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UFBA/IHAC

Estudos do desenvolvimento

NECESSIDADES HUMANAS E
DESENVOLVIMENTO
Noções básicas de economia

Profa: Angela Franco


1. FENÔMENO ECONÔMICO: AS NECESSIDADES

 Desde os tempos primitivos, o homem (e os demais organismos vivos), teve que


fazer esforços p/ satisfazer a maior parte de suas necessidades: trabalho humano

 Sobre esta atividade primordial, a humanidade criou suas civilizações e


organizou suas sociedades: necessidade de ganhar a vida > organização social
(famílias, clãs, tribos, Estado) + “espírito criativo” (moral, leis, artes, ciências,
técnicas) na busca do marco vital mais propício à satisfação das necessidades
básicas

 Volume de necessidades tem a ver com:

 grau de desenvolvimento alcançado pelas comunidades


 crescente domínio técnico sobre o meio físico + ampliação/esmero do âmbito
cultural
 ampliação + multiplicidade das necessidades no mundo contemporâneo: independe
do fato de que na prática o homem consiga obtê-las
 questão própria das sociedades de consumo: capacidade de ter novas e crescentes
necessidades é estimulada sistematicamente pela publicidade/meios de
comunicação através de sua associação com: a) segurança/felicidade/prestígio; b)
efeito demonstração das sociedades mais adiantadas sobre as mais pobres,
provocando nestas uma explosão de aspirações
NECESSIDADES NAS SOCIEDADES HUMANAS

 Necessidades individuais absolutas (respirar, comer, dormir, habitar, procriar etc)


associadas a necessidades relativas/ou da estrutura social (dadas pelo conjunto de
normas, valores etc, relacionados às necessidades biológicas (Ex: uso de talher para
comer; cama para dormir)

 Tais necessidades não são idênticas e não se manifestam no mesmo grau de desejo
para os indivíduos devido a: o gosto, a moda, os costumes + nível
cultural/sensibilidade espiritual (combinação que gera, por sua vez, novas
necessidades relativas)

 Necessidades coletivas: importância do Estado (marco da evolução do mundo no


sentido de reconhecer como necessidades coletivas, de grupos, um número
crescente de situações antes tidas como privadas (medicina curatica, abastecimento
básico, moradia etc)
2. PROBLEMA ECONÔMICO

 Organização do emprego de RH e materiais disponíveis para satisfazer


necessidades individuais e coletivas de uma comunidade

 Quem bens produzir? Como produzi-los? Como distribuí-los

 Respostas não são puramente econômicas: inúmeros fatores de ordem


social, política, histórica, tecnológica
• O que produzir: ao mesmo tempo, resolver quais necessidades ficarão
insatisfeitas (a noção clássica de escassez)

• Como produzir: depende da fase histórica em que o processo econômico


ocorre (nível do progresso tecnológico e organizativo) > processo histórico
de aumento da produtividade (maior rendimento do trabalho humano)

• Como distribuir: problema mais delicado da Política Econômica

 desde a época primitiva (bens repartidos igualitariamente) até nossos dias,


os homens foram se diferenciando do ponto de vista social (classes) e do
ponto de vista técnico
 estrutura social moderna na qual é “natural” a acumulação de bens em
alguns setores/grupos e, simultaneamente, a escassez em outros: desnível
na distribuição de bens

• Solução e abordagem destas questões  diferentes quadros de


organização social e econômica, apoiadas em distintas concepções
filosóficas e políticas
3. FORMAS DE ORGANIZAÇÂO PARA RESOLVER O PROBLEMA
ECONOMICO

a) Regime de propriedade privada

• Bens de produção = propriedade privada

• Atividades econômicas= dirigidas/controladas por empresa privadas em um


mundo de livre concorrência

• Decisões tomadas automaticamente, através dos mercados, e preços


livremente expressos nas oscilações da oferta e da procura
a) Regime de propriedade privada

• O que produzir  indicação dos próprios consumidores ao criarem a


demanda correspondente (demanda efetiva = os que podem pagar por elas)
+ empresas produzem os bens demandados pelo público (que pode pagar)

• Como produzir  competição entre os fabricantes sob o lema: produzir pelo


sistema mais barato e dominar a concorrência

• Como distribuir  cada um só se apossará da quantidade de bens


/serviços pela qual possa pagar

• Intervenção do Estado = perturbadora/prejudicial, devendo limitar-se a


papel de vigilância do livre jogo da oferta e da procura, sem intervir na
produção + satisfação das necessidades alheias á órbita privada (justiça,
educação, defesa, obras públicas)
3. FORMAS DE ORGANIZAÇÂO PARA RESOLVER O PROBLEMA
ECONOMICO

b) Sistema de planificação central

• Solução dos 3 problemas básicos = Estado, mediante empresas públicas

• Interesses coletivos estão acima dos individuais

• Meta = máximo de bem estar e não o lucro

• Socialização dos meios de produção (propriedade coletiva administrada pelo


Estado)

• Objetivo principal: planificar a vida econômica (antes e a longo prazo)


b) Sistema de planificação central

• O que produzir = hierarquia das necessidades individuais (pela importância


e urgência de solução)

• Como produzir = análise total dos fatores disponíveis > desenvolvimento


equilibrado e harmonioso das possibilidades de bem estar social

• Como distribuir = a cada qual, de acordo com suas necessidades (etapa


avançada)> até lá, recompensa do trabalho depende de sua
qualidade/quantidade.

