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FALC - FACULDADE DA ALDEIA DE CARAPICUÍBA

CRISTIANE ANDRÉIA ALVES DOS SANTOS GABALDI

ARTE EDUCACÃO: desenvolvimento social e artístico

CARAPICUÍBA /SP
2017
CRISTIANE ANDRÉIA ALVES DOS SANTOS GABALDI

ARTE EDUCACÃO: desenvolvimento social e artístico

CARAPICUÍBA /SP
2017
FOLHA DE APROVAÇÃO
CRISTIANE ANDRÉIA ALVES DOS SANTOS GABALDI

ARTE EDUCACÃO: desenvolvimento social e artístico

Aprovado em:_____/_____/2017

Examinadores:

___________________________________________
Prof. Coordenador
Instituição de ensino superior

___________________________________________
Prof. Orientador
Instituição de ensino superior
AGRADECIMENTOS

A Deus, que me concedeu vida e nela me conduziu


com o seu amor infinito para que encontrasse a força
necessária para superar todos os desafios.
À minha família, aos amigos e ao meu marido pelo
carinho e compreensão nos momentos mais difíceis
desse curso.
A todos que direta ou indiretamente ajudaram para
que a realização deste trabalho.
RESUMO

GABALDI,CRISTIANE ANDRÉIA ALVES DOS SANTOS. ARTE EDUCACÃO:


desenvolvimento social e artístico. 2017, f. Monografia – Arte Educação- FALC-
Faculdade da Aldeia de Carapicuíba, 2017.

A proposta visa investigar as práticas pedagógicas e como a arte, pode interferir


na compreensão e desenvolvimento da criança. Em um passado recente, em que a
arte na educação foi considerada, como atividade de lazer e recreação na escola.
Porém, hoje vista como um importante trabalho educativo, que procura, através das
tendências individuais, amadurecer a formação do gosto, estimular a inteligência e
contribuir para a formação da personalidade do indivíduo. É um conjunto de atos pelos
quais se muda a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura,
e por meio deles, o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a
linguagem. Assim, por meio do contato com a arte, crianças e jovens são levados a
refletir questões sociais, políticas e econômicas, ampliando sua visão de mundo. E
este é um papel importante atribuído ao trabalho de arte educação. A arte propondo
a reflexão sobre a vida e contribui na formação social, principalmente de crianças e
jovens em formação.

Palavras Chave: Arte, Educação, Desenvolvimento


ABSTRAT

GABALDI, CRISTIANE ANDRÉIA ALVES DOS SANTOS. ART EDUCATION: social


and artistic development. 2017, f. Monograph - Art Education - FALC - School of the
Village of Carapicuíba, 2017.

The proposal aims to investigate pedagogical practices and how art, can interfere in
the understanding and development of the child. In a recent past, in which art in
education was considered as leisure activity and recreation in school. Today,
however, it is seen as an important educational work, which seeks, through individual
tendencies, to mature the formation of taste, stimulate intelligence and contribute to
the formation of the personality of the individual. It is a set of acts by which the form
is changed, the matter offered by nature and culture is transformed, and through
them the student broadens the sensibility, the perception, the reflection and the
language. Thus, through contact with art, children and young people are led to reflect
social, political and economic issues, broadening their vision of the world. And this is
an important role attributed to the work of art education. The art proposes reflection
on life and contributes to the social formation, especially of children and young
people in formation.

Keywords: Art, development, social formation


Sumário

1.História da Arte............................................................................................................................13
1.1 Idade da Pré-História ou Pedra Lascada ...........................................................................16
1.2 Idade da Pedra Polida .........................................................................................................17
1.3 Idade dos Metais ..................................................................................................................19
1.4 Idade Antiga .........................................................................................................................20
1.4.1 Arte Egípcia ...................................................................................................................21
1.4.2 Arte Grega .....................................................................................................................22
1.4.3 Arte Romana .................................................................................................................24
1.4.4 Arte Paleocristã .............................................................................................................26
1.4.5 Arte Bizantina ................................................................................................................27
1.5 Idade Média ..........................................................................................................................28
1.5.1 Arte Românica...............................................................................................................29
1.5.2 Arte gótico......................................................................................................................31
1.6 Idade Moderna .........................................................................................................................33
1.6.1Renascimento ................................................................................................................34
1.6.2 Arte Barroco ..................................................................................................................36
1.6.3 Arte Rococó ...................................................................................................................38
1.7 Idade Contemporânea .............................................................................................................39
1.7.1Neoclassicismo ..............................................................................................................40
1.7.2 Romantismo ..................................................................................................................40
1.7.3 Realismo ........................................................................................................................41
1.7.4 Impressionismo .............................................................................................................41
1.8 Arte do Século XX ...................................................................................................................42
1.8.1Expressionismo ..............................................................................................................42
1.8.2 Fauvismo .......................................................................................................................43
1.8.3 Cubismo .........................................................................................................................43
1.8.4 Abstracionismo ..............................................................................................................43
1.8.5 Futurismo .......................................................................................................................44
1.8.6 Dadaísmo ......................................................................................................................44
1.8.7 Surrealismo ...................................................................................................................45
1.9 Arte Brasileira .......................................................................................................................46
2. Arte x Educação .........................................................................................................................49
2.1 Arte e educação infantil .......................................................................................................51
3. Arte e formação do docente ......................................................................................................53
3.1 Polivalência na arte..............................................................................................................55
4.Conclusão ....................................................................................................................................55
5.Referências bibliográficas ..........................................................................................................56
INTRODUCAO

O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre a importância da arte no


desenvolvimento da criança, desde o ensino infantil. A preocupação com esta
temática surgiu em sala aula, por muitas vezes, o ensino da arte é visto como
simplesmente pintar desenhos, sem qualquer sentimento. Busquei desenvolver uma
pesquisa visa investigar como o ensino da arte vem sendo aplicado no espaço
educativo.
Por isso, a proposta visa investigar as práticas pedagógicas e como a arte,
pode interferir na compreensão e desenvolvimento da criança. Em um passado
recente, a arte na educação foi considerada, como atividade de lazer e recreação na
escola.
A arte hoje não é vista como componente curricular, sob o olhar do aluno é
dada como uma recreação. Sobre este assunto este artigo pretende esclarecer e,
portanto, se justifica e se torna exequível.
Portanto, a mudança desse conceito após investigação dos modos como se
aprende arte na educação infantil, no ensino fundamental e médio e no ensino
superior.
A arte é um importante trabalho educativo, pois procura, através das tendências
individuais, amadurecer a formação do gosto, estimular a inteligência e contribuir para
a formação da personalidade do indivíduo. É um conjunto de atos pelos quais se muda
a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura, e por meio
deles, o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a linguagem.
Aprender arte envolve, basicamente, fazer trabalhos artísticos, apreciar e
refletir sobre eles. Envolve, também, conhecer, refletir sobre as formas da natureza e
sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas épocas e culturas.
No seu trabalho criador, o indivíduo utiliza e aperfeiçoa processos que
desenvolvem a percepção, a imaginação, a observação e o raciocínio. No processo
de criação, ele pesquisa a própria emoção, liberta-se da tensão, ajusta-se, organiza
pensamentos, sentimentos, sensações e forma hábitos de trabalho.
A criança, mesmo antes de aprender a ler e a escrever, reage positivamente
aos estímulos artísticos, pois ela é criadora em potencial.
O contato com a arte desde criança é muito importante, porque no processo de
conhecimento da arte são envolvidos, além da inteligência e do raciocínio, o afetivo e
o emocional, que estão sempre fora do currículo escolar.
Assim, por meio do contato com a arte, crianças e jovens são levados a refletir
questões sociais, políticas e econômicas, ampliando sua visão de mundo. E este é um
papel importante atribuído ao trabalho de arte educação. A arte propondo a reflexão
sobre a vida e contribui na formação social, principalmente de crianças e jovens em
formação.
A escola o primeiro espaço formal onde se dá o desenvolvimento de cidadãos,
nada melhor que por aí se dê o contato sistematizado com o universo artístico e suas
diferentes linguagens: arte cênica, cinema, desenho, escultura, pintura, literatura,
teatro, dança, música, etc. No entanto, a contemplação e a criatividade nas artes
devem transcender o ambiente escolar. De acordo com os PCNs (Parâmetros
Curriculares Nacionais);

“As aulas de artes devem contemplar atividades que envolvam


as quatro linguagens existentes, são elas: a música, o teatro,
a dança e as artes visuais”.

A arte é uma das melhores maneiras do ser humano expressar seus


sentimentos e emoções. Somente a arte desenvolve certas áreas do conhecimento,
como a percepção visual e auditiva, a expressão corporal, a intuição, o pensamento
analógico, concreto e holístico e a reflexão. Isso acontece no momento em que são
exercidas essas práticas artísticas. Pode estar representada de diversas maneiras,
através da pintura plástica, escultura, cinema, teatro, dança, música, arquitetura,
dentre outros.

A arte é cultura. É fruto de sujeitos que expressam sua visão de mundo, visão
esta que está atrelada a concepções, princípios, espaços, tempos, vivências. O
contato com a arte de diversos períodos históricos e de outros lugares e regiões
amplia a visão de mundo, enriquece o repertório estético, favorece a criação de
vínculos com realidades diversas e assim propicia uma cultura de tolerância, de
valorização da diversidade, de respeito mútuo, podendo contribuir para uma cultura
de paz.
O trabalho compreende três capítulos, sendo que o Capítulo I – “História da
arte” apresenta história da arte até os dias de hoje. Capitulo II – “Arte e Educação”
apresenta a importância da arte na educação e desenvolvimento cognitivo e
conhecimento de mundo do discente. Capitulo III- “Arte e formação docente apresenta
as dificuldades de se encontrar professores habilitados, e o professor polivalente.
1.História da Arte

A história da arte é uma área do conhecimento que analisa os estilos artísticos,


suas modificações, obras de arte, artistas e o valor estético das obras produzidas.
Esse estudo é realizado de acordo com o cenário social, político, religioso que
a sociedade viveu ou vive em determinado período. Assim relacionada à cultura dos
mais variados povos existentes. Verdadeiramente é uma ciência multidisciplinar que
procura estudar de modo objetivo a arte através do tempo.

Desde a pré-história, até os nossos dias, a história da arte traduz a própria


história da humanidade, isto é, revela o processo de auto compreensão humana.

