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e s p e c i a l

Areias

r e v i s t a

ponto
movel
cidade do
saber
5

Sumário GENTE QUE
26
FAZ

LÁ VEM
HISTÓRIA 28

QUEM CONTA
UM CONTO 29

SABERES E 14 DICAS
FAZERES CULTURAIS 30

PAINEL
CRIATIVO 32
MOVIMENTO
ARTÍSTICO 18

AÇÃO
GOVERNAMENTAL 20

AREIAS 06
22 ESPAÇO
VERDE

NOSSA
12 SABOR DA TERRA 24 LAZER 34
GENTE

3
areias
Editorial

O trançado de palha feito por Dona Bia, as caminhão-baú adaptado, o Ponto das comunidades visitadas, ajudando a
histórias da origem do lugar contadas por Móvel desenvolve ações unindo cultura, perpetuar histórias nem sempre contadas
Seu Joca, as apresentações do Terno de esporte e educação para a inclusão social, nos livros.
Zé do Vale e as “Marias de alguém”. Essas mobilizando as comunidades que vivem
são algumas peculiaridades de Areias, fora da sede de Camaçari. Depois de visitar Areias através da leitura,
mais uma localidade de Camaçari visitada em outras edições conheça também um
pelo Ponto Móvel e apresentada nesta Além de levar arte e estimular o pouquinho das vivências de Barra do
publicação da Cidade do Saber - Instituto conhecimento, um dos objetivos da Pojuca, Monte Gordo, Barra do Jacuípe,
Professor Raimundo Pinheiro. Cidade do Saber é registrar, nessa série Arembepe, Jauá, Vila de Abrantes e o
especial de publicações, os fragmentos povoado de Cordoaria (remanescente
Na sua estrutura, montada sobre um do modo de vida e das tradições culturais quilombola).

Boa leitura!

Esta publicação segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em vigor desde janeiro de 2009.

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Distrito de
Monte Gordo
Sejamdos
bem vin

Camaçari
1 Barra do Pojuca

2 Monte Gordo

3
Barra do Jacuípe

Cidade do Saber
Sede Camaçari

4 Arembepe

Cordoaria
8 5 Areias
Distrito de
Abrantes 6 Jauá
7 Vila de Abrantes

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areias

Veraneio com clima de fazenda


Mesmo não sendo uma localidade à beira- vinham as terras de Júlio, Isidoro, depois de as mulheres quebrarem o ouricuri
mar, Areias já foi local de veraneio do Marcos Chagas, Agostinho, João Cabôco e (semente ou fruto de palmeira nativa
município de Camaçari. Entre seus atrativos, João Rola. Lá embaixo tinha Thomaz Camilo, de mesmo nome, comum no Nordeste e
o ambiente bucólico, característico das que era meu sogro, Seu Cosme, João da também conhecida como licuri), que era
primeiras fazendas que originaram sua Mata (conhecido como João Burrinha, por vendido na Feira de Água de Meninos.
formação. Muitas famílias passavam dias conta da brincadeira do Terno da Burrinha Dona Crispina lembra: “As meninas
de repouso e lazer em sítios, com toda a que liderava) e Manuel Guedes. Aí vieram iam todas bem vestidas para as festas,
fartura dos seus pomares. os filhos destas pessoas, que cresceram, com as roupas que elas compravam
casaram e ficaram por aqui mesmo”. catando e vendendo o ouricuri. Saíam
Um dos casais mais antigos da região, Seu de madrugada pra vender por aqui tudo.
Josué Manuel das Chagas e Dona Crispina Dona Crispina, filha de Seu Thomaz Catavam o coco numa área conhecida
Duarte são filhos dos antigos proprietários Camilo, conta que a escola que leva como Aruá”.
de duas dessas fazendas. Seu Josué, mais o nome de seu pai já foi lugar de
conhecido como Seu Joca, conta sua versão festividades. “Antigamente, aqui não A população de Areias tem a agricultura
da origem do lugarejo: “O povoado de tinha colégio. Papai fez um barracão como base econômica, o que faz da
Areias surgiu da união das fazendas Areias, para as festas dos casamentos das filhas, localidade um núcleo de produção de
que era de meu pai, com a Mangueira, que ali onde é a Escola Thomaz Camilo. Esse frutas e verduras na região. Seu Joca, que
era do pai de Crispina”. barracão teve várias utilidades, depois até hoje tem roça em Areias e em Coqueiro
virou escola”. de Arembepe, lembra dos tempos áureos
Segundo ele, existiam poucas famílias no como agricultor e diz que plantava muito
lugar. “Essas terras eram de meu pai, depois O barracão também era usado para tomate, pimentão e quiabo.