 Estado assegura, de antemão, trabalho como direito inalienável +


necessidades básicas gratuitas ou a preços muito baixos

• Nada de concorrência, pois o sistema trabalha com a idéia de “prejuízo”


3. FORMAS DE ORGANIZAÇÂO PARA RESOLVER O PROBLEMA
ECONOMICO
c) Sistemas mistos

• Os sistemas anteriores são “teóricos”. Na verdade, há sistemas mistos (mais comum:


capitalismo de Estado

• Coexistência de : setor público (empresas estatais e semipúblicas) e setor privado


(empresas privadas)

• Estado regulamenta, organiza e controla alguns aspectos da economia

• O que produzir = Estado influi direta ou indiretamente (criação de empresas públicas,


subvenções, politicas de estímulo (incentivos fiscais, isenção tributária), controle de
créditos)

• Como produzir = decidido no setor privado (pela concorrência) e no setor público


(planificação para atendimento da população e não para o lucro)

• Como distribuir (ou para quem produzir) = de modo geral, determinado pelo próprio
expediente dos preços, mas Estado zela para:
garantir bens/serviços baratos e/ou gratuitos
uma renda pessoal suficiente (salário mínimo, etc) e/ou controlando preços e
evitando abusos na concorrência
4. CRITICAS AOS SISTEMAS

a) Sistema liberal

• Livre concorrência perfeita tem mais caráter de mito: a) sempre houve


interferência dos Estados; b) crescente concentração contemporânea das
empresas em monopólios
• Criticas partem de setores antagônicos: Igreja (incompatibilidade com
princípios cristãos) e marxistas (organização social que admite/se baseia na
exploração do homem pelo homem)

• Criticas principais:
• Altamente injusto produzir apenas para os que podem pagar mais e não para
todos os que necessitam
• Mercado se concentra na produção de bens determinados (demanda e
necessidade não são forçosamente iguais) > recursos escassos empregados
em bens suntuários/escassa significação social
• Diante do caráter social do processo de produção, não é possível que as
decisões sejam tomadas por indivíduos/grupos que além do mais, se apropriam
dos frutos produzidos
4. CRITICAS : a) Sistema liberal
• O interesse social (dominante) nem sempre coincide com o interesse coletivo
• Injusta a distribuição dos bens entre os que podem pagá-los e não entre os
que os necessitam. Sistema dá possibilidades às classes + abastadas de
acumularem cada vez +bens, impedindo sua justa distribuição
• Busca do lucro, associada á propriedade privada dos elementos de produção
como motor da atividade econômica, gera situações ‘criminosas” (Ex: queima
de produtos alimentícios para gerar escassez e manter artificialmente preços
elevados)
• Regido pelo nível dos preços, sistema tem contradições que conduzem a
crises periódicas, atingindo toda a ordem social/econômica : desemprego e
miséria humana
• Regime de trabalho assalariado transforma FT em mercadoria como qualquer
outra: rebaixamento da condição humana a “coisa”
• Sistema separa trabalhador da empresa e do capital (meios de produção),
colocando-o em oposição a elas
• Sistema tem sido eficaz para conseguir expansão econômica, mas:
economias desenvolvidas X paises subdesenvolvidos
4. CRITICAS: b) Sistema de planificação central (socialismo)

• Liberais como críticos principais

Criticas mais comuns:

• Planificação estatal pode levar a ditadura politicamente, i.é, supressão


completa das liberdades individuais inerentes à democracia

• Estado é sempre mau administrador: exuberante burocracia que impede


produção a baixo custo, perturbando o progresso econômico

• Sistema transforma indivíduos (diferentes entre si por natureza) em peça do


sistema geral, anulando sua personalidade (obrigação de consumir o que o
Estado quer, em quantidade e qualidade, e de exercer o tipo de atividade
considerada mais conveniente)

• Suprime a propriedade privada dos meios de produção (direito natural do


homem)

• O homem é um ser naturalmente egoísta e, suprimidas as expectativas de


lucro e de progresso individual, não há estimulo que aprimore e estimule sua
capacidade individual
4. CRITICAS AOS SISTEMAS

c) Sistemas mistos

• Ataques tanto dos liberais (pela intromissão do Estado), como pelos marxistas
(pelo peso decisivo da empresa privada)

• Principal critica: existência de planos em que os setores público e privado se


chocam reciprocamente, gerando resultados anárquicos e deficientes.