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Vias neurais

P R O F. A D I L S O N V E I G A E S O U Z A
NEUROTRANSMISSORES
• Habitualmente, os neurotransmissores são caracterizados pela
família química à qual pertencem. Assim, temos classes
definidas por uma única molécula, como é o caso da acetilcolina,
até conjuntos químicos bem definidos, como
– Monoaminas:
• catecolaminas: dopamina, noradrenalina, adrenalina
• indolaminas: serotonina e outros derivados
– Aminoácidos: Glutamato, GABA, glicina, aspartato, etc.
– Peptídeos: Opióides, orexinas/hipocretinas, encefalinas, peptídeos de
origem hipofisária, NPY, substância P, etc.
– Purinas: adenosina e ATP
– Gases: NO e CO
– Substâncias de origem lipídica: endocanabinoides, prostaglandinas, etc.
PRINCIPAIS NEUROTRANSMISSORES

NEUROTRANSMISSOR ESTRUTURA QUÍMICA MECANISMO DE AÇÃO LOCALIZAÇÃO COMENTÁRIOS

SNC: Sinapses em todo cérebro e


medula espinal Difundida no SNC e SNP ; mais
Primariamente direta, através da
Acetilcolina ligação a canais quimicamente fechados
SNP: Junções neuromusculares, conhecido e mais estudado dos
junções neuroglandulares, e neurotransmissores
sinapses em gânglios autonômicos
SNC: Córtex cerebral, hipotálamo,
tronco encefálico, cerebelo e medula Envolvido na atenção e
espinal. consciência, controle da
Indireta, através de proteínas G e
Noradrenalina segundos menssageiros
SNP: Muitas junções temperatura corporal, e
neuromusculares e regulação da secreção da
neuroglandulares da divisão hipófise
simpática do SNA
Geralmente tem efeitos
Indireta, através de proteínas G e SNC: tálamo, hipotálamo,
Adrenalina segundos menssageiros mesencéfalo e medula espinal
excitatórios ao longo das vias
autonômicas
Importante nos estados de
atenção, humor, e controle da
Primariamente indireta: proteínas G e SNC: Hipotálamo, sistema límbico, temperatura corporal; várias
Serotonina segundos mensageiros cerebelo, medula espinal e retina drogas alucinógenasc ilícitas,
como Ecstasy , tem como alvo
receptores de serotonina
Indireta: proteínas G e segundos Importante na memória e
mensageiros SNC: córtex cerebral e tronco aprendizagem;
Glutamato Direta: abertura de canais de encefálico neurotransmissor excitatório
cálcio/sódio mais importante no cérebro

Ácido Gama- SNC: córtex cerebral, cerebelo,


Efeito inibitório direto: abre
Direta ou indireta (proteínas G), canais de Cl-
amino-butírico dependendo do tipo de receptor
interneurônios ao longo do cérebro e
Efeitos indiretos: abre canais de
medula espinal
(GABA) K+ e bloqueia a entrada de Ca++
Acetilcolina

• foi o primeiro neurotransmissor identificado


• funciona tanto como neurotransmissor (excitatório)
quanto como neuromodulador
• presente no SNC e SNP, com poucos receptores SNC
• presente nas sinapses neuro-musculares da
musculatura estriada (voluntária)
• inativada pela enzima acetil-colinesterase
Glutamato
• é o neurotransmissor mais comum no
encéfalo
• ação excitatória
• seus receptores estão concentrados no córtex
cerebral (hipocampo, corpo amigdalóide e
núcleos da base) e são particularmente
vulneráveis à excitotoxicidade do ácido
glutâmico
Aspartato

• localizado, primariamente, na medula


espinhal
• neurotransmissor excitatório
• juntamente com a glicina, forma um par
excitatório/inibitório na medula
Glicina
Ácido amino-gama-butírico (GABA)

• presente em grande quantidade no encéfalo


• a concentração cerebral de GABA é cerca de 200-
1000 vezes maior do que a das monoaminas e
acetilcolina
• concentrado na substância negra, núcleo pálido e
substância cinzenta peri-ventricular
• neurotransmissor inibitório
Monoaminas: dopamina

