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Desenvolvido por: Assessoria Econômica ABBC

A inovação assume um A inovação desempenha um importante


papel nos ganhos da produtividade e,
papel fundamental para consequentemente, na promoção do
que as instituições desenvolvimento econômico. Por lidar
com um amplo volume de informações, é
financeiras tornem-se natural que a relação entre os setores
cada vez mais eficientes financeiro e tecnológico se estreite
conforme os avanços da tecnologia. Mas,
e competitivas. ainda que ao longo do tempo o modelo de
negócio dos bancos não tenha sofrido
grandes rupturas como as ocorridas em
outros segmentos, a combinação do
intenso avanço na tecnologia da
informação aliada à utilização cada vez
mais disseminada de meios eletrônicos
pelos consumidores enseja novos
paradigmas. Confira aqui alguns insights
do relatório “Digital Banking Manifesto:
The End of Banks?”, do MIT.
1. Quais são os principais desafios que o atual momento
de inovação traz às instituições financeiras, segundo o
relatório do MIT?
Segundo o relatório “Digital Banking Manifesto: The End of Banks?”, a essência histórica
dos bancos na intermediação financeira não deverá sofrer grandes alterações, assim como
os indicadores de qualidade, desempenho e segurança continuarão sendo relevantes na
determinação dos níveis adequados de capital e liquidez a serem perseguidos. Ainda, as
boas instituições continuarão a ser aquelas capazes de atrair bons clientes para os seus
produtos e serviços, tanto nas operações ativas como nas passivas.

Nesse sentido, o principal desafio que o


atual momento de inovação impõe recai
na remodelagem da relação entre os
bancos e os seus clientes de forma a
potencializar a experiência dos mesmos.
Para o MIT, a maior barreira para a aderência à inovação e ao avanço digital encontra-
se em elementos culturais e estruturais do mercado bancário. Nesse quesito, se
inserem as vastas redes de agências, o amplo quadro de colaboradores e a presença
de sistemas legados. Ainda, um importante desafio também se constitui em como
compatibilizar as atuais estruturas organizacional e de governança com o movimento
de digitalização do negócio.
2. As novas tecnologias significam aumento
da inclusão digital?
As ferramentas que possibilitam uma maior
aderência dos bancos às soluções de
tecnologia, como o reforço nos quesitos de
segurança e na disseminação do uso de meios
móveis, vêm se difundindo cada vez mais. Nos
países emergentes, como o Brasil, ainda há um
grande contingente de pessoas e de pequenas
e médias empresas que faz pouco uso dos
serviços bancários pelo fato de que os
tradicionais meios e métodos de negócio não
são flexíveis o bastante para atendê-los. Assim,
além dos ganhos de maior rapidez e agilidade,
a maior utilização das inovações digitais
derruba as barreiras geográficas, aumentando
as possibilidades de inclusão financeira.
3. Como se deu o avanço da inovação
bancária nas últimas décadas?
O Relatório do MIT aborda diferentes ondas de inovação bancária.

A primeira delas foi vivenciada pela introdução incremental de


tecnologia às práticas usuais de negócio dos bancos. O maior
exemplo desse momento foi a introdução das máquinas de ATM
na década de 1970, que possibilitou a ampliação do horário de
atendimento bancário em meio às mudanças de comportamento
da sociedade que, dentre outros aspectos, alçou as mulheres ao
mercado de trabalho.

A segunda onda caracterizou-se pelo surgimento de


estruturas híbridas, representando uma ponte entre as
plataformas de negócio tradicionais e as soluções
digitais hoje observadas.
Já a terceira e mais recente onda de inovação é composta
justamente por aquelas instituições que já nasceram digitais e que
se aproveitam da enorme oferta de novas tecnologias que
conferem uma maior e mais constante integração com os clientes
e os seus hábitos, garantindo assim uma maior flexibilidade e
abrangência para os respectivos negócios.
4. De que forma estes avanços tecnológicos influenciam a
relação das instituições com seus clientes?
Os avanços tecnológicos permitem que o relacionamento entre os bancos e os seus
clientes seja mais estreito, torne-se mais proativo e cada vez mais liderado pelos
usuários. Nesse instante é que são levantados os questionamentos acerca do papel das
instituições financeiras nessa nova configuração social e tecnológica. O atendimento
dos anseios da sociedade digital requererá uma substancial mudança de cultura no
sistema, de modo que possam ser oferecidos os mesmos padrões de atendimento
automatizado e, de certa forma, personalizado observado nas indústrias de tecnologia
e de bens.

Essencialmente, os bancos deverão ser capazes de


propor aos seus clientes uma experiência mais
customizada e intuitiva por intermédio de uma
variedade de canais de comunicação e da constante
análise de informações agregadas nas cadeias
processuais (big data).
A partir desse maior contato com o cliente e da maior disponibilidade de
informações, o banco será capaz de criar e melhor direcionar produtos para os
diferentes segmentos e perfis de clientes existentes.

