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e s p e c i a l

Arembepe

r e v i s t a

ponto
movel
cidade do
saber

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Sumário
GENTE QUE
FAZ 34

LÁ VEM
HISTÓRIA 36

SABERES E 16 DICAS
FAZERES CULTURAIS 38

PAINEL
CRIATIVO 40
MOVIMENTO
ARTÍSTICO 20

AÇÃO
GOVERNAMENTAL 24

AREMBEPE 06
26 ESPAÇO
VERDE

NOSSA
14 SABOR DA TERRA 32 LAZER 34
GENTE

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arembepe
Editorial

Como vivem os moradores de lugares Raimundo Pinheiro. O quarto número da culturais, das belezas naturais e da culinária
tão simples, afastados do burburinho revista, assim como as outras edições, é um desse lugar, conhecido internacionalmente
das grandes cidades, mas que revelam desdobramento do trabalho realizado pelo por abrigar o movimento hippie, no final
influências recebidas de gente de toda parte Ponto Móvel – estrutura disponibilizada a dos anos 60. Até hoje, Arembepe chama
do mundo? Como é perpetuada entre as partir de um caminhão baú adaptado para a atenção pelo peculiar modo de vida
gerações a tradição de se rezar uma trezena? levar cultura, esporte e lazer à população de presente na Aldeia Hippie.
E como conviver com tanta beleza natural Camaçari e seu entorno. A coletânea integra
sem agredir o meio ambiente? as diretrizes da Cidade do Saber, que busca Em outras edições, leia também sobre Barra
também registrar, preservar e divulgar a do Pojuca, Monte Gordo, Barra do Jacuípe,
Esses e outros aspectos são apresentados cultura local. Jauá, Areias, Vila de Abrantes e o povoado de
aqui, nesta série especial de publicações Cordoaria (remanescente quilombola).
da Cidade do Saber – Instituto Professor Neste número, dedicado a Arembepe,
mostramos um pouco das manifestações Convidamos você a viajar nessa história!

Boa leitura!

Esta publicação segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em vigor desde janeiro de 2009.

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Distrito de Monte Gordo Sejamdos bem vin Camaçari 1 Barra do Pojuca 2 Monte Gordo 3 Barra do Jacuípe Cidade do Saber Sede Camaçari 4 Arembepe Cordoaria 8 5 Areias Distrito de Abrantes 6 Jauá 7 Vila de Abrantes 5 .

integrantes e simpatizantes do movimento Há aspectos da cultura indígena (no hippie. quem visita Arembepe encontra uma expressão tupi-guarani e quer A antiga vila de pescadores guarda as suas bem mais do que o encantador ambiente dizer: “aquilo que nos envolve”. o cineasta Roman (pesca como atividade de subsistência habitadas pelas famílias de pescadores. O ambiente é depoimentos de amor pelo lugar. Encanta tradições.. antes Stones) e Janis Joplin. 6 . Há um quê de valorização da simplicidade. do nome. por exemplo). influências. o que a consolida simplicidade nos modos de vida.. certamente. uma das nas características do modo de viver dos de respeito às diferenças. ainda hoje. a recursos da como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Richard Gere. contracultura (que gerou o movimento de não aderir. Isso porque abrigou inúmeros origens e de “bagagem” cultural distintas. e s p e c i a l arembepe Arembepe: aquilo que nos envolve Arembepe é. de toda parte do Brasil e do mundo. comum a convivência entre pessoas de Camaçari. veranistas e visitantes. já que se tornou localidades mais famosas da orla de moradores. passado mas. presentes como espaço da diversidade. Também teve gente da terra. no final dos anos 60. Por da cultura afrobrasileira (culinária. contribuições da comunidade alternativa personagens interessantes. no Brasil). O lugar faz mesmo jus ao significado destes anos. que lhe confere peculiaridade. hippie e implicou na formação da Aldeia de vida moderna como a luz elétrica e água Arembepe. Polanski e os atores Jack Nicholson e e como fonte de geração de renda) e da e na opção. atraindo gente artesanato e nomes de ruas. principalmente. na forte tradição de famílias de baianas evidenciada na manutenção das fachadas como os cantores Mick Jagger (Rolling de acarajé do lugar). da cultura litorânea de algumas residências antigas. Tal qualidade é lá passaram celebridades internacionais. São heranças culturais diversas. pelo “caldeirão” de (hippies e mochileiros) e também de e presente de muitas trocas culturais. evidente sem perder o charme. dos moradores da Aldeia. a única que resistiu ao longo encanada. que “caminham” junto com as natural pode oferecer: histórias e e envolve pela natureza inspiradora. A palavra Arembepe traduz Assim.

Diferentes visuais de Arembepe Artesanato local 7 .

Ela botava água Geo. do vilarejo. com saudosismo. 90 anos. habitantes: “Na época de Reis. “Na Caraúna. quem não sabia comprava na nos tempos de criança. ela ia buscar na mais marcantes e muito conhecida em Aldeia e no Cacimbão (próximo à Rua A lembrança dos tempos em que Arembepe é a Trezena de Santo Antônio. Geo já também relembra. era uma alegria Moradora da Rua da Caraúna. todo ano eu rezo a trezena de pescadores. mas era sempre botava uma lata de 18 litros na cabeça pra dos Mouros. já carregava água na cabeça. quando a maioria ela não abre mão da prática e fé tradicional. entre um prato típico do período: mingau. não tinha nada. quando a população artista local junto com os adultos. mungunzá. Responsável pela trezena. Seu pai e cinco irmãos de Santo Antônio. que. o recurso era o “fifó”. 7 e 8 anos. vinha um Dona Francisca Batista de Souza. Antes era em uma pescavam. Terno de Boi do Conde. resgata o que viveu junto com outras mulheres da comunidade. diz não tinha água encanada. para abastecer as tem um sonzinho pra animar”. Feira de São Joaquim”. Boi. a cuia”. diz Geo. “A gente participou da Chegança. Angélica da Purificação. A devoção ao santo é tanta que é passada banho. 8 . já tinha a Chegança. aos poucos. “Mas a gente gostava mais Arembepe ainda era apenas uma vila realizada na primeira quinzena de junho. tem os fogos. com e uma camisona que ele passava no ferro ternos”. vermelha acordado pra cantar e dançar com os buscar água na cacimba. mãe vivia de botar água de ganho porque gente está na Associação de Moradores”. Todos colaboram e sempre se oferece Ela complementa as memórias das Obra de arte pra Arembepe inteira”. ele era Secretário tentava dormir cedo. Meu marido também de Reis. São saía cheio de lanternas feitas com papel “Aqui tinha muito terno pela rua em Dia lembradas até mesmo as dificuldades como de seda colorido. veio de uma família pescadores. Tinha roupa bonita. completa. o que garantia fartura de “Não tinha energia. Minha barraquinha de palha e madeira. da Caraúna). sabia fazia. “Na última noite. de carvão”. “Quem conhecida como Geo. era mais gostoso”. Para garantir nativos do lugar. como das casas era de taipa e lá só moravam todos a chamam. de ir ao rio da Aldeia porque tomava está viva na mente de vários moradores. Dona Doê. A gente a falta de água encanada e de luz. que participou de muitas brincadeiras e lembra: aspectos que marcaram sua vida. manifestações culturais dos tempos de Servilho. luz em casa. e s p e c i a l arembepe Influências do passado Geo também conta que uma das tradições De vez em quando. alguns danada! Aqui tinha o Terno da Rosa. Agora a comida em casa. de Arembepe não passava de 500 construções das primeiras casas de bloco. entre as gerações.

