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2011/2012

Escola E.B 2,3 Dr. António Francisco Colaço á


Prof.
Língua Portuguesa – 8º Ano Paulo & Manuela
Teste Modelo I 1º Período

Leia com atenção o texto transcrito e responda, de forma clara e objectiva, ao questionário que se segue:

OS TRÊS CONSELHOS
Um pobre rapaz tinha casado, e para arranjar a sua vida, logo ao fim do primeiro ano teve de ir servir uns
patrões muito longe. Ele era assim bom homem, e pediu ao amo que lhe fosse guardando na mão o dinheiro das
soldadas. Ao fim de uns quatro anos já tinha um par de moedas, que lhe chegava para comprar uma quintazinha, e
quis voltar para casa. O patrão disse-lhe:
- Qual queres, três bons conselhos que te hão de servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?
- Ele, o dinheiro é sangue, como diz o outro.
- Mas podem roubar-to pelo caminho e matarem-te.
- Pois então venham de lá os conselhos.
Disse-lhe o patrão:
- O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por atalho, podendo andar pela estrada real.
- Cá me fica para meu governo.
- O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova. Agora o terceiro
vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.
O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas; e quando se ia
embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, se tivesse fome; mas que era melhor comê-lo em casa
com a mulher, quando lá chegasse. Partiu o homenzinho do Senhor, e encontrou-se na estrada com uns
almocreves que levavam uns machos com fazendas; foram-se acompanhando e contando a sua vida, e chegando lá
a um ponto da estrada, disse um almocreve que cortava ali por uns atalhos, porque poupava meia hora de
caminho. O rapaz foi batendo pela estrada real, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o almocreve todo
esbaforido sem os machos; tinham-no roubado e espancado na quelha1. Disse o moço:
- Já me valeu o primeiro conselho.
Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava
pernoitar; mas quando viu o taberneiro já homem entrado, e a mulher ainda frescalhuda, pagou e foi andando
sempre. Quando chegou à vila, ia lá um reboliço; era que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha
fugido com a mulher do taberneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:
- Bem empregado dinheiro o que me levou o patrão por este conselho.
E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou; quando se ia aproximando da porta,
viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi ir matar logo ali a
ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor, e entrou muito fresco pela porta dentro. A mulher
veio abraçá-lo, e disse:
- Aqui está meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos!
Abraçaram-se todos muito contentes, e quando foi a ceia para a mesa, o marido vai a partir o bolo, e
aparece-lhe dentro todo o dinheiro das suas soldadas. E por isso diz o outro, ainda há quem faça bem.
Teófilo Braga, Contos Tradicionais do Povo Português, 1883

1
quelha – rua estreita, viela, beco.
COMPREENSÃO DO TEXTO
TEXTO I – OS TRÊS CONSELHOS
1. Consegue dizer, exactamente, quando e onde se passa esta história? Porquê?

2. Nos contos populares, a linguagem é simples, de nível popular, o que se compreende, dado
que o seu emissor é geralmente do povo. Seguindo o exemplo dado, sublinhe as marcas de fala
popular presentes nas frases e reescreva essas mesmas frases retiradas do conto «As Bocas do
Mundo» na norma culta, mantendo o seu sentido original.
Exemplo: «- Ele, o dinheiro é sangue, como diz o outro.»
R: O dinheiro é sangue, como se costuma dizer.

«O rapaz foi batendo pela estrada real…»


___________________________________________________________________________
«…viu vir o almocreve todo esbaforido sem os machos.»
___________________________________________________________________________
«…ia lá um reboliço.»
___________________________________________________________________________
«Disse o rapaz lá consigo.»
___________________________________________________________________________
«E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa.»
___________________________________________________________________________
«…mas quando viu o taberneiro já homem entrado.»
___________________________________________________________________________

3. Assinale com um V (Verdadeiro) ou com um F (Falso) as seguintes afirmações:


- A literatura oral e tradicional apenas nos foi transmitida através da escrita. 
- A literatura oral e tradicional caracteriza uma certa arte da memória. 
- Os contos populares, as lendas, os provérbios têm sempre um autor que é identificado. 
- Uma das funções destes textos é o entretenimento, durante o convívio entre pessoas de diferentes gerações. 
- Trata-se de um repertório muito significativo para o povo, já que encerra e perpetua um conjunto de ensinamentos
morais, condicionando comportamentos e atitudes. 
- As crianças e os jovens só começam a contactar com este tipo de textos quando já sabem ler e escrever. 
- A transmissão destes textos dá origem à produção de variantes, pois cada emissor, tendo sido já um receptor, altera
o discurso que ouviu, acrescentando ou omitindo pormenores. 
- A parábola recorre a animais para dar lições ao homem. 
- A lenda assenta num facto real, num espaço e tempo mais ou menos identificáveis. 
FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA
1. O texto que se segue é baseado num conto tradicional.

