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INFORMATIVO PROFESSOR FABIANO COELHO Nº 19/2019, de 22/11/2019

O Informativo tem objetivo divulgar novidades legislativas e jurisprudenciais,


com informações confiáveis e atualizadas na área trabalhista. O professor Fabiano
Coelho é Juiz Titular da 4ª Vara do Trabalho de Goiânia e integrante da magistratura
trabalhista desde o ano de 1998. Foi juiz no TRT da 10ª Região (DF-TO) de 1998 a
1999 e ingressou no TRT 18 em 1999, aprovado em 1º lugar no concurso público. É
mestre em Direito pela PUCGO, com linha de pesquisa em Direito Internacional do
Trabalho e doutorando em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás.
Para receber os próximos informativos ou ter informações das próximas turmas
dos treinamentos “SEJA UM EXPERT EM RECURSO DE REVISTA AGORA!” e
“PRÁTICA DAS AUDIÊNCIAS TRABALHISTAS”, encaminhe mensagem para o
número 62 99274-4473.

01 – SBDI-1 do TST decide processos envolvendo dispensa discriminatória de


empregado portador de HIV e câncer e por violação ao direito de indenidade.
Para abrir o 19º Informativo, trago uma questão bem interessante.
A Lei nº 9.029, de 1995, trata da dispensa discriminatória e seus efeitos. Mais
especificamente, o art. 4º prevê que o empregado despedido por motivo
discriminatório tem direito à indenização por danos morais, além de optar entre (1) a
reintegração, com pagamento dos salários do período de afastamento ou (2)
indenização dobrada em relação aos salários do período de afastamento. Sobre a
aplicação desse dispositivo, destaquei algumas decisões da SBDI, todas publicadas
na data de hoje.
Em primeiro lugar, lembro que a súmula 443 do TST indica a presunção de
discriminação quando houver a despedida sem justa causa de um empregado
portador de HIV ou de outra doença de caráter estigmatizante. A súmula 443 do TST
possui a seguinte redação:
Súm. 443 do TST: DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. PRESUNÇÃO. EMPREGADO
PORTADOR DE DOENÇA GRAVE. ESTIGMA OU PRECONCEITO. DIREITO À
REINTEGRAÇÃO - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 -
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Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de


outra doença grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato, o empregado
tem direito à reintegração no emprego.
Tal presunção é relativa e, assim, cabe ao empregador fazer prova de que
houve um motivo legítimo para a ruptura contratual. Nessa linha, no caso concreto
julgado pela SBDI-1 em sede de agravo em embargos o Regional estabeleceu a
premissa fática de que a despedida foi fundamentada na queda de rendimento do
trabalhador, aliada ao fato de deixar de visitar clientes e autorizar empréstimo sem o
devido lastro. O agravo foi desprovido e, portanto, o recurso de embargos não foi
analisado no mérito porque a SBDI-1 entendeu que (1) não houve afronta à súmula
126 do TST, na medida em que a Turma do TST não promover reexame de fatos e
provas mas tão-somente analisou juridicamente as premissas fáticas assentadas pelo
TRT e (2) a divergência jurisprudencial invocada pelo Reclamante era inespecífica, na
medida em que na decisão atacada a premissa era no sentido de que o empregador
se desincumbiu do ônus de prova quanto ao motivo do desligamento. Eis a ementa,
da lavra do Min. JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA:
"AGRAVO EM EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 13.015/2014, PELO
CPC/2015 E PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2016 DO TRIBUNAL
SUPERIOR DO TRABALHO. DISPENSA DISCRIMINATÓRIA NÃO
COMPROVADA. EMPREGADO PORTADOR DO VÍRUS HIV. PRESUNÇÃO
DE DISCRIMINAÇÃO ELIDIDA POR PROVA EM CONTRÁRIO. MATÉRIA
FÁTICA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. Trata-
se de pedido de reintegração, com amparo na Súmula nº 443 desta Corte,
tendo em vista a dispensa sem justa causa do reclamante após ser o
empregador informado de que ele era portador do vírus HIV. Nos termos da
Súmula nº 443 do Tribunal Superior do Trabalho, é juris tantum a presunção de
que a dispensa do emprego foi discriminatória, decorrente do fato de o ex-
empregado ser portador do vírus HIV. Assim, adota-se o entendimento de que
deve ser invertido o ônus da prova que naturalmente seria do ex-empregado,
em detrimento do empregador, cabendo a este provar, de forma robusta, que
dispensou o empregado, portador do vírus HIV, por algum motivo plausível,
razoável e socialmente justificável, de modo a afastar o caráter discriminatório
da rescisão contratual. No caso destes autos, consta do acórdão regional
transcrito na decisão embargada haver o reclamado demonstrado que a
dispensa do reclamante decorreu de motivos alheios à sua condição de saúde,
uma vez que, segundo a testemunha patronal ouvida nos autos, o reclamante
foi dispensado em razão de não estar "rendendo em sua função", tendo sido
citado, como exemplo, o fato de ele ter deixado de visitar alguns clientes de sua
carteira, causando, com isso, prejuízos ao banco, e, também, por ter fornecido
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crédito a cliente sem capacidade de pagamento. Por outro lado, o acórdão