Geo organiza a trezena de Santo Antônio Dona Doê (à frente) e a filha Aica 9 .

a escolinha e as netas também”. como a Chegança capitaneada semana. que saía de Arembepe achavam que ela era rica”. conta como moradores foram acolhendo os viajantes que para melhor. Em 2009. O lugar só passou a ser mais nunca tinha andado”. com os quais mantém mais de 50 associados. entorno Se estivesse viva. que também por uma tradição. o que revela um diferencial. A iniciativa atende Parque Interlagos. os para o exterior. popular. Sudeste do Brasil e de fora do país. que De pacata aldeia de pescadores a cenário de mantém até uma escolinha para as Outra mulher que ficou muito conhecida. convive com a comunidade há 23 anos. “Era um a escola com as roupas que eles me davam e para resgatar o lúdico e o belo na vida dos acarajé famoso. Manifestação da cultura conhecido quando o cineasta Glauber Rocha hippies. como o aspecto ambiental. foi Dona todo o Brasil e de algumas partes do mundo. pela associação. Ioná Mamona. diz Doê. onde há veranistas do ainda era novidade. explica que há Rita diz que a mãe vendia no condomínio roupas por comida. A tradição foi passando pra beneficiários vêm se destacando também gente. a convite dos amigos por Dona Bete. Miúda. da Aldeia e do Brasil. Todas as filhas sabem fazer acarajé “Entre os que chegaram a Arembepe está na escola formal. Como consequência do trabalho. geralmente encenada só por rodou lá Barravento (seu primeiro longa- homens. A professora da contato até hoje. acolheram os viajantes. que já foi ao Existe até tradição reinventada décadas frequentavam Arembepe nos finais de Rio de Janeiro e São Paulo de avião. como os projetos mantidos atende moradores o bolinho de feijão ganhou fama fora do se encantavam e acabavam ficando. então minha filha ia para a moradores da Aldeia e do entorno. Missival (ainda morador e proprietário da da Aldeia foi vencedora de um edital do Pousada da Fazenda) e Paulo Montoro. Ivana Mascarenhas Graça. Arembepe foi descoberta por gente de crianças. Arembepe é mesmo um recanto peculiar. “Minha mãe ficou muito conhecida. explica Rita. responsável por um dos mais Apesar de estranhar a chegada de pessoas com conta que algumas coisas mudaram para saborosos acarajés da região. conta. “que depois. “Muitos deles trocavam escolinha. filme. alunos. estaria vendendo acarajé Dona Doê foi uma das moradoras que mais A Amah existe há mais de 15 anos e tem há 60 anos”. e outras Escola Menino Luz filhas. Rita Maria de Cássia. muitos pior. Outros ainda vêm aqui uma vez por ano. apenas alguns baianos muitos me ligam”. a Chegança ganhou essa versão metragem). Até a década de 60. 10 . Na época. usar jeans o projeto Menino Luz. A Aldeia Hippie conta com uma feminina. Associação de Moradores (Amah). que Governo Federal para Pontinhos de Cultura. e s p e c i a l arembepe Marca Feminina Aldeia Hippie era filho do governador de São Paulo. Uma de suas estilo de vida e “visual” tão diferentes.

Ficam responsáveis por articular e impulsionar as ações que já existem nas comunidades. através de seleção por editais públicos. Arembepe tem também um Ponto de Cultura: Rita diz que o a Associação Cultural Abolição Capoeira.gov. que firmam convênio com o Ministério da Cultura (Minc). através de ações culturais. Pontos de cultura Além do Pontinho de Cultura da Aldeia Hippie.cultura. Saiba mais: www.br 11 . do país E o que são Pontos de Cultura? São iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil. que acarajé da mãe realiza um trabalho de desenvolvimento da ficou famoso fora cidadania.

Marquinho. hesitam. com encantos preservados há revelado em Arembepe. em por Arembepe e não quer mais sair de lá. Além de hábitos saudáveis em prol da qualidade Universitário de Surf ) e Bruno Mateus oferecer condições para a prática de surf. lagoas e rios formam veteranos surfistas usufruem das boas em competições: Lucas Guilherme paisagens peculiares. proximidades da Aldeia. na Aldeia Marco Fernandez. Tomar banho de “água promessas do surf brasileiro. Brasileiro de Surf Amador. No Piruí. foi um dos dois baianos da equipe Não é à toa que tanta gente se encanta Os “locais” (surfistas do lugar) não brasileira no Mundial Pro Junior. têm adultos podem praticar mergulho. Na entrada. sim. no Litoral Norte e gaviões completam o cenário com o baiano. Depois Arembepe são consolidados. praias. os jovens ou Arembepe vêm se destacando Dunas. A Praia do Piruí ondas. Além disso. um dos janeiro de 2010.. criado e eventos esportivos. e s p e c i a l arembepe “Bonita por natureza. Vale a diversão ou a prática de (tricampeão Baiano do Circuito é um dos lugares especiais. ” Surf revela talentos Mirim.. na categoria praiana do lugar. primos de Marquinho. na Austrália. na Terceira Praia ou nas Além dele. como é conhecido. Arembepe é. 18 anos. é uma das estímulo para as novas gerações de mais de 40 anos. outros “meninos” de verde dos coqueiros e o azul das águas. o que doce” na Aldeia está entre os programas de conquistar o título de Campeão promove o surf e fortalece a cultura prediletos de moradores e visitantes. exuberantes garças brancas melhores picos do surf. onde crianças e é procurada para os treinamentos Amador). apreciado sobre as dunas ou nas margens A cada título ou participação nos do balneário do Rio Capivara. a praia também (vencedor de etapas do Circuito Baiano reúne piscinas naturais. a referência e o Hippie. de vida. que antecedem algumas das mais representado a Bahia nas principais importantes competições do Nordeste competições regionais. 12 . Um poético pôr-do-sol pode ser do Brasil e do mundo.

