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ISSN 2238-0574

SAEPI2015
SISTEMA DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL DO PIAUÍ

REVISTA PEDAGÓGICA
LÍNGUA PORTUGUESA
ENSINO MÉDIO
GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ
JOSÉ WELLINGTON BARBOSA DE ARAÚJO DIAS

VICE-GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ


MARGARETE DE CASTRO COELHO

SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ


REJANE RIBEIRO SOUSA DIAS

SUPERINTENDENTE DE GESTÃO - SUPEG


HÉLDER SOUSA JACOBINA

SUPERINTENDENTE DE ENSINO – SUPEN


CARLOS ALBERTO PEREIRA DA SILVA

SUPERINTENDENTE DE ENSINO SUPERIOR


ELLEN GEA DE BRITO MOURA

SUPERINTENDENTE INSTITUCIONAL
JOSÉ BARROS SOBRINHO

DIRETOR ADMINISTRATIVO
RONALD DE MOURA E SILVA

DIRETOR DA UNIDADE DE GESTÃO E PESSOAS


FRANCISCA DE ALMEIDA MASCARENHA

DIRETOR DA UNIDADE FINANCEIRA


DIVALDO CERQUEIRA LINO

DIRETOR DA UNIDADE DE PLANEJAMENTO


SICÍLIA AMAZONAS SOARES BORGES

DIRETOR DE GESTÃO DA REDE FÍSICA


DORIVAL DANÚNZIO ALVES DA SILVA

DIRETORA DA UNIDADE DE ENSINO E APRENDIZAGEM – UNEA


RIZALVA CARDOSO

DIRETORA DA UNIDADE DE GESTÃO E INSPEÇÃO ESCOLAR – UGIE


ANA REJANE DA COSTA BARROS

DIRETORA DA UNIDADE DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – UEJA


CONCEIÇÃO DE MARIA ANDRADE SOUSA E SILVA

DIRETORA DA UNIDADE DE EDUCAÇÃO TÉCNICA E PROFISSIONAL – UETEP


ADRIANA DE MOURA ELIAS SILVA

COMISSÃO COORDENADORA DO SAEPI/COMISSÃO DE ENSINO MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO:


ALZIRA MARIA LOPES SANTOS
EDINEIDE CANTUÁRIO COSTA
ELIZABETH DA COSTA MACHADO
KARLA CELENE DE SOUSA RAMOS
ROSÂNGELA MONTEIRO DA SILVA RAMOS
RUTH CARVALHO DE OLIVEIRA
Apresentação
A educação é um processo continuo que demanda fios a serem enfrentados e os elementos que deverão
uma constante atualização dos objetivos pretendidos e ser previstos nos próximos planos de ação.
as condições para sua efetivação. neste sentido, a Se- Para tanto, apresentamos a você, professor (a), ges-
cretaria de Educação do Piauí (SEDuC) reconhecendo a tor, servidor, aluno e demais membros da comunidade
importância da avaliação institucional como forma de es- escolar, os resultados do SAEPI/2015, sobre o desenvol-
tabelecer parâmetros de qualidade e subsidiar a prática vimento das habilidades/competências nas disciplinas
educativa, assume o seu papel de avaliar e monitorar o de Língua Portuguesa e Matemática, envolvendo alunos
trabalho pedagógico de toda a Rede Estadual de Ensino. do 9º ano do Ensino Fundamental e das 1ª, 2ª e 3ª séries
Desse modo, a SEDuC, em parceria com a univer- do Ensino Médio, para que, a partir dos índices revela-
sidade Federal de Juiz de Fora (Mg), através do Centro dos, possamos redimensionar o trabalho pedagógico de
de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAED) modo a fortalecer os aspectos positivos e minimizar os
desde 2011 avalia e monitora de maneira intencional e aspectos negativos.
sistemática a correlação entre os dados levantados pela Espera-se que diante dos resultados obtidos com a
avaliação e suas implicações na melhoria da educação avaliação, amplie-se a visão inicial do processo educacional
no Estado do Piauí. Por meio da interpretação dos resul- e consiga-se estabelecer relações mais amplas, de modo
tados, da identificação das potencialidades e fragilida- a visualizar os fatores potenciais para proposição de alter-
des que cercam o processo de ensino e aprendizagem nativas de ação, segundo as necessidades dos estudantes,
é possível identificar os avanços conquistados, os desa- bem como os direitos assegurados na Constituição Federal.

Rejane Ribeiro Sousa Dias


Secretária de Educação do Estado do Piauí
SUMÁRIO

10 13 18
POR QUE AVALIAR A O QUE É AVALIADO COMO É A AVALIAÇÃO
EDUCAÇÃO NO PIAUÍ? NO SAEPI? NO SAEPI?
48 50 56
COMO SÃO COMO A ESCOLA QUE ESTRATÉGIAS
APRESENTADOS OS PODE SE APROPRIAR PEDAGÓGICAS PODEM
RESULTADOS DO DOS RESULTADOS DA SER UTILIZADAS
SAEPI? AVALIAÇÃO? PARA DESENVOLVER
DETERMINADAS
HABILIDADES?
Caro(a) Esta é a Revista Pedagógica da co-
leção de divulgação dos resultados do
SAEPI 2015.

Educador Para um melhor entendimento das


informações fornecidas por esses resul-
tados, é muito importante responder às
perguntas seguintes.
1
POR QUE AVALIAR A EDUCAÇÃO NO PIAUÍ?

2
O QUE É AVALIADO NO SAEPI?

3
COMO É A AVALIAÇÃO NO SAEPI?

4
COMO SÃO APRESENTADOS OS RESULTADOS DO SAEPI?
1
POR QUE AVALIAR A
EDUCAÇÃO NO PIAUÍ?

Com o intuito de compreender os objetivos da Avaliação Externa


em Larga Escala, é preciso esclarecer seus pressupostos, seus ques-
tionamentos e suas aplicações.
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Se a avaliação não
As avaliações externas em lar- Inicialmente, a expansão dos siste- estivesse apta a
ga escala e a atividade docente mas estaduais e municipais de avaliação, dialogar com as
As avaliações externas em larga aguda no Brasil dos anos 2000, poderia
escolas, tomadas
escala se destinam, por suas próprias ser atribuída àquilo que elas, as avalia-
características e concepção, à avaliação ções, podem oferecer aos gestores das
em si, na figura dos
das redes de ensino. As metodologias redes de ensino: informações capazes gestores escolares
que adotam, bem como a amplitude de de dar suporte a ações de amplo alcance, e dos professores,
sua aplicação, permitem a construção de tendo em vista os problemas que afetam os sistemas
diagnósticos macroeducacionais, que di- toda a rede. De fato, esse é um elemento
de avaliação
zem respeito à rede de ensino como um sem o qual não podemos compreender
todo, e não apenas a escolas e alunos a importância que a avaliação externa ad-
jamais teriam
específicos. Isso fez com que a avalia- quiriu no cenário educacional brasileiro. experimentado o
ção em larga escala, ao longo do tempo, Mas tal importância, é fundamental desenvolvimento
tenha se apresentado e se consolidado que se ressalte, não foi conquistada que tiveram nas
como um poderoso instrumento a serviço apenas em função do que um sistema
últimas décadas no
da gestão das redes, fornecendo subsí- de avaliação em larga escala é capaz
dios para a tomada de decisões por parte de oferecer aos gestores das redes de
Brasil.
dos gestores. ensino. Se a avaliação não estivesse
O uso dos resultados desse tipo apta a dialogar com as escolas, toma-
de avaliação por parte da gestão está das em si, na figura dos gestores esco-
relacionado, justamente, ao fato de os lares e dos professores, os sistemas de
redes de ensino não implica que os sis-
sistemas de avaliação serem em larga avaliação jamais teriam experimentado
temas de avaliação em larga escala não
escala. Como os diagnósticos obtidos o desenvolvimento que tiveram nas últi-
forneçam informações que possam ser,
permitem a identificação de problemas mas décadas no Brasil.
depois de um processo de entendimento
em toda a rede, e não apenas em as- Essa concepção pode parecer, à pri-
e reflexão, utilizadas pelos gestores esco-
pectos pontuais, que são tangentes meira vista, difícil de ser compreendida.
lares e pelos professores.
a uma ou outra escola, os sistemas A avaliação em larga escala, conforme
A utilização dos resultados da ava-
de avaliação se tornaram importantes ressaltado anteriormente, se destina à
liação pelos professores enfrenta dois
para que políticas públicas educacio- produção de diagnósticos relativos a re-
problemas, primordialmente, para que
nais pudessem ser planejadas e exe- des de ensino, ou seja, seu viés é amplo,
possa se tornar uma prática mais di-
cutadas com base em evidências. Po- e não centrado em escolas específicas.
fundida nas escolas. O primeiro deles
líticas públicas em educação, por sua Por isso, suas características parecem
diz respeito ao desconhecimento em
própria natureza, não são desenhadas mais ajustadas às atividades desempe-
relação às avaliações em larga escala,
para enfrentar problemas de uma única nhadas por tomadores de decisão que
ao passo que o segundo, correlato ao
escola. Seu alcance, que legitima sua se encontram fora do ambiente escolar
primeiro, mas mais específico, está re-
existência, deve ser mais amplo. Foi propriamente dito, do que àquelas de-
lacionado à confusão entre avaliação
especialmente em função disso que a sempenhadas pelos professores.
externa e a avaliação interna.
avaliação em larga escala pôde encon- Apesar disso, o fato de ter seu foco
trar terreno fértil para se desenvolver. na produção de diagnósticos sobre as

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SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

O desconhecimento em relação às desconhecimento possui inúmeras ori- externo no lugar da avaliação que realiza
avaliações externas, tangente às suas ca- gens, tais como a ausência da temática em sala de aula, como se esta última pu-
racterísticas, aos métodos utilizados para nos processos de formação de profes- desse ser absolutamente substituída por
sua aplicação, às suas limitações, às suas sores, a parca divulgação dos sistemas aquela. Por vezes, tal substituição é vista
potencialidades, à forma como seus resul- de avaliação, quando de sua criação, pelo professor com bons olhos, pois que
tados são produzidos e divulgados, entre questões de natureza ideológica, entre se trata da utilização de um instrumento
outros fatores, fazem com que elas sejam outras. O processo de divulgação dos que já está pronto. Em outros casos, pa-
percebidas como instrumentos pouco resultados da avaliação, do qual a pre- rece, a seus olhos, que se trata de uma
acessíveis aos atores escolares, ou mes- sente publicação faz parte, busca justa- imposição.
mo equivocados ou inadequados para mente contornar o problema do desco- Nenhuma das duas leituras contem-
lidar com o ambiente escolar. Associada nhecimento. pla, com clareza e precisão, as relações
a esse desconhecimento está uma série Quanto à confusão entre a avalia- que a avaliação externa e a avaliação
de críticas que as avaliações recebem, ção externa e a avaliação interna, cuja interna podem estabelecer. Não sen-
mais em virtude dos usos dados a seus origem, em grande parte, pode ser do antagônicas e nem equivalentes,
resultados, do que em função dos instru- atribuída também ao desconhecimen- avaliações externas e internas, se bem
mentos em si. to acerca dos sistemas de avaliação, a compreendidas, se apresentam como
Não conhecer bem o instrumento é mesma faz com que as relações entre complementares. Destinados a objetivos
o primeiro passo para não utilizá-lo. Esse esses dois tipos de avaliação sejam e objetos diferentes, esses dois instru-
percebidas, muitas vezes, a partir de mentos produzem informações distintas
dois enfoques. De um lado, as avalia- sobre as escolas e sobre os alunos. As-
ções externas são entendidas, pelos sim, o professor, e não apenas o gestor
professores, como instrumentos que, de rede ou gestor escolar, pode se valer
por serem padronizados, desconside- dos diagnósticos da avaliação externa
Não sendo ram as peculiaridades do contexto de para informar sua ação. Não para a cria-
cada escola, produzindo diagnósticos ção de políticas públicas de amplo alcan-
antagônicas e
distantes da realidade escolar e com ce, mas para um fim tão virtuoso quanto:
nem equivalentes, pouco diálogo em relação ao trabalho a alteração ou reforço de suas práticas
avaliações externas dos professores. Assim, a avaliação pedagógicas, tendo em vista a oferta de
e internas, se bem externa, desconhecedora do chão da uma educação de qualidade para os alu-
compreendidas, se escola, se apresentaria como um instru- nos.
mento antagônico à avaliação interna, A leitura do presente material for-
apresentam como
realizada pelo professor e adequada à necerá os passos para que essa re-
complementares. realidade dos alunos. lação complementar seja percebida,
Quando não é tratada a partir do en- apontando caminhos para que profes-
foque do antagonismo, a avaliação exter- sores utilizem os resultados oriundos
na é pensada como equivalente da ava- das avaliações em larga escala.
liação interna. Desta forma, o raciocínio Sendo assim, boa leitura e mãos à
construído pelo professor gira em torno obra!
da possibilidade de usar o instrumento

12
2
O QUE É AVALIADO
NO SAEPI?

