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ESQUIZOFRENIA

Ligia Moreiras Sena

Apesar do termo psicose ser com freqüência - e de maneira equivocada -
utilizado pela mídia em geral e até mesmo por alguns profissionais, não é um termo de fácil
definição, uma vez que até hoje não existe um consenso entre os profissionais da área de
saúde mental. No entanto, uma psicose não pode ser considerada uma doença
propriamente dita e, sim, uma síndrome que possui uma variedade de sintomas os quais
prejudicam tanto a capacidade mental da pessoa, quanto sua resposta afetiva, sua
capacidade de reconhecer a realidade e de se relacionar com outras pessoas. Sintomas
psicóticos estão presentes em diferentes distúrbios psiquiátricos, tais como transtornos
esquizoafetivos, transtornos psicóticos devido a uma condição médica geral, transtornos
psicóticos induzidos por substâncias e, entre eles, a esquizofrenia.
A esquizofrenia tem sido considerada a mais incapacitante das psicoses.Os
pacientes esquizofrênicos, bem como seus familiares, acabam sendo, de forma geral,
estigmatizados em todas as sociedades. Esse estigma causado pela má compreensão da
condição agrava ainda mais o quadro, uma vez que aumenta o isolamento social do
indivíduo, dificulta o relacionamento familiar, diminui suas chances de educação e
empregabilidade, além de aumentar a probabilidade do uso de drogas.
Estima-se que, somente no Brasil, cerca de 1.170.000 pessoas sofram de
esquizofrenia e cerca de 80.000 novos casos surgem anualmente. Para muitas dessas
pessoas, o preconceito e a discriminação são experiências comuns, além do convívio
cotidiano com dificuldades e obstáculos impostos pela falta de acesso a informações, a
tratamentos adequados, a um suporte social e legal, entre outras dificuldades.
O termo “esquizofrenia” (esquizo = divisão; phrenia = mente), cunhado pela
primeira vez por Eugen Bleuler (1857-1930) faz alusão, como a própria etimologia da
palavra indica, a uma quebra entre as funções do pensamento, da afetividade e do
comportamento e, mais de oitenta anos após a criação desta denominação, a doença ainda
não representa uma entidade única definida, em função da heterogeneidade de suas
formas de apresentação. Portanto, é compreensível que até hoje não se tenha chegado a
um consenso quanto à sua etiologia, apesar de alguns de seus aspectos já se encontrarem
bem estabelecidos como, por exemplo, a eficácia do uso de psicofármacos em seu
tratamento.

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humor depressivo. delírios (freqüentemente de natureza persecutória) . olfatórias e gustativas) . podem ser sintetizados da seguinte maneira: Distúrbios de Pensamento . Pode surgir de forma abrupta. afetividade. os sintomas catatônicos. podem ocorrer. 1. ou ainda com relação à qualidade dos mesmos (sintomas positivos ou negativos). alucinações visuais são menos freqüentes e raras na ausência de fenômenos auditivos. A “quebra” das funções psíquicas seria a característica central da doença e. embora mais freqüentemente surja de forma disfarçada com perda de energia. de iniciativa e de interesses. autismo (predominância das vivências do mundo interno sobre o externo) e alterações de afeto. SINTOMATOLOGIA O início na adolescência justifica a denominação “demência precoce”. Com relação à função neurológica que acomete. neologismos (palavras criadas pelo indivíduo. Os sintomas podem ser classificados de acordo com a função neurológica que acomete (pensamento. ambivalência. incoerência no discurso . em voz alta e repleto de redundâncias (pressão ideomotora) . mudanças de assuntos de forma brusca e sem motivo aparente . ainda. sintomas esses que podem persistir por algumas semanas ou meses antes do surgimento de sintomas mais característicos. também em menor freqüência. os sintomas hebefrênicos e os sintomas paranóides. De forma geral. perda da intencionalidade das idéias . a responsável pelo surgimento dos ditos “sintomas fundamentais” da esquizofrenia. cunhada e descrita pela primeira vez em 1852 por Bénedict-Augustin Morel (1809-1873). Esses são conhecidos como Os Quatro “As”: associação frouxa das idéias. alucinações (em sua maioria auditivas. discurso acelerado. com progressiva deterioração da capacidade mental. isolamento. tem um curso persistente. A essa primeira descrição. negligência com a aparência pessoal e higiene. motricidade). com a fase da doença (fase aguda ou fase crônica). comportamento inadequado. o pesquisador Emil Kraepelin (1856-1926) adicionou três categorias de sintomas. de significado particular e único para ele) 3 . alucinações táteis. os primeiros sinais e sintomas da esquizofrenia tem início na juventude (adolescência ou início da idade adulta).

