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1830 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.

o 96 — 24-4-1998

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Foi ouvida a Associação Nacional de Municípios
Portugueses.
Assim:
Decreto-Lei n.o 105/98 Nos termos da alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o da
Constituição, o Governo decreta o seguinte:
de 24 de Abril

A proliferação descontrolada por todo o País dos mais Artigo 1.o
diversos meios da chamada publicidade exterior, nomea-
damente quadros, painéis, tabuletas, anúncios, ecrãs, Objecto e âmbito
focos luminosos, cartazes ou inscrições, tem produzido
uma gravíssima degradação da paisagem em Portugal, 1 — O presente diploma regula a afixação ou ins-
sobretudo na proximidade das estradas fora dos aglo- crição de publicidade na proximidade das estradas nacio-
merados urbanos. nais constantes do plano rodoviário nacional fora dos
Essa degradação atinge, de forma manifesta e into- aglomerados urbanos.
lerável, um importante valor ambiental que ao Estado 2 — O disposto no presente diploma não prejudica
incumbe proteger, pelo que importa adoptar medidas a aplicação de quaisquer outras regras legais ou regu-
que permitam inverter a presente situação. lamentares mais restritivas da publicidade na zona das
A Lei n.o 97/88, de 17 de Agosto, que sucedeu ao estradas ou nos terrenos limítrofes, designadamente as
Decreto-Lei n.o 637/76, de 29 de Julho, definiu o enqua- destinadas a garantir a segurança rodoviária ou a inte-
dramento geral da publicidade exterior, sujeitando-a a gridade e visibilidade da respectiva sinalização.
licenciamento municipal prévio e remetendo para as
câmaras municipais a tarefa de definir, à luz de certos Artigo 2.o
objectivos fixados na lei, os critérios que devem nortear
Definições
os licenciamentos a conceder na área respectiva.
Permanece válido esse regime geral, tendo em conta, Para efeitos do presente diploma entende-se por:
por um lado, a necessidade de um mecanismo de con-
trolo administrativo e, por outro, a descentralização a) Publicidade — a definição adoptada pelo artigo 3.o
recomendada pela proximidade das câmaras municipais do Código da Publicidade, aprovado pelo
face à realidade local. Decreto-Lei n.o 330/90, de 23 de Outubro, com
Porém, o problema particular suscitado pela publi- a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei
cidade exterior na área de vizinhança das estradas nacio- n.o 6/95, de 17 de Janeiro;
nais fora dos aglomerados urbanos reclama tratamento b) Aglomerado urbano — a área como tal delimi-
especial uniforme, que permita salvaguardar nessas tada em plano municipal de ordenamento do
situações o ambiente e a paisagem face às inúmeras território ou, na sua ausência, a delimitada nos
agressões de que têm sido alvo. termos do artigo 62.o do Decreto-Lei n.o 794/76,
A solução adoptada, atenta a gravidade do problema, de 5 de Novembro;
passa pela proibição da publicidade fora dos aglome- c) Estradas nacionais — as vias definidas como tal
rados urbanos e visível das estradas nacionais. Para no plano rodoviário nacional.
garantia de eficácia desta disposição, concedem-se às
entidades fiscalizadoras, que são as direcções regionais
Artigo 3.o
do ambiente e as câmaras municipais, um conjunto de
competências sancionatórias, a que se juntam outros Proibição
poderes de autoridade não menos importantes, como
o de remover a publicidade ilegal, se necessário com 1 — É proibida a afixação ou inscrição de publicidade
recurso à posse administrativa do terreno em que a fora dos aglomerados urbanos em quaisquer locais onde
mesma esteja afixada ou inscrita. a mesma seja visível das estradas nacionais.
Admitem-se, contudo, algumas excepções à referida 2 — São nulos e de nenhum efeito os licenciamentos
proibição, as quais não prejudicam, todavia, as dispo- concedidos em violação do disposto no número anterior,
sições legais ou regulamentares mais restritivas que sendo as entidades que concederam a licença civilmente
regulam a publicidade na zona das estradas ou nos ter- responsáveis pelos prejuízos que daí advenham para os
renos limítrofes, designadamente as vocacionadas para particulares de boa fé.
garantir a segurança rodoviária e a integridade ou visi- Artigo 4.o
bilidade da respectiva sinalização.