regional registrou que a testemunha autoral não convenceu o julgador acerca
da ocorrência da alegada demissão discriminatória. A Turma, por sua vez,
manteve o entendimento adotado pela Corte a quo, tendo em vista o óbice da
Súmula nº 126 do Tribunal Superior do Trabalho, motivo pelo qual deixou de
aplicar a Súmula nº 443 desta Corte. Foi determinante para a Turma a assertiva
regional de que o reclamado se desincumbiu desse ônus, especialmente diante
do depoimento da sua testemunha. Logo, não haveria outra maneira de se
chegar a entendimento diverso, senão pelo retorno às provas colacionadas aos
autos, o que, contudo, é vedado nesta instância recursal de natureza
extraordinária, conforme preconiza a Súmula nº 126 deste Tribunal, estando,
por conseguinte, obstado o reconhecimento de contrariedade à sua Súmula nº
443 na hipótese. Ademais, não cabe se cogitar de aplicação das regras de
julgamento relativas a ônus da prova (inclusive quanto às hipóteses em que se
justifica a sua inversão), questão de que trata a citada Súmula 443, nos casos
em que as instâncias ordinárias decidiram a controvérsia com base no exame
e na valoração das provas constantes dos autos, como ocorreu no presente
caso. Por outro lado, a divergência jurisprudencial não está demonstrada, nos
termos em que preconiza a Súmula nº 296, item I, do Tribunal Superior do
Trabalho. A tese adotada pelo Regional e mantida pela Turma foi a de que o
reclamado provou que a dispensa do reclamante decorreu de motivos técnicos
não relacionados à sua condição de saúde, conforme o depoimento da
testemunha do banco. Os arestos colacionados ao cotejo de teses, além de
convergirem com a decisão embargada, no ponto em que noticiam a
necessidade de prova, por parte do empregador, de que a dispensa decorreu
de motivo diverso, não relacionado ao fato de ser o empregado portador do
vírus HIV, registram, ainda, que desse ônus o reclamado não se desincumbiu
ou que ele foi atribuído ao reclamante, circunstâncias distintas do caso em
exame. Agravo desprovido " (AgR-E-RR-1851-10.2011.5.02.0034, Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro José Roberto Freire
Pimenta, DEJT 22/11/2019).

Em outra decisão, também publicada hoje, 22/11/2019, a SBDI-1 do TST fixou


que o câncer é considerado doença estigmatizante, para fins de enquadramento na
presunção de discriminação aludida na súmula 443 do TST. Eis a ementa, do processo
relatado pelo Min. JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA:
"EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 13.015/2014, PELO CPC/2015 E PELA
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2016 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO.
DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. NEOPLASIA MALIGNA. CÂNCER DE MAMA.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 443 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO.
ÔNUS DA PROVA DO EMPREGADOR. Discute-se in casu se a neoplasia maligna é
considerada doença estigmatizante, para o fim de incidência do disposto na Súmula
nº 443 desta Corte, a ensejar a presunção de dispensa discriminatória. Nos termos da
referida súmula, "presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do
vírus HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato,
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o empregado tem direito à reintegração no emprego". Tratando-se de presunção


relativa, adota-se o entendimento de que deve ser invertido o ônus da prova, que,
naturalmente seria do empregado, em detrimento do empregador, cabendo a este
provar, de forma robusta, que dispensou o empregado, portador de doença grave, por
algum motivo plausível, razoável e socialmente justificável, de modo a afastar o caráter
discriminatório da rescisão contratual. No caso destes autos, consta do acórdão
regional transcrito na decisão embargada que a reclamante foi diagnosticada com
carcinoma ductal infiltrante (câncer de mama), em grau 2, doença gravíssima que pode
levar a óbito. A Turma, contudo, adotou o entendimento de que , "apesar de o câncer
ser uma doença grave, não possui, por si só, caráter estigmatizante, não sendo
possível presumir discriminatória a dispensa do empregado portador da referida
doença" , motivo pelo qual deixou de aplicar a Súmula nº 443 desta Corte e manteve
a decisão regional pela qual se atribuiu à reclamante o ônus de provar a alegada
dispensa discriminatória. A decisão embargada não se coaduna com a jurisprudência
desta Subseção, que adota o entendimento de que a neoplasia maligna é, sim, uma
doença estigmatizante. Caberia, portanto, ao empregador provar que dispensou a
reclamante por motivo diverso do alegado, não podendo esse ônus recair sobre a parte
autora, como determinado pelo regional. Embargos conhecidos e providos" (E-RR-
202-77.2011.5.01.0053, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).

