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Virtualização: A Tendência para a TI Verde no ambiente

Corporativo.
Luis Antonio Fergulha Junior, Luis Antonio Montanham Junior.

Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)


Caixa Postal 68 – 13400-901 – Piracicaba – SP – Brasil
luisfergulha@gmail.com luismontanhamjr@gmail.com

Resumo. Este artigo descreve a Tecnologia da Informação aplicada a


colaborar com o meio ambiente. A TI ganhou importância quando as
empresas modernas perceberam que as informações que detém fazem
parte de seu patrimônio e que o modo como uma implementação
informacional é efetuada em sua estrutura pode moldar toda a empresa.
Como toda evolução até o século XX com crescimento descontrolado, por
exemplo, o progresso da indústria automobilística, causa uma série de
fatores negativos para a natureza. A informática faz parte desse
desenvolvimento, portanto, colabora para que esses fatores negativos
ocorram, principalmente com descartes de equipamentos e gastos
elevados de energia elétrica. Pensando nesses fatos negativos, surge um
novo conceito de Tecnologia, a TI Verde, que por sua vez está ganhando
espaço no mercado de trabalho e sendo aplicado nas empresas, pois,
alem de incentivar a sustentabilidade, reduz explicitamente os custos
financeiros.

Palavras Chaves: Sustentabilidade, Virtualização e TI Verde.

1. Introdução

A tecnologia evolui a cada dia. Os primeiros computadores funcionavam


através de circuitos e válvulas, onde precisavam de muita energia elétrica e espaço
físico. Atualmente eles ficaram menores, mais acessíveis e com melhor
desempenho, alem de consumir menos energia. Mesmo reduzido, esse consumo
ainda é muito elevado, alem do mais, ocorre muito descarte em pouco período de
tempo conforme o avanço tecnológico.
A partir desse contexto surgem alguns problemas no âmbito da
sustentabilidade, sendo um dos principais, a quantidade de energia elétrica
demandada. Outro incidente é a abundância de lixo eletrônico produzido pela
constante substituição de equipamentos, onde a maior parte desse lixo é constituída
de metais pesados.
Mundialmente se discute o aquecimento global e como poderíamos
poupar os recursos da terra para as próximas gerações. Nesse assunto a área de
Tecnologia da Informação não fica para trás, alias, as empresas ligadas a TI estão
saindo na frente das demais, pois representa uma das principais ferramentas para a
ecologização de uma corporação abordando preocupações ambientais e definindo
tópicos como eficiência e energia, redução de consumo de recursos ambientais e
energéticos, busca de tecnologias com o maior efeito sobre a produtividade e o
menor impacto sobre o meio ambiente.
Conhecida como “TI Verde”, esse conceito não sai da pauta de discussão
dos maiores empresários do mundo corporativo, eles vêem se debatendo na busca
de um caminho para a sustentabilidade, onde seu desenvolvimento se dá em três
aspectos: econômico, social e ambiental, evoluindo à medida que a intersecção
aumenta.
As palavras “TI verde” e “Sustentabilidade”, serão muitas vezes repetidas
nesse artigo, pois atualmente esses termos se completam. Impossível mencionar TI
verde sem citar sustentabilidade. Nos últimos anos o desenvolvimento sustentável
vem se tornando um principio de usar os recursos naturais presentes para satisfazer
as nossas necessidades, mas sempre pensando nas gerações futuras que podem
ficar sem esses recursos caso não haja uma moderação nesse uso. Nesse caso
entra a função do “Green IT”, que consiste em aplicar utilização moderada de
equipamentos e usufrutos que impactam a natureza na área da tecnologia.
A TI hoje estimula o desenvolvimento mundial, provendo informação e
conceito para o crescimento das organizações. Com o surgimento da virtualização,
em 1960, porem, destacada recentemente, pôde-se obter um gerenciamento
centralizado de computadores e servidores, pois com apenas uma máquina física,
consegue-se hospedar varias virtuais, dependendo da capacidade e desempenho.
Atualmente, o ambiente Virtualizado obteve uma grande evolução, principalmente
em ferramentas integradas com distintos sistemas alem de surgir certa concorrência
de mercado entre as empresas desenvolvedoras fazendo com que novas facilidades
e recursos para esse meio surgissem devido à competitividade para conquistar
novos utilizadores. (Alex Prado, 2009).
Seguindo essa evolução, buscou-se a eficiência levando em consideração
o uso de “Thin Client”, “Cloud Computing”, “Leasing Back”, “Saas” e “Outsourcing”,
reduzindo o hardware, processamento e consumo de energia, sem perder a
qualidade ou capacidade no atendimento dos níveis de serviço onde veremos mais
adiante as novas funcionalidades e tendências no decorrer desse artigo.