• substância de ação inibitória


• facilita a vigília
• presente no núcleo caudado influenciando a
postura
• presente no núcleo accumbens associada com a
velocidade do animal e sensação de prazer
Monoaminas: dopamina
• presente na substância
negra
• envolvida no controle motor
levado a efeito pelo
striatum (núcleo caudado e
putâmen) que parece
depender de equilíbrio
entre neurônios
dopaminérgicos inibitórios
e neurônios colinérgicos
excitatórios
Monoaminas:
norepinefrina/noradrenalina
• sintetizada a partir da dopamina
• concentração elevada no locus ceruleus da ponte;
estimulação elétrica desta região determina estado de
hiper-alerta
• este sistema é importante no mecanismo da atenção
concentrada
• o locus ceruleus foi identificado como um centro do
prazer e parece contribuir para a ansiedade
Indolaminas: serotonina

• neurotransmissor e neuromodulador do SNC


• a maior concentração é encontrada na glândula
pineal
• neurônios serotoninérgicos podem ser
encontrados nos núcleos da rafe
• sintetizada a partir do aminoácido triptofano
Indolaminas: serotonina
Corpo amigdalóide

Disfunções que têm sido descritas em indivíduos


com lesões do corpo amigdalóide:

prejuízos no reconhecimento de determinadas expressões


emocionais faciais, particularmente o medo

prejuízos na memória para reconhecer faces

dificuldades na identificação da direção do olhar


Corpo amigdalóide

 evidências adicionais da participação do corpo


amigdalóide no processamento de informações
faciais:

 estudos com ressonância magnética funcional em


indivíduos normais mostrando ativação do corpo
amigdalóide em resposta à exposição a expressões
faciais amedrontadoras
Amígdala
É ativada em situações com marcante
significado emocional, como encontros
agressivos ou de natureza sexual; está
também relacionada aos aprendizados
emocionais e ao armazenamento de memórias
efetivas. Ademais, a amígdala é responsável
pela formação da associação entre estímulo e
recompensas.
NEUROMODULADORES
• Peptídeos:
– Hipotalâmicos
• hormônio liberador de tireotropina
• somastatina
• hormônio liberador de hormônio luteinizante
– hipofisários
• Vasopressina (ADH)
• ACTH (hormônio adrenocorticotrópico)
– sistema digestivo
• colecistoquinina (CCK)
• peptídeo intestinal vasoativo (VIP)
• substância P
–outras
• encefalinas
NEUROTRANSMISSORES
Um neurônio pode utilizar mais de
um neurotransmissor nas suas
sinapses. Eles podem estar
armazenados na mesma vesícula
ou em vesículas distintas. Nesse
último caso, padrões de
mobilização diferencial do neurônio
podem selecionar a liberação
seletiva de um dos tipos de
neurotransmissores e,
consequentemente, diferenciar o
efeito exercido sobre um mesmo
alvo pós-sináptico.
NEUROTRANSMISSORES
Um neurônio pode utilizar mais de
um neurotransmissor nas suas
sinapses. Eles podem estar
armazenados na mesma vesícula
ou em vesículas distintas. Nesse
último caso, padrões de
mobilização diferencial do neurônio
podem selecionar a liberação
seletiva de um dos tipos de
neurotransmissores e,
consequentemente, diferenciar o
efeito exercido sobre um mesmo
alvo pós-sináptico.
Grupos de neurônios do tronco encefálico e
mesencéfalo possuem projeções para todo o
sistema nervoso central
(A) Ilustração esquemática do
padrão de projeção difusa dos
neurônios contendo
acetilcolina (acetilcolinérgicos)
no núcleo basilar (de
Meynert), núcleos septais e
núcleos da estria diagonal (de
Broca). Muitos dos axônios
que se projetam para a
formação hipocampal seguem
no fórnice (linha tracejada)
Grupos de neurônios do tronco encefálico e
mesencéfalo possuem projeções para todo o
sistema nervoso central