Na Pré-História, período no qual podem ser colhidas informações sobre os


sistemas simbólicos desenvolvidos pelos homens primitivos, suas técnicas (como a
arte rupestre) e os principais lugares do mundo onde esse tipo de arte pode ser
encontrado.

A arte desenvolvida pelas grandes civilizações da Antiguidade no Ocidente e


no Oriente Médio, como a arte da Mesopotâmia, a arte do Egito Antigo, a Arte Persa,
a Arte Grega, a Arte Romana, a Arte Bizantina e a Arte Cristã Primitiva, essa última
divide-se entre a fase da produção artística oficial e a produção nas catacumbas
romanas.

Seguindo cronologicamente, temos a arte no período da Idade Média, com


temas como a Arte Gótica, que pode ser esmiuçada no estudo dos vitrais góticos e na
especificidade do gótico alemão, além das catedrais medievais e as técnicas de
pinturas que estabeleceram as bases para os artistas do Renascimento.

Além disso, temos ainda a fase pós-renascentista, destacando-se a arte


barroca (em especial, a pintura barroca em que foram empregadas com maestria as
técnicas de luz e sombra) e a verificamos a necessidade do homem em representar a
realidade sob a sua perspectiva e percepção.
A arte evolui com o tempo e em cada época, de acordo com o contexto
histórico, observa-se uma tendência a certo estilo. Segundo: Maria da Graça Proença:

...as obras de arte não devem ser encaradas como algo extraordinário dentro da
culturas humanas, ao contrário, devem ser vistas como profundamente integradas
na cultura de um povo, pois ora retratam elementos do meio natural, como é o caso
das pinturas nas cavernas, ora expressam os sentimentos religiosos do homem.
(p.8)

Pinturas pré-históricas encontradas nas cavernas de Altamira, Espanha


(fig.1)

Natividade (fig. 2)

A arte é o reflexo da cultura e da história, considerando os valores estéticos


da beleza, do equilíbrio e da harmonia.

Tipos de Artes

De acordo com o segmento, a arte pode ser classificada de várias maneiras:


artes plásticas, artes cênicas, artes visuais, etc. Além disso, existem graduações
específicas para que uma pessoa se especialize na área de sua escolha. Veja a
definição de algumas:
Artes Plásticas: está relacionada a escultura, arquitetura, artes gráficas e o
artesanato.

Artes Visuais: é a classificação dada para todos os tipos de arte que retratam a
realidade ou a imaginação e que tem a visão como um dos principais recursos para
estudo. Envolve áreas como a pintura, cinema, decoração, jogos, etc.

Artes Cênicas: é o estudo de todas as formas de expressão realizadas através da


dança, do teatro ou da música.

Segundo autores como Hegel e Ricciotto Canudo, teóricos e críticos de arte, há


uma lista numerada do que pode ser considerado arte nos dias atuais, principalmente
com o advento da tecnologia:
• Música: é um tipo de arte que se baseia em sons e ritmos de acordo
com determinado período de tempo;
• Dança/Coreografia: a dança está classificada dentro das artes
cênicas, e é uma forma de movimento que se realiza com o corpo
baseado ou não em uma coreografia (arte de criar roteiros/trilhas de
movimentos para realizar uma dança);
• Pintura: está relacionada a cor e suas variações, bem como a forma
com que o artísta a utiliza em uma superfície;
• Escultura: é uma forma de arte em que há a criação de imagens
plásticas em relevo utilizando vários tipos de materiais (bronze,
mármore, argila, madeira, etc.);
• Teatro: é um tipo de arte em que um ou mais atores encenam uma
determinada história ou situação em local específico (anfiteatros, praças,
ruas, etc.);
• Literatura: é uma arte que utiliza a palavra para criação de histórias ou
poesias de acordo com técnicas específicas;
• Cinema: é uma arte e técnica criada para a reprodução de imagens
com movimento em uma tela;
• Fotografia: se baseia em imagens e técnicas para capturar paisagens
e seus diversos momentos;
• Histórias em Quadrinhos: forma de arte que utiliza a cor, a palavra e
imagem para narrar uma história;
• Jogos de Computador e de Vídeo: constitui na criação de jogos que
podem ser reproduzidos por meio de um aparelho eletrônico com
imagens, cores e sons que fazem com que o jogador interaja com ele;
• Arte digital: é a arte produzida por meio de programas de computador
relacionados às artes gráficas, que possibilitam criações em 3D e 2D.

1.1 Idade da Pré-História ou Pedra Lascada

A Pré-História é uma época anterior à escrita, iniciada pelo aparecimento dos


primeiros hominídeos, entre 1.000.000 até 4000 a.C. Conhecida também como Idade
da Pedra ou Paleolítico Superior, foi o período mais longo da época, é dividido em três
períodos:

• Paleolítico Inferior – até 500.000 a.C. (caça e coleta, instrumentos


feitos de pedra, madeira, ossos, controle do fogo e surgimento dos
primeiros hominídeos);
• Paleolítico Superior – aproximadamente 30.000 a.C. (pinturas e
esculturas, objetos feitos de marfim, ossos, pedra e madeira);
• Neolítico – por volta do ano 10.000 a.C. (objetos feitos de pedra polida,
início da agricultura, artesanato, construção de pedra e a primeira
arquitetura), de 5.000 até 3.500 a.C. surge a idade dos metais, o final
desse período, quando acontece o desenvolvimento da metalurgia,
surgimento de cidades, invenção da roda, da escrita e do arado de bois.

As primeiras manifestações artísticas foram encontradas no Paleolítico


Superior ou Idade da Pedra Lascada.

Muitos dos desenhos se


assemelhavam aos desenhos
infantis, mas as técnicas
reproduzidas por eles não devem
ser encaradas dessa forma. Como
principal característica da arte,
temos naturalismo. pinturas rupestres (fig. 3)
Naquele tempo o artista desenhava aquilo que ele estava vendo, e isso pode
ser notado através das pinturas deixadas nas cavernas, ou pinturas rupestres. Os
animais, a natureza e tudo que eles podiam captar, eles reproduziam.

Eram representações gráficas, através de desenhos, símbolos e sinais, em


paredes, tetos e outras superfícies de cavernas. Esse tipo de arte é conhecido como
a expressão artística mais antiga da história.

Técnicas na Idade da Pedra Lascada:

Mãos em negativo – feitas com argila


no interior das cavernas, começaram
a desenhar e pintar animais. O motivo
era que através da pintura de animais,
feita por caçadores, eles poderiam
capturá-lo no momento de sua caça.

Pintura rupestre: Mãos em negativo. (fig. 4)

Interpretação da natureza – suas imagens produzidas nas cavernas revelam traços


de força e movimentos para figuras de animais selvagens, como os bisontes e traços
mais leves e frágeis, como cavalos.

Escultura – as mulheres eram as mais reproduzidas nas esculturas. Nelas,


encontramos uma mulher com ventre e quadris volumosos, seios grandes e a cabeça
se juntava ao corpo. Ex.:

• Vênus de Savinhano;
• Vênus de Willendorf.

Instrumentos – utilizavam para fazer as pinturas óxidos minerais, osso, carvão,


sangue de animais e vegetais e também o pó proveniente da trituração de pedras para
fazer as mãos em negativo.

Os costumes e a rotina do homem pré-histórico eram reproduzidos nas


cavernas, de maneira individual, ou coletiva, até mesmo partos e relações sexuais
eram registrados. Há estudos que investigam a possibilidade dessa atividade ser
dotada de um sentido especial para o homem primitivo, pois a produção de arte
rupestre se distanciava de suas aldeias.
A pintura rupestre não se limitava apenas a registros do cotidiano, mas
abrangia também aspectos religiosos da pré-história.

1.2 Idade da Pedra Polida

O homem começa uma revolução no último período da Pré-História (Neolítico


ou Idade da Pedra Polida), por volta do ano de 10 000 a. C.

Nesse período eles criavam armas e instrumentos com pedra polida, fato que
deu o nome ao período. Com êxito, é o período em que eles começam a domesticar
animais e dão os primeiros passos na agricultura. Além disso, os objetos com
cerâmica, a fiação, o artesanato e a arquitetura começam a compor o cotidiano do
homem na Pré-História. Os povos passaram a formar famílias e foi feita a divisão do
trabalho.

A partir dessa revolução, os homens se transformaram em camponeses,


trocaram o sentido de caça pela livre abstração e racionalização, ou seja, a arte deixou
de ser natural e passou a ser mais geométrica e simples. Surgiu, então, a primeira
transformação da história da arte. Nessa época, os trabalhos cotidianos eram
representados e sentia-se a necessidade de dar movimento às imagens.

Técnicas da Idade da Pedra Polida

• Técnica de tecer panos;


• Fabricação de cerâmicas;
• Arquitetura: construção das primeiras casas;
• Técnicas para a produção do fogo;
• Trabalho com metais.
(fig. 4) (fig.5)
O homem do Neolítico construiu as primeiras moradias, constituindo-se assim,
os primeiros arquitetos do mundo.

Os avanços desse período foram tão importantes que os historiadores


denominaram esse processo de Revolução Neolítica.

Segundo o Prof. Carl Lima,

“A arte é bem um sinal do poder criador da inteligência humana. ”

É com esta definição que colocamos a arte como o apogeu da existência


humana e do seu modo de pensar e representar o mundo. Os homens não puderam
fazer utensílios para si sem exercer uma arte.

Além de desenhos e pinturas, o artista do Neolítico produziu uma cerâmica que


revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto.

A preocupação do homem com a beleza está tão presente nas culturas, que
até mesmo os objetos essencialmente úteis são concebidos de forma harmoniosa e
apresentam-se em cores muito bem combinadas.

Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte, o seu poder
de observação foi substituído pela abstração e racionalização. A arte do Neolítico leva

à escrita.

Nessa fase de transformação vamos encontrar sinais e figuras que mais


sugerem do que reproduzem os seres. Mas não foi apenas a maneira de desenhar e
pintar que sofreu modificações.
Os próprios temas da arte mudaram: começaram as representações da vida
coletiva. A preocupação com o movimento fez com que os artistas criassem figuras
leves, ágeis, pequenas e de pouca cor. Desses desenhos surge, portanto, a primeira
forma de escrita, a escrita pictográfica.

1.3 Idade dos Metais

O período que caracteriza o fim da Idade da Pedra, marcado pelo início da


fabricação de ferramentas e armas de metal. Nesse período registrou-se outro
progresso: os artistas começaram a usar o metal em seus trabalhos, as esculturas em
metais eram representadas por guerreiros, mulheres cheias de detalhes que
mostravam roupas e armas utilizadas nessa época.