muitas vezes desconfortáveis. posturas físicas bizarras . estereotipias (repetições regulares e uniformes de movimentos simples ou complexos. incongruência afetiva (demonstrar uma emoção contrária ao que normalmente se esperaria em determinada situação) . acinesia (ausência de movimentação espontânea) . uso idiossincrático das palavras (palavras gramaticalmente corretas utilizadas com sentido errôneo e bizarro) Distúrbios Afetivos . sem sentido aparente) . preferência por ocupações solitárias . ecolalia (repetição de palavras do entrevistador) . negativismo passivo (ausência de resposta a solicitações do entrevistador) ou ativo (o indivíduo faz o contrário do que lhe é pedido) . introversão . ansiedade . ecopraxia (repetição de gestos do entrevistador) 4 . maneirismos (posturas e movimentos bizarros. passividade . descuido com cuidados pessoais (aparência e higiene) . ambitendência (oscilação entre fazer ou não o que lhe é pedido) Distúrbios da Motricidade . rigidez . indiferença emocional (embotamento afetivo) . obediência automática (o indivíduo faz rápida e automaticamente aquilo que lhe é solicitado) .. comportamento violento . flexibilidade cérea (o sujeito permanece na posição em que for colocado por longos períodos de tempo) . isolamento social . com sentido ou objetivo especial para o indivíduo) . estupor .

alucinações. negativismo. a esquizofrenia pode ser manifestada – e classificada. É um quadro caracterizado pelos sinais negativos da doença. Com relação ao período da doença em que ocorrem. os sintomas não apareçam com freqüência ou chegam mesmo a não se manifestar mais. embotamento afetivo. estereotipias. TIPO PARANÓIDE: prevalência de delírios. de forma geral – em cinco tipos: TIPO CATATÔNICO: prevalência de estupor. comportamento violento. posturas bizarras. desagregação do pensamento e da conduta. empobrecimento conativo (perda dos impulsos para ação e inatividade). que a sintomatologia é bastante variável e se altera de acordo com o curso da doença e com o tratamento medicamentoso. TIPO RESIDUAL: embora o indivíduo tenha apresentado um episódio de esquizofrenia. TIPO DESORGANIZADO: prevalência de incoerência. distractibilidade. negativismo. estereotipia. ainda. ansiedade e depressão (os quais levam ao suicídio em 10% dos casos diagnosticados). podem estar mais ou menos presentes na fase aguda e na fase crônica: Fase aguda: acinesia. flexibilidade cérea. incongruência e embotamento afetivo. Os sintomas mencionados acima não apresentam-se concomitantemente. Tais sintomas podem. De acordo com os sintomas prevalentes. condutas estereotipadas. ainda. déficits da função cognitiva (tais como atenção e memória). déficits cognitivos. TIPO INDIFERENCIADO: quando os sintomas não podem ser classificados nas categorias anteriores ou quando preenchem simultaneamente os critérios para mais de um tipo É importante ressaltar. ansiedade. Eles prevalecem em determinados períodos da doença e de acordo com o perfil esquizofrênico prevalente no paciente. comportamentos anormais. mutismo e flexibilidade cérea. Sintomas Negativos: isolamento social. alucinações. pobreza qualitativa e quantitativa do discurso. distúrbios do pensamento. ecopraxia. introversão. defeito na “atenção seletiva”. alucinações. comportamento violento. isolamento social. Fase crônica: embotamento afetivo. maneirismos. nem em um mesmo indivíduo. ser agrupados como sintomas POSITIVOS ou sintomas NEGATIVOS: Sintomas Positivos: delírios. alterações das interações pessoais. excitação. 5 . rigidez. ecolalia. distúrbios do pensamento.

