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MATÉRIA: Direito Civil

PROFESSOR: Fábio Figueiredo


AULA E DATA: 01 – 27.02.2010
e-mail- Fabio.figueiredo@damasio.com.br

Direito Civil Constitucional

A maior evolução que tivemos no direito privado foi, sem dúvida, no direito
romano.

Da queda do império romano até 1789, tivemos apenas evolução no direito


público.
Em 1789, com a revolução francesa, com a tríade axionômica do direito
privado: Liberdade, igualdade e fraternidade, eclode o código francês de
1804.
Com a recusa do código de Teixeira de Freitas, que tinha mais de 5000
artigos, em 1865 (obs. Este código tinha com base o BGB – o código civil
alemão), inicia-se em 1911 o projeto do Clóvis Bevilácqua, que tinha por
base o direito francês.

O CC1916 é imagem e semelhança do CC francês de 1804. Era


patrimonialista.
O CC2002 é uma legislação existencialista. Está preocupado com a
existência digna do ser humano e não do patrimônio econômico.

Daí a importância de lembrar o momento da revolução francesa. O código de


1916 tinha como bases axiomáticas, ou valorativas, a liberdade, igualdade e
a fraternidade. Com a revolução francesa, surge a classe burguesa que sobe
ao poder e quer proteger seu patrimônio.

Antes (CC1916) Hoje (CC2002)


Liberdade (ampla e irrestrita de Autonomia privada de contratação

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contratação) (porque tem que obedecer a


supremacia da ordem pública)
Igualdade formal (perante a lei) Isonomia substancial (tratar
desigualmente os desiguais, na
medida em que se desigualam)
Fraternidade (boa fé nos atos de Solidarismo constitucional (dever de
comércio) solidariedade constitucional - art. 3º,
I, CF)

Então o primeiro ponto importante é ver que estes três princípios


significavam para a época da revolução francesa, que influenciaram o
CC1916:
Liberdade – a mais ampla e irrestrita liberdade de contratação possível.
Quero contratar com quem eu quiser, na hora que eu quiser e da maneira
que eu quiser.
Igualdade - A chamada isonomia formal (igualdade formal) – todos são
iguais, todos têm o mesmo tratamento perante a lei e ponto.
Fraternidade – A boa fé nos atos de comércio.

No CC2002 - começa-se a falar em função social do contrato.


Liberdade: hoje há um limite à autonomia da vontade: a lei. Ex. Art. 166 e
1521, posso me casar com quem quiser, desde que não seja meu ascendente
ou descendente.
Ordem pública instalada: Ex. art. 1573 - o magistrado pode considerar
outras causas que tornem impossível a convivência - Ex. incompatibilidade
de gêneros.
Ex2 - contratos de leasing indexados em dólar. Todo mundo que entrou com
a revisão do contrato, ganhou, mesmo sem ter lei positivada. Foi à ordem
pública instalada que gerou isso.

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Ordem pública instalada são os anseios populacionais de uma dada nação.


Isonomia substancial - consiste em tratar desigualmente os desiguais na
proporção e medida de suas desigualdades (Aristóteles, citado por Rui
Barbosa na Oração aos moços).
Ex. Direito do trabalho, estatuto da mulher casada (porque não existia no
CC1916 a igualdade jurídica), delegacia da mulher, etc.
Antes existia o pátrio poder, hoje temos o poder familiar.

Função social - O professor dá como exemplo o parque temático fictício - A


fabiolândia, que não passou no EIA-RIMA, por estar do lado de uma área de
mananciais. Se estivéssemos na época da revolução francesa, esse contrato
teria que ser cumprido.
Hoje isso não é possível, pois vemos por esse estudo do EIA-Rima, que
geraria um grande impacto ambiental, a prejudicialidade social extrínseca
seria imensa e isso fere a dignidade humana, por isso ele não pode seguir.
Assim, há evidências de que liberdade, igualdade e fraternidade não são
modelos que sustentam nosso direito privado.

A fraternidade evoluiu para solidarismo constitucional ou dever de


solidariedade. Art. 3º, CF.
Como executar?
O professor cita o exemplo de um programa de TV que tinha 2 programas - o
teste de fidelidade, onde ocorriam cenas de sexo quase explícitos no horário
livre.
Havia outro quadro que satirizava as pessoas que ajudavam deficientes
visuais, onde um ator se fazia passar por cego e depois, tirava sarro das
pessoas, jogava coisas, etc. Foram advertidos pelo MPF, mas continuaram. A
emissora foi retirada do ar pelo MPF, por dois dias e quase perdeu a

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concessão televisiva, porque isso feria o solidarismo constitucional, as


pessoas poderiam parar de ajudar as outras por pensar que poderia ser
pegadinha do João. Além disso, o contrato com o apresentador foi
considerado ineficaz, por ausência de solidarismo extrínseco do contrato.
Quem executou isso foi o MP.