Para saber mais: www.br 13 . são despejados a 12 km da praia. Lá. NÃO DEIXE DE IR: Emissário Submarino Rio Capivara integra visual da Entre as opções de lazer de Arembepe está uma Aldeia Hippie visita ao point conhecido como Emissário.cetrel.com. há bares e barracas. os do surf resíduos industriais. Apesar de estar localizado nas proximidades do Arembepe tem Emissário Submarino do Centro de Tratamento de revelado nomes Efluentes Líquidos do Polo Petroquímico (Cetrel). além de ser ponto de pesca com vara (no píer). com uma variedade de pratos típicos e o visitante dispõe da água de rio e de mar. tratados e diluídos para reduzir os impactos ambientais.

Confira a entrevista: para moradores e visitantes. ainda casas. A gente plantou tudo isso aqui com Arembepe vinham aqui e compravam está comigo. assava. é moradora de Coqueiros de Arembepe. Lauro de Freitas. Oito são mulheres. e Seu Ademilton faziam para sustentar senhora teve? Aqui tudo era mato. Dona Joana teve 18 filhos e relembra. A antiga moradora conta. Os moradores de a maioria está aqui. além da criação de animais. Tinha festa que entrava pela madrugada e irmãs. mangueiras e outras árvores Naquela época não havia carro. vim morar em Coqueiros. Primeiro fazíamos farinha e beiju. da época em que os no sol. arembepe Nossa Entrevista: Gente Dona Joana “Eu gosto muito de morar aqui Dona Joana Francisca Souza. Meu esposo também pescava. familiar e geração de renda. Alvacora. 14 . como foi a bolo. Dona Joana: Eu tive 18 filhos. onde coqueiros. Vermelho. Nós tínhamos por aí. só carro de a senhora nasceu? que dessem frutas. 76 anos. fazia moqueca. Estão todos Ademilton e dos irmãos dele. ainda. o que mais a senhora Revista Ponto Móvel: Quantos filhos a eu me casei. fazia carimã e vendia em Arembepe chegada da primeira televisão no povoado. Revista Ponto Móvel: Dona Joana. criei 13. que fica perto de Areias. Quando árvores frutíferas. Aqui tinha muita mangaba que a gente mandava um rapaz vender na Feira de São Joaquim. Eu dava para minhas ternos animavam os moradores de Arembepe. tudo isso. mas passava uma os filhos?  estrada que dava acesso a essas terras. do meu esposo Dona Joana: Plantávamos mandioca. num varal. boi. era muito difícil pra nós irmos até São Joaquim. A caçula. quando tinha muito. mas eles fizeram roças. zona rural. botava pra secar e da sua infância. ela conta um pouco da sua origem e. depois fizeram as casa de farinha e tudo. com saudade. agora eu que eram todas de irmãos. em Camaçari. Avani. Dona Joana: Eu nasci num lugar chamado Revista Ponto Móvel: Além de plantar Repouso. O Olho de Boi fresco é muito gostoso! A gente comia peixe fresco Nesta entrevista à Revista Ponto Móvel Cidade do Saber. onde muitos moradores têm no cultivo das hortas e nos pomares a base de sustentação trazia peixe bom pra casa: Olho de Boi. Eu vendia era marcada pela fartura de comida e bebida.

Agora só tem essas festas na época da Quaresma. Eu rezava Nossa Senhora das Candeias. Sou muito feliz por isso! brincava a noite inteira. igreja até de manhã. Eu matava um porco. Um ficava de lá. vendo uma feijoada. A gente fazia no mês Coqueiros? de janeiro. Aqui tinha o Terno do Boi. depois ele dançava o Boi. Era um divertimento muito bom. vinha muita gente que as minhas frutas. o dormia. De manhã cedo a gente oferecia um caçuá de manga e um caçuá de jaca. fazia aqui. aí os meninos melavam ele todo de visgo de jaca e colavam as bandeirinhas nele. a gente rezava na organizadas e grandes. tipo a lavagem. compadres. aí viravam Nossa Senhora das Candeias. Eu já fiz muita festa em minha casa. outro de cá. Antigamente. Porque eu tenho minha roça. No São João tinha muito samba que a senhora gosta de fazer? e ‘cumpadi de fogueira’. até Revista Ponto Móvel: A senhora gosta de hoje eu tenho ela. No tempo do Natal. a gente saia pelas casas e ninguém Revista Ponto Móvel: E hoje em dia. aí um pulava para o lado e Dona Joana: Frequento muito a Igreja de o outro pulava para o outro. Tinha um senhor que bebia muito. 15 . Acabou. Ah. tinha viola e samba dentro de casa e a festa num barracãozinho que Dona Joana: Eu gosto muito de morar nós fizemos. A casa ficava cheia de gente que vinha assistir e era uma Dona Joana: Nós nos divertíamos muito! animação.Revista Ponto Móvel: O que a senhora e quem primeiro comprou televisão em sua família faziam para se distrair? Coqueiros fomos nós.

Elizabete de Souza é filha do pescador Aos 10 anos. “Veio Antonio Fernandes de Almeida e da dona estudar e trabalhar como babá e lá ficou tudo na minha cabeça: as músicas. seu primo. do Governo do Estado. as letras. O grupo se estruturou. Cultura Popular da Secretaria de Cultura roda. pelos ternos que sua mãe participava. Na parte dos pandeiros. voltei”. conta. 16 . mas já gostava de outra Constituiu família. contou com ajuda financeira apenas de e aviões de guerra”. 40 “Tem um avião de guerra (2x). chamada Nego Fugido. Antonio Santa Rita. Arembepe há 67 anos. teve três filhos e passou a pedi a Paulo (da Chegança masculina) que brincadeira. no Brasil mulheres integram a Chegança Feminina. como toda criança. de Arembepe. vencedores do Edital de Manifestações de Revolta: mulher não faz Chegança. questão de honra para a mestra. acabou toda a batalha (2x)”. Ainda na infância. Hoje. No princípio. levar a sério a brincadeira da infância. brincava de roda. Então. Terno de Reis”. Quando Aos poucos o grupo foi se firmando. ele disse: “Minha comadre. Anotei e distribui entre o grupo. em 2009. e Dona Bete tinha apenas 9 anos. Vencemos todas as A “capitã Bete” ousou e recrutou algumas integrante com mais idade tem 70 anos e a questões (2x). viesse nos ensinar”. responsável adquiriu figurino e instrumentos e não “O Terno da Revolta era parecido com a pela Chegança (masculina). “Morria de saudades as danças. A a fama espalha (2x). Nascida em quase por sete anos. de casa Elisa Bertolo de Souza. manter a Chegança tornou-se uma um vereador e de um empresário local. eu não sabia tocar. mas ainda falou ao primo que ia fazer uma versão ganhou reconhecimento. Foi um dos lembra das quadras cantadas no Terno da feminina. arembepe Saberes e Fazeres Salve a Chegança Feminina! “A história que a gente canta é a história de um navio que veio de Portugal para o Brasil e no meio do mar encontrou os turcos. senhoras do grupo da terceira idade que caçula tem 10. Quando fiz 16 anos. Dona Bete foi para Salvador frequentava e começou a ensaiar. não pôde parou mais de se apresentar. faz samba-de. começou a se interessar Ela conta que por um problema de saúde Isso foi em 2002. Chegança. onde uma batalha foi travada”. só que a história era entre navios dar continuidade à manifestação.

