Você está na página 1de 6

Análise do comparativo entre Custo Padrão versus Custo Real dos produtos de uma

indústria têxtil: Uma forma de gerenciamento de custos

Bárbara Araújo Carneiro1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
aquiebabi@hotmail.com
Telefone: (84) 3223-1519

Juliana Rabêlo de Medeiros2
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
julianardm@hotmail.com
Telefone: (84) 3236-4770

Lorena Mayane Alcântara de Queiroz3
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
lorenamayane@yahoo.com.br
Telefone: (84) 3214-4707

Edzana Roberta F. da Cunha Vieira4
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
edzana@hotmail.com
Telefone: (84) 3234-3127

RESUMO:
O sistema gerencial de custos é uma ferramenta utilizada para coletar e usar
informações que serão empregadas no auxílio e na coordenação de decisões de planejamento
e controle no gerenciamento de uma organização, facilitando o direcionamento dos gerentes e
funcionários. Visto isto, este artigo mostrará o sistema de custeio que é adotado em uma
indústria do setor têxtil, localizada no estado do Rio Grande do Norte, estudando a respeito do
modo como o gerenciamento de custos tem afetado positiva e negativamente uma organização
têxtil. Tendo como objetivo analisar o comparativo entre o custo padrão versus custo real dos
produtos, verificando assim as possíveis divergências para uma posterior investigação das
causas que resultaram essa diferença. Através da realização dessa análise, iremos confirmar se
é realizada a gestão dessas diferenças para tomadas de decisões futuras em busca de melhorias
em seu desempenho perante a concorrência, visualizando a maximização de seus lucros.

Palavras-chave: Sistema de gestão de custos; Custo padrão; Custo real.

1
Graduanda do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
2
Graduanda do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
3
Graduanda do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
4
Mestre e Professora do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Orientadora)

as decisões de curto prazo (HORNGREN. não é eficaz.1. na comunicação. identificação do produto. segundo Sandra Figueiredo e Paulo César Caggiono (2006. é “um conjunto de princípios e definições que decorre de crenças específicas e traduzem o conjunto de idéias. a produção. principalmente quando elas não são fieis o suficiente para transmitir a real situação analisada. cada vez mais. 47). 363). os administrativos. Para uma melhor utilização da informação estratégica. em relação à quantidade. institucionais e de informação. No que se refere especificamente ao sistema de custo. uma vez que estas. da sua real importância. p. SILVA. o sistema de controle gerencial engloba questões financeiras e não- financeiras. razão pela qual é de suma importância para a gestão empresarial a pertinência na sua análise. DATAR. 2009. no levantamento. sem conhecimento da sua procedência. por exemplo. impactando assim todos os demais subsistemas empresariais”. tem-se como certo a necessidade de certificação da procedência da informação e da conscientização. vêm buscando criar estratégias compatíveis com o modelo de gestão escolhido. p. faz-se necessário que este . precisa obter para poder desenvolver estratégias adequadas para o futuro (OLIVEIRA. muitas vezes. como forma de maximizar seus resultados. conforme ensina Eliseu Martins (2003.. de maneira geral. ao analisar seu ambiente operacional. Isso porque. qualidade e fixação do melhor momento para a produção. A informação exalta sua relevância estratégica em todas a três etapas do processo de gestão (planejar. ou com conhecimento tardio. 30). A captação alheatória ou intempestiva de informação. principalmente se nele a gente acredita”. crenças e valores dos principais executivos. focada na otimização da utilização dos recursos disponíveis. A idéia de gestão da informação leva aos chamados sistemas de controles gerenciais. Sistema de gerenciamento de custo A necessidade de superação e destaque no mercado nacional e internacional. JR. por servirem como fundamentos para a gestão empresarial. para que preste a mesma com a maior fidedignidade e clareza possível. A informação estratégica é aquela a qual a empresa. vem.1 INTRODUÇÃO 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2. executar e controlar). por exemplo. FOSTER. como. Não raro é preferível deixar de se ter um dado do que tê-lo errado. “Má informação é. faz-se necessário que o captador ou fornecedor desta tenha conhecimento da sua finalidade e utilidade. Modelo de Gestão. traduzida como objetivo essencial e permanente da organização. exigindo a necessária realização de uma boa gestão empresarial. tendo como foco a missão da empresa. 221). organizacionais. p. proporcionar aos gerentes informações sobre as margens de contribuições individualizadas dos produtos. por parte dos fornecedores dela. facilitando. poderão ocasionar uma decisão de total reestruturação empresarial. na organização e na utilização.p. No intuito de alcançar tais objetivos os gestores. Desta forma. os quais devem estar fielmente alinhados de acordo com as estratégias e objetivos empresariais. por exemplo. na eficiência da redução dos custos e na maximização das riquezas. afetando. assim. Os subsistemas empresariais englobam os mais diversos focos. 2004. pior do que nenhuma. de forma a poder. De forma ampla.