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Seu Joca e
Dona Crispina

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areias

Lugar de muitas Marias


Para facilitar a identificação das
mulheres de Areias, a comunidade,
“No final da década de 70, cheguei a ter farinha também era uma atividade comum, a exemplo de outras espalhadas
roça com quiabo para a colheita de duas bem como catar o ouricuri e o tagibá da pelo Brasil, encontrou uma solução:
a três vezes por semana. A produção era piaçaveira. acrescentar o nome de um parente ou
repassada para Seu Amoroso, que vendia do marido depois do primeiro nome
na Sete Portas (Salvador). Quinta era o dia Dona Lauriana Pereira de Souza, chamada da “Maria”.
de sair com a carga de coco e, sexta, com a carinhosamente de Dona Loló, trabalhou na
carga de verdura”. roça por muitos anos, plantando mandioca, O mais curioso é que em Areias há
feijão de corda, produzindo farinha e azeite muitas Marias. Assim, as mulheres que
Outras atividades, recorrentes em toda de dendê. “Criei os meus dez filhos com o levam o nome ficaram conhecidas
orla de Camaçari, também ajudaram pais sustento da roça. A necessidade era grande, como Maria de Bia, Maria de Eliano,
e mães de família a criarem seus filhos, mas a gente sobreviveu. Tinha peixe, Maria de Luiz, Maria de Miguel, Maria
como fazer carvão e pescar. Qual a mãe de marisco, tudo isso. Também teci muito de Paizinho, etc e tal.
família que não tinha o seu jereré ou seu chapéu da palha do ouricuri, bocapio
covo feito de cipó em Areias? Produzir (sacola de palha) e esteira”.

Igreja e praça
de Areias

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Dona Loló e
seus chapéus
de palha

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areias

Tempo de brincadeiras
Dona Maria
Genro de Dona Loló, Seu Osvaldo em janeiro e todo o ano a gente fazia uma Areias, bem como seu primeiro presidente. de Miguel
Nascimento, 73 anos, conta sobre a sua brincadeira diferente”, lembra ela. Ajudou a construí-la e depois passou a
participação, em décadas passadas, na organizar algumas festas em sua sede.
Chegança em Areias, formada só por No terno do Zé de Vale, dois eram soldados
homens que se reuniam no barracão para e um era o preso (o próprio Zé do Vale). “Eu tinha uma radiola, botava o som lá,
fazer a brincadeira. A sogra dele também “Nesse terno tinha também o pai e a todo mundo dançava até pegar o sol com
foi integrante destas manifestações da mãe do prisioneiro, que pediam para a mão. Todo mundo alegre, brincando,
cultura popular. “Brinquei muito com as os soldados soltarem ele. Eu fazia o Boi não tinha briga nem nada. Com o tempo, a
coisas daqui, tinha muito terno, tinha o Boi, Janeiro, também. Tinha viola e pandeiro, gente resolveu eleger uma padroeira para
tinha a Loba, tinha o Periquito”, diz. era muito lindo!”, continua D. Maria. a localidade e Dona Milu, que era parteira,
sugeriu que fosse Nossa Senhora do Parto.
Dona Maria Carvalho de Souza, conhecida A moradora Cristina Pereira Franco, 39 Já tinha uma igreja pequenininha, aí nós
como Maria de Miguel, como tantas anos, conta que, apesar de pertencer a derrubamos e fizemos uma maior”.
mulheres em Areias, exercia muitas outra geração, ainda alcançou algumas
atividades para obter seu sustento. dessas brincadeiras. “Eu já dancei de Ele lembra com muitas saudades dos tempos
Trançava chapéu e esteira, fazia vassoura, ganhadeira de roda em Terno de Reis. de fartura na pesca em Areias e adjacências,
plantava na roça, catava coco de ouricuri e, Lembro do Boi Janeiro, entre outras quando, no brejo local, a quantidade de
ainda, produzia farinha e beiju. brincadeiras. Pegavam a cabeça do boi e peixe era tão grande que dava para encher
enfeitavam toda, era uma beleza!”. bacias. Depois, o pescado era colocado para
Além de ter todas essas habilidades, secar no sol. A pesca se estendia, também,
Dona Maria de Miguel sempre gostou de Tradições e lembranças por Jauá e Arembepe, rendendo muita
participar de ternos, desde a infância. “Aqui lagosta. “Muita gente presenteava meu pai
tinha muito Terno de Reis, tinha Burrinha, Seu Joca foi um dos fundadores da com peixe, porque ele também gostava de
o Peixinho Dourado, a Loba. Era sempre primeira Associação de Moradores de agradar as pessoas dando frutas”, finaliza.