Contato para apresentações: Mestra Bete (71) 3624-3382 Chegança comandada por mestra Bete 17 .

só tinha estrada até Portão”. Dito e certo. Sônia Braga foi uma das de aventuras. que chamaram a atenção acompanhar grandes desfiles. (71) 8718-1761 (no município de Saúde). até que se identificou Londres e ia fazer um show na Concha Durante os anos 70 suas criações ilustraram com a nova onda dos hippies e decidiu Acústica do Teatro Castro Alves. Em 1975 foi moda. onde começou a criar peças com Depois Manu viajou para a Bolívia e o Peru. peças em couro. arembepe Saberes e Fazeres Moda hippie para o mundo Contato para encomendas: Manu O estilista Manu nasceu no sertão da Bahia amanheceu. “Já sabia que Mick Jagger e Janis Joplin haviam estado por aqui. lembra. de Manu. Ficou em Arembepe por em São Paulo. estilizadas com meu corpo. “Ele não publicações nacionais. onde pôde alguma coisa pra trocar por comida. Desde nunca tinha vindo. Aí conchas e fui vendendo”. promovendo algum show. o caminho era esse. mas Em seguida. Uma Vogue e Cláudia. (sacos de alinhagem). achou que seria impossível sair Ramalho. por isso ficavam diferentes. De lá. no Ibirapuera. “Fazia as roupas no o seu gosto pela costura. experiências da grande metrópole. porque o acesso era encomenda de Maria Bethânia e viu que então estimula os nativos e visitantes a difícil. Conquistou em algodão. uma o material que coletava na praia. confeccionando peças cheia como anfitriã. lá estava ele com uma sacola desfiles. voltou para Arembepe. Ele conta que. quando clientes como Rita Lee. Manu recebeu uma Em 1997. 18 . amiga em comum levou uma e depois ele celebridades que posaram com as criações onde foi convidado para uma festa em acabou comprando outra”. Arembepe. Frequentou os eventos promovidos “Naquela época a gente tinha que fazer para o Rio de Janeiro e começou a produzir pela Rhodia. Das três anos. trouxe influências do artesanato marcou a sua trajetória: experimentar a indígena amazônico e inca. Depois de um tempo tinha roupa para a apresentação. Isso foi quando começou o burburinho”. viajar pelo país afora. Na capital paulista trabalhou em escritórios Caetano Veloso chegou do exílio de durante alguns anos. em 1969 voltou para a Bahia. mas morou de lá. Manu voltou a produzir só roupas Manu foi para a festa que teve uma lua de roupas para os artistas. Elba Ramalho e Fafá de Belém. como Manchete. despertando Comecei a criar roupas em algodão cru de Elke Maravilha. Ney Matogrosso. Sempre que tinha conhecerem as suas peças. dos 5 aos 20 anos. Zé exclusivas com sua marca.

Manu expõe suas peças no Centro Comunitário de Artesanato Criações de Manu fizeram sucesso entre artistas 19 .

o meu objetivo oportunidade a quem mora mais distante Já na segunda seletiva de Arembepe. avaliou. revelou. torcida organizada formada por amigos trabalhar com teatro. o Palco da Cidade . e precisamos de muito mais investimentos Para ele essa foi uma grande oportunidade culturais. num verdadeiro compositor Alex Mikimba e o grupo cênico. precisamos sempre estar com a mão na estrutura de um caminhão-baú adaptado massa e não ficar só no discurso. mais arte e cultura para a comunidade”. Cidade do Saber percorreu oito localidades Cidade do Saber. isso é muito cultura e ao esporte. “Nós. localidade que representou. de abrir portas para a prata da casa. Não só Já Josias Mercês dos Santos. realizado pelo Nelson Souza de Jesus. Geralmente as pessoas Núcleo de Produção do Teatro Cidade do “Nelson Bala”. sempre através culturais. Foram eles o cantor e contextualiza a ação com as demandas da para classificar finalistas. no foi mostrar meu trabalho. inclusive. trouxe importante. especificamente. com música. edição do Palco da Cidade. com 20 . principalmente nos aspectos de Camaçari. Saber para revelar os talentos artísticos de Djavan. minha do centro da cidade e de equipamentos Loteamento Fonte das Águas. artistas. como a sede da Cidade do Saber. dois dos concepção de vida. “Eu sempre quis abrilhantou a cultura local”. A primeira seletiva foi na Praça dos concorreram à classificação. contando. que interpretou uma música tendem a dar valor ao que é de fora. essas coisas que trazem a cultura do lugar do Projeto Palco da Cidade. “além Arembepe. O Palco da Cidade enriqueceu e E na Praça dos Coqueiros houve até de mostrar o trabalho. Ele chegou à semifinal. Um dos objetivos é dar culturais. arembepe Movimento Artístico Palco da Cidade Em Arembepe ocorreram duas seletivas e familiares para um dos artistas locais. maiores destaques de toda a primeira da música”. como também do Universo com Verso. O Ponto Móvel usa a musical Universo com Verso. conhecido como para as pessoas. porque aqui há muita cultura com um minipalco. uma das mais animadas de alcançaram as semifinais. grupo que todo o período em que o Ponto Móvel da participaram da grande final no Teatro conquistou o terceiro lugar do projeto. “festival de talentos”. integrante Coqueiros. em 2009. Por isso. Para para a oferta de serviços relacionados à Para Mikimba.

Palco da Cidade revela talentos das comunidades visitadas 21 .

onde de vez em quando ia vender seu artesanato. Liberdade. ninguém. a praia. os coqueiros dando material de construção e coco à vontade para qualquer emergência de fome e sede. algum curtidor chegou ao lugar e resolveu ficar. Li-ber-da-de! Estava fundado o paraíso”. sem ninguém protestar. Fez sua casinha com palhas de coqueiro e ninguém reclamou. ainda em fins dos anos 60. Arrumou ou já tinha uma companheira e foi ficando. ao som discreto das guitarras. ninguém para fiscalizar os comportamentos assumidos. 22 . de Beto Hoisel. discretamente. a natureza limpa. Ninguém para reclamar dos trajes ou da falta deles. o pôr-do-sol e o nascer da lua. Possivelmente. E. flautas e bongôs. principalmente. Arembepe logo ali. o rio. O lugar ideal para o amor. Foram aparecendo outros e outras. “Quando e como começou a Aldeia. fazendo suas casinhas e ficando. Silêncio e paz. não se sabe. arembepe Quem Conta um Conto? Bem vindo ao reduto da Aldeia Hippie Posfácio extraído do livro Naquele tempo em Arembepe. espalhou sua descoberta. nada para encher o saco. Tudo deserto. e. para um apoio imediato. Encontrou algum outro maluco fazendo colares e pulseiras em Itapuã ou Salvador.