Trouxe aqui o modelo de direito que vamos analisar.


Vai cair o que é isonomia substancial? Solidarismo social?
É provável que não, mas com certeza você tem que saber o que é.

Recomendação livros de direito civil: coleção OAB nacional, da editora


Saraiva e áudio-book (de sua autoria e do Professor Murilo Schieri).
Ler livro sobre ou a nova lei do inquilinato (não é necessário para OAB, mas
o professor acha que vai cair uma ou mais questões).

CAPACIDADE

Divide-se em:

Capacidade de direito - personalidade jurídica - adquire-se pelo nascimento


com vida (presença de ar nos pulmões), conforme a Lei 6015/72-lei de
registros públicos).

Capacidade de fato - regulada pelo código civil - art. 3º e 4º.


Art. 3º - trata dos absolutamente incapazes - necessita de representação. A
falta de representação causa nulidade.
Art. 4º - trata dos relativamente incapazes - necessita de assistência. A falta
de assistência é anulável.

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DA CESSAÇÃO DA INCAPACIDADE

Cessa de maneira:
- voluntária
- judicial
- legal

Regra: cessa a incapacidade quando cessar a sua causa.

Voluntária - não precisa de oitiva do MP, nem de homologação judicial.


Os pais levam o filho menor, entre 16 e 18 anos ao cartório para
emancipação (obs. Pode ser só o pai ou só a mãe).

Judicial - tutela e curatela, só por via judicial.

Legal - fatos previstos em lei que geram cessação da incapacidade. Ex.


maioridade, casamento, economia própria, emprego público efetivo, colação
de grau em curso de nível superior.

INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL

Formas:
- nome
- Estado
- Domicílio

Nome - é um direito de personalidade (indisponível, inalienável, etc. Compõe-


se de prenome, patronímico, agnome e alcunha.
Prenome é o que individualiza o individuo na sociedade.

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Patronímico (sobrenome) individualiza o grupo familiar.


Agnome - é o que individualiza o indivíduo dentro de seu grupo familiar
(quando o sujeito tem o mesmo nome de um outro familiar)
Alcunha - apelido.

O nome é imutável, em regra, mas pode ocorrer (não é obrigatório) alteração


quando:
Houver erro grave evidente.
Quando houver exposição ao ridículo
Proteção à testemunha
Adoção
Inclusão de uma alcunha
Uso prolongado de nome diverso daquele que consta no registro civil.
Mudança de estado civil

ESTADO

- Individual - usado no direito penal. São características físicas, informações


obtidas de terceiros e relações parentais. (EX. quem matou? R. foi o primo do
Manoel da padaria)
- Familiar - casado, separado, união estável.
- político - nacional (nato ou naturalizado) ou estrangeiro.

DOMICÍLIO

Pode ser:
- comum
- necessário

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O comum pode ser:


- simples
- de eleição

Domicílio comum simples é aquele que conjuga o elemento físico (efetiva


residência) e o elemento espiritual (animus, intenção de estabelecer domicílio
naquele local).

Domicílio comum de eleição - foro eleito em contrato, aquele disciplinado em


contrato pelas partes, por acordo de vontades.

Domicílio necessário:
- incapaz - é o de seu representante, ou assistente, ou curador, ou tutor.
- preso - local onde ele cumpre pena.
- marítimo - local em que o navio está registrado (matriculado).
- militar - local em que serve às forças armadas.
- Servidor público - local em que serve, que exerce as suas funções.

Domicílio plúrimo (vários domicílios): os quatro lugares são seus domicílios.

Quando não houver domicílio definido, tendo o sujeito diversas residências


(vendedor, caixeiro viajante, etc), será considerado como seu domicílio o local
em que for encontrado.

NEGÓCIO JURÍDICO
(importante: sempre cai)

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Todo e qualquer acontecimento relevante para o mundo do direito que seja


lícito e que tenha finalidade negocial.

Elementos do negócio jurídico:

São de 2 ordens:
- essenciais
- acidentais

Os essenciais podem ser essenciais para a:


- existência do negócio
- validade do negócio

Os essenciais para a existência do negócio são:


- a vontade humana
- idoneidade objetiva
- finalidade negocial

Os essenciais para a validade do negócio estão no art. 104, CC:


- agente capaz
- objeto lícito ou não defeso em lei
- forma prescrita ou não proibida

Os elementos acidentais são:


-termo
-condição
- modo ou encargo

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DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO

1 - inexistência
2 - nulidade
3 - anulabilidade
4 - ineficácia