Quanto à publicidade já afixada ou inscrita, perma- Excepções
necem válidas as respectivas licenças, embora não pos- A proibição prevista no n.o 1 do artigo anterior não
sam ser renovadas. Por outro lado, a publicidade ilegal abrange:
que não seja retirada pelos seus responsáveis poderá
ser removida pelas entidades fiscalizadoras. a) Os meios de publicidade que se destinem a iden-
Com este novo regime especial, o Governo pretende tificar edifícios ou estabelecimentos, públicos ou
criar o enquadramento jurídico que permita uma efec- particulares, desde que tal publicidade seja afi-
tiva salvaguarda do valor ambiental que é a paisagem xada ou inscrita nesses mesmos edifícios ou
na área de vizinhança das estradas nacionais, contanto estabelecimentos;
que este esforço seja complementado pelo criterioso uso b) Os anúncios temporários de venda ou arren-
do poder de licenciamento por parte das entidades com- damento de imóveis, desde que neles loca-
petentes e pelo rigor das acções de fiscalização tendo lizados;
em vista assegurar o cumprimento da lei e dos regu- c) Os meios de publicidade de interesse cultural
lamentos aplicáveis. ou turístico.

trabalhadores. n. ilícita nos termos do presente diploma. da operação de remoção. objecto o fornecimento de bens e serviços ou lizar os meios humanos e materiais adequados. as entidades fis- calizadoras notificam os infractores para que procedam à sua remoção. a posse administrativa. 2 — O disposto no número anterior não prejudica indicará os titulares conhecidos de direitos reais sobre as competências próprias da Junta Autónoma de Estra. expensas do infractor. pelo 1 — As entidades fiscalizadoras podem ordenar. nomeadamente para garantir a todo o tempo o acesso de funcionários. a remoção da publicidade ilegal.o existentes. contra-ordenações. viaturas essa publicidade. Remoção 2 — As obras de demolição a que se refere o número anterior não carecem de licença. o tutela sobre a área onde se encontra afixada ou inscrita embargo ou demolição das obras de construção civil a publicidade. que contrariem o disposto no presente diploma. número anterior. trabalhadores.o ou inscrita a publicidade ilícita. para além de iden- como entidades fiscalizadoras. corre sempre a 2 — A tentativa e a negligência são puníveis. quando não pagas volunta- acessórias: riamente pelo infractor no prazo de 20 dias a contar da notificação para o efeito. 1 — Após o decurso do prazo previsto no artigo ante- rior. fixando-lhes. para o efeito.o 92/95. podem ainda ser 4 — As quantias relativas às despesas geradas com aplicadas. puníveis com coima de 50 000$ a 3 — A remoção de publicidade a que se refere o n. o mesmo e a data do acto administrativo referido no das. de 9 de Maio. servindo de título executivo cer. 1 — A violação do disposto no artigo 3. Artigo 11. competindo às autoridades policiais disponibi. presente diploma compete às direcções regionais do 2 — A posse administrativa terá lugar mediante a ela- ambiente e às câmaras municipais. por si mesmas.o máximo de 30 dias. as seguintes sanções os trabalhos de remoção. Embargo ou demolição de obras 2 — No caso de não serem identificáveis todos os infractores haverá lugar à afixação de editais. bem como Sanções dos respectivos suportes ou materiais. e máquinas ao domicílio de cidadãos. bem como a reposição do terreno nas condições em que se Artigo 8. de acordo com as dis- 1 — A fiscalização do cumprimento do disposto no posições legais aplicáveis. c) Privação do direito de participar em arrema- ção regulada nos números anteriores gozam de pro. e 2 — Quando a remoção seja efectuada pelos serviços o desrespeito dos actos administrativos que determinem públicos ou com recurso a meios por si contratados. nos termos gerais. 750 000$. 