Estudos relativamente recentes estimam que. Essa observação pode ser considerada um dos achados mais consistentes em esquizofrenia. Dessa forma. Como dito anteriormente. EPIDEMIOLOGIA A esquizofrenia é o tipo mais freqüente de doença psicótica e tem sua importância aumentada na medida em que acomete os indivíduos na juventude. com o aparecimento de cerca de 80. pelo governo.4% do total de hospitalizações do SUS (Sistema Único de Saúde). possui um curso freqüentemente crônico e extremamente incapacitante. 2. sendo mais de 20% de todos os benefícios do seguro social utilizados para os cuidados médicos dos mesmos. os serviços médicos destinados a pacientes que procuram os ambulatórios de forma esporádica estão recebendo apenas 11% dos recursos destinados. Nesse mesmo país há registros que indicam que os pacientes esquizofrênicos ocupam cerca de 25% de todos os leitos hospitalares. considerando pacientes com mais de 20 anos. Além disso. muitos trabalhos apontam a ocorrência de um maior número de episódios esquizofrênicos em países em desenvolvimento. Em escala mundial. Em geral. estima-se que. a qual. existam cerca de 1. Também não existem evidências conclusivas que comprovem a prevalência racial da doença. embora existam relatos de que os homens tenham uma idade de início mais precoce que as mulheres. aproximadamente 70% dos pacientes diagnosticados não estejam em tratamento regular.000 novos casos por ano.000 portadores da esquizofrenia. no estado de São Paulo. O Brasil ainda detém outros dados alarmantes: em 2004. 3. estima-se que cerca de 1% da população sofra com a doença e. ao tratamento de tal distúrbio. Com relação à prevalência por sexo. na grande maioria dos casos. os homens têm um início em torno dos 18-25 anos e as mulheres em torno dos 25-35 anos. somente nos Estados Unidos. Com relação ao nível sócio-econômico.170.000 episódios agudos de esquizofrenia em um ano. foi em decorrência de distúrbios mentais. não existem dados que confirmem uma maior prevalência em um sexo quando comparado ao outro. tendo sido a esquizofrenia a principal causa dessas internações (43%). quando comparados aos países do hemisfério Norte. impede o desenvolvimento social e produtivo do indivíduo. já houve registro de mais de 300. somente no Brasil. Isso indicaria que os indivíduos com tendências à esquizofrenia sofreriam uma maior pressão de ordem 6 . os custos diretos e indiretos da esquizofrenia em pacientes norte-americanos são estimados em aproximadamente 10 bilhões de dólares por ano.

afirma que a existência de um fator genético aumentaria a vulnerabilidade do sistema nervoso central a fatores externos. a incidência da doença é de cerca de 10 a 15%. essa concordância ocorre somente em cerca de 50% desses gêmeos monozigóticos. até hoje não se chegou a um consenso quanto às causas da esquizofrenia. sociais e genéticos. Se a causa da esquizofrenia fosse apenas devida a anormalidades genéticas. No entanto. Assim. em função do grande número de portadores. Ainda com relação à hipótese genética. Desses. 3. em 1988 foi localizado um gene no cromossomo 5 que estaria supostamente associado à esquizofrenia. referência na investigação do componente genético da esquizofrenia. que comprova a importância do desenvolvimento de melhores programas de tratamento que atinjam indivíduos acometidos pela esquizofrenia. as quais ainda permanecem obscuras. a qual estaria mais propensa a surgir mediante a existência de fatores sociais e ambientais específicos. cerca de 10% realmente se suicidam. Portanto. o que é chamado de “concordância”. De qualquer forma. a mesma presente nos parentes de primeiro grau. já encontra-se bem estabelecido que as causas primeiras da doença diga respeito a uma interação de fatores ambientais.ambiental – nesse caso. dos prejuízos individuais. Com relação a esta hipótese. os gêmeos monozigóticos (os quais compartilham o mesmo material genético) deveriam apresentar aproximadamente a mesma tendência em apresentar a doença. Já entre os gêmeos dizigóticos. até o 7 . esse índice de 50% indica uma forte influência dos componentes genéticos na manifestação da patologia. Entretanto. portanto. os fatores genéticos determinariam uma predisposição ao desenvolvimento da patologia. Estima-se que entre 25 e 50% dos pacientes esquizofrênicos tentem o suicídio pelo menos uma vez em toda a vida. de ordem financeira – e estariam mais propensos a manifestarem os sintomas da doença. afirma que se a doença fosse fundamentalmente de origem genética. sociais e econômicos que acarreta. A hipótese genética. embora o resultado não tenha sido conclusivo. o que não acontece. Um dado adicional. O pesquisador norte-americano Kallmann. portanto. alguns estudos têm sido realizados investigando a incidência de esquizofrenia em gêmeos monozigóticos e dizigóticos. diz respeito às freqüentes e recorrentes tentativas de suicídios por parte desses pacientes. a concordância deveria ser de 100%. ETIOLOGIA DA DOENÇA A despeito da grande importância da doença.

