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Sustentabilidade e Fundamentação Prof.

Ricardo Maioli

INTRODUÇÃO

O que é sustentabilidade? O que é um projeto sustentável? O que é conforto


ambiental? Desde quando nos preocupamos com o meio ambiente?

Conforto ambiental:

O conforto ambiental aborda os aspectos fisiológicos do corpo humano. Segundo


Lúcia Mascaró, “Conforto ambiental é a soma das condições físicas que propiciam
ao organismo um melhor desempenho com menor gasto de energia e
conseqüente sensação psicofísica de bem estar.”

Conforto higrotérmico
(umidade e temperatura)

Conforto visual
(distribuição, nível e qualidade da luz, cor)

Conforto Acústico
(som e ruido)

O controle do ambiente não é a totalidade da arquitetura, mas deve ser parte da


ordenação básica de qualquer projeto. O homem possui exigências quanto às
condições do ambiente.

O conforto também está associado aos aspectos psicológicos e subjetivos, de


difícil interpretação, como reação às cores, contato com o exterior, com a luz
natural, exposição ao som/ruído, aroma, texturas, dentre outros fatores.

HISTÓRICO
A história nos revela que a preocupação com o conforto ambiental e a adequação
da arquitetura ao clima existe desde a época da antiguidade.

A arquitetura vernacular:

É a arquitetura em que se empregam materiais e recursos do próprio ambiente em


que a edificação é construída. Desse modo, ela apresenta caráter local ou
regional.
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O primeiro princípio utilizado era geralmente aproveitar as características
desejáveis do clima enquanto se evitavam as indesejáveis. Forte relação com o
meio em que está inserida.

Na Roma Antiga, o imperador Ulpiano criou o Heliocaminus, uma lei para garantir
ao povo romano do século II d.c. o direito ao sol.

Na cidade romana antiga, também existiam sistemas para aquecimento de água


conhecidos como Calidarium e para aquecimento de ambientes como o Ipocausto
– túneis subterrâneos onde uma fornalha aquecia o ar, que por sua vez aquecia
os ambientes.

No deserto do colorado, nos EUA, o povo de Mesa Verde construiu suas


habitações protegidas do sol pelas encostas de pedra, de forma a sombrear a
incidência dos raios solares no verão quente e seco. No inverno, a inclinação mais
baixa do sol permite sua entrada nas habitações, aquecendo-as durante o dia. O
calor armazenado na rocha das encostas durante o dia é devolvido ao interior das
habitações à noite, garantindo o conforto térmico.
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Em climas muito severos como no norte da China, por exemplo, as edificações


foram construídas subterrâneas. São escolas, mercados, residências, tudo sob a
superfície da terra. Vista de cima,
a cidade mostra apenas os pátios
das casas. A temperatura abaixo
da superfície do solo é mais
amena, compensando os
extremos da temperatura do ar
(alta durante o dia e baixa a
noite).

No Brasil as construções adaptaram-se ao clima tropical, pelo esforço do colono e


pelo emigrante provindos de várias partes do mundo.

“Aqui, o português transferiu seu local de estar para a varanda, onde comia,
conversava e fazi a a sesta na rede bem ventilada, de malhas grandes. Na roça,
então, o colonizador podendo se expandir mais a vontade, não teve dúvidas em
prolongar seus telhados em alpendres profundos. Desejava, sombra, antes de
tudo.”

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Revolução Industrial:

A Revolução Industrial (Inglaterra) consistiu em um conjunto de mudanças


tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo. Iniciada em meados
do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX.

Trouxe um novo elenco de materiais, como aço e o concreto armado (séc XX),
que desafiaram a tradição de construir em alvenaria de pedra (dominante desde o
Egito antigo até o século XIX) no mundo ocidental. No entanto, esta tradição
construtiva persistiu até a Segunda Guerra Mundial. A partir daí, as grandes
transformações sociais, econômicas e técnicas mudaram o quadro da arquitetura
violentamente.

Modernismo – 1920 a 1960:

Desinteresse pela qualidade do isolamento térmico e acústico da envolvente do


edifício, assim como pela iluminação.

Surgimento da parede de vidro como expressão máxima


da modernidade.

Ville Savoye, França. Arq. Le Corbusier, Torres de apartamento na Lake Shore Drive,
1929. Chicago, EUA. Arq. Mies Van der Rohe,
1948-1951 4
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O crescimento das cidades e o conceito de “progresso”.

FRANK LOYD WRIGHT – Quase uma oposição ao movimento moderno.


Arquitetura orgânica.

Habilidade em combinar o uso de formas estruturais e as instalações mecânico-

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elétrico articuladas com a luz. Soluções combinadas de diversos aspectos
ambientais através da climatização natural e artificial, iluminação, ventilação e

sombra, calor, vista e privacidade.