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Seu Osvaldo:
“Brinquei
muito aqui”

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areias Nossa
Gente

Entrevista:
“Tinha muito samba de roda aqui” Dona Bia

Flora Pereira de Souza, 77 anos, nascida e criada em Areias, é o que pode se chamar de uma mulher
de fibra. Conhecida na comunidade como Dona Bia, criou suas filhas gêmeas com muito esforço e
trabalho. Além de trabalhar trançando palha, como parteira, ajudou muitas mães de Areias a terem
seus filhos. Em entrevista à Revista do Ponto Móvel Cidade do Saber, Dona Bia conta a história de sua
vida e um pouco da história da localidade.

Revista Ponto Móvel: Dona Bia, o que cordinha. Também já vendi fumo de corda. aqui. Quando não dava conta, encaminhava
a senhora fazia para ter o seu sustento Em dia de domingo, eu vendia mungunzá pra maternidade, em Camaçari ou Lauro de
aqui em Areias? e bolo de aipim na porta de minha casa. Freitas.
Já fui funcionária da Prefeitura, na escola
Dona Bia: Eu já fiz de tudo. Primeiro, municipal, trabalhando como merendeira Revista Ponto Móvel: E o que mais a
fui catadora e vendedora de coco de e depois fiz um curso de parteira. Criei senhora fez?
piaçaveira. Eu ia para o brejo para pegar minhas filhas sozinha e depois ajudei a
o junco, botava pra secar, fazia a esteira criar minhas netas. Dona Bia: Fazia rede de pesca e tarrafa. Eu
de botar em burro. Muita gente, aqui, também fazia azeite de dendê e vendia em São
sabia fazer abano, chapéu, tudo da palha Revista Ponto Móvel: Além da senhora, Joaquim. Separava o azeite. O bamba (nata
do coqueiro. Nessa época, ia para Portão tinha outra parteira em Areias? do azeite) que ficava na panela a gente comia
(em Lauro de Freitas) andando e depois com carne de sertão ou peixe. Aqui no rio tinha
pegava um carro para São Joaquim, onde Dona Bia: Tinha Dona Santinha, que já muita traíra. Eu fazia uma moqueca com leite
vendia os cocos arrumados em uma faleceu. A gente fez parto de muita criança de coco bem grosso, ficava uma delícia.

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Revista Ponto Móvel: Quantos filhos a Dona Bia: Nossa Senhora do Parto.
senhora teve? Dona Filinha, a esposa dos donos das
terras daqui, Seu Thomaz Camilo, sofria
Dona Bia: Foram sete filhos. Tive duas com muitas cólicas e fez uma promessa
barrigas de gêmeos, sendo duas meninas, pra Nossa Senhora do Parto. Com a fé
que ficaram comigo, e dois meninos, que que Deus deu a ela, se curou e pediu
o pai educou. Na época do aniversário ao marido que construísse uma capela
das gêmeas Cristina e Cristiane, que é em para a santa. Como gostava de São
janeiro, eu dava um caruru. Tirava reza de João e Santo Antônio, ele também
São Cosme e Damião, São Crispim, de São colocou os santos na capela.
Roque, Santo Antônio e de Nossa Senhora
do Parto. Revista Ponto Móvel: E como eram as
festas daqui?
Revista Ponto Móvel: E quem é o santo
padroeiro de Areias? Dona Bia: Tinha muito samba de roda
aqui, na época de janeiro. O pessoal
fazia um barracão do lado da igreja e
todo mundo se reunia lá pra sambar.
Os Ternos de Reis iam de casa em casa,
alegrando o povo onde passava.