adicionalmente. a existência de marcadores biológicos para a esquizofrenia. postula-se que tais fatores possam propiciar um desenvolvimento defeituoso do sistema nervoso central em fase precoce. 13 e 22). que esse traço latente possa representar um processo patológico que acomete determinados sítios cerebrais. adicionalmente. os distúrbios oculares ou ambos. ruptura prematura de membranas e complicações pelo cordão umbilical. tais como infecções virais. embora nem todos os estudos realizados encontrem associações positivas entre as complicações de gravidez e parto e a esquizofrenia. poderia ser considerado um marcador biológico para a doença. Ainda assim. nos cromossomos 6. Esse modelo propõe que a transmissão genética deste traço pode produzir a esquizofrenia. em pacientes afetados pela esquizofrenia. Ainda com relação a fatores ambientais. os estudos de ligação gênica têm demonstrado apenas outras regiões cromossômicas sugestivas (por exemplo. Alguns autores têm proposto. ainda não foi possível identificar os genes responsáveis pela doença. efeitos de drogas utilizadas pela mãe. trabalho de parto prolongado. havia uma tendência 7 a 15% maior dos nascimentos ocorrerem no final do inverno ou no início da primavera. Além das intercorrências na fase intra-uterina. pressão sangüínea elevada da gestante.momento. má apresentação do feto. A constatação de que alguns pacientes esquizofrênicos sem a manifestação desses distúrbios possuem pais que os apresentam levou à formulação de um modelo chamado de traço latente. os quais estão presentes em 70% dos pacientes esquizofrênicos e em apenas 8% da população normal. Particularmente importantes parecem ser fatores ocorridos durante a vida intra- uterina. pré- eclâmpsia. reforçado pelo fato do distúrbio também se manifestar em 45% dos parentes não esquizofrênicos de primeiro grau. entre outras hipóteses. principalmente na era das investigações genômicas. as complicações de gestação e de parto também têm sido associadas à esquizofrenia. Dessa forma. prematuridade. alguns distúrbios de movimentos oculares (tal como o nistagmo: oscilações repetidas e involuntárias rítmicas de um ou ambos os olhos). Esse fato 8 . Já a hipótese ambiental da causa da esquizofrenia afirma que influências externas ao organismo podem potencializar uma tendência genética ao aparecimento da doença. Entretanto. em 1985 um grupo de pesquisadores demonstrou que. desnutrição acentuada nas primeiras semanas de gravidez. a busca por informações genéticas mais incisivas continua sendo um dos principais focos na pesquisa sobre a esquizofrenia. Parece ser o denominador comum desses fatos a hipóxia à qual o feto é submetido. em virtude das muitas imprecisões dessa hipótese. Acredita-se. ou seja. o qual poderia atuar como determinante do aparecimento ulterior da esquizofrenia. tais como baixo peso ao nascer.

Estudos de cérebros de esquizofrênicos post mortem mostram evidências de neurônios corticais fora de posição. se tornasse alvo da maioria das pesquisas epidemiológicas que tentaram associar a exposição a esse vírus no pré-natal à esquizofrenia. tálamo. e não uma degeneração neural gradual. além de sugerirem que os cérebros de alguns pacientes esquizofrênicos sejam mais leves em comparação aos de indivíduos normais.determinou que a gripe epidêmica. Além disso. gânglios da base e corpo caloso também têm sido sugeridas. que ocorre tipicamente no período de inverno. embora a existência de relatos negativos impeçam uma conclusão definitiva. As áreas mais consistentemente implicadas na hipótese de uma má formação cerebral têm sido as porções mediais dos lobos temporais. Essas mudanças estruturais estão presentes em pacientes esquizofrênicos apresentados pela primeira vez e provavelmente não são progressivas. com morfologia anormal. Os estudos com imageamento cerebral surgidos passaram a detectar sinais consistentes de atrofia cerebral. a utilização da técnica de Tomografia Computadorizada (TC) do crânio passou a contribuir para a investigação de possíveis alterações estruturais no cérebro. Uma das evidências dessa hipótese é o fato de que. o estresse experimento por membros de classes sócio-econômicas inferiores pode contribuir para o desenvolvimento da esquizofrenia. o qual afetaria principalmente o córtex cerebral e de ocorrência nos primeiros meses do desenvolvimento pré-natal. por alguns pesquisadores. Além disso. como sendo uma “mobilização-descendente”: os indivíduos afetados seriam deslocados para classes sócio-econômicas mais baixas ou deixariam de ascender a classes mais elevadas em função da doença. existe um número desproporcional de pacientes esquizofrênicos em classes sócio-econômicas mais baixas. incluindo o alargamento dos ventrículos cerebrais e aumento dos sulcos corticais numa proporção considerável. A partir da metade da década de 70. Esse fato parece ser evidenciado pela constatação clínica de que situações de estresse freqüentemente precedem um surto. 9 . A partir daí. embora não constituam agentes causais propriamente ditos. diminuições de volume em áreas frontais. principalmente o hipocampo e o giro para-hipocampal. em nações industrializadas. a esquizofrenia passou a ser associada a um distúrbio no desenvolvimento neural. Isso é explicado. assim como agravam o quadro sintomático. Fatores sócio-econômicos também parecem influenciar as manifestações da doença. sugerindo que elas representam uma aberração precoce irreversível no desenvolvimento cerebral.