1 — Detectada a afixação ou inscrição de publicidade caducando automaticamente após o termo da operação. nos termos do artigo seguinte.o 1. as entidades fiscalizadoras podem. licenças e alvarás. são cobradas através dos a) Perda de objectos pertencentes ao agente e uti- tribunais tributários.o. a demolição de obras ou a reposição do rior podem ser declarados perdidos a favor do Estado. Notificação 3 — A posse administrativa manter-se-á durante todo o período em que decorrerem os trabalhos de remoção. os suportes ou materiais a que se refere o número ante- o embargo.N. o qual. tidão passada pela entidade fiscalizadora comprovativa b) Privação do direito a subsídio ou benefício das despesas efectuadas.o respectiva afixação ou inscrição. e de 100 000$ ainda que efectuada pelos serviços públicos ou com a 9 000 000$. outorgado por entidades ou serviços públicos. no caso de pessoas singulares. . 5 — Os funcionários incumbidos de proceder à remo. recurso a meios por si contratados. 1 — Os proprietários ou possuidores de locais onde 7 — Não haverá lugar a posse administrativa sempre for afixada ou inscrita publicidade em violação do pre. 4 — Em casos de especial gravidade da infracção pode viaturas e máquinas ao local onde se encontre afixada dar-se publicidade à punição por contra-ordenação. adiante designadas boração do respectivo auto. incluindo ainda a descrição sumária dos meios de publicidade em causa e das construções Artigo 7.o promover a remoção da publicidade afixada ou inscrita em violação do disposto no presente diploma.o encontrava antes do início das obras. um prazo Artigo 10.o 1.o 1 — O acto administrativo que tiver determinado a posse administrativa será notificado aos titulares de Fiscalização direitos reais sobre o prédio. 3 — Simultaneamente com a coima. Posse administrativa Artigo 6. 2 — A remoção de publicidade ao abrigo do número anterior corre a expensas da entidade responsável pela Artigo 9. tificar o prédio ou de fazer a sua identificação física. no caso de pessoas colectivas. terreno na situação anterior à infracção constituem nos termos da lei. as entidades fiscaliza- Afixação indevida doras podem tomar posse administrativa do prédio res- pectivo. nos mesmo período. no âmbito geográfico do município com termos do Decreto-Lei n. 6 — Quando necessário para efeitos da boa execução d) Suspensão de autorizações.o 96 — 24-4-1998 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1831 Artigo 5. que a operação de remoção da publicidade ilícita impli- ceituado no presente diploma podem retirar ou destruir que o acesso de funcionários. lizados na prática da infracção. a atribuição de licenças ou alvarás. tações ou concursos públicos que tenham por tecção.

adaptado a que respeitam ser imediatamente removidos após o à realidade. e em 40 % para a entidade instrutora do processo de contra-ordenação. Regiões Autónomas. ambiente.o 1 do área em que se verificar a infracção. 2 — Os infractores a que se refere o número anterior Referendado em 16 de Abril de 1998. de molde a 2 — Os titulares de quaisquer licenças relativas a adequá-lo à nova realidade económica e social. nos termos dos artigos 8. o titular da respectiva licença terá ciação Nacional de Municípios Portugueses. expressamente nessa afixação ou inscrição. con- meios de publicidade sitos fora dos aglomerados urbanos tribuindo. no essencial. Guterres. José Eduardo Vera Cruz Jardim — Joaquim Augusto tos e nomeadamente para punição como agentes das Nunes de Pina Moura — Elisa Maria da Costa Guimarães contra-ordenações previstas neste diploma. devendo os meios de publicidade Este regime tem-se mostrado. diploma.o res — António Luciano Pacheco de Sousa Franco — Jorge Infractores Paulo Sacadura Almeida Coelho — Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho — João Cardona Gomes Cravinho — 1 — São considerados infractores.o do fiscalizadoras. acordo salarial para 1996 e compromissos de médio e 3 — Na falta da prova referida no número anterior. O Primeiro-Ministro. 