Técnicas da Idade dos Metais

• A técnica da cera perdida: começava com a


construção de um modelo em cera. Esse modelo era
revestido de barro aquecido, com calor do barro a cera
derretia-se a escorria por um orifício que era
propositalmente deixado na peça de cerâmica.
Obtendo-se um objeto oco.

(fig. 6)
• Método da forma de barro: consistia em fazer uma fôrma com
esse material. Nela era despedaçado o metal já derretido em
fornos. O ferro fundido era deixado dentro de uma fôrma de barro
até que esfriasse, depois de frio a fôrma era quebrada obtinha-se,
assim uma escultura com a configuração.

(fig.7)

A importância da arte na pré-história não se deve apenas à possibilidade de


interpretação das produções artísticas descobertas, mas muito ao esclarecimento da
realidade de uma época, e não podemos esquecer o que dizia o Historiador Marc
Bloch, “o homem é o fruto do seu tempo”.
1.4 Idade Antiga

O período da Idade Antiga se estende de 4000 a.C. 476 d.C. Já haviam


vestígios de civilizações bastante avançadas, mostrando estruturas de sociedades
escravistas e de servidão coletiva.

O povo era marcado por uma realidade mística: a religiosidade dos egípcios,
as buscas gregas pela perfeição, o retorno da natureza humana até a fundação do
cristianismo e a religião oficial do Império Romano, por exemplo.

Esse período iniciou com a escrita avançada e se estendeu até a queda do


Império Romano do Ocidente. Uma arte dedicada à morte.

Dessa forma, a arte egípcia concretizou-se, desde o início, nos túmulos, nas
estatuetas e nos vasos deixados junto aos mortos. E por isso também que a
arquitetura egípcia se realizou sobretudo nas construções mortuárias.

1.4.1 Arte Egípcia

A arte egípcia foi marcada pela escrita avançada que consistia na criação de
símbolos, os hieróglifos. Sendo politeístas e crendo na vida após a morte, sua arte era
voltada para a criação de túmulos para faraós, estátuas de deuses, vasos antigos e
uma arquitetura baseada em suas crenças.

Desse período restaram importantes monumentos artísticos, feitos para atestar


a grandiosidade e a imponência do poder político e religioso do faraó.

Dentre os grandes monumentos


funerários desse período, um dos mais
importantes é o túmulo da rainha
Hatshepsut, que reinou de 1511 a 1480 a.C.
durante a menoridade de Tutmés I. Trata-se
de uma construção imponente e
harmoniosa.

Templo da rainha Hatshepsut (fig.9)


Segundo a autora Maria G.Proenca,

“O que contribui muito para a beleza dessa obra é a maneira


como foi concebida: a montanha rochosa que lhe serve de
fundo constitui parte integrante do conjunto, de tal forma que
há uma profunda fusão da arquitetura com o ambiente natural”.

A arte egípcia estava intimamente ligada à religião, por isso era bastante
padronizada, não dando margens à criatividade ou à imaginação pessoal, pois a obra
devia revelar um perfeito domínio das técnicas e não o estilo do artista.

Na pintura surgem criações artísticas mais leves, e de cores mais variadas que
as dos períodos anteriores. A postura rígida das figuras é abandonada, e elas parecem
ganhar movimento.

Arte – Egito (fig. 10)

1.4.2 Arte Grega

A arte grega representava o homem como centro da perfeição e das obras de


arte. Eram realizadas pinturas, estátuas, edificações e outros monumentos que
valorizavam o ser humano em todos os aspectos. As criações artísticas dessas
civilizações, com certeza, causaram espanto e admiração nos gregos.

O escultor grego do período arcaico, em suas obras deixa claro ao observador


essa simetria, o artista esculpia figuras masculinas nuas, eretas, em rigorosa posição
frontal e com o peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas.
Na Grécia, como em outras civilizações, a pintura apareceu como elemento de
decoração da arquitetura. Vastos painéis pintados recobriam as paredes das
construções e, muitas vezes, as métopas dos templos apresentavam pinturas em
lugar de esculturas.

Entretanto, a pintura grega encontrou também uma forma de realização na arte


da cerâmica. Os vasos gregos são conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma,
mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a
ornamentação.

As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e


cenas da mitologia grega. Inicialmente o artista pintava, em negro, a silhueta das
figuras. A seguir, gravava o contorno e as marcas interiores dos corpos com um
instrumento pontiagudo, que retirava a tinta preta, deixando linhas nítidas.

Pintura do Vaso Francois (fig. 11)

A escultura do século IV a.C. apresenta traços bem característicos. O primeiro


deles é o crescente naturalismo:
• os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade
e a personalidade, mas também segundo as emoções e o estado de espírito
de um momento.
• é a representação, sob forma humana, de conceitos e sentimentos, como a
paz, o amor, a liberdade, a vitória etc.
• um terceiro é o surgimento do nu feminino, pois nos períodos arcaico e
clássico, as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Praxíteles,
por exemplo, esculpiu uma Afrodite nua que acabou sendo sua obra mais
famosa.
Vivendo em vastos reinos e não mais em comunidades constituídas pelas
cidades-Estados, os gregos do período helenístico passaram a substituir seus
sentimentos de cidadãos por sentimentos individualistas. Isto se reflete imediatamente
na arquitetura de suas moradias. Isto se reflete imediatamente na arquitetura de suas
moradias, que eram muito modestas e apenas os edifícios públicos construídos com
suntuosidade.

A partir do século IV a.C., entretanto, as casas começaram a receber um


cuidado maior e, com o tempo, foram ganhando mais espaço e conforto. A troca do
sentimento comunitário pelo sentimento individualista manifesta-se também no teatro.
Nessa época o coro era muito valorizado nas representações teatrais e
desempenhava a ação do povo ou de grupos humanos, porém passa para o segundo
plano. Agora, a ênfase maior é dada ao desempenho dos atores.

Essa mudança refletiu-se inegavelmente na arquitetura dos teatros.

Na Grécia clássica os teatros eram divididos em três partes bem distintas:

• o espaço circular chamado orquestra, local para danças e onde o coro e os


atores representavam;
• o espaço reservado para os espectadores, uma espécie de arquibancada em
semicírculo construída na encosta de uma colina;
• e o palco, lugar onde os atores se preparavam para entrar em cena e onde
eram guardados os cenários e as roupas usadas nas representações.

Teatro de Epidauro (fig.12)


1.4.3 Arte Romana

A arte romana estava baseada na cultura greco-helenística. Foi uma arte


fundamental que ajudou na preservação da arte grega. Ela se destacou,
principalmente, na arquitetura com a construção de monumentos grandiosos, como
teatros, templos, casas, etc.

A arte romana, sofreu duas fortes influências: a da arte etrusca, popular e


voltada para a expressão da realidade vivida, e a da greco-helenística, orientada
para a expressão de um ideal de beleza.

Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos


romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções. Esses dois elementos
arquitetônicos permitiram aos romanos criar amplos espaços internos, livres do
excesso de colunas, próprio dos templos gregos.

A planta das casas romanas era


rigorosa e invariavelmente desenhada a partir de
um retângulo básico. A porta de entrada, que
ficava de um dos lados menores do retângulo,
conduzia ao átrio, um espaço central com uma
abertura retangular no telhado. Essa abertura
permitia a entrada da luz, do ar e também da
água da chuva, que era coletada num tanque o
implúvio colocado exatamente sob o vão do teto.
Em linha reta em relação à porta de entrada, e
dando para o átrio, ficava o tablimo, aposento
principal da casa.

(Fig.13)
Os romanos costumavam erigir seus templos num plano mais elevado e a
entrada só era alcançada através de
uma escadaria construída diante da
fachada principal. Estes elementos
arquitetônicos pórtico e escadaria
faziam com que a fachada principal
fosse bem distinta das laterais e do
fundo do edifício.

Maison Carré (fig. 14).

A pintura romana que conhecemos até os dias de hoje provém das cidades de
Pompéia e Herculano. A descoberta da possibilidade de se criar, por meio da pintura,
a ilusão de um bloco saliente conduziu ao segundo estilo, pois, se era possível sugerir
a saliência, e também sugerir a profundidade .

De maneira tosca, mas alegre, ora de maneira segura e brilhante, os pintores


romanos misturaram realismo e imaginação, e suas obras ocuparam grandes espaços
nas construções, complementando ricamente a arquitetura.

Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das
pessoas e não a de um ideal de beleza humana.

A arte dos romanos revela-nos um povo possuidor de um grande espírito


prático: por toda parte em que estiveram, estabeleceram colônias e construíram
casas, templos, termas, aquedutos, mercados e edifícios governamentais.

1.4.4 Arte Paleocristã

A arte paleocristã era baseada em Jesus Cristo, de forma a difundir os seus


ensinamentos para os povos. Teria começado na Judeia, uma província de Roma, e
logo em seguida se disseminou para todo o Império Romano.

Por causa dessas perseguições, os primeiros cristãos de Roma enterravam


seus mortos em galerias subterrâneas, denominadas catacumbas.
Dentro dessas galerias, o espaço destinado a receber o corpo das pessoas era
pequeno. Os mártires, porém, eram sepultados em
locais maiores, que passaram a receber em seu teto e
em suas paredes laterais as primeiras manifestações da
pintura cristã.

É importante notar que essa arte cristã primitiva não


era executada por grandes artistas, mas por homens do
povo, convertidos à nova religião. Daí sua forma rude, às
vezes grosseira, mas, sobretudo, muito simples.

Pintura Bom Pastor, Catacumbas de Priscila(fig. 15)

As perseguições aos cristãos foram aos poucos diminuindo, assim surgi, os


primeiros templos cristãos. Esses templos mantiveram as características da construção
romana destinada à administração da justiça conservando o seu nome basílica.

Toda essa arte cristã primitiva, primeiramente tosca e simples nas catacumbas e
depois mais rica e amadurecida nas primeiras basílicas, mostra mudanças que marcaram
uma nova época na história da humanidade.

1.4.5 Arte Bizantina

Com o cristianismo no auge do Império Bizantino, a arte cristã um caráter


majestoso, que exprime poder e riqueza. Ao contrário da arte cristã primitiva, que era
popular e simples.

A arte bizantina tinha um objetivo: expressar a autoridade absoluta do


imperador, considerado sagrado, representante de Deus e com poderes temporais e
espirituais.

