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UFBA/IHAC

Estudos do desenvolvimento
NOVA ORDEM MUNDIAL
Principais características e implicações para
o desenvolvimento

Profa: Angela Franco


Nova ordem mundial
1. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA

• 3ª Revolução industrial

• Modelos flexíveis de gestão da produção e do trabalho

2. GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA

• Redução do poder regulador dos Estados Nacionais

• Financeirização da economia: “desmaterialização da riqueza”

3. NEOLIBERALISMO

• Estado = entrave quando impõe limites aos ganhos de capital


3ª Revolução industrial
• Papel do desenvolvimento científico/tecnológico no desenvolvimento do
capitalismo: transformações estimuladas e base de novas
transformações; o dinamismo da competição capitalista

• Puxada pelo Japão e Alemanha: crise do petróleo > vulnerabilidade >


busca de novas matérias-primas e maior produtividade p/ responder à
desaceleração da atividade econômica

Características da 3ª Revolução Industrial

● a) Liderança do complexo eletrônico/microeletrônico; biotecnologia;


novos materiais, telemática (telecomunicações + informática)

● b) Revoluciona base produtiva (sobretudo a produção industrial):


automação integrada e flexibilidade > rompe rigidez da base técnica do
fordismo > capacidade de adaptação às exigências do mercado sem
necessidade de mudar as máquinas (muda a programação)
3ª Revolução industrial

• Resulta em novos modelos de gestão empresarial, novos processos


de trabalho e novas formas de gestão da mão-de-obra

• Novas exigências de qualificação da mão-de-obra:

 perdem importância o esforço físico e desenvolvimento dos sentidos


 crescem desenvolvimento intelectual, capacidade de raciocínio lógico;
de interpretar e responder mensagens, identificar relações de causa-
efeito
 aumentam requisitos escolaridade

• Transforma a vida cotidiana e os conceitos de tempo e espaço

• Redefine os setores de ponta e estratégicos da economia:


telecomunicações, telemática
MODELO FLEXÍVEL DE GESTÃO DA PRODUÇÃO E DO
TRABALHO
ORIGEM

• Adaptação do fordismo a um país com limitações de território, matérias-


primas e mercado. Reconstrução do Japão no Pós-guerra

• Ohno (TOYOTA) – novas formas de gestão para vencer o desafio de:


produzir pequenas quantidades de grande número de produtos
(Fordismo = rígido X Modelo japonês = flexível) > Evoluir para um
sistema de produção diversificada >Disputar mercado externo

CARACTERÍSTICAS

• Produção estabelecida pela demanda > padrão crescentemente


diferenciado. Automação e telemática tornam possível ligação “on line”
de todos os envolvidos no processo

• Flexibilidade em processos, produtos e padrões de consumo >


rápida mudança de modelos
MODELO FLEXÍVEL DE GESTÃO DA PRODUÇÃO E DO
TRABALHO

• Sistema de organização/gestão da produção e do trabalho

a) Just-in-time: redução de estoque; estoque 0 (“produzir no tempo certo,


na quantidade certa)

b) Tarefas de controle de qualidade integradas às tarefas de produção –


defeito 0. CCQ, procedimentos para evitar falhas (KANBAN)

c) Trabalho > em equipe. Multihabilidades e multifunções. Aumento


salarial/promoção depende de rendimento da equipe

d) Estímulo à participação do trabalhador p/ melhoria da produção


(envolvimento no aperfeiçoamento técnico e mudanças tecnológicas).
Responsabilização do trabalhador/ equipe pela qualidade. Qualidade
total
MODELO FLEXÍVEL DE GESTÃO DA PRODUÇÃO E DO
TRABALHO
• Sistema de relações inter-empresas
Rede de subcontratação (terceirização) = elemento fundamental do
modelo japonês

• Sistema de representação sindical: sindicato é da empresa

DISSEMINAÇÃO DO MODELO

• Adoção fragmentada: diferenças entre os ambientes sócio-econômicos


e culturais  universalização dos modelos de gestão (sem os
elementos de regulação próprios da cultura japonesa)

• Tentativas mais humanizadas e democráticas: Suécia (Kalmerismo) e


Itália (terceirização de alta tecnologia)