3 estrelas ou equivalente. quando no existência das mesmas junto das direcções regionais do exercício de funções públicas.o direito a ser reembolsado do valor da taxa de licen- Competências ciamento proporcional ao período compreendido entre a data de remoção da publicidade e a de caducidade 1 — A instrução dos processos de contra-ordenação da licença. quando deslocado em serviço público em território nacional.o Artigo 16. JORGE SAMPAIO. longo prazo. bem como ordenar o embargo ou demolição pesas de alojamento contra a apresentação de recibo das obras inerentes à afixação ou inscrição dessa publi. da despesa efectuada em estabelecimento hoteleiro até cidade. no âmbito do diploma. demolição ou reposição da situação anterior. desde que estes hajam cele- rior. 1 — Permanecem válidas. Publique-se. são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causa- dos a terceiros. ciante. de entre as quais 4 — Se os responsáveis pela publicidade ilícita não se realçam: a inclusão.o a 10. Porém.o 519-M/79. poderão proceder à sua cionários e agentes optarem pelo reembolso das des- remoção.os 3 e 4 do artigo 8. Ferreira — José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. 3 — Os anunciantes eximir-se-ão da responsabilidade prevista no número anterior caso provem não ter tido Decreto-Lei n.o 106/98 prévio conhecimento da actuação infractora. aplicável o regime previsto nos n.1832 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N. celebrado com as organizações dos tra- a publicidade afixada ou inscrita presume-se ilícita. mencionando o respectivo resultado das negociações efectuadas no âmbito do local e prazo de vigência. de 24 de Abril Artigo 15.o do presente brado acordo com o Estado. o titular do suporte Promulgado em 7 de Abril de 1998. junto significativo de alterações pontuais.o 96 — 24-4-1998 Artigo 12. a agência publicitária ou outra entidade que exerça a actividade publicitária. incumbe às entidades fiscalizadoras. as associações sindicais e a Asso- cidade licenciada. no presente diploma. no prazo de 30 dias a contar da entrada em A maioria das modificações que ora se efectuam é vigor do presente diploma.o o Artigo 13. justifica-se a introdução de um con- termo do prazo de vigência da respectiva licença. publicitário ou o respectivo concessionário. cidade tenha sido afixada ou inscrita. — António Manuel de Oliveira Guter- Artigo 14. Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 8 de Janeiro de 1998. no Decreto-Lei vadas.o 4. as licenças já concedidas que violem o disposto n. Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das 5 — Em qualquer caso de remoção indevida de publi. Entrada em vigor Produto das coimas O presente diploma entra em vigor no dia seguinte O produto das coimas reverte em 60 % para o Estado ao da sua publicação. a adopção do conceito de da entrada em vigor do presente diploma. de 28 de Dezembro.o O regime jurídico do abono de ajudas de custo e Regime transitório transporte ao pessoal da Administração Pública. balhadores da Administração Pública. para dignificar os funcio- e visíveis das estradas nacionais devem fazer prova da nários e agentes da Administração Pública. do pessoal promoverem a sua remoção no prazo de 30 dias a contar contratado a termo certo.o. . Código Civil e a consagração da faculdade de os fun- mos previstos no artigo 7. incluindo os emergentes da remoção. António Manuel de Oliveira embargo. encontra-se fixado há cerca de 20 anos. as entidades domicílio necessário consagrado no artigo 87. 6 — Nos casos referidos no número anterior não será 2 — A aplicação das coimas e sanções acessórias pre. o anun. se tiver consentido O Presidente da República. consideram-se responsáveis do ambiente ou ao presidente da câmara municipal da pela publicidade as pessoas a que se refere o n. artigo 14. mas não poderão ser reno.o vistas no presente diploma compete ao director regional 7 — Para efeitos do n. assim como o proprietário ou possuidor do prédio onde a publi. ao mesmo tempo. para todos os efei. ou ainda ordenar a reposição da situação ante. após notificação prévia efectuada nos ter.