2. TI Verde alinhada ao Negócio.

Empresas que não aderiram às novas técnicas “Verdes” impactam no


meio ambiente e não promovem o principio básico do “Green IT” que é a
sustentabilidade.
Com cada Sistema Operacional dependendo de um equipamento físico,
requer um exorbitante consumo de energia, quantidade demasiada de cabeamento
e uma grande área física para comportar toda essa estrutura, alem do mais, a
utilização de antigos monitores “CRT” consomem muito mais energia que monitores
do tipo “LCD”. (Fabio Hara, 2010).
A TI impacta diretamente nos problemas de consumo de energia, dejetos
químicos, toxinas e metais, descarte técnico e água, no entanto, para reverter esse
quadro devem-se promover campanhas de eficiência de energia e direcionamento
de educação no ambiente corporativo.
Apesar da substituição de equipamentos antigos pelos modernos
contribuírem para a redução de eletricidade, precisa-se realizar o descarte correto
das maquinas não utilizadas, como por exemplo, vendendo esses produtos
inutilizados às Empresas de reaproveitamento.
Em um ambiente adequado, a infra estrutura de TI necessita de uma
refrigeração maior para atender a necessidade de resfriamento das maquinas.
Diminuir o espaço e modificar o “Layout”, aumenta a dimensão e promove maior
circulação de ar, fazendo com que seja necessário menor quantidade de
refrigeração.
Alem do aspecto físico, existem os softwares capazes de gerenciar o
hardware para que o mesmo possa consumir menos energia. Um exemplo disso é a
Empresa “GE” que espera economizar dois milhões e trezentos mil dólares por ano
apenas com essa evolução. (Marcos Laureano, 2010).
Apesar da TI não estar na linha de frente quando se reporta a
sustentabilidade nos processos de negocio, ela contribui não apenas para o
desenvolvimento de recursos, mas também para proporcionar ações de grande
economia a fim de a corporação adotar e praticar o conceito.
O primeiro item discutido nas Empresas que adotaram o “Green IT” foi a
virtualização de Servidores. Levando em consideração o lado financeiro, preparar
um ambiente virtualizado tem um custo considerável para a Empresa. Porem, com
um bom planejamento e perspectiva de negocio, pode-se utilizar o mesmo
equipamento existente, sendo necessário apenas um “Upgrade” para suportar as
futuras instalações. (Arlindo Maluli, 2010).
Apesar de o fator financeiro influenciar no inicio da implantação,
analisando o custo beneficio ao longo do tempo, pode compensar esses
investimentos e os retornos serão consideráveis.