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areias Saberes
e Fazeres

A arte que vem do barro


“Meu objetivo é passar adiante o que eu sei”

Nascido em Maragogipinho, no Recôncavo chegar lá. “Temos na região de Camaçari Além dos alunos de Areias e Camaçari
baiano, e morador de Areias há 12 anos, um dos melhores tapetes de argila da (sede), Seu Ednaldo já deu aulas a duas
Seu Ednaldo, 57, é conhecido como o Bahia. Onde a gente cavar tem argila meninas com necessidades especiais, que
melhor ceramista da região. O talento de toda espécie. Aqui na beira do (rio) acabaram se desenvolvendo por conta do
desse mestre foi herdado da família, que, Capivara temos argila vermelha, amarela, aprendizado. “Fazer cerâmica é, além de
segundo ele, se destacava em sua cidade de todo tipo”, diz ele, destacando que um ofício, uma terapia. Muita gente que
natal, conhecida como a terra da cerâmica. é preciso aproveitar esse material para está tomando remédio poderia evoluir
produzir cada vez mais e gerar renda. fazendo cerâmica”.
Seu Ednaldo conta que seus familiares
estão entre os pioneiros nesta atividade, Segundo Ednaldo, paciência é a palavra- Atualmente, Mestre Ednaldo e sua família
cujo dom vem dos bisavós de seu pai. chave para quem deseja aprender. Ele trabalham por encomenda e expõem
As peças criadas por eles, até hoje, são explica que a produção de uma peça seus trabalhos em feiras de artesanato.
copiadas por vários ceramistas. “O nosso pode durar dias. Vontade, talento e Em casa, ele tem duas grandes aliadas:
diferencial é justamente esse, o de criar as conhecimento para ensinar não lhe faltam, sua esposa, Dona Ana Maria, e sua
peças e não apenas copiar em série”. Hoje, já que vive desse ofício há mais de 40 anos. filha Nildete, a quem vem passando as
Maragogipinho é um dos polos ceramistas técnicas da produção. Enquanto ele fica
do Brasil. Desde os 18 anos ele ministra cursos e dá no torno (máquina de acabamento),
aulas, ensinando a crianças e adultos a arte as mãos delicadas de Nildete moldam
E se depender de Seu Ednaldo, Camaçari de moldar o barro, inclusive em Areias, detalhadamente as peças, numa parceria
será outro celeiro desta arte. Ele afirma que onde atuou como instrutor, capacitando entre pai e filha.
o município tem um bom potencial para jovens da comunidade como ceramistas.

14
Nildete, filha
e parceira na
produção

Contato para
encomendas
e cursos:

Seu Ednaldo:
9635-4061

Seu Ednaldo é
conhecido como
melhor ceramista
da região

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areias Saberes
e Fazeres

Produção artesanal de dendê


“Faço o azeite de dendê há mais de 40 anos”

Nascida em Barra do Jacuípe, Maria pra trabalhar. Com os loteamentos foram


Contato para
Soares Duarte veio morar em Areias em surgindo os condomínios, que acabaram
encomendas:
1972. Logo que chegou passou a fazer cercando a maior parte dos terrenos, então Maria de
muitas coisas para garantir o seu sustento: perdemos o acesso às palmeiras”. Paizinho:
plantou milho, quiabo, mandioca, fazia (71) 3672-2228
farinha. Mas a especialidade dela sempre Com o material em mãos, Dona Maria inicia
foi o azeite de dendê. Conhecida na o preparo do azeite cortando o cacho e
localidade como Maria de Paizinho, tratando todo o dendê, um por um. Depois
produz azeite, artesanalmente, há mais de da limpeza, o dendê é levado ao fogo
40 anos. pela primeira vez para soltar boa parte da
coalha. Após a primeira fervura, o dendê
O processo para produção do azeite se é pisado em um pilão e posteriormente
inicia com a coleta da matéria-prima, o lavado. Em seguida, é batido para retirada
que exige de Dona Maria um pouco de da coalha e levado ao fogo novamente,
sacrifício. Por conta da ação do homem, onde é apurado para fazer o azeite. Por
o dendezeiro vem sofrendo com as fim, chegado o ponto, o azeite é retirado
queimadas e derrubadas na região. “Está do fogo, coado e engarrafado para ser
cada vez mais difícil encontrar o material consumido.