Várias regras foram estabelecidas, uma delas foi a frontalidade, pois a postura
rígida da figura leva o observador a uma atitude de respeito e veneração pelo
personagem representado.

Além do frontalidade, outras regras foram estabelecidas pelos sacerdotes para


os artistas, determinando o lugar de cada personagem sagrado na composição e
indicando como deveriam ser os gestos, as mãos, os pés, as dobras das roupas e os
símbolos. Enfim, tudo o que poderia ser representado estava rigorosamente
determinado.

As personalidades oficiais e os personagens sagrados passaram também a ser


retratados de forma a trocar entre si seus elementos caracterizadores.

Os personagens sagrados, por sua vez, eram reproduzidos com as


características das personalidades do Império. Esse caráter majestoso da arte
bizantina pode ser observado tanto na arquitetura como nos mosaicos e nas pinturas
que decoram o interior das igrejas. O Mosaico: o luxo e a suntuosidade em pedras
coloridas.

Um dos melhores exemplos disso é a basílica de Santa Sofia, construída e


ornamentada de acordo com o gosto das classes mais ricas. Observe abaixo:

basílica de Santa Sofia( fi. 16) interior da basílica Santa Sofia (fig. 17)

Além dos trabalhos em mosaicos, os artistas bizantinos criaram os ícones, uma


nova forma de expressão artística na pintura. A palavra ícone é grega e significa
imagem. Como trabalho artístico, os ícones são quadros que representam figuras
sagradas como Cristo, a Virgem, os apóstolos, santos e mártires.
Ao pintar os ícones, usando a técnica da têmpera, isto é, consiste em misturar
os pigmentos a goma orgânica, para facilitar a fixação das cores à superfície do objeto
pintado, a mais comum era gema de ovo, o resultado é pintura brilhante e luminosa
ou da encáustica, isto é, o processo consiste em diluir os pigmentos em cera derretido
e aquecida no momento da aplicação. Ao contrário da têmpera, cujo efeito é brilhante,
a pintura em encáustica é semifosca.
Os artistas usam esses e alguns outros recursos para realçar os efeitos de luxo
e riqueza da época.
1.5 Idade Média

Esse período histórico que começou na Europa, o Império Romano do


Ocidente sofreu uma invasão bárbara, no século V, e houve uma decadência da
cultura. Seus princípios eram diferentes dos pregados na arte greco-romana e essa
arte se baseou no decorativismo, sem nenhuma preocupação com as figuras
humanas.

Esse caráter decorativo é uma consequência do nomadismo desses povos,


pois, em virtude de estarem sempre mudando de lugar, os bárbaros destacaram-se
na criação de pequenos objetos, como brincos, colares, pulseiras, fivelas e fechos.

Com a queda do Império, a Igreja começou a exercer sua influência sobre o


Estado. No Império Carolíngio foram produzidos manuscritos ilustrados e também
objetos de arte, criados nas oficinas relacionadas ao rei.

A Igreja Católica influenciou bastante na arte medieval, os ensinamentos da


Bíblia eram reproduzidos nas pinturas, nos vitrais das igrejas, em livros e esculturas.
Eles eram criados para ensinar a população sobre religião, pois a maior parte
das pessoas eram analfabetas, sendo a educação, um privilégio apenas da nobreza.
Depois da morte de Carlos Magno, as atividades culturais deixaram de ser o centro
do Império, sendo realizadas apenas nos monastérios.

1.5.1 Arte Românica

A arte românica era um estilo artístico criado dentro de oficinas e surgiu nos
séculos XI e XII, na Europa. Deixou vestígios de sua arte, principalmente, na
arquitetura, que era uma das mais valorizadas com a criação de grandiosas basílicas
românicas que muitas vezes eram chamadas de “Fortaleza de Deus” e castelos.
Essas imensas igrejas eram erguidas em vilarejos calmos e tranquilos.
As características da arquitetura românica são a utilização da abóbada, dos
pilares maciços que as sustentam e das paredes espessas com aberturas estreitas
usadas como janelas. A abóbada das igrejas românicas era de dois tipos: a abóbada
de berço e a abóbada de arestas.

Abóbada de berço, a esquerda, e abóbada de arestas, á direita, (fig. 18)

A explicação mais aceita para as formas volumosas, estilizadas, duras e


primitivas dessas igrejas é o fato de a arte românica não ser fruto do gosto refinado
da nobreza nem das ideias desenvolvidas nos centros urbanos.

Trata-se de um estilo essencialmente clerical, pois, com o enfraquecimento do


poder do rei com desaparecimento de uma vida de corte, a Igreja tornou-se a única
fonte de encomendas de trabalhos artísticos.

Na Idade Média, assim como hoje, havia muitas peregrinações a lugares


considerados santos. Dentre os lugares santos mais procurados estavam Jerusalém,
onde Jesus Cristo morrera. A basílica de Saint-Sernin, na cidade de Toulouse.

basílica de Saint-Sernin (fig. 19) planta da basílica (fig. 20)

A planta dessa basílica corresponde a uma cruz com uma torre elevada no
cruzamento dos dois eixos. Em torno da nave central foi construído um corredor
contínuo que também contorna, num segmento curvo chamado deambufatório. Esse
corredor lateral e o deambulatório davam acesso às capelas onde ficavam expostos
os objetos sagrados e as relíquias.

Para que assim, os moradores da cidade pudessem assistir aos ofícios


religiosos sem ser perturbados pelos peregrinos que desejavam venerar as relíquias
locais, a construção dessa igreja apresenta importantes soluções arquitetônicas.

Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à
escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. No
portal, a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, nome que recebe a
parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da
porta. A beleza das esculturas desse período pode ser vista, nos capitéis das colunas
que cercam o claustro.
A pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais,
através da técnica do afresco. O termo "afresco", hoje é Sinônimo de pintura mural.
Era uma técnica de pintar sobre a parede úmida, esse tipo de pintura a
preparação da parede é muito importante.
Sobre a superfície da parede é aplicada uma camada de reboco à base de cal
que, por sua vez, é coberta com uma camada de gesso fina e bem lisa, que o pintor
aplica sua obra.

1.5.2 Arte gótico

No começo do século XII, a arquitetura predominante ainda é a românica, mas


já começam a aparecer as primeiras mudanças que conduzirão a uma revolução
profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios. Essa nova arquitetura foi
chamada desdenhosamente de gótica pelos estudiosos.
A primeira diferença que notamos entre uma igreja gótica e uma românica é a
fachada. Entretanto, a característica mais importante da arquitetura gótica é a
abóbada de nervuras; ela difere muito da abóbada de arestas da arquitetura românica,
porque deixa visíveis os arcos que formam sua estrutura. Observe a (fig. 22)

Abadia da Samt-Denis, em Paris (fig. 21) as abóbadas de nervura o uso nos pilares de (fig.22)

O que permitiu a construção desse novo tipo de abóbada foi o arco ogival
(fig.21), diferente do arco pleno do estilo românico. A consequência imediata do
emprego dos arcos ogivais foi a possibilidade de construir igrejas mais altas. Além
disso, o desenho da ogiva, que se alonga e
aponta para o alto, acentua a impressão de altura
e verticalidade. Outro recurso arquitetônico usado
no estilo gótico foram os pilares, chamados de
suportes de apoio, dispostos em espaços bem
regulares. Mas foi a catedral de Notre Dame, de
Paris que introduziu um novo recurso técnico: o
arcobotante (fig. 23).

Catedral de Notre-Dame, em Paris (fig.23).

A construção dessa catedral começou por volta de 1160. Trata-se de uma das
maiores igrejas góticas do mundo.
Esse arco transmite a pressão de
uma abóbada da parte superior de uma
parede para os contrafortes externos.
Isso fez com que as paredes laterais não
tivessem mais a função de sustentar as
abóbadas.

Assim, o edifício gótico pôde


abusar do emprego das grandes
aberturas preenchidas com belíssimos
vitrais. Planta da construção gotico (fig.24).

O estilo gótico já está plenamente amadurecido e ricamente ornamentado por


vitrais e esculturas.

Os vitrais da catedral são o


aspecto da arquitetura que mais atrai a
atenção do visitante. Seus azuis intensos
com vermelhos brilhantes projetam uma luz
violeta sobre as pedras da construção,
quebrando sua aparência de dureza.
Vitral da igreja de Notre Dame (Fig. 25).

Nos tímpanos dos portais, nos umbrais ou no interior das grandes igrejas, os
trabalhos de escultura enriqueceram artisticamente as construções e documentaram,
na pedra, os aspectos da vida humana que as pessoas mais valorizavam na época.

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão
também nos objetos preciosos feitos em marfim, ouro, prata e decorados com esmalte
e nos ricos manuscritos ilustrados. Esses manuscritos eram feitos em várias etapas e
dependiam do trabalho de várias pessoas.

Nessas cenas, o trabalho do artista ilustrador revela sua qualidade em vários


aspectos: o drapeado das vestimentas, o desenho da anatomia do corpo humano e,
sobretudo, a combinação da cor dourada com cores fortes como o vermelho e o azul-
escuro.
A pintura gótica desenvolveu-se, quando começou a ganhar novas
características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a
procura do realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas.
O artista procura dar algum movimento às figuras dos anjos e santos através
da postura dos corpos e do drapeado das roupas.

1.6 Idade Moderna

O período compreendido entre 1453 a 1789 data que marca o início


da Revolução Francesa. Os principais acontecimentos que marcaram o período foram
expansão marítima, reforma religiosa, renascimento, absolutismo, iluminismo,
revolução francesa.

Os homens que viviam sob a Renascença criticavam a cultura medieval,


excessivamente teocêntrica, e defendiam uma nova ordem de valores.

Essa arte acontece em meio a grandes transformações, com parte da história


do Ocidente. Esse foi um período de muitas transições, de revoluções e substituição
do sistema feudal para o sistema capitalista.

O Renascimento, sem dúvida, foi um dos movimentos que mais influenciou a


arte moderna. A pintura renascentista foi uma das que se destacou, revelando
grandes talentos e obras de artes impressionantes

1.6.1Renascimento

O Renascimento foi um momento da História muito mais amplo e complexo do


que o simples reviver da antiga cultura greco-romana. Ocorreram nesse período
muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das
ciências, que superaram a herança clássica.