1.1 Preencha os espaços em branco, escolhendo uma das palavras indicadas.

_________________ (Dizem/Diz-se) que era um homem muito velho, o qual tinha um neto
e um jumento.
O velho, o rapaz e o burro lá _________________ (partiu/partiram) em viagem. Nem o
velho nem o rapaz _________________ (viajavam/viajava) em cima do burro. Assim,
_________________ (caminhava/caminhavam) o avô e o neto.
Em certo lugar, _________________ (havia/haviam) muitas pessoas na rua. Comentários,
críticas e até insultos, tudo _________________ (saíam/saía) da boca daquela gente.
Um pouco mais adiante, um grande número de pessoas _________________
(gritavam/gritava) à beira da estrada. Homens, mulheres e crianças, ninguém se
_________________ (calava/calavam).
O avô _________________ (desceram/desceu), e o neto também.
Enfim, velho, rapaz e burro, cada qual _________________ (chegaram/chegou) à feira,
depois de muito ter ouvido durante a viagem. Então disse o avô ao neto:
– É para que saibas o que são as línguas do mundo: preso por ter cão e preso por o não ter.

2. Indique a classe morfológica das palavras que se seguem:


uma ________________________________________________________________
(uma) venda ___________________________________________________________
em ________________________________________________________________
(ele) tencionava ___________________________________________________________

3. No excerto seguinte encontrará quatro erros ortográficos. Identifique-os e Corrija-os:

A fama da raposa como bicho atrevido e matreiro tem passado de geração em geração.
Em serta fábula, é o lobo a vítima da sua manha. Ora, a raposa tinha visto a imagem da Lua no fundo
de um poço. A gulosa terá crido tratar-se de um enorme queijo e decidiu, então, descer num dos baldes,
ficando presa lá em baixo.
Contasse que, entretanto, um lobo se tinha abeirado do poço. A raposa lá o terá persuadido a descer
no outro balde, falando-lhe do queijo delicioso.
Ao longo dos tempos, os contadores de historias tem descrito os lobos como animais cautelosos. Mas
este, imprudente, deixou-se levar pela conversa enganadora da raposa. Desceu no balde, içando a manhosa
que, assim, riu muito quando teve a certeza de que se tinha salvado. O lobo, esse, lá terá permanecido no
fundo do poço durante muito tempo, esperando a chegada de outro ingénuo.
a) ____________________________ b) ____________________________
c) ____________________________ d) ____________________________
4. Leia as seguintes frases:
Ultimamente, a raposa, que é mesquinha, só tem dado papas aos seus convidados.
Daqui por instantes a raposa, que anda sempre esfomeada, já terá ido bater à porta da cegonha.

4.1. Sublinhe todos os adjectivos presentes nas frases.

4.2. Reescreva a última frase, com o adjectivo no grau superlativo absoluto sintético.

_______________________________________________________________________

5. Indique o tipo e as formas da frase que se segue:


 Não comes as papas?
TIPO: _______________________________
FORMA: _______________________________

6. Tendo em conta as palavras onomatopaicas, provenientes das vozes dos animais, faça as
correspondências adequadas.
Animais Vozes

Cavalo ● ● Balido
Lobo ● ● Grunhido
Vaca ● ● Latido
Porco ● ● Uivo
Cão ● ● Relincho
Burro ● ● Mugido
Ovelha ● ● Zurro

EXPRESSÃO ESCRITA

Recorde a lenda do “Milagre de Ourique”, reconte-a, usando a


sua imaginação e criatividade.

Aspectos a ter em conta na elaboração do texto:


 Narrador deve ser
heterodiegético;
 Devem existir
momentos de descrição e
narração;
 Deve ser apresentada de forma direta a caracterização
física e de forma indireta a caracterização psicológica de
uma das personagens;
 Devem utilizar, pelo menos, uma comparação, uma
personificação e uma dupla adjetivação;
 Devem apresentar um momento discurso direto e um
momento de discurso indireto;
 O texto deverá ter entre 250 a 300 palavras (25 a 30 linhas).