Casa da Cascata. F.L.Wrigth,


1937.

ARQUITETURA MODERNA NO BRASIL

Encontram-se bons exemplos de adequação da arquitetura ao clima. Uso do


brise-soleil: idealizado por Le Corbusier e implantado no Brasil por arquitetos
modernistas, como Lúcio Costa, Irmão Roberto, Oscar Niemayer entre outros.

Parque Guinle – RJ, Lucio Costa, 1948-1954. Palácio Gustavo Capanema – Edifício do MEC, RJ,

O estilo internacional:

Muitos arquitetos passaram a produzir edifícios sem se preocupar com a


adequação da edificação às condições climáticas externas. Esses edifícios
possuíam a característica de serem altamente dependentes dos sistemas
artificiais de iluminação e condicionamento de ar na promoção do conforto
ambiental interno, tornando-se grandes consumidores de energia (EDIFÍCIOS
ENERGÍVOROS).
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As construções fortemente influenciadas pela arquitetura internacional perderam
sua harmonização com o clima tropical, e passaram a depender da energia
elétrica e do ar condicionado. Embora exista uma variedade de formas para os
edifícios, chegou-se a sua homogeneização quase total, esse fenômeno ficou
conhecido como Internacionalização da arquitetura.

As torres de vidro, idealizadas por Mies van der Hohe para um clima
completamente diferente da situação brasileira, tornaram-se símbolos de status e
poder e multiplicaram-se pelas grandes cidades do Brasil.

Edifício Energívoro.

O Impacto Ambiental das Cidades

Os danos ambientais decorrentes do crescimento das cidades (percentual da


população mundial em cidades - 1900: 10%, em 2000:50% e 2050:75%), do novo
estilo de vida consumista e forte gerador de resíduos, e das atuais práticas
construtivas se manifestarão nos impactos causados como, a elevação das
temperaturas, os problemas de saude causados pela poluição do ar ou pela
contaminação da água, a escassez de alimentos e a falta de energia.

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CRISE ENERGÉTICA 1973 DEVIDO AO ENORME AUMENTO NO PREÇO DO
BARRIL DE PETRÓLEO

Estima-se que em 2050 o mundo utilizará o dobro de energia. Grande parte dessa
energia será proveniente do consumo de combustíveis fósseis, com o
conseqüente aumento de preços e os já conhecidos efeitos sobre o aquecimento
global.

Qual o papel do projeto nesse contexto mundial?

Os edifícios são responsáveis pelo consumo de até 50% da energia nas cidades.
Devido a isso diversos países desenvolvidos buscaram soluções para aumentar a
eficiência energética das edificações e a adoção de medidas para promover o
consumo de energias renováveis, em vez de petróleo e gás.

O projeto tem papel importante na redução do consumo energético mundial. Os


edifícios chamados “energívoros” consomem até 5x mais energia do que seria
necessário se fossem bem projetados, de acordo com as condições climáticas do
local.

Consumo energético
no Brasil em 2011

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O crescimento das preocupações ambientais

Embora as edificações ainda possam funcionar de forma individual, a relação do


território coletivo das cidades com o ecossistema global entrará em crise. Isto se
deve ao fato de que as cidades produzem um conjunto de impactos que gera uma
cadeia longa, profunda e crescente de resíduos além de afetar os recursos
naturais. O grande questionamento dos ecologistas é sobre o que será capaz de
estancar mais rapidamente o crescimento da raça humana: a poluição que ela
mesma produz ou a escassez de recursos? Estas tensões serão sentidas
primeiramente nas cidades e provocarão impactos sobre as infraestruturas
existentes, passando a exigir, no mesmo grau, novas abordagens nos projetos de
edificações.

Somente por meio de um maior respeito aos recursos naturais e da substituição


da exploração de recursos não renováveis por práticas renováveis e
autossuficientes, poderemos reduzir a pressão sobre o meio ambiente. A cidade
desempenha um papel fundamental para o estabelecimento de uma relação
simbiótica entre as edificações, território e a natureza.

Surgem os conceitos de sustentabilidade e com ele, de construção sustentável e


suas derivações.

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SUSTENTABILIDADE
POLÍTICAS AMBIENTAIS

SUSTENTABILIDADE URBANA
CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
PROJETO SUSTENTÁVEL

PROJETO BIOCLIMÁTICO
PROJETO ECOLÓGICO

ECO DESIGN

REFERÊNCIAS:

CORBELLA, Oscar; CORNER, Viviane. Manual de Arquitetura bioclimática Tropical para a redução de consumo
energético. Revan, Rio de Janeiro: 2011.
EDWARDS, Brian. O guia básico para sustentabilidade. GG, Barcelona: 2008.
LAMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando. Eficiência energética na arquitetura. Pro
livros, São Paulo, 2014.

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