O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o


próprio espírito do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido
como a valorização do homem e da natureza. Nas artes, o ideal humanista e a
preocupação com o rigor científico podem ser encontrados nas mais diferentes
manifestações.
Diversificando suas formas de trabalho, ora o espaço, na arquitetura, ora as
linhas e cores, na pintura, ou ainda os volumes, na escultura, os artistas do
Renascimento sempre expressaram os maiores valores da época: a racionalidade e
a dignidade do ser humano.

A preocupação dos construtores era criar espaços compreensíveis de todos os


ângulos visuais, que fossem resultantes de uma justa proporção entre todas as partes
do edifício.

A principal característica da arquitetura do Renascimento, portanto, foi a busca


de uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude do espaço das
catedrais góticas.

Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em


relações matemáticas e geometria estabelecidas de tal forma que o observador possa
compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.

A pintura do Renascimento confirma as três conquistas que os artistas do último


período gótico já haviam alcançado: a perspectiva, o uso do claro-escuro e o realismo.

A arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas


com um estilo pessoal, diferente dos demais. Já que o período se caracteriza pelo
ideal de liberdade. A escultura, assim como a pintura, já não fazia parte do projeto
arquitetônico como ornamentação do edifício. Conquistaram autonomia e brilhavam
pela sua própria expressão.

É, portanto, a partir dessa época que começa a existir o artista como o


conceituamos atualmente: um criador individual e autônomo, que expressa em suas
obras os seus sentimentos e suas ideias, sem submissão a nenhum poder que não a
sua própria capacidade de criação. Segundo autora Maria Graça,

“O artista do Renascimento não vê mais o homem como um simples


observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como
a expressão mais grandiosa do próprio Deus.” (p.84).
Na verdade, expressa um mundo pensado como uma realidade a ser
compreendida, e não apenas admirada.
O ser humano representado nas obras não
parece manifestar angústia ou inquietação diante
do mundo, mas serenidade, pois se reconhece
como submisso à vontade de Deus.
O artista na sua formação cristã e conventual
fez com que suas obras manifestassem uma
tendência religiosa na arte do Renascimento. A
pintura, embora siga os princípios renascentistas da
perspectiva e da correspondência entre luz e
sombra, está impregnada de um sentido místico.
Madona com o Menino (fig. 26).

Notamos que ainda persiste a intenção religiosa as figuras ganham volume e


feições mais humanas, diferentemente do aspecto menos realista das personagens
que aparecem nos quadros pintados anteriormente. Nas obras Michelangelo percebe-
se a genialidade a serviço da expressão da dignidade humana. Já com Rafael o
equilíbrio e a simetria.
Na escultura artistas se destacam por terem produzido obras que testemunham
a crença na dignidade do homem em um do jogo de luz e sombra. A escultura em
mármore, registra o drapeado das roupas, os músculos e as veias dos corpos.

1.6.2 Arte Barroco

Uma arte focada na valorização dos elementos das artes anteriores e também
das emoções e sentimentos humanos. Foi neste período que aconteceu a Reforma
Protestante e a Contra reforma que influenciou muito neste estilo. A arte é vista como
um meio de propagar o catolicismo e ampliar sua influência as obras expressam a
preocupação da Igreja.
Apesar disso, alguns princípios gerais podem ser indicados como
caracterizadores dessa concepção artística: as obras barrocas romperam o equilíbrio
entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas
procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca, predominam as
emoções e não o racionalismo da arte renascentista.
A pintura barroca é realista, mas a realidade que lhe serve de ponto de partida
não é só a vida de reis e rainhas de cortes luxuosas, mas também a do povo simples.
As características da pintura barroca podem ser resumidas em alguns pontos
principais. O primeiro é a disposição dos elementos dos quadros, que sempre forma
uma composição em diagonal.
Além disso, as cenas representadas envolvem-se em acentuado contraste de
claro-escuro, o que intensifica a expressão de sentimentos. Sempre com duas
características bem marcantes: os corpos das figuras são mais expressivos do que os
seus rostos e a luz e a cor têm grande intensidade.
Essas três figuras refletem uma luz intensa,
enquanto as que se encontram no segundo
plano envolvem-se numa sombra e seus corpos
recebem pouca luz. Assim, os olhos do
observador começam a deter-se nos detalhes
das vestes e do cenário que compõe o
ambiente da casa.
O contraste de luz e sombra valoriza o efeito
plástico, pois os corpos ganham volume e a
variedade das cores diminui.
Essa forma de organizar a composição era
quase uma regra.
Em Casa de Marta e Maria (fig.27).

A pintura barroca desenvolveu-se também nos tetos de igrejas e de palácios.


Essa pintura, de efeito sobretudo decorativo, realizou audaciosas composições de
perspectiva.
Essa obra impressiona pelo número de figuras e pela ilusão criada pela
perspectiva de que as paredes e colunas
da igreja continuam no teto, e de que este
se abre para o céu, de onde santos e anjos
convidam os homens para a santidade.
Esse tipo de pintura tornou-se muito
comum na época.
Em muitas igrejas barrocas brasileiras,
por exemplo, encontramos tetos com
pinturas que dão a ilusão de arquitetura e
que se abrem para o céu.
Igreja Glória de Santo Inácio (fig.28).

Nas esculturas barrocas procuram expressar à exaltação dos sentimentos suas


formas expressam o movimento e recobrem-se de efeitos decorativos. Predominam
as linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado. Os gestos e os rostos
das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade.
A arquitetura realizou-se principalmente nos palácios e nas igrejas. A Igreja
Católica queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso, realizou obras que
impressionam pelo seu esplendor.
Os arquitetos deixam de lado os valores de simplicidade e racionalidade e
insistem nos efeitos decorativos.

1.6.3 Arte Rococó

A arte Rococó valorizava os traços decorativos e ornamentais. Era voltada para


a nobreza, um público que apreciava demasiadamente a ornamentação de seus
espaços. O termo "rococó" originou-se da palavra francesa rocaille que, em português,
por aproximação, significa concha.
As cores fortes da pintura barroca, por exemplo, na pintura rococó foram
substituídas por cores suaves e de tom pastel, como o verde claro e o cor-de-rosa.
Além disso, o rococó deixa de lado os excessos de linhas retorcidas que expressam
as emoções humanas e busca formas mais leves e delicadas.
A arte do Rococó refletia, portanto, os valores de uma sociedade fútil que
buscava nas obras de arte algo que lhe desse
prazer e a levasse a esquecer seus problemas
reais.
Os assuntos explorados pelos artistas
deveriam ser as cenas graciosas, realizadas de tal
forma que refletissem uma sensualidade sutil.
O Balanço, (fig. 29).

Na arquitetura, o estilo rococó manifestou-se principalmente na decoração dos


espaços interiores, que se revestiram de abundante e delicada ornamentação.
As salas e os salões com a forma oval e as paredes são cobertas com pinturas
de cores claras e suaves, espelhos e ornamentos com motivos florais feitos com
estuque.
Na pintura Rococó desenvolvia temas mundanos, ambientados em parques e
jardins ou em interiores luxuosos as personagens são membros de uma aristocracia
ociosa que vive seus últimos tempos de fausto antes da Revolução Francesa.
Seus personagens são joviais e parecem dedicados ao gozo das coisas boas
da vida, à busca de uma cultura perfeita e da alegria de um viver tranquilo. Mas é
indisfarçável neles uma nota de melancolia, um certo ar de tédio em meio ao prazer,
com predominância nas tonalidades claras e luminosas.
A técnica do pastel bastante utilizada, pois ela permite a produção de com
efeitos de delicadeza e leveza dos tecidos, maciez da pele feminina, sedosidade dos
cabelos, luzes e brilhos.
A escultura, que se torna intimista, geralmente procura retratar as pessoas mais
importantes da época. Dessas esculturas, a de Voltaire é a mais conhecida, por causa
da percepção aguda que o artista teve do caráter desse pensador francês.
Foi ela a responsável pela criação das estatuetas decorativas, a partir da
invenção da porcelana. Os escultores rococós criaram modelos para a manufatura de
estatuetas, reproduzindo temas mitológicos, campestres e da sociedade cortesã.

1.7 Idade Contemporânea

É o período que inicia na Revolução Francesa (1789), fato esse que modificou
toda a história política e social da França, com as diversas manifestações artísticas
que surgiram, e vai até os dias atuais. Os principais acontecimentos que marcaram a
Idade Contemporânea foram:
• Revolução Francesa;
• Primeira Guerra Mundial;
• Segunda Guerra Mundial;
• Guerra Fria.
A globalização já estava acontecendo e o iluminismo, uma corrente filosófica
que acreditava na razão do homem e não na religiosidade se propagou. Foi também
nesse período que ocorreram as Grandes Guerras e a revolta de artistas através da
arte.
A arte contemporânea se mostrou mais evidente na década de 50, o início do
seu estado de plenitude. A efervescência cultural da década começou a questionar a
sociedade do pós-guerra, rebelando-se contra o estilo de vida difundido no cinema,
na moda, na televisão e na literatura.
A ciência e a tecnologia abriram caminho à percepção das pessoas, de que a
arte feita por outros, poderia estar a traduzir as suas próprias vidas.

1.7.1Neoclassicismo

O Neoclassicismo se dedicou ao retorno dos princípios gregos, romanos e


renascentistas. A tendência neoclássica, uma obra de arte só seria perfeitamente bela
na medida em que imitasse não as formas da natureza, mas as que os artistas
clássicos gregos e os renascentistas italianos já haviam criado.
As cores são poucas com contornos nítidos. A pintura expressa a firmeza e a
determinação do personagem que olha o observador diretamente. O que fica evidente
o domínio dos tons claros e translúcidos para a representação da pele e o domínio do
desenho.

1.7.2 Romantismo

O Romantismo era um estilo de arte caracterizado pela oposição à arte


neoclássica. Os artistas acreditavam que uma obra de arte deveria expressar o estilo
do artista. O marcante do Romantismo é a valorização dos sentimentos e da
imaginação, o nacionalismo e a valorização da natureza como princípios da criação
artística.
A pintura romântica possui uma composição
em diagonal, que sugere instabilidade e dinamismo
ao observador. A cor é novamente valorizada e os
contrastes de claro-escuro reaparecem, produzindo
efeitos de dramaticidade. Quanto aos temas, os
fatos reais da história nacional e contemporânea dos
artistas.
Os Fuzilamentos (figura. 30)
A pintura paisagística ganhou nova força, principalmente na Inglaterra. A
paisagem romântica inglesa caracteriza-se, de um lado, por seu realismo e, por outro,
pela recriação das contínuas modificações das cores da natureza causadas pela luz
solar. A máquina começa a ganhar espaço na paisagem natural, substituiu -se a
representação dos detalhes pelas formas essenciais da locomotiva e dos trilhos sobre
os arcos de um grande viaduto. Parece ser a tomada de consciência do artista de que
a máquina invadiu o espaço natural.