Os hippies chegaram em grupos. quando mentes livres da juventude. poeta.Outra versão. divisa com a Fazenda Arembepe. Por Jasson Winck. que começou a crescer.. em Material de Informações Turísticas de Arembepe. influenciadas pelo festival Woodstock. Eles ocuparam as cabanas da aldeia. Os vaqueiros construíram a primeira cabana de palha para descansar e preparar as refeições. as barracas permaneceram. Após a venda da fazenda. Onde hoje está situada a Aldeia Hippie era originalmente a Fazenda Caratingui.. pela Tropicália e outros movimentos vieram para Arembepe.   “A Aldeia Hippie foi criada durante a década de 60.” 23 .

que. têm vestiários do camping e rede de esgoto a tradição. elos serão mantidos e evidenciados com intervenções. reurbanização Arembepe como lugar único. obra está dividida em sete trechos. nova ciclovia. As vegetação nativa. limpeza e recuperação da geração de emprego e renda. Mas os aproximadamente R$15 milhões. divisão de passeio ao aquecimento da economia local e a estimativa de investimentos de ecológico. das praças com iluminação cênica. reforçarão a posição de Bahia. iniciadas em 2010. com a história. com suas habilidades para criar e importantes destinos turísticos da alambrados e nova iluminação). rumo calçadão. para valorizar e evidenciar as belezas e traços culturais do lugar. iluminação. Estas serão as principais ações características culturais. pela Secretaria de Desenvolvimento em locais estratégicos. à qualidade de vida dos moradores. aproximam! 24 . com paisagismo. pórtico de entrada. arembepe Ação Governamental Revitalização de Arembepe Uma nova Arembepe.. Urbano de Camaçari (Sedur). em relação ao potencial turístico. campo de às contribuições dos moradores. nova reinventar. quadra poliesportiva. com as suas previsão de término em um ano e a interna. o alargamento do Tantas mudanças físicas serão somadas suas mais famosas localidades.. Esta é a proposta da Prefeitura Construção do estande de apoio Municipal de Camaçari para uma de ao turista. É possível? de Arembepe foi desenvolvido Aldeia Hippie com quiosques e deck Sim. à consolidação como um dos mais futebol revitalizado (com vestiários. que envolve e acolhe a todos que se O projeto de revitalização urbanística deck de acesso à praia e barracas. mágico.

Arembepe passa por obras de requalificação urbana 25 .

não só de relação positiva que o ser humano precisa crime ambiental regulamentado pela coqueiros. imprescindível a supervisão das dar sentido ao nome”. que e instituições ambientais para coibirem do Restaurante Mar Aberto. Rivelino alerta: “É reflorestamento de coqueiros na praça. Já achamos até “A gente começou no dia 21 de abril de 1997. de 200 a 300 pessoas. Afinal. Parte para a ação. conta Rivelino. a gente promove todo mesmo ciente de que resultados poderiam Reginaldo. Rivelino Martins de Eles formaram o que chamam de corredor prol da preservação. vem promovendo ações ecológicas ano o Movimento Arrastão Ecológico para ainda ser mais significativos. proprietário Ambiental são parceiras do projeto. para queimam tudo. e s p e c i a l arembepe Espaço Verde Rivelino é Seuexemplo de responsabilidade com o meio natural Ação Ecológica do Coqueiro Solidário Há mais de 13 anos. Limpec. a empresa Millenium e a Camaçari órgãos competentes e da comunidade “Ficamos sabendo que o Thierry. de Arembepe. a do Rio Capivara. geladeira dentro do rio!”. Souza preocupa-se com o patrimônio ecológico. limpeza de rios. plantaram milhares de mudas. tinha 22 mudas retira toneladas de lixo de Arembepe em ações e estruturas que desequilibram para doar”. Coqueiro Solidário. Antonio Segundo ele. À frente da ONG de futebol à estrada que dá acesso à Aldeia ambientais de toda uma comunidade. plantando 500 mudas do campo contribuindo para equilibrar os impactos natural de Arembepe. que Também integrante de outro movimento. A proposta era fazer um e fazem churrasco no pé das árvores. Nossa preocupação era porque aqui. junto com o seu sobrinho Hippie. “Alguns visitantes vêm união das organizações ambientais centenários. só havia seis coqueiros velhos. das pessoas. gigantes. Depois não pararam Rivelino é exemplo do compromisso e da infrações contra essa APA constituem mais. 26 . estabelecer com o meio ambiente em Constituição Federal”. a Prefeitura de Camaçari. Eles começaram construções erguidas nas áreas próximas com algumas mudas doadas pelo Sr. envolvendo envolvimento de outros cidadãos. “Além disso. com o maior significativas em Arembepe. um dos fundadores da Chegança. explica. setembro e janeiro. e ameaçam a paisagem natural do Rio. Chamamos a atenção dos Santa Rita. na Praça preocupa-se com a falta de consciência o SOS Rio Capivara. mas de outras árvores nativas. fundado pela dos Coqueiros. a área é protegida por lei e as Plantaram 60 coqueiros. praias e dunas. deixam lixo”.

APA RIO CAPIVARA: A APA Rio Capivara localiza-se no Distrito de Abrantes. à extração de areia e a degradação dos mananciais hídricos. restinga. Fonte: www. as agressões mais frequentes referem-se às queimadas. Camaçari. são elementos que propiciam a expansão da ocupação urbana.cra. Foi criada pela necessidade de conservação da área. lagoa. Os atrativos naturais. protegidos por leis federais e estaduais. mata secundária e praia. A flora e a fauna são ambientes peculiares e frágeis. aos desmatamentos. rio.gov. aliados à localização com fácil acesso. brejo. devido ao potencial turístico e pela presença de ricos ecossistemas: mangue.ba. dunas.br 27 . Na APA.

Na baiano. o que garante as crianças exercitam os cuidados com o 160 mil filhotes. de 6 a 15 anos”. o principio. Por temporada. 28 . marinhas que ocorrem no Brasil. recanto das tartarugas O Projeto Tamar foi criado em 1980. 30% de todas as desovas do Litoral Norte mobilizada pelo Tamar e hoje a gente tenta samba-de-roda. cerca de 2. que cultural. além do resgate acompanhados por nutricionistas. natureza não deixa de ter o seu espaço e protegidas pelo posto. tartarugas . Desde o início. com cultural e a preservação do meio ambiente. Além disso os alunos são Camaçari. cedida pela tem um foco em determinada atividade. Nos últimos anos a Prefeitura de Camaçari. os lanches oferecidos. envolvimento comunitário. aproximadamente. o resgate preservar as cinco espécies de tartarugas e divulgação do trabalho do projeto. de setembro aprimorar as atividades com a comunidade. o trabalho relacionado com a a março. para espaço de informação. a base de Aqui em Arembepe temos a Escolinha do escolinha vem contando com o patrocínio Arembepe mantém o Centro de Visitantes. “Estamos tentando fazer um trabalho de ameaçadas de extinção. Lauro de Freitas e contempla o incentivo às alternativas de reciclagem. o Tamar contou com o apoio da comunidade. escolinha. maculelê e capoeira). aquário com filhotes. inclusão porque constatamos um número e atua em nove estados brasileiros na muito grande de crianças expostas ao risco proteção destes animais.000 m2. É um Na escola são trabalhados três objetivos: o Esperança.200 desovas são através de projetos sociais”. diz. da Unesco. de renda sustentáveis. A base de Arembepe tem cobertura de as pessoas para saber da ocorrência das orientam o trabalho na horta e estimulam área que concentra. todas museu interativo. através da chancela Criança aberto diariamente das 9h às 17h. Possui 24 bases tanques de reabilitação e espaço de pesquisa. “Dependendo da base. educação ambiental cultivo de uma horta comunitária. completa Kellyn. Tamar com 50 alunos. sempre com A bióloga Kellyn Carneiro conta que. em 47 km de praias nos A linha de atuação social do Tamar meio ambiente e participam de oficinas municípios de Salvador. desde social. “Fizemos entrevistas com Os monitores do projeto são de Arembepe. a comunidade é a preservação da cultura (bumba-meu-boi. arembepe Espaço Verde Arembepe. a gente elaboram um cardápio rico e variado para Numa área de 5.

Projeto Tamar Seu protege tartarugas marinhas 29 .

de duas décadas é um trabalho complexo. Tem problema de fluxo de pessoas. “Tamar – ICMBio” e um número que sendo a última uma das mais ameaçadas possibilita o monitoramento desde o dia de extinção e com ocorrência regular na do nascimento das tartaruguinhas. las. como Itapuã pré-histórico torne-se.org. explica. do litoral e a conscientização dos turistas “Dependendo da área. O objetivo maior é amenizar recolhidos ou deixados no próprio local os impactos e garantir que esse animal de desova. Em áreas urbanas.br 30 . A base de Arembepe é uma das mais de iluminação artificial de trânsito”. nos locais por conta das ameaças da ação humana. também moradores locais. elas nascem. O tartarugueiro é que envolve a atuação de biólogos. as anos. A importância do seu trabalho Todas as desovas são marcadas por uma está. quando as fêmeas completam entre 20 e 25 Para saber mais sobre o Projeto Tamar. dos habitantes das localidades começando por volta das 4h da manhã. um ser do e Jauá. também. relacionada à preservação “estaca” de cano.projetotamar. também. significativas áreas de reprodução do litoral baiano. criam vínculo com o lugar e. que recebe a identificação das tartarugas cabeçudas e de pente. retornam ao local de nascimento pra tartarugas marinhas e ajudar a protegê- desovar. diversão: conhecer o Centro de Visitantes! garantindo que se mantenham aptas para o Acesse: www. torna-se imprescindível percorrer um caminho que reúne aprendizado e Proteger as áreas de desova das tartarugas. Quando região para formar ninhos e desovar. e s p e c i a l arembepe Espaço Verde Contato: Base Tamar (71) 3624-1193 (71) 3624-1049 Na equipe que compõe o Projeto Tamar retorno dos animais adultos daqui a mais em Arembepe estão os tartarugueiros. os ovos são e visitantes. essas desovas não permanecem futuro. a pessoa que monitora a praia diariamente. estudantes.

SeuBase de Arembepe garante monitoramento das espécies 31 .

seja antigas de Arembepe. O Mar Aberto é o estabelecimento mais famoso. da Coló. culinários conquistam paladares de veranistas e visitantes. como nutrientes. culinária elaborada com ingredientes fresquinhos. sócios. com exposições de obras de arte e uma decoração que acentua o clima da praia. Elas conquistam. Na Aldeia. não resistir aos acarajés de Catita. Em comum. 32 . Nas décadas passadas. Hoje. sanduíches e sucos naturais.marisqueiras. quituteiras ou simplesmente mães de família provedoras da como referência em sua categoria na Bahia (pratos alimentação dos filhos . receitas. arembepe Sabor da Terra Gastronomia à beira mar Um restaurante com fama internacional e Receita de muitos outros com forte tradição. a especial dos chefs dos principais restaurantes. sendo um personalidades e grupos familiares. pelas belas indumentárias. ou instalavam seus tabuleiros de baianas de acarajé em a Veja Salvador. Em Arembepe. muito agradável. filha da baiana Delfona. adquiridos assim que chegam à terra firme. entre outros). Todos instalados em algumas das construções mais Para os que desejam saborear delícias comuns aos hábitos locais. o restaurante O Tubarão e o do Isqueiro. muitas famílias mantêm o hábito de passar receitas fruto da dedicação de mais de 20 anos dos seus de mãe para filhas. cheios de típicos do litoral baiano. Já figurou em diversas revistas especializadas. na Praça das Amendoeiras. entre tantos outros.saíam em busca dos frutos do mar. mãe para filha principalmente os pescados. Consagrou o seu serviço entre executivos. a partir de uma receita passada entre gerações. com as deliciosas moquecas. ou através do toque e com uma encantadora vista do mar. sugestão é o restaurante de Roque. modos de fazer e segredos Rodas. Recomenda-se. filha de Elisa. Já entre os restaurantes mais tradicionais estão o também. as mulheres . seguem algumas dicas. e de Nivalda. Revista Gula e o Guia Quatro pontos da praça e nas praias. O ambiente é atrativo à parte para quem curte os finais de semana em Arembepe.