Uma terceira decisão que trago indica que o TST considera discriminatória a
dispensa ocorrida em virtude do ajuizamento de reclamação trabalhista. No caso,
presume-se que a dispensa do reclamante constitui medida de retaliação ao exercício
do direito de ação, não sendo razoável condicionar a permanência no emprego ao não
ajuizamento de ações. Trata-se de uma presunção que pode ser ilidida por prova em
sentido contrário, a cargo do empregador, que deve demonstrar a razão da despedida.
Deste modo, considerando que o empregador não demonstrou motivo legítimo para a
dispensa do reclamante a SBDI-1 concluiu pelo caráter discriminatório do
desligamento e, conforme pedido e autorizado pela Lei nº 9.029, de 1995, deferiu a
reintegração ao autor. Eis a ementa do processo relatado pelo Min. JOSÉ ROBERTO
FREIRE PIMENTA:
"EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 13.015/2014. REINTEGRAÇÃO. DISPENSA
DISCRIMINATÓRIA. AJUIZAMENTO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. Discute-
se o direito do reclamante à reintegração ao emprego, tendo em vista a dispensa
discriminatória motivada pelo ajuizamento de ação trabalhista em face da reclamada.
O Regional asseverou que "não pairam dúvidas de que o demandante foi dispensado
por ato discriminatório do demandado, diante da propositura de ação trabalhista, em
claro abuso de direito" , mas entendeu ser indevida a reintegração, por falta de
previsão legal e porque, diante da ausência de período definido de estabilidade ou de
garantia no emprego, não seria "possível precisar o momento em que o empregador
poderá rescindir, imotivadamente, o contrato de trabalho". A Turma manteve a decisão
regional, ao fundamento de que a conduta praticada pela reclamada não está descrita
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no rol elencado no artigo 1º da Lei n.º 9.029/95. Com efeito, em sua redação original,
o artigo 1º da Lei nº 9.029/95 proibia "a adoção de qualquer prática discriminatória e
limitativa para efeito de acesso a relação de emprego, ou sua manutenção , por motivo
de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas, neste
caso, as hipóteses de proteção ao menor previstas no inciso XXXIII do art. 7º da
Constituição Federal" (grifou-se). Embora o texto legal elencasse apenas
determinadas modalidades de práticas discriminatórias, o entendimento desta Corte
vinha sendo o de que o rol enumerado não era taxativo, permitindo sua extensão para
outras formas de discriminação, a serem constatadas nos casos concretos
examinados, inclusive porque a primeira parte do dispositivo, expressamente, referia-
se a "qualquer prática discriminatória", permitindo, assim, a adoção de interpretação
ampliativa, à luz do ordenamento jurídico brasileiro e dos princípios da proteção ao
trabalhador. Ademais, com amparo nos princípios da dignidade da pessoa humana e
dos valores sociais do trabalho (artigo 1º, incisos III e IV, da Constituição Federal), a
jurisprudência majoritária sempre entendeu que o direito potestativo do empregador
não é absoluto e, em casos como o destes autos, de dispensa do empregado quando
ajuizada reclamatória trabalhista contra o patrão, muitas vezes esse direito é invocado
para mascarar o real motivo da dispensa. A retaliação perpetrada pelo empregador
nesses casos constitui não apenas uma forma de punir o empregado, mas, também,
de impedir o exercício do direito de ação e evitar um julgamento que lhe seja favorável
e, portanto, impõe a nulidade da dispensa. Assim, mesmo na égide da redação anterior
do artigo 1º da Lei nº 9.029/95, esta Corte já reconhecia a conduta discriminatória do
empregador em casos de dispensa do empregado após a propositura de ação
trabalhista, ao fundamento de que a enumeração constante desse dispositivo não era
taxativa. Esse entendimento jurisprudencial foi consolidado com o advento da Lei nº
13.146/2015 (Estatuto da Pessoa Com Deficiência), publicada no Diário Oficial da
União em 7/7/2015, que alterou o artigo 1º da Lei nº 9.029/95 para incluir a expressão
"entre outros", após a enumeração de alguns tipos de práticas discriminatórias, nos
seguintes termos: É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa
para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de
sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação
profissional, idade, entre outros , ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à
criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal."
(grifou-se). Assim, não subsiste a tese de ausência de previsão legal para a nulidade
da dispensa do empregado baseada em conduta retaliatória praticada pelo
empregador, sendo exemplificativo o rol elencado no artigo 1º da Lei nº 9.029/95.
Inquestionável, portanto, que a dispensa do reclamante, em razão do ajuizamento de
ação trabalhista contra a reclamada, configura abuso do direito potestativo e constitui
dispensa discriminatória, nos termos da lei. Quanto ao pedido de reintegração, a nova
redação da Lei nº 9.029/95 estabelece ser faculdade do empregado optar entre a
reintegração, "com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, mediante
pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente e acrescidas de
juros legais", e " a percepção, em dobro, da remuneração do período de afastamento,
corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais" . Logo, a reintegração do
empregado está expressamente assegurada pela lei, devendo ser restabelecida a
sentença no aspecto. Embargos conhecidos e providos" (E-ARR-10256-
19.2014.5.03.0061, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
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02 – SBDI-1 do TST reafirma que o comparecimento diário do empregado


externo na empresa configura o controle de jornada.
A questão sempre é polêmica. Um empregado em atividade externa, por si só,
não está excluído do regime legal de jornada. Para tanto, na forma do art. 62, I, da
CLT, é necessário que o modo de execução do trabalho torne inviável o controle de
jornada. Assim, neste caso, cuja decisão relatada pelo Min. WALMIR OLIVEIRA DA
COSTA, a SBDI-1 reiterou o seu entendimento no sentido de que o comparecimento
diário do empregado na sede da empresa, no início e no final da jornada configura o
controle de jornada, ainda que indireto. Deste modo, foi dado provimento ao recurso
de embargos interposto pelo empregado:
"RECURSO DE EMBARGOS. REGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. HORAS
EXTRAS. TRABALHO EXTERNO. CONTROLE INDIRETO DA JORNADA DE
TRABALHO. 1. A Quinta Turma, ao prover o recurso de revista para excluir o
pagamento de horas extras, concluiu que o comparecimento do empregado na
sede da empresa, no início e ao final do expediente, não é suficiente para aferir
o controle de jornada. 2. Esta Subseção, todavia, firmou o entendimento de que
o comparecimento do empregado no início e ao final do labor diário, possibilita
o controle ainda que indireto da jornada de trabalho, o que impede o
enquadramento do regime de trabalho no disposto no art. 62, I, da CLT. Recurso
de embargos conhecido e provido" (E-RR-877-25.2010.5.05.0195, Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Walmir Oliveira da
Costa, DEJT 22/11/2019).

03 – O provimento do recurso de revista quanto ao pedido principal exige a


devolução dos autos para o Regional julgar o pedido subsidiário, não havendo
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preclusão, segundo a SBDI-1 do TST.


A decisão publicada hoje, 22/11/2019, pela SBDI-1 do TST é bem interessante
quanto à questão processual. O reclamante pediu diferenças salariais decorrentes de
promoções por mérito previstas no PCCS da reclamada e, subsidiariamente, pediu,
caso negada a pretensão principal promoções trienais por antiguidade. As promoções
trienais eram incompatíveis com as promoções por merecimento. Obteve êxito na
primeira e na segunda instância. No TST, o recurso de revista da empresa foi provido
para indeferir o pedido de promoções por merecimento. O debate processual que
surgiu foi se o fato do reclamante não ter reiterado em contrarrazões o pedido
subsidiário, na hipótese de provimento ao recurso, implicaria em preclusão quanto ao
pleito secundário. Nestes casos, o ideal sempre será que o advogado, mesmo sem
ter sucumbência, reitere o interesse no julgamento da matéria, caso haja provimento
do recurso em relação ao pleito principal. De todo modo, a SBDI-1 entendeu que não
havia preclusão e considerou que a inexistência de sucumbência desoneraria o
reclamante de reiterar o pedido subsidiário nas contrarrazões. Na prática, a decisão
relatada pelo Min. JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA determinou o retorno dos
autos à Vara do Trabalho de origem para julgamento do pleito subsidiário. Eis a
didática ementa:
"EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 13.015/2014. PEDIDO SUBSIDIÁRIO.
ARTIGO 326 DO CPC/2015. PEDIDO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE NAS
INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. PEDIDO SUBSIDIÁRIO PREJUDICADO. AUSÊNCIA
DE INTERESSE RECURSAL DO AUTOR EM DEVOLVER O PEDIDO SUBSIDIÁRIO
ÀS INSTÂNCIAS RECURSAIS. PEDIDO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE
PELA TURMA. NECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À VARA DO
TRABALHO DE ORIGEM PARA JULGAR O PEDIDO SUBSIDIÁRIO, SOB PENA DE
JULGAMENTO CITRA PETITA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. A controvérsia cinge-
se a definir se, julgado improcedente o pedido principal no recurso de revista, caberia
à Turma determinar o retorno dos autos à origem para julgar o pedido subsidiário, que
ficou prejudicado em face do êxito quanto ao primeiro nas instâncias ordinárias. Com
efeito, infere-se dos autos que a reclamante, na inicial, pleiteou diferenças salariais
decorrentes das promoções por mérito previstas no PCCS/90 e, caso julgadas
improcedentes, fossem-lhe deferidas diferenças relativas às promoções trienais por
antiguidade, ante a incompatibilidade entre as duas, já que a norma interna do
reclamado proíbe a cumulação das promoções pelos dois critérios. Nas instâncias
ordinárias, o pedido de diferenças salariais pelas promoções por merecimento foi
julgado procedente e o pleito subsidiário ficou prejudicado. A Turma deu provimento
ao recurso de revista patronal para julgar improcedente o pedido de diferenças
salariais decorrentes das promoções por mérito. Instada a se manifestar sobre o pleito
subsidiário, a Turma concluiu que a questão estava preclusa, por não ter sido renovada
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nas contrarrazões ao recurso de revista nem na contraminuta ao agravo de


instrumento. Sobre a matéria, dispõe o CPC de 2015: " Art. 326. É lícito formular mais
de um pedido em ordem subsidiária, a fim de que o juiz conheça do posterior, quando
não acolher o anterior." Trata-se da cumulação imprópria eventual ou subsidiária de
pedidos, com ordem de preferência entre eles, de modo que o pedido subsidiário
somente será analisado se o principal for julgado improcedente. Assim, julgado
procedente o pedido principal, o pleito subsidiário fica prejudicado, não cabendo ser
julgado nem exsurgindo interesse recursal do autor em vê-lo apreciado nas instâncias
recursais. De todo modo, é dever do Juiz analisar o pedido subsidiário se não acolher
o principal. Na hipótese dos autos, então, não havia interesse do autor em devolver às
instâncias recursais o pedido subsidiário, uma vez que o pleito principal já havia sido
julgado procedente, o que revela a ausência de sucumbência. Por outro lado, não há
falar em preclusão da matéria, já que o pedido subsidiário nunca foi decidido no
decorrer do processo, haja vista ter ficado prejudicado na sentença com a procedência
do pleito principal, razão pela qual não há de se exigir do autor exitoso no aspecto a
devolução da questão nas contrarrazões ao recurso de revista nem na contraminuta
ao agravo de instrumento. A respeito, oportuna a transcrição do julgado da Subseção
II desta Corte, em que, analisando idêntica controvérsia, julgou procedente a ação
rescisória ajuizada pela empregada, por reconhecer ter havido julgamento citra petita ,
determinando o retorno dos autos à Vara do Trabalho de origem para julgar o pedido
subsidiário referente às promoções trienais por antiguidade (AR-287-
41.2016.5.05.0000, Subseção II Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 11/11/2016). Do referido
julgado extrai-se a ratio decidendi de que não pode o juiz prolatar decisão que deixe
de apreciar pedido expressamente formulado, devendo compor a lide dentro dos
estritos parâmetros traçados pela litis contestatio, sob pena de configurar julgamento
citra petita , acarretando a rescisão da decisão judicial de mérito para que o pedido
subsidiário constante da inicial seja decidido no juízo rescisório. Desse modo, deveria
a Turma, ao julgar improcedente o pedido principal, determinar o retorno dos autos à
Vara do Trabalho de origem para julgar o pedido subsidiário, não julgado no processo
por ter ficado prejudicado desde a sentença. Precedentes desta Subseção I, da
Subseção II e de Turmas. Embargos conhecidos e providos" (E-ED-RR-219-
56.2010.5.05.0015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
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04 – O exercício da função de vigia, mesmo contratado pela Administração


Pública, não dá direito ao adicional de periculosidade por risco de violência.
A decisão da SBDI-1, relatada pelo Min. ALBERTO LUIZ BRESCIANI DE
FONTAN PEREIRA e publicada na data de hoje, 22/11/2019, distingue o vigia do
vigilante e aponta que o vigia não faz jus ao adicional de periculosidade, ainda que
contratado pela Administração Pública. A menção à Administração Pública decorre do
fato de que o Anexo da NR-16 que trata da periculosidade por risco de violência
urbana realmente deixa dúvidas acerca da natureza dos serviços prestados para fins
de caracterização do perigo no serviço prestado ao poder público. Eis a ementa:
"AGRAVO INTERNO. RECURSO DE EMBARGOS REGIDO PELAS LEIS Nos
13.015/2014 E 13.105/2015. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGIA.
PAGAMENTO INDEVIDO. 1. A Eg. 2ª Turma não conheceu do recurso de revista do
reclamante, vigia, que pretendia o pagamento de adicional de periculosidade.
Ressaltou que o pagamento da parcela entre dezembro de 2013 e agosto de 2015 "se
deu em razão do entendimento conferido à época ao Anexo 3 da Portaria 1.885/2013
do MTE, considerando-se a condição de empresa pública da reclamada e a incerteza
acerca do enquadramento do vigia em atividade profissional de segurança pessoal ou
patrimonial, motivo pelo qual concluiu que a supressão não configurou alteração
contratual lesiva. 2. A distinção de atribuições entre vigia e vigilante está presente na
Lei nº 7.102/1983 e na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do MTE nº 5174.
Nos termos do art. 16 da Lei nº 7.102/83, a atividade de vigilante depende de requisitos
específicos: "Para o exercício da profissão, o vigilante preencherá os seguintes
requisitos: [...] IV- ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado em
estabelecimento com funcionamento autorizado nos termos desta lei;[...]". Cumpridas
as exigências legais, ao vigilante será permitido o porte de arma de fogo, quando em
serviço (arts. 19, II e 22 da Lei nº 7.102/1983), a revelar a dissemelhança entre as
funções de vigia e de vigilante. 3. Nesse contexto, ainda que contratado diretamente
por ente da administração pública indireta, o reclamante não faz jus ao adicional de
periculosidade, uma vez que o exercício do cargo de vigia não se enquadra no item 2
do Anexo 3, da Portaria nº 1.885/2013, específico para aqueles que se ocupam das
atividades de segurança pessoal ou patrimonial. Precedentes da SBDI-1. Incidência
do óbice do art. 894, § 2º, da CLT. Agravo interno conhecido e desprovido" (Ag-E-RR-
11302-68.2015.5.03.0009, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 22/11/2019).

05 – SBDI-1 interpreta o reinício do cômputo do prazo prescricional quando


ajuizado protesto interruptivo.
O trabalhador ou a entidade sindical representativa pode usar o protesto para
fins de interrupção do prazo prescricional. Trata-se de procedimento simples em que
deverá, no entanto, mencionar qual pretensão está sendo objeto do protesto, na
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medida em que não cabe ação ou protesto genérico, sem indicar um objeto específico.
Feitas tais considerações, trago duas decisões da SBDI-1 que devem ser observadas
pelo advogado que faz uso do protesto em favor de seu cliente.
Na primeira decisão, relatada pelo Min. ALEXANDRE LUIZ RAMOS, foi
aplicado o entendimento explicitado na OJ nº 392 da SBDI-1 do TST, no sentido de
que o protesto na Justiça do Trabalho produz efeitos automaticamente com a sua
apresentação, independente de intimação do empregador acionado. Assim,
apresentado o protesto judicial, imediatamente é reiniciada a contagem do prazo
prescricional, a partir da própria data do protesto. No caso concreto, o protesto foi
apresentado no dia 2 de fevereiro de 2010 e, por isso, entendeu-se que a ação deveria
ser proposta até 2 de fevereiro de 2015, para estar a salvo da prescrição quinquenal.
Como o reclamante apresentou a ação no dia 3 de fevereiro de 2015, por um dia, foi
declarada a prescrição em relação às pretensões até então a salvo pelo protesto. Eis
a ementa:
"AGRAVO EM EMBARGOS EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO DE
REVISTA. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. HORAS EXTRAS.
PROTESTO JUDICIAL. REINÍCIO DO PRAZO. ART. 894, §2º, DA CLT. Na hipótese,
insurge-se a Agravante contra acórdão proferido pela 2ª Turma que não conheceu do
recurso de revista interposto pela Reclamante porquanto considerou, com amparo na
jurisprudência dominante desta Corte Superior, que o reinício da contagem do prazo
prescricional quinquenal deve coincidir com a data do ajuizamento da nova ação, no
caso de protesto judicial. Assim, declarou a prescrição da ação proposta em 3/2/2015,
visto que transcorridos mais de cinco anos do ajuizamento do protesto judicial
(2/2/2010). Na decisão de embargos o Presidente da 2º Turma manteve a decisão
Turmária, uma vez que em consonância com a iterativa, atual e notória jurisprudência
deste TST, nos termos do art. 894, § 2º, da CLT. Com efeito, trata-se a controvérsia
acerca da interrupção da prescrição nos casos de ajuizamento do protesto judicial.
Observa-se, consoante jurisprudência consolidada por meio da OJ 392 da SBDI-1 do
TST, que o ajuizamento do protesto judicial interrompe a prescrição extintiva (bienal) e
a prescrição quinquenal. Nesse esteio, o entendimento predominante desta Corte é no
sentido de que a data do ajuizamento do protesto corresponde ao marco inicial para
reinício da contagem da prescrição quinquenal, com pedidos idênticos. No presente
caso, a reclamação trabalhista foi proposta em 3/2/2015 e o ajuizamento do protesto
judicial deu-se em 2/2/2010. Infere-se, por conseguinte, que a ação foi ajuizada mais
de cinco anos após a interrupção da prescrição pela propositura do protesto judicial.
Portanto, o apelo não demonstrou a incorreção da decisão que denegou seguimento
ao recurso, amparada no artigo 894, II e § 2º, da CLT. Precedentes. Agravo que se
conhece e a que se nega provimento " (Ag-E-RR-135-07.2015.5.19.0010, Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT
22/11/2019).
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O segundo caso, também publicado na data de hoje, 22/11/2019, cuja decisão


foi relatada pelo Min. JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA tem um distinguishing. No
caso, embora desnecessário, o juiz promoveu a citação do empregador em relação
ao protesto ajuizado. Por isso, aplicando a parte final do parágrafo único do artigo 202
do Código Civil, a SBDI-1 do TST entendeu que, nesta hipótese, a recontagem do
prazo prescrição deve tomar por referência o último ato praticado no processo de
protesto judicial, que era exatamente o recebimento da citação pelo requerido. Eis a
ementa:
"EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 11.496/2007. PRESCRIÇÃO BIENAL.
PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. REINÍCIO DO CÔMPUTO DO PRAZO
PRESCRICIONAL A PARTIR DO ÚLTIMO ATO PRATICADO NO PRIMEIRO
PROCESSO. APLICAÇÃO DA PARTE FINAL DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO
202 DO CÓDIGO CIVIL. A controvérsia cinge-se a definir o termo inicial do reinício do
prazo prescricional bienal interrompido pelo ajuizamento de protesto judicial: se a data
do seu ajuizamento ou do último ato processual praticado. Depreende-se dos autos: o
protesto judicial foi ajuizado em 11/9/2007; o último ato processual nele praticado de
que se tem notícia foi a citação válida, ocorrida em 3/10/2007; esta ação foi proposta
em 1º/10/2009. Sobre a matéria, este é o entendimento pacificado desta Corte,
consubstanciado na Orientação Jurisprudencial nº 392 da SbDI-1: "PRESCRIÇÃO.
INTERRUPÇÃO. AJUIZAMENTO DE PROTESTO JUDICIAL. MARCO INICIAL. O
protesto judicial é medida aplicável no processo do trabalho, por força do art. 769 da
CLT e do art. 15 do CPC de 2015. O ajuizamento da ação, por si só, interrompe o prazo
prescricional, em razão da inaplicabilidade do § 2º do art. 240 do CPC de 2015 (§ 2º
do art. 219 do CPC de 1973), incompatível com o disposto no art. 841 da CLT " . O
artigo 202, parágrafo único, do Código Civil dispõe que " a prescrição interrompida
recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo
para a interromper ". O instituto da prescrição extintiva consiste na perda da pretensão
decorrente da violação de um direito subjetivo pela inércia do seu titular em promover
a ação durante determinado espaço de tempo nas hipóteses previstas em lei, ou seja,
é a perda da exigibilidade do direito pelo decurso de tempo. Desse modo, conclui-se
que o marco inicial para o reinício do cômputo do biênio prescricional é a data do último
ato processual praticado na primeira ação, no caso, do protesto judicial, em estrita
observância ao que dispõe a parte final do artigo 202, parágrafo único, do Código Civil ,
uma vez que, no curso do protesto judicial ou de qualquer outra ação, não se pode
contar o prazo prescricional, já que não há inércia do titular ou de quem lhe faça as
vezes no que tange à exigência do seu direito, requisito imprescindível para a
configuração da prescrição. Aliás, esse mesmo entendimento foi reiterado nesta
Subseção no julgamento do Processo nº E-ED-RR-92600.76.2005.5.05.0462 em
1º/6/2017, por unanimidade, acórdão de minha Relatoria publicado no DEJT de
16/6/2017, ocasião em que se firmou a tese de que o marco inicial para o reinício do
biênio prescrional é a data do trânsito em julgado da decisão proferida na primeira
ação ou no protesto judicial. Na hipótese, o último ato processual praticado no protesto
judicial de que se tem notícia nestes autos é a citação válida, ocorrida em 3/10/2007,
e esta reclamação foi ajuizada em 1º/10/2009, razão pela qual não há prescrição a ser
pronunciada. Embargos conhecidos e desprovidos" (E-RR-105800-
39.2009.5.04.0301, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator
Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).
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06 – SBDI-1 do TST reitera que a não concessão de intervalo de recuperação


térmica em ambiente artificialmente frio caracteriza insalubridade.
Essa questão tem sido bem polêmica em processos envolvendo frigoríficos. A
discussão é se o fornecimento de EPI que neutraliza a ação nociva do frio constitui
medida suficiente para afastar a caracterização de insalubridade quando o
empregador deixa de conceder o intervalo de recuperação térmica, previsto no art.
253 da CLT (20 minutos de pausa a cada 1 hora e 40 minutos laborados no frio). Na
decisão relatada pelo Min. WALMIR OLIVEIRA DA COSTA, publicada na data de hoje,
22/11/2019, a SBDI-1 do TST reiterou que o descumprimento das pausas de
recuperação térmica é circunstância que caracteriza a insalubridade. Eis a ementa:
"RECURSO DE EMBARGOS. REGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. ADICIONAL DE
INSALUBRIDADE. INTERVALOS PARA RECUPERAÇÃO TÉRMICA NÃO
CONCEDIDOS. 1. A eg. Oitava Turma, ao prover o recurso de revista, concluiu que a
não concessão do intervalo para recuperação térmica implica o pagamento do
adicional de insalubridade apenas quando comprovada a ausência de proteção
adequada contra o agente insalubre frio, nos termos do Anexo 9 da NR 15. 2. Esta
Subseção, todavia, firmou entendimento de que o fornecimento de equipamentos de
proteção não elide o agente insalubre, se houver exposição ao ambiente artificialmente
frio por períodos superiores ao estabelecido em lei, na hipótese de não concessão dos
intervalos para recuperação térmica previstos no art. 253 da CLT. Recurso de
embargos conhecido e provido" (E-RR-25433-24.2014.5.24.0001, Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa,
DEJT 22/11/2019).

07 – SBDI-1 do TST reitera que a despedida de empregado com deficiência ou


reabilitado gera a reintegração se a empresa deixa de cumprir a cota mínima
legal de contratação deste perfil de trabalhador.
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A decisão a seguir, relatada pelo Min. JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA,


publicada na data de hoje, 22/11/2019, trata-se de reiteração da jurisprudência do TST.
A lei previdenciária (art. 93 da Lei nº 8.213/1991) prevê que as empresas com
mais de 100 empregados devem observar cota mínima de contratação de pessoas
com deficiência ou reabilitados da Previdência Social. No caso de dispensa sem justa
causa de tais empregados, a empresa deve substituir a pessoa por outro semelhante,
ou seja, por trabalhador elegível para vaga destinada à referida cota. Assim, a
jurisprudência considera nula a dispensa não precedida de substituição, caso, em
razão do desligamento, o empregador esteja descumprindo a cota mínima da lei
previdenciária. A consequência prática da nulidade será a reintegração do empregado.
Eis a ementa:
"AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR
DENEGATÓRIA DE SEGUIMENTO DE EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº
13.015/2014. EMPREGADO COM DEFICIÊNCIA OU REABILITADO. DISPENSA
IMOTIVADA. DESCUMPRIMENTO DA COTA MÍNIMA PREVISTA NO ARTIGO 93,
CAPUT, DA LEI Nº 8.213/91. REINTEGRAÇÃO DEVIDA. O conhecimento do recurso
de embargos por contrariedade à Súmula nº 126 do TST é, em princípio, incompatível
com a nova função exclusivamente uniformizadora desta SbDI-1, prevista no artigo
894 da CLT. Ressalta-se, por oportuno, que, da forma como apreciada a questão pela
Turma, não se demonstra inobservância à Súmula nº 126 do TST, pois a decisão
adotou premissa fática registrada no acórdão regional. Acrescenta-se que consta no
acórdão regional que, à época da dispensa da reclamante (novembro de 2009), o
reclamado não havia preenchido o percentual mínimo de empregados reabilitados ou
com deficiência e que o percentual foi atingido apenas em 2010 e a Turma, com
fundamento na Súmula nº 126 deste Tribunal, decidiu que não havia afastar essa
premissa, o que demonstra observância ao entendimento previsto no referido verbete
sumular. Assim, não há falar na alegada contrariedade à Súmula nº 126 do TST.
Quanto ao mérito, melhor sorte não socorre o reclamado. A Turma assentou que a
jurisprudência desta Corte firmou entendimento de que o artigo 93, § 1º, da Lei nº
8.213/91 estabelece garantia indireta de emprego. Acrescentou que não há como
afastar a decisão proferida pelo Tribunal Regional no sentido de que não ficou
comprovado que a quota de empregados deficientes e reabilitados foi atendida, pois,
para tanto, seria necessário o reexame do conteúdo fático-probatório, o que é vedado
nesta fase processual, nos termos da Súmula nº 126. Ao responder aos embargos de
declaração interpostos pelo reclamado para que a Turma se manifestasse sobre se a
estabilidade se destinava à pessoa do empregado ou era mera garantia do
cumprimento da cota a ser cobrado em face do alcance da Lei nº 8.213/91, o Colegiado
a quo registrou que "o reclamado está inovando, nos embargos de declaração, suas
razões de agravo, porquanto lá apenas argumentou que a Lei 8.213/91 não garantiu
estabilidade ao empregado em reabilitação e que a contratação de outro em
reabilitação supria o art. 93 do mesmo diploma. A matéria foi enfrentada no AGRAVO,
nos termos em que proposta, havendo a efetiva prestação jurisdicional. Além de tudo
isso, não há manifestação no TRT sobre a tese do reclamado (Súmula 297 do TST)".
Nesse contexto, verifica-se que o aresto colacionado desserve ao cotejo de teses,
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porquanto carece da devida especificidade exigida nos termos do item I da Súmula nº


296 desta Corte, já que não revela teses diversas acerca da interpretação do mesmo
dispositivo legal diante do mesmo quadro fático retratado nos autos. Assim,
verificando-se que a decisão agravada não merece reparos, não havendo a parte
demonstrado qualquer desacerto, nos termos da fundamentação expendida, impõe-se
a aplicação de multa no importe de 1% sobre o valor atualizado da causa a ser
revertida em favor da reclamante, nos termos dos artigos 1.021, § 4º, do CPC de 2015
e 3º, inciso XXIX, da Instrução Normativa nº 39/2016. Agravo desprovido" (Ag-E-ED-
Ag-ARR-548-53.2011.5.09.0005, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais,
Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 22/11/2019).

08 – Projeto MPT 111.


Está em andamento o Projeto MPT 111, conduzido pelo Prof. Fabiano Coelho.
É um grupo de Telegram com postagens diárias de conteúdo jurídico e motivacional,
por 111 dias, até o dia da primeira prova do concurso de procurador do trabalho. caso
queira aderir, é só pedir o link ao professor no whatsapp ou telegrama 62 99274-4473.

09 – Treinamento PRÁTICA DAS AUDIÊNCIAS TRABALHISTAS será realizado em


Brasília.
O treinamento PRÁTICA DAS AUDIÊNCIAS TRABALHISTAS, com os
Professores Fabiano Coelho (Juiz titular da 4ª Vara do Trabalho de Goiânia) e Antonio
Umberto (Juiz Titular da 6ª Vara do Trabalho de Brasília) será realizado, no dia 30 de
novembro, das 9:00 às 12:15 e das 13:30 às 17:00 horas, no auditório do ISMEP -
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Instituto Santa Marta de Ensino e Pesquisa (ao lado do Hospital Santa Marta) em
Taguatinga-DF.
O treinamento baseia-se no livro MANUAL PRÁTICO DAS AUDIÊNCIAS
TRABALHISTAS, de autoria do Quarteto Trabalhista, integrado pelos professores
Antonio Umberto, Fabiano Coelho, Ney Maranhão e Platon Neto, publicado pela
editora RT. Serão abordados aspectos práticos envolvendo a dinâmica da audiência
trabalhista, técnicas de conciliação, produção de prova oral e ônus da prova.
Haverá desconto de 10% para inscrições com pagamento antecipado, ou seja,
até o dia 22/11. Para os advogados associados e adimplentes da AAT-DF o desconto
de antecipação será de 15%.
Informações e inscrições podem ser tratadas com o Prof. Fabiano Coelho (62
99274-4473) ou com o organizador local, Dr. André Santos (61 99139 0010).

10 – Treinamento SEJA UM EXPERT EM RECURSO DE REVISTA AGORA!


O treinamento “SEJA UM EXPERT EM RECURSO DE REVISTA AGORA!”,
chega a Rio Verde, no dia 23 de novembro, com inscrições abertas.
Essa semana começamos a divulgação da Edição São Paulo!, marcada para
o dia 5/12.
Está confirmada para os dias 10 e 11 de dezembro, a edição Caldas Novas,
que será realizada pela ESA-GO e a subseção da OAB.
Para o dia 14/12, em Goiânia, edição in company.
Também está disponível para contratação in company o treinamento SEJA UM
EXPERT EM RECURSO DE REVISTA AGORA! com o prof. Fabiano Coelho.
Os interessados poderão obter informação de datas, cidades e locais, e
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fazer pré-reserva de vaga pelo e-mail mmfabianocoelho@gmail.com ou pelo


whattsapp 62 99274-4473.

11 – Curso Reforma Trabalhista e MP 905.


Será lançado na próxima semana o curso REFORMA TRABALHISTA e MP
905, com o professor Fabiano Coelho. Neste curso, serão abordadas as mudanças
trabalhistas da Medida Provisória 905 e examinados os principais tópicos da
jurisprudência referente aos 2 anos de vigência da Lei nº 13.467/2017. O curso será
100% online. Para obter cupom de desconto para a inscrição, basta encaminhar um
whatsapp para o número 62 99274-4473.

12 - Divulgação dos livros do Prof. Fabiano Coelho e do Quarteto Trabalhista