1.7.3 Realismo

O Realismo teve como principal influência a Industrialização e predominou


entre 1850 e 1900. Tinha como característica o retrato da realidade e os diversos
temas sociais e se destacou principalmente na pintura francesa.
O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a
técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser
realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas
e emotivas da realidade.
A arquitetura, adaptar-se ao novo contexto social, tornar-se realista ou
científica. Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas
necessidades urbanas, criadas pela industrialização.
Já escultura realista não se preocupou com a idealização da realidade. Ao
contrário, procurou recriar os seres tais como eles são.
Além disso, os escultores preferiram os temas contemporâneos, assumindo
muitas vezes uma intenção política em suas obras.
1.7.4 Impressionismo

O Impressionismo foi um importante movimento que transformou a arte do


século XX. Se baseava na observação minuciosa da
luz sob os objetivos, suas variações e como elas
poderiam aparecer na tela dos pintores
impressionistas. Estes queriam registrar em suas telas
as constantes alterações que essa luz provoca nas
cores da natureza. Muitos quadros manifestam
otimismo, alegria e a intensa movimentação da vida
social da época.
Baile de Moulzn de la Galette (fig. 31)

Houve a contribuição de muitos pintores na época, que deram uma nova


tendência ao movimento com o surgimento de nova técnica chamada de Pontilhismo.
Esta técnica as figuras, na tela, são
representadas em minúsculos fragmentos ou
pontos, cabendo ao observador percebê-las
como um todo plenamente organizado.

Tarde de Domingo na Ilha de Grandejatte(fig. 32)

1.8 Arte do Século XX

O século XX é marcado por profundas mudanças históricas, as quais afetaram


drasticamente o comportamento político-social do nosso tempo. Foi onde acentuaram-
se as diferenças entre a alta burguesia e o proletariado, dando maior força ao
capitalismo e fazendo surgir os primeiros movimentos sindicais.
Nesse período, cheio de contradições e complexidades, é possível encontrar
um terreno farto para a criação de novos conceitos no campo das artes.

1.8.1Expressionismo

O Expressionismo a preocupação está em expressar as emoções humanas,


transparecendo em linhas e cores vibrantes os sentimentos e angústias do homem
moderno. Enquanto que no Impressionismo, o enfoque resumia-se na busca pela
sensação de luz e sombra. Uma obra que teve destaque nesta época “O grito” de
Edvard Munch, por causa da expressão das linhas, cores e seres que mostravam as
angústias do homem moderno.

Como podemos notar, os expressionistas são deformadores sistemáticos da


realidade, pois desejam expressar com a maior veemência possível seu pessimismo
em relação ao mundo.

Esse clima melancólico e inquietante do Expressionismo historicamente o


primeiro grande movimento da pintura moderna ao longo deste agitado século XX.

1.8.2 Fauvismo

O Fauvismo foi um movimento que teve basicamente dois princípios: a


simplificação das formas das figuras e o emprego das cores puras, sem mistura. As
figuras não são representadas tal qual a forma real, e as cores são usadas da maneira
que saem do tubo de tinta. Os jovens foram chamados de fauve, que significa feras,
pelas suas pinturas agressivas com cores puras.
Mas foram eles os responsáveis pelo desenvolvimento do gosto pelas cores
puras, que atualmente estão nos inúmeros objetos do nosso cotidiano e nas muitas
peças do nosso vestuário.

1.8.3 Cubismo

O cubismo surgiu de uma obra feita por Cézanne, que retratava a natureza com
figuras geométricas, como se fossem cones, esferas e cilindros. Outros artistas do
estilo se aprofundaram e buscaram mostrar os objetos
como se estivessem abertos. Assim, ele evoluiu para dois
tipos: o Cubismo analítico e o Cubismo sintético.
Esses artistas trabalhavam com poucas cores preto,
cinza e alguns tons de marrom e acre, já que o mais
importante para eles era definir um tema e apresentá-lo
O Poeta (fig.33). de todos os lados simultaneamente.
Essa tendência chegou a uma fragmentação tão grande dos seres, que tornou
impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. Já Cubismo
sintético tenta uma certa recuperação da imagem real dos objetos, fugia da perda de
realidade, mas ainda buscava retratá-la de várias formas. Foi chamado, também, de
Colagem, porque eles colocavam tudo o que podiam, como letras, números, vidros,
etc., com o intuito de criar novos efeitos e despertar a atenção.

1.8.4 Abstracionismo

O abstracionismo é a arte que se opõe à arte figurativa ou objetiva. A principal


característica da pintura abstrata é a ausência de relação imediata entre suas formas
e cores e as formas e cores de um ser. O artista russo Vladimir Tatlin, gostou das
colagens cubistas e resolveu implantar no novo estilo: pintura em relevo com vários
materiais e figuras abstratas, dando origem ao Construtivismo, dando início ao
movimento chamado Criação Abstrata.
Entretanto, teve duas tendências o Abstracionismo informal, com
predominância m os sentimentos e emoções e as cores são associadas com
elementos da natureza, e o Abstracionismo geométrico, cores e formas são
organizadas de acordo com as composições geométricas.

1.8.5 Futurismo

O Futurismo abrange sua criação em expressar o real, assinalando a


velocidade exposta pelas figuras em movimento no espaço. Foi um movimento que
se desenvolveu em todas as artes e exerceu influência sobre vários artistas que,
posteriormente, criaram outros movimentos de arte moderna. Segundo Graça
Proença,
“Além das grandes linhas da pintura do início do século XX, outras ideias motivaram os
artistas das primeiras décadas do nosso século a experimentar novos caminhos para
suas criações. ”

A valorização da arte tomou a velocidade do desenvolvimento tecnológico no


mundo contemporâneo expondo suas ideias, para o rompimento com o passado.
1.8.6 Dadaísmo

No Dadaísmo, podemos encontrar um movimento que abrange a arte em todos


os seus campos, pois não foi apenas uma corrente artística, mas sim, um verdadeiro
movimento literário, musical, filosófico e até mesmo político.
O intuito deste movimento era mais de protestar contra os estragos trazidos da
guerra, denunciando de forma irônica toda aquela loucura que estava acontecendo.
Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a
desordem, o caos.
Em suas obras os elementos fugiam do racional e eram combinados por acaso
os artistas negavam a sua cultura e representavam um protesto. Eles utilizavam o
princípio do automatismo psicológico, com a
pintura metafisica. Uma pintura que mostrava
a falta de sentido da sociedade
contemporânea: mistério, luzes, objetos,
sombras e cores intrigante.
Nessas obras as cidades de seus
quadros são desertas, melancólicas e
iluminadas por uma luz estranha. Os edifícios,
geralmente enormes e vazios, assumem um
aspecto inquietante e a cena parece ser
dominada por um silêncio perturbador.
O Enigma da Chegada (fig. 36)

1.8.7 Surrealismo

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primeiramente em


Paris nos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o
modernismo no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais.
A priori, a característica deste movimento era unir uma combinação do
representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente. Segundo os surrealistas, a
arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência
cotidiana, buscando expressar o mundo do inconsciente e dos sonhos. A pintura
surrealista desenvolveu duas tendências: figurativa e a abstrata.
No início da segunda metade deste século, os grandes centros urbanos já
recuperados dos danos causados pela Segunda Guerra Mundial. A indústria tem sua
capacidade de produção redobrada, colocando no mercado artigos que são
largamente consumidos pelos habitantes das cidades, que crescem sem parar.
Foi dentro desse contexto social que ganharam força dois modos de expressão
artística conhecidos por Op-art e Pop-art.
Para o primeiro, a arte deveria simbolizar a possibilidade constante de
modificações da realidade em que o homem vive. Já a Pop-art procurava expressar a
realidade contemporânea, sobretudo a cultura da cidade, dominada pela tecnologia
industrial.
Para a Pop-art interessam as imagens, o ambiente, enfim, a vida que a
tecnologia industrial criou nos grandes centros urbanos. Os recursos expressivos da
arte pop são semelhantes aos dos meios de comunicação de massa, como o cinema,
a publicidade e a tevê.
Com isso, o artista talvez quisesse mostrar que assim como os objetos são
produzidos em série, os mitos contemporâneos também são manipulados para o
consumo do grande público.

1.9 Arte Brasileira

Arte brasileira é o termo utilizado para designar toda e qualquer forma de


expressão artística produzida no Brasil, desde a época pré-colonial até os dias de
hoje. Dentro desta ampla definição, estão compreendidas as primeiras produções
artísticas da pré-história brasileira e as diversas formas de manifestações culturais
indígenas. Bem como a arte do período colonial, de inspiração barroca, e os registros
pictóricos de viajantes estrangeiros em terras brasileiras.

Com a chegada da Missão Artística Francesa no século XIX, ensaia-se pela


primeira vez a criação de uma escola nacional de arte, consolidada por meio do
estabelecimento da Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Posteriormente, sob a influência do expressionismo, do cubismo e do
surrealismo europeus, junto com uma valorização do primitivismo, o Brasil assistirá ao
desenvolvimento do modernismo, que será progressivamente incorporado ao gosto
da sociedade e da arte oficial, até que a assimilação das novas tendências surgidas
no pós-guerra contribua para o florescimento da arte contemporânea brasileira.

As mais antigas manifestações de pinturas rupestres no Brasil encontram-se


na serra da Capivara, no Piau.

A arte indígena se destaca principalmente na região amazônica onde


fabricavam objetos de enfeite e de cerâmica, se destacando os vasos antropomorfos
e zoomorfos, e as estatuetas de terracota. Outra arte brasileira a ser citada é a do
Período Colonial. O Brasil transformou-se em colônia de Portugal, depois da chegada
de Cabral e eram feitas construções simples, como as
feitorias, várias vilas, engenhos de açúcar como
representação da arte. Após a divisão do Brasil em
capitanias hereditárias, foi necessária a construção de
casas para os colonizadores.

Paço real (Fig. 37)

Chega também o estilo Barroco, ligado ao catolicismo. No início do século XIX,


quando a família real veio ao Brasil foi intensa. A população começou a imitar a cultura
europeia. Eram pintados retratos da família real e algumas imagens dos índios
brasileiros. A Pintura Acadêmica, na arte brasileira, retrata a riqueza clássica, sendo
que era refletido um padrão de beleza ideal.