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Maria de Paizinho
produz azeite
há mais de
40 anos

17
areias Movimento
Artístico

Palco da Cidade
O Palco da Cidade também passou agosto de 2009 e, entre os candidatos “O que a Cidade do Saber fez foi um
por Areias. O projeto, do Núcleo de de bairros diversos do município (o que trabalho extremamente importante
Produção do Teatro Cidade do Saber, propiciou um intercâmbio cultural entre para os artistas locais, pois, aqui
contribuiu para revelar os inúmeros os artistas e entre diferentes localidades) em Camaçari, tem muita gente
talentos artísticos de Camaçari, entre houve a apresentação de dois duos boa, mas sem oportunidade
os meses de julho e novembro de locais: um protagonizado pelos irmãos de aparecer”, avalia Rosana. Para
2009, principalmente ao longo da orla Raquel e Josias da Costa Santos e outro ela, há cantores de qualidade, que
da cidade. A iniciativa mobilizou as por Jamile e Hilton. precisam apenas de um incentivo.
diversas comunidades, que receberam “Eu mesma fiquei muito feliz quando
nas suas praças etapas classificatórias Antes, na seletiva de Barra de Jacuípe, soube que estava acontecendo o
para a semifinal e final (fases realizadas um outro nome de Areias teve destaque. Palco da Cidade, ainda mais que
no Teatro Cidade do Saber, na sede de Mais um talento da família Costa, Rosana adoro cantar. Foi uma oportunidade
Camaçari). interpretou a música Sabor de Mel e, fantástica cantar com a banda
assim como a dupla formada por seus do Palco, que era simplesmente
A etapa de Areias ocorreu no dia 22 de irmãos, chegou à semifinal. sensacional”, lembra.

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Plateia atenta e
os classificados
na seletiva de
Areias

No Palco da
Cidade, é hora
de soltar a voz

19
areias Ação
Governamental

Gente que cuida da gente


Foco nas pessoas e na qualidade de acesso aos serviços públicos, além de intervenção no campo de futebol, a
vida. Qualquer intervenção da Prefeitura garantir a integração entre as diversas reforma no colégio Thomaz Camilo e
Municipal de Camaçari, como as que são áreas habitadas. as atividades esportivas como as do
planejadas e executadas na região da Programa De Bem com a Vida têm
orla, segue esta diretriz. É uma marca do Entre as ações, podem ser citadas a favorecido a convivência, o interesse
governo, desde 2005. pavimentação de ruas, recapeamento por compartilhar momentos nos
asfáltico, iluminação em pontos de espaços públicos, gerando motivação
As ações buscam um resultado ônibus (próximos à passarela), reforma para melhorar a saúde e aprender mais.
prático na realidade cotidiana, o que do Posto de Saúde da Família e
implica na elevação da autoestima aquisição de canoas para o transporte É desse modo que se consolida uma
e valorização das comunidades. Os entre povoados separados pelo rio. cidade mais humanizada, com orla e
investimentos realizados, por exemplo, centro mais integrados, unidos por
na infraestrutura de Areias, facilitam o Já a revitalização de praças, a políticas democráticas.

20
Obras facilitam
acesso aos
serviços
públiicos

21
e s p e c i a l

areias Espaço
Verde

Arrastão ecológico
Desde 2007, duas vezes por ano, acontece o integrando práticas preventivas à epidemia Através de pesquisas realizadas pelo
Arrastão Ecológico em Areias. Organizado de dengue, em parceria com a Secretaria de Instituto Aliança, encomendadas pela
pela empresa Millennium, o projeto Saúde de Camaçari (Sesau). própria Millenium, os programas de
mobiliza cerca de 300 pessoas, entre relacionamento com a comunidade são
moradores da localidade e funcionários- A demanda para uma atuação mais efetiva constantemente avaliados, para medir se
voluntários. A Associação Beneficente de de responsabilidade socioambiental contribuem, de fato, para alterar a realidade
Areias e a Associação Unidos de Areias são por parte da empresa, de acordo com das comunidades vizinhas.
os parceiros responsáveis pela mobilização o seu setor de comunicação, surgiu da
dos moradores. própria comunidade de Areias. Das A empresa, também, conclui a elaboração
localidades do litoral camaçariense, é a que do Relatório Socioambiental, realizado por
Segundo a analista de comunicação da geograficamente está mais próxima da área uma equipe multidisciplinar ligada à UFBA,
multinacional, Carla Dias, o objetivo é de produção industrial da multinacional. envolvendo sociólogos, antropólogos,
conscientizar a população local sobre a nutricionistas, entre outros profissionais. Os
importância de se jogar o lixo em locais Desse modo, além do Arrastão Ambiental, dados se somarão aos do Instituto Aliança e
apropriados. Carla relata que “a cada evento diversos outros projetos são realizados aos da pesquisa realizada pela Fundação José
diminui o volume de materiais retirados das no lugar, como o Reciclando com Arte e Silveira, a pedido do Ministério Público, onde
ruas e das margens do Rio Capivara, o que a cooperativa de costureiras, CoopAreias foram levantadas as condições de saúde,
mostra que a população está colocando o lixo Sol Nascente, ambos financiados pela ambientais e sociais de Areias, apontando
em seu devido lugar”. Millennium e executados pelo Sesi. os possíveis impactos da operação industrial
Há também o Clube de Leitura, sob a nesta comunidade do entorno.
Para 2010, há a proposta de que a ação passe a coordenação de um psicopedagogo, o
se chamar Arrastão de Saúde e Meio Ambiente, professor Romi Nascimento. Para saber mais: www.millennium-al.com.br