(B1) Neurônios
dopaminérgicos na
substância negra e área
tegmental ventral. O
amarelo indica a
localização dos neurônios
dopaminérgicos no
hipotálamo.
Grupos de neurônios do tronco encefálico e
mesencéfalo possuem projeções para todo o
sistema nervoso central

(B2) Neurônios
contendo
noradrenalina
(noradrenérgicos)
no locus ceruleus
Grupos de neurônios do tronco encefálico e
mesencéfalo possuem projeções para todo o
sistema nervoso central

(B3) Neurônios
contendo serotonina
(serotoninérgicos)
nos núcleos da rafe
Vias colinérgicas centrais
Os neurônios colinérgicos
centrais são encontrados
principalmente no núcleo
basal de (Meynert) e nos
núcleos septais. Os
neurônios dos núcleos
basais projetam axônios
colinérgicos para o córtex
cerebral e os neurônios
colinérgicos septais
projetam axônios
colinérgicos para a
formação do hipocampo.
Vias colinérgicas centrais
Estas projeções colinérgicas
estão envolvidas na ativação
cortical e na função da
memória, particularmente na
consolidação da memória de
um curto período de tempo.
Estas projeções parecem
frequentemente estarem
danificadas na doença de
Alzheimer. Fármacos que
potencializam a função
colinérgica são usadas para
melhora da memória.
Vias colinérgicas centrais
Outros neurônios
colinérgicos, encontrados no
tegmento do tronco
encefálico, projetam-se para
estruturas no tálamo, no
tronco cerebral e no cerebelo.
As projeções para o tálamo
modulam o despertar e o
ciclo sono-vigília e parecem
ser importantes na iniciação
do sono REM.
Vias colinérgicas centrais
Interneurônios colinérgicos
estão presentes no estriado e
podem participar no controle
dos gânglios basais do tono,
posição e iniciação do
movimento ou seleção de
padrões desejados de
atividade. A acetilcolina é o
principal neurotransmissor
em todos os neurônios pré-
ganglionares autônomos e
nos NMIs na medula espinal
e no tronco encefálico.
Vias dopaminérgicas
Os neurônios dopaminérgicos
(DA) são encontrados no
mesencéfalo e no hipotálamo.
No mesencéfalo, neurônios
na parte compacta da
substância negra projetam
axônios principalmente para
o estriado (núcleo caudado,
putame) e para o globo pálido
e o subtálamo.
Vias dopaminérgicas
A projeção negroestriada é
envolvida nos circuitos
ganglionares basais que
ajudam no planejamento e
execução das atividades
corticais, especialmente no
sistema motor. Dano no
sistema negroestriado
resulta na doença de
Parkinson. Os fármacos
contra doença de Parkinson,
tal como a L-DOPA, têm
como alvo esse sistema e
seus receptores.
Vias dopaminérgicas
Neurônios DA na área
tegmentar ventral e a
formação mesencefálica
enviam projeções
mesolímbicas para o córtex
frontal e algumas áreas de
associação cortical. A via
mesolímbica para o núcleo
accumbens está envolvida na
motivação, recompensa,
impulsos biológicos e
comportamentos aditivos,
particularmente no abuso de
substâncias.
Vias dopaminérgicas
Projeções para estruturas
límbicas podem induzir
comportamentos
estereotipados e atividades
repetitivas. As projeções
mesocorticais influenciam
funções cognitivas no
planejamento e desempenho
de atividades corticais
frontais e nos mecanismos de
atenção.
Vias dopaminérgicas
Os sistemas mesolímbico e
mesocortical e seus
receptores são os alvos dos
agentes neurolépticos e
antipsicóticos que influencias
comportamentos na
esquizofrenia, no transtorno
obsessivo-compulsivo (TOC),
transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade
(TDAH) e outros estados de
comportamento.
Vias dopaminérgicas
Os neurônios DA no
hipotálamo formam a via
dopamina
tuberoinfundibular, a qual
projeta-se do núcleo
arqueado para a zona de