Para que qualquer processo avaliativo alcance seu objetivo


– fornecer dados fidedignos sobre o desempenho dos aluno–
é necessário, antes de tudo, definir o que será avaliado.
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Matriz de Referência

O Tópico agrupa um conjunto de


habilidades, indicadas pelos descrito-
res, que possuem afinidade entre si.

O QUE É UMA MATRIZ DE


REFERÊNCIA?

As Matrizes de Referência registram os


conteúdos que se pretende avaliar nos tes-
tes do SAEPI. É sempre importante lembrar
que as Matrizes de Referência consistem em
“recortes” do Currículo, ou Matriz Curricular: Os Descritores descrevem as ha-

uma avaliação em larga escala não verifica o bilidades que serão avaliadas por meio

desempenho dos alunos em todos os con- dos itens que compõem os testes de

teúdos abarcados pelo Currículo, mas, sim, uma avaliação em larga escala.

naquelas habilidades consideradas mínimas


e essenciais para que os discentes avancem
em sua trajetória educacional.
Como o próprio nome diz, as Matrizes
de Referência apresentam os conhecimen-
tos e as habilidades para cada etapa de
escolaridade avaliada. Ou seja, elas espe-
cificam o que será avaliado, tendo em vista
as operações mentais desenvolvidas pelos
alunos em relação aos conteúdos escolares,
passíveis de serem aferidos pelos testes de
proficiência. No âmbito do SAEPI, o que se
pretende avaliar está descrito nas Matrizes
de Referência desses programas.

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Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Confira a Matriz de Referência de Língua Portuguesa do Ensino Médio

MATRIZ DE REFERÊNCIA DE LÍNGUA PORTUGUESA - SAEPI


1º ANO DO ENSINO MÉDIO

I.PROCEDIMENTOS DE LEITURA

D1 Localizar informações explícitas em um texto.

D3 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

D4 Inferir uma informação implícita em um texto.

D6 Identificar o tema de um texto.

D14 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.

II. IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO

D5 Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, foto, etc.)

D12 Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

III. RELAÇÃO ENTRE TEXTOS

Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições
D20 em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido.

D21 Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema.

IV. COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO

D2 Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.

D7 Identificar a tese de um texto.

D8 Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.

D9 Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto.

D10 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.

D11 Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.

D15 Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

V. RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO

D16 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

D17 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

D18 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão.

D19 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.

VI. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

D13 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

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MATRIZ DE REFERÊNCIA DE LÍNGUA PORTUGUESA - SAEPI


2º ANO DO ENSINO MÉDIO

I.PROCEDIMENTOS DE LEITURA

D1 Localizar informações explícitas em um texto.

D3 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

D4 Inferir uma informação implícita em um texto.

D6 Identificar o tema de um texto.

D14 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.

II. IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO

D5 Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, foto, etc.)

D12 Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

III. RELAÇÃO ENTRE TEXTOS

Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições
D20 em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido.

D21 Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema.

IV. COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO

Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um
D2 texto.

D7 Identificar a tese de um texto.

D8 Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.

D9 Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto.

D10 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.

D11 Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.

D15 Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

V. RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO

D16 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

D17 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

D18 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão.

D19 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.

VI. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

D13 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

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Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

MATRIZ DE REFERÊNCIA DE LÍNGUA PORTUGUESA - SAEPI


3º ANO DO ENSINO MÉDIO

I.PROCEDIMENTOS DE LEITURA

D1 Localizar informações explícitas em um texto.

D3 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

D4 Inferir uma informação implícita em um texto.

D6 Identificar o tema de um texto.

D14 Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.

II. IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO

D5 Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, foto, etc.)

D12 Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

III. RELAÇÃO ENTRE TEXTOS

Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições
D20 em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido.

D21 Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema.

IV. COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO

Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um
D2 texto.

D7 Identificar a tese de um texto.

D8 Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.

D9 Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto.

D10 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.

D11 Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.

D15 Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

V. RELAÇÕES ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO

D16 Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

D17 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

D18 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão.

D19 Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.

VI. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

D13 Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

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COMO É A AVALIAÇÃO NO
SAEPI?

Estabelecidas as habilidades a serem avaliadas, por


meio das Matrizes de Referência, passamos a definir como
serão elaborados os testes do SAEPI.
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

ITEM

O primeiro passo é elaborar os itens que comporão os testes.

O que é um
item?
ENUNCIADO Leia o texto abaixo.
O item é uma ques-
Curaçao, um simpático e colorido paraíso tão utilizada nos testes
Há uma lenda que explica a razão de Curaçao ser uma ilha tão colorida. Consta que das avaliações em larga
um governador, há muitos anos, sentia dores de cabeça terríveis por todas as construções
serem pintadas de branco e refletirem muito a luz do sol. Ele teria então sugerido algo a escala
seus conterrâneos: colocar outras cores nas fachadas de suas residências e comércios;
5 ele mesmo passaria a usar o amarelo em todas as construções que tivessem a ver com o
governo. E assim nasceu o colorido dessa simpática e pequena ilha do Caribe.

SUPORTE
E quem se importa se a história é mesmo real? Todo o colorido de Punda e Otrobanda
combina perfeitamente com os muitos tons de azul que você vai aprender a reconhecer no
mar que banha Curaçao, nos de branco, presentes na areia de cada uma das praias de
Como é
10 cartão-postal, ou nos verdes do corpo das iguanas, o animal símbolo da ilha.
Acostume-se, aliás, a encontrar bichinhos pela ilha. Sejam grandes como os golfinhos e elaborado
focas do Seaquarium, os lagartos que vivem livres perto das cavernas Hato, ou os muitos
peixes que vão cercar você assim que entrar nas águas da lindíssima praia de Porto Mari.
Tudo em Curaçao parece querer dar um “oi” para o visitante assim que o avista.
um item?
15 A ilha, porém, tem mais do que belezas naturais. Descoberta apenas um ano antes do
Brasil, Curaçao também teve um histórico [...] que rendeu ao destino uma série de atrações
[...], como o museu Kura Hulanda, ou as Cavernas Hato. [...] O item se caracteri-
Disponível em: <http://zip.net/bhq1CS>. Acesso em: 11 out. 2013. Fragmento. (P070104F5_SUP)
za por avaliar uma única
COMANDO (P070105F5) De acordo com esse texto, qual é o animal símbolo da ilha?
A) A foca. habilidade, indicada por
B) A iguana.
C) O golfinho. um descritor da Matriz
D) O lagarto.
de Referência do teste.
GABARITO
O item, portanto, é unidi-
mensional.

ALTERNATIVAS DE
RESPOSTA

1. Enunciado – estímulo para que o aluno mobilize re- 4. Distratores – alternativas incorretas, mas plausíveis
cursos cognitivos, visando solucionar o problema – os distratores devem referir-se a raciocínios pos-
apresentado. síveis.

2. Suporte – texto, imagem e/ou outros recursos que 5. Gabarito – alternativa correta.
servem de base para a resolução do item. Os itens
Após a elaboração dos itens, passamos à organi-
de Matemática e de Alfabetização podem não
zação dos cadernos de teste.
apresentar suporte.

3. Comando – texto necessariamente relacionado à


habilidade que se deseja avaliar, delimitando com
clareza a tarefa a ser realizada.

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SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

CADERNO DE TESTE

Como é organizado um caderno de teste? CADERNO DE TESTE

A definição sobre o número de itens é crucial para a composição


dos cadernos de teste. Por um lado, o teste deve conter muitos itens,
pois um dos objetivos da avaliação em larga escala é medir de forma
abrangente as habilidades essenciais à etapa de escolaridade que será
avaliada, de forma a garantir a cobertura de toda a Matriz de Referência
adotada. Por outro lado, o teste não pode ser longo, pois isso inviabiliza
sua resolução pelo aluno. Para solucionar essa dificuldade, é utilizado
um tipo de planejamento de testes denominado Blocos Incompletos Ba-
lanceados – BIB .

O que é um BIB – Bloco Incompleto Balanceado?

No BIB, os itens são organizados em blocos. Alguns desses blocos


formam um caderno de teste. Com o uso do BIB, é possível elaborar mui-
tos cadernos de teste diferentes para serem aplicados a alunos de uma
mesma série. Podemos destacar duas vantagens na utilização desse mo-
delo de montagem de teste: a disponibilização de um maior número de
itens em circulação no teste, avaliando, assim, uma maior variedade de
habilidades; e o equilíbrio em relação à dificuldade dos cadernos de teste,
uma vez que os blocos são inseridos em diferentes posições nos cader-
nos, evitando, dessa forma, que um caderno seja mais difícil que outro.

Que são distribuídos em


Itens São organizados em blocos
cadernos

CADERNO DE TESTE

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Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Verifique a composição dos cadernos de teste do Ensino Médio:

Língua Portuguesa Matemática

91 x 91 x

91 itens divididos em: 7 blocos de Língua 91 itens divididos em: 7 blocos de


Portuguesa com 13 itens cada matemática com 13 itens cada

7x 7x

2 blocos (26 itens) de Língua Portuguesa 2 blocos (26 itens) de Matemática

formam um caderno com 4 blocos (52 itens)

CADERNO DE TESTE

21x

Ao todo, são 21 modelos


diferentes de cadernos.

21
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

TEORIA DE RESPOSTA AO ITEM (TRI)


ETEORIA CLÁSSICA DOS TESTES (TCT)

Existem, principalmente, duas formas de produzir a medida


de desempenho dos alunos submetidos a uma avaliação ex-
terna em larga escala: (a) a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e
(b) a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Os resultados analisados a partir da Teoria Clássica dos Tes-
tes (TCT) são calculados de uma forma muito próxima às ava-
liações realizadas pelo professor em sala de aula. Consis- Ao desempenho do aluno nos tes-
tem, basicamente, no percentual de acertos em relação ao tes padronizados é atribuída uma pro-
total de itens do teste, apresentando, também, o percentual ficiência, não uma nota
de acerto para cada descritor avaliado.

Teoria de Resposta ao Item (TRI)


A Teoria de Resposta ao Item (TRI), por sua vez, permite a produção
de uma medida mais robusta do desempenho dos alunos, porque
leva em consideração um conjunto de modelos estatísticos capa-
zes de determinar um valor/peso diferenciado para cada item que
o aluno respondeu no teste de proficiência e, com isso, estimar o
que o aluno é capaz de fazer, tendo em vista os itens respondidos
corretamente.

Não podemos medir diretamente o conhecimento


ou a aptidão de um aluno. Os modelos matemáti-
cos usados pela TRI permitem estimar esses traços
não observáveis.

A TRI NOS PERMITE:

Comparar resultados Avaliar com alto grau de Comparar os resultados


de diferentes avalia- precisão a proficiência de entre diferentes séries,
ções, como o Saeb. alunos em amplas áreas como o início e fim do En-
de conhecimento sem sino Médio.
submetê-los a longos tes-
tes.

22
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

A proficiência relaciona o conhecimento


do aluno com a probabilidade de acerto nos
itens dos testes.

Cada item possui um grau


de dificuldade próprio e parâ-
metros diferenciados, atribuídos
através do processo de calibra-
ção dos itens.

A proficiência é estimada considerando o padrão de respostas dos


alunos, de acordo com o grau de dificuldade e com os demais parâme-
tros dos itens.

Que parâmetros são esses?


Parâmetro A Parâmetro B Parâmetro C
Discriminação Dificuldade Acerto ao acaso
Capacidade de um item de Mensura o grau de dificuldade Análise das respostas do aluno
discriminar os alunos que de- dos itens: fáceis, médios ou di- para verificar o acerto ao acaso
nas respostas.
senvolveram as habilidades fíceis.
Ex.: O aluno errou muitos itens
avaliadas e aqueles que não Os itens são distribuídos de for-
de baixo grau de dificuldade e
as desenvolveram. ma equânime entre os diferen-
acertou outros de grau elevado
tes cadernos de testes, o que (situação estatisticamente impro-
possibilita a criação de diversos vável).
cadernos com o mesmo grau O modelo deduz que ele res-
de dificuldade. pondeu aleatoriamente às ques-
tões e reestima a proficiência
para um nível mais baixo.

23
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

ESCALA DE PROFICIÊNCIA - LÍNGUA PORTUGUESA

O que é uma Escala de Proficiência?

A Escala de Proficiência tem o objetivo de traduzir espécie de régua em que os valores de proficiência ob-
medidas de proficiência em diagnósticos qualitativos do tidos são ordenados e categorizados em intervalos, que
desempenho escolar. Ela orienta, por exemplo, o trabalho indicam o grau de desenvolvimento das habilidades para
do professor com relação às competências que seus alu- os alunos que alcançaram determinado nível de desem-
nos desenvolveram, apresentando os resultados em uma penho.

