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Após ter passado a interessar-me por

Ciências Econômicas e, por isso mesmo,


envolvido-me em discussões acerca desse
assunto, algo notei com grande clareza. Algo que
a maioria dos indivíduos de mesma opinião que a
minha também percebeu.
Sucede que sou contrário à existência do
Estado, de sorte que o ataco em minhas
argumentações. Meus adversários, sempre
estatistas, assombram-se com a ideia de um
ambiente sem Estado, anarcocapitalista, dizendo
que o convívio tornar-se-ia caótico, que não mais
haveria justiça nem lei. Refuto-os dizendo o
seguinte: “ora, hoje, quem fornece os serviços de
policiamento e arbitragem de conflitos é o
Estado. Por que, em vez da agência Estado, outras
agências, privadas, não os poderiam fornecer? Na
verdade, assim seria muito melhor.” Não vem a
calhar neste texto a justificativa de por que nos
seria melhor se tais serviços fossem fornecidos
por agências privadas em lugar do Estado. O
importante de se perceber é que, mediante tal
proposta, os estatistas enlouquecem, deitando a
bradar que somente o Estado tem autoridade,
somente o Estado pode impor a lei e a justiça. Eis
o ponto onde eu queria chegar: a esmagadora
maioria das pessoas vêem o Estado como uma
entidade perfeita, quase um Deus. O Pai de
Todos, infalível, infinitamente sábio. Essa visão
não só denota ignorância, como caracteriza uma
aguda síndrome de Estocolmo, debilidade
genialmente percebida e devidamente explicada
por Johel Rodrigues neste artigo.
Está-se pensando que o Estado é um tipo de
Deus. Ora, além de falho e enganoso, o Estado é
altamente destrutivo senão para seus
funcionários. O Estado rouba, sequestra, é
necessariamente coercivo, e os tolos que o
apoiam ainda dizem ser isso para o “bem
público”; só não estupra porque não tem pênis. O
Estado é uma ilusão. Disseram-me que não
poderia haver agências de arbitragem privadas,
pois estas objetivariam apenas o lucro, enquanto
o Estado, Todo-Poderoso, objetiva a Justiça cega,
a Ordem, a aplicação mais pura da Lei! Após
enxugar minhas lágrimas, respondi que, de fato, o
Estado tem esses nobres objetivos, contudo não
tem vontade própria nem age por si mesmo. É
uma ideia, uma instituição gerenciada por
homens. Estes, sim, têm vontade própria e, além
disso, não poderiam ser manipulados como um
conceito. A instituição devida do Estado é
utópica justamente por considerar que seus
funcionários serão ideais, isto é, honestos e
incorruptos. A menos que o controle do Estado
esteja nas mãos de anjos, ele não funcionará
como diz sua teoria. Se bem que os anjos, porque
são bons, rapidamente o extinguiriam se
pudessem.