• BRASIL: anos 90 (“Década da qualidade”, “epidemia” competitividade) e


ênfase nos custos (flexibilidade na gestão e uso da mão-de-
obra)  velhas práticas + elementos do modelo japonês
GLOBALIZAÇÃO
• Aprofundamento (nos anos 80) da internacionalização das relações do
capitalismo impulsionada pelo processo de reestruturação produtiva
(iniciado nos anos 70 nos países centrais)

Tendências estruturais do capitalismo potencializadas pela


globalização

• Competitividade cada vez mais feroz e mundializada

• Intensificação da concentração/centralização de capitais: domínio


mundial de poucas empresas gigantescas em cada ramo produção

• Superdimensionamento da esfera financeira (“acumulação fictícia”)


ambiente cada vez mais instável, crescimento da incerteza e do risco

• Potencialização da possibilidade de crise e seus efeitos destrutivos em


escala planetária
GLOBALIZAÇÃO
Elementos novos trazidos pela globalização

• Concorrência cada vez mais acentuada é baseada no domínio do


conhecimento/informação (vantagens competitivas naturais perdem
importância)

• Relação centro/periferia mais complexa: cresce a subordinação dos


países periféricos em relação aos centrais (Ex: abertura comercial X
defasagem tecnológica)

• Fragilização da maioria dos Estados Nacionais X maior poderio das


maiores potências (através das instituições multilaterais)

• Formação de um mercado financeiro mundial

• Modelos/práticas culturais mundiais usufruídas por minorias (inclusive


aquelas da periferia do sistema)

• Mundo mais semelhante: uso de altas tecnologias/padrões de consumo


sofisticados + desigualdades econômicas/exclusão social
NEOLIBERALISMO
• HEGEMONIA CULTURAL A PARTIR DOS ANOS 70

• Guia teórico e prático para partidos e governos



• Vulgarizado para o grande público, com apoio/influência da mídia

• Hegemonia de princípios quanto à forma de pensar a vida em sociedade
(influências no cotidiano dos indivíduos)

• Continuação/renovação do liberalismo dos séculos XVIII e XIX

• ORIGEM DO NEOLIBERALISMO

• Pós Segunda Guerra Mundial, como reação teórica e política ao Estado


intervencionista (keynesiano): Estado do Bem Estar Social (Europa) e
New Deal (EUA)
NEOLIBERALISMO: PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS
Estado = entrave (qdo. impõe limites aos ganhos de K)  recusa a
políticas (macroeconômicas, setoriais e regionais) por parte do Estado

a) plano econômico:
defesa da moeda (estabilidade dos preços e cumprimento dos
contratos e da livre concorrência) + desregulamentação em geral (em
especial do mercado de trabalho)

b) plano social:
 Nada de políticas p/ diminuir a desigualdade entre os indivíduos (isto
acomoda os beneficiários e enfraquece a competição, maior motor da
sociedade)
 aversão a soluções de natureza coletiva (próprias do bem estar do
pós-guerra): a ação social, quando necessária, deve ser dirigida ao
indivíduo (ou a segmentos de população)

c) plano político:
 democracia representativa, Estado de Direito e direitos individuais (na
prática, reformas neoliberais sob ditaduras, ex Chile e Perú)
 descaracterização de qualquer ação coletiva (sobretudo da sindical),
vista como corporativista e contrária ao “interesse geral”
DESENVOLVIMENTO E GLOBALIZAÇÃO
Reestruturação produtiva

• Velocidade nos transportes/comunicações e flexibilidade nos arranjos


produtivos  descentralização da produção  a “vez” dos espaços
periféricos  o favorecimento do desenvolvimento local

Globalização da economia

• Aumento do controle centralizado (grandes corporações)  a


importância do local na estratégia competitiva das corporações
globais a “descoberta” do local  o lado “refém” do desenvolvimento
local

• Redução/redefinição do papel dos Estados Nacionais  a valorização


do local como protagonista do desenvolvimento

Neoliberalismo
• Ausência de políticas nacionais de desenvolvimento regional  a
competição entre os locais  outro lado “refém” do desenvolvimento
local