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS DESCRITORES

Identifica letras

Reconhece convenções gráficas


APROPRIAÇÃO DO
*
SISTEMA DA ESCRITA
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

Localiza informação D1

Identifica tema D6
ESTRATÉGIAS
DE LEITURA
Realiza inferência D3, D4, D5, D16, D17, D18 e D19

Identifica gênero, função e destinatário de um texto D12

Estabelece relações lógico-discursivas D2, D9, D11 e D15

Identifica elementos de um texto narrativo D10

PROCESSAMENTO
Estabelece relações entre textos D20
DO TEXTO

Distingue posicionamentos D7, D8, D14 e D21

Identifica marcas linguísticas D13

PADRÕES DE DESEMPENHO - ENSINO MÉDIO

* As habilidades relativas a essas competências são avaliadas nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

24
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Os resultados dos alunos nas avaliações em larga escala da A gradação das cores indica a
Educação Básica realizadas no Brasil usualmente são inseridos em complexidade da tarefa.

uma mesma Escala de Proficiência, estabelecida pelo Sistema Na-


cional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Como permitem or-
denar os resultados de desempenho, as Escalas são ferramentas

muito importantes para a interpretação desses resultados. Abaixo do Básico
Os professores e toda a equipe pedagógica da escola podem
verificar as habilidades já desenvolvidas pelos alunos, bem como Básico

aquelas que ainda precisam ser trabalhadas, em cada etapa de


Adequado
escolaridade avaliada, por meio da interpretação dos intervalos da
Escala. Desse modo, os educadores podem focalizar as dificulda-
Avançado
des dos alunos, planejando e executando novas estratégias para
aprimorar o processo de ensino e aprendizagem.

0 25 50 75 100 125 150 175 200 225 250 275 300 325 350 375 400 425 450 475 500















25
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Como é a Estrutura da Escala de Proficiência?


Na primeira coluna da Escala, são apresentados As competências estão dispostas nas várias linhas
os grandes Domínios do conhecimento em Língua da Escala. Para cada competência, há diferentes graus
Portuguesa, para toda a Educação Básica. Esses Do- de complexidade, representados por uma gradação de
mínios são agrupamentos de competências que, por cores, que vai do amarelo-claro ao vermelho. Assim, a
sua vez, agregam as habilidades presentes na Matriz cor mais clara indica o primeiro nível de complexidade da
de Referência. Nas colunas seguintes são apresenta- competência, passando pelas cores/níveis intermediá-
das, respectivamente, as competências presentes na rios e chegando ao nível mais complexo, representado
Escala de Proficiência e os descritores da Matriz de pela cor mais escura.
Referência a elas relacionados.

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS DESCRITORES

Identifica letras

Reconhece convenções gráficas


APROPRIAÇÃO DO
SISTEMA DA ESCRITA *
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

PADRÕES DE DESEMPENHO - ENSINO MÉDIO

As informações presentes na Escala de Proficiência podem ser interpretadas


de três formas:

Primeira
Perceber, a partir de um determinado Tópico, o grau de complexidade das
competências a ele associadas, através da gradação de cores ao longo da Es-
cala. Desse modo, é possível analisar como os alunos desenvolvem as habilida-
des relacionadas a cada competência e realizar uma interpretação que oriente o
planejamento do professor, bem como as práticas pedagógicas em sala de aula.

26
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Na primeira linha da Escala de Proficiência, podem ser observados, numa


escala numérica de 0 a 500, intervalos divididos em faixas de 25 pontos. Cada
intervalo corresponde a um nível e um conjunto de níveis forma um Padrão de
Desempenho. Esses Padrões são definidos pela Secretaria Estadual de Educa-
ção do Piauí (SEDUC) e representados em cores diversas. Eles trazem, de forma
sucinta, um quadro geral das tarefas que os alunos são capazes de fazer, a partir
do conjunto de habilidades que desenvolveram.

0 25 50 75 100 125 150 175 200 225 250 275 300 325 350 375 400 425 450 475 500






Segunda Terceira
Ler a Escala por meio dos Padrões Interpretar a Escala de Proficiência a
e Níveis de Desempenho, que apresen- partir do desempenho de cada instância
tam um panorama do desenvolvimento avaliada: estado, Gerência Regional de
dos alunos em determinados intervalos. Educação (GRE) e escola. Desse modo,
Assim, é possível relacionar as habilida- é possível relacionar o intervalo em que
des desenvolvidas com o percentual de a escola se encontra ao das demais ins-
alunos situado em cada Padrão. tâncias.

27
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

PADRÕES DE DESEMPENHO ESTUDANTIL

O que são Padrões de Desempenho?


Os Padrões de Desempenho constituem uma caracterização das competências e habilidades desenvolvidas pelos
alunos de determinada etapa de escolaridade, em uma disciplina / área de conhecimento específica.
Essa caracterização corresponde a intervalos numéricos estabelecidos na Escala de Proficiência (vide p. 24). Esses
intervalos são denominados Níveis de Desempenho, e um agrupamento de níveis consiste em um Padrão de Desempenho.
Quais são os Padrões de Desempenho definidos para o SAEPI 2015 e quais suas características gerais?”

Padrão de Desempenho muito Abaixo do Básico esperado para


a etapa de escolaridade e área do conhecimento avaliadas. Para os
ABAIXO DO BÁSICO alunos que se encontram nesse padrão de desempenho, deve ser
Até 225 pontos
dada atenção especial, exigindo uma ação pedagógica intensiva por
parte da instituição escolar.

Padrão de Desempenho Básico, caracterizado por um processo


inicial de desenvolvimento das competências e habilidades corres-
BÁSICO pondentes à etapa de escolaridade e área do conhecimento avalia-
De 225 até 275 pontos
das

Padrão de Desempenho Adequado para a etapa e área do co-


nhecimento avaliadas. Os alunos que se encontram nesse padrão,
ADEQUADO demonstram ter desenvolvido as habilidades essenciais referentes à
De 275 até 325 pontos
etapa de escolaridade em que se encontram

Padrão de Desempenho Avançado para a etapa e área de co-


nhecimento avaliadas. Os alunos que se encontram nesse padrão
AVANÇADO demonstram desempenho além do esperado para a etapa de esco-
Acima de 325 pontos
laridade em que se encontram.

Apresentaremos, a seguir, as descrições das habilidades relativas aos Níveis de Desempenho dNão se aplica ao en-
sino médio do Ensino Ensino Médio, em Língua Portuguesa, de acordo com a descrição pedagógica apresentada pelo
Inep, nas Devolutivas Pedagógicas da Prova Brasil, e pelo CAEd, na análise dos resultados do SAEPI 2015.
Esses Níveis estão agrupados por Padrão de Desempenho e vêm acompanhados por exemplos de itens. Assim, é pos-
sível observar em que Padrão a escola, a turma e o aluno estão situados e, de posse dessa informação, verificar quais são
as habilidades já desenvolvidas e as que ainda precisam de atenção.

28
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

ABAIXO DO BÁSICO

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS 25 50 75 100 125 150 175 200 225

Identifica letras

APROPRIAÇÃO DO
Reconhece convenções gráficas


SISTEMA DA ESCRITA
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

Localiza informação

ESTRATÉGIAS
Identifica tema


DE LEITURA
Realiza inferência

Identifica gênero, função e destinatário de um texto



Estabelece relações lógico-discursivas

Identifica elementos de um texto narrativo

PROCESSAMENTO
DO TEXTO
Estabelece relações entre textos

Distingue posicionamentos

Identifica marcas linguísticas


Até 225 pontos

29
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Nível de desempenho 1
Até 225 pontos

»» Inferir características de personagem em fábulas e ação de persona-


gem em crônica.
»» Inferir informação a respeito do eu lírico em letra de música.
»» Inferir o sentido de palavra, o sentido de expressão em letra de música.
»» Identificar o assunto principal em reportagens.
»» Reconhecer expressões características da linguagem (científica, jorna-
lística, etc.) e a relação entre expressão e seu referente em reportagens
e artigos de opinião.
»» Inferir o efeito de sentido de expressão e opinião em crônicas e reportagens.

Leia o texto abaixo.

Muito antes do celular

Basta olhar com um pouquinho de atenção para o mundo à nossa volta e fica fácil
perceber: as tecnologias de comunicação estão cada vez mais presentes em nossas vidas.
Telefones celulares com mil e uma funções, internet rápida, tablets, conexão sem fio...
Enviar e receber informações é o que está por trás de todas essas invenções.
5 Cerca de 400 anos atrás, para uma mensagem sair de um lugar e chegar a outro, ela
precisava ser escrita em um papel, que era transportado por um mensageiro do lugar onde
a coisa aconteceu até o lugar onde estava a pessoa que seria informada sobre aquilo.
Uma das maiores invenções humanas, o sistema de correios – surgido na Inglaterra
no final do século 17 – permitiu dividir os custos de todas as mensagens trocadas, pois o
10 mesmo mensageiro podia entregar vários bilhetes. [...]
No mesmo século, a invenção dos jornais tornou possível receber informações sobre
muitas coisas diferentes, que haviam acontecido em lugares diversos. Todas eram
transmitidas ao mesmo tempo, graças a uma central (o jornal) que recebia cartas de
correspondentes em diversos lugares, o tempo todo.
15 Só que, apesar desses dois grandes avanços na forma como as informações podiam ser
compartilhadas, as mensagens ainda dependiam da velocidade dos meios de transporte
para chegar ao seu destinatário, fosse uma pessoa ou um jornal.
A saída inovadora e revolucionária para esse problema foi a invenção da telegrafia (tele
quer dizer “a distância”, e grafia significa “escrita”). Foram elaborados sistemas de semáforos
20 em que letras são formadas por bandeirolas dispostas de maneiras específicas. [...]
A partir do final do século 18, na França, foram instaladas “linhas” de semáforos, capazes
de transmitir mensagens ao longo de centenas de quilômetros. [...] Já em meados do século
19, a descoberta da indução eletromagnética permitiu ligar dois pontos muito distantes por
um fio condutor de eletricidade, dando origem à telegrafia por fio. [...]
25 Com o desenvolvimento desta tecnologia, foi possível deitar cabos no leito dos oceanos,
conectando todo o mundo através do telégrafo. E esse foi o ponto de partida para o
surgimento de meios de comunicação como telefone, rádio e TV. [...]
Disponível em: <http://chc.cienciahoje.uol.com.br/muito-antes-do-celular/>. Acesso em: 26 ago. 2013. Fragmento. (P090321F5_SUP)

(P090321F5) Qual é o assunto desse texto?


A) A evolução das tecnologias de comunicação.
B) A forma de funcionamento do telégrafo.
C) A importância das tecnologias de comunicação.
D) A invenção do sistema de correios.

30
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Esse item avalia a habilidade de os alunos inferirem o assunto de um texto.


Como suporte para a tarefa foi utilizado um texto informativo, com várias referên-
cias históricas sobre as transformações sofridas pelos meios de comunicação.
A presença de termos relacionados ao campo das tecnologias da comunicação
pode ser um dificultador para os respondentes.
O assunto é o eixo sobre o qual o texto se estrutura e sua percepção é uma
das habilidades mais essenciais para a leitura. Nesse texto, o assunto não vem
explicitamente marcado, nem mesmo no título, por isso deve ser percebido pe-
los alunos pela forma como as informações estão organizadas, construindo uma
sequência histórica das telecomunicações. Na sequência, é preciso selecionar
entre as alternativas, aquela que sintetiza a temática abordada, apontando, assim,
letra A como gabarito.

31
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

BÁSICO

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS 225 250 275

Identifica letras

APROPRIAÇÃO DO
Reconhece convenções gráficas


SISTEMA DA ESCRITA
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

Localiza informação

ESTRATÉGIAS
Identifica tema


DE LEITURA
Realiza inferência

Identifica gênero, função e destinatário de um texto



Estabelece relações lógico-discursivas

Identifica elementos de um texto narrativo

PROCESSAMENTO
DO TEXTO
Estabelece relações entre textos

Distingue posicionamentos

Identifica marcas linguísticas


De 225 a 275 pontos

32
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Nível de desempenho 2
De 225 a 250 pontos

»» Localizar informações explícitas em fragmentos de romances e crônicas.


»» Identificar tema e assunto em poemas e charges, relacionando elemen-
tos verbais e não verbais.
»» Identificar elementos da narrativa em história em quadrinhos.
»» Reconhecer a finalidade de recurso gráfico em artigos.
»» Reconhecer o sentido estabelecido pelo uso de expressões, de pon-
tuação, de conjunções em poemas, charges, fragmentos de romances
e em anedota.
»» Inferir o sentido de palavra em letras de música e reportagens.
»» Reconhecer relações de causa e consequência e características de
personagens em lendas e fábulas.
»» Reconhecer recurso argumentativo em artigos de opinião.
»» Inferir efeito de sentido da repetição de expressões em crônicas.
»» Inferir causa da ação de um personagem em tirinha.
»» Reconhecer o objetivo comunicativo de reportagem.