o qual tem permitido a obtenção de informações a respeito dos aspectos fisiológicos da esquizofrenia. foi possível um mapeamento topográfico do fluxo sang6uíneo cerebral através da utilização de xenônio133. Com o desenvolvimento relativamente mais recente de outras técnicas de imageamento in vivo. mais do que identificar lesões ou alterações específicas. o paciente esquizofrênico sofreria de uma disfunção no hemisfério esquerdo. Portanto. uma área de investigação proveniente da Farmacologia e não da Neuroquímica ou da Fisiologia. Existem evidências que implicam uma disfunção no sistema límbico anterior. tais como a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) ou a Tomografia por Emissão de Fóton Único (SPET ou SPECT). associado ou não à hiperatividade de regiões posteriores (parietais e occipitais). Conseqüentemente. tal como a doença de Alzheimer ou outras patologias neurológicas. No subcórtex. em conjunto ainda não representam conclusões consistentes e definitivas. ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS Em contraste com outros distúrbios que acometem o sistema nervoso central. Desta forma. Isso explicaria as freqüentes alucinações auditivas e as idéias delirantes. ainda que de forma deficitária. uma vez que a atividade verbal do hemisfério direito seria interpretada como originária de fora e não da própria mente. principalmente no hemisfério esquerdo do cérebro. procura-se identificar anormalidades funcionais em determinadas vias neurais. A despeito da existência de grande número de evidências implicando alterações estruturais na gênese da esquizofrenia. enfatizando neurotransmissões específicas ou disfunções nas múltiplas interações cerebrais existentes. por complexas alterações neurofuncionais. sim. É. tais como padrões de consumo de glicose e fluxo sangüíneo. Outras estruturas límbicas parecem também estar diretamente envolvidas na gênese da esquizofrenia. Outro achado freqüentemente observado é o hipofuncionamento de porções anteriores dos lobos frontais (córtex pré- frontal). apenas sugerem possíveis caminhos para investigações presentes e futuras. tal como o córtex pré-frontal. a esquizofrenia não se caracteriza por alterações típicas definidas e. As teorias atuais sobre a neurobiologia da esquizofrenia advêm da análise dos efeitos das substâncias antipsicóticas e pró-psicóticas. portanto. bem como de um déficit de comunicação entre os dois hemisférios. o que acarretaria uma interpretação errônea das mensagens provenientes do hemisfério direito. 4. o hemisfério esquerdo passaria a ser excessivamente utilizado. nas quais se visualizam lesões localizadas ou alterações histológicas marcantes. estariam também 10 .

a amígdala. como é o caso da serotonina (5-HT). 11 . Aliás. os quais atuam diminuindo a neurotransmissão dopaminérgica no sistema nervoso central. de ação do medicamento. Foi definitivamente estabelecida com base no mecanismo de ação dos principais antipsicóticos utilizados na psiquiatria. O esquema seguinte representa. Teoria Dopaminérgica A teoria dopaminérgica da esquizofrenia foi proposta por Carlsson. Algumas evidências indicam que tais fármacos atuam por meio de duas principais vias dopaminérgicas: o sistema mesotelencefálico e o sistema diencefálico. cada uma responsável por um tipo de sintoma e. conseqüentemente. sinteticamente.envolvidos o núcleo accumbens. sendo que essas vias se subdividem em vias menores. O funcionamento deficitário das vias neurais das demais estruturas poderia explicar as disfunções afetivas e motivacionais. as alterações de percepção poderiam estar relacionadas com um funcionamento anormal de vias neurais deste último. sem dúvida. a melhor fundamentada até os dias atuais e se relaciona com os medicamentos antipsicóticos regularmente utilizados no tratamento. a área tegmentar ventral do mesencéfalo. ganhador do Prêmio Nobel do ano de 2000. com base em evidências farmacológicas indiretas em seres humanos e em animais de experimentação. até o momento as principais hipóteses centralizam-se na dopamina (DA) e no glutamato. A hipótese dopaminérgica tem sido. as vias de neurotransmissão dopaminérgicas sobre as quais atuam os principais antipsicóticos. Com relação às vias de neurotransmissão envolvidas. embora outros mediadores também recebam atenção. o hipocampo e o tálamo.

projetando-se em áreas corticais relacionadas a estruturas límbicas) 12 . Neurolépticos mais freqüentemente utilizados VIAS DOPAMINÉRGICAS PRINCIPAIS SISTEMA SISTEMA MESOTELENCEFÁLICO DIENCEFÁLICO 3 vias Principalmente Nigroestriatal Associadas aos (substância negra do Via Túbero-infundibular efeitos motores (vai do núcleo arqueado até o mesencéfalo até caudado e indesejáveis hipotálamo) putâmem do telencéfalo) Mesolímbica (tegmento ventral do mesencéfalo a núcleos subcorticais do telencéfalo límbico – accumbens. septo lateral. amígdala e tubérculo olfatório) Associadas aos efeitos antipsicóticos Mesocortical (originada no mesmo grupo celular da via mesolímbica.