Miúda. acrescente uma meio maço de cebolinha picada parte de leite de coco. o camarão seco 2 dentes de alho picados e cozinhe por 5 minutos. reservando um pouco de coentro e cebolinha. junte a 100g de camarão seco passarinha fatiada. Sirva com arroz boi escaldada com sal e limão e branco. Quando ferver. 2 xícaras de leite de coco grosso desligue e polvilhe o coentro e a 1kg de passarinha (baço) de cebolinha por cima. meia xícara de azeite de dendê colocando o restante do azeite e do leite de coco. por Rita Maria de Cássia Ingredientes: Modo de preparo: 2 tomates cortados em rodelas Em uma panela aqueça 2 colheres 3 cebolas cortadas em rodelas de azeite de dendê e ponha os 1 pimentão cortado em rodelas temperos. Moqueca de Passarinha Receita de D. Refogue 1 maço de coentro picado por dois minutos. cortada em fatias Seu Dona Rita conta segredinhos de família 33 .

de de parcerias com outras entidades para de cursos profissionalizantes para os pais direito público. Edgard. atendendo às de trabalho e que aumentem a renda conclui. A Comunidade Alma Mirim de Atenção Comunidade Alma Mirim está em busca de até 6 anos. 34 . à comunidade. religiosos ou com o projeto Ponto Móvel da Cidade do da Informática (CDI). potencializar a sua atuação com a oferta de e moradores do bairro. Edgard crianças em regime de creche e aos pais. em 1985 e se apaixonou pelo lugar. O projeto da instituição é atender a 150 crianças. principal. que vai oferecer diversos cidadania. resolveu muito. Foi quando criou o projeto comunidade. algumas em parceria com o estabelecimento de uma parceria Comunidade Alma Mirim. e criar uma agenda ampla à Criança é uma instituição privada. que acreditam inclusão digital. é claro. e voluntário em projetos sociais. “Neste momento estamos lutando. Serão oferecidos de qualquer outra natureza. sem quaisquer outras instituições. “O objetivo   resultados significativos. a criançada. oferecendo O Alma Mirim é mantido por doações de a criação de uma espécie de centro de instrumentos para a prática plena da pessoas físicas e empresas. o que permitirá um maior Fonte das Águas (área com crescimento em regime de alfabetização. ser possível. de que tem como objetivo atuar junto às cursos que facilitem a inserção no mercado buscar a autossustentação do projeto”. Edgard conta número significativo de habitantes de que realizamos com as crianças e com a também que está em fase de conclusão Arembepe). divididas em conforto para o preparo e serviço de acelerado nos últimos anos e que abriga dois turnos. além de atividades transversais alimentação das crianças”. cursos é contribuir com a transformação da básicos de informática. além de promover realidade dos mais jovens. como as que realizamos com o Comitê para a Democratização vínculos político-partidários. sem fins de lucro financeiro. gratuitamente. para concluir a obra da cozinha fazer algo pelas crianças do Loteamento “Neste momento. esperançoso. oferecendo-lhes cursos de alfabetização Impulsionado por suas experiências como para adultos e profissionalizantes. O objetivo Saber”. arembepe Gente que Faz Alma Mirim: foco na cidadania Natural de Franco da Rocha (SP). com pequenas ações. explica Edgard. além. famílias de Fonte das Águas. gerar serviços também gratuitos. atendemos a 44 crianças e refeitório. dos pais e responsáveis pelo público-alvo Greco Júnior conheceu Arembepe responsáveis e demais membros da família.

Edgard cuida da Comunidade Alma Mirim Contatos para doações: Edgard Greco Junior (71) 9967-6104 35 .

No Abrantes. conseguiu A centenária construção passou por Senhora do Parto. O nome do povoado foi alterado Igreja de São Francisco de Arembepe surgiu com o desejo dos para Vila de Nova Abrantes do Espírito Santo pescadores de construir uma capela. Ganhou o nome de Montenegro. foram modificados Foi assim que nasceu a Aldeia do Divino do decreto 10. a Jacuípe. Barra de recursos. começaram as homenagens a Nossa com sua influência política. Houve também a instalada a Companhia de Jesus.. Tomaz Garcez Paranhos Montenegro que. Em 2009. sob a orientação do padre passou a se chamar Camaçari. mês de Maria e a Trezena de Santo Antônio. como as demais. houve a ampliação Saiba mais: http://arembepeemfoco. Hoje. de 30 de março. como um arrastão beneficente. foram realizados para a arrecadação de como Jauá. Vila de Abrantes foi o localidades do município de Camaçari e. pequena vila de pescadores e mantida pela templo também se rezavam 30 dias do em homenagem ao desembargador renda resultante da produção pesqueira. também reúne conhecidas localidades. Areias e Arembepe. A obra e o decreto também expulsou os jesuítas Arembepe é uma das mais conhecidas foi finalizada em 20 de fevereiro de 1902. foi fundada que deu origem à Festa de Arembepe e juntamente com o desmembramento de em 1902. trazer a estrada de ferro para suas terras. da Prefeitura Municipal. pelos jesuítas João Gonçalves documento legitimava a criação da parte elétrica e hidráulica. O distrito de Camaçari foi criado em 1920. quando ficou determinado que.724. este último importante participação da comunidade. todo dia próximo nome da localidade.blogspot. que viviam na região. a comunidade faria três dias em e histórias.. Em 1992. foi sede e dos distritos de Vila de Abrantes. entre outras. Depois.com 36 . emancipação aconteceu em 28 de setembro A Comunidade São Francisco de Assis de 1758. quando o lugar ainda era uma que surgiria quase trinta anos depois). Barra do Pojuca. Alguns eventos viviam na região. Rio Joanes Foi somente em 1938 que o município da capela. Por decreto do Marquês de Pombal. arembepe Lá vem História Tudo começa assim. reformas estruturais por conta da ação impulsionando o desenvolvimento regional. Camaçari principalmente dos devotos. padroeiro de Arembepe. com o apoio e Antônio Rodrigues. do tempo. O o telhado e a varanda lateral. catequização dos índios tupinambás que emancipado em 1985. através Edmundo. para Monte Gordo e Dias D’Ávila. além da Espírito Santo. Assis. Logo depois. guarda peculiaridades 20 do mês. A Igreja de São Francisco de louvor ao padroeiro (ainda sem a procissão.

passou por Salvador. Era a maior carga de ouro transportada por uma nau a partir das Índias.com. Cabe a cada leitor mergulhar nos textos. na região de Arembepe. nos recifes de Arembepe.naufragiosdobrasil. Uma lenda? Ao navegar na internet. que fazia parte da carreira das Índias. tratava-se da nau portuguesa Santa Clara.com. houve uma corrida pelo ouro entre os habitantes de Salvador. que naufragou abaixo da linha do Equador. como trazia um grande tesouro. fazer suas triagens e dar asas à imaginação: Fontes: http://www.br http://www.br 37 .com. Conta-se que.naufragios.br http://www. mas naufragou horas depois. seguem algumas sugestões de fontes. com 676 pessoas a bordo. Na trajetória. textos dão conta de um naufrágio. Segundo as fontes acessadas. por volta de 1573. que poderia chegar a U$ 200 milhões.Naufrágio em Arembepe. no período colonial. pois somente seis pessoas escaparam. Para pesquisar mais sobre o naufrágio e tantas outras histórias.getwet. Há quem diga que muitos bens e corpos dos passageiros ficaram espalhados pela praia.