Leia o texto abaixo.

Disponível em: <http://www.monica.com.br/cookpage/cookpage.cgi?!pag=comics/tirinhas/tira244>. Acesso em: 10 dez. 2009. (P120061B1_SUP)

(P120061B1) De acordo com esse texto, a menina deu um susto em sua amiga porque queria
A) brincar com ela.
B) comer maçãs.
C) implicar com ela.
D) irritar sua amiga.
E) ler o livro de sua amiga.

A habilidade avaliada nesse item é interpretar um texto na árvore para pegar uma maçã. Esse objetivo é marcado
não verbal. Essa tarefa requer do aluno a observação dos pelo pensamento da menina ilustrado pela fruta, na última
elementos que compõem as cenas, as expressões e atitu- cena, bem como seu braço esticado à espera da maçã.
des das personagens para construírem a evolução narrativa. Os alunos que construíram esse percurso cognitivo con-
A partir disso, é possível perceber que nessa tirinha, gê- seguiram interpretar a tirinha e assinalaram a alternativa B
nero textual constante no ambiente escolar, a menina dá um – o gabarito.
susto na amiga que lê o livro com o objetivo de que ela suba

33
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Nível de desempenho 3
De 250 a 275 pontos

»» Localizar informações explícitas em crônicas, fábulas e em reportagem.


»» Identificar os elementos da narrativa em letras de música e fábulas.
»» Reconhecer a finalidade de abaixo-assinado e verbetes.
»» Reconhecer relação entre pronomes e seus referentes e relações de
causa e consequência em fragmentos de romances, diários, crônicas,
reportagens e máximas (provérbios).
»» Inferir tema e ideia principal em notícias, crônicas e poemas.
»» Inferir o sentido de palavra ou expressão em história em quadrinhos,
poemas e fragmentos de romances.
»» Comparar textos de gêneros diferentes que abordem o mesmo tema.
»» Reconhecer a ideia comum entre textos de gêneros diferentes e a iro-
nia em tirinhas.
»» Interpretar o sentido de conjunções, de advérbios e as relações entre
elementos verbais e não verbais em tirinhas, fragmentos de romances,
reportagens e crônicas.
»» Reconhecer relações de sentido estabelecidas por conjunções ou locu-
ções conjuntivas em letras de música e crônicas.
»» Reconhecer o uso de expressões características da linguagem (cientí-
fica, profissional etc.), marcas linguísticas que evidenciam o locutor em
reportagem e a relação entre pronome e seu referente em artigos e
reportagens.
»» Inferir o efeito de sentido da linguagem verbal e não verbal em notícias
e charges.

34
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015
Leia os textos abaixo.

Texto 1
Armadilha para o mosquito da dengue
O cientista Maulori Cabral, professor de microbiologia da UFRJ, e pesquisadores da
universidade da Fiocruz descobriram que uma garrafa pet pode virar uma arma para derrotar
o mosquito da dengue. A armadilha ganhou o nome de “mosquitérica”.
A invenção é feita com uma garrafa pet, um pedaço de microtule, lixa, fita isolante, alpiste,
5 arroz ou ração para gato e uma tesoura.
A garrafa é cortada, a boca coberta com o tule, dentro vai arroz triturado e depois água.
Uma parte da garrafa é encaixada na outra e vedada com fita isolante. O mosquito vai
colocar os ovos perto da água. As larvas nascem, passam pela tela para comer lá embaixo.
Elas crescem e não conseguem voltar pela tela, ficando presas dentro da garrafa e morrem.
10 Mas antes de fabricar a sua própria mosquitérica, é preciso se livrar de todos os possíveis
focos de mosquito em casa. Só assim a armadilha vai ser 100% eficiente para eliminar o
Aedes Aegypt.
Atenção! Não confundir o microtule com tule, aquele usado em véu de noiva. O tule é
mais aberto e pode deixar o mosquito escapar. Também é importante trocar a água uma
15 vez por mês e, antes de jogar fora, colocar detergente para matar as larvas do mosquito.
Disponível em: <http://www.combateadengue.com.br/?p=157#ixzz1FjhleNif>. Acesso em: 2 mar. 2011.
* Adaptado: Reforma Ortográfica.

Texto 2
A luta contra a dengue continua

Agora a batalha é pra convencer que a luta é de todos!


Disponível em: <http://crismonsores.blogspot.com/2010/07/luta-contra-dengue-continua.html>. Acesso em: 2 mar. 2011.
(P120075EX_SUP)

(P120075EX) Uma informação comum a esses dois textos é


A) a necessidade de eliminação dos focos do mosquito da dengue.
B) as armadilhas para matar o mosquito.
C) o medo da picada do mosquito da dengue.
D) os métodos utilizados no combate à doença.
E) os objetos descartados incorretamente na natureza.

Esse item avalia a habilidade de reconhecer diferentes mo o título, que aponta para a temática textual. No Texto 2, o
formas de tratar um tema na comparação de dois textos. Os apoio da imagem era fundamental para compreender a crí-
textos utilizados para essa comparação foram um fragmento tica estabelecida no texto “pneus, garrafas e baldes cheios
de reportagem e uma charge, que apresentam informações de água parada, bem como o personagem evitando que
acerca do combate ao mosquito da dengue. alguém mexa no seu quintal”, o que provoca a reflexão do
Sendo assim, era necessário que o aluno observasse, leitor sobre a importância da população no combate à doen-
por exemplo, no Texto 1, o fragmento “O cientista [...] e pes- ça. A associação entre esses dois textos incide justamente
quisadores [...] descobriram que uma garrafa pet pode virar sobre a alternativa A, a necessidade de eliminação dos fo-
uma arma para derrotar o mosquito da dengue.” e até mes- cos de dengue, que é o gabarito.

35
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

ADEQUADO

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS 275 300 325

Identifica letras

APROPRIAÇÃO DO
Reconhece convenções gráficas


SISTEMA DA ESCRITA
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

Localiza informação

ESTRATÉGIAS
Identifica tema


DE LEITURA
Realiza inferência

Identifica gênero, função e destinatário de um texto



Estabelece relações lógico-discursivas

Identifica elementos de um texto narrativo

PROCESSAMENTO
DO TEXTO
Estabelece relações entre textos

Distingue posicionamentos

Identifica marcas linguísticas


De 275 a 325 pontos

36
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Nível de desempenho 4
De 275 a 300 pontos

»» Localizar informações explícitas em artigos de opinião e crônicas.


»» Identificar finalidade e elementos da narrativa em fábulas e contos.
»» Identificar a finalidade de relatórios científicos.
»» Reconhecer opiniões distintas sobre o mesmo assunto em reportagens,
contos e enquetes.
»» Reconhecer opiniões divergentes sobre o mesmo tema em diferentes textos.
»» Reconhecer relações de sentido marcadas por conjunções, a relação de
causa e consequência e entre pronomes e seus referentes em fragmen-
tos de romances, fábulas, crônicas, artigos de opinião e reportagens.
»» Reconhecer o sentido de expressão e de variantes linguísticas em le-
tras de música, tirinhas, poemas e fragmentos de romances.
»» Inferir tema, tese e ideia principal em contos, letras de música, editoriais,
reportagens, crônicas, artigos e em resenha.
»» Reconhecer o tema de uma crônica;
»» Inferir o efeito de sentido de linguagem verbal e não verbal em charges
e história em quadrinhos.
»» Inferir informações em fragmentos de romance.
»» Inferir o efeito de sentido da pontuação e da polissemia como recurso
para estabelecer humor ou ironia em tirinhas, anedotas e contos.
»» Reconhecer o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos mor-
fossintáticos em contos, artigos, crônicas e em romance.
»» Inferir informação e o efeito de sentido produzido por expressão em
reportagens e tirinhas.
»» Reconhecer variantes linguísticas em artigos.

37
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Leia o texto abaixo.

Cuidar da saúde... de todos


Mundo Jovem: Que questões devemos levar em conta para termos uma vida saudável?
Jane Maria Reos Wolff: Devemos ter a responsabilidade com as atitudes que vão
trazer para nós uma qualidade de vida melhor. A atividade física é fundamental. E não
precisamos ir lá para a academia malhar. Podemos caminhar ao ar livre, próximo ao local
5 onde moramos, onde trabalhamos. Uns 30 minutos e ir acrescentando 10 minutos a cada
semana, até chegar em uma hora, três vezes por semana. Na caminhada, olhamos o
ambiente e estamos nos cuidando. Esse é um momento muito importante, porque envolve
cuidado e alguma distração. Melhora a saúde física, porque trabalhamos a musculatura e
as articulações, melhoramos as atividades cardíaca e respiratória. A circulação melhora
10 nosso corpo. Estaremos fazendo um bem para nós mesmos modificando a atividade. Em
vez de ficarmos sentados o tempo todo na frente da televisão, vamos caminhar, correr...
Mas quem prefere esportes ou mesmo a academia, fique à vontade: o importante é fazer
atividade física.
Outra atitude que não pensamos muito como cuidado de saúde é o uso do cinto de
15 segurança, que pode prevenir acidentes graves e poupar nossa vida. [...] Então precisamos
estar atentos a essas atitudes de preservação e de prevenção relativas à nossa saúde.
Disponível em: <http://www.mundojovem.pucrs.br/entrevista-02-2012.php>. Acesso em: 22 dez. 2011. Fragmento. (P100189E4_SUP)

(P100191E4) Nesse texto, no trecho “Então precisamos estar atentos a essas atitudes de preservação...” (ℓ.
15-16), a palavra destacada estabelece relação de
A) adição.
B) alternância.
C) conclusão.
D) explicação.
E) oposição.

Nesse item foi aferida a habilidade de estabelecer relação lógico-discursiva


presente no texto, marcada por uma conjunção coordenada “então”. Essa con-
junção compõe o acabamento do fragmento de uma entrevista que trata sobre
os cuidados com a saúde.
Os respondentes deveriam compreender que o conectivo “então” resume,
marca o desfecho, conclui o aconselhamento dado pelo profissional entrevista-
do, uma vez que o trecho introduzido pela conjunção refere-se ao caráter global
do texto, arrematando (concluindo) as informações supracitadas.
Aqueles que compreenderam essa relação de conexão textual escolheram
a letra C – conclusão – demonstrando ter desenvolvido a habilidade avaliada.

38
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Nível de desempenho 5
De 300 a 325 pontos

»» Localizar informações explícitas em infográficos, reportagens, crônicas


e artigos.
»» Localizar a informação principal em reportagens.
»» Identificar ideia principal e finalidade em notícias, reportagens e resenhas.
»» Identificar a finalidade e a informação principal em notícias.
»» Reconhecer características da linguagem (científica, jornalística, etc.) em
reportagens.
»» Reconhecer variantes linguísticas em contos, notícias e reportagens.
»» Reconhecer elementos da narrativa em crônicas.
»» Reconhecer argumentos e opiniões em notícias, artigos de opinião e
fragmentos de romances.
»» Identificar o argumento em contos.
»» Diferenciar abordagem do mesmo tema em textos de gêneros distintos.
»» Inferir informação em contos, crônicas, notícias e charges.
»» Inferir sentido de palavras, da repetição de palavras, de expressões,
de linguagem verbal e não verbal e de pontuação em charges, tirinhas,
contos, crônicas e fragmentos de romances.
»» Inferir informação, sentido de expressão e o efeito de sentido decorren-
te do uso de recursos morfossintáticos em crônicas.
»» Inferir o sentido decorrente do uso de recursos gráficos em poemas.
»» Inferir o efeito de sentido da linguagem verbal e não verbal e o efeito
de humor em tirinhas.
»» Reconhecer a relação entre os pronomes e seus referentes em contos.
»» Reconhecer elementos da narrativa em contos.
»» Reconhecer o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos mor-
fossintáticos em poemas.
»» Reconhecer ideia comum e opiniões divergentes sobre o mesmo tema
na comparação entre diferentes textos.
»» Reconhecer ironia e efeito de humor em crônicas e entrevistas.
»» Reconhecer a relação de causa e consequência em piadas e fragmen-
tos de romance.
»» Comparar poemas que abordem o mesmo tema.
»» Diferenciar fato de opinião em contos, artigos, reportagens e em crônica.
»» Diferenciar tese de argumentos em artigos, entrevistas e crônicas e re-
conhecer um argumento utilizado para defender uma ideia em entrevista.

39
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Leia o texto abaixo.

Prioridades

Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser
negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde
de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar
daquele trabalho extra [...].
5 Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando
mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui
ficando mais tranquila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso
que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita
10 faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas
fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder.
Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento – não para inventar de acumular
ali mais alguns compromissos estéreis e mortais.
LUFT, Lya. Disponível em: <http://cris57.blogspot.com/2008/04/prioridades-uma-crônica-de-lya-luft.html>. Acesso em: 25 maio 2011. (P120228RJ_SUP)

(P120228RJ) Nesse texto, no trecho “Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da
alma...”, (ℓ. 9-10), a expressão destacada ressalta a necessidade de
A) consumir menos.
B) limpar os móveis.
C) procurar amadurecer.
D) revisar os conceitos.
E) ser mais otimista.