principalmente. tais como a apomorfina ou a bromocriptina. por exemplo). Comprovando esta hipótese. o sistema mesotelencefálico se divide em três vias menores: a via nigroestriatal. Já em animais de experimentação. Acredita-se que esta última seja a mais importante do ponto de vista do mecanismo de ação dos antipsicóticos. Além disso. Já o sistema diencefálico se divide em vias curtas. agonistas potententes do receptor D2 (um subtipo de receptor de neurônios dopaminérgicos). uma forte correlação entre a potência clínica antipsicótica e a atividade em bloquear os receptores D2 e estudos de imagem de receptor mostraram que a eficácia clínica das substâncias antipsicóticas é consistentemente alcançada quando a ocupação do receptor D2 alcança aproximadamente 80%. exacerbam os sintomas dos pacientes esquizofrênicos. de uma forma inversa à atuação da DA: inibindo manifestações de caráter psicótico. pelo hiperfuncionamento da transmissão dopaminérgica no sistema nervoso central. para reforçar a hipótese dopaminérgica. A anfetamina (tal como a cocaína) libera DA no cérebro e pode produzir. e estes fármacos. da mesma forma que a anfetamina. Isso pode ser 13 . Juntamente com esses dados há. produzem efeitos semelhantes em animais. que lembra os comportamentos repetitivos algumas vezes vistos em pacientes esquizofrênicos. uma síndrome comportamental indistinguível de um episódio esquizofrênico agudo. Teoria Glutamatérgica Algumas evidências indicam que vias glutamatérgicas também participem da gênese da esquizofrenia. a despeito dessas evidências. No entanto. a via túbero-infundibular. como visto na esquizofrenia. a liberação de DA causa um padrão específico de comportamento estereotipado (conhecido como climbing behavior). o que sugere que a esquizofrenia seja caracterizada. acredita-se que outros sistemas de neurotransmissão também estejam envolvidos na gênese da esquizofrenia. em seres humanos. no entanto. Como pode ser observado pelo esquema. existem inúmeros estudos utilizando a anfetamina como agente indutor da hiperativação de vias dopaminérgicas. também inibe as manifestações da esquizofrenia. Um outro fator que reforça a hipótese dopaminérgica é o fato de que o bloqueio dos mecanismos de armazenamento da DA (com a utilização de reserpina. dentre as quais se destaca. O principal mecanismo responsável pela ação antipsicótica dos fármacos utilizados é o bloqueio de receptores dopaminérgicos. pelas ações dos antipsicóticos. a via mesolímbica e a via mesocortical.

têm sido desenvolvidas na tentativa de se compreender a gênese da esquizofrenia. Além disso. Teoria serotonérgica A hipótese do envolvimento da neurotransmissão serotonérgica na gênese da esquizofrenia advém. esta hipótese ainda encontra-se menos estabelecida que a hipótese dopaminérgica. diminuindo a liberação de 5-HT nos terminais nervosos. O uso de LSD por seres humanos induz um estado muito semelhante aos surtos psicóticos observados em pacientes esquizofrênicos. Outras teorias. envolvendo outras substâncias centrais. os quais produzem sintomas psicóticos em seres humanos (como pode ser observado quando da utilização de fenciclidina. apresentam sinais de impulsividade e são propensos a cometer atos violentos contra si próprios ou contra terceiros. Embora existam outras evidências implicando a neurotransmissão serotonérgica em quadros de esquizofrenia. Evidências experimentais auxiliam a reforçar esta hipótese. e respondem às substâncias antipsicóticas. concentrações reduzidas de glutamato e de densidades do receptor de glutamato foram relatadas em cérebros de pacientes esquizofrênicos em estudos post mortem – um dos poucos achados razoavelmente consistentes a respeito do envolvimento do glutamato na gênese da esquizofrenia. o principal metabólito da serotonina. não serão aqui detalhadas. um subtipo de receptor glutamatérgico. quetamina e dizocilpina). Entre elas estão as hipóteses de modulação peptídica e de modulação opióide. que são sugestivos de esquizofrenia. principalmente. que a teoria da hiperatividade dopaminérgica da esquizofrenia parece ser sustentada por uma ampla gama de evidências. pois isto seria fatal) mostram comportamentos estereotipados e interação social reduzida. portanto. dos sintomas produzidos pela utilização do LSD (dietilamida do ácido lisérgico). ou seja. em função de nossos objetivos. Conclui-se. o que levou à formulação do possível envolvimento da 5-HT no desenvolvimento da patologia. diminui a freqüência de disparo de neurônios serotonérgicos. Além disso.evidenciado pela ação dos antagonistas do receptor NMDA (N-metil-D-aspartato). as quais. Embora seja 14 . o qual é um agonista de auto-receptores serotonérgicos. Camundongos transgênicos nos quais a expressão do receptor NMDA está reduzida (não abolida. observou-se que indivíduos com baixos níveis liquóricos do ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA).

diz respeito ao tempo necessário para o estabelecimento do efeito. É importante ressaltar que tais medicamentos tratam os sintomas e não possuem capacidade de cura. mais de 20 substâncias antipsicóticas diferentes disponíveis para uso clínico. atualmente. levam semanas para produzirem os efeitos esperados. De forma geral. chamadas de antipsicóticos atípicos. mas que não representam uma limitação propriamente dita. Assim como outros fármacos neuroativos. muitos deles de grande gravidade.de grande simplificação e se refira somente aos sintomas positivos da doença. Existem. 5. Um outro ponto frágil da terapêutica com os antipsicóticos. possui duas principais limitações: a primeira diz respeito à sua eficácia. os 30% restantes são classificados como “resistentes ao tratamento” e apresentam um importante problema terapêutico. serem ineficazes com relação aos sintomas negativos. tem-se: Antipsicóticos Antipsicóticos clássicos ou típicos atípicos Clorpromazina Clozapina Haloperidol Risperidona Flufenazina Tioridazina Flupentixol Clopentixol Trifluorperazina O tratamento com antipsicóticos. A segunda limitação vem do fato dessas drogas. a qual atinge apenas 70% dos pacientes esquizofrênicos. as substâncias antipsicóticas acabam por produzir uma gama de efeitos colaterais. de forma sintética. Ao impedir a hiperativação dopaminérgica. em contraste com as mais recentes. aquelas que foram originalmente desenvolvidas são chamadas de antipsicóticos clássicos ou típicos. Assim. mesmo bloqueando os receptores dopaminérgicos de forma imediata. fornece o melhor embasamento para a compreensão da ação das substâncias antipsicóticas. desde o aparecimento dos antipsicóticos (também chamados de neurolépticos ou tranqüilizantes maiores) na década de 50. sem considerar os efeitos colaterais que produzem. apesar de controlarem de forma eficaz os sintomas positivos. 15 . FÁRMACOS ANTIPSICÓTICOS A base para o tratamento da esquizofrenia continua a ser de ordem farmacológica.

que freqüentemente piora quando da interrupção do tratamento. E. tendem a declinar com o passar do tempo e são reversíveis com a interrupção do tratamento. Esses sintomas aparecem nas primeiras semanas do tratamento. a despeito de controlar os sintomas muitas vezes incapacitantes da doença. irreversível. Já a discinesia tardia é uma gama de efeitos a qual se desenvolve após considerável tempo de tratamento (meses ou anos) em cerca de 20 a 40% dos pacientes tratados com antipsicóticos típicos e representa o principal problema da terapia antipsicótica. Portanto. É caracterizada por movimentos involuntários freqüentes da face. ser classificados como efeitos motores ou efeitos endócrinos. e representam o principal problema do tratamento com antipsicóticos. a qual pode ocorrer em homens e mulheres. É uma condição incapacitante. os medicamentos antipsicóticos atualmente disponíveis oferecem. em função do bloqueio da neurotransmissão dopaminérgica). etc. de forma que os portadores de esquizofrenia possam desenvolver suas potencialidades 16 . influência sobre os hormônios sexuais. os mais freqüentemente observados são: turgescência. muitos esforços devem ser realizados no sentido de se buscar substâncias eficazes contra o distúrbio e que sejam o mais seletivas possíveis. uma grande variedade de efeitos colaterais ao indivíduo portador da esquizofrenia. da mesma forma. Portanto. torcicolo. síndrome parkinsoniana. no campo da investigação da esquizofrenia. Já com relação aos efeitos colaterais de ordem endócrina. É um panorama triste uma vez que. acaba por produzir outros que podem impedir. por sua vez. da língua. do tronco e dos membros. diminuição do hormônio do crescimento. de forma geral. a fim de minimizar os efeitos adversos produzidos pelos antipsicóticos em uso. a reintegração do paciente à sociedade. movimentos involuntários tais como espasmos musculares. Devem-se ao bloqueio de receptores dopaminérgicos principalmente na via nigro-estriatal. os quais podem compromete seriamente a saúde do indivíduo. Os efeitos motores.Tais efeitos pode. Os principais distúrbios extrapiramidais causados pelos antipsicóticos são: distonias agudas. como pôde ser observado. língua protusa. infelizmente. mais importante. deve-se sempre ter em mente a questão ética por trás da questão farmacológica: a busca por substâncias neurobiologicamente ativas que favoreçam a reintegração dos indivíduos à comunidade. podem ser representados pelos chamados distúrbios extrapiramidais e pela discinesia tardia. dor e lactação das mamas (causada por aumento da concentração plasmática de prolactina. diminuindo ou comprometendo a libido do indivíduo.