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Crianças
Simples ação, grande resultado integram
projetos sociais
Uma ação comum nas residências pode trazer
sérios danos ao meio ambiente. Trata-se do
descarte inadequado do óleo de cozinha. Ao ser
jogado no lixo ou no ralo, o óleo contribui com a
contaminação das águas e impede a oxigenação e
a entrada de luz, além de prejudicar a reprodução
de organismos aquáticos.

Para doar o óleo utilizado, basta armazená-lo em


garrafas do tipo PET e entrar em contato com a
empresa Reciclagem de Óleos Vegetais (Renove).
A partir de quatro litros, a empresa agenda a
coleta pelo telefone (71) 9979-2504.

Mutirão
recolhe lixo
das ruas

23
areias Sabor
da Terra

Promessa paga, como


manda a tradição
Em toda a orla de Camaçari, os carurus de promessa são uma tradição
que permanece até os dias de hoje. A receita desta edição da Revista
Ponto Móvel já atravessa gerações e está relacionada, como é comum, à
fé de uma mãe, agradecida pela bênção de engravidar, por duas vezes,
de gêmeos.

Dona Bia, mãe de Cristina e Cristiane, começou a preparar o caruru de


São Crispim e, anos depois, transmitiu a fé e as graças às suas filhas,
que ficaram responsáveis por levar adiante a prática de celebração e
agradecimento a este santo, que, conforme conta a história, era irmão
gêmeo de Crispiniano. Segundo a gêmea Cristiane, o caruru de São
Crispim não pode deixar de ter os quatro pratos de costume: caruru,
vatapá, xinxim de galinha e arroz.

24
CARURU DE SÃO CRISPIM

Ingredientes: Modo de preparo:


- 3 dúzias de quiabos picados Coloque no liquidificador todos os
- 3 cebolas brancas médias picadas ingredientes, menos o azeite de
- 200g de camarão seco sem casca dendê. Adicione um pouco da água
e bata tudo.
- 50ml de azeite de dendê A mistura vai para a panela e,
- 50g de castanha de caju sem depois, para o fogo.
casca Mexa devagar, sem intervalos.
- 50g de amendoim torrado sem Quando o caruru ficar consistente,
casca coloque o restante da água. Alguns
- 1 colher de sopa de gengibre minutos depois, é a vez do azeite
descascado de dendê. Mexa por mais 10 ou 15
- 800ml de água minutos. Quando borbulhar, retire
do fogo e está pronto o caruru de
São Crispim. Não precisa colocar sal.

25
areias Gente
que Faz

Instituto Social Preamar


Com sede na comunidade de Areias, o com temáticas variadas (gravidez na ativas do grupo, a Full Chic foi aos poucos
Instituto Social Preamar foi fundado por adolescência, sexualidade, drogas, se tornando conhecida pela qualidade e
um grupo de moradoras do Condomínio violência), identidade cultural e produção beleza das peças. Das mãos das artesãs de
Interlagos, com o objetivo de promover alternativa complementar à renda. Areias saem colchas, almofadas, tapetes
a emancipação dos indivíduos através e outros apetrechos produzidos na sede
de atividades socioculturais, produção O exemplo da Full Chic é um dos mais da instituição. As peças mais famosas
de artesanato, capacitação profissional e representativos, dentro dos importantes são as colchas e as mantas, que já foram
resgate da cultura popular. resultados, alcançados pelo instituto. Foi compradas por autoridades e celebridades,
através de um curso para a reutilização como contam colaboradoras da ONG.
As atividades, realizadas desde 2001, de retalhos que surgiu a marca. Durante
são direcionadas a jovens e adultos e, a implementação da atividade, que Para cobrir as despesas, como a do aluguel
mais recentemente, passaram a incluir compreendia técnicas de fuxico e da sede, o Preamar conta com doações de
moradores de Abrantes. amarradinho, foi consolidado um grupo pessoas físicas e de empresas. A gerente de
de artesanato, o qual deu origem à produção e voluntária Sandra Maciel, com
Em Areias, a atuação do Preamar diferenciada linha de produtos. a colaboração de mais seis pessoas, angaria
contempla cursos profissionalizantes, os recursos para manter a estrutura. As
inclusão digital, oficinas de sensibilização Criada por Dona Cleonice Pereira dos encomendas da Full Chic também são fonte
Santos (Dainha), uma das costureiras mais de renda para a manutenção do trabalho.