A habilidade avaliada nesse item é reconhecer o efeito de sentido decor-


rente da escolha de uma determinada expressão. Essa tarefa exige refinamento
nos procedimentos de leitura, pois demanda a busca de sentidos mais profundos
para as expressões utilizadas no texto, entendendo, assim, o propósito do autor
na aplicação lexical.
Nessa crônica, a temática abordada é adoção de uma vida mais simples e
prazerosa. Nesse sentido, a expressão em destaque para a análise faz referência
justamente a essa mudança de estilo de vida (do consumismo para a simplicida-
de) a partir de uma reavaliação das suas prioridades, conceitos.
Os alunos que conseguiram associar essa expressão ao contexto geral do
texto atingiram o efeito de sentido pretendido pelo autor, marcando a alternativa
D – o gabarito.

40
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

AVANÇADO

DOMÍNIOS COMPETÊNCIAS 325 350 375 400 425 450 475 500

Identifica letras

APROPRIAÇÃO DO
Reconhece convenções gráficas


SISTEMA DA ESCRITA
Manifesta consciência fonológica

Lê palavras

Localiza informação

ESTRATÉGIAS
Identifica tema


DE LEITURA
Realiza inferência

Identifica gênero, função e destinatário de um texto



Estabelece relações lógico-discursivas

Identifica elementos de um texto narrativo

PROCESSAMENTO
DO TEXTO
Estabelece relações entre textos

Distingue posicionamentos

Identifica marcas linguísticas


Acima de 325 pontos

41
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Nível de desempenho 6
De 325 a 350 pontos

»» Localizar informação explícita em resenhas.


»» Identificar ideia principal e elementos da narrativa em reportagens e
crônicas.
»» Identificar a informação principal em reportagens.
»» Identificar argumento em reportagens e crônicas e o trecho que com-
prova a tese defendida em artigo de opinião.
»» Reconhecer o efeito de sentido da repetição de expressões e palavras,
do uso de pontuação, de variantes linguísticas e de figuras de lingua-
gem em poemas, contos e fragmentos de romances.
»» Reconhecer variantes linguísticas e o efeito de sentido de recursos grá-
ficos em crônicas e artigos.
»» Reconhecer a relação de causa e consequência em contos.
»» Reconhecer a relação de causa e consequência e relações de sentido
marcadas por conjunções em reportagens, artigos, ensaios, crônicas,
contos e cordéis.
»» Reconhecer diferentes opiniões entre cartas de leitor que abordam o
mesmo tema.
»» Reconhecer o tema comum entre textos de gêneros distintos.
»» Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de figuras de lin-
guagem e de recursos gráficos em poemas e fragmentos de romances.
»» Diferenciar fato de opinião em artigos, reportagens e resenhas.
»» Inferir o efeito de sentido de linguagem verbal e não verbal em tirinhas.
»» Identificar elementos da narrativa e a relação entre argumento e ideia
central em crônicas.
»» Reconhecer a finalidade de propagandas.
»» Reconhecer o tema em poemas.
»» Inferir o sentido de palavras e expressões em piadas e letras de música.
»» Inferir informação em artigos.
»» Inferir o sentido de expressão em fragmentos de romances.
»» Recuperar o referente do pronome demonstrativo “lá” em reportagem.

42
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Leia o texto abaixo.

Capítulo I

Milkau cavalgava molemente o cansado cavalo que alugara para ir do Queimado à


cidade do Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo.
Os seus olhos de imigrante pasciam na doce redondeza do panorama. Nessa região, a
terra exprime uma harmonia perfeita no conjunto das coisas: nem o rio é largo e monstruoso
5 precipitando-se como espantosa torrente, nem a serra se compõe de grandes montanhas,
dessas que enterram a cabeça nas nuvens e fascinam [...]. O Santa Maria é um pequeno
filho das alturas, ligeiro em seu começo, depois embaraçado longo trecho por pedras que o
encachoeiram, e das quais se livra num terrível esforço, mugindo de dor, para alcançar afinal
sua velocidade ardente e alegre. Escapa-se então por entre uma floresta sem grandeza, insinua-
10 se vivaz no seio de colinas torneadas e brandas, que parecem entregarem-se complacentes
àquela risonha e úmida loucura... Elas por sua vez se alteiam graciosas, vestidas de uma relva
curva que lhes desce pelos flancos, como túnica fulva, envolvendo-as numa carícia quente e
infinita. A solidão formada pelo rio e pelos morros era naquele glorioso momento luminosa e
calma. Sobre ela não pairava a menor angústia de terror.
15 Absorto na contemplação, Milkau deixava o cavalo tomar um passo indolente e
descontraído [...]. Tudo era um abandono preguiçoso, um arrastar lânguido por entre a
tranquilidade da paisagem. Os humildes ruídos da natureza contribuíam para uma voluptuosa
sensação de silêncio. A aragem mansa, o sussurro do rio, as vozezinhas dos pequeninos
insetos ainda tornavam mais sedativa e profunda a inquebrantável imobilidade das coisas.
ARANHA, Graça. Canaã. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002. Fragmento. (P120181EX_SUP)

(P120182EX) No segundo parágrafo desse texto, qual o elemento da narrativa está em evidência?
A) Clímax.
B) Espaço.
C) Desfecho.
D) Personagem.
E) Tempo.

Avalia-se nesse item a habilidade de identificar os elementos da narrativa. O


suporte é um fragmento do romance “Canaã”, de Graça Aranha, que apresenta
uma região do Espírito Santo. Essa habilidade pressupõe o reconhecimento de
componentes que estruturam o texto narrativo, como clímax, desfecho, conflito
gerador, entre outros.
Nesse caso, foi solicitado ao respondente que se atentasse ao segundo pa-
rágrafo do texto, no qual está descrito o espaço em que a história acontece. As
pistas para chegar à resposta podem ser construídas a partir dos trechos “doce
redondeza do panorama”, “Nessa região, a terra...”, “O Santa Maria é um peque-
no filho das alturas...”, pois caracterizam o ambiente campestre no qual a cena é
desenvolvida.
Nesse sentido, aqueles que conseguiram identificar esses elementos como
sendo a representação do cenário narrativo optaram pela alternativa B, o gabarito.

43
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Nível de desempenho 7
De 350 a 375 pontos »» Reconhecer o efeito de sentido do humor em tirinhas.
»» Reconhecer o tema em contos e fragmentos de
»» Localizar informações explícitas, ideia principal e romances.
expressão que causa humor em contos, crônicas e »» Reconhecer relação de sentido marcada por conjun-
artigos de opinião. ção em crônicas e circunstância de lugar marcada por
»» Identificar variantes linguísticas em letras de música. adjunto adverbial de lugar em resenha.
»» Reconhecer efeitos estilísticos em poemas. »» Inferir informação e tema em reportagens, poemas,
»» Reconhecer ironia e efeitos de sentido decorren- histórias em quadrinhos e tirinhas.
tes da repetição de palavras em sinopses. »» Inferir o sentido e o efeito de sentido de palavras
»» Reconhecer opiniões distintas sobre o mesmo ou de expressão em poemas, crônicas e fragmen-
tema, na comparação entre diferentes textos. tos de romances.
»» Reconhecer a finalidade e a relação de sentido es- »» Reconhecer a ideia defendida em artigo de opinião.
tabelecida por conjunções em lendas e crônicas. »» Inferir característica do eu lírico em letra de música.
»» Reconhecer finalidade e traços de humor em re-
portagens.

Leia o texto abaixo.

Saber não ocupa lugar

O sucesso na vida pessoal e profissional depende de um aprendizado contínuo. Devemos estar


dispostos a aprender e aumentar nosso nível de cultura e experiência sempre. O saber é necessário
para uma vida melhor e mais equilibrada. A sabedoria nos permite apreciar melhor as belezas da
vida, pela compreensão de como os fenômenos acontecem, pelo desenvolvimento de valores mais
apurados e coerentes com nossa personalidade, pelo cuidado com a educação de nossos filhos e
com o trato com as pessoas. Enfim, o saber nos leva a crescer, pessoal e profissionalmente. Ele
pode ser obtido tanto pela educação formal como pela experiência e pela observação. O saber nos
conduz a uma filosofia de vida alinhada com os valores humanos mais elevados.
COSTA, João José da. A sabedoria dos ditados populares. São Paulo: Butterfly, 2009. p. 101. (P120183B1_SUP)

(P120184B1) Nesse texto, o autor defende a ideia de que


A) a sabedoria é coerente com a personalidade.
B) a sabedoria é obtida pela educação formal.
C) o conhecimento é indispensável para uma vida melhor.
D) o saber é fruto de uma vida melhor e mais equilibrada.
E) o sucesso é reflexo do nível cultural.

Esse item avalia a habilidade de identificar a tese de um texto. Isso consiste


em reconhecer, em um texto de caráter dissertativo, a posição ideológica defen-
dida pelo autor do texto acerca de determinado assunto.
Para compreender a ideia defendida pelo autor no texto apresentado
nesse suporte, era de suma importância que o aluno se atentasse ao título primei-
ramente, entendendo que o “saber” está ligado à aquisição de conhecimento, o
qual traz benefícios para a vida pessoal e profissional. Trechos como “O sucesso
na vida pessoal e profissional depende de um aprendizado contínuo.” e “O saber
é necessário para uma vida melhor e mais equilibrada.” confirmam a tese susten-
tada pelo autor de que o conhecimento melhora a vida, informação essa descrita
na alternativa C.

44
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Nível de desempenho 8
De 375 a 400 pontos

»» Diferenciar fatos de opiniões e opiniões diferentes em artigos e notícias.


»» Inferir o sentido de palavras em poemas.
»» Localizar ideia principal em manuais, reportagens, artigos e teses.
»» Identificar a ideia central e o argumento em apresentações de livros,
reportagens, editoriais e crônicas.
»» Identificar elementos da narrativa em crônicas, contos e fragmentos de
romances.
»» identificar ironia e tema em poemas e artigos.
»» Inferir efeito de humor e ironia em tirinhas e charges.
»» Reconhecer relações de sentido marcadas por conjunção em artigos,
reportagens e fragmentos de romances.
»» Reconhecer a relação de causa e consequência em reportagens e frag-
mentos de romances.
»» Reconhecer o efeito de sentido de recursos gráficos em artigos.
»» Reconhecer variantes linguísticas em letras de música e piadas.
»» Reconhecer a finalidade de reportagens, resenhas e artigos.

45
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Leia o texto abaixo.

Jornalismo online não é atualização, é transformação

Num discurso recente, Katharine Viner, subeditora do [diário britânico] The Guardian,
descreveu como acredita que as redes sociais e a prática do “jornalismo aberto” alteram
fundamentalmente a relação que os jornalistas têm com sua audiência. Na era digital e
social, uma das coisas difíceis sobre fazer jornalismo, ou qualquer outro tipo de mídia, é
5 parecer tão simples – em outras palavras, parece muito com o que costumava ser feito:
você escreve coisas e as publica, só que em vez de imprimi-las, você as posta na internet.
E, se você estiver se sentindo ambicioso, talvez inclua uns links. Simples, não?
Só que olhar a coisa dessa maneira ignora as formas fundamentais pelas quais a prática do
jornalismo foi completamente alterada pela internet, como destaca Katharine em seu excelente
10 discurso [em 9/10]. Em sua apresentação, Katharine – que também é editora-chefe da nova
edição australiana do Guardian – falou sobre uma entrevista que teve com um candidato
a emprego. Quando ela perguntou a esse profissional de jornalismo impresso como ele se
adaptaria ao papel digital, ele disse: “Há anos que eu uso computadores.” Como ela diz, este
tipo de resposta sugere que a internet é apenas uma mudança tecnológica, como um novo
15 tipo de editor de texto. “Na realidade, o digital representa uma enorme mudança conceitual,
uma mudança sociológica, uma bomba de fragmentação explodindo quem somos, como é
organizado o nosso mundo, como nos vemos, como vivemos. Nós estamos bem no meio
dessa mudança e, às vezes, tão perto que fica difícil enxergarmos. Mas é muito profundo e
vem acontecendo a uma velocidade quase inacreditável.”