Já no início do século XX, presenciamos o Modernismo Brasileiro, marcado


inicialmente pela Semana de Arte Moderna. Com muitos fatos que vão moldando a
nova fisionomia do país. Um período de progresso técnico, resultante da criação de
novas fábricas surgidas principalmente da aplicação do dinheiro obtido através do
café. Ao lado disso, outro fato contribuiu para fazer o Brasil crescer e alterar sua
estrutura social foi a espantosa massa de imigrantes.
Surgem movimentos grevistas de operários os
primeiros a questionar o capitalismo paulista. As obras
assumem uma temática brasileira: seus personagens
agora são mulatas, prostitutas e marinheiros; sua
paisagem, favelas e bananeiras. São exemplos as telas
Mãe Preta e Bananal.

Bananal, Lasar Segall (fig. 38).


As críticas desfavoráveis a Anita Malfatti, porém, fizeram com que muitos
artistas se unissem à pintora e, juntos, trabalhassem para o desenvolvimento de uma
arte brasileira livre das limitações que o academicismo impunha. .

Com Tarsila do Amaral a pintura brasileira começa a procurar uma expressão


moderna, porém mais ligada às nossas raízes culturais. Com cores ditas caipiras,
rosas e azuis, as flores de baú, a estilização geométrica das frutas e plantas tropicais,
dos caboclos e negros, da melancolia das cidadezinhas.

E esta deu início a uma nova fase: a antropofágica. A ela pertence a tela
Abaporu, cujo nome, segundo a artista, é de origem indígena e significa " antropófago"

Foi a partir dessa tela que surgiu a teoria da antropofagia para a arte moderna
do Brasil, que resultou no Manifesto Antropofágico, publicado no primeiro número da
Revista de Antropofagia.

A teoria antropofágica propunha que os artistas brasileiros conhecessem os


movimentos estéticos modernos europeus, mas criassem uma arte com feição
brasileira. Depois essa proposta, para ser artista moderno no Brasil não bastava
seguir as tendências europeias, era preciso criar algo enraizado na cultura do país.

Na década de 30, os artistas demonstravam interesse especial pela paisagem


e privilegia a figura humana, procura também expressar o
movimento.

Depois da década de 50, a arte brasileira evoluiu em novas


e diversas direções. As apresenta sobretudo as atividades
rurais das mais diferentes regiões do Brasil.

Cangaceiro, Aldemir Martim (fig. 39).

No Brasil, a arte dos chamados artistas primitivos passou a ser valorizada após
o Movimento Modernista, que apresentou, entre as suas tendências, o gosto por tudo
o que era genuinamente nacional. É um artista primitivo é alguém que seleciona
elementos da tradição popular de uma sociedade e os combina plasticamente,
guiando-se por uma clara intenção poética.

Geralmente esse artista é autodidata e criador dos recursos e técnicas com que
trabalha, um artista que revela minúcias e detalhes da realidade que retrata. Os
artistas primitivos dedicam-se à escultura, com a criação de figurinhas de barro que
representam pessoas e fatos da região sertaneja de Pernambuco.

Tem também a gravura contemporânea, com tema animais estranhos e


cavaleiros medievais. Essas figuras, ricas em detalhes realistas, participam de um
clima insólito e fantástico e criam um universo misterioso, que instiga a imaginação do
observador.

Essa técnica conhecida como gravura recebe o nome xilogravura, o artista usa
como instrumento facas, goivas, formões ou buris. Assim traça sobre uma superfície
de madeira sulcos rebaixados, de forma que a imagem fique em relevo.

Em suas obras, os escultores contemporâneos definiram-se pelas criações


abstratas, pelos volumes geométricos e pelas formas vazadas. Usando materiais
diversos pedra, madeira, metal e resina de poliéster desenvolve um trabalho em que
procura expressar as tradições populares de sua terra.

Quando surge a moderna arquitetura brasileira, esta tem uma série de fatores,
entre os quais podemos apontar a descoberta de novas técnicas construtivas ou
necessidades culturas que regulamenta as construções.

Atualmente, espalhadas por todo o Brasil, encontram-se obras de diversos


arquitetos que documentam em cimento e vidro a moderna arquitetura do país.

Enfim, a arquitetura brasileira encontra-se bem definida e se impõe como uma


das mais criativas da atualidade.

A grande importância da arte vem deste início da história até os dias para, que
o homem, adquira maior e melhor compreensão sobre a liberdade de expressão e o
ideal de criar uma identidade social e cultural.
2. Arte x Educação

A arte tem um objetivo maior que a formação de profissionais dedicados a esta


área de conhecimento: no âmbito da escola regular, busca oferecer, aos indivíduos,
condições para que ele compreenda o que ocorre nos planos da expressão e do
significado ao interagir com as artes, permitindo, dessa forma, sua inserção social de
maneira mais ampla.

Pela arte, pensamentos tomam forma e ideais de culturas e etnias têm a


oportunidade de serem apreciados pela sociedade no seu todo. Assim, o conceito de
arte está ligado à história do homem e do mundo, porém não está preso
necessariamente a determinado contexto, é essencialmente mutável.

A busca do homem através da história é sempre uma busca de compreender,


reelabora, refletir, cria e recria, critica, aprende, ensina e transformar a realidade.

Nós seres humanos somos constituídos de dimensões físicas, cognitivas,


emocionais, sociais, éticas e estéticas. Essa característica pluridimensional do ser
humano já justifica a importância da arte na educação. Sua ausência não favoreceria
um desenvolvimento integral da pessoa, um dos principais objetivos da educação.

A arte é cultura. É fruto de sujeitos que expressam sua visão de mundo, o


contato com a arte de diversos períodos históricos e de outros lugares e regiões
amplia a visão de mundo, enriquece o repertório estético, favorece a criação de
vínculos com realidades diversas e assim propicia uma cultura de tolerância, de
valorização da diversidade, de respeito mútuo, podendo contribuir para uma cultura
de paz.

A importância da arte na educação, está ligado ao desenvolvimento cognitivo


dos aprendizes. O ensino da arte amplia as possibilidades de compreensão do mundo
e colabora para um melhor entendimento dos conteúdos relacionados a outras áreas
do conhecimento. Assim, arte com seu poder expressivo de representar ideias através
de linguagens particulares, como a literatura, a dança, a música, o teatro, a
arquitetura, a fotografia, o desenho, a pintura, entre outras formas expressivas que a
arte assume em nosso dia-a-dia.
O conhecimento da arte produzida em sua própria cultura permite ao sujeito
conhecer-se a si mesmo, percebendo-se como ser histórico que mantém conexões
com o passado, que é capaz de intervir modificando o futuro, que toma consciência
de suas concepções e ideias, podendo escolher criticamente seus princípios, superar
preconceitos e agir socialmente para transformar a sociedade da qual faz parte.

A arte educação propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da


percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à
experiência humana.

O educando desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação tanto ao


realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas
por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas. Segundo Barbosa,

“Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação,


apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade
crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e
desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi
analisada. ”.

É nas manifestações artísticas que o homem pensa, sente, cria e transforma a


sua realidade. A função da arte hoje é de analisar, criticar e refletir a realidade humana
socialmente.

A arte na escola implica, então, possibilitar novas práticas artes educativas em


que os sujeitos se reconheçam enquanto seres humanos produtores e herdeiros de
tudo o que a humanidade produziu e produz, percebendo-se como sujeitos histórico
culturais, além de oportunizar uma forma de conhecer e representar uma realidade.

2.1 Arte e educação infantil

A Arte no ensino infantil tem um papel primordial envolvendo os aspectos


reflexivos, sensíveis, expressivos e culturais. O ensino da Arte propicia a formação
cultural, no ensino escolar, por meio das linguagens artísticas e das expressões
plásticas, cênicas ou musicais.
É bastante significativo a sensibilização da criança nos processos expressivos
e culturais. A interação com os espaços culturais, museus, e outras instituições que
produzem esse tipo de saber. E com conteúdos apropriados, que busquem aprimorar
o ato de brincar aprendendo, com liberdade cognitiva na expressão dos sentimentos
e criatividade.

Desse ato de brincar por meio do ensino da arte, conduz a criança a vivenciar-
se, perceber-se e reconhecer-se, estimulando a sua natureza, elevando a autoestima,
e fazendo com que reconheça o seu valor.

O brincar e a arte possibilita a aprendizagem da criança facilitando sua a


construção da reflexão e autonomia e da criatividade.
Ambas juntas são formas de experiências, de
múltiplos movimentos e de sensações, que alicerçam
a maneira do sujeito estar no mundo. Assim, criar
possibilidades da emersão do talento artístico,
tornando o espaço escolar num espaço de
experimentação, que educa e transforma. Segundo
(fig.40) Vygostski,

“o brincar é uma atividades humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade


interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação
pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais como outros
sujeitos, crianças e adultos.”

O estudo da arte, quando trabalhada e estimulada desde a mais tenra idade,


as crianças são capazes de na vida adulta tornar-se portadoras dos verdadeiros
valores essenciais à vida. Assim, a arte tem a graça de possibilitar o desenvolvimento
de atitudes como o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade; além, é claro, de
proporcionar à criança uma leitura do mundo e de si própria.

A arte e seus elementos estão presentes no dia a dia desses pequenos nas
cores e figuras de uma parede, em um quadro, nas ruas, em casa, nos brinquedos,
etc. As artes têm o poder de conduzir essas crianças a conhecerem suas limitações,
dificuldades e possibilidades de desenvolver, explorar e conhecer suas reais
potencialidades.

O trabalho com artes requer uma grande e vigilante atenção no que se refere
ao respeito das peculiaridades próprias a cada faixa etária e seu nível de
desenvolvimento. Ou seja, significa que o pensamento, a imaginação, a percepção, a
intuição a sensibilidade e a cognição da criança devem ser trabalhados de forma
integrada e visando favorecer o desenvolvimento das suas capacidades criativas.

Os profissionais da educação devem sempre utilizar muito as linguagens da


arte no cotidiano da sala de aula e produzir trabalhos utilizando o desenho, a pintura,
a modelagem, a colagem, a construção, entre outras, e desenvolver o gosto, o cuidado
e o respeito pelo processo de produção e criação.