26
Mulheres
de Areias se
juntam para
fazer fuxico

Contatos
para doações e
encomendas:
Arlene:
(71) 8190-5480

Atividade deu
origem à marca
Full Chic

27
areias
Lá vem
História Cheganças retratam batalhas

A Chegança é composta por uma série de


episódios relacionados às lutas ibéricas entre
cristãos e mouros, aos feitos marítimos de
Portugal e suas epopéias vividas em viagens,

Marca da diversidade
batalhas e conquistas.

O termo Chegança é utilizado no Brasil para


designar o intenso processo de fusão de todo
Os mais de 40 quilômetros de belas praias, Montenegro, por influência política de um universo de tradições aqui chegadas de
dunas, lagoas, rios e coqueirais se harmonizam um dos herdeiros de suas terras. Somente além-mar. A palavra vem, provavelmente,
e complementam a riqueza manifestada no em 1938 foi denominada Camaçari. Em de uma dança portuguesa do século XVIII. A
caldeirão cultural que é Camaçari. Além das sua origem, Camassary é uma espécie da manifestação sobrevive sob duas denominações:
manifestações artísticas e culturais, o município Mata Atlântica e o nome significa “árvore a Chegança de Mouros e a Chegança de Marujos.
é sede de um dos mais importantes polos que chora”, por verter uma seiva em suas Em Camaçari existem as duas variações, ambas
industriais do país. folhas, como se fossem lágrimas. preservadas e difundidas a partir dos velhos
arraiais pesqueiros.
Os elementos que enriquecem a sua história As culturas negra e indígena deixaram
estão presentes já na origem do nome, seu legado em Camaçari. A utilização da A Chegança dos Mouros destaca a memória dos
que teve uma série de versões até chegar a mão-de-obra dos índios pelos jesuítas, fatos relacionados à luta entre cristãos e mouros.
Camaçari. além da pesca artesanal e da agricultura Já a de Marujos, ou simplesmente Chegança,
de subsistência, reforçam a teoria. Além narra as viagens e acontecimentos marítimos sem
A cidade foi fundada em 1558 pelos jesuítas, disso, a herança contempla o artesanato, o caráter bélico.
como centro de catequese dos índios a comida e a religião, inclusive numa
Tupinambás. Localizada nas margens do Rio localidade remanescente de quilombo. As Cheganças são subdividas em jornadas
Joanes, inicialmente, chamava-se Aldeia do de limites pouco claros, inclusive para os
Espírito Santo. A economia de Camaçari era baseada na participantes. Na antiga terminologia teatral
pecuária e na agricultura de subsistência ibérica, a palavra jornada equivalia a um ato ou a
A data oficial de fundação é 28 de setembro até o final dos anos 60. Nos anos 70, teve cada uma das partes de uma dança dramática.
de 1758, quando, por decreto do Marquês de início a implantação do maior complexo
Pombal, foi elevada à condição de vila e passou industrial integrado do Hemisfério Fontes:
a se chamar Vila de Abrantes. No mesmo ano, Sul. Desde então, não só Camaçari, Documento Atecplan, 1985.
os jesuítas foram expulsos do lugar. mas a Bahia passa a ter um novo perfil Danças Dramáticas do Brasil. Vol. 1. Mário de Andrade, 1982.
Chegada de Marujos. Oneyda Alvarenga, 1955.
econômico, quando a indústria assume a Camaçari, Sua História, Sua Gente, de Sandra Parente, e Abrantes,
A cidade também chegou a se chamar ponta como setor mais importante. Berço da Civilização Brasileira, de Eduardo Cavalcanti.

28
areias
Quem Conta
um Conto?
A origem do nome
Por Cristina Pereira Franco

Conta-se que o nome de Areias surgiu por causa das


dunas. Até hoje, ainda há dunas do outro lado da pista e os
moradores contam que a areia é espalhada pelo vento e vai
para dentro das casas.