20 Mudança fundamental
Katharine Viner continua falando sobre as oportunidades que se apresentam aos
jornalistas quando eles abordam seu ofício de uma maneira mais aberta e como a resistência
de “muitos jornalistas a essa mudança prejudica seus próprios interesses, assim como os
interesses do bom jornalismo”. [...]
INGRAM, Mathew. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed768_jornalismo_online_nao_e_atualizacao_e_
transformacao>. Acesso em: 16 out. 2013. Fragmento. (P110137E4_SUP)

(P110140E4) Nesse texto, em relação à enorme mudança conceitual provocada pelo digital, há uma opinião
contrária em:
A) “‘Nós estamos bem no meio dessa mudança e, às vezes, tão perto que fica difícil enxergarmos.’”. (ℓ. 17-18)
B) “... este tipo de resposta sugere que a internet é apenas uma mudança tecnológica,...”. (ℓ. 13-14)
C) “... perguntou a esse profissional de jornalismo impresso como ele se adaptaria ao papel digital,...”.
(ℓ. 12-13)
D) “... as formas fundamentais pelas quais a prática do jornalismo foi completamente alterada pela
internet,...”. (ℓ. 8-9)
E) “E, se você estiver se sentindo ambicioso, talvez inclua uns links.”. (ℓ. 7)

A habilidade avaliada nesse item é reconhecer posições distintas entre duas


ou mais opiniões relativas ao mesmo tema. Essa habilidade consiste em determi-
nar em um texto opiniões que mantenham relação de aproximação ou de opo-
sição.
A partir dessa reportagem, o aluno deveria primeiramente reconhecer a ideia
defendida pela jornalista Katharine Viner de que a era digital provoca uma mu-
dança no jornalismo, como informado no título. Depois era necessário perceber
que em oposição a essa ideia, o fragmento presente na alternativa B apresen-
ta-se como uma contrainformação em relação à ideia geral defendida no texto.
Aqueles que conseguiram percorrer a leitura do texto buscando esses pontos de
vista opostos conseguiram desempenhar a tarefa solicitada pelo item.

46
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

Nível de desempenho 9
Acima de 400 pontos

»» Reconhecer o efeito de sentido resultante do uso de recursos morfos-


sintáticos e ortográficos em artigos e letras de música.
»» Reconhecer o conflito gerador do enredo em fábula.
»» Reconhecer a finalidade de cartas de leitor.

Leia o texto abaixo.

O segredo da propaganda é a propaganda do segredo

Depois de tantos anos vendo televisão diariamente, chego a uma conclusão definitiva:
é muito mais divertido e mais prático ver os anúncios. Enquanto as outras pessoas ficam
aflitas tentando decorar os horários das novelas, das paradas de sucesso e dos chamados
programas humorísticos, eu não tenho problema: ligo a televisão em qualquer canal e
5 vejo os anúncios sem preocupação de horário. Vocês talvez achem que é loucura ver os
mesmos anúncios diversas vezes, mas posso garantir que os anúncios variam muito mais
que as piadas e as músicas que são servidas todos os dias. Pelo menos os anúncios
são bem bolados, alguns até inteligentes. A técnica é chatear tanto até ficarem em nosso
subconsciente – se é que alguém consegue ter subconsciente assistindo televisão.
10 Os refrigerantes, por exemplo: quase todos fazem as garrafas dançar na nossa frente e
tocam uma musiquinha que chega a dar sede. Aí a gente não resiste: vai à geladeira e bebe
um copo de água.
Mas bom mesmo é anúncio de sabonete: aparece cada moça bonita que vou te contar.
[...] Por mais que a gente saiba que aquilo é anúncio de sabonete, fica sempre aquela
15 dúvida se um dia eles não vão resolver dar o nome daquele chuveiro ou, quem sabe, o
telefone da moça.
Geniais mesmo são as geladeiras que duram toda a vida. Mas muito mais geniais são os
textos garantindo que cabe tudinho dentro delas, mas acho que não têm tanta certeza, pois
fazem questão de botar uma moça bem bonita pra mostrar a geladeira. [...]
20 Reparem só: os programas de humor mostram o lado negativo das pessoas [...]. As
novelas exploram seres anormais dentro de um mundo de misérias e lágrimas. Já os
anúncios apresentam um mundo de otimismo, onde tudo é bom e saudável, não quebra,
dura toda a vida e qualquer um pode adquirir quase de graça, pagando como puder, no
endereço mais próximo da sua casa. O único detalhe que nos deixa um pouco frustrados
25 é que a moça que dá os endereços fala tão preocupada em não errar que a gente não
consegue decorar nenhum endereço.

ELIACHAR, Leon. Disponível em: <http://www.releituras.com/leoneliachar_osegredo.asp>. Acesso em: 13 dez. 2010. Fragmento. (P120617ES_SUP)

(P121111ES) No trecho “... tocam uma musiquinha...” (ℓ. 11), a palavra empregada no diminutivo sugere
A) afetividade.
B) depreciação.
C) infantilidade.
D) suavização.
E) tamanho.

Nesse item é avaliada a habilidade de reconhecer o efei- O diminutivo em análise, apesar de comumente vir acom-
to de sentido decorrente da exploração de recursos ortográ- panhado do sentido de tamanho pequeno, apresenta aqui ideia
ficos e/ou morfossintáticos. Nesse item, é solicitado ao aluno de desvalorização, desprezo pela música do refrigerante, que
que volte a sua atenção para o diminutivo na palavra “musi- incentiva o telespectador a consumir a bebida, mas tem que se
quinha”. Considerando que esse é um texto literário - uma contentar com um copo de água, como previsto no trecho “Aí
crônica - as palavras adquirem sentidos mais profundos, di- a gente não resiste: vai à geladeira e bebe um copo de água”.
ferentes do habitual ou do dicionarizado, imputando ao texto Os alunos que perceberam esse efeito assinalaram a letra B
de maneira ampla significação diferenciada. e demonstram grande desenvoltura na capacidade leitora.

47
4
COMO SÃO APRESENTADOS OS
RESULTADOS DO SAEPI?

Após a etapa de processamento dos testes, passamos à divulga-


ção dos resultados obtidos pelos alunos.
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

O processo de avaliação em larga escala não se encerra quando os resultados


chegam à escola. Ao contrário, a partir desse momento toda a escola deve se debru-
çar sobre as informações disponibilizadas, a fim de compreender o diagnóstico pro-
duzido sobre a aprendizagem dos alunos. Em seguida, é preciso elaborar estratégias
que visem à garantia da melhoria da qualidade da educação ofertada pela escola,
expressa na aprendizagem de todos os alunos.
Para isso, faz-se necessário que todos os membros da comunidade escolar –
gestores, professores e famílias – se apropriem dos resultados produzidos pelas
avaliações, incorporando-os às suas reflexões sobre as dinâmicas de funcionamento
da escola.
Apresentamos um roteiro no encarte de divulgação dos resultados da escola,
com orientações para uma leitura efetiva dos resultados produzidos pelas avaliações
do SAEPI. Esse roteiro deve ser usado para analisar os resultados divulgados no
Portal da Avaliação www.saepi.caedufjf.net. e no encarte impresso.
Essa é uma tarefa a ser realizada, coletivamente, por todos os agentes envolvi-
dos: gestores, professores e equipe pedagógica. A fim de otimizar o que estamos
propondo, sugerimos, nesse encarte, um passo a passo com as diferentes etapas do
processo de leitura, interpretação e apropriação dos resultados.

49
5
COMO A ESCOLA PODE SE
APROPRIAR DOS RESULTADOS DA
AVALIAÇÃO?

O Estudo de Caso apresentado nesta seção registra situa-


ções comuns às escolas, quando da recepção dos resultados
das avaliações em larga escala, e os caminhos trilhados pela
comunidade escolar para a apropriação desses resultados.
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

A FORMAÇÃO DE LEITORES
PROFICIENTES

Na maioria das vezes, as notícias veiculadas sobre o


contexto das escolas relatam os problemas e as dificulda-
des enfrentadas pelos professores e como tais dificuldades
os imobilizam e os deixam desanimados. É bem menos
comum termos conhecimento sobre as experiências bem
sucedidas, as inúmeras estratégias encontradas pelos pro-
fissionais que atuam nas escolas para a resolução dos pro-
blemas enfrentados e, principalmente, no desenvolvimento
de ideias que revolucionam e melhoram a educação no
país. A história da professora Rita é um desses exemplos
que, apesar de não serem muito divulgados, são mais co-
muns do que imaginamos.
A professora Rita, formada em Língua Portuguesa, havia
trabalhado em diversas escolas de sua cidade desde que
iniciou sua vida docente, em 2005. Sempre interessada em
garantir que seus alunos tivessem um ensino de qualida-
de, ela realizou diversos cursos de formação continuada,
procurando estudar sobre temas variados, desde aspectos
importantes da interdisciplinaridade, até tópicos relaciona-
dos à gestão escolar. Os resultados da avaliação em larga
escala eram um tema que interessava Rita, porém ela não
encontrava apoio para trabalhar com esses resultados nas
escolas em que até então ministrara aulas.
Em 2011, quando assumiu a vaga de docente na Escola
Estadual Professora Cristina Solis Rosa, localizada no mu-
nicípio de Vazante, bairro Independência, que atende ao
Ensino Fundamental, turnos matutino e vespertino, Rita co-
meçou a notar um movimento da equipe pedagógica no
sentido de compreender os resultados das avaliações em
larga escala. Ela percebia que os coordenadores e profes-
sores, muitas vezes, até compreendiam os dados que che-
gavam à escola a cada ano e o que eles representavam,
mas agora estavam procurando enxergar além dessas infor-
mações numéricas. Rita percebeu que nesta escola podia
aprofundar, junto à equipe pedagógica, seu conhecimento
acerca dos instrumentos da avaliação em larga escala.

51
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

A equipe gestora preparou, junto caram um problema: a dificuldade dos lho interdisciplinar, sendo convidada,
à equipe pedagógica, diversos semi- alunos para ler e interpretar textos, di- portanto, para assumir a liderança do
nários, palestras com convidados es- ficultando a compreensão proficiente projeto na escola.
pecialistas no tema e oficinas internas, desses textos. Rita sempre acreditou que as
que fizeram com que o interesse e o Diante do problema identificado, ações dependiam, fundamentalmente,
envolvimento de todos pelo assunto alguma estratégia pedagógica pre- de dois fatores: vontade e articulação.
aumentassem. Rita e seus colegas cisava ser colocada em prática. A di- O primeiro deles não era um proble-
puderam aprofundar seus estudos reção da escola sugeriu a criação de ma para a professora. Agora era pre-
sobre matriz de referência, escala de um plano educacional integrado na ciso engajar a equipe pedagógica em
proficiência, competências e habili- escola, no qual todos os professores um projeto que tivesse embasamento
dades, descritores, itens, padrões de deveriam trabalhar, promovendo a e viabilidade de execução.
desempenho estudantil, resultados interdisciplinaridade, uma vez que a A reunião de planejamento do
de proficiência, resultados de acertos dificuldade dos alunos para ler e in- projeto político pedagógico se mos-
por descritor etc. A partir de um maior terpretar textos atrapalhava o trabalho trou um bom momento para iniciar a
domínio destes conceitos, Rita e seus em sala de aula de todas as discipli- articulação dos professores em uma
colegas conseguiram transformar as nas e etapas, mesmo aquelas que não proposta integrada, com a finalidade
informações numéricas, os resultados eram avaliadas em larga escala. Rita, de melhor utilizar os resultados das
de proficiência que a escola recebia em conversa com a direção, sinalizou avaliações em larga escala. Percebeu-
em uma análise qualitativa. Nesta aná- o interesse que tinha sobre o tema e -se, na reunião, que o corpo docente
lise, os professores da Escola Estadual fez comentários acerca de diversos mostrou interesse no projeto interdis-
Professora Cristina Solis Rosa identifi- textos que havia lido sobre o traba- ciplinar. Nesta reunião, os docentes

Os docentes
chegaram à
conclusão de que o
primeiro passo era
incentivar/convencer
os alunos acerca
da importância da
avaliação em larga
escala.

52
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

chegaram à conclusão de que o pri- de Língua Portuguesa incluíram a ela-


meiro passo era incentivar/convencer boração de textos coletivos como ati-
os alunos acerca da importância da As ideias iniciais vidade para todas as suas turmas dos
avaliação em larga escala. para resolução do anos finais, distribuindo funções e ga-
O trabalho começou com a mo- problema vieram rantindo que todos pudessem traba-
tivação dos discentes. Os professo- lhar na criação do jornal. Os professo-
ao encontro da
res de todas as disciplinas, em suas res das demais disciplinas abordaram
aulas, mostravam a importância da
sensibilização, textos de temática de interesse dos
concentração para a leitura e a inter- da motivação e alunos, levando-os a debater esses
pretação de textos. Eles procuraram do envolvimento textos de acordo com o conteúdo
despertar o interesse dos alunos, de dos alunos em da disciplina, para, futuramente, nas
todas as etapas, para as práticas de aulas de Língua Portuguesa, produzir
compreenderem os
leitura e interpretação de textos. Des- os textos para as diversas seções do
sa forma, o corpo docente percebeu,
textos, tornando-os jornal. Cada turma ficou responsável
já com as avaliações internas, maior significativos. por uma seção.
comprometimento dos alunos com o Com a criação do projeto, Rita ti-
processo de ensino e de aprendiza- nha a certeza de que o interesse dos
gem. As ideias iniciais para resolução alunos pela leitura aumentaria, mas
do problema vieram ao encontro da sabia que um trabalho mais focado
alunos poderiam acessar ao jornal por
sensibilização, da motivação e do en- nos resultados da avaliação em larga
meio dos próprios aparelhos, fazen-
volvimento dos alunos em compreen- escala precisava ser colocado em prá-
do, inclusive, comentários sobre as
derem os textos, tornando-os signifi- tica. Junto com o projeto do jornal, Rita
notícias. Com a criação do jornal, os
cativos. trabalhou, em sua sala de aula, com a
alunos teriam contato com os diferen-
Com os alunos motivados, sentin- matriz de referência da avaliação em
tes gêneros textuais, pois essa publi-
do orgulho da instituição e apresen- larga escala e com o banco de itens
cação apresenta várias seções, como
tando sentimento de pertença à esco- que estava disponível no site da Se-
carta do leitor, classificados, receitas,
la, era hora de colocar o projeto em cretaria de Educação. Ela sabia que
dicas, notícias etc.
prática. Rita, em conversa com os co- era fundamental entender em quais
Durante o restante do semestre,
legas, sugeriu a criação de um jornal descritores, ou seja, em quais habili-
os professores se mobilizaram para fa-
online para a escola, já que a maioria dades os alunos estavam apresentan-
zer aquela ideia sair do papel. As pe-
dos alunos tinha acesso aos meios de do maiores dificuldades, para que, fu-
dagogas trabalharam na elaboração
comunicação, como tv, rádio, internet. turamente, eles se tornassem leitores
de conteúdo para os murais da es-
Com a criação do jornal, o celular, que e escritores proficientes.
cola com os alunos dos anos iniciais,
era também um problema dentro da A professora dividia suas aulas
produzindo ilustrações e pequenas
escola, poderia se tornar um instru- em três momentos:
frases para divulgar o lançamento do
mento a favor do processo de ensino
jornal. Rita e os demais professores
e de aprendizagem, uma vez que os

53
SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

1. Leitura, compreensão e interpretação dos


textos:

No primeiro momento, Rita trabalhava com os alunos a


leitura dos textos. Ela pedia para a turma ler o texto em voz
baixa, individualmente, e, em seguida, fazia uma leitura co-
letiva do texto. Por fim, Rita também fazia uma leitura integral
do texto, apresentando as entoações necessárias para seu
entendimento.
Após a leitura, era preciso compreender, interpretar
e analisar o texto. A professora promovia um debate do
texto na sala de aula. Era preciso entender o assunto do
texto, o propósito comunicativo, onde o texto foi publica-
do etc.
Era fundamental Neste primeiro momento, Rita trabalhava com os alunos

descritores, ou habilidades como: identificar o tema ou a tese de um texto,


estabelecer relação entre a tese e os argumentos ofere-
seja, em quais
cidos para sustentá-la, diferenciar as partes principais das
habilidades os secundárias em um texto, identificar as marcas linguísticas
alunos estavam que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto e
apresentando identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

maiores
2. Compreensão das questões do texto:
dificuldades, para
que, futuramente, No segundo momento, a professora trabalhava com a
eles se tornassem compreensão das questões do texto. Ela lia o comando da
leitores e escritores questão e as alternativas de respostas; tecia comentários
minuciosos sobre as questões; trabalhava com o dicioná-
proficientes.
rio e a análise do vocabulário, contextualizando algumas
questões com verbetes adequados; relacionava as ques-
tões aos descritores da matriz de referência, procurando
trabalhar com as habilidades e competências fundamentais
a serem desenvolvidas pelos alunos de suas turmas.
Neste segundo momento, Rita procurava trabalhar com
as turmas habilidades como: localizar informações explícitas
em um texto, inferir o sentido de uma palavra ou expressão,
estabelecer relações entre partes de um texto, identifican-
do repetições ou substituições que contribuam para a con-

54
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

tinuidade de um texto, identificar o conflito gerador do enre-


do e os elementos que constroem a narrativa, estabelecer
relação causa/consequência entre partes e elementos do
texto, estabelecer relações lógico-discursivas presentes no
texto, marcadas por conjunções, advérbios etc., identificar
efeitos de ironia ou humor em textos variados, reconhecer
o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de
outras notações e reconhecer o efeito de sentido decorren-
te da escolha de uma determinada palavra ou expressão.

3. Produção de textos para o jornal da


escola:
As avaliações
No terceiro momento, a partir dos textos motivadores e externas assumem
de acontecimentos nas redondezas da escola, era hora de
um papel
os alunos produzirem, coletivamente, textos para o jornal.
Vieram as avaliações em larga escala, e as expectati-
relevante para o
vas pela divulgação dos resultados foram grandes. Logo no trabalho escolar:
primeiro ano, já houve uma evolução notável do desempe- as habilidades
nho dos alunos em Língua Portuguesa, especialmente nos e competências
anos finais. Como o projeto deu certo e, aparentemente,
básicas,
fez diferença no aprendizado dos alunos, o diretor decidiu
mantê-lo no calendário da escola nos anos que se segui-
consideradas
ram, e Rita continuou na liderança do projeto. importantes para o
A passagem do tempo acabou confirmando a impres- desenvolvimento
são inicial de que o projeto contribuiria significativamente dos alunos, são,
para solucionar o problema que a equipe pedagógica de-
minuciosamente,
tectara anos antes. Com o passar do tempo, os resultados
de proficiência dos alunos em Língua Portuguesa ficaram
trabalhadas pelos
ainda mais expressivos, e o desempenho em Matemática e professores.
nas demais disciplinas avaliadas se apresentava de maneira
ascendente, ano a ano.
Hoje, o tempo de aprendizagem e as intervenções pe-
dagógicas são extremamente valorizados pela instituição.
As avaliações externas assumem um papel relevante para
o trabalho escolar: as habilidades e competências básicas,
consideradas importantes para o desenvolvimento dos alu-
nos, são, minuciosamente, trabalhadas pelos professores
da Escola Estadual Professora Cristina Solis Rosa. Todos os
segmentos: gestores, especialistas, professores e alunos
estão envolvidos nesse projeto de sucesso.

55
6
QUE ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PODEM
SER UTILIZADAS PARA DESENVOLVER
DETERMINADAS HABILIDADES?

O artigo a seguir objetiva sugerir algumas estratégias


para que os docentes possam auxiliar os alunos a desenvol-
ver algumas habilidades, dentre aquelas avaliadas nos testes
em larga escala.
Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

O TRABALHO COM TEMA, TESE E ARGUMENTAÇÃO NO


ENSINO MÉDIO
Em 2014, o principal motivo para a obtenção de nota zero Tais habilidades integram Matrizes de Referência elabo-
na prova de redação do Enem foi fuga ao tema. Mais de 217 radas a partir de estudos de diversas propostas curriculares
mil candidatos cometeram esse erro, demonstrando ter difi- de ensino vigentes no país, além de pesquisas sobre livros
culdades de interpretação de texto. O tema da redação era didáticos e debates com educadores em atividade nas redes
“Publicidade infantil em questão no Brasil”, ou seja, esperava- de ensino e especialistas em educação. Essas matrizes são
-se que os candidatos dissertassem sobre a manipulação que formadas por um conjunto de habilidades que são esperadas
a publicidade exerce sobre um público ainda inabilitado para dos alunos em diferentes etapas de escolarização e passíveis
ser exposto a ela, sem um pensamento crítico desenvolvido. de serem aferidas em testes padronizados de desempenho.
No entanto, muitos comentaram a questão da participação de Os alunos que chegam ao 3º Ano do Ensino Médio sem
crianças em propagandas publicitárias, o que não era o caso. ter desenvolvido bem as habilidades de identificar tema e gê-
A abrangência do tema pode ter feito com que muitos alunos nero textuais terão mais dificuldades para identificar a tese de
discutissem apenas a publicidade ou só a questão infantil, um texto, estabelecer relações entre a tese e os argumentos
sendo que alguns apenas tangenciaram esses assuntos. que a sustentam e reconhecer diferentes estratégias de ar-
Outro erro comumente cometido pelos alunos que igual- gumentação – habilidades esperadas para esse estágio de
mente leva à nota zero é não seguir o tipo de texto exigido: o aprendizagem. Desse modo, o professor precisa reforçar o
dissertativo-argumentativo. Isso é sinal de que muitos candida- conhecimento de suas turmas sobre o que é tema: o assun-
tos não dominam as características desse tipo de texto, o que to, a matéria tratada no texto. Isso pode ser feito por meio
implica um grave problema: há um número considerável de alu- de questões objetivas, acompanhadas de debate, sobre o
nos concluindo o Ensino Médio sem ter desenvolvido suficien- que determinados textos abordam. Um exemplo de ativida-
temente algumas habilidades referentes à Língua Portuguesa, de pode consistir em expor uma letra de música aos alunos,
que já são esperadas desde etapas anteriores, quais sejam: como “Asa branca”, de Luiz Gonzaga:
identificar o tema ou o sentido global e o gênero dos textos. Asa Branca
(Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira)
Quando oiei a terra ardendo


Qua fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, uai
Por que tamanha judiação?

Que braseiro, que fornaia


Os alunos que chegam ao 3º Ano do Nem um pé de prantação
Ensino Médio sem ter desenvolvido Por farta d’água perdi meu gado
bem as habilidades de identificar Morreu de sede meu alazão
tema e gênero textuais terão mais
Até mesmo a asa branca
dificuldades para identificar a tese
Bateu asas do sertão
de um texto, estabelecer relações Então eu disse a deus Rosinha
entre a tese e os argumentos que a Guarda contigo meu coração
sustentem e reconhecer diferentes
estratégias de argumentação Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Para eu voltar pro meu sertão

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SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

Demonstrado isso, os alunos podem fazer a seguinte


Quando o verde dos teus oio atividade:
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu Qual é o tema do texto?
Que eu voltarei, viu
Meu coração a. A solidão dos sertanejos.

b. A fauna sertaneja.
Para ajudar os alunos a identificarem o tema, sobretudo os
c. A seca do sertão.
que tiverem mais dificuldade, pode-se orientá-los a observar
no texto palavras e expressões que tenham sentidos próximos, d. A vegetação do sertão.
tais como: terra ardendo, fogueira, braseiro, fornaia, farta d’água,
e. A festa de São João.
“Espero a chuva cair de novo”. Observa-se que, na ordem em
que tais termos vão aparecendo no texto, o sentido vai sendo Avaliando-se que os alunos apreenderam bem o con-
formado da consequência para a causa: a consequência é o teúdo desse exercício, pode-se passar para uma atividade
calor extremo, sugerido pelas palavras ardendo, braseiro, for- semelhante, mas trabalhando agora com um texto dissertati-
naia, e a causa, a seca, a farta d’água, falta de chuva. vo-argumentativo, que é o foco desta nossa reflexão. Apre-
sentando aos alunos um texto como o que segue abaixo, é
produtivo solicitar-lhes, a princípio, a identificação do tema,
para reforçar essa habilidade.


Leia o texto abaixo:
Unesco quer que escola ensine a mediar conflitos
Adotado em países como Argentina, Espanha, França e
Austrália, a mediação dos conflitos pode entrar na grade cur-
Para ajudar os alunos a identificar ricular das escolas como uma forma de reduzir a violência. A
o tema, sobretudo os que tiverem Unesco tem dialogado com o Ministério da Educação nesse
mais dificuldade, pode-se orientá- sentido. No Rio de Janeiro, pelo menos 20 escolas públicas
los a observar no texto palavras e adotaram a ideia e mantêm projetos que ajudam as crianças
a mediar conflitos por meio de conversa. O objetivo é atacar
expressões que tenham sentidos
a cultura da hipermasculinidade que reforça a ideia de que a
próximos solução para os conflitos é feita por meio da força. [...]
[...] “É preciso conscientizar os alunos de que existem
formas não-violentas de resolução de conflitos”, afirma o
sociólogo Jorge Werthein, da Unesco. Para ele, a cultura
de mediação propicia a prática do diálogo, a resolução de
conflitos, diminui o sentimento de insegurança dos alunos,
interfere nos níveis de violência e pode contribuir para a me-
lhoria na qualidade do ensino e da aprendizagem [...].”
(COLLUCCI, Cláudia. Folha de S. Paulo, 25 jul, 2005.
p. C 4. Fragmento.)