3. Benefícios trazidos com a Virtualização.

Apesar de não ser um conceito atual, pois ainda na metade do século


passado já era implantada no “Mainframe”, a virtualização vem ganhando espaço
cada vez mais atualmente. Hoje em dia, as maquinas virtuais consistem em arquivos
que são os discos virtuais propriamente ditos, mas antigamente, elas eram
exatamente uma copia do hardware, conforme afirma Tanenbaum:
O Coração do Sistema conhecido como monitor de
maquina virtual é executado diretamente sobre o
hardware e implementa a multiprogramação,
provendo assim não uma, mas varias máquinas
virtuais para a próxima camada situada acima.
Contudo, ao contrario dos demais sistemas
operacionais, essas maquinas virtuais são maquinas
estendidas, com arquivos e outras características
convenientes. Na verdade, são copias exatas do
hardware, inclusive com modos núcleo/usuário, E/S,
interrupções e tudo o que uma maquina real tem.
(Tanenbaum, “Sistemas Operacionais Modernos”, pg
44).
Com o aumento no volume de dados e a crescente convergência da
tecnologia, foi necessário adaptar uma maneira capaz de atender todas as
demandas das empresas. Essa forma de adaptação vem crescendo e sendo
utilizada com freqüência nas organizações que adotam a virtualização, fazendo com
que se torne uma tendência e um padrão para reduzir custos de administração,
manutenção e centralizar o trabalho dos gerentes de tecnologia.
O gerenciamento é centralizado e simplificado, reduzindo reparos de
equipamentos devida execução de diversos sistemas operacionais em uma única
maquina física, alem de diminuir drasticamente o consumo de energia.
Com a pressão constante nas empresas para redução de custos, os
“CIOs” devem planejar juntamente com sua equipe um resultado para que isso
possa ocorrer. Uma dessas maneiras seria aumentar a performance, otimizar a infra-
estrutura e diminuir o espaço sem perder desempenho.
Grandes corporações podem disponibilizar todos seus “Desktops”
centralizados em apenas um “Data Center”, mesmo que a estrutura física seja
separada, como uma Matriz em São Paulo e uma Filial em Recife. Isso é permitido
devido a utilização de novos aplicativos, reduzindo suporte técnico e garantindo alta
disponibilidade e contingencia para os principais serviços críticos.
De acordo com o Diretor da “Seven Internet”, Alexandre Neves,
a virtualização de servidores não beneficia somente
Empresas de TI. Qualquer segmento que tenha um
ou mais servidores já pode usufruir de um ambiente
virtualizado. Na prática, todo serviço é critico e
necessita estar vinte e quatro horas disponível ao
cliente alem de suportar picos de processamento em
horários específicos.(Alexandre Neves, 2010, “Jornal
Diário do Comércio”).
Garantindo alta disponibilidade, redução de cabeamento, numero de
maquinas e ganho de desempenho, os benefícios ficam evidentes nos “Data
Centers” com a criação de uma estrutura virtual. Dependendo do hardware, é
possível hospedar quinze a vinte servidores em apenas um ambiente físico,
representando uma considerável economia, havendo menos maquinas físicas para
monitorar e menor complexibilidade de infra estrutura.
O “Cloud Computing” (Computação em Nuvem) é uma das principais
tendências interligadas à virtualização. Ele permite que as organizações não
precisem ter um ambiente interno desenvolvido e todos os dados são acessados
pela “Web”. Muitas empresas estão surgindo para disponibilizar esse recurso e
muitas corporações estão contratando esse serviço. A maquina virtual que antes se
hospedava dentro do ambiente tecnológico da empresa, agora pode ser
disponibilizada remotamente pela computação em nuvem, reduzindo ainda mais a
área física e consumo de energia.
A garantia de disponibilidade e redundância alem dos “SLAs” (Acordo de
nível de Serviço) são cumpridos devido o “Cloud Computing” trabalhar em “Cluster”,
ou seja, se algum equipamento deixar de funcionar, outro automaticamente assume
suas tarefas.

4. Considerações Finais.

Uma questão curiosa sobre “Green IT” é que muitas vezes o benefício
não é percebido pela área, mas sim por outros processos de negócio. Não é comum,
por exemplo, que as metas para gestão de consumo de energia estejam atreladas à
TI. Assim como também não é comum que a compra de equipamentos e máquinas
ecoeficientes seja responsabilidade da área. De qualquer forma, isso evidencia a
necessidade de sinergia entre TI e os processos responsáveis, para que o conceito
de sustentabilidade seja levado adiante com sucesso e metas alcançáveis.
A sustentabilidade agregada à TI capacita a Empresa a controlar seus
ativos de maneira eficiente, equilibrando a sociedade com o meio ambiente. Isto está
ligado diretamente a relevância da tecnologia da Informação à visão de futuro das
organizações envolvidas.
A partir disso, surge um novo grupo de Empresas, que planejam seus
objetivos, tendo como alicerce o desenvolvimento sustentável e empregam energia
para disseminar estas diretivas por todas as áreas da corporação.

5. Referências Bibliográficas.

PROFISSIONAIS DE TI, Sustentabilidade em TI: Indo alem da “TI Verde”, disponível


em : < http://www.profissionaisti.com.br/2009/01/sustentabilidade-em-ti-indo-alem-
da-ti-verde/ >. Acesso em 15 nov 2010.
PROFISSIONAIS DE TI, “Virtualização: Sua Empresa e a Natureza Agradecem”,
disponível em: < http://www.profissionaisti.com.br/2010/08/virtualizacao-sua-
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TIVERDEBR, “TI Verde Brasil: A informação segundo Castells”, disponível em : <
http://tiverdebr.blogspot.com/2009/01/castells.html >. Acesso em 13 nov 2010.
BAGUETE, “Entendendo a Virtualização de Servidores”, disponível em: <
http://www.baguete.com.br/blog/virtualizacao/03/12/2007/entendendo-a-
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VIRTUALIZAÇÃO E CLOUD COMPUTING, “ As Forças que levam ao Cloud
Computing “, disponível em: < http://amaluli.com/ > Acesso em 14 nov 2010.
TANENBAUM, A.S. Sistemas Operacionais Modernos, 2ª Ed. São Paulo: Pearson,
2008, 695 p.