contato da eminência média,
onde a dopamina age como
fator inibidor da prolactina.
Os neurônios DA intra-
hipotalâmicos também
influenciam outras funções
hipotalâmicas
neuroendócrinas e
viscerais/autônomas.
Vias noradrenérgicas
Neurônios noradrenérgicos
no tronco encefálico
projetam-se para as áreas
amplamente difundidas do
SNC. Os neurônios são
encontrados no locos ceruleus
(grupo A6) e em vários
grupos celulares na formação
reticular (tegmento) do bulbo
e da ponte (grupos A1, A2,
A5, A7).
Vias noradrenérgicas
Projeções axonais do locus
ceruleus ramificam-se para o
córtex cerebral, hipocampo,
hipotálamo, cerebelo, núcleos
do tronco encefálico e para a
medula espinal. O locus
ceruleus age como um
modulador da excitabilidade
de outros sistemas de
projeção (incluindo
nocicepção), tais como o
sistema glutamato, e ajuda a
regular a atenção, prontidão
e os cilcos de sono-vigília
Vias noradrenérgicas
Os grupos da formação
reticular estão
interconectados com regiões
da medula espinal, tronco
encefálico, hipotalâmicas e
límbicas envolvidas no
controle neuroendócrino, nas
funções viscerais (regulação
da temératura,
comportamento do comer e
do beber, comportamento
reprodutivo, regulação
autonômica) e no
comportamento emocional.
Vias noradrenérgicas
Um conjunto esparso de
neurônios que contém
epinefrina e na formação
reticular bulbar estão
similarmente
interconectados entre si. Os
grupos da formação reticular
podem trabalhar em
combinação com o locus
ceruleus durante uma
disputa ou em resposta a um
fator estressante para
coordenar prontidão e
adaptar a resposta
apropriada neuroendócrina e
autônoma.
Vias noradrenérgicas
Um conjunto esparso de Os
neurônios centrais
noradrenérgicos e
adrenérgicos e seus
receptores são alvo de muitos
agentes farmacológicos,
incluindo aqueles para
depressão, analgesia e
hipertensão.
Vias serotonérgicas
Os neurônios serotonérgicos
(5-hidroxitriptamina [5-
HT]),encontrados nos núcleos
rafe do tronco encefálico e
asas adjacentes de células,
têm projeções amplamente
difundidas que inervam cada
subdivisão principal do SNC.
Vias serotonérgicas
Os neurônios no núcleo rafe
dorsal e no núcleo central
superior projetam-se
rostralmente para inervar o
córtex cerebral, muitas
estruturas límbicas do
cérebro anterior (hipocampo,
amígdala), os gânglios
basais, muitos núcleos e
áreas hipotalâmicos, e
algumas regiões talâmicas.
Vias serotonérgicas
Os neurônios da rafe magna,
da ponte, pálida e obscura
projetam-se mais
caudalmente para inervar
muitas regiões do tronco
encefálico, o cerebelo e a
medula espinal. As projeções
do núcleo rafe magna para o
corno dorsal da medula
espinal influenciam a
analgesia opiácea e o
processamento da dor.
Vias serotonérgicas
Os sistemas ascendentes
serotonérgicos estão
envolvidos na regulação do
comportamento emocional e
uma ampla gama de funções
hipotalâmicas
(neuroendócrinas,
viscerais/autônomas). Os
neurônios serotonérgicos
estão envolvidos nos ciclos
sono-vigília e param de
disparar durante o sono
REM.
Vias serotonérgicas
Projeções para o córtex
cerebral modulam o
processamento dos impulsos
(inputs) aferentes (p. ex.,
provenientes do córtex
visual). Os neurônios
descendentes serotonérgicos
potencializam os efeitos da
analgesia e são essenciais
para a analgesia opiácea.
Eles também modulam a
excitabilidade neuronal pré-
ganglionar autônoma e
potencializam a
excitabilidade dos NMIs.
Vias serotonérgicas
Muitos agentes
farmacológicos (incluindo
fármacos para tratamento da
depressão, outros estados
comportamentais cognitivos
e emocionais, dores de cabeça
e dor) têm como alvo
neurônios serotonérgicos e
seus receptores.