Os alunos que apresentarem dificuldade devem ser


auxiliados pelo professor ou por colegas. Após a classe
ter compreendido que o tema é o ensino da mediação de
conflitos na escola, o professor pode questionar como esse
tema é tratado: de modo descritivo, narrativo ou dissertati-
vo? Após ouvir algumas respostas, explicar o conceito de

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Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015


texto dissertativo-argumentativo, cuja finalidade é defender
um ponto de vista sobre determinado assunto, por meio de
uma argumentação sólida e coerente. Trata-se, portanto,
de um gênero textual que visa ao convencimento do leitor/
interlocutor. Por isso, ele sempre se baseia em uma tese: Para reforçar a habilidade de
uma proposição teórica, isto é, uma sentença declarativa, de identificar a tese de um texto, o
intenção persuasiva, apoiada em argumentos convincentes
professor pode também apresentar
sobre o tema tratado. A tese é o elemento fundamental do
aos alunos pequenos textos
texto dissertativo-argumentativo.
A tese defendida pelo autor do texto é a de que a me-
dissertativos, pedindo-lhes para
diação de conflitos propicia a prática do diálogo e diminui identificar suas respectivas teses e
a violência. É produtivo induzir os alunos a chegar a esse argumentos
entendimento por meio de uma questão objetiva, como a
seguinte:
Para reforçar a habilidade de identificar a tese de um
texto, o professor pode também apresentar aos alunos pe-
A tese defendida pelo autor desse texto é a
quenos textos dissertativos, pedindo-lhes para identificar suas
de que a mediação de conflitos
respectivas teses e argumentos, conforme o modelo a seguir:
a. deve ser uma disciplina escolar das escolas públicas
do Rio de Janeiro. Identifique o sentido argumentativo dos
seguintes textos, e separe, por meio de
b. melhora a aprendizagem nas escolas públicas.
barras, a tese e o(s) argumento(s).
c. propicia a prática do diálogo e diminui a violência.
a. “Meu carro não é grande coisa, mas é o bastante para
d. reforça a ideia de que a resolução de desentendi-
o que preciso. É econômico, nunca dá defeito e tem
mentos ocorre pela força.
espaço suficiente para transportar toda a minha família.”
Avalia-se assim a habilidade de os alunos reconhecerem
b. “Veja bem, o Brasil a cada ano exporta mais e mais;
a tese de um texto – tarefa que pode ser mais ou menos com-
além disso, todo ano batemos recordes de produção
plexa em função do nível de explicitude da tese. Como vimos,
agrícola. Sem contar que nosso parque industrial é
nesse caso, a alternativa correta é a letra C, que apresenta a
um dos mais modernos do mundo. Definitivamente,
tese explicitada logo no primeiro parágrafo – como convém a
somos o país do futuro.”
textos dissertativo-argumentativos.
Ao discutir a atividade, é produtivo o professor explicar, c. “Embora a gente se ame muito, nosso namoro tem
sobretudo aos alunos que assinalarem a alternativa A, que a tudo para dar errado: nossa diferença de idade é
informação de que 20 escolas do Rio de Janeiro já adotaram grande e nossos gostos são quase que opostos.
a proposta da Unesco é um fato que compõe a argumenta- Além disso, a família dela é terrível.”
ção que defende a tese, mas não a tese em si. Com isso, já se
d. “Como o Brasil é um país muito injusto, toda política
delineia antecipadamente dois tópicos a serem tratados em
social por aqui implementada é vista como demago-
seguida: como estabelecer relação entre a tese e os argu-
gia, paternalismo.”
mentos oferecidos para sustentá-la e reconhecer diferentes
estratégias de argumentação. Ao debater sobre esse exercício, o professor pode ex-
Antes disso, porém, importa ainda esclarecer que a es- plicitar como os argumentos se relacionam com as teses
colha da alternativa B sugere uma leitura pouco acurada, que que defendem: em (A), temos uma constatação (tese) segui-
leva a uma inferência equivocada, e que a alternativa D apre- da das motivações (argumentos) que a fundamentam: Meu
senta uma informação que se contrapõe à tese, consistindo carro não é grande coisa, mas é o bastante para o que pre-
em uma contradição. ciso (TESE)./ É econômico (argumento 1), /nunca dá defeito

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SAEPI 2015 | Revista Pedagógica

(argumento 2)/ e tem espaço suficiente para transportar toda fundamenta a tese. Já o argumento pela ilustração visa refor-
a minha família (argumento 3). çar a adesão a uma regra reconhecida e aceita, fornecendo
Já em (B), o texto parte de exemplificações para, então, casos particulares que esclarecem o enunciado geral. Neste
enunciar uma proposição (tese): Veja bem (vocativo), o Brasil caso, a argumentação se desenvolve em sentido contrário:
a cada ano exporta mais e mais (argumento 1);/ além disso, da tese (regra geral) para os argumentos (casos isolados),
todo ano batemos recordes de produção agrícola (argumen- enquanto a argumentação por exemplos se desenvolve por
to 2)./ Sem contar que nosso parque industrial é um dos mais meio de casos isolados em direção à regra (tese).
modernos do mundo (argumento 3)./ Definitivamente, somos Para esclarecer melhor esses conceitos, vamos a um exem-
o país do futuro (TESE). plo prático de um conjunto de atividades que contemplam as
A letra (C) retoma a mesma estrutura de (A): Embora a seguintes habilidades exigidas pelas matrizes de referência:
gente se ame muito, nosso namoro tem tudo para dar errado 1. Identificar a tese de um texto.
(TESE):/ nossa diferença de idade é grande (argumento 1) e 2. Estabelecer relação entre a tese e os argumentos ofe-
nossos gostos são quase que opostos (argumento 2). Além recidos para sustentá-la.
disso, a família dela é terrível (argumento 3).
3. Reconhecer diferentes estratégias de argumentação.
E assim como (B), (D) parte de uma causa que funciona
Leia o texto abaixo e responda as questões seguintes:
como justificativa a uma enunciação, que, por sua vez, é a
A ciência que explica porque se deve gastar o dinhei-
consequência constatada: Como o Brasil é um país muito
ro em experiências, e não em coisas
injusto (argumento),/ toda política social por aqui implemen-
A maioria das pessoas busca a felicidade. Há economis-
tada é vista como demagogia, paternalismo (TESE).
tas que pensam que a felicidade é o melhor indicador para
Com esse exercício, o professor auxilia o desenvolvi-
a saúde de uma sociedade. Sabemos que o dinheiro pode
mento das habilidades de identificar a tese de um texto e a
nos deixar mais felizes, ainda que depois das necessidades
de estabelecer relação entre a tese e os argumentos ofere-
básicas serem atendidas, ele não incremente tanto assim nos-
cidos para sustentá-la.
sa felicidade. Mas uma das grandes questões é como usar o
Por fim, cabe pontuar algumas estratégias de argumenta-
dinheiro, que (para a maioria de nós) é um recurso limitado.
ção, que são os recursos utilizados para convencer o leitor/
Há uma pressuposição lógica que a maioria das pes-
interlocutor, para persuadi-lo, transmitindo credibilidade. Uma
soas faz quando gasta dinheiro: que já que um objeto físico
das estratégias mais eficientes é o argumento de autoridade,
dura mais, ele nos deixará felizes por mais tempo do que
pois utiliza a citação para fortalecer a tese do argumentador.
uma experiência temporária como ir a um show ou um pa-
Para reconhecer um argumento de autoridade, o aluno deve
cote de viagem. Uma pesquisa recente revelou que essa
identificar, no texto, alguma citação, direta ou indireta, de pes-
pressuposição está completamente equivocada.
soa especializada no assunto tratado. No caso do texto sobre
“Um dos inimigos da felicidade é a adaptação”, disse o
a mediação de conflitos, o segundo parágrafo do fragmento
Dr. Thomas Gilovich, um professor de psicologia na Univer-
apresenta a opinião do sociólogo Jorge Werthein, da Unes-
sidade de Cornell que tem estudado a questão do dinhei-
co, sobre o assunto. Além de apresentar formação acadêmica
ro e da felicidade por mais de duas décadas. “Compramos
pertinente ao tema abordado, o referido profissional ainda tra-
coisas para ficarmos felizes, e isso funciona. Mas só por um
balha na Unesco, instituição de reputação reconhecida inter-
tempo. As coisas novas são excitantes no início, mas então
nacionalmente. Caso o texto tratasse da epidemia de dengue
nos adaptamos a elas.”
no verão, um argumento de autoridade seria a opinião de um
Em vez de comprar o último iPhone ou um BMW novo,
médico, vinculado a alguma instituição de prestígio, como as
Gilovich sugere que obteremos mais felicidade gastando di-
universidades federais, hospitais-escola, santas casas etc.
nheiro em experiências tais como visitar exposições de arte,
Há também o argumento pelo exemplo e pela ilustração,
fazer atividades na natureza, aprender coisas novas ou viajar.
que podem tornar o texto mais claro, auxiliando sua com-
Os resultados obtidos por Gilovich são a síntese de estu-
preensão. Na letra B da atividade anterior, vimos a tese de
dos psicológicos conduzidos por ele e outros cientistas quan-
que o Brasil é o país do futuro defendida por meio de exem-
to ao paradoxo de Easterlin, que descobriu que o dinheiro é
plos, que são fatos citados para apoiar uma definição (a de
capaz de comprar a felicidade, mas só até certo ponto.
que o Brasil é o país do futuro). É um tipo de argumento que

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Língua Portuguesa - Ensino Médio | SAEPI 2015

(ANDOLINI, Luciano. Papo de homem, 11 abr. 2015. Dis- apresenta um argumento fundamentado no senso comum e a
ponível em:<http://bit.ly/1PgjQSg>. Acesso em: 25 jan. 2016) E não apresenta um argumento, mas uma questão em aberto.

1. Assinale a alternativa que apresenta a 3. Assinale a alternativa que apresenta um


tese defendida no texto: argumento ilustrativo:

a. Dinheiro traz felicidade. a. Dinheiro não traz felicidade.

b. A felicidade é o melhor indicador da saúde de uma b. O dinheiro é ilimitado para algumas pessoas.
sociedade.
c. Teremos mais felicidade gastando dinheiro em expe-
c. O inimigo da felicidade é a adaptação. riências.

d. Gastar o dinheiro em experiências, e não em coisas, é d. As pessoas ricas são mais felizes.
o que traz felicidade.
e. “Uma viagem me deixa mais feliz do que um celular
e. O dinheiro é um recurso limitado para a maioria das novo”, disse uma pessoa entrevistada na pesquisa.
pessoas.
Gabarito: E. Esta é a única alternativa que apresenta um
Gabarito: D. As demais alternativas apresentam argu- caso particular que reforça a tese defendida no texto.
mentos contidos no texto, inclusive a alternativa A, que apre-
senta apenas uma parte do argumento “o dinheiro é capaz
de comprar a felicidade, mas só até certo ponto”. A tese é
sugerida logo no título, mas se torna explícita somente no
quarto parágrafo.

2. Assinale a alternativa que apresenta um


argumento de autoridade:

a. Teremos mais felicidade gastando dinheiro em expe-


riências.

b. Gilovich, um professor de psicologia na Universidade


de Cornell que tem estudado a questão do dinhei-
ro e da felicidade por mais de duas décadas, sugere
que obteremos mais felicidade gastando dinheiro em
experiências, tais como visitar exposições de arte, fa-
zer atividades na natureza, aprender coisas novas ou
viajar.

c. O dinheiro é capaz de comprar a felicidade, mas só


até certo ponto.

d. A maioria das pessoas busca a felicidade.

e. Uma das grandes questões é como usar o dinheiro.

Gabarito: B. Neste caso, é importante que o professor


explicite aos alunos que os argumentos contidos nas alter-
nativas A e C, embora sejam embasados nos estudos do
professor Gilovich, não são estruturados como argumentos
de autoridade, pois não apresentam – isolados do contexto
– nenhum especialista no assunto tratado. Já a alternativa D

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Vice-Reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (em exercício da Reitoria)
Marcos Vinício Chein Feres

Coordenação Geral do CAEd


Lina Kátia Mesquita de Oliveira

Coordenação da Unidade de Pesquisa


Tufi Machado Soares

Coordenação de Análises e Publicações


Wagner Silveira Rezende

Coordenação de Design da Comunicação


Rômulo Oliveira de Farias

Coordenação de Gestão da Informação


Roberta Palácios Carvalho da Cunha e Melo

Coordenação de Instrumentos de Avaliação


Renato Carnaúba Macedo

Coordenação de Medidas Educacionais


Wellington Silva

Coordenação de Monitoramento e Indicadores


Leonardo Augusto Campos

Coordenação de Operações de Avaliação


Rafael de Oliveira

Coordenação de Processamento de Documentos


Benito Delage
Ficha catalográfica

PIAUÍ. Secretaria Estadual de Educação do Piauí.

SAEPI – 2015/ Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação, CAEd.

v. 1 ( jan./dez. 2015), Juiz de Fora, 2015 – Anual.

Conteúdo: Revista Pedagógica - Língua Portuguesa - Ensino Médio.

ISSN 2238-0574

CDU 373.3+373.5:371.26(05)