Assim, o sucesso de um banco nessa nova era digital resultará, em grande medida, da
sua capacidade tecnológica e de análise de dados, além, evidentemente, da sua gama
de produtos.
5. De que forma se dará o investimento em tecnologia,
de acordo com o MIT?
O momento é favorável para o investimento em soluções tecnológicas que habilitem
as instituições financeiras a aderirem à era digital. O avanço da tecnologia ocorre de
forma exponencial ao longo do tempo, na mesma medida em que os seus custos
decrescem, caracterizando uma trajetória de custo marginal que tende a zero.

Dessa forma, apesar do elevado investimento inicial, a maior utilização de


tecnologias como o big data, a criptografia avançada e o constante
compartilhamento de dados através de múltiplas plataformas, se constituirão
importantes elementos para o modelo de negócio daqui para frente uma vez que,
além de conferirem ao cliente um retorno mais ágil e personalizado, proporcionam
um vasto conhecimento da base de usuários e dos seus respectivos hábitos, o que
abre inúmeras oportunidades de novas soluções para a instituição.
Dessa forma, a tendência é que os bancos busquem cada vez mais constituir
estruturas robustas de dados, automatizar e digitalizar os processos de middle e back
office, e adotar altos padrões de segurança, resultando em ciclos de negócios mais
curtos e instituições mais eficientes, ágeis e flexíveis.
6. Neste contexto, como fica a gestão de riscos e a
segurança da informação?
Mas, diante dos benefícios econômicos e sociais e das oportunidades que esse
movimento agrega, o desafio encontra-se em como possibilitar e facilitar as
inovações tecnológicas do setor bancário mantendo-se a previsibilidade e o controle
dos potenciais riscos que um processo dessa natureza inevitavelmente implica.

É fato que a constante análise de dados e a maior automatização dos processos são
benéficos para a redução de fraudes e extravios. Entretanto, é preciso olhar com
muita cautela para os aspectos que permeiam a segurança da informação e as
implicações jurídicas que tal tema carrega.

Sobre a questão da segurança da informação e dos riscos inerentes à


adoção de meios digitais, despontam as incertezas relacionadas à
validade jurídica de documentos eletrônicos, à aceitação de
assinaturas digitais, às soluções de armazenamento e hospedagem na
nuvem e às formas e meios de coleta de dados.
No arcabouço legislativo brasileiro, já existem alguns marcos em direção à
digitalização das atividades financeiras, como a Lei nº 11.419/2006 que dispõe sobre
a informatização de processos judiciais, a MP nº 2.200-2/2001 que versa sobre a
autenticidade de documentos eletrônicos e a assinatura digital, o Decreto nº
8.771/2016 que disciplina sobre a segurança da informação e estabelece padrões e
requisitos mínimos, e o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) que determina
critérios para a devida coleta, tratamento e armazenamento de dados em território
nacional. No que tange aos clientes, é necessário que o segmento esteja atento ao
Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) e às disposições que ele
apresenta sobre a aquisição de serviços que não no estabelecimento comercial do
prestador.
7. Qual é o papel dos órgãos reguladores?
No que tange à observância de normativos, afigura-se absolutamente relevante o
papel da regulação e da supervisão exercida pelo Banco Central e quais são os
limites e as barreiras regulatórias que ainda existem para o avanço da inovação
tecnológica nos bancos.

Restam ainda dúvidas em como


balancear e compatibilizar grande
parte do atual arcabouço regulatório,
originalmente desenhado para o
modelo bancário tradicional, com as
novas plataformas de negócios digitais
e com os potenciais riscos que toda
revolução traz para qualquer indústria.
8. E da Educação Financeira?
A necessidade de se promover a educação
financeira e digital dos usuários dos serviços
bancários torna-se ainda mais importante e
necessária. Cidadãos mais conscientes e
esclarecidos sobre as suas situações e
limitações financeiras resultam em menores
riscos e custos para o sistema como um todo.
9. Como ficam as instituições financeiras de
menor porte neste cenário?
Em razão de atuarem em nichos mais
específicos e por sua própria natureza, o
segmento dos bancos pequenos e médios
desfruta de vantagens ao mostrar-se mais
flexível para absorver essas mudanças que
vêm ocorrendo. Vantagens estas que serão de
vital importância para a obtenção de um
melhor posicionamento estratégico na
indústria bancária.

Tal capacidade, indubitavelmente, resultará


em benefícios para o equilíbrio competitivo
dentro do sistema financeiro brasileiro e,
consequentemente, para os consumidores.
Quem Somos
Criada em 1999, a ABBC Educacional atua na formação
e capacitação de profissionais, especialmente do mercado financeiro.

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