um estado no qual o animal permanece imóvel. o teste de reflexo condicionado. é um modelo preditivo baseado nos efeitos produzidos pela administração intraperitoneal de apomorfina. Em animais de experimentação isto pode ser observado facilmente em estudos devidamente planejados. ao diminuir a hiperativação dopaminérgica as substâncias antipsicóticas acabam produzindo também uma gama de outros efeitos. entre outros. Mas um maior número de trabalhos utiliza os dois primeiros modelos: comportamento estereotipado e catatonia. Ainda no âmbito experimental. tais como efeitos comportamentais. causam catalepsia. Tais substâncias reduzem a atividade motora espontânea e. em grandes doses. Já o modelo da catatonia/catalepsia. comportamentos de catatonia/catalepsia e comportamento estereotipado (climbing behavior). por exemplo. desenvolvido por Costall e Naylor em 1974. alguns testes discriminativos (como. mesmo quando colocado em uma posição estranha ao seu repertório comportamental. o modelo da catatonia induzida por haloperidol. esse é um indicativo de ação antipsicótica. Essa capacidade para causar catalepsia é um indicador experimental de uma tendência da droga em teste a causar sintomas extrapiramidais indesejáveis no uso clínico. Os modelos animais baseados na hipótese dopaminérgica da esquizofrenia enfatizam os comportamentos relacionados à administração de antagonistas e agonistas dopaminérgicos. Os modelos animais mais freqüentemente indicados pela literatura para comprovação da atividade antipsicótica de alguns compostos têm sido o modelo do comportamento estereotipado. exigir que o animal responda de modo diferente a luzes vermelha e verde). MODELOS ANIMAIS PARA AVALIAÇÃO DE COMPOSTOS COM SUPOSTA ATIVIDADE ANTIPSICÓTICA Como dito anteriormente. caso a droga utilizada promova uma inibição da hiperatividade locomotora induzida por anfetamina.individuais. 6. a despeito de todo o estigma que vem marcando a patologia ao longo dos séculos. O modelo do comportamento estereotipado foi desenvolvido em 1978 por Costall e colaboradores. respectivamente. um agonista dopaminérgico derivado da morfina e utilizado no tratamento dos sintomas parkinsonianos e da disfunção erétil. é um modelo que visa avaliar os efeitos dopaminérgicos extrapiramidais produzidos pelo antagonista 17 . produzindo.

.Uma Mente Brilhante (“A Beautiful Mind”. Oliver W. os animais são tratados i. O comportamento é avaliado de cinco em cinco minutos durante um tempo total de 20 minutos e seguindo uma escala que vai de 0 a 3 (0= 4 patas no piso da gaiola. os animais são tratados por via intraperitoneal. com 1 mg/kg de haloperidol e colocados numa barra vertical a 5 cm da mesa. 2= 4 patas nas grades [intermitente]. em intervalos de 10 minutos. 2001) .p. 1 hora após o pré-tratamento com a droga em estudo. No modelo do comportamento estereotipado. 1= 2 patas no piso da gaiola. Importante ressaltar que tais modelos encontram-se aqui descritos apenas de forma ilustrativa. de forma geral.Asas da Liberdade (“Birdy”. APÊNDICE Filmes sugeridos sobre o tema “esquizofrenia”: . O haloperidol é um derivado butirofenônico com propriedades antipsicóticas e utilizado atualmente para o tratamento. Editora Companhia das Letras. 3= 4 patas nas grades [constantemente]). a seguir. Hannah Green.O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. hiperatividade e agitação. Sacks.Shine (1996) Livros não-acadêmicos sugeridos: .dopaminérgico haloperidol. de quadros de mania. para verificar se ocorre permanência involuntária do animal em uma posição não habitual.Nunca lhe prometi um jardim de rosas. No modelo da catalepsia/catatonia. Os procedimentos metodológicos estão descritos. 18 . sendo imprescindível o treinamento em metodologia de trabalho em neurofarmacologia e psicofarmacologia para a realização de bons protocolos experimentais. São imediatamente colocados em gaiolas de arame para observação. com 10 mg/kg de cloridrato de apomorfina. além da esquizofrenia. 1985) . Editora Imago.

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