O desenvolvimento artístico de uma criança jamais pode ser comparado com o


de outra; cada uma tem seu tempo, e não cabe a nós, professoras, interferir nessa
particular evolução. Em função de a criança ser constantemente movida por meio de
estímulos, devemos oferecer-lhe ferramentas encorajadoras desse processo, mas
sem interferência na sua expressão artística.

Salientamos que o objetivo da arte na Educação Infantil não é, de modo algum,


a formação de futuros artistas; mas, sim, o enriquecimento da criança e seu nível
cultural, que a levará a um desenvolvimento no seu todo humano.

A arte, em todas as suas nuances, é um importante instrumento do


desenvolvimento integral das crianças, que, ressaltamos, atingirá também o seu nível
cultural e servirá de alicerce para uma vida estudantil plena e realizada.

A utilização da arte no cotidiano escolar, o aluno poderá aprender de forma


lúdica, assim, tornar o ambiente escolar mais agradável, e o educando terá a
possibilidade de contribuir afetiva e cognitivamente para o desenvolvimento da
expressão da criança.

As artes como parte do cotidiano das crianças, quando bem empregadas,


auxiliam no seu processo de ensino aprendizagem, no qual, a criança traça um
percurso de criação e construção individual.

O ensino da arte é importante na vida da criança, pois colabora para o seu


desenvolvimento expressivo, para a construção de sua poética pessoal e para o
desenvolvimento de sua criatividade, tornando-a um indivíduo mais sensível e que vê
o mundo com outros olhos.
3. Arte e formação do docente

O ensino da arte em geral é um dos grandes dilemas da pedagogia moderna e


do professor em sala de aula. Porquanto, na educação infantil percebe-se que o
ensino da arte e a atuação dos educadores com os trabalhos artísticos desenvolvidos
com as crianças, falta uma formação acadêmica completa.

As escolas utilizam as aulas de artes desvinculadas das outras disciplinas,


atribuindo a ela apenas aulas soltas ou para a produção de eventos, como páscoa,
dia das mães etc. Nessas escolas, a prática pedagógica não condiz com as teorias
da educação, pois desperdiçam esse importante veículo de comunicação e
transformação do ser humano.

Porém as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia


presentes nos Pareceres CNE/CP n. 05/2005, 01/2006, apontam para uma
organização curricular da Pedagogia fundamentada nos princípios de
interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância
social, ética e sensibilidade afetiva e estética.

Conforme a Lei nº 9.394/96, o ensino de Artes é considerado obrigatório na


educação básica:

“o ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da


educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.”

Há também consta no ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente em seu art.


58:

“No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos


do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de
criação e o acesso às fontes de cultura”.

Desse modo, a criança e o jovem têm direito a um desenvolvimento sadio e


completo, com condições de aprimorar-se e crescer com liberdade de criação e
acesso à cultura. Visto que a Legislação Educacional, no que se refere à arte, já
contribui para a sua valorização ao incluí-la como obrigatória no currículo escolar, nas
diversas séries da Educação Básica, promovendo assim, o desenvolvimento cultural
dos alunos.
A arte, quando usada adequadamente, tem provado sua eficácia na
transformação dos educandos em adultos capazes de refletir sobre suas ações e
consequências.

3.1 Polivalência na arte

A ideia da polivalência nas artes, significa que ao educador cabe


trabalhar com os conteúdos de natureza diversas, que abrangem desde cuidados
básicos até o conhecimento específicos. Portanto, ser capaz de empregar as
linguagens como recurso de autoaprendizagem, construção o conhecimento e
formação social.

O professor deve passar confiança para os alunos e fazer com que aprender
seja um desafio fascinante. Deve estar preparado para fazer com que seu aluno
descubra seus talentos muitas vezes encobertos, buscando em si próprio as
competências para a solução dos problemas.

Este deve ter entendimento nas linguagens artísticas, para repassar um ensino
de forma coerente e democrático, não se detendo apenas em uma linguagem, para
que o conhecimento fique realmente apreendido. Mas sim, todos os conhecimentos
que envolvem a expressão, a criatividade ao mesmo tempo que implica na
sensibilidade interior do ser humano.

O bom professor é acima de tudo aquele que se interessa pelos alunos,


interagindo com ele, intercambiando experiências, para que possam construir opiniões
próprias.

Ensinar bem não se consegue apenas com técnica, estilo, plano ou método
específicos, é sobre tudo um ato que exige envolvimento pessoal e emocional.

A Arte nos ajuda a compreender as condições íntimas dos indivíduos, uma vez
que, através dos seus sentimentos expressam por múltiplos meios das diversas
linguagens artísticas, seja ela a música, dança teatro e artes visuais.

Com as manifestações artísticas o homem desenvolveu-se através da história,


assim, entendemos o mundo que fazemos parte hoje. A Arte tem um significado
infinito.
4.Conclusão

A construção deste trabalho possibilitou a busca sobre um assunto que sempre


me causou curiosidade, cuja o resultado foi bastante gratificante. O levantamento de
fundamentos para a pesquisa com as diversas referências bibliográficas e
especificidades, objetivou o crescimento pessoal e profissional.

Ler e conhecer a função da arte na educação propicio um vasto


enriquecimento, assim passo a entender a contribuição e a importância da mesma na
formação do ser humano.

A arte favorece o contato das pessoas com a própria cultura e também com
outras culturas, sejam elas crianças, jovens, adultos ou idosos.

Afinal, o homem está sempre em construção, produzindo novidades, mas


sempre se baseando em algum momento, a tendências já existentes em nosso legado
cultural.

Através da Arte temos a oportunidade de esclarecer com maior consistência


nossos sentimentos, além de termos a possibilidade de desenvolver nossa
imaginação, aumentar nosso conhecimento histórico e cultural, vivenciar e ampliar
situações distantes e nossa visão de mundo além de nos proporcionar um equilíbrio
entre o sentir e o pensar.

O ensino da arte proporciona a criticidade, estimula o desenvolvimento da


criança e interage de forma lúdica e espontânea no cotidiano, e assim, a mesma
desenvolve o prazer em aprender e a desenvolver seu cognitivo através do olhar
observador, e amplitude nas possibilidades de compreensão do mundo.

É necessário que o professor hoje, adote uma postura preparada para uma
atuação consciente, conforme a realidade de seus alunos, respeitando as expressões
naturais que eles apresentam ao mesmo tempo em que os incentiva a compreender
as expressões pessoais e sociais que as diversas formas de expressão artísticas nos
proporcionam.
A arte educação contribui na construção do conhecimento, onde oportuniza a
criança o domínio das diversas linguagens.
5.Referências bibliográficas

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atual. São Paulo: Anhembi Morumbi; 2006.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna; São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
BARBOSA, Ana Mãe (Org.) Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2 ed.
São Paulo: Cortez, 2003
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ROSSEAU, Pierre. História das Técnicas e Invenções. Trad. Fernando Augusto da
Silva Teixeira. Coleção Vida e Cultura. Lisboa: Ed. Livros do Brasil, 1968.
VYGOSTSKI, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/arte-na-escola-uma-


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http://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-arte-prehistoria-nos-periodos-
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www.jusbrasil.com.br/topicos/11691973/artigo-26-da-lei-n-9394-de-20-de-
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http://jornalggn.com.br/sites/default/files/admin/arte_5.jpg imagem da igreja


http://guiaviajarmelhor.com.br/wp-content/uploads/2014/12/sofia5.png imagem
da igreja 2

formação docente em educação


básica
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http://historia-da-arte.info/arte-na-pre-historia. com
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Canudo,

http://versoseuniversos.com.br/versos_e_universos_da_arte/artes_d_alma/1_c
apitulo/9.jpg
figura da cverna
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/62/Andrea_Pozzo_-
_Apoteose_de_Santo_Inacio_cropped.jpg fig 28
https://68.media.tumblr.com/6c7ff440bcfd0f6f11925064796f99c1/tumblr_noxt4s
czdS1up54yjo1_1280.jpg fig 29

https://concretoemcurva.files.wordpress.com/2016/03/abc3b3badas-berc3a7o-
e-aresta.jpg?w=318 fig. 18

http://photos1.blogger.com/blogger/7654/1714/1600/denis05.jpg fig. 21
http://i.huffpost.com/gen/1773919/thumbs/o-STAINED-GLASS-WINDOW-
900.jpg? fig25

http://www.reproductionsart.com/img/Jacopo_Robusti_Tintoretto_TIR015.jpg
figura barroca fig 26

http://ohistoriante.com.br/idade-da-pedra.htm figura da pedra

http://www.marupiara.com.br/a-importancia-do-ensino-das-artes-na-escola/

https://i.pinimg.com/736x/6a/d4/20/6ad4209653e8578580de8c41adf11237.jpg
http://1.bp.blogspot.com/-lXYQNdezQVE/UbCQBJLKl_I/AAAAAAAAHo8/-
jlUZnApkbc/s1600/A_Sunday_on_La_Grande_Jatte.jpg fig. 32
http://www.historiadasartes.com/wp-
content/uploads/2015/10/17.32RenoirMoulin.jpg fig 31

http://pt.wahooart.com/Art.nsf/O/8EWHBD/$File/GIORGIO-DE-CHIRICO-
ENIGMA-OF-THE-ARRIVAL-OF-EVENING.JPG fig 36
As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia
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http://3.bp.blogspot.com/_MNjvTyDyXgc/TU87NszF_6I/AAAAAAAABlE/KcJEjyI
2QIw/s1600/pacoreal.jpg fig.37
https://i.pinimg.com/originals/6a/85/14/6a8514f0eda94c59b2e7204da6e4b47b.jp
g fig 38 03 / 09
https://i.pinimg.com/originals/35/5e/94/355e94faf04bf30c6318263a604c6b37.jpg

fig.39

vaso
Autor: Carlos Cavalcanti
Editora: Rio
Estante: Artes
Ano: 1978 citacao de outro autor dentro do livro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_do_Brasil acesso dia 03/09

http://www.arte.ahistoria.com.br/Arte/Hist%C3%B3ria-dos-Movimentos-
Art%C3%ADsticos-do-S%C3%A9culo-XX-6.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Surrealismo

Arquivado em: Artes, Movimentos Artísticos

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-arte-no-


ensino/55910/#ixzz4rg5yJo8k

http://www.atribunamt.com.br/2013/11/a-importancia-das-artes-na-educacao-
infantil/ 5/9

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/arte-na-escola-uma-


possibilidade-de-humanizacao/58943/#ixzz4rgHl4Mea

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