29
areias Dicas
Culturais

Nossa Senhora do Parto


As festividades em louvor à padroeira de Areias, Nossa Senhora do Parto,
são realizadas de 14 a 17 de dezembro e fazem parte do calendário festivo
de Camaçari. Durante as homenagens, são celebradas missas na igreja e
acontecem apresentações de bandas locais.

O culto a Nossa Senhora do Parto Mãe Platytera. No Ocidente, como


deriva dos primeiros séculos da era Nossa Senhora do Bom Parto, com a
cristã. A primeira imagem da santa imagem modificada da Virgem com
está em Roma, num dos arcos do o Menino Jesus nos braços, sentada
Cemitério Maior. O ícone é do século ou de pé.
IV e, nele, a Virgem está em posição
de oração, de braços abertos, com No Brasil existem poucas igrejas
Cristo Menino diante do peito. dedicadas a Nossa Senhora do
Parto. A mais conhecida fica no
A devoção e o culto à Virgem do antigo povoado da Palhoça, em
Parto, apesar das divergências dos Florianópolis, no estado de Santa
teólogos quanto à representação de Catarina. Construída em 1868, os
sua maternidade divina, nunca foram habitantes decidiram dedicá-la à
abandonados pelo povo cristão. santa e realizam a celebração no dia
No Oriente, foi venerada como a 8 de novembro.

30
Igreja em
que devotos
reverenciam
Nossa Senhora
do Parto

31
areias
Painel
Criativo

Ponto Móvel
Areias foi uma das primeiras localidades beneficiadas pelo
Ponto Móvel Cidade do Saber, ainda no ciclo inicial de atuação
do projeto, que oferece atividades culturais, esportivas e de
estímulo à prática cidadã, num caminhão-baú adaptado.

Entre julho e outubro de 2009, sempre às quintas-feiras, o


Ponto Móvel, estacionado na Praça da Biblioteca Comunitária,
realizou oficinas de futebol, pintura em tecido, musicalização,
literatura e iniciação na internet.

O resultado dos trabalhos desenvolvidos com crianças, jovens e


adultos, pelo período de três meses, foi apresentado no Teatro
Cidade do Saber, numa mostra da qual também participaram
os educandos de Barra do Pojuca, Monte Gordo e Barra do
Jacuípe. Para muitos beneficiários, seus familiares e amigos,
esta foi também a oportunidade de conhecer o complexo
Cidade do Saber.

O Ponto Móvel estará de volta a Areias. Até breve!

32
Jovens
apresentaram
trabalhos no
Teatro da Cidade
do Saber

Oficinas de
musicalização
reuniram
crianças e jovens

33
areias Expediente
Lazer CIDADE DO SABER

Diretora geral: Ana Lúcia Silveira


Diretor de infraestrutura: Utilan Coroa
Diretor do saber: Arnoldo Valente
Diretora do teatro: Osvalda Moura

Caça-palavras
COORDENAÇÃO DO PROJETO REVISTA PONTO
MÓVEL CIDADE DO SABER
Assessoria de Comunicação da Cidade do Saber
Alguns verbetes em Tupi-guarani: (ASCOM)
Responsável: Carolina Dantas
Pesquisa: Bárbara Falcón
Textos: Carolina Dantas e Bárbara Falcón
Fotos Ascom: Daniel Quirino e Clemente Júnior
Equipe Ascom: Carolina Dantas, Bárbara Falcón,
Clemente Júnior, Daniel Quirino, Elba Coelho e
Tediarlen Silva

REALIZAÇÃO

AG Editora
Diretora executiva: Ana Lúcia Martins
Executiva de projetos: Júlia Spínola
Edição: Ana Cristina Barreto
Fotos: Paulo Macedo
Imbuaçu, Aruá, Inhatí, Cutupá, Dendê, Araticum, Ouricuri, Bocapio
Revisão: José Egídio

Endereço: Rua Coronel Almerindo Rehem, 82, sala


1207, Ed. Bahia Executive Center, Caminho das Árvores.
CEP 41.820-768 - Salvador-BA Tel: (71) 3014-4999

Projeto gráfico: Metta Comunicação


Editoração: Jean Ribeiro e João Soares
Ilustrações e arte: Jean Ribeiro

Tiragem: 2.000 exemplares - distribuição gratuita

Agradecimentos:
Fotos da sessão Espaço Verde - Millenium

34
e s p e c i a l

Areias

Executor do Projeto

Parceiros Cidade do Saber: Mantenedor: