Que devo deixar, que devo trazer para integrar
esta paisagem? Tenho tantas urgências, tantas pendências...
mas preciso acelerar o passo! Hoje levarei à manjedoura a
palha da Diligência: farei com carinho, prontidão e alegria
algo que sei que devo fazer: um telefonema a uma pessoa
amiga, uma atenção a alguém da família, uma conversa
de orientação espiritual, isto que adio, mas que sei que é
essencial. Hoje agirei com senso de prioridade, pois per-
der tempo é perder eternidade. Farei algo que não devo
adiar; ao menos hoje, terei pressa em amar. Chegarei a
Belém com algo nas mãos que você vai notar: fiz só para te
agradar. E peço hoje em minha oração: Senhor, ilumina o
meu entendimento, fortalece minha vontade, purifica meu
coração, governa meus movimentos, e fazei-me dócil às
suas inspirações. Que eu faça o que eu devo, que eu esteja
no que eu faça, e que chegue a Belém a tempo, tendo feito
o bem, com a vossa graça. Amém.

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Novena de Natal – 7º dia – 22/12
“Quando um tranquilo silêncio envolvia todas as coisas e a
noite chegava ao meio do seu curso, a tua Palavra todo-po-
derosa, vinda do céu, do seu trono real, precipitou-se” (Sb
18, 14-15). Menino, meu coração muitas vezes está cheio
de ruídos e intranquilo. Por isto, neste momento, levarei
à manjedoura a palha do Silêncio. Vou me recolher agora
para ouvir a Palavra que desce do seu trono real e vem
habitar em meu coração. “Então, ouvi uma voz forte que
saía do trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus-com-os-ho-
mens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o
próprio Deus-com-eles será seu Deus’” (Ap 21,3). Senhor,
tua Palavra tem poder. Ela aquieta meus sentidos, e todo
o meu ser. Neste momento de silêncio, sinto tua Palavra
crescer dentro de mim. Deus conosco, Deus comigo. É o
Natal! Vem, Menino! Farei silêncio, e você dormirá tran-
quilo! E com Ti, em mim, também me tranquilizo: “Ele
enxugará todas as lágrimas. E não haverá mais luto, nem
grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram”
(Ap 21,4). Amém.

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Novena de Natal – 8º dia – 23/12
Menino Jesus, como são lindas as palavras do Profeta
Isaías: “O povo que andava na escuridão viu uma grande
luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma
luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria e aumentaste
a felicidade. Porque nasceu para nós um menino, foi-nos
dado um filho; é o Príncipe da Paz” (Is 9, 1-6). Peço, Senhor,
que hoje se cumpra no meu coração esta profecia. Sim,
como uma criança, levarei à manjedoura, na manhã de
hoje, a palha da Esperança. Eu espero em Ti! Pressinto
que Jesus, o doce Menino, virá trazer claridade à noite da
minha alma. As portas estão abertas, a manjedoura te
espera. Jesus, entre hoje e amanhã - neste Natal - espero
uma graça muito especial. Fortalece meu coração ao longo
deste dia. E pedirei: “Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo”. Amém.

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Novena de Natal – 9º dia – 24/12
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus
e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.
Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia
a vida, e a vida era a luz dos homens. (...) A todos aqueles
que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes
o poder de se tornarem filhos de Deus (...) E o Verbo se
fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória
que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de
verdade.” (Jo 1, 1-9)

Inspirados por esta leitura, que é lida na Missa de Natal,


queremos neste momento dizer SIM a Jesus. Queremos
abrir o nosso coração para recebê-lo. Durante o tempo de
Advento, preparando o Natal, quisemos te oferecer uma
manjedoura confortável e você nos concedeu um coração
purificado. Obrigado! Vem, Senhor Jesus, vem morar em
meu coração. E nesta noite farei um pedido: Jesus, que eu
seja sempre um filho de Deus agradecido.

Para terminar esta oração, lembraremos a primeira palha


que colocamos na manjedoura no início do Advento: a
palha da Gratidão. Podemos agradecer intimamente ou
manifestar em voz alta o que queiramos agradecer (pausa
para o momento ou a partilha da gratidão). E para termi-
nar, te digo: “Nós vos damos graças Deus Onipotente por
todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos
séculos dos séculos. Amém!”. Feliz Natal!

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Meditação para o Natal de
Nosso Senhor Jesus Cristo - 25/12
“Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será também
a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós
o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).

No meio à correria, ao cansaço e ao stress do fim de ano,


oferecemos ao Menino a cada dia um minuto de atenção.
Sim, preparamos uma festa, mas foi o Senhor, na sua
bondade, que nos deu o motivo da celebração. Ao chegar
o Natal sentimos aquela alegria que o mundo não pode
dar. E experimentamos um pouco do Céu no amor e no
serviço, nisto que faz a vida na terra ter sentido. Ele é a
Vida e a Verdade: demos um pouquinho de nosso tempo;
Ele nos deu a sua Eternidade. Ele se fez Caminho. Quem
lhe segue não andará nas trevas mas terá à luz da Vida.
E se há tropeços, quedas ou desvios, Ele vem ao nosso
encontro como Médico e Amigo!
Concluo estas meditações. Agradeço sua companhia ao
longo desses dias. “E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará os vossos corações e os vossos
pensamentos em Cristo Jesus” (Fl 4,7). Amém!

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preparando o Natal
Maria Nazaré Lins Barbosa
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