somente ao serem vendidos.2 Custeio por Absorção O custeio por absorção consiste na apropriação de todos os custos. substituição de tecnologia. p. Desta forma.3 Custo Padrão O custo padrão por ter duas vertentes tem conceitos e visões diferenciadas. sejam eles diretos e indiretos. O grande vilão da utilização desse tipo de custeio são os custos fixos. a não ser as já programadas em função de uma perfeita manutenção preventiva etc. em longo prazo. Como o custeio por absorção inclui todos os custos de produção nos custos de produtos. segundo Garrison. Dessa forma. considerando as peculiaridades e necessidades. Porém. até porque é de significativa importância que a inserção do sistema se dê de forma gradativa. Essa idéia de custo padrão ideal surgiu através da tentativa de se produzir um custo “em laboratório”. com constantes verificações. é também chamado com freqüência de custeio total. somente após um estudo minucioso. O ideal é que o sistema seja personalizado. criado de acordo com a necessidade e objetivos da empresa. Em geral. treinamento. entre outros. não variam de acordo com a quantidade que venha ser produzida. lançando-se mãos das palavras de Eliseu Martins (2003. seria. a 100% da capacidade da empresa. 228): “O custeio por absorção aloca uma parte do custo geral fixo de produção a cada unidade do produto. Brewer (2007. alterações e aprimoramentos. evitando a importação de sistemas ou mesmo a utilização de sistemas pré-fabricados e mais detalhados que o necessário. os resultados advindos da opção pelo sistema normalmente se dão de forma graduada. 2. p. analisando o caso concreto. avaliação e consideração da informação por ele fornecida. o custo padrão ideal está em desuso. Isso porque. 363): “A escolha do sistema depende do objetivo que com ele se pretende atingir. Apesar do desenvolvimento da tecnologia e da informática ter contribuído para a utilização de tais sistemas. As informações são caras e sua utilidade não é igual em todos os níveis de detalhes. detalhado e individualizado. apesar de serem extremamente necessários. através de estudos detalhistas de movimentos e tempos na parte operacional de uma fábrica. reestruturação do trabalho. os custos dos artigos são reconhecidos no “estoque” dos produtos acabados. Portanto. com base na atividade da empresa e na pretensão dos gestores poderá ser analisada a viabilidade ou não de implantação do sistema. Sua adoção em pacotes é temerária”. juntamente com os custos gerais variáveis. em razão da necessidade de adaptação dos funcionários. Noreen. Ele pode ser um custo padrão Ideal ou custo padrão Corrente. sem nenhuma parada por qualquer motivo.” 2. para que seja feita a verificação do total gasto na elaboração de um determinando produto. no término da produção. a relação custo benefício da implantação do sistema. correções de falhas. com a mais eficiente mão-de-obra viável. pela capacitação para produção. é que. pois são responsáveis pelo funcionamento da indústria. fixos e variáveis. bem como a melhor forma de estruturação deste.envolva quantificações físicas e monetárias como forma de possibilitar uma melhor mensuração. O custo padrão Ideal segundo Martins (2003). de forma global e concreta. sendo apropriados ao resultado. Os custos fixos. já que os mesmos. por ser algo praticamente impossível de ser alcançado . seu nível de detalhes também depende disso e do quanto se gastará para sua obtenção. então o valor conseguido com o uso dos melhores materiais possíveis. é importante que a empresa analise.