os barcos sai por volta das 11h. minitrio. Em terra. Amendoeiras. maculelê. já por volta das 8h. A banda de sopro blocos e atrações nacionais. as município de Camaçari. partes religiosa e profana. da Volta do o que era uma simples devoção a formam um grande círculo para que os Robalo. a alvorada de fogos anuncia o início com o Baile dos Coroas. A antiga vila. que homenageia o caminhar em procissão pelas ruas da padroeiro São Francisco de Assis. em um percurso de grande festival. Amendoeiras. em homenagem a São No dia 2 de fevereiro. e segue em direção ao mar. É um filhos de Gandhi. banda de sopro. arembepe Dicas Culturais Padroeiro São Francisco de Assis Acontece na segunda semana de março a tradicional Lavagem de pela primeira vez nos anos 30. que já se tornou capoeira. Participam da caminhada centenas Lavagem de Arembepe. quando pescadores resolveram Dia de Festa no Mar Arembepe. Francisco de Assis. O cortejo Em mais de 70 anos de tradição. banda de novamente. às 5h da manhã. o calendário baiano de tradição local e que reúne pessoas de todo o música. das homenagens. mais uma vez! 38 . O evento foi realizado micaretas. ao mesmo De volta à praia. o programação começa na sexta-feira. ritual muito emocionante. dividido entre as proporcionando uma visão mística e poética aproximadamente 2 km. tempo em que encerra o ciclo de os participantes. ao santo. autoridades. e vai até a igreja. personalidades e festividades pré-carnavalescas. protetor dos que cortejo sai da casa de Dona Lindú. Já em alto mar. o sopro continua a animar de baianas com água de cheiro. abre. e termina segunda-feira. A também acompanha a procissão marítima. na Rua das com a procissão em homenagem tiram o sustento do mar. na Praça das um santo transformou-se em um presentes sejam entregues à “rainha do mar”. com para quem fica em terra. A roda gira. roda de festas populares de Camaçari.

Apesar da importância.. MPB. que aconteciam mundo a fora. como Imperdível para quem viveu o início o Woodstock (o mais famoso). aliados à crítica social e e amor! às mensagens de pacifismo.. Não para o Festival da Aldeia Hippie. alguém aparece com um chocalho. Aldeia Hippie. e a desta história e para os que ainda têm partir desta vocação para celebrar e a chance de conhecer e entender um oportunizar os encontros entre pessoas pouco sobre o movimento! sintonizadas numa mesma ideologia ou que simpatizam com o modo Para saber mais: livre de viver. O círculo formado em moradores da aldeia e amigos realizam torno de uma fogueira reforça o clima a festa. Ou aos preenchem a programação de todo rituais de comemoração dos indígenas. os a percussão. talvez mais. outro com um pandeiro. falta liberdade.. congregam as pessoas Motivados pelos grandes festivais e embalam corações saudosistas. demora muito. na primeira até surge um bongô..blogspot. até hoje. Uma bela lua cheia.Festival da Aldeia Hippie Anos 60 e 70. Festeja-se a natureza e a edição. Em 2010 foi realizada a 25ª de celebração. Desfiles de moda.). proporção entre o final da década de 70 realçada pela ausência de energia e início dos anos 80. Esta foi a semente elétrica. mas exposições de artesanato e muita a sua tribo é o mundo jovem.. Assim. todo ano. reforçam uma identidade. de Arembepe ganharam uma maior Arembepe.. Afinal.. repleto música (dos mais variados estilos: rock. esta é também uma aldeia.. Algo No festival.aldeiahippie40anos. os eventos sob o luar www. E está montada lua cheia do mês de janeiro. de aspirações. quem sabe a mística. resumidas em muita paz reggae. patrocínio.com/ 39 . Um violão. convidados especiais e remete aos círculos festivos dos povos mais a arte dos próprios habitantes celtas... Inspiração e instinto não faltam. um final de semana.

. brinquedos e a realização de brincadeiras. Arembepe! 40 . no dia 22 de março de 2010. pintura em tecido. no período de novembro de 2009 a fevereiro de 2010. como de futebol. Em breve. realizado no Teatro Cidade do Saber. Até logo. musicalização. O resultado do estímulo à produção artística e à prática esportiva envolveu cerca de 250 pessoas durante três meses. arembepe Painel Criativo Ponto Móvel O Ponto Móvel da Cidade do Saber ofereceu uma série de atividades artísticas e esportivas à comunidade de Arembepe. o Ponto Móvel voltará a atuar na localidade.. O resultado do trabalho pôde ser verificado no encerramento deste ciclo de atividades. Foram diversas oficinas. criação literária.

Trabalhos realizados pelos alunos das oficinas do Ponto Móvel 41 .

Caratinguí e Capivara Revisão: José Egídio Endereço: Rua Coronel Almerindo Rehem. 82.Salvador-BA Tel: (71) 3014-4999 Projeto gráfico: Metta Comunicação Editoração: Jean Ribeiro e João Soares Ilustrações e arte: Jean Ribeiro Tiragem: 2. Bahia Executive Center.000 exemplares . Caminho das Árvores. Ed. Pinaúna.820-768 . Elba Coelho e Tediarlen Silva REALIZAÇÃO AG Editora Diretora executiva: Ana Lúcia Martins Executiva de projetos: Júlia Spínola Edição: Ana Cristina Barreto Fotos: Paulo Macedo Resposta: Robalo. CEP 41. Piruí. arembepe Expediente Lazer CIDADE DO SABER Diretora geral: Ana Lúcia Silveira Diretor de infraestrutura: Utilan Coroa Diretor do saber: Arnoldo Valente Diretora do teatro: Osvalda Moura Caça-palavras COORDENAÇÃO DO PROJETO REVISTA PONTO MÓVEL CIDADE DO SABER Alguns verbetes em Tupi-guarani: Assessoria de Comunicação da Cidade do Saber (ASCOM) Responsável: Carolina Dantas Pesquisa: Bárbara Falcón Textos: Carolina Dantas e Bárbara Falcón Fotos Ascom: Daniel Quirino e Clemente Junior Equipe Ascom: Carolina Dantas.Prefeitura Municipal de Camaçari Fotos: Carol Garcia 42 .distribuição gratuita Agradecimentos: ASCOM . Daniel Quirino. Xixarro. Clemente Junior. sala 1207. Bárbara Falcón.

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e s p e c i a l Arembepe Executor do Projeto Parceiros Cidade do Saber: Mantenedor: .