que é o utilizado na prática. é o efeito psicológico sobre o pessoal. comparar o padrão com o real. método ou critério de contabilização de custos (como Absorção e Variável). as pessoas que irão fazer a análise comparativa do custo padrão Ideal versus custo real. já o custo estimado segundo Martins (2003). as . E este pode ser positivo ou negativo. por isso as diferenças. equipamentos. sempre irão se deparar com grandes diferenças. E seria uma meta da empresa a longo prazo. mesmo tendo dificuldades. será totalmente desestimulante. a empresa acaba fazendo disso uma obrigação que se torna um aspecto positivo para si. é o de fixar uma base de comparação entre o que ocorreu de custo e o que deveria ter ocorrido. mas sim uma técnica auxiliar. pois ele só existe. Caso o padrão utilizado seja o Ideal. Consequentemente. mudança de equipamentos etc. os colaboradores examinarão as divergências e procurarão as devidas explicações e soluções de forma eficiente.pelos funcionários. parte da hipótese de que a média do passado é um número válido e apenas introduz algumas modificações esperadas. por levar em consideração as deficiências existentes em termos qualitativos de material. e foi acompanhado pelos responsáveis de cada área abrangida. O custo padrão corrente é uma ferramenta para planejamento e controle dos custos. Mas para essa comparabilidade ter sentido. o sistema de gerenciamento de custos tem que ser confiável. é uma meta de curto a médio prazo. pois os colaboradores saberão que nunca irão atingir o objetivo. isso será devido a distorção causada pelo custo padrão ideal. Outro objetivo do custo padrão Corrente. ser comparado e analisar as divergências existentes. essa atualização deve ocorrer no mínimo de três em três meses. ao invés de estimulante o desafio de alcançar a meta. Portanto. Caso contrário. Da mesma forma será quando essas análises chegarem à alta administração na forma de relatórios. portanto os funcionários saberão que essas divergências não têm soluções. e a mesma estivesse consumindo mais energia do que deveria esse fato nem seria percebido. algo perfeito. os gestores não darão importância. decorrente da adoção de qualquer base de comparação fixada para efeito de controle. e procurar as soluções das divergências. E isso nos leva a conclusão de que o Corrente não é outra forma. ou seja. ele funcionará como um estímulo para os funcionários atingirem os objetivos traçados. se ocorresse algum problema de regulagem em uma máquina. pois aumenta seu controle interno. mão-de-obra. é como há necessidade de mantê-lo atualizado. A diferença entre ambos é que: o custo padrão Corrente requer um estudo de cada área envolvida com a produção do bem ou prestação do serviço para ser feito um levantamento detalhado das informações necessárias. Da mesma forma funcionará. pois sabem que são metas utópicas. quando forem feitas as análises das diferenças entre o custo padrão Corrente versus custo real. É o que chamamos de administração por exceção. porém alcançável. ou seja. é preciso a cooperação de vários setores para as informações serem repassadas para a contabilidade. portanto. e a parte administrativa responsável não acompanhe a fixação do custo padrão. serão repassadas informações falsas. fornecimento de energia etc. Como visto em Martins (2003). só será responsável pela transformação dos dados em valores de custos reais. Já o custo padrão corrente. e das diferenças encontradas buscar as explicações junto aos responsáveis das áreas. porque ai o custo real calculado será verdadeiro. dependendo da forma de tratamento dispensada à implantação. por exemplo. o custo real não pode ser substituído pelo custo padrão Corrente. outra finalidade do custo padrão Corrente. e a alta administração tomará decisões erradas. não admitindo a ocorrência de falhas. Se o custo padrão foi estabelecido com uma meta difícil. Conforme Martins (2003). para após a apuração do custo real. seu grande objetivo. Para o custo padrão corrente ficar em dia. tais como volume de atividade. Porém. a contabilidade em si. É um valor que a empresa pode alcançar. O custo padrão Corrente pode ser confundido com o custo estimado.

então. CAGGIANO. ciclo médio de produção e outras taxas sobre o preço de custo. talvez transação a transação. 2006.quantidades físicas de fatores de produção e outras informações técnicas específicas são obrigação dos encarregados do setor produtivo. porém essa informação. por si só. Partindo do custo do bem ou serviço calculado. mercado de commodities etc. pois tendo conhecimento dos custos dos produtos já se tem um dos requisitos necessários para calcular o preço de venda. despesas administrativas fixas. é preciso saber o grau de elasticidade da demanda. Essas taxas são divididas em cinco grupos: • Despesas de vendas: composta pela comissão dos vendedores. 3. Sandra. furtos. seria. 3 METODOLOGIA 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS FIGUEIREDO. que vai desde o monopólio ou do monopsônio até a concorrência perfeita. não é suficiente. • Financiamento das vendas: utilizado para financiamento das vendas da empresa (vendas a prazo). para administrar preços de vendas. perdas. de acordo com os critérios existentes de custeio. mais o custo unitário do produto. tem- se o preço de venda. encargos sociais sobre comissões. Paulo César. agrega-se uma margem. que de acordo com Martins (2003). • Despesas de estrutura: onde entram as despesas de venda fixa. que é um conjunto de taxas que representam a condição comercial da empresa para se calcular o preço de venda. embora seja necessária. sem dúvida é necessário conhecer o custo do produto. Além dos custos. São Paulo: Atlas. uma referência. Ao se levantarem essas taxas que compõem o markup. os preços de produtos substitutos.ed. Uma das finalidades do custo padrão é a formação do preço de venda. • Resultado desejado: que é a lucratividade que a empresa deseja ter sobre o preço de venda. • Impostos sobre vendas: são os impostos que incidem sobre o preço de venda. Controladoria: teoria e prática. sujeita a ajustes – para mais ou para menos – de acordo com as condições de mercado e com negociações específicas com cada cliente. denominada de markup. . os preços de produtos dos concorrentes. fretes e outras taxas sobre o preço de venda. devoluções. a estratégia de marketing da empresa etc. e tudo isso depende também do tipo de mercado em que a empresa atua. taxa de manutenção de capital de giro. Segundo Martins (2003).

ed. Rio de Janeiro: LTC.. Controladoria Estratégica. São Paulo: Atlas. SILVA. OLIVEIRA. Carlos A. 9. 2004. José H. 2003. P. Contabilidade de Custos. São Paulo: Prentice Hall. Eliseu. Contabilidade Gerencial. 11. V. MARTINS. São Paulo: Atlas. DATAR. 2009. de. FOSTER. Contabilidade de Custos. George.ed.. Charles T. 2007. Ray H. 11.GARRISON. Peter C..ed. HORNGREN.. Luís M.ed. .2. 5.. Eric W. dos S. Srikant M. NOREEN. BREWER. JR.